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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
LATU SENSU
CURSO : URGENCIA E EMERGENCIA
FAUSTINO INACIO SANGIKI
AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTO DOS ENFERMEIROS DO
HOSPITAL GERAL DO HUAMBO SOBRE O MANEJO DE
PACIENTES COM OSTOMIA
CAÁLA
2025
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
LATU SENSU
CURSO: URGENCIA E EMERGENCIA
FAUSTINO INACIO SANGIKI
AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTO DOS ENFERMEIROS DO
HOSPITAL GERAL DO HUAMBO SOBRE O MANEJO DE
PACIENTES COM OSTOMIA
CAÁLA
2025
Anteprojeto de Trabalho de Conclusão de
Curso, apresentado no Instituto Superior
Politécnico da Caála como requisito parcial à
obtenção do grau de Especialista Pós-graduado em
Urgência e Emergências em Enfermagem.
Orientador: Prof. PhD Dr. Hélder Lucas Chipindo
Co- tutor. Dra MSC.Yaniela Guerreiro
FAUSTINO INÁCIO SANGIKI
TÍTULO: AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTO DOS ENFERMEIROS DO HOSPITAL
GERAL DO HUAMBO SOBRE O MANEJO DE PACIENTES COM OSTOMIA
Aprovado em: CAÁLA ____ / ____ / _______
BANCA EXAMINADORA
Prof. PhD Dr. Hélder Lucas Chipindo
Orientador
Instituto Superior Politécnico CAÁLA
Assinatura: _______________________________
Dra. MSc. Yaniela Guerreiro
Coorientadora
Instituto Superior Politécnico CAÁLA
Assinatura: _______________________________
Nome do(a) Examinador(a)
Titulação
Instituição
Assinatura: _______________________________
Trabalho de Conclusão apresentado ao Instituto Superior
Politécnico CAÁLA, no âmbito do Programa de Pós-
Graduação em Ciências da Saúde – Lato Sensu, Curso de
Urgência e Emergência, como requisito parcial para a
obtenção do título de Especialista.
Dedico este trabalho, em primeiro lugar, a Deus, pela vida,
pela saúde e pela sabedoria que me permitiram concluir esta
etapa académica.
À minha esposa, Bernarda Nacumuamua, pelo amor, apoio
incondicional e incentivo constante, bem como aos meus
filhos e à minha família, que sempre estiveram presentes ao
longo desta caminhada.
Aos meus orientadores, Prof. PhD Dr. Hélder Lucas
Chipindo e Dra. MSc. Yaniela Guerrero, e aos docentes do
curso, pelo acompanhamento, partilha de conhecimentos e
dedicação que foram fundamentais para a concretização
desta pós-graduação.
Este trabalho representa não apenas a conclusão de uma
etapa, mas o início de novos desafios e conquistas no
percurso profissional.
AGRADECIMENTOS
Agradeço, em primeiro lugar, a Deus, fonte de vida e sabedoria, por me
conceder saúde, força e perseverança para concluir esta importante etapa da minha
formação académica e profissional.
À Instituição de Ensino Superior Politécnico da Caála e à Coordenação do
Curso de Pós-Graduação na Especialidade de Urgência e Emergência, na pessoa da
Dra. Daimara, manifesto o meu profundo agradecimento pela oportunidade de
aprendizagem e crescimento científico e profissional proporcionada ao longo do curso,
contribuindo de forma significativa para o fortalecimento das minhas competências
técnicas e humanas.
Expresso o meu reconhecimento ao Diretor Clínico do Hospital Provincial
Materno Infantil Liepey – Namibe, Dr. Deckson, pelo apoio, encorajamento e confiança
demonstrados durante o desenvolvimento deste percurso académico.
Ao meu orientador, Prof. PhD Dr. Hélder Lucas Chipindo, e à Dra. MSc. Yaniela
Guerreiro, agradeço a disponibilidade, a paciência, a dedicação e as valiosas
orientações, que foram determinantes para a concretização deste trabalho científico.
Dirijo também um especial agradecimento ao Prof. PhD Dr. Arlindo da Costa
Afonso, pelo acompanhamento dos seminários gerais e específicos, pelo rigor
científico, pelos conhecimentos partilhados e pelo incentivo permanente à reflexão
crítica dos trabalhos apresentados.
Por fim, estendo os meus agradecimentos ao Departamento Científico da Pós-
Graduação, na pessoa do Dr. Lucas da Costa, pelo encorajamento constante, pela
simplicidade no trato e pelas palavras de apoio e conforto, particularmente nos
momentos mais desafiantes desta caminhada.
“Cuidar é mais do que um ato; é uma atitude de responsabilidade, de
envolvimento afetivo e de compromisso com o outro.”
Leonardo Boff
RESUMO
A ostomia de eliminação intestinal é uma intervenção cirúrgica frequentemente
indicada em situações de doença grave e de urgência, implicando alterações
significativas na vida da pessoa ostomizada e exigindo cuidados de enfermagem
especializados, contínuos e humanizados. O presente estudo teve como objetivo
avaliar o nível de conhecimento, as práticas assistenciais e as dificuldades percebidas
pelos enfermeiros do Hospital Geral do Huambo no cuidado à pessoa com ostomia de
eliminação intestinal. Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e transversal,
realizado com enfermeiros em exercício profissional, no qual a recolha de dados
ocorreu por meio de um questionário estruturado, elaborado com base na literatura
científica atual e composto por variáveis sociodemográficas, profissionais, de
conhecimento, práticas de enfermagem e dificuldades no cuidado. Os dados foram
analisados por estatística descritiva, utilizando o Statistical Package for the Social
Sciences (SPSS), versão 27. Os resultados evidenciaram que, embora uma parte
considerável dos enfermeiros possuísse alguma formação em estomaterapia, a
atualização recente era limitada, revelando lacunas no processo de formação
contínua. Observou-se desempenho satisfatório em conceitos gerais relacionados à
ostomia, contudo identificaram-se fragilidades relevantes em aspetos práticos,
especialmente na prevenção das complicações periestoma, na abordagem da
ileostomia e no ensino estruturado do autocuidado. As práticas assistenciais
mostraram-se irregulares, com menor frequência na avaliação sistemática do estoma
e na educação continuada do doente e da família. As principais dificuldades
percebidas pelos profissionais estiveram associadas à falta de formação específica, à
insegurança técnica e à insuficiência de recursos materiais. Conclui-se que estas
fragilidades podem comprometer a qualidade, a segurança e a eficiência dos cuidados
prestados, evidenciando a necessidade de investimento em formação contínua,
implementação de protocolos padronizados e fortalecimento da enfermagem
especializada em estomaterapia.
Palavras-chave: Ostomia intestinal; Enfermagem; Estomaterapia;
Autocuidado; Complicações periestoma.
ABSTRACT
Intestinal elimination ostomy is a surgical intervention frequently indicated in
situations of severe illness and emergency care, leading to significant physical,
emotional and social changes in the life of the ostomized person and requiring
specialized, continuous and humanized nursing care. This study aimed to assess the
level of knowledge, nursing practices and perceived difficulties of nurses at the General
Hospital of Huambo regarding care provided to people with intestinal elimination
ostomies. A quantitative, descriptive and cross-sectional study was conducted with
nurses in professional practice. Data were collected through a structured questionnaire
developed based on current scientific literature and composed of sociodemographic
and professional variables, theoretical knowledge, nursing practices and difficulties
related to ostomy care. Data analysis was performed using descriptive statistics with
the Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), version 27. The results showed
that although a considerable proportion of nurses reported having some training in
ostomy care, recent continuing education was limited, revealing gaps in ongoing
professional development. Satisfactory levels of knowledge were observed in general
concepts related to ostomies; however, relevant weaknesses were identified in
practical aspects, particularly in the prevention of peristomal complications,
management of ileostomies and structured education for self-care. Nursing practices
were found to be inconsistent, especially regarding systematic stoma assessment and
continuous patient and family education. The main difficulties perceived by nurses
were related to lack of specific training, technical insecurity and insufficient material
resources. It is concluded that these weaknesses may compromise the quality, safety
and efficiency of care provided to ostomized persons, highlighting the need for
investment in continuous professional training, implementation of standardized
protocols and strengthening of specialized nursing care in ostomatherapy.
Keywords: Intestinal ostomy; Nursing; Ostomatherapy; Self-care; Peristomal
complications.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Características sociodemográficas dos enfermeiros participantes
........................................ 34
Tabela 2 – Características profissionais dos enfermeiros participantes
................................................ 35
Tabela 3 – Formação específica dos enfermeiros em estomaterapia
...................................................... 36
Tabela 4 – Conhecimento dos enfermeiros sobre ostomias e complicações
periestoma ................. 36
Tabela 5 – Práticas de enfermagem no cuidado à pessoa com ostomia de
eliminação intestinal ..... 37
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Principais dificuldades percebidas pelos enfermeiros no cuidado à
pessoa ostomizada
................................................................................................................................. 38
Gráfico 2 – Necessidades formativas identificadas pelos enfermeiros na área da
estomaterapia
................................................................................................................................. 38
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
CINAHL – Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature
DOI – Digital Object Identifier
HGH – Hospital Geral do Huambo
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
OMS – Organização Mundial da Saúde
SPSS – Statistical Package for the Social Sciences
WOC – Wound, Ostomy and Continence
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO.............................................................................................................. 14
1.1 Objetivo Geral ...................................................................................................... 17
1.2 Objetivos Específicos ........................................................................................... 17
2 ENQUADRAMENTO TEÓRICO ................................................................................... 19
2.1 Conceitos essenciais e fundamentos da ostomia ................................................. 19
2.2 Esquema conceptual — Visão geral da ostomia................................................... 20
2.3 Tipos de ostomias e suas indicações ................................................................... 20
2.4 Complicações associadas à ostomia e à pele periestoma.................................... 21
2.5 Adaptação, autocuidado e impacto psicossocial................................................... 22
2.6 O papel do enfermeiro no cuidado especializado ................................................. 23
2.7 Revisão Narrativa: Manejo da pessoa com ostomia intestinal, síntese das
evidências (bases: PubMed, Cochrane, CINAHL, SciELO, Web of Science) ................... 24
2.7.1 Epidemiologia e impacto das complicações periestoma ................................... 24
2.7.2 Método resumido das buscas........................................................................... 24
2.7.3 Achados principais ........................................................................................... 24
2.7.4 Fatores de risco consistentes ........................................................................... 25
2.7.5 Evidência sobre intervenções educativas e caminhos de cuidado.................... 25
2.7.6 Modalidades emergentes: multimédia e telehealth ........................................... 26
2.7.7 Papel da enfermagem especializada e estruturas de estomaterapia ................ 26
2.7.8 Interpretação e implicações práticas................................................................. 26
2.7.9 Limitações e lacunas da evidência ................................................................... 27
2.8 Recomendações para prática e investigação (diretamente aplicáveis)................. 27
3 METODOLOGIA........................................................................................................... 29
3.1 Tipo de Estudo ..................................................................................................... 29
3.2 Local do Estudo.................................................................................................... 29
3.3 População e Amostra ........................................................................................... 29
3.3.1 População-alvo................................................................................................. 29
3.3.2 Amostra............................................................................................................ 29
3.4 Critérios de inclusão............................................................................................. 30
3.5 Critérios de exclusão............................................................................................ 30
3.6 Instrumento de Recolha de Dados ....................................................................... 30
3.7 Procedimentos de Recolha de Dados .................................................................. 31
3.8 Tratamento e Análise dos Dados.......................................................................... 31
3.9 Considerações Éticas........................................................................................... 32
3.10 Limitações Metodológicas .................................................................................... 32
4 RESULTADOS ............................................................................................................. 34
4.1 Caracterização sociodemográfica dos participantes............................................. 34
4.2 Caracterização profissional dos enfermeiros ........................................................ 35
4.3 Formação específica em estomaterapia............................................................... 35
4.4 Conhecimento dos enfermeiros sobre ostomias e complicações.......................... 36
4.5 Práticas de enfermagem no cuidado à pessoa ostomizada.................................. 37
4.6 Dificuldades percebidas e necessidades formativas............................................. 37
5 DISCUSSÃO ................................................................................................................ 39
5.1 Perfil sociodemográfico e profissional ,implicações .............................................. 39
5.2 Formação em estomaterapia e capacitação contínua........................................... 39
5.3 Conhecimento teórico: pontos fortes e lacunas .................................................... 40
5.4 Práticas assistenciais: frequência e qualidade...................................................... 41
5.5 Dificuldades percebidas e necessidades formativas, correspondência com
evidência internacional..................................................................................................... 41
5.6 Evidência sobre intervenções educativas e modalidades inovadoras (multimédia,
telehealth) ........................................................................................................................ 42
5.7 Segurança do paciente e eficiência clínica: impacto das intervenções
recomendadas ................................................................................................................. 42
5.8 Síntese crítica e recomendações práticas ............................................................ 43
5.9 Conclusão da discussão....................................................................................... 44
6 CONCLUSÕES............................................................................................................. 45
6.1 Conclusões .......................................................................................................... 45
7 RECOMENDAÇÕES .................................................................................................... 47
7.1 Recomendações para a prática clínica................................................................. 47
7.2 Recomendações para a gestão e organização dos serviços ................................ 47
7.3 Recomendações para o ensino e formação académica ....................................... 48
7.4 Recomendações para investigação futura............................................................ 48
7.5 Considerações finais ............................................................................................ 48
REFÊRENCIAS ................................................................................................................... 49
APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) ........... 55
APÊNDICE B – AUTORIZAÇÃO INSTITUCIONAL PARA REALIZAÇÃO DO ESTUDO...... 58
APÊNDICE C – PARECER DO COMITÉ DE ÉTICA............................................................ 60
APÊNDICE D – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ENFERMEIROS.................................. 63
APÊNDICE E – MATRIZ DE OPERACIONALIZAÇÃO DAS VARIÁVEIS............................. 68
APÊNDICE F – ROTEIRO EDUCATIVO PARA CUIDADOS À PESSOA COM OSTOMIA DE
ELIMINAÇÃO INTESTINAL ................................................................................................. 73
14
1 INTRODUÇÃO
A ostomia de eliminação intestinal (colostomia ou ileostomia) representa uma
intervenção cirúrgica frequentemente necessária no tratamento de doenças graves do
trato gastrointestinal, como cancro colorretal, doenças inflamatórias intestinais,
obstruções, perfurações ou traumas abdominais, bem como em situações de urgência
e emergência(D’AMBROSIO et al., 2022a).Este tipo de cirurgia, embora muitas vezes
salva-vidas, impõe ao paciente alterações profundas no seu dia-a-dia, na sua
autoimagem, nas suas rotinas de eliminação, higiene e autocuidado, com fortes
implicações sobre a sua qualidade de vida física, psicológica e social(GOMES et al.,
2023a).
Estima-se que nos EUA e na Alemanha, a prevalência de pessoas com ostomia
seja de 0,2% da população, com mais de 100.000 novas ostomias por ano nos EUA
e 64.601 procedimentos na Alemanha em 2019(IOVINO et al., 2024a). Não há dados
exatos para a África, porém a taxa de infecções no local cirúrgico (uma complicação
significativa) após apendicectomia é mais alta no continente africano (12,6%) em
comparação com a Europa (5,8%). Isso indica um risco maior de complicações em
países com menos recursos(DANWANG et al., 2020).
As ostomias, como colostomia, ileostomia e jejunostomia, costumam
apresentar complicações que impactam a qualidade de vida e demandam atenção de
enfermagem especializada. A incidência e a prevalência em todo o mundo são
consideráveis, com complicações que diferem conforme o tipo de ostomia e o cenário
socioeconômico. As evidências ressaltam a relevância da educação e do suporte
profissional para minimizar complicações e aprimorar a adaptação do paciente.
Nesse contexto, o papel da enfermagem especializada torna-se central. O
enfermeiro assume responsabilidades fundamentais no acompanhamento do doente
ostomizado, desde o planeamento pré-operatório, marcação do local adequado para
a estomia, orientação e educação para o autocuidado, até o seguimento pós-
operatório, avaliação contínua de complicações, apoio psicossocial e reintegração do
paciente na comunidade(ALBULESCU et al., 2024).
15
No entanto, a literatura evidencia que as complicações relacionadas à estomia
e à pele periestoma são frequentes e constituem um desafio persistente no cuidado
cotidiano. Entre as complicações mais prevalentes estão a dermatite de contacto
irritativo, erosões, úlceras, infeções, separação mucocutânea, estenose, prolapso e
hérnias paraestomais, podendo aparecer em período precoce ou tardio(ALBULESCU
et al., 2024).Em particular, as complicações de pele periestoma ocorrem em
percentagens elevadas: estudos internacionais estimam que entre 36,3% e 73,4% dos
pacientes com estomia desenvolvem algum tipo de lesão cutânea peri-
estoma(D’AMBROSIO et al., 2022b).Estas complicações não apenas comprometem
a integridade da pele, mas também afetam a adesão ao uso de dispositivos coletores,
prejudicam a qualidade de vida e, em muitos casos, exigem re-hospitalizações e
consumo elevado de recursos de saúde.
Além dos riscos físicos e técnicos, a ostomia implica um enorme impacto
psicossocial sobre o indivíduo e sua família. A adaptação a uma nova imagem
corporal, a reorganização da rotina, o medo de odor ou fugas, a dependência de
dispositivos e o estigma social são desafios frequentemente relatados por pessoas
ostomizadas(GOMES et al., 2023b). Por isso, o cuidado de enfermagem não pode se
limitar a aspetos técnicos; deve ser holístico, integrando cuidado físico, educação em
saúde, escuta empática e suporte psicossocial. Esse cuidado integral contribui para a
promoção do autocuidado, da autonomia e da reintegração social(COSTA et al.,
2025).
Apesar da importância, em muitos contextos,especialmente em países em
desenvolvimento ou em sistemas de saúde com recursos limitados, existem
fragilidades no preparo dos profissionais de enfermagem para a atuação
especializada em estomaterapia. Estudos apontam para carências na formação
acadêmica, escassez de recursos, falta de protocolos padronizados e insuficiente
capacitação contínua(COSTA et al., 2025).Em consequência, a qualidade da
assistência pode ficar comprometida, com aumento do risco de complicações, de
sofrimento para o paciente e de demanda por cuidados de alta complexidade.
No caso específico de Angola, e mais concretamente do Hospital Geral do
Huambo (HGH), instituição de referência na região Centro-Sul, o aumento de casos
16
que requerem ostomia intestinal, seja eletiva ou de urgência, impõe a necessidade de
avaliar a capacitação dos enfermeiros quanto ao manejo dessa população. A
inexistência de dados publicados sobre o nível de conhecimento desses profissionais
relativa a cuidados de estomia reforça a importância deste estudo.
Consequentemente, coloca-se a seguinte questão central:
Como é que as intervenções educativas de enfermagem influenciam o
conhecimento, o autocuidado e a prevenção de complicações periestoma em pessoas
com ostomia intestinal, e quais são as implicações desta evidência para melhorar a
prática assistencial no contexto do Hospital Geral do Huambo?
17
1.1Objetivo Geral
Avaliar o nível de conhecimento dos enfermeiros do Hospital Geral do Huambo
sobre o manejo e os cuidados de enfermagem dirigidos a pacientes com ostomia de
eliminação intestinal.
1.2Objetivos Específicos
Caracterizar o perfil sociodemográfico e profissional dos enfermeiros que
atuam no Hospital Geral do Huambo.
Identificar o conhecimento dos enfermeiros sobre conceitos fundamentais de
estomaterapia e complicações associadas à ostomia de eliminação intestinal.
Avaliar as práticas de enfermagem aplicadas no cuidado cotidiano ao paciente
ostomizado, incluindo higiene, manuseamento de dispositivos e educação para o
autocuidado.
Analisar as dificuldades percebidas pelos enfermeiros no processo de
prestação de cuidados a pessoas ostomizadas.
Descrever a existência e a frequência de ações de capacitação institucional,
incluindo treinamentos e suporte técnico na área de estomaterapia.
Explorar a abordagem dos enfermeiros em domínios ampliados do cuidado,
como alimentação, atividade física, sexualidade, apoio psicológico e orientação à
família.
Para alcançar os objetivos propostos, realizou-se um estudo de natureza
quantitativa, descritiva e transversal, envolvendo enfermeiros em exercício no Hospital
Geral do Huambo. A recolha de dados ocorreu entre novembro 2024 e dezembro de
2025, utilizando um questionário estruturado elaborado com base na literatura
científica atual. Este instrumento permitiu explorar quatro dimensões fundamentais:
características sociodemográficas e profissionais; conhecimento teórico sobre
18
ostomias; práticas de enfermagem na abordagem ao paciente ostomizado; e
dificuldades percebidas pelos enfermeiros no quotidiano assistencial.
A relevância deste estudo assenta em quatro pilares essenciais. No domínio
profissional, permite compreender lacunas no conhecimento e na prática que
influenciam diretamente a qualidade do cuidado prestado. Do ponto de vista
académico, contribui para enriquecer a literatura angolana e lusófona sobre
estomaterapia, uma área ainda pouco explorada nos países africanos de língua
portuguesa.
Em termos assistenciais, oferece evidência concreta para a criação de
protocolos, fluxos de cuidados e programas educativos dirigidos aos enfermeiros.
Finalmente, no âmbito da segurança do paciente e eficiência clínica, a redução de
complicações periestoma representa ganhos significativos tanto para o paciente
quanto para a instituição.
19
2 ENQUADRAMENTO TEÓRICO
A ostomia de eliminação intestinal representa um marco decisivo na vida da
pessoa que a recebe, não apenas como um procedimento cirúrgico, mas como uma
mudança que atravessa o corpo, a rotina e a identidade. Para muitos, a transição é
abrupta e exige a reorganização de hábitos, expectativas e significados pessoais.
Nesse contexto, o enfermeiro torna-se um elemento central, pois acompanha o
paciente desde o momento do diagnóstico até o processo completo e complexo de
adaptação e reabilitação.
Assim, este enquadramento teórico aprofunda os conceitos essenciais, as bases
clínicas, as repercussões emocionais e o papel da enfermagem especializada.
2.1Conceitos essenciais e fundamentos da ostomia
Uma ostomia é definida como “uma abertura cirúrgica que estabelece a
comunicação entre o lume intestinal e a superfície abdominal, permitindo a eliminação
de efluentes” (GOLDBERG et al., 2018, p. 15). A partir desta comunicação surge o
estoma,uma estrutura mucosa, húmida e de coloração vermelho-vivo.
Para além da definição técnica, há todo um universo subjetivo que acompanha
o surgimento de um estoma. Como descreve (JANEIRO, 2019, p. 33): “Aceitar o
estoma é aceitar uma nova forma de existir no mundo. Não se trata apenas de uma
abertura no abdómen; trata-se de um renascimento forçado, que exige força,
paciência e educação.”
A evolução tecnológica na área da estomaterapia tem sido significativa.
Schuetz e Sanchez (2023) referem que: “Os novos hidrocoloides representam um
avanço na proteção cutânea e na qualidade de vida dos ostomizados.”(SCHUETZ;
SANCHEZ, 2023, p. 16)
Estas inovações tornam o processo de adaptação menos traumático, mas a
compreensão dos fundamentos anatómicos e fisiológicos continua essencial.
20
2.2Esquema conceptual — Visão geral da ostomia
2.3Tipos de ostomias e suas indicações
As ostomias são indicadas em condições como cancro colorretal, isquemia,
trauma abdominal, doenças inflamatórias intestinais e complicações pós-operatórias
(HSU et al., 2020a). O tipo de ostomia, colostomia ou ileostomia , determina o tipo de
efluente e o nível de risco de complicações.
Quadro 1. Características e diferenças entre colostomia e ileostomia.(WANG et
al., 2025)
TIPO LOCALIZAÇÃO
CONSISTÊNCIA
DO EFLUENTE
RISCOS
PRINCIPAIS
PERFIL
CLÍNICO
COLOSTOMIA
Intestino
grosso
Pastoso a sólido
Dermatite
moderada
Câncer
colorretal,
diverticulite
ILEOSTOMIA Íleo terminal
Líquido e
irritante
Desidratação,
dermatite
severa
Doença de
Crohn,
urgências
21
WANG et al., (2025) destacam: “A escolha do local do estoma, quando
planeada adequadamente, reduz drasticamente complicações, melhora a aderência
ao dispositivo e promove autonomia no autocuidado.”
2.4Complicações associadas à ostomia e à pele periestoma
As complicações são um dos maiores desafios enfrentados pelos pacientes e
pelos profissionais. D’AMBROSIO et al., (2022c) demonstram que entre 36% e 73%
dos ostomizados desenvolvem algum tipo de lesão na pele periestoma.
Estas complicações incluem:
a) dermatite
b) periestoma
c) retração
d) prolapso
e) necrose
f) estenose
g) hérnia paraestomal
Segundo D`Ambrosio et al., (2022)
“A pele periestoma permanece uma das regiões mais
vulneráveis do corpo após a cirurgia. Não apenas pela agressão
constante do efluente, mas também pela dependência total de
dispositivos coletores. Quando lesionada, desencadeia dor, perda de
adesão, insegurança e deterioração do bem-estar psicológico, afetando
diretamente a qualidade de vida.”(D’AMBROSIO et al., 2022c)
Carville et al.,(2022) acrescentan: “A hérnia paraestomal é uma das
complicações tardias mais comuns, resultando não só em alterações estéticas, mas
também em limitação funcional significativa.”(CARVILLE et al., 2022, p. 438)
22
Quadro 2. Frequência estimada das complicações mais comuns
Complicação Frequência Fonte
Dermatite
periestoma
36–73% (D’AMBROSIO et al., 2022c)
Hérnia
paraestomal
Até 40% (CARVILLE et al., 2022)
Retração 10–22% (CORREA MARINEZ et al.,
2021)
Prolapso 7–16% (CORREA MARINEZ et al.,
2021)
2.5Adaptação, autocuidado e impacto psicossocial
A ostomia transforma a relação da pessoa com o próprio corpo. Muitas
descrevem sentimentos como perda, luto, vergonha, medo de rejeição e insegurança.
A literatura mostra que os primeiros meses são os mais difíceis, dada a necessidade
de reorganizar rotinas, alimentação, higiene e relações sociais.
Janeiro (2019) afirma:
“....as pessoas com estomias passam por modificações que
influenciam negativamente na imagem corporal e autoestima, afetando,
portanto, a QV. Estas necessitam adaptar-se a mecanismos definidos
por diversos fatores, como educação em saúde e disposição para o
autocuidado”(JANEIRO, 2019, p. 133)
Modelos teóricos de enfermagem ajudam a estruturar intervenções
humanizadas. Segundo Mrayyan et al., (2023), o autocuidado é uma prática
fundamental para recuperar independência:
23
“A enfermagem tem como objetivo capacitar as pessoas a praticar o
autocuidado, o que é essencial para manter a vida, promover a saúde e garantir o
bem-estar. O autocuidado não é um acontecimento, mas um processo de
amadurecimento emocional e prático”.(MRAYYAN et al., 2023)
A educação estruturada contribui para:
a) redução de complicações
b) aumento da autoconfiança
c) melhor qualidade de vida
d) reintegração social
Miranda et al.,(2018) demonstraram que programas de educação
individualizada aumentam significativamente as taxas de autocuidado
adequado(MIRANDA; CARVALHO; PAZ, 2018).
2.6O papel do enfermeiro no cuidado especializado
O enfermeiro é protagonista em todas as fases:
a) Pré-operatória: educação antecipatória, marcação do sítio,
preparação emocional.
b) Pós-operatória imediata: vigilância, prevenção de complicações, troca
do dispositivo.
c) Reabilitação: ensino do autocuidado, adaptação psicossocial, suporte
à família.
d) Acompanhamento tardio: gestão de complicações, encaminhamentos,
avaliação contínua.
Miranda et al., (2018) resumem: “O enfermeiro é a ponte entre a limitação e a
autonomia da pessoa ostomizada.”(MIRANDA; CARVALHO; PAZ, 2018)
24
A World Council of Enterostomal Therapy reforça que enfermeiros
especializados reduzem complicações e aumentam a qualidade da
assistência.(WCET, 2022)
2.7Revisão Narrativa: Manejo da pessoa com ostomia intestinal, síntese das
evidências (bases: PubMed, Cochrane, CINAHL, SciELO, Web of
Science)
Viver com uma ostomia transforma rotinas, relações e autoconceito. No plano
clínico, a maior preocupação é a integridade da pele periestoma e a ocorrência de
complicações que prejudicam a qualidade de vida. A literatura recente, disponível em
bases de elevado prestígio, aborda três domínios interdependentes.
2.7.1 Epidemiologia e impacto das complicações periestoma
Intervenções educativas e caminhos de cuidado que promovem autocuidado e
reduzem eventos adversos;
O papel dos enfermeiros especializados/serviços de estomaterapia e as novas
modalidades de entrega educacional (multimédia, telehealth).
A seguir sintetizo a evidência de maior rigor encontrada nessas bases.
2.7.2 Método resumido das buscas
Foram conduzidas buscas em PubMed, Cochrane Library, CINAHL, SciELO e
Web of Science (período 2014–2025), com termos combinando “ostomy / stoma /
ostomia”, “peristomal skin / peristomal complications”, “nursing / stoma nurse”,
“education / self-care / patient education”. Priorizei revisões sistemáticas, RCTs,
grandes coortes, estudos multicêntricos e guidelines das sociedades profissionais.
2.7.3 Achados principais
Prevalência, impacto e custos das complicações periestoma (evidência de alto
rigor)
25
A evidência robusta demonstra que as complicações periestoma (PSCs) são
frequentes, onerosas e de manejo muitas vezes difícil. Estudo populacional/modeledo
de Meisner e colaboradores mostrou que PSCs são as complicações pós-estomia
mais comuns e que geram um peso económico significativo para os sistemas de
saúde, com estimativas baseadas em milhares de doentes(MEISNER et al., 2012).
Salvadalena (análise secundária e síntese) reforça que a gravidade das PSCs
é maior em ileostomias e que características anatómicas locais (pregas cutâneas,
localização do estoma) e tempo de evolução influenciam a severidade; produtos de
barreira (anel, pó, pasta) são frequentemente usados no manejo. Em síntese, PSCs
não são apenas problemas técnicos, comprometem adesão ao dispositivo, geram dor
e afectam qualidade de vida(SALVADALENA et al., 2020).
Segundo Meisner et al., (2012) “As complicações cutâneas peristomais são
comuns, dispendiosas e difíceis de tratar” (MEISNER et al., 2012)
2.7.4 Fatores de risco consistentes
Revisões recentes e estudos multicêntricos identificam fatores preditores de
PSCs: tipo de ostomia (ileostomia com maior risco), presença de dobras/perfurações
periestomais, comorbidades (ex.: diabetes), quimioterapia adjuvante e ausência de
marcação pré-operatória adequada. Estes fatores aparecem de forma convergente
nas bases examinadas e são, em grande parte, potencialmente modificáveis por
intervenções de enfermagem(SALVADALENA et al., 2020).
2.7.5 Evidência sobre intervenções educativas e caminhos de cuidado
Vários estudos (ensaios controlados e revisões sistemáticas) suportam que
intervenções educativas estruturadas,realizadas por enfermeiros, com conteúdos
práticos (troca de bolsa, cuidado da pele), materiais escritos, multimédia e seguimento
pós-alta, melhoram conhecimento, auto-eficácia e, por vezes, QOL, além de reduzir
determinadas complicações e readmissões quando integradas em pathways
organizados. A revisão sobre ostomy care pathways concluiu que programas
integrados ou pathways de cuidado melhoram alguns desfechos clínicos e
organizacionais(NIZUM; JACOB, 2022).
26
O estudo de Ko et al. (2023), RCT/ensaio controlado publicado com acesso em
PMC, demonstrou que um programa educativo multimédia melhorou a capacidade de
autocuidado e a qualidade de vida de utentes com enterostomia, evidência que
sustenta o uso de métodos educativos variados, nomeadamente em contexto de
restrições de tempo e recursos(KO; WU; LU, 2023a).
A dizer de Nizum et al. (2022):
“Os percursos de cuidados de ostomia parecem melhorar os
resultados para adultos que antecipam ou vivem com uma ostomia,
particularmente quando incluem educação estruturada, marcação pré-
operatória e acompanhamento por uma equipa com enfermeiro de
referência.”(NIZUM; JACOB, 2022, p. 293)
2.7.6 Modalidades emergentes: multimédia e telehealth
A evidência recente demonstra que modalidades via telehealth e materiais
multimédia podem ser eficazes e, em alguns outcomes, não-inferiores à educação
presencial, permitindo alcance a utentes em locais distantes e um seguimento mais
próximo no pós-alta. Ensaios e estudos de implementação (incluindo tele-treino pós-
alta) estão em crescimento e mostram ganhos em autocuidado e satisfação(KO; WU;
LU, 2023b).
2.7.7 Papel da enfermagem especializada e estruturas de estomaterapia
Estudos e guidelines (WOCN e revisões) destacam que serviços com
enfermeiros especializados/consultas de estomaterapia associam-se a menores taxas
de problemas periestoma, menos reinternamentos e melhor satisfação do utente. A
existência de um stoma nurse facilita a avaliação precoce, a escolha adequada de
dispositivos e a educação individualizada, fatores com demonstrado efeito na redução
da morbilidade(DALE, 2019).
2.7.8 Interpretação e implicações práticas
A mensagem prática é simples e humana: quando as pessoas com ostomia
recebem ensino prático, contínuo e empático, e quando existe um enfermeiro de
referência, elas sentem-se mais seguras, sofrem menos complicações e conseguem
27
retomar a sua vida com mais autonomia. As evidências aqui reunidas indicam ações
concretas de alto impacto:
a) Marcação pré-operatória do local do estoma (prática simples com forte
evidência de prevenção de complicações);(NIZUM; JACOB, 2022)
b) Programas educativos padronizados (pré e pós-operação), com treino
prático por enfermagem e materiais multimédia; (KO; WU; LU, 2023b)
c) Implementação de serviços de estomaterapia / enfermeiro de
referência para seguimento e respostas rápidas às PSCs; (DALE,
2019)
d) Uso de telehealth para ampliar cobertura geográfica e permitir suporte
no domicílio; (JIN; MA; JIMÉNEZ-HERRERA, 2020)
2.7.9 Limitações e lacunas da evidência
A maioria das provas provém de países de rendimento médio/alto; há lacuna
grande em estudos controlados e análises económicas em contextos africanos e em
hospitais com recursos limitados (como muitos em Angola), o que limita a
generalização direta sem adaptação local(NIZUM; JACOB, 2022).
Existe heterogeneidade metodológica entre estudos (definições de PSC,
instrumentos de medição, duração do seguimento), o que dificulta sínteses
quantitativas imediatas (meta-análises) sem harmonização(SALVADALENA et al.,
2020).
2.8Recomendações para prática e investigação (diretamente aplicáveis)
Implementar um programa educativo estruturado (pré-op e pós-op) no Hospital
Geral do Huambo, com materiais adaptados à literacia local e treino prático por
enfermagem. (Evidência: estudos RCT e revisões)(KO; WU; LU, 2023b).
28
Criar um ponto focal de estomaterapia (enfermeiro de referência) para triagem
precoce de PSCs e educação continuada. (Evidência: guidelines e estudos
observacionais)(DALE, 2019).
Avaliar telehealth como complemento, especialmente para seguimento pós-alta
em áreas remotas. (Evidência emergente)(KO; WU; LU, 2023b).
Investigar localmente: estudos pragmáticos (coortes, ensaios quasi-
experimentais) que avaliem impacto clínico e custo-efetividade das intervenções em
contexto angolano são urgentes(NIZUM; JACOB, 2022).
A literatura científica de alto nível nas bases que revisámos deixa uma
mensagem clara e empática: o sofrimento e a insegurança associados à ostomia
podem, e devem, ser atenuados pela educação competente, pela presença de
enfermagem especializada e por cuidados organizados. Para contextos como o do
Hospital Geral do Huambo, isto significa investir em formação, criar pontos de contacto
de estomaterapia e adaptar intervenções educativas (incluindo formatos multimédia e
telehealth) às realidades locais. A ciência está disponível; o próximo passo é a
implementação ajustada ao contexto e a avaliação prática dos seus efeitos.
29
3 METODOLOGIA
3.1Tipo de Estudo
Este estudo teve uma abordagem quantitativa, configurando-se como um
estudo descritivo e transversal, desenvolvido com o objetivo de avaliar o
conhecimento, as práticas e as dificuldades dos enfermeiros no cuidado à pessoa com
ostomia de eliminação intestinal. A escolha deste desenho metodológico justificou-se
pela necessidade de obter uma visão objetiva e contextualizada da realidade
assistencial do Hospital Geral do Huambo, permitindo identificar padrões, fragilidades
e potencialidades dos profissionais envolvidos na assistência.
Optou-se por uma metodologia descritiva, dado que o propósito central foi
caracterizar uma situação existente, sem manipulação de variáveis, respeitando a
dinâmica e a complexidade das práticas de enfermagem observadas.
3.2Local do Estudo
O estudo foi realizado no Hospital Geral do Huambo (HGH), instituição de
referência provincial, composta por serviços de urgência, medicina, cirurgia, pediatria,
banco de urgência e unidades especializadas. A seleção deste local justificou-se pela
frequência de pacientes ostomizados atendidos e pela relevância da instituição no
contexto regional.
3.3População e Amostra
3.3.1 População-alvo
A população foi constituída por todos os enfermeiros em exercício profissional
no Hospital Geral do Huambo, independentemente da área de atuação.
3.3.2 Amostra
A amostra foi não probabilística, por conveniência, composta pelos enfermeiros
que aceitaram participar voluntariamente e devolveram o questionário preenchido
dentro do prazo estabelecido. Após aplicar os critérios de inclusão e exclusão, a
amostra ficou finalmente constituída por 37 enfermeiros.
30
3.4Critérios de inclusão
a) Ser enfermeiro em exercício no HGH durante o período da recolha de dados.
b) Aceitar participar de forma voluntária.
c) Assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
3.5Critérios de exclusão
a) Enfermeiros ausentes por férias, licença médica ou outros motivos
institucionais.
b) Questionários devolvidos incompletos ou sem assinatura do TCLE.
c) A opção por critérios inclusivos procurou refletir a maior diversidade possível
de perfis profissionais, favorecendo a representatividade dos resultados.
3.6Instrumento de Recolha de Dados
Utilizou-se um questionário estruturado, construído especificamente para este
estudo com base na literatura científica atual. O instrumento foi organizado em quatro
secções, cada uma concebida para explorar dimensões essenciais do cuidado ao
paciente ostomizado:
a) Caracterização sociodemográfica e profissional
Idade, sexo, tempo de serviço, formação inicial e formação complementar.
b) Conhecimento teórico sobre ostomias e complicações periestoma
Conceitos, tipos de ostomias, função do estoma, sinais de complicações e
fatores de risco.
c) Práticas assistenciais no cuidado ao paciente ostomizado
Manuseamento de dispositivos, higiene, troca de equipamentos, registos e
educação do paciente.
31
d) Dificuldades e necessidades formativas percebidas pelos enfermeiros
Barreiras institucionais, inseguranças, limitações de recursos e percepções
sobre a própria competência.
A redação do questionário procurou evitar termos ambíguos ou
excessivamente técnicos, permitindo que o instrumento fosse acessível, claro e
coerente com a realidade local.
3.7Procedimentos de Recolha de Dados
Os enfermeiros foram abordados presencialmente e informados acerca dos
objetivos, importância e etapas do estudo. Após o esclarecimento das dúvidas,
aqueles que aceitaram participar receberam o TCLE e, posteriormente, o questionário
impresso.
Os questionários preenchidos foram depositados em urnas seladas colocadas
em locais estratégicos da instituição, garantindo o sigilo e encorajando respostas
honestas e espontâneas. Cada participante levou o tempo necessário para responder,
assegurando que as respostas refletissem suas percepções reais e sua experiência
profissional.
3.8 Tratamento e Análise dos Dados
Após a recolha, os dados foram organizados e tratados utilizando uma folha de
cálculo (Microsoft Excel) e, posteriormente, analisados com recurso ao SPSS
(Statistical Package for the Social Sciences), versão 27.
Foi realizada uma análise estatística descritiva, adequada ao objetivo do
estudo, incluindo:
a) Frequências absolutas e relativas para variáveis categóricas.
b) Médias, medianas e desvios-padrão para variáveis contínuas.
c) Representação gráfica dos principais resultados.
32
As escolhas estatísticas foram coerentes com a natureza transversal e
descritiva do estudo, favorecendo uma interpretação clara e sistemática dos achados.
3.9Considerações Éticas
O estudo seguiu rigorosamente os princípios éticos da investigação com seres
humanos. Foi submetido e aprovado pelo Comité de Ética do Instituto Superior
Politécnico da Caála, garantindo que todos os procedimentos respeitaram as normas
de confidencialidade, beneficência e autonomia.
Cada participante:
a) recebeu explicações claras sobre o estudo;
b) teve a liberdade de participar ou recusar;
c) pôde desistir a qualquer momento;
d) teve garantido o anonimato, pois o questionário não continha qualquer
identificação pessoal.
Todos os dados recolhidos foram utilizados exclusivamente para fins
científicos, armazenados de forma segura e posteriormente destruídos após a
finalização da investigação.
3.10 Limitações Metodológicas
Como todo estudo descritivo e transversal, este também apresentou limitações,
tais como:
a. Utilização de amostragem não probabilística, que pode limitar a
generalização dos resultados;
b. Dependência da sinceridade e precisão das respostas dos participantes;
33
c. Possível viés de disponibilidade de enfermeiros durante o período de
recolha.
Apesar destas limitações, o estudo ofereceu um retrato fiel e útil da realidade
assistencial do Hospital Geral do Huambo, contribuindo para a melhoria da qualidade
e segurança do cuidado à pessoa ostomizada.
34
4 RESULTADOS
Os resultados apresentados neste capítulo decorrem da análise estatística dos
dados recolhidos através do questionário aplicado aos enfermeiros do Hospital Geral
do Huambo. Os dados foram inseridos e processados no programa Statistical
Package for the Social Sciences (SPSS), versão 27, sendo apresentados sob a forma
de tabelas e gráficos, de acordo com os objectivos do estudo.
4.1Caracterização sociodemográfica dos participantes
A Tabela 1 apresenta a distribuição dos enfermeiros participantes segundo as
variáveis sociodemográficas: idade, sexo e estado civil.
Tabela 1 – Características sociodemográficas dos enfermeiros participantes
VARIÁVEL CATEGORIA N %
IDADE <25 anos 9 24,3
25–30 anos 3 8,1
31–35 anos 4 10,8
36–40 anos 9 24,3
>40 anos 12 32,4
SEXO Feminino 24 64,9
Masculino 13 35,1
ESTADO
CIVIL
Solteiro(a) 8 21,6
Casado/União estável 19 51,4
Divorciado(a) 7 18,9
Viúvo(a) 3 8,1
Fonte: Dados da investigação, SPSS v.27, 2025.
Observa-se que a maioria dos participantes possui idade superior a 40 anos
(32,4%), seguida das faixas etárias <25 anos e 36–40 anos (ambas com 24,3%). O
sexo feminino predominou na amostra (64,9%). Quanto ao estado civil, mais de
metade dos enfermeiros eram casados ou viviam em união estável (51,4%).
35
4.2Caracterização profissional dos enfermeiros
A Tabela 2 apresenta a distribuição dos participantes segundo o tempo de
exercício profissional, nível académico e serviço de actuação.
Tabela 2 – Características profissionais dos enfermeiros participantes
VARIÁVEL CATEGORIA N %
TEMPO DE EXERCÍCIO
PROFISSIONAL
<1 ano 2 5,4
1–5 anos 10 27
6–10 anos 14 37,8
11–15 anos 7 18,9
>15 anos 4 10,8
NÍVEL ACADÉMICO Técnico 16 43,2
Licenciatura 11 29,7
Pós-graduação 8 21,6
Mestrado 2 5,4
Doutoramento 0 0
SERVIÇO DE ATUAÇÃO Urgência 4 10,8
Medicina 8 21,6
Cirurgia 4 10,8
Pediatria 3 8,1
Banco de Urgência 5 13,5
Outros 13 35,1
Fonte: Dados da investigação, SPSS v.27, 2025
Verifica-se que a maioria dos enfermeiros apresenta entre 6 e 10 anos de
experiência profissional (37,8%). Em relação à formação académica, predomina o
nível técnico (43,2%), seguido da licenciatura (29,7%). A maior proporção dos
participantes exerce funções em outros serviços não especificados (35,1%), seguida
dos serviços de medicina (21,6%).
4.3Formação específica em estomaterapia
Tabela 3 – Formação específica em estomaterapia
36
Variável Categoria n %
Formação em estomaterapia
Sim 21 56,8
Não 16 43,2
Tipo de formação
Workshop 7 18,9
Formação técnica 7 18,9
Formação
universitária
9 24,3
Outra 14 37,8
Capacitação recente (últimos 2
anos)
Sim 11 29,7
Não 26 70,3
Fonte: Dados da investigação, SPSS v.27, 2025.
Mais de metade dos enfermeiros (56,8%) referiu possuir algum tipo de
formação em estomaterapia. No entanto, apenas 29,7% participou em capacitações
nos últimos dois anos, evidenciando uma lacuna na formação contínua.
4.4 Conhecimento dos enfermeiros sobre ostomias e complicações
Tabela 4 – Conhecimento dos enfermeiros sobre ostomias e complicações.
Item Resposta correta (%) Resposta incorreta (%)
Não sabe
(%)
B1 – Definição de ostomia 70,3 21,6 8,1
B2 – Localização da colostomia 59,5 37,8 2,7
B3 – Características da ileostomia 43,3 43,3 13,4
B4 – Complicação frequente 62,2 27 10,8
B5 – Hérnia paraestomal 48,6 35,2 16,2
B6 – Marcação pré-operatória 67,6 18,9 13,5
B7 – Pele periestoma saudável 51,4 45,9 2,7
B8 – Prevenção da dermatite 41,3 43,6 15,1
Fonte: Dados da investigação, SPSS v.27, 2025.
Os maiores níveis de acerto verificaram-se na definição de ostomia (70,3%) e
na marcação pré-operatória (67,6%). Por outro lado, os itens relacionados com
prevenção da dermatite e características da ileostomia apresentaram percentagens
elevadas de respostas incorretas ou desconhecimento.
37
4.5Práticas de enfermagem no cuidado à pessoa ostomizada
Tabela 5 – Práticas de enfermagem no cuidado à pessoa ostomizada
PRÁTICA AVALIADA SEMPRE
(%)
FREQUENTEMENTE
(%)
ÀS VEZES
(%)
Observação da pele periestoma 24,3 44 31,7
Limpeza adequada da pele 51,4 37,8 10,8
Medição do diâmetro do estoma 16,2 54,1 29,7
Ensino sobre sinais de alerta 51,4 37,8 10,8
Ensino estruturado para
autocuidado
48,6 21,7 29,7
Fonte: Dados da investigação, SPSS v.27, 2025.
A limpeza adequada da pele periestoma e o ensino sobre sinais de alerta foram
as práticas mais frequentemente realizadas. Contudo, a medição sistemática do
estoma e o ensino estruturado do autocuidado apresentaram menor regularidade.
4.6Dificuldades percebidas e necessidades formativas
O Gráfico 1 evidencia as principais dificuldades percebidas pelos enfermeiros,
destacando-se a falta de formação específica(35,14%), a insegurança na prestação
dos cuidados e a insuficiência de materiais.
O Gráfico 2 demonstra que as principais necessidades formativas identificadas
concentram-se no uso de dispositivos(27,03%),o manejo das complicações(24,32%),
e a educaçãoem autocuidado.
38
Gráfico 1 – Dificuldades percebidas pelos enfermeiros
Fonte Gráfico 1 : Dados da investigação, SPSS v.27, 2025.
Gráfico 2 – Necessidades formativas identificadas
Fonte Gráfico 2: Dados da investigação, SPSS v.27, 2025
39
5 DISCUSSÃO
Este capítulo discute os principais achados do estudo à luz da evidência
científica recente, articulando-os com implicações práticas para a enfermagem,
segurança do paciente e eficiência assistencial no contexto do Hospital Geral do
Huambo.
5.1Perfil sociodemográfico e profissional ,implicações
A amostra apresentou predominância do sexo feminino (64,9%) e uma
distribuição etária com maior concentração nos mais de 40 anos (32,4%) e nas faixas
<25 e 36–40 anos (ambas 24,3%). Observou-se ainda uma maioria com 6–10 anos
de experiência profissional (37,8%) e predomínio do nível técnico (43,2%). Estes
resultados refletem uma força de trabalho heterogénea em termos de experiência e
formação, situação que já foi apontada em estudos que salientam a heterogeneidade
da qualificação dos profissionais como fator condicionante para a qualidade do
cuidado à pessoa ostomizada(SHEFFER et al., 2025a).
A literatura internacional salienta que equipas com maior formação e
experiência em estomaterapia apresentam melhores desfechos em termos de
identificação precoce de complicações e ensino ao utente; por isso, a presença
expressiva de profissionais com nível técnico e a reduzida proporção de graus
avançados reforçam a necessidade de capacitação continuada local. Esta
recomendação encontra eco em revisões que defendem intervenção educativa
dirigida para equipas multidisciplinares como estratégia de melhoria da qualidade
assistencial(SHEFFER et al., 2025a).
5.2Formação em estomaterapia e capacitação contínua
No presente estudo, 56,8% dos participantes informaram possuir alguma
formação em estomaterapia, mas apenas 29,7% tinham participado em capacitações
nos últimos dois anos. Esta discrepância entre formação prévia e atualização contínua
é relevante: a literatura demonstra que a formação inicial não basta ,é a educação
continuada, estruturada e actualizada que se associa a melhores práticas e redução
de complicações periestoma (revisões e ensaios recentes). Por exemplo, intervenções
40
educativas multimédia e programas estruturados mostraram aumentos significativos
na autonomia do doente e melhoria da qualidade de vida(KO; WU; LU, 2023c).
Segundo Jin et al.(2021) “Os cuidados contínuos mostraram efeitos benéficos
na melhoria dos resultados de saúde e na satisfação com os cuidados prestados a
pacientes com estomas.”(JIN et al., 2021, p. 23)
Este dado do estudo (baixa frequência de formação recente) é um indicador
prático da lacuna formativa local e legitima a implementação de programas periódicos
de capacitação, preferencialmente modulados por conteúdo prático (troca de
dispositivos, avaliação da pele periestoma) e por formatos híbridos (presencial +
multimédia/telehealth).
5.3 Conhecimento teórico: pontos fortes e lacunas
Os itens do conhecimento mostraram variação substancial: definição de
ostomia (70,3%) e marcação pré-operatória (67,6%) apresentaram melhores índices
de acerto; por contraste, aspetos práticos como características da ileostomia (43,3%)
e medidas de prevenção da dermatite (41,3%) evidenciaram taxas mais baixas de
resposta correta.
A evidência científica indica que lacunas semelhantes são frequentes noutros
contextos (ou seja, o conhecimento sobre conceitos gerais tende a ser superior ao
conhecimento prático detalhado sobre prevenção de PSCs e manuseamento de
efluente). A revisão de D’Ambrosio (2022) mostrou variações de incidência de PSCs
entre 36% e 73%, sublinhando que medidas preventivas práticas são determinantes
para reduzir a ocorrência destas lesões(D’AMBROSIO et al., 2022d).
A identificação de conhecimento insuficiente sobre ileostomia e prevenção de
dermatite é particularmente relevante, porque pacientes com ileostomia apresentam
efluentes mais irritantes e maior risco de complicações cutâneas; estratégias
educacionais específicas voltadas a estas características são recomendadas pela
literatura. Assim, os resultados do presente estudo convergem com a recomendação
de conteúdos educativos direcionados e com treino prático(D’AMBROSIO et al., 2022e).
41
5.4Práticas assistenciais: frequência e qualidade
As práticas relatadas mostram que a limpeza adequada da pele (51,4%
sempre) e o ensino sobre sinais de alerta (51,4% sempre) foram as intervenções mais
frequentes; contudo, só 16,2% mediam sistematicamente o diâmetro do estoma
(“sempre”), e o ensino estruturado para autocuidado ocorreu “sempre” em 48,6% (com
29,7% a responder “às vezes”).
A literatura enfatiza a importância de práticas sistemáticas, nomeadamente a
medição do estoma, a observação diária da pele e a marcação pré-operatória, por
estarem associadas à redução de complicações periestoma. Estudos e meta-análises
sobre marcação pré-operatória documentaram que a prática está associada a menor
incidência de complicações precoces e tardias e a melhores resultados
funcionais(HSU et al., 2020b) .
A baixa frequência de medição sistemática encontrada no nosso estudo
evidencia um gap prático que pode explicar parte das complicações observadas
rotineiramente em muitos serviços. A adoção de checklists perioperatórios e
protocolos de avaliação (incluindo medição, documentação e planos de seguimento)
é recomendada e encontra suporte nas publicações sobre pathways de
cuidado(SHEFFER et al., 2025b).
5.5Dificuldades percebidas e necessidades formativas, correspondência
com evidência internacional
Os gráficos do estudo indicaram que as principais dificuldades foram: falta de
formação específica, insegurança técnica e insuficiência de materiais. As
necessidades formativas mais apontadas incluíram prevenção de complicações,
manejo de dispositivos e educação para o autocuidado.
Estes achados alinham-se com revisões e estudos que identificam barreiras
organizacionais, educacionais e logísticas como determinantes das lacunas no
cuidado ao ostomizado. A literatura recente sublinha que intervenções
multicomponentes (formação, protocolos, disponibilidade de materiais e consultas
42
especializadas) têm maior probabilidade de sucesso do que ações isoladas(SHEFFER
et al., 2025a). A dizer deste autor “Intervenções educacionais padronizadas ou kits de
ferramentas poderiam impactar várias barreiras identificadas nos cuidados
perioperatórios com ostomias...”(SHEFFER et al., 2025a)
5.6 Evidência sobre intervenções educativas e modalidades inovadoras
(multimédia, telehealth)
Os resultados do estudo, ao identificar forte procura por capacitação e lacunas
em competências práticas, apoiam a implementação de intervenções educativas.
Ensaios controlados e revisões apontam que programas estruturados (incluindo
multimédia) melhoram a capacidade de autocuidado e a qualidade de vida dos
ostomizados(KO; WU; LU, 2023b). Além disso, estudos recentes indicam que a tele-
educação e intervenções telehealth são eficazes e, por vezes, não-inferiores ao
ensino presencial, constituindo uma solução viável em contextos com limitações de
acesso geográfico ou recursos(IOVINO et al., 2024b).
Conforme Iovino et al. (2024), “ ensaios multicêntricos demonstraram que a
telehealth pode manter a eficácia do ensino do autocuidado e expandir o alcance do
acompanhamento pós-alta”(IOVINO et al., 2024b).
Estas evidências são particularmente pertinentes para o Hospital Geral do
Huambo, onde a dispersão geográfica e a disponibilidade limitada de formadores
especializados podem ser barreiras, a integração de componentes digitais num
programa híbrido de capacitação poderia maximizar o impacto com custos
controlados.
5.7Segurança do paciente e eficiência clínica: impacto das intervenções
recomendadas
A literatura demonstra que complicações periestoma estão associadas a
aumento do tempo de internamento, reinternamentos e custos de saúde (D’AMBROSIO
et al., 2022e). No sentido contrário, serviços com enfermeiros especializados
43
(WOC/Wound, Ostomy and Continence nurses) e programas de cuidados continuados
reduzem readmissões e melhoram desfechos(MEISNER et al., 2012).
A introdução de medidas simples e de baixo custo, como marcação pré-
operatória do local do estoma, checklists de troca, registos padronizados e
capacitação, tem forte potencial para melhorar a segurança do paciente e reduzir
custos por via da prevenção. Meta-análises mostram que a marcação pré-operatória
está associada a redução estatisticamente significativa de complicações estoma-
relacionadas(HSU et al., 2020a), o que sustenta a prioridade desta prática.
5.8Síntese crítica e recomendações práticas
Tomando em conta os resultados do presente estudo e a evidência científica
revisada, propõe-se a seguinte priorização de intervenções para o Hospital Geral do
Huambo:
Implementar formação contínua estruturada em estomaterapia, com módulos
práticos e atualização anual, pautada por conteúdos que abordem especificamente
ileostomia, prevenção de dermatite e manejo de dispositivos. Evidência: (D’AMBROSIO
et al., 2022e; KO; WU; LU, 2023b)
a) Criar um serviço ou ponto focal de estomaterapia (enfermeiro de
referência/stoma nurse) para acompanhamento perioperatório e pós-
alta, com registo e auditoria de complicações. Evidência: (CARO;
JIMENEZ, 2025; MEISNER et al., 2012)
b) Adotar marcação pré-operatória sistemática para todos os doentes com
indicação de ostomia, quando possível, e documentá-la em prontuário.
Evidência:(HSU et al., 2020a)
c) Desenvolver materiais educativos multimédia e telehealth para suporte
ao ensino do autocuidado e seguimento remoto, especialmente para
utentes que residam fora da área urbana. Evidência:(IOVINO et al., 2024a;
KO; WU; LU, 2023b)
44
d) Estabelecer protocolos e checklists padronizados (medição do estoma,
avaliação da pele, registo diário, sinais de alerta) e capacitar a equipa
para seu uso. Evidência: (SHEFFER et al., 2025a)
5.9Conclusão da discussão
Os achados deste estudo evidenciam uma base profissional com formação
prévia razoável, mas com lacunas importantes em atualização e competências
práticas críticas para a prevenção de complicações periestoma. A conjugação das
medidas aqui recomendadas,formação contínua, criação de pontos de estomaterapia,
utilização de telehealth e implementação de protocolos padronizados, encontra
suporte consistente na literatura internacional e representa um caminho viável para
melhorar a qualidade, a segurança e a eficiência do cuidado à pessoa ostomizada no
contexto do Hospital Geral do Huambo(D’AMBROSIO et al., 2022e).
45
6 CONCLUSÕES
6.1Conclusões
O presente estudo permitiu analisar, de forma sistemática e fundamentada, o
nível de conhecimento, as práticas assistenciais e as dificuldades percebidas pelos
enfermeiros no cuidado à pessoa com ostomia de eliminação intestinal no Hospital
Geral do Huambo, contribuindo para a compreensão das dinâmicas assistenciais e
formativas neste contexto específico.
Os resultados evidenciaram que a população estudada é predominantemente
feminina, com uma distribuição etária heterogénea e uma experiência profissional
maioritariamente situada entre seis e dez anos. Apesar de mais de metade dos
participantes referirem possuir alguma formação em estomaterapia, verificou-se uma
baixa frequência de capacitação recente, o que revela fragilidades no processo de
atualização contínua de conhecimentos e competências.
No domínio do conhecimento teórico, observou-se um desempenho satisfatório
em conceitos gerais, como a definição de ostomia e a importância da marcação pré-
operatória do estoma. No entanto, foram identificadas lacunas significativas em
aspetos práticos fundamentais, nomeadamente no reconhecimento das
características específicas da ileostomia e nas medidas de prevenção das
complicações periestoma, especialmente a dermatite periestoma.
Relativamente às práticas de enfermagem, constatou-se que algumas
intervenções essenciais, como a limpeza adequada da pele periestoma e o ensino
dos sinais de alerta, são realizadas com frequência. Contudo, práticas consideradas
críticas para a segurança do doente e para a prevenção de complicações, como a
medição sistemática do diâmetro do estoma e o ensino estruturado e contínuo do
autocuidado, não são executadas de forma regular por uma parte significativa dos
enfermeiros.
As principais dificuldades percebidas pelos profissionais incluíram a falta de
formação específica em estomaterapia, a insegurança técnica na prestação dos
cuidados e a insuficiência de materiais adequados. Paralelamente, foram identificadas
46
necessidades formativas prioritárias nas áreas da prevenção de complicações, do
manejo de dispositivos e da educação para o autocuidado, evidenciando a
consciência dos profissionais quanto às lacunas existentes e à necessidade de
melhoria da prática assistencial.
De forma global, os achados do estudo demonstram que, embora exista uma
base assistencial estruturada, persistem fragilidades que podem comprometer a
qualidade, a segurança e a eficiência do cuidado à pessoa ostomizada, reforçando a
importância de intervenções organizadas, sustentadas em evidência científica e
adaptadas ao contexto institucional.
47
7 RECOMENDAÇÕES
Com base nos resultados obtidos e na articulação com a literatura científica,
apresentam-se as seguintes recomendações:
7.1Recomendações para a prática clínica
Implementar programas regulares de formação contínua em estomaterapia,
com enfoque prático, dirigidos aos enfermeiros dos serviços que prestam cuidados à
pessoa ostomizada.
Instituir a marcação pré-operatória sistemática do local do estoma, sempre que
clinicamente possível, como prática padrão no percurso assistencial.
Promover a utilização de protocolos e checklists padronizados para a avaliação
do estoma, da pele periestoma e para a troca de dispositivos, assegurando a
uniformização dos cuidados.
Reforçar o ensino estruturado do autocuidado ao doente e à família, utilizando
linguagem clara, demonstrações práticas e materiais educativos adequados.
7.2Recomendações para a gestão e organização dos serviços
Criar ou designar um enfermeiro de referência em estomaterapia, responsável
pelo acompanhamento especializado, apoio à equipa e monitorização das
complicações.
Desenvolver programas de acompanhamento pós-alta, incluindo estratégias de
seguimento remoto ou telehealth, especialmente para doentes provenientes de áreas
geograficamente distantes.
Integrar indicadores de qualidade relacionados com o cuidado à pessoa
ostomizada nos sistemas de avaliação institucional, promovendo a melhoria contínua.
48
7.3Recomendações para o ensino e formação académica
Reforçar os conteúdos de estomaterapia nos currículos de formação em
enfermagem, com maior carga horária prática.
Incentivar a participação dos enfermeiros em cursos de pós-graduação,
especialização e actualização científica na área.
Estimular a produção e divulgação de materiais educativos e científicos
adaptados à realidade local.
7.4Recomendações para investigação futura
Realizar estudos com amostras maiores e multicêntricas, permitindo a
generalização dos resultados.
Desenvolver investigações de intervenção, avaliando o impacto de programas
de formação estruturados na redução de complicações periestoma.
Explorar a percepção e a experiência das pessoas ostomizadas,
complementando a visão dos profissionais de saúde.
Avaliar o impacto económico das complicações relacionadas com ostomias,
contribuindo para a tomada de decisão em saúde.
7.5Considerações finais
Este estudo contribui de forma relevante para o conhecimento sobre o cuidado
de enfermagem à pessoa com ostomia de eliminação intestinal no contexto hospitalar
angolano, oferecendo subsídios práticos e científicos para a melhoria da assistência.
As conclusões e recomendações apresentadas reforçam a necessidade de investir na
qualificação dos profissionais, na organização dos serviços e na centralidade do
doente, com vista à promoção da segurança, da qualidade e da humanização dos
cuidados de enfermagem.
REFÊRENCIAS
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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
LATU SENSU
CURSO : URGENCIA E EMERGENCIA
APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(TCLE)
Título do Estudo:
Conhecimento dos Enfermeiros sobre os Cuidados de Enfermagem à Pessoa com
Ostomia de Eliminação Intestinal no Hospital Geral do Huambo
Investigador Responsável:
Nome do Autor: FAUSTINO INACIO SANGIKI
Instituição: Instituto Superior Politécnico da Caála (ISPC)
Curso: Especialização em Urgência e Emergência
Contacto: 927 615 465
1. Enquadramento e Justificação
Está a ser convidado(a) a participar voluntariamente num estudo que pretende
avaliar o conhecimento dos enfermeiros do Hospital Geral do Huambo relativamente
aos cuidados prestados à pessoa com ostomia de eliminação intestinal. A sua
participação é importante para compreender o nível atual de conhecimento,
identificar dificuldades sentidas no exercício da prática clínica e contribuir para a
melhoria da qualidade dos cuidados e da segurança dos pacientes.
2. Objetivo do Estudo
O objetivo principal deste estudo consiste em avaliar o conhecimento dos
enfermeiros sobre o manejo e os cuidados de enfermagem dirigidos às pessoas com
ostomia de eliminação intestinal, bem como identificar práticas assistenciais
adotadas e dificuldades percebidas.
3. Procedimentos de Participação
Caso aceite participar:
✓ Ser-lhe-á entregue um questionário estruturado, composto por quatro
secções.
✓ O preenchimento deverá demorar aproximadamente 10 a 15 minutos.
✓ Não será necessário colocar o seu nome ou qualquer forma de identificação
pessoal.
✓ Após o preenchimento, o questionário deverá ser entregue em envelope
fechado no local indicado.
4. Riscos e Benefícios
Riscos
A participação não envolve qualquer risco físico ou emocional significativo. As
perguntas abordam apenas aspetos relacionados com a sua prática profissional.
Benefícios
Embora não receba benefícios diretos, a sua participação contribuirá para:
✓ a melhoria dos cuidados prestados às pessoas ostomizadas;
✓ o desenvolvimento de programas de capacitação específicos;
✓ o fortalecimento da prática baseada em evidência na instituição;
✓ a promoção da segurança do paciente e eficiência assistencial.
5. Confidencialidade e Privacidade
Todas as informações fornecidas serão tratadas de forma absolutamente
confidencial.
Os dados recolhidos serão analisados de forma agrupada e não permitirão qualquer
identificação individual dos participantes.
Os questionários serão armazenados em local seguro e destruídos após a
conclusão da investigação, garantindo a proteção da privacidade.
6. Voluntariedade e Direito de Desistência
A sua participação é inteiramente voluntária.
Pode desistir a qualquer momento, sem necessidade de justificar e sem qualquer
prejuízo para a sua atividade profissional ou relação com a instituição.
Não haverá qualquer tipo de compensação financeira pela participação.
7. Aprovação Ética
Este estudo foi submetido e aprovado pelo Comité de Ética do Instituto Superior
Politécnico da Caála, no ano de 2024, cumprindo integralmente os princípios éticos
da investigação em saúde.
8. Declaração de Consentimento
Declaro que:
Fui devidamente informado(a) sobre os objetivos, procedimentos, riscos e benefícios
deste estudo.
Tive oportunidade de esclarecer todas as minhas dúvidas.
Compreendo que a minha participação é voluntária e que posso desistir a qualquer
momento.
Concordo em participar e contribuir com informação para fins científicos e
académicos.
Assinatura do(a) Participante: ________________________________________
Data: ____ / ____ / _______
Assinatura do Investigador Responsável: __________________________________
Data: ____ / ____ / _______
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
LATU SENSU
CURSO : URGENCIA E EMERGENCIA
APÊNDICE B – AUTORIZAÇÃO INSTITUCIONAL PARA REALIZAÇÃO DO
ESTUDO
Hospital Geral do Huambo
Direção Clínica / Direção de Enfermagem
Huambo – Angola
Assunto: Autorização para Realização de Estudo Científico no Hospital Geral do
Huambo
Eu, ____________________________________________, na qualidade de
___________________________________________________ do Hospital Geral
do Huambo, declaro, para os devidos efeitos, que autorizo a realização do estudo
intitulado:
“Conhecimento dos Enfermeiros sobre os Cuidados de Enfermagem à Pessoa
com Ostomia de Eliminação Intestinal no Hospital Geral do Huambo”,
proposto pelo(a) mestrando(a)
____________________________________________, do Instituto Superior
Politécnico da Caála – ISPC, no âmbito da Especialização em Enfermagem de
Urgência e Emergência.
O presente estudo teve os seus objetivos, metodologia e procedimentos
devidamente apresentados à Direção deste Hospital, estando de acordo com as
normas internas da instituição. A recolha de dados deverá respeitar as seguintes
condições:
1. Garantir a confidencialidade e o anonimato de todos os participantes;
2. Não interferir no funcionamento dos serviços nem comprometer o
atendimento aos utentes;
3. Solicitar a participação dos enfermeiros de forma voluntária e ética;
4. Recolher os dados exclusivamente para fins académicos e científicos;
5. Cumprir integralmente as normas de ética em investigação e as orientações
do Comité de Ética do ISPC.
A recolha de dados está autorizada a decorrer no período compreendido entre
01/11/2024 e 01/12/2025, dentro das dependências do Hospital Geral do Huambo e
nos serviços onde o autor do estudo estiver autorizado a aceder.
Reconhecemos a relevância desta investigação para o fortalecimento da qualidade
assistencial, para a formação dos profissionais de enfermagem e para o
desenvolvimento científico no domínio dos cuidados à pessoa ostomizada.
Sem mais, autorizamos formalmente a realização do referido estudo.
Huambo, ____ de ___________________ de 2024.
______________________________________________
Nome:
Cargo:
Hospital Geral do Huambo
Carimbo e Assinatura Institucional
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
LATU SENSU
CURSO : URGENCIA E EMERGENCIA
APÊNDICE C – PARECER DO COMITÉ DE ÉTICA
Instituto Superior Politécnico da Caála (ISPC)
Comité de Ética em Pesquisa (CEP)
Huambo – Angola
PARECER DO COMITÉ DE ÉTICA EM PESQUISA
Projeto de Investigação:
“Conhecimento dos Enfermeiros sobre os Cuidados de Enfermagem à Pessoa com
Ostomia de Eliminação Intestinal no Hospital Geral do Huambo”
Investigador(a) Responsável: Faustino Inacio Sangiki
Curso: Mestrado em Enfermagem de Urgência e Emergência
Instituição: Instituto Superior Politécnico da Caála – ISPC
1. Identificação do Projeto
O projeto apresentado tem como finalidade avaliar o conhecimento dos enfermeiros
do Hospital Geral do Huambo sobre os cuidados de enfermagem dirigidos às
pessoas com ostomia de eliminação intestinal, bem como identificar práticas
assistenciais existentes e dificuldades percebidas pelos profissionais.
Trata-se de um estudo de abordagem quantitativa, de natureza descritiva e
transversal, utilizando um questionário estruturado como instrumento de recolha de
dados.
2. Análise Ética
Após análise detalhada do protocolo de investigação, o Comité de Ética considerou
que:
• O estudo apresenta clareza metodológica e está alinhado com princípios
éticos fundamentais.
• Os procedimentos descritos garantem autonomia, voluntariedade e
anonimato dos participantes.
• Os riscos envolvidos são mínimos e limitados ao desconforto eventual durante
o preenchimento do questionário.
• O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) encontra-se
adequado e suficiente, assegurando o direito à informação e à desistência
sem prejuízo.
• O estudo demonstra relevância científica, académica e social, contribuindo
para a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem no contexto
assistencial local.
Não foram identificadas violações éticas ou elementos que comprometam a
integridade dos participantes ou da instituição.
3. Decisão
O Comité de Ética em Pesquisa do ISPC, reunido em //2024, deliberou:
PARECER FAVORÁVEL
à realização da investigação intitulada:
“Conhecimento dos Enfermeiros sobre os Cuidados de Enfermagem à Pessoa com
Ostomia de Eliminação Intestinal no Hospital Geral do Huambo”,
condicionando-se ao cumprimento rigoroso dos procedimentos éticos descritos no
protocolo e ao uso exclusivo dos dados para fins académicos e científicos.
4. Validade do Parecer
O presente parecer ético é válido até:
01/12/2025, podendo ser renovado mediante solicitação do pesquisador
responsável.
Huambo, ____ de ___________________ de 2024.
______________________________________________
Presidente do Comité de Ética em Pesquisa
Instituto Superior Politécnico da Caála – ISPC
Carimbo e Assinatura
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
LATU SENSU
CURSO : URGENCIA E EMERGENCIA
APÊNDICE D – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ENFERMEIROS
Título do Estudo:
Conhecimento dos Enfermeiros sobre os Cuidados de Enfermagem à Pessoa com
Ostomia de Eliminação Intestinal no Hospital Geral do Huambo
Instruções:
Leia atentamente cada questão e assinale apenas uma resposta, exceto quando
indicado.
Não coloque o seu nome ou qualquer dado que o identifique.
As respostas são anónimas e utilizadas apenas para fins científicos.
SECÇÃO A – DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS E PROFISSIONAIS
A1. Idade:
( ) Menos de 25 anos
( ) 25–30 anos
( ) 31–35 anos
( ) 36–40 anos
( ) Mais de 40 anos
A2. Sexo:
( ) Feminino
( ) Masculino
A3. Estado civil:
( ) Solteiro(a)
( ) Casado(a)/União estável
( ) Divorciado(a)
( ) Viúvo(a)
A4. Tempo de exercício profissional como enfermeiro:
( ) Menos de 1 ano
( ) 1–5 anos
( ) 6–10 anos
( ) 11–15 anos
( ) Mais de 15 anos
A5. Nível académico:
( ) Técnico de Enfermagem
( ) Licenciatura
( ) Pós-graduação lato sensu
( ) Mestrado
( ) Doutoramento
A6. Serviço onde trabalha atualmente:
( ) Urgência
( ) Medicina
( ) Cirurgia
( ) Pediatria
( ) Banco de Urgência
( ) Outros: _______________________
A7. Já recebeu formação específica em estomaterapia?
( ) Sim
( ) Não
A8. Caso sim, indique o tipo de formação:
( ) Curso breve (workshop)
( ) Formação técnica
( ) Formação universitária
( ) Outra: __________________________
A9. Participou em ações de capacitação sobre ostomias nos últimos 2 anos?
( ) Sim
( ) Não
SECÇÃO B – CONHECIMENTOS SOBRE OSTOMIAS E COMPLICAÇÕES
B1. Uma ostomia de eliminação intestinal é:
( ) Uma abertura cirúrgica no abdómen que exterioriza parte do intestino
( ) Um procedimento temporário de drenagem urinária
( ) Uma complicação pós-operatória rara
( ) Não sei responder
B2. A colostomia é realizada no:
( ) Íleo terminal
( ) Intestino grosso
( ) Estômago
( ) Não sei responder
B3. A ileostomia caracteriza-se por:
( ) Efluente sólido
( ) Efluente líquido e irritante
( ) Efluente escuro e espesso
( ) Não sei responder
B4. Qual destas é uma complicação frequente do estoma?
( ) Dermatite periestoma
( ) Pneumonia
( ) Úlcera gástrica
( ) Não sei responder
B5. A hérnia paraestomal corresponde a:
( ) Ruptura do estoma
( ) Protrusão de estruturas abdominais ao redor do estoma
( ) Fechamento completo do estoma
( ) Não sei responder
B6. O local ideal para confeção do estoma deve ser:
( ) Definido sem avaliação prévia
( ) Escolhido pelo cirurgião no momento da cirurgia sem consulta prévia
( ) Marcado previamente, avaliando anatomia e mobilidade
( ) Não sei responder
B7. A pele periestoma saudável deve apresentar:
( ) Vermelhidão intensa
( ) Integridade preservada, sem dor
( ) Exsudado purulento
( ) Não sei responder
B8. Qual a medida mais eficaz para prevenir dermatite periestoma?
( ) Uso de adesivos genéricos
( ) Corte adequado da base
( ) Troca diária obrigatória do dispositivo
( ) Não sei responder
SECÇÃO C – PRÁTICAS DE ENFERMAGEM NO CUIDADO À PESSOA
OSTOMIZADA
C1. Com que frequência presta cuidados a pacientes ostomizados?
( ) Diariamente
( ) Semanalmente
( ) Mensalmente
( ) Raramente
( ) Nunca
C2. Quando realiza a troca do dispositivo, observa a pele periestoma?
( ) Sempre
( ) Frequentemente
( ) Às vezes
( ) Raramente
( ) Nunca
C3. Realiza a limpeza da pele periestoma utilizando apenas água e compressas
macias?
( ) Sim, sempre
( ) Às vezes
( ) Não
( ) Não sei responder
C4. Verifica o diâmetro do estoma antes de cortar a base adesiva?
( ) Sim
( ) Não
( ) Apenas quando há queixas
( ) Não sei responder
C5. Orienta o paciente sobre sinais de alerta que justificam retorno imediato ao
serviço?
( ) Sim, sempre
( ) Às vezes
( ) Nunca
C6. Realiza ensino estruturado para o autocuidado?
( ) Sim
( ) Não
( ) Apenas quando solicitado
C7. Utiliza protocolos institucionais para cuidar de pessoas ostomizadas?
( ) Sim
( ) Não
( ) Não existem protocolos
SECÇÃO D – DIFICULDADES E NECESSIDADES FORMATIVAS
D1. Quais são as principais dificuldades enfrentadas no cuidado ao paciente
ostomizado?
(Marque todas as que se aplicam.)
[ ] Falta de formação específica
[ ] Insegurança ao manusear dispositivos
[ ] Dificuldade em ensinar o autocuidado
[ ] Falta de materiais adequados
[ ] Sobrecarga de trabalho
[ ] Falta de apoio institucional
[ ] Outras: ______________________________________
D2. Sente-se preparado(a) para prestar cuidados completos ao paciente
ostomizado?
( ) Sim
( ) Não
( ) Parcialmente
D3. Considera importante implementar um programa de capacitação contínua
em ostomias?
( ) Sim
( ) Não
D4. Em que áreas necessita de maior formação?
(Marque todas as que se aplicam.)
[ ] Prevenção de complicações
[ ] Manejo de dispositivos
[ ] Educação para o autocuidado
[ ] Cuidados com pele periestoma
[ ] Sexualidade e adaptação psicossocial
[ ] Alimentação e hidratação
[ ] Outras: ___________________________________
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
LATU SENSU
CURSO : URGENCIA E EMERGENCIA
APÊNDICE E – MATRIZ DE OPERACIONALIZAÇÃO DAS VARIÁVEIS
A matriz a seguir descreve, de forma detalhada, as variáveis do estudo, o seu tipo, os indicadores, as categorias de resposta e os
itens correspondentes do questionário (Apêndice D).
1. Variáveis Sociodemográficas e Profissionais
Variável
Tipo de
Variável
Indicador Categorias de Resposta
Itens do
Questionário
Idade Ordinal Faixa etária <25; 25-30; 31-35; 36-40; >40 A1
Sexo Nominal Identidade sexual Feminino; Masculino A2
Estado civil Nominal Situação civil
Solteiro; Casado/União estável; Divorciado;
Viúvo
A3
Tempo de exercício
profissional
Ordinal
Anos de
experiência
<1; 1–5; 6–10; 11–15; >15 A4
Nível académico Ordinal Grau de formação
Técnico; Licenciatura; Pós-graduação;
Mestrado; Doutoramento
A5
Variável
Tipo de
Variável
Indicador Categorias de Resposta
Itens do
Questionário
Serviço onde trabalha Nominal Setor de atuação
Urgência; Medicina; Cirurgia; Pediatria; Banco
de Urgência; Outros
A6
Formação em
estomaterapia
Nominal
Presença de
formação
Sim; Não A7
Tipo de formação em
estomaterapia
Nominal
Modalidade
formativa
Workshop; Técnica; Universitária; Outra A8
Capacitação nos últimos 2
anos
Nominal
Participação
recente
Sim; Não A9
2. Variáveis de Conhecimento sobre Ostomias e Complicações
Variável
Tipo de
Variável
Indicador
Categorias de
Resposta
Itens do
Questionário
Conhecimento sobre
ostomia
Ordinal Respostas corretas
Correta; Incorreta; Não
sei
B1
Conhecimento sobre
localização das ostomias
Ordinal Respostas corretas
Correta; Incorreta; Não
sei
B2
Diferenciação de ileostomia
e colostomia
Ordinal Acerto conceitual
Correta; Incorreta; Não
sei
B3
Variável
Tipo de
Variável
Indicador
Categorias de
Resposta
Itens do
Questionário
Identificação de
complicações
Ordinal
Reconhecimento de
complicações
Correta; Incorreta; Não
sei
B4
Conhecimento sobre hérnia
paraestomal
Ordinal Acerto conceitual
Correta; Incorreta; Não
sei
B5
Marcação pré-operatória do
estoma
Ordinal
Conhecimento da prática
adequada
Correta; Incorreta; Não
sei
B6
Aspetos da pele periestoma
saudável
Ordinal Acerto
Correta; Incorreta; Não
sei
B7
Medidas de prevenção de
dermatite
Ordinal Conhecimento prático
Correta; Incorreta; Não
sei
B8
3. Variáveis sobre Práticas de Enfermagem
Variável
Tipo de
Variável
Indicador Categorias de Resposta
Itens do
Questionário
Frequência de cuidados
semestrais ao ostomizado
Ordinal Regularidade
Diariamente; Semanalmente;
Mensalmente; Raramente; Nunca
C1
Observação da pele periestoma Ordinal Frequência
Sempre; Frequentemente; Às vezes;
Raramente; Nunca
C2
Variável
Tipo de
Variável
Indicador Categorias de Resposta
Itens do
Questionário
Tipo de limpeza da pele
periestoma
Ordinal
Adequação ao
protocolo
Adequada; Parcial; Inadequada C3
Medição do diâmetro do estoma Nominal Prática adequada Sim; Não; Apenas com queixas C4
Ensino sobre sinais de alerta Ordinal Frequência Sempre; Às vezes; Nunca C5
Ensino estruturado para
autocuidado
Nominal Implementação Sim; Não; Quando solicitado C6
Utilização de protocolos
institucionais
Nominal Existência e uso Sim; Não; Não existem protocolos C7
4. Variáveis sobre Dificuldades e Necessidades Formativas
Variável
Tipo de
Variável
Indicador Categorias de Resposta
Itens do
Questionário
Dificuldades no cuidado
ao ostomizado
Nominal
(múltipla
escolha)
Número e tipo de
dificuldades
Formação; Material; Sobrecarga;
Insegurança; Outra
D1
Perceção de preparação
profissional
Ordinal
Autoperceção de
competência
Sim; Não; Parcialmente D2
Necessidade de
capacitação
Nominal Reconhecimento Sim; Não D3
Variável
Tipo de
Variável
Indicador Categorias de Resposta
Itens do
Questionário
Áreas prioritárias de
formação
Nominal
(múltipla
escolha)
Tipo de necessidade
Complicações; Dispositivos; Autocuidado;
Sexualidade; Alimentação; Outros
D4
5. Síntese da Estrutura da Matriz
• Variáveis independentes: sociodemográficas, formação, experiência.
• Variáveis dependentes: conhecimento, práticas, dificuldades, necessidades.
• Indicadores: acertos, frequência, adequação, perceção.
• Ligação direta ao questionário: cada variável corresponde a pelo menos um item do instrumento.
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE
LATU SENSU
CURSO : URGENCIA E EMERGENCIA
APÊNDICE F – ROTEIRO EDUCATIVO PARA CUIDADOS À PESSOA COM
OSTOMIA DE ELIMINAÇÃO INTESTINAL
Objetivo:
Proporcionar ao enfermeiro um instrumento educativo prático e baseado em
evidência, destinado à orientação da pessoa ostomizada e sua família durante o
processo de adaptação, autocuidado e prevenção de complicações.
1. Compreender a ostomia e o estoma
1.1. O que é uma ostomia?
• Abertura cirúrgica no abdómen que exterioriza parte do intestino.
• Pode ser temporária ou definitiva.
1.2. Tipos de ostomias
• Colostomia: realizada no intestino grosso; efluente mais espesso.
• Ileostomia: realizada no íleo; efluente líquido e irritante.
1.3. Características normais do estoma
• Cor vermelho-vivo
• Húmido
• Indolor
• Forma arredondada ou oval
• Leve sangramento ao toque é normal
2. Cuidados com a pele periestoma
2.1. Por que a pele precisa de cuidados?
A pele ao redor do estoma é sensível e pode sofrer lesões pelo contacto com o
efluente, adesivo ou pela retirada inadequada do dispositivo.
2.2. Como limpar?
• Utilizar água morna e compressas macias.
• Evitar sabões perfumados ou oleosos.
• Secar delicadamente, sem fricção.
2.3. Medidas preventivas principais
• Cortar a base adesiva exatamente do tamanho do estoma.
• Verificar o diâmetro do estoma regularmente (pode mudar nas primeiras
semanas).
• Utilizar barreiras protetoras quando indicado.
• Observar diariamente a cor da pele periestoma.
3. Troca do dispositivo
3.1. Quando trocar?
• Sempre que houver vazamento.
• Quando o adesivo perder a aderência.
• Em média a cada 3 a 7 dias (variável por tipo de ostomia e dispositivo).
3.2. Passos essenciais
1. Reunir todo o material necessário.
2. Remover o dispositivo delicadamente, puxando de cima para baixo.
3. Limpar a pele periestoma com água morna.
4. Medir o estoma com régua própria.
5. Cortar a placa aderente com margem de 1–2 mm.
6. Fixar o dispositivo, garantindo bom contacto.
7. Verificar se há desconforto ou irritação.
4. Alimentação e hidratação
4.1. Orientações gerais
• Mastigar bem os alimentos.
• Evitar alimentos muito fibrosos nas primeiras semanas.
• Aumentar gradualmente a variedade.
4.2. Pessoas com ileostomia
• Necessitam de maior ingestão de líquidos.
• Atenção ao risco de desidratação.
• Evitar alimentos que aumentam o débito (ex.: cafeína).
4.3. Pessoas com colostomia
• Manter dieta equilibrada rica em fibras, conforme tolerância.
5. Sinais de alerta – Quando procurar ajuda imediatamente
• Vermelhidão intensa, dor ou prurido persistente.
• Saída de efluente por baixo da placa.
• Estoma escurecido, preto ou muito pálido.
• Hemorragia significativa.
• Febre ou mal-estar súbito.
• Retração ou prolápso abrupto do estoma.
O enfermeiro deve ensinar estes sinais ao paciente e reforçar periodicamente.
6. A importância do autocuidado
6.1. O que é autocuidado para a pessoa ostomizada?
É a capacidade de realizar, de forma autónoma, os cuidados diários necessários ao
bem-estar físico, emocional e social.
6.2. Como promover?
• Demonstrar passo a passo.
• Usar linguagem simples e compreensível.
• Incentivar o paciente a participar progressivamente.
• Validar os sentimentos de medo, vergonha ou insegurança.
• Envolver a família quando apropriado.
7. Sexualidade, autoconceito e vida social
7.1. Sexualidade
• Pode haver medo, vergonha ou diminuição da autoestima.
• Informar que a ostomia não impede a atividade sexual.
• Orientar técnicas para melhorar confiança (ex.: uso de sacos opacos, cintas
discretas).
7.2. Vida social e laboral
• A maioria das pessoas pode retomar atividades normais.
• Incentivar a participação social e prática de exercícios leves conforme
orientação médica.
8. Exercício físico e retorno às atividades
• Evitar levantar pesos nas primeiras semanas.
• Priviligiar caminhadas, alongamentos, exercícios leves.
• Utilizar cintas de suporte quando recomendado para prevenir hérnias.
9. Apoio emocional e psicológico
A adaptação à ostomia envolve luto, aceitação e reconstrução do autoconceito.
O enfermeiro deve:
• Escutar ativamente.
• Validar emoções.
• Encorajar a progressão gradual do autocuidado.
• Encaminhar para apoio psicológico quando necessário.