Zika Vírus - O que sabemos? Desmitificando e Esclarecendo

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Zika Vírus - O que sabemos?

Desmitificando e Esclarecendo

Conferência - Liga de Infectologia de Botucatu
UNESP - Faculdade de Medicina
16/Fev/2016 - Botucatu - SP - Brasil

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Zika Vírus - O que sabemos? Desmitificando e Esclarecendo

  1. 1. Alexandre Naime Barbosa MD, PhD Professor Doutor - Infectologia Conferência - Liga de Infectologia de Botucatu UNESP - Faculdade de Medicina 16/Fev/2016 - Botucatu - SP - Brasil
  2. 2. O material que se segue faz parte do projeto didático do Prof. Dr. Alexandre Naime Barbosa Objetivos 1. Ensino: Treinamento de Estudantes e Profissionais da Área de Saúde; 2. Extensão: Facilitar o Contato da População em Geral com Conceitos Científicos; 3. Científico: Fomentar a Discussão Científica e Compartilhar Material Didático. Autoria e Cessão 1. Conteúdo: Os dados contidos estão referenciados, em respeito ao autor original; 2. Uso: Está permitido o uso do material, desde que citada a fonte; 3. Contato: fale com o autor e conheça o seu projeto didático em:
  3. 3. Qual o animal mais mata seres humanos?
  4. 4. Um pequeno animal…
  5. 5. 1. Arboviroses 2. Epidemiologia 3. Fisiopatologia 4. Clínica 5. Diagnóstico 6. Condutas 7. Conclusões
  6. 6. Arbovirus: Arthropod Borne virus Definição da OMS: vírus mantidos na natureza através da transmissão biológica entre hospedeiros vertebrados suscetíveis a artrópodes hematófagos, ou por transmissão transovariana e possivelmente venérea em artrópodes. Podem ou não ter reservatórios em outros animais.
  7. 7. Família Membros Bunyaviridae La Crosse, Oropouche, Rift Valley, Sandfly, Crimean-Congo Flaviviridae Febra Amarela, Dengue, Zika, Japanese Encephalitis, Saint Louis Encephalitis, West Nile, Kyasanur Forest, Omsk Togaviridae Chikungunya, O’nyong-nyong, Ross River, Equine Encephalitis (East, West, Venezuelan), Sindbis
  8. 8. Síndrome de Encefalite Vírus Gênero Vetor Distribuição EEE Alphavirus Mosq. USA, Canada WEE Alphavirus Mosq. USA, W. Indies J.E Flavivirus Mosq. Orient St. L.E Flavivirus Mosq. USA, C. America La Crosse Bunyavirus Mosq. USA
  9. 9. Febre, com ou sem rash e artralgia Vírus Gênero Vetor Distribuição Chickungunya Alphavirus Mosq. Africa, Asia, C&S Amer. Zika Flavivirus Mosq Africa, Asia, C&S Amer. O’nyong-nyong Alphavirus Mosq. Africa Sindbis Alphavirus Mosq. Africa, Asia, India Dengue Flavivirus Mosq. Entire tropics, India West Nile Flavivirus Mosq. Africa, India Sandfly Phlebovirus M. Pólvora Med, Asia, India Oropouche Bunyavirus Mosq. W.I, South America (N)
  10. 10. Febre Hemorrágica Vírus Gênero Vetor Distribuição Chickungunya Alphavirus Mosq. Africa, Asia, C&S Amer. Dengue Flavivirus Mosq. Entre tropics Febre Amarela Flavivirus Mosq. Africa, S. America Kyasanur Forest Disease Flavivirus Carrapato India Febre de Omsk Flavivirus Carrapato Russia Crimean-Congo HF Nairovirus Carrapato Africa, Asia, E.U.
  11. 11. - 1940 - 50: primeiras evidências de infecção humana (Zika = Floresta em Uganda)
  12. 12. - 1940 - 50: primeiras evidências de infecção humana (Leste da África) - 2007: grande surto na ilha de Yap e em outras ilhas da Micronésia (80% da população) - 2013: Polinésia Francesa (complicações neurológicas, e outras) - 2015: Brasil e América do Sul (microcefalia)
  13. 13. Início de 2015: - 21 casos “Dengue-Like”: 8 RT-PCR ZKV Positivos (Natal - RN)
  14. 14. Primeiros Casos Identificados: - Abril de 2015: Camaçari (BA) - Maio de 2015: Natal (RN) - Maio de 2015: Sumaré (SP) Teoria da Introdução Campeonato Mundial de Canoagem (RJ, Ago/2014) - Países do Pacífico: Polinésia Francesa, Nova Caledônia, Ilhas Cook, e Ilha de Páscoa - Circulação do ZIKV em 2014 - Proximidade filogenética entre as cepas do Brasil e da Polinésia Francesa
  15. 15. 26/01/2016 26/01/2016
  16. 16. Brasil, Ministério da Saúde - 2016
  17. 17. Brasil, Ministério da Saúde - 2016
  18. 18. - Família: Flaviviridae - Gênero: Flavivirus - Vírus RNA - Arbovírus - Duas linhagens - Africana - Asiática CDC - 2016
  19. 19. Importância Epidemiológica: Transmissão Vetorial - Aedes aegypti, Aedes africanus e outros Aedes - Culex???
  20. 20. Transmissão Vetorial: 2 Padrões (Ciclos) 1. Pessoa para Pessoa pelo Aedes sp. 2. Macaco para Pessoa por mosquitos silvestres Aedes aegypti Aedes africanus, Aedes apicoargenteus Aedes furcifer Aedes luteocephalus Aedes vitattus
  21. 21. Outras Vias de Menor Importância Epidemiológica - Transplacentária e Perinatal - Transfusional - Sexual - Saliva e Urina (???) - Leite Materno
  22. 22. - Período de Incubação (Mosquitos): 10 dias - Reservatórios de Importância: Humanos e Pequenos Primatas - Infecção em Humanos: Células Dendríticas Linfonodos Corrente Sanguínea - Sintomas Clínicos: Leves a Moderados (Febre, Rash Cutâneo e Conjuntivite) - Associação Possível e Provável com Malformações Fetais e Sde. de Guillain-Barré - Associação Causal e Dano Neurológico Direto (e outros): em estudo e análise
  23. 23. - Microcefalia pode ocorrer, mas não se limita a esse achado (Z-TORCH) - Podem ocorrer medidas normais de PC, mas com graves malformações de SNC - Necrose tecidual => Redução massa cerebral => Microcefalia - Lisencefalia, hidrocefalia, calcificações multifocais corticais e subcorticais - Perda do tecido cortical, e presença de necrose e inflamação - Lesões oftalmológicas: mácula e peri-mácula; nervo óptico - Artrogripose: endurecimento da musculatura e as articulações - Taxa de Transmissão Transplacentária: 2-5% (???) - ZKV no feto: permanência e reativação por um longo período - Momento de maior risco na gestação (???)
  24. 24. 18/Nov/2015
  25. 25. 09/Jan/2016
  26. 26. 29/Jan/2016
  27. 27. 10/Fev/2016
  28. 28. 10/Fev/2016
  29. 29. 10/Fev/2016
  30. 30. 10/Fev/2016
  31. 31. 10/Fev/2016
  32. 32. 15/Fev/2016
  33. 33. Sintomas Sintomáticos: 18% - Febre baixa, rash cutâneo, conjuntivite e dores articulares. - Mialgia, cefaleia, dor retrorbitária, náuseas e vômitos - Magnitude leve a moderada - Internação: raro - Óbitos: primeiros casos vistos no Brasil
  34. 34. Pacientes com quadro de exantema máculo-papular e DOIS dos seguintes sintomas: - febre (<38,5º C) ou - hiperemia conjuntival sem secreção ou - prurido ou - artralgia ou - edema periarticular Outros Achados: mialgia, cefaleia, edema de membros inferiores, dor retrorbital, anorexia, vômitos, diarreia ou dor abdominal. Manifestações neurológicas: - Síndrome de Guillain Barré, ADEM: 4 a 20 dias após o início dos sintomas
  35. 35. Matsuda EM - 2016
  36. 36. Brasil, Ministério da Saúde - 2016
  37. 37. 1º e 5º dia de Sintomas: Detecção molecular (soro): RT-PCR Tempo para liberação do resultado: 4 dias (BIOMOL) Após o 5º dia de Sintomas: Sorologia para Zika vírus (IgG e IgM quantitativos) - Tempo de liberação do resultado: 16 dias (↑ reação cruzada com Dengue) Brasil, Ministério da Saúde - 2016
  38. 38. Não há tratamento antiviral específico - Repouso - Hidratação - Anti-histamínicos para erupções pruriginosas - Anti-térmicos como paracetamol - Não é recomendável o uso de ácido acetilsalicílico e de drogas anti-inflamatórias devido ao risco de síndrome hemorrágica, como ocorre com outras infecções por flavivírus.
  39. 39. Não há vacina Eliminação dos criadouros dos mosquitos Evitar locais com presença do mosquito, uso de telas Repelentes - < 6 meses: sem indicação - 6 meses – 2 anos: IR3535 - 2 anos a 12 anos: DEET 10% (no máximo, aplicar 3x/dia) ou Icaridina; > 12 anos ou gestantes: DEET > 10% ou Icaridina Uso de inseticidas Uso de cobertura de áreas expostas com roupa Atualização de carteira vacinal
  40. 40. 1. O mosquito transgênico deu origem à epidemia de Zika. MITO: Mosquito transgênico (Oxitec): inseto estéril criado para neutralizar fêmeas do Aedes aegypti, originou um inseto capaz de transmitir o Zika. “Bilionários americanos estariam por trás de um plano para aniquilar populações de países pobres.” Fato: Estudos científicos realizados até agora indicam que a população de Aedes decresce, não aumenta, sob a presença do inseto transgênico. G1 - Bem Estar - 2016
  41. 41. 2. A microcefalia foi transmitida por vacinas de rubéola vencidas. MITO: Governo uso vacinas vencidas, e isso levou ao aumento de microefalia Fato: A vacina contra a rubéola é contraindicada para grávidas. A vacina é normalmente aplicada em crianças. Mesmo assim, nenhum caso registrado de microcefalia no Brasil gestantes relataram ter recebido o imunizante. G1 - Bem Estar - 2016
  42. 42. 3. A microcefalia é causada por bactérias em mosquitos MITO: A microcefalia é transmitida por bactérias que cientistas inocularam em mosquitos Fato: Um projeto da Fiocruz usa bactérias do gênero Wolbachia para enfraquecer o Aedes aegypti e tem como objetivo atrapalhar sua disseminação. A Wolbachia é encontrada normalmente no ambiente, e não afeta humanos. G1 - Bem Estar - 2016
  43. 43. 4. Microcefalia poderia afetar crianças de até 7 anos MITO: Microcefalia e problemas neurológicos causados pelo Zika podem acontecer em crianças de até 7 anos Fato: Não existe nenhum caso comprovado, relatado, ou mesmo suspeito em que esse vírus esteja implicado em lesar diretamente cérebro de seres humanos já nascidos. G1 - Bem Estar - 2016
  44. 44. 5. Microcefalia é causada por larvicida MITO: Um boato espalhado por ambientalistas afirma que o uso do larvicida pyroproxyfen, produzido pela empresa Monsanto estaria por trás dos casos de microcefalia, principalmente no Nordeste e em lugares de maior pobreza. Fato: Não existe nenhum estudo epidemiológico que comprove a associação do uso de pyriproxifen e a microcefalia. O pyriproxifen está entre os produtos aprovados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). G1 - Bem Estar - 2016
  45. 45. 6. O Zika foi feito em laboratório por encomenda MITO: O Zika foi desenvolvido pelo Governo Americano/Laboratórios Americanos para dizimar populações de países pobres/ganhar dinheiro/já existe vacina. Fato: O Zika vírus foi isolado pela primeira vez em 1947, e tem seu reservatório em primatas daquela floresta. Infelizmente os estudos de vacina ainda estão no início. G1 - Bem Estar - 2016
  46. 46. 7. O Zika é transmitido na amamentação. INCERTEZA: O vírus já foi encontrado vírus em leite materno, mas nenhum caso suspeito de transmissão foi relatado. A Fiocruz e o Ministério da Saúde recomendam a amamentação como prática saudável e ela não deve ser desincentivada por causa da epidemia de Zika, porque os benefícios superam os riscos. G1 - Bem Estar - 2016
  47. 47. 8. O Zika é transmitido pelo beijo ou saliva ou urina. INCERTEZA: O vírus já foi encontrado em amostras de saliva e urina, mas não se sabe se ele pode ser absorvido por esse meio por outra pessoa até chegar à corrente sanguínea. Ainda não existem casos suspeitos de infecção dessa forma. G1 - Bem Estar - 2016
  48. 48. 9. O Zika é transmitido pelo sexo de forma consistente. INCERTEZA: Apesar de a literatura registrar três casos de transmissão sexual do Zika, a OMS afirma que os trabalhos ainda não reuniram evidência suficiente para provar que essa forma de disseminação seja preocupante. Mais estudos estão em andamento. G1 - Bem Estar - 2016
  49. 49. 10. Nexo causal entre Zika e Malformações Neurológicas Congênitas Alto Grau de Probabilidade: há uma forte associação geográfica, epidemiológica e temporal (coexistência). É altamente provável que os dois problemas estejam relacionados e alguns estudos recentes mostram danos graves e irreversíveis ao cérebro desses fetos. Estudos caso-controle estão em andamento para confirmar essa hipótese. O Zika talvez seja condição necessária, mas não suficiente para as Malformações Congênitas (cofatores do hospedeiro, do vírus ou ambientais).
  50. 50. 11. Magnitude da Infecção pelo Zika e Mal-Formações Neurológicas Congênitas Incerteza: há indícios que a microcefalia era subdiagnosticada antes do aumento de casos gerado pelo Zika (até 2014), o que levou à maior busca ativa, aumento das notificações e mesmo sobre-diagnóstico (2015 em diante), deixando dúvidas sobre qual a real magnitude do Zika na epidemia de microcefalia no Brasil.
  51. 51. 12. Nexo causal entre Zika e Síndrome de Guillain Barré Alto Grau de Probabilidade: A presença do Zika é suspeita de elevar o número de casos da síndrome de Guillain-Barré, um evento relativamente raro que ocorre quando o sistema imune ataca o sistema nervoso, causando paralisia e outros problemas neurológicos. Estudos epidemiológicos estão sendo feitos para verificar se essa relação realmente existe, mas está claro que mesmo que o vírus esteja aumentando a incidência da síndrome, ela só ocorre em um número minoritário de casos entre infectados. G1 - Bem Estar - 2016
  52. 52. “A ignorância perambula nos períodos de epidemia” Molina, RJ - 2015
  53. 53. Obrigado pela Atenção! SAE de Infectologia HC UNESP Botucatu Faculdade de Medicina UNESP

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