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SUPLEMENTAÇÃO ESTRATÉGICA NA TRANSIÇÃO ÁGUAS-SECAS.
Gabriel Fernandes de Morais
Especialista em Produção de Ruminantes
ATC Gado de Corte / Goiás - DSM / Tortuga
Todos nós já ouvimos falar no famoso “boi sanfona”. Este é o termo utilizado para
aqueles animais que ganham peso durante as águas e perdem peso na seca. Esse efeito
normalmente acomete animais a pasto, não suplementados, porque, no período de transição das
águas para a seca e ao longo do período de estiagem, ocorre redução gradativa da produção e do
valor nutritivo da forragem, fator este que reduz drasticamente o desempenho dos bovinos. As
principais alterações de composição do capim nessa época do ano são o aumento do teor de
fibra não digestível e a redução do teor de proteína bruta.
Para suprir essas deficiências nutricionais, comuns em períodos de transição e de seca,
exige-se de um bom programa de suplementação, cujo objetivo principal é fornecer
principalmente nitrogênio via farelos proteicos e ureia, além de minerais. A suplementação
proteica de animais em pastagens de baixa qualidade favorece o aumento do consumo de
forragem em consequência do aumento da digestibilidade da fibra. Porém, quando a quantidade
de forragem torna-se o fator limitante para um desempenho satisfatório dos bovinos, faz-se
necessária o luso de um suplemento proteico energético para manutenção do desempenho dos
bovinos a pasto.
Os suplementos proteicos e proteico energéticos podem ser utilizados em diversas
situações e durante todo o ano. Como resultado dessas estratégias de suplementação, espera-se a
melhora dos índices produtivos, tais como maior ganho de peso, maior produção de arrobas por
hectare/ano, aumento da taxa de lotação, encurtamento do ciclo produtivo, pré-adaptação dos
animais ao confinamento e recuperação da condição corporal das matrizes, principalmente
primíparas.
Pesquisas realizadas no Brasil que avaliaram o consumo e ganho de peso de bovinos
mantidos sob diferentes estratégias de suplementação (suplemento mineral, proteico e proteico
energético) durante o período de transição águas/seca, comprovaram o melhor desempenho em
animais alimentados com suplementos proteico e proteico energético em relação ao suplemento
mineral. Em especial, a busca por melhores resultados financeiros motivam os pecuaristas a
intensificar o ganho de peso a pasto, fator este ainda mais importante no período pré-
confinamento.
Em geral, este resultado é conseguido utilizando-se de forma adequada os recursos
forrageiros (bom manejo de pastagem) e estratégias de suplementação. Outro fator importante é
que a otimização da @ ganha a pasto dilui o custo da arroba ganha em confinamento, uma vez
que esta última é complementar, porém mais cara que a primeira. Numa análise comparativa
onde bovinos foram suplementados por 100 dias no período de transição águas/seca com três
tipos de suplementos (suplemento mineral, proteico e proteico energético) e com desempenhos
observados a campo, o custo da @ engordada dos animais que receberam suplemento mineral
foi mais baixo do que o dos demais suplementos ofertados. Entretanto, os animais submetidos
ao tratamento apenas com suplemento mineral permaneceram por mais tempo em confinamento
para atingir o peso de abate, o que aumenta o custo da @ engordada.
Gráfico1: Custo do animal confinado em relação ao tipo de suplemento recebido no período pré-confinamento.
A suplementação proteico energética é a que proporciona o menor custo médio da @
engordada (pasto + confinamento), seguida pela suplementação proteica e suplementação
mineral. A suplementação proteico energética pode reduzir o período de confinamento entre 20
e 30 dias, já a suplementação proteica pode reduzi-lo em 10-15 dias.
Gráfico2: Dias de cocho em relação ao tipo de suplemento recebido no período pré-confinamento.
Nos tempos atuais, onde a demanda por terras se torna cada vez mais acirrada, a
suplementação permite reduzir a área destinada à produção de volumosos ou até mesmo
aumentar a capacidade de alojamento de animais confinados. Além disso, caso o cenário esteja
favorável à valorização da @, pode-se abater animais mais pesados.
Gráfico2: Área necessária para Silagem de Milho em relação ao tipo de suplemento recebido no período pré-
confinamento.
Vale ressaltar que para os três tipos de suplementação (mineral, proteico e proteico
energética), a forragem será responsável por fornecer mais de 50% da proteína e da energia
necessárias para o bom desempenho dos bovinos a pasto. Com as técnicas de suplementação
disponíveis no mercado, as chances de ocorrer “boi sanfona” são reduzidas. Com a adoção
dessas tecnologias de suplementação, é possível encurtar o ciclo produtivo, aumentar o giro do
capital investido, aumentar a taxa de desfrute e a lotação por hectare.
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Suplementação estratégica na transição águas-secas

  • 1. SUPLEMENTAÇÃO ESTRATÉGICA NA TRANSIÇÃO ÁGUAS-SECAS. Gabriel Fernandes de Morais Especialista em Produção de Ruminantes ATC Gado de Corte / Goiás - DSM / Tortuga Todos nós já ouvimos falar no famoso “boi sanfona”. Este é o termo utilizado para aqueles animais que ganham peso durante as águas e perdem peso na seca. Esse efeito normalmente acomete animais a pasto, não suplementados, porque, no período de transição das águas para a seca e ao longo do período de estiagem, ocorre redução gradativa da produção e do valor nutritivo da forragem, fator este que reduz drasticamente o desempenho dos bovinos. As principais alterações de composição do capim nessa época do ano são o aumento do teor de fibra não digestível e a redução do teor de proteína bruta. Para suprir essas deficiências nutricionais, comuns em períodos de transição e de seca, exige-se de um bom programa de suplementação, cujo objetivo principal é fornecer principalmente nitrogênio via farelos proteicos e ureia, além de minerais. A suplementação proteica de animais em pastagens de baixa qualidade favorece o aumento do consumo de forragem em consequência do aumento da digestibilidade da fibra. Porém, quando a quantidade de forragem torna-se o fator limitante para um desempenho satisfatório dos bovinos, faz-se necessária o luso de um suplemento proteico energético para manutenção do desempenho dos bovinos a pasto. Os suplementos proteicos e proteico energéticos podem ser utilizados em diversas situações e durante todo o ano. Como resultado dessas estratégias de suplementação, espera-se a melhora dos índices produtivos, tais como maior ganho de peso, maior produção de arrobas por hectare/ano, aumento da taxa de lotação, encurtamento do ciclo produtivo, pré-adaptação dos animais ao confinamento e recuperação da condição corporal das matrizes, principalmente primíparas. Pesquisas realizadas no Brasil que avaliaram o consumo e ganho de peso de bovinos mantidos sob diferentes estratégias de suplementação (suplemento mineral, proteico e proteico energético) durante o período de transição águas/seca, comprovaram o melhor desempenho em animais alimentados com suplementos proteico e proteico energético em relação ao suplemento mineral. Em especial, a busca por melhores resultados financeiros motivam os pecuaristas a intensificar o ganho de peso a pasto, fator este ainda mais importante no período pré- confinamento. Em geral, este resultado é conseguido utilizando-se de forma adequada os recursos forrageiros (bom manejo de pastagem) e estratégias de suplementação. Outro fator importante é que a otimização da @ ganha a pasto dilui o custo da arroba ganha em confinamento, uma vez
  • 2. que esta última é complementar, porém mais cara que a primeira. Numa análise comparativa onde bovinos foram suplementados por 100 dias no período de transição águas/seca com três tipos de suplementos (suplemento mineral, proteico e proteico energético) e com desempenhos observados a campo, o custo da @ engordada dos animais que receberam suplemento mineral foi mais baixo do que o dos demais suplementos ofertados. Entretanto, os animais submetidos ao tratamento apenas com suplemento mineral permaneceram por mais tempo em confinamento para atingir o peso de abate, o que aumenta o custo da @ engordada. Gráfico1: Custo do animal confinado em relação ao tipo de suplemento recebido no período pré-confinamento. A suplementação proteico energética é a que proporciona o menor custo médio da @ engordada (pasto + confinamento), seguida pela suplementação proteica e suplementação mineral. A suplementação proteico energética pode reduzir o período de confinamento entre 20 e 30 dias, já a suplementação proteica pode reduzi-lo em 10-15 dias. Gráfico2: Dias de cocho em relação ao tipo de suplemento recebido no período pré-confinamento. Nos tempos atuais, onde a demanda por terras se torna cada vez mais acirrada, a suplementação permite reduzir a área destinada à produção de volumosos ou até mesmo aumentar a capacidade de alojamento de animais confinados. Além disso, caso o cenário esteja favorável à valorização da @, pode-se abater animais mais pesados. Gráfico2: Área necessária para Silagem de Milho em relação ao tipo de suplemento recebido no período pré- confinamento. Vale ressaltar que para os três tipos de suplementação (mineral, proteico e proteico energética), a forragem será responsável por fornecer mais de 50% da proteína e da energia necessárias para o bom desempenho dos bovinos a pasto. Com as técnicas de suplementação disponíveis no mercado, as chances de ocorrer “boi sanfona” são reduzidas. Com a adoção dessas tecnologias de suplementação, é possível encurtar o ciclo produtivo, aumentar o giro do capital investido, aumentar a taxa de desfrute e a lotação por hectare. ASSINE A REVISTA DBO E ACOMPANHE O VITRINE TECNOLÓGICA NA ÍNTEGRA: WWW.ASSINEDBO.COM.BR