A doutrina do pecado severino pedro da silva

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A doutrina do pecado severino pedro da silva

  1. 1. A do • • ‘ / • ' • . í . ' ... . ■ ’ .• • I, ■ ' < ■ * - . . W 0 : mS
  2. 2. CPAD Rio de Janeiro 2012
  3. 3. Todos os direitos reservados. Copyright © 2012 para a língua portuguesa da Casa Publi-cadora das Assembleias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina. Preparação dos originais: Verônica Araújo Capa: Jonas Lemos Projeto gráfico e Editoração: Elisangela Santos CDD: 230 - Doutrina (Teologia Cristã) ISBN: 85-263-0299-x As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Corrigida, edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo indicação em contrário. Para maiores informações sobre livros, revistas, periódicos e os últimos lançamentos da CPAD, visite nosso site: http://www.cpad.com.br. SAC — Serviço de Atendimento ao Cliente: 0800-021-7373 Casa Publicadora das Assembleias de Deus Av. Brasil, 34.401 - Bangu - Rio de Janeiro - RJ CEP 21.852-002 Ia edição: Setembro/2012 Tiragem: 3.000
  4. 4. P r e fá c io A doutrina do pecado, de autoria do Pastor Severino Pedro da Silva, é verdadeiramente um tratado de hamartiologia. Nele, o autor mostra a natureza sombria do pecado, seus efeitos nocivos e seus males que afetam a humanidade, os seres, e as coisas em cada reino da natureza. A Escritu­ra descreve tanto o pecado como sua natureza, dizendo que, pecado é fracasso, é erro, é iniquidade, é transgressão, é falta de lei, é injustiça. Neste livro, são apresentados todos estes fracassos, e ao mesmo tempo, apresentado o caminho da solução contra todos eles e outros que não foram mencionados aqui. S. Tomás de Aquino diz que só através de luta e esforço, poderá o homem alcançar a perfeição. Ele então aponta a luta pela verdade para suplantar a ignorância, a luta pelo bom para suplantar a malícia, a luta pelo árduo para suplantar a fraqueza, a luta pelo uso moderado do deleitável para suplantar a concupiscência. O pecado deforma a perfeição, mas através de Cristo, o ho­mem será transformado “...de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Co 3.18); onde o pecado fere, Cristo sara; onde ele destrói, Cristo constrói; quando ele mata. Cristo dá a vida — e vida com abun­dância. Na luta contra o pecado, a pessoa humana somente será vitoriosa “em Cristo” e “por Cristo”. Sem sua presença e ajuda, tudo é fracasso. São Paulo, BRASIL, 2010 José Wellington Bezerra da Costa Presidente da CGADB
  5. 5. S u m á r io P r e f á c i o .............................................................................................................................3 C a p ít u l o 1 : H a m a r t io l o g ia — D o u t r in a d o P e c a d o .........................9 I. O P e c a d o .................................................................................................................10 II. D efin a ç ã o d o P e c a d o .................................................................................... 12 III. A O rig e m d o P e c a d o ....................................................................................2 5 C a p í t u l o 2 : O D i a b o F o i o P r l m e i r o S e r a P e c a r .........................35 I. O P r im eir o I n d iv íd u o q u e P e c o u ..............................................................3 6 II. O P e c a d o T ev e u m M en to r In t e l e c t u a l .......................................... 4 2 III. O D ia b o T o r n a - s e A s s a s s in o em P o t e n c i a l ......................................43 C a p í t u l o 3 : A M o r a d a d o H o m e m a n t e s d e P e c a r .................................55 I. A d ã o e E va M oravam n u m J a r d im ...........................................................5 6 II. O R io d o É d e n ...................................................................................................5 9 III. A Á rv ore d a V id a e a Á rvore d a C iê n c ia d o B em e d o M a l ......................................................................................................................... 62 C a p í t u l o 4 : A Q u e d a d o H o m e m ................................................................. 6 9 I. O P e c a d o d e A d ã o ............................................................................................7 0 II. A Q u e d a do H o m em M o s tr a u m a E sc a d a D e s c e n d e n t e ............................................................................................................. 75 III. A Q u e d a d o H o m em e o C u id a d o d e D e u s ...................................... 83 C a p í t u l o 5 : O P r o b l e m a d o M a l ................................................................. 9 7 I. A O r ig e m d o M a l ........................................................................................... 9 8 II. D iv id e - se o M a l em T r ê s C a t e g o r ia s ................................................ 9 9 III. A P l u r a l i d a d e n a E x is tê n c ia d o B em e d o M a l ............................. 104 IV. O P ro blem a d o M a l n a H istória das Id e ia s................................1 0 9
  6. 6. C a p í t u l o 6 : A E x t e n s ã o d o P e c a d o ......................................................... 1 2 7 I. A E x t e n s ã o C r e sc en te d o P e c a d o ....................................................... 128 II. A E x t en sã o Ver tic a l, H orizon tal e M o r a l d o P e c a d o ........................................................................................................................ 133 C a p í t u l o 7 : A C l a s s i f i c a ç ã o d o P e c a d o ..............................................143 I. A s T r a n s g r e s s õ e s ......................................................................................1 4 4 II. O s T r a n s g r e s s o r e s .......................................................................................148 III. A C l a ssific a ç ã o d a C u l pa ......................................................................1 5 0 IV . O P e c a d o e seu s C o g n a t o s.....................................................................1 5 2 V. O P ec a d o e seus V a r ia n t e s ......................................................................1 5 4 C a p í t u l o 8 : O P e c a d o H e r d a d o e a I m p u t a ç ã o d a C u l p a ............................................................................................................................159 I. O P e c a d o H e r d a d o .......................................................................................1 6 0 II. A I m pu ta ç ã o d a C u l p a ................................................................................163 C a p ít u l o 9 : O P o d e r C o n s e q u e n t e d o P e c a d o .............................. 171 I. O P o d e r O pr e sso r d o P e c a d o ................................................................. 1 7 2 II. O P o d e r E scravocrata d o P e c a d o ..................................................... 1 7 4 III. O P o d e r I so lá v el do P e c a d o ............................................................... 188 C a p ít u l o 1 0 : M a n if e s t a ç ã o C o n c e n t r á v e l d o P e c a d o ................................................................................................................................. 199 I. O P e c a d o F o r m a u m a U n id a d e d o M a l ............................................2 0 0 II. O P e c a d o F o r m a u m a U n id a d e c o m F ó r m u la S e d u t o r a ................................................................................................................. 2 0 7 C a p ít u l o 1 1 : P e c a d o s I m p e r d o á v e i s ...................................................... 2 1 5 I. P ec a d o s q u e n ã o M er e c ia m o P e r d ã o ............................................... 2 1 6 II. O P e c a d o d e A p o s t a s ia ............................................................................. 2 1 7 III. O P e c a d o Vo l u n t á r io ............................................................................ 2 2 6
  7. 7. IV . O P e c a d o para a M o r t e ..................................................................... 2 3 0 V. O P e c a d o A b o m in á v e l ............................................................................2 3 3 C a p ít u l o 1 2 : P e c a d o s P e r d o á v e i s ..........................................................2 4 1 I. P e c a d o s qu e M er ec em o P e r d á o ....................................................... 2 4 2 II. Q u em P o d e M e r e c e r o P e r d ã o .........................................................2 4 5 C a p ít u l o 1 3 : O P e c a d o d e B l a s f ê m i a c o n t r a o E s p ír it o S a n t o ..........................................................................................................2 4 9 I. O que S ignifica B lasfem ar contra o E spírito Sa n t o .................. 2 50 II. A B l a sfê m ia c o n t r a o E spír ito S a n t o .......................................... 2 5 3 III. A B la sfêm ia c o n tr a E spírito S a n t o n ã o E um A to — É um a A t it u d e ...................................................................................................2 5 7 C a p í t u l o 1 4 : O P e c a d o A f e t o u a s F a c u l d a d e s S e n s i t i v a s e I n s t i n t i v a s d o H o m e m .........................................................................................2 6 5 I. O L iv r e -A r b ít r io .........................................................................................2 6 6 II. Os S e n t id o s ..................................................................................................277 III. Os in s t in t o s ................................................................................................ 281 C a p ít u l o 1 5 : A l t e r a ç ã o n o C o m p o r t a m e n t o ...............................2 9 1 I. A ltera ç ã o M u d á v e l no C o m po r t a m e n t o ..................................... 2 9 2 II. A lte r a ç ã o d o P e n s a m e n t o ................................................................. 2 9 7 III. In c l in a ç ã o In f l u e n c iá v e l d a M e n t e ...........................................3 0 6 IV . A ltera ç ã o P r o po sita d a n a s A ç õ e s ...............................................3 1 0 C a p í t u l o 1 6 : P u n i ç ã o e D e s t r u i ç ã o d o P e c a d o ....................... 3 2 3 I. P u n iç ã o d o s P e c a d o r e s .......................................................................... 3 2 4 II. D est r u iç ã o e A u s ê n c ia da s C o is a s .................................................3 2 8 III. D estr u iç ã o d o s P e c a d o r e s ............................................................... 3 3 2 IV. D e st r u iç ã o F in a l do P e c a d o .......................................................... 3 3 4
  8. 8. H a m a r t io l o g ia - D o u t r in a d o P e c a d o
  9. 9. A D o u t r in a d o P e c a d o I . O P e c a d o 1. A existência do pecado. Alguns ignoram a origem e existência do pe­cado. Na opinião destes estudiosos modernos, o pecado não existe, e se existe (dizem eles) é de origem desconhecida. Assim como existem aqueles que procu­ram negar a existência de Deus, embora sejam reputados como sendo ‘néscios’ (SI 14.1). De igual modo, também, há alguns que, dizendo-se sábios, procuram negar a existência e origem do pecado. Outros até defendem que o pecado existe. Contudo, ninguém (dizem eles) será capaz de saber sua origem e seus modos de manifestação no mundo. Invocam para essa teoria a passagem de Deuteronômio 29.29, que diz: “As coisas encobertas são para o Senhor nosso Deus, porém as reveladas são para nós e para nossos filhos para sempre, para cumprirmos todas as palavras desta lei”. Com efeito, porém, é evidente que esta passagem não se refere à origem do pecado ou do mistério do mal. A Escritura, desde o início até o final, faz questão de revelar e denunciar o pecado, dizendo de onde ele veio — mostrando seus efeitos nocivos e sua tirania destruidora afetando o mundo hu­mano e o mundo espiritual. Deus falou na sua Palavra que o pecado existe e que está presente, podendo (se houver espaço) dominar o homem, que anda alienado de Deus. Para Caim o Senhor advertiu: “Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás” (Gn 4.7). E o escritor aos Hebreus, lembra aos seus leitores que o pecado não se encontra distante deles e de suas atitudes. Então ele disse: “Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta” (Hb 12.1). O falso ensinamento da “Ciência Cristã” afirma que o pecado é uma negação — que o mal é a ausência do bem, e que o pecado é a ausência da retidão. Mas não é verdade, pois existem formas de pecado extremamente malignas e agressivas. A Palavra de Deus assegura que o pecado e o mal têm existência positiva. E que são ofensas contra Deus.1 Tanto as Escrituras como o mundo sensível dos seres e das coisas, apre­sentam três provas evidentes da existência do pecado. Estas provas são: ca Prova metafísica; cg Prova moral; o# Prova psicológica. a) Prova metafísica. Essa prova se apoia na sensibilidade perceptiva de um mundo diferente daquele em que vivemos e algo que nos rodeia, apresentando
  10. 10. H a m a r t io l o g ia - D o u t r in a d o P e c a d o tanto no texto imediato como na extensão, que um inimigo tirano — chamado de o pecado — existe. A alma humana foi feita pelo sopro de Deus. Ela foi feita com a capacidade sensitiva de sentir e aceitar ou rejeitar o pecado. Ela pode discernir o mal e o bem. Com efeito, porém, se não houvesse o pecado ou mal espiritual, invisível no mundo das trevas, não seria necessário tal dis­cernimento — pois não haveria necessidade, visto que o mal não existiria (Dt 30.15,19). b) Prova moral. Essa prova se baseia na imortalidade da alma e é embasada na justiça de Deus, que exige que a virtude e o vício recebam as sanções que lhes são devidas: recompensa ou punição. Aqui no mundo, as sanções da virtu­de e do vício são evidentemente insuficientes; muitas vezes é o vício que triun­fa, e a virtude fica humilhada. A justiça quer que cada um seja tratado segundo suas obras, e isto não pode ser feito a não ser com a imortalidade da alma. Se o pecado não existisse não era necessário um juízo diferenciador e nem repa­rador de um bem que teria sido, ao longo da existência, danificado pelo mal. Contudo, esta prova mostra que existem muitos segredos: tanto do lado do bem como do lado do mal. E um dia, todos eles, serão julgados por aquele que por Deus foi constituído juiz — o qual “...trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações” (1 Co 4.5). c) Prova psicológica. Essa prova se apoia nas tendências essenciais de nos­sas faculdades. E fato que nós aspiramos conhecer a verdade absoluta, possuir o bem supremo e a felicidade perfeita, ou seja, um estado de vida que só pode ser encontrado no mundo vindouro. No mundo presente, isso é tão verdadei­ro que jamais nos sentimos saciados de verdade e de felicidade; quanto mais avançamos no conhecimento da verdade, na prática do bem, mais aumenta nosso desejo, a ponto de nada parecer poder satisfazer-nos fora da verdade, da bondade, da beleza perfeita, ou seja, fora de Deus. Todavia, sentimos que mes­mo com este anseio, há uma força estranha que quer nos levar para um outro lado. Esta força é o pecado. Ele nos rodeia bem de perto, desejando embaraçar nossos passos e desvirtuar nossas ações para um outro lado — que não é o lado do bem (Hb 12.1). 2. A realidade do pecado. Negar a existência do pecado é negar por ex­tensão a veracidade da Escritura. Ela, no seu escopo geral, afirma do princípio ao fim que o pecado existe. O pecado é qualquer transgressão contra a vonta­de revelada de Deus. Para quem tem olhos para ver, o pecado está manifesto por toda parte. Realmente deve estar com visão enfraquecida quem não vê
  11. 11. A D o u t r in a d o P e c a d o as operações arrainantes, maléficas, torcidas, brutais e bestiais do pecado, no mundo em geral e na vida humana. E além disso, após pecar contra Deus o ho­mem tomou-se sensível ao pecado. Quando o homem peca por qualquer razão ou motivo, ele sente o remorso da consciência, devido ao mal praticado e, em alguns casos, sofre as consequências da ação praticada contra Deus ou contra a sociedade. O homem é dotado de uma consciência sensível. O animal não possui esta consciência com sensibilidade de culpa. O homem quando comete um crime (peca), sua tendência é fugir do local e ocultar qualquer prova de seu delito. O animal não. Ele comete um ato errado, mas permanesse no local como se nada tivesse acontecido (1 Rs 13.24,28). A besta não tem traço algum de consciência de Deus; não tem, portanto, natureza religiosa. Para ela não há sensibilidade do pecado nem o peso da consciência. Quando o homem peca, através de sua consciência, ele sente em sua alma ou em seu sistema psicos­somático o peso do pecado (Nm 32.23). Se o pecado não fosse uma realidade jamais isso seria possivel de acontecer. Também presenciamos a realidade de morte, que entrou no mundo por causa do pecado. “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Rm 5.12). 3. O significado do pecado. Há quem afirme que o pecado é algo frag­mentado. Ele acontece acidentalmente. Com efeito, porém, a realidade das Es­crituras aponta outro ensino com respeito ao pecado. Ele surgiu no universo e depois no mundo humano, através da desobediência. O Diabo não foi enganado quando cometeu o primeiro pecado. Da mesma forma Adão não foi enganado (1 Tm 2.14). Tanto o Diabo como Adão pecaram de olhos abertos. De igual modo, o pecado não é apenas um ato de debilidade ou fraqueza, porque ele foi conce­bido por seres fortes e capazes (Ez 28.12-16; 2 Pe 2.4). O pecado em qualquer sentido— pensado, planejado e praticado — fere a santidade de Deus. O obje­tivo de Deus no Antigo Testamento era conservar para si “...um reino sacerdotal e o povo santo” (Ex 19.6). No Novo Testamento a vontade santa de Deus é a mesma. Ele deu Jesus “...para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2.14b). Por outro lado, o Diabo procura incentivar os homens à pecarem contra Deus e contra a sua boa obra, levando-os assim para as ‘obras infrutuosas das trevas’ (Ef 5.11). ii. D e f in iç ã o d o P e c a d o 1. Definição do term o pecado. A hamartiologia, é uma palavra usada no campo teológico para designar “a doutrina do pecado”, incluindo todos os
  12. 12. H a im a r t io l o g ia - D o u t r in a d o P e c a d o seus aspectos sombrios e sua natureza destruidora, tanto aplicada no campo físico como no campo espiritual, mostrando em cada detalhe suas disposições hostis contra Deus, às coisas, os seres e qualquer entidade no mundo da exis­tência. Em sentido etimológico — a palavra “pecado” conforme se encontra em nossas versões, vem da palavra hebraica “hãttã’th”, do qual origina-se da raiz hebraica “hãtã” traduzido na septuaginta (LXX) da palavra “hãmãrtia”. Existem algumas palavras que relatam significados semelhantes à palavra he­braica “hãttã’th”, como também para a palavra grega “hamartia”. Estes termos são aplicados no tempo e no espaço para descrever e dar sentido a tudo aquilo que o pecado é e suas formas de expressão. Os eruditos teológicos usam várias palavras deste gênero para descrever a natureza sombria do pecado, mostrando seus aspectos e suas disposições torcidas, maléficas em sua natureza daninha e perniciosa. a) Relacionado com aquilo que se desvia do alvo, falhar — hãtã. Os termos associados — ‘hãttã’th e hamartia’, e logo após, a classificação das palavras associadas a hãttã’th e também a hamartia. O primeiro engloba várias outras palavras. Mas, as mais usadas para descrever a natureza do pecado, são hê’t ou hãttã’t (hãtã’=falhar, desviar, não acertar seu fim), que apresenta o pecado como uma falha [às vezes contra os homens, geralmente contra Deus]. O segundo, quer dizer “tortuosidade no sentido próprio” (conservando assim, a forma ori­ginal da serpente que é torta ou curvada em todos os seus movimentos e ações). Há também em hebraico o verbo ‘chata’ e o substantivo ‘chãttãth’, — ‘chet’ (Gn 4.7; Ex 9.27; Lv 5.1; Nm 6.11; SI 51.2, 4; Pv 8.36; Is 42.24; Os 4.7). Em grego, o vocábulo correspondente é hamatteno (verbo) e hamartia (substanti­vo), indicando em sentido primário ‘errar o alvo’ (Lc 11.4; 15.18,21; Jo 1.29; 8.34; 16.9; Rm 3.23; 5.12; 6.23; 1 Co 15.3; 1 Jo 1.7, 9-10; 3.4; 5.17). b) Relacionado com aquilo que é torcido — que dobra — 'ãwôn ’. Pala­vra que ocorre cerca de 231 vezes, do qual também, temos os seguintes signi­ficados: Iniquidade, maldade, erro, pecado, culpa, enfermidade moral etc. Na verdade, a palavra “ãwôn” origina-se da palavra “ãwâ”, a qual traz o sentido de “dobrar”, “torcer”. Assim, a iniquidade é a “inclinação má” dentro do ser humano, ou a direção “tortuosa”, ou ainda ações “deformadas” dos pecadores. A missão de João Batista, como precursor de Cristo, era preparar um caminho plano nos corações, afim de que neles, o arrependimento tivesse lugar. Assim diz o texto divino: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Se­nhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo o vale será exaltado, e todo o monte e todo o outeiro serão abatidos; e o que está ‘torcido’ se endireitará, e
  13. 13. A D o u t r in a d o P e c a d o o que é áspero se aplanará” (Is 40.3,4). Estes caminhos tortuosos nos corações foram construídos pelo pecado de Adão e se estendeu a todos os homens. c) Relacionado com aquilo que tem a natureza de delito — ‘pesha’. Pa­lavra que ocorre cerca de 93 vezes, da qual também, temos os seguintes sig­nificados: delito, crime, culpa, pecado, ofensa, rebeldia, transgressão, etc. Na verdade a palavra “pesha” origina-se do verbo “pasha”, que traz o sentido de “rebelar-se”, “sublevar-se”, “violar” etc. Em síntese, uma violação tinha a ver com uma revolta contra a lei, Deus ou o governo. Neste conceito, a pessoa, desprovida da graça divina, persiste em seguir e fazer aquilo que é errado. Isto é um erro que viola este ou aquele direito, o princípio de uma época e de todas as épocas do ponto de vista divino de observação. Este erro é ampliado pela transgressão e significa a ação humana de atravessar, exceder, ultrapassar, noções que pressupõem a existência de uma norma que estabelece e demar­ca limites. Seu significado transitou da esfera geográfica, que fixava o limite para as águas do mar à concepção ético-filosófica, que abriga desde preceitos morais e religiosos até as leis do Estado. Daí, as contraposições entre bem e mal, mandamento e pecado, código e infração. Nas ações criativas humanas, transgressor e transgredido tendem a confundir-se. Por essa razão, o ato criador não se processa em série, como numa linha de montagem predeterminada. O criador/transgressor é o agente solitário que opera a superação de si mesmo na ruptura com o mundo que o cerca. Cada um, ao buscar, ao inventar, ao tentar o ainda-não-ousado, o novo, incorre em transgressão, não como subversão da ordem, mas como implementação, como criação. Ao longo da história foram muitos a “transgredir” as normas vigentes na sua época.2 d) Relacionado com tudo aquilo que é mal — ‘ra’. Palavra que ocor­re cerca de 663 vezes, da qual também temos os seguintes significados: mal, maldade, desgraça, calamidade, desventura, aperto, etc. Na verdade, a palavra “ra” como substantivo nos traz as seguintes conotações: mal, aperto, prejuízo, calúnia etc, porém como adjetivo temos: mau, perverso, criminoso etc. Este termo é usado para designar tudo aquilo que não se deseja. Assim a ideia de mal geralmente se refere a tudo aquilo que não é desejável ou que deve ser destruído. O mal está no vício, em oposição à virtude. Em muitas culturas, é o termo usado para descrever atos ou pensamentos que são contrários a alguma religião em particular, e pode haver a crença de que o mal é uma força ativa e muitas vezes personificada na figura de uma entidade como o Diabo, Satanás ou Arimã. Em Plotino, a matéria é identificada com o mal e com a privação de toda forma de inteligibilidade. Em Kant, o ser humano teria uma propensão
  14. 14. H a m a r t io l o g ia - D o u t r in a d o P e c a d o para o mal, apesar de ter uma disposição original para o bem. Hannah Arendt retoma a questão do mal radical kantiano, politizando-o. Analisa o mal quando este atinge grupos sociais ou o próprio Estado. Segundo a autora, o mal não é uma categoria ontológica, não é natureza, nem metafísica. E político e his­tórico: é produzido por homens e se manifesta apenas onde encontra espaço institucional para isso — em razão de uma escolha política. A trivialização da violência corresponde, para Arendt, ao vazio de pensamento, onde a banalida­de do mal se instala.3 e) Relacionado com o pecado e o resultado do pecado — ‘hamartêma Palavra que traz a conotação de pecado, mas com o sentido de resultado de pecar (Mc 3.28 e ss). O pecado sempre foi um termo principalmente usado dentro de um contexto religioso, e hoje descreve qualquer desobediência à vontade de Deus; em especial, qualquer desconsideração deliberada das Leis reveladas. No hebraico e no grego comum, as formas verbais (em hb. hhatá; em gr. hamartáno) significam “errar”, no sentido de errar ou não atingir um alvo, ideal ou padrão. Em latim, o termo é vertido por peccátu. O Judaísmo considerará violação de um mandamento divino como um pecado. O judaísmo ensina que o pecado é um ato e não um estado do ser. A Humanidade encontra-se num estado de inclinação para fazer o mal (Gn 8.21) e de incapacidade para escolher o Bem em vez de o Mal (SI 37.27). O Judaísmo usa o termo “pecado” para incluir violações da Lei Judaica que não são necessariamente uma falta moral. De acordo com a Enciclopédia Judaica, “O homem é responsável pelo pecado porque é dotado de uma vontade livre (“behirah”); contudo, ele tem uma natureza fraca e uma tendência para o Mal: “Porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice...” (Gn 8.21). Por isso, Deus, na sua misericórdia, permitiu ao homem arrepender-se e ser perdoado. O Ju­daísmo defende que todo o homem nasce sem pecado, pois a culpa de Adão não recai sobre os outros homens. Pecado designa todas as transgressões de uma Lei ou de princípios religiosos, éticos ou normas morais. Podem ser em palavras, ações (por dolo) ou por deixar de fazer o que é certo (por negligência ou omissão). Ou seja, onde há Lei, se manifesta o pecado. Pode ser tão somente uma motivação ou atitude errada de uma pessoa, e isso, é chamado de pecado “no coração”. No íntimo dos humanos, independente da cultura a que pertença, existe necessidade de estabelecer princípios de ética e normas de moral. Quan­do se viola a consciência moral-pessoal, surge o sentimento de culpa.4 f) Relacionado com a transgressão — ‘parabasis Palavra que traz a cono­tação de transgressão, violação, desobediência, etc. A transgressão propriamente
  15. 15. A D o u t r in a d o P e c a d o dita é um ato de desobediência consciente e deliberada. Paulo descreve isso, quando se referiu ao pecado de Adão no sentido geral. Então ele diz: “No entan­to a morte reinou desde Adão até Moisés, sobre aqueles que não pecaram à se­melhança da transgressão de Adão...” (Rm 5.14). A palavra “transgressão” vem de uma raiz grega que é “anomia” e significa “violação da lei”, “desordem”, “anarquia”, ou ainda “declínio para a margem esquerda ou direita da linha da santidade”. Literalmente falando, isso quer dizer “ir além do limite traçado” (1 Jo 3.4,8). Em o Novo Testamento, a palavra grega “parabasis”, era usada com exclusividade para designar o “pecado de Israel”. Esse era um tipo de pecado especial dos judeus que agravava a culpa deles ante o tribunal de Deus (Js 7.15). Por isso é que lemos em Romanos 4.15: mas onde não há lei, também não há transgressão”. E por essa razão que o pecado de Adão foi chamado de “trans­gressão, porquanto violou um mandamento que lhe fora dado especialmente”. Calvino declara, numa tradução livre de Romanos 5.14, “Por igual modo, até hoje (os judeus) desonram a Cristo, ‘transgredindo’ contra o evangelho...por isso para eles a morte ainda reina”. g) Relacionado com a maldade — ‘ponêria’. Palavra que traz a conotação de malícia, maldade, iniquidade, etc. A palavra quando utilizada no plural traz o sentido de atos maliciosos em alguns textos. Algumas traduções enfocam a palavra “maldade” no texto de Marcos 7.22, porém o correto seria “atos maliciosos”. A iniquidade é um outro pecado descrito na Bíblia, como algo que fere o sentimento amoroso e a equidade de Deus. “Toda a iniquidade é pecado: e há pecado que não é para morte” (1 Jo 5.17). A palavra “iniquidade” é tomada como personificação do pecado quando este é praticado no sentido cruel. No hebraico essa palavra, é “hattã’th” e sua variante “awôn”, que sig­nifica desobediência merecedora, pela culpa, de um grande castigo (Jó 19.29; Hb 2.2). Nas Escrituras do Antigo Testamento a iniquidade já era reconhecida como tendo sentido especial, que designava o pecado em sua forma mais cruel e brutal. Davi descreve a natureza daqueles que a praticavam dizendo: “Não terão conhecimento os obreiros da iniquidade, que comem o meu povo, como se comessem pão? Eles não invocam ao Senhor” (SI 14.4); enquanto que nosso Senhor Jesus Cristo, retrata a iniquidade como aquele elemento mortal que se­para o homem de sua caminhada, quando exclama: “Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.23) e com relação a Deus o profeta Isaías apresenta o seguinte gráfico: “... as vossas iniquidade fazem divisão entre vós e o vosso Deus...” (Is 59.2). Aqui, está, portanto, o verdadeiro sentido da ini­quidade: “aquilo que separa”, ou de acordo com o conceito rabínico “aquilo que coloca longe”, isto é, que distancia.
  16. 16. H a m a r t io l o g ia - D o u t r in a d o P e c a d o h) Relacionado com aquilo que é falso — ‘paraptôma Palavra que traz a conotação de passo em falso, transgressão, pecado, etc. Temos um exemplo de paraptôma em Romanos 11.11 e ss., o qual relata: “Digo, pois: porventura, tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum! Mas pela sua queda (pas­so em falso), veio a salvação aos gentios...”. Falsidade é a característica do que não é verdadeiro. De fato, o ser humano muitas vezes se sente, na nossa sociedade, quase obrigado a ser falso. A mentira, o engodo, o engano, a falsa aparência, a esnobação e a desfaçatez são gêneros de primeira necessidade nos relacionamentos entre as pessoas. O orgulho e a busca de reconhecimento trazem consigo a necessidade quase inadiável de aparentar algo que não se é. A falsidade em sua concepção traz à pessoa certos proveitos. Omitir sua con­dição, ou se mostrar de maneira diferente para levar vantagens, obter lucros, ascensão social, desmoralizar outras pessoas entre outros. Essa parece ser a ética do mundo. Rui Barbosa, o grande jurista brasileiro, afirmou certa vez, dentre outras coisas, que de tanto ver triunfar a mentira e a falsidade, tinha até vergonha de ser honesto. É fácil tomar um relato mais interessante acrescen­tando a ele alguns detalhes, como também é fácil fraudar uma história quando lhe dispensamos uma omissão ou ação. E simples deduzir que não existe o que se pode chamar de “falsidade particular”, ou seja, uma informação fora do verdadeiro não prejudica somente a pessoa que a pratica.5 i) Relacionado com a ilegalidade — ‘anotnia’. Palavra que traz a cono­tação de ilegalidade, transgressão, desobediência, etc. A palavra “anomia” é formada pela partícula negativa “a” (como o “im” do nosso português), e com o substantivo “nomos” o qual significa lei. Nas Escrituras Sagradas essa pala­vra é encontrada com mais frequência. Esta palavra pode indicar também uma ‘desobediência religiosa’ de certas normas e leis estabelecidas por Deus na sua palavra. Saul, fez por exemplo, aquilo que não lhe era lícito fazer: oferecer sacrifício como se ele pertencesse à ordem sacerdotal. Ele mesmo declara que o que fez — fez errado. “... ainda a face do Senhor não orei. E violentei-me, e ofereci holocausto” (1 Sm 13.12). j) Relacionado com a injustiça — ‘adikia’. Palavra que traz a conotação de injustiça, erro, impiedade, etc. A palavra “adikia” é formada pela partícula negativa “a”, e com o substantivo “dike” o qual significa direito. Em síntese é o oposto de veracidade, lealdade e integridade. Em sentido religioso, o significado do pensamento no tocante ao pecado, quer dizer: “errar o alvo”. Com efeito, porém, quando se aplica o conceito geral das Escrituras Sagradas, o sentido é mais vasto e tenebroso, pois o pecado é fracasso, erro, iniquidade, transgressão,
  17. 17. A D o u t r in a d o P e c a d o contravenção, falta de lei, injustiça etc. Em seu sentido lato é sempre citado no singular, para denotar aquele princípio pecaminoso que produz a morte, tanto física como espiritual. Assim, o pecado, é então, personificado como sendo “o grande tirano” que impõe tristeza, desespero e morte, levando a criatura humana para uma “região tenebrosa”, onde ela permanecerá triste e inativa (Mt 4.16). Assim sendo, a sua característica primordial, desde o princípio, é depreendido em Gênesis 3. No pensamento humano e também angelical, o pecado tomou-se a falta de conformidade com a natureza do supremo Ser, que é Deus. A injustiça é como a inveja. Ela é uma arma sombria, usada por Satanás no campo da destrui­ção. Por esta razão, Deus que é o Justo Juiz, manifesta sua ira contra tal atitude por parte dos homens. Paulo descreve também este pecado grosseiro, dizendo: “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens...” (Rm 1.18a). Em algumas versões atualizadas, na passagem de 1 João 5.17, diz “toda a injustiça é pecado”, ao invés de “toda a iniquidade é pecado”. Essa é, talvez, a definição mais comum da injustiça. A lei fixa uma linha divisória entre o bem e o mal, entre o justo e o injusto, e qualquer passo que a transponha, é injustiça. Alei de Deus fala de um reino para aqueles que são justos (Mt 13.43), como também, de igual modo, um castigo eterno para os injustos (Ap 22.11). Os sábios helenistas que viveram antes de Cristo, usavam a palavra grega “adikia”, para designar “delito contra Deus; dívida contraída, que não fora perdoada” (cf. Mt 6.12). A Bíblia reputa os filhos das trevas como sendo “inimigos de toda a justiça”. Por isso são injustos (At 13.10 etc.). Do ponto de vista escatológico, Jesus é “O Justo” (Is 53.11), enquanto que o Anticristo será “o iníquo” (2 Ts 2.8). Paulo afirma que os “injustos” ficarão fora do céu (1 Co 6.9). 2. Definição da natureza do pecado. Por natureza, o pecado, segundo se diz, se entende como sendo “qualquer falta que fere a santidade de Deus”, quer em ato, atitude, estado, ou natureza. As Escrituras põem em relevo dois pontos principais ou qualidades morais: a santidade e seu antagonista, o pecado. Pode-se dizer que, na esfera moral, o primeiro corresponde ao Bem e o segundo ao Mal. Todos os demais princípios e qualidades morais podem ser classificados de maneira a se identificar com um desses dois grupos. E por isso mesmo o pecado, como sua “antítese”, recebe na Bíblia atenção ampla e adequada. Em seu escopo geral, sem nenhuma exceção, as Escrituras descrevem o pecado como sendo de natureza má em todos os seus aspectos, e como algo áspero, mau e nocivo. a) O pecado opera em todas as esferas da vida e das atividades humanas. I o. Na esfera moral. Quando Deus criou o homem, criou-o com um senso de responsabilidade. Jamais Deus iria dizer a um ser irresponsável: “Você
  18. 18. H a m a r t io l o g ia - D o u t r in a d o P e c a d o será como um de nós”, como disse ao homem, dando-lhe instruções para sua vida e para sua prole. A responsabilidade imposta por Deus no homem envolve vários aspectos de sua vida e para que ele se conserve puro, é ne­cessário não transgredir. A transgressão pode aparecer, em primeiro lugar, abrindo caminho nos atos ilícitos — nos crimes e contravenções. Todos estes atos e coisas semelhantes são condenados, tanto do ponto de vista religioso, como do social. Crime é a violação de uma norma de conduta imposta pela lei sob a sanção da pena. O crime pode ser cometido por um ato ou por omissão e pode ser de dois tipos: doloso — quando se trata de intenção pré-concebida de causar dano a alguém. Culposo — quando se trata da violação da lei sem premeditação, mas com imprudência, negligên­cia ou imperícia. Mais ou menos como se fala que a pessoa humana pode pecar de duas maneiras: por omissão — quando sabe fazer o bem e não o faz. “Aquele pois que sabe fazer o bem e o não faz, comete pecado” (Tg 4.17), — e por comissão (Lc 3.19,20). 2o. Na esfera da santidade. A santidade é a regra geral de Deus em ambos os Testamentos. No Antigo, Ele disse: “Fala a toda a congregação dos filhos de Israel, e dize-lhes: “Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2). Em o Novo, Paulo diz: "... esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1 Ts 4.3), e acrescenta: “... o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo” (1 Ts 5.23). Assim, tudo que pertence a Deus, ou com Ele se relacionar, deve ser santo. Primeiro: a Trindade — Deus (Lv 19.2); Jesus (Lc 1.35); o Espírito Santo (Rm 1.4). Segundo: as coisas e os seres — a terra (Êx 3.5); o sábado (Gn 2.3; Êx 20.8; 31.14; Ne 13.22); as sobras dos sacrifícios (Êx 29. 34); o óleo da santa unção (Êx 37.29); as festas (Lv 23.2); o monte do Senhor (SI 15.1); a aliança (Dn 11.30); a comida (1 Tm 4. 3-5); os dízimos (Lv 27.32); a oferta (Mt 23.19); o sangue (Hb 10.29); os anjos (Mt 25.31); os apóstolos e os profetas (Ap 18.20); os crentes (At 20.32; 26.18); os vasos (2 Tm 2.21); o altar (Êx 40.10); o caminho (Is 35.8); a cidade (Mt4.5); o jejum (J11.14; 2.15); os sacrifícios (Rm 12.1) os primogênitos dos filhos de Israel e dos seres (Êx 13.2; Dt 15.19). Este é o motivo porque o Diabo detesta e não quer santidade — porque do lado de Deus, tudo é santo e santificado. 3o. Na esfera da verdade. O primeiro pecador foi um mentiroso e introduziu o pecado na esfera humana, começando com uma mentira (Gn 3.1-5; Jo 8.44). Depois ele incentivou aos homens, fazerem da mentira um lugar de refugio. No futuro, o Anticristo fará da mentira o refugio de seu governo e a base de suas palavras. Na presente dispensação o espírito do Anticristo men­te descaradamente, procurando negar a origem de nosso Senhor Jesus e de
  19. 19. A D o u t r in a d o P e c a d o sua obra redentora. Também procurará, a todo custo, ocultar a concepção virginal do Filho de Deus, dizendo que, cientificamente, isso é impossível. Mas a palavra divina o chama de mentiroso, dizendo: “Quem é o mentiro­so, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? E o anticristo, esse mesmo que nega o Pai e o Filho” (1 Jo 2.22). 4o. Na esfera da conduta fraternal. O princípio fundamental da fraternida­de é o amor. “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primei­ro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.37-39). A justiça da fraternidade deve estar inclinada para com o próximo. Esses deveres referem-se à pessoa física, à pessoa moral, à propriedade e ao trabalho alheio. De acordo com as regras estabelecidas, os deveres para com a pessoa alheia envolvem os seguintes requisitos — o respeito que se deve ter pela vida do próximo, que inclui não praticar: 03 0 homicídio 03 A violência 03 A mutilação 03 A injúria 03 0 duelo etc. Lamentavelmente, o pecado violou e tem violado todos estes princípios funda­mentais para o norteamento da conduta humana. 5o. Na esfera da sabedoria. Por meio da sabedoria, Deus capacitou a mente humana para entender todos os fatos e circunstâncias, leis e princípios, tendências, influências e possibilidades. A sabedoria encerra tudo: matéria primeira (celestial, humana e natural), poder e perícia. O Diabo, porém, por meio do pecado, procura dominar a esfera mental da sabedoria, e no lugar da sabedoria que Deus dera ao homem, implantar a sua própria sabedoria. Mas “essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e dia­bólica” (Tg 3.15). 6o. Na esfera do julgamento. Alguém divide as leis em dois grupos: “leis da natureza” e “leis da mente”. São termos usados para denotar princípios lógicos para que aquilatemos e julguermos qualquer coisa. (I) A Lei Elementar. Esta é a lei entretecida nos elementos, substâncias e forças das criaturas racionais e irracionais. Por ser entretecida na constitui­ção do universo material, chamamo-la de lei física ou natural. A lei física é
  20. 20. H a m a r t io l o g ia - D o u t r in a d o P e c a d o e não é necessária; alguma outra ordem é concebível. Nem é tampouco um fim em si própria; existe por causa da ordem moral. Portanto, a ordem física tem uma substância apenas relativa; às vezes Deus a suplementa através de um milagre. (II) A Lei Promulgada. Promulgação Positiva é a expressão da vontade de Deus em decretos publicados. Estes consistem de seus preceitos defi­nitivamente morais, tais como o Decálogo (Êx 20); o Sermão do Monte (Mt 5—7). No Novo Testamento, todos os mandamentos são repetidos e sancionados com exceção do quarto. Consistem também da legislação ce­rimonial. Estes são: as ofertas (Lv 1—7), as leis do sacerdócio (Lv 8— 10), as leis da pureza (Lv 11— 15). O pecado, com sua condução iníqua ignora todas as leis e normas estabelecidas por Deus — contudo, elas estão aí para serem observadas. 7o. Na esfera mental. A loucura espiritual é pior do que a loucura psicosso­mática. A Bíblia diz que “... mesmo os loucos, não errarão” o caminho da vida (Is 35.8b). Enquanto que aqueles doentes da mente por causa do peca­do, ignoram o caminho da salvação. “Os loucos zombam do pecado...” (Pv 14.9a). O pecado os tomou vítimas do “... deus deste século (o Diabo, que) cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Co 4.4). b) O pecado torna o homem impuro perante Deus. Um dos aspectos sombrios da natureza do pecado é a impureza. Ele toma o homem impuro de mente e de coração, com a finalidade de afastá-lo de Cristo, que disse: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus” (Mt 5.8). Paulo relaciona a impureza com a torpeza (Ef 5.4). Segundo o Dicionário Aurélio, esta palavra tem os seguintes sentidos: desonesto, impudico, infame, repug­nante, manchado, nojento, obsceno, indecente, vergonhoso, ignóbil, etc. Já o vocábulo grego “aischrotes”, empregado na citação que está em foco, significa “feiúra”, “iniquidade”. O termo envolve toda e qualquer imundície praticada com extravagância ou tortura, por alguém da mente doentia. 3. O pecado desperta a ira de Deus. Visto ser o pecado de natureza má, e evidentemente, nociva, este desperta aversão a ira da parte de Deus. Porém, este estado de ira de Deus contra o pecado é retratado como ferindo somente os ímpios. Embora Deus ame o pecador, contudo, Ele aborrece o pecado. E por causa deste, seu estado de ira recai sobre aquele que peca e continua pecando, sem se voltar para o arrependimento. Nesse caso, a ira divina se manifesta cada dia. O Senhor é
  21. 21. A D o u t r in a d o P e c a d o longânimo para ira, isto é, seus passos são lentos quando seguem nessa direção (Nm 14.18; Ne 9.17; SI 103.8; J12.13), mas quando observa coisas que lhe desagrada ou vê manifestar-se o pecado, sua ira se manifesta (Nm ll.l;R m 1.18;Tg2.13).Enin-guémpode subsistir a ela (SI 76.7,8; Ap 6.16,17). Quando o pecado fere a santidade divina, desperta a ira de Deus, que é santa, sem sombra de pecado. Sendo livre, ela se exerce contra o pecado (cf. Os 11.9). Jesus Cristo, por exemplo, animou-se desta ira quando olhou os ouvintes de coração endurecido (Mc 3.5), pois a ira divina é motivada pelo zelo dos seus e pela aversão ao pecado. Ela manifesta-se contra deter­minadas pessoas (2 Cr 25.15), contra Israel quando peca (Êx 22.23), contra um país e seus habitantes (Dt 29.27). Em sua ira, Deus deu um rei ao seu povo que rejeitou o seu governo (Os 13.11). Ele derrama seu fiiror sobre as nações impenitentes (SI 79.6). Durante o período da Grande Tribulação, isto é, aquele tempo de dores que virá repentinamente durante a ausência da Igreja ocasionada pelo arrebatamento, Deus derramará sua ira contra os habitantes da terra. Duas palavras gregas são usa­das para descrever este estado de ira divina contra o pecado e contra os pecadores durante estes dias sombrios de dores e aflições que envolverá todo o mundo por sete anos. Os estudiosos usavam dois termos, para com eles descreverem a ira divina, quando esta passava a manifestar-se sobre seus inimigos: “thymos” e “orgê”. a) Thymos — o pecado desperta (em Deus) um irrompimento de ira. Esse termo é empregado 18 vezes no Novo Testamento, para significar “um irrom­pimento de ira”. Emprega-se para a ira de Deus em 9 das 18 vezes em que apa­rece o termo. Todas as 9 vezes estão no livro de Apocalipse, onde a ira divina é retratada somente ferindo os pecadores. Em 6.12-17, na abertura do sexto selo, a ira divina aparece atingido os seguintes elementos: os Terra cs Sol cs Lua cs Estrelas os Céu cs Montanhas cs Ilhas Estes, por sua vez, ferem “sete categorias de pessoas”: cs Reis cs Grandes os Ricos
  22. 22. H a m a r t io l o g ia - D o u t r in a d o P e c a d o 03 Tribunos cg Poderosos cg Servos cg Livres Em 14.8, ela vem sobre Babilônia; Em 14.19, ela vem sobre os exércitos em Armagedom; Em 15.1,7; 16.1,19, ela recai sobre os habitantes da terra, em sentido geral. Nos demais lugares em que ela é retratada, são: 14.10, sobre aqueles que beberam do vinho da prostituição da grande Babilônia. E em 19.15, será mani­festada no grande lagar da cólera de Deus (Ap 14.19). b) Orgê — o pecado desperta (em Deus) um estado de ira. Ela pode estar presente em Apocalipse 6.16,17; 11.18. Esse termo significa “um estado de ira”. E empregado também a respeito da ira de Deus cerca de 27 vezes no Novo Testamento. Sendo que em alguns dos textos onde ela aparece, refere-se tanto a ira de Deus como a ira do Cordeiro (Ap 6.16). Porém, em nenhum momento ela é indicada como um estado de “emoção violenta”, como ordinariamente se manifesta na pessoa humana; e, sim, uma ação de Deus de forma versátil para executar “julgamento de forma justa”, corrigindo os atos abusivos implantados pelo pecado: especialmente contra a impiedade e a injustiça (Rm 1.18). 4. O pecado se opõe a tudo que é puro. A santificação (ou, em sua forma verbal, santificar) significa literalmente o processo pelo qual se separa algo ou alguém para um uso ou um propósito religioso, ou seja, tomar sagrado ou consagrar — faz parte da vontade perfeita de Deus. Porque esta é vontade de Deus que todos sejam santos (1 Ts 4.3; 5.23). Na teologia cristã, santificação é o processo de aperfeiçoamento gradual do ser humano em que ele se aproxi­ma do caráter divino e afasta-se do pecado, o qual, em sua forma mais cruel e imoral, procura minar e depois destruir todo este processo de santificação ideal para a vida humana. O Diabo sabe que Deus exige “... a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). E “... que todo aquele que é nascido de Deus não peca” (1 Jo 5.18). Por esta e outras razões, ele procura por todos os meios tomar cada vez mais os homens pecadores. 5. O pecado é tanto um ato com o um estado. Como rebelião contra a lei de Deus — o pecado é um ato da vontade do homem. Como separação de Deus, vem a ser um estado pecaminoso, que conserva em si mesmo uma atitude deliberada.
  23. 23. A D o u t r in a d o P e c a d o a) A ideia do hedonismo. A intenção do hedonismo moderno é abrandar o pecado e desclassificá-lo de agressivo para um estado de brandura inofensiva. Hedonismo (do grego hadona que significa prazer) é uma teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer o supremo bem da vida humana. Sur­giu na Grécia, na época pós-socrática, e um dos maiores defensores da doutrina foi Aristipo de Cirene. O hedonismo moderno procura fundamentar-se numa concepção mais ampla de prazer entendida como felicidade para o maior nú­mero de pessoas. É a tendência moral que defende a maximização do prazer e a minimização do sofrimento na existência humana. A teoria socrática do bom e do útil, da prudência, etc, quando entendida pela índole voluptuosa de Aristipo, leva ao hedonismo, onde toda a bem-aventurança humana se resolve no prazer. A ideia básica que está por trás do hedonismo é que todas as ações podem ser medidas em relação ao prazer e a dor que produzem. Podemos dizer também, numa linguagem mais simples, que o hedonismo é a arte de ser, não a de ter. A arte de ser é a sabedoria ascética do despojamento: não se cobrir de honras, de dinheiro, de riquezas, de poder, de glória e outros falsos valores ou virtudes, mas preferir a liberdade, a autonomia, a independência. A escultura de si é arte dessa técnica de construção do ser como uma singularidade livre. O hedonismo não é a mesma coisa que o consumismo, é exatamente o oposto. E o antídoto. O consumismo é o hedonismo liberal e capitalista que afirma ser a felicidade a posse de bens materiais. b) O hedonismo de Epicuro. O pensamento epicurista, como o estoico, dirige a atenção para as questões morais. Para Epicuro e a sua escola, a virtude identifica-se com o saber; por isso, o modelo de virtude é o sábio. O sábio é feliz, caracteriza-se pelo domínio de si, pela sua constância e pela sua simplici­dade. Afasta-se da política e, em questões de justiça, é propenso à clemência. O objetivo fundamental do epicurismo é a moral, isto é, a ordenação da conduta humana de modo a ser possível alcançar uma vida feliz. Para Epicuro a felici­dade é a obtenção de prazer sabiamente administrado e o afastamento da dor. Deste modo, os epicuristas dão da natureza humana uma explicação hedonista: a lei fundamental da natureza é a procura do prazer. Quanto à descrição de fenômenos naturais, os epicuristas recuperam o atomismo de Demócrito com algumas variantes; apenas lhes interessa a natureza na medida em que pode contribuir para a felicidade do homem libertando-o dos seus temores, demons­trando ser vão o temor dos deuses, ser vão o temor da morte, estar o prazer ao alcance de todos e que a dor, sendo breve e transitória, é facilmente suportável. Perspectiva antiquíssima a que Epicuro dá nova formulação, quando admite os prazeres morais e não identifica a felicidade com o prazer imediato. Esta senda
  24. 24. H a m a r t io l o g ia - D o u t r in a d o P e c a d o vai ser retomada pelo utilitarismo de Bentham, para quem há uma graduação da moral. A tese está intimamente ligada ao contratualismo, à ideia de que é possível a realização do máximo de utilidade com o mínimo de restrições pessoais, numa perspectiva que reduz o direito a uma simples moral do útil coletivo. Libertando-se deste critério quantitativo da aritmética dos prazeres, Stuart Mill assume o critério da qualidade e formula a lei do interesse pessoal ou princípio hedonístico: cada indivíduo procura o bem e a riqueza e evita o mal e a miséria. Desta forma, a moral do interesse individual de Bentham aproxima-se de uma moral altruísta ou social. E importante notar que o hedo­nismo cirenaico diferencia-se do hedonismo epicurista, sobretudo no que diz respeito à avaliação moral do prazer. Enquanto a escola cirenaica preceitua que o prazer é sempre um bem em si e melhor quanto mais tempo durar e quanto mais intenso for, a filosofia epicurista determina que o prazer, para ser um bem, precisa de moderação.6 u i. A O r ig e m d o P e c a d o 1. Pensamento filosófico sobre a origem do pecado. Vários pontos de vista sobre a origem do pecado foram e são apresentados em várias linhas de pensamento no decorrer da história. Antes, porém, devemos pensar aqui neste argumento na linha divisória que marca o ‘antes’ e o ‘depois’ do pecado. Quando somente existia o Deus-Trino e Uno, não existia o pecado e nenhuma forma de transgressão que viesse ferir a santidade divina. Contudo, veio o mo­mento no tempo — ou da existência imemoriável — ou no calendário sucessi­vo quando isso aconteceu. Houve o momento do primeiro pecado concebido pelo primeiro pecador. A grande questão com relação ao pecado não é tanto quanto a ele, e, sim, quando ele teve origem, como surgiu o primeiro pecado, e quem foi o primeiro transgressor e por qual via (ou caminho) isso veio a acontecer. Com efeito, porém, toma-se necessário analisarmos alguns pontos importantes nesta argumentação. O motivo de analisarmos vários aspectos no que diz respeito a origem do pecado, é motivado pelas várias opiniões que são apresentadas a este respeito, que vão desde lenda até a mais acurada investi­gação. Alguns destes pontos defendidos sobre a origem do pecado envolvem filósofos, pessoas comuns e teólogos de ambas as linhas de pensamento. Para que tenhamos uma melhor compreensão do significado do argumento, deve­mos analisar estes pontos que acab am o s de mencionar acima. Também estudar cuidadosamente alguns pontos de vista que envolvem o “mistério do mal”. O pensamento filosófico envolve vários pensadores, que vão desde teó­logos, créditos e até ateus. Os estudiosos do problema do mal, o veem em dois
  25. 25. A D o u t r in a d o P e c a d o aspectos, a saber: um ponto de vista inteiramente filosófico no mais rudimentar do sentido, que fora empregado nos conceitos dos filósofos não cristãos, e o outro do ponto de vista religioso que foi usado pelos filósofos cristãos, para definir o que viria ser ou se transformar naquilo que seria pecado. a) Santo Agostinho. Definia o pecado como “o que é dito, feito ou desejado contra a lei eterna”, entendendo por lei eterna a vontade divina, que é dirigida para a conservação da ordem do mundo e para fazer de forma que o homem deseje mais o bem maior e menos o bem menor. “Eu buscava a origem do mal, mas de modo errôneo, e não via o erro que havia em meu modo de buscá-la. Desfilava diante dos olhos de minha alma toda a criação, tanto o que podemos ver — como a terra, o mar, o ar, as estrelas, as árvores e os animais — como o que não podemos ver — como o firmamento, e todos os anjos e seres espiri­tuais. Estes, porém, como se também fossem corpóreos, colocados em minha imaginação em seus respectivos lugares. Fiz de tua criação uma espécie de massa imensa, diferenciada em diversos gêneros de corpos; uns, corpos verda­deiros, e espíritos, que eu imaginava como corpos. E eu a imaginava não tão imensa quanto ela era realmente — o que seria impossível — mas quanto me agradava, embora limitada por todos os lados. E a ti, Senhor, como a um ser que a rodeava e penetrava por todas as partes, infinito em todas as direções, como se fosses um mar incomensurável, que tivesse dentro de si uma esponja tão grande quanto possível, limitada, e toda embebida, em todas as suas par­tes, desse imenso mar. Assim é que eu concebia a tua criação finita, cheia de ti, infinito, e dizia: Eis aqui Deus, e eis aqui as coisas que Deus criou; Deus é bom, imenso e infinitamente mais excelente que suas criaturas; e, como é bom, fez boas todas as coisas; e vede como as abraça e penetra! Onde está pois o mal? De onde e por onde conseguiu penetrar no mundo? Qual é a sua raiz e sua semente? E se tememos em vão, o próprio temor já é certamente um mal que atormenta e espicaça sem motivo nosso coração; e tanto mais grave quanto é certo que não há razão para temer. Portanto, ou o mal que tememos existe, ou o próprio temor é o mal. De onde, pois, procede o mal se Deus, que é bom, fez boas todas as coisas? Bem superior a todos os bens, o Bem supremo criou, sem dúvida, bens menores do que ele. De onde pois vem o mal? Acaso a matéria de que se serviu para a criação era corrompida e, ao dar-lhe forma e organização, deixou nela algo que não converteu em bem?”7 b) Santo Tomás de Aquino. Santo Tomás de Aquino, o maior filósofo da Era Medieval, diz em sua Summa Theologiae (Suma Teológica): “Muitos dos nossos contemporâneos perguntam-se: Se é verdade que Deus existe, como é
  26. 26. H a m a r t io l o g ia - D o u t r in a do P e c a d o possível que permita o mal? Então é necessário fazer-lhes compreender que o mal é privação do bem devido, e o pecado é aversão do homem a Deus, fonte de qualquer bem. Na compreensão do bem encontra-se também a solução para o mistério do mal. Tomás dedicou toda a sua obra à reflexão sobre Deus, e é neste contexto que se desenvolvem as dezesseis perguntas acerca do mal. Ele conclui que “a transgressão da lei moral vista como mandamento divino”, seria então dar origem ao pecado (De Maio) ”.8 c) Emanuel Kant. Kant observou que não se deve confundir a questão da sua origem temporal. O pecado é coisa mais antiga e mais sombria. As ideias que foram apresentadas nos conceitos de Agostinho e de Aquino, com uma coisa de origem racional que, seria o problema da origem do pecado, não eram aceitas restritamente por Kant. Nesse caso, segundo Kant (e a própria Bíblia), a origem do pecado não foi ou seria um fato ou ato isolado; e, sim, uma ati­tude deliberada, em fazer para ser. Depois Kant chega à seguinte conclusão: “O pecado original nada mais é que o aspecto negativo da solidariedade dos homens e mulheres em Deus”.9 d) Harold Kushner. Um rabino nascido nos Estados Unidos, no final do século 20, é autor do best-seller Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas, desafia o cristianismo em vários pontos, principalmente quando faz um paralelismo comparativo entre Deus e o mal. Kushner rejeita também os mi­lagres e desenvolve um argumento a favor de um Deus finito. Ele admite que Deus existe. Contudo, não aceita que Ele seja Todo-Poderoso, mais ou menos o que pensava Epicuro, filósofo grego que viveu entre 341-270 a.C. A diferença é que Epicuro tinha dúvida se Deus era ou não Todo-Poderoso. Também tanto ele como seus seguidores, os epicuristas, viam no prazer, obtido pela prática da vir­tude, o bem. O prazer consiste no não sofrimento do corpo e na não perturbação da alma. Os estoicos. como Sêneca (4 a.C-65 d.C), e Marcos Aurélio (121-180) que se opõem ao epicurismo, pregam que o homem deve permanecer indiferente a circunstâncias exteriores, como dor, prazer e emoções. Procuram submeter sua conduta à razão, mesmo que isso traga dor e sofrimento, e não prazer. Para Kush­ner, Deus não pode controlar o mundo e os seres humanos, mas ele “é o poder divino que os incentiva a crescer, avançar e desafiar”. Assim, Deus é um Deus de amor, não de poder. Ele é mais bondoso que capaz.10 2. Pensam ento popular sobre a origem do pecado. Alguns filósofos e teólogos procuraram dar uma explicação mais simples e popular em relação ao pecado, que consequentemente trouxe o problema do mal, dizendo que, “o
  27. 27. A D o u t r in a d o P e c a d o mal seria a ausência de todo bem”. Isso no fundo negava, por extensão, a exis­tência do mal. O mal, segundo se dizia, é apenas a ausência do bem, tal como as trevas são a ausência da luz. Agostinho e S. Tomas de Aquino propuseram esse ponto de vista. Mas isso parece um tanto lógico, para solucionar o proble­ma do mal físico e moral; mas que diríamos com relação ao mal metafísico ou espiritual? Esse é sem dúvida, um dos grandes problemas para nossa imagina­ção que talvez não possa ser solucionado à luz da lógica; mas, sim, pode ser compreendido no campo da fé (1 Co 2.10; Fp 3.15). 3. Pensam ento lacunoso sobre a origem do pecado. O pensamento lacunoso (que se omitiu — omitido) defende que o pecado teve início quando o homem fez mal uso da liberdade. Para alguns estudiosos do problema do mal, o primeiro pecado aconteceu quando o homem, pela primeira vez fez mal uso da liberdade. Isto acontece com cada pessoa no mundo. O entendi­mento do pecado original na concepção antiga não pode mais ser aceito hoje em dia no sentido histórico de um homem e uma mulher que pecaram e os filhos estão sofrendo as consequências. E necessária uma nova compreensão desta verdade bíblica. É importante, para melhor compreensão desta parte da Bíblia, considerar Adão não como um só homem singular, mas como repre­sentante de toda a humanidade. O hagiógrafo, ao dizer que “tudo era bom”, tinha em vista responsabilizar o homem pela entrada do mal no mundo. Nos primeiros capítulos do Gênesis, apresenta o mundo perfeito. Do terceiro ca­pítulo em diante, faz quase uma oposição do que disse: isso significa que o homem é inclinado para o mal pela sua própria natureza e nisso está a essên­cia do que se chama “pecado original”. Até pouco tempo, acreditava-se que o pecado original era uma herança do pecado de um só homem (Adão), o que sempre repugnou que uma criança inocente já nascesse em pecado. Atual­mente, se crê e se aplica este conceito ao fato de que a pessoa, ao nascer num mundo onde já há o pecado, embora sem culpa dele, terá esta tendência para fazer o mal, que pode ser superada com a graça de Deus. Visto que o homem é um ser imperfeito, ele poderá vacilar e praticar o mal, e assim o ‘pecado’ de cada indivíduo vai “contribuindo” para a continuação do mal no mundo. 4. Pensamento folclórico sobre a origem do primeiro pecado. O pen­samento folclórico evolve vários mitos sobre a origem do pecado. Um deles é a história da maçã. Este mito sugere que o pecado se originou quando Eva tomou uma maçã da árvore proibida e a deu a Adão para que ele comesse. Quando Adão comeu a maçã, então se originou o primeiro pecado no mundo. Os criadores deste mito esqueceram-se de que, quando Adão comeu do fruto da árvore proibida, o pecado
  28. 28. H a m a r t io l o g ia - D o u t r in a d o P e c a d o já se encontrava no universo. A proibição divina, advertindo a Adão para que não comesse do fruto daquela árvore, é posterior à origem do mal. Isso fica explícito na passagem de Gênesis 2.9, quando se faz referência da “árvore da ciência do bem e do mal”. Portanto, a origem do mal, deve ser buscada numa outra fonte e não nesta que temos em foco aqui nesta seção. O mal é mais sério do que tudo aquilo que entendemos ou pensamos. Sua origem, portanto, se envolve num campo que vai além da imaginação. Ninguém poderá penetrar nele, quer dizer, neste campo, a não ser mediante a fé e orientado pelo Espírito de Deus. Somente se poderá descobrir ou pelo menos ter uma noção clara da origem do mal, se nossas mentes aceitarem uma adesão firme nas Escrituras, da existência dos agentes do mal, eles, através de referências diretas ou indiretas, mostram que toda a origem do mal, encontra seu correspondente no grande inimigo de Deus e dos homens; o Diabo. Ele foi, portan­to, o primeiro a pecar contra Deus e contra suas ordens. E nele e não em outro, que foi encontrado pela primeira vez a origem do mal (Ez 28.15,16). 5. Pensamento que defende um ato sexual como origem ao pecado. Este é um outro ponto de vista defendido por alguns a fim de encontrar a ori­gem do mal. Os que defendem este lado da questão, dizem que a linguagem usada com respeito à queda do homem e sua esposa, é simbólica e não literal. Nesse caso, sustentam eles, o fruto ali proibido era simplesmente um contato sexual de Adão com Eva. Para nós, esta opinião não se coaduna com o argu­mento geral das Escrituras e nem com a tese principal. Quando Deus criou o homem e a mulher, já os criou com esta finalidade. Um contato íntimo do casal, mesmo em seu estado de inocência ali no jardim, não seria re pu ta do c o m o pecado aos olhos de Deus. Pois mesmo em seu estado de santidade, “Deus os abençoou, e Deus lhes disse (aos dois): Frutificai e multiplica-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a...” (Gn 1.28). Quando o casal pecou, Deus renovou novamente a sua promessa no que diz respeito à procriação. Parece que a mu­lher tinha perdido sua fertilidade, por causa do pecado. Mas o Criador a toma fértil quando prometeu que ela daria luz a filhos. Adão ao escutar as palavras de Deus, passa, então a chamar sua esposa de “Eva” que quer dizer: “mãe da vida” (Gn 3.20). Fica, portanto, evidenciado que a origem do mal, nada tem a ver com um contato íntimo, cuja finalidade era a procriação e o prazer do casal ali no jardim do Éden. 6. Pensam ento judaico sobre a origem do pecado. O pensamento judaico fora da Bíblia no tocante a origem do pecado, é mais folclórico do que teológico. A Enciclopédia Judaica, em vários de seus volumes, mostra alguns trechos da concepção rabínica sobre a origem do mal.
  29. 29. A D o u t r in a d o P e c a d o a) Concepção rabínica sobre a origem do pecado. “Também no Zohar — o Zohar (em hebraico rm, “esplendor”) é considerado como um dos livros (trabalhos) mais importantes da Cabala, no misticismo judaico, é implícito que o mal no universo se originou de sobras dos mundos que foram destruídos. O poder do mal é comparado com a casca (klpah) da árvore de emanação, um símbolo que se originou com Azriel de Gerona e tomou-se bastante comum a partir do Zohar. Alguns cabalistas chamavam a totalidade da emanação da esquerda de “a árvore exterior” (ha-ilan ha-chitson). Outra associação, en­contrada nos cabalistas de Gerona, e em seguida a eles também no Zohar, é com “o mistério da Árvore do Conhecimento”. A árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento eram ligadas em perfeita harmonia até que Adão veio e sepa-rou- as, e deu assim essência ao mal, que estivera mantido dentro da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, e foi então materializado no instinto do mal (ietser ha-ra). Portanto foi Adão quem ativou o potencial do mal oculto dentro da Árvore do Conhecimento, ao separar as duas árvores e também ao separar a Árvore do Conhecimento de seu fruto, que ficou então destacado de sua fonte. Este acontecimento é chamado metaforicamente de “o corte dos brotos” (kitsuts ha-neti ’ot) e é o arquétipo de todos os grandes pecados mencionados na Bíblia, cujo denominador comum foi a introdução da divisão na unidade divina. A essência do pecado de Adão foi que introduziu “a separação acima e abaixo” naquilo que deveria ser unido, uma separação da qual todo o pecado é fundamentalmente uma repetição — com exceção dos pecados que envolvem magia e bruxaria que, de acordo com os cabalistas, juntam aquilo que deveria permanecer separado. Na realidade, esta visão também tende a acentuar a se­paração do poder de julgamento contido dentro da Árvore do Conhecimento do poder de benevolência contido dentro da Árvore da Vida. Esta despeja seu fluxo copiosamente, enquanto que a outra é uma força restritiva com tendência a se tomar autônoma. Pode fazê-lo como resultado das ações do homem ou de um processo metafísico nos mundos superiores”.11 b) O que o judeu tradicional entende por origem do pecado. “O judeu tradicional, condicionado por fatores éticos, como todos os homens do mesmo tipo entre outros povos, estava sempre empenhado em explicar sua conduta e os impulsos de sua consciência. Essa espécie de contabilidade resultava numa humildade intelectual no que se referia à busca da verdade. Dessa forma, o judeu devoto tinha em pouca conta a própria virtude; ele não se podia permitir o luxo da autoexaltação. Pelas mesmas razões, estava inclinado a ser tolerante com os pecados e os erros dos outros. Os moralistas judeus — especialmente aqueles que registraram suas dolorosas dúvidas acerca da loucura e do erro humanos na Idade Média e nos séculos que se seguiram, deploraram o fato de
  30. 30. H a m a r t io l o g ia - D o u t r in a d o P e c a d o que todos os seres humanos fossem feitos no mesmo molde de perversidade e contradição. O Mal e o Bem, percebiam eles, fluíam da mesma fonte — da natureza do homem. I o. Rabi Meir, o Sábio Lamentador do século IV. Diz-se que ele ficou certa vez desolado ao tentar compreender suas próprias ações. “Pobre de mim por meu Criador, e pobre de mim por minha própria natureza!”, lamentava-se ele. Era um reconhecimento — que ele partilhava com outros pensado­res religiosos esclarecidos do Período Talmúdico — de que em sua própria personalidade humana podiam ser encontradas sementes de imperfeição moral. Uma reafirmação quanto a essa falha endêmica no caráter do ho­mem foi tentada pelo codificador medieval francês da lei rabínica, Moisés de Coucy: “E porque o homem é meio-anjo meio-besta, que esse conflito tem lugar em sua vida interior”. Nem sempre, porém, foi o pecado encara­do pelos judeus como algo totalmente calamitoso. No Período Talmúdico, era corrente uma encantadora lenda popular segundo a qual nem mesmo o tzadik (o homem santo de Deus) teria o privilégio de receber recompensa eterna do Éden, caso o Anjo Anotador, esse infalível contabilista do céu, chegasse a encontrar em sua conta uma só anotação de que ele havia pe­cado. Mas como seria possível um milagre desses? Os Sábios observaram com suave ironia: “Ninguém pode ser considerado santo até que a morte tenha chegado para silenciar a inclinação para o Mal (veja IETZER TOV E IETZER HA-RA) dentro dele, e ele tenha sido colocado na sepultura com a coroa da paz em sua cabeça”. A fim de desencorajar a soberba e a hipocrisia entre os devotos, um moralista rabínico anônimo inventou uma parábola pungente sobe o tema bíblico do Pecado Original. A posição tradicional dos judeus era naturalmente a de que a morte sobreveio à terra por causa da queda de Adão (quando ele e Eva comeram o fruto do conhecimento proi­bido). Aconteceu certa vez (o rabino assim iniciava a sua parábola), que determinadas pessoas virtuosas de gerações posteriores a Adão, apontaram dedos acusasadores para ele: “Então és tu, Adão, o culpado pelo fato nós todos termos que morrer!”, gritavam eles. “Que quereis de mim?”, respon­deu Adão num queixume. “É verdade... eu cometi um pecado! Mas quem, dentre vós, ó justos, não é culpado de muitos pecados?” 2o. As definições judaicas de “pecado” e “pecador”. A definição judaica opinam que pecado e pecador abrangiam toda a soturna gama da maldade e das más ações de que só são capazes os seres humanos. É claro que nenhum sistema moral é absoluto; cada povo ou religião desenvolve suas próprias opiniões especiais, suas leis e seus mitos relativos ao bem e ao mal, ao pecado e ao pecador, à recompensa e ao castigo. E também esses
  31. 31. A D o u t r in a do P e c a d o não permanecem estáticos mas passam por mudanças que se processa­vam com o tempo, com as circunstâncias e as influências externas. O registro histórico judaico relativo ao pecado começa com os imperiosos mandamentos “negativos” dos Dez Mandamentos nos albores da religião judaica. Os profetas e os Sábios Rabínicos os ampliaram e aumentaram-lhe o escopo, e os codificadores dos ritos e das cerimônias durante a Idade Média e os períodos subsequentes continuaram, meramente o processo penoso de os inventariar e classificar, erguendo em tomo de cada uma das 613 mitzvot (mandamentos das Escrituras) e as paredes protetoras de uma multiplicidade de regras e regulamentos. Violar mesmo uma delas que constituía um pecado. Os fiéis pouco imaginativos e voltados para a literalidade da interpretação cultivavam uma devoção que era excessi­vamente formalista. Ela obedecia, a cada passo, a um conformismo e a um legalismo letais. No entanto, diz-se que a observância escrupulosa de todas as minúcias ritualísticas do culto por parte do judeu tradicionalis­ta tinha uma utilidade muito positiva para ele: habituava-o a cumprir, a superar e a sentir cada um dos preceitos religiosos e éticos que lhe eram impostos. 3o. Os mestres religiosos do Período Talmúdico. Se diz que estes mestres eram psicólogos e educadores muito hons. Tinham uma crença inabalável na força do hábito, a qual condicionaria o indivíduo tanto à pratica do bem quanto à do mal, dependendo do objetivo a qual ele se dirigisse. Era famoso no seio do povo judeu o axioma rabínico: Quando um homem faz mais uma boa ação — Ele se toma virtuoso. Quando um homem faz mais uma má ação — Ele se toma malvado. Akiva ben José, o mais destacado tana da Mishnah, observava: “A princí­pio o pecado é tão fino quanto um fio numa teia de aranha, mas ao final ele fica tão grosso quanto uma corda de carroça”. Também é bastante vigorosa a extravagante declaração do mestre babilónico Chuna, quanto à natureza do pecado como formador de hábitos: “Quando um homem cometeu um pecado uma ou duas vezes, é-lhe permitido fazê-lo”. “Permitido?! Como pode dizer uma coisa dessas?”, perguntou um colega irritado. “Ah!” , res­pondeu Chuna. “Pelo menos para o próprio pecador, parece-lhe ser permi­tido”. Deve-se acentuar novamente que o que conduz a uma compreensão mais tolerante em relação ao pecador e provoca a compaixão por sua irres­ponsabilidade é o tradicional desprezo que o judeu vota pela falsa modéstia — o qual, incidentalmente, Jesus de Nazaré também herdou de sua educa­ção e de seu meio judaicos. Precisamente, porque o pecar é uma atividade da maior importância para a Humanidade — alguns pecam mais, alguns
  32. 32. H a m a r t io l o g ia - D o u t r in a d o P e c a d o pecam menos — e a inclinação para o mal arma indiscriminadamente as suas armadilhas, tanto para o santo rabino quanto para o mais empedernido criminoso, o Rei Sábio foi compelido a observar, com pesar, no Eclesias-tes: “Não existe um homem justo sobre a terra que não faça o bem e não peque. A religião judaica, seguindo os ensinamentos dos Profetas, nunca rejeitou os pecadores. Os Sábios esclarecidos, como seu irmão judeu Jesus, não deixavam dúvidas a esse respeito nos pronunciamentos registrados no Talmud. “Que desapareça da terra o pecado, e não os pecadores.” “Um judeu que peca é, ainda assim, um judeu”. Dizia Rabi Meir: “Independente do fato de serem virtuosos os pecadores, todos os homens estão incluídos entre os filhos de Deus. Os homens são mencionados na Torah, por vezes, como os ‘filhos tolos’, ou os ‘filhos infiéis’, ou os ‘filhos malvados’, mas são chamados de ‘filhos’, apesar de tudo”.12 7. Pensam ento do antigo Egito sobre a origem do pecado. Tre­cho extraído do Livro dos Mortos — Confissão Negativa. I (Papiro Nu), diz: “Salve, deus grande, Senhor da Verdade e da Justiça, Amo poderoso: eis-me chegado diante de ti! Deixa-me pois contemplar tua radiante formosura! Co­nheço teu Nome mágico e os das quarenta e duas divindades que te rodeiam na vasta Sala da Verdade-Justiça, no dia em que se presta conta dos pecados diante de Osíris: o sangue dos pecadores (sei também) lhes serve de alimen­to. Teu Nome é: “O-Senhor-da-Ordem-do-Universo-cujos-dois-Olhos-são-as-duas- deusas-irmãs”. Eis que trago em meu Coração a Verdade e a Justiça, pois que arranquei dele todo o mal. Não causei sofrimento aos homens. Não empre­guei violência com meus parentes. Não substituí a Injustiça pela Justiça. Não frequentei os maus. Não cometi crimes. Não trabalhei em meu proveito com excesso. Não intriguei por ambição. Não maltratei meus servidores. Não blas­femei contra os deuses. Não privei o indigente de sua subsistência. Não cometi atos execrados pelos deuses. Não permiti que um servidor fosse maltratado por seu amo. Não fiz ninguém sofrer. Não provoquei o homem. Não fiz chorar os homens meus semelhantes. Não matei e não mandei matar. Não provoquei enfermidade entre os homens. Não subtraí oferendas dos templos. Não roubei pães dos deuses. Não me apoderei das oferendas destinadas aos espíritos san­tificados. Não cometi ações vergonhosas no recinto sacrossanto dos templos! Não diminuí a porção das oferendas. Não tratei de aumentar meus domínios empregando meios ilícitos, nem usurpando campos de outros. Não adulterei os pesos nem o braço da balança. Não tirei leite da boca de uma criança. Não me apoderei do gado nos prados. Não apanhei a laço as aves destinadas aos deuses. Não pesquei peixes com peixes mortos. Não obstruí as águas quando
  33. 33. A D o u t r in a d o P e c a d o deviam correr. Não desfiz as barragens da passagem das águas correntes. Não apaguei as chamas de um fogo que devia arder. Não violei as regras das ofe­rendas de carne. Não me apoderei do gado pertencente aos templos dos deuses. Não impedi um deus de se manifestar. Sou puro! Sou puro! Sou puro! Fui purificado como foi a grande Fênix de Herakleópolis. Porém eu sou o Senhor da Respiração que dá vida a todos os Iniciados no dia solene em que o Olho de Horas, em presença do Senhor divino desta terra, culmina em Heliópolis. Posto que vi culminar em Heliópolis o Olho de Horas, possa não suceder-me nenhum mal nesta Região, oh! deuses! nem em vossa Sala da Verdade-Justiça. Pois eu conheço o Nome desses deuses que contornam”.13 1 BANCROFT, E. H. Teologia Elementar. J. M. Bentes e W. J. Goldsmith (tradutores). São Paulo: Imprensa Batista Regular, 2001, p. 219 2 WIKIPÉDIA, enciclopédia livre. Acesso: 18/10/09 3 ld. Acesso: 18/10/09 4 Id. Acesso: 18/10/09 5 Id. Acesso: 18/10/09 6 WIKIPÉDIA, enciclopédia livre. Acesso: 14/11/09 7 CONFISSÕES. C. 5, A origem do mal. Edição eletrônica: Ed Ridendo Castigat Mores http://www.monergismo.com/. Acesso: 14/03/2008 8http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2002/june/documents/hfjp-ii_ spe_20020622_pont-acad-st-thomas_po.html Acesso: 16/11/2009 9 http://www.pom.org.br/publicacoes/arquivos/03_antropologia_servico_missao.pdf. Acesso: 16/11/2009 10 http://www.scribd.com/doc/6897738/Harold-Kushner-Quando-coisas-ruins-acontecem-as-pessoas- boas.Acesso: 05/11/2009 11 Enciclopédia Judaica, vol. 9, Editora e Livraria Sêfer Ltda. 1989, pp. 112-113. 12 Enciclopédia Judaica, vol. 6, Editora e Livraria Sêfer Ltda. 1989, pp. 636-637. 13 O Livro dos Mortos do Antigo Egito. Ia Ed. São Paulo: Hemus Editora Limitada, 1982, pp. 137-138.
  34. 34. O D iabo F oi o P rim eiro S e r a P ecar
  35. 35. A D o u t r in a d o P e c a d o i. O P r im e ir o I n d iv í d u o q u e P e c o u 1. A queda do Diabo deu origem ao pecado. Somam seis os seres racionais envolvidos na história do pecado: o Diabo, os anjos, os demônios — o homem — a mulher — e os homens. Assim: o Diabo pecou (Ez 28.15-16); os anjos pecaram (2 Pe 2.4); os demônios como extensão dos anjos, também pecaram (2 Pe 2.4; Ap 11.18); o homem pecou (Rm 5.16); a mulher pecou (1 Tm 2.14); os homens pecaram — finalmente: todos pecaram (Rm 3.23; 5.12). Do ponto de vista divino de observação, sobre a origem do pecado, está envol­vido o ensinamento geral teológico da interpretação correta e responsável das Escrituras. Este ensino diz que, a origem do pecado é marcada por um “até”, que define o ‘antes’ e o ‘depois’ de sua não existência e de sua existência. No tocante como se originou o “primeiro pecado” e quais foram os elementos empregados nessa composição, devemos usar a exegese de dois pontos impor­tantes: UM ATÉ e UM ACHOU. a) Um até. O primeiro destes dois pontos, é o ATÉ que, marca uma linha divisória entre o “antes” e o “depois” na vida do primeiro ser que iria pecar: o Diabo. b) Um achou. Até que se achou — iniquidade em ti. A frase descreve o momento fatal da queda de Satanás quando cometeu o primeiro pecado de sua vida e da história tanto do mundo espiritual como do mundo material. No pri­meiro caso, antes deste “até” na vida de Satanás, ele era um ser perfeito, como é descrito nas palavras do próprio Deus. “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, ATÉ que se _ ACHOU iniquidade em ti" (Ez 28.15). Aqui, está, portanto, o âmago da questão, da "origem do pecado", quando se ori­ginou e porque e quem o originou. Este âmago, ou parte principal, foi marcado por uma fração de tempo que marcou o ‘antes’ do pecado, e por um momento, passou a ser contado como o ‘depois’ na vida desse ser. Entretanto, quando foi dado a luz ao pecado, este já se manifestava como sendo um "efeito" produzido por uma "grande causa". Em Ezequiel 28.16, mostra-nos tanto a "causa" como o "efeito" que produziram o primeiro pecado. Leiamos cuidadosamente, ob­servando a exegese de cada palavra, pois somente assim, teremos uma maior compreensão do significado do pensamento. Vejamos a passagem bíblica que fala deste assunto: "Na multiplicação do teu comércio se encheu o teu interior de violência [a causa], e pecaste [o efeito]. A violência sempre nasce dentro de um coração orgulhoso, que deseja ser, fazer e ter aquilo que não lhe pertence e este foi, sem dúvida, o ponto marcante na vida daquele querubim ungido,
  36. 36. O D ia b o F o i o P r im e ir o S e r a P e c a r quando pronunciou a seguinte frase: "eu subirei". A presente frase partindo de um coração já atingido pelo orgulho indicava oposição declarada contra Deus. 2. O Diabo — foi o primeiro pecador. O orgulho do Diabo foi gerado por sua “formosura” e então ele achou que deveria ser admirado como Deus que é extremamente formoso em grau supremo. Quis, portanto, por esta causa ser “semelhante ao Altíssimo”. Ele mesmo falou isso sem nenhuma reserva, dizen­do: “Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento no meio dos mares...”. Metaforicamente falando, o personagem aqui referido seria o monarca Itobal II, que era o rei de Tiro quando o profeta Ezequiel fez este vaticínio. Mas a predição não pode, literalmente, se referir a ele; pois este monarca nunca esteve no “Éden Jardim de Deus”. Esta passagem, portanto, descreve a queda de um querubim ungido quando este se encontrava no jardim mineral de Deus. a) O Diabo era o Querubim Ungido do Éden. Alguns comentaristas opi­nam que o personagem de Ezequiel 28 não é o próprio Satanás, e sim, o rei de Tiro. Literalmente falando, o monarca Itobal II, ou um outro rei chamado Malkart. Mas as evidências mostram que não é Itobal II ou Malkart, que aqui está em foco, e sim, o próprio Satanás. Embasados neste pensamento, alguns comentaristas apresentam três razões em favor da identificação desse rei como Satanás. 1°. O Rei de Tiro. É possível que Ezequiel tenha desejado contrastar o prínci­pe de Tiro (28.1-10) com o rei de Tiro (28.11-19). Enquanto o príncipe é um homem com pretensões de ser Deus e chegar ao céu, o rei é um ser celeste lançado fora do céu. 2o. O Rei de Tiro — Itobal II ou Malkart. Na época do vaticínio de Eze­quiel, o rei de Tiro era Itobal II ou Malkart, palavra que significa “rei da cidade”, de modo que seria o rei de Tiro. 3o. O apóstolo Paulo identifica o pecado de Satanás com o orgulho (1 Tm 3.6), o mesmo que ocasionou o pecado desse rei (Ez 28.17). Esta é, pos­sivelmente, a única passagem do Antigo Testamento em que poderia ter baseado essa ideia. Literalmente falando, nunca este monarca (Itobal II ou Malkart) de Tiro es­teve no Éden, jardim de Deus. Ele viveu no século VI a.C. e, evidentemente, não poderia estar no Éden, mais de 3.400 anos atrás. E, além disso, parece que o “Éden, jardim de Deus”, mencionado em Ezequiel 28.13, era formoso por sua beleza mineral, ao passo que o de Adão, por sua beleza vegetal (cf. Gn 2.8-12;
  37. 37. A D o u t r in a d o P e c a d o Ez 28.13-16). Outrossim, alguns têm pensado que “o leviatã” (descrito em Jó 41.1), e o “leviatã de muitas cabeças” (SI 74.14) são uma descrição alegórica de Satanás, representado aqui pelo o ‘Rei de Tiro’. Este monarca toma-se alvo de dois confrontos com Deus. (I) Primeiro: Ele (Deus) manda uma mensagem ao governante de Tiro (Ez 28.1-10). No primeiro vaticínio que aqui está em foco, o governante de Tiro, aparece como ‘um príncipe’ (Ez 28.2), que deseja a qualquer custo se assentar na cadeira de Deus. Já na lamentação, ele aparece como sendo ‘um rei’ (Ez 28.12). Esse rei é descrito como ‘um querubim ungido’ (Ez 28.14). Não se trata, portanto, de um rei humano comum; a figura que aqui aparece é o próprio Satanás. Ele é descrito em seu estado original como modelo de perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. A frase que coloca este rei no monte de Deus sugere uma posição muito elevada, pois a palavra ‘monte’ no Antigo Tes­tamento quando tomada em sentido simbólico, representa poder e autoridade (cf. Is 2.2; Dn 2.35). (II) Segundo: Ele (Deus) levanta uma lamentação sobre o Rei de Tiro (Ez 28.11-19). Na lamentação dirigida ao Rei de Tiro, são usadas várias expressões mostrando que tinha sido destituído seu poder e autoridade, como alguém que tinha sido no passado — mas que não era mais no presente. ‘Era’ - ‘tu eras’ -‘foste’ - ‘fazia’ - ‘assolava’ - ‘deixava’ - ‘punha’ - ‘destruíste’ - ‘mataste’ - ‘es­tavas’ (Is 14.16,17; Ez 28.13-15). b) Passagens bíblicas que mostram a queda do Diabo. Em Isaías 14.14, ele faz as mesmas alegações, que fizera aqui em Ezequiel, dizendo: “Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo”. Do ponto de vista divino de observação, o pecado teve “início” no passado, sendo que, sem dúvida, seu mentor intelectual foi Satanás. Pelo o que, segundo se diz, o pe­cado teve início no coração de Lúcifer ocasionado pelo orgulho, pois quando ele disse, em seu coração: “EU SUBIREI”, então o pecado teve início em seu coração e por extensão no universo. E não só isso, ele com seu coração cheio de orgulho, pronuncia “cinco eus” contra Deus e contra sua autoridade divina. O profeta Isaías em 14.13,14, descreve os (“5 eus”) pronunciados pelo príncipe das trevas em sua exaltação contra Deus: A partir deste momento em que o orgulho e a vaidade de ser semelhante ao Altíssimo tomam o seu coração, ele faz cinco declarações oponentes contra a pessoa de Deus. I o. “...Eu (ele) subirei ao céu” (Is 14.13). Nisso, que é o primeiro aspecto do pecado de Satanás, ele aparentemente se propunha a fazer sua habitação, segundo suas palavras “.... acima das estrelas (anjos) de Deus”. Isso visava não somente oposição a Deus, mas também, por extensão, a seu Filho Jesus
  38. 38. O D ia b o F o i o P r im e ir o S e r a P e c a r que, segundo nos é dito em Efésios 1.20,21, Deus ressuscitou a seu Filho, “... e pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio...”. 2o. “...Exaltarei (ele) o meu trono” (Is 14.13). Em Ezequiel 28.2, lemos que ele queria se “assentar sobre a cadeira de Deus” e depois equiparar seu coração “... como se fora o coração de Deus” (Ez 28.6b). Era uma aspiração completamente errada, pois Deus lhe diz: “... tu és homem, e não Deus” (Ez 28.9). O leitor deve observar cuidadosamente cada detalhe e depois ver como as escrituras são proféticas e se combinam entre si! Todas as decla­rações e ofensas deste inimigo visavam também a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo; ele queria por meio da força assentar-se no trono de Deus. Este lugar foi reservado para seu amado Filho (Ap 3.21; 12.5). 3o. “...No monte da consagração [angelical?] me (ele) assentarei” (Is 14.13). Os eruditos divergem um pouco no que diz respeito aos dois vocábulos usados aqui: monte e congregação. Alguns comentaristas acham que “o monte” é uma frase que, evidentemente, se refere ao lugar do governo divi­no na terra (Is 2.1-4), e a referência à “congregação” é claramente a Israel. Para nós esta maneira de interpretação é bastante lógica, mas não se coa­duna com a natureza do pensamento aqui esboçado, visto que na possível data deste acontecimento, Israel nem sequer existia. A maneira mais lógica de interpretar o texto deve ser segundo o significado do pensamento; que o monte refere-se ao alto e sublime lugar da habitação de Deus no terceiro céu (Ap 21.10) e a congregação, sem dúvida, à assembleia dos seres ange­licais (Ec 3.15; Hb 8.5; 9.23; 12.22,23; Jd v. 6). 4o. “...Subirei (ele) acima das mais altas nuvens” (Is 14.14a). O Dr. F. C. Jennings acha que o significado desta arrogante declaração provavelmente se descobrirá no uso da palavra nuvens. Das mais de 150 referências às nu­vens, na Bíblia, 100 se relacionam com a presença e a glória divina. Portan­to, com esta sua arrogância Satanás está procurando assegurar-se de algo que pertence a Deus somente. A glória de se assentar sobre uma nuvem. O Pai tem reservado exclusivamente para seu Filho, e não para o tentador (Dn 7.13; M t24.30; At 1.9; 1 Ts4.17;Ap 1.7; 14.14). 5o. “...Serei (ele) semelhante ao Altíssimo” (Is 14.14b). Esta foi a quinta e última declaração arrogante do grande inimigo de Deus. Ela feria também, como já vimos nas outras declarações, a santidade e a posição elevada do Filho de Deus, que disse “ser igual ao Pai” (Jo 5.18).1
  39. 39. A D o u t r in a d o P e c a d o 3. O orgulho e a violência deram origem ao pecado. Agora, as razões que apresentamos acima neste argumento, tomam-se “causa” e “efeito” para que “o primeiro pecado” tivesse origem no coração do anjo rebelde (cf. Is 14.13; Ez 28.2; 1 Tm 3.6). Sua introdução, no mundo, porém, foi feita por “um homem” Adão, conforme veremos em outra seção deste livro (Gn 3; Rm 5.12). Embora pelas alegações de proibições do Criador, em Gênesis 2.17, podemos perceber sem sombra de dúvidas que, mesmo antes de Adão pecar, o pecado já estava “presente” no universo, pela declaração de Gênesis 2.17, quando Deus disse: “...da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Pela “presença” e pelas alegações do tentador, no jardim do Éden, ele (o pecado) ali já estava. É certo que o mal estava ali também pela presença da árvore da ciência do bem e do mal (Gn 2.9). O pecado do Diabo, ocasionado pelo orgulho, assume um aspecto de perversidade do coração, da mente, da disposição e da vontade. Isso sucedeu verdadeiramente, conforme já verificamos, no caso do primeiro peca­do, e se aplica igualmente a todos os demais pecados. Na presente era, o Diabo é o “príncipe das potestades [anjos] do ar” (Ef 2.2); seu trono pode ser armado tanto na terra (Ap 2.13), como no espaço (Ef 2.2; 6.12; Ap 12.7); ele exerce suas atividades em três esferas do universo: na terra (Ap 12.12), no espaço (Ef 2.2; Ap 12.7); e também no mar (Ap 12.12; 13.1). Seus agentes podem ser tanto humanos (os homens) como espirituais (anjos e demônios) dependendo do contexto. Ao se tomar o agente do primeiro pecado, o Diabo depois disso procurou (e procura) a qualquer custo, transmiti-lo para os seres racionais. a) O pecado é transmitido através do Diabo para os anjos e os demônios. O pecado destes seres foi, instruídos pelo Diabo, querer usurpar a refulgente glória do Filho de Deus, quando aderiam ao lado do Diabo, no momento que este se revoltou contra Deus e suas ordens. Algumas companhias de anjos eram fiéis, portanto, até que foram enganados por Satanás e sendo frustrados em seus planos maléficos, alguns desiludidos pelo imenso fracasso a eles imposto, “...deixaram a sua própria habitação” nos domínios da existência. b) O pecado é transmitido através da serpente (o Diabo) para o homem e sua mulher. O fracasso do casal no jardim do Éden, já faz parte do mundo humano; embora com reflexo de um mundo espiritual. Antes do pecado em suas vidas, Adão e sua esposa, no jardim do Éden, viviam de forma tranquila e sossegada. Mas isso “antes” do pecado. Contudo, houve um momento quan­do foi “aberto os olhos de ambos”, que destruiu esta felicidade; e, agora, um “depois”, os coloca na trilha do sofrimento, da dor e da incerteza. Todos eles, sem exceção, queriam ser, ter e fazer aquilo que não era de sua competência,
  40. 40. O D ia b o F o i o P r im e ir o S e r a P e c a r mas somente da competência exclusivamente de Deus e não dos seres criados, que são limitados tanto no ser como no poder. Um “até” que marca fracasso, pode estar presente, até mesmo quando alguém não espera. Adão e sua esposa viviam num estado de pureza e santidade, até que a serpente enganou Eva a comei ào frato pToibiào que estava no meio do jardim. c) O pecado é transmitido através de Adão para a humanidade. Paulo es­crevendo aos romanos disse que por causa de Adão, “todos pecaram” (Rm 5.12) e que não havia privilégio neste assunto. Os gentios, por sua vez, encabeçavam a lista dos pecadores. Mas tanto “judeus como gregos, todos estão debaixo do pe­cado” (Rm 3.9). Assim o pecado reinou sobre todos, “até” que viesse Cristo. Este “até” que aqui está em foco, mostra a misericórdia de Deus para com todos que olham para Cristo. Em sentido contrário, entretanto, uma vez por outra, é sempre usado um “até” nas Escrituras que marca uma queda de um grande personagem, que pode ser tanto da esfera terrena como da celestial. Uzias, rei de Judá, reinou 55 anos em Jerusalém. Deus o fez prosperar em todos os atos de sua vida, de maneira que “...voou a sua fama até muito longe; porque foi maravilhosamente ajudado, ATE que se tomou grande”. No versículo seguinte que temos nesta se­ção, mostra claramente a fonte de seu fracasso. O orgulho de ser, ter e conseguir tem ocasionado o fracasso em alguém que era santo e depois caiu. Com respeito ao rei Uzias, assim descreve o escritor sagrado: “Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração, ATE se corromper...” (2 Cr 26.15,16). d) Pensamento muçulmano apresenta o orgulho como principal fator so­bre a origem do pecado. De acordo com o Alcorão, o pecado, teve início depois da criação do homem. Deus ordenou aos anjos (entre eles o Diabo), que pres­tassem homenagem a Adão que acabara de ser criado. Todos eles aceitaram — exceto um: o Diabo, conforme descreve O Alcorão: (11b. “Allah (Deus) disse: “Prostemai-vos diante de Adão”. E prostemam-se, exceto Iblis (o Diabo). Ele não foi dos que se prostemaram”. 12. O que te impediu de te prostemares, quando to ordenei?”. Satã disse: “Sou melhor que ele. Criaste-me de fogo e criaste-o de barro”. 13. Allah disse: “Então, desça dele!. E não te é admissível te mostrares soberbo nele. Sai, pois, por certo, és dos humilhados!”. 14. Satã disse: “Concede-me dilação, até um dia, em que eles serão ressuscitados”. 15. Allah disse: “Por certo, és daqueles aos quais será concedida dilação”. 16. Satã disse: “Então, pelo mal a que me condenaste, ficarei, em verdade, à espreita deles, em Tua senda reta. 17. “Em seguida, achegar-me-ei a eles, por diante e por detrás deles, e pela direita deles e pela esquerda deles, e não encontrarás a maioria deles agradecida”. 18. Allah disse: “Sai dele, como execrado, banido.

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