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PROFª Mrs. SOLANGE MENDES 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS 
DA ALFABETIZAÇÃO E DO LETRAMENTO
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS 
DA ALFABETIZAÇÃO E DO LETRAMENTO
APRESENTAÇÃO 
Esta disciplina trata especificamente dos 
fundamentos teóricos e metodológicos da 
alfabetização e do letramento, com vistas à 
formação de um professor, antes de tudo, 
reflexivo e sensível aos seus alunos e ao 
processo de aquisição de leitura e escrita. 
Assim, espera-se aqui contribuir para a 
formação do professor alfabetizador 
consciente de seu papel no espaço escolar.
OBJETIVOS 
 Objetivo geral 
Compreender e aprofundar a alfabetização enquanto 
processo de apropriação de diferentes linguagens, a 
partir do entendimento da trajetória histórico-cultural 
desta, subsidiando o movimento teoria-prática no 
exercício profissional. 
 Objetivos específicos 
• Conceituar alfabetização e letramento. 
• Compreender a importância da apropriação da 
linguagem pelo indivíduo. 
• Possibilitar a formação do professor alfabetizador.
QUESTÕES NORTEADORAS 
 Qual a diferença entre alfabetização e 
letramento? 
 O que é um professor alfabetizador? 
 De que maneiras ele desenvolve a sua 
prática? 
 Qual a importância disso na vida do 
indivíduo?
ORIGEM DO TERMO LETRAMENTO 
 Dizemos que alguém é alfabetizado quando 
essa pessoa sabe ler e escrever palavras, 
frases e pequenos textos em determinado 
idioma. 
 Quando falamos em letramento, estamos 
dizendo que essa pessoa sabe usar a 
linguagem escrita como ferramenta cultural 
em diferentes contextos sociais (trabalho, 
família, lazer).
AFINAL, O QUE É LETRAMENTO? 
 Sob a ótica social, o letramento é um 
acontecimento cultural relativo às atividades 
que envolvem a língua escrita. O destaque 
incide nos usos, funções e propósitos da 
língua escrita no contexto social.
ALFABETIZAÇÃO LETRAMENTO 
 Processo de aquisição do 
sistema convencional de 
escrita. 
 Habilita o indivíduo a 
desenvolver diferentes 
métodos de aprendizagem 
da sua língua. 
 É o uso individual da leitura 
e da escrita. 
 Processo de desenvolvimento 
de comportamentos e 
habilidades de uso 
competente da leitura e da 
escrita em práticas sociais: 
 Habilita o indivíduo a utilizar 
a leitura e a escrita nos 
diversos contextos informais 
e para usos utilitários. 
 É o uso social da leitura e da 
escrita. 
DIFERENÇAS ENTRE ALFABETIZAÇÃO E 
LETRAMENTO
RECAPITULANDO: 
 ALFABETIZAÇÃO: COMPLEXO PROCESSO 
DE ELABORAÇÃO DE HIPÓTESES SOBRE A 
REPRESENTAÇÃO LINGUÍSTICA. 
 LETRAMENTO: ROMPIMENTO ENTRE 
SUJEITO QUE APRENDE X PROFESSOR 
QUE ENSINA. 
 NO LETRAMENTO, A SALA DE AULA DEIXA 
DE SER O ÚNICO ESPAÇO DE 
APRENDIZAGEM.
INDEPENDÊNCIA E INTERDEPENDÊNCIA 
ENTRE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO 
 SÃO PROCESSOS PARALELOS, SIMULTÂNEOS 
OU NÃO, PORÉM COMPLEMENTARES. 
 PARA ALGUNS AUTORES, DEVE SER UM 
PROCESSO DE APRENDIZAGEM ÚNICO E 
INDISSOCIÁVEL. 
 CONSISTE NA COMPREENSÃO DO SISTEMA E 
SUAS POSSIBILIDADES DE USO.
MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO 
 Sintéticos: a alfabetização deve partir das 
unidades menores da língua – dos fonemas, 
das sílabas em direção às unidades maiores - 
palavra, frase, texto(método fônico e método 
silábico). 
 Analíticos: a alfabetização deve partir das 
unidades maiores e portadoras de sentido – o 
texto, a frase, a palavra – em direção às 
unidades menores – a sílaba, a letra (método 
da palavração, método da sentenciação, 
método global).
MÉTODO SINTÉTICO ( SILÁBICO/FÔNICO)
MÉTODO ANALÍTICO
 Ressalte-se que em ambos, a meta sempre foi a 
aprendizagem do sistema alfabético e ortográfico da 
escrita; embora se possa identificar, na segunda opção, 
uma preocupação também com o sentido veiculado pelo 
código, seja no nível do texto(método global), seja no 
nível da palavra ou da sentença (método da palavração, 
método da sentenciação), estes – textos, palavras, 
sentenças – são postos a serviço da aprendizagem do 
sistema de escrita: palavras são intencionalmente 
selecionadas para servir à sua decomposição em sílabas 
e fonemas, sentenças e textos são artificialmente 
construídos, com rígido controle léxico e 
morfossintático, para servir à sua decomposição em 
palavras, sílabas, fonemas.
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
MÉTODOS GLOBAIS 
Começaram a ser utilizados desde o século XVII, 
diante das insatisfações com o Método Alfabético. 
Com o advento da Escola Nova (séc. XIX) em 
que a ênfase da Educação passou a ser o aluno 
como agente ativo de seu conhecimento, esta 
corrente teórica passou a ser difundida por 
pensadores como Rosseau, que enfatizava a 
espontaneidade do aluno e Jonh Dewey, que 
defendia a valorização da capacidade de pensar 
do aluno.
VARIAÇÕES DOS MÉTODOS GLOBAIS 
São os métodos Ideovisuais – Construtivismo 
e o Sociointeracionismo – ainda que estes não 
possam ser considerados de fato métodos, 
mas sim linhas teóricas. 
Sugestão de leitura: Entrevista com Fernando 
Cesar Capovilla, professor de neuropsicologia 
da USP e especialista em distúrbios da 
comunicação e da linguagem.
NOS ANOS 80... 
...a perspectiva psicogenética da aprendizagem 
da língua escrita, divulgada entre nós sobretudo 
pela obra e pela atuação formativa de Emilia 
Ferreiro sob a denominação de 
“construtivismo”, trouxe uma significativa 
mudança de pressupostos e objetivos na área da 
alfabetização, porque alterou fundamentalmente a 
concepção do processo de aprendizagem e 
apagou a distinção entre aprendizagem do 
sistema de escrita e práticas efetivas de leitura e 
de escrita.
EMÍLIA FERREIRO E ANA TEBEROSKY 
Seguidoras das ideias de Jean Piaget, realizaram 
investigações com crianças latino-americanas, 
referentes ao processo da aquisição da leitura e da 
escrita. Na postura construtivista, a língua escrita é 
vista como um conhecimento apropriado pelo sujeito à 
medida que se torna objeto de sua ação e reflexão. O 
contexto social é mediador nessa aprendizagem pois a 
língua escrita é produção cultural coletiva. Ela não 
acontece espontaneamente. Essa mediação, no 
contexto, da sala de aula, é propriamente a intervenção 
docente problematizadora e desafiadora do processo.
EMILIA FERREIRO 
A psicolinguista 
argentina desvendou os 
mecanismos pelos quais 
as crianças aprendem a 
ler e escrever, o que 
levou os educadores a 
rever radicalmente seus 
métodos.
O CONSTRUTIVISMO 
É uma linha teórica que enfatiza a participação ativa 
do aluno no processo de construção do conhecimento. 
Este termo designa também a concepção de que a 
inteligência se desenvolve através das ações entre o 
indivíduo e o meio. O papel do professor é de investigar 
os conhecimentos prévios dos alunos, seus interesses 
e procurar apresentar diversos elementos para que o 
aluno construa seus conhecimentos. O professor 
interfere menos em sala e respeita as fases do aluno. 
Uma sala de aula construtivista deve conter diferentes 
objetos para serem manuseados pelos alunos, como: 
blocos lógicos, figuras e textos de diversos gêneros.
JEAN PIAGET (1896-1980) 
Trouxe importantes contribuições com seus 
estudos da epistemologia genética . Em seus 
estudos, Piaget procurou demonstrar que a 
criança se desenvolve conforme as faixas 
etárias e chama de “estágios” estas fases do 
desenvolvimento cognitivo. São elas: sensório 
motor, operacional concreto (préoperatório e 
operações concretas) e operacional formal.
LEV VYGOTSKY (1896-1934) 
Teve importante contribuição para o 
Construtivismo. Para ele, o conhecimento se dá 
através da interação social. Sendo assim, 
Vygotsky dá ênfase ao aspecto interacionista na 
aprendizagem, em que a criança aprende 
interagindo socialmente. Nesta linha teórica, o 
papel do professor é o de mediador do 
conhecimento e, portanto, mais ativo do que na 
concepção piagetiana. O conhecimento se 
constrói no relacionamento entre o professor e o 
aluno.
 Para os construtivistas, ler é muito mais do que 
decodificar, pois exige contato com muitos 
livros, acesso à literatura, textos jornalísticos e 
científicos, uso de atividades dinâmicas. Os 
construtivistas afirmam que o contexto ajuda os 
leitores a “construir sentido”, simplesmente a 
partir de uma pequena amostra das palavras de 
um texto. Por isso desenfatizam a importância 
da habilidade de consciência fonêmica, fônica e 
decodificação, e acentuam o papel do contexto 
como propiciador e facilitador da aprendizagem 
da leitura.
 Tradicional 
 Método de alfabetização: o mais importante 
 sintético -> da parte para o todo 
 Fonética – som 
 Silábica – sílaba 
 Analítico -> Do todo para a parte 
 Palavração 
 Sentenciação
 1. Construtivismo 
 Não há preocupação com o método . Fases do 
desenvolvimento cognitivo; 
 2. Leitura e escrita são úteis para a vida Conteúdo / 
Conteúdo – cartilha : leitura/escrita/escola 
 3. Desenvolver a linguagem é ter acesso aos diferentes 
tipos de textos: Rótulo receita, jornal, bula de remédios, 
parlenda, contos, músicas .Desenvolver a linguagem, 
leitura de textos da cartilha ou do livro. Leitura oral 
 4. Interação social , o conhecimento se dá através da 
troca com outro 
 Atividades em grupos.
OBSERVE A GRAVURA E RESPONDA: 
Que método de alfabetização está sendo 
evidenciado na gravura?
CONSTRUTIVISMO: SUA INFLUÊNCIA NO 
PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO 
 O construtivismo surge como uma teoria sobre 
a origem do conhecimento, que busca 
caracterizar os estágios mais recentes, 
baseados nos estudos de Piaget, que considera 
o conhecimento como um processo de 
organização de dados. Desta forma, ao 
direcionar o construtivismo para a questão da 
alfabetização, pode-se considerar que o mesmo 
oferece uma contribuição substancial na busca 
de compreensão da língua escrita.
ALFABETIZAR NO CONTEXTO DA CULTURA 
ESCRITA
2. ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: REPENSANDO O 
ENSINO DA LÍNGUA ESCRITA E DA LINGUAGEM ORAL 
AS RELAÇÕES ENTRE A LINGUAGEM ORAL E A ESCRITA 
A aprendizagem da linguagem oral ou escrita é um processo 
permanente, porém, é preciso diferenciar um processo de 
“aquisição da língua” (oral e escrita) de um processo de 
“desenvolvimento” da língua. (Soares,1985) 
Quem fala em alfabetização e letramento fala igualmente das 
relações entre a linguagem oral e escrita. Na perspectiva do 
processo de aquisição da língua, é preciso entender a 
linguagem oral como um “fenômeno sonoro”, que se 
“desenrola no tempo” e no espaço “sem deixar vestígios” ou 
marcas, um fenômeno que é totalizante e auditivo.
A criança, em seu desenvolvimento, vai 
construindo sua fala a partir dos sons que a 
envolve. Ao chegar à escola, já possui o domínio 
da língua oral, é um perfeito falante, mas não tem 
ainda o domínio da linguagem escrita. Esta, por 
sua vez, está ligada ao “fenômeno visual”, que é 
analítico e desagregador; vemos só o que está a 
nossa frente, só olhamos em uma direção de 
cada vez. Neste contexto, as palavras seriam 
fenômenos visuais, signos que se inscrevem no 
espaço e deixam “marcas” que, ao contrário do 
som, não se apagam.
O aprendizado da fala e da escrita ocorre de 
modo diferente. “Só o convívio com pessoas 
alfabetizadas não garante o domínio da escrita 
como o convívio com falantes pode garantir o 
domínio da fala. O aprendizado da escrita é um 
processo analítico”, ou seja, criança precisa 
operar com unidades linguísticas para poder 
escrever, precisa refletir sobre a língua, pensar 
sobre ela. O desenvolvimento da língua implica, 
entre outras coisas, em reconhecer a função 
social da leitura e escrita, e fazer uso delas.
O DESAFIO DE ENSINAR A LER E A ESCREVER 
A língua é uma estrutura suficientemente 
fechada que não admite transgressões sob 
pena de perder a dupla condição de 
inteligibilidade e comunicação; por outro, um 
recurso suficientemente aberto que permite 
dizer tudo, isto é, um sistema 
permanentemente disponível ao poder 
humano de criação.
O EMBATE CONCEITUAL 
Diz respeito ao conceito entre alfabetização e 
letramento. Alguns autores contestam a distinção de 
ambos os conceitos, defendendo um único e 
indissociável processo de aprendizagem (incluindo a 
compreensão do sistema e sua possibilidade de uso). 
Em uma concepção progressista de “alfabetização” 
(nascida em oposição às práticas tradicionais, a partir 
dos estudos psicogenéticos dos anos 80), o processo 
de alfabetização incorpora a experiência do letramento 
e este não passa de uma redundância em função de 
como o ensino da língua escrita já é concebido.
O EMBATE IDEOLÓGICO 
O embate conceitual é a oposição entre os dois 
modelos e representa um posicionamento radicalmente 
diferente, tanto no que diz respeito às concepções 
implícita ou explicitamente assumidas quanto no que 
tange à prática pedagógica por elas sustentadas. 
Corresponde a uma prática reducionista pelo viés 
linguístico, e autoritária pelo significado político; uma 
metodologia etnocêntrica que, pela desconsideração do 
aluno, mais se presta a alimentar o quadro do fracasso 
escolar. Se resume ao momento de aprender e o 
momento de utilizar essa aprendizagem.
O “Modelo Ideológico” admite a pluralidade das práticas 
letradas, valorizando o seu significado cultural e contexto de 
produção. Rompendo definitivamente com a divisão entre o 
“momento de aprender” e o “momento de fazer uso da 
aprendizagem”, os estudos linguísticos propõem a 
articulação dinâmica e reversível entre “descobrir a escrita” 
(conhecimento de suas funções e formas de manifestação), 
“aprender a escrita” (compreensão das regras e modos de 
funcionamento) e “usar a escrita” (cultivo de suas práticas a 
partir de um referencial culturalmente significativo para o 
sujeito). O esquema abaixo pretende ilustrar a integração 
das várias dimensões do aprender a ler e escrever no 
processo de alfabetizar letrando.
MODELO IDEOLÓGICO – PLURALIDADE DAS 
PRÁTICAS LETRADAS: ALFABETIZAR LETRANDO 
 DESCOBRIR A ESCRITA: CONHECIMENTO DE 
SUAS FUNÇÕES E FORMAS DE MANIFESTAÇÃO. 
 APRENDER A ESCRITA: COMPREENSÃO DAS 
REGRAS E MODOS DE FUNCIONAMENTO. 
 USAR A ESCRITA:CULTIVO DE SUAS PRÁTICAS A 
PARTIR DE UM REFERENCIAL CULTURAMENTE 
SIGNIFICATIVO PARA /AO SUJEITO.
Ao exercício efetivo e competente da 
tecnologia da escrita denomina-se 
Letramento que implica habilidades 
várias, tais como: capacidade de ler ou 
escrever para atingir diferentes 
objetivos.
DIMENSÕES DO LETRAMENTO 
 DIMENSÃO INDIVIDUAL: 
O letramento é visto como um atributo pessoal, posse 
individual das tecnologias mentais complementares de 
ler e escrever. 
 DIMENSÃO SOCIAL: 
O letramento é visto como um fenômeno cultural, um 
conjunto de atividades sociais que envolvem a língua 
escrita, e de exigências sociais de uso da língua escrita 
 As duas dimensões devem ser priorizadas
NÍVEIS DE LETRAMENTO 
(FERRARO, A. R. 2002) 
 Nível 1 de LETRAMENTO 
 Mínimo em termos de alfabetização 
 “ler e escrever um bilhete simples” 
 Nível que ainda não assegura a competência mínima 
para operar ou praticar no cotidiano, com 
desenvoltura, a leitura, a escrita e o cálculo 
 Salto importante – educação e direitos sociais em 
geral.
NÍVEL 2 DE LETRAMENTO 
 4ª série até a 7ª série do Ensino 
Fundamental 
 Alcance do domínio da leitura, da escrita e 
do cálculo 
 Permite a pessoa valer-se no dia-a-dia das 
técnicas e conhecimentos
NÍVEL 3 DE LETRAMENTO 
 Compreende: todos que tem 8 anos de 
estudos concluídos – Ensino Fundamental 
completo + Ensino Médio incompleto 
 Ao terminar Ensino Médio = mínimo 
constitucional ampliado
OS MOTIVOS PELOS QUAIS TANTOS DEIXAM DE 
APRENDER A LER E A ESCREVER P.34 
 Por que será que tantas crianças e jovens 
deixam de aprender a ler e a escrever? 
 Por que é tão difícil integrar-se de modo 
competente nas práticas sociais de leitura e 
escrita?
TEORIA DOS “SE” 
Se descartássemos as explicações mais simplistas 
(verdadeiros mitos da educação) que culpam o aluno pelo 
fracasso escolar; se admitíssemos que os chamados 
“problemas de aprendizagem” se explicam muito mais pelas 
relações estabelecidas na dinâmica da vida estudantil; se o 
desafio do ensino pudesse ser enfrentado partir da 
necessidade de compreender o aluno para com ele 
estabelecer uma relação dialógica, significativa e 
compromissada com a construção do conhecimento; se as 
práticas pedagógicas pudessem transformar as iniciativas 
meramente instrucionais em intervenções educativas, 
talvez fosse possível compreender melhor o significado e a 
verdadeira extensão da não aprendizagem e do quadro de 
analfabetismo no Brasil.
HIPÓTESES PARA O FRACASSO ESCOLAR 
1. Práticas letradas de diferentes comunidades 
(e as experiências de diferentes alunos) são 
muitas vezes distantes do enfoque que a escola 
costuma dar à escrita (o letramento tipicamente 
escolar). 
2. Reação do aprendiz em face da proposta 
pedagógica, muitas vezes autoritária, artificial e 
pouco significativa. 
3. O processo de aquisição da língua escrita está 
fortemente vinculado a uma nova condição 
cognitiva e cultural.
Paradoxalmente, a assimilação desse status (justamente 
aquilo que os educadores esperam de seus alunos como 
evidência de “desenvolvimento” ou de emancipação do 
sujeito) pode se configurar, na perspectiva do aprendiz, 
como motivos de resistência ao aprendizado: a negação de 
um mundo que não é o seu; o temor de perder suas raízes 
(sua história e referencial); o medo de abalar a primazia até 
então concedida à oralidade (sua mais típica forma de 
expressão), o receio de trair seus pares com o ingresso no 
mundo letrado e a insegurança na conquista da nova 
identidade (como “aluno bem-sucedido” ou como “sujeito 
alfabetizado” em uma cultura grafocêntrica altamente 
competitiva).
Na prática, a desconsideração dos significados 
implícitos do processo de alfabetização - o longo 
e difícil caminho que o sujeito pouco letrado tem a 
percorrer, a reação dele em face da artificialidade 
das práticas pedagógicas e a negação do mundo 
letrado – acaba por expulsar o aluno da escola, 
um destino cruel, mas evitável se o professor 
souber instituir em classe uma interação capaz de 
mediar as tensões, negociar significados e 
construir novos contextos de inserção social.
QUESTÕES 5 E 6 DA PROVA: 
05. Observe a tirinha da Mafalda abaixo e em seguida 
assinale a alternativa correta sobre o método utilizado pela 
professora: 
( ) Mafalda está sendo alfabetizada pelo método 
construtivista. 
( ) Mafalda ainda não tem a consciência fonológica da 
linguagem. 
( ) A professora da Mafalda usa métodos inovadores no 
ensino de alfabetização. 
( ) O método utilizado pela professora da Mafalda desafia 
a inteligência dos alunos levando-os à reflexão. 
( ) A professora da Mafalda usa um método tradicional de 
alfabetização chamado de alfabético ou silábico.
6. Baseados nos textos lidos e nas discussões 
em sala de aula, escreva um texto em que 
você estabeleça a diferença entre 
alfabetização e letramento. (5 Pontos)
USO DO MATERIAL DIDÁTICO P. 50 E 51 
 O material didático é um suporte tecnológico que se 
destina ao letramento escolar das práticas sociais orais e 
escritas. 
 Constitui-se em um mediador entre a produção científica 
e a escola. 
 Ele é um excelente instrumento de formação continuada 
do professor, pois as orientações didáticas contidas em 
suas páginas representam um rico material de formação 
docente. 
 O uso do material possibilita um direcionamento comum, 
beneficiando não só o aluno, mas também a escola, pois 
esta passa a adotar uma concepção mais clara de ensino 
da língua.
O PAPEL DO PROFESSOR ALFABETIZADOR 
 Leia o texto das paginas 52 a 56 e definam, 
em poucas linhas, qual o papel do professor 
alfabetizador no processo de ensino 
aprendizagem.

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  • 2. FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA ALFABETIZAÇÃO E DO LETRAMENTO
  • 3. APRESENTAÇÃO Esta disciplina trata especificamente dos fundamentos teóricos e metodológicos da alfabetização e do letramento, com vistas à formação de um professor, antes de tudo, reflexivo e sensível aos seus alunos e ao processo de aquisição de leitura e escrita. Assim, espera-se aqui contribuir para a formação do professor alfabetizador consciente de seu papel no espaço escolar.
  • 4. OBJETIVOS  Objetivo geral Compreender e aprofundar a alfabetização enquanto processo de apropriação de diferentes linguagens, a partir do entendimento da trajetória histórico-cultural desta, subsidiando o movimento teoria-prática no exercício profissional.  Objetivos específicos • Conceituar alfabetização e letramento. • Compreender a importância da apropriação da linguagem pelo indivíduo. • Possibilitar a formação do professor alfabetizador.
  • 5. QUESTÕES NORTEADORAS  Qual a diferença entre alfabetização e letramento?  O que é um professor alfabetizador?  De que maneiras ele desenvolve a sua prática?  Qual a importância disso na vida do indivíduo?
  • 6. ORIGEM DO TERMO LETRAMENTO  Dizemos que alguém é alfabetizado quando essa pessoa sabe ler e escrever palavras, frases e pequenos textos em determinado idioma.  Quando falamos em letramento, estamos dizendo que essa pessoa sabe usar a linguagem escrita como ferramenta cultural em diferentes contextos sociais (trabalho, família, lazer).
  • 7. AFINAL, O QUE É LETRAMENTO?  Sob a ótica social, o letramento é um acontecimento cultural relativo às atividades que envolvem a língua escrita. O destaque incide nos usos, funções e propósitos da língua escrita no contexto social.
  • 8. ALFABETIZAÇÃO LETRAMENTO  Processo de aquisição do sistema convencional de escrita.  Habilita o indivíduo a desenvolver diferentes métodos de aprendizagem da sua língua.  É o uso individual da leitura e da escrita.  Processo de desenvolvimento de comportamentos e habilidades de uso competente da leitura e da escrita em práticas sociais:  Habilita o indivíduo a utilizar a leitura e a escrita nos diversos contextos informais e para usos utilitários.  É o uso social da leitura e da escrita. DIFERENÇAS ENTRE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
  • 9. RECAPITULANDO:  ALFABETIZAÇÃO: COMPLEXO PROCESSO DE ELABORAÇÃO DE HIPÓTESES SOBRE A REPRESENTAÇÃO LINGUÍSTICA.  LETRAMENTO: ROMPIMENTO ENTRE SUJEITO QUE APRENDE X PROFESSOR QUE ENSINA.  NO LETRAMENTO, A SALA DE AULA DEIXA DE SER O ÚNICO ESPAÇO DE APRENDIZAGEM.
  • 10. INDEPENDÊNCIA E INTERDEPENDÊNCIA ENTRE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO  SÃO PROCESSOS PARALELOS, SIMULTÂNEOS OU NÃO, PORÉM COMPLEMENTARES.  PARA ALGUNS AUTORES, DEVE SER UM PROCESSO DE APRENDIZAGEM ÚNICO E INDISSOCIÁVEL.  CONSISTE NA COMPREENSÃO DO SISTEMA E SUAS POSSIBILIDADES DE USO.
  • 11. MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO  Sintéticos: a alfabetização deve partir das unidades menores da língua – dos fonemas, das sílabas em direção às unidades maiores - palavra, frase, texto(método fônico e método silábico).  Analíticos: a alfabetização deve partir das unidades maiores e portadoras de sentido – o texto, a frase, a palavra – em direção às unidades menores – a sílaba, a letra (método da palavração, método da sentenciação, método global).
  • 12.
  • 13. MÉTODO SINTÉTICO ( SILÁBICO/FÔNICO)
  • 15.  Ressalte-se que em ambos, a meta sempre foi a aprendizagem do sistema alfabético e ortográfico da escrita; embora se possa identificar, na segunda opção, uma preocupação também com o sentido veiculado pelo código, seja no nível do texto(método global), seja no nível da palavra ou da sentença (método da palavração, método da sentenciação), estes – textos, palavras, sentenças – são postos a serviço da aprendizagem do sistema de escrita: palavras são intencionalmente selecionadas para servir à sua decomposição em sílabas e fonemas, sentenças e textos são artificialmente construídos, com rígido controle léxico e morfossintático, para servir à sua decomposição em palavras, sílabas, fonemas.
  • 17. MÉTODOS GLOBAIS Começaram a ser utilizados desde o século XVII, diante das insatisfações com o Método Alfabético. Com o advento da Escola Nova (séc. XIX) em que a ênfase da Educação passou a ser o aluno como agente ativo de seu conhecimento, esta corrente teórica passou a ser difundida por pensadores como Rosseau, que enfatizava a espontaneidade do aluno e Jonh Dewey, que defendia a valorização da capacidade de pensar do aluno.
  • 18. VARIAÇÕES DOS MÉTODOS GLOBAIS São os métodos Ideovisuais – Construtivismo e o Sociointeracionismo – ainda que estes não possam ser considerados de fato métodos, mas sim linhas teóricas. Sugestão de leitura: Entrevista com Fernando Cesar Capovilla, professor de neuropsicologia da USP e especialista em distúrbios da comunicação e da linguagem.
  • 19. NOS ANOS 80... ...a perspectiva psicogenética da aprendizagem da língua escrita, divulgada entre nós sobretudo pela obra e pela atuação formativa de Emilia Ferreiro sob a denominação de “construtivismo”, trouxe uma significativa mudança de pressupostos e objetivos na área da alfabetização, porque alterou fundamentalmente a concepção do processo de aprendizagem e apagou a distinção entre aprendizagem do sistema de escrita e práticas efetivas de leitura e de escrita.
  • 20. EMÍLIA FERREIRO E ANA TEBEROSKY Seguidoras das ideias de Jean Piaget, realizaram investigações com crianças latino-americanas, referentes ao processo da aquisição da leitura e da escrita. Na postura construtivista, a língua escrita é vista como um conhecimento apropriado pelo sujeito à medida que se torna objeto de sua ação e reflexão. O contexto social é mediador nessa aprendizagem pois a língua escrita é produção cultural coletiva. Ela não acontece espontaneamente. Essa mediação, no contexto, da sala de aula, é propriamente a intervenção docente problematizadora e desafiadora do processo.
  • 21. EMILIA FERREIRO A psicolinguista argentina desvendou os mecanismos pelos quais as crianças aprendem a ler e escrever, o que levou os educadores a rever radicalmente seus métodos.
  • 22. O CONSTRUTIVISMO É uma linha teórica que enfatiza a participação ativa do aluno no processo de construção do conhecimento. Este termo designa também a concepção de que a inteligência se desenvolve através das ações entre o indivíduo e o meio. O papel do professor é de investigar os conhecimentos prévios dos alunos, seus interesses e procurar apresentar diversos elementos para que o aluno construa seus conhecimentos. O professor interfere menos em sala e respeita as fases do aluno. Uma sala de aula construtivista deve conter diferentes objetos para serem manuseados pelos alunos, como: blocos lógicos, figuras e textos de diversos gêneros.
  • 23. JEAN PIAGET (1896-1980) Trouxe importantes contribuições com seus estudos da epistemologia genética . Em seus estudos, Piaget procurou demonstrar que a criança se desenvolve conforme as faixas etárias e chama de “estágios” estas fases do desenvolvimento cognitivo. São elas: sensório motor, operacional concreto (préoperatório e operações concretas) e operacional formal.
  • 24. LEV VYGOTSKY (1896-1934) Teve importante contribuição para o Construtivismo. Para ele, o conhecimento se dá através da interação social. Sendo assim, Vygotsky dá ênfase ao aspecto interacionista na aprendizagem, em que a criança aprende interagindo socialmente. Nesta linha teórica, o papel do professor é o de mediador do conhecimento e, portanto, mais ativo do que na concepção piagetiana. O conhecimento se constrói no relacionamento entre o professor e o aluno.
  • 25.
  • 26.  Para os construtivistas, ler é muito mais do que decodificar, pois exige contato com muitos livros, acesso à literatura, textos jornalísticos e científicos, uso de atividades dinâmicas. Os construtivistas afirmam que o contexto ajuda os leitores a “construir sentido”, simplesmente a partir de uma pequena amostra das palavras de um texto. Por isso desenfatizam a importância da habilidade de consciência fonêmica, fônica e decodificação, e acentuam o papel do contexto como propiciador e facilitador da aprendizagem da leitura.
  • 27.  Tradicional  Método de alfabetização: o mais importante  sintético -> da parte para o todo  Fonética – som  Silábica – sílaba  Analítico -> Do todo para a parte  Palavração  Sentenciação
  • 28.  1. Construtivismo  Não há preocupação com o método . Fases do desenvolvimento cognitivo;  2. Leitura e escrita são úteis para a vida Conteúdo / Conteúdo – cartilha : leitura/escrita/escola  3. Desenvolver a linguagem é ter acesso aos diferentes tipos de textos: Rótulo receita, jornal, bula de remédios, parlenda, contos, músicas .Desenvolver a linguagem, leitura de textos da cartilha ou do livro. Leitura oral  4. Interação social , o conhecimento se dá através da troca com outro  Atividades em grupos.
  • 29. OBSERVE A GRAVURA E RESPONDA: Que método de alfabetização está sendo evidenciado na gravura?
  • 30. CONSTRUTIVISMO: SUA INFLUÊNCIA NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO  O construtivismo surge como uma teoria sobre a origem do conhecimento, que busca caracterizar os estágios mais recentes, baseados nos estudos de Piaget, que considera o conhecimento como um processo de organização de dados. Desta forma, ao direcionar o construtivismo para a questão da alfabetização, pode-se considerar que o mesmo oferece uma contribuição substancial na busca de compreensão da língua escrita.
  • 31. ALFABETIZAR NO CONTEXTO DA CULTURA ESCRITA
  • 32. 2. ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: REPENSANDO O ENSINO DA LÍNGUA ESCRITA E DA LINGUAGEM ORAL AS RELAÇÕES ENTRE A LINGUAGEM ORAL E A ESCRITA A aprendizagem da linguagem oral ou escrita é um processo permanente, porém, é preciso diferenciar um processo de “aquisição da língua” (oral e escrita) de um processo de “desenvolvimento” da língua. (Soares,1985) Quem fala em alfabetização e letramento fala igualmente das relações entre a linguagem oral e escrita. Na perspectiva do processo de aquisição da língua, é preciso entender a linguagem oral como um “fenômeno sonoro”, que se “desenrola no tempo” e no espaço “sem deixar vestígios” ou marcas, um fenômeno que é totalizante e auditivo.
  • 33. A criança, em seu desenvolvimento, vai construindo sua fala a partir dos sons que a envolve. Ao chegar à escola, já possui o domínio da língua oral, é um perfeito falante, mas não tem ainda o domínio da linguagem escrita. Esta, por sua vez, está ligada ao “fenômeno visual”, que é analítico e desagregador; vemos só o que está a nossa frente, só olhamos em uma direção de cada vez. Neste contexto, as palavras seriam fenômenos visuais, signos que se inscrevem no espaço e deixam “marcas” que, ao contrário do som, não se apagam.
  • 34. O aprendizado da fala e da escrita ocorre de modo diferente. “Só o convívio com pessoas alfabetizadas não garante o domínio da escrita como o convívio com falantes pode garantir o domínio da fala. O aprendizado da escrita é um processo analítico”, ou seja, criança precisa operar com unidades linguísticas para poder escrever, precisa refletir sobre a língua, pensar sobre ela. O desenvolvimento da língua implica, entre outras coisas, em reconhecer a função social da leitura e escrita, e fazer uso delas.
  • 35. O DESAFIO DE ENSINAR A LER E A ESCREVER A língua é uma estrutura suficientemente fechada que não admite transgressões sob pena de perder a dupla condição de inteligibilidade e comunicação; por outro, um recurso suficientemente aberto que permite dizer tudo, isto é, um sistema permanentemente disponível ao poder humano de criação.
  • 36. O EMBATE CONCEITUAL Diz respeito ao conceito entre alfabetização e letramento. Alguns autores contestam a distinção de ambos os conceitos, defendendo um único e indissociável processo de aprendizagem (incluindo a compreensão do sistema e sua possibilidade de uso). Em uma concepção progressista de “alfabetização” (nascida em oposição às práticas tradicionais, a partir dos estudos psicogenéticos dos anos 80), o processo de alfabetização incorpora a experiência do letramento e este não passa de uma redundância em função de como o ensino da língua escrita já é concebido.
  • 37. O EMBATE IDEOLÓGICO O embate conceitual é a oposição entre os dois modelos e representa um posicionamento radicalmente diferente, tanto no que diz respeito às concepções implícita ou explicitamente assumidas quanto no que tange à prática pedagógica por elas sustentadas. Corresponde a uma prática reducionista pelo viés linguístico, e autoritária pelo significado político; uma metodologia etnocêntrica que, pela desconsideração do aluno, mais se presta a alimentar o quadro do fracasso escolar. Se resume ao momento de aprender e o momento de utilizar essa aprendizagem.
  • 38. O “Modelo Ideológico” admite a pluralidade das práticas letradas, valorizando o seu significado cultural e contexto de produção. Rompendo definitivamente com a divisão entre o “momento de aprender” e o “momento de fazer uso da aprendizagem”, os estudos linguísticos propõem a articulação dinâmica e reversível entre “descobrir a escrita” (conhecimento de suas funções e formas de manifestação), “aprender a escrita” (compreensão das regras e modos de funcionamento) e “usar a escrita” (cultivo de suas práticas a partir de um referencial culturalmente significativo para o sujeito). O esquema abaixo pretende ilustrar a integração das várias dimensões do aprender a ler e escrever no processo de alfabetizar letrando.
  • 39.
  • 40. MODELO IDEOLÓGICO – PLURALIDADE DAS PRÁTICAS LETRADAS: ALFABETIZAR LETRANDO  DESCOBRIR A ESCRITA: CONHECIMENTO DE SUAS FUNÇÕES E FORMAS DE MANIFESTAÇÃO.  APRENDER A ESCRITA: COMPREENSÃO DAS REGRAS E MODOS DE FUNCIONAMENTO.  USAR A ESCRITA:CULTIVO DE SUAS PRÁTICAS A PARTIR DE UM REFERENCIAL CULTURAMENTE SIGNIFICATIVO PARA /AO SUJEITO.
  • 41. Ao exercício efetivo e competente da tecnologia da escrita denomina-se Letramento que implica habilidades várias, tais como: capacidade de ler ou escrever para atingir diferentes objetivos.
  • 42. DIMENSÕES DO LETRAMENTO  DIMENSÃO INDIVIDUAL: O letramento é visto como um atributo pessoal, posse individual das tecnologias mentais complementares de ler e escrever.  DIMENSÃO SOCIAL: O letramento é visto como um fenômeno cultural, um conjunto de atividades sociais que envolvem a língua escrita, e de exigências sociais de uso da língua escrita  As duas dimensões devem ser priorizadas
  • 43. NÍVEIS DE LETRAMENTO (FERRARO, A. R. 2002)  Nível 1 de LETRAMENTO  Mínimo em termos de alfabetização  “ler e escrever um bilhete simples”  Nível que ainda não assegura a competência mínima para operar ou praticar no cotidiano, com desenvoltura, a leitura, a escrita e o cálculo  Salto importante – educação e direitos sociais em geral.
  • 44. NÍVEL 2 DE LETRAMENTO  4ª série até a 7ª série do Ensino Fundamental  Alcance do domínio da leitura, da escrita e do cálculo  Permite a pessoa valer-se no dia-a-dia das técnicas e conhecimentos
  • 45. NÍVEL 3 DE LETRAMENTO  Compreende: todos que tem 8 anos de estudos concluídos – Ensino Fundamental completo + Ensino Médio incompleto  Ao terminar Ensino Médio = mínimo constitucional ampliado
  • 46. OS MOTIVOS PELOS QUAIS TANTOS DEIXAM DE APRENDER A LER E A ESCREVER P.34  Por que será que tantas crianças e jovens deixam de aprender a ler e a escrever?  Por que é tão difícil integrar-se de modo competente nas práticas sociais de leitura e escrita?
  • 47. TEORIA DOS “SE” Se descartássemos as explicações mais simplistas (verdadeiros mitos da educação) que culpam o aluno pelo fracasso escolar; se admitíssemos que os chamados “problemas de aprendizagem” se explicam muito mais pelas relações estabelecidas na dinâmica da vida estudantil; se o desafio do ensino pudesse ser enfrentado partir da necessidade de compreender o aluno para com ele estabelecer uma relação dialógica, significativa e compromissada com a construção do conhecimento; se as práticas pedagógicas pudessem transformar as iniciativas meramente instrucionais em intervenções educativas, talvez fosse possível compreender melhor o significado e a verdadeira extensão da não aprendizagem e do quadro de analfabetismo no Brasil.
  • 48. HIPÓTESES PARA O FRACASSO ESCOLAR 1. Práticas letradas de diferentes comunidades (e as experiências de diferentes alunos) são muitas vezes distantes do enfoque que a escola costuma dar à escrita (o letramento tipicamente escolar). 2. Reação do aprendiz em face da proposta pedagógica, muitas vezes autoritária, artificial e pouco significativa. 3. O processo de aquisição da língua escrita está fortemente vinculado a uma nova condição cognitiva e cultural.
  • 49. Paradoxalmente, a assimilação desse status (justamente aquilo que os educadores esperam de seus alunos como evidência de “desenvolvimento” ou de emancipação do sujeito) pode se configurar, na perspectiva do aprendiz, como motivos de resistência ao aprendizado: a negação de um mundo que não é o seu; o temor de perder suas raízes (sua história e referencial); o medo de abalar a primazia até então concedida à oralidade (sua mais típica forma de expressão), o receio de trair seus pares com o ingresso no mundo letrado e a insegurança na conquista da nova identidade (como “aluno bem-sucedido” ou como “sujeito alfabetizado” em uma cultura grafocêntrica altamente competitiva).
  • 50. Na prática, a desconsideração dos significados implícitos do processo de alfabetização - o longo e difícil caminho que o sujeito pouco letrado tem a percorrer, a reação dele em face da artificialidade das práticas pedagógicas e a negação do mundo letrado – acaba por expulsar o aluno da escola, um destino cruel, mas evitável se o professor souber instituir em classe uma interação capaz de mediar as tensões, negociar significados e construir novos contextos de inserção social.
  • 51. QUESTÕES 5 E 6 DA PROVA: 05. Observe a tirinha da Mafalda abaixo e em seguida assinale a alternativa correta sobre o método utilizado pela professora: ( ) Mafalda está sendo alfabetizada pelo método construtivista. ( ) Mafalda ainda não tem a consciência fonológica da linguagem. ( ) A professora da Mafalda usa métodos inovadores no ensino de alfabetização. ( ) O método utilizado pela professora da Mafalda desafia a inteligência dos alunos levando-os à reflexão. ( ) A professora da Mafalda usa um método tradicional de alfabetização chamado de alfabético ou silábico.
  • 52. 6. Baseados nos textos lidos e nas discussões em sala de aula, escreva um texto em que você estabeleça a diferença entre alfabetização e letramento. (5 Pontos)
  • 53. USO DO MATERIAL DIDÁTICO P. 50 E 51  O material didático é um suporte tecnológico que se destina ao letramento escolar das práticas sociais orais e escritas.  Constitui-se em um mediador entre a produção científica e a escola.  Ele é um excelente instrumento de formação continuada do professor, pois as orientações didáticas contidas em suas páginas representam um rico material de formação docente.  O uso do material possibilita um direcionamento comum, beneficiando não só o aluno, mas também a escola, pois esta passa a adotar uma concepção mais clara de ensino da língua.
  • 54. O PAPEL DO PROFESSOR ALFABETIZADOR  Leia o texto das paginas 52 a 56 e definam, em poucas linhas, qual o papel do professor alfabetizador no processo de ensino aprendizagem.