SlideShare uma empresa Scribd logo
Planejando um Futuro Melhor
          Nos dias de hoje fala-se da efetividade das redes de proteção da criança, do adolescente e de suas
famílias. O artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente, por sua vez, estabelece a prioridade
absoluta.
          Nesse contexto, como gerar e sustentar a efetividade das redes de proteção a curto, médio e
longo prazo, de forma a garantir a prioridade absoluta?
          Para tanto, é essencial uma atuação não apenas nas conseqüências do crescente desrespeito à
natureza e à dignidade humana (própria e dos demais), mas prioritariamente nas suas causas.
          Mas quais são as verdadeiras causas desses atos? Será que tais causas estão ligadas apenas à
ausência de recursos materiais ou refletem um sentimento mais profundo de vazio? O que,
verdadeiramente, está faltando?
          Por certo que as causas não se limitam às questões materiais, caso contrário, por que pessoas
materialmente abastadas cometeriam tais atos? Corrupção, violência física e sexual praticadas por pessoas
de classes sociais economicamente mais abastadas, bullying em escolas particulares, grande número de
suicídios na Europa e no Japão, aumento do consumo de drogas e de outros vícios, etc. Em verdade,
exteriorizam principalmente a falta de bons valores (bons modos de agir, inclusive aqueles ligados ao
afeto) e a diminuta compreensão do sentido da vida, ou seja, da sua razão de existir. Ademais, sabe-se que
a família é o principal núcleo de desenvolvimento de valores e dessa compreensão.
          Levando em consideração que as causas supracitadas são sistêmicas, ou seja, decorrem de
relações interdependentes e interrelacionadas entre diversos componentes do Habitat, percebe-se que para
efetividade das ações se exige o planejamento e a gestão sistêmicos, que possibilitem a visão e a
integração de recursos multidisciplinares e intersetoriais, cujos desempenhos podem afetar, positiva ou
negativamente, a sociedade como um todo.
          Nesse contexto, as redes de proteção poderão estabelecer o que fazer, como, onde, quando e
quem, bem como de que forma medir e integralizar todos esses componentes, de modo a garantir um
Habitat sadio para o desenvolvimento das crianças e adolescentes.
          Tendo em vista as tendências de insustentabilidade dos recursos materiais e humanos, verifica-se
a necessidade de evitar a fragmentação de ações, buscando-se a integração. Para isso, percebe-se a
importância de tornar-se consciente a razão de existir da rede, ou seja, a missão comum, concretizada
através da responsabilização dos violadores de direitos e do atendimento de necessidades fisiológicas,
psicológicas - segurança, pertencimento e auto-estima - e auto-realização (diferentemente de desejos), nos
três eixos da sustentabilidade (econômico, social – saúde, educação, cidadania e segurança – e ambiental),
com foco prioritário na família, de modo a gerar efeitos públicos, agregando valor sustentável.
          Essa missão comum permite a formação de redes de cooperação para a atuação sistêmica,
priorizando de forma absoluta a proteção às crianças e aos adolescentes. As redes, que tornam visíveis
esforços isolados, possibilitam a integração e a paz, interna e externamente.
          Contudo, para que isso ocorra de forma efetiva, o planejamento deverá contemplar o
mapeamento das necessidades, possibilidades e atividades, sendo indispensável a participação de todos os
envolvidos. Em termos gerais, precisamos mapear quais atividades são passíveis de gerar o
desenvolvimento econômico integrado e sustentável, no qual sejam preservados, no presente e no futuro,
os direitos das crianças e dos adolescentes. No âmbito pessoal, precisamos identificar em quais atuações
as crianças, os adolescentes e os adultos em geral se sentem entusiasmados, fazem a diferença (‘slice of
heart’) na sociedade, sendo, por isso, lembrados, reconhecidos e valorizados. Dessa forma, as pessoas
constatarão que são úteis no contexto maior, o que aumenta a motivação na busca de aperfeiçoamento,
gerando um ciclo de sustentabilidade no ambiente interno e externo. No que se refere às necessidades,
saliente-se que o Estado teoricamente poderia suprir materialmente as crianças e os adolescentes, mas o
afeto, principalmente nos primeiros anos de vida, é um direito-dever dos pais. As conseqüências do não
atendimento equilibrado são profundas (gravadas a nível de sistema límbico) e com reflexos negativos em
todos os eixos da sustentabilidade acima referidos. Para ilustrar, cabe ressaltar que uma criança que nunca
foi cuidada adequadamente terá dificuldades de preservar, por exemplo, a natureza, pois não foram
desenvolvidos adequadamente os potenciais humanos de formar vínculos. Por outro lado, uma criança
que não passou pelo processo de auto-regulação (na qual a figura paterna é importantíssima) será
propensa a transgredir regras e a se envolver no consumo de drogas. Ademais, sabe-se que mais da
metade dos infratores e quase a totalidade dos adolescentes que vivem nas ruas não tiveram o pai
presente. São essas e inúmeras outras situações que denotam a importância dos pais e das redes de
proteção desenvolverem uma visão ampla.
          A formação de redes de cooperação permite a atuação sistêmica, na qual os integrantes,
sentindo-se úteis no processo, desenvolvem seus potenciais latentes. Ademais, propicia a conscientização
da co-responsabilidade e a compreensão do binômio dever-direito, de modo a despertar a noção de


                                                                                                          1
contexto e a afastar práticas imediatistas baseadas exclusivamente na punição ou vitimização, gerando,
assim, um verdadeiro pensamento sistêmico.
          Nesse contexto, já existem em andamento diversos projetos e programas. No município do Rio
Grande a Rede de Abrigagem, o Programa Aliança:Rede Família e o programa municipal de
planejamento familiar, entre outros, buscam proteger crianças e adolescentes de forma interdisciplinar e
intersetorial, com o que se obteve diversos resultados positivos, dentre os quais, a manutenção, desde o
início do ano, de um índice de mortalidade infantil inferior dois dígitos. A redução da mortalidade infantil
e os demais Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, por sua vez, tem sido objeto de diversas ações do
Fórum RS, do Programa Primeira Infância Melhor, da Estratégia de Saúde da Família, dos projetos
sociais da Fecomércio e dos Bancos Sociais da Fiergs, sendo foco do GEMP 2022 – Gestão Estratégica
do Ministério Público. São várias ações que possuem uma missão comum, a de proteger de forma
integrada e sustentável o Habitat em que vivemos, formando uma rede que busca garantir de forma
sistêmica o presente e o futuro das crianças e dos adolescentes. Visando potencializar o capital social do
Estado do Rio Grande do Sul, a Agenda 2020 – O Rio Grande que Queremos está iniciando o
mapeamento dos ativos sociais, que se forem integrados certamente irão responder, na prática, os
questionamentos propostos pela Conferência Mundial sobre Desenvolvimento de Cidades, a ser realizada
em Porto Alegre, nos dias 13 a 16 de fevereiro de 2008. Dentre os quais, cabe citar o de número 38:
          “Sustentabilidade é uma dimensão ambiental (no sentido do meio ambiente natural) do
desenvolvimento ou é o novo nome do próprio desenvolvimento sob uma perspectiva sistêmica
(englobando todas as outras dimensões, inclusive a social)? A sustentabilidade das sociedades humanas e
das organizações governamentais, empresariais e sociais depende de quais fatores críticos?”
          Por certo que, dentre os fatores prioritários, está a rede familiar, a ser definida como estrutura de
cuidados no qual o afeto a caracteriza e propicia o desenvolvimento dos potenciais humanos que
sustentarão o Habitat. Pois é nesse sentido e com essa visão que a Constituição Federal afirmou ser a
família a base da sociedade, sendo o planejamento familiar fundado na dignidade da pessoa humana e na
paternidade responsável (artigo 226 da Lei Maior).
          Em termos mais amplos, as considerações expostas nos parágrafos acima são importantes para
aceitação e participação de todos os segmentos da sociedade, bem como para se ter acesso a recursos
aptos a implementar ações (voluntariado, Agenda Habitat, CAIXA, BNDES - Redes Sociais, Plano
Nacional de Proteção, Promoção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar
e Comunitária, etc.), bem como na garantia do cumprimento de diversos Tratados, Convenções, Pactos e
Planos de Ações das diversas Conferências das Nações Unidas (Convenção sobre a Eliminação de Todas
as Formas de Discriminação Contra a Mulher, Convenção Sobre os Direitos da Criança, Plano de Ação da
Conferência Mundial de População e Desenvolvimento, etc.). Ademais, se o planejamento sistêmico
utilizar metodologias, ferramentas e sistema de avaliação, certamente poderá ser elaborado um Índice de
Desenvolvimento Sistêmico transparente e, portanto, confiável (a confiança-comunicação é fator
agregador nas redes). Desse modo, diminui o risco dos investimentos efetivados no local, o que atrai
recursos nacionais e internacionais para a região (por exemplo, via investimento sistêmico na bolsa de
valores, através do ISE - Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa, DJSI - Dow Jones
Sustainability Indexes da Bolsa de Nova York, etc.).
          Nesse contexto, as tendências internacionais estão se dirigindo para esse norte comum. A
TrendWatching, empresa que pesquisa tendências de consumo ao redor do mundo, em seus relatórios
avaliou que os consumidores estão cada vez mais unidos, ousados e realizadores. O mais recente relatório
indicou como principal tendência a transparência das relações, na qual a comunicação on line (rede de
computadores) está proliferando avaliações e comentários sobre tudo e todos. Como realizadores, os
consumidores passam a considerar como símbolos de status, não objetos ou bens, mas experiências,
contatos e habilidades. Sabe-se que a cooperação é uma habilidade inata dos seres humanos, despertada
quando agimos ou observamos alguém, através da atuação sistêmica das células conhecidas na
neurociências como neurônios-espelho. Essa tendência para cooperação está profundamente arraigada na
espécie humana, pois faz parte do processo de evolução. Ora, se hoje essa tendência de integração já esta
se revelando até mesmo nos consumidores (e nas empresas que estão rumando para um “capitalismo
sustentável” como forma de atender seu público-alvo), o que dirá das redes de proteção, cujo atendimento
das necessidades das crianças e dos adolescentes somente se dará através de uma atuação sistêmica que
produza efeitos públicos. Será que para efetividade das redes não devemos atentar para essas tendências?
          Parece que tais aspectos se distanciam da busca de proteção às crianças e aos adolescentes, mas,
em verdade, é esse o contexto global no qual elas vivem e viverão. Aliás, todos nós.
                   Rodrigo Schoeller de Moraes
                    rsmoraes@mp.rs.gov.br




                                                                                                             2

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

14 piaget vygotsky e wallon ...
14 piaget vygotsky e wallon ...14 piaget vygotsky e wallon ...
14 piaget vygotsky e wallon ...
Karina Reimberg
 
Lbd comentada art 1
Lbd comentada art 1Lbd comentada art 1
Lbd comentada art 1
Professor Super Preaprado
 
10 psicanálise e educação
10 psicanálise e educação10 psicanálise e educação
10 psicanálise e educação
faculdadeteologica
 
1 - Jean Piaget - Histórias e suas Teorias
1 - Jean Piaget - Histórias e suas Teorias 1 - Jean Piaget - Histórias e suas Teorias
1 - Jean Piaget - Histórias e suas Teorias
Bruno Djvan Ramos Barbosa
 
BNCC
BNCCBNCC
[Módulo 4] Tema: Teorias da Aprendizagem
[Módulo 4] Tema: Teorias da Aprendizagem[Módulo 4] Tema: Teorias da Aprendizagem
[Módulo 4] Tema: Teorias da Aprendizagem
tecnodocencia_ufc
 
Psicologia da educação 1
Psicologia da educação 1Psicologia da educação 1
Psicologia da educação 1
Universidade Federal do Ceará
 
Educação de jovens e adultos
Educação de jovens e adultosEducação de jovens e adultos
Educação de jovens e adultos
Silma Alexandre
 
A teoria historico cultural de vygotsky
A teoria historico cultural de vygotskyA teoria historico cultural de vygotsky
A teoria historico cultural de vygotsky
Daniella Bezerra
 
Teoria de piaget (slides)
Teoria de piaget (slides)Teoria de piaget (slides)
Teoria de piaget (slides)
Débora Rodrigues
 
Teorias 1 - Concepções de aprendizagem
Teorias 1 - Concepções de aprendizagemTeorias 1 - Concepções de aprendizagem
Teorias 1 - Concepções de aprendizagem
Kelly Moraes
 
Psicologia E EducaçãO
Psicologia E EducaçãOPsicologia E EducaçãO
Psicologia E EducaçãO
Silvia Marina Anaruma
 
Dinâmica das relações familiares, escola e aprendizagem
Dinâmica das relações familiares, escola e aprendizagemDinâmica das relações familiares, escola e aprendizagem
Dinâmica das relações familiares, escola e aprendizagem
Rosângela Gonçalves
 
Antropologia e educação :o sentido da etnografia
Antropologia e educação :o sentido da etnografiaAntropologia e educação :o sentido da etnografia
Antropologia e educação :o sentido da etnografia
Laís Maíne
 
Dificuldade de aprendizagem: deficiência intelectual ou atraso cognitivo.
Dificuldade de aprendizagem: deficiência intelectual ou atraso cognitivo.Dificuldade de aprendizagem: deficiência intelectual ou atraso cognitivo.
Dificuldade de aprendizagem: deficiência intelectual ou atraso cognitivo.
Conceição Áquila
 
Formação Humana Integral - Pacto
Formação Humana Integral - PactoFormação Humana Integral - Pacto
Formação Humana Integral - Pacto
Enoí L. Santos Oliveira
 
Teorias do desenvolvimento
Teorias do desenvolvimentoTeorias do desenvolvimento
Teorias do desenvolvimento
Felipe Saraiva Nunes de Pinho
 
A evolução da ciência psicológica
A evolução da ciência psicológicaA evolução da ciência psicológica
A evolução da ciência psicológica
Girlenia Lima
 
Quadro comparativo das concepções de aprendizagem entre os teóricos piaget, v...
Quadro comparativo das concepções de aprendizagem entre os teóricos piaget, v...Quadro comparativo das concepções de aprendizagem entre os teóricos piaget, v...
Quadro comparativo das concepções de aprendizagem entre os teóricos piaget, v...
LD35
 
Constituição modulo educação e crianca e adolescente
Constituição   modulo educação  e crianca e adolescenteConstituição   modulo educação  e crianca e adolescente
Constituição modulo educação e crianca e adolescente
marcaocampos
 

Mais procurados (20)

14 piaget vygotsky e wallon ...
14 piaget vygotsky e wallon ...14 piaget vygotsky e wallon ...
14 piaget vygotsky e wallon ...
 
Lbd comentada art 1
Lbd comentada art 1Lbd comentada art 1
Lbd comentada art 1
 
10 psicanálise e educação
10 psicanálise e educação10 psicanálise e educação
10 psicanálise e educação
 
1 - Jean Piaget - Histórias e suas Teorias
1 - Jean Piaget - Histórias e suas Teorias 1 - Jean Piaget - Histórias e suas Teorias
1 - Jean Piaget - Histórias e suas Teorias
 
BNCC
BNCCBNCC
BNCC
 
[Módulo 4] Tema: Teorias da Aprendizagem
[Módulo 4] Tema: Teorias da Aprendizagem[Módulo 4] Tema: Teorias da Aprendizagem
[Módulo 4] Tema: Teorias da Aprendizagem
 
Psicologia da educação 1
Psicologia da educação 1Psicologia da educação 1
Psicologia da educação 1
 
Educação de jovens e adultos
Educação de jovens e adultosEducação de jovens e adultos
Educação de jovens e adultos
 
A teoria historico cultural de vygotsky
A teoria historico cultural de vygotskyA teoria historico cultural de vygotsky
A teoria historico cultural de vygotsky
 
Teoria de piaget (slides)
Teoria de piaget (slides)Teoria de piaget (slides)
Teoria de piaget (slides)
 
Teorias 1 - Concepções de aprendizagem
Teorias 1 - Concepções de aprendizagemTeorias 1 - Concepções de aprendizagem
Teorias 1 - Concepções de aprendizagem
 
Psicologia E EducaçãO
Psicologia E EducaçãOPsicologia E EducaçãO
Psicologia E EducaçãO
 
Dinâmica das relações familiares, escola e aprendizagem
Dinâmica das relações familiares, escola e aprendizagemDinâmica das relações familiares, escola e aprendizagem
Dinâmica das relações familiares, escola e aprendizagem
 
Antropologia e educação :o sentido da etnografia
Antropologia e educação :o sentido da etnografiaAntropologia e educação :o sentido da etnografia
Antropologia e educação :o sentido da etnografia
 
Dificuldade de aprendizagem: deficiência intelectual ou atraso cognitivo.
Dificuldade de aprendizagem: deficiência intelectual ou atraso cognitivo.Dificuldade de aprendizagem: deficiência intelectual ou atraso cognitivo.
Dificuldade de aprendizagem: deficiência intelectual ou atraso cognitivo.
 
Formação Humana Integral - Pacto
Formação Humana Integral - PactoFormação Humana Integral - Pacto
Formação Humana Integral - Pacto
 
Teorias do desenvolvimento
Teorias do desenvolvimentoTeorias do desenvolvimento
Teorias do desenvolvimento
 
A evolução da ciência psicológica
A evolução da ciência psicológicaA evolução da ciência psicológica
A evolução da ciência psicológica
 
Quadro comparativo das concepções de aprendizagem entre os teóricos piaget, v...
Quadro comparativo das concepções de aprendizagem entre os teóricos piaget, v...Quadro comparativo das concepções de aprendizagem entre os teóricos piaget, v...
Quadro comparativo das concepções de aprendizagem entre os teóricos piaget, v...
 
Constituição modulo educação e crianca e adolescente
Constituição   modulo educação  e crianca e adolescenteConstituição   modulo educação  e crianca e adolescente
Constituição modulo educação e crianca e adolescente
 

Destaque

Adolescência 213
Adolescência 213Adolescência 213
Adolescência 213
Viviane Pasqualeto
 
Palestra projeto de vida
Palestra projeto de vidaPalestra projeto de vida
Palestra projeto de vida
Bruno Carlo
 
Apresentação Palestra Jovem Aprendiz
Apresentação Palestra Jovem AprendizApresentação Palestra Jovem Aprendiz
Apresentação Palestra Jovem Aprendiz
Universidade Corporativa do Transporte
 
Slide Projeto jovem aprendiz: uma nova perspectiva do adolescente na sua rela...
Slide Projeto jovem aprendiz: uma nova perspectiva do adolescente na sua rela...Slide Projeto jovem aprendiz: uma nova perspectiva do adolescente na sua rela...
Slide Projeto jovem aprendiz: uma nova perspectiva do adolescente na sua rela...
Fabio Ferreira
 
Os Jovens No Mercado De Trabalho
Os Jovens No Mercado De TrabalhoOs Jovens No Mercado De Trabalho
Os Jovens No Mercado De Trabalho
Demétrio Sobrinho
 
Slide projeto de vida
Slide projeto de vidaSlide projeto de vida
Slide projeto de vida
Isabel Aguiar
 
A adolescência
A adolescênciaA adolescência
A adolescência
Roberto Nobre
 

Destaque (7)

Adolescência 213
Adolescência 213Adolescência 213
Adolescência 213
 
Palestra projeto de vida
Palestra projeto de vidaPalestra projeto de vida
Palestra projeto de vida
 
Apresentação Palestra Jovem Aprendiz
Apresentação Palestra Jovem AprendizApresentação Palestra Jovem Aprendiz
Apresentação Palestra Jovem Aprendiz
 
Slide Projeto jovem aprendiz: uma nova perspectiva do adolescente na sua rela...
Slide Projeto jovem aprendiz: uma nova perspectiva do adolescente na sua rela...Slide Projeto jovem aprendiz: uma nova perspectiva do adolescente na sua rela...
Slide Projeto jovem aprendiz: uma nova perspectiva do adolescente na sua rela...
 
Os Jovens No Mercado De Trabalho
Os Jovens No Mercado De TrabalhoOs Jovens No Mercado De Trabalho
Os Jovens No Mercado De Trabalho
 
Slide projeto de vida
Slide projeto de vidaSlide projeto de vida
Slide projeto de vida
 
A adolescência
A adolescênciaA adolescência
A adolescência
 

Semelhante a Planejando um futuro melhor crianças e adolescentes

Projeto SASE 2004
Projeto SASE 2004 Projeto SASE 2004
Projeto SASE 2004
NandaTome
 
RNPI conclama sociedade pela defesa dos Direitos da Criança
RNPI conclama sociedade pela defesa dos Direitos da CriançaRNPI conclama sociedade pela defesa dos Direitos da Criança
RNPI conclama sociedade pela defesa dos Direitos da Criança
Prof. Marcus Renato de Carvalho
 
Passiflora
PassifloraPassiflora
259290435 livro-medida-legal
259290435 livro-medida-legal259290435 livro-medida-legal
259290435 livro-medida-legal
antonio ferreira
 
Protocolo de atenção integral a crianças e adolescentes vítimas de violência
Protocolo de atenção integral a crianças e adolescentes vítimas de violênciaProtocolo de atenção integral a crianças e adolescentes vítimas de violência
Protocolo de atenção integral a crianças e adolescentes vítimas de violência
Juninho Spina
 
Criança em rede ppt resumo
Criança em rede ppt resumoCriança em rede ppt resumo
Criança em rede ppt resumo
Projeto Criança em Rede
 
Criança em rede ppt resumo
Criança em rede ppt resumoCriança em rede ppt resumo
Criança em rede ppt resumo
Projeto Criança em Rede
 
ApresentaçãO Dr Rodrido 17 03 2010 2
ApresentaçãO Dr  Rodrido 17 03 2010 2ApresentaçãO Dr  Rodrido 17 03 2010 2
ApresentaçãO Dr Rodrido 17 03 2010 2
Tania Fonseca
 
Proteção Social X Desproteção Familiar: O Papel da Família da Sociedade e do ...
Proteção Social X Desproteção Familiar: O Papel da Família da Sociedade e do ...Proteção Social X Desproteção Familiar: O Papel da Família da Sociedade e do ...
Proteção Social X Desproteção Familiar: O Papel da Família da Sociedade e do ...
Eleni Cotinguiba
 
Suas e a Primeira Infância
Suas e a Primeira InfânciaSuas e a Primeira Infância
Suas e a Primeira Infância
Isabela Ferreira
 
Criança em rede ppt resumo
Criança em rede ppt resumoCriança em rede ppt resumo
Criança em rede ppt resumo
Projeto Criança em Rede
 
Plano Nacional Primeira Infância - Resumido
Plano Nacional Primeira Infância - ResumidoPlano Nacional Primeira Infância - Resumido
Plano Nacional Primeira Infância - Resumido
Eduardo Lopes
 
Coordenação e gestão local de programas integrados de atenção à primeira infâ...
Coordenação e gestão local de programas integrados de atenção à primeira infâ...Coordenação e gestão local de programas integrados de atenção à primeira infâ...
Coordenação e gestão local de programas integrados de atenção à primeira infâ...
SAE - Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República
 
Rede social sao_paulo
Rede social sao_pauloRede social sao_paulo
Rede social sao_paulo
Vagner Machado
 
Apresentação projeto "Rede pela Paz'
Apresentação projeto "Rede pela Paz' Apresentação projeto "Rede pela Paz'
Apresentação projeto "Rede pela Paz'
Conspiração Mineira pela Educação
 
Texto espaços socioeducativos laura fonseca - dia 30 de setembro
Texto espaços socioeducativos   laura fonseca - dia 30 de setembroTexto espaços socioeducativos   laura fonseca - dia 30 de setembro
Texto espaços socioeducativos laura fonseca - dia 30 de setembro
Profesonline
 
Cidadania sustentável
Cidadania sustentávelCidadania sustentável
Cidadania sustentável
Daniela Menezes
 
Marcos Rolim - Plano Decenal de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes
Marcos Rolim - Plano Decenal de Direitos Humanos de Crianças e AdolescentesMarcos Rolim - Plano Decenal de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes
Marcos Rolim - Plano Decenal de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes
COMDICARG
 
Planejamento estratégico completo2012/2015
Planejamento estratégico completo2012/2015Planejamento estratégico completo2012/2015
Planejamento estratégico completo2012/2015
Proame
 
Organizações do Poder Público e a Governança Social Integrada
Organizações do Poder Público e a Governança  Social IntegradaOrganizações do Poder Público e a Governança  Social Integrada
Organizações do Poder Público e a Governança Social Integrada
Fundação Dom Cabral - FDC
 

Semelhante a Planejando um futuro melhor crianças e adolescentes (20)

Projeto SASE 2004
Projeto SASE 2004 Projeto SASE 2004
Projeto SASE 2004
 
RNPI conclama sociedade pela defesa dos Direitos da Criança
RNPI conclama sociedade pela defesa dos Direitos da CriançaRNPI conclama sociedade pela defesa dos Direitos da Criança
RNPI conclama sociedade pela defesa dos Direitos da Criança
 
Passiflora
PassifloraPassiflora
Passiflora
 
259290435 livro-medida-legal
259290435 livro-medida-legal259290435 livro-medida-legal
259290435 livro-medida-legal
 
Protocolo de atenção integral a crianças e adolescentes vítimas de violência
Protocolo de atenção integral a crianças e adolescentes vítimas de violênciaProtocolo de atenção integral a crianças e adolescentes vítimas de violência
Protocolo de atenção integral a crianças e adolescentes vítimas de violência
 
Criança em rede ppt resumo
Criança em rede ppt resumoCriança em rede ppt resumo
Criança em rede ppt resumo
 
Criança em rede ppt resumo
Criança em rede ppt resumoCriança em rede ppt resumo
Criança em rede ppt resumo
 
ApresentaçãO Dr Rodrido 17 03 2010 2
ApresentaçãO Dr  Rodrido 17 03 2010 2ApresentaçãO Dr  Rodrido 17 03 2010 2
ApresentaçãO Dr Rodrido 17 03 2010 2
 
Proteção Social X Desproteção Familiar: O Papel da Família da Sociedade e do ...
Proteção Social X Desproteção Familiar: O Papel da Família da Sociedade e do ...Proteção Social X Desproteção Familiar: O Papel da Família da Sociedade e do ...
Proteção Social X Desproteção Familiar: O Papel da Família da Sociedade e do ...
 
Suas e a Primeira Infância
Suas e a Primeira InfânciaSuas e a Primeira Infância
Suas e a Primeira Infância
 
Criança em rede ppt resumo
Criança em rede ppt resumoCriança em rede ppt resumo
Criança em rede ppt resumo
 
Plano Nacional Primeira Infância - Resumido
Plano Nacional Primeira Infância - ResumidoPlano Nacional Primeira Infância - Resumido
Plano Nacional Primeira Infância - Resumido
 
Coordenação e gestão local de programas integrados de atenção à primeira infâ...
Coordenação e gestão local de programas integrados de atenção à primeira infâ...Coordenação e gestão local de programas integrados de atenção à primeira infâ...
Coordenação e gestão local de programas integrados de atenção à primeira infâ...
 
Rede social sao_paulo
Rede social sao_pauloRede social sao_paulo
Rede social sao_paulo
 
Apresentação projeto "Rede pela Paz'
Apresentação projeto "Rede pela Paz' Apresentação projeto "Rede pela Paz'
Apresentação projeto "Rede pela Paz'
 
Texto espaços socioeducativos laura fonseca - dia 30 de setembro
Texto espaços socioeducativos   laura fonseca - dia 30 de setembroTexto espaços socioeducativos   laura fonseca - dia 30 de setembro
Texto espaços socioeducativos laura fonseca - dia 30 de setembro
 
Cidadania sustentável
Cidadania sustentávelCidadania sustentável
Cidadania sustentável
 
Marcos Rolim - Plano Decenal de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes
Marcos Rolim - Plano Decenal de Direitos Humanos de Crianças e AdolescentesMarcos Rolim - Plano Decenal de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes
Marcos Rolim - Plano Decenal de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes
 
Planejamento estratégico completo2012/2015
Planejamento estratégico completo2012/2015Planejamento estratégico completo2012/2015
Planejamento estratégico completo2012/2015
 
Organizações do Poder Público e a Governança Social Integrada
Organizações do Poder Público e a Governança  Social IntegradaOrganizações do Poder Público e a Governança  Social Integrada
Organizações do Poder Público e a Governança Social Integrada
 

Mais de Impactto Cursos

Projeto tdah
Projeto tdahProjeto tdah
Projeto tdah
Impactto Cursos
 
Projeto métodos analíticos de alfabetização
Projeto métodos analíticos de alfabetizaçãoProjeto métodos analíticos de alfabetização
Projeto métodos analíticos de alfabetização
Impactto Cursos
 
Projeto história da alfabetização no brasil
Projeto história da alfabetização no brasilProjeto história da alfabetização no brasil
Projeto história da alfabetização no brasil
Impactto Cursos
 
Projeto dislexia
Projeto dislexiaProjeto dislexia
Projeto dislexia
Impactto Cursos
 
Projeto disgrafia
Projeto disgrafiaProjeto disgrafia
Projeto disgrafia
Impactto Cursos
 
Projeto deficiência visual
Projeto deficiência visualProjeto deficiência visual
Projeto deficiência visual
Impactto Cursos
 
Projeto deficiência mental
Projeto deficiência mentalProjeto deficiência mental
Projeto deficiência mental
Impactto Cursos
 
Projeto deficiência física
Projeto deficiência físicaProjeto deficiência física
Projeto deficiência física
Impactto Cursos
 
Projeto deficiência auditiva
Projeto deficiência auditivaProjeto deficiência auditiva
Projeto deficiência auditiva
Impactto Cursos
 
Projeto construtivismo
Projeto construtivismoProjeto construtivismo
Projeto construtivismo
Impactto Cursos
 
Projeto caracterização IEE Dep Ruy Ramos
Projeto caracterização IEE Dep Ruy RamosProjeto caracterização IEE Dep Ruy Ramos
Projeto caracterização IEE Dep Ruy Ramos
Impactto Cursos
 
Projeto métodos sintéticos de alfabetização
Projeto métodos sintéticos de alfabetizaçãoProjeto métodos sintéticos de alfabetização
Projeto métodos sintéticos de alfabetização
Impactto Cursos
 
Oportunidades e escolhas
Oportunidades e escolhasOportunidades e escolhas
Oportunidades e escolhas
Impactto Cursos
 
Palestra Conselho Tutelar - aspectos legais
Palestra Conselho Tutelar - aspectos legaisPalestra Conselho Tutelar - aspectos legais
Palestra Conselho Tutelar - aspectos legais
Impactto Cursos
 
Material auto avaliação ct
Material auto avaliação ctMaterial auto avaliação ct
Material auto avaliação ct
Impactto Cursos
 
Guia completo do ct abrinq
Guia completo do ct   abrinqGuia completo do ct   abrinq
Guia completo do ct abrinq
Impactto Cursos
 
Funcionamento adequado dos conselhos previstos no eca e loas
Funcionamento adequado dos conselhos previstos no eca e loasFuncionamento adequado dos conselhos previstos no eca e loas
Funcionamento adequado dos conselhos previstos no eca e loas
Impactto Cursos
 
Crianças e adolescentes vulneráveis capítulo 1
Crianças e adolescentes vulneráveis   capítulo 1Crianças e adolescentes vulneráveis   capítulo 1
Crianças e adolescentes vulneráveis capítulo 1
Impactto Cursos
 
Cartilha conselho tutelar
Cartilha conselho tutelarCartilha conselho tutelar
Cartilha conselho tutelar
Impactto Cursos
 
Cartilha COMDICA e FUNDO
Cartilha COMDICA e FUNDOCartilha COMDICA e FUNDO
Cartilha COMDICA e FUNDO
Impactto Cursos
 

Mais de Impactto Cursos (20)

Projeto tdah
Projeto tdahProjeto tdah
Projeto tdah
 
Projeto métodos analíticos de alfabetização
Projeto métodos analíticos de alfabetizaçãoProjeto métodos analíticos de alfabetização
Projeto métodos analíticos de alfabetização
 
Projeto história da alfabetização no brasil
Projeto história da alfabetização no brasilProjeto história da alfabetização no brasil
Projeto história da alfabetização no brasil
 
Projeto dislexia
Projeto dislexiaProjeto dislexia
Projeto dislexia
 
Projeto disgrafia
Projeto disgrafiaProjeto disgrafia
Projeto disgrafia
 
Projeto deficiência visual
Projeto deficiência visualProjeto deficiência visual
Projeto deficiência visual
 
Projeto deficiência mental
Projeto deficiência mentalProjeto deficiência mental
Projeto deficiência mental
 
Projeto deficiência física
Projeto deficiência físicaProjeto deficiência física
Projeto deficiência física
 
Projeto deficiência auditiva
Projeto deficiência auditivaProjeto deficiência auditiva
Projeto deficiência auditiva
 
Projeto construtivismo
Projeto construtivismoProjeto construtivismo
Projeto construtivismo
 
Projeto caracterização IEE Dep Ruy Ramos
Projeto caracterização IEE Dep Ruy RamosProjeto caracterização IEE Dep Ruy Ramos
Projeto caracterização IEE Dep Ruy Ramos
 
Projeto métodos sintéticos de alfabetização
Projeto métodos sintéticos de alfabetizaçãoProjeto métodos sintéticos de alfabetização
Projeto métodos sintéticos de alfabetização
 
Oportunidades e escolhas
Oportunidades e escolhasOportunidades e escolhas
Oportunidades e escolhas
 
Palestra Conselho Tutelar - aspectos legais
Palestra Conselho Tutelar - aspectos legaisPalestra Conselho Tutelar - aspectos legais
Palestra Conselho Tutelar - aspectos legais
 
Material auto avaliação ct
Material auto avaliação ctMaterial auto avaliação ct
Material auto avaliação ct
 
Guia completo do ct abrinq
Guia completo do ct   abrinqGuia completo do ct   abrinq
Guia completo do ct abrinq
 
Funcionamento adequado dos conselhos previstos no eca e loas
Funcionamento adequado dos conselhos previstos no eca e loasFuncionamento adequado dos conselhos previstos no eca e loas
Funcionamento adequado dos conselhos previstos no eca e loas
 
Crianças e adolescentes vulneráveis capítulo 1
Crianças e adolescentes vulneráveis   capítulo 1Crianças e adolescentes vulneráveis   capítulo 1
Crianças e adolescentes vulneráveis capítulo 1
 
Cartilha conselho tutelar
Cartilha conselho tutelarCartilha conselho tutelar
Cartilha conselho tutelar
 
Cartilha COMDICA e FUNDO
Cartilha COMDICA e FUNDOCartilha COMDICA e FUNDO
Cartilha COMDICA e FUNDO
 

Planejando um futuro melhor crianças e adolescentes

  • 1. Planejando um Futuro Melhor Nos dias de hoje fala-se da efetividade das redes de proteção da criança, do adolescente e de suas famílias. O artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente, por sua vez, estabelece a prioridade absoluta. Nesse contexto, como gerar e sustentar a efetividade das redes de proteção a curto, médio e longo prazo, de forma a garantir a prioridade absoluta? Para tanto, é essencial uma atuação não apenas nas conseqüências do crescente desrespeito à natureza e à dignidade humana (própria e dos demais), mas prioritariamente nas suas causas. Mas quais são as verdadeiras causas desses atos? Será que tais causas estão ligadas apenas à ausência de recursos materiais ou refletem um sentimento mais profundo de vazio? O que, verdadeiramente, está faltando? Por certo que as causas não se limitam às questões materiais, caso contrário, por que pessoas materialmente abastadas cometeriam tais atos? Corrupção, violência física e sexual praticadas por pessoas de classes sociais economicamente mais abastadas, bullying em escolas particulares, grande número de suicídios na Europa e no Japão, aumento do consumo de drogas e de outros vícios, etc. Em verdade, exteriorizam principalmente a falta de bons valores (bons modos de agir, inclusive aqueles ligados ao afeto) e a diminuta compreensão do sentido da vida, ou seja, da sua razão de existir. Ademais, sabe-se que a família é o principal núcleo de desenvolvimento de valores e dessa compreensão. Levando em consideração que as causas supracitadas são sistêmicas, ou seja, decorrem de relações interdependentes e interrelacionadas entre diversos componentes do Habitat, percebe-se que para efetividade das ações se exige o planejamento e a gestão sistêmicos, que possibilitem a visão e a integração de recursos multidisciplinares e intersetoriais, cujos desempenhos podem afetar, positiva ou negativamente, a sociedade como um todo. Nesse contexto, as redes de proteção poderão estabelecer o que fazer, como, onde, quando e quem, bem como de que forma medir e integralizar todos esses componentes, de modo a garantir um Habitat sadio para o desenvolvimento das crianças e adolescentes. Tendo em vista as tendências de insustentabilidade dos recursos materiais e humanos, verifica-se a necessidade de evitar a fragmentação de ações, buscando-se a integração. Para isso, percebe-se a importância de tornar-se consciente a razão de existir da rede, ou seja, a missão comum, concretizada através da responsabilização dos violadores de direitos e do atendimento de necessidades fisiológicas, psicológicas - segurança, pertencimento e auto-estima - e auto-realização (diferentemente de desejos), nos três eixos da sustentabilidade (econômico, social – saúde, educação, cidadania e segurança – e ambiental), com foco prioritário na família, de modo a gerar efeitos públicos, agregando valor sustentável. Essa missão comum permite a formação de redes de cooperação para a atuação sistêmica, priorizando de forma absoluta a proteção às crianças e aos adolescentes. As redes, que tornam visíveis esforços isolados, possibilitam a integração e a paz, interna e externamente. Contudo, para que isso ocorra de forma efetiva, o planejamento deverá contemplar o mapeamento das necessidades, possibilidades e atividades, sendo indispensável a participação de todos os envolvidos. Em termos gerais, precisamos mapear quais atividades são passíveis de gerar o desenvolvimento econômico integrado e sustentável, no qual sejam preservados, no presente e no futuro, os direitos das crianças e dos adolescentes. No âmbito pessoal, precisamos identificar em quais atuações as crianças, os adolescentes e os adultos em geral se sentem entusiasmados, fazem a diferença (‘slice of heart’) na sociedade, sendo, por isso, lembrados, reconhecidos e valorizados. Dessa forma, as pessoas constatarão que são úteis no contexto maior, o que aumenta a motivação na busca de aperfeiçoamento, gerando um ciclo de sustentabilidade no ambiente interno e externo. No que se refere às necessidades, saliente-se que o Estado teoricamente poderia suprir materialmente as crianças e os adolescentes, mas o afeto, principalmente nos primeiros anos de vida, é um direito-dever dos pais. As conseqüências do não atendimento equilibrado são profundas (gravadas a nível de sistema límbico) e com reflexos negativos em todos os eixos da sustentabilidade acima referidos. Para ilustrar, cabe ressaltar que uma criança que nunca foi cuidada adequadamente terá dificuldades de preservar, por exemplo, a natureza, pois não foram desenvolvidos adequadamente os potenciais humanos de formar vínculos. Por outro lado, uma criança que não passou pelo processo de auto-regulação (na qual a figura paterna é importantíssima) será propensa a transgredir regras e a se envolver no consumo de drogas. Ademais, sabe-se que mais da metade dos infratores e quase a totalidade dos adolescentes que vivem nas ruas não tiveram o pai presente. São essas e inúmeras outras situações que denotam a importância dos pais e das redes de proteção desenvolverem uma visão ampla. A formação de redes de cooperação permite a atuação sistêmica, na qual os integrantes, sentindo-se úteis no processo, desenvolvem seus potenciais latentes. Ademais, propicia a conscientização da co-responsabilidade e a compreensão do binômio dever-direito, de modo a despertar a noção de 1
  • 2. contexto e a afastar práticas imediatistas baseadas exclusivamente na punição ou vitimização, gerando, assim, um verdadeiro pensamento sistêmico. Nesse contexto, já existem em andamento diversos projetos e programas. No município do Rio Grande a Rede de Abrigagem, o Programa Aliança:Rede Família e o programa municipal de planejamento familiar, entre outros, buscam proteger crianças e adolescentes de forma interdisciplinar e intersetorial, com o que se obteve diversos resultados positivos, dentre os quais, a manutenção, desde o início do ano, de um índice de mortalidade infantil inferior dois dígitos. A redução da mortalidade infantil e os demais Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, por sua vez, tem sido objeto de diversas ações do Fórum RS, do Programa Primeira Infância Melhor, da Estratégia de Saúde da Família, dos projetos sociais da Fecomércio e dos Bancos Sociais da Fiergs, sendo foco do GEMP 2022 – Gestão Estratégica do Ministério Público. São várias ações que possuem uma missão comum, a de proteger de forma integrada e sustentável o Habitat em que vivemos, formando uma rede que busca garantir de forma sistêmica o presente e o futuro das crianças e dos adolescentes. Visando potencializar o capital social do Estado do Rio Grande do Sul, a Agenda 2020 – O Rio Grande que Queremos está iniciando o mapeamento dos ativos sociais, que se forem integrados certamente irão responder, na prática, os questionamentos propostos pela Conferência Mundial sobre Desenvolvimento de Cidades, a ser realizada em Porto Alegre, nos dias 13 a 16 de fevereiro de 2008. Dentre os quais, cabe citar o de número 38: “Sustentabilidade é uma dimensão ambiental (no sentido do meio ambiente natural) do desenvolvimento ou é o novo nome do próprio desenvolvimento sob uma perspectiva sistêmica (englobando todas as outras dimensões, inclusive a social)? A sustentabilidade das sociedades humanas e das organizações governamentais, empresariais e sociais depende de quais fatores críticos?” Por certo que, dentre os fatores prioritários, está a rede familiar, a ser definida como estrutura de cuidados no qual o afeto a caracteriza e propicia o desenvolvimento dos potenciais humanos que sustentarão o Habitat. Pois é nesse sentido e com essa visão que a Constituição Federal afirmou ser a família a base da sociedade, sendo o planejamento familiar fundado na dignidade da pessoa humana e na paternidade responsável (artigo 226 da Lei Maior). Em termos mais amplos, as considerações expostas nos parágrafos acima são importantes para aceitação e participação de todos os segmentos da sociedade, bem como para se ter acesso a recursos aptos a implementar ações (voluntariado, Agenda Habitat, CAIXA, BNDES - Redes Sociais, Plano Nacional de Proteção, Promoção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, etc.), bem como na garantia do cumprimento de diversos Tratados, Convenções, Pactos e Planos de Ações das diversas Conferências das Nações Unidas (Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher, Convenção Sobre os Direitos da Criança, Plano de Ação da Conferência Mundial de População e Desenvolvimento, etc.). Ademais, se o planejamento sistêmico utilizar metodologias, ferramentas e sistema de avaliação, certamente poderá ser elaborado um Índice de Desenvolvimento Sistêmico transparente e, portanto, confiável (a confiança-comunicação é fator agregador nas redes). Desse modo, diminui o risco dos investimentos efetivados no local, o que atrai recursos nacionais e internacionais para a região (por exemplo, via investimento sistêmico na bolsa de valores, através do ISE - Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa, DJSI - Dow Jones Sustainability Indexes da Bolsa de Nova York, etc.). Nesse contexto, as tendências internacionais estão se dirigindo para esse norte comum. A TrendWatching, empresa que pesquisa tendências de consumo ao redor do mundo, em seus relatórios avaliou que os consumidores estão cada vez mais unidos, ousados e realizadores. O mais recente relatório indicou como principal tendência a transparência das relações, na qual a comunicação on line (rede de computadores) está proliferando avaliações e comentários sobre tudo e todos. Como realizadores, os consumidores passam a considerar como símbolos de status, não objetos ou bens, mas experiências, contatos e habilidades. Sabe-se que a cooperação é uma habilidade inata dos seres humanos, despertada quando agimos ou observamos alguém, através da atuação sistêmica das células conhecidas na neurociências como neurônios-espelho. Essa tendência para cooperação está profundamente arraigada na espécie humana, pois faz parte do processo de evolução. Ora, se hoje essa tendência de integração já esta se revelando até mesmo nos consumidores (e nas empresas que estão rumando para um “capitalismo sustentável” como forma de atender seu público-alvo), o que dirá das redes de proteção, cujo atendimento das necessidades das crianças e dos adolescentes somente se dará através de uma atuação sistêmica que produza efeitos públicos. Será que para efetividade das redes não devemos atentar para essas tendências? Parece que tais aspectos se distanciam da busca de proteção às crianças e aos adolescentes, mas, em verdade, é esse o contexto global no qual elas vivem e viverão. Aliás, todos nós. Rodrigo Schoeller de Moraes rsmoraes@mp.rs.gov.br 2