Rugas n2 versão digital

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Zine, poesia

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Rugas n2 versão digital

  1. 1. E aqui começa mais uma edição do zine Rugas. Misturando poesias e ilustrações ao ritmo melancólico das valsas de Orlando, danço de pernas quebradas, com os pés contorcidos, tentando não cair ao chão. Encharcando as páginas de fumaça e asfalto, de lágrimas e escarro, dizendo o que penso, sem medo do que sinto, livre de hipocrisia e preconceitos. Merdejando na opressão do elitismo artístico e cultural, nadando no meio das dores íntimas e sociais. Vômito, grito e desespero. Não existe vida fora do underground! Com textos que em sua maioria vinham do ano passado, preenchi a edição anterior inteiramente de mim, e mesmo quando não se tratava do meu eu, era eu quem os escrevia, transportando o mundo para dentro de mim e o esboçando em meu caderno. Dessa vez, trago mais dois artistas para compor essa edição. Tenho tesão por subversão, e nessa segunda edição trago dois sujeitos que chegam a me deixar de pau duro, um por seus poemas afiados e o outro por seus contos hilariamente pervertidos. Essa edição começa com 10 de minhas poesias; seguidas pelas do camarada Thiago Pacheco, companheiro de ideologias e boemia, pela primeira vez mostrando para o mundo sua energia revolucionária. Perdi minha antiga Editorial RUGASPag.1 conta do facebook, junto de vários áudios e fotos eróticas, mas, antes disso, um velho amigo havia me contado um segredo, e junto dele, enviado um conto autobiográfico seu para esta edição, um pervertido anônimo que se passa por uma menina de 14 anos para iludir pedófilos virtuais, seu nome é Pietra Monroe, um travesti virtual, um novo gênero de pervertido, que transforma criminosos sexuais em suas vítimas de punheta, fazendo justiça com as próprias mãos. A princípio disse para ele que não iria se encaixar no clima cinzento do meu zine, mas depois de ler os diálogos não pude resistir. E é isso ai, aqui faço minha homenagem as tonalidades de cinza, porque dessa violência colorida já estou saturado! Pode crer!!! Solano Gualda Contatos Caixa Postal: 21819, Porto Alegre/RS Cep.: 90050-970 Facebook: www.facebook.com/zinerugas www.facebook.com/ meninocotonete Blog: http:// rascunho100rumo.blogspot.com.br/
  2. 2. Pag.2RUGAS Feridas de pombo Não sei falar sobre pássaros. Tão pouco sobre flores. Poesia contemplativa não me pertence. Doce me enjoa. Camomila me dá sono. Não vejo as formas de uma ave e a preencho de doçura. Vejo suas partes e abstraio sua forma. Vejo feridas em suas asas e tumores em seu rosto. A solidão de sua vida e seu cheiro de esgoto. O lixo de que come e o medo em sua fome. Seus olhos vermelhos, seu bico rachando. Por trás de suas penas, sua carne está sangrando. Vermelho gotejando, feridas gangrenando. Jorrando. Como as flores, aos poucos vai murchando. Nas rodas de um carro sua vida esmagando. Em meio ao asfalto sua essência escapando. No lixo a matéria decompondo. Insetos rasgando, moscas pousando. Em meio a poluição sua carne vai chorando. Quem passa por ela continua caminhando. (Solano Gualda) Ilusão Vida vazia e sem alma. Sem paixões e objetivos. Cercada de mentiras e vaidades. De violência e fantasia. De escravidão e idolatria. Criatura estúpida e hipócrita. Fruto da ignorância e do consumo. Lacuna oca que sustenta os edifícios. Massa fria colorida. Entrando nos bueiros, entupindo ferida. Sua classe não tem rosto. E seu rosto é no chão. Sempre acaba a ilusão, terminou a diversão. Não existe salvação. Seu futuro é um caixão. (Solano Gualda) Flor de concreto 1,99 Flor de plástico, que de tão firme não murcha. Impermeável, rígida. Que de tão forte não sente. Que de tão séria não sofre. Que de tão seca, não chora. Só sofre quem vive. Ela não vive. Resiste. A flor sem vida não tem pai. Quem nasce morto não se vai. (Solano Gualda) Fumaça No silêncio de minha casa sinto o peso de meus princípios. O peso do silêncio tem o som de minhas lembranças. Alegria vira angústia e amor gera ódio. Degustar da solidão é trabalho para os loucos. Degustar de seu corpo é função para os fracos. Abandonei sua carne de fumaça por princípios mais concretos. Papel, tinta e resistência. Angústia, ódio e desespero.
  3. 3. Pag.3 RUGAS
  4. 4. Fumaça suja e tóxica que polui meu ar de hipocrisia e preconceito. Falsas promessas e estética vazia. Devolva meus princípios que deles mais preciso. Prazeres rasos já não podem me sustentar. Suas mentiras nunca vão me agradar. Definho no silêncio de suas palavras. Minhas palavras rasgam suas ilusões a golfadas. Não quero mais um corpo para provar. Não quero mais em sua vagina meditar. Só quero um colo em que possa chorar. Com delicados beijos minhas lágrimas enxugar. E com doces palavras tente me acalmar. (Solano Gualda) Soneto sujo Nora Ney é Goya. Van Gogh é punk. Hermeto abstrato. Bossa Nova é Nescau. Arte é vida. Música é arte. Arte, fome. Mídia é dinheiro. Dinheiro, corrupção. Rap, favela. Baião, sertão. Caneta é faca, papel é carne. Viver é sofrer, sofrer é nascer. Aelite vencer, calar é morrer. (Solano Gualda) Morte Um dia serei a chuva. Lavando e escorrendo por entre os fétidos dejetos de tanto egoísmo. Pag.4RUGAS Entrando na terra seca do sertão e escorrendo junto a matéria pastosa dos esgotos. No sangue das calçadas ou na urina dos alcoólatras. No muco amargo das que vivem do sexo, e do prazer solitário de quem não o conhece. No suor proletário, ou nos goles do desemprego. Chove sangue nas favelas. Lágrimas chovem nos poemas. O dia a dia chove arte. Refugiados se entulham em marquises. Navalhas cortam, fanatismo rasga. Tinta retrata, retrado destrata. Chove cinza. Tinta química. Lavando as telhas, transbordando calçadas. Afogando quem dela não bebe. E quem dela bebe enchendo de sede. (Solano Gualda) Agonia Insensatez assassina que me enche de desgosto. Perto dela corto minha mente. Unhas raspando, dentes rangendo. Dedos contorcendo, olhos ardendo. (Solano Gualda) Todo prazer se paga em dor Por que tudo em nós tem de morrer? Os filhos nos trazem a ilusão de uma continuidade. Os amigos e amantes nos fazem sentir importantes. O que somos além de carne e osso? O que deixamos? Laços definem o que somos, nos marcam a mente.
  5. 5. Pag. 5 RUGAS A mente, o rosto. Nos mudando. Fortalecendo. Destruindo. Marcando de rugas as lembranças. Alimentando descobertas. Laços frágeis. Tão frágeis quanto a vida. Fortes como a morte. Perde-los é morrer. Murchar. Nascer novamente. Florescer. Se pode continuar morto. Morrendo até o fim. Definhando. Engolindo drogas. Pela garganta e nariz. Dopar os olhos. Falsa alegria. Colorida, embalada. Morrer de passado. Falso presente. Minta e engane. Esqueça. Talvez não seja saudável pensar nessas coisas. Nem meu vicio em morrer tantas vezes. Renascer sem medo. Desfolhar. Rasgar. Plantar. A cobrança existe. Tudo tem um preço. Rancor, amor. Vida e torpor. Calor. No escuro gemendo. Sentidos perdendo. Chorando. Vendo o fim vai sofrer. De dúvidas se contorcer. Padecer. Angustiado pensando o porquê. De tanta dor não lhe resta prazer. (Solano Gualda) Tédio O dia passa e parecem segundos. Durmo a tarde e acordo a noite. Cada instante parece inútil. Tudo que faço parece fútil. Não consigo viver. Não quero morrer. Lágrimas de Orlando e felicidade de Noel. Disco riscado, quadro manchado. Gosto de vomito e café. Dormência no estomago e fumaça nos olhos. Nojo de mim e de tudo que me cerca. A falsa alegria pranteia desespero. Com o rosto na mão gargalho minha magoa. Apenas me deixem padecer. Encharcar de magoa até que possa apodrecer. Morrer e contorcer. Sofrer. Tua hipocrisia não vai me socorrer. (Solano Gualda) Metamorfose hedionda. Loucos, cassetetes e alcoólatras. Solidão, poluição e asfalto. De nada adiantam ideais quando se é carne de abatedouro. De nada adiantam sonhos quando se desmancham a luz do dia. De nada adiantam suas migalhas, quando amor não é dado de esmola. A alvorada não chega antes de sua morte e a noite tem gosto de lágrimas. Quando o amor pesa menos que um revólver, lágrimas tem gosto de sangue. Pó e cola; faca e ódio. O demônio criado entre os restos tem a idade de seu filho.
  6. 6. Engrenagens Nasce para viver. Vive para trabalhar. Educado pela escola. Onde recebe a primeira esmola. Alienado e sem senso crítico. Se torna massa de manobra. Sai da escola para indústria. E sua vida se torna uma angústia. Vive para trabalhar, trabalha pra viver. Trabalha até o leito, onde o coração já não bate ao peito. Pag. 6RUGAS Furto e flagrante; tumulto e violência. O órfão de nossos descuidos será Cristo sem coroa. Aglomeração e euforia; suor e porrada. Hoje é dia de abate. A primeira pessoa que encosta em seus lábios tem o punho fechado e tira-lhe os dentes. A mesma boca que rezava em vão cospe sangue em golfadas de inocência. Risos hipócritas nascem de lábios babentos. Como tecido encardido a presa cai ao chão. Seu corpo e fluidos se misturam a poluição. Vingança, ódio e mutilação. Tanta dor não trará fim a essa tradição. Sem remorso ou compaixão. Assassinos hipócritas idealizam uma nação. (Solano Gualda) E a vida que construía, naquela sala ruía. Finalmente encontra a paz. No túmulo frio onde se jaz. (Thiago Pacheco) Gaiola Nesta sala de escritório. Onde bate compulsório, em meu peito o coração. A observar a solidão de cada ser, na ânsia de ter e possuir. E o egoísmo, cada passo a possuí-los. Lá fora, pássaros a voar. Buzinas a soar. O mundo a girar e o caos a persistir. A vida a existir! E eu a observar, desta sala de escritório... (Thiago Pacheco)
  7. 7. Pag 7 RUGAS
  8. 8. Pietra Monroe Meu nome é Pietra Monroe, e sim, sou um travesti virtual. A menina das fotos? Se chama Katerina Kozlova Monroe, a maior atriz pornô de todos os tempos! Viado? Hetero? Sei lá, agora sou uma menina, e das boas, uma verdadeira delicinha!!! Espero que gostem de minhas aventuras, porque eu achei uma verdadeira MARAVILHA escrevê-las!!! Pag. 8RUGAS As aventuras de Pietra Monroe: Arturito Garcia ´´ El chupavergas“ Pietra Monroe: Olá Arturito Garcia: Hola amiga,de donde eres Pietra Monroe: Brasil Arturito Garcia: Sabes muy bien el español? Pietra Monroe: Nem un puco jajaja Arturito Garcia: Jajaja me encantaría aprender portugués Pietra Monroe: Você é tarado né? Arturito Garcia: Por qué Pietra Monroe: Sua capa de perfil Arturito Garcia: Está fea? Pietra Monroe: Não. Pietra Monroe: É usted? Arturito Garcia: Nao Pietra Monroe: Você é gay ou hetero? Arturito Garcia: Hetero Pietra Monroe: Chuparia minha boceta? Arturito Garcia: Siiii Pietra Monroe: Tarado jajajaja Pietra Monroe: Sabia Arturito Garcia: Jajajaja no soy tarado, voce linda Pietra Monroe: Manda uma fotinho da pica Pietra Monroe: E uma do cuzinho e te mando meus seios Arturito Garcia (foto de pênis) Arturito Garcia (foto de bunda) Pietra Monroe: Ui! Que peludo!!! Pietra Monroe: O bumbum é bonito Pietra Monroe: Quero uma sua de 4 Arturito Garcia: Jajaja te gusta? Pietra Monroe: Sim, adoro bumbum Pietra Monroe: Me mando do seu cuzinho e te mando meus seios Arturito Garcia: Manda seious Arturito Garcia: Seiouuuuuuuus
  9. 9. Pietra Monroe: Ta, mas depois me manda seu cuzinho, ok? Arturito Garcia: Ok Pietra Monroe (foto de Monroe com seus seios desnudos) Pietra Monroe: Gostou? Arturito Garcia: Wow hermosos,quiero chupartelos Pietra Monroe: Agora manda o cuzinho Arturito Garcia (foto vista de trás com ele agachado e de pernas abertas) Pietra Monroe: A pica ta dura? Arturito Garcia: Sí mucho Pietra Monroe: Quer ver mais? ArturitoGarcia:Siiiiiiii Pietra Monroe: Só se me mandar um videozinho seu batendo punheta Pietra Monroe: Batendo punheta pra minha foto Arturito Garcia: Ok pero voce primero Pietra Monroe: Que? Pietra Monroe: Não não Pietra Monroe: Se não quer ta bom Arturito Garcia: Ok Arturito Garcia: No puedo grabar,mi móvil es nuevo y no le entiendo Pietra Monroe: Manda mais foto do cúzinhu então Arturito Garcia (foto de bunda) Arturito Garcia: Sólo así pude Pietra Monroe: Queria una do culo Pietra Monroe: Que nem a primeira do cuzinho Arturito Garcia (foto de cu) Pietra Monroe: He He He Pietra Monroe: Ta merecendo uma foto bem bonita minha Arturito Garcia: Sí please Pietra Monroe (foto de Monroe deitada na cama com os seios a vontade) Pietra Monroe: O que achas? Arturito Garcia: Oh bella hermosa Pietra Monroe: Quer chupar minha bocetinha? Arturito Garcia: Si Pietra Monroe: Que nota daria para meu seios? Arturito Garcia: Son hermosos,quiero chupartelos Pietra Monroe: Mostra a pica dura Pag 9 RUGAS
  10. 10. Pag 10RUGAS Pietra Monroe: Quero ver seu pau duro Pietra Monroe: Seu rosto também Arturito Garcia (foto do pênis): Está pequeña Arturito Garcia (foto do rosto) Pietra Monroe: Pela sua idade vejo que é bem tarado ein jajaja Pietra Monroe: Indo atrás de garotas de 14 anos, que feio Arturito Garcia: Tengo 22 Pietra Monroe: Eu tenho 14 jajaja você é um tarado filho da puta jajajajaja Arturito Garcia: Jajajajaja tarado? Pietra Monroe: Só quer saber de boceta Arturito Garcia: No sé qué es boceta? Pietra Monroe: Boceta= vagina, pepeca, xereca, xoxota Arturito Garcia: Ooh si mándame foto de pepeca Arturito Garcia: Quer ver minha xoxota? Arturito Garcia: Jajajaja, joven si xoxota!!! FIM

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