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Representação da
Amada
( literatura camoniana)
Duarte Loureiro nº6
Frederica Moreira nº9
Rita Canedo nº15
Tiago Pedrosa nº20
Indice
01 04
02 05
03 06
Introdução
Contextualização
Representação da
Amada
O uso de Camões
Poemas (análise)
Conclusão
Introdução
01
Introdução
Camões é considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa devido ao seu
profundo estudo dos temas do amor e da paixão nas suas obras. A sua poesia destaca a
figura da amada, que é retratada de maneira única e reveladora. Vamos explorar o
universo poético camoniano e examinar as principais características dessa representação
da amada nesta apresentação. Examinaremos como Camões constrói essa figura
feminina enfatizando os atributos que a caracterizam: idealização, beleza, virtudes
morais e intangibilidade. Além disso, a modo pelo qual o sofrimento amoroso é expresso
na poesia do autor. Essa análise aumentará nossa compreensão do perspectiva do amor
e da beleza que permeia a obra de um dos maiores escritores da literatura portuguesa.
Contextualização
02
Contextualização
Na poesia camoniana, as figuras femininas são representadas de forma idealizada, com
virtudes morais e beleza exaltadas. Ao mesmo tempo, a amada é mostrada como uma
figura distante e impossível de alcançar, causando ao poeta um grande sofrimento
amoroso. Essa representação da amada reflete Camões e as correntes literárias e
filosóficas da época, como o Neoplatonismo e o Petrarquismo.
Neoplatonismo: O neoplatonismo foi uma corrente de pensamento filosófico que se
baseou principalmente na filosofia platónica, embora aceitasse várias doutrinas e ideias.
O neoplatonismo também foi considerado uma seita místico-religiosa por promover uma
espécie de adoração divina com crenças específicas
Petrarquismo:Movimento literário italiano que aparece no século XV e se prolonga até
ao século XVII, influenciando toda a poesia europeia. Este movimento procura imitar a
poesia amorosa de Petrarca.
Representação da Amada
03
Representação
Idealização da amada: Camões compara a sua amada a deusas e figuras mitológicas para
representá-la e idealizada, como uma figura divina, perfeita e inatingível.
Beleza física: A beleza física da amada é exaltada, com descrições minuciosas dos seus
traços, como pele, olhos e cabelos, entre outros. Sendo a sua beleza retratada como
perfeição divina
Virtudes morais: Além da beleza física, a amada de Camões tem virtudes morais como
pureza, modéstia, lealdade e integridade.
Inatingibilidade: A amada é retratada como uma figura distante e inatingível, muitas
vezes inacessível aos desejos do amante, apesar de toda a devoção do poeta.
Sofrimento amoroso: O poeta é profundamente afetado pelo amor não correspondido
ou pela separação da amada, e esse sofrimento expressa-se em lamentos e queixas.
Carácter simbólico: A figura da amada pode simbolizar a pátria, a fé ou outros valores e
ideias que o poeta valoriza.
O uso de Camões
04
O uso de Camões
Luís de Camões retrata de forma complexa e significativa as suas amadas em obras
como nos Sonetos e nas Rimas. Na poesia lírica renascentista das Rimas, a amada é
idealizada e sublime, comparada a deusas e personagens mitológicas. Nos sonetos,
a sua beleza física e qualidades morais são detalhadamente descritas em versos
cheios de metáforas. Camões utiliza essa representação idealizada para expressar
as suas angústias e conflitos internos, explorando as complexidades do amor e da
condição humana. A amada é vista como uma figura de poder e autoridade,
detentora do amor e felicidade do poeta. Assim, a representação da amada na obra
de Camões desempenha um papel fundamental na expressão de suas inquietações
e aspirações, tornando-se um aspecto central na poesia camoniana
Poemas (análise)
05
Alma minha gentil, que te partiste
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Análise
Estrofes: São compostas de duas quadras e de dois tercetos, que é a forma fixa dos
sonetos, formando uma unidade de 14 versos decassílabos heróicos
As rimas são:
- Seguem o esquema AB BA AB BA CD CD CD. Nos quartetos as rimas A estão
interpoladas e as rimas B emparelhadas. Nos tercetos as rimas C e D estão cruzadas (ou
alternadas);
- As rimas A e B são ricas na primeira estrofe, ou seja, partiste (verbo partir) e triste
(adjetivo), e as rimas A e B da segunda estrofe são pobres, pois tem a mesma classe
gramatical
Análise
O poema de Camões mostra o contraste entre elementos femininos e masculinos, céu e terra,
há um jogo de oposições entre a amada, associada a características positivas, espirituais, e o
eu-lírico, associado a características terrenas e ligado aos sentidos. O neoplatonismo é citado
como base para esse contraste, que é reinterpretado por Camões nos versos 7-8 do poema,
onde o eu lírico pede que a amada se lembre do amor carnal que ele expressou de forma tão
pura e espiritual. Isso acaba por tornar a amada uma figura divina e etérea, enquanto o eu-
lírico é mais ligado às paixões terrenas, mostrando uma clara influência petrarquista.
Tanto de meu estado me acho incerto
Tanto de meu estado me acho incerto,
que em vivo ardor tremendo estou de frio;
sem causa, juntamente choro e rio,
o mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto, um desconcerto;
da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando,
num'hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar um' hora.
Se me pergunta alguém porque assim ando,
respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora.
Análise
Neste texto é abordado o tema da experiência amorosa e o assunto compreende os
efeitos contraditórios que a observação da mulher que ama causa no sujeito poético e o
sofrimento amoroso provocado por esse momento.
O poema é um soneto, logo é constituído por duas quadras e dois tercetos, num total
de 14 versos decassilábicos: Tan/to/de/meu/es/ta/do/me a/cho in/cer/to. A rima é
interpolada e emparelhada, com o seguinte esquema rimático: ABBA/ABBA/CDE/CDE.
Em todo o texto, a rima é rica, pois as palavras rimantes não pertencem à mesma classe
gramatical (“incerto” – adjetivo/ “aperto” – forma verbal), com a exceção dos grupos de
versos 9 e 12 e 11 e 14, em que a rima é pobre (“voando” / “ando” – formas verbais).
Análise
O poeta descreve um estado de espírito conflituoso e sofrido, atribuído à observação da
mulher amada. Os intensos sentimentos do eu lírico se manifestam de forma
contraditória ao longo do poema, com antíteses e anáforas ressaltando a inquietação e o
sofrimento constantes. O amor é relacionado a elementos intensos da natureza, como
fogo e rio, para destacar a intensidade desse sentimento. Através de hipérboles e
paradoxos, o poeta demonstra a intensidade do desejo de estar com a amada e a
perceção distorcida do tempo pelo sujeito poético. A apóstrofe à "minha Senhora"
reflete a ideia de uma mulher inatingível, a quem o eu lírico presta homenagem. A
influência da poesia italiana de Petrarca e da lírica trovadoresca é evidente no poema,
especialmente na forma como a mulher amada é idealizada. O amor é retratado como
um sentimento intenso e contraditório, capaz de provocar conflitos internos e tornar o
sujeito poético em um estado de perturbação constante.
Conclusão
06
Conclusão
Em conclusão, a representação da amada na poesia lírica de Camões é complexa e
multifacetada. Ela é retratada como uma figura idealizada, divina e também como uma
mulher real e terrena. A amada é elevada a um estatuto quase sobrenatural, sendo
comparada a deusas e símbolos celestiais, com seus atributos físicos e morais exaltados.
Por outro lado, também é representada de forma mais concreta, com características
individuais e humanas. Essa dualidade reflete a complexidade do amor na poesia
camoniana, tanto como força divina e transcendente, quanto como uma experiência
humana sujeita a sofrimentos e decepções. A amada funciona como um símbolo que
condensa a tensão entre o ideal e o real, espiritual e material, na lírica de Camões,
revelando-se como um elemento central na expressão da visão de mundo do autor.