UniGoias Centro Universitario de Goias Aula 02_Bioquímica.pdf
1.
1
Profa. Dra. LucianaCasaletti
Estrutura e Função do Lipídeos
Profa. Dra. Luciana Casaletti
Biomedicina
Lipídeos
- Apresentam baixa solubilidade em água e
alta solubilidade em solventes orgânicos.
- Natureza hidrofóbica e anfipática das
estruturas químicas é refletida em suas
propriedades físicas.
Características:
- Grande número de ligações carbono-
hidrogênio.
Grupo heterogêneo de compostos que
incluem as gorduras, óleos, ceras,
esteróides, vitaminas, isoprenóides, etc…
Localização Celular
1. Membrana das células
2. Adipócitos – tecido adiposo
3. Vegetais
1. Membranas lipídicas
* Interação entre fosfolipídeos respeita a polaridade, hidrofobicidade
OK
X
* Estrutura é mantida por forças de Van der Waals (cadeia hidrofóbica) e
interações polares (cabeça polar), entre os fosfolipídeos e entre estes e o meio.
Os fosfolipídeos e os
esfingolipídeos
apresentam:
Grupo Polar ou
Hidrofílico
Grupo Apolar ou Hidrofóbico
1 2
3 4
2.
2
Membranas lipídicas
Poucos fosfolipídeosMuitos fosfolipídeos
Fase aquosa
Fase aquosa
Bicamada lipídica
Fase aquosa
Micela
Fase aquosa
Óleo ou Fase Apolar
Fase Apolar
Modelo Mosaico Fluido das Membranas Celulares
Características:
2) Membrana apresenta forte sustentação, porém é fluida o suficiente para a
mobilidade dos fosfolipídios e inserção de outros componentes, como proteínas e
glicoproteínas.
1) Não há ligações covalentes entre os componentes de membranas, somente
ligações fracas, como forças de Van der Waals e interações polares, como pontes-H.
Ácidos Graxos
Ácidos Graxos: bastante comuns, são ácidos orgânicos derivados de
hidrocarbonetos. Formam outros lipídeos como os triacilgliceróis e
fosfolipídeos.
polar
hidrofóbico
Fórmula Básica:
CH3 (CH2)n COOH
Polar
Hidrofílico
Afinidadade pela Água
Apolar
Hidrofóbico
Sem afinidadade pela água
5 6
7 8
3.
3
Ácidos graxos interagementre si
Interações hidrofóbicas
van der Waals
(interações fracas)
Interações polares
Hidrofílica
Interações polares
Hidrofílica
Ácidos Graxos podem apresentar insaturações
na cadeia de hidrocarboneto
Saturação - Ligação simples
Livre rotação
Não há livre rotação
Ligação planar e rígida
Consequência:
Dobra na cadeia
Saturado
X Insaturação - Ligação dupla
X Insaturado
Consequências para os ácidos graxos
Saturação X Insaturação:
ácido graxo saturado ácido graxo insaturado
Cis X trans (insaturado = dupla ligação)
Cis: por ex: Oléico
Cis: Carboxila e metil do
mesmo lado da dupla
ligação.
Trans: por ex: Eládico
Trans: Carboxila e metil
em lados opostos da
dupla ligação.
9 10
11 12
4.
4
GORDURA TRANS
É UMA
GORDURAINSATURADA!!!
Porque possui ligação dupla.
Gordura trans
Natural apenas em poucos animais como os ruminantes.
Obtido sinteticamente por hidrogenação parcial de
óleos vegetais.
São as famosas gorduras vegetais hidrogenadas.
5g gorduras trans /dia aumentam em 25% o risco de
doenças coronarianas.
Antigas margarinas muito mais prejudiciais que as
manteigas.
Novas margarinas: Reação de interesterificação de
óleos vegetais.
Observar bem os rótulos dos produtos que, por lei,
são obrigados a mencionar a % de gordura trans
presente.
Gordura trans – 0,8 gr/porção de 30 gr Gordura trans – 2 gr/porção de 30 gr
13 14
15 16
5.
5
Gordura trans –1,2 gr/porção de 30 gr Gordura trans – 1,7 gr/porção de 30 gr
Produtos Diet também apresentam
gordura trans
Gordura trans – 0 gr/porção de 30 gr
Gordura trans – 2,6 gr/porção de 27 gr
O que você tem de
Gordura Trans e
saturada em casa?
Óleos X Gorduras
Óleos:
- Ácidos graxos de cadeia insaturada
ou poli-insaturada.
- Líquidos à temperatura ambiente.
Gorduras e ceras:
- Ácidos graxos de cadeia saturada.
- Sólidos à temperatura ambiente.
17 18
19 20
6.
6
Exemlos de composição:Óleos X Gorduras
Saturado
Ligação simples
Insaturados
Dupla ligação
Número
de
Carbonos
Estrutura dos
Lipídeos
Reação de Esterificação
Reação entre um ácido carboxílico e um
álcool com a liberação de uma molécula
de água
Glicerol
Poliálcool - Trialcool
D-Gliceraldeído
Carboidrato
Glicerol
21 22
23 24
7.
7
Grupo
Carboxil
Cadeia de
Hidrocarboneto
(Acil)
H
Esterificação deÁcidos Graxos com Glicerol (álcool)
Glicerol: Triálcool (poliálcool).
Formação de acil-glicerol
Todas as posições do glicerol podem ser esterificadas.
Pode haver a formação de monoacilgliceróis, diacilgliceróis e
triacilgliceróis.
Esterificação: reação
entre um ácido
carboxilico e um álcool
com a liberação de uma
molécula de água.
Glicerol Ácido Graxo
Formação de Triacilgliceróis (TAGs)
Triacilglicerol
esterificação perda de molécula de H2O
em cada esterificação
Triacilgliceróis (TAGs)
Também conhecidos como triglicérides.
Triacilgliceróis: Principal fonte de estocagem de energia
dos organismos.
Características: Leves, hidrofóbicos, altamente
reduzidos (portanto energéticos).
Qualquer ácido graxo pode esterificar o glicerol.
Nível de insaturação (dupla ligações) dos ácidos graxos
irá determinar a densidade do TAG.
Triacilgiceróis (TAGs) & Saturação do Ácido Graxo
Nível de insaturação (dupla ligação) dos ácidos graxos irá
determinar a viscosidade (estado físico) do TAG.
+
↑ insaturado ↓ denso
↑ insaturado ↑ Líquido
25 26
27 28
8.
8
Fosfolipídeo
ou
Glicerofosfolipídeo
Fosfolipídeos
grupo fosfato
Apenasduas posições do glicerol são esterificadas.
A terceira posição desses lipídeos contém um radical fosfato.
A presença do fosfato aumenta torna os fosfolipídeos mais
hidrofílicos.
Fosfolipídeos
São fosfolipídeos formados pela esterificação
de uma molécula de glicerol.
grupo fosfato
Estrutura do fosfolipídeo
Ácidos Graxos
Hidrofóbico
Grupo
fosfato
Ligação
Éster
Glicerol
Hidrofílico
Estrutura dos fosfolipídeos
FOSFATO
29 30
31 32
9.
9
Composição Geral dosFosfolipídeos
X (ou R) – Grupamentos bem definidos.
Radicais (R) Comuns em Glicerofosfolipídeos
Os fosfolipídeos variam em composição, dependendo dos
tipos de ácidos graxos ligados ao glicerol.
São encontrados em membranas celulares, cérebro, tecido
nervoso e fígado.
Frequentemente um é saturado e outro insaturado.
As fosfatidilcolinas (lecitina) são os fosfolipídeos mais comuns
nos tecidos (membrana plasmática).
Fosfolipídeos Fosfatidilcolina (lecitina)
R = colina
33 34
35 36
10.
10
Transporte
de lipídeos
e proteínas
Lipídeosna Dieta Digestão e Absorção de Lipídeos
Vesícula
Biliar
Vesícula
Biliar
-Para poderem ser
absorvidos, os lipídeos são
emulsificados por sais
biliares.
-Os sais biliares são
produzidos pelo Fígado e
armazenados na Vesícula
Biliar.
-Os lipídeos são absorvidos
pela células da parede do
intestino delgado.
37 38
39 40
11.
11
Sais Biliares: Emulsificação
Lipídeo
Porção
Hidrofóbica
Porção
Hidrofílica
ÁcidoBiliar
Sais Biliares: Emulsificação
Ácido glicólico Ácido cólico
Ácido desoxicólico Ácido taurocólico
Compostos lipídicos presentes na bile, derivados do colesterol.
Compostos anfipáticos, com grandes extremidades apolares e polares.
Digestão e Absorção de Lipídeos: Triacilgliceróis (TAGs)
1) Emulsificação de lipídeos com sais
biliares.
2) Clivagem enzimática dos TAGs
com Lipase pancreática (lúmen
intestinal).
* emulsificação permite acesso das
lipases aos TAGs.
lipase pancreática
TAG – Triacilglicerol
MAG – Monoacilglicerol
AGL – Ácido Graxo Livre
Gordura da
dieta
Sais Biliares
Emulsão dos Triacilglicerol
Lipase Pancreatica
2 Ác.
Graxos
Monoacil
glicerol Intestino
2 Ác.
Graxos
2CoA
Monoacil
glicerol
2 Ác Acil-CoA
Triacilglicerol
Quilomicrons
Proteínas
Quilomicrons Ducto
linfático
Células da
parede do
intestino
3) Difusão do MAG e AGL pela mucosa
intestinal.
4) Conversão de AGL em acil-coenzima
A (Acil-CoA) pela Acil-CoA Sintetase.
5) Ressíntese de TGAs no citoplasma
celular à partir de 2-MAG e Acil-CoA.
Digestão e Absorção de Lipídeos: Triacilgliceróis (TAGs)
Gordura da
dieta
Sais Biliares
Emulsão dos Triacilglicerol
Lipase Pancreatica
2 Ác.
Graxos
Monoacil
glicerol Intestino
2 Ác.
Graxos
2CoA
Monoacil
glicerol
2 Ác Acil-CoA
Células da
parede do
intestino
Triacilglicerol
Quilomicrons
Proteínas
Quilomicrons Ducto
linfático
41 42
43 44
12.
12
6) TGAs e(outros lipídeos como o
colesterol) são agregados com
proteínas carreadoras, formando
partículas lipoprotéicas denominadas
quilomicrons.
7) Quilomicrons se difundem para os
dutos linfáticos, caem na circulação
sanguínea e são transportados aos
tecidos alvo.
Digestão e Absorção de Lipídeos: Triacilgliceróis (TAGs)
Gordura da
dieta
Sais Biliares
Emulsão dos Triacilglicerol
Lipase Pancreatica
2 Ác.
Graxos
Monoacil
glicerol Intestino
2 Ác.
Graxos
2CoA
Monoacil
glicerol
2 Ác Acil-CoA
Triacilglicerol
Quilomicrons
Proteínas
Quilomicrons Ducto
linfático
Células da
parede do
intestino
8) Quilomicrons são transportados
para os capilares.
9) Nos capilares os TGAs presentes
nos quilimicrons são degradados até
ác. graxo livres e glicerol por uma
lipase.
10) Glicerol e ác. graxos livres são
internalizados pelos tecidos alvo, por
exemplo: miócito, adipócito.
Digestão e Absorção de Lipídeos: Triacilgliceróis (TAGs)
Gordura da
dieta
Sais Biliares
Emulsão dos Triacilglicerol
Lipase Pancreatica
2 Ác.
Graxos
Monoacil
glicerol Intestino
2 Ác.
Graxos
2CoA
Monoacil
glicerol
2 Ác Acil-CoA
Triacilglicerol
Quilomicrons
Proteínas
Quilomicrons Ducto
linfático
Células da
parede do
intestino
Quilomicrons
Músculo -oxidação
Adipócito Armazenagem
Apolipoproteínas
Colesterol
Fosfolipídeo
Triacilgliceróis - TAGs
Visão Geral do Transporte de Lipídeos
• Características dos Lipídeos:
- Substâncias anfipáticas / apolares.
- Não são solúveis em ambiente aquoso (Sangue).
- Ambiente aquoso: micelas, agregados, etc…
• Transporte de Lipídeos:
-Deve ser feito através de carreadores (lipoproteínas).
Características:
- Carreadores devem preservar a estrutura dos lipídeos e proteínas.
Carreadores = Lipoproteínas
- Carreadores devem ser acessíveis à moléculas reguladoras
(receptores, hormônios e enzimas).
45 46
47 48
13.
13
Principais Funções dasLipoproteínas plasmáticas
Quilomicrons não são as únicas lipoproteínas plasmáticas.
3 (ou 4) outras são circulantes , cada uma com sua função:
Quilomicrons
- Transporte de lipídeos da dieta para todos os tecidos alvo, inclusive
fígado.
VLDL (Very Low Density Lipoprotein)
-Transporte de lipídeos (TAGs) para tecidos alvo.
- Formados quando da necessidade energética. Se transformam em
IDL e LDL.
LDL (Low Density Lipoprotein)
- Transporte de colesterol para tecidos extra-hepáticos.
HDL (High Density Lipoprotein)
- Retiram colesterol de quilomicrons, VLDL e tecidos extra-hepáticos.
Convertem colesterol em ésteres de colesteril pela ação da LCAT.
Lipoproteínas plasmáticas
Composição das lipoproteínas plasmáticas.
HDL
LDL
IDL
VLDL
Quilomicrons
>50%
>20%
10%
10%
1%
Proteínas
13%
~10%
~30%
56%
88%
TAG
6%
10%
9%
8%
1%
Colesterol
30%
48%
34%
15%
3%
Ésteres de
Colesteril
IDL (Intermediary Density Lipoprotein)
VLDL (Very Low Density Lipoprotein)
LDL (Low Density Lipoprotein)
HDL (High Density Lipoprotein)
Fígado
Intestino
Quilomicrons
Capilar
Lipoproteína lipase
Ácidos Graxos livres
Músculo, tecido adiposo, etc…
Precursores de HDL
(do fígado e intestino)
Tecidos
Extra-hepáticos
VLDL
Remanescente
(IDL)
30%
Quilomicrons
Remanescentes
10%
49 50
51 52
14.
14
Série Ômega
Série Ômega
Ômega(),última letra do alfabeto grego.
Presença da primeira insaturação (dupla ligação) é contada à
partir do último átomo de carbono do ácido graxo (metil – CH3).
Porquê Ômega?
18:29,12
Ácidos Graxos Ômega 3 (w3)
Também são ácidos Graxos Poli-insaturados (PUFAs).
Apresentam mais de uma insaturação (dupla ligação).
Ácidos graxos ômega 3 apresentam a primeira dupla ligação no
terceiro carbono (contado do final).
3: Ácido -linolênico (ALA)
Família dos Ácidos Graxos 3.
18 C
20 C
22 C
Encontrado: Animais e peixes em geral
(principalmente de água fria).
Ácidos Graxos Ômega 3 (w3)
53 54
55 56
15.
15
Alimentação rica emPUFAs ômega 3
Ácido Graxo da posição 2 seria
um ômega-3.
Ácidos docosahexanóico (DHA)
e eicosapentanóico (EPA).
PUFAs 3
Benefícios anti-inflamatórios dos PUFAs 3:
• Inflamações agudas (periodontite, inflamações da pele);
• Colite e outras doenças gastro-intestinais;
• Danos na córnea e facilitador da cicatrização epitelial;
• Isquemia renal;
• Alguns tipos de doenças hepáticas;
• Inflamação das vias aéreas.
Em sua maioria são Ácidos Graxos Poli-insaturados (PUFAs).
Apresentam mais de uma insaturação (dupla ligação).
Ácidos graxos ômega 6 apresentam a primeira dupla ligação no
sexto carbono (contado do final).
São encontrados em sementes oleaginosas (milho, girassol, soja,
etc…).
Ácidos Graxos Ômega 6 (w6)
PUFA: Polyunsaturated fatty acid.
Família dos Ácidos Graxos 6.
Ácidos Graxos Ômega 6 (w6)
18 C
20 C
57 58
59 60
16.
16
Mas, não existemácidos graxos livres…
Os dois principais lipídeos onde os ácidos
graxos são encontrados são Triacilgliceróis
e Fosfolipídeos.
Triacilgliceróis são formados por ácidos
graxos que sintetizamos e através dos
ácidos graxos obtidos pela dieta (saturados
ou insaturados ou PUFAS).
Glicerol Ácido Graxo
1. Formação de Triacilgliceróis (TAGs)
Triacilglicerol
+
esterificação
2. Fosfolipídeos (Glicerofosfolipídeos)
Glicerol 3-fostato (esqueleto dos fosfolipídeos)
Os lipídeos formadores dos
fosfolipídeos são provenientes
da dieta.
AÇÃO DOS ÔMEGAS
61 62
63 64
17.
17
Dor e inflamaçãosão processos
essenciais para a sobrevivência do
organismo!
Fosfolipídeos (Glicerofosfolipídeos)
Ácido Graxo da posição 2 é
obrigatoriamente insaturado
(poli-insaturado). Em geral ácido
araquidônico.
Ácido araquidônico, 6
Ácido Graxo poli-insaturado é liberado no
citoplasma pela atividade da fosfolipase A2
Citoplasma
Ácido araquidônico (ômega 6)
Fosfatidil inositol
Membrana
plasmática
65 66
67 68
18.
18
Ácido araquidônico éalvo das enzimas
ciclooxigenase (COX) e lipooxigenase (LOX)
Dor
Inflamação
Regulação da
Coagulação Sanguínea
eicosanóide
Provacam Alergias,
Ativam o Sistema Imune
Provocam Inflamação
COX
LOX
2
eicosanóide
eicosanóide 2
4
COX
Corticoídes inibem a fosfolipase A2.
Consequência: não haverá inflamação.
Analgésicos e anti-inflamatórios
NÃO ESTEROIDAIS (AINES) inibem a
enzima COX
Exemplos:
Aspirina
Diclofenaco
Nimesulida
Ibuprofeno
Naproxeno
= Prostaglandina
69 70
71