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Relações de Reconhecimento
Encontrar–Agonistas               Lutar –Antagonistas             Redimir– Protagonistas
Aceitar o diferente               Recusar o igual como            Salvar-nos juntos
como igual                        diferente
Dar                               Dominar                         Desculpar
implica sacrificar-me             Violentar o outro            tu restituis a minha
Laing, Tarkovsky                  Sadismo, Big Brother, Gulag, liberdade
Platão, Confúcio                  Holocausto, tirania,         Tragédia Grega, Anamnesis
                                                               Archipel Gulag

Receber                           Submeter-se                     Agradecer
implica esvaziar-me               Violentar-se a si mesmo         tu aceitas os meus
Nan –in, Frankl                   Masoquista, Zamyatin,           sentimentos
                                  Triunfo dos Porcos              Dostoievski, Job
Partilhar/Apropriar-se Alienar /Revoltar                          Reconciliar/Condenar
Ser ou não ser individualista     Violar/libertar a consciência   tu confirmas ou negas o meu
                                                                  sentido da vida
(-) utilitarismo, egoismo         (-) Frankenstein, Homem         (-) Escravatura, autismo,
(+) Buber, Aristóteles, Platão,   invisível, Rochefoucauld        (+) Dag H., Anne Frank,
Morus,                            (+) Mandela, Shawshank          Edith Stein, Abraão,
Reconhecimento - Encontro de Agonistas
Eu - Encontro - Ele               Eu - Encontro - Você            Eu - Encontro - Tu
                                                                  Salvar-nos juntos

                                                                  Dar
                                                                  implica sacrificar-me
                                                                  Laing, Tarkovsky
                                                                  Platão, Confúcio


                                                                  Receber
                                                                  implica esvaziar-me
                                                                  Nan –in, Frankl


Partilhar/Apropriar-se Alienar /Revoltar                          Reconciliar/Condenar
Ser ou não ser individualista     Violar/libertar a consciência   tu confirmas ou negas o meu
                                                                  sentido da vida
(-) utilitarismo, egoismo         (-) Frankenstein, Homem         (-) Escravatura, autismo,
(+) Buber, Aristóteles, Platão,   invisível, Rochefoucauld        (+) Dag H., Anne Frank,
Morus, levinas                    (+) Mandela, Shawshank          Edith Stein, Abraão,
Reconhecimento - Conflito de Antagonistas
Eu - Conflito - Ele               Eu - Conflito - Você            Eu - Conflito - Tu
                                                                  Salvar-nos juntos

Dominar                                                           Desejar
Violentar o outro                                                 implica sacrificar-me
Sadismo, Big Brother, Gulag,                                      Laing, Tarkovsky
Holocausto, tirania,                                              Platão, Confúcio


                                                                  Receber
                                                                  implica esvaziar-me
                                                                  Nan –in, Frankl

Partilhar/Apropriar-se Alienar /Revoltar                          Reconciliar/Condenar
Ser ou não ser individualista     Violar/libertar a consciência   tu confirmas ou negas o meu
                                                                  sentido da vida
(-) utilitarismo, egoismo         (-) Frankenstein, Homem         (-) Escravatura, autismo,
(+) Buber, Aristóteles, Platão,   invisível, Rochefoucauld        (+) Dag H., Anne Frank,
Morus, levinas                    (+) Mandela, Shawshank          Edith Stein, Abraão,
Reconhecimento – Redenção de Protagonistas
Eu - Redenção - Ele               Eu - Redenção - Você            Eu - Redenção - Tu
                                                                  Salvar-nos juntos

                                                                  Dar
                                                                  implica sacrificar-me
                                                                  Laing, Tarkovsky
                                                                  Platão, Confúcio


                                                                  Receber
                                                                  implica esvaziar-me
                                                                  Nan –in, Frankl


Partilhar/Apropriar-se Alienar /Revoltar                          Reconciliar/Condenar
Ser ou não ser individualista     Violar/libertar a consciência   tu confirmas ou negas o meu
                                                                  sentido da vida
(-) utilitarismo, egoismo         (-) Frankenstein, Homem         (-) Escravatura, autismo,
(+) Buber, Aristóteles, Platão,   invisível, Rochefoucauld        (+) Dag H., Anne Frank,
Morus, levinas                    (+) Mandela, Shawshank          Edith Stein, Abraão,
Cap 9 Orientação eu tu
   §1 centralidade do (10) sujeito – após (9) ser – coisas - pessoa, outro , corpo CRL (voegelin)
   §2 pessoa Dinossauros recusar o reconhecimento ralph ellison ―homem invisível‖
   1. de baixo - Frankenstein, skinner, huxley,
   2. de cima Big brother, zamyatin, orwell
   3. Reemergir dos escombros goulag, frankl, orwell, camus 3.ª fase, filósofos da consciência,

   §3 método separa a sintonia com ordem, Cada método é apenas uma antecipação heurística de relações entre
    pessoas e comunhões a ser preenchida por observação de dados
   Estrutural - Antecipação de estrutura constante pessoas e comunhões
   Desenvolver Antecipação de sequência relacionadas de mudanças nas pessoas e comunhões
   Diagnóstico – antecipação que as relações pessoas e comunhões e mudanças só negativamente inteligível
   Terapêutico – antecipação eu falta de sentido é ultrapassado por decida ao fundo entre pessoas e comunhões

   §4 TESE - eu tu - pessoa virada para outro – é o ponto de viragem para belo, verdadeiro e bom
 1 Conversão estética – de sentimentos dispersos para focados – liliana arte liberta de mera utilidade.
 2. conversão intelectual – de aparência a verdade através de diálogo- frankl, buber
 3.conversão moral de narcisso a comunhão
 33,Eu virado a outro –Buber Stein Etty
Abertura pessoal
a) Afectiva abertura – crianaças primitivos.
b) B) Personalidade efectiva- sabio da tudo tao te chign
c) C) personalidade constitutiva- intimidade – giovanni, kateben
Cap 9 Orientação eu tu

   § 5 – ANTITESE Alienação de pessoa – recusa de relação e solus ipse sum- só eu existo
   5.1. IMPASSES de feio, mentira, amor
   Desvio estético – sentimento perdidos esquizofrenia - dupla personalidade
   Desvio intelectual – significados distorcidos – escotose, decepção,
   Desvio moral liberdade distorcida –rochefoucauld
   - Desorientação ou aversão a beleza bem e belo
   5.2 Sindromas de desorientação pessoal correlacionar estas desorientações
   5.3 desunião debaixo
   5.3. A) Eu auto excomungado - Jung, Pessoa
   5.3. B) CLAUSURA e DESPERSONALIZAÇÃO Pessoal a) pessoa autismo betelleheim - b)
    pessoa engana-se a si mesmo – camus . c) pessoa fecha-se em em si

   § 6 SINTESE pessoa volta a casa:
   1 Catarses – tu destrinças os meus sentimentos – psicanalise ajuda laing
   2. Saber pela dor - tu clarificas o meu sentido da vida A - tragédia grega
   3. Arrepender – tu focalizas a minha liberdade – dostoievsky- pessoa
CAP DEZ Nós - Humanidade Universal
   Orientado para nós. Tu e Nós, equivalente a sintonia com todo, tragedia grega, Sócrates e
    representante em Platão, Aristóteles e busca do fundamento do ser, em homonoia, s.joão e trindade,
    unidade de Soljhenitsyin. Trindade
1 Heurística de pessoas em comunidade
2 Estrutura agonista dar receber unir
 O outro como diferente
 Em comum com o outro etty
3. estrutura agonista mais funda mais dar receber unir
 O exemplo do ensino
4 estrutura antagonista dominar ser dominado alienar
    Outro diferente
 Nada em comum com o outro
 5 estrutura protagonista
 Perdoar ser perdoado reconciliar
Martin
Buber
(Viena, 8 de
Fevereiro de 1878 -
 Jerusalém, 13 de
Junho de 1965)
era filósofo,escritor
e pedagogo, de
origem austríaca, e
inspiração sionista.


                        Martin Buber
Martin Buber. Des/Encontro 1

 De acordo com seu biógrafo, Maurice Friedman, a
  experiência decisiva da vida de Martin Buber, que mais
  tarde veio a descrever como ―desencontro‖ aconteceu
  quando sua mãe abandonou a família, tinha ele 4 anos.
 Falando na varanda de sua casa, perto de Lvov, nessa
  ocasião, a sua irmã apenas alguns anos mais velha, disse-
  lhe:' Não, ela nunca regressará‖. "
 Muitos anos depois, Buber escreveu: ―Suspeito que tudo
  o que aprendi no decurso da minha vida sobre o encontro
  genuíno, nasceu em primeiro lugar naquelas horas na
  varanda. '(Friedman. 1982, p.5)
Martin Buber. Relação Eu Eles


A relação Eu Eles:
 ―Se eu entrar num autocarro, após estar na fila no
  meio da multidão, a minha relação com quem espera
  pode limitar-se a pensar se serei capaz de entrar ou
  não. Não sei quem são essas pessoas ... e nem o que
  fazem, além de todos quererem entrar para o
  autocarro.‖
Martin Buber. Eu Você

2) A relação Eu Você:
―Depois de eu chegar ao autocarro, tenho de dar
  dinheiro ao cobrador, a troco de um pedaço de
  papel. Este ser humano eu reconheço, pois veste um
  uniforme, e mais importante, usa o autocarro, pois se
  ele me pedisse dinheiro lá fora eu não lho daria. Ele
  reconhece-me como um passageiro, assim como eu o
  reconheço como condutor. São relações Eu / Você,
  onde "você" é utilizado para um encontro em termos
  de papéis limitados e especializados.‖
Martin Buber relação Eu Tu

3) A relação Eu Tu:
―Eu posso descobrir, para minha surpresa e alegria que
  o meu melhor amigo também está no autocarro. A
  minha relação com ele ou ela não é a mesma que eu
  tenho com cada pessoa em geral, nem se limita a
  uma função específica. Relacino-me com o meu
  amigo como com uma pessoa. É esse tipo de
  relacionamento que é de Eu e Tu.‖
Buber – Eu e Tu

―A base da vida humana é dupla, e é una... o desejo de todo o ser
  humano de ser confirmado por pessoas omo quem é, mesmo
  quanto a quem ele se pode tornar...e a capacidade inata no ser
  humano para confirmar o seu semelhante, deste modo... O
  crescimento mais íntimo do eu não é feito .. na relação do ser
  humano consigo mesmo, mas na relação com o outro .. . na
  apresentação de outro e no conhecimento de que cada um se
  apresenta a si próprio através de outro ... O ser humano deseja
  ser confirmado no seu ser por outro ser humano, e deseja
  estar presente no ser de outro ... Ele anseia por um Sim que
  lhe permita ser e que só lhe pode chegar através de um outro
  ser humano.‖

  O Conhecimento do Ser humano (1965, p.71):
Encontrar

 Dar
 Laing, Liliana, Tarkovsky
 Newman, Platão, Confucio
 Receber
 Nan –in, Frankl
 Partilhar / Apropriar-se
 Buber
Martin Buber escreveu em O Conhecimento
           do Ser humano 1965

 ―A base da vida humana é dupla, e é una... o desejo de todo
  o ser hum ano de ser confirmado como quem é, mesmo
  quando o que ele pode se tornar, por homens, e a
  capacidade inata no ser humano para confirmar o seu
  semelhante, deste modo... O crescimento mais íntimo de si
  mesmo não é feito .. na relação do ser humano consigo
  mesmo, mas na relação com o outro .. . na apresentação
  de outro eu e no conhecimento de que cada um se
  apresenta a si próprio através de outro ... O ser humano
  deseja ser confirmado no seu ser por outro ser humano, e
  deseja estar presente no ser de outro ... Ele anseia por um
  Sim que lhe permita ser e que só lhe pode chegar através
  de um outro ser humano.”
DAR
O outro como diferente 2.4

 EXEMPLOS SEGUINTES
 R. D. Laing relata a disposição de uma enfermeira
  psiquiátrica para entregando-se ao paciente
 Nan-in ensina um professor - através do exemplo
  negativo - que receber significa auto-esvaziar-se
 Buber recorda um incidente em que ele não
  conseguiu acolher outra pessoa.
R. D. Laing: dar é não ser eu 2.4.1

 A enfermeira deu ao doente uma taça de chá. E a doente, uma
  psicótica crónica, disse ao receber: ‗É a primeira vez na vida
  que alguém me deu uma taça de chá.' .. .
 É a coisa mais simples e mais difícil do mundo alguém dar, de
  facto e não apenas na aparência, a uma outra pessoa, sendo
  realmente o seu próprio eu, e não apenas na aparência, um
  copo de chá, de verdade, e não apenas na aparência.
 O doente está a dizer, que muitas taças de chá passaram pelas
  suas mãos ao longo da vida, mas que, verdadeiramente, nunca
  lhe tinha sido oferecida uma taça de chá.
 (Laing, 1969, p. 89)
9.4 Dar - Tao te Ching (c.500 a.C.)


    ―O sábio não acumula. Ao ter oferecido tudo o que tem aos
    outros, ele tem ainda mais. Tendo dado tudo de si aos outros,
    ficou ainda mais rico!. (1971, p. 143)

  Num texto que moldou a civilização chinesa desde há 2500
  anos Lao Tsé comenta, talvez, o seu próprio acto de partilhar
  uma vida inteira de sabedoria
 Quererei eu ajudar os outros, e dar a minha contribuição à
  sociedade? Estarei eu consciente da minha estranha situação
  de ser ao mesmo tempo único, e parte de uma grande família,
  a humanidade ? Terei uma responsabilidade para com essa
  comunidade universal? Experimentarei alguma alegria se agir
  em benefício dos outros?
9.4 Virado para o outro -Arte

 Liliana Cosi
Como se orienta um artista ou atleta? Liliana Cosi, ex-primeira bailarina
  no La Scala, fala da dolorosa disciplina exigida aos artistas:

 ―Todos os movimentos de uma bailarina no palco são contra a
  natureza. Cada posição tem seu preço ... O mais difícil arabesco para
  mim, é o que mais bonito parece aos espectadores. Um dia ao ver
  dançar Margot Fonteyn, perguntei-lhe: 'Por que colocou a sua perna
  nessa posição para esse movimento? " Ela respondeu-me:"Porque é o
  caminho mais difícil " Não havia outro motivo. E esta é a fonte da beleza
  da nossa arte ... A dança é verdadeiramente uma arte que une a terra e o
  céu: une o cansaço muscular, como o de um estivador, à expressão da
  mais profunda vida interior‖ (1976, p.. 89 e ss...)
 Tal como os artistas disciplinam os seus sentimentos, imaginação e
  expressão, a fim de se transformarem através das suas obras, cada um
  de nós pode conduzir sentimentos, imaginação e ação, para serem
  expressão de quem somos, orientados para os outros e a comunidade.
9.4. 1.1 Beleza e objeto

 A arte - seja a fruição da arte seja a criação artística - é uma das
  maneiras de des-instrumentalizarmos os nossos sentidos, libetá~los
  do lixo que nos rodeia e deixando-nos livres para eleger o nosso
  próprio horizonte. O som em vez de ser ruído, pode ser
  transformado em música, deixando o ouvido livre para desfrutar os
  sons a seu bel-prazer. A cor pode encantar através da pintura, o
  movimento pode ser posto em liberdade pela dança. O espaço pode
  tornar-se uma celebração através da escultura e da arquitetura.
  Cada bairro com as suas praças, parques, igrejas, mercados, lojas e
  cafés, é uma possibilidade de reunião e associação. O tempo pode
  ser celebrado na memória de um povo, ao reviver a sua história. E
  podemos desfrutar da linguagem através da poesia e da literatura,
  pois como Paul Valéry, dizia "a poesia é a linguagem a nascer, a
  língua a tornar-se livre"
 (Felstiner, 1995, p.77)
RECEBER
9.4 Virado para o outro - Diálogo
       O que a vida espera de nós – 1 Victor Frankl

 ―Um dia, no campo, duas pessoas sentaram-se à minha frente,
  e ambas disseram que se queriam suicidar. Ambos usaram
  uma frase que era corrente no campo: ―Nada mais espero da
  vida." Pareceu-me um requisito essencial que ambos
  experimentassem uma reviravolta à Copérnico, de tal forma
  que deixassem de perguntar o que poderiam esperar da vida,
  mas que ficassem conscientes do facto que a vida esperava
  algo deles, que para cada um deles, e de facto para todos nós,
  alguém ou alguma coisa estava à espera, fosse um trabalho a
  ser feito ou uma pessoa que nos aguardava ... Na consciência
  de cada ser único, alguém estava presente, estava lá invisível,
  nem sabíamos se ainda viva, mas ainda presente e disponível,
  e "lá" como o Tu do diálogo mais íntimo ... A quem ocupava
  essa posição, a coisa mais importante seria perguntar, O que
  espera ele de mim, isto é, que tipo de atitude me é exigido?‖
9.4 Virado para o outro
    Beleza e objeto
 Edith Stein
                              nasceu na cidade
                              de Breslau –
                              Alemanha a 12 de
Edith Stein                   outubro de 1891
                              em uma família
Como professora, junto        judia. No dia 7 de
de suas jovens alunas,        agosto de 1942 –
Edith elaborou métodos        Edith, sua irmã
de educação                   Rosa e centenas
inovadores, que além          de homens,
de atrair e interessar as     mulheres e
moças pelo estudo e           crianças, subiram
conhecimento,                 a bordo do
contribuíam para sua          comboio para o
formação moral e              campo de
espiritual,.                  extermínio de
                              Auschwitz. Edith
                              e Rosa foram
                              mortas na
                              câmara de gás,
                              poucas horas
                              depois de
                              chegarem.
Edith Stein

 Mas há uma outra dimensão do Tu que Edith Stein
 descreveu no final de Ser terminal e interminável [1936]:

 ―O enigma do Eu permanece. Porque o Eu deve receber o
 seu ser de outro, e não de si mesmo. Eu não existo em
 mim mesmo, e por mim mesmo, nada sou. Em cada
 momento estou diante de nada, de modo que em cada
 momento eu devo ser dotada de novo com ser ... sendo
 esta nada meu, este frágil ser recebido, está sendo .. .
 Tem sede não só pela continuação infinita do seu ser,
 mas pela plena posse do ser. (1988, p.92)
Edith Stein

 A questão da existência pessoal não pode ser
  respondida simplesmente pelos meus pais, que me
  deram a base biológica da minha existência, mas não
  fundaram a minha existência como pessoa. A
  questão permanece, por que sou eu, porque existo
  como uma pessoa única?
 Ao mesmo tempo que revela a humildade da
  existência pessoal, Stein indica a sua capacidade de
  transfiguração pela participação na fonte pessoal
  transcendente. Seria inconcebível que um ser pessoal
  poderia constituir-se em existência por um ser que
  fosse menos que realidade pessoal.
9.4 Kierkegaard - O D. Juan, de Mozart

 ―Quando laçamos uma pedra sobre a superfície da
 água, ela saltita levemente durante algum tempo,
 mas assim que deixa de saltar, instantaneamente
 afunda-se nas profundezas. Assim dança D. Juan
 sobre o abismo, eufórico durante breves momentos.‖
 (1959, p.129)
9.5 Desorientações



9.5
Apropriar-se
9.5 Alienação da pessoa humana

 Pavel Florensky diagnosticou a desintegração pessoal, em The Pillar and The
  Ground of Truth [1914], como "a afirmação do eu que se recusa a relação com o
  outro ... a insistência em não ir além de si mesmo ... A defesa da própria auto-
  suficiência que faz a pessoa ídolo "de si mesmo" ... o inferno refere-se a esta
  laceração infernal da realidade, [onde] cada um diz:. Solus ipse sum" [Só Eu
  existo] (1974, pp.228, 266)

 Para investigar esta noção de desintegração, entendida como a recusa de
  relação, podemos reverter a noção de estrutura e falar de:
  # 1: A desorientação básica ou aversão à beleza, bondade, verdade, que
  chamaremos de becos sem saída da falsidade, fealdade, o mal.
  # 2: Aos vários padrões ou correlações destes desorientações chamaremos
  síndromes de deformação pessoal. ... .
  # 3: O princípio de desunião subjacente à desorientação e seus síndromes é a
  pessoa a recusar o relacionamento genuíno.
  Em conjunto, # # 1-3 constituem a de-estrutura da pessoa humana e
  proporcionar uma técnica de diagnóstico do amor-próprio e auto idolatria.
François de La Rochefoucauld

 Moralista francês, nasceu em Paris
a 15 9 1613 e morreu a 17 3 1680.
 La Rochefoucauld foi um dos introdutores
  do género de máximas e epigramas, escrevendo
  textos de profundo pessimismo. Seu livro, "Reflexões
  ou sentenças e máximas morais", apareceu em 1664.
 Espírito cáustico, atribui ao amor-próprio um papel
  preponderante na motivação das ações humanas.
  Todas as falsas virtudes têm a movê-las o egoísmo e
  a hipocrisia. A necessidade de estima e admiração
  está por trás de toda manifestação de bondade e
  gratidão. Ele é um pessimista desencantado.
9.5 La Rochefoucauld – L’amour propre [1]

 Um dos diagnósticos mais penetrantes do amor
  próprio, da obstinação radicalmente fechada do eu e
  do seu uso e abuso da personalidade dos outros
  deve-se a La Rochefoucauld, um moralista francês da
  corrente inaugurada por Pascal.
 La Rochefoucauld desmascara a sociabilidade
  superficial na sociedade francesa aristocrática do séc.
  XVIII como uma manipulação egoísta dos outros e
  com carácter auto-destrutivo
9.5 La Rochefoucauld – L’amour propre [2]

 ―O amor próprio é o amor de si mesmo e de todas as coisas em
  termos de si mesmo, e faz dos homens adoradores de si
  mesmos e torná-los-ia tiranos sobre os outros, se a fortuna
  lhes desse os meios. Nunca pára para descansar fora do eu e,
  tal como as abelhas sobre as flores, só se detém em alguém
  exterior a fim de extrair o que serve as suas
  necessidades. Nada é tão veemente quanto os seus desejos,
  nada tão oculto como os seus objectivos, nada tão desonesto
  como os seus métodos ... Ninguém consegue sondar as
  profundezas ou perfurar a escuridão do seu abismo em que,
  escondido aos olhos mais penetrantes, executa de modo
  imperceptível mais de mil voltas, muitas vezes invisível até
  para si mesmo e, sem saber, concebe, alimenta e executa uma
  vasta prole de afectos e ódios‖. 1967. p. 107
9.5 La Rochefoucauld – L’amour propre [3]

 "Estamos tão acostumados a nos disfarçar dos outros
 que acabamos por disfarçar-nos de nós mesmos"
 (1967, p.50), A última palavra sobre a decepção
 fundamental da amor próprio, na sua consciência
 sufocada de um bem não alcançado:
 ―Este é o retrato do amor próprio, cuja existência
 inteira é uma longa e incessante actividade. Pode ser
 adequadamente comparado ao mar, cujo incessante
 fluxo e refluxo das ondas é um retrato fiel da
 sucessão da turbulência dos seus pensamentos e das
 suas eternas inquietações. (1967, p. 109)
DOMINAR

    Lutar -Antagonistas
         Dominar
Sadismo, Big Brother, Gulag,
Holocausto, Orwell, Tirania,
Hegel


 No início de seus 11 e la Trinita Negativo: Ipotesi su Hegel, Piero Coda cita
  duas observações de Hegel. A primeira observação é a partir do Lições
  sobre a Filosofia da Religião: "A morte de Cristo é o ponto central em
  torno do qual tudo gira."

 A segunda é de Lições sobre a Filosofia da História: "Aquele que não sabe
  de Deus que ele é Trindade, nada sabe sobre o Cristianismo. Este novo
  princípio é o eixo em torno do qual gira a história do mundo. "(1987, p.5)


 Cyril O'Regan em Hegel heterodoxo (1994) mostra a independência de
  Hegel, bem como dependência da matriz de experiência cristã . Ainda que a
  matriz dos interpersonhood trinitária, subjacente a dialética de Hegel
  Mestre-Escravo central, é central para a experiência ocidental.
O senhor e o escravo

 O filósofo Hegel descreveu numa das célebres passagens da
  fenomenologia do espírito, a dialéctica do senhor e do
  escravo que descreve a luta pelo reconhecimento...
 O escravo é aquele que nada tem de seu, senão o trabalhar
  para o senhor. E este possui todas as coisas do mundo,
  exceto o reconhecimento do escravo.
 Chegará o dia em que se enfrentarão, olhos nos olhos, e se
  nesse dia, o senhor não vir o escravo submisso nos seus
  olhos, é porque este iniciou um processo de revolta que
  vencendo muitos obstáculos e através de mutas peripécias e
  esforços levará a uma inversão das posições.
 Um dia, quando o escravo se assenhorear do seu destino,
  romperá as cadeias da submissão ao senhor e se libertar
  para uma existência mais digna. Só o modo como o escravo
  se liberta decide da sua existência futura.
9.2 Frankenstein .
      Desumanidade “vinda de baixo” 1

 O desejo de dominar e controlar o mundo natural é
  exacerbado quando se tenta aplicar os métodos das
  ciências naturais à ―produção‖ de seres humanos.
 A obra de Mary Shelley, Frankenstein, or A Modern
  Prometheus [1818] pode ser lida como o estudo de um
  "cientista" desequilibrado e obcecado com o poder.
 ―A suposição popular de que a ciência matemática
  natural é o modelo da ciência, e que quem não consegue
  empregar o seu método não é científico, não é uma
  declaração da ciência matemática, nem de qualquer
  outra ciência, mas sim um dogma ideológico do
  cientismo. (Eric Voegelin, Anamnese, 1990a, p.178)
9.1 O corpo e o rosto
 O corpo humano pode ser compreendido como uma
 coisa abstraída pelas ciências naturais, da física até à
 zoologia. Esta compreensão abstrai da existência
 imediata do corpo da pessoa, não como coisa que eu
 tenho, mas a expressão concreta da minha
 existência. Esses significados, físico, químico, biológico,
 fisiológico, sensorial e neural dos nossos corpos
 concorrem para um significado pessoal. É a
 personificação de uma pessoa orientada para o outro.
 Existe uma vasta gama de articulações da corporeidade
 humana por Merleau Ponty, Levinas e João Paulo II.
 (1985) O corpo humano é de uma pessoa que tem como
 orientação constitutiva da sua existência, a participação
 na realidade pessoal absoluta, tal como a linguagem, a
 expressão mais elevada do corpo.
O sádico

 É sádico quem quer apropriar-se da liberdade
  transcendente da vítima. Mas esta liberdade
  continua fora do alcance.
 Quanto mais o sádico persiste em tratar o outro
  como um instrumento, mais a liberdade dele lhe
  escapa ...
 O sádico descobre o erro quando a vítima o olha,
  isto é, quando experimenta a alienação absoluta
  do seu ser na liberdade do Outro...
9.2 BIG BROTHER
        Desumanidade “vinda de cima"
 Despersonalização ―vinda de baixo‖ - Quem abusa da ciência
  natural - como fez Victor Frankenstein - e absolutiza os
  componentes físicos e biológicos dos seres humanos contra a
  liberdade e dignidade da pessoa, pratica a ideologia positivista,
  behaviorista e cientificista
 Despersonalização -―vinda de cima― - Ocorre quando são
  absolutizadas realidades como Raça, Classe, Estado, Nação,
  Império, História. O comunismo, nazismo, fascismo e tentaram
  justificar isto com a felicidade para todos.
 Para Platão, a sociedade é o ser humano escrito em letras
  grandes, ou seja, é constituída por pessoas,
 Para o Big Brother, o ser humano é a sociedade escrita em letras
  pequenas, com pessoas sem individualidade.
9.2 - 1984, George Orwell

 1984 é um livro de George Orwell baseado no Nós de
  Zamyatin, em que o Big Brother domina os membros
  do Partido. Ambos as ficções chamadas distopias
  mostram os males de estados totalitários como sejam
  o comunismo, o fascismo e o nazismo.
 O problema de uma sociedade perfeita é só um: não
  existe. É uma utopia. Tal como o esquizofrénico luta
  para se proteger de mundo ilusório das devastações
  da realidade, da mesma forma os membros dos
  partidos utópicos têm técnicas de decepção para
  manter a mentira ideológica.
SUBMETER-SE
Sadismo e masoquismo

 O sadismo usa a sua liberdade para querer dominar
 mas assim mostra a futilidade da vontade de poder,
 cujo sucesso depende de eu destruir a personalidade
 do outro, o que está fora do controlo do sadista.

 Da mesma forma, o masoquista deseja ter a
 personalidade destruída pelos outros, e esse desejo
 de abdicar de sua humanidade é a única expressão
 da sua liberdade de que ele abusa.
O masoquista

 Masoquismo, tal como o sadismo, é uma
  confissão de culpa. O masoquista nega a sua
  própria transcendência, não a do outro. Não
  pretende capturar a liberdade do outro, mas
  deixa-a ser radical.
 Quanto mais o masoquista se sente ultrapassado,
  mais usufrui da sua abdicação. É culpado, devido
  ao fato de ser um objeto, e é culpado porque
  consente na alienação. É culpado em relação ao
  Outro, porque lhe dá a ocasião de ser culpado, e
  de desperdiçar a liberdade.
9.2 Zamyatin Nós

 Yevgeny Zamyatin, escreveu Nós em Petrogrado em 1920.
  Como romance anti-utópico é um diagnóstico
  infalível. Abre com um anúncio:
―Em 120 dias a construção da Integral será concluída. O
grande momento histórico está perto quando a primeira
Integral subir ao espaço universal. ‖

 No início da história, eu, o indivíduo, é = Nós, o Estado, de
  modo que D503, o construtor da Integral, é totalmente
  identificado com o Estado. Mas através do contato com os
  citas selvagens além do muro, e através do amor por I-330 -
  uma mulher "número― - D-503, começa a desenvolver-se
  como pessoa, e os agentes do Benfeitor querem-no destruir.
9.3 Humanidade sob os escombros
 O que Walsh chamou de "vácuo espiritual" no cerne da
  "experiência do moderno e seu mito de Prometeu" (1995,
  pp.3, 9), que resultou na morte de mais de 100 milhões de
  pessoas em nome do progresso em nosso século , tem
  provocado uma recuperação notável de pessoa profundidade
  por escritores como Anna Akhmatova, Saul Bellow, Osip e
  Nadezhda Mandelstam, Percy Walker, Solzhenitsyn,
 filósofos como Buber, Camus, Lonergan, Levinas, Marcel,
  Ricceur, Rosenzweig, Taylor, Voegelin,
 compositores - Henryk Gorecki, Arvo Part, John Taverner
 Realizadores -Kryzsztof Kieslowski, Ermanno Olmi, Andrey
  Tarkovsky, Andrzej Wajda.
9.5 La Rochefoucauld – L’amour propre [1]

 Um dos diagnósticos mais penetrantes do amor
  próprio, da obstinação radicalmente fechada do eu e
  do seu uso e abuso da personalidade dos outros
  deve-se a La Rochefoucauld, um moralista francês da
  corrente inaugurada por Pascal.
 La Rochefoucauld desmascara a sociabilidade
  superficial na sociedade francesa aristocrática do séc.
  XVIII como uma manipulação egoísta dos outros e
  com carácter auto-destrutivo
9.5 La Rochefoucauld – L’amour propre [2]

 ―O amor próprio é o amor de si mesmo e de todas as coisas em
  termos de si mesmo, e faz dos homens adoradores de si
  mesmos e torná-los-ia tiranos sobre os outros, se a fortuna
  lhes desse os meios. Nunca pára para descansar fora do eu e,
  tal como as abelhas sobre as flores, só se detém em alguém
  exterior a fim de extrair o que serve as suas
  necessidades. Nada é tão veemente quanto os seus desejos,
  nada tão oculto como os seus objectivos, nada tão desonesto
  como os seus métodos ... Ninguém consegue sondar as
  profundezas ou perfurar a escuridão do seu abismo em que,
  escondido aos olhos mais penetrantes, executa de modo
  imperceptível mais de mil voltas, muitas vezes invisível até
  para si mesmo e, sem saber, concebe, alimenta e executa uma
  vasta prole de afectos e ódios‖. 1967. p. 107
9.5 La Rochefoucauld – L’amour propre [3]

 "Estamos tão acostumados a nos disfarçar dos outros
 que acabamos por disfarçar-nos de nós mesmos"
 (1967, p.50), A última palavra sobre a decepção
 fundamental da amor próprio, na sua consciência
 sufocada de um bem não alcançado:
 ―Este é o retrato do amor próprio, cuja existência
 inteira é uma longa e incessante actividade. Pode ser
 adequadamente comparado ao mar, cujo incessante
 fluxo e refluxo das ondas é um retrato fiel da
 sucessão da turbulência dos seus pensamentos e das
 suas eternas inquietações. (1967, p. 109)
Alienar /Revoltar
9.5.2 Síndromes de desorientação pessoal
 A Esquizofrenia é um dos exemplos de distorção emocional enraizada na má
  percepção dos outros. Silvano Arieti, descreve-a como ―... uma reação específica
  a um estado extremo de ansiedade, originário da infância, e reativado na vida
  por fatores psicológicos. (1955, p.384)
  1. O doente começa por lutar entre o mundo real e o mundo dos seus sintomas,
  a sua tentativa de cortar com os sentimentos e respostas ao mundo real não
  basta para evitar que continue a sofrer de ansiedade.
  2. Para evitar a ansiedade da crescente ameaça da realidade, o doente constrói
  um "mundo" de delírios que pode ser preenchido com pessoas imaginárias. A
  luta "entre a realidade e a doença acabou. .. Sente-se que o paciente regrediu
  para um nível inferior arcaico. "(1955, p.379f.)
  3. Em nível inferior ao mundo delirante, regride à acumulação primitiva - para
  garantir objetos que não vão mudar - e hábitos auto-decorativos. Assim, o
  mundo é limitado não por outros imaginários, mas por coleções de coisas, que
  esconde no armário ou debaixo da cama.
  4. Na fase final, o paciente se agarra a uma 'segurança'. ainda mais limitada e
  de curto prazo : agarra alimentos ou engolir o que pode obter como colheres,
  panos, etc. A este nível, o paciente pode tornar-se quase completamente
  insensível à percepção.
9.5.2 Síndromes de desorientação pessoal

   Definição de esquizofrenia em Arieti
 Reação específica que consiste na adopção de mecanismos mentais
    arcaicos, que pertencem aos níveis mais baixos de integração. Na
    medida em que o resultado é uma regressão, mas não uma integração
    em níveis mais baixos, o desequilíbrio faz com que se engendre nova
    regressão, por vezes, para níveis ainda mais baixos do que aquele em
    que certas percepções são possíveis.‖ (1955, p.384)

 Os psiquiatras, ao lidarem com pessoas que sofrem de esquizofrenia,
    dizem que, como em todas as desorientações, a tragédia é a de um
    colapso sustentado do relacionamento no nível do sentimento e da
    fantasia. "Eu estou morto de certo modo. Separei-me das outras pessoas
    e fechei-me em mim mesmo... Tens de viver num mundo com outras
    pessoas. Se não o fazes, algo morre dentro. '(R D Laing, 1966, p.133)
9.5.2.1 O eu - Jung 1

Carl Gustav Jung foi um
psicanalista suíço do séc. XX.
Em Memórias, Sonhos, Reflexões,
publicadas em 1962, um ano após a
sua morte, aos 85 anos, descreve a dificuldade de ter
boas relações com os pais, os companheiros de escola,
com a natureza, com o trabalho, com a religião e consigo
mesmo. Em vez de superar essas dificuldades, parece ter
preferido o seu eu exclusivo que se tornou a medida de
todas as coisas, levando-o a uma auto-excomunhão.
9.5.2.1 O eu auto excomungado - Jung 2

 ―Estou surpreendido, desapontado, satisfeito comigo
  mesmo. Estou angustiado, deprimido, arrebatado. Sou
  todas essas coisas ao mesmo tempo, e não consigo
  realizar a soma. Sou incapaz de determinar um valor
  final ou a inutilidade, e de fazer um juízo sobre mim e
  sobre minha vida. Não há nada de que eu esteja muito
  certo. Não tenho convicções definidas, nem convicções
  sobre coisa nenhuma, realmente. Sei apenas que nasci e
  existo, e parece-me que tenho sido arrastado… Parece-
  me que aquela alienação que tanto tempo me separou do
  mundo, se transferiu para o meu próprio mundo interior,
  e me revelou um inesperado desconhecimento de mim
  mesmo. ―
 (Autobiografia, Conclusão, 1972, p.391.)
9.5.3 Autismo [1] Bettelheim

 Bruno Bettelheim (Viena, 28 de Agosto de 1903 — 13 de Março de
  1990) foi um psicólogo judeu norte-americano


 A condição conhecida como autismo é um dos mais
  claros exemplos do fechamento psiquiátrico das
  pessoas. As crianças autistas são geralmente
  incapazes de participar numa comunidade. Essa
  incapacidade é evidente pela sua dificuldade em usar
  os pronomes pessoais, tais como ‗eu',‗tu', e nomes
  próprios, ou não jogar uma bola com outra pessoa ,
  ou utilizar uma serra ou outro instrumento em
  conjunto. ( Bettelheim, 1 972, pp.433ff.)
9.5.3 Autismo [2] Bettelheim

 Em vez de considerar o autismo como ausência de relacionamento,
  Bettelheim analisa-o como a retirada da criança em pânico do
  relacionamento com os outros. Por detrás da fortaleza apática existe
  um vazio de amor, que vem antes de o ego da criança ter começado
  a diferenciar com o uso da linguagem. Falando desta apatia, diz
  Bettelheim:
―Sempre que penetramos nela, encontramos ódio, extremo e
  explosivo. E por trás do ódio está sempre o desejo, eternamente
  frustrado, mas presente; um desejo agora profundamente
  encapsulado na repressão, de modo a evitar que atinja a dor
  insuportável consciência‖ (1972, p.90).
 A recusa da criança autista em usar pronomes pessoais é uma
  expressão da sua "recusa total para se envolver no mundo', que
  parece sempre implicar uma grande dor.
―Se o ‗eu' realmente não existir, então não pode ser destruído. Este
  significado de auto-proteção de evitar a ‗eu', parece-me mais
  importante que qualquer outra proteção. (1972, p.428)
9.5 Proust, fechamento

Na biografia de Proust, George Painter relata uma
  conversa entre o escritor e um seu conhecido que
  subira na escala social. O conhecido perguntara:
  ―Acha que mudei muito nos últimos cinco anos?‖
  Proust respondeu: 'Sim, está menos ". "Mas menos o
  quê? Menos inteligente? ‖ ―Não …‖ ―Menos boa
  aparência? " Não. Apenas menos.‗‖ (1977, p.251)
A questão é que o fechamento da personalidade cerra o
  acesso aos outros.
9.5 Max Stirner, O Eu e a sua Propriedade

 A literatura do isolamento foi antecipada na sua revolta e inconclusividade
  final, por Max Stirner, O Eu e a sua Propriedade [1845]. Embora pouco
  profundo, Stirner captou os limites do fechamento:
  ―Eu sou o dono do meu poder, e eu sou assim quando me conheço como
  único. No único o próprio dono retorna ao seu nada criativo, do qual
  nasceu. Qualquer essência superior a mim, seja Deus, seja homem, enfraquece
  o sentimento da minha unicidade e empalidece perante o sol da minha
  consciência. Se eu me concentrar em mim mesmo, o único, então a minha
  preocupação recai sobre o seu criador, transitório e mortal, que se consome a si
  mesmo, e eu posso dizer: ‗Assentei meu caso em nada' (1971, p.261)

 A literatura dos anos de meados do séc. XX testemunha, em diferentes
  níveis, a frequencia desta experiência de fechamento. Piranesi- Carceri,
  Das Schloss, de Kafka [= 'bloqueio' e "castelo"], O julgamento, e "Na
  Colônia Penal", Huis Clos de Sartre, J Beckett à Espera de Godot, etc.
  (cf.Voegelin, 1990b, p. 163) Como observou Voegelin, "o ser humano
  moderno tornou-se um maçador."
Ralph
Ellison
Ralph Ellison O homem invisível

 “Sou um ser humano invisível. Não, eu não sou um
 fantasma como os que assombravam Edgar Allan Poe
 .. . Eu sou um ser humano de substância, de carne e
 osso, fibra e líquidos, e eu poderia até dizer que possuo
 uma mente. Sou invisível, compreendam,
 simplesmente, porque as pessoas se recusam a ver-me
 ... Quando se aproximam de mim, só vêem o meu
 entorno, elas ou as invenções da respectiva
 imaginação... A invisibilidade a que me refiro ocorre
 devido a uma disposição peculiar dos olhos das pessoas
 com quem entro em contato. A questão é a construção
 de seus olhos interiores, aqueles olhos com que eles
 olham através de seus olhos para a realidade física
 (Ellison, 1952, p: 7).
Ralph Ellison O homem invisível
 Para Ser humano Invisível Ralph Ellison, a sua
  humanidade era invisível aos olhos de muitos dos
  contemporâneos porque a sua pele era negra. Por que
  é que tantas vezes não vejo a ti, mas a minha imagem
  de ti? Ou tantas vezes não comunicam-se, mas a sua
  projeção do que pensa sque eu quero ver? É verdade
  que eu não posso realmente ser eu mesmo em meu
  próprio, que sou mais eu em relação com outras
  pessoas?
 NOTAS Sobre 'exterioridade' ver Levinas, Totalite et
  Infini: Essai sur l 'exteriorite, 1968. Cf.. ch. L 'Pessoa
  profundidade ", de Joseph McCarroll Jornada para o
  Centro da Pessoa, 1986.
Revolta


               Quem se recusou a ser dominado,
               mesmo à custa da liberdade física,
               foi Booker T. Washington, um
               escravo nascido no Sul dos EUA.
 Perguntaram-lhe por que nunca respondia nos
  mesmos termos aos insultos racistas que lhe dirigiam
  por ele ser porta-voz dos direitos civis dos negros.
 Ele respondeu: 'Eu recuso-me a permitir aos outros
  que diminuam a minha alma, fazendo com que os
  odeie."
DESCULPAR
Arrependimento

    3) Recentrar a minha liberdade
    distorcida
    Crime e Castigo de Dostoievski descreve a
    mudança que ocorre em Raskolnikov durante
    sua prisão na Sibéria. Esta mudança afeta a
    sua liberdade "subjetiva" e o seu amor
    "objetivo", e ocorre por causa da relação com
    Sonya.
    Em primeiro lugar, há a inversão do desamor
    ou falta de liberdade que consiste na
    desorientação da capacidade de escolha
    moral. Isto implica sair da recusa de amar os
    outros, Deus, o mundo, e também a si mesmo
    e começar a amar novamente. Apesar de
    Raskolnikov atravessar os movimentos de
    arrependimento no seu julgamento, o
    arrependimento foi muito limitado pela sua
    oscilação entre o orgulho da sua capacidade
    intelectual superior, e os pensamentos
    suicidas decorrentes da sua humilhação ao
    confrontar-se com o que era apenas "um
    quadro jurídico‖.
9.6 Dag Hammarskjold

 Dag Hammarskjold, Secretário Geral da ONU, que
 aparentemente foi assassinado durante uma missão
 de paz durante a guerra civil no Congo ex-belga
 apresenta um poema a como reconciliar inimigos.
9.6 Regresso a casa -Dag Hammarskjold

A estrada, tens de a seguir
A diversão, tens de a esquecer
A taça, tens de a esvaziar
A dor, tens de a esconder
A verdade, tens de a dizer
O final, tens de o suportar.
(Dag Hammarskjold, 1969, pp.167, 185F.)
9.6 Regresso a casa Johannes Bobrowski,

A palavra Humano, como vocábulo,
classificada onde pertence
no dicionário:
entre Homem
e Humanidade.
A cidade
antiga e nova
bem movimentada, com árvores
também
e carros, aqui.
Ouço essa palavra, esse vocábulo
ouço-a muito aqui, posso
até dizer de quem, posso
começar por aí.
Onde não há amor
não digam essa palavra.
 Johannes Bobrowski, Wetterzeichen, Berlin, Union
   Verlag, 1968 As últimas palavras do último poema (, p.83)
AGRADECER
Etty Hillesum
                Etty Hillesum nasceu na Holanda e foi enviada
                para o campo de concentração de Westerbork e
                depois para Auschwitz, onde foi morta em 1943
Etty Hillesum

                           ―Muitos ainda são hieróglifos para
                mim, mas muito lentamente eu aprendo a
                decifrá-los. É a coisa mais linda que eu
                conheço: ler a vida das pessoas. Em
                Westerbork era como se eu estivesse diante
                dos esqueletos nus da vida .. . Gosto tanto das
                pessoas porque em todas eu amo uma parte
                de ti ... E eu procuro-te em toda a parte nos
 Diário no      outros e muitas vezes encontro uma parte de
campo de        ti... E tento descobrir-te no coração dos
concentração    outros ... E agora tenho de fazer tudo
de Westerbork   sozinha. A parte melhor e mais nobre do meu
                amigo, do ser humano que despertaste em
                mim, já está contigo‖ (1983, pp.150, 158)
Reconciliar/Condenar
3.1 A TRAGÉDIA DA COMUNIDADE
                    Oresteia, de Ésquilo

 A Oresteia de Ésquilo, abrangendo as tragédias Agamêmnon, Os
  Portadores de Libação e as Euménides, junto com a comédia Proteus,
  foi representada em Atenas em 458 a.C., durante o festival de
  Dionísio. Jaeger disse que "O papel da polis no drama de Ésquilo é de
  suprema importância", (1965, p.471) e Sebba (1969, p.44) e Weber-
  Schafer (1976, p.124) anotaram que a polis é o "herói" das Euménides,
  que é o ponto culminante da Oresteia. É a expressão insuperável da
  tragédia da comunidade que torna Ésquilo tão relevante.

 Sobre o papel Ésquilo para desenvolver uma consciência grega da
  articulação da natureza do homem e da comunidade especificamente
  humana, disse Voegelin: “A experiência da história nasce da
  tragédia. Somente quando estão completamente desenvolvidas as
  idéias de uma alma completamente humana, da descida reflexiva às
  suas profundezas, de uma decisão extraída dessas profundezas, e de
  uma ação que é a responsabilidade do homem, é que o significado da
  acção trágica pode irradiar e iluminar a ordem da existência humana.”
3.2 A TRAGÉDIA DA PERSONAGEM
                      Édipo, de Sófocles

 Ésquilo e Sófocles estavam conscientes da crise dos mitos provocada
  pelo desgaste da substância da comunidade, e pela corrosiva racionalidade
  sofística. Sófocles desenvolveu personagens de grande envergadura que
  ajudaram a transformar as forças do mito e as ferramentas da racionalidade.

 Podemos considerar Édipo, de Sófocles em Édipo Tirano e Édipo em Colona
  como ilustrativo do cumprimento doloroso desta lei humana. Logo após o
  reconhecimento de Édipo, em Édipo Tirano, o coro chama-o de paradeigma
  (1193): é o exemplo clássico da conquista gradual da identidade pessoal ou de
  integração humana em resposta ao teste de existência.

 A luta de Édipo pela identidade. Gilgamesh, Job, Sócrates, e João Batista, que
  no Evangelho de S. João se auto-designa como ouk ego eimi, "não eu sou", e
  vive tornando-se "cada vez menos”, são paradigmas equivalente desta lei
  trágica do protagonista.
3.3 A tragédia do caos: As Bacantes de Eurípedes

 Eurípides está tão afetado pela crise ateniense que não é fácil discernir se era
  o seu mais brilhante suporte ou um diagnosticador. (cf.Lesky, 1965,
  p.200; Dodds, 1971, p.187; Jaeger, 1965, p.351) Terá desenvolvido uma
  sabedoria negativa, sem estar do lado dos deuses, nem das limitações das
  crenças tradicionais e das técnicas intelectuais.

 Nas Bacantes, encenada em 406 a.C., o drama gira em torno do deus Dionísio
  - caso único nas tragédias - a vingar-se do rei Penteu pela revolta contra a
  divindade. A vingança conduz o rei à destruição pela sua mãe,
  uma frenética bacante, e a tragédia termina com o triunfo de Dionísio.

 Dionísio apresenta-se com a propaganda de uma personalidade mediática,
  e reivindica uma universalidade vazia e geográfica associada
  ao cosmopolitismo dos sofistas: Eu sou Dionísio, filho de Zeus, regressado
  a Tebas, a terra onde nasci. Minha mãe era filha de Cadmo, Semele pelo
  nome, parida pelo fogo, entregue pelo relâmpago... E aqui estou,
  um incógnito deus, disfarçado como um homem ...Atrás de mim estão essas
  terras de rios dourados, Lídia e Frígia, onde a minha viagem começou…”

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  • 1. Relações de Reconhecimento Encontrar–Agonistas Lutar –Antagonistas Redimir– Protagonistas Aceitar o diferente Recusar o igual como Salvar-nos juntos como igual diferente Dar Dominar Desculpar implica sacrificar-me Violentar o outro tu restituis a minha Laing, Tarkovsky Sadismo, Big Brother, Gulag, liberdade Platão, Confúcio Holocausto, tirania, Tragédia Grega, Anamnesis Archipel Gulag Receber Submeter-se Agradecer implica esvaziar-me Violentar-se a si mesmo tu aceitas os meus Nan –in, Frankl Masoquista, Zamyatin, sentimentos Triunfo dos Porcos Dostoievski, Job Partilhar/Apropriar-se Alienar /Revoltar Reconciliar/Condenar Ser ou não ser individualista Violar/libertar a consciência tu confirmas ou negas o meu sentido da vida (-) utilitarismo, egoismo (-) Frankenstein, Homem (-) Escravatura, autismo, (+) Buber, Aristóteles, Platão, invisível, Rochefoucauld (+) Dag H., Anne Frank, Morus, (+) Mandela, Shawshank Edith Stein, Abraão,
  • 2. Reconhecimento - Encontro de Agonistas Eu - Encontro - Ele Eu - Encontro - Você Eu - Encontro - Tu Salvar-nos juntos Dar implica sacrificar-me Laing, Tarkovsky Platão, Confúcio Receber implica esvaziar-me Nan –in, Frankl Partilhar/Apropriar-se Alienar /Revoltar Reconciliar/Condenar Ser ou não ser individualista Violar/libertar a consciência tu confirmas ou negas o meu sentido da vida (-) utilitarismo, egoismo (-) Frankenstein, Homem (-) Escravatura, autismo, (+) Buber, Aristóteles, Platão, invisível, Rochefoucauld (+) Dag H., Anne Frank, Morus, levinas (+) Mandela, Shawshank Edith Stein, Abraão,
  • 3. Reconhecimento - Conflito de Antagonistas Eu - Conflito - Ele Eu - Conflito - Você Eu - Conflito - Tu Salvar-nos juntos Dominar Desejar Violentar o outro implica sacrificar-me Sadismo, Big Brother, Gulag, Laing, Tarkovsky Holocausto, tirania, Platão, Confúcio Receber implica esvaziar-me Nan –in, Frankl Partilhar/Apropriar-se Alienar /Revoltar Reconciliar/Condenar Ser ou não ser individualista Violar/libertar a consciência tu confirmas ou negas o meu sentido da vida (-) utilitarismo, egoismo (-) Frankenstein, Homem (-) Escravatura, autismo, (+) Buber, Aristóteles, Platão, invisível, Rochefoucauld (+) Dag H., Anne Frank, Morus, levinas (+) Mandela, Shawshank Edith Stein, Abraão,
  • 4. Reconhecimento – Redenção de Protagonistas Eu - Redenção - Ele Eu - Redenção - Você Eu - Redenção - Tu Salvar-nos juntos Dar implica sacrificar-me Laing, Tarkovsky Platão, Confúcio Receber implica esvaziar-me Nan –in, Frankl Partilhar/Apropriar-se Alienar /Revoltar Reconciliar/Condenar Ser ou não ser individualista Violar/libertar a consciência tu confirmas ou negas o meu sentido da vida (-) utilitarismo, egoismo (-) Frankenstein, Homem (-) Escravatura, autismo, (+) Buber, Aristóteles, Platão, invisível, Rochefoucauld (+) Dag H., Anne Frank, Morus, levinas (+) Mandela, Shawshank Edith Stein, Abraão,
  • 5. Cap 9 Orientação eu tu  §1 centralidade do (10) sujeito – após (9) ser – coisas - pessoa, outro , corpo CRL (voegelin)  §2 pessoa Dinossauros recusar o reconhecimento ralph ellison ―homem invisível‖  1. de baixo - Frankenstein, skinner, huxley,  2. de cima Big brother, zamyatin, orwell  3. Reemergir dos escombros goulag, frankl, orwell, camus 3.ª fase, filósofos da consciência,  §3 método separa a sintonia com ordem, Cada método é apenas uma antecipação heurística de relações entre pessoas e comunhões a ser preenchida por observação de dados  Estrutural - Antecipação de estrutura constante pessoas e comunhões  Desenvolver Antecipação de sequência relacionadas de mudanças nas pessoas e comunhões  Diagnóstico – antecipação que as relações pessoas e comunhões e mudanças só negativamente inteligível  Terapêutico – antecipação eu falta de sentido é ultrapassado por decida ao fundo entre pessoas e comunhões  §4 TESE - eu tu - pessoa virada para outro – é o ponto de viragem para belo, verdadeiro e bom  1 Conversão estética – de sentimentos dispersos para focados – liliana arte liberta de mera utilidade.  2. conversão intelectual – de aparência a verdade através de diálogo- frankl, buber  3.conversão moral de narcisso a comunhão 33,Eu virado a outro –Buber Stein Etty Abertura pessoal a) Afectiva abertura – crianaças primitivos. b) B) Personalidade efectiva- sabio da tudo tao te chign c) C) personalidade constitutiva- intimidade – giovanni, kateben
  • 6. Cap 9 Orientação eu tu  § 5 – ANTITESE Alienação de pessoa – recusa de relação e solus ipse sum- só eu existo  5.1. IMPASSES de feio, mentira, amor  Desvio estético – sentimento perdidos esquizofrenia - dupla personalidade  Desvio intelectual – significados distorcidos – escotose, decepção,  Desvio moral liberdade distorcida –rochefoucauld  - Desorientação ou aversão a beleza bem e belo  5.2 Sindromas de desorientação pessoal correlacionar estas desorientações  5.3 desunião debaixo  5.3. A) Eu auto excomungado - Jung, Pessoa  5.3. B) CLAUSURA e DESPERSONALIZAÇÃO Pessoal a) pessoa autismo betelleheim - b) pessoa engana-se a si mesmo – camus . c) pessoa fecha-se em em si  § 6 SINTESE pessoa volta a casa:  1 Catarses – tu destrinças os meus sentimentos – psicanalise ajuda laing  2. Saber pela dor - tu clarificas o meu sentido da vida A - tragédia grega  3. Arrepender – tu focalizas a minha liberdade – dostoievsky- pessoa
  • 7. CAP DEZ Nós - Humanidade Universal  Orientado para nós. Tu e Nós, equivalente a sintonia com todo, tragedia grega, Sócrates e representante em Platão, Aristóteles e busca do fundamento do ser, em homonoia, s.joão e trindade, unidade de Soljhenitsyin. Trindade 1 Heurística de pessoas em comunidade 2 Estrutura agonista dar receber unir  O outro como diferente  Em comum com o outro etty 3. estrutura agonista mais funda mais dar receber unir  O exemplo do ensino 4 estrutura antagonista dominar ser dominado alienar  Outro diferente  Nada em comum com o outro 5 estrutura protagonista  Perdoar ser perdoado reconciliar
  • 8. Martin Buber (Viena, 8 de Fevereiro de 1878 - Jerusalém, 13 de Junho de 1965) era filósofo,escritor e pedagogo, de origem austríaca, e inspiração sionista. Martin Buber
  • 9. Martin Buber. Des/Encontro 1  De acordo com seu biógrafo, Maurice Friedman, a experiência decisiva da vida de Martin Buber, que mais tarde veio a descrever como ―desencontro‖ aconteceu quando sua mãe abandonou a família, tinha ele 4 anos.  Falando na varanda de sua casa, perto de Lvov, nessa ocasião, a sua irmã apenas alguns anos mais velha, disse- lhe:' Não, ela nunca regressará‖. "  Muitos anos depois, Buber escreveu: ―Suspeito que tudo o que aprendi no decurso da minha vida sobre o encontro genuíno, nasceu em primeiro lugar naquelas horas na varanda. '(Friedman. 1982, p.5)
  • 10. Martin Buber. Relação Eu Eles A relação Eu Eles:  ―Se eu entrar num autocarro, após estar na fila no meio da multidão, a minha relação com quem espera pode limitar-se a pensar se serei capaz de entrar ou não. Não sei quem são essas pessoas ... e nem o que fazem, além de todos quererem entrar para o autocarro.‖
  • 11. Martin Buber. Eu Você 2) A relação Eu Você: ―Depois de eu chegar ao autocarro, tenho de dar dinheiro ao cobrador, a troco de um pedaço de papel. Este ser humano eu reconheço, pois veste um uniforme, e mais importante, usa o autocarro, pois se ele me pedisse dinheiro lá fora eu não lho daria. Ele reconhece-me como um passageiro, assim como eu o reconheço como condutor. São relações Eu / Você, onde "você" é utilizado para um encontro em termos de papéis limitados e especializados.‖
  • 12. Martin Buber relação Eu Tu 3) A relação Eu Tu: ―Eu posso descobrir, para minha surpresa e alegria que o meu melhor amigo também está no autocarro. A minha relação com ele ou ela não é a mesma que eu tenho com cada pessoa em geral, nem se limita a uma função específica. Relacino-me com o meu amigo como com uma pessoa. É esse tipo de relacionamento que é de Eu e Tu.‖
  • 13. Buber – Eu e Tu ―A base da vida humana é dupla, e é una... o desejo de todo o ser humano de ser confirmado por pessoas omo quem é, mesmo quanto a quem ele se pode tornar...e a capacidade inata no ser humano para confirmar o seu semelhante, deste modo... O crescimento mais íntimo do eu não é feito .. na relação do ser humano consigo mesmo, mas na relação com o outro .. . na apresentação de outro e no conhecimento de que cada um se apresenta a si próprio através de outro ... O ser humano deseja ser confirmado no seu ser por outro ser humano, e deseja estar presente no ser de outro ... Ele anseia por um Sim que lhe permita ser e que só lhe pode chegar através de um outro ser humano.‖ O Conhecimento do Ser humano (1965, p.71):
  • 14. Encontrar  Dar  Laing, Liliana, Tarkovsky  Newman, Platão, Confucio  Receber  Nan –in, Frankl  Partilhar / Apropriar-se  Buber
  • 15. Martin Buber escreveu em O Conhecimento do Ser humano 1965  ―A base da vida humana é dupla, e é una... o desejo de todo o ser hum ano de ser confirmado como quem é, mesmo quando o que ele pode se tornar, por homens, e a capacidade inata no ser humano para confirmar o seu semelhante, deste modo... O crescimento mais íntimo de si mesmo não é feito .. na relação do ser humano consigo mesmo, mas na relação com o outro .. . na apresentação de outro eu e no conhecimento de que cada um se apresenta a si próprio através de outro ... O ser humano deseja ser confirmado no seu ser por outro ser humano, e deseja estar presente no ser de outro ... Ele anseia por um Sim que lhe permita ser e que só lhe pode chegar através de um outro ser humano.”
  • 16. DAR
  • 17. O outro como diferente 2.4  EXEMPLOS SEGUINTES  R. D. Laing relata a disposição de uma enfermeira psiquiátrica para entregando-se ao paciente  Nan-in ensina um professor - através do exemplo negativo - que receber significa auto-esvaziar-se  Buber recorda um incidente em que ele não conseguiu acolher outra pessoa.
  • 18. R. D. Laing: dar é não ser eu 2.4.1  A enfermeira deu ao doente uma taça de chá. E a doente, uma psicótica crónica, disse ao receber: ‗É a primeira vez na vida que alguém me deu uma taça de chá.' .. .  É a coisa mais simples e mais difícil do mundo alguém dar, de facto e não apenas na aparência, a uma outra pessoa, sendo realmente o seu próprio eu, e não apenas na aparência, um copo de chá, de verdade, e não apenas na aparência.  O doente está a dizer, que muitas taças de chá passaram pelas suas mãos ao longo da vida, mas que, verdadeiramente, nunca lhe tinha sido oferecida uma taça de chá.  (Laing, 1969, p. 89)
  • 19. 9.4 Dar - Tao te Ching (c.500 a.C.)  ―O sábio não acumula. Ao ter oferecido tudo o que tem aos outros, ele tem ainda mais. Tendo dado tudo de si aos outros, ficou ainda mais rico!. (1971, p. 143)  Num texto que moldou a civilização chinesa desde há 2500 anos Lao Tsé comenta, talvez, o seu próprio acto de partilhar uma vida inteira de sabedoria  Quererei eu ajudar os outros, e dar a minha contribuição à sociedade? Estarei eu consciente da minha estranha situação de ser ao mesmo tempo único, e parte de uma grande família, a humanidade ? Terei uma responsabilidade para com essa comunidade universal? Experimentarei alguma alegria se agir em benefício dos outros?
  • 20. 9.4 Virado para o outro -Arte  Liliana Cosi Como se orienta um artista ou atleta? Liliana Cosi, ex-primeira bailarina no La Scala, fala da dolorosa disciplina exigida aos artistas:  ―Todos os movimentos de uma bailarina no palco são contra a natureza. Cada posição tem seu preço ... O mais difícil arabesco para mim, é o que mais bonito parece aos espectadores. Um dia ao ver dançar Margot Fonteyn, perguntei-lhe: 'Por que colocou a sua perna nessa posição para esse movimento? " Ela respondeu-me:"Porque é o caminho mais difícil " Não havia outro motivo. E esta é a fonte da beleza da nossa arte ... A dança é verdadeiramente uma arte que une a terra e o céu: une o cansaço muscular, como o de um estivador, à expressão da mais profunda vida interior‖ (1976, p.. 89 e ss...)  Tal como os artistas disciplinam os seus sentimentos, imaginação e expressão, a fim de se transformarem através das suas obras, cada um de nós pode conduzir sentimentos, imaginação e ação, para serem expressão de quem somos, orientados para os outros e a comunidade.
  • 21. 9.4. 1.1 Beleza e objeto  A arte - seja a fruição da arte seja a criação artística - é uma das maneiras de des-instrumentalizarmos os nossos sentidos, libetá~los do lixo que nos rodeia e deixando-nos livres para eleger o nosso próprio horizonte. O som em vez de ser ruído, pode ser transformado em música, deixando o ouvido livre para desfrutar os sons a seu bel-prazer. A cor pode encantar através da pintura, o movimento pode ser posto em liberdade pela dança. O espaço pode tornar-se uma celebração através da escultura e da arquitetura. Cada bairro com as suas praças, parques, igrejas, mercados, lojas e cafés, é uma possibilidade de reunião e associação. O tempo pode ser celebrado na memória de um povo, ao reviver a sua história. E podemos desfrutar da linguagem através da poesia e da literatura, pois como Paul Valéry, dizia "a poesia é a linguagem a nascer, a língua a tornar-se livre"  (Felstiner, 1995, p.77)
  • 23. 9.4 Virado para o outro - Diálogo O que a vida espera de nós – 1 Victor Frankl  ―Um dia, no campo, duas pessoas sentaram-se à minha frente, e ambas disseram que se queriam suicidar. Ambos usaram uma frase que era corrente no campo: ―Nada mais espero da vida." Pareceu-me um requisito essencial que ambos experimentassem uma reviravolta à Copérnico, de tal forma que deixassem de perguntar o que poderiam esperar da vida, mas que ficassem conscientes do facto que a vida esperava algo deles, que para cada um deles, e de facto para todos nós, alguém ou alguma coisa estava à espera, fosse um trabalho a ser feito ou uma pessoa que nos aguardava ... Na consciência de cada ser único, alguém estava presente, estava lá invisível, nem sabíamos se ainda viva, mas ainda presente e disponível, e "lá" como o Tu do diálogo mais íntimo ... A quem ocupava essa posição, a coisa mais importante seria perguntar, O que espera ele de mim, isto é, que tipo de atitude me é exigido?‖
  • 24. 9.4 Virado para o outro Beleza e objeto
  • 25.  Edith Stein nasceu na cidade de Breslau – Alemanha a 12 de Edith Stein outubro de 1891 em uma família Como professora, junto judia. No dia 7 de de suas jovens alunas, agosto de 1942 – Edith elaborou métodos Edith, sua irmã de educação Rosa e centenas inovadores, que além de homens, de atrair e interessar as mulheres e moças pelo estudo e crianças, subiram conhecimento, a bordo do contribuíam para sua comboio para o formação moral e campo de espiritual,. extermínio de Auschwitz. Edith e Rosa foram mortas na câmara de gás, poucas horas depois de chegarem.
  • 26. Edith Stein  Mas há uma outra dimensão do Tu que Edith Stein descreveu no final de Ser terminal e interminável [1936]:  ―O enigma do Eu permanece. Porque o Eu deve receber o seu ser de outro, e não de si mesmo. Eu não existo em mim mesmo, e por mim mesmo, nada sou. Em cada momento estou diante de nada, de modo que em cada momento eu devo ser dotada de novo com ser ... sendo esta nada meu, este frágil ser recebido, está sendo .. . Tem sede não só pela continuação infinita do seu ser, mas pela plena posse do ser. (1988, p.92)
  • 27. Edith Stein  A questão da existência pessoal não pode ser respondida simplesmente pelos meus pais, que me deram a base biológica da minha existência, mas não fundaram a minha existência como pessoa. A questão permanece, por que sou eu, porque existo como uma pessoa única?  Ao mesmo tempo que revela a humildade da existência pessoal, Stein indica a sua capacidade de transfiguração pela participação na fonte pessoal transcendente. Seria inconcebível que um ser pessoal poderia constituir-se em existência por um ser que fosse menos que realidade pessoal.
  • 28. 9.4 Kierkegaard - O D. Juan, de Mozart  ―Quando laçamos uma pedra sobre a superfície da água, ela saltita levemente durante algum tempo, mas assim que deixa de saltar, instantaneamente afunda-se nas profundezas. Assim dança D. Juan sobre o abismo, eufórico durante breves momentos.‖ (1959, p.129)
  • 30. 9.5 Alienação da pessoa humana  Pavel Florensky diagnosticou a desintegração pessoal, em The Pillar and The Ground of Truth [1914], como "a afirmação do eu que se recusa a relação com o outro ... a insistência em não ir além de si mesmo ... A defesa da própria auto- suficiência que faz a pessoa ídolo "de si mesmo" ... o inferno refere-se a esta laceração infernal da realidade, [onde] cada um diz:. Solus ipse sum" [Só Eu existo] (1974, pp.228, 266)  Para investigar esta noção de desintegração, entendida como a recusa de relação, podemos reverter a noção de estrutura e falar de: # 1: A desorientação básica ou aversão à beleza, bondade, verdade, que chamaremos de becos sem saída da falsidade, fealdade, o mal. # 2: Aos vários padrões ou correlações destes desorientações chamaremos síndromes de deformação pessoal. ... . # 3: O princípio de desunião subjacente à desorientação e seus síndromes é a pessoa a recusar o relacionamento genuíno. Em conjunto, # # 1-3 constituem a de-estrutura da pessoa humana e proporcionar uma técnica de diagnóstico do amor-próprio e auto idolatria.
  • 31. François de La Rochefoucauld  Moralista francês, nasceu em Paris a 15 9 1613 e morreu a 17 3 1680.  La Rochefoucauld foi um dos introdutores do género de máximas e epigramas, escrevendo textos de profundo pessimismo. Seu livro, "Reflexões ou sentenças e máximas morais", apareceu em 1664.  Espírito cáustico, atribui ao amor-próprio um papel preponderante na motivação das ações humanas. Todas as falsas virtudes têm a movê-las o egoísmo e a hipocrisia. A necessidade de estima e admiração está por trás de toda manifestação de bondade e gratidão. Ele é um pessimista desencantado.
  • 32. 9.5 La Rochefoucauld – L’amour propre [1]  Um dos diagnósticos mais penetrantes do amor próprio, da obstinação radicalmente fechada do eu e do seu uso e abuso da personalidade dos outros deve-se a La Rochefoucauld, um moralista francês da corrente inaugurada por Pascal.  La Rochefoucauld desmascara a sociabilidade superficial na sociedade francesa aristocrática do séc. XVIII como uma manipulação egoísta dos outros e com carácter auto-destrutivo
  • 33. 9.5 La Rochefoucauld – L’amour propre [2]  ―O amor próprio é o amor de si mesmo e de todas as coisas em termos de si mesmo, e faz dos homens adoradores de si mesmos e torná-los-ia tiranos sobre os outros, se a fortuna lhes desse os meios. Nunca pára para descansar fora do eu e, tal como as abelhas sobre as flores, só se detém em alguém exterior a fim de extrair o que serve as suas necessidades. Nada é tão veemente quanto os seus desejos, nada tão oculto como os seus objectivos, nada tão desonesto como os seus métodos ... Ninguém consegue sondar as profundezas ou perfurar a escuridão do seu abismo em que, escondido aos olhos mais penetrantes, executa de modo imperceptível mais de mil voltas, muitas vezes invisível até para si mesmo e, sem saber, concebe, alimenta e executa uma vasta prole de afectos e ódios‖. 1967. p. 107
  • 34. 9.5 La Rochefoucauld – L’amour propre [3]  "Estamos tão acostumados a nos disfarçar dos outros que acabamos por disfarçar-nos de nós mesmos" (1967, p.50), A última palavra sobre a decepção fundamental da amor próprio, na sua consciência sufocada de um bem não alcançado: ―Este é o retrato do amor próprio, cuja existência inteira é uma longa e incessante actividade. Pode ser adequadamente comparado ao mar, cujo incessante fluxo e refluxo das ondas é um retrato fiel da sucessão da turbulência dos seus pensamentos e das suas eternas inquietações. (1967, p. 109)
  • 35. DOMINAR Lutar -Antagonistas Dominar Sadismo, Big Brother, Gulag, Holocausto, Orwell, Tirania,
  • 36. Hegel   No início de seus 11 e la Trinita Negativo: Ipotesi su Hegel, Piero Coda cita duas observações de Hegel. A primeira observação é a partir do Lições sobre a Filosofia da Religião: "A morte de Cristo é o ponto central em torno do qual tudo gira."   A segunda é de Lições sobre a Filosofia da História: "Aquele que não sabe de Deus que ele é Trindade, nada sabe sobre o Cristianismo. Este novo princípio é o eixo em torno do qual gira a história do mundo. "(1987, p.5)    Cyril O'Regan em Hegel heterodoxo (1994) mostra a independência de Hegel, bem como dependência da matriz de experiência cristã . Ainda que a matriz dos interpersonhood trinitária, subjacente a dialética de Hegel Mestre-Escravo central, é central para a experiência ocidental.
  • 37. O senhor e o escravo  O filósofo Hegel descreveu numa das célebres passagens da fenomenologia do espírito, a dialéctica do senhor e do escravo que descreve a luta pelo reconhecimento...  O escravo é aquele que nada tem de seu, senão o trabalhar para o senhor. E este possui todas as coisas do mundo, exceto o reconhecimento do escravo.  Chegará o dia em que se enfrentarão, olhos nos olhos, e se nesse dia, o senhor não vir o escravo submisso nos seus olhos, é porque este iniciou um processo de revolta que vencendo muitos obstáculos e através de mutas peripécias e esforços levará a uma inversão das posições.  Um dia, quando o escravo se assenhorear do seu destino, romperá as cadeias da submissão ao senhor e se libertar para uma existência mais digna. Só o modo como o escravo se liberta decide da sua existência futura.
  • 38. 9.2 Frankenstein . Desumanidade “vinda de baixo” 1  O desejo de dominar e controlar o mundo natural é exacerbado quando se tenta aplicar os métodos das ciências naturais à ―produção‖ de seres humanos.  A obra de Mary Shelley, Frankenstein, or A Modern Prometheus [1818] pode ser lida como o estudo de um "cientista" desequilibrado e obcecado com o poder.  ―A suposição popular de que a ciência matemática natural é o modelo da ciência, e que quem não consegue empregar o seu método não é científico, não é uma declaração da ciência matemática, nem de qualquer outra ciência, mas sim um dogma ideológico do cientismo. (Eric Voegelin, Anamnese, 1990a, p.178)
  • 39. 9.1 O corpo e o rosto  O corpo humano pode ser compreendido como uma coisa abstraída pelas ciências naturais, da física até à zoologia. Esta compreensão abstrai da existência imediata do corpo da pessoa, não como coisa que eu tenho, mas a expressão concreta da minha existência. Esses significados, físico, químico, biológico, fisiológico, sensorial e neural dos nossos corpos concorrem para um significado pessoal. É a personificação de uma pessoa orientada para o outro. Existe uma vasta gama de articulações da corporeidade humana por Merleau Ponty, Levinas e João Paulo II. (1985) O corpo humano é de uma pessoa que tem como orientação constitutiva da sua existência, a participação na realidade pessoal absoluta, tal como a linguagem, a expressão mais elevada do corpo.
  • 40. O sádico  É sádico quem quer apropriar-se da liberdade transcendente da vítima. Mas esta liberdade continua fora do alcance.  Quanto mais o sádico persiste em tratar o outro como um instrumento, mais a liberdade dele lhe escapa ...  O sádico descobre o erro quando a vítima o olha, isto é, quando experimenta a alienação absoluta do seu ser na liberdade do Outro...
  • 41. 9.2 BIG BROTHER Desumanidade “vinda de cima"  Despersonalização ―vinda de baixo‖ - Quem abusa da ciência natural - como fez Victor Frankenstein - e absolutiza os componentes físicos e biológicos dos seres humanos contra a liberdade e dignidade da pessoa, pratica a ideologia positivista, behaviorista e cientificista  Despersonalização -―vinda de cima― - Ocorre quando são absolutizadas realidades como Raça, Classe, Estado, Nação, Império, História. O comunismo, nazismo, fascismo e tentaram justificar isto com a felicidade para todos.  Para Platão, a sociedade é o ser humano escrito em letras grandes, ou seja, é constituída por pessoas,  Para o Big Brother, o ser humano é a sociedade escrita em letras pequenas, com pessoas sem individualidade.
  • 42. 9.2 - 1984, George Orwell  1984 é um livro de George Orwell baseado no Nós de Zamyatin, em que o Big Brother domina os membros do Partido. Ambos as ficções chamadas distopias mostram os males de estados totalitários como sejam o comunismo, o fascismo e o nazismo.  O problema de uma sociedade perfeita é só um: não existe. É uma utopia. Tal como o esquizofrénico luta para se proteger de mundo ilusório das devastações da realidade, da mesma forma os membros dos partidos utópicos têm técnicas de decepção para manter a mentira ideológica.
  • 44. Sadismo e masoquismo  O sadismo usa a sua liberdade para querer dominar mas assim mostra a futilidade da vontade de poder, cujo sucesso depende de eu destruir a personalidade do outro, o que está fora do controlo do sadista.  Da mesma forma, o masoquista deseja ter a personalidade destruída pelos outros, e esse desejo de abdicar de sua humanidade é a única expressão da sua liberdade de que ele abusa.
  • 45. O masoquista  Masoquismo, tal como o sadismo, é uma confissão de culpa. O masoquista nega a sua própria transcendência, não a do outro. Não pretende capturar a liberdade do outro, mas deixa-a ser radical.  Quanto mais o masoquista se sente ultrapassado, mais usufrui da sua abdicação. É culpado, devido ao fato de ser um objeto, e é culpado porque consente na alienação. É culpado em relação ao Outro, porque lhe dá a ocasião de ser culpado, e de desperdiçar a liberdade.
  • 46. 9.2 Zamyatin Nós  Yevgeny Zamyatin, escreveu Nós em Petrogrado em 1920. Como romance anti-utópico é um diagnóstico infalível. Abre com um anúncio: ―Em 120 dias a construção da Integral será concluída. O grande momento histórico está perto quando a primeira Integral subir ao espaço universal. ‖  No início da história, eu, o indivíduo, é = Nós, o Estado, de modo que D503, o construtor da Integral, é totalmente identificado com o Estado. Mas através do contato com os citas selvagens além do muro, e através do amor por I-330 - uma mulher "número― - D-503, começa a desenvolver-se como pessoa, e os agentes do Benfeitor querem-no destruir.
  • 47. 9.3 Humanidade sob os escombros  O que Walsh chamou de "vácuo espiritual" no cerne da "experiência do moderno e seu mito de Prometeu" (1995, pp.3, 9), que resultou na morte de mais de 100 milhões de pessoas em nome do progresso em nosso século , tem provocado uma recuperação notável de pessoa profundidade por escritores como Anna Akhmatova, Saul Bellow, Osip e Nadezhda Mandelstam, Percy Walker, Solzhenitsyn,  filósofos como Buber, Camus, Lonergan, Levinas, Marcel, Ricceur, Rosenzweig, Taylor, Voegelin,  compositores - Henryk Gorecki, Arvo Part, John Taverner  Realizadores -Kryzsztof Kieslowski, Ermanno Olmi, Andrey Tarkovsky, Andrzej Wajda.
  • 48. 9.5 La Rochefoucauld – L’amour propre [1]  Um dos diagnósticos mais penetrantes do amor próprio, da obstinação radicalmente fechada do eu e do seu uso e abuso da personalidade dos outros deve-se a La Rochefoucauld, um moralista francês da corrente inaugurada por Pascal.  La Rochefoucauld desmascara a sociabilidade superficial na sociedade francesa aristocrática do séc. XVIII como uma manipulação egoísta dos outros e com carácter auto-destrutivo
  • 49. 9.5 La Rochefoucauld – L’amour propre [2]  ―O amor próprio é o amor de si mesmo e de todas as coisas em termos de si mesmo, e faz dos homens adoradores de si mesmos e torná-los-ia tiranos sobre os outros, se a fortuna lhes desse os meios. Nunca pára para descansar fora do eu e, tal como as abelhas sobre as flores, só se detém em alguém exterior a fim de extrair o que serve as suas necessidades. Nada é tão veemente quanto os seus desejos, nada tão oculto como os seus objectivos, nada tão desonesto como os seus métodos ... Ninguém consegue sondar as profundezas ou perfurar a escuridão do seu abismo em que, escondido aos olhos mais penetrantes, executa de modo imperceptível mais de mil voltas, muitas vezes invisível até para si mesmo e, sem saber, concebe, alimenta e executa uma vasta prole de afectos e ódios‖. 1967. p. 107
  • 50. 9.5 La Rochefoucauld – L’amour propre [3]  "Estamos tão acostumados a nos disfarçar dos outros que acabamos por disfarçar-nos de nós mesmos" (1967, p.50), A última palavra sobre a decepção fundamental da amor próprio, na sua consciência sufocada de um bem não alcançado: ―Este é o retrato do amor próprio, cuja existência inteira é uma longa e incessante actividade. Pode ser adequadamente comparado ao mar, cujo incessante fluxo e refluxo das ondas é um retrato fiel da sucessão da turbulência dos seus pensamentos e das suas eternas inquietações. (1967, p. 109)
  • 52. 9.5.2 Síndromes de desorientação pessoal  A Esquizofrenia é um dos exemplos de distorção emocional enraizada na má percepção dos outros. Silvano Arieti, descreve-a como ―... uma reação específica a um estado extremo de ansiedade, originário da infância, e reativado na vida por fatores psicológicos. (1955, p.384) 1. O doente começa por lutar entre o mundo real e o mundo dos seus sintomas, a sua tentativa de cortar com os sentimentos e respostas ao mundo real não basta para evitar que continue a sofrer de ansiedade. 2. Para evitar a ansiedade da crescente ameaça da realidade, o doente constrói um "mundo" de delírios que pode ser preenchido com pessoas imaginárias. A luta "entre a realidade e a doença acabou. .. Sente-se que o paciente regrediu para um nível inferior arcaico. "(1955, p.379f.) 3. Em nível inferior ao mundo delirante, regride à acumulação primitiva - para garantir objetos que não vão mudar - e hábitos auto-decorativos. Assim, o mundo é limitado não por outros imaginários, mas por coleções de coisas, que esconde no armário ou debaixo da cama. 4. Na fase final, o paciente se agarra a uma 'segurança'. ainda mais limitada e de curto prazo : agarra alimentos ou engolir o que pode obter como colheres, panos, etc. A este nível, o paciente pode tornar-se quase completamente insensível à percepção.
  • 53. 9.5.2 Síndromes de desorientação pessoal  Definição de esquizofrenia em Arieti  Reação específica que consiste na adopção de mecanismos mentais arcaicos, que pertencem aos níveis mais baixos de integração. Na medida em que o resultado é uma regressão, mas não uma integração em níveis mais baixos, o desequilíbrio faz com que se engendre nova regressão, por vezes, para níveis ainda mais baixos do que aquele em que certas percepções são possíveis.‖ (1955, p.384)  Os psiquiatras, ao lidarem com pessoas que sofrem de esquizofrenia, dizem que, como em todas as desorientações, a tragédia é a de um colapso sustentado do relacionamento no nível do sentimento e da fantasia. "Eu estou morto de certo modo. Separei-me das outras pessoas e fechei-me em mim mesmo... Tens de viver num mundo com outras pessoas. Se não o fazes, algo morre dentro. '(R D Laing, 1966, p.133)
  • 54. 9.5.2.1 O eu - Jung 1 Carl Gustav Jung foi um psicanalista suíço do séc. XX. Em Memórias, Sonhos, Reflexões, publicadas em 1962, um ano após a sua morte, aos 85 anos, descreve a dificuldade de ter boas relações com os pais, os companheiros de escola, com a natureza, com o trabalho, com a religião e consigo mesmo. Em vez de superar essas dificuldades, parece ter preferido o seu eu exclusivo que se tornou a medida de todas as coisas, levando-o a uma auto-excomunhão.
  • 55. 9.5.2.1 O eu auto excomungado - Jung 2  ―Estou surpreendido, desapontado, satisfeito comigo mesmo. Estou angustiado, deprimido, arrebatado. Sou todas essas coisas ao mesmo tempo, e não consigo realizar a soma. Sou incapaz de determinar um valor final ou a inutilidade, e de fazer um juízo sobre mim e sobre minha vida. Não há nada de que eu esteja muito certo. Não tenho convicções definidas, nem convicções sobre coisa nenhuma, realmente. Sei apenas que nasci e existo, e parece-me que tenho sido arrastado… Parece- me que aquela alienação que tanto tempo me separou do mundo, se transferiu para o meu próprio mundo interior, e me revelou um inesperado desconhecimento de mim mesmo. ―  (Autobiografia, Conclusão, 1972, p.391.)
  • 56. 9.5.3 Autismo [1] Bettelheim  Bruno Bettelheim (Viena, 28 de Agosto de 1903 — 13 de Março de 1990) foi um psicólogo judeu norte-americano  A condição conhecida como autismo é um dos mais claros exemplos do fechamento psiquiátrico das pessoas. As crianças autistas são geralmente incapazes de participar numa comunidade. Essa incapacidade é evidente pela sua dificuldade em usar os pronomes pessoais, tais como ‗eu',‗tu', e nomes próprios, ou não jogar uma bola com outra pessoa , ou utilizar uma serra ou outro instrumento em conjunto. ( Bettelheim, 1 972, pp.433ff.)
  • 57. 9.5.3 Autismo [2] Bettelheim  Em vez de considerar o autismo como ausência de relacionamento, Bettelheim analisa-o como a retirada da criança em pânico do relacionamento com os outros. Por detrás da fortaleza apática existe um vazio de amor, que vem antes de o ego da criança ter começado a diferenciar com o uso da linguagem. Falando desta apatia, diz Bettelheim: ―Sempre que penetramos nela, encontramos ódio, extremo e explosivo. E por trás do ódio está sempre o desejo, eternamente frustrado, mas presente; um desejo agora profundamente encapsulado na repressão, de modo a evitar que atinja a dor insuportável consciência‖ (1972, p.90).  A recusa da criança autista em usar pronomes pessoais é uma expressão da sua "recusa total para se envolver no mundo', que parece sempre implicar uma grande dor. ―Se o ‗eu' realmente não existir, então não pode ser destruído. Este significado de auto-proteção de evitar a ‗eu', parece-me mais importante que qualquer outra proteção. (1972, p.428)
  • 58. 9.5 Proust, fechamento Na biografia de Proust, George Painter relata uma conversa entre o escritor e um seu conhecido que subira na escala social. O conhecido perguntara: ―Acha que mudei muito nos últimos cinco anos?‖ Proust respondeu: 'Sim, está menos ". "Mas menos o quê? Menos inteligente? ‖ ―Não …‖ ―Menos boa aparência? " Não. Apenas menos.‗‖ (1977, p.251) A questão é que o fechamento da personalidade cerra o acesso aos outros.
  • 59. 9.5 Max Stirner, O Eu e a sua Propriedade  A literatura do isolamento foi antecipada na sua revolta e inconclusividade final, por Max Stirner, O Eu e a sua Propriedade [1845]. Embora pouco profundo, Stirner captou os limites do fechamento: ―Eu sou o dono do meu poder, e eu sou assim quando me conheço como único. No único o próprio dono retorna ao seu nada criativo, do qual nasceu. Qualquer essência superior a mim, seja Deus, seja homem, enfraquece o sentimento da minha unicidade e empalidece perante o sol da minha consciência. Se eu me concentrar em mim mesmo, o único, então a minha preocupação recai sobre o seu criador, transitório e mortal, que se consome a si mesmo, e eu posso dizer: ‗Assentei meu caso em nada' (1971, p.261)  A literatura dos anos de meados do séc. XX testemunha, em diferentes níveis, a frequencia desta experiência de fechamento. Piranesi- Carceri, Das Schloss, de Kafka [= 'bloqueio' e "castelo"], O julgamento, e "Na Colônia Penal", Huis Clos de Sartre, J Beckett à Espera de Godot, etc. (cf.Voegelin, 1990b, p. 163) Como observou Voegelin, "o ser humano moderno tornou-se um maçador."
  • 61. Ralph Ellison O homem invisível  “Sou um ser humano invisível. Não, eu não sou um fantasma como os que assombravam Edgar Allan Poe .. . Eu sou um ser humano de substância, de carne e osso, fibra e líquidos, e eu poderia até dizer que possuo uma mente. Sou invisível, compreendam, simplesmente, porque as pessoas se recusam a ver-me ... Quando se aproximam de mim, só vêem o meu entorno, elas ou as invenções da respectiva imaginação... A invisibilidade a que me refiro ocorre devido a uma disposição peculiar dos olhos das pessoas com quem entro em contato. A questão é a construção de seus olhos interiores, aqueles olhos com que eles olham através de seus olhos para a realidade física (Ellison, 1952, p: 7).
  • 62. Ralph Ellison O homem invisível  Para Ser humano Invisível Ralph Ellison, a sua humanidade era invisível aos olhos de muitos dos contemporâneos porque a sua pele era negra. Por que é que tantas vezes não vejo a ti, mas a minha imagem de ti? Ou tantas vezes não comunicam-se, mas a sua projeção do que pensa sque eu quero ver? É verdade que eu não posso realmente ser eu mesmo em meu próprio, que sou mais eu em relação com outras pessoas?  NOTAS Sobre 'exterioridade' ver Levinas, Totalite et Infini: Essai sur l 'exteriorite, 1968. Cf.. ch. L 'Pessoa profundidade ", de Joseph McCarroll Jornada para o Centro da Pessoa, 1986.
  • 63. Revolta Quem se recusou a ser dominado, mesmo à custa da liberdade física, foi Booker T. Washington, um escravo nascido no Sul dos EUA.  Perguntaram-lhe por que nunca respondia nos mesmos termos aos insultos racistas que lhe dirigiam por ele ser porta-voz dos direitos civis dos negros.  Ele respondeu: 'Eu recuso-me a permitir aos outros que diminuam a minha alma, fazendo com que os odeie."
  • 65. Arrependimento  3) Recentrar a minha liberdade distorcida Crime e Castigo de Dostoievski descreve a mudança que ocorre em Raskolnikov durante sua prisão na Sibéria. Esta mudança afeta a sua liberdade "subjetiva" e o seu amor "objetivo", e ocorre por causa da relação com Sonya. Em primeiro lugar, há a inversão do desamor ou falta de liberdade que consiste na desorientação da capacidade de escolha moral. Isto implica sair da recusa de amar os outros, Deus, o mundo, e também a si mesmo e começar a amar novamente. Apesar de Raskolnikov atravessar os movimentos de arrependimento no seu julgamento, o arrependimento foi muito limitado pela sua oscilação entre o orgulho da sua capacidade intelectual superior, e os pensamentos suicidas decorrentes da sua humilhação ao confrontar-se com o que era apenas "um quadro jurídico‖.
  • 66. 9.6 Dag Hammarskjold  Dag Hammarskjold, Secretário Geral da ONU, que aparentemente foi assassinado durante uma missão de paz durante a guerra civil no Congo ex-belga apresenta um poema a como reconciliar inimigos.
  • 67. 9.6 Regresso a casa -Dag Hammarskjold A estrada, tens de a seguir A diversão, tens de a esquecer A taça, tens de a esvaziar A dor, tens de a esconder A verdade, tens de a dizer O final, tens de o suportar. (Dag Hammarskjold, 1969, pp.167, 185F.)
  • 68. 9.6 Regresso a casa Johannes Bobrowski, A palavra Humano, como vocábulo, classificada onde pertence no dicionário: entre Homem e Humanidade. A cidade antiga e nova bem movimentada, com árvores também e carros, aqui. Ouço essa palavra, esse vocábulo ouço-a muito aqui, posso até dizer de quem, posso começar por aí. Onde não há amor não digam essa palavra.  Johannes Bobrowski, Wetterzeichen, Berlin, Union Verlag, 1968 As últimas palavras do último poema (, p.83)
  • 70. Etty Hillesum Etty Hillesum nasceu na Holanda e foi enviada para o campo de concentração de Westerbork e depois para Auschwitz, onde foi morta em 1943
  • 71. Etty Hillesum ―Muitos ainda são hieróglifos para mim, mas muito lentamente eu aprendo a decifrá-los. É a coisa mais linda que eu conheço: ler a vida das pessoas. Em Westerbork era como se eu estivesse diante dos esqueletos nus da vida .. . Gosto tanto das pessoas porque em todas eu amo uma parte de ti ... E eu procuro-te em toda a parte nos Diário no outros e muitas vezes encontro uma parte de campo de ti... E tento descobrir-te no coração dos concentração outros ... E agora tenho de fazer tudo de Westerbork sozinha. A parte melhor e mais nobre do meu amigo, do ser humano que despertaste em mim, já está contigo‖ (1983, pp.150, 158)
  • 73. 3.1 A TRAGÉDIA DA COMUNIDADE Oresteia, de Ésquilo  A Oresteia de Ésquilo, abrangendo as tragédias Agamêmnon, Os Portadores de Libação e as Euménides, junto com a comédia Proteus, foi representada em Atenas em 458 a.C., durante o festival de Dionísio. Jaeger disse que "O papel da polis no drama de Ésquilo é de suprema importância", (1965, p.471) e Sebba (1969, p.44) e Weber- Schafer (1976, p.124) anotaram que a polis é o "herói" das Euménides, que é o ponto culminante da Oresteia. É a expressão insuperável da tragédia da comunidade que torna Ésquilo tão relevante.  Sobre o papel Ésquilo para desenvolver uma consciência grega da articulação da natureza do homem e da comunidade especificamente humana, disse Voegelin: “A experiência da história nasce da tragédia. Somente quando estão completamente desenvolvidas as idéias de uma alma completamente humana, da descida reflexiva às suas profundezas, de uma decisão extraída dessas profundezas, e de uma ação que é a responsabilidade do homem, é que o significado da acção trágica pode irradiar e iluminar a ordem da existência humana.”
  • 74. 3.2 A TRAGÉDIA DA PERSONAGEM Édipo, de Sófocles  Ésquilo e Sófocles estavam conscientes da crise dos mitos provocada pelo desgaste da substância da comunidade, e pela corrosiva racionalidade sofística. Sófocles desenvolveu personagens de grande envergadura que ajudaram a transformar as forças do mito e as ferramentas da racionalidade.  Podemos considerar Édipo, de Sófocles em Édipo Tirano e Édipo em Colona como ilustrativo do cumprimento doloroso desta lei humana. Logo após o reconhecimento de Édipo, em Édipo Tirano, o coro chama-o de paradeigma (1193): é o exemplo clássico da conquista gradual da identidade pessoal ou de integração humana em resposta ao teste de existência.  A luta de Édipo pela identidade. Gilgamesh, Job, Sócrates, e João Batista, que no Evangelho de S. João se auto-designa como ouk ego eimi, "não eu sou", e vive tornando-se "cada vez menos”, são paradigmas equivalente desta lei trágica do protagonista.
  • 75. 3.3 A tragédia do caos: As Bacantes de Eurípedes  Eurípides está tão afetado pela crise ateniense que não é fácil discernir se era o seu mais brilhante suporte ou um diagnosticador. (cf.Lesky, 1965, p.200; Dodds, 1971, p.187; Jaeger, 1965, p.351) Terá desenvolvido uma sabedoria negativa, sem estar do lado dos deuses, nem das limitações das crenças tradicionais e das técnicas intelectuais.  Nas Bacantes, encenada em 406 a.C., o drama gira em torno do deus Dionísio - caso único nas tragédias - a vingar-se do rei Penteu pela revolta contra a divindade. A vingança conduz o rei à destruição pela sua mãe, uma frenética bacante, e a tragédia termina com o triunfo de Dionísio.  Dionísio apresenta-se com a propaganda de uma personalidade mediática, e reivindica uma universalidade vazia e geográfica associada ao cosmopolitismo dos sofistas: Eu sou Dionísio, filho de Zeus, regressado a Tebas, a terra onde nasci. Minha mãe era filha de Cadmo, Semele pelo nome, parida pelo fogo, entregue pelo relâmpago... E aqui estou, um incógnito deus, disfarçado como um homem ...Atrás de mim estão essas terras de rios dourados, Lídia e Frígia, onde a minha viagem começou…”