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Poesia trovadoresca
Cantigas de amigo
– Vós me preguntades polo voss’amigo
e eu bem vos digo que é san’e vivo.
Ai Deus, e u é?
– Vós me preguntades polo voss’amado
e eu bem vos digo que é viv’e sano.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é san’e vivo
e será vosco ant’o prazo saído.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é viv’e sano
e será vosc[o] ant’o prazo passado.
Ai Deus, e u é?
– Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs conmigo?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?
confidência amorosa
a donzela entra em contacto com
outras personagens (mãe, amigas,
irmãs) ou elementos da Natureza
(personificação das flores)
onde está?
pinheiro
[dizei-me] de sabeis notícias
combinou
são, saudável
estará convosco antes
de terminado o prazo
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
– Vós me preguntades polo voss’amigo
e eu bem vos digo que é san’e vivo.
Ai Deus, e u é?
– Vós me preguntades polo voss’amado
e eu bem vos digo que é viv’e sano.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é san’e vivo
e será vosco ant’o prazo saído.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é viv’e sano
e será vosc[o] ant’o prazo passado.
Ai Deus, e u é?
– Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs conmigo?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?
confidência amorosa
a donzela entra em contacto com
outras personagens (mãe, amigas,
irmãs) ou elementos da Natureza
(personificação das flores)
relação com a Natureza
intimidade afetiva com a Natureza
onde está?
pinheiro
[dizei-me] de sabeis notícias
combinou
são, saudável
estará convosco antes
de terminado o prazo
Cantigas de amigo Codex Manesse, c. 1305
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221
– Vós me preguntades polo voss’amigo
e eu bem vos digo que é san’e vivo.
Ai Deus, e u é?
– Vós me preguntades polo voss’amado
e eu bem vos digo que é viv’e sano.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é san’e vivo
e será vosco ant’o prazo saído.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é viv’e sano
e será vosc[o] ant’o prazo passado.
Ai Deus, e u é?
– Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs conmigo?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?
confidência amorosa
a donzela entra em contacto com
outras personagens (mãe, amigas,
irmãs) ou elementos da Natureza
(personificação das flores)
“amigo”
ausente
relação com a Natureza
intimidade afetiva com a Natureza
onde está?
pinheiro
[dizei-me] de sabeis notícias
combinou
são, saudável
estará convosco antes
de terminado o prazo
Cantigas de amigo
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
– Vós me preguntades polo voss’amigo
e eu bem vos digo que é san’e vivo.
Ai Deus, e u é?
– Vós me preguntades polo voss’amado
e eu bem vos digo que é viv’e sano.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é san’e vivo
e será vosco ant’o prazo saído.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é viv’e sano
e será vosc[o] ant’o prazo passado.
Ai Deus, e u é?
– Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs conmigo?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?
confidência amorosa
a donzela entra em contacto com
outras personagens (mãe, amigas,
irmãs) ou elementos da Natureza
(personificação das flores)
relação com a Natureza
intimidade afetiva com a Natureza
ansiedade
crescente da
donzela
variedade do
sentimento
amoroso
“amigo”
ausente
Cantigas de amigo
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
– Vós me preguntades polo voss’amigo
e eu bem vos digo que é san’e vivo.
Ai Deus, e u é?
– Vós me preguntades polo voss’amado
e eu bem vos digo que é viv’e sano.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é san’e vivo
e será vosco ant’o prazo saído.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é viv’e sano
e será vosc[o] ant’o prazo passado.
Ai Deus, e u é?
– Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs conmigo?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?
confidência amorosa
a donzela entra em contacto com
outras personagens (mãe, amigas,
irmãs) ou elementos da Natureza
(personificação das flores)
religiosidade
Testemunho de
um contexto
social e cultural
relação com a Natureza
intimidade afetiva com a Natureza
ansiedade
crescente da
donzela
“amigo”
ausente
Cantigas de amigo
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
– Vós me preguntades polo voss’amigo
e eu bem vos digo que é san’e vivo.
Ai Deus, e u é?
– Vós me preguntades polo voss’amado
e eu bem vos digo que é viv’e sano.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é san’e vivo
e será vosco ant’o prazo saído.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é viv’e sano
e será vosc[o] ant’o prazo passado.
Ai Deus, e u é?
– Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs conmigo?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?
Caracterização formal – estrofes, métrica, rima
Cantigas de amigo
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
– Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs conmigo?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?
Caracterização formal – estrofes, métrica, rima
oito coblas ou estrofes
Cantigas de amigo
– Vós me preguntades polo voss’amigo
e eu bem vos digo que é san’e vivo.
Ai Deus, e u é?
– Vós me preguntades polo voss’amado
e eu bem vos digo que é viv’e sano.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é san’e vivo
e será vosco ant’o prazo saído.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é viv’e sano
e será vosc[o] ant’o prazo passado.
Ai Deus, e u é?
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
– Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs conmigo?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?
Caracterização formal – estrofes, métrica, rima
oito coblas ou estrofes
dístico
e
refrão
Cantigas de amigo
– Vós me preguntades polo voss’amigo
e eu bem vos digo que é san’e vivo.
Ai Deus, e u é?
– Vós me preguntades polo voss’amado
e eu bem vos digo que é viv’e sano.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é san’e vivo
e será vosco ant’o prazo saído.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é viv’e sano
e será vosc[o] ant’o prazo passado.
Ai Deus, e u é?
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
– Vós/ me/ pre/gun/ta/des/ po/lo/ vo/ss’a/mi/go
e eu bem vos digo que é san’e vivo.
Ai Deus, e u é?
– Vós me preguntades polo voss’amado
e eu bem vos digo que é viv’e sano.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é san’e vivo
e será vosco ant’o prazo saído.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é viv’e sano
e será vosc[o] ant’o prazo passado.
Ai Deus, e u é?
– Ai/ flo/res,/ ai /flo/res/ do/ ver/de/ pi/no,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs conmigo?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?
dístico
e
refrão
Caracterização formal – estrofes, métrica, rima
oito coblas ou estrofes
decassílabos nos
dísticos das quatro
primeiras coblas hendecassílabos nos
dísticos das quatro
últimas coblas
pentassílabo no refrão
esquema rimático:
aaR/bbR/aaR/bbR/aaR/bbR/aaR/bbR
Cantigas de amigo
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221
– Vós me preguntades polo voss’amigo
e eu bem vos digo que é san’e vivo.
Ai Deus, e u é?
– Vós me preguntades polo voss’amado
e eu bem vos digo que é viv’e sano.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é san’e vivo
e será vosco ant’o prazo saído.
Ai Deus, e u é?
– E eu bem vos digo que é viv’e sano
e será vosc[o] ant’o prazo passado.
Ai Deus, e u é?
– Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs conmigo?
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado?
Ai Deus, e u é?
Caracterização formal –
paralelismo e refrão
1.º
par
2.º
par
3.º
par
4.º
par
verso A
verso A’
verso B
verso B’
refrão
refrão
verso B
verso B
verso B’
verso B’
verso B
verso C
refrão
refrão
refrão
refrão
refrão
refrão
verso B’
verso C’
verso D
verso D’
verso E
verso E’
verso E
verso F
verso E’
verso F’
verso E
verso E
verso E’
verso E’
no par de dísticos, os versos de
cada estrofe repetem-se,
alterando-se apenas as palavras
finais, em posição de rima
o último verso de cada estrofe é
o primeiro verso da estrofe
correspondente no par seguinte
Cantigas de amigo
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221
Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha
João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
A Sam Servand’, u ora vam todas orar,
madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois mi dizem do meu amigo ca i vem,
madre velida e senhor, faredes bem
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois todas i vam de grado oraçom fazer,
madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
ermida de S. Servando onde
formosa
lá
alegre
que aí
de bom grado
Cantigas de amigo
A Sam Servand’, u ora vam todas orar,
madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois mi dizem do meu amigo ca i vem,
madre velida e senhor, faredes bem
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois todas i vam de grado oraçom fazer,
madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
ermida de S. Servando onde
formosa
lá
alegre
que aí
de bom grado
espaços medievais: a ermida
(marca de religiosidade)
Cantigas de amigo Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha
João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
circunstâncias: as donzelas vão em romaria à ermida
A Sam Servand’, u ora vam todas orar,
madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois mi dizem do meu amigo ca i vem,
madre velida e senhor, faredes bem
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois todas i vam de grado oraçom fazer,
madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
ermida de S. Servando onde
formosa
lá
alegre
que aí
de bom grado
espaços medievais: a ermida
(marca de religiosidade)
Cantigas de amigo Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha
João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
circunstâncias: as donzelas vão em romaria à ermida
A Sam Servand’, u ora vam todas orar,
madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois mi dizem do meu amigo ca i vem,
madre velida e senhor, faredes bem
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois todas i vam de grado oraçom fazer,
madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
ermida de S. Servando onde
formosa
lá
alegre
que aí
de bom grado
espaços medievais: a ermida
(marca de religiosidade)
confidente: mãe
Cantigas de amigo Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha
João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
circunstâncias: as donzelas vão em romaria à ermida
A Sam Servand’, u ora vam todas orar,
madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois mi dizem do meu amigo ca i vem,
madre velida e senhor, faredes bem
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois todas i vam de grado oraçom fazer,
madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
ermida de S. Servando onde
formosa
lá
alegre
que aí
de bom grado
espaços medievais: a ermida
(marca de religiosidade)
confidente: mãe a referência a Deus como
testemunho da religiosidade
da época
Cantigas de amigo Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha
João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
A Sam Servand’, u ora vam todas orar,
madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois mi dizem do meu amigo ca i vem,
madre velida e senhor, faredes bem
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois todas i vam de grado oraçom fazer,
madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
ermida de S. Servando onde
formosa
lá
alegre
que aí
de bom grado
o pedido da donzela e a sua
argumentação
Cantigas de amigo Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha
João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
A Sam Servand’, u ora vam todas orar,
madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois mi dizem do meu amigo ca i vem,
madre velida e senhor, faredes bem
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois todas i vam de grado oraçom fazer,
madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
ermida de S. Servando onde
formosa
lá
alegre
que aí
de bom grado
a assertividade crescente da donzela
perante a mãe:
– primeiro pede – “rogar”;
– depois sugere – ”faredes bem”;
– finalmente informa – “venho-vo-lo dizer”.
variedade do
sentimento
amoroso
Cantigas de amigo Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha
João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
A/ Sam/ Ser/vand’,/ u/ o/ra/ vam/ to/das/ o/rar,/
madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar
que/ me/ lei/xe/des/ a/lá/ ir
a/ Sam/ Ser/van/d’e,/ se/ o/ meu/ a/mi/go/ vir,/
le/da/ se/rei,/ por/ nom/ men/tir.
Pois mi dizem do meu amigo ca i vem,
madre velida e senhor, faredes bem
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois todas i vam de grado oraçom fazer,
madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Caracterização formal – estrofes, métrica, rima
• cantiga de refrão
• coblas singulares (estrofes com séries de
rimas diferentes)
• três estrofes com dístico e refrão de três
versos
• métrica
• coblas – dodecassílabos
• refrão – octassílabo, dodecassílabo,
octassílabo
• esquema rimático:
aaR/bbR/ccR (rima emparelhada)
• rima predominantemente pobre,
consoante
• verso agudo
Cantigas de amigo
João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
A Sam Servand’, u ora vam todas orar,
madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois mi dizem do meu amigo ca i vem,
madre velida e senhor, faredes bem
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
Pois todas i vam de grado oraçom fazer,
madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer
que me leixedes alá ir
a Sam Servand’e, se o meu amigo vir,
leda serei, por nom mentir.
ermida de S. Servando onde
formosa
lá
alegre
que aí
de bom grado
|3| Explicita a estratégia da donzela para
convencer a mãe, fundamentando a tua
resposta com elementos do texto.
Os protagonistas são a donzela e a mãe.
1.1. Refere outras pessoas mencionadas.
As amigas – “todas” – e o “amigo”.
|1| Identifica os protagonistas da cantiga.
A donzela argumenta que, ao pedir à mãe para a ir deixar rezar a Sam
Servando, está a ser sincera e ficará feliz – “leda” – por não lhe mentir
– “por nom mentir”, pois a sua intenção é ir ter com o seu amigo.
A mãe desempenha o papel de confidente.
|2| Menciona o papel desempenhado pela mãe.
|4| Demonstra, fundamentando com
transcrições pertinentes, a evolução do
estado de espírito da donzela.
A donzela começa por “rogar”, mas depois apela ao bom senso da mãe
– “faredes bem” – e, por fim, intensifica o seu apelo, informando a mãe
da sua intenção – “venho-vo-lo dizer”.
Cantigas de amigo
João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
Cantigas de amor
Quer’eu em maneira de proençal
fazer agora um cantar d’amor
e querrei muit’i loar mia senhor
a que prez nem fremosura nom fal,
nem bondade; e mais vos direi en:
tanto a fez Deus comprida de bem
que mais que todas las do mundo val.
Ca mia senhor quiso Deus fazer tal,
quando a fez, que a fez sabedor
de todo bem e de mui gram valor,
e com tod’est[o] é mui comunal
ali u deve; er deu-lhi bom sem
e des i nom lhi fez pouco de bem
quando nom quis que lh’outra foss’igual.
Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad’e loor
e falar mui bem e riir melhor
que outra molher; des i é leal
muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem
possa compridamente no seu bem
falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al.
quererei
provençal
aí
falta, falha
disso, disto
cumprido, repleto
quis
que a fez repleta
sociável
bom senso, bom entendimento
também, igualmente
louvor
preço, valor, mérito
Porque
além disso
quando
alem disso
pois, para além do seu bem, não há mais nada
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
Quer’eu em maneira de proençal
fazer agora um cantar d’amor
e querrei muit’i loar mia senhor
a que prez nem fremosura nom fal,
nem bondade; e mais vos direi en:
tanto a fez Deus comprida de bem
que mais que todas las do mundo val.
Ca mia senhor quiso Deus fazer tal,
quando a fez, que a fez sabedor
de todo bem e de mui gram valor,
e com tod’est[o] é mui comunal
ali u deve; er deu-lhi bom sem
e des i nom lhi fez pouco de bem
quando nom quis que lh’outra foss’igual.
Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad’e loor
e falar mui bem e riir melhor
que outra molher; des i é leal
muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem
possa compridamente no seu bem
falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al.
quererei
provençal
aí
falta, falha
disso, disto
cumprido, repleto
quis
que a fez repleta
sociável
bom senso, bom entendimento
também, igualmente
louvor
preço, valor, mérito
Porque
além disso
quando
alem disso
pois, para além do seu bem, não há mais nada
intenção do trovador
em escrever à
maneira da Provença
(sul de França)
voz masculina
Cantigas de amor
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
Quer’eu em maneira de proençal
fazer agora um cantar d’amor
e querrei muit’i loar mia senhor
a que prez nem fremosura nom fal,
nem bondade; e mais vos direi en:
tanto a fez Deus comprida de bem
que mais que todas las do mundo val.
Ca mia senhor quiso Deus fazer tal,
quando a fez, que a fez sabedor
de todo bem e de mui gram valor,
e com tod’est[o] é mui comunal
ali u deve; er deu-lhi bom sem
e des i nom lhi fez pouco de bem
quando nom quis que lh’outra foss’igual.
Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad’e loor
e falar mui bem e riir melhor
que outra molher; des i é leal
muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem
possa compridamente no seu bem
falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al.
quererei
provençal
aí
falta, falha
disso, disto
cumprido, repleto
quis
que a fez repleta
sociável
bom senso, bom entendimento
também, igualmente
louvor
preço, valor, mérito
Porque
além disso
quando
alem disso
pois, para além do seu bem, não há mais nada
atitude do “eu” –
vassalagem,
submissão à sua
“senhor”
Cantigas de amor
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
Quer’eu em maneira de proençal
fazer agora um cantar d’amor
e querrei muit’i loar mia senhor
a que prez nem fremosura nom fal,
nem bondade; e mais vos direi en:
tanto a fez Deus comprida de bem
que mais que todas las do mundo val.
Ca mia senhor quiso Deus fazer tal,
quando a fez, que a fez sabedor
de todo bem e de mui gram valor,
e com tod’est[o] é mui comunal
ali u deve; er deu-lhi bom sem
e des i nom lhi fez pouco de bem
quando nom quis que lh’outra foss’igual.
Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad’e loor
e falar mui bem e riir melhor
que outra molher; des i é leal
muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem
possa compridamente no seu bem
falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al.
quererei
provençal
aí
falta, falha
disso, disto
cumprido, repleto
quis
que a fez repleta
sociável
bom senso, bom entendimento
também, igualmente
louvor
preço, valor, mérito
Porque
além disso
quando
alem disso
pois, para além do seu bem, não há mais nada
exaltação das
qualidades
da “senhor”
idealização e
sobrevalorização
da figura
feminina
Cantigas de amor
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
Quer’eu em maneira de proençal
fazer agora um cantar d’amor
e querrei muit’i loar mia senhor
a que prez nem fremosura nom fal,
nem bondade; e mais vos direi en:
tanto a fez Deus comprida de bem
que mais que todas las do mundo val.
Ca mia senhor quiso Deus fazer tal,
quando a fez, que a fez sabedor
de todo bem e de mui gram valor,
e com tod’est[o] é mui comunal
ali u deve; er deu-lhi bom sem
e des i nom lhi fez pouco de bem
quando nom quis que lh’outra foss’igual.
Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad’e loor
e falar mui bem e riir melhor
que outra molher; des i é leal
muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem
possa compridamente no seu bem
falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al.
quererei
provençal
aí
falta, falha
disso, disto
cumprido, repleto
quis
que a fez repleta
sociável
bom senso, bom entendimento
também, igualmente
louvor
preço, valor, mérito
Porque
além disso
quando
alem disso
pois, para além do seu bem, não há mais nada
bela e formosa
honrada
bondosa
virtuosa
sociável
sensata
Cantigas de amor
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
Quer’eu em maneira de proençal
fazer agora um cantar d’amor
e querrei muit’i loar mia senhor
a que prez nem fremosura nom fal,
nem bondade; e mais vos direi en:
tanto a fez Deus comprida de bem
que mais que todas las do mundo val.
Ca mia senhor quiso Deus fazer tal,
quando a fez, que a fez sabedor
de todo bem e de mui gram valor,
e com tod’est[o] é mui comunal
ali u deve; er deu-lhi bom sem
e des i nom lhi fez pouco de bem
quando nom quis que lh’outra foss’igual.
Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad’e loor
e falar mui bem e riir melhor
que outra molher; des i é leal
muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem
possa compridamente no seu bem
falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al.
quererei
provençal
aí
falta, falha
disso, disto
cumprido, repleto
quis
que a fez repleta
sociável
bom senso, bom entendimento
também, igualmente
louvor
preço, valor, mérito
Porque
além disso
quando
alem disso
pois, para além do seu bem, não há mais nada
retrato
hiperbolizado
da mulher –
comparação e
hipérbole
Cantigas de amor
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
Quer’eu em maneira de proençal
fazer agora um cantar d’amor
e querrei muit’i loar mia senhor
a que prez nem fremosura nom fal,
nem bondade; e mais vos direi en:
tanto a fez Deus comprida de bem
que mais que todas las do mundo val.
Ca mia senhor quiso Deus fazer tal,
quando a fez, que a fez sabedor
de todo bem e de mui gram valor,
e com tod’est[o] é mui comunal
ali u deve; er deu-lhi bom sem
e des i nom lhi fez pouco de bem
quando nom quis que lh’outra foss’igual.
Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad’e loor
e falar mui bem e riir melhor
que outra molher; des i é leal
muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem
possa compridamente no seu bem
falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al.
quererei
provençal
aí
falta, falha
disso, disto
cumprido, repleto
quis
que a fez repleta
sociável
bom senso, bom entendimento
também, igualmente
louvor
preço, valor, mérito
Porque
além disso
quando
alem disso
pois, para além do seu bem, não há mais nada
referência a
Deus
elevação do
estatuto da
figura feminina
Cantigas de amor
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
Caracterização formal – estrofes,
métrica, rima
• três estrofes de sete versos – sétimas
• métrica irregular
• rima predominantemente rica,
consoante e toante
• verso agudo
• esquema rimático –
abbacca/abbacca/abbacca
Quer’eu em maneira de proençal
fazer agora um cantar d’amor
e querrei muit’i loar mia senhor
a que prez nem fremosura nom fal,
nem bondade; e mais vos direi en:
tanto a fez Deus comprida de bem
que mais que todas las do mundo val.
Ca mia senhor quiso Deus fazer tal,
quando a fez, que a fez sabedor
de todo bem e de mui gram valor,
e com tod’est[o] é mui comunal
ali u deve; er deu-lhi bom sem
e des i nom lhi fez pouco de bem
quando nom quis que lh’outra foss’igual.
Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad’e loor
e falar mui bem e riir melhor
que outra molher; des i é leal
muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem
possa compridamente no seu bem
falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al.
emparelhada
Cantigas de amor
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
Caracterização formal – estrofes,
métrica, rima
• três estrofes de sete versos – sétimas
• métrica irregular
• rima predominantemente rica,
consoante e toante
• verso agudo
• esquema rimático –
abbacca/abbacca/abbacca
Quer’eu em maneira de proençal
fazer agora um cantar d’amor
e querrei muit’i loar mia senhor
a que prez nem fremosura nom fal,
nem bondade; e mais vos direi en:
tanto a fez Deus comprida de bem
que mais que todas las do mundo val.
Ca mia senhor quiso Deus fazer tal,
quando a fez, que a fez sabedor
de todo bem e de mui gram valor,
e com tod’est[o] é mui comunal
ali u deve; er deu-lhi bom sem
e des i nom lhi fez pouco de bem
quando nom quis que lh’outra foss’igual.
Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad’e loor
e falar mui bem e riir melhor
que outra molher; des i é leal
muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem
possa compridamente no seu bem
falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al.
rima interpolada
Cantigas de amor
D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
Quand’eu nom podia veer
a senhor do meu coraçom
e de mi, bem cuidav’entom
que podesse coita perder
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
Pero que perdia o sem
pola fremosa mia senhor,
quanta coit’havia d’amor
nom cuidava teer en rem
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
De quant’eu cuidei acabar
nulha cousa nom acabei;
ca vêde’lo que eu cuidei:
cuidei-me de coita quitar
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
pensava
sofrimento
enlouquecesse
nada
conseguir
tirar
assim que
Ainda que
disso
porque
nenhum
desde então
Cantigas de amor
Quand’eu nom podia veer
a senhor do meu coraçom
e de mi, bem cuidav’entom
que podesse coita perder
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
Pero que perdia o sem
pola fremosa mia senhor,
quanta coit’havia d’amor
nom cuidava teer en rem
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
De quant’eu cuidei acabar
nulha cousa nom acabei;
ca vêde’lo que eu cuidei:
cuidei-me de coita quitar
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
pensava
sofrimento
enlouquecesse
nada
conseguir
tirar
assim que
Ainda que
disso
porque
nenhum
desde então
“senhor” distante até do olhar do “eu”
Cantigas de amor
Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
Quand’eu nom podia veer
a senhor do meu coraçom
e de mi, bem cuidav’entom
que podesse coita perder
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
Pero que perdia o sem
pola fremosa mia senhor,
quanta coit’havia d’amor
nom cuidava teer en rem
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
De quant’eu cuidei acabar
nulha cousa nom acabei;
ca vêde’lo que eu cuidei:
cuidei-me de coita quitar
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
pensava
sofrimento
enlouquecesse
nada
conseguir
tirar
assim que
Ainda que
disso
porque
nenhum
desde então
estado de enamoramento do “eu” e
destaque das qualidades da “senhor”
Cantigas de amor
Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
Quand’eu nom podia veer
a senhor do meu coraçom
e de mi, bem cuidav’entom
que podesse coita perder
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
Pero que perdia o sem
pola fremosa mia senhor,
quanta coit’havia d’amor
nom cuidava teer en rem
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
De quant’eu cuidei acabar
nulha cousa nom acabei;
ca vêde’lo que eu cuidei:
cuidei-me de coita quitar
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
pensava
sofrimento
enlouquecesse
nada
conseguir
tirar
assim que
Ainda que
disso
porque
nenhum
desde então
código do amor cortês
• submissão do “eu” à “senhor”
• ausência da “senhor”
• coita de amor – sofrimento amoroso
motivado pela ausência da “senhor”
• elogio das qualidades da “senhor”
Cantigas de amor
Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
Quand’eu nom podia veer
a senhor do meu coraçom
e de mi, bem cuidav’entom
que podesse coita perder
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
Pero que perdia o sem
pola fremosa mia senhor,
quanta coit’havia d’amor
nom cuidava teer en rem
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
De quant’eu cuidei acabar
nulha cousa nom acabei;
ca vêde’lo que eu cuidei:
cuidei-me de coita quitar
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
pensava
sofrimento
enlouquecesse
nada
conseguir
tirar
assim que
Ainda que
disso
porque
nenhum
desde então
a ausência da “senhor”
“nom podia veer / a
senhor”
“coita”
“poila vi”
“maior coita”
Cantigas de amor
Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
Quand’eu nom podia veer
a senhor do meu coraçom
e de mi, bem cuidav’entom
que podesse coita perder
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
Pero que perdia o sem
pola fremosa mia senhor,
quanta coit’havia d’amor
nom cuidava teer en rem
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
De quant’eu cuidei acabar
nulha cousa nom acabei;
ca vêde’lo que eu cuidei:
cuidei-me de coita quitar
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
pensava
sofrimento
enlouquecesse
nada
conseguir
tirar
assim que
Ainda que
disso
porque
nenhum
desde então
situação inicial do “eu”
• sofrimento por não ver a sua “senhor”
expectativa do “eu”
• deixar de sofrer caso visse a “senhor”
realidade
• “maior coita” quando vê a “senhor”
conclusão
• o facto de a “senhor” ser inalcançável é a
causa do sofrimento do “eu”, que se acentua
quando a vê
Cantigas de amor
Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
Quand’eu nom podia veer
a senhor do meu coraçom
e de mi, bem cuidav’entom
que podesse coita perder
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
Pero que perdia o sem
pola fremosa mia senhor,
quanta coit’havia d’amor
nom cuidava teer en rem
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
De quant’eu cuidei acabar
nulha cousa nom acabei;
ca vêde’lo que eu cuidei:
cuidei-me de coita quitar
sol que a viss’; e poila vi,
houv’eu maior coita des i.
Cantigas de amor
Caracterização formal – estrofes,
métrica, rima
• três estrofes de seis versos – sextilha
• cantiga de refrão
• métrica irregular
• rima predominantemente rica,
consoante e toante
• verso agudo
• esquema rimático –
abbaR/cddcR/effeR
• rima emparelhada e interpolada
Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
Ai dona fea, fostes-vos queixar
que vos nunca louv’en[o] meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei todavia;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, se Deus mi perdom,
pois havedes [a]tam gram coraçom
que vos eu loe, em esta razom
vos quero já loar todavia;
e vedes qual será a loaçom:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
em meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já um bom cantar farei
em que vos loarei todavia;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!
João Garcia de Guilhade, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 531
louvarei
vontade
assunto
louvor
embora
louca
Cantigas de escárnio
Ai dona fea, fostes-vos queixar
que vos nunca louv’en[o] meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei todavia;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, se Deus mi perdom,
pois havedes [a]tam gram coraçom
que vos eu loe, em esta razom
vos quero já loar todavia;
e vedes qual será a loaçom:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
em meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já um bom cantar farei
em que vos loarei todavia;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!
louvarei
vontade
assunto
louvor
embora
louca
Cantigas de escárnio
A pessoa alvo de
crítica não se
identifica de
forma
inequívoca
cantiga de
escárnio
João Garcia de Guilhade, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 531
Ai dona fea, fostes-vos queixar
que vos nunca louv’en[o] meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei todavia;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, se Deus mi perdom,
pois havedes [a]tam gram coraçom
que vos eu loe, em esta razom
vos quero já loar todavia;
e vedes qual será a loaçom:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
em meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já um bom cantar farei
em que vos loarei todavia;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!
louvarei
vontade
assunto
louvor
embora
louca
Cantigas de escárnio
caracterização da figura feminina
• feia
• velha
• louca
• presunçosa
João Garcia de Guilhade, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 531
Ai dona fea, fostes-vos queixar
que vos nunca louv’en[o] meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei todavia;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, se Deus mi perdom,
pois havedes [a]tam gram coraçom
que vos eu loe, em esta razom
vos quero já loar todavia;
e vedes qual será a loaçom:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
em meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já um bom cantar farei
em que vos loarei todavia;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!
louvarei
vontade
assunto
louvor
embora
louca
Cantigas de escárnio
ironia do “eu”
paródia do amor cortês
João Garcia de Guilhade, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 531
Foi um dia Lopo jograr
a cas d’um infançom cantar;
e mandou-lh’ele por dom dar
três couces na garganta;
e fui-lh’escass’, a meu cuidar,
segundo com'el canta.
Escasso foi o infançom
em seus couces partir em dom,
ca nom deu a Lop[o], entom,
mais de três na garganta;
e mais merece o jograrom,
segundo com’el canta.
Martim Soares, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, p. 142
jogral
repartir
jogralão (aumentativo depreciativo de jogral)
e foi forreta, na minha opinião
Cantigas de maldizer
casa infanção, cavaleiro nobre
como pagamento
porque
Foi um dia Lopo jograr
a cas d’um infançom cantar;
e mandou-lh’ele por dom dar
três couces na garganta;
e fui-lh’escass’, a meu cuidar,
segundo com’el canta.
Escasso foi o infançom
em seus couces partir em dom,
ca nom deu a Lop[o], entom,
mais de três na garganta;
e mais merece o jograrom,
segundo com’el canta.
jogral
repartir
jogralão (aumentativo depreciativo de jogral)
e foi forreta, na minha opinião
Cantigas de maldizer
casa infanção, cavaleiro nobre
como pagamento
porque
o jogral Lopo (artista popular que
entretinha a nobreza nas suas casas)
cómico: o nobre pagou a atuação
do jogral com três coices na garganta
perspetiva do “eu”: o
pagamento foi insuficiente,
dada o péssimo desempenho
de Lopo – “segundo com’el
canta”
Martim Soares, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, p. 142
Foi um dia Lopo jograr
a cas d’um infançom cantar;
e mandou-lh’ele por dom dar
três couces na garganta;
e fui-lh’escass’, a meu cuidar,
segundo com'el canta.
Escasso foi o infançom
em seus couces partir em dom,
ca nom deu a Lop[o], entom,
mais de três na garganta;
e mais merece o jograrom,
segundo com’el canta.
jogral
repartir
jogralão (aumentativo depreciativo de jogral)
e foi forreta, na minha opinião
Cantigas de maldizer
casa infanção, cavaleiro nobre
como pagamento
porque
crítica de costumes –
sátira dos jograis sem talento
que vivem à custa da nobreza
espaços
medievais,
protagonistas e
circunstâncias
• as casas senhoriais
• a nobreza, o povo
• o entretenimento
Martim Soares, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais
Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, p. 142

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  • 2. Cantigas de amigo – Vós me preguntades polo voss’amigo e eu bem vos digo que é san’e vivo. Ai Deus, e u é? – Vós me preguntades polo voss’amado e eu bem vos digo que é viv’e sano. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é san’e vivo e será vosco ant’o prazo saído. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é viv’e sano e será vosc[o] ant’o prazo passado. Ai Deus, e u é? – Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo? Ai Deus, e u é? Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo, aquel que mentiu do que pôs conmigo? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, aquel que mentiu do que mi há jurado? Ai Deus, e u é? confidência amorosa a donzela entra em contacto com outras personagens (mãe, amigas, irmãs) ou elementos da Natureza (personificação das flores) onde está? pinheiro [dizei-me] de sabeis notícias combinou são, saudável estará convosco antes de terminado o prazo D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
  • 3. – Vós me preguntades polo voss’amigo e eu bem vos digo que é san’e vivo. Ai Deus, e u é? – Vós me preguntades polo voss’amado e eu bem vos digo que é viv’e sano. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é san’e vivo e será vosco ant’o prazo saído. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é viv’e sano e será vosc[o] ant’o prazo passado. Ai Deus, e u é? – Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo? Ai Deus, e u é? Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo, aquel que mentiu do que pôs conmigo? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, aquel que mentiu do que mi há jurado? Ai Deus, e u é? confidência amorosa a donzela entra em contacto com outras personagens (mãe, amigas, irmãs) ou elementos da Natureza (personificação das flores) relação com a Natureza intimidade afetiva com a Natureza onde está? pinheiro [dizei-me] de sabeis notícias combinou são, saudável estará convosco antes de terminado o prazo Cantigas de amigo Codex Manesse, c. 1305 D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221
  • 4. – Vós me preguntades polo voss’amigo e eu bem vos digo que é san’e vivo. Ai Deus, e u é? – Vós me preguntades polo voss’amado e eu bem vos digo que é viv’e sano. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é san’e vivo e será vosco ant’o prazo saído. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é viv’e sano e será vosc[o] ant’o prazo passado. Ai Deus, e u é? – Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo? Ai Deus, e u é? Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo, aquel que mentiu do que pôs conmigo? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, aquel que mentiu do que mi há jurado? Ai Deus, e u é? confidência amorosa a donzela entra em contacto com outras personagens (mãe, amigas, irmãs) ou elementos da Natureza (personificação das flores) “amigo” ausente relação com a Natureza intimidade afetiva com a Natureza onde está? pinheiro [dizei-me] de sabeis notícias combinou são, saudável estará convosco antes de terminado o prazo Cantigas de amigo D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
  • 5. – Vós me preguntades polo voss’amigo e eu bem vos digo que é san’e vivo. Ai Deus, e u é? – Vós me preguntades polo voss’amado e eu bem vos digo que é viv’e sano. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é san’e vivo e será vosco ant’o prazo saído. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é viv’e sano e será vosc[o] ant’o prazo passado. Ai Deus, e u é? – Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo? Ai Deus, e u é? Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo, aquel que mentiu do que pôs conmigo? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, aquel que mentiu do que mi há jurado? Ai Deus, e u é? confidência amorosa a donzela entra em contacto com outras personagens (mãe, amigas, irmãs) ou elementos da Natureza (personificação das flores) relação com a Natureza intimidade afetiva com a Natureza ansiedade crescente da donzela variedade do sentimento amoroso “amigo” ausente Cantigas de amigo D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
  • 6. – Vós me preguntades polo voss’amigo e eu bem vos digo que é san’e vivo. Ai Deus, e u é? – Vós me preguntades polo voss’amado e eu bem vos digo que é viv’e sano. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é san’e vivo e será vosco ant’o prazo saído. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é viv’e sano e será vosc[o] ant’o prazo passado. Ai Deus, e u é? – Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo? Ai Deus, e u é? Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo, aquel que mentiu do que pôs conmigo? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, aquel que mentiu do que mi há jurado? Ai Deus, e u é? confidência amorosa a donzela entra em contacto com outras personagens (mãe, amigas, irmãs) ou elementos da Natureza (personificação das flores) religiosidade Testemunho de um contexto social e cultural relação com a Natureza intimidade afetiva com a Natureza ansiedade crescente da donzela “amigo” ausente Cantigas de amigo D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
  • 7. – Vós me preguntades polo voss’amigo e eu bem vos digo que é san’e vivo. Ai Deus, e u é? – Vós me preguntades polo voss’amado e eu bem vos digo que é viv’e sano. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é san’e vivo e será vosco ant’o prazo saído. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é viv’e sano e será vosc[o] ant’o prazo passado. Ai Deus, e u é? – Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo? Ai Deus, e u é? Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo, aquel que mentiu do que pôs conmigo? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, aquel que mentiu do que mi há jurado? Ai Deus, e u é? Caracterização formal – estrofes, métrica, rima Cantigas de amigo D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
  • 8. – Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo? Ai Deus, e u é? Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo, aquel que mentiu do que pôs conmigo? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, aquel que mentiu do que mi há jurado? Ai Deus, e u é? Caracterização formal – estrofes, métrica, rima oito coblas ou estrofes Cantigas de amigo – Vós me preguntades polo voss’amigo e eu bem vos digo que é san’e vivo. Ai Deus, e u é? – Vós me preguntades polo voss’amado e eu bem vos digo que é viv’e sano. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é san’e vivo e será vosco ant’o prazo saído. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é viv’e sano e será vosc[o] ant’o prazo passado. Ai Deus, e u é? D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
  • 9. – Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo? Ai Deus, e u é? Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo, aquel que mentiu do que pôs conmigo? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, aquel que mentiu do que mi há jurado? Ai Deus, e u é? Caracterização formal – estrofes, métrica, rima oito coblas ou estrofes dístico e refrão Cantigas de amigo – Vós me preguntades polo voss’amigo e eu bem vos digo que é san’e vivo. Ai Deus, e u é? – Vós me preguntades polo voss’amado e eu bem vos digo que é viv’e sano. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é san’e vivo e será vosco ant’o prazo saído. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é viv’e sano e será vosc[o] ant’o prazo passado. Ai Deus, e u é? D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221 Codex Manesse, c. 1305
  • 10. – Vós/ me/ pre/gun/ta/des/ po/lo/ vo/ss’a/mi/go e eu bem vos digo que é san’e vivo. Ai Deus, e u é? – Vós me preguntades polo voss’amado e eu bem vos digo que é viv’e sano. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é san’e vivo e será vosco ant’o prazo saído. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é viv’e sano e será vosc[o] ant’o prazo passado. Ai Deus, e u é? – Ai/ flo/res,/ ai /flo/res/ do/ ver/de/ pi/no, se sabedes novas do meu amigo? Ai Deus, e u é? Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo, aquel que mentiu do que pôs conmigo? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, aquel que mentiu do que mi há jurado? Ai Deus, e u é? dístico e refrão Caracterização formal – estrofes, métrica, rima oito coblas ou estrofes decassílabos nos dísticos das quatro primeiras coblas hendecassílabos nos dísticos das quatro últimas coblas pentassílabo no refrão esquema rimático: aaR/bbR/aaR/bbR/aaR/bbR/aaR/bbR Cantigas de amigo D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221
  • 11. – Vós me preguntades polo voss’amigo e eu bem vos digo que é san’e vivo. Ai Deus, e u é? – Vós me preguntades polo voss’amado e eu bem vos digo que é viv’e sano. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é san’e vivo e será vosco ant’o prazo saído. Ai Deus, e u é? – E eu bem vos digo que é viv’e sano e será vosc[o] ant’o prazo passado. Ai Deus, e u é? – Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo? Ai Deus, e u é? Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo, aquel que mentiu do que pôs conmigo? Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, aquel que mentiu do que mi há jurado? Ai Deus, e u é? Caracterização formal – paralelismo e refrão 1.º par 2.º par 3.º par 4.º par verso A verso A’ verso B verso B’ refrão refrão verso B verso B verso B’ verso B’ verso B verso C refrão refrão refrão refrão refrão refrão verso B’ verso C’ verso D verso D’ verso E verso E’ verso E verso F verso E’ verso F’ verso E verso E verso E’ verso E’ no par de dísticos, os versos de cada estrofe repetem-se, alterando-se apenas as palavras finais, em posição de rima o último verso de cada estrofe é o primeiro verso da estrofe correspondente no par seguinte Cantigas de amigo D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 220-221
  • 12. Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585 A Sam Servand’, u ora vam todas orar, madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois mi dizem do meu amigo ca i vem, madre velida e senhor, faredes bem que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois todas i vam de grado oraçom fazer, madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. ermida de S. Servando onde formosa lá alegre que aí de bom grado Cantigas de amigo
  • 13. A Sam Servand’, u ora vam todas orar, madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois mi dizem do meu amigo ca i vem, madre velida e senhor, faredes bem que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois todas i vam de grado oraçom fazer, madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. ermida de S. Servando onde formosa lá alegre que aí de bom grado espaços medievais: a ermida (marca de religiosidade) Cantigas de amigo Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
  • 14. circunstâncias: as donzelas vão em romaria à ermida A Sam Servand’, u ora vam todas orar, madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois mi dizem do meu amigo ca i vem, madre velida e senhor, faredes bem que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois todas i vam de grado oraçom fazer, madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. ermida de S. Servando onde formosa lá alegre que aí de bom grado espaços medievais: a ermida (marca de religiosidade) Cantigas de amigo Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
  • 15. circunstâncias: as donzelas vão em romaria à ermida A Sam Servand’, u ora vam todas orar, madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois mi dizem do meu amigo ca i vem, madre velida e senhor, faredes bem que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois todas i vam de grado oraçom fazer, madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. ermida de S. Servando onde formosa lá alegre que aí de bom grado espaços medievais: a ermida (marca de religiosidade) confidente: mãe Cantigas de amigo Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
  • 16. circunstâncias: as donzelas vão em romaria à ermida A Sam Servand’, u ora vam todas orar, madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois mi dizem do meu amigo ca i vem, madre velida e senhor, faredes bem que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois todas i vam de grado oraçom fazer, madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. ermida de S. Servando onde formosa lá alegre que aí de bom grado espaços medievais: a ermida (marca de religiosidade) confidente: mãe a referência a Deus como testemunho da religiosidade da época Cantigas de amigo Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
  • 17. A Sam Servand’, u ora vam todas orar, madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois mi dizem do meu amigo ca i vem, madre velida e senhor, faredes bem que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois todas i vam de grado oraçom fazer, madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. ermida de S. Servando onde formosa lá alegre que aí de bom grado o pedido da donzela e a sua argumentação Cantigas de amigo Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
  • 18. A Sam Servand’, u ora vam todas orar, madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois mi dizem do meu amigo ca i vem, madre velida e senhor, faredes bem que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois todas i vam de grado oraçom fazer, madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. ermida de S. Servando onde formosa lá alegre que aí de bom grado a assertividade crescente da donzela perante a mãe: – primeiro pede – “rogar”; – depois sugere – ”faredes bem”; – finalmente informa – “venho-vo-lo dizer”. variedade do sentimento amoroso Cantigas de amigo Ermida de Nossa Senhora do Monte, Camariñas, Galiza, Espanha João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
  • 19. A/ Sam/ Ser/vand’,/ u/ o/ra/ vam/ to/das/ o/rar,/ madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar que/ me/ lei/xe/des/ a/lá/ ir a/ Sam/ Ser/van/d’e,/ se/ o/ meu/ a/mi/go/ vir,/ le/da/ se/rei,/ por/ nom/ men/tir. Pois mi dizem do meu amigo ca i vem, madre velida e senhor, faredes bem que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois todas i vam de grado oraçom fazer, madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Caracterização formal – estrofes, métrica, rima • cantiga de refrão • coblas singulares (estrofes com séries de rimas diferentes) • três estrofes com dístico e refrão de três versos • métrica • coblas – dodecassílabos • refrão – octassílabo, dodecassílabo, octassílabo • esquema rimático: aaR/bbR/ccR (rima emparelhada) • rima predominantemente pobre, consoante • verso agudo Cantigas de amigo João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
  • 20. A Sam Servand’, u ora vam todas orar, madre velida, por Deus vim-vo-lo rogar que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois mi dizem do meu amigo ca i vem, madre velida e senhor, faredes bem que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. Pois todas i vam de grado oraçom fazer, madre velida, por Deus venho-vo-lo dizer que me leixedes alá ir a Sam Servand’e, se o meu amigo vir, leda serei, por nom mentir. ermida de S. Servando onde formosa lá alegre que aí de bom grado |3| Explicita a estratégia da donzela para convencer a mãe, fundamentando a tua resposta com elementos do texto. Os protagonistas são a donzela e a mãe. 1.1. Refere outras pessoas mencionadas. As amigas – “todas” – e o “amigo”. |1| Identifica os protagonistas da cantiga. A donzela argumenta que, ao pedir à mãe para a ir deixar rezar a Sam Servando, está a ser sincera e ficará feliz – “leda” – por não lhe mentir – “por nom mentir”, pois a sua intenção é ir ter com o seu amigo. A mãe desempenha o papel de confidente. |2| Menciona o papel desempenhado pela mãe. |4| Demonstra, fundamentando com transcrições pertinentes, a evolução do estado de espírito da donzela. A donzela começa por “rogar”, mas depois apela ao bom senso da mãe – “faredes bem” – e, por fim, intensifica o seu apelo, informando a mãe da sua intenção – “venho-vo-lo dizer”. Cantigas de amigo João Servando, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 585
  • 21. Cantigas de amor Quer’eu em maneira de proençal fazer agora um cantar d’amor e querrei muit’i loar mia senhor a que prez nem fremosura nom fal, nem bondade; e mais vos direi en: tanto a fez Deus comprida de bem que mais que todas las do mundo val. Ca mia senhor quiso Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor de todo bem e de mui gram valor, e com tod’est[o] é mui comunal ali u deve; er deu-lhi bom sem e des i nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh’outra foss’igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad’e loor e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem possa compridamente no seu bem falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al. quererei provençal aí falta, falha disso, disto cumprido, repleto quis que a fez repleta sociável bom senso, bom entendimento também, igualmente louvor preço, valor, mérito Porque além disso quando alem disso pois, para além do seu bem, não há mais nada D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
  • 22. Quer’eu em maneira de proençal fazer agora um cantar d’amor e querrei muit’i loar mia senhor a que prez nem fremosura nom fal, nem bondade; e mais vos direi en: tanto a fez Deus comprida de bem que mais que todas las do mundo val. Ca mia senhor quiso Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor de todo bem e de mui gram valor, e com tod’est[o] é mui comunal ali u deve; er deu-lhi bom sem e des i nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh’outra foss’igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad’e loor e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem possa compridamente no seu bem falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al. quererei provençal aí falta, falha disso, disto cumprido, repleto quis que a fez repleta sociável bom senso, bom entendimento também, igualmente louvor preço, valor, mérito Porque além disso quando alem disso pois, para além do seu bem, não há mais nada intenção do trovador em escrever à maneira da Provença (sul de França) voz masculina Cantigas de amor D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
  • 23. Quer’eu em maneira de proençal fazer agora um cantar d’amor e querrei muit’i loar mia senhor a que prez nem fremosura nom fal, nem bondade; e mais vos direi en: tanto a fez Deus comprida de bem que mais que todas las do mundo val. Ca mia senhor quiso Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor de todo bem e de mui gram valor, e com tod’est[o] é mui comunal ali u deve; er deu-lhi bom sem e des i nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh’outra foss’igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad’e loor e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem possa compridamente no seu bem falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al. quererei provençal aí falta, falha disso, disto cumprido, repleto quis que a fez repleta sociável bom senso, bom entendimento também, igualmente louvor preço, valor, mérito Porque além disso quando alem disso pois, para além do seu bem, não há mais nada atitude do “eu” – vassalagem, submissão à sua “senhor” Cantigas de amor D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
  • 24. Quer’eu em maneira de proençal fazer agora um cantar d’amor e querrei muit’i loar mia senhor a que prez nem fremosura nom fal, nem bondade; e mais vos direi en: tanto a fez Deus comprida de bem que mais que todas las do mundo val. Ca mia senhor quiso Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor de todo bem e de mui gram valor, e com tod’est[o] é mui comunal ali u deve; er deu-lhi bom sem e des i nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh’outra foss’igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad’e loor e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem possa compridamente no seu bem falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al. quererei provençal aí falta, falha disso, disto cumprido, repleto quis que a fez repleta sociável bom senso, bom entendimento também, igualmente louvor preço, valor, mérito Porque além disso quando alem disso pois, para além do seu bem, não há mais nada exaltação das qualidades da “senhor” idealização e sobrevalorização da figura feminina Cantigas de amor D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
  • 25. Quer’eu em maneira de proençal fazer agora um cantar d’amor e querrei muit’i loar mia senhor a que prez nem fremosura nom fal, nem bondade; e mais vos direi en: tanto a fez Deus comprida de bem que mais que todas las do mundo val. Ca mia senhor quiso Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor de todo bem e de mui gram valor, e com tod’est[o] é mui comunal ali u deve; er deu-lhi bom sem e des i nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh’outra foss’igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad’e loor e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem possa compridamente no seu bem falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al. quererei provençal aí falta, falha disso, disto cumprido, repleto quis que a fez repleta sociável bom senso, bom entendimento também, igualmente louvor preço, valor, mérito Porque além disso quando alem disso pois, para além do seu bem, não há mais nada bela e formosa honrada bondosa virtuosa sociável sensata Cantigas de amor D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
  • 26. Quer’eu em maneira de proençal fazer agora um cantar d’amor e querrei muit’i loar mia senhor a que prez nem fremosura nom fal, nem bondade; e mais vos direi en: tanto a fez Deus comprida de bem que mais que todas las do mundo val. Ca mia senhor quiso Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor de todo bem e de mui gram valor, e com tod’est[o] é mui comunal ali u deve; er deu-lhi bom sem e des i nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh’outra foss’igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad’e loor e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem possa compridamente no seu bem falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al. quererei provençal aí falta, falha disso, disto cumprido, repleto quis que a fez repleta sociável bom senso, bom entendimento também, igualmente louvor preço, valor, mérito Porque além disso quando alem disso pois, para além do seu bem, não há mais nada retrato hiperbolizado da mulher – comparação e hipérbole Cantigas de amor D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
  • 27. Quer’eu em maneira de proençal fazer agora um cantar d’amor e querrei muit’i loar mia senhor a que prez nem fremosura nom fal, nem bondade; e mais vos direi en: tanto a fez Deus comprida de bem que mais que todas las do mundo val. Ca mia senhor quiso Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor de todo bem e de mui gram valor, e com tod’est[o] é mui comunal ali u deve; er deu-lhi bom sem e des i nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh’outra foss’igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad’e loor e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem possa compridamente no seu bem falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al. quererei provençal aí falta, falha disso, disto cumprido, repleto quis que a fez repleta sociável bom senso, bom entendimento também, igualmente louvor preço, valor, mérito Porque além disso quando alem disso pois, para além do seu bem, não há mais nada referência a Deus elevação do estatuto da figura feminina Cantigas de amor D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
  • 28. Caracterização formal – estrofes, métrica, rima • três estrofes de sete versos – sétimas • métrica irregular • rima predominantemente rica, consoante e toante • verso agudo • esquema rimático – abbacca/abbacca/abbacca Quer’eu em maneira de proençal fazer agora um cantar d’amor e querrei muit’i loar mia senhor a que prez nem fremosura nom fal, nem bondade; e mais vos direi en: tanto a fez Deus comprida de bem que mais que todas las do mundo val. Ca mia senhor quiso Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor de todo bem e de mui gram valor, e com tod’est[o] é mui comunal ali u deve; er deu-lhi bom sem e des i nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh’outra foss’igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad’e loor e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem possa compridamente no seu bem falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al. emparelhada Cantigas de amor D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
  • 29. Caracterização formal – estrofes, métrica, rima • três estrofes de sete versos – sétimas • métrica irregular • rima predominantemente rica, consoante e toante • verso agudo • esquema rimático – abbacca/abbacca/abbacca Quer’eu em maneira de proençal fazer agora um cantar d’amor e querrei muit’i loar mia senhor a que prez nem fremosura nom fal, nem bondade; e mais vos direi en: tanto a fez Deus comprida de bem que mais que todas las do mundo val. Ca mia senhor quiso Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor de todo bem e de mui gram valor, e com tod’est[o] é mui comunal ali u deve; er deu-lhi bom sem e des i nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh’outra foss’igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad’e loor e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit’; e por esto nom sei hoj’eu quem possa compridamente no seu bem falar, ca nom há, tra’lo seu bem, al. rima interpolada Cantigas de amor D. Dinis, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, pp. 189-190
  • 30. Quand’eu nom podia veer a senhor do meu coraçom e de mi, bem cuidav’entom que podesse coita perder sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. Pero que perdia o sem pola fremosa mia senhor, quanta coit’havia d’amor nom cuidava teer en rem sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. De quant’eu cuidei acabar nulha cousa nom acabei; ca vêde’lo que eu cuidei: cuidei-me de coita quitar sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444 pensava sofrimento enlouquecesse nada conseguir tirar assim que Ainda que disso porque nenhum desde então Cantigas de amor
  • 31. Quand’eu nom podia veer a senhor do meu coraçom e de mi, bem cuidav’entom que podesse coita perder sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. Pero que perdia o sem pola fremosa mia senhor, quanta coit’havia d’amor nom cuidava teer en rem sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. De quant’eu cuidei acabar nulha cousa nom acabei; ca vêde’lo que eu cuidei: cuidei-me de coita quitar sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. pensava sofrimento enlouquecesse nada conseguir tirar assim que Ainda que disso porque nenhum desde então “senhor” distante até do olhar do “eu” Cantigas de amor Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
  • 32. Quand’eu nom podia veer a senhor do meu coraçom e de mi, bem cuidav’entom que podesse coita perder sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. Pero que perdia o sem pola fremosa mia senhor, quanta coit’havia d’amor nom cuidava teer en rem sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. De quant’eu cuidei acabar nulha cousa nom acabei; ca vêde’lo que eu cuidei: cuidei-me de coita quitar sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. pensava sofrimento enlouquecesse nada conseguir tirar assim que Ainda que disso porque nenhum desde então estado de enamoramento do “eu” e destaque das qualidades da “senhor” Cantigas de amor Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
  • 33. Quand’eu nom podia veer a senhor do meu coraçom e de mi, bem cuidav’entom que podesse coita perder sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. Pero que perdia o sem pola fremosa mia senhor, quanta coit’havia d’amor nom cuidava teer en rem sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. De quant’eu cuidei acabar nulha cousa nom acabei; ca vêde’lo que eu cuidei: cuidei-me de coita quitar sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. pensava sofrimento enlouquecesse nada conseguir tirar assim que Ainda que disso porque nenhum desde então código do amor cortês • submissão do “eu” à “senhor” • ausência da “senhor” • coita de amor – sofrimento amoroso motivado pela ausência da “senhor” • elogio das qualidades da “senhor” Cantigas de amor Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
  • 34. Quand’eu nom podia veer a senhor do meu coraçom e de mi, bem cuidav’entom que podesse coita perder sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. Pero que perdia o sem pola fremosa mia senhor, quanta coit’havia d’amor nom cuidava teer en rem sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. De quant’eu cuidei acabar nulha cousa nom acabei; ca vêde’lo que eu cuidei: cuidei-me de coita quitar sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. pensava sofrimento enlouquecesse nada conseguir tirar assim que Ainda que disso porque nenhum desde então a ausência da “senhor” “nom podia veer / a senhor” “coita” “poila vi” “maior coita” Cantigas de amor Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
  • 35. Quand’eu nom podia veer a senhor do meu coraçom e de mi, bem cuidav’entom que podesse coita perder sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. Pero que perdia o sem pola fremosa mia senhor, quanta coit’havia d’amor nom cuidava teer en rem sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. De quant’eu cuidei acabar nulha cousa nom acabei; ca vêde’lo que eu cuidei: cuidei-me de coita quitar sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. pensava sofrimento enlouquecesse nada conseguir tirar assim que Ainda que disso porque nenhum desde então situação inicial do “eu” • sofrimento por não ver a sua “senhor” expectativa do “eu” • deixar de sofrer caso visse a “senhor” realidade • “maior coita” quando vê a “senhor” conclusão • o facto de a “senhor” ser inalcançável é a causa do sofrimento do “eu”, que se acentua quando a vê Cantigas de amor Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
  • 36. Quand’eu nom podia veer a senhor do meu coraçom e de mi, bem cuidav’entom que podesse coita perder sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. Pero que perdia o sem pola fremosa mia senhor, quanta coit’havia d’amor nom cuidava teer en rem sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. De quant’eu cuidei acabar nulha cousa nom acabei; ca vêde’lo que eu cuidei: cuidei-me de coita quitar sol que a viss’; e poila vi, houv’eu maior coita des i. Cantigas de amor Caracterização formal – estrofes, métrica, rima • três estrofes de seis versos – sextilha • cantiga de refrão • métrica irregular • rima predominantemente rica, consoante e toante • verso agudo • esquema rimático – abbaR/cddcR/effeR • rima emparelhada e interpolada Rui Fernandes de Santiago, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, pp. 443-444
  • 37. Ai dona fea, fostes-vos queixar que vos nunca louv’en[o] meu cantar; mais ora quero fazer um cantar em que vos loarei todavia; e vedes como vos quero loar: dona fea, velha e sandia! Dona fea, se Deus mi perdom, pois havedes [a]tam gram coraçom que vos eu loe, em esta razom vos quero já loar todavia; e vedes qual será a loaçom: dona fea, velha e sandia! Dona fea, nunca vos eu loei em meu trobar, pero muito trobei; mais ora já um bom cantar farei em que vos loarei todavia; e direi-vos como vos loarei: dona fea, velha e sandia! João Garcia de Guilhade, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 531 louvarei vontade assunto louvor embora louca Cantigas de escárnio
  • 38. Ai dona fea, fostes-vos queixar que vos nunca louv’en[o] meu cantar; mais ora quero fazer um cantar em que vos loarei todavia; e vedes como vos quero loar: dona fea, velha e sandia! Dona fea, se Deus mi perdom, pois havedes [a]tam gram coraçom que vos eu loe, em esta razom vos quero já loar todavia; e vedes qual será a loaçom: dona fea, velha e sandia! Dona fea, nunca vos eu loei em meu trobar, pero muito trobei; mais ora já um bom cantar farei em que vos loarei todavia; e direi-vos como vos loarei: dona fea, velha e sandia! louvarei vontade assunto louvor embora louca Cantigas de escárnio A pessoa alvo de crítica não se identifica de forma inequívoca cantiga de escárnio João Garcia de Guilhade, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 531
  • 39. Ai dona fea, fostes-vos queixar que vos nunca louv’en[o] meu cantar; mais ora quero fazer um cantar em que vos loarei todavia; e vedes como vos quero loar: dona fea, velha e sandia! Dona fea, se Deus mi perdom, pois havedes [a]tam gram coraçom que vos eu loe, em esta razom vos quero já loar todavia; e vedes qual será a loaçom: dona fea, velha e sandia! Dona fea, nunca vos eu loei em meu trobar, pero muito trobei; mais ora já um bom cantar farei em que vos loarei todavia; e direi-vos como vos loarei: dona fea, velha e sandia! louvarei vontade assunto louvor embora louca Cantigas de escárnio caracterização da figura feminina • feia • velha • louca • presunçosa João Garcia de Guilhade, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 531
  • 40. Ai dona fea, fostes-vos queixar que vos nunca louv’en[o] meu cantar; mais ora quero fazer um cantar em que vos loarei todavia; e vedes como vos quero loar: dona fea, velha e sandia! Dona fea, se Deus mi perdom, pois havedes [a]tam gram coraçom que vos eu loe, em esta razom vos quero já loar todavia; e vedes qual será a loaçom: dona fea, velha e sandia! Dona fea, nunca vos eu loei em meu trobar, pero muito trobei; mais ora já um bom cantar farei em que vos loarei todavia; e direi-vos como vos loarei: dona fea, velha e sandia! louvarei vontade assunto louvor embora louca Cantigas de escárnio ironia do “eu” paródia do amor cortês João Garcia de Guilhade, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 1, Lisboa, BNP, 2016, p. 531
  • 41. Foi um dia Lopo jograr a cas d’um infançom cantar; e mandou-lh’ele por dom dar três couces na garganta; e fui-lh’escass’, a meu cuidar, segundo com'el canta. Escasso foi o infançom em seus couces partir em dom, ca nom deu a Lop[o], entom, mais de três na garganta; e mais merece o jograrom, segundo com’el canta. Martim Soares, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, p. 142 jogral repartir jogralão (aumentativo depreciativo de jogral) e foi forreta, na minha opinião Cantigas de maldizer casa infanção, cavaleiro nobre como pagamento porque
  • 42. Foi um dia Lopo jograr a cas d’um infançom cantar; e mandou-lh’ele por dom dar três couces na garganta; e fui-lh’escass’, a meu cuidar, segundo com’el canta. Escasso foi o infançom em seus couces partir em dom, ca nom deu a Lop[o], entom, mais de três na garganta; e mais merece o jograrom, segundo com’el canta. jogral repartir jogralão (aumentativo depreciativo de jogral) e foi forreta, na minha opinião Cantigas de maldizer casa infanção, cavaleiro nobre como pagamento porque o jogral Lopo (artista popular que entretinha a nobreza nas suas casas) cómico: o nobre pagou a atuação do jogral com três coices na garganta perspetiva do “eu”: o pagamento foi insuficiente, dada o péssimo desempenho de Lopo – “segundo com’el canta” Martim Soares, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, p. 142
  • 43. Foi um dia Lopo jograr a cas d’um infançom cantar; e mandou-lh’ele por dom dar três couces na garganta; e fui-lh’escass’, a meu cuidar, segundo com'el canta. Escasso foi o infançom em seus couces partir em dom, ca nom deu a Lop[o], entom, mais de três na garganta; e mais merece o jograrom, segundo com’el canta. jogral repartir jogralão (aumentativo depreciativo de jogral) e foi forreta, na minha opinião Cantigas de maldizer casa infanção, cavaleiro nobre como pagamento porque crítica de costumes – sátira dos jograis sem talento que vivem à custa da nobreza espaços medievais, protagonistas e circunstâncias • as casas senhoriais • a nobreza, o povo • o entretenimento Martim Soares, in Graça Videira Lopes (coord.), Cantigas Medievais Galego-Portuguesas – Corpus integral profano, Vol. 2, Lisboa, BNP, 2016, p. 142