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O texto inaugural da sessão Clássicos da Sociologia Brasileira, “A sociologia
no Brasil”, de Antonio Candido, foi publicado pela primeira vez em 1959,
na Enciclopédia Delta-Larousse (que teve várias edições nos anos de 1960)1
.
Resultou de uma encomenda feita por Fernando de Azevedo a seus assisten-
tes na cadeira de Sociologia II, Antonio Candido e Florestan Fernandes2
,
que ficaram responsáveis pela redação do item sobre sociologia3
.
Balanço da experiência compartilhada com outros jovens cientistas so-
ciais, que herdaram da primeira geração de professores brasileiros e estran-
geiros o compromisso de construir as ciências sociais em São Paulo, o texto
de Antonio Candido é também o último que escreveu como sociólogo4
,
ainda que possamos discordar que ele tenha deixado de sê-lo em algum
momento de sua trajetória acadêmica.
É possível destacar em sua obra, entretanto, uma série de textos estri-
tamente sociológicos publicados entre 1947 e 1959: “Opinião e classes
sociais em Tietê” (Sociologia, São Paulo, 1947, IX (2): 97-112); “O no-
bre: contribuição para o seu estudo” (Sociologia, São Paulo, 1948, X (2-
3): 140-155); “Sociologia: ensino e estudo” (Sociologia, São Paulo, setem-
bro de 1949, XI (3): 275-289); “The brazilian family” (em T. Lynn
Smith e Alexander Marchant (orgs.), Brazil: Portraits of Half a Continent,
Nova York, The Dryden Press, 1951, pp. 291-312); “Euclides da Cu-
nha, sociólogo” (O Estado de S. Paulo, São Paulo, 13/12/1952, p. 5);
Sociologia como ponto de vista
Luiz Carlos Jackson
1.Todas as referências
desta apresentação fo-
ramretiradasdaexcelen-
te bibliografia de Anto-
nio Candido, organiza-
da por Vinicius Dantas
(São Paulo, Duas Cida-
des/Editora 34, 2002).
2.Não se sabe em que
ano foi feito o convite.
Seposteriora1954,Flo-
restan estava à frente da
cadeira de Sociologia I.
3.Incluído em sessão
sobre as ciências sociais.
Fernando de Azevedo
escreveu uma introdu-
ção. O artigo de Flores-
tan trata do objeto, das
divisões e do desenvol-
vimento histórico da
sociologia na Europa e
nos Estados Unidos.
Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 18, n. 1268
Apresentação, 267-269
“Contribuição ao estudo de problemas do ensino rural” (em J. Querino
Ribeiro, Pequenos estudos sobre grandes problemas educacionais: alguns as-
pectos do ponto de vista da administração escolar, São Paulo, 1952, pp. 17-
23 [tese apresentada ao IV Congresso Normalista de Educação Rural, em
São Carlos, em outubro de 1951]); “A estrutura da escola: contribuição
sociológica aos cursos especializados de administração escolar” (Caderno
n. 5, São Paulo, FFCL da USP, 1953, 33 pp.); “A vida familial do caipi-
ra” (Sociologia, São Paulo, 1954, XVI (4): 341-367); “Informação sobre
a sociologia em São Paulo” (O Estado de S. Paulo, São Paulo, 25/1/1954,
p. 135 [número comemorativo ao IV Centenário, 1954]); “L’état actuel
et les problèmes les plus importants des études sur les sociétés rurales
du Brésil” (Anais do XXXI Congresso Internacional de Americanistas [em
São Paulo, de 23 a 28/08/1954], v. I, São Paulo, Anhembi, 1955, pp.
321-332); “O papel do estudo sociológico da escola na sociologia educa-
cional” (Anais do I Congresso Brasileiro de Sociologia, São Paulo, Socieda-
de Brasileira de Sociologia, 1955, pp. 117-130); “Possíveis raízes indíge-
nas de uma dança popular” (Revista de Antropologia, São Paulo, junho de
1956, IV (1):1-24); “A sociologia no Brasil” (Enciclopédia Delta-Larousse,
Rio de Janeiro, Delta S.A., 1959, pp. 2216-2232).
Infelizmente dispersos e de difícil acesso, constituem, juntamente com
Os parceiros do rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos
seus meios de vida (Rio de Janeiro, José Olympio, 1964, 239 pp.), a expres-
são de sua atuação como professor assistente de Sociologia na FFCL-USP
nas décadas de 1940 e 1950. Deve-se notar, ainda, intervalo significativo
demarcado pela última de suas “Notas de crítica literária” (27/2/1947),
publicadas então no Diário de São Paulo, e o primeiro texto (sobre Guima-
rães Rosa, em 6/10/1956) publicado no Suplemento Literário de O Estado
de S. Paulo. Não há exagero na afirmação de que, nesse período, Antonio
Candido foi, em primeiro lugar, sociólogo. Sua opção posterior pela crítica
literária não pode ser compreendida sem que se considerem as perspectivas
teóricas adquiridas nas ciências sociais.
Esse afastamento dos jornais permitiu finalizar também A formação da
literatura brasileira (1959). Centrada em nossa formação literária, a obra-
prima de Antonio Candido é o ponto de referência para um conjunto de
textos que avalia o sentido da experiência intelectual brasileira5
, no qual se
inscreve “A sociologia no Brasil”. Duas grandes teses norteiam esse percurso,
a primeira deriva da definição de literatura como sistema e, portanto, como
representação coletiva. A segunda afirma sua precedência na construção de
4.Antonio Candido foi
professor assistente na
cadeira de Sociologia II,
na FFCL-USP, dirigida
porFernandodeAzeve-
do, de 1942 a 1958. De
1958 a 1960, lecionou
Literatura Brasileira na
Faculdade de Filosofia,
Ciências e Letras de As-
sis.Assumiuacadeirade
TeoriaLiteráriaeLitera-
tura Comparada, na
FFCL-USP, em dezem-
bro de 1960.
5.Doqualconstam,so-
bretudo, “Literatura e
cultura de 1900 a
1945”, em Literatura e
sociedade: estudos de teo-
ria e história literária
(SãoPaulo,Companhia
EditoraNacional,1965,
230 pp.); “O significa-
do de Raízes do Brasil”,
em Sérgio Buarque de
Holanda,RaízesdoBra-
sil (5 ed., Rio de Janei-
ro,JoséOlympio,1969,
pp. XIX-XXX) e “Radi-
calismos”, em Vários es-
critos,3ed.revistaeam-
pliada, São Paulo, Duas
Cidades, 1995, 358 pp.
269junho 2006
Luiz Carlos Jackson
nossa identidade como nação em relação a outras formas de produção inte-
lectual e artística.
Nesse sentido, tanto a crítica da cultura como a sociologia deveriam
constituir-se como resultantes dessa experiência histórica, decisiva para a
conformação de certo estilo intelectual, marcado pelo rigor científico, mas
também por liberdade expressiva. Este é, salvo engano, o ponto de vista
sociológico que o autor defende vigorosa e discretamente, em meio às dis-
putas e tensões que caracterizaram as décadas de institucionalização das
ciências sociais em São Paulo.
Luiz Carlos Jackson é
professor do Departa-
mento de Sociologia da
FFLCH-USP. E-mail:
ljackson@usp.br.

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Sociologia 1

  • 1. O texto inaugural da sessão Clássicos da Sociologia Brasileira, “A sociologia no Brasil”, de Antonio Candido, foi publicado pela primeira vez em 1959, na Enciclopédia Delta-Larousse (que teve várias edições nos anos de 1960)1 . Resultou de uma encomenda feita por Fernando de Azevedo a seus assisten- tes na cadeira de Sociologia II, Antonio Candido e Florestan Fernandes2 , que ficaram responsáveis pela redação do item sobre sociologia3 . Balanço da experiência compartilhada com outros jovens cientistas so- ciais, que herdaram da primeira geração de professores brasileiros e estran- geiros o compromisso de construir as ciências sociais em São Paulo, o texto de Antonio Candido é também o último que escreveu como sociólogo4 , ainda que possamos discordar que ele tenha deixado de sê-lo em algum momento de sua trajetória acadêmica. É possível destacar em sua obra, entretanto, uma série de textos estri- tamente sociológicos publicados entre 1947 e 1959: “Opinião e classes sociais em Tietê” (Sociologia, São Paulo, 1947, IX (2): 97-112); “O no- bre: contribuição para o seu estudo” (Sociologia, São Paulo, 1948, X (2- 3): 140-155); “Sociologia: ensino e estudo” (Sociologia, São Paulo, setem- bro de 1949, XI (3): 275-289); “The brazilian family” (em T. Lynn Smith e Alexander Marchant (orgs.), Brazil: Portraits of Half a Continent, Nova York, The Dryden Press, 1951, pp. 291-312); “Euclides da Cu- nha, sociólogo” (O Estado de S. Paulo, São Paulo, 13/12/1952, p. 5); Sociologia como ponto de vista Luiz Carlos Jackson 1.Todas as referências desta apresentação fo- ramretiradasdaexcelen- te bibliografia de Anto- nio Candido, organiza- da por Vinicius Dantas (São Paulo, Duas Cida- des/Editora 34, 2002). 2.Não se sabe em que ano foi feito o convite. Seposteriora1954,Flo- restan estava à frente da cadeira de Sociologia I. 3.Incluído em sessão sobre as ciências sociais. Fernando de Azevedo escreveu uma introdu- ção. O artigo de Flores- tan trata do objeto, das divisões e do desenvol- vimento histórico da sociologia na Europa e nos Estados Unidos.
  • 2. Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 18, n. 1268 Apresentação, 267-269 “Contribuição ao estudo de problemas do ensino rural” (em J. Querino Ribeiro, Pequenos estudos sobre grandes problemas educacionais: alguns as- pectos do ponto de vista da administração escolar, São Paulo, 1952, pp. 17- 23 [tese apresentada ao IV Congresso Normalista de Educação Rural, em São Carlos, em outubro de 1951]); “A estrutura da escola: contribuição sociológica aos cursos especializados de administração escolar” (Caderno n. 5, São Paulo, FFCL da USP, 1953, 33 pp.); “A vida familial do caipi- ra” (Sociologia, São Paulo, 1954, XVI (4): 341-367); “Informação sobre a sociologia em São Paulo” (O Estado de S. Paulo, São Paulo, 25/1/1954, p. 135 [número comemorativo ao IV Centenário, 1954]); “L’état actuel et les problèmes les plus importants des études sur les sociétés rurales du Brésil” (Anais do XXXI Congresso Internacional de Americanistas [em São Paulo, de 23 a 28/08/1954], v. I, São Paulo, Anhembi, 1955, pp. 321-332); “O papel do estudo sociológico da escola na sociologia educa- cional” (Anais do I Congresso Brasileiro de Sociologia, São Paulo, Socieda- de Brasileira de Sociologia, 1955, pp. 117-130); “Possíveis raízes indíge- nas de uma dança popular” (Revista de Antropologia, São Paulo, junho de 1956, IV (1):1-24); “A sociologia no Brasil” (Enciclopédia Delta-Larousse, Rio de Janeiro, Delta S.A., 1959, pp. 2216-2232). Infelizmente dispersos e de difícil acesso, constituem, juntamente com Os parceiros do rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida (Rio de Janeiro, José Olympio, 1964, 239 pp.), a expres- são de sua atuação como professor assistente de Sociologia na FFCL-USP nas décadas de 1940 e 1950. Deve-se notar, ainda, intervalo significativo demarcado pela última de suas “Notas de crítica literária” (27/2/1947), publicadas então no Diário de São Paulo, e o primeiro texto (sobre Guima- rães Rosa, em 6/10/1956) publicado no Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo. Não há exagero na afirmação de que, nesse período, Antonio Candido foi, em primeiro lugar, sociólogo. Sua opção posterior pela crítica literária não pode ser compreendida sem que se considerem as perspectivas teóricas adquiridas nas ciências sociais. Esse afastamento dos jornais permitiu finalizar também A formação da literatura brasileira (1959). Centrada em nossa formação literária, a obra- prima de Antonio Candido é o ponto de referência para um conjunto de textos que avalia o sentido da experiência intelectual brasileira5 , no qual se inscreve “A sociologia no Brasil”. Duas grandes teses norteiam esse percurso, a primeira deriva da definição de literatura como sistema e, portanto, como representação coletiva. A segunda afirma sua precedência na construção de 4.Antonio Candido foi professor assistente na cadeira de Sociologia II, na FFCL-USP, dirigida porFernandodeAzeve- do, de 1942 a 1958. De 1958 a 1960, lecionou Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de As- sis.Assumiuacadeirade TeoriaLiteráriaeLitera- tura Comparada, na FFCL-USP, em dezem- bro de 1960. 5.Doqualconstam,so- bretudo, “Literatura e cultura de 1900 a 1945”, em Literatura e sociedade: estudos de teo- ria e história literária (SãoPaulo,Companhia EditoraNacional,1965, 230 pp.); “O significa- do de Raízes do Brasil”, em Sérgio Buarque de Holanda,RaízesdoBra- sil (5 ed., Rio de Janei- ro,JoséOlympio,1969, pp. XIX-XXX) e “Radi- calismos”, em Vários es- critos,3ed.revistaeam- pliada, São Paulo, Duas Cidades, 1995, 358 pp.
  • 3. 269junho 2006 Luiz Carlos Jackson nossa identidade como nação em relação a outras formas de produção inte- lectual e artística. Nesse sentido, tanto a crítica da cultura como a sociologia deveriam constituir-se como resultantes dessa experiência histórica, decisiva para a conformação de certo estilo intelectual, marcado pelo rigor científico, mas também por liberdade expressiva. Este é, salvo engano, o ponto de vista sociológico que o autor defende vigorosa e discretamente, em meio às dis- putas e tensões que caracterizaram as décadas de institucionalização das ciências sociais em São Paulo. Luiz Carlos Jackson é professor do Departa- mento de Sociologia da FFLCH-USP. E-mail: ljackson@usp.br.