Apresentação1

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Apresentação1

  1. 1. A Maria CastanhaAutor: António Torrado
  2. 2. O céu estava cinzento e quase nunca aparecia osol, mas enquanto não chovia os meninos iam brincarpara o jardim. Um jardim muito grande e bonito, com umagrade pintada de verde toda em volta, de modo quenão havia perigo de os automóveis entrarem eatropelarem os meninos que corriam e brincavam àvontade, de muitas maneiras: uns andavam nosbaloiços e nos escorregas, outros deitavam pão aospatos do lago, outros metiam os pés por entre asfolhas secas e faziam-nas estalar – crac,crac - debaixodas botas, outros corriam de braços abertos atrás dospombos, que se levantavam e fugiam, também de asasabertas. Era bom ir ao jardim. E mesmo sem haver sol, osmeninos sentiam os pés quentinhos e ficavam com asbochechas encarnadas de tanto correr e saltar.
  3. 3. Uma vez apareceu no jardim uma meninadiferente: não tinha bochechasencarnadas, mas uma carinharedonda, castanha, com dois grandes olhosescuros e brilhantes.- Como te chamas? – perguntaram-lhe.- Maria. Às vezes chamam-me Maria Castanha .- Que engraçado... Maria Castanha! Queresbrincar?- Quero.
  4. 4. Foram brincar ao jogo do apanhar. A MariaCastanha corria mais do que todos.- Quem me apanha? Ninguém me apanha!Ninguém apanha a Maria Castanha!Ela corria tanto. Corria tanto que nem viu ocarrinho do vendedor de castanhas que estava àporta do jardim, e foi de encontro a ele. Pimba!O saco das castanhas caiu e espalhou-as todas àreboleta pelo chão. A Maria Castanha caiutambém e ficou sentada no meio das castanhas.
  5. 5. - Ah. Minha atrevida! – gritou o vendedor decastanhas todo zangado.- Foi sem querer – explicaram os outros meninos.- Eu ajudo a apanhar tudo. – disse MariaCastanha, de joelhos a apanhar as castanhas caídas.E os outros ajudaram também. Pronto. Ficaram ascastanhas apanhadas num instante.- Onde estão os teus pais? – perguntou o vendedorde castanhas à Maria Castanha.- Foram à procura de emprego.- E tu?- Vinha à procura de amigos.
  6. 6. - Já encontraste: nós somos teus amigos – disseramos meninos.- Eu também sou – disse o vendedor de castanhas.E pôs as mãos nos cabelos da Maria Castanha, queeram frisados e fofinhos como a lã dos carneirinhosnovos. Depois, disse:- Quando os amigos se encontram, é costume fazeruma festa. Vamos fazer uma festa de castanhas.Gostam de castanhas?- Gostamos! Gostamos! – gritaram os meninos.- Não sei. Nunca comi castanhas, na minha terranão há. – disse Maria Castanha.
  7. 7. - Pois vais saber como é bom.E o vendedor deitou castanhas e sal dentro doassador e pô-lo em cima do lume. Dali a poucoas castanhas estalavam… Tau! Tau!- Ai, são tiros? – assustou-se a Maria Castanha,porque vinha de uma terra onde havia guerra.- Não tenhas medo. São castanhas a estalar como calor.Do assador subiu um fuminho azul-claro acheirar bem. E azuis eram agora as castanhasassadas e muito quentes que o vendedor deu àMaria Castanha e aos seus amigos.
  8. 8. - É bom, é. – ria-se Maria Castanha a trincar ascastanhas assadas.- Se me queres ajudar, podes comer castanhastodos os dias. Sabes fazer cartuchos de papel?A Maria Castanha não sabia mas aprendeu. É elaquem enrola o papel de jornal para fazer oscartuchinhos onde o vendedor mete ascastanhas que vende aos fregueses à porta dojardim. FIM

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