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Os Tesouros Divinos em Vasos de Barro
John Wesley
'Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja
de Deus, e não de nós'. (II Corintios 4:7)
1. Por quanto tempo, o homem foi um mero enigma a si mesmo? Por quantas
eras, os mais sábios dos homens foram extremamente incapazes de revelarem os
mistérios; de reconciliarem as estranhas inconsistências, neles, -- a espantosa mistura
de bem e mal; de grandeza e pequeneza; de nobreza e baixeza? Quanto mais
profundamente eles consideraram estas coisas, mais elas ficaram emaranhadas.
Quanto mais dores eles tiveram, com o objetivo de aclarar o assunto, mais eles foram
confundidos, em vão, com conjeturas duvidosas.
2. Mas o que toda a sabedoria do homem foi incapaz de fazer, foi feito, no seu
devido tempo, pela sabedoria de Deus. Quando agradou a Deus dar um relato da
origem das coisas, e do homem em particular, toda a escuridão desapareceu, e a luz
clara brilhou. 'Deus disse, Façamos o homem a nossa imagem'. E foi feito. À imagem
de Deus, o homem foi feito. Por isso, nós fomos habilitados a dar um relato claro e
satisfatório da grandeza, excelência, e dignidade do homem. Mas 'o homem, estando
em honra', não continuou nela, e rebelou-se contra a soberania do Senhor. Por meio
disto, ele perdeu totalmente, não apenas o favor, mas igualmente a imagem de Deus.
E 'em Adão todos morreram'. Porque, caído, 'Adão originou o filho de sua própria
semelhança'. E, desde então, somos ensinados a dar um relato claro, inteligível da
pequenez e vileza do homem. Ele mergulhou, abaixo, até mesmo, das bestas que
perecem. A natureza humana agora não é apenas sensual, mas diabólica. Existe em
cada homem nascido no mundo (o que não existe em alguma parte da criação bruta;
nenhuma besta que tenha caído tão baixo), uma 'mente carnal, que é inimiga'; inimiga
direta, 'contra Deus'.
3. Considerando, portanto, essas coisas, em um só ponto de vista, -- a criação e
a queda do homem, -- todas as inconsistências de sua natureza são facilmente e
totalmente entendidos. A grandeza e pequeneza; a dignidade e vileza; a felicidade e
miséria, de seu estado presente, não serão mais um mistério, mas conseqüências claras
de seu estado original e sua rebelião contra Deus. Esta é a chave que abre todo o
mistério, que remove toda a dificuldade, mostrando como Deus fez o homem, no
princípio, e o que o homem fez dele mesmo. É verdade, que ele pode recuperar uma
medida da ‘imagem de Deus, por meio da qual, ele foi criado’: Mas, ainda assim, o
que quer que nós recuperemos, nós ‘teremos este tesouro em vasos de barro’.
Com o objetivo de termos uma clara concepção disto, nós podemos inquirir:
I. Em Primeiro Lugar, qual é ‘o tesouro’, que agora temos.
II. Em Segundo Lugar, considerarmos como ‘nós temos este tesouro em vasos
de barro’.
I
1. Em Primeiro Lugar, vamos inquirir: Qual é este tesouro que os crentes
cristãos têm? -- Eu digo, os crentes; porque é destes que o Apóstolo diretamente está
aqui falando. Parte disto, eles têm, em comum com outros homens, no que resta da
imagem de Deus.
Será que nós podemos incluir aqui um princípio imaterial, uma natureza
espiritual, dotada de entendimento, e afeições, e um grau de liberdade; de
automovimento; sim, e poder autônomo? (Do contrário seríamos meras máquinas,
mercadorias e pedras)?
Será que podemos incluir, tudo que vulgarmente é chamado de consciência
natural; implicando algum discernimento da diferença, entre moral boa e má, com o
beneplácito de uma, e a desaprovação da outra, através de um controlador interior,
desculpando ou acusando?
Certamente, se isto é natural ou acrescido, pela graça de Deus, é encontrado,
pelo menos, em algum grau pequeno, em todos os filhos do homem. Alguma coisa
disto é encontrada, em todo coração humano, um parecer, concernente a bem e mal;
não apenas, em todos os cristãos, mas em todos os maometanos, todos os pagãos; sim,
e nos mais vis dos selvagens.
2. Será que nós podemos acreditar que todos os cristãos, embora
nominalmente tais, têm, algumas vezes, pelo menos, algum desejo de agradar a Deus,
assim como, alguma luz, concernente ao que realmente agrada a Ele, e algumas
convicções, quando eles estão conscientes de tê-lo desagradado? -- Tais tesouros
todos os filhos dos homens têm, mais ou menos, mesmo quando eles ainda não
conhecem a Deus.
3. Mas não são destes, dos quais o Apóstolo está aqui falando; nem este é o
tesouro, objeto de seu discurso. As pessoas, concernentes as quais ele está aqui
falando, são aquelas que são nascidas de Deus; aquelas que, ‘sendo justificadas pela
fé’, têm agora redenção no sangue de Jesus; até mesmo, o perdão dos pecados;
aquelas que desfrutam daquela paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento; cujas
almas magnificam o Senhor, e se regozijam nele, com alegria inexprimível; e que
sentem o ‘amor de Deus espalhado por todo seus corações, através do Espírito
Santo, que foi dado a eles’. Este, então, é o tesouro que eles têm recebido; -- a fé da
intervenção de Deus; a paz que os coloca acima do medo da morte, e os capacita em
todas as coisas a estarem satisfeitos; uma esperança completa da imortalidade, por
meio da qual eles já ‘testaram dos poderes do mundo a vir’; o amor de Deus
espalhado em seus corações com amor a todo filho do homem, e uma renovação na
imagem total de Deus, em toda retidão e santidade verdadeira. Este é propriamente e
diretamente o tesouro concernente a que o Apóstolo está aqui falando.
II
1. Mas isto, inestimável como ele é, nós temos guardado em vasos de barro’.
A palavra é espantosamente apropriada, denotando tanto a fragilidade dos vasos,
quanto a insignificância do material de que eles são feitos. Ela diretamente significa o
que denominamos produtos de cerâmica; porcelana chinesa, e assim por diante. Quão
fracas; quão facilmente são quebradas em pedaços! Exatamente assim, é o caso com
os cristãos santos. Nós temos o tesouro divino, em corpos terrenos, mortais,
corruptíveis. ‘Tu és pó’, disse o justo Juiz, às suas criaturas rebeladas; até, então,
incorruptíveis e imortais, ‘e ao pó retornarás’. Quão elegantemente (mas com que
mistura de luz e trevas), o poeta pagão toca sobre essa mudança! "Depois do homem
ter furtado o fogo etéreo dos céus", (que símbolo do conhecimento proibido!), --
aquele exército desconhecido de destruição - febres, doenças, dores de toda espécie,
fixou seu acampamento, junto a terra, o que, até então, eles nem poderia ter entrado,
mais do que poderiam ter ascendido aos céus; e tudo visou introduzir e pavimentar o
caminho para o último inimigo, a morte.
Desde o momento, em que aquela sentença terrível foi pronunciada, o corpo
recebeu a sentença da morte em si mesmo; se não, do exato momento em que nossos
primeiros antepassados completaram sua rebelião, comendo do fruto proibido. Nós
podemos provavelmente conjeturar que havia alguma qualidade naturalmente nisto, e
que lançou as sementes da morte no corpo humano, até então, incorruptível e imortal?
Seja como for, o certo é que, desde este tempo, 'o corpo corruptível pressionou a
alma para baixo'. E não é de se admirar, vendo que a alma, durante sua união vital
com o corpo, não pode manifestar alguma das suas operações, qualquer outra, do que
em união com o corpo; com seus órgãos corpóreos. Mas, todos estes estão mais
aviltados e depravados, através da queda do homem, do que podemos possivelmente
conceber; e o cérebro, do qual a alma mais diretamente depende, não menos do que o
restante do corpo. Conseqüentemente, se estes instrumentos, por meio dos quais a
alma opera estão desordenados, a própria alma deve ficar oculta em suas operações.
Mesmo um músico, sempre tão habilidoso, irá compor uma música pobre, se
seus instrumentos estiverem fora do tom. De um cérebro desgovernado (tal como é,
mais ou menos, aquele de todo filho do homem), necessariamente surgirá
compreensões confusas, mostrando a si mesmas em milhares de instâncias;
julgamento falso, o resultado natural delas, e inferências errôneas; e, destas,
inumeráveis equívocos se seguirão, a despeito de toda a precaução que possamos ter.
Mas erros no julgamento irão freqüentemente dar oportunidade a erros na prática; eles
irão naturalmente fazer com que nosso falar seja errado, em algumas instâncias, e o
agir esteja errado em outras; mais ainda, eles podem, não apenas gerar palavras ou
ações erradas, mas temperamentos errados, também. Se eu julgar que um homem é
melhor do que ele realmente é; em conseqüência, eu realmente o amarei mais do que
ele merece. Se eu julgo que um outro seja pior do que ele realmente é; eu devo, em
conseqüência, amá-lo menos do que ele merece. Agora, ambos são temperamentos
errôneos. Ainda assim, possivelmente, pode não estar em meu poder evitar tanto um
quanto o outro.
2. Tais são as inevitáveis conseqüências de 'ter esses tesouros em vasos de
barro'. Não apenas a morte, e suas precursoras. – doença, fraqueza, e dor, e milhares
de enfermidades, -- mas, igualmente, erro, em milhares de formas, irão sempre estar
prontos a nos atacar. Tal é a condição atual da humanidade! Tal é o estado do mais
sábio dos homens! Senhor, 'o que é o homem, para que tu ainda estejas atento a ele;
ou o filho do homem, para que tu tenhas consideração a ele?'
3. Alguma coisa desta grande verdade, a de que 'o corpo corruptível pressiona
a alma para baixo', -- é fortemente expressada nestas linhas celebres do poeta antigo.
Falando da alma dos homens ele diz:
Estas sementes do fogo celestial,
Com força inata, elevar-se-ão à sua fonte,
Não fossem seus membros terrenos obstruírem seu vôo,
E reprimirem seu planar sobre os prados de luz.
4. Mas, supondo que agradou ao Todo-sábio Criador, por causa dos pecados
do homem, permitir que suas almas, em geral, sejam afligidas, desta maneira
miserável, através de seu corpo corruptível; por que ele permite que o excelente
tesouro que ele confiou aos seus filhos, ainda esteja habitando nestes pobres vasos de
barro? Esta pergunta não iria naturalmente ocorrer em alguma mente refletora? Talvez
pudesse; e, por conseguinte, o Apóstolo imediatamente nos supre com uma resposta
completa: Deus tem feito isto, para que 'a excelência do poder possa ser de Deus e
não nosso'; para que fique, indiscutivelmente claro, a quem este poder excelente
pertence; para que nenhuma carne tenha glória aos seus olhos; mas para que todo
aquele que receba este tesouro possa continuamente clamar: 'Não junto a nós, mas
junto a Ti, Ó Senhor, seja o louvor, por Teu nome e pela Tua verdade'.
5. Indubitavelmente, este foi o principal desígnio de Deus neste plano
maravilhoso: humilhar o homem, e tornar e mantê-lo pequeno, pobre, comum, e vil,
aos seus próprios olhos. E o que quer que soframos, por meio disto, nós seremos bem
repagos, se este for um meio de 'esconder o orgulho do homem'; rebaixando-nos ao
pó, mesmo então, quando corremos o risco de nos vangloriarmos, através dos dons
excelentes de Deus!
6. Mais ainda: se nós sofrermos, por meio disto, por causa da habitação torpe
do espírito imortal; se, por outro lado, a dor, doença, e numerosas outras aflições
além, para as quais não deveríamos estar sujeitos, nos assaltam de todos os lados, e,
por fim, nos arrastam ao pó da morte; nós somos perdedores, por meio disto?
Perdedores? Não. 'Em todas essas coisas, nós somos mais do que vencedores, através
Dele que nos amou'. Venham, então, doença, fraqueza dores, -- aflições, na linguagem
dos homens. Nós não devemos ser os beneficiários eternos, através delas?
Beneficiários para sempre e sempre! Vendo que 'essa aflições leves, que são, apenas
por um momento, forjam em nós o peso da glória muito mais excelente e eterna.
7. E nós não fomos, efetivamente, ensinados, através da consciência de nossa
atual fraqueza, onde nossas forças repousam? Quão alto ela proclama: 'Confie no
Senhor Jeová; porque nele está a força eterna!'. Confie Nele, que sofreu milhares de
vezes mais do que você alguma vez pôde sofrer! Ele não tem todo poder no céu e na
terra:
Então, embora
Tenhamos os tesouros divinos,
Em uma vil casa de argila
Ainda assim, Ele deverá poupá-la ao extremo,
E mantê-la para aquele dia.
Potto, 17 de Junho de 1790.
[Editado por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

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GRALHA AZUL No. 48 - JULHO - 2014
 

Os tesouros divinos em vasos de barro

  • 1. Os Tesouros Divinos em Vasos de Barro John Wesley 'Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós'. (II Corintios 4:7) 1. Por quanto tempo, o homem foi um mero enigma a si mesmo? Por quantas eras, os mais sábios dos homens foram extremamente incapazes de revelarem os mistérios; de reconciliarem as estranhas inconsistências, neles, -- a espantosa mistura de bem e mal; de grandeza e pequeneza; de nobreza e baixeza? Quanto mais profundamente eles consideraram estas coisas, mais elas ficaram emaranhadas. Quanto mais dores eles tiveram, com o objetivo de aclarar o assunto, mais eles foram confundidos, em vão, com conjeturas duvidosas. 2. Mas o que toda a sabedoria do homem foi incapaz de fazer, foi feito, no seu devido tempo, pela sabedoria de Deus. Quando agradou a Deus dar um relato da origem das coisas, e do homem em particular, toda a escuridão desapareceu, e a luz clara brilhou. 'Deus disse, Façamos o homem a nossa imagem'. E foi feito. À imagem de Deus, o homem foi feito. Por isso, nós fomos habilitados a dar um relato claro e satisfatório da grandeza, excelência, e dignidade do homem. Mas 'o homem, estando em honra', não continuou nela, e rebelou-se contra a soberania do Senhor. Por meio disto, ele perdeu totalmente, não apenas o favor, mas igualmente a imagem de Deus. E 'em Adão todos morreram'. Porque, caído, 'Adão originou o filho de sua própria semelhança'. E, desde então, somos ensinados a dar um relato claro, inteligível da pequenez e vileza do homem. Ele mergulhou, abaixo, até mesmo, das bestas que perecem. A natureza humana agora não é apenas sensual, mas diabólica. Existe em cada homem nascido no mundo (o que não existe em alguma parte da criação bruta; nenhuma besta que tenha caído tão baixo), uma 'mente carnal, que é inimiga'; inimiga direta, 'contra Deus'. 3. Considerando, portanto, essas coisas, em um só ponto de vista, -- a criação e a queda do homem, -- todas as inconsistências de sua natureza são facilmente e totalmente entendidos. A grandeza e pequeneza; a dignidade e vileza; a felicidade e miséria, de seu estado presente, não serão mais um mistério, mas conseqüências claras de seu estado original e sua rebelião contra Deus. Esta é a chave que abre todo o mistério, que remove toda a dificuldade, mostrando como Deus fez o homem, no princípio, e o que o homem fez dele mesmo. É verdade, que ele pode recuperar uma medida da ‘imagem de Deus, por meio da qual, ele foi criado’: Mas, ainda assim, o que quer que nós recuperemos, nós ‘teremos este tesouro em vasos de barro’. Com o objetivo de termos uma clara concepção disto, nós podemos inquirir: I. Em Primeiro Lugar, qual é ‘o tesouro’, que agora temos. II. Em Segundo Lugar, considerarmos como ‘nós temos este tesouro em vasos de barro’. I
  • 2. 1. Em Primeiro Lugar, vamos inquirir: Qual é este tesouro que os crentes cristãos têm? -- Eu digo, os crentes; porque é destes que o Apóstolo diretamente está aqui falando. Parte disto, eles têm, em comum com outros homens, no que resta da imagem de Deus. Será que nós podemos incluir aqui um princípio imaterial, uma natureza espiritual, dotada de entendimento, e afeições, e um grau de liberdade; de automovimento; sim, e poder autônomo? (Do contrário seríamos meras máquinas, mercadorias e pedras)? Será que podemos incluir, tudo que vulgarmente é chamado de consciência natural; implicando algum discernimento da diferença, entre moral boa e má, com o beneplácito de uma, e a desaprovação da outra, através de um controlador interior, desculpando ou acusando? Certamente, se isto é natural ou acrescido, pela graça de Deus, é encontrado, pelo menos, em algum grau pequeno, em todos os filhos do homem. Alguma coisa disto é encontrada, em todo coração humano, um parecer, concernente a bem e mal; não apenas, em todos os cristãos, mas em todos os maometanos, todos os pagãos; sim, e nos mais vis dos selvagens. 2. Será que nós podemos acreditar que todos os cristãos, embora nominalmente tais, têm, algumas vezes, pelo menos, algum desejo de agradar a Deus, assim como, alguma luz, concernente ao que realmente agrada a Ele, e algumas convicções, quando eles estão conscientes de tê-lo desagradado? -- Tais tesouros todos os filhos dos homens têm, mais ou menos, mesmo quando eles ainda não conhecem a Deus. 3. Mas não são destes, dos quais o Apóstolo está aqui falando; nem este é o tesouro, objeto de seu discurso. As pessoas, concernentes as quais ele está aqui falando, são aquelas que são nascidas de Deus; aquelas que, ‘sendo justificadas pela fé’, têm agora redenção no sangue de Jesus; até mesmo, o perdão dos pecados; aquelas que desfrutam daquela paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento; cujas almas magnificam o Senhor, e se regozijam nele, com alegria inexprimível; e que sentem o ‘amor de Deus espalhado por todo seus corações, através do Espírito Santo, que foi dado a eles’. Este, então, é o tesouro que eles têm recebido; -- a fé da intervenção de Deus; a paz que os coloca acima do medo da morte, e os capacita em todas as coisas a estarem satisfeitos; uma esperança completa da imortalidade, por meio da qual eles já ‘testaram dos poderes do mundo a vir’; o amor de Deus espalhado em seus corações com amor a todo filho do homem, e uma renovação na imagem total de Deus, em toda retidão e santidade verdadeira. Este é propriamente e diretamente o tesouro concernente a que o Apóstolo está aqui falando. II 1. Mas isto, inestimável como ele é, nós temos guardado em vasos de barro’. A palavra é espantosamente apropriada, denotando tanto a fragilidade dos vasos, quanto a insignificância do material de que eles são feitos. Ela diretamente significa o que denominamos produtos de cerâmica; porcelana chinesa, e assim por diante. Quão fracas; quão facilmente são quebradas em pedaços! Exatamente assim, é o caso com
  • 3. os cristãos santos. Nós temos o tesouro divino, em corpos terrenos, mortais, corruptíveis. ‘Tu és pó’, disse o justo Juiz, às suas criaturas rebeladas; até, então, incorruptíveis e imortais, ‘e ao pó retornarás’. Quão elegantemente (mas com que mistura de luz e trevas), o poeta pagão toca sobre essa mudança! "Depois do homem ter furtado o fogo etéreo dos céus", (que símbolo do conhecimento proibido!), -- aquele exército desconhecido de destruição - febres, doenças, dores de toda espécie, fixou seu acampamento, junto a terra, o que, até então, eles nem poderia ter entrado, mais do que poderiam ter ascendido aos céus; e tudo visou introduzir e pavimentar o caminho para o último inimigo, a morte. Desde o momento, em que aquela sentença terrível foi pronunciada, o corpo recebeu a sentença da morte em si mesmo; se não, do exato momento em que nossos primeiros antepassados completaram sua rebelião, comendo do fruto proibido. Nós podemos provavelmente conjeturar que havia alguma qualidade naturalmente nisto, e que lançou as sementes da morte no corpo humano, até então, incorruptível e imortal? Seja como for, o certo é que, desde este tempo, 'o corpo corruptível pressionou a alma para baixo'. E não é de se admirar, vendo que a alma, durante sua união vital com o corpo, não pode manifestar alguma das suas operações, qualquer outra, do que em união com o corpo; com seus órgãos corpóreos. Mas, todos estes estão mais aviltados e depravados, através da queda do homem, do que podemos possivelmente conceber; e o cérebro, do qual a alma mais diretamente depende, não menos do que o restante do corpo. Conseqüentemente, se estes instrumentos, por meio dos quais a alma opera estão desordenados, a própria alma deve ficar oculta em suas operações. Mesmo um músico, sempre tão habilidoso, irá compor uma música pobre, se seus instrumentos estiverem fora do tom. De um cérebro desgovernado (tal como é, mais ou menos, aquele de todo filho do homem), necessariamente surgirá compreensões confusas, mostrando a si mesmas em milhares de instâncias; julgamento falso, o resultado natural delas, e inferências errôneas; e, destas, inumeráveis equívocos se seguirão, a despeito de toda a precaução que possamos ter. Mas erros no julgamento irão freqüentemente dar oportunidade a erros na prática; eles irão naturalmente fazer com que nosso falar seja errado, em algumas instâncias, e o agir esteja errado em outras; mais ainda, eles podem, não apenas gerar palavras ou ações erradas, mas temperamentos errados, também. Se eu julgar que um homem é melhor do que ele realmente é; em conseqüência, eu realmente o amarei mais do que ele merece. Se eu julgo que um outro seja pior do que ele realmente é; eu devo, em conseqüência, amá-lo menos do que ele merece. Agora, ambos são temperamentos errôneos. Ainda assim, possivelmente, pode não estar em meu poder evitar tanto um quanto o outro. 2. Tais são as inevitáveis conseqüências de 'ter esses tesouros em vasos de barro'. Não apenas a morte, e suas precursoras. – doença, fraqueza, e dor, e milhares de enfermidades, -- mas, igualmente, erro, em milhares de formas, irão sempre estar prontos a nos atacar. Tal é a condição atual da humanidade! Tal é o estado do mais sábio dos homens! Senhor, 'o que é o homem, para que tu ainda estejas atento a ele; ou o filho do homem, para que tu tenhas consideração a ele?' 3. Alguma coisa desta grande verdade, a de que 'o corpo corruptível pressiona a alma para baixo', -- é fortemente expressada nestas linhas celebres do poeta antigo. Falando da alma dos homens ele diz:
  • 4. Estas sementes do fogo celestial, Com força inata, elevar-se-ão à sua fonte, Não fossem seus membros terrenos obstruírem seu vôo, E reprimirem seu planar sobre os prados de luz. 4. Mas, supondo que agradou ao Todo-sábio Criador, por causa dos pecados do homem, permitir que suas almas, em geral, sejam afligidas, desta maneira miserável, através de seu corpo corruptível; por que ele permite que o excelente tesouro que ele confiou aos seus filhos, ainda esteja habitando nestes pobres vasos de barro? Esta pergunta não iria naturalmente ocorrer em alguma mente refletora? Talvez pudesse; e, por conseguinte, o Apóstolo imediatamente nos supre com uma resposta completa: Deus tem feito isto, para que 'a excelência do poder possa ser de Deus e não nosso'; para que fique, indiscutivelmente claro, a quem este poder excelente pertence; para que nenhuma carne tenha glória aos seus olhos; mas para que todo aquele que receba este tesouro possa continuamente clamar: 'Não junto a nós, mas junto a Ti, Ó Senhor, seja o louvor, por Teu nome e pela Tua verdade'. 5. Indubitavelmente, este foi o principal desígnio de Deus neste plano maravilhoso: humilhar o homem, e tornar e mantê-lo pequeno, pobre, comum, e vil, aos seus próprios olhos. E o que quer que soframos, por meio disto, nós seremos bem repagos, se este for um meio de 'esconder o orgulho do homem'; rebaixando-nos ao pó, mesmo então, quando corremos o risco de nos vangloriarmos, através dos dons excelentes de Deus! 6. Mais ainda: se nós sofrermos, por meio disto, por causa da habitação torpe do espírito imortal; se, por outro lado, a dor, doença, e numerosas outras aflições além, para as quais não deveríamos estar sujeitos, nos assaltam de todos os lados, e, por fim, nos arrastam ao pó da morte; nós somos perdedores, por meio disto? Perdedores? Não. 'Em todas essas coisas, nós somos mais do que vencedores, através Dele que nos amou'. Venham, então, doença, fraqueza dores, -- aflições, na linguagem dos homens. Nós não devemos ser os beneficiários eternos, através delas? Beneficiários para sempre e sempre! Vendo que 'essa aflições leves, que são, apenas por um momento, forjam em nós o peso da glória muito mais excelente e eterna. 7. E nós não fomos, efetivamente, ensinados, através da consciência de nossa atual fraqueza, onde nossas forças repousam? Quão alto ela proclama: 'Confie no Senhor Jeová; porque nele está a força eterna!'. Confie Nele, que sofreu milhares de vezes mais do que você alguma vez pôde sofrer! Ele não tem todo poder no céu e na terra: Então, embora Tenhamos os tesouros divinos, Em uma vil casa de argila Ainda assim, Ele deverá poupá-la ao extremo, E mantê-la para aquele dia. Potto, 17 de Junho de 1790. [Editado por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]