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 São Paulo, 11 de julho de 1902
 São Paulo, 24 de abril de 1982
Foi um dos maisFoi um dos mais
importantes historiadoresimportantes historiadores
brasileiros, além de críticobrasileiros, além de crítico
literário e jornalista.literário e jornalista.
Estudou em diversas escolas de São
Paulo e mudou-se, em 1921, para o Rio
de Janeiro, onde, na atual UFRJ,
obteve o bacharelado em Ciências
Jurídicas e Sociais em 1925.
Com 18 anos (1920)
Trabalhou em diferentes órgãos
de imprensa e, entre 1929 e 1930,
foi correspondente dos Diários
Associados em Berlim, onde
conheceu as obras de
Max WeberMax Weber.
De volta ao Brasil no começo dos
anos 30, continuou a trabalhar
como jornalista.
Jornalista correspondente de “O Jornal” (1930)
"Todo o meu tempo disponível, inclusive sábados e"Todo o meu tempo disponível, inclusive sábados e
domingos, é dedicado à cátedra universitáriadomingos, é dedicado à cátedra universitária
e às minhas obras."e às minhas obras."
(Trecho de entrevista de Sérgio Buarque de Holanda, "História brasileira" - Tribuna da Imprensa - 15.11.1959)
Em 1936, casou-se com Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim,
com quem teria sete filhos: Sérgio, Álvaro, Maria do Carmo, além
dos músicos Ana de Hollanda, Cristina Buarque, Miúcha e Chico
Buarque.
Sérgio e filhos comemorando seus 75 anos (1977).
Maria Amélia e Chico Buarque.
Maria faleceu aos 100 anos em 2010.
Sérgio e Chico nos anos 70
Ainda em 1936, publicou o ensaio Raízes do Brasil, que foi seu primeiro
trabalho de grande sucesso e, ainda hoje, é o seu escrito mais conhecido.
Assumiu diversas cadeiras, entre elas de História da Civilização Brasileira
(USP), Estudos Brasileiros (Univ. de Roma), e diversas universidades
do Chile, E.U.A. e Brasil.
Carteira de professor catedrático da USP - 1969
Ganhou diversos prêmios literários, entre eles o JabutiJabuti,, da
Câmara Brasileira do Livro. Foi o primeiro diretor do
Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), eleito em 1962.
Tocando sanfona no apartamento de
Miúcha e João Gilberto em NY (1966)
Participou, em 1980, da cerimônia de fundação do Partido dosPartido dos
Trabalhadores Trabalhadores (PT), recebendo a terceira carteira de filiação do
partido, após Mário Pedrosa e Antonio Candido.
Encontro Nacional do PT (1980)
Com Maria Amélia (1975)
Permaneceu intelectualmente ativo até 1982.
Publicou mais de dez livros e escritos importantes.
Sérgio Buarque de Holanda
acompanhado de Oscar Niemeyer,
Antonio Houaiss e Enio Silveira, por
ocasião da instalação do Centro Brasil
Democrático (1978)
Toquinho, Vinicius de Moraes e Sérgio (1979)
LivroLivro
“Raízes do“Raízes do
Brasil”Brasil”
Os portugueses trouxeram ao Brasil a cultura da personalidade: o apego pelo
prestígio pessoal resulta na ausência de uma moral de culto ao trabalho.
O desenvolvimento da Península Ibérica não foi o mesmo que dos outros países
europeus. Veio de lá a fraqueza das instituições e falta de organização social.
A construção cultural do Brasil veio das características ibéricas.
Sérgio afirma que há dois tipos de homem explorador no Brasil colonial:
Trabalhador – com olhar mais restrito. Único que poderia colonizar o
Brasil justamente por possuir adaptabilidade.
Aventureiro – com olhar mais amplo e esforço persistente, via antes a
parte do que o todo. A forma escolhida para o trabalho foi o uso de
escravos, pois os portugueses preferiam a vida aventureira ao trabalho
agrícola.
Rugendas - 1835
A escravidão foi a forma pela qual a Europa conseguiu suprir o
que faltava em sua economia.
O indígena não conseguiu se adaptar a escravidão e o escravo
africano ficou com esse papel; era imprescindível para o
sistema colonial.
Eckhout – Dança dos Tapuias
Os índios ganharam proteção dos portugueses por
conhecerem técnicas indígenas de produção.
Os portugueses já eram mestiços antes do descobrimento
e já conheciam a escravidão africana em seu país.
A igreja católica tinha uma forma de comunicar muito mais simpática que a
protestante. O resultado disso foi a mestiçagem, que possibilitou a
construção de uma nova pátria.
Victor Meirelles – Primeira Missa do Brasil (1861)
Eckhout – Mameluca
Eckhout – mulher tupi com criança
A partir de 1850 houve o declínio da vida rural em função da abolição
da escravatura, que era a base de sustentação desde o século XVI.
Nota-se também um notável desenvolvimento urbano, graças à
construção de estradas de ferro. Dicotomia rural x urbanorural x urbano – a visão de
mundo tradicional entra em conflito com valores modernos.
Debret Tarsila do Amaral – A Garé (1925)
Num primeiro momento, os homens que vinham para a cidade eram os que
tinham certa importância no campo. Os colonos brancos continuavam achando
que o trabalho físico não dignificava o homem, mas sim o trabalho intelectual.
A vida da cidade se desenvolveu de forma anormal e prematura.
Ferraz Almeida Junior – caipira
picando fumo (1893)
Debret – Curitiba (1827)
Cidades são instrumentos de
dominação. Recorrendo à sociologia
weberiana, identifica entre os
ocupantes do Novo Mundo os “tipos
ideais” – semeador e ladrilhador:
Ladrilhador: Espanhol – cidades e
racionalidade – linhas retas. Acentua
o caráter da cidade como empresa
da razão, contrária a ordem natural,
prevendo rigorosamente o plano das
que fundou na América.
Semeador: Português – litoral –
cidades irregulares. Nascidas e
crescidas sem o mínimo
planejamento. Objetivo de fazer
fortuna rápida, dispensando o
trabalho regular.
Tarsila do Amaral – Mamoeiro (1925)
Tarsila do Amaral –
E.F.C.B. (1924)
Tenta definir, mas não de forma absoluta, a identidade nacional brasileira
através do conceito do HOMEM CORDIALHOMEM CORDIAL (conceito original de Ribeiro
Couto), a nossa cordialidade enfatiza o predomínio de relações
humanas mais simples e diretas que rejeitam a polidez e a
padronização, características da civilidade.
A dificuldade de constituição de um Estado “civil” brasileiro se expressa no
fato de que essa instituição não é um prolongamento da família.
Lula e José de Alencar
"Fui moldado por tantas pessoas e em tantos lugares, não apenas por"Fui moldado por tantas pessoas e em tantos lugares, não apenas por
instituições educacionais e encontros formais, mas também por amizades -instituições educacionais e encontros formais, mas também por amizades -
tão importantes para nós brasileiros.”tão importantes para nós brasileiros.”
Sérgio Buarque de Holanda
José Dirceu e Palocci Lula e Palocci
O rigor torna-se afrouxado, onde não há distinção entre o público e o
privado: todos são amigos em todos os lugares e não há intimidade.
O Brasil é uma sociedade onde o Estado é propriedade da família, onde
laços sentimentais e familiares são transportados para o ambiente do
Estado.
A cordialidade do brasileiro que, ao contrário do que superficialmente possa
parecer, não quer dizer apenas sincero, afetuoso, amigo. Veja exemplos do
homem cordial brasileiro em ação:
- Um motorista anda por um pequeno trecho em contramão só para não dar
uma volta maior. E se um guarda o multa, ele conversa com o guarda, pedindo
para “aliviar” a situação.
- Um assessor de deputado tenta atravessar com o seu carro em uma área
fechada para o tráfego e quando o guarda o impede, ele mostra a sua carteira.
E se o guarda insiste na proibição, ele se exalta para o policial, fazendo
ameaças, perguntando se ele tem ideia de quem ele está importunando.
Ambas traduzem o desprezo pela formalidade e ética. O primeiro caso é
nacionalmente conhecido como “o jeitinho brasileiro”. O segundo, com o “você
sabe com quem está falando?”.
A configuração da sociedade brasileira é consequência da presença lusitana –
a partir da vinda da família real no Brasil. O que determina alguns traços da
intelectualidade é a permanência do personalismo português – o
conhecimento superficial era importante apenas na medida em que dava
prestígio e diferenciação.
A chegada de Dom João no RJ
Dom Pedro I
A democracia foi “sempre um mal-entendido” no Brasil, pois os grandes
movimentos sociais e políticos vieram de cima para baixo, fazendo com que o
povo sempre ficasse indiferente a tudo.
Tarsila do Amaral - Segunda classe (1933)
Seu diagnóstico apontou o autoritarismo, a ausência de uma ética do trabalho,
o gosto pelo ócio como traços do caráter ibérico presentes no brasileiro e que
se traduzem naquilo que aponta como nossa reduzida capacidade de
organização social, a inclinação à anarquia e à desordem.
É necessário que façamos uma revolução para darmos fim aos resquícios de
nossa história colonial e começarmos a traçar uma história nossa, diferente e
particular.
O brasileiro cordial dificilmente chegará nessa “revolução”, que seria a
salvação para a sociedade brasileira atual.
"No Brasil, sempre foi uma camada
miúda e muito exígua que decidiu.
O povo sempre está inteiramente
fora disso. As lutas, ou mudanças,
são executadas por essa elite e em
benefício dela, é óbvio. A grande
massa navega adormecida, num
estado letárgico, mas em certos
momentos, de repente, pode
irromper brutalmente.”
(Trechos de entrevista "A Democracia é
difícil"- Revista Veja, 28/01/1976)
Sérgio Buarque de HolandaSérgio Buarque de Holanda
procurou tornar o país maisprocurou tornar o país mais
inteligível aos própriosinteligível aos próprios
brasileiros.brasileiros.
Seu interesse oscilou entre a
literatura e a história, sempre
abordadas através da
sociologia, especialmente a de
Max Weber.
É considerado um dos mais
eminentes intelectuais
brasileiros do século XX.
Referências
ANÁLISE da obra. Disponível em: <http://www.artigonal.com/literatura-
artigos/analise-da-obra-raizes-do-brasil-de-sergio-buarque-de-holanda-
896189.html>.
ARTIGOS do autor. Disponível em:
<http://almanaque.folha.uol.com.br/sergiobuarque_climara%E7a.htm>.
BIOGRAFIA. Disponível em:
<http://almanaque.folha.uol.com.br/sergiobuarque.htm>.
BIOGRAFIA. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/S
%C3%A9rgio_Buarque_de_Holanda>.
BIOGRAFIA. Disponível em: <http://www.unicamp.br/siarq/sbh/biografia.html>
COLONIZAÇÃO portuguesa. Disponível em:
<http://www.unicamp.br/siarq/sbh/Raizes_do_Brasil_Jacques.pdf>.
HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. 4ª ed. revista pelo autor. São
Paulo: Companhia das Letras, 1963.
Aluna: Juliana Rossi.Juliana Rossi. Mestrado em Educação (2011) - Univille