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Alto Alegre - Fio - Montese
SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu
Janeiro / 2014
COLÉGIO ATENEU
Alto Alegre - Fio - Montese
É
Fácil falar em Generosidade,
dizer que pratica a Generosidade,
esquecendo-se de que é disso que depende o mundo,
para não cair mais fundo…
Desenvolver amor ao seu semelhante,
ajuda bastante,
mantendo sempre ativo um espirito cooperativo…
Algo feito em cooperação,
sempre terá uma melhor solução…
Ajudando-se mutuamente,
problemas se resolverão facilmente…
Quando o ser humano,
finalmente aprender a ser humano,
e descobrir que os verdadeiros tesouros,
que tão insanamente procuram,
estão simplesmente em nosso interior,
e inteiramente a seu dispor,
poderão chegar à conclusão
que lhe aquietará o coração,
de que, aprendendo a cultivar a Generosidade,
a humanidade viverá com humanidade,
e poderá conseguir uma certa felicidade…
Amor ao próximo… Generosidade... Fraternidade…
palavras mágicas…
É preciso entendê-las e praticá-las
MarcialSalaverry
“Mãos que sabem ser generosas”
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1. Temática: Generosidade
2. Tema: Generosidade em Sala de Aula
3. Lema: “Mãos que sabem ser generosas.”
4. Público Alvo: Educação Infantil, Ensino Fundamental
5. Áreas de atuação: Formação Humana e Filosofia.
6. Justificativa
A proposta desse projeto é motivada na importância da convivência fraterna
e a prática de atos de generosidade, pois em nossa sociedade há um apelo muito
forte ao individualismo, pela competição marcada pela luta de classes. O ser
humano deixou de ter importância e perdeu lugar para a busca materiais.
Na atual globalização observamos que a mídia atuante induz a sociedade
brasileira a um padrão de comportamentos que não condiz a sua realidade, tornando
crianças e jovens alvos preferenciais e os distanciando de valores estruturantes nas
relações e dos problemas sociais.
Por isso se faz necessário um trabalho sobre generosidade na escola e na
sala de aula, sendo a escola um espaço importante da construção da democracia,
onde se devem orientar alunos e professores a discernirem direitos e deveres.
7. Objetivo Geral
Abrir espaços para a prática criativa da generosidade e da potencialidade para gerar
bem-estar na relação humana.
8. Objetivos específicos
 Desenvolver em sala de aula um campo prazeroso para o exercício do ser
generoso e a consciência sobre as atitudes de generosidade de modo que
alunos e professores transformem sua vida e daqueles que com ele
convivem.
 Aplicar a generosidade em sala de aula para que aluno e professor vivam e
convivam como humano que ama, cuida e se une.
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9. Metodologia
Será utilizado atividades lúdicas, artísticas e integrativas para se trabalhar com uma
Educação mais sensível e humana; textos sobre o tema; técnicas de sensibilização e
integração, letras de música, exposições de fotografias e artísticos com visitações das salas
de forma informal, possíveis movimentações de arrecadação de brinquedos, livros e gibis
para que sejam doados na vizinhança, a abrigos ou a alguém que o aluno tenha
conhecimento de precisão. Para o fundamental 2 seguirá a construção de um portfólio em
duplas de notícias de revistas e jornais sobre atos generosos. As atividades propostas serão
realizadas nas quatro etapas do ano letivo de 2014 de forma interdisciplinar.
10. Recursos
• Textos xerocopiados
• Data Show
• Salas de aula
• Espaço externo e interno da escola
• Papel madeira, cartolinas.
• Lápis de cor, giz de cera, tintas
• Brinquedos usados em bom estado
• Livros e gibis doados em bom estado.
• Máquinas de fotografia
• Sucata
11. Cronograma - ANO LETIVO DE 2014
OBS: atividade do portifólio para fundamental 2
1ª etapa 2ª etapa 3ª etapa 4ª etapa
Abertura com o texto
ÁRVORE GENEROSA
(todos os níveis)
Texto
SENHOR PADILHA
(todos os níveis)
Texto
F 1 O concurso
F2 A medida que se
consegue dar
Texto
F1 Generosidade da
Natureza
F2 Generosidade
Atividades págs 13
(Fundamental 1)
atividades de desenhos
sobre o texto da Árvore.
Lembrar que será
exposto na 3ª etapa
Atividades F 1
Escolher e trazer para a
sala um brinquedo/objeto
para conversar na turma
refletindo sobre o ato de
doar
Atividades pág 14
(F 1)
Exposição em sala
de aula dos registros
e fotografias
realizados na 1ª e 2ª
etapa
Atividades págs 17
(fundamental 1)
Texto ou Slid da
música
Mãos que oferecem
rosas
Atividade pág 20 (F 2)
Orientações do
portifólio; Dois textos
com manchetes de atos
generosos de jornais,
revistas, entre outros, por
etapa. DUPLAS
F 1
Doar um brinquedo/objeto
a alguém na vizinhança e
registrar em fotografia para
expor na escola
Atividades pág 21
(fundamental 2)
Atividades pág 23
(fundamental 2)
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Apresentação do
portifólio ao professor;
(textos 1 e 2 já na pasta
com o comentário do
aluno)
Apresentação do portifólio
ao professor;
(textos 3 e 4 já na pasta
com o comentário do
aluno)
Apresentação do
portifólio ao
professor;
(textos 5 e 6 já na
pasta com o
comentário do aluno)
Apresentação do
portifólio ao
professor;
(textos 7 e 8 já na
pasta com o
comentário do aluno)
CULMINÂNCIA:
 Da criatividade do grupo - teatro da Árvore Generosa; músical ou coral da música
Mão que entregam rosas
EDUCAR PARA A GENEROSIDADE
(Fundamentação e Estruturação)
O processo de desenvolvimento da generosidade segue tres etapas: Sentir, Agir e
Pensar, como junção que conduz com dinamicidade o educando e o educador para a
vivência educacional da generosidade.
Sentir-se generoso
 Internamente
 Externamente
Agir generosamente
 Consigo mesmo
 Com o outro
 Com a comunidade
Pensar sobre a generosidade
 Conhecer
 Autoconhecer-se
Competências da Generosidade:
 Capacidade da Empatia
 Inteligência Interpessoal
 Inteligência Intrapessoal
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ANEXOS
1. A ÁRVORE GENEROSA ( F 1 e 2 1ª etapa)
Do original de Shel Silvertein, Adaptado por Fernando Sabino
Era uma vez uma Árvore que amava um Menino.
E todos os dias, o Menino vinha e juntava suas folhas.
E com elas fazia coroas de rei.
E com a Árvore, brincava de rei da floresta.
Subia em seu grosso tronco, balançava-se em seus galhos!
Comia seus frutos.
E quando ficava cansado, o Menino repousava à sua sombra fresquinha.
O Menino amava a Árvore profundamente.
E a Árvore era feliz!
Mas o tempo passou e o Menino cresceu!
Um dia, o Menino veio e a Árvore disse:
"Menino, venha subir no meu tronco, balançar-se nos meus
galhos, repousar à minha sombra e ser feliz!"
"Estou grande demais para brincar", o Menino
respondeu. "Quero comprar muitas coisas. Você tem algum dinheiro que
possa me oferecer?"
"Sinto muito", disse a Árvore, "eu não tenho dinheiro.
Mas leve os frutos, Menino. Vá vendê-los na cidade,
então terá o dinheiro e você será feliz!"
E assim o Menino subiu pelo tronco, colheu os frutos e
levou-os embora.
E a Árvore ficou feliz!
Mas o Menino sumiu por muito tempo...
E a Árvore ficou tristonha outra vez.
Um dia, o Menino veio e a Árvore estremeceu tamanha a
sua alegria, e disse: "Venha, Menino, venha subir no meu
tronco, balançar-se nos meus galhos e ser feliz".
"Estou muito ocupado pra subir em Árvores", disse o menino.
"Eu quero uma esposa, eu quero ter filhos, pra isso é preciso que eu tenha
uma casa. Você tem uma casa pra me oferecer?"
"Eu não tenho casa", a Árvore disse. "Mas corte meus
galhos, faça a sua casa e seja feliz."
O Menino depressa cortou os galhos da Árvore e levou-os
embora pra fazer uma casa.
E a Árvore ficou feliz!
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Alto Alegre - Fio - Montese
O Menino ficou longe por um longo, longo tempo, e no
dia que voltou, a Árvore ficou alegre, de uma alegria tamanha que mal
podia falar.
"Venha, venha, meu Menino", sussurrou, "Venha brincar!"
"Estou velho para brincar", disse o Menino, "e estou também muito triste."
"Eu quero um barco ligeiro que me leve pra bem longe.
Você tem algum barquinho que possa me oferecer?"
"Corte meu tronco e faça seu barco", a Árvore disse.
"Viaje pra longe e seja feliz!"
O Menino cortou o tronco, fez um barco e viajou.
E a Árvore ficou feliz, mas não muito!
Muito tempo depois, o Menino voltou.
"Desculpe, Menino", a Árvore disse, "não tenho mais nada pra te oferecer.
Os frutos já se foram."
"Meus dentes são fracos demais pra frutos", falou o Menino.
"Já se foram os galhos para você balançar", a Árvore disse.
"Já não tenho idade pra me balançar", falou o menino.
"Não tenho mais tronco pra você subir", a Árvore disse.
"Estou muito cansado e já não sei subir", falou o Menino.
"Eu bem que gostaria de ter qualquer coisa pra lhe
oferecer", suspirou a Árvore. "Mas nada me resta e eu sou apenas um toco
sem graça. Desculpe..."
Já não quero muita coisa", disse o Menino, "só um lugar sossegado onde
possa me sentar, pois estou muito cansado."
"Pois bem", respondeu a Árvore, enchendo-se de alegria."
"Eu sou apenas um toco, mas um toco é muito útil pra sentar e descansar."
"Venha, Menino, depressa, sente-se em mim e descanse."
Foi o que o Menino fez. E a Árvore ficou feliz!
A AMIZADE É UM SENTIMENTO QUE SE LEVA PARA SEMPRE...
( F 1 e 2 - 2ª etapa)
O Senhor Palha (Conto japonês)
Era uma vez, há muitos e muitos anos, é claro, porque as melhores histórias passam-se
sempre há muitos e muitos anos, um homem chamado Senhor Palha. Ele não tinha casa,
nem mulher, nem filhos. Para dizer a verdade, só tinha a roupa do corpo. Ora o Senhor
Palha não tinha sorte. Era tão pobre que mal tinha para comer e era magrinho como um
fiapo de palha. Era por esse motivo que as pessoas lhe chamavam Senhor Palha.
Todos os dias o Senhor Palha ia ao templo pedir à Deusa da Fortuna que melhorasse a
sua sorte, mas nada acontecia. Até que um dia, ele ouviu uma voz sussurrar:
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A primeira coisa em que tocares quando saíres do templo há- de trazer-te uma grande
fortuna.
O Senhor Palha apanhou um susto. Esfregou os olhos, olhou em volta, mas viu que
estava bem acordado e que o templo estava vazio. Mesmo assim, saiu a pensar: “Terei
sonhado ou foi a Deusa da Fortuna que falou comigo?” Na dúvida, correu para fora do
templo, ao encontro da sorte. Mas, na pressa, o pobre Senhor Palha tropeçou nos
degraus e foi rolando aos trambolhões até o final da escada, onde caiu por terra. Ao
levantar-se, ajeitou as roupas e percebeu que tinha alguma coisa na mão. Era um fio de
palha.
“Bom”, pensou ele, “uma palha não vale nada, mas, se a Deusa da Fortuna quis que eu o
apanhasse, é melhor guardá-lo.”
E lá foi ele, com a palha na mão.
Pouco depois, apareceu uma libélula zumbindo em volta da cabeça dele. Tentou afastá-
la, mas não adiantou. A libélula zumbia loucamente ao redor da cabeça dele. “Muito
bem”, pensou ele. “Se não queres ir embora, fica comigo.” Apanhou a libélula e
amarrou-lhe o fio de palha à cauda. Ficou a parecer um pequeno papagaio (de papel), e
ele continuou a descer a rua com a libélula presa à palha. Encontrou a seguir uma
florista, que ia a caminho do mercado com o filho pequenino, para vender as suas flores.
Vinham de muito longe. O menino estava cansado, coberto de suor, e a poeira fazia-o
chorar. Mas quando viu a libélula a zumbir amarrada ao fio de palha, o seu pequeno
rosto animou-se.
— Mãe, dás-me uma libélula? — pediu. — Por favor!
“Bem”, pensou o Senhor Palha, “a Deusa da Fortuna disse-me que a palha traria sorte.
Mas este garotinho está tão cansado, tão suado, que ficará certamente mais feliz com um
pequeno presente.” E deu ao menino a libélula presa à palha.
— É muita bondade sua — disse a florista. — Não tenho nada para lhe dar em troca
além de uma rosa. Aceita?
O Senhor Palha agradeceu e continuou o seu caminho, levando a rosa. Andou mais um
pouco e viu um jovem sentado num tronco de árvore, segurando a cabeça entre as mãos.
Parecia tão infeliz que o Senhor Palha lhe perguntou o que tinha acontecido.
— Hoje à noite, vou pedir a minha namorada em casamento — queixou-se o rapaz. —
Mas sou tão pobre que não tenho nada para lhe oferecer.
— Bem, eu também sou pobre — disse o Senhor Palha. — Não tenho nada de valor
mas, se quiser dar-lhe esta rosa ela é sua.
O rosto do rapaz abriu-se num sorriso ao ver a esplêndida rosa.
— Fique com estas três laranjas, por favor — disse o jovem. — É só o que posso dar-
lhe em troca.
O Senhor Palha continuou a andar, levando três suculentas laranjas. Em seguida,
encontrou um vendedor ambulante a puxar uma pequena carroça.
— Pode ajudar-me? — disse o vendedor ambulante, exausto. — Tenho puxado esta
carroça durante todo o dia e estou com tanta sede que acho que vou desmaiar. Preciso
de um gole de água.
— Acho que não há nenhum poço por aqui — disse o Senhor Palha. — Mas, se quiser,
pode chupar estas três laranjas.
O vendedor ambulante ficou tão grato que pegou num rolo da mais fina seda que havia
na carroça e deu-o ao Senhor Palha, dizendo:
— O senhor é muito bondoso. Por favor, aceite esta seda em troca.
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Alto Alegre - Fio - Montese
E, uma vez mais, o Senhor Palha continuou o seu caminho, com o rolo de seda debaixo
do braço.
Não tinha dado dez passos quando viu passar uma princesa numa carruagem. Tinha um
olhar preocupado, mas a sua expressão alegrou-se ao ver o Senhor Palha.
— Onde arranjou essa seda? — gritou ela. — É justamente aquilo de que estou à
procura. Hoje é o aniversário de meu pai e quero dar-lhe um quimono real.
— Bem, já que é aniversário dele, tenho prazer em oferecer-lhe a seda — disse o Senhor
Palha.
A princesa mal podia acreditar em tamanha sorte.
— O senhor é muito generoso — disse sorrindo. — Por favor, aceite esta jóia em troca.
A carruagem afastou-se, deixando o Senhor Palha com uma jóia de inestimável valor
refulgindo à luz do sol.
“Muito bem”, pensou ele, “comecei com um fio de palha que não valia nada e agora
tenho uma jóia. Sinto-me contente.”
Levou a jóia ao mercado, vendeu-a e, com o dinheiro, comprou uma plantação de arroz.
Trabalhou muito, arou, semeou, colheu, e a cada ano a plantação produzia mais arroz.
Em pouco tempo, o Senhor Palha ficou rico.
Mas a riqueza não o modificou. Oferecia sempre arroz aos que tinham fome e ajudava
todos os que o procuravam. Diziam que a sua sorte tinha começado com um fio de
palha, mas quem sabe se não terá sido com a sua generosidade?
( F 2 – 3ª etapa ) - À MEDIDA QUE SE CONSEGUE DAR, FICA-SE MAIS RICO...
Em um mundo em que o ter supera, muitas vezes, o ser, o sentimento de
generosidade aparece contaminado por enfoques de doações materiais e estas, embora
certamente ajudem , não alimentam a alma humana.
A generosidade é filha do amor que, desligado de pré-conceitos e de interesses
ocultos, abre as portas de nosso coração para que nos comuniquemos com o outro, de
um modo mais solto, mais fácil e aberto.
A generosidade é irmã da amizade que une e solidariza os homens,
possibilitando o ultrapassar de suspeitas e de distâncias sociais e raciais.
Seus maiores inimigos serão o egoísmo, que nos cega, e o sentimento de posse,
que não admite perdas ou concessões.
Por outro lado, quando se consegue ser generoso com alguém, estados mentais
positivos se instalam, estados que nos enriquecem por nos conduzirem a uma melhor
saúde mental e à sensação de felicidade.
Refletindo sobre generosidade, lembrei-me do texto "O último discurso"de
Charles Chaplin, em que ele diz:
"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício.
Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se
possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que
havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A
terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.
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Janeiro / 2014
COLÉGIO ATENEU
Alto Alegre - Fio - Montese
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos
extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas
do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A
máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos
fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e
sentimos bem pouco.
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de
inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de
violência e tudo será perdido."
William J. Bennett
O Livro das Virtudes II – O Compasso Moral
Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996
(F 1 – 3ª etapa)
O concurso
Uma vez, fez-se um concurso na escola infantil para ver quem era a criança
mais carinhosa.
Apresentaram-se muitas concorrentes.
Uma delas, diante do júri, disse:
— Eu ajudei um velhinho a atravessar a rua.
Uma outra contou:
Todos os dias, ao chegar da escola, dou um beijo à minha mãe.
Uma outra relatou:
— Um dia, o meu irmãozinho feriu-se e eu fiz-lhe o curativo.
Uma outra criança contou:
— Dei una esmola a um pobrezinho.
O júri achou que todas foram carinhosas. Mas a que foi premiada foi um
menino de quatro anos, cujo vizinho era um idoso que perdera recentemente a
esposa.
A criança, ao ver o homem a chorar, entrou no quintal dele, subiu-lhe ao colo e
ficou ali sentada.
Quando a mãe lhe perguntou o que dissera ao vizinho, respondeu:
— Nada, só o ajudei a chorar.
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Janeiro / 2014
COLÉGIO ATENEU
Alto Alegre - Fio - Montese
Chorar com os que choram. Quando nos encontramos perante o mistério do
sofrimento que faz brotar lágrimas, a generosidade passa por chorar com
quem chora. Esse ato e outros atos como esse nos faz mais humanos em
nossas relações.
( F 2 – 4ª etapa ) - GENEROSIDADE
Não raro, encontramos pessoas gentis no trato social. São aquelas que se
preocupam em respeitar os direitos do próximo, em desenvolver seu espírito de
cidadania, em buscar palavras e gestos amáveis para com os demais.
Também, com felicidade, encontramos pessoas educadas nas nossas relações
sociais. São os companheiros que se fazem atenciosos, que se preocupam com pequenos
gestos, como o saudar aos mais velhos, ceder o espaço para a senhora grávida ou apenas
dar um telefonema para o conhecido para ter notícias.
Porém, quantas pessoas conseguem ser generosas? Se a gentileza e a educação
nascem do respeito ao próximo, se desenvolvem no espírito de cidadania e convivência,
a generosidade nasce no coração de quem está pronto para amar fraternalmente.
Vamos encontrar a generosidade no amigo que consegue compreender nossa falta
quando esquecemos seu aniversário, e, ao encontrá-lo mais tarde, ao invés de nos cobrar
o esquecimento, simplesmente nos oferece o coração aberto e espontâneo de sempre.
Será fruto da generosidade da alma quando não necessitamos, nem esperamos por
um agradecimento, após ter feito um favor a alguém, pois o simples fato de poder ajudar
a quem nos pediu nos é suficiente para preencher o coração com satisfação, sem
aguardarmos nenhum tipo de reconhecimento.
E estaremos prontos para que a generosidade seja nossa companhia quando, tendo
razão frente a uma contenda de grande importância ou a uma disputa por nonadas,
sejamos capazes de abrir mão de reivindicar nossos direitos, em nome da paz e da boa
convivência.
Jesus nos aconselha a cultivar a generosidade no coração quando afirma que se
alguém nos convidar a dar mil passos, caminhemos dois mil se necessário. E, se outro
nos pedir a capa, que também ofereçamos a túnica.
Muitas vezes, pensamos que generoso é aquele capaz de abrir os cofres e
distribuir o muito que tem, quando, não raro, esse muito nem falta lhe fará.
A verdadeira generosidade nasce no coração que é capaz de olhar o próximo e o
mundo com complacência e compreensão, sabendo que todos estamos sujeitos a erros,
tropeços e enganos.
Seremos generosos quando estivermos despreocupados em conjugar o verbo ter...
Ter algo, ter razão, ter alguém, pois nossas preocupações serão as de oferecer... a
gentileza, a amizade, a companhia, a compreensão.
Claro que poderemos ensaiar os primeiros passos de generosidade tocando o
bolso, para oferecer aquilo que nos sobra aos que têm tão pouco.
Porém, poderemos sempre investir mais e permitir que a generosidade ganhe
espaço em nosso mundo íntimo, quando formos capazes de esquecer um tanto de nossas
vontades, nossas razões, nossos anseios, para simplesmente semearmos, nos caminhos
alheios, as flores perfumadas com a brisa da fraternidade.
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Janeiro / 2014
COLÉGIO ATENEU
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Todos os que estendem mãos invisíveis para sustentar vidas, instituições nobres,
são semeadores dos tempos novos.
Graças a eles muitos vivem, outros sobrevivem. Alguns despertam da tristeza,
inúmeros os imitam, seguindo-lhes as pegadas.
Semeadores generosos, anônimos, perseverantes. Servidores de Jesus.
Que tal aderirmos à generosidade nós também?
TEXTOS COMPLEMENTARES
ONG criada por garota aos 6 anos já ajudou 100 mil pessoas
Hoje com 13 anos, Beatriz Martins é a responsável pela Olhar de Bia, organização que
doa alimentos, roupas e brinquedos
(Foto: Olhar de Bia/Facebook)
Quando Beatriz Martins tinha seis anos de idade, uma cena comum nas grandes cidades
a inspirou sobre o que ela queria fazer para o resto da vida. Passeando de carro com a
família, Beatriz viu crianças pedindo balas para os motoristas. Ela não entendeu por que
os meninos e meninas estavam com roupas desgastadas, achou aquela situação injusta e
decidiu ajudar os menos favorecidos. Assim surgiu a Olhar de Bia, ONG que doa
alimentos, roupas e brinquedos em ocasiões como o Natal e a Páscoa.
Naquela época, Bia, hoje com 13 anos, nem sabia direito como ajudar. Mesmo assim,
passou meses guardando toda bala, pirulito ou doce que ganhava. No Natal, o plano era
distribuir tudo na comunidade daquelas crianças do semáforo. O pai dela, Ricardo
Martins, ficou surpreso com a atitude da filha e chamou amigos, vizinhos, parentes e
pessoas próximas para ajudá-la a coletar mais doces. Na primeira campanha do Olhar de
Bia, foram atendidas 600 crianças, segundo a organização.
Hoje, aos 13 anos, Beatriz conseguiu fazer seu desejo de ajudar as pessoas crescer
bastante. Além dos doces, a Olhar de Bia agora doa brinquedos, alimentos, roupas e
livros. Ela afirma que mais de 22 mil artigos foram distribuídos somente no Natal
passado e que mais de 100 mil brasileiros foram ajudados pela ONG. Na hora de doar, a
organização realiza um verdadeiro evento com ajuda de voluntários, com trio elétrico,
mágicos e brinquedos infláveis.
Para o futuro, Bia não quer só doar, mas fazer com que as pessoas “aprendam a pescar”,
por meio de cursos profissionalizantes e parcerias com outras entidades. A intenção é
que os jovens que passem pelos programas de capacitação possam ajudar outras pessoas
na mesma condição.
Fonte: PEGN
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MÃOS QUE OFERECEM ROSAS
Fica sempre, um pouco de perfume nas mãos que oferece rosas,
nas mãos que sabem ser generosas.
Dar um pouco que se tem ao que tem menos ainda
enriquece o doador, faz sua alma ainda mais linda.
Fica sempre, um pouco de perfume nas mãos que oferece rosas,
nas mãos que sabem ser generosas
Dar ao próximo alegria, parece coisa tão singela,
aos olhos de Deus porém, é das artes a mais bela.
Fica sempre, um pouco de perfume nas mãos que oferece rosas,
nas mãos que sabem ser generosas.
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  • 1. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014
  • 2. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese É Fácil falar em Generosidade, dizer que pratica a Generosidade, esquecendo-se de que é disso que depende o mundo, para não cair mais fundo… Desenvolver amor ao seu semelhante, ajuda bastante, mantendo sempre ativo um espirito cooperativo… Algo feito em cooperação, sempre terá uma melhor solução… Ajudando-se mutuamente, problemas se resolverão facilmente… Quando o ser humano, finalmente aprender a ser humano, e descobrir que os verdadeiros tesouros, que tão insanamente procuram, estão simplesmente em nosso interior, e inteiramente a seu dispor, poderão chegar à conclusão que lhe aquietará o coração, de que, aprendendo a cultivar a Generosidade, a humanidade viverá com humanidade, e poderá conseguir uma certa felicidade… Amor ao próximo… Generosidade... Fraternidade… palavras mágicas… É preciso entendê-las e praticá-las MarcialSalaverry “Mãos que sabem ser generosas” SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014
  • 3. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese 1. Temática: Generosidade 2. Tema: Generosidade em Sala de Aula 3. Lema: “Mãos que sabem ser generosas.” 4. Público Alvo: Educação Infantil, Ensino Fundamental 5. Áreas de atuação: Formação Humana e Filosofia. 6. Justificativa A proposta desse projeto é motivada na importância da convivência fraterna e a prática de atos de generosidade, pois em nossa sociedade há um apelo muito forte ao individualismo, pela competição marcada pela luta de classes. O ser humano deixou de ter importância e perdeu lugar para a busca materiais. Na atual globalização observamos que a mídia atuante induz a sociedade brasileira a um padrão de comportamentos que não condiz a sua realidade, tornando crianças e jovens alvos preferenciais e os distanciando de valores estruturantes nas relações e dos problemas sociais. Por isso se faz necessário um trabalho sobre generosidade na escola e na sala de aula, sendo a escola um espaço importante da construção da democracia, onde se devem orientar alunos e professores a discernirem direitos e deveres. 7. Objetivo Geral Abrir espaços para a prática criativa da generosidade e da potencialidade para gerar bem-estar na relação humana. 8. Objetivos específicos  Desenvolver em sala de aula um campo prazeroso para o exercício do ser generoso e a consciência sobre as atitudes de generosidade de modo que alunos e professores transformem sua vida e daqueles que com ele convivem.  Aplicar a generosidade em sala de aula para que aluno e professor vivam e convivam como humano que ama, cuida e se une. SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014
  • 4. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese 9. Metodologia Será utilizado atividades lúdicas, artísticas e integrativas para se trabalhar com uma Educação mais sensível e humana; textos sobre o tema; técnicas de sensibilização e integração, letras de música, exposições de fotografias e artísticos com visitações das salas de forma informal, possíveis movimentações de arrecadação de brinquedos, livros e gibis para que sejam doados na vizinhança, a abrigos ou a alguém que o aluno tenha conhecimento de precisão. Para o fundamental 2 seguirá a construção de um portfólio em duplas de notícias de revistas e jornais sobre atos generosos. As atividades propostas serão realizadas nas quatro etapas do ano letivo de 2014 de forma interdisciplinar. 10. Recursos • Textos xerocopiados • Data Show • Salas de aula • Espaço externo e interno da escola • Papel madeira, cartolinas. • Lápis de cor, giz de cera, tintas • Brinquedos usados em bom estado • Livros e gibis doados em bom estado. • Máquinas de fotografia • Sucata 11. Cronograma - ANO LETIVO DE 2014 OBS: atividade do portifólio para fundamental 2 1ª etapa 2ª etapa 3ª etapa 4ª etapa Abertura com o texto ÁRVORE GENEROSA (todos os níveis) Texto SENHOR PADILHA (todos os níveis) Texto F 1 O concurso F2 A medida que se consegue dar Texto F1 Generosidade da Natureza F2 Generosidade Atividades págs 13 (Fundamental 1) atividades de desenhos sobre o texto da Árvore. Lembrar que será exposto na 3ª etapa Atividades F 1 Escolher e trazer para a sala um brinquedo/objeto para conversar na turma refletindo sobre o ato de doar Atividades pág 14 (F 1) Exposição em sala de aula dos registros e fotografias realizados na 1ª e 2ª etapa Atividades págs 17 (fundamental 1) Texto ou Slid da música Mãos que oferecem rosas Atividade pág 20 (F 2) Orientações do portifólio; Dois textos com manchetes de atos generosos de jornais, revistas, entre outros, por etapa. DUPLAS F 1 Doar um brinquedo/objeto a alguém na vizinhança e registrar em fotografia para expor na escola Atividades pág 21 (fundamental 2) Atividades pág 23 (fundamental 2) SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014
  • 5. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese Apresentação do portifólio ao professor; (textos 1 e 2 já na pasta com o comentário do aluno) Apresentação do portifólio ao professor; (textos 3 e 4 já na pasta com o comentário do aluno) Apresentação do portifólio ao professor; (textos 5 e 6 já na pasta com o comentário do aluno) Apresentação do portifólio ao professor; (textos 7 e 8 já na pasta com o comentário do aluno) CULMINÂNCIA:  Da criatividade do grupo - teatro da Árvore Generosa; músical ou coral da música Mão que entregam rosas EDUCAR PARA A GENEROSIDADE (Fundamentação e Estruturação) O processo de desenvolvimento da generosidade segue tres etapas: Sentir, Agir e Pensar, como junção que conduz com dinamicidade o educando e o educador para a vivência educacional da generosidade. Sentir-se generoso  Internamente  Externamente Agir generosamente  Consigo mesmo  Com o outro  Com a comunidade Pensar sobre a generosidade  Conhecer  Autoconhecer-se Competências da Generosidade:  Capacidade da Empatia  Inteligência Interpessoal  Inteligência Intrapessoal SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014
  • 6. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese ANEXOS 1. A ÁRVORE GENEROSA ( F 1 e 2 1ª etapa) Do original de Shel Silvertein, Adaptado por Fernando Sabino Era uma vez uma Árvore que amava um Menino. E todos os dias, o Menino vinha e juntava suas folhas. E com elas fazia coroas de rei. E com a Árvore, brincava de rei da floresta. Subia em seu grosso tronco, balançava-se em seus galhos! Comia seus frutos. E quando ficava cansado, o Menino repousava à sua sombra fresquinha. O Menino amava a Árvore profundamente. E a Árvore era feliz! Mas o tempo passou e o Menino cresceu! Um dia, o Menino veio e a Árvore disse: "Menino, venha subir no meu tronco, balançar-se nos meus galhos, repousar à minha sombra e ser feliz!" "Estou grande demais para brincar", o Menino respondeu. "Quero comprar muitas coisas. Você tem algum dinheiro que possa me oferecer?" "Sinto muito", disse a Árvore, "eu não tenho dinheiro. Mas leve os frutos, Menino. Vá vendê-los na cidade, então terá o dinheiro e você será feliz!" E assim o Menino subiu pelo tronco, colheu os frutos e levou-os embora. E a Árvore ficou feliz! Mas o Menino sumiu por muito tempo... E a Árvore ficou tristonha outra vez. Um dia, o Menino veio e a Árvore estremeceu tamanha a sua alegria, e disse: "Venha, Menino, venha subir no meu tronco, balançar-se nos meus galhos e ser feliz". "Estou muito ocupado pra subir em Árvores", disse o menino. "Eu quero uma esposa, eu quero ter filhos, pra isso é preciso que eu tenha uma casa. Você tem uma casa pra me oferecer?" "Eu não tenho casa", a Árvore disse. "Mas corte meus galhos, faça a sua casa e seja feliz." O Menino depressa cortou os galhos da Árvore e levou-os embora pra fazer uma casa. E a Árvore ficou feliz! SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014
  • 7. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese O Menino ficou longe por um longo, longo tempo, e no dia que voltou, a Árvore ficou alegre, de uma alegria tamanha que mal podia falar. "Venha, venha, meu Menino", sussurrou, "Venha brincar!" "Estou velho para brincar", disse o Menino, "e estou também muito triste." "Eu quero um barco ligeiro que me leve pra bem longe. Você tem algum barquinho que possa me oferecer?" "Corte meu tronco e faça seu barco", a Árvore disse. "Viaje pra longe e seja feliz!" O Menino cortou o tronco, fez um barco e viajou. E a Árvore ficou feliz, mas não muito! Muito tempo depois, o Menino voltou. "Desculpe, Menino", a Árvore disse, "não tenho mais nada pra te oferecer. Os frutos já se foram." "Meus dentes são fracos demais pra frutos", falou o Menino. "Já se foram os galhos para você balançar", a Árvore disse. "Já não tenho idade pra me balançar", falou o menino. "Não tenho mais tronco pra você subir", a Árvore disse. "Estou muito cansado e já não sei subir", falou o Menino. "Eu bem que gostaria de ter qualquer coisa pra lhe oferecer", suspirou a Árvore. "Mas nada me resta e eu sou apenas um toco sem graça. Desculpe..." Já não quero muita coisa", disse o Menino, "só um lugar sossegado onde possa me sentar, pois estou muito cansado." "Pois bem", respondeu a Árvore, enchendo-se de alegria." "Eu sou apenas um toco, mas um toco é muito útil pra sentar e descansar." "Venha, Menino, depressa, sente-se em mim e descanse." Foi o que o Menino fez. E a Árvore ficou feliz! A AMIZADE É UM SENTIMENTO QUE SE LEVA PARA SEMPRE... ( F 1 e 2 - 2ª etapa) O Senhor Palha (Conto japonês) Era uma vez, há muitos e muitos anos, é claro, porque as melhores histórias passam-se sempre há muitos e muitos anos, um homem chamado Senhor Palha. Ele não tinha casa, nem mulher, nem filhos. Para dizer a verdade, só tinha a roupa do corpo. Ora o Senhor Palha não tinha sorte. Era tão pobre que mal tinha para comer e era magrinho como um fiapo de palha. Era por esse motivo que as pessoas lhe chamavam Senhor Palha. Todos os dias o Senhor Palha ia ao templo pedir à Deusa da Fortuna que melhorasse a sua sorte, mas nada acontecia. Até que um dia, ele ouviu uma voz sussurrar: SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014
  • 8. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese A primeira coisa em que tocares quando saíres do templo há- de trazer-te uma grande fortuna. O Senhor Palha apanhou um susto. Esfregou os olhos, olhou em volta, mas viu que estava bem acordado e que o templo estava vazio. Mesmo assim, saiu a pensar: “Terei sonhado ou foi a Deusa da Fortuna que falou comigo?” Na dúvida, correu para fora do templo, ao encontro da sorte. Mas, na pressa, o pobre Senhor Palha tropeçou nos degraus e foi rolando aos trambolhões até o final da escada, onde caiu por terra. Ao levantar-se, ajeitou as roupas e percebeu que tinha alguma coisa na mão. Era um fio de palha. “Bom”, pensou ele, “uma palha não vale nada, mas, se a Deusa da Fortuna quis que eu o apanhasse, é melhor guardá-lo.” E lá foi ele, com a palha na mão. Pouco depois, apareceu uma libélula zumbindo em volta da cabeça dele. Tentou afastá- la, mas não adiantou. A libélula zumbia loucamente ao redor da cabeça dele. “Muito bem”, pensou ele. “Se não queres ir embora, fica comigo.” Apanhou a libélula e amarrou-lhe o fio de palha à cauda. Ficou a parecer um pequeno papagaio (de papel), e ele continuou a descer a rua com a libélula presa à palha. Encontrou a seguir uma florista, que ia a caminho do mercado com o filho pequenino, para vender as suas flores. Vinham de muito longe. O menino estava cansado, coberto de suor, e a poeira fazia-o chorar. Mas quando viu a libélula a zumbir amarrada ao fio de palha, o seu pequeno rosto animou-se. — Mãe, dás-me uma libélula? — pediu. — Por favor! “Bem”, pensou o Senhor Palha, “a Deusa da Fortuna disse-me que a palha traria sorte. Mas este garotinho está tão cansado, tão suado, que ficará certamente mais feliz com um pequeno presente.” E deu ao menino a libélula presa à palha. — É muita bondade sua — disse a florista. — Não tenho nada para lhe dar em troca além de uma rosa. Aceita? O Senhor Palha agradeceu e continuou o seu caminho, levando a rosa. Andou mais um pouco e viu um jovem sentado num tronco de árvore, segurando a cabeça entre as mãos. Parecia tão infeliz que o Senhor Palha lhe perguntou o que tinha acontecido. — Hoje à noite, vou pedir a minha namorada em casamento — queixou-se o rapaz. — Mas sou tão pobre que não tenho nada para lhe oferecer. — Bem, eu também sou pobre — disse o Senhor Palha. — Não tenho nada de valor mas, se quiser dar-lhe esta rosa ela é sua. O rosto do rapaz abriu-se num sorriso ao ver a esplêndida rosa. — Fique com estas três laranjas, por favor — disse o jovem. — É só o que posso dar- lhe em troca. O Senhor Palha continuou a andar, levando três suculentas laranjas. Em seguida, encontrou um vendedor ambulante a puxar uma pequena carroça. — Pode ajudar-me? — disse o vendedor ambulante, exausto. — Tenho puxado esta carroça durante todo o dia e estou com tanta sede que acho que vou desmaiar. Preciso de um gole de água. — Acho que não há nenhum poço por aqui — disse o Senhor Palha. — Mas, se quiser, pode chupar estas três laranjas. O vendedor ambulante ficou tão grato que pegou num rolo da mais fina seda que havia na carroça e deu-o ao Senhor Palha, dizendo: — O senhor é muito bondoso. Por favor, aceite esta seda em troca. SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014
  • 9. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese E, uma vez mais, o Senhor Palha continuou o seu caminho, com o rolo de seda debaixo do braço. Não tinha dado dez passos quando viu passar uma princesa numa carruagem. Tinha um olhar preocupado, mas a sua expressão alegrou-se ao ver o Senhor Palha. — Onde arranjou essa seda? — gritou ela. — É justamente aquilo de que estou à procura. Hoje é o aniversário de meu pai e quero dar-lhe um quimono real. — Bem, já que é aniversário dele, tenho prazer em oferecer-lhe a seda — disse o Senhor Palha. A princesa mal podia acreditar em tamanha sorte. — O senhor é muito generoso — disse sorrindo. — Por favor, aceite esta jóia em troca. A carruagem afastou-se, deixando o Senhor Palha com uma jóia de inestimável valor refulgindo à luz do sol. “Muito bem”, pensou ele, “comecei com um fio de palha que não valia nada e agora tenho uma jóia. Sinto-me contente.” Levou a jóia ao mercado, vendeu-a e, com o dinheiro, comprou uma plantação de arroz. Trabalhou muito, arou, semeou, colheu, e a cada ano a plantação produzia mais arroz. Em pouco tempo, o Senhor Palha ficou rico. Mas a riqueza não o modificou. Oferecia sempre arroz aos que tinham fome e ajudava todos os que o procuravam. Diziam que a sua sorte tinha começado com um fio de palha, mas quem sabe se não terá sido com a sua generosidade? ( F 2 – 3ª etapa ) - À MEDIDA QUE SE CONSEGUE DAR, FICA-SE MAIS RICO... Em um mundo em que o ter supera, muitas vezes, o ser, o sentimento de generosidade aparece contaminado por enfoques de doações materiais e estas, embora certamente ajudem , não alimentam a alma humana. A generosidade é filha do amor que, desligado de pré-conceitos e de interesses ocultos, abre as portas de nosso coração para que nos comuniquemos com o outro, de um modo mais solto, mais fácil e aberto. A generosidade é irmã da amizade que une e solidariza os homens, possibilitando o ultrapassar de suspeitas e de distâncias sociais e raciais. Seus maiores inimigos serão o egoísmo, que nos cega, e o sentimento de posse, que não admite perdas ou concessões. Por outro lado, quando se consegue ser generoso com alguém, estados mentais positivos se instalam, estados que nos enriquecem por nos conduzirem a uma melhor saúde mental e à sensação de felicidade. Refletindo sobre generosidade, lembrei-me do texto "O último discurso"de Charles Chaplin, em que ele diz: "Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos. Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades. SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014
  • 10. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido." William J. Bennett O Livro das Virtudes II – O Compasso Moral Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996 (F 1 – 3ª etapa) O concurso Uma vez, fez-se um concurso na escola infantil para ver quem era a criança mais carinhosa. Apresentaram-se muitas concorrentes. Uma delas, diante do júri, disse: — Eu ajudei um velhinho a atravessar a rua. Uma outra contou: Todos os dias, ao chegar da escola, dou um beijo à minha mãe. Uma outra relatou: — Um dia, o meu irmãozinho feriu-se e eu fiz-lhe o curativo. Uma outra criança contou: — Dei una esmola a um pobrezinho. O júri achou que todas foram carinhosas. Mas a que foi premiada foi um menino de quatro anos, cujo vizinho era um idoso que perdera recentemente a esposa. A criança, ao ver o homem a chorar, entrou no quintal dele, subiu-lhe ao colo e ficou ali sentada. Quando a mãe lhe perguntou o que dissera ao vizinho, respondeu: — Nada, só o ajudei a chorar. SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014
  • 11. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese Chorar com os que choram. Quando nos encontramos perante o mistério do sofrimento que faz brotar lágrimas, a generosidade passa por chorar com quem chora. Esse ato e outros atos como esse nos faz mais humanos em nossas relações. ( F 2 – 4ª etapa ) - GENEROSIDADE Não raro, encontramos pessoas gentis no trato social. São aquelas que se preocupam em respeitar os direitos do próximo, em desenvolver seu espírito de cidadania, em buscar palavras e gestos amáveis para com os demais. Também, com felicidade, encontramos pessoas educadas nas nossas relações sociais. São os companheiros que se fazem atenciosos, que se preocupam com pequenos gestos, como o saudar aos mais velhos, ceder o espaço para a senhora grávida ou apenas dar um telefonema para o conhecido para ter notícias. Porém, quantas pessoas conseguem ser generosas? Se a gentileza e a educação nascem do respeito ao próximo, se desenvolvem no espírito de cidadania e convivência, a generosidade nasce no coração de quem está pronto para amar fraternalmente. Vamos encontrar a generosidade no amigo que consegue compreender nossa falta quando esquecemos seu aniversário, e, ao encontrá-lo mais tarde, ao invés de nos cobrar o esquecimento, simplesmente nos oferece o coração aberto e espontâneo de sempre. Será fruto da generosidade da alma quando não necessitamos, nem esperamos por um agradecimento, após ter feito um favor a alguém, pois o simples fato de poder ajudar a quem nos pediu nos é suficiente para preencher o coração com satisfação, sem aguardarmos nenhum tipo de reconhecimento. E estaremos prontos para que a generosidade seja nossa companhia quando, tendo razão frente a uma contenda de grande importância ou a uma disputa por nonadas, sejamos capazes de abrir mão de reivindicar nossos direitos, em nome da paz e da boa convivência. Jesus nos aconselha a cultivar a generosidade no coração quando afirma que se alguém nos convidar a dar mil passos, caminhemos dois mil se necessário. E, se outro nos pedir a capa, que também ofereçamos a túnica. Muitas vezes, pensamos que generoso é aquele capaz de abrir os cofres e distribuir o muito que tem, quando, não raro, esse muito nem falta lhe fará. A verdadeira generosidade nasce no coração que é capaz de olhar o próximo e o mundo com complacência e compreensão, sabendo que todos estamos sujeitos a erros, tropeços e enganos. Seremos generosos quando estivermos despreocupados em conjugar o verbo ter... Ter algo, ter razão, ter alguém, pois nossas preocupações serão as de oferecer... a gentileza, a amizade, a companhia, a compreensão. Claro que poderemos ensaiar os primeiros passos de generosidade tocando o bolso, para oferecer aquilo que nos sobra aos que têm tão pouco. Porém, poderemos sempre investir mais e permitir que a generosidade ganhe espaço em nosso mundo íntimo, quando formos capazes de esquecer um tanto de nossas vontades, nossas razões, nossos anseios, para simplesmente semearmos, nos caminhos alheios, as flores perfumadas com a brisa da fraternidade. SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014
  • 12. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese Todos os que estendem mãos invisíveis para sustentar vidas, instituições nobres, são semeadores dos tempos novos. Graças a eles muitos vivem, outros sobrevivem. Alguns despertam da tristeza, inúmeros os imitam, seguindo-lhes as pegadas. Semeadores generosos, anônimos, perseverantes. Servidores de Jesus. Que tal aderirmos à generosidade nós também? TEXTOS COMPLEMENTARES ONG criada por garota aos 6 anos já ajudou 100 mil pessoas Hoje com 13 anos, Beatriz Martins é a responsável pela Olhar de Bia, organização que doa alimentos, roupas e brinquedos (Foto: Olhar de Bia/Facebook) Quando Beatriz Martins tinha seis anos de idade, uma cena comum nas grandes cidades a inspirou sobre o que ela queria fazer para o resto da vida. Passeando de carro com a família, Beatriz viu crianças pedindo balas para os motoristas. Ela não entendeu por que os meninos e meninas estavam com roupas desgastadas, achou aquela situação injusta e decidiu ajudar os menos favorecidos. Assim surgiu a Olhar de Bia, ONG que doa alimentos, roupas e brinquedos em ocasiões como o Natal e a Páscoa. Naquela época, Bia, hoje com 13 anos, nem sabia direito como ajudar. Mesmo assim, passou meses guardando toda bala, pirulito ou doce que ganhava. No Natal, o plano era distribuir tudo na comunidade daquelas crianças do semáforo. O pai dela, Ricardo Martins, ficou surpreso com a atitude da filha e chamou amigos, vizinhos, parentes e pessoas próximas para ajudá-la a coletar mais doces. Na primeira campanha do Olhar de Bia, foram atendidas 600 crianças, segundo a organização. Hoje, aos 13 anos, Beatriz conseguiu fazer seu desejo de ajudar as pessoas crescer bastante. Além dos doces, a Olhar de Bia agora doa brinquedos, alimentos, roupas e livros. Ela afirma que mais de 22 mil artigos foram distribuídos somente no Natal passado e que mais de 100 mil brasileiros foram ajudados pela ONG. Na hora de doar, a organização realiza um verdadeiro evento com ajuda de voluntários, com trio elétrico, mágicos e brinquedos infláveis. Para o futuro, Bia não quer só doar, mas fazer com que as pessoas “aprendam a pescar”, por meio de cursos profissionalizantes e parcerias com outras entidades. A intenção é que os jovens que passem pelos programas de capacitação possam ajudar outras pessoas na mesma condição. Fonte: PEGN SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014
  • 13. COLÉGIO ATENEU Alto Alegre - Fio - Montese MÃOS QUE OFERECEM ROSAS Fica sempre, um pouco de perfume nas mãos que oferece rosas, nas mãos que sabem ser generosas. Dar um pouco que se tem ao que tem menos ainda enriquece o doador, faz sua alma ainda mais linda. Fica sempre, um pouco de perfume nas mãos que oferece rosas, nas mãos que sabem ser generosas Dar ao próximo alegria, parece coisa tão singela, aos olhos de Deus porém, é das artes a mais bela. Fica sempre, um pouco de perfume nas mãos que oferece rosas, nas mãos que sabem ser generosas. SOP – Serviço de Orientação Psicopedagógico Ateneu Janeiro / 2014