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Geografia Prof. Ivanilson Lima
Sistematização da Geografia
A falta da constituição de um Estado nacional, a extrema diversidade entre os vários membros da
Confederação, a ausência de relações duráveis entre eles, a inexistência de um ponto de convergência
das relações econômicas – todos estes aspectos conferem à discussão geográfica uma relevância
especial, para as classes dominantes da Alemanha, no início do século XIX. Temas como domínio e
organização do espaço, apropriação do território, variação regional, entre outros, estarão na ordem
do dia na prática da sociedade alemã de então. É, sem dúvida, deles que se alimentará a sistematização
geográfica. Do mesmo modo como a Sociologia aparece na França, onde a questão central era a
organização social (um país em que a luta de classes atingia um radicalismo único), a Geografia surge
na Alemanha onde a questão do espaço era a primordial. (MORAES, págs. 14 e 15).
Nesse quadro de tensões, temos então palco para a criação das ideias que originariam a
Geografia no território que hoje compõe a Alemanha. A partir das discussões iniciadas pelos autores
Alexander Von Humboldt (1769-1859 – conselheiro do rei da Prússia) e Karl Ritter (1779-1859 – tutor
de uma família de banqueiros), ambos de origem prussiana e ligados a aristocracia da época. Ambos
ocuparam altos cargos da hierarquia universitária alemã.
1. Alexander Von Humboldt
Formação naturalista em Geologia e Botânica.
Entendia que a Geografia era uma ciência terrestre que atuaria como uma espécie de ciência de
síntese de todos os conhecimentos relativos a Terra.
Propõe um empirismo raciocinado, na qual o cientista, deve intuir os fatos a partir da
observação dos variados fenômenos naturais, combinando o que foi observado nesses locais e
procurando as constantes dos fenômenos, mesmo com as variações aparentes. Podemos então intuir,
a partir disso que o geógrafo deveria contemplar a paisagem, esta causaria uma impressão no mesmo
e a partir de uma observação constante e sistematizada ele chegaria a uma explicação para o local
observado.
2. Karl Ritter
Formação social em Filosofia e História.
Entendia que a Geografia deveria estudar os arranjos individuais das regiões, comparando-os e
buscando suas particularidades.
Ritter já propõe uma abordagem metodológica mais explícita, definindo a partir do que ele
chama de sistema natural que a Geografia tem por finalidade buscar definir a individualidade dos
diferentes locais, compondo os diferentes arranjos naturais. Cada um desses arranjos então teria seu
conjunto de elementos, sendo o homem o principal. Outro ponto importante é o fato de o autor
considerar que a ciência deveria ser uma forma de relação entre o homem e o “criador”, dessa forma,
o estudo geográfico serviria também para uma aproximação com a divindade, pois a ordem natural
obedeceria a um fim previsto por Deus. Consequentemente, podemos dizer que a proposta de Ritter é
antropocêntrica e regional.
A obra de Ritter já e explicitamente metodológica. A formação de Ritter também e radicalmente
distinta da de Humboldt, enquanto aquele era geólogo e botânico, este possui formação em Filosofia
e História. Ritter define o conceito de “sistema natural”, isto é, uma área delimitada dotada de uma
individualidade. A Geografia deveria estudar estes arranjos individuais, e compará-los. Assim, a
Geografia de Ritter é, principalmente, um estudo dos lugares, uma busca da individualidade destes.
Categorias de Análise da Geografia.
A Geografia usa-se de diferentes categorias para basear seus estudos. Essas categorias servem
para orientar e recortar o espaço a ser analisado pelo cientista, delimitando o espaço, usando-se de
conhecimentos cartográficos.
Figura 1: Adaptado de http://obshistoricogeo.blogspot.com.br/2014/12/o-conceito-de-paisagem-lugar-territorio.html
1. Paisagem
Refere-se às configurações externas do espaço. Por muitas vezes, ela foi definida como “aquilo
que a visão alcança”. Porém, essa definição desconsidera as chamadas “paisagens ocultas”, ou seja,
aqueles processos e dinâmicas que são visíveis, mas que de alguma forma foram ocultados pela
sociedade. Além disso, tal definição também peca por apenas considerar o sentido da visão como
preceptora do espaço, cabendo a importância dos demais sentidos, com destaque para a audição e o
olfato.
Dessa forma, podemos afirmar, de maneira simples e direta, que o conceito de paisagem refere-
se às manifestações e fenômenos espaciais que podem ser apreendidos pelo ser humano através de
seus sentidos.
Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/geografia/categorias-geografia.htm no dia 05 de março de 2016.
2. Território
É classicamente definido como sendo um espaço delimitado. Tal delimitação se dá através de
fronteiras, sejam elas definidas pelo homem ou pela natureza. Mas nem sempre essas fronteiras são
visíveis ou muito bem definidas, pois a conformação de um território obedece a uma relação de poder,
podendo ocorrer tanto em elevada abrangência (o território de um país, por exemplo) quanto em
espaços menores (o território dos traficantes em uma favela, por exemplo).
Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/geografia/categorias-geografia.htm no dia 05 de março de 2016.
3. Região
É uma área ou espaço que foi dividido obedecendo a um critério específico. Trata-se de uma
elaboração racional humana para melhor compreender uma determinada área ou um aspecto dela.
Assim, as regiões podem ser criadas para realizar estudos sobre as características gerais de um
território (as regiões brasileiras, por exemplo) ou para entender determinados aspectos do espaço (as
regiões geoeconômicas do Brasil para entender a economia brasileira). Eu posso criar minha própria
região para a divisão de uma área a partir de suas práticas culturais ou por suas diferentes paisagens
naturais, entre outros critérios.
Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/geografia/categorias-geografia.htm no dia 05 de março de 2016.
4. Lugar:
É uma categoria muito utilizada por aqueles pensadores que preferem construir uma concepção
compreensiva da Geografia. Grosso modo, o lugar pode ser definido como o espaço percebido, ou seja,
uma determinada área ou ponto do espaço da forma como são entendidos pela razão humana de
pertencimento a uma porção do espaço geográfico. Seu conceito também se liga ao espaço afetivo,
aquele local em que uma determinada pessoa possui certa familiaridade ou intimidade, como uma rua,
uma praça ou a própria casa.
Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/geografia/categorias-geografia.htm no dia 05 de março de 2016.
Correntes do Pensamento Geográfico
A Geografia, no transcorrer do seu desenvolvimento teve diferentes formas de análise e
interpretação de como ocorreriam as relações entre sociedade e natureza, dessa forma, temos
diferentes pensamentos que se tornaram mais importantes em determinados locais e épocas
históricas, tendo assim constituida as diferentes Correntes do Pensamento Geográfico.
1. Geografia Determinista.
Um revigoramento do processo de sistematização da Geografia vai ocorrer com as formulações de
Friedrich Ratzel. Este autor, também alemão e prussiano, publica suas obras no último quartel do século
XIX. Enquanto Humboldt e Ritter vivenciaram o aparecimento do ideal de unificação alemã, Ratzel
vivencia a constituição real do Estado nacional alemão e suas primeiras décadas. Suas formulações só
são compreensíveis em função da época e da sociedade que as engendram. A Geografia de Ratzel foi
um instrumento poderoso de legitimação dos desígnios expansionistas do Estado alemão recém-
constituído. L. Febvre chegou a denominá-la de “manual de imperialismo”. Assim, cabe analisar,
mesmo que em linhas gerais, o processo de unificação da Alemanha. (MORAES, pág. 18)
As formulações de Ratzel, a partir de sua obra Antropogeografia – fundamentos da aplicação da
Geografia à História nascem a partir da consolidação do Estado Alemão. E quais os principais
acontecimentos da unificação da Alemanha?
As relações capitalistas penetram tardiamente nesse país, que mantém características feudais
ainda no início do século XIX. Temos então como primeiro passo para essa unificação a Confederação
Germânica, porém que não conseguiu instaurar de imediato um governo central. Dentro dessa
confederação temos dois reinos mais importantes que disputam a hegemonia do estado alemão, a
Aústria e a Prússia. A partir de 1848 começam a aparecer levantes populares, que farão com que surjam
movimentos das classes dominantes que pretendem acabar com essa revolução, formando um bloco
reacionário militar, aproximando os integrantes dessa classe e trazendo ações unificadas. Porém, como
a pauta dos dois blocos se concentra na unificação da Alemanha, isso acaba por aproximá-los e fazer
com que a unificação seja um caminho sem volta. Em virtude disso iniciamos uma guerra entre Aústria
e Prússia, saindo o segundo vitorioso.
Com a vitória prussiana, temos uma organização militarizada da sociedade e do Estado, trazendo
assim uma organização que atingiria toda a sociedade civil. Temos então, com a militarização prussiana
a instauração de uma política cultural nacionalista, visando justificar uma política expansionista
agressiva. Isso justificado pela unificação tardia alemã, que fez com que a mesma não participasse da
partilha dos territórios coloniais do século XIX, embora que essa unificação tardia não tenha impedido
um relativo desenvolvimento interno. Temos então um novo país capitalista industrial, que não possue
colônias.
Assim, a Geografia de Ratzel expressa diretamente um elogio do imperialismo, como ao dizer, por
exemplo: “Semelhante à luta pela vida, cuja finalidade básica é obter espaço, as lutas dos povos são
quase sempre pelo mesmo objetivo. Na história moderna a recompensa da vitória foi sempre um
proveito territorial”. (MORAES, pág. 19).
Na obra de Ratzel, Antropogeografia, o autor define que o estudo geográfico tem que se
concentrar na influência que as condições naturais exercem sobre a humanidade. Essas influências
seriam percebidas na fisiologia e na psicologia dos indíviduos e através disso, na sociedade. A natureza
portanto influencia a constituição da sociedade e atuaria nas possibilidades de expansão de um povo,
trazendo obstáculos ou o acelerando. Para Ratzel: “O progresso significaria um maior uso dos recursos
do meio, logo, uma relação mais íntima com a natureza.” (MORAES, pág. 19). Assim, estabelecendo
essa relação de forma consolidada, a sociedade cria o Estado, se organizando para defender seu
território.
Outro ponto da proposta de Ratzel é o conceito de espaço vital: “este representaria uma
proporção de equilíbrio, entre a população de uma dada sociedade e os recursos disponíveis para suprir
suas necessidades, definindo assim suas potencialidades de progredir e suas premências territoriais.”
(MORAES, pág. 19). Através desse conceito podemos perceber que a Geografia proposta por Ratzel visa
defender o processo de expansão da Alemanha.
Na proposta de Ratzel temos ainda uma ciência empírica, mas, como já vimos em Humboldt,
pautada em um empirismo raciocinado. Nele, apesar de termos a figura do homem, esse ainda é visto
pelo seu carater biológico, excluindo suas qualidades específicas.
Um outro detalhe importante dessa escola geográfica são as diferentes visões criadas a partir
das formulações de Ratzel pelos seus seguidores. Acabaram por serem de certa forma extremamente
radicais, fundando a Corrente do Pensamento denominada de Determinismo Geográfico. Temos dessa
forma, uma forma de pensar que leva as formulações de Ratzel ao extremismo, trazendo afirmações
como: “as condições naturais determinam a História” ou “o homem é produto do meio”. De certa forma
reduzindo as proposições de Ratzel, que falava em influências. Uma outra proposição, um pouco
diferente das descritas é a de Huntington que fala por em sua obra Clima e Sociedade que, por exemplo,
os rigores do inverno explicariam o melhor desenvolvimento europeu, enquanto o clima tropical
justicava o subdesenvolvimento. Uma última formulação que surge no meio científico a partir de Ratzel
é o conceito de Geopolítica, a partir do estudo das dominações territoriais, visando legitimar o
imperialismo.
2. Geografia Possibilista.
A outra grande escola da Geografia, que se opõe às colocações de Ratzel, vai ser eminentemente
francesa, e tem seu principal formulador em Paul Vidal de La Blache. [...] A França foi o país que
realizou, de forma mais pura, uma revolução burguesa. Ali os resquícios feudais foram totalmente
varridos, a burguesia instalou seu governo, dando ao Estado a feição que mais atendia a seus
interesses. [...] Napoleão Bonaparte completou este processo de desenvolvimento do capitalismo na
França, o qual teve seu ponto de ruptura na Revolução Francesa, que varreu do quadro agrário deste
país todos os elementos herdados do feudalismo. (MORAES, pág. 22).
Em face das transformações que ocorreram na França, temos dentro do seu território um grande
acirramento entre as classes sociais, gerando então intensos embates que fazem surgir no território
francês os estudos sobre Ciências Sociais. Em face dessas disputas, a burguesia, para não perder o
controle, investe na defesa das liberdades individuais, subjugadas a ordem do Estado, nesse cenário
então as ciências passam a ter papel fundamental. A França foi portanto o local onde se pode observar
de modo mais claro o avanço, domínio e consolidação da sociedade burguesa.
Na segunda metade do século XIX então, França e Alemanha (nesse caso representada ainda
pela Prússia) disputam a hegemonia sobre o continente europeu, gerando um choque de ideologias, e
a guerra Franco-Prussiana em 1870, na qual a Prússia sai vencedora. No contexto da guerra cai também
o Império de Napoleão Bonaparte, estabelecendo então uma república francesa dominada pela
Comuna de Paris, favorecendo o desenvolvimento da Geografia. Para esse governo, temos a ideia de
que “a guerra foi ganha pelos instrutores alemães”. Assim, Geografia passa a ser disciplina obrigatória
em todas as séries do ensino básico. Temos assim a busca por uma ideia de Geografia que se
contrapunha a Geografia Alemã.
A Geografia de La Blache vai propor então que o estudo da Geografia deve se focar na relação
homem-natureza, focando na perspectiva do estudo das paisagens, que o homem é um sujeito ativo
no meio, que sofre influência do meio, porém atua sobre essa realidade, transformando-a.
A Geografia de La Blache, surge como uma forma de combater e criticar a política expansionista
alemã e justificar as ações da burguesia francesa. Para tanto ele critica Ratzel em alguns pontos a saber.
Uma primeira crítica que La Blache faz é com relação a geografia de Ratzel se propor a tratar de
questões políticas de território, justificando que a ciência deveria ser neutra e imparcial. A outra crítica
é ao carater naturalista de Ratzel, criticando a atividade passiva do homem em relação a natureza. Um
desdobramento dessa crítica se foca nas proposições dos seguidores do pensador alemão, que
atribuíam um carater fatalista na relação homem e natureza, afirmando que a História era determinada
pelas condições naturais.
Uma das principais contribuições e desdobramentos da proposta lablachiana é a constante
discussão de regiões e do espaço humanizado nestas, em virtude da busca pelas individualidades dos
locais. Pode-se então dizer que a própria Geografia Regional é uma consequência do possibilismo. Uma
outra consequência foi o aparecimento de diversas especialidades da Geografia, como Geografia
Agrária, a Geografia Urbana, a Geografia das Indústrias, a Geografia das Populações, a Geografia
Urbana. Em virtude dessas especializações os estudos do possibilismo influenciaram diversos
pesquisadores das ciências humanas.
3. Geografia Regional.
[...] a terceira grande orientação dentro da Geografia Tradicional, privilegiou um pouco mais o
raciocínio dedutivo, antecipando um dos móveis da renovação geográfica nos anos sessenta. Isto
decorreu da diferenciada fundamentação filosófica destes autores. A Geografia de Ratzel e a de Vidal
tiveram sua raiz filosófica no positivismo de Augusto Comte, a qual foi passada acriticamente para seus
seguidores. A geografia de Hettner e Hartshorne fundamentava-se no neokantismo de Rickert e
Windelband. O fato de ter sido menos empirista não quer dizer que esta proposta tenha rompido com
este traço marcante de toda a Geografia; apenas ela não se negou também ao uso da dedução.
(MORAES, pág. 31).
Hettner, geógrafo alemão vai então propor uma terceira proposta de análise geográfica. Para
este, a Geografia deveria estudar as diferenciações entre as áreas, explicando porque e em que se
diferenciam as variadas porções da superfície terrestre. Para ele, essas diferenças seria por conta das
diferentes inter-relações entre os elementos presentes em cada paisagem. Porém, na época que foram
formuladas as idéias deste não alcançaram ampla divulgação em virtude do Determinismo e do
Possibilismo.
Temos então, após a Primeira Guerra Mundial, uma retomada das idéias de Hettner por um
renomado geógrafo americano, Richard Hartshorne, isso ocorre principalmente por conta da
ampliação do domínio cultural dos Estados Unidos sobre o Ocidente. Até o momento os geógrafos
americanos eram meros repetidores das idéias europeias. Hartshorne, apesar de se basear em Hettner,
aprimora as discussões propostas.
A geografia americana passa a se desenvolver a partir de 1930, tendo três diferentes vertentes,
porém, como já vimos, a mais amplamente divulgada formando uma corrente de pensamento foi vista
a partir de Hartshorne, seus estudos e formulações.
Uma diferença implantada por Hartshorne é a defesa de que as ciências se definiriam por
métodos próprios, assim a individualidade da Geografia se dava pela sua forma de analisar a realidade.
Hartshorne também afirma que o estudo geográfico deve trabalhar com as inter-relações entre os
elementos que faz com que ocorra a diferenciação das áreas.
O autor então formula os conceitos que chama de área e integração. A primeira seria uma
parcela da superfície terrestre diferenciada pelos critérios do observador. O segundo conceito defende
que o caráter de cada área é dado pela integração de fenômenos inter-relacionados, cabendo ao
pesquisador buscar todas as inter-relações possíveis nessa região. O autor define então essa forma de
pensar como Geografia Idiográfica, que levaria a um conhecimento bastante aprofundado do local
analisado. Temos dessa forma uma proposta de Geografia Regional.
Hartshorne também propõe o que ele chama de Geografia Nomotética, na qual o pesquisador
pararia nas primeiras observações e buscaria analisar e reproduzir os estudos em diferentes regiões,
comparando as diferentes integrações e chegando a um padrão de variação dos fenômenos
observados. Assim temos nessa proposta uma Geografia Geral, baseada a partir das regionalizações.
4. Geografia Pragmática.
A Geografia Pragmática é uma tentativa de contemporaneizar, em vista dessa nova função, este campo
específico do conhecimento, sem romper seu conteúdo de classe. Suas propostas visam apenas uma
redefinição das formas de veicular os interesses do capital, daí sua crítica superficial à Geografia
Tradicional. Uma mudança de forma, sem alteração do conteúdo social. Uma atualização técnica e
lingüística. Passa-se, de um conhecimento que levanta informações e legitima a expansão das relações
capitalistas, para um saber que orienta esta expansão, fornecendo-lhe opções e orientando as
estratégias de alocação do capital no espaço terrestre. Assim, duas tarefas diferentes, em dois
momentos históricos distintos, servindo a um mesmo fim. Nesse sentido, o pensamento geográfico
pragmático e o tradicional possuem uma continuidade, dada por seu conteúdo de classe – instrumentos
práticos e ideológicos da burguesia. (MORAES, pág. 37).
Nessa corrente geográfica, advinda após um movimento de renovação da Geografia, iniciado no
pós-Segunda Guerra Mundial e tendo sua maior força de divulgação entre os anos de 1960 e 1970.
Nessa linha de pensamento, temos diversos geógrafos, que assumem uma renovação ainda em função
da manutenção da elite burguesa e de sua atuação global em forma de grandes corporações, essa linha
de pensamento pode ser considerada como uma crítica meramente acadêmica que se baseia no que
podemos chamar de neopositivismo.
De forma sucinta, podemos dizer que o neopositivismo sai da linha de um empirismo de mera
observação direta em campo, por um empirismo mais abstrato, baseado em métodos matemático-
estatísticos. Ou seja, defendia que as formulações deveriam se basear mensurações, estatísticas,
gráficos e tabelas ao invés do trabalho de campo. Um claro objetivo dessa forma de pensar é o uso
desses dados para intervenção do Estado sobre a realidade observada nos mais diversos locais.
A partir dessa vertente de pensamento, podemos perceber duas coisas sobre essa nova
realidade de estudo da Geografia: primeiro que essa nova forma torna-se demasiadamente formal,
presa também as aparências do real, já que os dados estatísticos serão o foco de trabalho, para orientar
os investimentos estatais sobre a economia em meio a crise que se coloca no pós-Segunda Guerra de
forma a garantir a maximização dos lucros e capitais, assim como a manutenção da exploração do
trabalho; o segundo ponto é o empobrecimento dado a análise geógrafica em comparação com os
movimentos anteriores, visto que as escolas anteriores com suas observações de campo, ao menos
concebiam o espaço em sua riqueza e complexidade, diminuindo a mesma meramente a análises
quantitativas.
5. Geografia Crítica.
Os autores da Geografia Crítica vão fazer uma avaliação profunda das razões da crise: são os que
acham fundamental evidenciá-la. Vão além de um questionamento acadêmico do pensamento
tradicional, buscando as suas raízes sociais. Ao nível acadêmico, criticam o empirismo exacerbado da
Geografia Tradicional, que manteve suas análises presas ao mundo das aparências, e todas as outras
decorrências da fundamentação positivista (a busca de um objeto autonomizado, a idéia absoluta de
lei, a não-diferenciação das qualidades distintas dos fenômenos humanos etc.). Entretanto, vão além,
criticando a estrutura acadêmica, que possibilitou a repetição dos equívocos: o “mandarinato”, o apego
às velhas teorias, o cerceamento da criatividade dos pesquisadores, o isolamento dos geógrafos, a má
formação filosófica etc. E, mais ainda, a despolitização ideológica do discurso geográfico, que afastava
do âmbito dessa disciplina a discussão das questões sociais. Assim, ao nível da crítica de conteúdo
interno da Geografia, não deixam pedra sobre pedra. (MORAES, pág. 42).
Nessa linha de pensamento que se evidencia também no movimento de renovação da ciência
geográfica, tendo seu início em meados dos anos de 1970, como uma forma de pensamento que se
mostrava contrário as propostas tanto da Geografia Pragmática, a quem é contemporânea, como as
escolas anteriores. Ela surge em diversas discussões nos, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha,
Brasil, dentre outros locais, mas com maior força das discussões francesas a partir de Yves Lacoste,
fomentando uma discussão sobre os problemas sociais de forma plural, mas com fortes influências do
materialismo histórico e do método dialético em suas primeiras discussões.
Temos então com essa nova escola, uma crítica ao espaço geográfico em toda sua complexidade,
entendendo que, dado o grau de desenvolvimento da humanidade e de sua complexidade, os fatores
sociais não podem ser desconsiderados, assim como seu processo de desenvolvimento. Cria-se então
uma crítica a própria Geografia, evidenciando que as diferentes escolas surgiram com o intuito de
propagar os ideais que fossem mais apropriados para as classes burguesas detentoras do poder
econômico. A luta dessa escola então vai se concentrar na conscientização da sociedade e defesa do
saber como instrumento de dominação das classes mais favorecidas sobre as classes a menos
favorecidas.
É nítida então que a Geografia Crítica irá se fazer uso do materialismo histórico e dialético
elaborado por Karl Marx, ao propor uma análise histórica das causas que levam as diferentes estruturas
sociais percebidas e suas respectivas consequências sobre o espaço geográfico. Porém, ao mesmo
tempo que faz uso dessa, traz consigo uma perspectiva plural, dado a sua concepção dialética, que as
análises devem levar em consideração as demais formas de análise da realidade que estão em curso e
os diferentes conhecimentos filosóficos, sociológicos, urbanísticos, dentre outros, pois afinal de contas
é defendido também que se quebre com o isolamento dos estudos geográficos.
[...]o movimento de renovação, atualmente em curso na Geografia, com suas duas vertentes, reproduz,
ao nível desse campo específico do conhecimento, o embate ideológico contemporâneo – reflexo, no
plano da ciência, da luta de classes na sociedade capitalista. Os geógrafos críticos, em suas
diferenciadas orientações, assumem a perspectiva popular, a da transformação da ordem social.
Buscam uma Geografia mais generosa e um espaço mais justo, que seja organizado em função dos
interesses dos homens. (MORAES, pág. 47).
Referências Bibliográficas
MORAES, A. C. R. Geografia: pequena história crítica. 20ª ed. Anna Blume. 2000.
PENA, R. A. Categorias de Análise. Disponível em: < http://brasilescola.uol.com.br/geografia/categorias-
geografia.htm> no dia 05 de março de 2016.
Observatório Histórico Geográfico. O conceito de paisagem, lugar, território e região. Disponível em: <
http://obshistoricogeo.blogspot.com.br/2014/12/o-conceito-de-paisagem-lugar-territorio.html> no dia 05 de março de
2016.
SANTOS, M. Categorias de Análise da Geografia: Espaço Geográfico, Paisagem, Lugar, Território e Região.
Disponível em: <http://pt.slideshare.net/markoabreu/categorias-de-anlise-da-geografia-espao-geogrfico-paisagem-
lugar-territrio-e-regio> no dia 07 de março de 2016.

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Sistematização e Correntes Geográficas

  • 1. Geografia Prof. Ivanilson Lima Sistematização da Geografia A falta da constituição de um Estado nacional, a extrema diversidade entre os vários membros da Confederação, a ausência de relações duráveis entre eles, a inexistência de um ponto de convergência das relações econômicas – todos estes aspectos conferem à discussão geográfica uma relevância especial, para as classes dominantes da Alemanha, no início do século XIX. Temas como domínio e organização do espaço, apropriação do território, variação regional, entre outros, estarão na ordem do dia na prática da sociedade alemã de então. É, sem dúvida, deles que se alimentará a sistematização geográfica. Do mesmo modo como a Sociologia aparece na França, onde a questão central era a organização social (um país em que a luta de classes atingia um radicalismo único), a Geografia surge na Alemanha onde a questão do espaço era a primordial. (MORAES, págs. 14 e 15). Nesse quadro de tensões, temos então palco para a criação das ideias que originariam a Geografia no território que hoje compõe a Alemanha. A partir das discussões iniciadas pelos autores Alexander Von Humboldt (1769-1859 – conselheiro do rei da Prússia) e Karl Ritter (1779-1859 – tutor de uma família de banqueiros), ambos de origem prussiana e ligados a aristocracia da época. Ambos ocuparam altos cargos da hierarquia universitária alemã. 1. Alexander Von Humboldt Formação naturalista em Geologia e Botânica. Entendia que a Geografia era uma ciência terrestre que atuaria como uma espécie de ciência de síntese de todos os conhecimentos relativos a Terra. Propõe um empirismo raciocinado, na qual o cientista, deve intuir os fatos a partir da observação dos variados fenômenos naturais, combinando o que foi observado nesses locais e procurando as constantes dos fenômenos, mesmo com as variações aparentes. Podemos então intuir, a partir disso que o geógrafo deveria contemplar a paisagem, esta causaria uma impressão no mesmo e a partir de uma observação constante e sistematizada ele chegaria a uma explicação para o local observado. 2. Karl Ritter Formação social em Filosofia e História. Entendia que a Geografia deveria estudar os arranjos individuais das regiões, comparando-os e buscando suas particularidades. Ritter já propõe uma abordagem metodológica mais explícita, definindo a partir do que ele chama de sistema natural que a Geografia tem por finalidade buscar definir a individualidade dos diferentes locais, compondo os diferentes arranjos naturais. Cada um desses arranjos então teria seu conjunto de elementos, sendo o homem o principal. Outro ponto importante é o fato de o autor considerar que a ciência deveria ser uma forma de relação entre o homem e o “criador”, dessa forma, o estudo geográfico serviria também para uma aproximação com a divindade, pois a ordem natural obedeceria a um fim previsto por Deus. Consequentemente, podemos dizer que a proposta de Ritter é antropocêntrica e regional.
  • 2. A obra de Ritter já e explicitamente metodológica. A formação de Ritter também e radicalmente distinta da de Humboldt, enquanto aquele era geólogo e botânico, este possui formação em Filosofia e História. Ritter define o conceito de “sistema natural”, isto é, uma área delimitada dotada de uma individualidade. A Geografia deveria estudar estes arranjos individuais, e compará-los. Assim, a Geografia de Ritter é, principalmente, um estudo dos lugares, uma busca da individualidade destes. Categorias de Análise da Geografia. A Geografia usa-se de diferentes categorias para basear seus estudos. Essas categorias servem para orientar e recortar o espaço a ser analisado pelo cientista, delimitando o espaço, usando-se de conhecimentos cartográficos. Figura 1: Adaptado de http://obshistoricogeo.blogspot.com.br/2014/12/o-conceito-de-paisagem-lugar-territorio.html 1. Paisagem Refere-se às configurações externas do espaço. Por muitas vezes, ela foi definida como “aquilo que a visão alcança”. Porém, essa definição desconsidera as chamadas “paisagens ocultas”, ou seja, aqueles processos e dinâmicas que são visíveis, mas que de alguma forma foram ocultados pela sociedade. Além disso, tal definição também peca por apenas considerar o sentido da visão como preceptora do espaço, cabendo a importância dos demais sentidos, com destaque para a audição e o olfato. Dessa forma, podemos afirmar, de maneira simples e direta, que o conceito de paisagem refere- se às manifestações e fenômenos espaciais que podem ser apreendidos pelo ser humano através de seus sentidos. Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/geografia/categorias-geografia.htm no dia 05 de março de 2016. 2. Território É classicamente definido como sendo um espaço delimitado. Tal delimitação se dá através de fronteiras, sejam elas definidas pelo homem ou pela natureza. Mas nem sempre essas fronteiras são visíveis ou muito bem definidas, pois a conformação de um território obedece a uma relação de poder, podendo ocorrer tanto em elevada abrangência (o território de um país, por exemplo) quanto em espaços menores (o território dos traficantes em uma favela, por exemplo). Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/geografia/categorias-geografia.htm no dia 05 de março de 2016.
  • 3. 3. Região É uma área ou espaço que foi dividido obedecendo a um critério específico. Trata-se de uma elaboração racional humana para melhor compreender uma determinada área ou um aspecto dela. Assim, as regiões podem ser criadas para realizar estudos sobre as características gerais de um território (as regiões brasileiras, por exemplo) ou para entender determinados aspectos do espaço (as regiões geoeconômicas do Brasil para entender a economia brasileira). Eu posso criar minha própria região para a divisão de uma área a partir de suas práticas culturais ou por suas diferentes paisagens naturais, entre outros critérios. Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/geografia/categorias-geografia.htm no dia 05 de março de 2016. 4. Lugar: É uma categoria muito utilizada por aqueles pensadores que preferem construir uma concepção compreensiva da Geografia. Grosso modo, o lugar pode ser definido como o espaço percebido, ou seja, uma determinada área ou ponto do espaço da forma como são entendidos pela razão humana de pertencimento a uma porção do espaço geográfico. Seu conceito também se liga ao espaço afetivo, aquele local em que uma determinada pessoa possui certa familiaridade ou intimidade, como uma rua, uma praça ou a própria casa. Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/geografia/categorias-geografia.htm no dia 05 de março de 2016. Correntes do Pensamento Geográfico A Geografia, no transcorrer do seu desenvolvimento teve diferentes formas de análise e interpretação de como ocorreriam as relações entre sociedade e natureza, dessa forma, temos diferentes pensamentos que se tornaram mais importantes em determinados locais e épocas históricas, tendo assim constituida as diferentes Correntes do Pensamento Geográfico. 1. Geografia Determinista. Um revigoramento do processo de sistematização da Geografia vai ocorrer com as formulações de Friedrich Ratzel. Este autor, também alemão e prussiano, publica suas obras no último quartel do século XIX. Enquanto Humboldt e Ritter vivenciaram o aparecimento do ideal de unificação alemã, Ratzel vivencia a constituição real do Estado nacional alemão e suas primeiras décadas. Suas formulações só são compreensíveis em função da época e da sociedade que as engendram. A Geografia de Ratzel foi um instrumento poderoso de legitimação dos desígnios expansionistas do Estado alemão recém- constituído. L. Febvre chegou a denominá-la de “manual de imperialismo”. Assim, cabe analisar, mesmo que em linhas gerais, o processo de unificação da Alemanha. (MORAES, pág. 18) As formulações de Ratzel, a partir de sua obra Antropogeografia – fundamentos da aplicação da Geografia à História nascem a partir da consolidação do Estado Alemão. E quais os principais acontecimentos da unificação da Alemanha? As relações capitalistas penetram tardiamente nesse país, que mantém características feudais ainda no início do século XIX. Temos então como primeiro passo para essa unificação a Confederação Germânica, porém que não conseguiu instaurar de imediato um governo central. Dentro dessa confederação temos dois reinos mais importantes que disputam a hegemonia do estado alemão, a Aústria e a Prússia. A partir de 1848 começam a aparecer levantes populares, que farão com que surjam
  • 4. movimentos das classes dominantes que pretendem acabar com essa revolução, formando um bloco reacionário militar, aproximando os integrantes dessa classe e trazendo ações unificadas. Porém, como a pauta dos dois blocos se concentra na unificação da Alemanha, isso acaba por aproximá-los e fazer com que a unificação seja um caminho sem volta. Em virtude disso iniciamos uma guerra entre Aústria e Prússia, saindo o segundo vitorioso. Com a vitória prussiana, temos uma organização militarizada da sociedade e do Estado, trazendo assim uma organização que atingiria toda a sociedade civil. Temos então, com a militarização prussiana a instauração de uma política cultural nacionalista, visando justificar uma política expansionista agressiva. Isso justificado pela unificação tardia alemã, que fez com que a mesma não participasse da partilha dos territórios coloniais do século XIX, embora que essa unificação tardia não tenha impedido um relativo desenvolvimento interno. Temos então um novo país capitalista industrial, que não possue colônias. Assim, a Geografia de Ratzel expressa diretamente um elogio do imperialismo, como ao dizer, por exemplo: “Semelhante à luta pela vida, cuja finalidade básica é obter espaço, as lutas dos povos são quase sempre pelo mesmo objetivo. Na história moderna a recompensa da vitória foi sempre um proveito territorial”. (MORAES, pág. 19). Na obra de Ratzel, Antropogeografia, o autor define que o estudo geográfico tem que se concentrar na influência que as condições naturais exercem sobre a humanidade. Essas influências seriam percebidas na fisiologia e na psicologia dos indíviduos e através disso, na sociedade. A natureza portanto influencia a constituição da sociedade e atuaria nas possibilidades de expansão de um povo, trazendo obstáculos ou o acelerando. Para Ratzel: “O progresso significaria um maior uso dos recursos do meio, logo, uma relação mais íntima com a natureza.” (MORAES, pág. 19). Assim, estabelecendo essa relação de forma consolidada, a sociedade cria o Estado, se organizando para defender seu território. Outro ponto da proposta de Ratzel é o conceito de espaço vital: “este representaria uma proporção de equilíbrio, entre a população de uma dada sociedade e os recursos disponíveis para suprir suas necessidades, definindo assim suas potencialidades de progredir e suas premências territoriais.” (MORAES, pág. 19). Através desse conceito podemos perceber que a Geografia proposta por Ratzel visa defender o processo de expansão da Alemanha. Na proposta de Ratzel temos ainda uma ciência empírica, mas, como já vimos em Humboldt, pautada em um empirismo raciocinado. Nele, apesar de termos a figura do homem, esse ainda é visto pelo seu carater biológico, excluindo suas qualidades específicas. Um outro detalhe importante dessa escola geográfica são as diferentes visões criadas a partir das formulações de Ratzel pelos seus seguidores. Acabaram por serem de certa forma extremamente radicais, fundando a Corrente do Pensamento denominada de Determinismo Geográfico. Temos dessa forma, uma forma de pensar que leva as formulações de Ratzel ao extremismo, trazendo afirmações como: “as condições naturais determinam a História” ou “o homem é produto do meio”. De certa forma reduzindo as proposições de Ratzel, que falava em influências. Uma outra proposição, um pouco diferente das descritas é a de Huntington que fala por em sua obra Clima e Sociedade que, por exemplo, os rigores do inverno explicariam o melhor desenvolvimento europeu, enquanto o clima tropical justicava o subdesenvolvimento. Uma última formulação que surge no meio científico a partir de Ratzel
  • 5. é o conceito de Geopolítica, a partir do estudo das dominações territoriais, visando legitimar o imperialismo. 2. Geografia Possibilista. A outra grande escola da Geografia, que se opõe às colocações de Ratzel, vai ser eminentemente francesa, e tem seu principal formulador em Paul Vidal de La Blache. [...] A França foi o país que realizou, de forma mais pura, uma revolução burguesa. Ali os resquícios feudais foram totalmente varridos, a burguesia instalou seu governo, dando ao Estado a feição que mais atendia a seus interesses. [...] Napoleão Bonaparte completou este processo de desenvolvimento do capitalismo na França, o qual teve seu ponto de ruptura na Revolução Francesa, que varreu do quadro agrário deste país todos os elementos herdados do feudalismo. (MORAES, pág. 22). Em face das transformações que ocorreram na França, temos dentro do seu território um grande acirramento entre as classes sociais, gerando então intensos embates que fazem surgir no território francês os estudos sobre Ciências Sociais. Em face dessas disputas, a burguesia, para não perder o controle, investe na defesa das liberdades individuais, subjugadas a ordem do Estado, nesse cenário então as ciências passam a ter papel fundamental. A França foi portanto o local onde se pode observar de modo mais claro o avanço, domínio e consolidação da sociedade burguesa. Na segunda metade do século XIX então, França e Alemanha (nesse caso representada ainda pela Prússia) disputam a hegemonia sobre o continente europeu, gerando um choque de ideologias, e a guerra Franco-Prussiana em 1870, na qual a Prússia sai vencedora. No contexto da guerra cai também o Império de Napoleão Bonaparte, estabelecendo então uma república francesa dominada pela Comuna de Paris, favorecendo o desenvolvimento da Geografia. Para esse governo, temos a ideia de que “a guerra foi ganha pelos instrutores alemães”. Assim, Geografia passa a ser disciplina obrigatória em todas as séries do ensino básico. Temos assim a busca por uma ideia de Geografia que se contrapunha a Geografia Alemã. A Geografia de La Blache vai propor então que o estudo da Geografia deve se focar na relação homem-natureza, focando na perspectiva do estudo das paisagens, que o homem é um sujeito ativo no meio, que sofre influência do meio, porém atua sobre essa realidade, transformando-a. A Geografia de La Blache, surge como uma forma de combater e criticar a política expansionista alemã e justificar as ações da burguesia francesa. Para tanto ele critica Ratzel em alguns pontos a saber. Uma primeira crítica que La Blache faz é com relação a geografia de Ratzel se propor a tratar de questões políticas de território, justificando que a ciência deveria ser neutra e imparcial. A outra crítica é ao carater naturalista de Ratzel, criticando a atividade passiva do homem em relação a natureza. Um desdobramento dessa crítica se foca nas proposições dos seguidores do pensador alemão, que atribuíam um carater fatalista na relação homem e natureza, afirmando que a História era determinada pelas condições naturais. Uma das principais contribuições e desdobramentos da proposta lablachiana é a constante discussão de regiões e do espaço humanizado nestas, em virtude da busca pelas individualidades dos locais. Pode-se então dizer que a própria Geografia Regional é uma consequência do possibilismo. Uma outra consequência foi o aparecimento de diversas especialidades da Geografia, como Geografia Agrária, a Geografia Urbana, a Geografia das Indústrias, a Geografia das Populações, a Geografia Urbana. Em virtude dessas especializações os estudos do possibilismo influenciaram diversos pesquisadores das ciências humanas.
  • 6. 3. Geografia Regional. [...] a terceira grande orientação dentro da Geografia Tradicional, privilegiou um pouco mais o raciocínio dedutivo, antecipando um dos móveis da renovação geográfica nos anos sessenta. Isto decorreu da diferenciada fundamentação filosófica destes autores. A Geografia de Ratzel e a de Vidal tiveram sua raiz filosófica no positivismo de Augusto Comte, a qual foi passada acriticamente para seus seguidores. A geografia de Hettner e Hartshorne fundamentava-se no neokantismo de Rickert e Windelband. O fato de ter sido menos empirista não quer dizer que esta proposta tenha rompido com este traço marcante de toda a Geografia; apenas ela não se negou também ao uso da dedução. (MORAES, pág. 31). Hettner, geógrafo alemão vai então propor uma terceira proposta de análise geográfica. Para este, a Geografia deveria estudar as diferenciações entre as áreas, explicando porque e em que se diferenciam as variadas porções da superfície terrestre. Para ele, essas diferenças seria por conta das diferentes inter-relações entre os elementos presentes em cada paisagem. Porém, na época que foram formuladas as idéias deste não alcançaram ampla divulgação em virtude do Determinismo e do Possibilismo. Temos então, após a Primeira Guerra Mundial, uma retomada das idéias de Hettner por um renomado geógrafo americano, Richard Hartshorne, isso ocorre principalmente por conta da ampliação do domínio cultural dos Estados Unidos sobre o Ocidente. Até o momento os geógrafos americanos eram meros repetidores das idéias europeias. Hartshorne, apesar de se basear em Hettner, aprimora as discussões propostas. A geografia americana passa a se desenvolver a partir de 1930, tendo três diferentes vertentes, porém, como já vimos, a mais amplamente divulgada formando uma corrente de pensamento foi vista a partir de Hartshorne, seus estudos e formulações. Uma diferença implantada por Hartshorne é a defesa de que as ciências se definiriam por métodos próprios, assim a individualidade da Geografia se dava pela sua forma de analisar a realidade. Hartshorne também afirma que o estudo geográfico deve trabalhar com as inter-relações entre os elementos que faz com que ocorra a diferenciação das áreas. O autor então formula os conceitos que chama de área e integração. A primeira seria uma parcela da superfície terrestre diferenciada pelos critérios do observador. O segundo conceito defende que o caráter de cada área é dado pela integração de fenômenos inter-relacionados, cabendo ao pesquisador buscar todas as inter-relações possíveis nessa região. O autor define então essa forma de pensar como Geografia Idiográfica, que levaria a um conhecimento bastante aprofundado do local analisado. Temos dessa forma uma proposta de Geografia Regional. Hartshorne também propõe o que ele chama de Geografia Nomotética, na qual o pesquisador pararia nas primeiras observações e buscaria analisar e reproduzir os estudos em diferentes regiões, comparando as diferentes integrações e chegando a um padrão de variação dos fenômenos observados. Assim temos nessa proposta uma Geografia Geral, baseada a partir das regionalizações.
  • 7. 4. Geografia Pragmática. A Geografia Pragmática é uma tentativa de contemporaneizar, em vista dessa nova função, este campo específico do conhecimento, sem romper seu conteúdo de classe. Suas propostas visam apenas uma redefinição das formas de veicular os interesses do capital, daí sua crítica superficial à Geografia Tradicional. Uma mudança de forma, sem alteração do conteúdo social. Uma atualização técnica e lingüística. Passa-se, de um conhecimento que levanta informações e legitima a expansão das relações capitalistas, para um saber que orienta esta expansão, fornecendo-lhe opções e orientando as estratégias de alocação do capital no espaço terrestre. Assim, duas tarefas diferentes, em dois momentos históricos distintos, servindo a um mesmo fim. Nesse sentido, o pensamento geográfico pragmático e o tradicional possuem uma continuidade, dada por seu conteúdo de classe – instrumentos práticos e ideológicos da burguesia. (MORAES, pág. 37). Nessa corrente geográfica, advinda após um movimento de renovação da Geografia, iniciado no pós-Segunda Guerra Mundial e tendo sua maior força de divulgação entre os anos de 1960 e 1970. Nessa linha de pensamento, temos diversos geógrafos, que assumem uma renovação ainda em função da manutenção da elite burguesa e de sua atuação global em forma de grandes corporações, essa linha de pensamento pode ser considerada como uma crítica meramente acadêmica que se baseia no que podemos chamar de neopositivismo. De forma sucinta, podemos dizer que o neopositivismo sai da linha de um empirismo de mera observação direta em campo, por um empirismo mais abstrato, baseado em métodos matemático- estatísticos. Ou seja, defendia que as formulações deveriam se basear mensurações, estatísticas, gráficos e tabelas ao invés do trabalho de campo. Um claro objetivo dessa forma de pensar é o uso desses dados para intervenção do Estado sobre a realidade observada nos mais diversos locais. A partir dessa vertente de pensamento, podemos perceber duas coisas sobre essa nova realidade de estudo da Geografia: primeiro que essa nova forma torna-se demasiadamente formal, presa também as aparências do real, já que os dados estatísticos serão o foco de trabalho, para orientar os investimentos estatais sobre a economia em meio a crise que se coloca no pós-Segunda Guerra de forma a garantir a maximização dos lucros e capitais, assim como a manutenção da exploração do trabalho; o segundo ponto é o empobrecimento dado a análise geógrafica em comparação com os movimentos anteriores, visto que as escolas anteriores com suas observações de campo, ao menos concebiam o espaço em sua riqueza e complexidade, diminuindo a mesma meramente a análises quantitativas. 5. Geografia Crítica. Os autores da Geografia Crítica vão fazer uma avaliação profunda das razões da crise: são os que acham fundamental evidenciá-la. Vão além de um questionamento acadêmico do pensamento tradicional, buscando as suas raízes sociais. Ao nível acadêmico, criticam o empirismo exacerbado da Geografia Tradicional, que manteve suas análises presas ao mundo das aparências, e todas as outras decorrências da fundamentação positivista (a busca de um objeto autonomizado, a idéia absoluta de lei, a não-diferenciação das qualidades distintas dos fenômenos humanos etc.). Entretanto, vão além, criticando a estrutura acadêmica, que possibilitou a repetição dos equívocos: o “mandarinato”, o apego às velhas teorias, o cerceamento da criatividade dos pesquisadores, o isolamento dos geógrafos, a má formação filosófica etc. E, mais ainda, a despolitização ideológica do discurso geográfico, que afastava do âmbito dessa disciplina a discussão das questões sociais. Assim, ao nível da crítica de conteúdo interno da Geografia, não deixam pedra sobre pedra. (MORAES, pág. 42). Nessa linha de pensamento que se evidencia também no movimento de renovação da ciência geográfica, tendo seu início em meados dos anos de 1970, como uma forma de pensamento que se mostrava contrário as propostas tanto da Geografia Pragmática, a quem é contemporânea, como as
  • 8. escolas anteriores. Ela surge em diversas discussões nos, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha, Brasil, dentre outros locais, mas com maior força das discussões francesas a partir de Yves Lacoste, fomentando uma discussão sobre os problemas sociais de forma plural, mas com fortes influências do materialismo histórico e do método dialético em suas primeiras discussões. Temos então com essa nova escola, uma crítica ao espaço geográfico em toda sua complexidade, entendendo que, dado o grau de desenvolvimento da humanidade e de sua complexidade, os fatores sociais não podem ser desconsiderados, assim como seu processo de desenvolvimento. Cria-se então uma crítica a própria Geografia, evidenciando que as diferentes escolas surgiram com o intuito de propagar os ideais que fossem mais apropriados para as classes burguesas detentoras do poder econômico. A luta dessa escola então vai se concentrar na conscientização da sociedade e defesa do saber como instrumento de dominação das classes mais favorecidas sobre as classes a menos favorecidas. É nítida então que a Geografia Crítica irá se fazer uso do materialismo histórico e dialético elaborado por Karl Marx, ao propor uma análise histórica das causas que levam as diferentes estruturas sociais percebidas e suas respectivas consequências sobre o espaço geográfico. Porém, ao mesmo tempo que faz uso dessa, traz consigo uma perspectiva plural, dado a sua concepção dialética, que as análises devem levar em consideração as demais formas de análise da realidade que estão em curso e os diferentes conhecimentos filosóficos, sociológicos, urbanísticos, dentre outros, pois afinal de contas é defendido também que se quebre com o isolamento dos estudos geográficos. [...]o movimento de renovação, atualmente em curso na Geografia, com suas duas vertentes, reproduz, ao nível desse campo específico do conhecimento, o embate ideológico contemporâneo – reflexo, no plano da ciência, da luta de classes na sociedade capitalista. Os geógrafos críticos, em suas diferenciadas orientações, assumem a perspectiva popular, a da transformação da ordem social. Buscam uma Geografia mais generosa e um espaço mais justo, que seja organizado em função dos interesses dos homens. (MORAES, pág. 47). Referências Bibliográficas MORAES, A. C. R. Geografia: pequena história crítica. 20ª ed. Anna Blume. 2000. PENA, R. A. Categorias de Análise. Disponível em: < http://brasilescola.uol.com.br/geografia/categorias- geografia.htm> no dia 05 de março de 2016. Observatório Histórico Geográfico. O conceito de paisagem, lugar, território e região. Disponível em: < http://obshistoricogeo.blogspot.com.br/2014/12/o-conceito-de-paisagem-lugar-territorio.html> no dia 05 de março de 2016. SANTOS, M. Categorias de Análise da Geografia: Espaço Geográfico, Paisagem, Lugar, Território e Região. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/markoabreu/categorias-de-anlise-da-geografia-espao-geogrfico-paisagem- lugar-territrio-e-regio> no dia 07 de março de 2016.