Aspecto Romantismo Realismo
Períodohistórico Final do século XVIII ao século XIX Segunda metade do século XIX
Contexto
•Revoluções liberais; valorização
do eu;
•Recém independente, o Brasil
procura afirmar sua
individualidade como nação, busca
o reconhecimento perante outras
nações;
•Ascensão da burguesia e de seus
valores: liberdade individual e
liberalismo. Porém, logo surge
insatisfação com o cotidiano da
vida burguesa, o que gera um
sentimento de tédio e desencanto
com o mundo, expressos pela arte
romântica.
•Revolução Industrial; pensamento
científico e crítico;
•Segundo reinado em crise;
•Guerra do Paraguai;
•Campanha abolicionista;
•Economia açucareira e à
expansão da lavoura de café;
•Teorias cientificistas (positivismo,
evolucionismo e determinismo).
3.
Visão de mundoSubjetiva, idealista,. Objetiva, racional
Temas centrais
Amor idealizado, natureza,
liberdade, nacionalismo, rejeição
à forma
Crítica social, política, hipocrisia da
burguesia
Herói
Sonhador, emotivo, muitas vezes
frustrado
Antierói, comum, contraditório
Estilo de linguagem Exaltado, emotivo, com exageros Direto, preciso, descritivo
Tratamento do amor Idealizado, inatingível
Realista, muitas vezes visto com
ironia
Natureza
Refúgio espiritual, espelho da
alma
Cenário neutro ou funcional, sem
idealização
Mulher Idealizada, pura, inalcançável
Humana, com defeitos,
personagem crítica
Exemplos de autores
José de Alencar, Álvares de
Azevedo
Machado de Assis, Raul Pompeia
Obras representativas Iracema, A Moreninha Dom Casmurro, O Cortiço
4.
Leia o trechodo segundo capítulo de Iracema e identifique, com base nos
elementos presentes no texto, a qual movimento literário ele pertence.
5.
Iracema é Brasil
Iracemaé um romance indianista, publicado pela primeira vez em 1865. Pertence,
portanto, à primeira geração do Romantismo brasileiro.
Como é visível no texto, Iracema é uma mulher indígena, da nação dos tabajaras. A
descrição mostra uma evidente idealização da heroína e o uso da natureza como forma
de compor sua descrição.
A história se passa no início da colonização do Brasil e narra o amor entre Iracema e
Martim, um colonizador português. Iracema, cujo nome é um anagrama de “América”,
simboliza a terra virgem do Brasil. Ela é a guardiã do segredo da jurema, uma planta
sagrada do seu povo. Iracema e Martim fogem para viver juntos, e ela acaba tendo um
filho, Moacir, cujo nome significa “filho da dor”. Iracema morre após o nascimento de
Moacir, simbolizando a fusão das culturas indígena e europeia, bem como os sacrifícios
feitos na construção de uma nova nação.
Imagem 4 - Capa da segunda edição
de Iracema: lenda do Ceará (1865),
de José de Alencar. Reprodução –
MERKEL/ENCICLOPÉDIA ITAÚ
CULTURAL, 2020. Disponível em:
http://enciclopedia.itaucultural.org.b
r/obra67459/iracemalenda-do-ceara.
Acesso em: 22 nov. 2024.
Publicada em 1865, Iracema:
lenda do Ceará é uma das
mais importantes obras do
Romantismo brasileiro e de
seu autor, José de Alencar
(1829-1877), romancista,
dramaturgo, cronista e
jornalista.
6.
Compare o excertolido de Iracema com este outro trecho e responda: o
que há de similaridades e de diferenças?
7.
Os dois trechoscompartilham a idealização
das personagens femininas e o uso de
metáforas, ambos característicos do
Romantismo. No primeiro fragmento, a
mulher é exaltada por sua beleza natural e
pela conexão com a terra indígena,
enquanto, no segundo trecho, a figura
feminina é descrita como uma deusa dos
salões urbanos. A principal diferença está
no contexto: Iracema foca na natureza e na
cultura indígena, representando a primeira
geração do Romantismo, ao passo que a
segunda obra aborda a sociedade urbana e
sofisticada do Rio de Janeiro, refletindo a
terceira geração do Romantismo.
8.
O excerto lidotambém
pertence a uma obra de José
de Alencar, Senhora. O
trecho transcrito
corresponde aos parágrafos
iniciais do livro, que nos
apresenta Aurélia Camargo,
a protagonista e heroína da
história. Provavelmente,
você percebeu a similaridade
com Iracema na idealização
da figura da mulher e no uso
da natureza para descrever
sua perfeição. A diferença
principal reside na origem
das duas heroínas, uma
indígena e outra da corte
fluminense.
9.
Leia duas passagensde diferentes obras da literatura brasileira. Busque as
semelhanças e diferenças entre elas.
A Moreninha
- Que interessante terceto! exclamou com
tom teatral Augusto; que coleção de belos
tipos!... uma jovem de dezessete anos,
pálida... romântica e, portanto, sublime;
uma outra, loura... de olhos azuis... faces
cor-de-rosa... e... não sei que mais: enfim,
clássica e por isso bela. Por último uma
terceira de quatorze anos... moreninha,
que, ou seja, romântica ou clássica, prosaica
ou poética, ingênua ou misteriosa, há de,
por força, ser interessante, travessa e
engraçada; e por consequência qualquer
das três, ou todas ao mesmo tempo, muito
capazes de fazer de minha alma peteca, de
meu coração pitorra!
A Moreninha. Joaquim Manuel de Macedo. 1844.
A Falência
A cada instante o nome de Camila saia-lhe
da boca com um elogio. Era a filha mais
velha e a mais instruída: pilhara os tempos
das vacas gordas, quando o pai exercia um
cargo lucrativo. Os dedos de Camila
apressavam-se no crochê; com certeza ela
havia de ter errado os pontos e sentido os
olhares de Teodoro queimarem-lhe a pele,
que a tinha linda, de uma alvura azul de
camélia. D. Emília asseverava que a sua
Mila, como a chamavam em casa, esquecia-
se das suas prendas, obrigadas pela
necessidade a fazer serviços domésticos.
Francisco Teodoro comoveu-se com a ideia
de que aquela mulher, talhada para rainha,
passasse os dias a picar os dedos na agulha
ou a calejar as mãos com o uso da vassoura
ou do ferro.
10.
A Moreninha narraa história de
Augusto, um jovem estudante que,
durante um feriado, se apaixona por
Carolina, a encantadora neta da
anfitriã da casa onde ele está
hospedado. Inicialmente descrente no
amor, Augusto relembra uma
promessa feita na infância a uma
menina que lhe deu um camafeu. A
história culmina com a descoberta de
que Carolina é, na verdade, a mesma
menina de sua promessa. A descrição
que vemos da “moreninha” é de
Carolina. Como representante típica do
Romantismo, estamos diante da
idealização da mulher, bem como do
amor. Além, é claro, do mote típico:
aquele que se nega ao amor, acaba por
ele capturado.
A Falência narra a história de
Francisco Teodoro, um comerciante
bem-sucedido cuja firma enfrenta
uma crise financeira que o leva à
falência e ao suicídio. Seu casamento
é pautado na infidelidade de ambos.
A obra explora temas como a
decadência econômica, a condição
feminina e o impacto das crises
financeiras nas relações pessoais e
sociais. Como representante típico
do Realismo, desde o momento em
que Francisco Teodoro conhece
Camila, vê nela a questão prática do
casamento e da condição de mulher:
tão bonita como era, nascera para
ser cuidada, e não para o trabalho
do lar.