Zygmunt Bauman and the Theory of Liquid Modernity: Sociological Perspectives on Postmodern Society
Explores Zygmunt Bauman's life, key sociological theories including liquid modernity, individualization, fear, and social fragmentation in postmodern society.
Zygmunt Bauman and the Theory of Liquid Modernity: Sociological Perspectives on Postmodern Society
1.
PROGRAMA DE FORMAÇÃODE PROFESSORES DA
UEMA-PROGRAMA ENSINAR
CURSO: CIÊNCIAS SOCIAIS LICENCIATURA
PROFESSOR: Tayná Egas Costa
TITULAÇÃO: Mestrado
Teoria sociológica contemporânea
Biografia de
Bauman
1925-2017
Zygmunt Baumannasceu em 19 de novembro
de 1925, em Poznan, Polônia. De ascendência
judia, fugiu com sua família após a invasão de
tropas nazistas em seu país. Em 1939, sua
família refugiou-se na União Soviética. Bauman
alistou-se no Primeiro Exército Polonês,
servindo no agrupamento controlado pelos
soviéticos como instrutor político. Em 1940,
filiou-se ao Partido Operário Unificado, o partido
comunista da Polônia. Em 1945, ingressou no
Serviço de Inteligência Militar, em que
permaneceu por três anos
4.
Após o fimda Segunda Guerra Mundial,
Bauman retornou para a Varsóvia e
conciliou sua carreira militar com estudos
acadêmicos e a militância política no
Partido Operário. Estudou Sociologia na
Academia de Política e Ciências Sociais
de Varsóvia e prosseguiu nos estudos
cursando mestrado na Universidade de
Varsóvia. Em 1950, deixou o Partido
Operário, e, em 1953, foi expulso do
exército da Polônia.
5.
Concluiu o mestradoem 1954 e tornou-
se professor-assistente de Sociologia na
Universidade em que estudara. Embora
próximo à ortodoxia marxista,
influenciado por Antonio Gramsci e Georg
Simmel, suas críticas ao governo
polonês, que à época era comunista,
renderam-lhe perseguições por 15 anos,
ao ponto de, em 1968, ser demitido,
perder a cidadania polonesa e, junto a
sua esposa, bem como outros poloneses
de origem judia, ser expulso da Polônia.
6.
Embora crítico aogoverno comunista de
seu país, Bauman militava numa
perspectiva humanista do marxismo e
declarou-se socialista até o fim de sua
vida. Exilaram-se inicialmente em Israel,
onde ele lecionou na Universidade de
Tel-aviv.
7.
Em 1971, foiconvidado para lecionar
Sociologia na Universidade de Leeds, na
Inglaterra. Nela trabalhou até a sua
aposentadoria, em 1990. Além de professor,
foi diretor do departamento de Sociologia
nessa instituição. Desde que se mudou para
a Inglaterra e suas publicações passaram a
ser majoritariamente em inglês, sua
notoriedade alcançou o mundo. Foi um dos
maiores intelectuais a dissertarem sobre a
chamada Pós-Modernidade
8.
Casou-se com atambém judia e
escritora Janina Bauman, que conheceu
na juventude, quando serviu na guerra,
e com quem viveu até a morte dela, em
2009, tendo juntos três filhas: Irena,
Lydia e Anna. Bauman faleceu em 9 de
janeiro de 2017, aos 91 anos.
9.
Bauman escreveu aotodo 50 obras, portanto, serão listadas apenas as principais:
● Modernidade e Holocausto (1989)
● Pensando sociologicamente
(1990)
● Modernidade e ambivalência
(1991)
● Vidas em fragmentos (1995)
● O mal-estar da Pós-Modernidade
(1997)
● Globalização (1998)
● Em busca da política (1999)
● Modernidade líquida (2000)
● Comunidade (2001)
● Amor líquido: sobre a fragilidade dos
laços humanos (2003)
● Vidas desperdiçadas (2003)
● Vida líquida (2005)
● Medo líquido (2006)
● Vida para consumo (2007)
● Tempos líquidos (2007)
● Cegueira moral (2014)
● A riqueza de poucos beneficia todos nós?
(2015)
● Estado de crise (2016)
● Estranhos à nossa porta (2016)
Bauman escolhe o“líquido” como
metáfora para ilustrar o estado dessas
mudanças: facilmente adaptáveis,
fáceis de serem moldadas e capazes de
manter suas propriedades originais. As
formas de vida moderna, segundo ele,
se assemelham pela vulnerabilidade e
fluidez, incapazes de manter a mesma
identidade por muito tempo, o que
reforça esse estado temporário das
relações sociais.
A SOCIEDADE PÓS-MODERNA SOFRE MUDANÇAS EM RITMO INTENSO
Para definir as condições da pós-modernidade e discutir as transformações do mundo moderno nos últimos tempos, o sociólogo sempre preferiu usar o termo “modernidade líquida”, por considerar “pós-modernidade” um conceito
ideológico.
12.
Há 100 anos,ser moderno
significava buscar um
ponto de perfeição e hoje
representa o progresso
constante, sem um
resultado final único
prestes a ser conquistado.
13.
Olhar sociológico paraos novos tempos
Bauman, embora um catedrático de formação sociológica clássica, após
se aposentar, voltou sua atenção para a análise dos novos tempos que
apontavam no horizonte da Modernidade tardia.
O olhar aguçado e distanciado de um homem que viveu as mais
profundas experiências que marcaram o século XX permitiu-lhe avaliar
com o necessário estranhamento as mudanças que se avizinhavam.
14.
Bauman, uma dasmais importantes vozes intelectuais deste século, cunhou
novos conceitos: modernidade líquida, amor líquido, medo líquido.
Suas análises concentraram-se
especialmente na fluidez das relações
humanas e no sentimento
generalizado de medo.
Características da Pós-
modernidade
Porquesuas características
básicas — maleabilidade,
fluidez e difusão — são
facilmente identificadas na
maneira como as pessoas
relacionam-se umas com
as outras, com o tempo,
consigo mesmas, enfim,
com o modo de viver que
se desenvolveu na
Modernidade tardia ou
Pós-Modernidade.
17.
A marca registradada modernidade
Bauman coloca a individualização como marca registrada da sociedade
moderna, e mostra sua ambivalência no sentido de conferir autonomia aos
indivíduos e, ao mesmo tempo, insegurança ao torná-los responsáveis pelo
futuro e pelo sentido de suas vidas sem uma determinação social externa.
O medo comocategoria de análise sociológica
O medo é definido por Bauman
como ignorância da ameaça e do
que deve ser feito. Ele desenvolve o
conceito de medo secundário, um
medo, sempre reatualizado social e
culturalmente, que norteia o
comportamento do indivíduo
havendo ou não uma ameaça direta.
Esse sentimento, também chamado de
derivado, provoca a sensação de
vulnerabilidade ao perigo e de
insegurança e é facilmente
desvinculado das ameaças que
inicialmente causaram-no, ou seja, é um
medo descolado da realidade, que gera
insegurança e ansiedade mesmo em se
tratando de situações hipotéticas.
21.
Fragmentação do medo
Há,na sociedade líquida e
moderna, a fragmentação do
medo primário — medo da morte
— em incontáveis preocupações
e a sua incorporação no fluxo da
vida cotidiana, já que a ideia de
morte foi desvinculada de seu
sentido religioso de passagem
para outra vida e de eternidade.
Essa inserção do medo primário
na preocupação cotidiana torna-o
totalizante e primordial nas
escolhas a serem feitas e na
própria constituição do
comportamento.
22.
Bauman enfatiza ofato de a
proteção contra os infortúnios
individuais, antes delegada ao
Estado (do bem-estar social) ou
às comunidades, tornar-se
responsabilidade dos indivíduos, o
que tem como consequência a
fragilização dos vínculos
humanos, a inconstância das
lealdades comunais e a
revogabilidade de
compromissos.
23.
Os indivíduos buscam
soluçõesisoladas para
problemas produzidos
socialmente e são
encorajados a priorizarem
sua segurança pessoal.
A busca individual por
quaisquer objetivos e o não
pertencimento a um grupo
levam à desconfiança da
possível solidariedade alheia
e até à crença de que a
maleficência compõe a
intenção dos outros
24.
O medo derivado,enquanto
norteador do comportamento, leva
os indivíduos a estarem sempre
alertas quanto aos riscos, e pelo fato
de o medo estar difuso, ele pode ser
encontrado em qualquer parte, até
no comportamento das outras
pessoas. Todos se tornam estranhos
em potencial, já que nunca é possível
prever-se totalmente a intenção
alheia.
25.
Queda das torresgêmeas - 11 de
setembro de 2001
Criação da noção de Terrorismo
26.
A segurança éidentificada no
autoisolamento, e o
suprimento da necessidade de
relações sociais é mediado, em
parte, pela tecnologia que
permite um contato não
necessariamente delimitado
num espaço físico comum.
28.
A morte doindivíduo
Bauman coloca as relações
humanas como
inconstantes. Há uma
desconfiança na
fidelidade do outro e uma
indisposição em construir-
se parcerias duráveis e
sólidas. O rompimento de
relações (amorosas ou não)
é definido como morte
metafórica ou morte de
terceiro grau.
29.
AS CONEXÕES NOMUNDO MODERNO FORAM INDIVIDUALIZADAS
Esse autor observa que o século 20 sofreu uma passagem da sociedade de
produção para a sociedade de consumo. Com isso, também passamos pelo
processo de fragmentação da vida humana e deixamos de pensar em
termos de comunidade — a qual nação, grupos ou movimento político
pertencemos.
A identidade pessoal, após essa transformação, restringiu o significado e
propósito da vida e da felicidade a tudo aquilo que acontece com cada
pessoa individualmente.
30.
AS CONEXÕES NOMUNDO MODERNO FORAM INDIVIDUALIZADAS
As relações são fundamentadas no medo da exclusão. Nunca se sabe de
onde virá o golpe, quem se cansará primeiro dos compromissos incômodos e
difíceis ou encontrará relações mais promissoras. Tanto antes quanto depois
dessa morte metafórica, o tempo é fragmentado e descontínuo, o
rompimento não atrasa o fluxo da vida, tampouco o interrompe.
A fragilidade dos vínculos humanos permite que eles não sejam temidos ou
difíceis de manter-se e que seu desligamento não seja tão doloroso, mas
também trazem a insegurança da possibilidade de exclusão.
32.
A felicidade ea
segurança
A felicidade e a segurança
são buscadas
individualmente. O
pragmatismo também
penetra as relações sociais.
A solidão, definida como
um insight dissimulado do
medo da morte, é expulsa
pela busca do outro de
maneira utilitária e
pontual.
33.
A liberdade concedidaem troca da
segurança torna-se sensação por meio
do consumo. A busca por proteção é
materializada em mercadorias pela
manipulação do medo da morte como
gerador de lucro.
A quantidade de serviços de
entretenimento e a imitação de uma
cidade dentro de um condomínio
fechado podem ser vistas como formas
de forjar-se a liberdade perdida com o
isolamento espacial. O próprio consumo
em si pode provocar sensação de
liberdade, já que a posse do dinheiro
permite várias escolhas de locomoção e
aquisição de bens.
34.
As comunidades também
sãoconsumidas e não se
perpetuam para além da
utilidade que exercem.
São flexíveis, sua criação e
desmantelamento partem
de escolhas, e estas não
devem prejudicar ou
impedir que outras
decisões sejam tomadas.
São transformadas em
artigos de consumo voltados
para a proteção.
35.
Estética da
indústria do
entretenimento
Nessesentido, Bauman cita a comunidade
estética, criada pela indústria do
entretenimento. Ela é orientada pela
aparência e usa como ferramenta a
sedução. A referência é alguma celebridade,
alguém que tenha muitos seguidores. A
veiculação de notícias sobre experiências,
gostos, enfim, tudo que envolva a vida
dessa celebridade, leva os fãs a sentirem-se
parte dela sem estabelecerem
compromissos incômodos. Há uma união
vivida como se fosse real que não prejudica
a preservação e execução de desejos
individuais.
Alguém já observou como isso
influencia na adesão às redes
sociais?
37.
Outro exemplo decomunidade
são os condomínios fechados,
denominados por Bauman
comunidades fechadas,
lugares de exílio voluntário —
que implica ausência de
compromissos de longo prazo
— em que se pratica o
distanciamento mental e moral
e a fuga do sentimento e da
construção de intimidade.
Todas as outras pessoas, com
seus diferentes modos de vida,
são evitadas e vistas como
intrusas.
38.
O caso particulardo
algoritmo
Há a redução das
possibilidades de encontro
com a diferença, de
enfrentamento de um
desafio cultural. Nesse
contexto, o eu é construído
com base nas preferências
e possibilidades de
consumo: você é aquilo de
que gosta e é capaz de
comprar.
39.
O aumento dadesigualdade não é
um efeito colateral acidental e
desprezado, é, antes, parte
integrante de uma concepção de
felicidade humana e de vida
confortável, assim como da
estratégia ditada por essa concepção.
40.
Desigualdades e Concepçãode segurança
Essas concepção e estratégia podem ser contempladas e usufruídas apenas
como privilégios, e é praticamente impossível ampliar seu alcance. A própria
obsessão pela segurança é compartilhada com maior intensidade pelo
grupo de privilegiados que dispõe de mais meios de garantir a proteção, e a
temida violência humana é fomentada pelas desigualdades estabelecidas e
crescentes.
42.
O estado dealerta da
pós-modernidade
O medo derivado, enquanto uma
estrutura mental estável, torna-se
determinante do comportamento, e, por
desacoplar o medo da ameaça direta,
somando-se ao fato de o medo da morte
estar secularizado e diluído nas
preocupações cotidianas, torna-se
totalizante, o que reflete no
comportamento dos indivíduos como
constante estado de alerta em relação às
circunstâncias mais diversas e também
em relação às pessoas que se tornam
estranhas na medida em que se
desconhece suas intenções.
43.
As comunidades criadase consumidas
tornam-se o lugar de expulsar a diferença e
fugir dos estranhos ao passo em que são
pautadas por relações sociais pragmáticas e
não possessivas, simultaneamente intensas e
fugazes, delimitadas por necessidades
específicas e fadadas ao rompimento assim
que essas necessidades forem satisfeitas.
O medo difuso é personificado nos
estranhos, e estes se tornam
combatíveis enquanto categorias
específicas ou simplesmente
enquanto diferença.
44.
A vida emsua totalidade e na
especificidade das relações humanas
é ilustrada por Bauman como uma
sucessão de episódios e uma série de
recomeços.
46.
Referências
● BAUMAN, Zygmunt.Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Editora Zahar,
2001.
● BAUMAN, Zygmunt. Medo líquido. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2008.
● BAUMAN, Z. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de.
Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004. PUC-Rio - Certificação Digital Nº
0510676/CA
● O segredo mais bem-guardado da sociedade de consumidores: in Vida
para consumo: transformação das pessoas em mercadoria. Rio de
Janeiro, Zahar, 2008, p. 13-31, tradução de Carlos Alberto Medeiros.