SlideShare uma empresa Scribd logo
TERRAPLANAGEM E
PAVIMENTAÇÃO
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
2
SUMÁRIO
1- ESCAVAÇÕES, CARGA E TRANSPORTE 3
2- ESCAVAÇÃO EM EMPRÉSTIMOS 12
3- CONTROLE TECNOLÓGICO 15
4- CONTROLE GEOMÉTRICO 18
5- CORTE E ATERRO COMPENSADO 20
6- EXECUÇÕES DE ATERROS 24
7- IMPRIMAÇÃO 37
8- COMO ESCOLHER O TIPO DE PAVIMENTAÇÃO DE VIAS PÚBLICAS? 42
REFERÊNCIAS
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
3
1- ESCAVAÇÕES, CARGA E TRANSPORTE
O que é terraplenagem e quais equipamentos são usados
Você já se perguntou como é feito o processo de construção de uma casa, um prédio
ou uma fábrica? Antes de erguê-los, é preciso muito mais do que colocar cimento e
tijolos empilhados. Para que uma boa execução de construção seja feita, são
necessários alguns processos que cuidam do solo que receberá o alicerce. Um
desses processos é o que chamamos de terraplenagem.
Tirar e colocar terra em locais do terreno de acordo com o projeto não é uma tarefa
tão fácil. Afinal, é necessário saber como operar máquinas pesadas para
desempenhar esse trabalho. Além do mais, o profissional também deve saber quais
tratamentos aquele solo precisa receber, e quais máquinas são as mais indicadas
para cada procedimento.
O que é terraplenagem?
A terraplenagem é o processo que consiste em mover ou processar grandes partes
da superfície do solo.
Normalmente, esse procedimento não envolve apenas terra, podendo também se
tratar de rochas.
A finalidade de terraplenagem é aplanar um determinado terreno para vários tipos de
construções, como canais, estradas, barragens, preparação do terreno para edifícios
ou fábricas.
Operações básicas empregadas no processo de terraplenagem
Escavação
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
4
Durante a escavação, a máquina rebaixa a topografia natural do terreno para a cota
pré-estabelecida no projeto de construção.
Escavação com remoção de terra
Nesse processo, além de escavar o terreno, a terra removida é carregada para locais
chamados de Aterros ou Bota-foras.
Escavação sem remoção de terra
A terra é escavada no local em que a topografia está acima das cotas do projeto. Essa
terra é depositada nos locais da área onde os níveis do terreno estão abaixo do ideal,
de acordo com o projeto. Esse procedimento também recebe o nome de corte e
compensação. Confira como esse processo funciona:
Aterrar
É o ato de derramar terra em determinado local para que as áreas abaixo da cota do
projeto de construção sejam elevadas. Normalmente, usa-se a terra vermelha, uma
vez que seu rendimento é melhor no trabalho de compactação do aterro.
Aterro com importação de terra
Quando não houver necessidade de fazer uma escavação, ou quando a terra do
próprio terreno material não é o suficiente para atingir as cotas necessárias para
aplainar o aterro, é necessário importar terra de outro terreno que não esteja a
utilizada.
Aterro sem importação de terra
É o processo feito com a terra que já estava no terreno, mas que não está sendo
utilizada, recebendo o nome de corte e compensação, como já mencionado acima.
Compactação de solo
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
5
Quando é necessário fazer aterros em determinados locais do terreno, um trabalho
de compactação do solo será certamente necessário. Neste trabalho, os profissionais
compactam o solo com o uso de equipamentos chamados de rolos compactadores ou
compressores. Essa máquina é capaz de comprimir o solo com seu peso e vibração
para torná-lo firme e resistente.
É comum nessas situações que os engenheiros de solos ou calculistas determinem
quão compacto deve estar o solo. Além disso, algumas análises laboratoriais também
são feitas para definir se o solo está apto ou não para a construção.
os
rolos compactadores têm a função de deixar o aterro mais comprimido e pronto para
a construção
A compactação geralmente é feita em camadas: um aterro é feito de no máximo 20
cm de altura e a terra é umedecida por um caminhão-pipa caso esteja muito seca, ou
secada pelo que chamamos de Grade, caso esteja úmida demais. Somente após
esse “tratamento” o rolo compactador é utilizado, e em seguida, são feitas diversas
camadas até atingir a cota.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
6
Troca de solo
Quando a consistência do solo original não é boa, ou seja, não é firme o suficiente para
conseguir suportar a construção, utilizamos a técnica chamada de troca de solo.
Primeiramente, faz-se o estudo do solo por meio de uma amostra em laboratório.
Os resultados mostrarão quantos metros abaixo da topografia original será necessário
escavar, para então, aterrar e compactar o terreno e atingir as cotas do projeto.
Drenagem de solo
Quando os terrenos estão úmidos demais, a drenagem é feita criando canais em locais
estratégicos para fazer o escoamento da água em excesso. Esses canais são feitos
por valas de níveis mais baixos do que o restante do terreno. Veja como é feita uma
dessas valas:
Se essa umidade vier de uma nascente, é preciso respeitar um raio de
aproximadamente 50m para então criar um canal que escoe a água para longe do
lugar em que será feita a construção. Já nos casos em que a umidade é causada pelo
acúmulo de águas pluviais, o terreno deve ser inclinado suavemente para que o
escoamento seja feito com maior facilidade.
A drenagem do solo é muito importante, principalmente, para construções em que a
fundação será profunda.
Prevenção de erosão
Em solos de composição arenosa ou sedimentar, taludes e terrenos de topografia em
declive ou aclive, as erosões causadas pela ação de fortes chuvas são bastante
comuns.
Por isso, a técnica mais usada para prevenir o surgimento de erosões em áreas
grandes é a criação de curvas de nível. Essas curvas são cortes ao longo do
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
7
aclive/declive capazes de captar a água. Assim, a mesma é escoada pela terra para
que não crie velocidade e desagregue o solo criando as erosões.
A quantidade de curvas criadas em determinada área irá depender exclusivamente da
sua extensão e grau de inclinação. Caso ela atinja os 45º, que seria uma inclinação
natural da terra não compactada em aterros, não se aconselha fazer curvas com mais
de 5 ou 6 metros de espaçamento.
QUANTO MENOR FOR A INCLINAÇÃO, MAIOR SERÁ O ESPAÇO NECESSÁRIO
ENTRE AS CURVAS DE NÍVEL.
Principais máquinas de terraplenagem
Caminhão Basculante
Essencial para apoiar serviços de escavação e demolição, esse tipo de caminhão é
excelente para transportar cargas volumosas, como entulhos e terra. Além disso,
garante a segurança dos profissionais e uma maior praticidade.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
8
Escavadeira
Considerado um equipamento de escavação muito poderoso, a escavadeira permite
que grandes profundidades sejam atingidas em minutos, tudo isso graças à sua
hidráulica. É usada em vários tipos de serviços e projetos de terraplenagem.
Mini carregadeira
Usadas em obras menores e específicas, ela é perfeita para movimentar materiais
diversos, nivelar o solo e fazer a desagregação de terra. Por ser um equipamento
bastante compacto, é uma boa opção para ser usada em espaços reduzidos.
Minicarregadeira JCB
Mini escavadeira
Assim como a mini carregadeira, essa máquina também é compacta e indicada para
canteiros de obra reduzidos e terrenos acidentados. Sua função é retirar o entulho e
tornar a obra mais rápida.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
9
mini
escavadeiras jcb
Motoniveladora
Também conhecida como niveladora de estrada, ou então, simplesmente como
“patrol”, essa máquina é indicada para fazer a preparação e nivelamento do solo,
criando superfícies planas. Além disso, também pode criar superfícies inclinadas ou
transversais.
Rolo compactador
Equipamento bastante usado na terraplenagem, é de fácil operação e também pode
ser utilizado em compactação de solo, cascalho, concreto, asfalto e na manutenção
de estradas e fundações.
Sua principal função é compactar a superfície e o solo como um todo. Com isso, o rolo
compactador consegue igualar locais de construção em estradas, pistas de
aeroportos, edifícios etc.
Retroescavadeira
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
10
Usada para movimentar materiais diversos, nivelar o solo e fazer a terraplenagem, a
retroescavadeira conta com braço e lança de longo alcance, possibilitando uma
melhor performance nas escavações profundas. Sua indicação é para escavações de
grande porte, abertura de valas, carregamento de caminhões em terrenos secos e
firmes e nivelamentos.
Trator de esteira
Ideal para nivelar e preparar os solos, os tratores de esteira são usados em operações
de terraplenagem, conservação e abertura de estradas, empilhamento, trabalhos de
desbravamento, limpeza final, agricultura e mineração.
Empilhadeira
A principal função da empilhadeira é movimentar materiais carregando-os e
descarregando-os em paletts. É um equipamento considerado indispensável para
organizar ambientes e fundamental no canteiro de obras.
Bulldozer
Também conhecido como trator de esteiras, é um equipamento 02com uma lâmina de
aço reta ou curva, situada na parte dianteira do trator e perpendicular ao eixo da
máquina. Essa lâmina permite que um melhor descolamento de materiais e a limpeza
das áreas. Ele também é essencial para grandes obras pois é utilizado em conjunto
com os Scrapers.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
11
trator esteiras Komatsu D85EX
Scraper
É uma das máquinas de terraplenagem usada para extração de terra em camadas.
Sua principal vantagem é sua versatilidade, que permite que operações de carga,
transporte e descarga possam ser realizadas todas por uma única máquina com ajuda
de um trator de esteiras normalmente.
Pás carregadeiras
Usada para nivelar terrenos e fazer a remoção de solo quando o mesmo se
encontra em excesso em determinados locais do projeto. Além disso, ela também é
usada para carregar outros materiais no canteiro de obras. O solo deve estar seco e
firme para que a máquina consiga trafegar tranquilamente.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
12
2- ESCAVAÇÃO EM EMPRÉSTIMOS
Os empréstimos destinam-se a prover ou complementar o volume necessário à
constituição dos aterros por insuficiência do volume dos cortes, por motivos de ordem
tecnológica de seleção de materiais ou razões de ordem econômica.
Para aplicação desta Especificação de Serviço são indispensáveis os seguintes
documentos: 2.1) Agência Goiana de Transportes e Obras. GOINFRA ES-T 003/2019.
Terraplenagem – Cortes. Especificação de Serviços. 11 páginas. 2.2) Agência Goiana
de Transportes e Obras. GOINFRA ES-T 005/2019. Terraplenagem – Aterros.
Especificação de Serviços. 14 páginas.
Os materiais serão preferencialmente de 1ª categoria atendendo à qualidade e à
destinação prevista no projeto. Para casos específicos, poderão ser utilizados
materiais de 2ª e 3ª categorias desde que indicadas no projeto.
A escavação em empréstimos deverá prever a utilização racional de equipamentos
apropriados à execução dos serviços. A operação inclui a utilização complementar de
equipamento destinado à manutenção de caminhos de serviço e áreas de trabalho.
5.1) Atendidas as condições do projeto, os empréstimos terão seu aproveitamento
dependente da ocorrência de materiais adequados e respectiva exploração em
condições econômicas, mediante autorização da Fiscalização. 5.2) Sempre que
possível, deverão ser executados empréstimos contíguos ao corpo estradal,
resultando sua escavação em alargamento dos cortes. 5.3) Os empréstimos em
alargamento de corte deverão, preferencialmente, atingir a cota do greide, não sendo
permitida em qualquer fase da execução a condução de águas pluviais para a
plataforma da rodovia. 5.4) Nos trechos em curva, sempre que possível, os
empréstimos situar-se-ão no lado interno desta.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
13
5.5) Os empréstimos não decorrentes de alargamento de cortes, quando no interior
da faixa de domínio, devem situar-se de modo a não interferir no aspecto paisagístico
da região. 5.6) Quando destinados a trechos construídos em greide elevado, os
bordos internos das caixas de empréstimos deverão localizar-se à distância mínima
de 5,00 metros do pé do aterro. 5.7) Entre o bordo externo das caixas de empréstimos
e o limite da faixa de domínio, deverá ser mantida sem exploração uma faixa de 2,50
metros de largura, a fim de permitir a implantação da vedação delimitadora. No caso
de caixas de empréstimo definidas como alargamento de cortes, esta faixa deverá ter
largura mínima de 3,00 metros, com a finalidade de permitir também a implantação da
valeta de proteção. 5.8) Constatada a conveniência técnica e econômica da reserva
de materiais escavados nos empréstimos para confecção das camadas superficiais
da plataforma, será procedido o depósito dos referidos materiais para sua oportuna
utilização. 5.9) A escavação será precedida da execução dos serviços de
desmatamento e limpeza da área do empréstimo. 5.10) A inclinação máxima dos
taludes da caixa de empréstimo deverá ser de 1:1.
O controle tecnológico dos Empréstimos deverá atender integralmente às prescrições
contidas na Norma GOINFRA ES-T 003/2019 – Terraplenagem – Cortes –
Especificação de Serviços e GOINFRA ES-T 005/2019 – Terraplenagem – Aterros –
Especificação de Serviços, no que se refere ao controle dos insumos a serem
utilizados como materiais para composição de aterro. O controle geométrico dos
Empréstimos deve atender aos itens constantes na presente norma, no que se refere
à sua posição relativa ao corpo estradal e à inclinação do talude, no caso, máximo de
1:1.
Nas operações referentes a este serviço devem ser adotadas as seguintes medidas
de proteção ambiental: 7.1) a interligação das caixas de empréstimo que acumulam
água tem sido prática comum na mitigação dos efeitos sobre a drenagem. Contudo,
há que se ter atenção aos volumes d’água que acumulam e na velocidade que o
escoamento pode atingir em trechos longos. A prática pode, ao fim, apenas trocar o
problema original por erosões e ravinamentos de grande porte.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
14
7.2) As caixas devem ter suas bordas afastadas do off-set, evitando que se somem
as alturas dos taludes. Entre o pé do aterro e o bordo dos empréstimos, deve ser
mantida a vegetação natural. 7.3) Os empréstimos que não puderem ser obtidos por
alargamento de cortes devem ser localizados de preferência em terrenos que
possuam declividade suave, com o fundo também em declive, facilitando o
escoamento. Não devem ser obtidos materiais de empréstimo em talvegues,
prejudicando o escoamento natural. De preferência, as caixas de empréstimo
concentrado devem ter seus bordos afastados do talude da rodovia e de outras
benfeitorias vizinhas. Em áreas de solos muito suscetíveis à erosão os empréstimos
devem ser feitos longe da rodovia, conservando-se o terreno e a vegetação natural
numa faixa de, pelo menos, 50 (cinquenta) metros de largura, separando a estrada e
a caixa. 7.4) Procurar evitar a obtenção de empréstimos próximos a zonas
urbanizadas, que terminam sendo usadas como depósitos de lixo, retendo a
drenagem e causando a proliferação de insetos, roedores e répteis, além de contribuir
com mau cheiro e afetar o aspecto visual de toda a área. Tornam-se, como
consequência, a causa da degradação de uso de toda área, o foco de doenças
infecciosas e, ainda, causam transtornos e custos adicionais aos serviços de
conservação rodoviária.
7.5) Desmatamento, destocamento e limpeza será o feito dentro dos limites da área
que será escavada e o material retirado deverá ser estocado de forma que, após a
exploração do empréstimo, o solo orgânico possa ser espalhado na área escavada
visando reintegrá-la à paisagem. 7.6) Não é permitida a queima da vegetação
removida. 7.7) Deve ser evitada a localização de empréstimo em áreas de boa aptidão
agrícola. 7.8) Evitar a localização de empréstimos em áreas de reservas florestais ou
ecológicas, ou mesmo nas proximidades, quando houver perigo de danos a estas
áreas. 7.9) As áreas de empréstimos, após a escavação, deverão ser reconformadas
com abrandamento de taludes, de modo a suavizar seus contornos e reincorporá-la
ao relevo natural. Esta operação deve ser realizada antes do espalhamento do solo
orgânico, conforme descrito no item e. 7.10) Disciplinar o trânsito de equipamentos e
veículos de serviço para evitar a formação de trilhas desnecessárias e que acarretam
a destruição da vegetação.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
15
3- CONTROLE TECNOLÓGICO
O papel do controle tecnológico nas obras de pavimentação
Uma obra de pavimentação envolve muitas etapas e atividades, entre elas: seleção
de materiais, projeto das misturas, dimensionamento da estrutura do pavimento,
seleção de equipamentos e a execução da obra em si. A qualidade de uma obra de
pavimentação está associada a executá-la dentro das especificações do projeto, de
forma que equipes e equipamentos devem estar preparados para operar sem
improvisações. A seguir, são apresentados de forma sucinta, alguns pontos relevantes
relacionados ao controle tecnológico nas obras de pavimentação, especialmente na
execução dos revestimentos asfálticos.
Algumas considerações sobre a qualidade das misturas asfálticas dizem respeito a
forma e proporção dos agregados, que afetam diretamente o travamento entre os
mesmos, bem como o teor de projeto de asfalto. Agregados lamelares, além de
quebrarem com muito mais facilidade se comparados aos agregados cúbicos, tendem
a apresentar teor de ligante asfáltico superior pela forma como eles ficam
empacotados dentro da distribuição granulométrica.
A produção das misturas asfálticas em usina é um outro ponto de grande relevância
para a qualidade da obra. A calibração da usina, seja ela gravimétrica ou contínua, é
fundamental para evitar problemas de conformidade em relação ao projeto. Os
principais problemas que podem ser encontrados em usinas de asfalto são:
segregação, erro na temperatura de saída da massa asfáltica ou de teor de ligante,
entre outros. Diariamente, devem ser feitas as granulometrias dos agregados que irão
alimentar os silos frios a fim de ajustar os percentuais de cada agregado no silo frio
para atender a distribuição granulométrica de projeto. Sempre que possível, os
agregados estocados na área de usina devem estar bem separados para não
misturar, bem como protegidos contra excesso de umidade. Esse excesso de umidade
causa o aumento no custo da massa, além do aumento na velocidade de resfriamento
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
16
(reduzindo o tempo de compactação). A homogeneização dos agregados, antes de
carregá-los para o silo frio, também irá reduzir problemas de segregação. O
armazenamento e uso do ligante na usina, também, merecem atenção especial, uma
vez que o material deve ser aquecido em temperaturas pré-determinadas, de acordo
com sua consistência. As linhas de ligante asfáltico devem ser montadas com retorno
para o tanque, evitando desperdício de material nas partidas da usina devido à falta
de homogeneidade do ligante.
Após a saída da usina, a massa asfáltica é transportada ao local de sua aplicação,
onde é espalhada com acabadora. A mesa vibratória é a parte responsável pelo bom
acabamento em pista e é também importante que não haja grandes variações na
quantidade de material presente na rosca sem fim, uma vez que leva a variações na
espessura da camada asfáltica. Esses defeitos de espalhamento levam ainda a
variações de temperatura, que prejudicam a compactação e podem levar a problemas
de segregação.
Após o espalhamento, a mistura deve ser adequadamente compactada, devendo ser
verificados: equipamentos com os requisitos necessários, execução de pista
experimental, ajuste de produtividade/velocidade, adequação das juntas construtivas
e treinamento de operadores. Além de todas essas questões, é importante observar
as temperaturas do ambiente, do pavimento existente e da massa asfáltica, bem como
a espessura da camada a ser compactada. Para evitar arraste e segregação na
camada, a relação mínima ideal entre a espessura e o diâmetro máximo efetivo do
agregado é de três vezes. A temperatura da massa é mais importante para uma
compactação eficiente do que o número de passadas. Como o tempo de rolagem é
sempre curto, deve-se aproveitá-lo com a máxima eficiência. Divide-se muitas vezes
a compactação em três zonas, sendo a primeira nas temperaturas mais elevadas onde
um ou dois rolos tandem vibratórios (imediatamente atrás da acabadora) fazem a
rolagem inicial da massa e fornecem pressão e vibração. A zona intermediária é onde
o rolo pneumático trabalha, seguido da terceira zona, já com temperaturas bem mais
baixas, que é considerada a fase de acabamento e geralmente executada por um rolo
tandem estático. É fundamental, no início dos serviços, fazer pistas experimentais com
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
17
diferentes padrões de rolagem para verificar a que apresenta melhores resultados e
produtividade da equipe.
Todos os cuidados mencionados acima visam melhorar a qualidade dos pavimentos
asfálticos. A negligência com uma ou mais etapas aumentará o risco de obras fora do
padrão ou que não atendam às premissas de projeto e especificações. É sempre
importante lembrar que o controle de qualidade será sempre menos oneroso que
refazer o serviço.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
18
4- CONTROLE GEOMÉTRICO
TERRAPLENAGEM, GEOMÉTRICO E PAVIMENTAÇÃO
Um projeto de terraplenagem informa e demonstra os limites de um terreno,
identificando as suas dimensões reais. Ele ainda indica a proposta da terraplenagem
necessária contendo dimensões planimétricas e níveis de platô, taludes, rampas
(inclusive cotas de níveis inicial e final). O projeto é acompanhado por um quadro-
resumo, que contém informações sobre as áreas do terreno: total, encontrada, de
preservação, útil (conforme escritura) e de terraplenagem. O serviço de terraplenagem
tem como objetivo a conformação do relevo terrestre para implantação de obras.
A terraplenagem, tendo como objetivo ajustar o terreno natural às especificações de
um determinado projeto, constitui-se de um conjunto de operações destinadas ao
corte, carregamento, transporte, descarregamento, acabamento de superfície,
umedecimento e compactação de materiais em uma obra de construção civil.
O projeto de terraplenagem abrangerá a computação e o balanço volumétrico que
refletirá as características do projeto de terraplenagem, haja vista que não foram
fornecidos elementos para avaliação geotécnica do terreno.
Um projeto de terraplenagem tem como base o levantamento planialtimétrico da
região onde está localizado o empreendimento. Devem ser projetados os elementos
necessários para alocação da plataforma de terraplenagem, incluindo definição de
seções transversais em cortes e aterros, bem como a determinação, distribuição e
localização dos volumes de materiais a serem movimentados.
Visando uma redução no custo da obra, a movimentação dos materiais entre corte e
aterro deverá ser feita de maneira racional onde os volumes de corte e aterro se
distribuem de forma compensatória.
Um projeto de terraplenagem deve ser elaborado com base nas Normas e
especificações Gerais para Execução de serviços de Terraplanagem normas da ABNT
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
19
– Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 5.681 (Controle tecnológico de
Execução de Aterro), NBR 6.484 (Solo-Sondagens), NBR 6.497 (Levantamento
Geotécnico), NBR 8.044 (Projeto Geotécnico), NBR 9.061 (segurança de Escavação
a Céu Aberto), NBR 11.682 (Estabilidade de Taludes) e de acordo com a legislação
vigente e assim como as concepções adotadas pelo cliente e órgãos responsáveis
pela aprovação.
A Proneng Engenharia desenvolve seu projeto de terraplenagem com o auxílio dos
softwares AutoCAD Civil 3D e Navisworks. Estas ferramentas permitem que o
planejamento das superfícies seja estabelecido graficamente e que os volumes sejam
obtidos pela comparação entre as superfícies de terreno e de projeto. Desta forma,
constará na planta de terraplenagem a representação dos bordos da plataforma e das
projeções dos “ off-sets” , convencionadas para cortes e aterros, assim como dos
elementos coletados nos estudos topográficos fornecidos pelo cliente. Constarão os
níveis de implantação das unidades e todos os elementos necessários a
materialização do projeto em campo.
Será apresentada a relação dos pontos de projeto constantes na planta de
terraplenagem com suas respectivas coordenadas, cotas e perfis de terraplenagem,
facilitando assim a identificação de pontos conflitantes do projeto.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
20
5- CORTE E ATERRO COMPENSADO
Você foi contratado para executar uma obra.
Após levantamento topográfico, verificou-se que o terreno apresenta moderado
desnível.
Por uma imposição do projeto arquitetônico, você não poderá aproveitar
esse desnível e terá que executar a obra sobre terreno plano.
Será necessário estimar uma cota final para o terreno (cota de projeto) de modo
a compensar e reduzir os volumes de corte e aterro, bem como os custos com
os serviços de movimentação de terra.
Uma maneira simples de determinar a cota de projeto baseia-se no método
da Quadriculação do Terreno.
Confira o procedimento a seguir:
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
21
1. Divida o terreno em quadrículas. Quanto maior o número de quadrículas, maior a
precisão do resultado.
2. Através das curvas de nível, determine a cota do terreno nos vértices de todas
as quadrículas.
3. Calcule a cota média em cada quadrícula: Zméd=∑zi/n
Onde,
zi é a cota em cada vértice
n é o número de vértices por quadrícula
4. Calcular a cota final do terreno: Z=∑Zméd/m
Onde,
Zméd é a cota média de cada quadrícula
m é o número de quadrículas
Entenda melhor o método com o exemplo a seguir:
A seguinte tabela contém os dados do terreno e o cálculo da cota de projeto.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
22
As tabelas abaixo permitem a comparação dos volumes de corte e aterro para
três cotas de projeto diferentes.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
23
Observa-se que utilizando a cota de projeto de 12,82 m, houve bom aproveitamento
dos volumes de corte e aterro com redução nos custos associados ao transporte
de material.
É importante ressaltar que para utilizar o material de corte como aterro é necessário
que ele possua determinadas características que o tornem próprio ao uso. Por
exemplo, se uma argila mole que não aceita compactação for o material de corte, não
faz sentido tentar reaproveitá-la como material de aterro. Por essa e outras razões é
importante fazer o estudo de reconhecimento do solo no local da obra.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
24
6- EXECUÇÕES DE ATERROS
O controle tecnológico da execução de aterros em obras de edificações
A NBR 5681 (NB501) de 10/2015 – Controle tecnológico da execução de aterros
em obras de edificações estabelece os requisitos mínimos para o procedimento de
controle tecnológico da execução de aterros em obras de construção de edificações
residenciais, comerciais ou industriais de propriedade pública ou privada.
Seja qual for o volume de aterro, qual seja o solo do local e das possibilidades de
áreas de onde se remove o solo, há um procedimento executivo de engenharia civil
geotécnica adequado, que proporcionará economia e segurança. Sem a devida
aplicação dos conhecimentos geotécnicos na execução destes aterros, muitos
problemas poderão ocorrer, em pequenas e grandes obras de engenharia.
Podem ocorrer recalques e afundamentos de piso, ruas, vias e fundações;
vazamentos de redes hidráulicas e sanitárias; deslizamentos de taludes, contenções
e muros de arrimo; vazamentos de lagoas de tratamento de resíduos e líquidos;
erosões internas em diques e barragens; e não enchimento de lagoas, diques e
barragem por perda de água.
Os solos para execução dos aterros são provenientes de escavações e através dos
ensaios de laboratório se determinam as propriedades de resistência,
compressibilidade e ou permeabilidade, se e quando necessárias para as diferentes
obras. Com estes parâmetros tornam-se possíveis os cálculos de engenharia
geotécnica, que então proporcionarão o dimensionamento dos taludes, aterros e
camadas impermeáveis, entre outras, que trarão a devida segurança às obras.
Mas existe outro aspecto fundamental no sucesso do empreendimento, que é o
controle tecnológico, o qual tem que ser feito durante a execução de aterros. Assim,
deverão ser realizadas visitas periódicas para certificar que a geometria de execução
está de acordo com o projeto.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
25
Deve-se também determinar a altura de escavação até o solo de fundação; demarcar
as faixas de compactação na largura do rolo compactador; calcular a espessura da
camada compactada (no máximo 20 cm); dimensionar a sobrelargura dos taludes;
solicitar a execução de gabarito para verificar a inclinação do talude; especificar as
cotas, largura e inclinação das bermas e platôs; durante as escavações, coletar
amostras indeformadas para execução de ensaios triaxiais; e garantir que o encontro
do aterro com o maciço de solo natural seja feito em degraus.
Dessa forma, na a terraplenagem é um movimento de terra necessário para amoldar
os terrenos para a construção de uma obra, constituindo-se em um conjunto de
operações de escavação, transporte, disposição e compactação de terras,gerando os
cortes e aterros do empreendimento. É usual que o responsável pela terraplenagem,
pautado pela produtividade, execute simultaneamente movimentos de terra em toda
a área do empreendimento, com cortes e aterros para construção do sistema viário e
quadras.
Essa prática deixa os terrenos sem proteção superficial até o início efetivo das obras,
o que usualmente acarreta intenso e extenso processo erosivo. Tal prática precisa ser
modificada, pois seus resultados são ambientalmente bastante impactantes, inclusive
elevando o custo do empreendimento.
A franca exposição de solos é provavelmente um dos mais abrangentes causadores
de danos ambientais no período de obras. Seus efeitos transcendem a área da
construção do empreendimento, atingindo o entorno e contribuindo, não raro, para
problemas gerais que se verificam na cidade como um todo. Solos expostos durante
chuvas são transportados, assoreando drenagens naturais ou construídas,
favorecendo-se a ocorrência de inundações.
É também importante aplicar algum tratamento superficial aos aterros que dispensem
obras de contenção, tão logo eles atinjam sua configuração final. O tratamento
normalmente é feito com o plantio de gramíneas ou, ainda, conforme a configuração
geométrica e a qualidade dos solos, com tela argamassada.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
26
Eles devem ainda receber, assim que possível, canaletas de drenagem de crista e de
pé. Os sistemas de drenagem executados tendem a receber solo particulado em
quantidades expressivas, tendo em vista a permanência de áreas com solo
desprotegido. É necessário assegurar que, ao término das obras, proceda-se uma
cuidadosa inspeção do sistema, recuperando eventuais trechos assoreados ou
obstruídos, pois somente assim ele funcionará, evitando alagamentos e inundações.
A mesma recomendação se estende à fase de ocupação do empreendimento.
Um problema ambiental também associado à permanência de solos expostos diz
respeito à geração de poeira para o entorno, devido à movimentação de veículos no
interior da obra, o que leva à necessidade, nos casos aplicáveis, de adoção de rotina
de aspersão de água nos trechos mais utilizados para circulação. Outro aspecto
bastante relevante para a adoção de projetos e procedimentos mais detalhados para
os movimentos de terra diz respeito à própria segurança dos operários e também de
moradores do entorno das áreas que estão sendo trabalhadas.
Não são raros os acidentes envolvendo soterramento de operários ou de
escorregamentos atingindo imóveis vizinhos às áreas em obras. As escavações junto
a construções vizinhas também podem ocasionar danos a construções existentes. Os
riscos devem ser previstos e equacionados com antecedência, com
Executando aterros sem patologia
Há muito aterro sendo feito de forma inadequada por aí, sob as mais variadas
justificativas. Porém, sem tecnologia correta, cria-se um mito que não condiz com a
verdade. Seja qual for o volume de aterro, qual seja o solo do local e das
possibilidades de áreas de empréstimo (de onde se remove o solo), há um
procedimento executivo de engenharia civil geotécnica adequado, que proporcionará
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
27
economia e segurança.
Sem a devida aplicação dos conhecimentos geotécnicos na execução destes
aterros, muitos problemas poderão ocorrer, em pequenas e grandes obras de
engenharia, como exemplificamos a seguir:
• Recalques e afundamentos de piso, ruas, vias e fundações;
• Vazamentos de redes hidráulicas e sanitárias;
• Deslizamentos de taludes, contenções e muros de arrimo;
• Vazamentos de lagoas de tratamento de resíduos e líquidos;
• Erosões internas em diques e barragens;
• Não enchimento de lagoas, diques e barragem por perda de água.
O termo “área de empréstimo”, utilizado acima, não deveria ser chamado assim, pois
não se “empresta” mas sim se “remove” definitivamente daquele local os solos que
serão utilizados para aterro. Mas o importante é a questão da distância do local de
empréstimo até obra de aterro, pois este, muitas vezes em zonas urbanizadas, é
fator determinante nos custos da obra.
Tem-se um problema multidisciplinar na questão da área de empréstimo, pois
existem os aspectos: econômico (distância de transporte e valor da propriedade
onde se executará as escavações); licença ambiental (quando couber); e o
geotécnico, questão técnica fundamental, que é da adequação dos solos a serem
explorados para o aterro desejado.
Tratar-se-á, neste trabalho, apenas do problema de engenharia geotécnica.
Ressaltam-se a seguir, os aspectos referentes às propriedades de engenharia do
aterro a ser executado e o solo proveniente da área de empréstimo. Isto é, ao
projetar um aterro temos que conhecer as propriedades de engenharia dos solos a
serem utilizados e que virão do empréstimo. Têm-se as propriedades de resistência,
compressibilidade, e permeabilidades, que serão determinadas através de ensaios
de laboratório realizados em amostras de solos extraídas das áreas de empréstimo.
As áreas de empréstimo
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
28
Geralmente têm-se várias possibilidades de áreas de empréstimo e, cada uma
destas, têm diversas camadas de solo com diferentes características e em
profundidades distintas. Isto requer um estudo de alternativas, procurando identificar
entre elas a melhor alternativa técnica e econômica de empréstimo.
O leitor deve estar se perguntando. Isto é muito complicado e caro? Respondo: não
é.
O que apresento aqui é a boa técnica, necessária, para não ocorrerem problemas
futuros na obra de aterro. Este procedimento deve ser revestido de bom senso,
evidentemente, pois, sempre se tem que observar o custo e o benefício envolvido
naquela obra.
O mito, ou a prática, atualmente reinante é que é absurda, pois traz à sociedade um
comportamento patológico, que é o de passar a acreditar que o errado é que é o
certo. Ou seja, a “ignorância” pela falta do emprego dos conhecimentos da boa
prática de engenharia, acarreta em haver oportunidade para negócios não éticos,
onerando a sociedade como um todo.
Portanto, de volta à questão técnica, é preciso projetar a execução do aterro com
conhecimento prévio dos solos existentes, mais próximos ao local da obra e nas
áreas de menor custo de escavação. Quero dizer que o aterro deveria ser projetado
para os solos de menor custo, existentes próximo à obra. Contrariando, a prática
que se vem observando, é que se desenvolve um projeto e depois disto é que se
parte para procurar um empréstimo.
Ora, sabe-também se que alguns profissionais “experientes”, até por força do mito
criado, praticam o contrário. Mas, é justamente este um dos objetivos do presente
artigo, mostrar uma realidade aplicável por ser boa para a sociedade, contrariando
uma prática sócio-patológica que onera e trás riscos a todos.
Os solos para execução dos aterros são provenientes de escavações e através dos
ensaios de laboratório, se determinam as propriedades de resistência,
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
29
compressibilidade e ou permeabilidade, se e quando necessárias para as diferentes
obras. Com estes parâmetros tornam-se possíveis os cálculos de engenharia
geotécnica, que então proporcionarão o dimensionamento dos taludes, aterros e
camadas “impermeáveis”, entre outras, que trarão a devida segurança às obras já
citadas.
Mas existe outro aspecto fundamental no sucesso do empreendimento, que é o
controle tecnológico, o qual tem que ser feito durante a execução de aterros.
Antes de passarmos a questão executiva do aterro, vamos destacar este fator
crucial, que não vem sendo aplicado nas obras de terraplenagem, que é o de
controlar as tais propriedades de engenharia, que na fase de projeto nortearam o
cálculo e o dimensionamento das estruturas (obras) de terra.
Ora, é fácil entendermos que, os parâmetros geotécnicos são indispensáveis aos
cálculos de engenharia que redundaram no projeto do aterro. Mas agora, como
sabermos se estas importantes propriedades, estarão sendo observadas no aterro
executado?
Muitos colegas, diriam que através do controle tecnológico, determina-se o grau de
compactação e o desvio de umidade dos solos de aterro. E, isto está correto.
Entretanto, não está ai a resposta completa ou adequada. Pois, este procedimento
largamente empregado atualmente, é necessário, porém ele não é o suficiente, pois
não determina as propriedades de resistência; compressibilidade; e ou
permeabilidade, e conseqüentemente não é feita à verificação se estas propriedades
encontradas, correspondem às adotas no projeto.
Ao longo de mais de 20 anos de experiência, têm-se observado várias patologias
nestas obras de aterro e torna-se indispensável um alerta como se faz agora, não só
apresentando as patologias, como a origem dos problemas e propondo os
fundamentos para os procedimentos a serem adotados.
Exemplo prático de sistema de controle
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
30
A seguir, apresenta-se uma seqüência de atividades construtivas que englobam o
controle tecnológico de aterros.
Deverão ser realizadas visitas periódicas com os seguintes objetivos:
• Certificar que a geometria de execução está de acordo com o projeto:
• Determinar a altura de escavação até o solo de fundação;
• Demarcar faixas de compactação na largura do rolo compactador;
• Calcular a espessura da camada compactada (no máximo 20 cm);
• Dimensionar a sobre-largura dos taludes;
• Solicitar a execução de gabarito para verificar a inclinação do talude;
• Especificar as cotas, largura e inclinação das bermas e platôs;
• Durante as escavações, coletar amostras indeformadas para execução de ensaios
triaxiais;
• Garantir que o encontro do aterro com o maciço de solo natural seja feito em
degraus;
• Garantir que a compactação no encontro fique de acordo com o projeto.
• Caso o aterro tenha altura maior que o comprimento da lança da retro escavadeira,
o corte da sobre-largura deverá ser realizado conforme esquema a seguir:
• A drenagem provisória deverá ser executada antes da fase de compactação e
outras fases das obras e deverá ser ajustada, quando necessário, durante a obra.
• Lançamento e espalhamento das camadas soltas de aterro;
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
31
• Definir previamente as faixas de compactação por meio de cruzetas e estacas;
• Colocar piquetes a cada 10 metros, para verificar a espessura da camada
compactada;
• As faixas de compactação das camadas devem ser sobrepostas, conforme
esquema a seguir:
• Controlar visualmente a homogeneidade, verificando se há mudança de solo
proveniente da área de empréstimo.
• Coletar amostras para ensaios de caracterização e próctor normal para cada
mudança solo (adotando no mínimo 3 amostras);
• Fazer um “croqui” com a locação e numeração da coleta de amostras.
• Quando houver mudança de solo da área de empréstimo ou mudança de jazida,
devem-se ter definidas as especificações técnicas deste solo antes do lançamento.
• O lançamento e espalhamento deverão ser executados em uma única faixa. Assim,
mesmo após um período de chuvas, tem-se frente de trabalho no restante da praça
que se encontra compactada e selada.
• Verificar a homogeneidade do solo de fundação, quanto à resistência;
• Exigir uniformidade das camadas, através do número de passadas do rolo
compactador;
• A espessura da camada não deve ter mais que 20cm compactada, salvo se existir
na obra equipamento que permita espessuras maiores;
• Executar coleta de corpos de prova por cravação de cilindros tipo triaxial ou hilf, e
copinhos, para determinação de densidade e umidade em laboratório a cada 300
m3, no mínimo dois por camada e, quando houver mudança do tipo de solo,
proveniente de área de empréstimo;
• O engenheiro deverá comparar os resultados dos ensaios de laboratório com o
grau de compactação (GC) e o desvio de umidade (h) especificados em projeto, e
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
32
informar imediatamente ao encarregado de campo;
• Solicitar escarificação para recompactação, secagem ou umedecimento da
camada, caso não se apresente nas condições especificadas no projeto.
• Solicitar que a última camada seja selada sempre que os serviços forem
paralisados ou quando houver iminência de chuvas.
• Fazer um “croqui” com a locação e numeração dos ensaios realizados;
• Solicitar execução de proteção superficial em taludes.
Exemplo de aplicação
Seguem exemplos de testes reais mostrando os resultados do Controle Tecnológico
que se recomenda neste trabalho.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
33
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
34
Com o objetivo de comparar o solo compactado no campo com o resultado de
laboratório, apresenta-se, por exemplo, a seguinte tabela:
Amostra
n.º
Camad
a
Ensaios de Campo
Hilf-Próctor
Normal
Condições de
Compactação
Umidad
e (%)
Massa
Específic
a Natural
(γ)
Massa
Específic
a Seca
(γ)
Umidad
e Ótima
(%)
Massa
Específic
a Seca
(γ)
Grau de
Compactaçã
o (%)
Desvio
de
Umidad
e (Δh)
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
35
0504/00
1
17ª 22,52 19,32 15,77 17,0 17,55 90,01 5,3
0405/00
2
17ª 22,68 19,44 15,85 16,8 17,45 91,11 5,8
0405/00
3
17ª 21,20 19,42 16,01 16,8 17,45 91,70 4,4
Para exemplificar o trabalho de Controle Tecnológico, apresentam-se a seguir as
considerações finais de um relatório de um caso real, com base na tabela acima.
A partir da visita técnica de inspeção e da coleta de amostras, pudemos sintetizar os
principais pontos dignos de consideração.
• Foi constatada a utilização de rolo pé de carneiro do tipo CA-25.
• Não foram observados, em nossa visita, critérios de controle de compactação tais
como: espessuras das camadas, n.º de passadas do rolo, grau de compactação e
desvio de umidade.
• O grau de compactação encontrado variava de 90 a 92% estando abaixo do
especificado em projeto que é de 100% do próctor normal.
• O desvio de umidade, não especificado em projeto, variava entre 4,4 a 5,8%, ou seja,
acima da umidade ótima. Segundo nossa experiência, estes valores devem ser
considerados elevados, acarretando na redução da resistência ao cisalhamento dos
solos, aato este confirmado nos ensaios.
• A coesão e o ângulo de atrito encontrados variavam, respectivamente, entre 1 a 10
kN/m2 e de 22 a 25 graus. Estes valores deveriam ser comparados com os utilizados
no dimensionamento do solo reforçado, e poderiam ser maiores quando consideramos
o mencionado no item anterior.
• Foram observados diversos sulcos de erosões, que talvez pudessem ser evitados
com uma drenagem provisória.
Acredita-se que o uso de ensaios triaxiais na fase de projeto e a confirmação durante
as obras (controle tecnológico) poderão reduzir os coeficientes de segurança
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
36
adotados, em face de redução das incertezas, e conseqüentemente menores custos
às obras de solo reforçado.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
37
7- IMPRIMAÇÃO
IMPRIMAÇÃO é a operação que consiste na impregnação com asfalto da parte
superior de uma camada de solo granular já compactada, por meio da penetração de
um asfalto liquidificado aplicado em sua superfície, objetivando conferir: a) uma certa
coesão na parte superior da camada de solo granular, possibilitando sua aderência
com um revestimento asfáltico, quando funcionar como base; b) um certo grau de
impermeabilidade que, aliado com a coesão propiciada, possibilita a circulação dos
veículos da obra, ou mesmo do tráfego existente, sob a ação das intempéries, sem
danos significativos na camada imprimada, num intervalo de tempo compatível com
as características locais (caso da base e da sub-base); c) garantir a necessária
aderência da base granular com um revestimento asfáltico, desde que a imprimação
ainda mantenha um nítido poder ligante;
Para aplicação desta Especificação de Serviço são indispensáveis os seguintes
documentos: a) Detartamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. NORMA
DNIT 144/2014– ES. Pavimentação – Imprimação com Ligante Asfáltico.
Especificação de serviço. 7 páginas. b) Agência Goiana de Transportes e Obras.
Agetop: Especificações Gerais para Obras Rodoviárias – Imprimação com Ligante
Asfáltico. Especificação Técnica. 643 páginas. c) Associação Brasileira de Normas
Técnicas. ABNT NBR 14756/2001. Materiais betuminosos - Determinação da
viscosidade cinemática. 11 páginas. d) Associação Brasileira de Normas Técnicas.
ABNT NBR 5765/2012. Asfaltos diluídos — Determinação do ponto de fulgor — Vaso
aberto Tag. 06 páginas. e) Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR
14491/2007. Emulsões asfálticas - Determinação da viscosidade Saybolt Furol. 08
páginas.
f) Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 14856/2002. Asfaltos
diluídos - Ensaio de destilação. 07 páginas.
g) Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 14376/2007. Emulsões
asfáticas - Determinação do resíduo asfáltico por evaporação - Método expedito. 02
páginas. h) Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 14393/2012.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
38
Emulsões asfáticas - Determinação da peneiração. 03 páginas. i) Detartamento
Nacional de Infraestrutura de Transportes. NORMA DNIT 156/2011 – ME.
Pavimentação asfáltica – Lama asfáltica. Método de Ensaio. 07 páginas. j) Associação
Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 6570/2016. Ligantes asfálticos -
Determinação da sedimentação e estabilidade à estocagem de emulsões asfálticas.
04 páginas. k) Detartamento Nacional de Estradas de Rodagem. NORMA DNER-PRO
277/1997. Metodologia para controle estatítico de obras e serviços. Procedimento. 07
páginas.
3.1 O Ligante Asfáltico indicado, de um modo geral, para a Imprimação é o Asfalto
Diluído tipo CM-30, admitindo-se o tipo emulsão asfaltica de imprimação (EAI). 3.2 A
Taxa do Asfalto Diluído, em kg/m² (metro quadrado), deverá estar compreendida no
intervalo 0,9 a 1,5 l/m², com tolerância de litros + 0,2 l/m², devendo ser determinada
experimentalmente no canteiro da obra, levando-se em conta que a taxa ideal é a
máxima que pode ser absorvida em 48 h (quarenta e oito horas) sem deixar excesso
na superfície. 3.3 Fica proibida a utilização de CM 30 em bases com cimento, ficando
estabelecido nesses casos, a aplicação da EAI. 3.4 Em nenhuma hipótese será
permitida a diluição da emulsão asfáltica do tipo EAI.
4.1 Qualquer equipamento pode ser rejeitado pela fiscalização a qualquer momento,
caso não esteja em condições de operação. 4.2 Para a varredura da superfície da
base usam-se vassouras mecânicas rotativas, podendo, entretanto, a operação ser
executada manualmente. O jato de ar comprimido também pode ser usado.
4.3 A distribuição do ligante deve ser feita por carros equipados com bomba
reguladora de pressão e sistema completo de aquecimento, que permitam a aplicação
do asfalto diluído em quantidade uniforme. No caso do AD-CM-30 é proibido o sistema
de aquecimento. 4.4 As barras de distribuição devem ser do tipo de circulação plena,
com dispositivo que possibilite ajustamentos verticais e larguras variáveis de
espalhamento do ligante. 4.5 Os carros distribuidores devem dispor de tacômetro,
calibradores e termômetros, em locais de fácil observação e, ainda, de um espargidor
manual, para tratamento de pequenas superfícies e correções localizadas. 4.6 O
depósito de ligante asfáltico, quando necessário, deve ser equipado com dispositivo
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
39
que permita o aquecimento adequado e uniforme do conteúdo do recipiente. O
depósito deve ter uma capacidade tal que possa armazenar a quantidade de material
asfáltico a ser aplicado em, pelo menos, um dia de trabalho. 4.7 Não será permitida a
utilização do mesmo caminhão espargidor para dois materiais asfálticos distintos
durante a execução da obra.
5.1 Após a perfeita conformação geométrica da camada granular, procede-se a
varredura da superfície, de modo a eliminar o pó e o material solto existentes. 5.2
Aplica-se, a seguir, o ligante asfáltico adequado, na temperatura compatível com o
seu tipo, na quantidade certa e de maneira uniforme. O ligante asfáltico não deve ser
distribuído quando a temperatura ambiente estiver abaixo de 10ºC, ou em dias de
chuva, ou, quando esta estiver iminente. A temperatura de aplicação do ligante
asfáltico deve ser função do tipo de ligante, baseado na relação temperatura
viscosidade. Deve ser escolhida a temperatura que proporcione a melhor viscosidade
para espalhamento. As faixas de viscosidade recomendadas para espalhamento são
de 20 a 60 segundos saybolt-furol para asfaltos diluídos, e de 20 a 100 segundos
saybolt-furol para EAI. O equipamento espargidor deve possuir certificado de aferição
atualizado e aprovado pela AGETOP. A aferição deve ser renovada a cada 12 meses
ou início de obra, como regra geral, ou a qualquer momento, caso a fiscalização julgue
necessário. Durante o decorrer da obra deve-se manter controle constante de todos
os dispositivos do equipamento espargidor. 5.3 Deve-se imprimar a pista inteira em
um mesmo turno de trabalho e deixá-la, sempre que possível, fechada ao trânsito.
Quando isto não for possível, trabalhar-se-á em meia pista, fazendo-se a imprimação
da adjacente, assim que à primeira for permitida a sua abertura ao trânsito.
5.3.1 A capa sobre a imprimação só deverá ser executada após decorridos, no mínimo
24 horas da aplicação do impermeabilizante e quando este estiver convenientemente
curado. 5.3.2 Pode-se permitir o tráfego de veículos sobre a imprimação para os
seguintes casos: locais onde não há a possibilidade de desvios, cruzamento com
outras estradas e serviços de restauração, desde que tomadas as seguintes medidas
devidamente previstas em projeto: seja aumentada a taxa de aplicação do ligante e
coberta com camada selante de pedrisco, areia ou outro material capaz de evitar a
remoção da imprimação e danificação da base. Medidas de redução da velocidade do
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
40
tráfego deverão ser tomadas, como prevenção às freadas e manobras bruscas. 5.3.3
A camada selante descrita no parágrafo anterior deve ser executada de preferência
sobre imprimação devidamente curada. Nos casos onde isto não for possível, deverá
a imprimação ser efetuada no período da manhã e liberada ao trânsito no final da
tarde, a fim de se promover a máxima penetração e cura dentro das possibilidades
impostas. O tempo de exposição ao tráfego será condicionado pelo seu
comportamento, de modo a não danificar o pavimento, não devendo ultrapassar 5
dias. 5.4 A fim de evitar a superposição, ou excesso, nos pontos inicial e final das
aplicações, devem-se colocar faixas de papel transversalmente, na pista, de modo
que o início e o término da aplicação do material asfáltico situem-se sobre essas
faixas, as quais serão, a seguir, retiradas. Qualquer falha na aplicação do ligante
asfáltico deve ser imediatamente corrigida. Na ocasião da aplicação do ligante
asfáltico a camada granular deve, de preferência, se encontrar levemente úmida.
6.1 Controle do insumo Os materiais utilizados na execução da imprimação devem
ser rotineiramente examinados em laboratório, obedecendo à metodologia indicada
pelo DNIT e satisfazer às especificações em vigor, mediante a execução dos
seguintes procedimentos: 6.1.1 Asfalto diluído a) Para todo carregamento que chegar
à obra: • 1 (um) ensaio de viscosidade cinemática a 60 °C (NBR 14.756:2001); • 1
(um) ensaio do ponto de fulgor e combustão (vaso aberto TAG) (NBR 5.765:2012). b)
Para cada 100 t: • 1 (um) ensaio de viscosidade Saybolt Furol (NBR 14.491:2007), no
mínimo em 3 (três) temperaturas, para o estabelecimento da relação viscosidade x
temperatura; • 1 (um) ensaio de destilação para os asfaltos diluí- dos (NBR
14.856:2002), para verificação da quantidade de resíduo.
6.1.2 Emulsão asfáltica do tipo EAI: a) Para todo carregamento que chegar à obra: •
1 (um) ensaio de viscosidade Saybolt Furol (NBR 14.491:2007) a 25ºC; • 1 (um) ensaio
de resíduo por evaporação (NBR 14.376:2007); • 1 (um) ensaio de peneiração (NBR
14.393:2012); • 1 (uma) determinação da carga da partícula (DNIT 156/2011-ME). b)
Para cada 100 t: • 1 (um) ensaio de sedimentação para emulsões (NBR 6.570:2010);
• 1 (um) ensaio de viscosidade Saybolt Furol (NBR 14.491:2007), no mínimo em 3
(três) temperaturas, para o estabelecimento da relação viscosidade x temperatura.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
41
6.2 Controle da execução 6.2.1 Temperatura A temperatura do ligante asfáltico deve
ser medida no caminhão distribuidor imediatamente antes de qualquer aplicação, a
fim de verificar se satisfaz ao intervalo de temperatura definido pela relação
viscosidade x temperatura. 6.2.2 Taxa de Aplicação (T) a) O controle da quantidade
do ligante asfáltico aplicado deve ser efetuado aleatoriamente, mediante a colocação
de bandejas, de massa (P1) e área (A) conhecidas, na pista onde está sendo feita a
aplicação. O ligante asfáltico é coletado na bandeja na passagem do carro distribuidor.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
42
8- COMO ESCOLHER O TIPO DE PAVIMENTAÇÃO DE VIAS PÚBLICAS?
Flexível, semirrígido ou rígido: a decisão deve ser orientada pela avaliação do custo-
benefício ao longo da vida útil
Existem três tipos de pavimentação para obras públicas. De acordo com Isidoro
Villibor, diretor da Engeplan, o pavimento flexível é feito com bases granulares e
revestimento asfáltico. Já o semirrígido tem base cimentada e revestimento flexível –
asfalto. E o rígido são as placas de concreto. “Os pavimentos devem ser projetados
especificamente para cada situação. Não existe uma regra que defina qual o tipo ideal
de pavimento a ser utilizado em rodovias ou vias urbanas. Deve-se considerar,
principalmente, as características geotécnicas e geométricas, com ênfase no sistema
de drenagem superficial, especialmente quando se trata de vias urbanas”.
PAVIMENTO FLEXÍVEL X RÍGIDO
Os pavimentos devem ser projetados especificamente para cada situação. Não existe
uma regra que defina qual o tipo ideal de pavimento a ser utilizado em rodovias ou
vias urbanas. Deve-se considerar, principalmente, as características geotécnicas e
geométricas, com ênfase no sistema de drenagem superficial, especialmente quando
se trata de vias urbanas
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
43
O pavimento flexível, na maioria dos casos, é a melhor opção. “Desde que
devidamente dimensionado, ele suporta melhor os esforços cisalhantes, além de
aceitar a execução de reparos localizados. E também pode ser redimensionado
através de reforço estrutural – recapeamentos –, de acordo com a necessidade do
tráfego e das solicitações”, afirma Villibor.
Para o diretor, o custo de implantação e manutenção do pavimento flexível é inferior
ao dos rígidos, uma vez que estes não aceitam reparos localizados. “É necessária a
reconstrução de toda a placa de concreto, destacando maior dificuldade de execução
devido ao processo de cura. O concreto é mais indicado para corredores de ônibus
onde existem muitos pontos de parada – abrigos e cruzamentos – com maior
concentração de carga estática e pontos de frenagem, cujos esforços cisalhantes são
mais severos em relação às rodovias – carga dinâmica. Outro aspecto que deve ser
considerado é que em vias urbanas há maior degradação do asfalto por ação de óleo
combustível e lubrificantes derramados pela operação dos ônibus”, ressalta.
Quanto ao estado crônico de deterioração das rodovias, segundo Villibor, deve-se
levar em conta os aspectos de manutenção e conservação que, geralmente, não são
efetuadas em épocas oportunas e planejadas. “É evidente a inexistência de um
sistema de gerência de pavimentos (SGP), fator primordial na degradação de um
pavimento – especialmente nos flexíveis, que são levados a ruína por falta de
manutenção adequada”.
O pavimento de concreto, desde que não tenha problemas de greide – nível do
pavimento –, principalmente em vias urbanas, pode ser executado sobre o pavimento
flexível existente – whitetopping. “Esta técnica consiste na aplicação de uma placa de
concreto, devidamente dimensionada, sobre o pavimento flexível, considerando o
número residual da estrutura existente. Cabe ressaltar que antes da aplicação
de whitetopping é necessárioavaliar a existência de interferências de serviços públicos
– redes de água, esgoto, telefonia, galerias de águas pluviais etc. – pois o pavimento
rígido não aceita reparos localizados, havendo a necessidade de reconstrução de toda
a placa. Neste caso recomenda-se a recolocação dessas interferências, evitando
futuros problemas de manutenção dos serviços públicos”, diz o diretor.
Segundo ele, o pavimento rígido no Brasil somente é executado in loco, apresentando
ainda inúmeros problemas executivos, especialmente em relação ao conforto do
usuário e sua durabilidade. “Provavelmente devido às técnicas construtivas que
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
44
envolvem equipamentos, mão de obra e escala de produção. Quanto à execução de
peças pré-moldadas, ainda não dispomos de tecnologia para a execução em larga
escala, nem tampouco de obras de vulto que possam ser monitoradas”.
O custo de implantação do pavimento rígido geralmente é superior entre duas a três
vezes o do flexível, entretanto, se bem construído, sua manutenção é inferior ao
pavimento flexível ao longo do tempo. “Deve-se avaliar o custo-benefício durante a
vida útil no momento de decidir a adoção do tipo de pavimento a ser implantado”,
comenta.
SEMIRRÍGIDOS
Em síntese, todos os pavimentos desde que devidamente dimensionados e bem
executados apresentam ótimo desempenho. A adoção de um tipo de pavimento deve
ser analisada sobre os aspectos técnicos, financeiros e de sustentabilidade. Ou seja,
há a necessidade de estudos e projetos bem elaborados
Os corredores de ônibus mais modernos, como o Jandira/Osasco, projetado pelo
arquiteto e urbanista Pedro Taddei, já preveem concreto nas paradas e semirrígido
nos intervalos. “É uma tendência a implantação desse tipo de pavimento. Está
bastante presente nos projetos atuais devido ao custo ser inferior ao da implantação
do pavimento rígido, por exemplo. Além da implantação e manutenção serem mais
rápidas e fáceis de se executar”, explica Villibor. E completa: “Já nas paradas de
ônibus, as cargas estáticas, o maior esforço e a ação de combustíveis e óleos fazem
das placas de concreto o pavimento mais indicado”.
IMPACTO AMBIENTAL X DESEMPENHO
De acordo com o diretor, o impacto ambiental está relacionado à sustentabilidade da
obra como um todo. “É preciso considerar todo o consumo de energia desde a
produção dos materiais, processos executivos e manutenção ao longo da vida útil do
empreendimento. O pavimento rígido, desde que bem construído, apresenta menor
manutenção, apesar de maior custo inicial, porém não aceita reparos, havendo
necessidade de reconstrução total. Também não aceita reciclagem de materiais ao
final de sua vida útil”.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
45
Já o pavimento flexível requer manutenção – reabilitação – do revestimento em
períodos que variam de 5 a 10 anos, tempo relacionado à oxidação do ligante –
asfalto. Porém, a camada de revestimento – concreto asfáltico –, ao contrário do
concreto Portland, aceita reciclagem parcial ou total. “Em síntese, todos os
pavimentos desde que devidamente dimensionados e bem executados, apresentam
ótimo desempenho. A adoção de um tipo de pavimento deve ser analisada sobre os
aspectos técnicos, financeiros e de sustentabilidade.
TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO
46
REFERÊNCIAS
https://blog.superbid.net/o-que-e-terraplenagem-e-quais-equipamentos-sao-
usados/>acesso em 15/07/2020
http://www.goinfra.go.gov.br/arquivos/arquivos/Normas/TERRAPLENAGEM/4_TERR
APLENAGEM_EMPR%C3%89STIMOS%20-%20Copy%201.pdf>acesso em
15/07/2020
https://www.roadexpertsla.com/pt-br/noticias/detalhes/o-papel-do-controle-
tecnologico-nas-obras-de-pavimentacao>acesso em 15/07/2020
http://www.proneng.com.br/servico.aspx?id=3>acesso em 15/07/2020
https://blogdaengenhariacivil.wordpress.com/2014/12/08/corte-e-aterro-
compensado/>acesso em 15/07/2020
http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=9&Cod=142>acesso em
15/07/2020
https://www.banasqualidade.com.br/noticias/2015/12/o-controle-tecnologico-da-
execucao-de-aterros-em-obras-de-edificacoes.php>acesso em 15/07/2020
http://www.goinfra.go.gov.br/arquivos/arquivos/Normas/PAVIMENTA%c3%87%c3%8
3O/PAVIMENTA%c3%87%c3%83O_IMPRIMA%c3%87%c3%83O_PAV_0.pdf>aces
so em 15/07/2020
https://www.aecweb.com.br/revista/materias/como-escolher-o-tipo-de-pavimentacao-
de-vias-publicas/8968>acesso em 15/07/2020

Mais conteúdo relacionado

Semelhante a Terraplanagem e Pavimentação parte 3 um cursso pratico

Aula 04 preparo do solo
Aula 04   preparo do soloAula 04   preparo do solo
Aula 04 preparo do solo
Willian Passos
 
Mecânica de solos Compactacao MS I_2009 (2).pdf
Mecânica de solos Compactacao MS I_2009 (2).pdfMecânica de solos Compactacao MS I_2009 (2).pdf
Mecânica de solos Compactacao MS I_2009 (2).pdf
OsvaldoPenicela
 
2 projeto trabalhos-preliminares-rev
2  projeto trabalhos-preliminares-rev2  projeto trabalhos-preliminares-rev
2 projeto trabalhos-preliminares-rev
EYM_62
 
Tb13
Tb13Tb13
Tb13
EPIO
 
1 Introdução e Serviços Preliminares.pdf
1 Introdução e Serviços Preliminares.pdf1 Introdução e Serviços Preliminares.pdf
1 Introdução e Serviços Preliminares.pdf
MariaJosdeJesusMarch
 
serviços preliminares-Senai.pdf
serviços preliminares-Senai.pdfserviços preliminares-Senai.pdf
serviços preliminares-Senai.pdf
GEPESSGrupodeEstudo
 
Catálogo MP Terraplenagem, Eng. e Construções
Catálogo MP Terraplenagem, Eng. e ConstruçõesCatálogo MP Terraplenagem, Eng. e Construções
Catálogo MP Terraplenagem, Eng. e Construções
LusMP
 
Procedimento de execução de serviço - Pavimentação de concreto
Procedimento de execução de serviço - Pavimentação de concretoProcedimento de execução de serviço - Pavimentação de concreto
Procedimento de execução de serviço - Pavimentação de concreto
Rodrigo Andrade Brígido
 
Slides de aula sobre sistemas de preparo do solo
Slides de aula sobre sistemas de preparo do soloSlides de aula sobre sistemas de preparo do solo
Slides de aula sobre sistemas de preparo do solo
SaulodeOliveiraLima
 
Apostila agricultura geral
Apostila agricultura geralApostila agricultura geral
Apostila agricultura geral
Luiz Oliveira
 
COMPACTAÇÃO MARIA EUGENIA GIMENEZ BOSCOV.pdf
COMPACTAÇÃO MARIA EUGENIA GIMENEZ BOSCOV.pdfCOMPACTAÇÃO MARIA EUGENIA GIMENEZ BOSCOV.pdf
COMPACTAÇÃO MARIA EUGENIA GIMENEZ BOSCOV.pdf
Priscila Duarte
 
Apresentação mecânica do solo
Apresentação  mecânica do solo Apresentação  mecânica do solo
Apresentação mecânica do solo
gelcine Angela
 
Radier
RadierRadier
Radier
Thiago Ivo
 
Af jardins de-chuva-print-digital
Af jardins de-chuva-print-digitalAf jardins de-chuva-print-digital
Aula de Abertura de Pista
Aula de Abertura de PistaAula de Abertura de Pista
Aula de Abertura de Pista
Marco Taveira
 
Desenvolvimento de Mina
Desenvolvimento de MinaDesenvolvimento de Mina
Desenvolvimento de Mina
Walkiria Alves
 
Apostila implementos-preparo-de-sol
Apostila implementos-preparo-de-solApostila implementos-preparo-de-sol
Apostila implementos-preparo-de-sol
Cleiton Domingos
 
25 Cierre semana 6 POR.pptx
25 Cierre semana 6 POR.pptx25 Cierre semana 6 POR.pptx
25 Cierre semana 6 POR.pptx
JosIgnacioAchiaga
 
25 Cierre semana 6 POR.pptx
25 Cierre semana 6 POR.pptx25 Cierre semana 6 POR.pptx
25 Cierre semana 6 POR.pptx
JosIgnacioAchiaga
 
Aterro
AterroAterro

Semelhante a Terraplanagem e Pavimentação parte 3 um cursso pratico (20)

Aula 04 preparo do solo
Aula 04   preparo do soloAula 04   preparo do solo
Aula 04 preparo do solo
 
Mecânica de solos Compactacao MS I_2009 (2).pdf
Mecânica de solos Compactacao MS I_2009 (2).pdfMecânica de solos Compactacao MS I_2009 (2).pdf
Mecânica de solos Compactacao MS I_2009 (2).pdf
 
2 projeto trabalhos-preliminares-rev
2  projeto trabalhos-preliminares-rev2  projeto trabalhos-preliminares-rev
2 projeto trabalhos-preliminares-rev
 
Tb13
Tb13Tb13
Tb13
 
1 Introdução e Serviços Preliminares.pdf
1 Introdução e Serviços Preliminares.pdf1 Introdução e Serviços Preliminares.pdf
1 Introdução e Serviços Preliminares.pdf
 
serviços preliminares-Senai.pdf
serviços preliminares-Senai.pdfserviços preliminares-Senai.pdf
serviços preliminares-Senai.pdf
 
Catálogo MP Terraplenagem, Eng. e Construções
Catálogo MP Terraplenagem, Eng. e ConstruçõesCatálogo MP Terraplenagem, Eng. e Construções
Catálogo MP Terraplenagem, Eng. e Construções
 
Procedimento de execução de serviço - Pavimentação de concreto
Procedimento de execução de serviço - Pavimentação de concretoProcedimento de execução de serviço - Pavimentação de concreto
Procedimento de execução de serviço - Pavimentação de concreto
 
Slides de aula sobre sistemas de preparo do solo
Slides de aula sobre sistemas de preparo do soloSlides de aula sobre sistemas de preparo do solo
Slides de aula sobre sistemas de preparo do solo
 
Apostila agricultura geral
Apostila agricultura geralApostila agricultura geral
Apostila agricultura geral
 
COMPACTAÇÃO MARIA EUGENIA GIMENEZ BOSCOV.pdf
COMPACTAÇÃO MARIA EUGENIA GIMENEZ BOSCOV.pdfCOMPACTAÇÃO MARIA EUGENIA GIMENEZ BOSCOV.pdf
COMPACTAÇÃO MARIA EUGENIA GIMENEZ BOSCOV.pdf
 
Apresentação mecânica do solo
Apresentação  mecânica do solo Apresentação  mecânica do solo
Apresentação mecânica do solo
 
Radier
RadierRadier
Radier
 
Af jardins de-chuva-print-digital
Af jardins de-chuva-print-digitalAf jardins de-chuva-print-digital
Af jardins de-chuva-print-digital
 
Aula de Abertura de Pista
Aula de Abertura de PistaAula de Abertura de Pista
Aula de Abertura de Pista
 
Desenvolvimento de Mina
Desenvolvimento de MinaDesenvolvimento de Mina
Desenvolvimento de Mina
 
Apostila implementos-preparo-de-sol
Apostila implementos-preparo-de-solApostila implementos-preparo-de-sol
Apostila implementos-preparo-de-sol
 
25 Cierre semana 6 POR.pptx
25 Cierre semana 6 POR.pptx25 Cierre semana 6 POR.pptx
25 Cierre semana 6 POR.pptx
 
25 Cierre semana 6 POR.pptx
25 Cierre semana 6 POR.pptx25 Cierre semana 6 POR.pptx
25 Cierre semana 6 POR.pptx
 
Aterro
AterroAterro
Aterro
 

Último

Apostila M1002-2 BR - Parker - Eletropneumática.pdf
Apostila M1002-2 BR - Parker - Eletropneumática.pdfApostila M1002-2 BR - Parker - Eletropneumática.pdf
Apostila M1002-2 BR - Parker - Eletropneumática.pdf
Elpidiotapejara
 
Terraplanagem e Pavimentação parte 2 um curso pratico
Terraplanagem e Pavimentação parte 2 um curso praticoTerraplanagem e Pavimentação parte 2 um curso pratico
Terraplanagem e Pavimentação parte 2 um curso pratico
Vias & Rodovias
 
Concreto_atualização_descobertas_100.pptx
Concreto_atualização_descobertas_100.pptxConcreto_atualização_descobertas_100.pptx
Concreto_atualização_descobertas_100.pptx
BuscaApto
 
POLICORTE.pptx treinamento de policorte.
POLICORTE.pptx treinamento de policorte.POLICORTE.pptx treinamento de policorte.
POLICORTE.pptx treinamento de policorte.
YgorRodrigues11
 
Purificador Grau D Ar Respirável para Espaços Confinados.pdf
Purificador Grau D Ar Respirável para Espaços Confinados.pdfPurificador Grau D Ar Respirável para Espaços Confinados.pdf
Purificador Grau D Ar Respirável para Espaços Confinados.pdf
Claudinei Machado
 
Terraplenagem e Pavimentação um Curso Pratico
Terraplenagem e Pavimentação um Curso PraticoTerraplenagem e Pavimentação um Curso Pratico
Terraplenagem e Pavimentação um Curso Pratico
Vias & Rodovias
 

Último (6)

Apostila M1002-2 BR - Parker - Eletropneumática.pdf
Apostila M1002-2 BR - Parker - Eletropneumática.pdfApostila M1002-2 BR - Parker - Eletropneumática.pdf
Apostila M1002-2 BR - Parker - Eletropneumática.pdf
 
Terraplanagem e Pavimentação parte 2 um curso pratico
Terraplanagem e Pavimentação parte 2 um curso praticoTerraplanagem e Pavimentação parte 2 um curso pratico
Terraplanagem e Pavimentação parte 2 um curso pratico
 
Concreto_atualização_descobertas_100.pptx
Concreto_atualização_descobertas_100.pptxConcreto_atualização_descobertas_100.pptx
Concreto_atualização_descobertas_100.pptx
 
POLICORTE.pptx treinamento de policorte.
POLICORTE.pptx treinamento de policorte.POLICORTE.pptx treinamento de policorte.
POLICORTE.pptx treinamento de policorte.
 
Purificador Grau D Ar Respirável para Espaços Confinados.pdf
Purificador Grau D Ar Respirável para Espaços Confinados.pdfPurificador Grau D Ar Respirável para Espaços Confinados.pdf
Purificador Grau D Ar Respirável para Espaços Confinados.pdf
 
Terraplenagem e Pavimentação um Curso Pratico
Terraplenagem e Pavimentação um Curso PraticoTerraplenagem e Pavimentação um Curso Pratico
Terraplenagem e Pavimentação um Curso Pratico
 

Terraplanagem e Pavimentação parte 3 um cursso pratico

  • 2. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 2 SUMÁRIO 1- ESCAVAÇÕES, CARGA E TRANSPORTE 3 2- ESCAVAÇÃO EM EMPRÉSTIMOS 12 3- CONTROLE TECNOLÓGICO 15 4- CONTROLE GEOMÉTRICO 18 5- CORTE E ATERRO COMPENSADO 20 6- EXECUÇÕES DE ATERROS 24 7- IMPRIMAÇÃO 37 8- COMO ESCOLHER O TIPO DE PAVIMENTAÇÃO DE VIAS PÚBLICAS? 42 REFERÊNCIAS
  • 3. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 3 1- ESCAVAÇÕES, CARGA E TRANSPORTE O que é terraplenagem e quais equipamentos são usados Você já se perguntou como é feito o processo de construção de uma casa, um prédio ou uma fábrica? Antes de erguê-los, é preciso muito mais do que colocar cimento e tijolos empilhados. Para que uma boa execução de construção seja feita, são necessários alguns processos que cuidam do solo que receberá o alicerce. Um desses processos é o que chamamos de terraplenagem. Tirar e colocar terra em locais do terreno de acordo com o projeto não é uma tarefa tão fácil. Afinal, é necessário saber como operar máquinas pesadas para desempenhar esse trabalho. Além do mais, o profissional também deve saber quais tratamentos aquele solo precisa receber, e quais máquinas são as mais indicadas para cada procedimento. O que é terraplenagem? A terraplenagem é o processo que consiste em mover ou processar grandes partes da superfície do solo. Normalmente, esse procedimento não envolve apenas terra, podendo também se tratar de rochas. A finalidade de terraplenagem é aplanar um determinado terreno para vários tipos de construções, como canais, estradas, barragens, preparação do terreno para edifícios ou fábricas. Operações básicas empregadas no processo de terraplenagem Escavação
  • 4. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 4 Durante a escavação, a máquina rebaixa a topografia natural do terreno para a cota pré-estabelecida no projeto de construção. Escavação com remoção de terra Nesse processo, além de escavar o terreno, a terra removida é carregada para locais chamados de Aterros ou Bota-foras. Escavação sem remoção de terra A terra é escavada no local em que a topografia está acima das cotas do projeto. Essa terra é depositada nos locais da área onde os níveis do terreno estão abaixo do ideal, de acordo com o projeto. Esse procedimento também recebe o nome de corte e compensação. Confira como esse processo funciona: Aterrar É o ato de derramar terra em determinado local para que as áreas abaixo da cota do projeto de construção sejam elevadas. Normalmente, usa-se a terra vermelha, uma vez que seu rendimento é melhor no trabalho de compactação do aterro. Aterro com importação de terra Quando não houver necessidade de fazer uma escavação, ou quando a terra do próprio terreno material não é o suficiente para atingir as cotas necessárias para aplainar o aterro, é necessário importar terra de outro terreno que não esteja a utilizada. Aterro sem importação de terra É o processo feito com a terra que já estava no terreno, mas que não está sendo utilizada, recebendo o nome de corte e compensação, como já mencionado acima. Compactação de solo
  • 5. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 5 Quando é necessário fazer aterros em determinados locais do terreno, um trabalho de compactação do solo será certamente necessário. Neste trabalho, os profissionais compactam o solo com o uso de equipamentos chamados de rolos compactadores ou compressores. Essa máquina é capaz de comprimir o solo com seu peso e vibração para torná-lo firme e resistente. É comum nessas situações que os engenheiros de solos ou calculistas determinem quão compacto deve estar o solo. Além disso, algumas análises laboratoriais também são feitas para definir se o solo está apto ou não para a construção. os rolos compactadores têm a função de deixar o aterro mais comprimido e pronto para a construção A compactação geralmente é feita em camadas: um aterro é feito de no máximo 20 cm de altura e a terra é umedecida por um caminhão-pipa caso esteja muito seca, ou secada pelo que chamamos de Grade, caso esteja úmida demais. Somente após esse “tratamento” o rolo compactador é utilizado, e em seguida, são feitas diversas camadas até atingir a cota.
  • 6. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 6 Troca de solo Quando a consistência do solo original não é boa, ou seja, não é firme o suficiente para conseguir suportar a construção, utilizamos a técnica chamada de troca de solo. Primeiramente, faz-se o estudo do solo por meio de uma amostra em laboratório. Os resultados mostrarão quantos metros abaixo da topografia original será necessário escavar, para então, aterrar e compactar o terreno e atingir as cotas do projeto. Drenagem de solo Quando os terrenos estão úmidos demais, a drenagem é feita criando canais em locais estratégicos para fazer o escoamento da água em excesso. Esses canais são feitos por valas de níveis mais baixos do que o restante do terreno. Veja como é feita uma dessas valas: Se essa umidade vier de uma nascente, é preciso respeitar um raio de aproximadamente 50m para então criar um canal que escoe a água para longe do lugar em que será feita a construção. Já nos casos em que a umidade é causada pelo acúmulo de águas pluviais, o terreno deve ser inclinado suavemente para que o escoamento seja feito com maior facilidade. A drenagem do solo é muito importante, principalmente, para construções em que a fundação será profunda. Prevenção de erosão Em solos de composição arenosa ou sedimentar, taludes e terrenos de topografia em declive ou aclive, as erosões causadas pela ação de fortes chuvas são bastante comuns. Por isso, a técnica mais usada para prevenir o surgimento de erosões em áreas grandes é a criação de curvas de nível. Essas curvas são cortes ao longo do
  • 7. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 7 aclive/declive capazes de captar a água. Assim, a mesma é escoada pela terra para que não crie velocidade e desagregue o solo criando as erosões. A quantidade de curvas criadas em determinada área irá depender exclusivamente da sua extensão e grau de inclinação. Caso ela atinja os 45º, que seria uma inclinação natural da terra não compactada em aterros, não se aconselha fazer curvas com mais de 5 ou 6 metros de espaçamento. QUANTO MENOR FOR A INCLINAÇÃO, MAIOR SERÁ O ESPAÇO NECESSÁRIO ENTRE AS CURVAS DE NÍVEL. Principais máquinas de terraplenagem Caminhão Basculante Essencial para apoiar serviços de escavação e demolição, esse tipo de caminhão é excelente para transportar cargas volumosas, como entulhos e terra. Além disso, garante a segurança dos profissionais e uma maior praticidade.
  • 8. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 8 Escavadeira Considerado um equipamento de escavação muito poderoso, a escavadeira permite que grandes profundidades sejam atingidas em minutos, tudo isso graças à sua hidráulica. É usada em vários tipos de serviços e projetos de terraplenagem. Mini carregadeira Usadas em obras menores e específicas, ela é perfeita para movimentar materiais diversos, nivelar o solo e fazer a desagregação de terra. Por ser um equipamento bastante compacto, é uma boa opção para ser usada em espaços reduzidos. Minicarregadeira JCB Mini escavadeira Assim como a mini carregadeira, essa máquina também é compacta e indicada para canteiros de obra reduzidos e terrenos acidentados. Sua função é retirar o entulho e tornar a obra mais rápida.
  • 9. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 9 mini escavadeiras jcb Motoniveladora Também conhecida como niveladora de estrada, ou então, simplesmente como “patrol”, essa máquina é indicada para fazer a preparação e nivelamento do solo, criando superfícies planas. Além disso, também pode criar superfícies inclinadas ou transversais. Rolo compactador Equipamento bastante usado na terraplenagem, é de fácil operação e também pode ser utilizado em compactação de solo, cascalho, concreto, asfalto e na manutenção de estradas e fundações. Sua principal função é compactar a superfície e o solo como um todo. Com isso, o rolo compactador consegue igualar locais de construção em estradas, pistas de aeroportos, edifícios etc. Retroescavadeira
  • 10. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 10 Usada para movimentar materiais diversos, nivelar o solo e fazer a terraplenagem, a retroescavadeira conta com braço e lança de longo alcance, possibilitando uma melhor performance nas escavações profundas. Sua indicação é para escavações de grande porte, abertura de valas, carregamento de caminhões em terrenos secos e firmes e nivelamentos. Trator de esteira Ideal para nivelar e preparar os solos, os tratores de esteira são usados em operações de terraplenagem, conservação e abertura de estradas, empilhamento, trabalhos de desbravamento, limpeza final, agricultura e mineração. Empilhadeira A principal função da empilhadeira é movimentar materiais carregando-os e descarregando-os em paletts. É um equipamento considerado indispensável para organizar ambientes e fundamental no canteiro de obras. Bulldozer Também conhecido como trator de esteiras, é um equipamento 02com uma lâmina de aço reta ou curva, situada na parte dianteira do trator e perpendicular ao eixo da máquina. Essa lâmina permite que um melhor descolamento de materiais e a limpeza das áreas. Ele também é essencial para grandes obras pois é utilizado em conjunto com os Scrapers.
  • 11. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 11 trator esteiras Komatsu D85EX Scraper É uma das máquinas de terraplenagem usada para extração de terra em camadas. Sua principal vantagem é sua versatilidade, que permite que operações de carga, transporte e descarga possam ser realizadas todas por uma única máquina com ajuda de um trator de esteiras normalmente. Pás carregadeiras Usada para nivelar terrenos e fazer a remoção de solo quando o mesmo se encontra em excesso em determinados locais do projeto. Além disso, ela também é usada para carregar outros materiais no canteiro de obras. O solo deve estar seco e firme para que a máquina consiga trafegar tranquilamente.
  • 12. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 12 2- ESCAVAÇÃO EM EMPRÉSTIMOS Os empréstimos destinam-se a prover ou complementar o volume necessário à constituição dos aterros por insuficiência do volume dos cortes, por motivos de ordem tecnológica de seleção de materiais ou razões de ordem econômica. Para aplicação desta Especificação de Serviço são indispensáveis os seguintes documentos: 2.1) Agência Goiana de Transportes e Obras. GOINFRA ES-T 003/2019. Terraplenagem – Cortes. Especificação de Serviços. 11 páginas. 2.2) Agência Goiana de Transportes e Obras. GOINFRA ES-T 005/2019. Terraplenagem – Aterros. Especificação de Serviços. 14 páginas. Os materiais serão preferencialmente de 1ª categoria atendendo à qualidade e à destinação prevista no projeto. Para casos específicos, poderão ser utilizados materiais de 2ª e 3ª categorias desde que indicadas no projeto. A escavação em empréstimos deverá prever a utilização racional de equipamentos apropriados à execução dos serviços. A operação inclui a utilização complementar de equipamento destinado à manutenção de caminhos de serviço e áreas de trabalho. 5.1) Atendidas as condições do projeto, os empréstimos terão seu aproveitamento dependente da ocorrência de materiais adequados e respectiva exploração em condições econômicas, mediante autorização da Fiscalização. 5.2) Sempre que possível, deverão ser executados empréstimos contíguos ao corpo estradal, resultando sua escavação em alargamento dos cortes. 5.3) Os empréstimos em alargamento de corte deverão, preferencialmente, atingir a cota do greide, não sendo permitida em qualquer fase da execução a condução de águas pluviais para a plataforma da rodovia. 5.4) Nos trechos em curva, sempre que possível, os empréstimos situar-se-ão no lado interno desta.
  • 13. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 13 5.5) Os empréstimos não decorrentes de alargamento de cortes, quando no interior da faixa de domínio, devem situar-se de modo a não interferir no aspecto paisagístico da região. 5.6) Quando destinados a trechos construídos em greide elevado, os bordos internos das caixas de empréstimos deverão localizar-se à distância mínima de 5,00 metros do pé do aterro. 5.7) Entre o bordo externo das caixas de empréstimos e o limite da faixa de domínio, deverá ser mantida sem exploração uma faixa de 2,50 metros de largura, a fim de permitir a implantação da vedação delimitadora. No caso de caixas de empréstimo definidas como alargamento de cortes, esta faixa deverá ter largura mínima de 3,00 metros, com a finalidade de permitir também a implantação da valeta de proteção. 5.8) Constatada a conveniência técnica e econômica da reserva de materiais escavados nos empréstimos para confecção das camadas superficiais da plataforma, será procedido o depósito dos referidos materiais para sua oportuna utilização. 5.9) A escavação será precedida da execução dos serviços de desmatamento e limpeza da área do empréstimo. 5.10) A inclinação máxima dos taludes da caixa de empréstimo deverá ser de 1:1. O controle tecnológico dos Empréstimos deverá atender integralmente às prescrições contidas na Norma GOINFRA ES-T 003/2019 – Terraplenagem – Cortes – Especificação de Serviços e GOINFRA ES-T 005/2019 – Terraplenagem – Aterros – Especificação de Serviços, no que se refere ao controle dos insumos a serem utilizados como materiais para composição de aterro. O controle geométrico dos Empréstimos deve atender aos itens constantes na presente norma, no que se refere à sua posição relativa ao corpo estradal e à inclinação do talude, no caso, máximo de 1:1. Nas operações referentes a este serviço devem ser adotadas as seguintes medidas de proteção ambiental: 7.1) a interligação das caixas de empréstimo que acumulam água tem sido prática comum na mitigação dos efeitos sobre a drenagem. Contudo, há que se ter atenção aos volumes d’água que acumulam e na velocidade que o escoamento pode atingir em trechos longos. A prática pode, ao fim, apenas trocar o problema original por erosões e ravinamentos de grande porte.
  • 14. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 14 7.2) As caixas devem ter suas bordas afastadas do off-set, evitando que se somem as alturas dos taludes. Entre o pé do aterro e o bordo dos empréstimos, deve ser mantida a vegetação natural. 7.3) Os empréstimos que não puderem ser obtidos por alargamento de cortes devem ser localizados de preferência em terrenos que possuam declividade suave, com o fundo também em declive, facilitando o escoamento. Não devem ser obtidos materiais de empréstimo em talvegues, prejudicando o escoamento natural. De preferência, as caixas de empréstimo concentrado devem ter seus bordos afastados do talude da rodovia e de outras benfeitorias vizinhas. Em áreas de solos muito suscetíveis à erosão os empréstimos devem ser feitos longe da rodovia, conservando-se o terreno e a vegetação natural numa faixa de, pelo menos, 50 (cinquenta) metros de largura, separando a estrada e a caixa. 7.4) Procurar evitar a obtenção de empréstimos próximos a zonas urbanizadas, que terminam sendo usadas como depósitos de lixo, retendo a drenagem e causando a proliferação de insetos, roedores e répteis, além de contribuir com mau cheiro e afetar o aspecto visual de toda a área. Tornam-se, como consequência, a causa da degradação de uso de toda área, o foco de doenças infecciosas e, ainda, causam transtornos e custos adicionais aos serviços de conservação rodoviária. 7.5) Desmatamento, destocamento e limpeza será o feito dentro dos limites da área que será escavada e o material retirado deverá ser estocado de forma que, após a exploração do empréstimo, o solo orgânico possa ser espalhado na área escavada visando reintegrá-la à paisagem. 7.6) Não é permitida a queima da vegetação removida. 7.7) Deve ser evitada a localização de empréstimo em áreas de boa aptidão agrícola. 7.8) Evitar a localização de empréstimos em áreas de reservas florestais ou ecológicas, ou mesmo nas proximidades, quando houver perigo de danos a estas áreas. 7.9) As áreas de empréstimos, após a escavação, deverão ser reconformadas com abrandamento de taludes, de modo a suavizar seus contornos e reincorporá-la ao relevo natural. Esta operação deve ser realizada antes do espalhamento do solo orgânico, conforme descrito no item e. 7.10) Disciplinar o trânsito de equipamentos e veículos de serviço para evitar a formação de trilhas desnecessárias e que acarretam a destruição da vegetação.
  • 15. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 15 3- CONTROLE TECNOLÓGICO O papel do controle tecnológico nas obras de pavimentação Uma obra de pavimentação envolve muitas etapas e atividades, entre elas: seleção de materiais, projeto das misturas, dimensionamento da estrutura do pavimento, seleção de equipamentos e a execução da obra em si. A qualidade de uma obra de pavimentação está associada a executá-la dentro das especificações do projeto, de forma que equipes e equipamentos devem estar preparados para operar sem improvisações. A seguir, são apresentados de forma sucinta, alguns pontos relevantes relacionados ao controle tecnológico nas obras de pavimentação, especialmente na execução dos revestimentos asfálticos. Algumas considerações sobre a qualidade das misturas asfálticas dizem respeito a forma e proporção dos agregados, que afetam diretamente o travamento entre os mesmos, bem como o teor de projeto de asfalto. Agregados lamelares, além de quebrarem com muito mais facilidade se comparados aos agregados cúbicos, tendem a apresentar teor de ligante asfáltico superior pela forma como eles ficam empacotados dentro da distribuição granulométrica. A produção das misturas asfálticas em usina é um outro ponto de grande relevância para a qualidade da obra. A calibração da usina, seja ela gravimétrica ou contínua, é fundamental para evitar problemas de conformidade em relação ao projeto. Os principais problemas que podem ser encontrados em usinas de asfalto são: segregação, erro na temperatura de saída da massa asfáltica ou de teor de ligante, entre outros. Diariamente, devem ser feitas as granulometrias dos agregados que irão alimentar os silos frios a fim de ajustar os percentuais de cada agregado no silo frio para atender a distribuição granulométrica de projeto. Sempre que possível, os agregados estocados na área de usina devem estar bem separados para não misturar, bem como protegidos contra excesso de umidade. Esse excesso de umidade causa o aumento no custo da massa, além do aumento na velocidade de resfriamento
  • 16. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 16 (reduzindo o tempo de compactação). A homogeneização dos agregados, antes de carregá-los para o silo frio, também irá reduzir problemas de segregação. O armazenamento e uso do ligante na usina, também, merecem atenção especial, uma vez que o material deve ser aquecido em temperaturas pré-determinadas, de acordo com sua consistência. As linhas de ligante asfáltico devem ser montadas com retorno para o tanque, evitando desperdício de material nas partidas da usina devido à falta de homogeneidade do ligante. Após a saída da usina, a massa asfáltica é transportada ao local de sua aplicação, onde é espalhada com acabadora. A mesa vibratória é a parte responsável pelo bom acabamento em pista e é também importante que não haja grandes variações na quantidade de material presente na rosca sem fim, uma vez que leva a variações na espessura da camada asfáltica. Esses defeitos de espalhamento levam ainda a variações de temperatura, que prejudicam a compactação e podem levar a problemas de segregação. Após o espalhamento, a mistura deve ser adequadamente compactada, devendo ser verificados: equipamentos com os requisitos necessários, execução de pista experimental, ajuste de produtividade/velocidade, adequação das juntas construtivas e treinamento de operadores. Além de todas essas questões, é importante observar as temperaturas do ambiente, do pavimento existente e da massa asfáltica, bem como a espessura da camada a ser compactada. Para evitar arraste e segregação na camada, a relação mínima ideal entre a espessura e o diâmetro máximo efetivo do agregado é de três vezes. A temperatura da massa é mais importante para uma compactação eficiente do que o número de passadas. Como o tempo de rolagem é sempre curto, deve-se aproveitá-lo com a máxima eficiência. Divide-se muitas vezes a compactação em três zonas, sendo a primeira nas temperaturas mais elevadas onde um ou dois rolos tandem vibratórios (imediatamente atrás da acabadora) fazem a rolagem inicial da massa e fornecem pressão e vibração. A zona intermediária é onde o rolo pneumático trabalha, seguido da terceira zona, já com temperaturas bem mais baixas, que é considerada a fase de acabamento e geralmente executada por um rolo tandem estático. É fundamental, no início dos serviços, fazer pistas experimentais com
  • 17. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 17 diferentes padrões de rolagem para verificar a que apresenta melhores resultados e produtividade da equipe. Todos os cuidados mencionados acima visam melhorar a qualidade dos pavimentos asfálticos. A negligência com uma ou mais etapas aumentará o risco de obras fora do padrão ou que não atendam às premissas de projeto e especificações. É sempre importante lembrar que o controle de qualidade será sempre menos oneroso que refazer o serviço.
  • 18. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 18 4- CONTROLE GEOMÉTRICO TERRAPLENAGEM, GEOMÉTRICO E PAVIMENTAÇÃO Um projeto de terraplenagem informa e demonstra os limites de um terreno, identificando as suas dimensões reais. Ele ainda indica a proposta da terraplenagem necessária contendo dimensões planimétricas e níveis de platô, taludes, rampas (inclusive cotas de níveis inicial e final). O projeto é acompanhado por um quadro- resumo, que contém informações sobre as áreas do terreno: total, encontrada, de preservação, útil (conforme escritura) e de terraplenagem. O serviço de terraplenagem tem como objetivo a conformação do relevo terrestre para implantação de obras. A terraplenagem, tendo como objetivo ajustar o terreno natural às especificações de um determinado projeto, constitui-se de um conjunto de operações destinadas ao corte, carregamento, transporte, descarregamento, acabamento de superfície, umedecimento e compactação de materiais em uma obra de construção civil. O projeto de terraplenagem abrangerá a computação e o balanço volumétrico que refletirá as características do projeto de terraplenagem, haja vista que não foram fornecidos elementos para avaliação geotécnica do terreno. Um projeto de terraplenagem tem como base o levantamento planialtimétrico da região onde está localizado o empreendimento. Devem ser projetados os elementos necessários para alocação da plataforma de terraplenagem, incluindo definição de seções transversais em cortes e aterros, bem como a determinação, distribuição e localização dos volumes de materiais a serem movimentados. Visando uma redução no custo da obra, a movimentação dos materiais entre corte e aterro deverá ser feita de maneira racional onde os volumes de corte e aterro se distribuem de forma compensatória. Um projeto de terraplenagem deve ser elaborado com base nas Normas e especificações Gerais para Execução de serviços de Terraplanagem normas da ABNT
  • 19. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 19 – Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 5.681 (Controle tecnológico de Execução de Aterro), NBR 6.484 (Solo-Sondagens), NBR 6.497 (Levantamento Geotécnico), NBR 8.044 (Projeto Geotécnico), NBR 9.061 (segurança de Escavação a Céu Aberto), NBR 11.682 (Estabilidade de Taludes) e de acordo com a legislação vigente e assim como as concepções adotadas pelo cliente e órgãos responsáveis pela aprovação. A Proneng Engenharia desenvolve seu projeto de terraplenagem com o auxílio dos softwares AutoCAD Civil 3D e Navisworks. Estas ferramentas permitem que o planejamento das superfícies seja estabelecido graficamente e que os volumes sejam obtidos pela comparação entre as superfícies de terreno e de projeto. Desta forma, constará na planta de terraplenagem a representação dos bordos da plataforma e das projeções dos “ off-sets” , convencionadas para cortes e aterros, assim como dos elementos coletados nos estudos topográficos fornecidos pelo cliente. Constarão os níveis de implantação das unidades e todos os elementos necessários a materialização do projeto em campo. Será apresentada a relação dos pontos de projeto constantes na planta de terraplenagem com suas respectivas coordenadas, cotas e perfis de terraplenagem, facilitando assim a identificação de pontos conflitantes do projeto.
  • 20. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 20 5- CORTE E ATERRO COMPENSADO Você foi contratado para executar uma obra. Após levantamento topográfico, verificou-se que o terreno apresenta moderado desnível. Por uma imposição do projeto arquitetônico, você não poderá aproveitar esse desnível e terá que executar a obra sobre terreno plano. Será necessário estimar uma cota final para o terreno (cota de projeto) de modo a compensar e reduzir os volumes de corte e aterro, bem como os custos com os serviços de movimentação de terra. Uma maneira simples de determinar a cota de projeto baseia-se no método da Quadriculação do Terreno. Confira o procedimento a seguir:
  • 21. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 21 1. Divida o terreno em quadrículas. Quanto maior o número de quadrículas, maior a precisão do resultado. 2. Através das curvas de nível, determine a cota do terreno nos vértices de todas as quadrículas. 3. Calcule a cota média em cada quadrícula: Zméd=∑zi/n Onde, zi é a cota em cada vértice n é o número de vértices por quadrícula 4. Calcular a cota final do terreno: Z=∑Zméd/m Onde, Zméd é a cota média de cada quadrícula m é o número de quadrículas Entenda melhor o método com o exemplo a seguir: A seguinte tabela contém os dados do terreno e o cálculo da cota de projeto.
  • 22. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 22 As tabelas abaixo permitem a comparação dos volumes de corte e aterro para três cotas de projeto diferentes.
  • 23. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 23 Observa-se que utilizando a cota de projeto de 12,82 m, houve bom aproveitamento dos volumes de corte e aterro com redução nos custos associados ao transporte de material. É importante ressaltar que para utilizar o material de corte como aterro é necessário que ele possua determinadas características que o tornem próprio ao uso. Por exemplo, se uma argila mole que não aceita compactação for o material de corte, não faz sentido tentar reaproveitá-la como material de aterro. Por essa e outras razões é importante fazer o estudo de reconhecimento do solo no local da obra.
  • 24. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 24 6- EXECUÇÕES DE ATERROS O controle tecnológico da execução de aterros em obras de edificações A NBR 5681 (NB501) de 10/2015 – Controle tecnológico da execução de aterros em obras de edificações estabelece os requisitos mínimos para o procedimento de controle tecnológico da execução de aterros em obras de construção de edificações residenciais, comerciais ou industriais de propriedade pública ou privada. Seja qual for o volume de aterro, qual seja o solo do local e das possibilidades de áreas de onde se remove o solo, há um procedimento executivo de engenharia civil geotécnica adequado, que proporcionará economia e segurança. Sem a devida aplicação dos conhecimentos geotécnicos na execução destes aterros, muitos problemas poderão ocorrer, em pequenas e grandes obras de engenharia. Podem ocorrer recalques e afundamentos de piso, ruas, vias e fundações; vazamentos de redes hidráulicas e sanitárias; deslizamentos de taludes, contenções e muros de arrimo; vazamentos de lagoas de tratamento de resíduos e líquidos; erosões internas em diques e barragens; e não enchimento de lagoas, diques e barragem por perda de água. Os solos para execução dos aterros são provenientes de escavações e através dos ensaios de laboratório se determinam as propriedades de resistência, compressibilidade e ou permeabilidade, se e quando necessárias para as diferentes obras. Com estes parâmetros tornam-se possíveis os cálculos de engenharia geotécnica, que então proporcionarão o dimensionamento dos taludes, aterros e camadas impermeáveis, entre outras, que trarão a devida segurança às obras. Mas existe outro aspecto fundamental no sucesso do empreendimento, que é o controle tecnológico, o qual tem que ser feito durante a execução de aterros. Assim, deverão ser realizadas visitas periódicas para certificar que a geometria de execução está de acordo com o projeto.
  • 25. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 25 Deve-se também determinar a altura de escavação até o solo de fundação; demarcar as faixas de compactação na largura do rolo compactador; calcular a espessura da camada compactada (no máximo 20 cm); dimensionar a sobrelargura dos taludes; solicitar a execução de gabarito para verificar a inclinação do talude; especificar as cotas, largura e inclinação das bermas e platôs; durante as escavações, coletar amostras indeformadas para execução de ensaios triaxiais; e garantir que o encontro do aterro com o maciço de solo natural seja feito em degraus. Dessa forma, na a terraplenagem é um movimento de terra necessário para amoldar os terrenos para a construção de uma obra, constituindo-se em um conjunto de operações de escavação, transporte, disposição e compactação de terras,gerando os cortes e aterros do empreendimento. É usual que o responsável pela terraplenagem, pautado pela produtividade, execute simultaneamente movimentos de terra em toda a área do empreendimento, com cortes e aterros para construção do sistema viário e quadras. Essa prática deixa os terrenos sem proteção superficial até o início efetivo das obras, o que usualmente acarreta intenso e extenso processo erosivo. Tal prática precisa ser modificada, pois seus resultados são ambientalmente bastante impactantes, inclusive elevando o custo do empreendimento. A franca exposição de solos é provavelmente um dos mais abrangentes causadores de danos ambientais no período de obras. Seus efeitos transcendem a área da construção do empreendimento, atingindo o entorno e contribuindo, não raro, para problemas gerais que se verificam na cidade como um todo. Solos expostos durante chuvas são transportados, assoreando drenagens naturais ou construídas, favorecendo-se a ocorrência de inundações. É também importante aplicar algum tratamento superficial aos aterros que dispensem obras de contenção, tão logo eles atinjam sua configuração final. O tratamento normalmente é feito com o plantio de gramíneas ou, ainda, conforme a configuração geométrica e a qualidade dos solos, com tela argamassada.
  • 26. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 26 Eles devem ainda receber, assim que possível, canaletas de drenagem de crista e de pé. Os sistemas de drenagem executados tendem a receber solo particulado em quantidades expressivas, tendo em vista a permanência de áreas com solo desprotegido. É necessário assegurar que, ao término das obras, proceda-se uma cuidadosa inspeção do sistema, recuperando eventuais trechos assoreados ou obstruídos, pois somente assim ele funcionará, evitando alagamentos e inundações. A mesma recomendação se estende à fase de ocupação do empreendimento. Um problema ambiental também associado à permanência de solos expostos diz respeito à geração de poeira para o entorno, devido à movimentação de veículos no interior da obra, o que leva à necessidade, nos casos aplicáveis, de adoção de rotina de aspersão de água nos trechos mais utilizados para circulação. Outro aspecto bastante relevante para a adoção de projetos e procedimentos mais detalhados para os movimentos de terra diz respeito à própria segurança dos operários e também de moradores do entorno das áreas que estão sendo trabalhadas. Não são raros os acidentes envolvendo soterramento de operários ou de escorregamentos atingindo imóveis vizinhos às áreas em obras. As escavações junto a construções vizinhas também podem ocasionar danos a construções existentes. Os riscos devem ser previstos e equacionados com antecedência, com Executando aterros sem patologia Há muito aterro sendo feito de forma inadequada por aí, sob as mais variadas justificativas. Porém, sem tecnologia correta, cria-se um mito que não condiz com a verdade. Seja qual for o volume de aterro, qual seja o solo do local e das possibilidades de áreas de empréstimo (de onde se remove o solo), há um procedimento executivo de engenharia civil geotécnica adequado, que proporcionará
  • 27. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 27 economia e segurança. Sem a devida aplicação dos conhecimentos geotécnicos na execução destes aterros, muitos problemas poderão ocorrer, em pequenas e grandes obras de engenharia, como exemplificamos a seguir: • Recalques e afundamentos de piso, ruas, vias e fundações; • Vazamentos de redes hidráulicas e sanitárias; • Deslizamentos de taludes, contenções e muros de arrimo; • Vazamentos de lagoas de tratamento de resíduos e líquidos; • Erosões internas em diques e barragens; • Não enchimento de lagoas, diques e barragem por perda de água. O termo “área de empréstimo”, utilizado acima, não deveria ser chamado assim, pois não se “empresta” mas sim se “remove” definitivamente daquele local os solos que serão utilizados para aterro. Mas o importante é a questão da distância do local de empréstimo até obra de aterro, pois este, muitas vezes em zonas urbanizadas, é fator determinante nos custos da obra. Tem-se um problema multidisciplinar na questão da área de empréstimo, pois existem os aspectos: econômico (distância de transporte e valor da propriedade onde se executará as escavações); licença ambiental (quando couber); e o geotécnico, questão técnica fundamental, que é da adequação dos solos a serem explorados para o aterro desejado. Tratar-se-á, neste trabalho, apenas do problema de engenharia geotécnica. Ressaltam-se a seguir, os aspectos referentes às propriedades de engenharia do aterro a ser executado e o solo proveniente da área de empréstimo. Isto é, ao projetar um aterro temos que conhecer as propriedades de engenharia dos solos a serem utilizados e que virão do empréstimo. Têm-se as propriedades de resistência, compressibilidade, e permeabilidades, que serão determinadas através de ensaios de laboratório realizados em amostras de solos extraídas das áreas de empréstimo. As áreas de empréstimo
  • 28. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 28 Geralmente têm-se várias possibilidades de áreas de empréstimo e, cada uma destas, têm diversas camadas de solo com diferentes características e em profundidades distintas. Isto requer um estudo de alternativas, procurando identificar entre elas a melhor alternativa técnica e econômica de empréstimo. O leitor deve estar se perguntando. Isto é muito complicado e caro? Respondo: não é. O que apresento aqui é a boa técnica, necessária, para não ocorrerem problemas futuros na obra de aterro. Este procedimento deve ser revestido de bom senso, evidentemente, pois, sempre se tem que observar o custo e o benefício envolvido naquela obra. O mito, ou a prática, atualmente reinante é que é absurda, pois traz à sociedade um comportamento patológico, que é o de passar a acreditar que o errado é que é o certo. Ou seja, a “ignorância” pela falta do emprego dos conhecimentos da boa prática de engenharia, acarreta em haver oportunidade para negócios não éticos, onerando a sociedade como um todo. Portanto, de volta à questão técnica, é preciso projetar a execução do aterro com conhecimento prévio dos solos existentes, mais próximos ao local da obra e nas áreas de menor custo de escavação. Quero dizer que o aterro deveria ser projetado para os solos de menor custo, existentes próximo à obra. Contrariando, a prática que se vem observando, é que se desenvolve um projeto e depois disto é que se parte para procurar um empréstimo. Ora, sabe-também se que alguns profissionais “experientes”, até por força do mito criado, praticam o contrário. Mas, é justamente este um dos objetivos do presente artigo, mostrar uma realidade aplicável por ser boa para a sociedade, contrariando uma prática sócio-patológica que onera e trás riscos a todos. Os solos para execução dos aterros são provenientes de escavações e através dos ensaios de laboratório, se determinam as propriedades de resistência,
  • 29. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 29 compressibilidade e ou permeabilidade, se e quando necessárias para as diferentes obras. Com estes parâmetros tornam-se possíveis os cálculos de engenharia geotécnica, que então proporcionarão o dimensionamento dos taludes, aterros e camadas “impermeáveis”, entre outras, que trarão a devida segurança às obras já citadas. Mas existe outro aspecto fundamental no sucesso do empreendimento, que é o controle tecnológico, o qual tem que ser feito durante a execução de aterros. Antes de passarmos a questão executiva do aterro, vamos destacar este fator crucial, que não vem sendo aplicado nas obras de terraplenagem, que é o de controlar as tais propriedades de engenharia, que na fase de projeto nortearam o cálculo e o dimensionamento das estruturas (obras) de terra. Ora, é fácil entendermos que, os parâmetros geotécnicos são indispensáveis aos cálculos de engenharia que redundaram no projeto do aterro. Mas agora, como sabermos se estas importantes propriedades, estarão sendo observadas no aterro executado? Muitos colegas, diriam que através do controle tecnológico, determina-se o grau de compactação e o desvio de umidade dos solos de aterro. E, isto está correto. Entretanto, não está ai a resposta completa ou adequada. Pois, este procedimento largamente empregado atualmente, é necessário, porém ele não é o suficiente, pois não determina as propriedades de resistência; compressibilidade; e ou permeabilidade, e conseqüentemente não é feita à verificação se estas propriedades encontradas, correspondem às adotas no projeto. Ao longo de mais de 20 anos de experiência, têm-se observado várias patologias nestas obras de aterro e torna-se indispensável um alerta como se faz agora, não só apresentando as patologias, como a origem dos problemas e propondo os fundamentos para os procedimentos a serem adotados. Exemplo prático de sistema de controle
  • 30. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 30 A seguir, apresenta-se uma seqüência de atividades construtivas que englobam o controle tecnológico de aterros. Deverão ser realizadas visitas periódicas com os seguintes objetivos: • Certificar que a geometria de execução está de acordo com o projeto: • Determinar a altura de escavação até o solo de fundação; • Demarcar faixas de compactação na largura do rolo compactador; • Calcular a espessura da camada compactada (no máximo 20 cm); • Dimensionar a sobre-largura dos taludes; • Solicitar a execução de gabarito para verificar a inclinação do talude; • Especificar as cotas, largura e inclinação das bermas e platôs; • Durante as escavações, coletar amostras indeformadas para execução de ensaios triaxiais; • Garantir que o encontro do aterro com o maciço de solo natural seja feito em degraus; • Garantir que a compactação no encontro fique de acordo com o projeto. • Caso o aterro tenha altura maior que o comprimento da lança da retro escavadeira, o corte da sobre-largura deverá ser realizado conforme esquema a seguir: • A drenagem provisória deverá ser executada antes da fase de compactação e outras fases das obras e deverá ser ajustada, quando necessário, durante a obra. • Lançamento e espalhamento das camadas soltas de aterro;
  • 31. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 31 • Definir previamente as faixas de compactação por meio de cruzetas e estacas; • Colocar piquetes a cada 10 metros, para verificar a espessura da camada compactada; • As faixas de compactação das camadas devem ser sobrepostas, conforme esquema a seguir: • Controlar visualmente a homogeneidade, verificando se há mudança de solo proveniente da área de empréstimo. • Coletar amostras para ensaios de caracterização e próctor normal para cada mudança solo (adotando no mínimo 3 amostras); • Fazer um “croqui” com a locação e numeração da coleta de amostras. • Quando houver mudança de solo da área de empréstimo ou mudança de jazida, devem-se ter definidas as especificações técnicas deste solo antes do lançamento. • O lançamento e espalhamento deverão ser executados em uma única faixa. Assim, mesmo após um período de chuvas, tem-se frente de trabalho no restante da praça que se encontra compactada e selada. • Verificar a homogeneidade do solo de fundação, quanto à resistência; • Exigir uniformidade das camadas, através do número de passadas do rolo compactador; • A espessura da camada não deve ter mais que 20cm compactada, salvo se existir na obra equipamento que permita espessuras maiores; • Executar coleta de corpos de prova por cravação de cilindros tipo triaxial ou hilf, e copinhos, para determinação de densidade e umidade em laboratório a cada 300 m3, no mínimo dois por camada e, quando houver mudança do tipo de solo, proveniente de área de empréstimo; • O engenheiro deverá comparar os resultados dos ensaios de laboratório com o grau de compactação (GC) e o desvio de umidade (h) especificados em projeto, e
  • 32. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 32 informar imediatamente ao encarregado de campo; • Solicitar escarificação para recompactação, secagem ou umedecimento da camada, caso não se apresente nas condições especificadas no projeto. • Solicitar que a última camada seja selada sempre que os serviços forem paralisados ou quando houver iminência de chuvas. • Fazer um “croqui” com a locação e numeração dos ensaios realizados; • Solicitar execução de proteção superficial em taludes. Exemplo de aplicação Seguem exemplos de testes reais mostrando os resultados do Controle Tecnológico que se recomenda neste trabalho.
  • 34. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 34 Com o objetivo de comparar o solo compactado no campo com o resultado de laboratório, apresenta-se, por exemplo, a seguinte tabela: Amostra n.º Camad a Ensaios de Campo Hilf-Próctor Normal Condições de Compactação Umidad e (%) Massa Específic a Natural (γ) Massa Específic a Seca (γ) Umidad e Ótima (%) Massa Específic a Seca (γ) Grau de Compactaçã o (%) Desvio de Umidad e (Δh)
  • 35. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 35 0504/00 1 17ª 22,52 19,32 15,77 17,0 17,55 90,01 5,3 0405/00 2 17ª 22,68 19,44 15,85 16,8 17,45 91,11 5,8 0405/00 3 17ª 21,20 19,42 16,01 16,8 17,45 91,70 4,4 Para exemplificar o trabalho de Controle Tecnológico, apresentam-se a seguir as considerações finais de um relatório de um caso real, com base na tabela acima. A partir da visita técnica de inspeção e da coleta de amostras, pudemos sintetizar os principais pontos dignos de consideração. • Foi constatada a utilização de rolo pé de carneiro do tipo CA-25. • Não foram observados, em nossa visita, critérios de controle de compactação tais como: espessuras das camadas, n.º de passadas do rolo, grau de compactação e desvio de umidade. • O grau de compactação encontrado variava de 90 a 92% estando abaixo do especificado em projeto que é de 100% do próctor normal. • O desvio de umidade, não especificado em projeto, variava entre 4,4 a 5,8%, ou seja, acima da umidade ótima. Segundo nossa experiência, estes valores devem ser considerados elevados, acarretando na redução da resistência ao cisalhamento dos solos, aato este confirmado nos ensaios. • A coesão e o ângulo de atrito encontrados variavam, respectivamente, entre 1 a 10 kN/m2 e de 22 a 25 graus. Estes valores deveriam ser comparados com os utilizados no dimensionamento do solo reforçado, e poderiam ser maiores quando consideramos o mencionado no item anterior. • Foram observados diversos sulcos de erosões, que talvez pudessem ser evitados com uma drenagem provisória. Acredita-se que o uso de ensaios triaxiais na fase de projeto e a confirmação durante as obras (controle tecnológico) poderão reduzir os coeficientes de segurança
  • 36. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 36 adotados, em face de redução das incertezas, e conseqüentemente menores custos às obras de solo reforçado.
  • 37. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 37 7- IMPRIMAÇÃO IMPRIMAÇÃO é a operação que consiste na impregnação com asfalto da parte superior de uma camada de solo granular já compactada, por meio da penetração de um asfalto liquidificado aplicado em sua superfície, objetivando conferir: a) uma certa coesão na parte superior da camada de solo granular, possibilitando sua aderência com um revestimento asfáltico, quando funcionar como base; b) um certo grau de impermeabilidade que, aliado com a coesão propiciada, possibilita a circulação dos veículos da obra, ou mesmo do tráfego existente, sob a ação das intempéries, sem danos significativos na camada imprimada, num intervalo de tempo compatível com as características locais (caso da base e da sub-base); c) garantir a necessária aderência da base granular com um revestimento asfáltico, desde que a imprimação ainda mantenha um nítido poder ligante; Para aplicação desta Especificação de Serviço são indispensáveis os seguintes documentos: a) Detartamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. NORMA DNIT 144/2014– ES. Pavimentação – Imprimação com Ligante Asfáltico. Especificação de serviço. 7 páginas. b) Agência Goiana de Transportes e Obras. Agetop: Especificações Gerais para Obras Rodoviárias – Imprimação com Ligante Asfáltico. Especificação Técnica. 643 páginas. c) Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 14756/2001. Materiais betuminosos - Determinação da viscosidade cinemática. 11 páginas. d) Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 5765/2012. Asfaltos diluídos — Determinação do ponto de fulgor — Vaso aberto Tag. 06 páginas. e) Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 14491/2007. Emulsões asfálticas - Determinação da viscosidade Saybolt Furol. 08 páginas. f) Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 14856/2002. Asfaltos diluídos - Ensaio de destilação. 07 páginas. g) Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 14376/2007. Emulsões asfáticas - Determinação do resíduo asfáltico por evaporação - Método expedito. 02 páginas. h) Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 14393/2012.
  • 38. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 38 Emulsões asfáticas - Determinação da peneiração. 03 páginas. i) Detartamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. NORMA DNIT 156/2011 – ME. Pavimentação asfáltica – Lama asfáltica. Método de Ensaio. 07 páginas. j) Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 6570/2016. Ligantes asfálticos - Determinação da sedimentação e estabilidade à estocagem de emulsões asfálticas. 04 páginas. k) Detartamento Nacional de Estradas de Rodagem. NORMA DNER-PRO 277/1997. Metodologia para controle estatítico de obras e serviços. Procedimento. 07 páginas. 3.1 O Ligante Asfáltico indicado, de um modo geral, para a Imprimação é o Asfalto Diluído tipo CM-30, admitindo-se o tipo emulsão asfaltica de imprimação (EAI). 3.2 A Taxa do Asfalto Diluído, em kg/m² (metro quadrado), deverá estar compreendida no intervalo 0,9 a 1,5 l/m², com tolerância de litros + 0,2 l/m², devendo ser determinada experimentalmente no canteiro da obra, levando-se em conta que a taxa ideal é a máxima que pode ser absorvida em 48 h (quarenta e oito horas) sem deixar excesso na superfície. 3.3 Fica proibida a utilização de CM 30 em bases com cimento, ficando estabelecido nesses casos, a aplicação da EAI. 3.4 Em nenhuma hipótese será permitida a diluição da emulsão asfáltica do tipo EAI. 4.1 Qualquer equipamento pode ser rejeitado pela fiscalização a qualquer momento, caso não esteja em condições de operação. 4.2 Para a varredura da superfície da base usam-se vassouras mecânicas rotativas, podendo, entretanto, a operação ser executada manualmente. O jato de ar comprimido também pode ser usado. 4.3 A distribuição do ligante deve ser feita por carros equipados com bomba reguladora de pressão e sistema completo de aquecimento, que permitam a aplicação do asfalto diluído em quantidade uniforme. No caso do AD-CM-30 é proibido o sistema de aquecimento. 4.4 As barras de distribuição devem ser do tipo de circulação plena, com dispositivo que possibilite ajustamentos verticais e larguras variáveis de espalhamento do ligante. 4.5 Os carros distribuidores devem dispor de tacômetro, calibradores e termômetros, em locais de fácil observação e, ainda, de um espargidor manual, para tratamento de pequenas superfícies e correções localizadas. 4.6 O depósito de ligante asfáltico, quando necessário, deve ser equipado com dispositivo
  • 39. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 39 que permita o aquecimento adequado e uniforme do conteúdo do recipiente. O depósito deve ter uma capacidade tal que possa armazenar a quantidade de material asfáltico a ser aplicado em, pelo menos, um dia de trabalho. 4.7 Não será permitida a utilização do mesmo caminhão espargidor para dois materiais asfálticos distintos durante a execução da obra. 5.1 Após a perfeita conformação geométrica da camada granular, procede-se a varredura da superfície, de modo a eliminar o pó e o material solto existentes. 5.2 Aplica-se, a seguir, o ligante asfáltico adequado, na temperatura compatível com o seu tipo, na quantidade certa e de maneira uniforme. O ligante asfáltico não deve ser distribuído quando a temperatura ambiente estiver abaixo de 10ºC, ou em dias de chuva, ou, quando esta estiver iminente. A temperatura de aplicação do ligante asfáltico deve ser função do tipo de ligante, baseado na relação temperatura viscosidade. Deve ser escolhida a temperatura que proporcione a melhor viscosidade para espalhamento. As faixas de viscosidade recomendadas para espalhamento são de 20 a 60 segundos saybolt-furol para asfaltos diluídos, e de 20 a 100 segundos saybolt-furol para EAI. O equipamento espargidor deve possuir certificado de aferição atualizado e aprovado pela AGETOP. A aferição deve ser renovada a cada 12 meses ou início de obra, como regra geral, ou a qualquer momento, caso a fiscalização julgue necessário. Durante o decorrer da obra deve-se manter controle constante de todos os dispositivos do equipamento espargidor. 5.3 Deve-se imprimar a pista inteira em um mesmo turno de trabalho e deixá-la, sempre que possível, fechada ao trânsito. Quando isto não for possível, trabalhar-se-á em meia pista, fazendo-se a imprimação da adjacente, assim que à primeira for permitida a sua abertura ao trânsito. 5.3.1 A capa sobre a imprimação só deverá ser executada após decorridos, no mínimo 24 horas da aplicação do impermeabilizante e quando este estiver convenientemente curado. 5.3.2 Pode-se permitir o tráfego de veículos sobre a imprimação para os seguintes casos: locais onde não há a possibilidade de desvios, cruzamento com outras estradas e serviços de restauração, desde que tomadas as seguintes medidas devidamente previstas em projeto: seja aumentada a taxa de aplicação do ligante e coberta com camada selante de pedrisco, areia ou outro material capaz de evitar a remoção da imprimação e danificação da base. Medidas de redução da velocidade do
  • 40. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 40 tráfego deverão ser tomadas, como prevenção às freadas e manobras bruscas. 5.3.3 A camada selante descrita no parágrafo anterior deve ser executada de preferência sobre imprimação devidamente curada. Nos casos onde isto não for possível, deverá a imprimação ser efetuada no período da manhã e liberada ao trânsito no final da tarde, a fim de se promover a máxima penetração e cura dentro das possibilidades impostas. O tempo de exposição ao tráfego será condicionado pelo seu comportamento, de modo a não danificar o pavimento, não devendo ultrapassar 5 dias. 5.4 A fim de evitar a superposição, ou excesso, nos pontos inicial e final das aplicações, devem-se colocar faixas de papel transversalmente, na pista, de modo que o início e o término da aplicação do material asfáltico situem-se sobre essas faixas, as quais serão, a seguir, retiradas. Qualquer falha na aplicação do ligante asfáltico deve ser imediatamente corrigida. Na ocasião da aplicação do ligante asfáltico a camada granular deve, de preferência, se encontrar levemente úmida. 6.1 Controle do insumo Os materiais utilizados na execução da imprimação devem ser rotineiramente examinados em laboratório, obedecendo à metodologia indicada pelo DNIT e satisfazer às especificações em vigor, mediante a execução dos seguintes procedimentos: 6.1.1 Asfalto diluído a) Para todo carregamento que chegar à obra: • 1 (um) ensaio de viscosidade cinemática a 60 °C (NBR 14.756:2001); • 1 (um) ensaio do ponto de fulgor e combustão (vaso aberto TAG) (NBR 5.765:2012). b) Para cada 100 t: • 1 (um) ensaio de viscosidade Saybolt Furol (NBR 14.491:2007), no mínimo em 3 (três) temperaturas, para o estabelecimento da relação viscosidade x temperatura; • 1 (um) ensaio de destilação para os asfaltos diluí- dos (NBR 14.856:2002), para verificação da quantidade de resíduo. 6.1.2 Emulsão asfáltica do tipo EAI: a) Para todo carregamento que chegar à obra: • 1 (um) ensaio de viscosidade Saybolt Furol (NBR 14.491:2007) a 25ºC; • 1 (um) ensaio de resíduo por evaporação (NBR 14.376:2007); • 1 (um) ensaio de peneiração (NBR 14.393:2012); • 1 (uma) determinação da carga da partícula (DNIT 156/2011-ME). b) Para cada 100 t: • 1 (um) ensaio de sedimentação para emulsões (NBR 6.570:2010); • 1 (um) ensaio de viscosidade Saybolt Furol (NBR 14.491:2007), no mínimo em 3 (três) temperaturas, para o estabelecimento da relação viscosidade x temperatura.
  • 41. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 41 6.2 Controle da execução 6.2.1 Temperatura A temperatura do ligante asfáltico deve ser medida no caminhão distribuidor imediatamente antes de qualquer aplicação, a fim de verificar se satisfaz ao intervalo de temperatura definido pela relação viscosidade x temperatura. 6.2.2 Taxa de Aplicação (T) a) O controle da quantidade do ligante asfáltico aplicado deve ser efetuado aleatoriamente, mediante a colocação de bandejas, de massa (P1) e área (A) conhecidas, na pista onde está sendo feita a aplicação. O ligante asfáltico é coletado na bandeja na passagem do carro distribuidor.
  • 42. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 42 8- COMO ESCOLHER O TIPO DE PAVIMENTAÇÃO DE VIAS PÚBLICAS? Flexível, semirrígido ou rígido: a decisão deve ser orientada pela avaliação do custo- benefício ao longo da vida útil Existem três tipos de pavimentação para obras públicas. De acordo com Isidoro Villibor, diretor da Engeplan, o pavimento flexível é feito com bases granulares e revestimento asfáltico. Já o semirrígido tem base cimentada e revestimento flexível – asfalto. E o rígido são as placas de concreto. “Os pavimentos devem ser projetados especificamente para cada situação. Não existe uma regra que defina qual o tipo ideal de pavimento a ser utilizado em rodovias ou vias urbanas. Deve-se considerar, principalmente, as características geotécnicas e geométricas, com ênfase no sistema de drenagem superficial, especialmente quando se trata de vias urbanas”. PAVIMENTO FLEXÍVEL X RÍGIDO Os pavimentos devem ser projetados especificamente para cada situação. Não existe uma regra que defina qual o tipo ideal de pavimento a ser utilizado em rodovias ou vias urbanas. Deve-se considerar, principalmente, as características geotécnicas e geométricas, com ênfase no sistema de drenagem superficial, especialmente quando se trata de vias urbanas
  • 43. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 43 O pavimento flexível, na maioria dos casos, é a melhor opção. “Desde que devidamente dimensionado, ele suporta melhor os esforços cisalhantes, além de aceitar a execução de reparos localizados. E também pode ser redimensionado através de reforço estrutural – recapeamentos –, de acordo com a necessidade do tráfego e das solicitações”, afirma Villibor. Para o diretor, o custo de implantação e manutenção do pavimento flexível é inferior ao dos rígidos, uma vez que estes não aceitam reparos localizados. “É necessária a reconstrução de toda a placa de concreto, destacando maior dificuldade de execução devido ao processo de cura. O concreto é mais indicado para corredores de ônibus onde existem muitos pontos de parada – abrigos e cruzamentos – com maior concentração de carga estática e pontos de frenagem, cujos esforços cisalhantes são mais severos em relação às rodovias – carga dinâmica. Outro aspecto que deve ser considerado é que em vias urbanas há maior degradação do asfalto por ação de óleo combustível e lubrificantes derramados pela operação dos ônibus”, ressalta. Quanto ao estado crônico de deterioração das rodovias, segundo Villibor, deve-se levar em conta os aspectos de manutenção e conservação que, geralmente, não são efetuadas em épocas oportunas e planejadas. “É evidente a inexistência de um sistema de gerência de pavimentos (SGP), fator primordial na degradação de um pavimento – especialmente nos flexíveis, que são levados a ruína por falta de manutenção adequada”. O pavimento de concreto, desde que não tenha problemas de greide – nível do pavimento –, principalmente em vias urbanas, pode ser executado sobre o pavimento flexível existente – whitetopping. “Esta técnica consiste na aplicação de uma placa de concreto, devidamente dimensionada, sobre o pavimento flexível, considerando o número residual da estrutura existente. Cabe ressaltar que antes da aplicação de whitetopping é necessárioavaliar a existência de interferências de serviços públicos – redes de água, esgoto, telefonia, galerias de águas pluviais etc. – pois o pavimento rígido não aceita reparos localizados, havendo a necessidade de reconstrução de toda a placa. Neste caso recomenda-se a recolocação dessas interferências, evitando futuros problemas de manutenção dos serviços públicos”, diz o diretor. Segundo ele, o pavimento rígido no Brasil somente é executado in loco, apresentando ainda inúmeros problemas executivos, especialmente em relação ao conforto do usuário e sua durabilidade. “Provavelmente devido às técnicas construtivas que
  • 44. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 44 envolvem equipamentos, mão de obra e escala de produção. Quanto à execução de peças pré-moldadas, ainda não dispomos de tecnologia para a execução em larga escala, nem tampouco de obras de vulto que possam ser monitoradas”. O custo de implantação do pavimento rígido geralmente é superior entre duas a três vezes o do flexível, entretanto, se bem construído, sua manutenção é inferior ao pavimento flexível ao longo do tempo. “Deve-se avaliar o custo-benefício durante a vida útil no momento de decidir a adoção do tipo de pavimento a ser implantado”, comenta. SEMIRRÍGIDOS Em síntese, todos os pavimentos desde que devidamente dimensionados e bem executados apresentam ótimo desempenho. A adoção de um tipo de pavimento deve ser analisada sobre os aspectos técnicos, financeiros e de sustentabilidade. Ou seja, há a necessidade de estudos e projetos bem elaborados Os corredores de ônibus mais modernos, como o Jandira/Osasco, projetado pelo arquiteto e urbanista Pedro Taddei, já preveem concreto nas paradas e semirrígido nos intervalos. “É uma tendência a implantação desse tipo de pavimento. Está bastante presente nos projetos atuais devido ao custo ser inferior ao da implantação do pavimento rígido, por exemplo. Além da implantação e manutenção serem mais rápidas e fáceis de se executar”, explica Villibor. E completa: “Já nas paradas de ônibus, as cargas estáticas, o maior esforço e a ação de combustíveis e óleos fazem das placas de concreto o pavimento mais indicado”. IMPACTO AMBIENTAL X DESEMPENHO De acordo com o diretor, o impacto ambiental está relacionado à sustentabilidade da obra como um todo. “É preciso considerar todo o consumo de energia desde a produção dos materiais, processos executivos e manutenção ao longo da vida útil do empreendimento. O pavimento rígido, desde que bem construído, apresenta menor manutenção, apesar de maior custo inicial, porém não aceita reparos, havendo necessidade de reconstrução total. Também não aceita reciclagem de materiais ao final de sua vida útil”.
  • 45. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 45 Já o pavimento flexível requer manutenção – reabilitação – do revestimento em períodos que variam de 5 a 10 anos, tempo relacionado à oxidação do ligante – asfalto. Porém, a camada de revestimento – concreto asfáltico –, ao contrário do concreto Portland, aceita reciclagem parcial ou total. “Em síntese, todos os pavimentos desde que devidamente dimensionados e bem executados, apresentam ótimo desempenho. A adoção de um tipo de pavimento deve ser analisada sobre os aspectos técnicos, financeiros e de sustentabilidade.
  • 46. TERRAPLANAGEM E PAVIMENTAÇÃO 46 REFERÊNCIAS https://blog.superbid.net/o-que-e-terraplenagem-e-quais-equipamentos-sao- usados/>acesso em 15/07/2020 http://www.goinfra.go.gov.br/arquivos/arquivos/Normas/TERRAPLENAGEM/4_TERR APLENAGEM_EMPR%C3%89STIMOS%20-%20Copy%201.pdf>acesso em 15/07/2020 https://www.roadexpertsla.com/pt-br/noticias/detalhes/o-papel-do-controle- tecnologico-nas-obras-de-pavimentacao>acesso em 15/07/2020 http://www.proneng.com.br/servico.aspx?id=3>acesso em 15/07/2020 https://blogdaengenhariacivil.wordpress.com/2014/12/08/corte-e-aterro- compensado/>acesso em 15/07/2020 http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=9&Cod=142>acesso em 15/07/2020 https://www.banasqualidade.com.br/noticias/2015/12/o-controle-tecnologico-da- execucao-de-aterros-em-obras-de-edificacoes.php>acesso em 15/07/2020 http://www.goinfra.go.gov.br/arquivos/arquivos/Normas/PAVIMENTA%c3%87%c3%8 3O/PAVIMENTA%c3%87%c3%83O_IMPRIMA%c3%87%c3%83O_PAV_0.pdf>aces so em 15/07/2020 https://www.aecweb.com.br/revista/materias/como-escolher-o-tipo-de-pavimentacao- de-vias-publicas/8968>acesso em 15/07/2020