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Uso de textos na alfabetizacao

Isa ...
Isa ...
Isa ...PROFESSORA DA SALA MULTIFUNCIONAL em EMEF Maria Arlete Bitencourt Lodetti

Uso de textos na alfabetizacao

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1
.
PREFEITURA MUNICIPAL DO SALVADOR
Secretaria Municipal de Educação e Cultura – SMEC
Coordenadoria de Ensino e Apoio Pedagógico – CENAP
A TEORIA NA PRÁTICA: USO DE TEXTOS NA ALFABETIZAÇÃOi
Angela Freireii
O texto é o lugar de interação de sujeitos sociais. É um construto histórico e social, complexo e
multifacetado. Instrumento de manifestação da linguagem que não pode prescindir de uma
dimensão social. É uma unidade de sentido.
Considerar o texto, como unidade de ensino, tem sido a base do processo ensino-aprendizagem,
desde a década de 1980. Ele foi eleito ponto de partida e de chegada deste processo, propiciando
atividades de leitura, de produção e de análise lingüística. De acordo com esta concepção, letras,
fonemas, sílabas, palavras e frases soltas são descartáveis no ensino da língua em detrimento do
texto como unidade básica de ensino e os gêneros textuais como objeto de ensino.
Partindo deste pressuposto, não se pode conceber o processo de alfabetização sem desvinculá-lo da
noção de texto, concebido como lugar de enunciação e produto de interação verbal. O texto deve
constituir-se em objeto de conhecimento para o ensino e aprendizagem da língua. É nele que esta se
configura em sua "concretude".
Nesta perspectiva, é preciso “alfabetizar letrando”, garantindo desde o início do processo de
alfabetização a participação dos/as alfabetizandos/as em práticas de leitura e produção de textos
reais e significativos. É preciso que eles/as conheçam variações de tipos de textos para que
aprendam a identificar as suas formas e funções. Para tanto, deve-se dar oportunidade a estes
sujeitos a interação com uma grande variedade de escritos sociais, de textos impressos e orais.
TRABALHANDO COM TEXTOS NA ALFABETIZAÇAO
Inicialmente, é fundamental trabalhar com textos conhecidos de memória pelos/as
alfabetizandos/as, pois, assim como nós, eles/as podem fazer antecipações e inferências, desde o
inicio da aprendizagem de leitura.iii
São eles: quadrinhas, parlendas, trava-línguas, adivinhas,
cantigas de roda, poesias. O trabalho pedagógico com tais textos favorece o estabelecimento de
correspondência entre o falado e o escrito.
As adivinhas, as cantigas de roda, as parlendas, as quadrinhas e os trava-línguas são antigas
manifestações da cultura popular, universalmente conhecidas e mantidas vivas através da
tradição oral. São textos que pertencem a uma longa tradição de uso da linguagem para cantar,
recitar e brincar. A maioria deles é de domínio público, ou seja, não se sabe quem os inventou:
foram simplesmente passados de boca a boca, das pessoas mais velhas para as pessoas mais
novas (Projeto Nordeste - Escola ativa).
O texto trabalhado na alfabetização desperta a curiosidade, desvela o desconhecido, provoca
inquietações, levanta questionamentos, estimula o prazer pela leitura e o interesse em aprender
para conhecer.
2
Dar visibilidade a esses textos na sala de aula favorece a valorização e a apreciação da cultura
popular, assim como o estabelecimento de um vínculo prazeroso com a leitura e a escrita. Os textos,
pertencentes à tradição oral e dos quais os/as alfabetizandos/as conhecem de memória, possibilitam
o avanço nas hipóteses a respeito da língua escrita. O primeiro passo para envolvê-los/as ativamente
na leitura, mesmo que eles/as ainda não a dominem, é escolher um texto adequado aos interesses do
grupo. Veja algumas sugestões de exploração dos textos:
É importante salientar que nas atividades de leitura, os/as alfabetizandos/as precisam analisar todos
os indicadores disponíveis para descobrir o significado do escrito e poder realizar a leitura de duas
formasiv
:
1) Pelo ajuste da leitura do texto, que conhece de cor, aos segmentos escritos. Os textos mais
adequados a esta situação são:
Quadrinhas, parlendas, trava-línguas, adivinhas, cantigas de roda, poemas.
2) Pela combinação de estratégias de antecipação (a partir de informações obtidas no contexto, por
meio de pistas) com índices providos pelo próprio texto, em especial os relacionados à
correspondência fonográfica. Os textos mais adequados a esta situação são:
Embalagens comerciais, anúncios e folhetos de propaganda. Tais textos fazem suposições de
sentido a partir do conteúdo, da imagem, ou foto, do conhecimento da marca ou do logotipo, isto
é, de qualquer elemento do texto ou do seu entorno que permita aos alfabetizandos/as imaginar o
que poderia estar ai escrito.
O planejamento de situações de leitura para crianças que estão se alfabetizando deve considerar as
seguintes questõesv
:
1. É possível ler, quando ainda não se sabe ler convencionalmente.
2. Ler (diferentes textos, em distintas circunstâncias de comunicação) é um bom problema a ser
resolvido.
3. Quando o/a alfabetizando/a ainda não sabe decodificar completamente o texto impresso e precisa
descobrir o que está escrito, sua tendência é buscar adivinhar o que não consegue decifrar,
recorrendo ao contexto nos quais os escritos estão inseridos, bem como às letras iniciais, finais ou
intermediárias das palavras.
4. Os/as alfabetizandos/as devem ser tratados como leitores plenos: é preciso evitar colocá-los em
posição de decifradores, ou de “sonorizadores” de textos.
Exemplos de atividades pedagógicas
• Escrever o texto em uma folha grande de papel em letra de fôrma maiúscula (caixa alta).
• Explorar o título e levantar hipóteses do tema geral.
• Ler o texto completo em voz alta.
• Estimular os/as alfabetizandos/as a contar o que compreenderam.
• Identificar o gênero, suas características e funções, bem como o portador textual, título, o
autor, personagens, a intenção do texto, dentre outros aspectos.
• Ler o texto, apontando palavra por palavra, para que eles/as acompanhem.
• Chamar a tensão para a direção do texto, os limites gráficos das frases e os espaços entre as
palavras.
• Propor a leitura: silenciosa e compartilhada, individual ou coletiva.
• Ler e reler textos que as crianças conhecem de memória.
3
5. É fundamental planejar, desde o início do processo de aprendizagem da leitura, atividades que
tenham a maior similaridade possível com as práticas sociais de leitura.
6. Deve-se dar oportunidade às crianças de interagir com uma grande variedade de textos impressos,
de escritos sociais.
7. Apresentar os textos no contexto em que eles/as efetivamente aparecem favorece a coordenação
necessária, em todo ato de leitura, entre a escrita e o contexto.
8. É preciso propor atividades ao mesmo tempo possíveis e difíceis, que permitam refletir sobre a
escrita convencional: atividades em que os alunos ponham em jogo o que sabem, para aprender o
que ainda não sabem.
9. É importante não trabalhar com as palavras isoladamente, mas como meio para que a criança,
com sua atenção focalizada em uma unidade pequena do texto, possa refletir sobre as características
da escrita.
10. Deve-se favorecer a cooperação entre os/as alfabetizandos/as, de tal modo que eles/as possam
socializar as informações que já têm, confrontar e pôr à prova suas diferentes estratégias de leitura.
No que se refere à escrita de textos, é fundamental que eles/as tenham muitas oportunidades de
fazê-la, mesmo antes de saber grafar corretamente as palavras: quanto mais fizer isso mais
aprenderá sobre o funcionamento da escrita.
A oportunidade de escrever quando ainda não sabe permite que as crianças confrontem hipóteses
sobre a escrita e pensem em como ela se organiza, o que representa, para que serve.
É preciso considerá-las escritoras plenas, capazes de produzir textos diversos dirigidos a
destinatários reais e orientados para cumprir propósitos característicos da escrita – informar,
registrar, persuadir, documentar –, evitando colocá-los na posição de meros copistas de textos
irrelevantes, em situações em que a cópia não responde a nenhum propósito identificável.vi
Agora, veja alguns aspectos significativos das concepções de alfabetização baseadas nas
perspectivas tradicional e construtivista:vii
TRADICIONAL: com silabário. CONSTRUTIVISTA: com textos.
- Valoriza o produto final do ato de ler e
escrever.
- Entende alfabetização como compreensão do
modo de construir conhecimento.
- A concepção de ensino e aprendizagem
pressupõe que a alfabetização é um processo
cumulativo: agregam-se conhecimentos,
passando pouco a pouco do simples (letras e
sílabas) ao complexo (palavras e texto).
- A concepção de ensino e aprendizagem
pressupõe que a alfabetização é um processo de
construção conceitual, apoiado na reflexão sobre
as características e funcionamento da escrita:
pouco a pouco o/a educando/a compreende as
regularidades que caracterizam a escrita.
- Exercícios repetitivos de coordenação
motora, discriminação visual e auditiva,
localização espaço-temporal, etc.
- Entende alfabetização como compreensão dos
meios que a criança utiliza para representar a
construção do seu conhecimento sobre a língua
escrita.
- O modelo de ensino apóia-se na capacidade
do sujeito de associar estímulos e respostas,
repetindo, memorizando e fixando na
memória; a escrita é algo a ser decifrado.
- O modelo de ensino apóia-se na capacidade do
sujeito refletir, inferir, estabelecer relações,
processar e compreender informações
transformando-as em conhecimento próprio.
A criança compreende a função social da
escrita.
- Parte-se da crença de que seja fácil para o/a
educando/a aprender primeiro, havendo falsa
- Parte-se do que os/as educando/as pensam e
sabem sobre a escrita, e isto possibilita que a
4
suposição sobre o que é fácil e difícil de
aprender.
aprendizagem seja significativa.
- A criança é copista, não conseguindo
construir um texto elaborado, e sim com frases
soltas, repetitivas.
- Ela elabora o texto de acordo com sua visão de
mundo, de forma criativa, expondo suas idéias.
- Tudo vem pronto para ser copiado. São
utilizados textos artificiais para ensinar a ler e
a escrever.
- Os textos são desenvolvidos pelas crianças,
conforme sua linha de raciocínio. São textos
reais, considerados como o local onde se
aprende a ler e escrever, bem como se reflete
sobre as regularidades da escrita.
-A informação deve ser oferecida da forma
mais simples possível, uma de cada vez, para
não confundir aquele que aprende.
- O/a aprendiz é um sujeito, protagonista do seu
próprio processo de aprendizagem.
Veja também alguns exemplos de situações didáticas que envolvem leitura e escrita de textos:viii
SITUAÇÕES DE LEITURA COM
TEXTOS CONHECIDOS
SITUAÇÕES DE ESCRITA DE TEXTOS
CONHECIDOS
Leitura pelo professor – É importante que o/a
professor/a faça a leitura de vários textos do
mesmo gênero (adivinhas, cantigas de roda,
parlendas, quadrinhas ou trava-línguas), de
modo que as crianças possam se apropriar de
um amplo repertório do texto em questão. Essa
atividade de leitura pode ser diária (na hora da
chegada, na volta do recreio…), ou semanal. O
importante é que elas tenham um contato
freqüente com os textos, para que possam
conhecê-los melhor.
Leitura compartilhada (professor e alunos)
– Em alguns momentos da rotina de sala de
aula, o/a professor/a pode ler junto com as
crianças alguns textos (adivinhas, cantigas de
roda, parlendas, quadrinhas ou trava-línguas)
que elas conheçam bastante, para que possam
inferir e antecipar significados durante a
leitura. Os textos que serão lidos podem estar
afixados na sala em forma de cartaz, escritos
na lousa ou impressos em sés livros.
Leitura coletiva – Ler, cantar, recitar e brincar
com textos conhecidos. É fundamental que as
crianças possam vivenciar na escola situações
em que a leitura esteja vinculada diretamente
ao desfrute pessoal, à descontração e ao prazer.
Leitura dirigida – Propor atividades de leitura
em que os/as alfabetizando/as tenham de
localizar palavras em um texto conhecido. Por
exemplo: o/a professor/a lê o texto inteiro e
depois pede às crianças que localizem uma
palavra determinada (ex.: “piano”, na parlenda
“Lá em cima do piano”). A intenção é que
possam utilizar seus conhecimentos sobre a
Escrita individual – Escrever segundo suas
próprias hipóteses é fundamental para refletir
sobre a forma de escrever as palavras. Por isso
é importante criar momentos na rotina de sala
de aula em que as crianças possam escrever
sozinhas. Por exemplo: pedir que elas
escrevam uma parlenda que conhecem de
memória, ou que escrevam a cantiga de roda
preferida. Vale ressaltar que, quando
propomos a escrita de textos que os/as
alfabetizandos/as conhecem de memória, em
que não há um destinatário específico, é
fundamental aceitar as hipóteses e não
interferir diretamente nas produções: não se
deve corrigir, escrever embaixo ou coisa do
tipo. Entretanto, deve-se fazer a revisão do
texto coletivo na lousa, para que eles/as
confrontem sua hipóteses de escritas com a
escrita convencional. (grifo nosso).
Tirando dúvidas
Nessas atividades de escrita, a criança que
ainda não sabe escrever convencionalmente
precisa se esforçar para construir
procedimentos de análise e encontrar formas
de representar graficamente aquilo que se
propõe a escrever. É por isso que esta é uma
boa atividade de alfabetização: havendo
informação disponível e espaço para reflexão
sobre o sistema de escrita, os/as
alfabetizandos/as constroem os procedimentos
de análise necessários para que a alfabetização
se realize, mediante a mediação do/a
professor/a (grifo nosso).
Escrita coletiva – O/a professor/a escreve na
5
escrita para localizar e ler as palavras
selecionadas.
Leitura individual – Quando elas conhecem
bastante os textos, já podem começar a lê-los
individualmente. E nesse caso é importante que
tenham objetivos com a atividade de leitura.
Por exemplo: ler para escolher a parte de que
mais gosta, ler para depois recitar em voz alta
para todos etc.
Pesquisa de outros textos – Os/as
alfabetizando/as podem pesquisar outros textos
do mesmo gênero em livros, na família e na
comunidade. Podem, por exemplo, entrevistar
pais, avós e amigos a respeito de adivinhas,
cantigas de roda, parlendas, quadrinhas ou
trava-línguas que conhecem; ou procurar textos
conhecidos no Livro do aluno. No caso dos
poemas, também é possível pesquisar autores
da comunidade, autores conhecidos no Brasil
inteiro etc.
Rodas de conversa ou de leitura – Sentar em
roda é uma boa estratégia para socializar
experiências e conhecimentos, pois favorece a
troca entre as crianças. A roda de conversa
permite identificar o repertório delas a respeito
do texto que está sendo trabalhado e também
suas preferências. A roda de leitura permite
compartilhar momentos de prazer e diversão
com a leitura. No caso dos trava-línguas, é
interessante propor um concurso de trava-
línguas – falar sem tropeçar nas palavras.
lousa, ou em um cartaz, o texto que as crianças
ditam para ele/a. Nesse caso é absolutamente
necessário que todos/as os/as alfabetizandos/as
conheçam bem a cantiga de roda, a parlenda
ou a quadrinha que será ditada. Durante o
processo de escrita, é fundamental que o/a
professor/a discuta com eles/as a forma de
escrever as palavras, pois isto favorece a
aprendizagem de novos conhecimentos sobre a
língua escrita. Quando for possível, liste
coletivamente os títulos dos textos de que as
crianças mais gostam.
Reflexão sobre a escrita – Sempre que for
possível favoreça a reflexão dos/as
alfabetizandos/as sobre a escrita, propondo
comparações entre palavras que começam ou
terminam da mesma forma (letras, sílabas ou
partes das palavras).
Aprendendo com outros – A interação com
bons modelos é fundamental na aprendizagem,
por isso é importante que os/as
alfabetizando/as possam compartilhar atos de
leitura e observar outras pessoas lendo,
recitando ou cantando os textos que estão
estudando. Desta forma podem aprender a
utilizar uma variedade maior de recursos
interpretativos: entonação, pausas, expressões
faciais, gestos… O/a professor/a pode chamar
para a sala de aula alguns familiares ou
pessoas da comunidade que gostem de ler,
recitar ou cantar para os outros. Também é
possível levar para a sala de aula gravações de
pessoas lendo, cantando ou recitando.
Produção de um livro – Seleção dos textos
preferidos para a produção de uma coletânea
(livro). Cada criança pode escrever um de seus
textos preferidos.
Projetos – As propostas de aprendizagem
também podem ser organizadas por meio de
projetos que proponham aos alfabetizando/as
situações comunicativas envolvendo a leitura e
escrita das adivinhas, cantigas de roda,
parlendas, quadrinhas ou trava-línguas. Essas
propostas de trabalho podem contemplar todas
as séries, cada um/a contribuindo de acordo
com suas possibilidades. Exemplos: propor a
realização de:
• um mural/painel de textos para colocar na
entrada da escola;
• um recital ou coral para pessoas da
comunidade;
• um livro de textos, para presentear alguém ou
6
para compor a biblioteca da classe.
Como os textos produzidos nos projetos têm
um leitor real, o/a professor/a deve torná-lo o
mais legível possível, com o mínimo de erros,
traduzindo a escrita dos alunos ou revisando as
escritas em que só faltam algumas letras.
Tirando dúvidas
Os projetos são excelentes situações para que
os/as alfabetizandos/as produzam textos de
forma contextualizada; além disso,
dependendo de como se organizam, exigem
leitura, escuta de leituras, produção de textos
orais, estudo, pesquisa ou outras atividades.
Podem ser de curta ou média duração,
envolver ou não outras áreas do conhecimento
e resultar em diferentes produtos: uma
coletânea de textos de um mesmo gênero
(poemas, contos de assombração ou de fadas,
lendas etc.), um livro sobre um tema
pesquisado, uma revista sobre vários temas
estudados, um mural, uma cartilha sobre
cuidados com a saúde, um jornal mensal, um
folheto informativo, um panfleto, cartazes de
divulgação de uma festa na escola, um único
cartaz…
SITUAÇÕES DE LEITURA COM TEXTOS
NARRATIVOSix
SITUAÇÕES DE ESCRITA DE TEXTOS
NARRATIVOS
Leitura pelo professor – É importante que o/a
professor/a faça a leitura de vários textos do
mesmo gênero (contos, mitos, lendas e fábulas),
de modo que os alunos possam se apropriar de
um conhecimento que faz parte do patrimônio
cultural da humanidade e instrumentalizá-los
para desfrutar das narrativas literárias.
A atividade de leitura deve ser diária (na hora
da chegada, na volta do recreio, antes da saída),
pois é importante que os/as alfabetizandos/as
tenham um contato freqüente com os textos,
para que possam conhecê-los melhor.
O/a professor/a necessita ler os textos antes,
para se preparar para a leitura em voz alta,
garantindo que eles/as possam ouvir a história
tal qual está escrita, imprimindo ritmo à
narrativa e dando uma idéia correta do que
significa ler.
Essas situações de leitura não devem estar
vinculadas a atividades de interpretação por
escrito do texto, pois são momentos em que se
privilegia o ouvir. Nas atividades de leitura, é
importante comentar previamente o assunto a
Escrita coletiva – O/a professor/a escreve na
lousa, ou em um cartaz, o que os/as
alfabetizandos/as ditam para ele/a. Neste caso
é absolutamente necessário que todas as
crianças conheçam bem o conto, a lenda ou
fábula. Durante o processo de escrita do texto,
é fundamental que o/a professor/a discuta com
elas a forma de escrever as palavras, pois isso
favorece a aprendizagem de novos
conhecimentos sobre a língua escrita.
Reflexão sobre a escrita – Sempre que for
possível, favorecer a reflexão das crianças
sobre a escrita, propondo comparações entre
palavras que começam ou terminam da
mesma forma (letras, sílabas ou pedaços).
Pesquisa de outros textos: – Elas podem
pesquisar outros textos do mesmo gênero em
livros, na família e na comunidade. Podem,
por exemplo: entrevistar pais, avós e amigos a
respeito de lendas, fábulas e contos que
conhecem; ou procurar textos conhecidos no
caderno do aluno.
Rodas de conversa ou de leitura – Sentar em

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Uso de textos na alfabetizacao

  • 1. 1 . PREFEITURA MUNICIPAL DO SALVADOR Secretaria Municipal de Educação e Cultura – SMEC Coordenadoria de Ensino e Apoio Pedagógico – CENAP A TEORIA NA PRÁTICA: USO DE TEXTOS NA ALFABETIZAÇÃOi Angela Freireii O texto é o lugar de interação de sujeitos sociais. É um construto histórico e social, complexo e multifacetado. Instrumento de manifestação da linguagem que não pode prescindir de uma dimensão social. É uma unidade de sentido. Considerar o texto, como unidade de ensino, tem sido a base do processo ensino-aprendizagem, desde a década de 1980. Ele foi eleito ponto de partida e de chegada deste processo, propiciando atividades de leitura, de produção e de análise lingüística. De acordo com esta concepção, letras, fonemas, sílabas, palavras e frases soltas são descartáveis no ensino da língua em detrimento do texto como unidade básica de ensino e os gêneros textuais como objeto de ensino. Partindo deste pressuposto, não se pode conceber o processo de alfabetização sem desvinculá-lo da noção de texto, concebido como lugar de enunciação e produto de interação verbal. O texto deve constituir-se em objeto de conhecimento para o ensino e aprendizagem da língua. É nele que esta se configura em sua "concretude". Nesta perspectiva, é preciso “alfabetizar letrando”, garantindo desde o início do processo de alfabetização a participação dos/as alfabetizandos/as em práticas de leitura e produção de textos reais e significativos. É preciso que eles/as conheçam variações de tipos de textos para que aprendam a identificar as suas formas e funções. Para tanto, deve-se dar oportunidade a estes sujeitos a interação com uma grande variedade de escritos sociais, de textos impressos e orais. TRABALHANDO COM TEXTOS NA ALFABETIZAÇAO Inicialmente, é fundamental trabalhar com textos conhecidos de memória pelos/as alfabetizandos/as, pois, assim como nós, eles/as podem fazer antecipações e inferências, desde o inicio da aprendizagem de leitura.iii São eles: quadrinhas, parlendas, trava-línguas, adivinhas, cantigas de roda, poesias. O trabalho pedagógico com tais textos favorece o estabelecimento de correspondência entre o falado e o escrito. As adivinhas, as cantigas de roda, as parlendas, as quadrinhas e os trava-línguas são antigas manifestações da cultura popular, universalmente conhecidas e mantidas vivas através da tradição oral. São textos que pertencem a uma longa tradição de uso da linguagem para cantar, recitar e brincar. A maioria deles é de domínio público, ou seja, não se sabe quem os inventou: foram simplesmente passados de boca a boca, das pessoas mais velhas para as pessoas mais novas (Projeto Nordeste - Escola ativa). O texto trabalhado na alfabetização desperta a curiosidade, desvela o desconhecido, provoca inquietações, levanta questionamentos, estimula o prazer pela leitura e o interesse em aprender para conhecer.
  • 2. 2 Dar visibilidade a esses textos na sala de aula favorece a valorização e a apreciação da cultura popular, assim como o estabelecimento de um vínculo prazeroso com a leitura e a escrita. Os textos, pertencentes à tradição oral e dos quais os/as alfabetizandos/as conhecem de memória, possibilitam o avanço nas hipóteses a respeito da língua escrita. O primeiro passo para envolvê-los/as ativamente na leitura, mesmo que eles/as ainda não a dominem, é escolher um texto adequado aos interesses do grupo. Veja algumas sugestões de exploração dos textos: É importante salientar que nas atividades de leitura, os/as alfabetizandos/as precisam analisar todos os indicadores disponíveis para descobrir o significado do escrito e poder realizar a leitura de duas formasiv : 1) Pelo ajuste da leitura do texto, que conhece de cor, aos segmentos escritos. Os textos mais adequados a esta situação são: Quadrinhas, parlendas, trava-línguas, adivinhas, cantigas de roda, poemas. 2) Pela combinação de estratégias de antecipação (a partir de informações obtidas no contexto, por meio de pistas) com índices providos pelo próprio texto, em especial os relacionados à correspondência fonográfica. Os textos mais adequados a esta situação são: Embalagens comerciais, anúncios e folhetos de propaganda. Tais textos fazem suposições de sentido a partir do conteúdo, da imagem, ou foto, do conhecimento da marca ou do logotipo, isto é, de qualquer elemento do texto ou do seu entorno que permita aos alfabetizandos/as imaginar o que poderia estar ai escrito. O planejamento de situações de leitura para crianças que estão se alfabetizando deve considerar as seguintes questõesv : 1. É possível ler, quando ainda não se sabe ler convencionalmente. 2. Ler (diferentes textos, em distintas circunstâncias de comunicação) é um bom problema a ser resolvido. 3. Quando o/a alfabetizando/a ainda não sabe decodificar completamente o texto impresso e precisa descobrir o que está escrito, sua tendência é buscar adivinhar o que não consegue decifrar, recorrendo ao contexto nos quais os escritos estão inseridos, bem como às letras iniciais, finais ou intermediárias das palavras. 4. Os/as alfabetizandos/as devem ser tratados como leitores plenos: é preciso evitar colocá-los em posição de decifradores, ou de “sonorizadores” de textos. Exemplos de atividades pedagógicas • Escrever o texto em uma folha grande de papel em letra de fôrma maiúscula (caixa alta). • Explorar o título e levantar hipóteses do tema geral. • Ler o texto completo em voz alta. • Estimular os/as alfabetizandos/as a contar o que compreenderam. • Identificar o gênero, suas características e funções, bem como o portador textual, título, o autor, personagens, a intenção do texto, dentre outros aspectos. • Ler o texto, apontando palavra por palavra, para que eles/as acompanhem. • Chamar a tensão para a direção do texto, os limites gráficos das frases e os espaços entre as palavras. • Propor a leitura: silenciosa e compartilhada, individual ou coletiva. • Ler e reler textos que as crianças conhecem de memória.
  • 3. 3 5. É fundamental planejar, desde o início do processo de aprendizagem da leitura, atividades que tenham a maior similaridade possível com as práticas sociais de leitura. 6. Deve-se dar oportunidade às crianças de interagir com uma grande variedade de textos impressos, de escritos sociais. 7. Apresentar os textos no contexto em que eles/as efetivamente aparecem favorece a coordenação necessária, em todo ato de leitura, entre a escrita e o contexto. 8. É preciso propor atividades ao mesmo tempo possíveis e difíceis, que permitam refletir sobre a escrita convencional: atividades em que os alunos ponham em jogo o que sabem, para aprender o que ainda não sabem. 9. É importante não trabalhar com as palavras isoladamente, mas como meio para que a criança, com sua atenção focalizada em uma unidade pequena do texto, possa refletir sobre as características da escrita. 10. Deve-se favorecer a cooperação entre os/as alfabetizandos/as, de tal modo que eles/as possam socializar as informações que já têm, confrontar e pôr à prova suas diferentes estratégias de leitura. No que se refere à escrita de textos, é fundamental que eles/as tenham muitas oportunidades de fazê-la, mesmo antes de saber grafar corretamente as palavras: quanto mais fizer isso mais aprenderá sobre o funcionamento da escrita. A oportunidade de escrever quando ainda não sabe permite que as crianças confrontem hipóteses sobre a escrita e pensem em como ela se organiza, o que representa, para que serve. É preciso considerá-las escritoras plenas, capazes de produzir textos diversos dirigidos a destinatários reais e orientados para cumprir propósitos característicos da escrita – informar, registrar, persuadir, documentar –, evitando colocá-los na posição de meros copistas de textos irrelevantes, em situações em que a cópia não responde a nenhum propósito identificável.vi Agora, veja alguns aspectos significativos das concepções de alfabetização baseadas nas perspectivas tradicional e construtivista:vii TRADICIONAL: com silabário. CONSTRUTIVISTA: com textos. - Valoriza o produto final do ato de ler e escrever. - Entende alfabetização como compreensão do modo de construir conhecimento. - A concepção de ensino e aprendizagem pressupõe que a alfabetização é um processo cumulativo: agregam-se conhecimentos, passando pouco a pouco do simples (letras e sílabas) ao complexo (palavras e texto). - A concepção de ensino e aprendizagem pressupõe que a alfabetização é um processo de construção conceitual, apoiado na reflexão sobre as características e funcionamento da escrita: pouco a pouco o/a educando/a compreende as regularidades que caracterizam a escrita. - Exercícios repetitivos de coordenação motora, discriminação visual e auditiva, localização espaço-temporal, etc. - Entende alfabetização como compreensão dos meios que a criança utiliza para representar a construção do seu conhecimento sobre a língua escrita. - O modelo de ensino apóia-se na capacidade do sujeito de associar estímulos e respostas, repetindo, memorizando e fixando na memória; a escrita é algo a ser decifrado. - O modelo de ensino apóia-se na capacidade do sujeito refletir, inferir, estabelecer relações, processar e compreender informações transformando-as em conhecimento próprio. A criança compreende a função social da escrita. - Parte-se da crença de que seja fácil para o/a educando/a aprender primeiro, havendo falsa - Parte-se do que os/as educando/as pensam e sabem sobre a escrita, e isto possibilita que a
  • 4. 4 suposição sobre o que é fácil e difícil de aprender. aprendizagem seja significativa. - A criança é copista, não conseguindo construir um texto elaborado, e sim com frases soltas, repetitivas. - Ela elabora o texto de acordo com sua visão de mundo, de forma criativa, expondo suas idéias. - Tudo vem pronto para ser copiado. São utilizados textos artificiais para ensinar a ler e a escrever. - Os textos são desenvolvidos pelas crianças, conforme sua linha de raciocínio. São textos reais, considerados como o local onde se aprende a ler e escrever, bem como se reflete sobre as regularidades da escrita. -A informação deve ser oferecida da forma mais simples possível, uma de cada vez, para não confundir aquele que aprende. - O/a aprendiz é um sujeito, protagonista do seu próprio processo de aprendizagem. Veja também alguns exemplos de situações didáticas que envolvem leitura e escrita de textos:viii SITUAÇÕES DE LEITURA COM TEXTOS CONHECIDOS SITUAÇÕES DE ESCRITA DE TEXTOS CONHECIDOS Leitura pelo professor – É importante que o/a professor/a faça a leitura de vários textos do mesmo gênero (adivinhas, cantigas de roda, parlendas, quadrinhas ou trava-línguas), de modo que as crianças possam se apropriar de um amplo repertório do texto em questão. Essa atividade de leitura pode ser diária (na hora da chegada, na volta do recreio…), ou semanal. O importante é que elas tenham um contato freqüente com os textos, para que possam conhecê-los melhor. Leitura compartilhada (professor e alunos) – Em alguns momentos da rotina de sala de aula, o/a professor/a pode ler junto com as crianças alguns textos (adivinhas, cantigas de roda, parlendas, quadrinhas ou trava-línguas) que elas conheçam bastante, para que possam inferir e antecipar significados durante a leitura. Os textos que serão lidos podem estar afixados na sala em forma de cartaz, escritos na lousa ou impressos em sés livros. Leitura coletiva – Ler, cantar, recitar e brincar com textos conhecidos. É fundamental que as crianças possam vivenciar na escola situações em que a leitura esteja vinculada diretamente ao desfrute pessoal, à descontração e ao prazer. Leitura dirigida – Propor atividades de leitura em que os/as alfabetizando/as tenham de localizar palavras em um texto conhecido. Por exemplo: o/a professor/a lê o texto inteiro e depois pede às crianças que localizem uma palavra determinada (ex.: “piano”, na parlenda “Lá em cima do piano”). A intenção é que possam utilizar seus conhecimentos sobre a Escrita individual – Escrever segundo suas próprias hipóteses é fundamental para refletir sobre a forma de escrever as palavras. Por isso é importante criar momentos na rotina de sala de aula em que as crianças possam escrever sozinhas. Por exemplo: pedir que elas escrevam uma parlenda que conhecem de memória, ou que escrevam a cantiga de roda preferida. Vale ressaltar que, quando propomos a escrita de textos que os/as alfabetizandos/as conhecem de memória, em que não há um destinatário específico, é fundamental aceitar as hipóteses e não interferir diretamente nas produções: não se deve corrigir, escrever embaixo ou coisa do tipo. Entretanto, deve-se fazer a revisão do texto coletivo na lousa, para que eles/as confrontem sua hipóteses de escritas com a escrita convencional. (grifo nosso). Tirando dúvidas Nessas atividades de escrita, a criança que ainda não sabe escrever convencionalmente precisa se esforçar para construir procedimentos de análise e encontrar formas de representar graficamente aquilo que se propõe a escrever. É por isso que esta é uma boa atividade de alfabetização: havendo informação disponível e espaço para reflexão sobre o sistema de escrita, os/as alfabetizandos/as constroem os procedimentos de análise necessários para que a alfabetização se realize, mediante a mediação do/a professor/a (grifo nosso). Escrita coletiva – O/a professor/a escreve na
  • 5. 5 escrita para localizar e ler as palavras selecionadas. Leitura individual – Quando elas conhecem bastante os textos, já podem começar a lê-los individualmente. E nesse caso é importante que tenham objetivos com a atividade de leitura. Por exemplo: ler para escolher a parte de que mais gosta, ler para depois recitar em voz alta para todos etc. Pesquisa de outros textos – Os/as alfabetizando/as podem pesquisar outros textos do mesmo gênero em livros, na família e na comunidade. Podem, por exemplo, entrevistar pais, avós e amigos a respeito de adivinhas, cantigas de roda, parlendas, quadrinhas ou trava-línguas que conhecem; ou procurar textos conhecidos no Livro do aluno. No caso dos poemas, também é possível pesquisar autores da comunidade, autores conhecidos no Brasil inteiro etc. Rodas de conversa ou de leitura – Sentar em roda é uma boa estratégia para socializar experiências e conhecimentos, pois favorece a troca entre as crianças. A roda de conversa permite identificar o repertório delas a respeito do texto que está sendo trabalhado e também suas preferências. A roda de leitura permite compartilhar momentos de prazer e diversão com a leitura. No caso dos trava-línguas, é interessante propor um concurso de trava- línguas – falar sem tropeçar nas palavras. lousa, ou em um cartaz, o texto que as crianças ditam para ele/a. Nesse caso é absolutamente necessário que todos/as os/as alfabetizandos/as conheçam bem a cantiga de roda, a parlenda ou a quadrinha que será ditada. Durante o processo de escrita, é fundamental que o/a professor/a discuta com eles/as a forma de escrever as palavras, pois isto favorece a aprendizagem de novos conhecimentos sobre a língua escrita. Quando for possível, liste coletivamente os títulos dos textos de que as crianças mais gostam. Reflexão sobre a escrita – Sempre que for possível favoreça a reflexão dos/as alfabetizandos/as sobre a escrita, propondo comparações entre palavras que começam ou terminam da mesma forma (letras, sílabas ou partes das palavras). Aprendendo com outros – A interação com bons modelos é fundamental na aprendizagem, por isso é importante que os/as alfabetizando/as possam compartilhar atos de leitura e observar outras pessoas lendo, recitando ou cantando os textos que estão estudando. Desta forma podem aprender a utilizar uma variedade maior de recursos interpretativos: entonação, pausas, expressões faciais, gestos… O/a professor/a pode chamar para a sala de aula alguns familiares ou pessoas da comunidade que gostem de ler, recitar ou cantar para os outros. Também é possível levar para a sala de aula gravações de pessoas lendo, cantando ou recitando. Produção de um livro – Seleção dos textos preferidos para a produção de uma coletânea (livro). Cada criança pode escrever um de seus textos preferidos. Projetos – As propostas de aprendizagem também podem ser organizadas por meio de projetos que proponham aos alfabetizando/as situações comunicativas envolvendo a leitura e escrita das adivinhas, cantigas de roda, parlendas, quadrinhas ou trava-línguas. Essas propostas de trabalho podem contemplar todas as séries, cada um/a contribuindo de acordo com suas possibilidades. Exemplos: propor a realização de: • um mural/painel de textos para colocar na entrada da escola; • um recital ou coral para pessoas da comunidade; • um livro de textos, para presentear alguém ou
  • 6. 6 para compor a biblioteca da classe. Como os textos produzidos nos projetos têm um leitor real, o/a professor/a deve torná-lo o mais legível possível, com o mínimo de erros, traduzindo a escrita dos alunos ou revisando as escritas em que só faltam algumas letras. Tirando dúvidas Os projetos são excelentes situações para que os/as alfabetizandos/as produzam textos de forma contextualizada; além disso, dependendo de como se organizam, exigem leitura, escuta de leituras, produção de textos orais, estudo, pesquisa ou outras atividades. Podem ser de curta ou média duração, envolver ou não outras áreas do conhecimento e resultar em diferentes produtos: uma coletânea de textos de um mesmo gênero (poemas, contos de assombração ou de fadas, lendas etc.), um livro sobre um tema pesquisado, uma revista sobre vários temas estudados, um mural, uma cartilha sobre cuidados com a saúde, um jornal mensal, um folheto informativo, um panfleto, cartazes de divulgação de uma festa na escola, um único cartaz… SITUAÇÕES DE LEITURA COM TEXTOS NARRATIVOSix SITUAÇÕES DE ESCRITA DE TEXTOS NARRATIVOS Leitura pelo professor – É importante que o/a professor/a faça a leitura de vários textos do mesmo gênero (contos, mitos, lendas e fábulas), de modo que os alunos possam se apropriar de um conhecimento que faz parte do patrimônio cultural da humanidade e instrumentalizá-los para desfrutar das narrativas literárias. A atividade de leitura deve ser diária (na hora da chegada, na volta do recreio, antes da saída), pois é importante que os/as alfabetizandos/as tenham um contato freqüente com os textos, para que possam conhecê-los melhor. O/a professor/a necessita ler os textos antes, para se preparar para a leitura em voz alta, garantindo que eles/as possam ouvir a história tal qual está escrita, imprimindo ritmo à narrativa e dando uma idéia correta do que significa ler. Essas situações de leitura não devem estar vinculadas a atividades de interpretação por escrito do texto, pois são momentos em que se privilegia o ouvir. Nas atividades de leitura, é importante comentar previamente o assunto a Escrita coletiva – O/a professor/a escreve na lousa, ou em um cartaz, o que os/as alfabetizandos/as ditam para ele/a. Neste caso é absolutamente necessário que todas as crianças conheçam bem o conto, a lenda ou fábula. Durante o processo de escrita do texto, é fundamental que o/a professor/a discuta com elas a forma de escrever as palavras, pois isso favorece a aprendizagem de novos conhecimentos sobre a língua escrita. Reflexão sobre a escrita – Sempre que for possível, favorecer a reflexão das crianças sobre a escrita, propondo comparações entre palavras que começam ou terminam da mesma forma (letras, sílabas ou pedaços). Pesquisa de outros textos: – Elas podem pesquisar outros textos do mesmo gênero em livros, na família e na comunidade. Podem, por exemplo: entrevistar pais, avós e amigos a respeito de lendas, fábulas e contos que conhecem; ou procurar textos conhecidos no caderno do aluno. Rodas de conversa ou de leitura – Sentar em
  • 7. 7 ser lido: fazer com que os/as alfabetizandos/as levantem hipóteses sobre o tema a partir do título; oferecer informações que situem a leitura (autor, nome do livro etc.); criar um certo suspense quando for o caso, ou seja, propor situações em que eles/as possam inferir e antecipar significados antes, durante e depois da leitura. Para dar continuidade ao trabalho, o/a professor/a deve buscar os livros na biblioteca da escola. Reconto oral – Possibilita ao aluno, que não é leitor e escritor convencional, saber mais sobre o texto, apropriando-se oralmente da língua que se escreve. Não é uma situação em que a criança deve decorar integralmente o texto, mas recontá-lo a partir do que se apropriou da história, não podendo transformar o enredo. Essa situação de aprendizagem deve ser proposta a partir do momento em que os/as alfabetizandos/as ampliaram o repertório desses tipos de textos. Ao recontar, eles/as devem tanto procurar manter as características lingüísticas do texto ouvido como esforçar-se para adequar a linguagem à situação de comunicação na qual está inserido o reconto (é diferente recontar para os colegas de classe, numa situação de “Hora da História”, por exemplo, e recontar para gravar uma fita cassete que comporá o acervo da biblioteca). Essa atividade poderá ser realizada com ajuda e orientação do/a professor/a e de colegas. Escritas produzidas pelos alunos – Escrever segundo suas próprias hipóteses é fundamental para refletir sobre a escrita. Por isso é importante criar momentos na rotina de sala de aula em que as crianças possam escrever sozinhas ou em duplas. Por exemplo: escrita da lista dos personagens do conto; escrita de um novo título para o texto; reescrita de fábulas, contos, mitos e lendas conhecidas; reescrita trans-formando partes – modificando o cenário, o final, as características de uma personagem, dando outro título etc.; escrita de textos a partir de outros conhecidos – um bilhete ou carta de um personagem para outro, um trecho do diário de um personagem, uma mensagem de alerta sobre os perigos em uma dada situação, um convite; uma notícia informando a respeito do desfecho de uma história etc. Tirando dúvidas Reescrita: reescrever é reelaborar um texto fonte (bons textos conhecidos, utilizados como roda é uma boa estratégia para socializar experiências e conhecimentos, pois favorece um ambiente de troca entre os alunos. Uma roda de leitura permite compartilhar momentos de prazer e diversão com a leitura. Aprendendo com outros – A interação com bons modelos é fundamental na aprendizagem; por isso, é importante que as crianças possam compartilhar atos de leitura e observar outras pessoas lendo ou recontando. Desta forma podem aprender a utilizar uma variedade maior de recursos interpretativos: entonação, pausas, expressões faciais, gestos… O/a professor/a pode chamar para a sala de aula alguns familiares ou pessoas da comunidade, que gostem de contar ou ler para outros. Também é possível levar para a sala de aula gravações de pessoas lendo e contando histórias. Projetos – As propostas de aprendizagem também podem ser organizadas por meio de projetos que proponham aos alfabetizandos/as situações comunicativas envolvendo a leitura e a escrita dos textos (lendas, fábulas, mitos e contos). Essas propostas de trabalho podem contemplar todas as séries, cada criança contribuindo de acordo com suas possibilidades. Exemplos: propor a realização de: • Mural de personagens: descrição das personagens mitológicas (características físicas, poderes, moradia etc.) acompanhada de ilustrações que correspondam às descrições. • Seleção dos textos preferidos para a produção de uma coletânea (livro) – podem escrever ou selecionar os textos para presentear alguém ou para compor a biblioteca da classe. • Reconto oral de contos conhecidos para um público específico (outra classe, comunidade etc.). Como os textos produzidos nos projetos têm um leitor real, o/a professor/a deve torná-lo o mais próximo do correto, traduzindo a escrita das crianças ou revisando as escritas em que só faltam algumas letras.
  • 8. 8 referência). Isto é feito conservando, retirando ou acrescentando elementos com relação a ele. Portanto, reescrita não é reprodução literal: é uma versão própria de um texto já existente. A reescrita de textos coloca a necessidade de a criança recordar para escrever depois, levando-a não só à reprodução dos principais elementos presentes no texto-fonte, mas, algumas vezes, também ao uso das mesmas expressões e palavras que estão no livro. Podemos propor às crianças a reescrita de alguma notícia na TV, de uma lenda, de uma história etc. Toda atividade de reescrita supõe a imitação do escrever do outro: “do jeito que está no livro”, “do jeito que sai no jornal” etc. Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil /MEC SITUAÇÕES DE LEITURA COM LISTAS, CARTAS E BILHETESx SITUAÇÕES DE ESCRITA COM LISTAS, CARTAS E BILHETES Leitura pelo professor (cartas e bilhetes) – Para que as crianças possam saber mais sobre esses tipos de textos, é importante que o/a professor/a selecione cartas e bilhetes literários ou recebidos e crie momentos de leitura na rotina escolar. Nessas situações de aprendizagem a ênfase deve estar na apreciação, diversão, nos tipos de informações que aparecem e nos estilos dos autores. Leitura compartilhada (cartas e bilhetes) – As cartas e bilhetes dos quais os alunos também tenham a cópia podem ser lidos de forma coletiva. O/a professor/a pode perguntar aos alfabetizandos/as o local onde foi escrito, quem é o remetente, quem é o destinatário, que informações esperam encontrar no texto. Isso é importante para criar expectativas que possam ser confirmadas, ou não, com a leitura. Em seguida o/a professor/a pode ler o texto em voz alta e as crianças acompanham em silêncio. Essa situação é uma boa estratégia para aprender a ler. Leitura de listas – É importante propor atividades de leitura em que os/as alfabetizandos/as são os/as leitores/as. Por exemplo: atividades em que recebam uma lista com os títulos dos contos lidos ou das personagens conhecidos, e tenham que localizar determinados personagens ou títulos; leitura da lista de ajudantes do dia; da lista de atividades que serão realizadas no dia; da lista dos Escrita individual de listas – Por ser um tipo de texto simples, as atividades de escrita de listas possibilita que as crianças pensem muito mais na escrita das palavras (que letras usar, quantas usar, comparar outras escritas etc.). O/a professor/a deve propor atividades de escrita de listas das quais os/as alfabetizandos/as possam de alguma forma fazer uso. Por exemplo: escrever a lista dos contos lidos, a lista dos animais que já foram estudados e dos que ainda pretendem estudar, lista dos personagens preferidos etc. Vale ressaltar que, quando propomos a escrita de textos em que não há um destinatário específico, é fundamental aceitar as hipóteses e não interferir diretamente nas produções: não se deve corrigir, escrever embaixo ou coisa do tipo. Escrita individual de cartas e bilhetes – É importante propor situações em que as crianças escrevam esses tipos de textos, a partir das hipóteses que têm da escrita. Por exemplo: reescrita de cartas literárias; escrita de cartas e bilhetes a partir de outro texto conhecido – um bilhete ou carta de um personagem para outro. Escrita coletiva – É importante que o/a professor/a crie situações de escrita de cartas e bilhetes que tenham função de comunicação. Considerando que as crianças estão em processo de alfabetização, o mais adequado
  • 9. 9 aniversariantes do mês etc. Pesquisa de outros textos – Os/as alfabetizandos podem trazer cartas recebidas pela família para a leitura realizada pelo/a professor/a na roda de leitura. Rodas de leitura e de conversa – Sentar em roda é uma boa estratégia para socializar experiências e conhecimentos, pois favorece a troca entre os/as alfabetizandos. Uma roda de leitura e conversa permite identificar o repertório deles a respeito do texto que está sendo trabalhado, e também conhecimentos sobre o assunto dos textos lidos. seria propor a escrita coletiva de carta para um destinatário real. Neste caso é absolutamente necessário que todas elas saibam sobre o conteúdo que devem abordar. Por exemplo: escrita de uma carta para uma editora pedindo livros, para participar de um/a educando/a, para uma outra escola, para um/a educando/a específico de uma escola etc. Durante o processo de escrita do texto, é fundamental que o/a professor/a discuta com as crianças a forma de escrever as palavras e a organização do texto, pois isto favorece a aprendizagem de novos conhecimentos sobre a língua escrita. Reflexão sobre a escrita – Sempre que for possível, favorecer a reflexão dos/as alfabetizando/as sobre a escrita, propor comparações entre palavras que começam ou terminam da mesma forma (letras, sílabas ou pedaços). As listas são ótimos textos para a realização dessas atividades. NOTAS i O texto tece reflexões acerca do uso do texto na alfabetização e apresenta exemplos de sugestões didáticas que envolvem diferentes gêneros textuais, fazendo assim, uma interface entre a teoria e a prática pedagógica do/a professor/a alfabetizador/a. ii Texto elaborado e sistematizado por Angela Freire, Pedagoga graduada pela UCSAL, Psicopedagoga (UFBA) e Coordenadora Pedagógica lotada na Coordenação de Ensino e Apoio Pedagógico (CENAP) / Núcleo de Tecnologia Educacional (NET-17), na Fábrica do Saber. iii Parâmetros em Ação de Alfabetização, MEC/1999, pp. 32 iv Ibid. Pp. 68 v Ibid. Pp. 71-72. vi Texto extraído do Projeto Nordeste – Escola Ativa. vii Ibid. viii Ibid. ix Ibid. x Ibid