Expressões idiomáticas

6.864 visualizações

Publicada em

Uma pequena coleta de expressões idiomáticas do português-brasileiro.

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
6.864
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Expressões idiomáticas

  1. 1. CURSO DE LÍNGUA PORTUGUESAProfª Sonia Santanasoniasantana@vodafone.itsoniasantana65@gmail.comSkype: sonia.santana4LusofoniaExpressões idiomáticasPalavras e expressõe com diversos significadosUsos formal e informalQue nemEsta expressão de uso corrente e nada formal significa "igual a", "da mesma forma que",“como um/uma”.Alguns exemplos de utilização: "Ele já está nadando que nem um peixe", "Os preçosestão subindo que nem foguete", "Aqui na nossa aldeia as coisas acontecem que nemnuma cidade grande do primeiro mundo". Pelos exemplos, percebe-se que esta expressãoserve para comparar duas coisas, mas sempre com o sentido de mostrar a coisa comparadacomo adiantada, avançada, evoluída, precoce.Talvez a origem desta expressão seja uma frase maior que foi encurtada (processo deelisão). Vejamos os exemplos ditos da maneira longa: "Ele já está nadando de um modotal que nem mesmo um peixe conseguiria nadar assim", "Os preços estão subindo de ummodo tal que nem mesmo um foguete subiria", "Aqui na nossa aldeia as coisas acontecemde um modo tal que nem mesmo numa cidade grande do primeiro mundo seria possível".Fácil que nem cuspir pro lado, né?AquiescênciasA verdade é que a palavra "aquiescer" é pouco usada e pouco conhecida, embora não sejauma palavra erudita. Aquiescer significa consentir, aprovar, concordar, permitir.Na conversa informal do dia-a-dia, quando combinamos algo com alguém, ao finaldevemos expressar nossa aquiescência com o que foi falado. As formas mais naturaisouvidas hoje são: "Então tauquei" ("tauquei" é como se fala; escreve-se "está ok, tá ok")."Então tá bom" ou "Tá bom". "Tá legal" (uso entre iguais, muito informal). "Jóia" (usoentre iguais, muito informal). "Falou" (uso entre iguais, muito informal). "Beleza" (usoentre iguais, muito informal). "Valeu (uso entre iguais, muito informal e com um sentidoadicional de agradecimento). "Tranquilo" (tem um sentido adicional de garantir que ocombinado acontecerá ou que se está satisfeito com o combinado ou ainda que ocombinado não causará problemas).
  2. 2. Exemplo de diálogo: "Então fica assim: eu te pago na sexta (sexta-feira), falou (ou falei)"?"Jóia"!Falei?TomaraAntigamente quando se desejava muito que alguma coisa acontecesse, dizia-se: "Oxalávocê seja promovido." Ainda se encontra nos romances antigos esta expressão utilizandoa palavra "oxalá".Hoje utiliza-se a palavra "tomara" em construções assim: "Tomara que você sejapromovido."Além do "tomara que" pode-se ouvir algo assim: "Queria tanto que não chovesseamanhã..." ao que o interlocutor pode responder laconicamente, manifestandoconcordância e igual desejo: "tomara..."Pelo menos a primeira vista esta palavra tomara, não tem nenhum outro sentido próprioisoladamente, sendo apenas utilizada com este sentido. Nada a ver com o verbo tomar, porexemplo. Esta palavra tomara é utilizada para dar nome a uma peça do vestuário feminino.É um tipo de blusinha sumária, normalmente de algodão, sem alças sobre os ombros.Devido a esta sua deficiência de alças, seu nome é "tomara que caia". Eu nunca vi umacair...NegócioOriginalmente esta palavra se refere a uma transação comercial. Quando se faz umavenda, por exemplo, pode-se dizer: "fechamos um bom negócio hoje".Pode-se utilizar esta palavra também para se referir à área de atuação profissional, donde,por exemplo, pode-se dizer: "meu negócio é a distribuição de remédios".Até aí nada de novo, mas há mais: "negócio", de alguma forma, é, ou sempre foi desde oinício e eu é que estava desavisado, sinônimo de "coisa". Daí surgem construções do tipo:"Que negócio é este?!" quando por exemplo alguém se depara com alguma coisaestranha, inusitada. Outro exemplo: "Ei, tem um negócio gosmento no chão da cozinha..."Negócio esquisito, não?A genteUsamos muito esta expressão, que pode ser substituída por "nós". Quando usamos "agente" em vez de "nós" surgem algumas particularidades na concordância com o verbo;confira pelos exemplos:- Amanhã nós vamos visitar sua tia.- Amanhã a gente vai visitar sua tia.- Aqui somos todos amigos.- Aqui a gente é tudo amigo.- Nós queremos pizza, muita pizza!- A gente quer pizza, muita pizza!Um erro comum é se dizer: "nós vai" ou "a gente vamos", "nós quer" ou "a gentequeremos". Ouve-se muito, especialmente em se tratando com pessoas simples do interior,
  3. 3. de zonas rurais.Aliás, falando sobre concordância verbal errada... há uns adesivos que se vendem muitoem rodeios e que se vêem nos pára-brisas das camionetes, que em frases curtas tentamcaptar o espírito dos peões de rodeio. Dizem assim (alguns):"Nóis é us mió!" (Nós somos os melhores)"Nóis capota mai num breca." (Capotamos mas não freiamos)"Nóis é us cara." (nós somos os caras, os sujeitos famosos)MandarEsta palavra, que originalmente significa comandar, ordenar, também é utilizada com osentido de "enviar".Exemplos de utilização: "Você que vai para longe, não esqueça de mandar notícias" ou"Mande o livro pelo correio".TrocadilhoÉ quando se utiliza uma palavra com um duplo sentido em uma construção espirituosa.Normalmente os trocadilhos são de difícil compreensão fora do seu idioma original.Exemplos de trocadilhos: Um colega meu dos tempos de quartel, chamado Quintanilha,era muito puxa-saco dos oficiais. Os puxa-sacos também são chamados de baba-ovos.Bem, para utilizarmos alguma sutileza, nós o chamávamos de Quintaovos Babanilha. Umtrocadilho inocente.Outro: Sabes qual é a diferença entre calças e botas? É que as calças a gente bota e asbotas a gente calça... Um trocadalho do carilho.Quando um trocadilho é especialmente cruel ou de baixo nível, costuma-se classificá-locomo "infame".FamiliarEsta palavra pode significar "pertencente à família" ou "relativo à família", mas nemsempre. Eis alguns exemplos de utilizações normais."Esta reunião é exclusivamente familiar". Somente pessoas da família de quem falapodem participar da reunião."Nesta empresa não costumamos dar emprego a familiares dos donos". Não sepratica o nepotismo (incrível!)."Este é um hotel familiar". Atenção: aqui há uma pequena particularidade. Este hotel nãoé destinado a encontros de casais (motel).Agora vejamos uma utilização menos comum."Finalmente vejo um rosto familiar!" A palavra familiar aqui significa apenas"conhecido"."Esta estrada começa a me parecer familiar... estamos chegando ao Rio deJaneiro". Aqui também o significado é de "conhecido".Familiarizado com mais esta palavra?
  4. 4. Dar caboSignifica "acabar com", liquidar, eliminar, matar.Exemplo de utilização: "A moradora irritada disse que um dia ainda daria cabo daquelegato ladrão e barulhento."Outro exemplo: "Juro que até o fim do ano vou dar cabo daquela bagunça no depósito."Pode parecer que a expressão tem alguma coisa a ver com o verbo "acabar". Tal nãosucede. O particípio do verbo acabar é acabado, inexistindo a forma "cabo" ou qualquercoisa semelhante.A expressão tem parentesco (talvez longínqüo) com uma outra que significa "do início aofim": de cabo a rabo.Exemplo de utilização: "Li aquele livro de cabo a rabo em um só dia!"Comparando as duas expressões, pessoalmente acho que, em relação à primeira,deveríamos dizer "dar cabo a" e não "dar cabo de", além de seu significado ser "iniciaruma tarefa". O que você acha?Tenho alguma chance de convencer os gramáticos, lingüistas e estudiosos do assunto?Com a corda todaEsta expressão significa o mesmo que "a todo vapor".Interessante notar que se fosse uma frase coloquial, construída ao sabor de umaconversação normal, seria montada numa seqüência diferente (com toda a corda).Outra particularidade: a palavra "corda" neste caso não se refere à corda usada paraamarrar coisas. Trata-se de outra corda: mecanismo de acionamento de despertadores eoutros maquinismos simples, baseado em uma borboleta e uma mola helicoidal.Vir bem a calharCalhar significa coincidir.Usa-se esta expressão em relação a um acontecimento que, sem ter sido planejado, ocorreem bom acordo com a situação atual. Trata-se de uma boa coincidência.Exemplo de utilização de "calhar": "Veja só que sorte! Calhou de o dia do meuaniversário cair num feriado."Exemplo de utilização da expressão: "Veio bem a calhar a troca do gerente, eu já nãosuportava mais esse que está saindo."DizimarEsta palavra passa a impressão para quem a ouve que significa exterminar, eliminartotalmente, aniquilar. De fato ela tem sido usada com este sentido, pelo menos em todas asvezes que a ouvi, o interlocutor desejava expressar a idéia de extermínio. Mas...O fato real e histórico é que nas batalhas da antiguidade, quando um exército utilizavameios desleais contra seu inimigo, se viesse a ser derrotado, o comandante vencedor puniaos vencidos cobrando o dízimo em vidas. Um entre cada dez soldados do exércitoperdedor deveria ser executado.Também quando um exército demonstrasse falta de bravura em combate, se mesmo assimviesse a ser vencedor, seu próprio comandante punia seus comandados cobrando o dízimoem vidas.Dizimamos ou eliminamos a dúvida?
  5. 5. GibiOriginalmente significava moleque negro, negrinho. Hoje não se reconhece mais estesignificado.Em 1939 começou a circular uma revista de histórias em quadrinhos cujo nome era Gibi.De tão conhecida, seu nome passou a significar revista de histórias em quadrinhos (atéhoje).TupãNome com que os indígenas no Brasil designavam a divindade suprema. Hoje estapalavra não é utilizada, mas seu conhecimento foi preservado devido a fazer parte do quese aprende na escola primária sobre os costumes de nossos indígenas.Seria apenas uma coincidência que no grego "Theos Pan" era o deus universal?GuriHá muitas maneiras de se designar menino, garoto. Estas duas são as "oficiais", aceitas emqualquer meio ou tipo de publicação.Das formas menos oficiais, tidas quase como regionalismo ou gíria, a mais difundida é"guri".Há outras. Em Manaus (capital do Estado do Amazonas) e Belém (capital do Estado doPará) se usa "baré", que também é uma marca de refrigerante de guaraná. Pode-se ouvirum comentário como este: "Ela casou e já tem dois barezinhos."Mais. No Rio Grande do Sul utiliza-se "piá", que na verdade é um guri um pouco maisnovinho.No Rio de Janeiro utiliza-se "moleque". Há neste caso um tom depreciativo, pois molequeé o filho de pobre, que brinca descalço nas ruas. "Moleque" também pode serxingamento, se for dirigido a um homem adulto. Neste caso significa que seucomportamento foi irresponsável e destrutivo.Bacuri. Esta palavra de fato designa filhotinho de porco, um leitãozinho. Em algumasregiões do nordeste ou do interior de estados do sudeste há pessoas que se referem assimaos seus filhos (tratamento carinhoso).Trombadinha. Assim se chamam os menores de rua que ganham a vida cometendo crimesnas ruas, roubando ou assaltando, normalmente pessoas idosas e mulheres. Uma de suastáticas é dar um encontrão numa pessoa, que enquanto se distrai com o incidente, éroubada por outro integrante do grupo.TestemunhaInesperadamente esta palavra tem o mesmo radical de testículo.É que na antiguidade (Assíria, Mesopotâmia, etc) só era admitido o testemunho dehomens, que ao declararem em juízo alguma coisa como verdade, colocavam a mão sobreos testículos para tornar solene sua declaração. Daí o verbo testemunhar.Em processos criminais e disputas comerciais normalmente não se utilizavamtestemunhas, e quando tal ocorria estas deveriam ser pelo menos duas e seus testemunhosdeviam concordar.O testemunho era mais utilizado para confirmar a venda de propriedades e bens de grandevalor.Hoje em dia as mulheres podem testemunhar, mas para que tal ato não se transformasseem uma situação embraraçosa, o costume foi alterado. A sociedade adotou que se deve
  6. 6. colocar a mão sobre um livro sagrado para tornar solene a declaração da testemunha.Dar péQuando se entra no mar ou num rio ou numa lagoa, diz-se que está "dando pé" quando sepode ficar em pé e manter a cabeça para fora da água. Cotidianamente, quando se diz queuma situação "dá pé", significa que pode ser enfrentada com algum grau de facilidade.Você pode ouvir frases assim: "Sabe aquele empréstimo que você me pediu? Não vai darpé..."Dar no péUma expressão parecida, mas que não tem nada a ver com "dar pé". Significa correr, sairimediatamente.Você pode ouvir frases assim: "Vamos dar no pé, que a polícia está chegando!"BaitaRegionalismo gaúcho. Significa grande, muito grande. É utilizado entre pessoas demesmo nível social ou íntimas. Trata-se de um linguajar popular.Exemplo de utilização: "O Zé é um baita amigão!" ou "A Maria é um baita mulherão" ouainda "Estou com uma baita dor de cabeça".Origina-se do tupi mbaé-tatá, coisa fogosa.Baita pílula!Mais informações sobre os tupis:http://www.travelgeo.it/news.asp?623http://www.travelgeo.it/news.asp?5http://www.capoeirasdb.it/site.php?show=ueberCagando...Quando uma pessoa não está nem um pouco interessada em determinado assunto, nem sepreocupando com o desfecho de alguma situação, ela pode dizer "Não estou nem aí paraisto" ou "Estou cagando e andando para isto" ou de maneira mais dramática, "Estoucagando um tronco para isto".Outro sinônimo (nesta mesma linha) para "estar desinteressado" é "cagar mole". Pode-sedizer, por exemplo: "Meu chefe está cagando mole para o que eu faço na empresa".Outra utilização do verbo "cagar": quando uma pessoa não se decide sobre alguma coisa,fazendo os outros esperarem, pode-se dizer que ela "não caga nem desocupa a moita".Aliás, aqui nesta região de Minas, há muita gente nesta situação, pois os mineiros daquigostam de ficar noivos indefinidamente. Há noivados com mais de 10 anos, sô!A propósito, quem caga e anda são os bovinos e os cavalos, que parecem não dar maiorimportância ao mundo à sua volta. Talvez venha daí a frase.Faltou dizer o mais importante. A expressão "cagar" é vulgar e chocante. Qualquer pessoaeducada que necessite mencionar o ato de cagar, utiliza a expresão "evacuar", socialmenteaceita.
  7. 7. ChicoÉ o apelido de quem se chama Francisco, assim como Chica é o apelido de quem sechama Francisca.Outra utilização: no linguajar popular, quando uma mulher está menstruada, diz-se que ela"está de Chico".Um dos rios mais importantes do Brasil é o Rio São Francisco, que nasce bem no meio deMinas Gerais, correndo para o norte paralelo à linha da costa (direção NE, na verdade),atravessa a Bahia, dá uma guinada à direita e desagua no mar fazendo a divisa dos estadosde Aracajú e de Maceió. Os povos interioranos, que dependem deste rio para quase tudo,chamam-no de Velho Chico.FulanoQuando queremos nos referir a pessoas indeterminadas utilizamos estes "nomes": Fulano,Beltrano e Cicrano.Exemplo de utilização: "Fulano chamou Beltrano que passou a tarefa para Cicrano", ouainda "Quem era aquela Fulana que estava com você na festa?"Em frases nas quais se cita apenas uma pessoa, o "nome" é sempre Fulano. Beltrano ésempre a segunda pessoa e Cicrano a terceira.Diferenças regionaisAinda tocando no assunto das muitas e enormes diferenças regionais que temos na Brasil,vamos saber o que se fala de algumas delas.O carioca (natural do Rio de Janeiro) tem fama de boa-vida, despreocupado, acessível,divertido. Aliás, esta fama é até internacional.O paulista (natural de São Paulo) tem fama de sério, trabalhador, pouco receptivo.O mineiro (natural de Minas Gerais) tem fama de pão-duro, desconfiado e calado, apesarde muito receptivo.O baiano (natural da Bahia) tem fama de festeiro, preguiçoso, ótimo amante eextremamente receptivo.O gaúcho (natural do Rio Grande do Sul) tem fama de expansivo, falador, valentão,machão (ou por provocação dos cariocas, afeminado, bichona, boneca).O cearense (natural do Ceará) tem fama de muito receptivo, trabalhador e empreendedor,forte frente aos desafios. São os melhores garçons e cozinheiros. Há quem diga que forameles que construíram São Paulo.Há muitas outras regiões de que se falar, mas correndo o risco de cometer algumainjustiça, estas são as mais lembradas e comentadas. Embora ninguém goste de admitirestas definições, por se tratar de uma espécie de preconceito, no geral elas não ficammuito longe da realidade. Agora cada um que se defenda, mas não precisa atacar...Nas coxasTrata-se de uma expressão quase chula utilizada para qualificar alguma coisa mal feita,mal acabada, sem qualidade. Exemplo: "O encanamento da casa vive dando vazamentos,parece que foi feito nas coxas", ou "Que tipo de engenheiro você é para ter projetado estaporcaria? Parece que seu curso foi feito nas coxas".A maior parte das pessoas, por desinformação, supõe que esta expressão tem teor sexual.Ou seja, um filho feito nas coxas, sem penetração, sem vontade de ser feito, um acidente
  8. 8. da natureza. Interpretação errada.Vejamos a estória correta: na época do império, quando não tínhamos indústrias de nada,as telhas das casas eram feitas pelos escravos utilizando suas coxas como molde. Comoelas deviam encaixar entre si, todas as telhas de uma casa deveriam ser feitas por escravoscom coxas parecidas ou por um único escravo.Havia um porém: as telhas de uma casa poderiam não encaixar no telhado de outra, sefosse necessária uma substituição. Isto é um dentre os vários outros problemas decorrentesda não padronização. Quando começaram-se a fabricar telhas padronizadas, as antigasfeitas nas coxas passaram a ser sinônimo de coisa mal feita, mal acabada, sem qualidade.Como fomos mal agradecidos com os escravos!As portas do BrasilTemos vários tipos de pronúncias e muitas palavras de determinadas regiões que sãodesconhecidas em outras. Para comentar apenas um ponto das inúmeras variedades,vejamos como se pronuncia o erre (R) em algumas poucas regiões do país.Utilizemos a palavra "porta" como exemplo, para tal fim.No Rio de Janeiro assim como em muitas outras regiões fala-se como o primeiro dosquatro exemplos.Em boa parte de São Paulo e de Minas Gerais fala-se como o segundo dos quatroexemplos.Nas regiões mais interioranas destes estados o falar torcido do erre é acrescido de um leve"i" (poirta), como o terceiro dos quatro exemplos..Nos estados do sul do país o erre é falado como o quarto dos quatro exemplos.Mas há outros erres, isto é só uma pílula...QuiprocóPalavrinha popular muito usada com o significado de confusão. Um exemplo: "A DonaMaria soube que seu marido tem uma amante e agora está dando o maior quiprocó lá nacasa deles."Mas nem sempre foi assim. Nos tempos antigos, nos tempos das "pharmácias", quandoos clientes procuravam algum remédio que não estava disponível, o farmacêutico recorriaa um livro grosso que relacionava os possíveis substitutos para cada remédio ousubstância. Era mais ou menos algo como "este está para aquele". O nome do livro era emlatim, como convinha na época às publicações sérias: Quid Pro Quo.O processo de busca no "Quid Pro Quo" se iniciava com a frustração de uma comprarápida, era complexo, demorado e ininteligível para os clientes, e se transformava em umaconfusão. Inevitavelmente o nome do livro passou a significar qualquer coisa que desimples se degenerasse em confusão. Deu quiprocó?CalcularO radical desta palavra deriva do latim, cálculus (pedra). Ocorre que na antiguidadeutilizavam-se pequenas pedras para se fazerem cálculos, na base da correspondênciabiunívoca.Quando uma pessoa sofre de cálculo renal, por exemplo, significa que em seus rinsformaram-se pedras, talvez aglomerados de sais. Seus rins não estão fazendo operações
  9. 9. matemáticas; estão é doendo mesmo.Deriva do mesmo radical cálculus, a palavra calçada, que para nós, brasileiros significa opavimento lateral de uma rua onde andam as pessoas (em italiano “marciapiede”)..Curiosamente para os falantes do espanhol significa o pavimento central de uma rua ondeandam os veículos. Obviamente que o motivo do radical cálculus ser aí utilizado é porqueas ruas eram pavimentadas com pedras. Não por acaso rua em espanhol é calle. Dofrancês nos vem a palavra caillou (lê-se caiú), significando pedrisco, cascalho. Pedra (dasgrandes) é pierre mesmo.Adágios gaúchosHá algumas frases de efeito muito usadas praticamente que no Brasil inteiro e que seoriginaram no Rio Grande do Sul. Poucos sabem disso. Lá no sul são chamadas deadágios. Devido ao temperamento do gaúcho, falador, sem travas na língua e com gostopor chocar as pessoas, alguns dos adágios podem ser um pouco chulos, mas são um beloinstantâneo da alma gaúcha. Aí vão alguns deles.Quando alguém está muito desorientado, perdido, se diz: "Mais perdido do que cachorroem dia de mudança". Ou se diz: "Mais perdido do que cego em tiroteio".Quando alguém é muito folgado, espaçoso, se diz: "Mais folgado do que colarinho depalhaço".Quando alguém está "duro", sem dinheiro nenhum, se diz: "Mais duro do que banco deigreja".Quando alguém está muito desinformado, "por fora" das novidades, se diz: "Mais por forado que bunda de índio".Estes são conhecidos no país inteiro. Há outros que ficaram mais restritos ao sul, talvezpor serem mais obscenos ou chocantes.Quando alguém está muito quieto, se diz: "Mais quieto do que guri (garoto, como se dizno sul) cagado".Quando alguém é muito conhecido, se diz: "Mais conhecido do que bibelô de puta".Quando alguém é muito pidão, se diz: "Pede mais do que filho de cego".Quando alguém está muito cheiroso, se diz: "Mais cheiroso do que filho de barbeiro".Quando alguém é muito parado, preguiçoso, se diz: "Mais parado do que água de poço".Quando um lugar está muito descuidado, se diz: "Mais abandonado do que estância(fazenda, rancho) de viúva".Quando alguma coisa (ou alguma pessoa) é muito grudenta, cola com facilidade se diz:"Gruda mais do que catarro na parede".Quando alguma coisa é muito apertada ou entra muito justa em outra, se diz: "Mais justodo que boca de bode".Quando alguém é muito grosso, mal educado, se diz: "Mais grosso do que papel deembrulhar prego".Quando alguém está muito feliz, alegre se diz: "Mais feliz do que pinto no lixo".Quando uma mulher é muito feia, se diz: "Mais feia do que desastre de trem".E por aí vai...
  10. 10. TerçoÉ um pequeno colar de contas usado pelas beatas para rezar. Elas o levam quando vão àigreja. Seu nome vem do fato de que ele é um terço do rosário, que é também um colar decontas usado pelas beatas para rezar, porém tres vezes maior, o que o torna inadequadopara se levar à igreja.O rosário se compõe de uma série de 150 contas divididas em 15 grupos de 10 contas.Cada grupo de 10 contas é separado dos outros por uma conta maior. Há ainda umcrucifixo no rosário. Cada grupo de contas deve ser rezado em comemoração aos 15mistérios de Nossa Senhora. O primeiro terço se refere aos mistérios gozozos, o segundoaos mistérios dolorosos e o terceiro aos mistérios gloriosos.Os cinco mistérios gloriosos são: ressurreição de Cristo; ascenção de Cristo; descida doEspírito Santo sobre os apóstolos; assunção de Nossa Senhora e sua coroação.Pânico!Pã é aquele deus da floresta que procura castigar os caçadores que caçam por esporte etodos aqueles que não respeitam a natureza. Quando uma pessoa está perdida na floresta ecomeça a escutar sons ameaçadores, ela se sente perseguida por Pã. Os céticos dizem quea pessoa está ouvindo coisas causadas apenas pelo medo, que se trata de um medoinfundado, que é um medo de alguma coisa que não existe.Portanto, antigamente dizia-se que qualquer medo sem razão aparente era um medo de Pã.Podia-se dizer também medo pânico. Com o tempo, pânico, que é apenas o complementodo substantivo medo passou a ser utilizado como substantivo ele próprio... hoje se diz: "Opânico tomou conta de todos" ou "Ele está em pânico".Para não restar dúvidas, o certo seria dizer: "Um medo pânico tomou conta de todos" ou"Ele está em medo pânico".Vai entender!...FéretroEsta palavra é usada como sinônimo pomposo para cortejo fúnebre, enterro. Quandomorre um pobre qualquer, diz-se que o enterro saírá da igreja tal para o cemitério tal.Quando morre um rico, diz-se que o cortejo fúnebre sairá da igreja tal para o cemitério tal.Quando morre uma autoridade, diz-se que o féretro sairá da igreja tal para o cemitério tal.Só que o tiro sai pela culatra neste caso. Vejamos.Um dia destes morreu um dos nossos antigos generais que governaram o país com mão deferro, se locupletaram e andavam cheios de medalhas no peito sem nunca teremparticipado de nenhuma guerra. O repórter, para parecer mais chique, se referiu ao cortejofúnebre do dito general que já foi tarde como féretro.Acontece que féretro é uma palavra que vem do latim e se refere ao cortejo fúnebre que osromanos faziam levando em um andor os despojos dos generais e governantes vencidosdas cidades conquistadas para que a população destas cidades (e de Roma) secertificassem de quem eram os vencedores e quem eram os derrotados. Foi um bonitoféretro.BastanteComo a palavra já se apresenta clara, bastante é aquilo que basta, e só. Nem mais nem
  11. 11. menos.Ocorre porém, que devido a desvios que a língua sofre no dia-a-dia esta palavra tem sidoutilizada com o significado de "muito" em construções do tipo: "Conseguimos bastantematerial hoje". Fui bastante claro?Vambora!Vamos por partes. Primeiro a palavra mais fácil: embora. Usamos "embora" em umaconstrução do tipo exemplificado a seguir:"Vamos viajar, embora esteja chovendo."Neste caso "embora" poderia ser substituído por "ainda que". O uso de "embora" torna afrase mais formal. Nos dois casos a construção da frase é mais elaborada. Poderíamostambém dizer assim (mais coloquial e direto):"Está chovendo, mas vamos viajar assim mesmo."Acontece que a palavra "embora" tem ainda um outro significado totalmente diverso doanterior. No falar antigo (mil novecentos e criancinha) quando alguém estava de saída deum ambiente, iniciava suas despedidas dizendo que estava em boa hora de sair. Vejamos aevolução do falar:" Vamos sair em boa hora"Isto evoluiu com a elisão do verbo:"Vamos em boa hora"Depois a contração (que criou uma nova palavra):"Vamos embora"Para finalizar, no falar apressado (e íntimo) diz-se: vambora! Então tá...CarraraNão sei como isto parecerá aos italianos, mas para nós, brasileiros, a coisa aconteceu destejeito. Há uma expressão popular muito usada quando se quer dizer que uma criança émuito parecida com o pai ou a mãe ou com outra pessoa qualquer. Sai assim: "Zezinho écuspido e escarrado o leiteiro..."Se não se deseja chocar demais as pessoas com o liguajar chulo, porém mantendo amaledicência, sai assim: "Zezinho é a cara do leiteiro..."Bem, voltemos ao "cuspido e escarrado". Diz-se por aqui que na época em que não haviafotografia, os barões do café mandavam esculpir seus bustos para colocar em suas imensassalas. Diz-se também que o melhor mármore para que o trabalho do artista retratassefielmente o ilustre modelo era o mármore de Carrara, uma cidade ou região da Itália.Bem, quando a obra estava completada e as visitas chegavam para contemplá-la, aoperceberem a semelhança da escultura com o modelo, exclamavam: "Nossa, parece quefoi esculpido em carrara!"Ocorre que o pessoal da cozinha, ignorando que Carrara se tratava de um local e ouvindoà distância, supunha ouvir "cuspido e escarrado", algo muito mais reconhecível para eles.Taí!
  12. 12. Vira-latasEsta é uma forma de se chamar os cachorros de rua, sem raça definida. Fica evidente queo termo faz alusão ao hábito pouco higiênico porém desesperado que estes nossosdesafortunados companheiros de madrugadas têm de virar as latas de lixo nas ruas paraprocurar alimentos. Ninguém repara nos vira-latas. Eles vivem como entes invisíveis paranós. Isto deve doer neles, tanto que quando alguém olha nos olhos de um deles, ele passaa seguir a pessoa por muitos quarteirões.Bem, no Brasil a maioria de nós não tem raça definida também e vive miseravelmente,sendo que muitos disputam seu alimento com os cachorros nas latas de lixo. Isto faz comque exista uma certa identificação entre nós e estes simpáticos animais.Vai daí que se pode chamar alguém de vira-latas como um xingamento ou, dependendoda intimidade entre os interlocutores e da situação, "vira-latas" pode ser um tratamento até"carinhoso", querendo dizer que a pessoa em questão não é dada a muitas afetações, ouseja, é uma pessoa simples e acessível.Ainda no setor canino, usamos "cachorro" e "cão" nas mesmas situações, mas "cachorro"é mais comumente falado.VirarUsamos "virar" em conversas mais informais e "tornar-se" em conversas mais formais.Exemplos: Ele se tornou meu amigo & Ele virou meu amigo.Virar pode também significar "mudar de lado" ou "entornar" ou ainda "adernar".Exemplos: O navio virou e depois afundou & Ele virou o copo de cachaça (tomou, bebeude um só gole). A expressão "vira-latas" é usada neste sentido.No trânsito usa-se virar com o sentido de fazer curva. Exemplo: Vire na segunda rua àesquerda.Num livro, viramos as páginas. Aliás, quando queremos dizer que algo já passou e nãovai mais voltar, já virou passado, dizemos "isto é página virada no livro da minha vida".Já a expressão "se virar" significa "dar um jeito", conseguir algo por meios informais. Umdiálogo pode explicar melhor:_ Pai, hoje tem prova de História e eu não estudei nada porque perdi meu caderno..._ Se vira, você não é quadrado! Dá seu jeito...Quem diz "se vira!" não está querendo assumir os problemas do outro.BatalhãoEsta é uma curiosidade que não é específica da língua portuguesa. Trata-se de um grupode palavras muito usadas, porém com seus significados desconhecidos pela maioria daspessoas. Muitas cidades têm seus quartéis, que são chamados de Batalhão, Companhia,Regimento, etc. Parece que não há uma lógica ou norma, mas há.Um grupo de 9 combatentes recebe o nome de GC (Grupo de Combate), sendocomandado por um sargento.3 Gcs formam um Pelotão, que é comandado por um tenente.3 Pelotões formam uma Companhia, que é comandada por um capitão.3 Companhias formam um Batalhão, que é comandado por um major.3 Batalhões formam um Regimento, que é comandado por um coronel.3 Regimentos formam uma Brigada, que é comandada por um general de brigada (generalde uma estrela).
  13. 13. 3 Brigadas formam uma Divisão, que é comandada por um general de divisão (general deduas estrelas).3 Divisões formam um Exército, que é comandado por um general de exército (general detrês estrelas).É mais ou menos isto...Espaço de tempoÉ comum ouvirmos alguém dizer, por exemplo: "Estive lá por um curto espaço detempo". Dá para entender, mas soa estranho.É que a Física determina algumas grandezas básicas, como Espaço, Massa, Tempo, etc.Então, espaço é espaço e tempo é tempo, não há como juntar as duas coisas, a menos quese queira obter uma grandeza secundária, que é a velocidade. Nós, os físicos, estamosempenhados em uma campanha para substituir a horrível expressão "espaço de tempo"por qualquer outra menos relativística, como por exemplo "intervalo de tempo".Ainda falando sobre tempo, quando queremos dizer que alguma coisa será muito rápida,que não custará a passar, usamos a expressão "um instantinho" ou "um minutinho" ouainda "um momento".Se queremos dizer que alguma coisa está quase acontecendo,podemos dizer assim, por exemplo: "Ela está chegando agorinha mesmo" ou ainda "Elaestá chegando já, já".BundaHá uns vinte anos, esta palavra era considerada um palavrão (palavra obscena). Hoje érelativamente aceita: pode-se falar "bunda" entre pessoas de mesmo nível social, mesmoque não sejam íntimas. A variação "bumbum" é mais tolerada, devido à evidenteinfantilização do falar. O sinônimo educado para "bunda" e "bumbum" é nádegas.Pode-se falar "traseiro" também.Vamos aos fatos da nossa cultura:1) Dizem que os americanos são admiradores de seios (peitos, no popular) grandes.Parece que os italianos também, ou não?Já os brasileiros são tidos como admiradores de bundas grandes. Isto é uma herança dosportugueses, que mais que admiradores, fica(va)m até hipnotizados.2) Uns poucos doentes sabem que "bundo" é a denominação de uma etnia africana, dasmuitas que para cá vieram escravizadas. Esta etnia se caracteriza(va) por ter as nádegasmuito, muito avantajadas. Muito mesmo!3) Os portugueses ao comprar escravas, preferiam as bundas (mulheres da etnia bundo).No mercado de escravos e escravas, ao propor um negócio eles exclamavam: "Eu queroaquela bunda"! Nossa, como eles estavam sendo sinceros.4) Diferentemente dos ingleses que não se misturavam com negros e habitantes locais (istoaté hoje), os portugueses se miscigenaram fortemente com os negros e os índios aqui noBrasil, gerando esta raça de coração grande e que aceita a todos sem preconceitos.5) Na verdade, como somos humanos, temos um certo preconceito sim, mas que nãotermina em violência, agressões, segregação e coisas do tipo. No máximo, fazemospiadas. As minorias precisam ter uma grande dose de paciência para agüentar a gozação.Mas é só isso.
  14. 14. FuloHá uma expressão bastante usada por nós, que pode ser ouvida assim: "O Zé ficou (ouestá) fulo de raiva." Ou assim: "O Zé ficou (ou está) fulo..." Vamos aos fatos da língua:1) As pessoas normais entendem "fulo" apenas como uma palavra que dá uma certaênfase ao estado de raiva. Lamentável...2) Pouquíssimos de nós interpreta "fulo" como uma descrição de côr, ou seja: pretoempalidecido ou preto acinzentado.3) Uns poucos doentes sabem que "fulo" é a denominação de uma etnia africana, dasmuitas que para cá vieram escravizadas. Esta etnia se caracteriza(va) por ter uma cor negrameio pálida ou acinzentada. Daí a expressão que remonta a mais de 2 séculos e ainda hojeé usada no mesmo contexto, porém com sua significação já tão despida do conteúdooriginal.VésperaSe procurarmos no dicionário, veremos que o significado desta palavra é "o diaimediatamente anterior a". Certo, mas está errado. Eu me explico: é que este sentidoerrado, de tanto ser repetido acabou sendo aceito.Foi assim que aconteceu. Na época em que a Bíblia somente era lida em latim, ouvia-se apassagem que dizia que na véspera Jesus teia ceado com os apóstolos, e como a palavravéspera era desconhecida ou de tradução tortuosa, os menos letrados puseram-se a tentarsolucionar o enigma. Como no dia seguinte Jesus foi crucificado, eles imaginaram quevéspera significava "o dia imediatamente anterior a". O engraçado é que esta definiçãoerrada "pegou".Mas, afinal, o que significa então a palavra véspera? Simples. Naqueles tempos as horasnão podiam ser contadas com muita precisão, de modo que eram agrupadas de 3 em 3. Odia era então assim dividido: de 0 às 3 da madrugada era o "galicínio" (pois o galo cantanesta hora); de 3 às 6 da madrugada era o "matutino"; de 6 às 9 manhã era a "prima"(primeira hora de trabalho); de 9 às 12 horas era "tercia" (terceira hora de trabalho); de 12às 15 horas era a "sesta" (sexta hora de trabalho e de uma soneca); de 15 às 18 horas era a"nona"; de 18 às 21 horas era a "vespera" (quando aparece a estrela Vésper) e finalmentede 21 às 24 horas era a meia-noite. O texto bíblico simplesmente informa que Jesus ceouna hora da ceia mesmo, ou seja, entre 18 e 21 horas...Com KAgora um "causo". Temos por estas bandas de Minas Gerais, onde rola uma conversasimples e amiga, bons contadores de estórias (não sei se vocês por aí estão a par dadiferença entre estória e história). Estórias assim curtinhas são casos, que no linguajar dahomem do campo, vira "causo". Vou tentar contar um bem rápido e que acheiinteressante.Um dia, durante o horário de trabalho, vi a telefonista quase ter um colapso, quebrar aponta do lápis várias vezes, e discutir com um cliente. Como eu estava muito ocupado, nomomento apenas acompanhei meio distante o assunto, e vi que a telefonista chamou umacolega para ajudar com o telefonema confuso. A confusão aumentou, de modo que ogerente acabou vindo ver o que ocorria, no que foi seguido pelo seu assessor e até euacabei entrando na bagunça.
  15. 15. Tratava-se de copiar o nome do cliente, que afinal era muito simples: Joaquim, comotantos. Um pequeno detalhe, porém: com "k". Imediatamente a telefonista alterou o nomepara "Joakim". Então ela perguntou o sobrenome do cliente, que respondeu: Kin Concá(um sobrenome incomum para nós).Daí começou a confusão: ela disse que já tinha entendido que o "quim" final do nome seescrevia com ka. Não, senhorita, o cliente era da família "Kim" (com ka e eme). Mascuidado, o "Joaquim" é com ene. Ela pensou que o Joaquim era normal (com Q) e"concá" era apenas o sobrenome. Ok, disse a telefonista, então seu nome completo éJoakim Kim de quê? Concá, respondeu o cliente. E explicou: escrito todo com cê...Para não alongar muito o "causo", deixo para você imaginar toda a sequência dedesentendimentos que houve até se chegar ao resultado correto: Joakin Kim Concá. Bem,por escrito este "causo" parece bem mais simples de ser resolvido, afinal você está vendocomo se escreve o tal nome. Por telefone, parou o expediente.MeiaEis um potencial problema de comunicação. Esta palavra tem três significados, sendo queum deles é o problemático.Meia é o acessório que calçamos nos pés e que os portugueses estranhamente (umapequena provocação) chamam de "peúgas". No Brasil, até onde sei, a palavra "peúgas"não existe com nenhum significado.Meia também pode significar "metade de alguma coisa". Podemos dizer, por exemplo:"meia colher de farinha".Agora, o problema. O que vejo acontecer com alguns estrangeiros que falam já um poucode português a ponto de se aventurarem a uma comunicação ao telefone, é que em dadomomento, quando recebem um número para anotar, podem ouvir algo assim: tres, meia,dois, quatro, ... e tentam entender o que o inesperado "meia" está fazendo ali. É que o"meia" substitui a expressão "meia dezena", apenas o prosaico seis! Só isso...Cadê?Esta palavrinha significa: "onde está?"Uma mãe pode perguntar para sua filha: "Cadê seu irmão?"Pessoas menos estudadas podem dizer: "Quédi seu irmão?"Esta segunda forma não é encontrada nos dicionários, embora bastante comum.Sua origem é simples. Inicialmente falava-se: "Que é feito de seu irmão?"Através de contrações e de elisões esta palavra chegou à sua forma atual.Há até um site de buscas com este nome.Latim e línguas latinasSabemos que o latim gerou diversas línguas, entre elas o italiano e o português. Masquando isto ocorreu para cada uma destas duas línguas? Quando cada uma delas seramificou do latim e começou a ser uma língua independente? O cálculo é fácil. Sóprecisamos saber que a cada 700 anos, 30% das palavras de uma língua são modificadas.O latim não sofreu alterações nos períodos mais recentes, pois não foi mais utilizado,portanto podemos tomá-lo como padrão.Já o português e o italiano, nos seus primeiros 700 anos de independência sofreram 30%de alterações, restando 70% de palavras inalteradas. Mais 700 anos e dos 70% que
  16. 16. sobraram, 30% foram alterados. 30% de 70 são 21. Sendo assim, após 1400 anos teriamsido alteradas 30% mais 21%, ou seja, 51% das palavras, restando apenas 49% depalavras inalteradas. Vamos analisar mais 700 anos. Dos 49% que sobraram, 30% teriamsido alterados. 30% de 49 são cerca de 15. Sendo assim, após 2100 anos teriam sidoalteradas 51% mais 15%, ou seja, 66% das palavras, restando apenas 33% de palavrasinalteradas. É, só ficou um terço do original...Agora é só comparar a base vocabular dos dois idiomas com o latim e ver quanto restouinalterado em cada um para estimar o tempo decorrido desde a separação...Branco ou preto?Uma vez ouvi uma estorinha assim: há muitos séculos atrás, quando na Europa ainda nãose tinham dividido as línguas, havia uma palavra cujo significado era "ausência de côr" eseu som era algo parecido com "blãc" (nasalisado). Isto mais ao sul do continente, poismais ao norte o som era aberto, algo parecido com "blác".Pois bem, nas linguas latinas, faladas mais ao sul do continente, este som se tornou o"blanc" dos franceses, o "branco" dos portugueses, o "blanco" dos espanhóis, o "bianco"dos italianos, etc. Enquanto isto, ao norte, nas línguas saxônicas, o mesmo som falado demaneira aberta gerou o "black" dos ingleses.Afinal, é branco ou preto?!

×