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OS MEDOS NA VIDA
Uma Leitura Espiritual
SUMÁRIO
1. Os Medos na Vida .........................................................................................1
1.1 Introdução....................................................................................................1
2. Medos - O Que É...........................................................................................8
2.1 Visão Espiritual...........................................................................................8
2.2 Visão Psicológica......................................................................................14
3. Medos – Classificação Geral ......................................................................17
3.1 Normais = Medos Conservativos/Instintivos............................................17
3.2 Reais = Medos Básicos/Usuais .................................................................18
3.3 Neuróticos = Fobias/Manias .....................................................................21
4. Medos - Causas Fundamentais..................................................................23
4.1 Fixações de existências passadas infelizes = Medo “Cármico”................23
4.2 Influenciação Espiritual Obsessiva = Medo “Obsessão”..........................26
4.3 Experiências conscienciais traumáticas desta vida = Medo “Opressor” ..29
5. Medos - Tipos Principais............................................................................34
5.1 Medos - Considerações Gerais - Medos x Fobias.....................................35
5.2 Medo da Morte..........................................................................................36
5.3 Medo da Velhice .......................................................................................39
5.4 Medo da Doença .......................................................................................44
5.5 Medo da Pobreza.......................................................................................47
5.6 Medo da Critica.........................................................................................49
5.7 Medo da Perda de um Afeto profundo......................................................52
6. Fobias – Tipos Principais ...........................................................................56
6.1 Fobias – Considerações Gerais .................................................................56
6.2 Síndrome do Pânico ..................................................................................60
6.3 Fobia Social - Insegurança Íntima.............................................................63
6.4 Transtorno Obsessivo-Compulsivo - TOC ...............................................64
7. Medos – Ideias Sínteses ..............................................................................68
7.1 O Medo está no Espírito............................................................................68
7.2 O Medo transcende o Tempo ....................................................................68
7.3 O Medo esvazia a Vida .............................................................................68
7.4 O Medo é Contagioso................................................................................69
7.5 O Medo da Morte e da Vida......................................................................69
7.6 O Medo é uma forma de Auto-obsessão...................................................70
7.7 O Medo e a tua Superação ........................................................................71
8. Medos - Terapêuticas Espirituais Essenciais ...........................................73
8.1 Considerações Gerais................................................................................73
8.2 Autoconscientização .................................................................................76
8.3 Reeducação Mental ...................................................................................82
8.4 Orar/Meditar..............................................................................................85
8.5 Fluidoterapia/Desobsessão........................................................................88
8.6 Laborterapia/Ação enobrecedora ..............................................................90
8.7 Síntese .......................................................................................................94
9. Referências...................................................................................................96
1
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
1. Os Medos na Vida
1.1 Introdução
“Senhor, sei que és homem de rija condição; segas onde não semeaste, e recolhes onde
não espalhaste; e temendo me fui, e escondi o teu talento na terra; eis aqui tens o que é teu”.
Mateus – 25:14-30 – Parábola dos Talentos
“Porque Deus não nos deu o Espírito de temor, mas de fortaleza, de Amor e de
Moderação”.
Paulo de Tarso - II Timóteo, 1:7
Sabemos que variam ao infinito as consequências do medo: fuga, gestos de proteção,
gritos, tremor, palidez, dilatação das pupilas, suores frios, respiração ansiosa ou suspensa,
palpitações cardíacas, suspensão da secreção salivar, lágrimas, imobilidade, mutismo.
A Doutrina Espírita, buscando sempre o esclarecimento e a consolação de quanto a
procuram, não se omite nesse particular.
A semelhança da Psiquiatria ou da Psicologia, tem buscado difundir conceitos que
possam ajudar-nos a enfrentar com serenidade e sobretudo, com muita confiança, o nosso
dia-a-dia.
A luta entre o medo e a razão
É igual à da vespa contra o leão:
Incomoda sim, mas vence não!
Kleber Halfeld - Reformador - 1990 - Fevereiro – Medo – preconceito dos nervos
Neste momento social, o medo assume avantajadas proporções, perturbando a
liberdade pessoal e comunitária do indivíduo terrestre.
Procurando liberar-se desse terrível algoz, as suas vítimas intentam descobrir-lhe as
causas, as raízes que alimentam a sua proliferação.
Todavia, essas são facilmente detectáveis.
Joanna de Angelis - Momentos de Felicidade - Cap. 11 - Insegurança e Medo
“Que eu reze não para ser preservado dos perigos, mas para olhá-los de frente”.
Rabindranath Tagore (escritor, Prémio Nobel de Literatura, poeta e músico indiano, 1861-
1941)
2
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
... E os medos multiplicam-se, especialmente na atualidade, em razão da insegurança
que campeia em todos os setores do comportamento, propiciando o receio de perder-se o
emprego, o pavor da agressividade e da violência urbana, a angústia da destruição provocada
pelas guerras, pelas calamidades sísmicas, pelos acidentes de vária ordem, a incerteza quanto
às amizades reais e incompreensão generalizada mediante essas múltiplas ameaças ....
O medo transforma-se em algoz das almas e calamidade social.
Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 6 – Medo e Autoconfiança
Decorrente dos referidos fatores sociológicos, das pressões psicológicas, dos
impositivos econômicos, o medo assalta o homem, empurrando-o para a violência irracional
ou amargurando-o em profundos abismos de depressão.
Num contexto social injusto, a insegurança engendra muitos mecanismos de evasão da
realidade, que dilaceram o comportamento humano, anulando, por fim, as aspirações de beleza,
de idealismo, de afetividade da criatura.
Encarcerando-se, cada vez mais, nos receios justificáveis do relacionamento instável
com as demais pessoas, surgem as ilhas individuais e grupais para onde fogem os indivíduos,
na expectativa de equilibrarem-se, sobrevivendo ao tumulto e à agressividade, assumindo, sem
darem-se conta, um comportamento alienado, que termina por apresentar-se igualmente
patológico.
As precauções para resguardar-se, poupar a família aos dissabores dos delinquentes,
mantendo os haveres em lugares quase inexpugnáveis, fazem o homem emparedar-se no lar ou
aglomerar-se em clubes com pessoal selecionado, perdendo a identidade em relação a si mesmo,
ao seu próximo e consumindo-se em conflitos individualistas, a caminho dos desequilíbrios de
grave porte.
Esta é uma sociedade amedrontada.
As gerações anteriores também cultivaram os seus medos de origem atávica e de receios
ocasionais.
O excesso de tecnicismo com a correspondente ausência de solidariedade humana
produziram a avalanche dos receios.
A superpopulação tomando os espaços e a tecnologia reduzindo as distâncias
arrebataram a fictícia segurança individual, que os grupos passaram a controlar, e as
consequências da insânia que cresce são imprevistas.
Joanna de Angelis - O Homem Integral - 1o
Parte - Cap. 4 - Medo
3
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
“O temor do futuro é o pior dos medos”.
Oswaldo Aranha (diplomata, ministro e advogado gaúcho, 1894-1960)
As constrições morais pungentes, econômicas apavorantes, sociais caóticas,
educacionais de solução difícil, das enfermidades de caráter irreversível, se fazem fatores
preponderantes para que grasse o medo, soberano.
Em tal particular, desempenharam relevante papel as normas religiosas do passado que
ensinavam o “temor” em detrimento do “amor” a Deus, os preconceitos exacerbados ante os
quais a gravidade do erro era ser este conhecido e não apenas praticado, desde que se demorasse
ignorado, contribuíram expressivamente para a atmosfera que hoje se espalha célere e
morbífica.
Joanna de Angelis - Florações Evangélicas – Cap. 21 – Medo
O meu medo é uma coisa assim,
que corre por fora,
Entra, vai e volta sem sair
Não
Dalto Roberto Medeiros (compositor carioca, 1949, Álbum “Meus Momentos/1996, canção
“Pessoa”)
O medo de enfrentar os seus problemas e resolvê-los impele as pessoas a conectarem-
se com outras mentes desencarnadas que lhes inspiram e sugerem a fuga através das drogas, da
bebida, do cigarro, do comportamento exagerado.
O medo de não fazer parte da sociedade dos "ganhadores" impele a chamar a
atenção, através do comportamento e roupas exóticas e espalhafatosas.
O medo e a frustração de não ter levam ao crime.
O medo de não ser amado leva a buscar amor. Como não conhece o amor verdadeiro,
busca-o na troca constante de parceiros, e até na prostituição.
O medo gera desorganização emocional e psíquica, gerando doenças por somatização
destes fatores.
Rejane de Santa Helena - O Consolador - Ano 1 - N° 7 - 30 de Maio de 2007 - Medo
4
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
“Nossas dúvidas são traidoras, e nos fazem perder o bem que poderíamos ganhar por
medo de tentar”.
William Shakespeare (dramaturgo e poeta britânico, 1564-1616)
O medo pode ser comparado a sombra que altera e dificulta a visão real.
Necessário combate-lo sistematicamente, continuamente.
Doenças, problemas, noticias, viagens, revoluções, o porvir não os temas.
Nunca serão conforme supões.
Uma atitude calma, ajuda a tomada de posição para qualquer ocorrência aguardada ou
que surge inesperadamente.
Não são piores umas enfermidades do que outras. Todas fazem sofrer, especialmente
quando se as teme e não se encoraja a recebe-las com elevada posição de confiança em
Deus.
Os problemas, constituem recursos de que a vida dispõe para selecionar os valores
humanos, e eleger os verdadeiros dos falsos lutadores.
As notícias trazem informes que, sejam trágicos ou lenificadores, não modificam, senão,
a estrutura de uma irrealidade que se está a viver.
As revoluções e guerras que alcançam bons e maus, estão em relação a violência do
próprio homem que, vencido pelo egoísmo, explode em agressividade, graças aos sentimentos
predominantes em a sua natureza animal.
Em face disso, ao invés de sistemático cultivo do medo, uma disposição de trabalho
árduo e intimorato, confiança em Deus, afim de enfrentar bem e ultimamente toda e qualquer
coisa, fato, ocorrência, desdita...
Jesus, culminando a tarefa de construir no tíbios corações humanos a ventura e a paz,
açodado pelos famanazes da loucura em ambos os lados da vida, inocente e pulcro, não temeu
nem se afligiu, ensinando como deve ser a atitude de todos nós, em relação ao que nos acontece
e de que necessitamos para atingir a glorificação interior.
Joanna de Ângelis - Leis Morais da Vida – 6o
Parte - Cap. 26 – Considerando o
Medo
5
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Todo mundo tem medo, uns têm medinhos, outros medões, mas no fundo tudo é
medo puro e simples.
Sentimos medo de manhã, às vezes à tarde e muito mais à noite, não necessariamente
nessa ordem.
− Medo de cair, de sair, de se divertir, da felicidade, da fatalidade, da bala perdida,
da fome, de ter e de perder, seja lá o que for!
− Medo de esquecer o que foi bom, de enlouquecer, de não viver, do prazer, de
querer sempre mais e nunca mais parar de querer,
− Medo do terror, dos terroristas, dos que manipulam os horrores humanos, dos
que adoram o poder, de não poder com esse tipo de gente
− Medo de envelhecer, das rugas, dos cabelos brancos, da osteoporose, da
menopausa, da calvície, de virar pó.
− Medo de experimentar coisas novas, umas melhores e outras piores, mas o que
vale é o movimento, somente o que está morto não se move.
− Medo de olhar no espelho; do fracasso, da decadência, da não-reação, do
marasmo, da acomodação.
− Medo de falar a verdade, de não ter verdades pelas quais lutar, de magoar, de
brigar, de perdoar.
− Medo de não ter o filho desejado, de não vê-lo crescer, de vê-lo adoecer, de não
vê-lo feliz.
− Medo do chefe que grita, que não elogia, que não explica, que não brinca, que
só xinga, que assedia.
− Medo da solidão, da rejeição, do telefone que não toca, da palavra não dita, do
"mico" não pago, da alucinação da paixão, do beijo não roubado, da dor do amor
não correspondido, das velas não apagadas, do grito não ecoado depois do sexo
em perfeita comunhão.
− Medo da diferença, da indiferença, da arrogância, do desprezo, da ignorância,
do preconceito, do politicamente correto, do jeitinho brasileiro, da corrupção, da
inflação, da humilhação, da falta de profissionalismo dos políticos, da inveja, da
tristeza, das escolhas, do seu corpo, do passado, do presente e do futuro.
− Medo de gastrite, otite, sinusite, faringite, meningite, hepatite, celulite e tudo o
que é"ite".
6
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
− Medo de errar, de não ter o que dizer, de falar demais, de se calar diante da
covardia, de engolir o choro da emoção, de não crer e não ter fé em Deus, em si
e na vida.
− Medo da enchente, de não gostar de gente, do ladrão, de não ser o único e virar
nenhum na multidão.
− Medo de pensar "inho" e acabar tendo uma vidinha cercada de gentinha, de
perder o emprego, de nunca mudar de emprego por puro medo da mudança,
medo da mediocridade e da maldade.
− Medo da ditadura, do neoliberalismo, do comunismo, do nazismo, do
radicalismo, da guerra, da bomba de Hiroshima, de Nagasaki, do tsunami, do
Katrina, da chacina, da rebelião, do vandalismo, da escravidão, da sofreguidão,
da falta de poesia, da realidade nua e crua.
E, por fim, o medo de não ter coragem para enfrentar tudo isso, mesmo que isso não
tenha fim...
Ana Beatriz Silva - Mentes com Medo: da compreensão à superação – Introdução
7
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Teme apenas a ti mesmo
Na esfera de teu dever.
Quem se amedronta consigo
Nada mais tem a temer.
Casimiro Cunha – Gotas de luz - Cap. 20 - Sementes do caminho
“De tudo ficam três coisas: a certeza de que estamos sempre começando,
a certeza de que precisamos continuar, a certeza de que seremos interrompidos antes de
terminar.
Fazer da interrupção um caminho novo.
Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da
procura um encontro”.
Fernando Sabino (jornalista e escritor mineiro, 1923-2004, do livro "O Encontro Marcado"
– 1º Parte – A Procura)
O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a
gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre
ainda no meio da tristeza!
Guimarães Rosa – Grande Sertão Veredas – Pag. 334
Chorei, não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim, não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral não fica no chão
Reconhece a queda e não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima
Paulo Vanzolini –
Canção: Volta por cima – 1959
Tive medo, não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim, não precisava
Ali onde eu tive medo
Qualquer um tinha.
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral não fica no chão
Reconhece o medo e não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima
Canção: Volta por cima (adaptado)
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
2. Medos - O Que É
Medo é o sentimento de inquietação, de apreensão em face de um perigo real ou
imaginário.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural
Estado afetivo suscitado pela consciência do perigo. Temor, ansiedade irracional ou
fundamentada. Apreensão em relação a algo desagradável.
Enciclopédia Houaiss
Sentimento inquietante que se tem diante de perigo ou ameaça. Ansiedade diante de
uma sensação desagradável.
Dicionário Caldas Aulete
2.1 Visão Espiritual
O medo é algoz impenitente que destrói, seguro de si, estilhaçando tudo, tudo
transformando em maior razão de pavor: pequenos ruídos semelham trovões, o cicio do vento
parece voz de fantasma, a própria respiração soa como estertor de gigante, prestes a desferir
golpe fatal.
Vitor Hugo – Sublime Expiação – 1º Parte – Cap. 7 – A primeira noite na Colônia
Pedro, todos os fracassos do dia constituem a resultante da ação de um só adversário
que muitos acalentam. Esse adversário invisível é o medo. Tiveste medo da opinião dos
outros, Tiago sentiu medo da reprovação alheia, Bartolomeu asilou o medo da perseguição e
Felipe guardou o medo da crítica...
Humberto de Campos - Pontos e Contos – Cap. 36 – O Adversário Invisível
Classificamos o medo como dos piores inimigos da criatura, por alojar-se na cidadela
da alma, atacando as forças mais profundas.
André Luiz – Nosso Lar – Cap. 42 – A Palavra do Governador
O medo é agente de males diversos, que dizimam vidas e deformam caracteres,
alucinando uns, neurotizando outros, gerando insegurança e timidez, ou levando a atos de
violência irracional.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 9 - Medo e
Responsabilidade
9
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Uma das maiores preocupações do Cristo foi alijar os fantasmas do medo das
estradas dos discípulos.
A aquisição da fé não constitui fenômeno comum nas sendas da vida.
Traduz confiança plena.
Não temamos, pois, o que possamos vir a sofrer.
Deus é o Pai magnânimo e justo.
Emmanuel – Caminho, Verdade e Vida – Cap. 26 – Padecer
Na Parábola dos Talentos, o servo negligente atribui ao medo a causa do insucesso
em que se infelicita.
Recebera mais reduzidas possibilidades de ganho.
Contara apenas com um talento e temera lutar para valorizá-lo.
Quanto aconteceu ao servidor invigilante da narrativa evangélica, há muitas pessoas que
se acusam pobres de recursos para transitar no mundo como desejariam. E recolhem-se à
ociosidade, alegando o medo da ação.
− Medo de trabalhar.
− Medo de servir.
− Medo de fazer amigos.
− Medo de desapontar.
− Medo de sofrer.
− Medo da incompreensão.
− Medo da alegria.
− Medo da dor.
E alcançam o fim do corpo, como sensitivas humanas, sem o mínimo esforço para
enriquecer a existência.
Na vida, agarram-se ao medo da morte.
Na morte, confessam o medo da vida.
E, a pretexto de serem menos favorecidos pelo destino, transformam-se,
gradativamente, em campeões da inutilidade e da preguiça.
Se recebeste, pois, mais rude tarefa no mundo, não te atemorizes à frente dos outros e
faze dela o teu caminho de progresso e renovação.
Por mais sombria seja a estrada a que foste conduzido pelas circunstâncias, enriquece-
a com a luz do teu esforço no bem, porque o medo não serviu como justificativa aceitável no
acerto de contas entre o servo e o Senhor.
Emmanuel – Fonte Viva – Cap. 132- Tendo Medo
10
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Milhões de pessoas — informou, calmo —, depois da morte, encontram perigosos
inimigos no medo e na vergonha de si mesmas.
André Luiz – Libertação – Cap. 4 – Numa Cidade estranha
A ação do pensamento sobre a saúde é incontestável.
Vejamos alguns exemplos:
A ansiedade estimula a secreção de adrenalina, que sobrecarrega o sistema nervoso e o
descontrola;
O pessimismo perturba o aparelho digestivo e produz distúrbios gerais;
O medo, a revolta, são agentes de úlceras gástricas e duodenais de curso largo.
Joanna de Angelis - Episódios Diários – Cap. 35 – Pensamentos
Embora devas caminhar sem medo, não te cases à imprudência, a pretexto de cultivar
desassombro.
Um coração medroso congela o trabalho.
Um coração temerário incendeia qualquer serviço, arrasando-o.
Busquemos, pois, o equilíbrio com Jesus e fugiremos, naturalmente, ao extremismo, que
é sempre o escuro sinal da desarmonia ou da violência, da perturbação ou da morte.
Emmanuel - Fonte Viva – Cap. 134 – Busquemos o Equilíbrio
Definições sobre o medo,
Dou a que tenho comigo:
Espécie de microscópio
Que aumenta qualquer perigo.
Leôncio Correia - Trovas do Mais Além – Cap. 31 - Trovas-deduções
O resultado do medo em nossas vidas será a perda do nosso poder de pensar e agir
com espontaneidade, pois quem decidirá como e quando devemos atuar será a atmosfera do
temor que nos envolve.
Ancorados pelo receio e pela desconfiança, criamos resistências, obstáculos e tropeços
que nos impedem de avançar. Passamos, então, a não viver novas experiências, não receber
novos pensamentos e não fazer novas amizades, estacionando e dificultando nossa caminhada
e progresso íntimo.
Hammed – As Dores da Alma – Cap. 6 - Medo
11
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
O medo torna o homem irresponsável, fraco e pusilânime.
Provação de grave resultado é instrumento para edificação interior por parte da
consciência comprometida.
O medo é tão cruel que, diante de enfermidades irreversíveis e problemas graves de alto
porte, induz a sua vítima à morte pelo suicídio, numa forma extravagante de expressar o medo
de morrer sob sofrimento demorado, gerando desse modo mais rudes aflições a se estenderem
por tempo indeterminado.
Cultivado, torna-se fator asfixiante que responde por terríveis prejuízos morais, sociais,
mentais e humanos.
Sendo muito complexa a sua órbita de atuação, alguns heróis lograram sucessos nos
seus empreendimentos, sofrendo-lhe o impulso, enquanto traidores e desertores não lhe
puderam resistir à indução.
O medo está presente na raiz de muitos males.
É indispensável, pois, combatê-lo com urgência, assim que seja notada sua presença
mórbida.
(...) O instinto de conservação da vida induz, muitas vezes, o homem ao medo racional,
compreensível, que assume o comportamento de cuidado, evitando a precipitação e a
imprevidência.
Extrapolando, porém, tal condição normal e natural, é gerador de vários distúrbios e
conflitos que se instalam e revelam na conduta.
Transfere-se de uma vida para outra esse adversário do progresso humano,
permanecendo até quando a firme decisão de elevar-se e ser feliz propele o Espírito à luta sem
quartel para superá-lo.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 9 - Medo e
Responsabilidade
O medo, igualmente, permanece no inconsciente como sinal de advertência por algo
ocorrido ou alguma ação negativa, que vêm sendo guardados nos depósitos da memória
anterior, necessitando de mantê-los ocultos...
A ansiedade, como efeito, é resíduo da insegurança defluente da leviandade com que se
vivenciaram muitas situações difíceis de ser enfrentadas, produzindo a instabilidade emocional
que propele a psique a fugir do presente em ânsia do logo mais.
Grupo de Estudos Psicológicos Joanna de Angelis - Espelhos da Alma - Uma Jornada
Terapêutica – Cap. Unidade Universal
12
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Esmagadora maioria das criaturas padece a rigorosa constrição do medo.
Adversário dos mais cruéis, o medo é responsável por tragédias inomináveis que varrem
a Terra em todas as direções, gerando clima nefando de atrocidades de classificação muito
complexa.
Sob o comando do medo, homens e mulheres se atiram a dissipações venenosas,
entregando-se a paulatino aniquilamento, do qual dificilmente se libertam.
Jovens em todos os hemisférios do planeta sofrem na atualidade os miasmas do medo,
que os intoxicam, enlouquecendo-os de surpresa.
Não obstante as superiores conquistas do pensamento, as largas expressões da
comunicação os debates francos e livres, as liberdades dos costumes, as realizações
tecnológicas preciosas para o contexto humano, nos dias modernos, falecem os ideais do
enobrecimento e as linhas da sóbria razão, graças às tenazes do medo dominante em todos os
campos da ação.
O medo de enfrentar problemas e solvê-los, como consequência do falso
paternalismo do passado, empurra as mentes novas a formas diversas de expressão, muitas
delas inspiradas por outras mentes desencarnadas que intercambiam psiquicamente em clima
obsidente de longo curso entre as duas esferas: aquém e além da morte.
Alimentado ou esmagado nos painéis da alma, raramente vencido nos combates face a
face de cada dia, o medo se alonga e prossegue, mesmo quando o espírito desencarna,
permanecendo atado às reminiscências infelizes, anestesiado pela hipnose do pavor.
Dizimando em largas faixas da experiência humana, o medo não tem recebido o
necessário investimento do estudo psicológico na Terra, quanto às suas raízes, que se
encontram cravadas nos recessos íntimos do espírito, bem como não tem merecido a justa
apreciação para combatê-lo com os hábeis recursos, específicos, capazes de o vencer e destruir.
Joanna de Angelis - Florações Evangélicas – Cap. 21 – Medo
O medo produz sintonia com aquilo que se teme, pela própria vibração que emite.
Assim, também, a esperança do bem eleva o espirito, graças às energias que elabora,
facultando intercâmbio superior com a Verdade.
Vitor Hugo – Sublime Expiação – 1º Parte – Cap. 1 – A Carta
13
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Luta-se com o medo para evitá-lo, para contorná-lo, para superá-lo, mais do que
se pensa conscientemente, gastando-se tempo valioso, que poderia ser aplicado em
experiências que seriam exitosas, em forma de realizações não tentadas.
Fantasia-se a vida como uma viagem sem incidentes nem acidentes, o que não deixa de
ser utópico e irreal. O próprio ato de viver no corpo é firmado em processos desafiadores do
organismo.
Na execução do programa de cada vida, todos tropeçam, sofrem decepções, insucessos,
que são mestres hábeis no ensino dos mais eficientes meios para alcançar-se as metas a que se
propõem.
Nada é fácil, sempre apresentando-se como recurso de aprendizagem e de evolução.
O medo, portanto, oculta-se na fantasia de tudo muito fácil, sem suores nem
lágrimas, sem sofrimentos nem lutas, gerando incertezas em torno do ato de existir.
Joanna de Angelis - Conflitos Existenciais - Cap. 4 - Medo
Realmente, não foi o Pai Excelso quem nos instilou o Espírito do medo. Ao revés disso,
conferiu-nos largamente a fortaleza da coragem, o amor e a moderação.
(...) É por isso que geramos, em nosso prejuízo, o clima de medo, em que os monstros
do egoísmo, da discórdia, do desespero e da crueldade se desenvolvem, tanto quanto a
cultura de várias enfermidades prolifera na podridão.
Não te percas, desse modo, nas idéias inquietante ou destruidoras do medo, capazes
de operar a ruína dos melhores impulsos, porque se utilizas a fortaleza da coragem, do amor e
a moderação - talentos de que o Senhor te investiu em favor do próprio aperfeiçoamento -
seguirás para diante, na Terra e além da Terra, com a luz do coração e a paz da consciência.
Emmanuel – Palavras de Vida Eterna – Cap. 84 – Divinos Dons.
14
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
2.2 Visão Psicológica
O medo pode ser definido como um estado psíquico de inquietação constante,
agitação ou impaciência diante de um perigo real ou imaginário.
O medo racional é saudável e necessário em nossa vida. Ele nos protege de nossa
impulsividade e de nossos atos irrefletidos.
No entanto, quando o medo é patológico, torna-se destrutivo e tem como resultado a
imobilidade de nossas forças mais íntimas.
Hammed – As Dores da Alma – Cap. 6 - Medo
O medo, em si, não constitui uma patologia e sim, um comportamento de cautela para
maior segurança do indivíduo. Ele é racional, perfeitamente controlável, não interfere nas
atividades diárias, nem desencadeia sintomas físicos, psicossomáticos.
Maria Júlia Peres – Folha Espírita 2003 - Entrevista
Viver sob o domínio do medo
É acreditar na crueldade e condenação.
Não há nada contra você,
Apenas sua crença no mal.
Não há medo real,
Apenas coragem recalcada.
Olhar com olhos de boa vontade,
É ver com os olhos de Deus...
Luiz Antônio Gasparetto – Atitudes – Pag. 28
15
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Os fatores psicossociais, as pressões emocionais influem, igualmente, para tornar o
indivíduo amedrontado, especialmente diante da liberação sexual, gerando temores
injustificáveis a respeito do desempenho na masculinidade ou na feminilidade, que propiciam
conflitos psicológicos de insegurança, a se refletirem na área correspondente, com prejuízos
muito sérios.
Bem canalizado, o medo se transforma em prudência, em equilíbrio, auxiliando a
discernir qual o comportamento ético adequado, até o momento em que o amadurecimento
emocional o substitui pela consciência responsável.
Joanna de Angelis - Autodescobrimento - Uma Busca Interior - Cap. 9 - Pânico
Encontramos no dicionário a seguinte definição para a palavra medo: "Sentimento de
grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário".
De forma muito semelhante, a palavra ansiedade é definida como "sensação de receio
e de apreensão, sem causa evidente"; sinônimo de ânsia, aflição: "perturbação de espírito
causada pela incerteza ou pelo receio".
Embora sejam definições técnicas, são importantes para percebermos a
impossibilidade de distinção entre as duas palavras.
Sendo assim, sempre que o medo está presente, a ansiedade se revela em plenitude,
seja em evidentes sinais físicos ou em sintomas psíquicos.
O grande problema é quando essa duplinha inseparável (medo-ansiedade) foge de um
padrão equilibrado e se torna incontrolável.
(...) A reação do medo está no centro de vários transtornos do comportamento (ou
mentais), conhecidos como transtornos de ansiedade.
As sensações envolvidas na reação do medo normal (como instinto de defesa) ou no
ataque de pânico (sensação de medo intenso, súbito e anormal) são exatamente as mesmas:
taquicardia, sudorese, aceleração da respiração, tremores, boca seca, formigamentos, calafrios
etc. A única diferença - e esta é a grande diferença – é que, nós temos consciência do porquê
estamos reagindo daquela maneira (medos das feras).
Já no pânico, por exemplo, nós não conseguimos identificar um fator desencadeante
ou um estímulo óbvio para causar sentimentos tão fortes.
Ana Beatriz Silva - Mentes com Medo: da compreensão à superação – Cap. 1 – Transtornos
de Ansiedade - Medo
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Para tornarmo-nos heróis teremos que confrontar o “dragão do medo” e esse dragão
surge para nós durante toda a jornada, a cada nova fase da vida, a cada necessidade de mudança,
a cada novo aprendizado.
O dragão ficará ali à espera, sempre ameaçando nos devorar, embotando nossa
consciência, inibindo nossa capacidade de agir e devorando nosso sentindo existencial. Mas
ele, o medo, só é perigoso porque fugimos dele, ou melhor, pensamos que fugimos.
Psicologicamente, a luta do herói com o dragão significa dominar o medo, mas, observe,
não é deixar de ter medo, e sim, dominá-lo e integrá-lo.
Sempre que nos deparamos com o “novo”, o ego faz uma interpretação de ameaça, caos,
desconhecido e estranho, ou seja, é perigoso e devemos evitar.
Muitas vezes, esse “novo” representa possibilidades de desenvolvimento, aspectos
desconhecidos do nosso Si-mesmo com que ainda não estamos familiarizados e que precisam
emergir.
A maioria de nós acredita que a melhor forma de lidar com o medo é reprimindo ou
deixando de tê-lo; na verdade, aprendemos isso na infância, o que faz com que cresçamos
acreditando que medo é para os fracos. O problema é que vamos, com essa atitude, nos tornando
duros não só com os outros, mas principalmente conosco.
O medo é uma emoção saudável que precisamos para nos manter vivos. Então, não
resolve tentar reprimi-lo ou eliminá-lo; o que precisamos fazer é admitir que: “sim, sinto medo”.
Ao buscarmos desenvolver o hábito da autopercepção, as reflexões em torno do medo
podem ser muito enriquecedoras.
Sempre que sentirmos medo, devemos nos perguntar: “Do que realmente tenho medo?”
Muito provavelmente perceberemos que o que nos amedronta não está de fato na
situação, mas nos nossos complexos que se misturam àquela nova possibilidade.
Olhar o medo de forma distanciada emocionalmente pode ajudar bastante; rever a
situação como se fôssemos expectadores favorece uma percepção mais ampla e a construção
de novos comportamentos que podem ser experimentados para a mesma situação, o que
possibilita uma aproximação cada vez maior daquilo que até então era temido.
Superar o medo nos leva ao tesouro da consciência mais ampla e a muitas e novas
possibilidades de vida.
Grupo de Estudos Psicológicos Joanna de Angelis - Espelhos da Alma - Uma Jornada
Terapêutica - Cap. 2 – Ouvindo a Voz Interior
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
3. Medos – Classificação Geral
3.1 Normais = Medos Conservativos/Instintivos
O medo normal está ligado aos instintos primários de sobrevivência, atuando como
o principal agente da resposta de fuga ou luta, quando há algum perigo, e está relacionado à
prudência para se evitar danos ao corpo físico, que coloquem em risco a vida da pessoa.
Uma pessoa equilibrada sente um medo natural do desconhecido, fruto do instinto de
autopreservação, mas que é superado com os cuidados e com a prudência com que realiza as
suas ações.
A pessoa que não sente medo de nada cultua a temeridade, agindo de forma
inconsequente e imprudente, colocando em risco a própria vida e, muitas vezes, a dos outros,
sem pensar nas consequências dos seus atos para si e para os demais. Observado por um ângulo
superficial, parece alguém extremamente autoconfiante e destemido. Na realidade, porém, essa
autoconfiança é falsa, pois não há nisso coragem. Pessoas assim sentem, na realidade, um
desprezo pela vida, e por isso se tornam temerárias.
Federação Espirita do Mato Grosso – Projeto Espiritizar – Cura Espiritual do Medo, das
Fobias e do Pânico
Medos naturais
São aqueles medos com os quais todos nós nascemos... Fogo; Grandes ruídos;
Desequilíbrios; Morte e mortos; (do) Desconhecido
“Medos amigos”
Os chamados “medos amigos” são aqueles ditados pela prudência.
Por meio deles, os seres vivos mantêm sua integridade. Por exemplo:
o homem: numa escala que vai ao infinito, posto que a inteligência abre um leque de
infinitas hastes de opções, sempre evitará a ação de consequências prejudiciais, por exemplo:
não ultrapassar na curva, não brincar à beira do precipício, não riscar fósforos próximo a
combustíveis etc.
Afirmo, enfaticamente, que esses não são medos, são frutos da prudência, ditada pelo
abençoado instinto de conservação, engendrado por Deus e que nasce com todas as criaturas.
Eurípedes Kuhl - Deus, Espirito e Universo - Cap. 6 - Vencendo nossos medos
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
3.2 Reais = Medos Básicos/Usuais
Medos básicos
Podem-se relacionar seis tipos básicos de medo, que assaltam a criatura humana durante
a finitude da sua existência corporal:
1 - O medo da morte,
2 - O medo da velhice,
3 - O medo da doença,
4 - O medo da pobreza,
5 - O medo da crítica e
6 - O medo da perda de um afeto profundo.
Todos eles decorrem da insegurança pessoal remanescente dos conflitos originados em
comportamentos infelizes que deram lugar a transtornos de significado especial.
Não compreendendo a Vida como uma realidade constituída por etapas delineadas com
firmeza no corpo somático e fora dele, o indivíduo vê na conjuntura material a única realidade,
sem a qual tudo é desconhecido ou impossível de existir.
Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 6 – Medo e Autoconfiança
A impotência do ser humano diante dos fenômenos da Natureza e a quase indiferença
de algumas autoridades do mundo em relação aos seus governados geram medo de cada qual
ser a próxima vítima, refugiando-se no silêncio e no temor que assalta ameaçador.
Grande parte do noticiário da mídia que se compraz em exaltar o esdrúxulo, o agressivo
ao contexto social, o crime, contribui dessa forma para a alucinação de alguns enfermos
perversos que se sentem estimulados à prática de arbitrariedades, assim como desenvolve o
medo da convivência, do relacionamento com outros indivíduos, sempre vistos como futuros
agressores.
Esses medos sempre impedem o repouso, desencadeiam mais imaginativos receios, e
mesmo quando apoiados em ocorrências reais, aumentam de intensidade, tornando-se quase
insuportáveis.
Joanna de Angelis - Conflitos Existenciais - Cap. 4 - Medo
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Medos reais/usuais
Situam-se entre as inquietações resultantes de traumas.
Por exemplo:
− assalto: alguém é assaltado e passa a ter receio de voltar a ser vítima; como
defesa deixa de sair de casa, até quase se enclausurar por completo. O melhor
seria continuar saindo normalmente, porém com cuidado redobrado; e se
voltasse a ser assaltado, com certeza já teria muito mais equilíbrio para proceder
sem correr riscos;
− falar em público: alguém diz algo para algumas pessoas e é ridicularizado... a
partir desse instante, implanta-se tal medo; se a pessoa treinar, contudo, nem que
seja no banheiro, em frente ao espelho, e depois para a família, verá que aos
poucos dominará essa técnica, não sendo necessário ser um brilhante orador,
mas apenas alguém que fale com clareza;
− infecção: é bom sempre lavar as mãos, tal cuidado é excelente; só haverá
problema se houver exagero...
− viajar de avião: desastres aéreos ocorrem, mas o avião é dezenas ou centenas de
vezes mais seguro do que automóveis...
Obs.: Geralmente, esses medos se transformam em manias, daí em fobias, depois
em neuroses, podendo evoluir para psicoses...
Medos imaginários
Falsos sentimentos, pois ainda não aconteceram, mas já vivem na mente, como se
fossem reais.
Considerando que o homem formula pensamentos, cuja fixação os converte em
“realidade” mental, surge aqui – apenas entre nós, homens –, o medo imaginário, isto é, temor
de algo que ainda não aconteceu.
Esse é o mais prejudicial dos medos, pois o medo real, muitas vezes tem raízes no
passado, a se expressar no presente. Agora: como ter medo de algo que ainda não aconteceu?
Exemplos:
− um estudante (ou muito magro, ou de pouca estatura, ou de óculos, ou algo
obeso) traz em estado latente o receio de não ser aceito e com isso evita se
enturmar;
− um jovem que sofre, antecipadamente, a angústia de não arranjar namorada.
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Medos “inimigos”
São os que causam prejuízos ao ser humano, não por alguma ação, ao contrário, pela
inação. Por exemplo:
− medo de mudanças: é um arqui-inimigo de toda a humanidade; num ambiente
de trabalho ou de reuniões, por exemplo, existe o medo de mudar de lugar
pessoas/objetos/móveis...
− medo de enfrentar desafios da vida, tais como assumir responsabilidades (sejam
familiares, profissionais, sociais).
Medos irracionais
São aqueles sentimentos que bloqueiam o raciocínio e se edificam sob bases que
contrariam o bom senso. Por exemplo: “medo de ir ao dentista” – vejam bem, que o que se diz
não é “ter medo de ser submetido a um tratamento odontológico”, e sim, “de ir ao dentista...”.
Eurípedes Kuhl - Deus, Espirito e Universo - Cap. 6 - Vencendo nossos medos
Quem teme as sombras da noite,
Fugindo para não vê-las,
Recusa a oportunidade
De contemplar as estrelas.
Mariana Luz - Trovas do Mais Além - Cap. 21 - Meditações
Quem teme cobra e lagarto,
Quem passarinhos receia,
Perde a vida sem combate,
Não prepara, nem semeia.
Casimiro Cunha – Gotas de luz - Cap. 13 - Anexins de sempre
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
3.3 Neuróticos = Fobias/Manias
O medo patológico é aquele no qual o indivíduo se sente incapaz de se conduzir e
de se afirmar na vida, com medo de tudo e de todos.
Acreditando‐se incapaz, fica acuado diante dos desafios naturais da existência, podendo,
em grau extremo, paralisar‐se, por medo de sofrer algum dano.
Têm‐se medo de tudo, uma verdadeira polifobia vem tomando conta da Humanidade,
pois o ser humano perdeu o endereço de si mesmo.
Em virtude disso, cultua‐se cada vez mais o medo de ter medo, as fobias se avolumam
e a chamada síndrome do pânico tem se tornado epidêmica em vários países da Terra.
Acontece que o medo patológico é uma doença do Espírito e somente será curado com
práticas espirituais, com a busca real do sentido da vida.
O medo surge quando há falta de autoconfiança, de confiança na Vida e em Deus.
Psicologicamente, o medo está ligado à ignorância em relação à vida, que gera
insegurança.
Contudo, em nível mais profundo, as suas causas remontam a algo muito mais
significativo para o Espírito imortal.
Federação Espirita do Mato Grosso – Projeto Espiritizar – Cura Espiritual do Medo, das
Fobias e
A fobia traduz um medo, muitas vezes sem controle, ligado a um objetivo ou mesmo a
alguma situação.
Este específico mecanismo desencadeia a ansiedade que é o componente característico
da fobia.
(...) É claro que os graus de fobias são imensos e variáveis com os indivíduos.
Chegamos mesmo a dizer que há uma certa entrosagem, sem limites e demarcações,
entre fobia e medo.
(...) As fobias podem alcançar todas as idades.
Na infância são perfeitamente contornadas, face a uma boa orientação e, na sua quase
totalidade desaparecem na puberdade.
Os reflexos de fobias da infância, na idade adulta, são bastante raros.
As fobias dos adultos são mais persistentes e quanto mais idoso o indivíduo, mais a
fobia pode fazer parte de sua natureza, caso não tenha trabalhado no sentido de eliminá-la.
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
(...) É, preciso se diga que a maioria das pessoas normais apresenta coloridos fóbicos:
medo de viagem de avião, de lugares altos, janelas com pouca proteção, do mar, etc.
(...) Podemos considerar a fobia como única (simples) ou de caráter múltiplo, quando
vários componentes fazem parte da reação.
A tonalidade de qualquer reação psíquica que o indivíduo apresenta está a depender de
seu arcabouço psicológico - quanto mais estável e harmônico diante da vida, mais facilmente
reage às situações; quanto mais instável, desorganizado, imaturo e não cumpridor dos deveres,
mais condicionado ao medo, aos fetiches e às fobias.
(...) Os portadores de fobias; como outros mecanismos similares, estão, quase sempre
relacionados a defeitos psicológicos pregressos, por isso, necessitando de construção positiva
nos setores da vida, a fim de neutralizarem essas pequenas ilhotas doentes do mundo psíquico.
Portanto, é no desenvolvimento espiritual do psiquismo humano que o ser encontra o
caminho de sua libertação.
(...) De importância, na profilaxia e tratamento das fobias, são os bons exemplos de
conduta de vida com aplicação de justiça e atenção para o semelhante, um lar bem constituído,
a fraternidade, o desenvolvimento de virtudes e a sensação de bem estar que o dever cumprido
propicia.
Jorge Andrea - Dinâmica PSI - Pag. 121 - Fobias
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
4. Medos - Causas Fundamentais
4.1 Fixações de existências passadas infelizes = Medo “Cármico”
Conflitos herdados da existência passada, quando os atos reprováveis e criminosos
desencadearam sentimentos de culpa e arrependimento que não se consubstanciaram em ações
reparadoras.
Em qualquer dos processos referidos (fixações do passado, obsessão, vivencias atuais
problemáticas) o medo é uma reminiscência que toma corpo na mente e assoma, dominador,
culminando por prevalecer ante qualquer decisão ou empenho de quem lhe experimenta a
injunção.
Remanescente da encarnação passada, libera os clichês arquivados no inconsciente
profundo, estabelecendo alienações auto-obsessivas, em mecanismo punitivo, de que o ser
sente necessidade como forma de minorar os efeitos danosos dos atos irresponsáveis e
arbitrários praticados.
Não obstante, tal mecanismo de redenção em nada libera o culpado, embora o leve a
dores e angústias inomináveis, porque destituído do caráter recuperador dos prejudicados ou de
reparação dos delitos perpetrados.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 9 - Medo e
Responsabilidade
Pode-se afirmar que existem fatores endógenos e exógenos que respondem pela
presença do medo.
No primeiro caso, os comportamentos infelizes de reencarnações anteriores
imprimem-no nos refolhos do períspirito que, por sua vez, instala no inconsciente profundo
as matrizes do receio de ser identificado, de ser descoberto como autor dos danos que foram
produzidos noutrem e procurou ignorar, mascarando-se de inocente.
Nesse sentido, podemos incluir as perturbações de natureza espiritual, em forma de
sutis obsessões, consequências daqueles atos inditosos que ficaram sem regularização no
passado.
Joanna de Angelis - Conflitos Existenciais - Cap. 4 - Medo
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
É no Espírito que estão as causas do medo.
Embutidos nos fatores sociológicos e econômicos, vamos descobrir os fatores
psicológicos oriundos do ser espiritual, pois é no cerne do ser – o Espírito – que se encontram
as causas do medo.
O medo procede de experiências passadas, de reencarnações malsucedidas ou
fracassadas. Assim, o medo pode advir da culpa não liberada, em face de o crime haver
permanecido oculto ou não justiçado, mas permanecendo na consciência do ser para posterior
reparação.
O medo pode ser ainda decorrente de grande impacto negativo no âmago do ser, como
planos maquiavélicos, traições infames com disfarçado sorriso, que geram a atual consciência
de culpa e os problemas de relacionamento.
Rejane de Santa Helena - O Consolador - Ano 1 - N° 7 - 30 de Maio de 2007 - Medo
O criminoso inqualificável que mata com requintes de sadismo e o suicida melancólico
que investe, cobarde, contra a própria vida, sofrem a psicose do medo.
O grupo anarquista que consuma agressões revoltantes em nefastas maquinações da
crueldade e o pai de família insensível no lar, ocultam-se nos rebordos do medo, buscando
ignorar a enfermidade que os desequilibra.
Na quase totalidade dos crimes que explodem, opressivos, encontram-se os rastros
do medo sempre presente.
Joanna de Angelis - Florações Evangélicas – Cap. 21 – Medo
Sabendo que o perispírito guarda indelevelmente as chamadas “matrizes psíquicas”
(fatos marcantes de outras existências) não ficará difícil conjeturar que determinados medos,
no presente, podem ter se originado em vidas passadas, como por exemplo num suicídio
anterior ou por alguém ter sido vítima de um tipo específico morte. Sendo assim:
− medo de multidão: será que essa pessoa não foi condenada e quem sabe até
apedrejada em público?
− medo de altura: não teria se suicidado, atirando-se de um penhasco, ou sido
vítima, caindo?
− medo de água: não teria se afogado?
− medo de lugares fechados: não teria morrido num calabouço?
− medo de animais: não teria morrido sob ataque de algum deles?
Eurípedes Kuhl - Deus, Espirito e Universo - Cap. 6 - Vencendo nossos medos
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Este homem que se diz forte, destemeroso, conquistador e herói, procura continuamente
os métodos de defesa para os seus males, porquanto, antes de mais nada, é o homem que tem
medo da vida.
Inconscientemente ele agride a vida, inconscientemente a vida lhe responde.
O medo é o fantasma que o acompanha, porque foi desenvolvido nas profundezas de
seu psiquismo pela absorção de vivências negativas.
Hoje, sabemos da importância que as energias de profundidade do nosso psiquismo
(inconsciente ou zona espiritual) exercem sobre a conduta da vida consciente.
Desenvolver iniquidades, concorrer para o desequilíbrio e destruição, ampliar esquemas
que provoquem a corrosão da sociedade, dizer-se sagaz e poderoso e propiciar com ações e
fatos para a escravidão do irmão menos favorecido, multiplicar a dor pela ânsia de desajustado
poder, é criar condições adversas na intimidade do Espírito que, pelas suas irradiações
deletérias, destruirão a tela superficial da consciência.
O martelar constante na consciência dessas fontes energéticas doentias são causadoras
de distúrbios, de variados matizes, onde o medo representaria a capa de envolvimento de
todos esses mecanismos.
Quais sejam a deficiência, a doença, o distúrbio das emoções e das afetividades, partindo
dos fulcros vorticosos do inconsciente ou espírito, todos eles encontram-se revestidos do
fantasma do medo.
Esse “totem” negativo do espírito - O medo - a matizar e envolver as energias espirituais
é válvula contensora e impeditiva de maiores quedas e descalabros psíquicos.
É a Lei, com suas oportunas e necessárias algemas, a conter o desequilíbrio do insensato
e do antifraterno, mas, que um dia, os acúleos da dor os coloquem no redil dos equilibrados e
não mais possam ignorar a Lei do Amor.
Jorge Andrea - Dinâmica PSI - Pag. 117 - O Medo, reflexos negativos da alma
As emoções reencarnam junto com a pessoa.
Na dinâmica emocional, as vidas passadas respondem pelo maior acervo dos
desencontros emocionais reeditados na vida atual.
Costumamos dizer que o que se apaga das vidas passadas são os fatos, mas não a
memória emocional dos fatos.
Traumas de vidas anteriores reencarnam junto no nível emocional.
Sérgio Luís da Silva Lopes – Revista A Reencarnação – No
425: A Dinâmica Emocional nas
Perturbações Obsessivas – 2003 - FERGS
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
4.2 Influenciação Espiritual Obsessiva = Medo “Obsessão”
Sofrimentos vigorosos que foram vivenciados no além-túmulo, quando as vítimas que
ressurgiram da morte açodaram as consciências culpadas, levando-as a martírios inomináveis,
ou quando se arrojaram contra quem as infelicitou, em cobranças implacáveis;
Se procedente das experiências sofridas fora do corpo, quando na Erraticidade inferior,
as recordações pavorosas criam condicionamentos viciosos que atemorizam, fixando-as mais
e, ao mesmo tempo, produzindo instabilidade em relação a quaisquer programas de ação, que
se apresentam como áreas perigosas, para a mente em desconcerto, impedindo o rompimento
da cortina invisível que se lhe faz obstáculo.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 9 - Medo e
Responsabilidade
As torturas sofridas durante longos períodos, nas regiões Umbralinas, poderiam criar
núcleos de pavor no Perispírito que, desaguando no cérebro físico na reencarnação seguinte,
facultariam o aparecimento das fobias ou síndrome do pânico.
Jaider Rodrigues de Paula - Saúde e Espiritismo - Pag. 385 Síndrome do Pânico na Visão
Espírita
O medo é verdugo impiedoso dos que lhe caem nas mãos.
Produz vibrações especiais que geram sintonia com outras faixas na mesma
dimensão de onda, produzindo o intercâmbio infeliz de forças deprimentes, congestionantes.
À semelhança do ódio, aniquila os que o cultivam, desorganizando-os de dentro para fora.
Alçapão traiçoeiro, abre-se, desvelando o fundo poço do desespero, que retém demoradamente
as vítimas que colhe...
Vitor Hugo – Párias em Redenção – 1º Parte – Cap. 7 – Obsessão vingadora e
pertinaz
Nos tormentosos fenômenos de obsessão espiritual, a indução telepática do perseguidor
faz que o vitimado se ressinta de tudo quanto à sua volta possa trabalhar pela sua recuperação,
pela reconquista da saúde e do equilíbrio.
Teleguiado pelo adversário invisível, experimenta o desconforto que se deriva do medo
que lhe é infligido, adotando conduta estranha, doentia...
Joanna de Angelis - Conflitos Existenciais - Cap. 4 - Medo 2
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Há, entretanto, síndromes de distúrbio de pânico que fogem ao esquema convencional.
Aquelas que têm um componente paranormal, como decorrência de ações espirituais
em processos lamentáveis de obsessão.
Agindo psiquicamente sobre a mente da vítima, o ser espiritual estabelece um
intercâmbio parasitário, transmitindo-lhe telepaticamente clichês de aterradoras imagens
que vão se fixando, até se tornarem cenas vivas, ameaçadoras, encontrando ressonância no
inconsciente profundo, onde estão armazenadas as experiências reencarnatórias, que,
desencadeadas, emergem, produzindo confusão mental até o momento em que o pânico irrompe
incontrolável, generalizado.
Dá-se, nesse momento, a incorporação do invasor do domicílio mental, que passa a
controlar a conduta da vítima, que se lhe submete à indução cruel.
Cresce assustadoramente na sociedade atual essa psicopatologia mediúnica, que está
requerendo sérios estudos e cuidadosas pesquisas.
Joanna de Angelis - Autodescobrimento - Uma Busca Interior - Cap. 9 - Pânico
Surgem, como efeito natural (das obsessões), as síndromas da inquietação: as
desconfianças, os estados de insegurança pessoal, as enfermidades de pequena monta, os
insucessos em torno do obsidiado que soma as angústias, dando campo a incertezas, a mais
ampla perturbação interior.
Gera uma psicosfera perniciosa à própria volta pela eliminação dos fluídos deletérios de
que é vítima e absorve-a mais condensada, por escusar-se ouvir sadias questões, participar de
convívios amenos, ler páginas edificantes, auxiliar o próximo, renovar-se pela oração.
Conforme a constituição temperamental que é um fator de relevante importância,
faz-se apático, se tende à depressão, adentrando-se pela melancolia, em razão da mensagem
telepática deprimente e dos clichês mentais pessimistas que ressumam do arquivo da
inconsciência.
No sentido oposto, se é dotado de constituição nervosa excitada, torna-se agressivo,
violento, em desarmonia de atitudes - explode por nonadas, do que logo se arrepende —
expondo a aparelhagem psíquica e os nervos a altas cargas de energias que danificam os
sensores e condutores nervosos, com singulares prejuízos para a organização fisiopsíquica.
Manoel Philomeno de Miranda – Nas Fronteiras da Loucura – Cap. Análise das
Obsessões
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Quando se é portador de pensamento compulsivo, a consciência torna-se invadida por
representações mentais involuntárias, repetitivas e incontroláveis, variando de paciente para
paciente. Trata-se de ideias desagradáveis umas, repugnantes outras, que infelicitam, e o
enfermo não dispõe de meios lúcidos para as enfrentar, superando-as. Trata-se de um objetivo
defensivo do inconsciente pessoal, impedindo que o doente tome conhecimento da sua
realidade interior, dos seus legítimos impulsos e emoções.
Fixam-se-lhe pensamentos repetitivos, alguns ridículos, mas dos quais o enfermo não
se consegue libertar.
Outras vezes, manifestam-se em forma de dúvidas inquietantes, que desequilibram o
comportamento.
Joanna de Angelis – Aspectos Psiquiátricos e Espirituais nos Transtornos Emocionais –
Cap. 8 - Transtorno obsessivo-compulsivo
Existe um crescimento no número de portadores do transtorno obsessivo-compulsivo
(TOC). Como a Doutrina Espírita explica esse transtorno no qual a pessoa comporta-se de
maneira estranha, como lavar as mãos compulsivamente ou confirmar se a porta está trancada
inúmeras vezes, dentre outros. Isso decorre da existência natural da pessoa ou são reflexos das
reencarnações anteriores?
Poderemos afirmar que tanto pode resultar de transtornos da afetividade na infância,
como a insegurança, fruto de uma mãe castradora ou supermãe, de um pai negligente, que geram
no indivíduo aquele tormento da repetição, como pode também ter uma origem anterior, porque
todos os nossos padecimentos atuais têm sempre uma causa, que, não sendo desta vida, é de
existência anterior. Allan Kardec é muito claro em O Evangelho Segundo o Espiritismo,
esclarecendo a questão conforme enunciado.
Normalmente, o TOC é um distúrbio muito grave, porque afeta o sistema nervoso
central, e a pessoa nessa condição quase psicótica desgasta-se e necessariamente exige
cuidadosa terapia especializada.
Também recomendo que, ao lado da terapia médica, psiquiátrica, se for o caso, que
seja realizada a assistência espiritual, buscando o esforço em favor da auto-iluminação,
da meditação, da prece, da construção interior de novos hábitos, para poder libertar-se desse
perverso condicionamento repetitivo e perturbador.
Divaldo Franco - Divaldo Franco Responde 1 – Páginas 55/56
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
4.3 Experiências conscienciais traumáticas desta vida = Medo “Opressor”
Desequilíbrio da educação na infância atual, com o desrespeito dos genitores e
familiares pela personalidade em formação, criando fantasmas e fomentando o temor, em
virtude da indiferença pessoal no trato doméstico ou da agressividade adotada.
(...) Nascente na vida atual, em face da família castradora e rude, é ainda o Espírito
endividado constrangido a recomeçar a vilegiatura evolutiva, no meio social de que necessita,
a fim de desenvolver os valores da submissão, da autodisciplina e da humildade,
lamentavelmente transformados em medo.
(...) Em qualquer dos processos referidos (fixações do passado, obsessão, vivencias
atuais problemáticas) o medo é uma reminiscência que toma corpo na mente e assoma,
dominador, culminando por prevalecer ante qualquer decisão ou empenho de quem lhe
experimenta a injunção.
Remanescente da encarnação passada, libera os clichês arquivados no inconsciente
profundo, estabelecendo alienações auto-obsessivas, em mecanismo punitivo, de que o ser
sente necessidade como forma de minorar os efeitos danosos dos atos irresponsáveis e
arbitrários praticados.
Não obstante, tal mecanismo de redenção em nada libera o culpado, embora o leve a
dores e angústias inomináveis, porque destituído do caráter recuperador dos prejudicados ou de
reparação dos delitos perpetrados.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 9 - Medo e
Responsabilidade
A infância, especialmente no ser humano, é a mais longa do reino animal, a fim de que
sejam formados a personalidade, o conhecimento, a consciência e a individualidade.
As marcas psicológicas das ações vivenciadas nesse período imprimem-se de
maneira vigorosa nas áreas da emoção, e dão lugar às feridas dilaceradoras que culminam
em transtornos vários e angústias inomináveis.
Tudo quanto se semeia na infância, desenvolve-se, cresce e liberta ou aprisiona o
aprendiz.
Conscientizar o jovem a respeito das malévolas influências de que foi objeto, contribui
eficazmente para a mudança do comportamento emocional, desde que acompanhada por uma
psicoterapia adequada, capaz de proporcionar a libertação de toda a vasa de amargura e
desamor, até poder assimilar, pela lógica e pelos fatos, que é amada, que merece ser feliz, que
renasceu para conquistar a plenitude sempre ao alcance de quem realmente a deseja.
Grupo de Estudos Psicológicos Joanna de Angelis - Espelhos da Alma - Uma Jornada
Terapêutica – Cap. Joanna de Angelis Responde - Parte I – Perg. 7
30
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Pode-se afirmar que existem fatores endógenos e exógenos que respondem pela
presença do medo.
No primeiro caso, os comportamentos infelizes de reencarnações anteriores
imprimem-no nos refolhos do períspirito que, por sua vez, instala no inconsciente profundo
as matrizes do receio de ser identificado, descoberto como autor dos danos que foram
produzidos noutrem e procurou ignorar, mascarando-se de inocente.
Nesse sentido, podemos incluir as perturbações de natureza espiritual, em forma
de sutis obsessões, consequências daqueles atos inditosos que ficaram sem regularização no
passado.
No segundo caso, as atitudes educacionais no lar, os relacionamentos familiares
agressivos, o desrespeito pela identidade infantil, as narrativas apavorantes nas quais
muitos adultos se comprazem, atemorizando crianças; os comportamentos agressivos das
pessoas, desenvolvem medos que adquirem volume à medida que o crescimento mental e
emocional amplia a capacidade de conduta do educando.
Ao mesmo tempo, os apavorantes fenômenos sísmicos que periodicamente varrem o
planeta, ceifando vidas, destruindo cidades e ameaçando outras, o virulento terrorismo político
internacional, a violência urbana, as injustiças sociais profundas, a competição perversa pela
projeção no mundo dos negócios, dos divertimentos, do poder de qualquer natureza, produzem
medo naqueles cuja constituição emocional, perturbada desde a infância pelos temores que
lhe foram infundidos, desborda-se em pavores inquietantes.
Joanna de Angelis - Conflitos Existenciais - Cap. 4 - Medo
31
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
O medo, em si mesmo, não é negativo, assim se mostrando quando, irracionalmente,
desequilibra a pessoa.
O desconhecido, pelas características de que se reveste, pode desencadear momentos de
medo, o que também ocorre em relação ao futuro e sob determinadas circunstâncias, tornando-
se, de certo modo, fator de preservação da vida, ampliação do instinto de autodefesa.
Mal trabalhado na infância, por educação deficiente, o que poderia tornar-se útil,
diminuindo os arroubos excessivos e a precipitação irrefletida, converte-se em perigoso
adversário do equilíbrio do educando.
São comuns, nesse período, as ameaças e as chantagens afetivas: — Se você não se
alimentar, ou não dormir, ou não proceder bem, papai e mamãe não gostarão mais de você...,
ou O bicho papão lhe pega, etc.
A criança, incapaz de digerir a informação, passa a ter medo de perder o amor, de ser
devorada, perturbando a afetividade, que entorpece a naturalidade no seu processo de
amadurecimento, tornando o adolescente inseguro e um adulto que não se sente credor de
carinho, de respeito, de consideração.
A deformação leva-o às barganhas sentimentais - conquistar mediante presentes
materiais, bajulação, anulando a sua personalidade, procurando agradar o outro, diminuindo-se
e supervalorizando o afeto que anela.
A pessoa é, e deve ser amada, assim como é. Naturalmente, todo o seu empenho deve
ser direcionado para o crescimento interior, o desenvolvimento dos recursos que dignificam:
não invejando quem lhe parece melhor — pois alcançará o mesmo patamar e outros mais
elevados, se o desejar - nem se magoando ante a agressividade dos que se encontram em níveis
menores.
Por outro lado, em face das ameaças, o ser permanece tímido, procurando fazer-se
bonzinho, não pela excelência das virtudes, mas por mecanismo de sobrevivência afetiva.
O medo, assim considerado, pode assumir estados incontroláveis, causando
perturbações graves no comportamento.
Joanna de Angelis - Autodescobrimento - Uma Busca Interior - Cap. 9 - Pânico
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Experiências traumáticas vivenciadas em algum período da vida, como na infância.
Crenças, superstições e informações erradas que foram inculcadas, principalmente na
infância, pela família e pela sociedade acabam gerando muitos medos.
Experiências subjetivas desde a formação como feto, durante a vida intrauterina,
momento em que podem ter sido registradas sensações difusas ligadas a fatos ou eventos
acontecidos nessa fase. Ou situações relativas ao nascimento.
Falta de autoconfiança, insegurança quanto a talentos e potenciais para enfrentar
situações da vida - é a clássica sensação de "eu não vou conseguir fazer isto", sem
eventualmente sequer tentar.
Há muitas pessoas que sofrem disso, geralmente porque foram superprotegidas em sua
educação ou porque foram muito criticadas, muito exigidas por pais autoritários ou austeros.
Tais situações com certeza geram pessoas extremamente inseguras, que não decidem ou
agem porque temem arriscar-se, por medo de errar e por temor às críticas que acham que
receberão.
A percepção interna dessas pessoas é de que são "erros ambulantes”, "porcarias" e
"realmente inferiores".
Pessoas assim precisam treinar auto segurança, que nada mais é do que aprender a
"segurar-se" em si mesmas, naquilo que sentem. É um trabalho, mas, com certeza, é
perfeitamente possível treinar a confiança em si, confrontando as imposições de uma educação
superprotetora ou exigente demais.
Diferentemente do que se considera ter autoconfiança, não significa nunca errar, ou
sempre saber tudo, ou ainda sempre ter opiniões magníficas sobre o mundo, ou ser sempre bem-
sucedido.
Não é nada disso, autoconfiança é ter fé em si mesmo, no seu potencial de agir,
coerentemente, de acordo com as necessidades e o aqui e agora de cada momento da vida.
Lourdes Possatto - Medos, Fobias e Pânico - Cap. Possíveis Causas do Medo
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Falamos, desse modo, desse cuidado com os nossos filhos, com as nossas crianças,
exatamente pelas condições psicológicas dos nossos pequenos. É importante, porém, que não
seja obra dos pais, ou dos adultos colocar medo nas crianças.
É muito comum, na tentativa de abolir determinado comportamento da criança, que os
pais lhe imponham medos, medos do papão, do bicho papão, para fazê-la dormir.
Às vezes, as mães, com intenções as mais variadas, colocam nos seus filhos medos do
velho, do guarda, da polícia, medo do preto, medo da mulher, medo completamente irracional.
As crianças não têm ainda condições de discernir, elas não conseguem ainda avaliar o
que signifique isto que seus pais ou que um adulto lhes esteja dizendo. Ela então se perturba,
se amofina, se apoquenta, sem saber como sair dessa situação.
Nós criamos, na mente infantil, esses quadros dantescos que, na imaginação criativa da
criança, ganham uma forma inusitada, uma extensão inimaginável e uma intensidade brutal.
Quantas e quantas vezes problemas sérios, que acompanharão a criatura até a idade adulta
nasceram nesses medos na infância.
Dessa maneira, vale a pena ter muito cuidado com medos de nossas crianças. Por
vezes, elas apresentam medos de determinados bichos, medo de aranha, medo de barata, bichos
que aparecem em casa, medo da lagartixa.
Tanto quanto seja possível, se seus pais não forem dotados deste mesmo medo, poderão
mostrar para as crianças que esses são animais inofensivos. Deverão ensinar a elas a ter
cuidados porque pode ser animal que traga algum tipo de enfermidade, pelos lugares por onde
passeie.
Como nós aprendemos a espantar as moscas porque elas pousam em qualquer lugar, os
mosquitos, muitas vezes será necessário ensinar às crianças a respeito da questão higiênica:
porque é que não temos determinados tipos de animais na nossa convivência, mas não porque
elas devam ter medo, não porque os pequenos devam temer isso, mas o cuidado.
Ensinar. Sempre que ensinamos, nós libertamos a criança. Deixamos de ensinar, a
criança fica escrava do medo irracional.
Quantos adultos inseguros não ficam em casa sozinhos jamais, não saem à rua sozinhos
jamais, não viajam jamais a sós...
E quando nós vamos buscar as razões disso, as raízes de tudo isso, as raízes se
encontram nos medos que lhes foram inculcados na infância.
Raul Teixeira - Federação Espírita do Paraná - Transcrição do Programa Vida e Valores –
No
97 – Os Medos das nossas Crianças
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
5. Medos - Tipos Principais
Podem-se relacionar seis tipos básicos de medo, que assaltam a criatura humana durante
a finitude da sua existência corporal:
1 - O medo da morte,
2 - O medo da velhice,
3 - O medo da doença,
4 - O medo da pobreza,
5 - O medo da crítica e
6 - O medo da perda de um afeto profundo.
Todos eles decorrem da insegurança pessoal remanescente dos conflitos originados em
comportamentos infelizes que deram lugar a transtornos de significado especial.
Não compreendendo a Vida como uma realidade constituída por etapas delineadas com
firmeza no corpo somático e fora dele, o indivíduo vê na conjuntura material a única realidade,
sem a qual tudo é desconhecido ou impossível de existir.
... E os medos multiplicam-se, especialmente na atualidade, em razão da insegurança
que campeia em todos os setores do comportamento, propiciando o receio de perder-se o
emprego, o pavor da agressividade e da violência urbana, a angústia da destruição provocada
pelas guerras, pelas calamidades sísmicas, pelos acidentes de vária ordem, a incerteza quanto
às amizades reais e incompreensão generalizada mediante essas múltiplas ameaças ....
O medo transforma-se em algoz das almas e calamidade social.
Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 6 – Medo e Autoconfiança
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
5.1 Medos - Considerações Gerais - Medos x Fobias
Parâmetro Medo Fobia
Intensidade
Temor proporcionado e compreensível. Temor desproporcionado e irracional, apenas na aparência.
Causa
Tem causas muito objetivas quando analisado
racionalmente.
Por exemplo: medo do futuro devido à instabilidade
econômica.
As causas quase sempre são transpessoais, isto é, vividas em etapas da vida atual
(gestação, primeira infância) ou em existências anteriores.
Por exemplo: Fobia de animais, de altura, de lugar fechado, de lugares públicos,
social, etc.
Ação
O indivíduo se defende com ações e argumentos
lógicos.
A defesa habitual é a fuga, não enfrentar o objeto ou a situação fóbica (mecanismo
de prevenção e afastamento).
Controle
O indivíduo pode controlá-lo de alguma forma. O indivíduo tem dificuldade de controle, podendo ser dominado completamente pelo
medo.
Superação
Pode-se superá-lo com esforços pessoais, presididos
pela vontade.
Para superá-la é necessário um tratamento psicológico.
Avaliação
Muitos medos são comuns e frequentes na vida e vão
sendo vencidos com o tempo.
As fobias são sempre patológicas. Para superá-las é necessária uma terapia bem
aplicada, especialmente a psicoterapia transpessoal, onde são removidas as causas
passadas geradoras da fobia.
Federação Espirita do Mato Grosso – Projeto Espiritizar – Cura Espiritual do Medo, das Fobias e do Pânico
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
5.2 Medo da Morte
A intercorrência dos medos básicos no indivíduo centraliza-se na incerteza mantida
em torno do fenômeno da morte, do que ocorre depois da disjunção molecular, da
sobrevivência ou não ...
Porque considera que se trata de aniquilamento da consciência e da razão, teme a
consumação total que jamais ocorre.
A fatalidade do ser é atingir a harmonia completa na imortalidade de que se encontra
investido.
A crença atávica de que à velhice sucede a morte, o que é incontestável, retira a
compreensão lógica de que ela se manifesta em qualquer idade, apresentando-se em todas as
faixas etárias, não sendo privilégio apenas da senectude. Todos nascem condenados à morte
biológica, da mesma forma como foram estruturados organicamente.
Referia-se Marco Túlio Cícero, o filósofo, escritor e orador latino, às vantagens da
velhice, que não pode nem deve ser considerada como uma desventura, mas sim como uma
bênção, pelo quanto permitiu ao ser superar paixões e conflitos existentes durante o percurso
evolutivo. Ao mesmo tempo, ofereceu muitos benefícios que decorrem da experiência dos anos
e da conquista da sabedoria.
Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 6 – Medo e Autoconfiança
A morte nenhum temor inspira ao justo, porque, com a fé, ele tem a certeza do futuro;
a esperança faz com que aguarde uma vida melhor e a caridade, cuja lei praticou, dá-lhe a
certeza de que, não encontrará no mundo onde vai entrar, nenhum ser cujo olhar deva temer.
Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 941
Enfrentar a morte significa enfrentar a questão final do significado da vida. Se
realmente queremos viver, devemos ter a coragem de reconhecer que a vida é, em última
análise, muito curta, e que tudo o que fazemos conta.
Quando chegar a noite da nossa Vida, esperamos ter uma chance de olhar para trás e
dizer: É valeu a pena porque eu realmente vivi.
Elisabeth Kübler-Ross – Morte: O Estágio final do Crescimento – Pag. 126
Deve-se aprender a viver durante toda a Vida e por, mas que isso espante, a vida toda
é um aprender a Morrer.
Sêneca (filósofo romano, 01 aC-65 dC) – Sobre a brevidade da Vida – Cap. 7 – Item
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Mortes Traumáticas - (Desencarnes difíceis)
O corpo físico, por instinto de defesa, tenta reter o Espírito nos momentos finais da
desencarnação.
O apego à vida material e a seus gozos efêmeros também dificultam o desencarne.
O medo da morte pela crença em inferno, demônios (fantasias religiosas), temor ao
desconhecido, culpas várias, são outros fortes empecilhos ao desencarne.
O contato com os agentes da putrefação da natureza, pelo fenômeno da psicometria,
causa grande sofrimento ao desencarnante que fica retido no corpo físico.
O caráter, as posturas diante da vida, a falta de religiosidade são fatores determinantes
no desprendimento espiritual.
As condições acima mencionadas, agravadas com uma ruptura abrupta do cordão
fluídico, abastecido de fluido vital, tende a levar o Espírito desencarnante a uma situação de
"morto vivo"; preso ao mundo físico pelo corpo em decomposição, adentrando ao Mundo
Espiritual sobrecarregado de fluido vital, estranho àquele mundo.
Assim, podemos entender que o momento do nascimento e da morte são importantes
para o Espírito, como a primeira e últimas impressões.
Nas mortes prematuras traumáticas (acidentes - suicídios), um jovem com grande
reserva de fluido vital pode levar a fortes impressões vibratórias do duplo etérico para o corpo
astral, formando nele um clichê mental vigoroso do momento do desencarne.
Na reencarnação seguinte à barreira biológica do corpo físico, não é suficiente, em
algumas pessoas (por lei do Carma), deixando passar flashs dos últimos momentos da vida
anterior.
Essa distonia vibratória tenderia a reaparecer, guardando identidade cronológica entre
as reencarnações. Os flashs sensibilizariam os neurônios sensitivos do diencéfalo
(psicocinéticos) e estes desencadeariam os sintomas via neurotransmissores.
Jaider Rodrigues de Paula - Saúde e Espiritismo - Pag. 385 Síndrome do Pânico na Visão
Espírita
Lidar com uma morte inesperada altera nossa forma de ver a vida e de vivê-la.
A Vida ganha em intensidade e em valor se confrontada com a morte.
Pensar na morte é uma das fórmulas eficazes de conferir um salto qualitativo à Vida
José Roberto Nalini – Reflexões Jurídico-Filosóficas sobre a Morte – Pronto para
Partir? – Introdução
38
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Talvez seja esta a grande contribuição da Morte para nossa Vida: mostrar-nos que
devemos viver bem cada instante sem, contudo, apegarmo-nos a ele.
Quem vive a vida em plenitude tem a morte como algo natural e, mesmo não a
procurando ou desejando, aceita-a com tranquilidade quando chega ou quando se manifesta
próxima de si.
O Medo da Morte é o medo da Vida não vivida. É o medo dos muitos débitos que
temos para com nossa própria vida, e que a morte nos impedirá de saldar.
Reafirmamos, então, que quem teme a morte teme a Vida. Em outras palavras; quem
não sabe Viver, certamente não saberá morrer.
Viver intensamente significa poder olhar para trás e sentir que não estamos sofrendo,
hoje, por aquilo que ontem nos deu algum prazer. O que é bom e correto nunca se torna
causa de sofrimento e dor.
Não sabemos quando virá nossa morte, nem a forma como ela virá. É preferível então
que estejamos sempre preparados para ela, aprendendo com isso a viver melhor.
Evaldo D`Assumpção – Sobre o Viver e o Morrer – Introdução/Cap. 4/Cap.6
Não ter medo de Viver para não ter medo de morrer.
Aquele que cumpriu com os seus deveres e realizações, ao lado de um entendimento
espiritual sobre a imortalidade, enfrentará com certa dose de equilíbrio a sua hora.
Quem carrega a certeza da Imortalidade e dos periódicos refazimentos pelas
reencarnações, saberá situar-se diante das forças da Vida.
Jorge Andrea - Psicologia Espirita - Cap. 11 Reações Psicológicas na
Desencarnação
Nossa natureza sabe e considera um processo normal nascer, sabendo que um dia iremos
morrer e que isto faz parte do mecanismo da vida.
Porém, o medo neurótico de morrer é aquele que impede o viver de forma saudável
e responsável.
Na realidade, poderíamos dizer que, quando o medo de morrer é muito intenso, significa
que o indivíduo não está vivendo a vida que gostaria, ou não está sendo aquilo que gostaria
de ser.
Lourdes Possatto - Medos, Fobias e Pânico – Introdução
“De repente não mais que de repente fez do amigo próximo o distante, fez da vida uma
aventura errante, de repente, não mais que de repente.”
Vinicius de Morais – Soneto de Separação (1938)
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
5.3 Medo da Velhice
“Que os velhos sejam sóbrios, respeitáveis, sensatos, fortes na fé, na caridade e na
perseverança”.
Paulo de Tarso - Epístola a Tito, 2:2
O medo da velhice é muito cruel, tornando-se um verdadeiro tormento para quantos
não consideram a existência física na condição de uma jornada de breve duração, por mais longa
se apresente, passando por estágios bem-delineados desde o berço até o túmulo.
Ninguém pode reverter o quadro das ocorrências existenciais; no entanto, é
perfeitamente normal compreendê-las, adicionando-lhes os agradáveis condimentos do prazer
e da alegria de viver.
A velhice deve ser considerada inevitável e ditosa pelo que encerra de gratificante, após
as lutas cansativas das buscas e das realizações. É o resultado de como cada qual se comportou,
de como foi construída pelos pensamentos e atitudes, ou enriquecida de luzes e painéis com
recordações ditosas ou infelizes...
O conceito materialista de que a morte arrebata a existência, sim, torna-se um suplício
para o idoso, como para outra pessoa qualquer, por constituir-se condenação da vida ao
aniquilamento.
Em contrapartida, a certeza de que a alma, ao desvestir-se da matéria, retorna ao seu
estado de Espírito, proporciona emulação para aproveitar-se todos os momentos terrestres, a
fim de que o desprendimento se faça suave e profundamente confortador.
Temer a velhice constitui um injustificável comportamento, que deve ser superado
mediante reflexões em torno do dia a dia, considerando-se que adormecer é uma forma de
morrer, que enfermidade não é patrimônio da idade, assim como o deperecimento de forças e a
falta de prazeres exaustivos não constituem recursos que interditam apenas os idosos.
A vida física tem um significado extraordinário, que é o de enriquecimento interior,
preparação para a imortalidade, conquista de patamares mais elevados para o pensamento e para
o sentimento no rumo da plenitude.
Joanna de Ângelis - O Despertar do Espírito - Cap. 9 – Medo da Velhice
40
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Não dê importância à idade do seu corpo físico: seja sempre jovem e bem disposto
espiritualmente.
A alma não tem idade.
A mente jamais envelhece.
Mesmo que o corpo assinale os sintomas da idade física, mantenha-se jovem e bem
disposto, porque isso depende da sua mentalização positiva.
Faça que a juventude de seu espírito se irradie através de seu corpo, tenha ele a idade
que tiver.
Carlos Torres Pastorino – Minutos de Sabedoria – Item 58
A questão da idade é mais psicológica do que real. Certamente, do ponto de vista
fisiológico, o organismo, à medida que o tempo avança, tende a diminuir a sua flexibilidade,
o seu equilíbrio, a harmonia das funções.
Entretanto, preservadas suas atividades pelo trabalho e equilíbrio emocional,
logra manter-se sem maiores danos. É possível conservar a memória ativa, adquirir novos
conhecimentos e realizar abençoadas experiências
Divaldo Franco - Laços de Família – Pag. 53
Infância, juventude, madureza e velhice são simples fases da experiência material.
A vida é essência divina e a juventude é seiva eterna do espírito imperecível.
Mocidade da alma é condição de todas as criaturas que receberam com a existência o
aprendizado sublime, em favor da iluminação de si mesmas e que acolheram no trabalho
incessante do bem o melhor programa de engrandecimento e ascensão da personalidade.
A velhice, pois, como índice de senilidade improdutiva ou enfermiça, constitui,
portanto, apenas um estado provisório da mente que desistiu de aprender e de progredir nos
quadros de luta redentora e santificante que o mundo nos oferece.
Nesse sentido, há jovens no corpo físico que revelam avançadas características de
senectude, pela ociosidade e rebeldia a que se confinam, e velhos na indumentária carnal
que ressurgem sempre à maneira de moços invulneráveis, clareando as tarefas de todos
pelo entusiasmo e bondade, valor e alegria com que sabem fortalecer os semelhantes na
jornada para a frente.
André Luiz - Correio Fraterno – Pag. 60 – Mocidade e Velhice
41
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
Cada minuto que passa, adiciona consumo à máquina orgânica impondo-te sisudeza,
maturidade, consciência responsável.
A velhice é quadra abençoada da existência planetária, que nem todos têm
oportunidade de alcançar.
Repositório de experiências, é campo de sabedoria a serviço da vida.
*
Respirando e agindo, estás envelhecendo.
Pensa nisso.
Vive, desse modo, programando a tua terceira idade, jovialmente, a fim de não seres
colhido pela amargura e o dissabor, quando as forças se te apresentarem diminuídas, portanto,
em decadência.
O pior da velhice é a forma refratária com que muitos a consideram, ingratamente.
Joanna de Ângelis - Episódios Diários - Cap. 47 - Velhice
A vida, na sua expressão terrestre, é como uma árvore grandiosa. A infância é a sua
ramagem verdejante. A mocidade se constitui de suas flores perfumadas e formosas. A velhice
é o fruto da experiência e da sabedoria.
(...) Em face da grandeza espiritual da vida, a existência humana é uma hora de
aprendizado, no caminho infinito do Tempo; essa hora minúscula encerra o que existe no
todo. É por isso que aí vemos, por vezes, jovens que falam com uma experiência milenária e
velhos sem reflexão e sem esperança.
Então, Senhor, de qualquer modo, a velhice é a meta do espírito? —
perguntou o discípulo, emocionado.
— Não a velhice enferma e amargurada que se conhece na Terra, mas a da
experiência que edifica o amor e a sabedoria.
(...) Um velho sem esperança em Deus é um irmão triste da noite; mas eu venho trazer
ao mundo as claridades de um dia perene.
(...) Jesus contemplou-o com amor e respondeu:
— Em verdade, Simão, ser moço ou velho, no mundo, não interessa!...
Antes de tudo, é preciso ser de Deus!...
Humberto de Campos – Boa Nova – Cap. 9 – Velhos e Moços
“Não deve inspirar medo a pobreza, nem o desterro, nem a prisão, nem a morte.
O que deve inspirar medo é o próprio medo”.
Epitecto (filósofo grego, 55dc-130dc)
42
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
O envelhecimento orgânico é fenômeno inevitável no transcurso da existência carnal.
Ligados à segunda lei da Termodinâmica, a Lei da Entropia, e esta estabelece que a
vida para viver consome energia, logo, o desgaste da energia conduz à decadência da forma
e à consumpção do organismo.
Psicologicamente, porém, pode-se considerar o envelhecimento, não somente como o
de caráter físico, mas também o de natureza emocional, o de estabelecimento de metas, o
de harmonia no conjunto orgânico entre a psique (que comanda a máquina), o sentimento
(que expressa as emoções) e o soma (que constitui os equipamentos em equilíbrio).
Somente os Espíritos nobres adquirem o amadurecimento psicológico e orgânico nos
períodos primeiros da existência.
O envelhecimento, em razão das experiências que se acumulam ao longo dos anos,
com o imediato deperecimento das forças e a conquista da sabedoria para o comportamento
saudável, constitui momento de superação dos desejos inferiores, das paixões primárias, que
são substituídos pela plenitude, que conduz à individuação, que se poderá, por outro lado,
alcançar, mediante os esforços pelo aprimoramento moral e autodescobrimento.
Durante a experiência orgânica, todo empenho deve ser aplicado para evitar-se
ampliar o campo das sensações, ao tempo em que se deve bem conduzir as emoções, fruir os
prazeres, mas não se fixar exclusivamente neles, qual ocorre com todo e qualquer culto que
se dilui, na matéria, quando se trata de perenidade como acontece com o Self.
Grupo de Estudos Psicológicos Joanna de Angelis - Espelhos da Alma - Uma Jornada
Terapêutica – Cap. Joanna de Angelis Responde - Parte III – Perg. 29
“Não vejo problema algum com minha idade. Nasci cm 1907; desde cedo dediquei-
me a ver a poesia que vibra nas curvas das imagens, e não apenas nas linhas retas e tensas.
Prossegui com afinco e dedicação em busca de meu crescimento, e hoje, com mais de
90 anos, posso afirmar que sou uma pessoa feliz.
Ajudei as pessoas o quanto pude e aprendi a contemplar a natureza, de modo que
todas essas coisas somadas, e muitas outras mais, me traz a convicção da serenidade”.
Oscar Niemeyer (1907-2012)
Carlos Abranches - Reformador - 1998 – Outubro - As Razões da Velhice
43
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
“Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo a você: Não pense.
Nunca diga: Estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo que estou velha e
nem que estou ouvindo pouco.
É claro que, quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos. Isso me ajuda a vencer as
dificuldades da vida.
O melhor roteiro é ler e praticar o que se lê.
O bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também não diga para você mesma que
está ficando esquecida porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, falo sempre: Estou ótima!
Não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai
se convencendo daquilo e convence os outros. Então, silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado e que trago comigo todas
as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha que eu sou?
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de
Goiás. Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria
personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra
vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer,
com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou
ficar, desistir ou lutar. Porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é
o decidir”.
Cora Coralina (1889/1985)
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Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
5.4 Medo da Doença
Por outro lado, o medo das doenças encontra-se também enraizado na mesma reflexão
de que elas conduzem à morte, assim produzindo o terrível conflito.
O número de jovens saudáveis que morrem a cada momento é muito grande,
especialmente nas metrópoles e megalópoles, vitimados pela imprevidência e precipitação, pela
imaturidade e desequilíbrio comportamental.
As estatísticas demonstram que os homicídios, os suicídios e acidentes fatais somados
constituem o mais elevado índice de óbitos no mundo, quase sempre arrebanhando a juventude
e a maturidade portadora de saúde.
Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 6 – Medo e Autoconfiança
Não trates as doenças com pavor e desequilíbrio das emoções. Cada uma tem uma
linguagem silenciosa e se faz acompanhar de finalidades especiais.
Emmanuel - O Evangelho por Emmanuel — Volume IV – Cap. 31 - Lembrança fraternal aos
enfermos
Muitas vezes Jesus aplicou a terapia para diminuir as mazelas humanas, contudo,
sempre dizendo aos recém curados: “Vai e não voltes a pecar” . . . Isto é, não se comprometa
moral e emocionalmente, para que não lhe aconteça algo pior.
Só existe doenças porque há doentes. No instante em que se renove interiormente, o
indivíduo não terá mais doenças. Libertamo-nos de uma doença, sendo acometidos por outra,
em virtude dos fenômenos cármicos, por nossas dívidas.
O Espiritismo tem sido mais um consultório para atender corpos do que uma Doutrina
de psicoterapia para libertar almas: não que isso seja negativo, mas não é fundamental.
O médium curador é um indivíduo que possui uma energia típica podendo trabalhar nas
células, fazendo com que a pessoa recupere o equilíbrio momentaneamente perdido.
Poderá atuar no campo da degenerescência celular, contribuir na área psicológica,
psiquiátrica, tendo como fundamento essencial trabalhar o ser como indivíduo integral, para,
em se transformando, não ter necessidade de depurar-se através da dor e, ao contrário de
sofrer, amar. As dívidas que tenha, resgatará pelo bem que realize e, não, pelas lágrimas
que verta.
Divaldo Franco – Doenças e Curas – Grupo de Estudo Allan Kardec - Entrevista
45
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
A verdadeira saúde não se restringe apenas à harmonia e ao funcionamento dos
órgãos, possuindo maior extensão, que abrange a serenidade íntima, o equilíbrio emocional e
as aspirações estéticas, artísticas, culturais, religiosas.
Pode-se estar pleno, embora com alguma dificuldade orgânica – que será reparada
do interior (mediante a ação mental bem direcionada) para o exterior (o reequilíbrio, a
restauração das células e do órgão afetado) –, como encontrar-se em ordem, porém, sem
equilíbrio emocional.
Assim, pensar bem e corretamente permanece como primeiro item de um bem
estruturado programa de saúde, a fim de que as palavras, na conversação, não corrompam os
costumes, ensejando ações estimulantes e edificadoras para o bem geral.
Joanna de Angelis - Autodescobrimento – Cap. 6 - Equilíbrio e Saúde
Na raiz de todas as enfermidades que sitiam o homem, encontramos, no desequilibro
dele próprio, a sua causa preponderante.
Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Introdução
Toda perturbação mental é ascendente de graves processos patológicos. Afligir a mente
é alterar as funções do corpo, pensamentos destruidores segregam matéria venenosa que é
imediatamente atraída para o ponto orgânico mais frágil.
André Luiz – Missionários da Luz – Cap. 19 - Passes
Através do próprio pensamento desgovernado, o homem pode fabricar para si mesmo
as mais graves eclosões de alienação mental, como sejam as psicoses de angustia e ódio,
vaidade e orgulho, usura e delinquência, desanimo e egocentrismo, impondo ao veículo
orgânico processos patogênicos indefiníveis, que lhe favorecem a derrocada ou a morte .
Dias da Cruz – Instruções Psicofônicas – Cap. 34 – Parasitose Mental
As chagas da alma se manifestam através do envoltório humano.
O corpo doente reflete o panorama interior do espírito enfermo. A patogenia é um
conjunto de inferioridades do aparelho psíquico.
Emmanuel - O Consolador – Perg. 96
46
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
A hipocondria diz respeito a pessoas que vivem com um medo intenso e constante
relacionado a ter uma doença.
Também conhecida como transtorno de ansiedade de doença (de acordo com o DSM-
5) é um dos motivos de consulta mais frequentes para nós, psicólogos e psicólogas, que
realizamos serviços de psicoterapia.
As doenças mais temidas pelas pessoas com hipocondria costumam ser aquelas que
causam uma deterioração progressiva e ao longo do tempo (por exemplo, câncer,
HIV, fibromialgia), apesar de também existirem casos de pessoas que têm medo de ter uma
doença cardíaca ou respiratória (que evoluem de forma mais rápida e aguda).
Ou seja, enquanto na hipocondria a característica mais marcante é o medo das doenças
que deterioram o nosso corpo pouco a pouco, o medo das doenças mais rápidas, como um
ataque cardíaco ou um afogamento, é mais característico da síndrome do pânico. Em todo o
caso, independentemente do tipo de doença da qual a pessoa com hipocondria tem medo, são
as ações que buscam o controle do seu corpo, suas sensações e a maneira de administrar
o medo que acabam deixando-as “doentes” (psicologicamente falando).
O medo de ficar doente é normal e adaptável; precisamos ter um certo medo de ficar
doente para termos comportamentos saudáveis e de proteção. No entanto, procurar
informação que aponte que eu não estou doente é uma forma incorreta de administrar
esse medo. Em primeiro lugar, deve-se deixar a estratégia de busca pelo controle das sensações
físicas e parar de fazer exames médicos para não se colocar mais na posição de doente.
Em segundo lugar, é preciso entender que o problema não é o medo em si mesmo,
mas a intolerância a esse medo, que aumenta cada vez que fazemos alguma coisa para não
senti-lo ou acalmá-lo. É muito importante colocar o foco da atenção no fato de que o problema
não é o medo mas, sim, a forma de administrar esse medo, que é o que desenvolve a
hipocondria.
Considerando tudo isso, uma maneira correta de administrar o medo de ficar doente é
trabalhar nele, perguntando por que acontece, o que ganhamos com ele, o que podemos fazer e,
sobretudo, aceitá-lo. Você pode trabalhar com um psicólogo para aprender a administrar
qualquer um dos seus medos, incluindo o medo de ficar doente. Porque se você não o
administra corretamente, o medo da doença física acaba se transformando em uma doença
psicológica.
A Mente é Maravilhosa - Hipocondria: quando o medo de ficar doente se torna
realidade (https://amenteemaravilhosa.com.br/hipocondria/)
47
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
5.5 Medo da Pobreza
Ainda na mesma área de incorreta reflexão, surge o medo da pobreza, respaldando-
se no conceito de que o dinheiro compra a saúde e quase confere a imortalidade, pensando-
se que a falta de recursos econômicos abrevia a existência física, em razão de não se dispor dos
meios hábeis para atender os fenômenos desgastantes e fatais das enfermidades.
O número, porém, de pessoas destituídas de dinheiro, que atingem idades provectas, é
muito maior do que o daqueles que acumulam fortunas e se estressam pelo armazená-las, se
desequilibram pelo administrá-las e desfrutá-las, sucumbindo no fulgor da idade adulta, antes
de alcançar a velhice.
Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 6 – Medo e Autoconfiança
A maior pobreza não reside no cofre vazio e, sim, no coração ainda incapaz de abrir-
se à infinita riqueza do bem comum.
Mariano José Pereira da Fonseca - Falando à Terra – Cap. 32 - Reflexões
MARIANO JOSÉ PEREIRA DA FONSECA, Marques de Maricá (1848) — Nasceu no
Rio de Janeiro, tendo ocupado no País cargos políticos dos mais elevados. É autor de
“Máximas, Pensamentos e Reflexões”, sua obra capital, que o glorificou como moralista e
filósofo eméritos.
Aqui jaz o corpo apenas
Do Marquês de Maricá:
Quem quiser saber-lhe da alma
Nos seus livros a achará.
Marques de Maricá – Epitáfio
A origem desse medo está na desconfiança que temos em relação aos outros, provocada
por experiências relacionadas à perda de dinheiro e de propriedades.
Isso faz, portanto, com que tenhamos medo de perder tudo, de sermos passados para
trás, e nos impulsiona a querer acumular mais bens, despertando sentimentos egoístas e
levando pessoas a violarem os direitos dos outros apenas para protegerem suas fortunas.
Wilson Cyrillo - Os 6 medos básicos da humanidade - por que eles são tão influentes
48
Os Medos na Vida – uma leitura espiritual
A pobreza não é criação do Todo-Misericordioso. Ela existe somente em função da
ignorância do homem que, por vezes, se arroja aos precipícios da inconformação ou da
ociosidade, gerando o desequilíbrio e a penúria.
Emmanuel – Dinheiro – Cap. 13 – Talentos
Por sua vez, o apego às posses, sob o disfarce da necessidade de segurança, é dos
mais temíveis adversários do indivíduo, porque responde pelo medo da perda, pela
sistemática desconfiança em relação aos amigos e conhecidos, por fim pela insatisfação que
sempre se instala em quem possui, atormentado pelo desejo infrene de ampliar os recursos.
A renúncia impõe-se como medida saudável de equilíbrio, responsável pela preparação
do Espirito para o momento da libertação do corpo.
De certo modo, o treinamento para a renúncia das posses terrenas predispõe à mudanças
de atitude moral entre as pessoas e a vida.
Joanna de Angelis - Momentos de Iluminação – Pag. 115
Empobreçamo-nos de vaidade e orgulho, de ambição e egoísmo e, certamente, a verdade
nos impelirá aos Planos mais altos da vida.
O Senhor, em surgindo na Manjedoura, estava pobre de bens materiais, mas
sumamente rico de luz. Mais tarde, no madeiro infamante, encontrava-se pobre de garantias
humanas, mas infinitamente rico de vida superior.
Empobreçamo-nos de exclusivismo e enriqueçamo-nos de fraternidade!
Empobreçamo-nos de repouso indébito e enriqueçamo-nos de serviço edificante!
Atendendo a semelhante programa de sintonia com o Alto, atingiremos, em breve
tempo, os tesouros da Glória Eterna
Emmanuel – Os dois maiores amores – Cap. 31 – Na Luz do Evangelho
Aqui, além, acolá,
Cada qual no que se entrega,
Sempre é rico do que dá,
Sempre pobre do que nega.
Leôncio Correia - Trovas do Mais Além – Cap. 31 - Trovas-deduções
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Os Medos na Vida - uma leitura espiritual

  • 1. OS MEDOS NA VIDA Uma Leitura Espiritual
  • 2. SUMÁRIO 1. Os Medos na Vida .........................................................................................1 1.1 Introdução....................................................................................................1 2. Medos - O Que É...........................................................................................8 2.1 Visão Espiritual...........................................................................................8 2.2 Visão Psicológica......................................................................................14 3. Medos – Classificação Geral ......................................................................17 3.1 Normais = Medos Conservativos/Instintivos............................................17 3.2 Reais = Medos Básicos/Usuais .................................................................18 3.3 Neuróticos = Fobias/Manias .....................................................................21 4. Medos - Causas Fundamentais..................................................................23 4.1 Fixações de existências passadas infelizes = Medo “Cármico”................23 4.2 Influenciação Espiritual Obsessiva = Medo “Obsessão”..........................26 4.3 Experiências conscienciais traumáticas desta vida = Medo “Opressor” ..29 5. Medos - Tipos Principais............................................................................34 5.1 Medos - Considerações Gerais - Medos x Fobias.....................................35 5.2 Medo da Morte..........................................................................................36 5.3 Medo da Velhice .......................................................................................39 5.4 Medo da Doença .......................................................................................44 5.5 Medo da Pobreza.......................................................................................47 5.6 Medo da Critica.........................................................................................49 5.7 Medo da Perda de um Afeto profundo......................................................52 6. Fobias – Tipos Principais ...........................................................................56 6.1 Fobias – Considerações Gerais .................................................................56 6.2 Síndrome do Pânico ..................................................................................60 6.3 Fobia Social - Insegurança Íntima.............................................................63 6.4 Transtorno Obsessivo-Compulsivo - TOC ...............................................64 7. Medos – Ideias Sínteses ..............................................................................68 7.1 O Medo está no Espírito............................................................................68 7.2 O Medo transcende o Tempo ....................................................................68 7.3 O Medo esvazia a Vida .............................................................................68 7.4 O Medo é Contagioso................................................................................69
  • 3. 7.5 O Medo da Morte e da Vida......................................................................69 7.6 O Medo é uma forma de Auto-obsessão...................................................70 7.7 O Medo e a tua Superação ........................................................................71 8. Medos - Terapêuticas Espirituais Essenciais ...........................................73 8.1 Considerações Gerais................................................................................73 8.2 Autoconscientização .................................................................................76 8.3 Reeducação Mental ...................................................................................82 8.4 Orar/Meditar..............................................................................................85 8.5 Fluidoterapia/Desobsessão........................................................................88 8.6 Laborterapia/Ação enobrecedora ..............................................................90 8.7 Síntese .......................................................................................................94 9. Referências...................................................................................................96
  • 4. 1 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 1. Os Medos na Vida 1.1 Introdução “Senhor, sei que és homem de rija condição; segas onde não semeaste, e recolhes onde não espalhaste; e temendo me fui, e escondi o teu talento na terra; eis aqui tens o que é teu”. Mateus – 25:14-30 – Parábola dos Talentos “Porque Deus não nos deu o Espírito de temor, mas de fortaleza, de Amor e de Moderação”. Paulo de Tarso - II Timóteo, 1:7 Sabemos que variam ao infinito as consequências do medo: fuga, gestos de proteção, gritos, tremor, palidez, dilatação das pupilas, suores frios, respiração ansiosa ou suspensa, palpitações cardíacas, suspensão da secreção salivar, lágrimas, imobilidade, mutismo. A Doutrina Espírita, buscando sempre o esclarecimento e a consolação de quanto a procuram, não se omite nesse particular. A semelhança da Psiquiatria ou da Psicologia, tem buscado difundir conceitos que possam ajudar-nos a enfrentar com serenidade e sobretudo, com muita confiança, o nosso dia-a-dia. A luta entre o medo e a razão É igual à da vespa contra o leão: Incomoda sim, mas vence não! Kleber Halfeld - Reformador - 1990 - Fevereiro – Medo – preconceito dos nervos Neste momento social, o medo assume avantajadas proporções, perturbando a liberdade pessoal e comunitária do indivíduo terrestre. Procurando liberar-se desse terrível algoz, as suas vítimas intentam descobrir-lhe as causas, as raízes que alimentam a sua proliferação. Todavia, essas são facilmente detectáveis. Joanna de Angelis - Momentos de Felicidade - Cap. 11 - Insegurança e Medo “Que eu reze não para ser preservado dos perigos, mas para olhá-los de frente”. Rabindranath Tagore (escritor, Prémio Nobel de Literatura, poeta e músico indiano, 1861- 1941)
  • 5. 2 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual ... E os medos multiplicam-se, especialmente na atualidade, em razão da insegurança que campeia em todos os setores do comportamento, propiciando o receio de perder-se o emprego, o pavor da agressividade e da violência urbana, a angústia da destruição provocada pelas guerras, pelas calamidades sísmicas, pelos acidentes de vária ordem, a incerteza quanto às amizades reais e incompreensão generalizada mediante essas múltiplas ameaças .... O medo transforma-se em algoz das almas e calamidade social. Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 6 – Medo e Autoconfiança Decorrente dos referidos fatores sociológicos, das pressões psicológicas, dos impositivos econômicos, o medo assalta o homem, empurrando-o para a violência irracional ou amargurando-o em profundos abismos de depressão. Num contexto social injusto, a insegurança engendra muitos mecanismos de evasão da realidade, que dilaceram o comportamento humano, anulando, por fim, as aspirações de beleza, de idealismo, de afetividade da criatura. Encarcerando-se, cada vez mais, nos receios justificáveis do relacionamento instável com as demais pessoas, surgem as ilhas individuais e grupais para onde fogem os indivíduos, na expectativa de equilibrarem-se, sobrevivendo ao tumulto e à agressividade, assumindo, sem darem-se conta, um comportamento alienado, que termina por apresentar-se igualmente patológico. As precauções para resguardar-se, poupar a família aos dissabores dos delinquentes, mantendo os haveres em lugares quase inexpugnáveis, fazem o homem emparedar-se no lar ou aglomerar-se em clubes com pessoal selecionado, perdendo a identidade em relação a si mesmo, ao seu próximo e consumindo-se em conflitos individualistas, a caminho dos desequilíbrios de grave porte. Esta é uma sociedade amedrontada. As gerações anteriores também cultivaram os seus medos de origem atávica e de receios ocasionais. O excesso de tecnicismo com a correspondente ausência de solidariedade humana produziram a avalanche dos receios. A superpopulação tomando os espaços e a tecnologia reduzindo as distâncias arrebataram a fictícia segurança individual, que os grupos passaram a controlar, e as consequências da insânia que cresce são imprevistas. Joanna de Angelis - O Homem Integral - 1o Parte - Cap. 4 - Medo
  • 6. 3 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual “O temor do futuro é o pior dos medos”. Oswaldo Aranha (diplomata, ministro e advogado gaúcho, 1894-1960) As constrições morais pungentes, econômicas apavorantes, sociais caóticas, educacionais de solução difícil, das enfermidades de caráter irreversível, se fazem fatores preponderantes para que grasse o medo, soberano. Em tal particular, desempenharam relevante papel as normas religiosas do passado que ensinavam o “temor” em detrimento do “amor” a Deus, os preconceitos exacerbados ante os quais a gravidade do erro era ser este conhecido e não apenas praticado, desde que se demorasse ignorado, contribuíram expressivamente para a atmosfera que hoje se espalha célere e morbífica. Joanna de Angelis - Florações Evangélicas – Cap. 21 – Medo O meu medo é uma coisa assim, que corre por fora, Entra, vai e volta sem sair Não Dalto Roberto Medeiros (compositor carioca, 1949, Álbum “Meus Momentos/1996, canção “Pessoa”) O medo de enfrentar os seus problemas e resolvê-los impele as pessoas a conectarem- se com outras mentes desencarnadas que lhes inspiram e sugerem a fuga através das drogas, da bebida, do cigarro, do comportamento exagerado. O medo de não fazer parte da sociedade dos "ganhadores" impele a chamar a atenção, através do comportamento e roupas exóticas e espalhafatosas. O medo e a frustração de não ter levam ao crime. O medo de não ser amado leva a buscar amor. Como não conhece o amor verdadeiro, busca-o na troca constante de parceiros, e até na prostituição. O medo gera desorganização emocional e psíquica, gerando doenças por somatização destes fatores. Rejane de Santa Helena - O Consolador - Ano 1 - N° 7 - 30 de Maio de 2007 - Medo
  • 7. 4 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual “Nossas dúvidas são traidoras, e nos fazem perder o bem que poderíamos ganhar por medo de tentar”. William Shakespeare (dramaturgo e poeta britânico, 1564-1616) O medo pode ser comparado a sombra que altera e dificulta a visão real. Necessário combate-lo sistematicamente, continuamente. Doenças, problemas, noticias, viagens, revoluções, o porvir não os temas. Nunca serão conforme supões. Uma atitude calma, ajuda a tomada de posição para qualquer ocorrência aguardada ou que surge inesperadamente. Não são piores umas enfermidades do que outras. Todas fazem sofrer, especialmente quando se as teme e não se encoraja a recebe-las com elevada posição de confiança em Deus. Os problemas, constituem recursos de que a vida dispõe para selecionar os valores humanos, e eleger os verdadeiros dos falsos lutadores. As notícias trazem informes que, sejam trágicos ou lenificadores, não modificam, senão, a estrutura de uma irrealidade que se está a viver. As revoluções e guerras que alcançam bons e maus, estão em relação a violência do próprio homem que, vencido pelo egoísmo, explode em agressividade, graças aos sentimentos predominantes em a sua natureza animal. Em face disso, ao invés de sistemático cultivo do medo, uma disposição de trabalho árduo e intimorato, confiança em Deus, afim de enfrentar bem e ultimamente toda e qualquer coisa, fato, ocorrência, desdita... Jesus, culminando a tarefa de construir no tíbios corações humanos a ventura e a paz, açodado pelos famanazes da loucura em ambos os lados da vida, inocente e pulcro, não temeu nem se afligiu, ensinando como deve ser a atitude de todos nós, em relação ao que nos acontece e de que necessitamos para atingir a glorificação interior. Joanna de Ângelis - Leis Morais da Vida – 6o Parte - Cap. 26 – Considerando o Medo
  • 8. 5 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Todo mundo tem medo, uns têm medinhos, outros medões, mas no fundo tudo é medo puro e simples. Sentimos medo de manhã, às vezes à tarde e muito mais à noite, não necessariamente nessa ordem. − Medo de cair, de sair, de se divertir, da felicidade, da fatalidade, da bala perdida, da fome, de ter e de perder, seja lá o que for! − Medo de esquecer o que foi bom, de enlouquecer, de não viver, do prazer, de querer sempre mais e nunca mais parar de querer, − Medo do terror, dos terroristas, dos que manipulam os horrores humanos, dos que adoram o poder, de não poder com esse tipo de gente − Medo de envelhecer, das rugas, dos cabelos brancos, da osteoporose, da menopausa, da calvície, de virar pó. − Medo de experimentar coisas novas, umas melhores e outras piores, mas o que vale é o movimento, somente o que está morto não se move. − Medo de olhar no espelho; do fracasso, da decadência, da não-reação, do marasmo, da acomodação. − Medo de falar a verdade, de não ter verdades pelas quais lutar, de magoar, de brigar, de perdoar. − Medo de não ter o filho desejado, de não vê-lo crescer, de vê-lo adoecer, de não vê-lo feliz. − Medo do chefe que grita, que não elogia, que não explica, que não brinca, que só xinga, que assedia. − Medo da solidão, da rejeição, do telefone que não toca, da palavra não dita, do "mico" não pago, da alucinação da paixão, do beijo não roubado, da dor do amor não correspondido, das velas não apagadas, do grito não ecoado depois do sexo em perfeita comunhão. − Medo da diferença, da indiferença, da arrogância, do desprezo, da ignorância, do preconceito, do politicamente correto, do jeitinho brasileiro, da corrupção, da inflação, da humilhação, da falta de profissionalismo dos políticos, da inveja, da tristeza, das escolhas, do seu corpo, do passado, do presente e do futuro. − Medo de gastrite, otite, sinusite, faringite, meningite, hepatite, celulite e tudo o que é"ite".
  • 9. 6 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual − Medo de errar, de não ter o que dizer, de falar demais, de se calar diante da covardia, de engolir o choro da emoção, de não crer e não ter fé em Deus, em si e na vida. − Medo da enchente, de não gostar de gente, do ladrão, de não ser o único e virar nenhum na multidão. − Medo de pensar "inho" e acabar tendo uma vidinha cercada de gentinha, de perder o emprego, de nunca mudar de emprego por puro medo da mudança, medo da mediocridade e da maldade. − Medo da ditadura, do neoliberalismo, do comunismo, do nazismo, do radicalismo, da guerra, da bomba de Hiroshima, de Nagasaki, do tsunami, do Katrina, da chacina, da rebelião, do vandalismo, da escravidão, da sofreguidão, da falta de poesia, da realidade nua e crua. E, por fim, o medo de não ter coragem para enfrentar tudo isso, mesmo que isso não tenha fim... Ana Beatriz Silva - Mentes com Medo: da compreensão à superação – Introdução
  • 10. 7 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Teme apenas a ti mesmo Na esfera de teu dever. Quem se amedronta consigo Nada mais tem a temer. Casimiro Cunha – Gotas de luz - Cap. 20 - Sementes do caminho “De tudo ficam três coisas: a certeza de que estamos sempre começando, a certeza de que precisamos continuar, a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro”. Fernando Sabino (jornalista e escritor mineiro, 1923-2004, do livro "O Encontro Marcado" – 1º Parte – A Procura) O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Guimarães Rosa – Grande Sertão Veredas – Pag. 334 Chorei, não procurei esconder Todos viram, fingiram Pena de mim, não precisava Ali onde eu chorei Qualquer um chorava Dar a volta por cima que eu dei Quero ver quem dava Um homem de moral não fica no chão Reconhece a queda e não desanima Levanta, sacode a poeira E dá a volta por cima Paulo Vanzolini – Canção: Volta por cima – 1959 Tive medo, não procurei esconder Todos viram, fingiram Pena de mim, não precisava Ali onde eu tive medo Qualquer um tinha. Dar a volta por cima que eu dei Quero ver quem dava Um homem de moral não fica no chão Reconhece o medo e não desanima Levanta, sacode a poeira E dá a volta por cima Canção: Volta por cima (adaptado)
  • 11. 8 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 2. Medos - O Que É Medo é o sentimento de inquietação, de apreensão em face de um perigo real ou imaginário. Grande Enciclopédia Larousse Cultural Estado afetivo suscitado pela consciência do perigo. Temor, ansiedade irracional ou fundamentada. Apreensão em relação a algo desagradável. Enciclopédia Houaiss Sentimento inquietante que se tem diante de perigo ou ameaça. Ansiedade diante de uma sensação desagradável. Dicionário Caldas Aulete 2.1 Visão Espiritual O medo é algoz impenitente que destrói, seguro de si, estilhaçando tudo, tudo transformando em maior razão de pavor: pequenos ruídos semelham trovões, o cicio do vento parece voz de fantasma, a própria respiração soa como estertor de gigante, prestes a desferir golpe fatal. Vitor Hugo – Sublime Expiação – 1º Parte – Cap. 7 – A primeira noite na Colônia Pedro, todos os fracassos do dia constituem a resultante da ação de um só adversário que muitos acalentam. Esse adversário invisível é o medo. Tiveste medo da opinião dos outros, Tiago sentiu medo da reprovação alheia, Bartolomeu asilou o medo da perseguição e Felipe guardou o medo da crítica... Humberto de Campos - Pontos e Contos – Cap. 36 – O Adversário Invisível Classificamos o medo como dos piores inimigos da criatura, por alojar-se na cidadela da alma, atacando as forças mais profundas. André Luiz – Nosso Lar – Cap. 42 – A Palavra do Governador O medo é agente de males diversos, que dizimam vidas e deformam caracteres, alucinando uns, neurotizando outros, gerando insegurança e timidez, ou levando a atos de violência irracional. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 9 - Medo e Responsabilidade
  • 12. 9 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Uma das maiores preocupações do Cristo foi alijar os fantasmas do medo das estradas dos discípulos. A aquisição da fé não constitui fenômeno comum nas sendas da vida. Traduz confiança plena. Não temamos, pois, o que possamos vir a sofrer. Deus é o Pai magnânimo e justo. Emmanuel – Caminho, Verdade e Vida – Cap. 26 – Padecer Na Parábola dos Talentos, o servo negligente atribui ao medo a causa do insucesso em que se infelicita. Recebera mais reduzidas possibilidades de ganho. Contara apenas com um talento e temera lutar para valorizá-lo. Quanto aconteceu ao servidor invigilante da narrativa evangélica, há muitas pessoas que se acusam pobres de recursos para transitar no mundo como desejariam. E recolhem-se à ociosidade, alegando o medo da ação. − Medo de trabalhar. − Medo de servir. − Medo de fazer amigos. − Medo de desapontar. − Medo de sofrer. − Medo da incompreensão. − Medo da alegria. − Medo da dor. E alcançam o fim do corpo, como sensitivas humanas, sem o mínimo esforço para enriquecer a existência. Na vida, agarram-se ao medo da morte. Na morte, confessam o medo da vida. E, a pretexto de serem menos favorecidos pelo destino, transformam-se, gradativamente, em campeões da inutilidade e da preguiça. Se recebeste, pois, mais rude tarefa no mundo, não te atemorizes à frente dos outros e faze dela o teu caminho de progresso e renovação. Por mais sombria seja a estrada a que foste conduzido pelas circunstâncias, enriquece- a com a luz do teu esforço no bem, porque o medo não serviu como justificativa aceitável no acerto de contas entre o servo e o Senhor. Emmanuel – Fonte Viva – Cap. 132- Tendo Medo
  • 13. 10 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Milhões de pessoas — informou, calmo —, depois da morte, encontram perigosos inimigos no medo e na vergonha de si mesmas. André Luiz – Libertação – Cap. 4 – Numa Cidade estranha A ação do pensamento sobre a saúde é incontestável. Vejamos alguns exemplos: A ansiedade estimula a secreção de adrenalina, que sobrecarrega o sistema nervoso e o descontrola; O pessimismo perturba o aparelho digestivo e produz distúrbios gerais; O medo, a revolta, são agentes de úlceras gástricas e duodenais de curso largo. Joanna de Angelis - Episódios Diários – Cap. 35 – Pensamentos Embora devas caminhar sem medo, não te cases à imprudência, a pretexto de cultivar desassombro. Um coração medroso congela o trabalho. Um coração temerário incendeia qualquer serviço, arrasando-o. Busquemos, pois, o equilíbrio com Jesus e fugiremos, naturalmente, ao extremismo, que é sempre o escuro sinal da desarmonia ou da violência, da perturbação ou da morte. Emmanuel - Fonte Viva – Cap. 134 – Busquemos o Equilíbrio Definições sobre o medo, Dou a que tenho comigo: Espécie de microscópio Que aumenta qualquer perigo. Leôncio Correia - Trovas do Mais Além – Cap. 31 - Trovas-deduções O resultado do medo em nossas vidas será a perda do nosso poder de pensar e agir com espontaneidade, pois quem decidirá como e quando devemos atuar será a atmosfera do temor que nos envolve. Ancorados pelo receio e pela desconfiança, criamos resistências, obstáculos e tropeços que nos impedem de avançar. Passamos, então, a não viver novas experiências, não receber novos pensamentos e não fazer novas amizades, estacionando e dificultando nossa caminhada e progresso íntimo. Hammed – As Dores da Alma – Cap. 6 - Medo
  • 14. 11 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual O medo torna o homem irresponsável, fraco e pusilânime. Provação de grave resultado é instrumento para edificação interior por parte da consciência comprometida. O medo é tão cruel que, diante de enfermidades irreversíveis e problemas graves de alto porte, induz a sua vítima à morte pelo suicídio, numa forma extravagante de expressar o medo de morrer sob sofrimento demorado, gerando desse modo mais rudes aflições a se estenderem por tempo indeterminado. Cultivado, torna-se fator asfixiante que responde por terríveis prejuízos morais, sociais, mentais e humanos. Sendo muito complexa a sua órbita de atuação, alguns heróis lograram sucessos nos seus empreendimentos, sofrendo-lhe o impulso, enquanto traidores e desertores não lhe puderam resistir à indução. O medo está presente na raiz de muitos males. É indispensável, pois, combatê-lo com urgência, assim que seja notada sua presença mórbida. (...) O instinto de conservação da vida induz, muitas vezes, o homem ao medo racional, compreensível, que assume o comportamento de cuidado, evitando a precipitação e a imprevidência. Extrapolando, porém, tal condição normal e natural, é gerador de vários distúrbios e conflitos que se instalam e revelam na conduta. Transfere-se de uma vida para outra esse adversário do progresso humano, permanecendo até quando a firme decisão de elevar-se e ser feliz propele o Espírito à luta sem quartel para superá-lo. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 9 - Medo e Responsabilidade O medo, igualmente, permanece no inconsciente como sinal de advertência por algo ocorrido ou alguma ação negativa, que vêm sendo guardados nos depósitos da memória anterior, necessitando de mantê-los ocultos... A ansiedade, como efeito, é resíduo da insegurança defluente da leviandade com que se vivenciaram muitas situações difíceis de ser enfrentadas, produzindo a instabilidade emocional que propele a psique a fugir do presente em ânsia do logo mais. Grupo de Estudos Psicológicos Joanna de Angelis - Espelhos da Alma - Uma Jornada Terapêutica – Cap. Unidade Universal
  • 15. 12 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Esmagadora maioria das criaturas padece a rigorosa constrição do medo. Adversário dos mais cruéis, o medo é responsável por tragédias inomináveis que varrem a Terra em todas as direções, gerando clima nefando de atrocidades de classificação muito complexa. Sob o comando do medo, homens e mulheres se atiram a dissipações venenosas, entregando-se a paulatino aniquilamento, do qual dificilmente se libertam. Jovens em todos os hemisférios do planeta sofrem na atualidade os miasmas do medo, que os intoxicam, enlouquecendo-os de surpresa. Não obstante as superiores conquistas do pensamento, as largas expressões da comunicação os debates francos e livres, as liberdades dos costumes, as realizações tecnológicas preciosas para o contexto humano, nos dias modernos, falecem os ideais do enobrecimento e as linhas da sóbria razão, graças às tenazes do medo dominante em todos os campos da ação. O medo de enfrentar problemas e solvê-los, como consequência do falso paternalismo do passado, empurra as mentes novas a formas diversas de expressão, muitas delas inspiradas por outras mentes desencarnadas que intercambiam psiquicamente em clima obsidente de longo curso entre as duas esferas: aquém e além da morte. Alimentado ou esmagado nos painéis da alma, raramente vencido nos combates face a face de cada dia, o medo se alonga e prossegue, mesmo quando o espírito desencarna, permanecendo atado às reminiscências infelizes, anestesiado pela hipnose do pavor. Dizimando em largas faixas da experiência humana, o medo não tem recebido o necessário investimento do estudo psicológico na Terra, quanto às suas raízes, que se encontram cravadas nos recessos íntimos do espírito, bem como não tem merecido a justa apreciação para combatê-lo com os hábeis recursos, específicos, capazes de o vencer e destruir. Joanna de Angelis - Florações Evangélicas – Cap. 21 – Medo O medo produz sintonia com aquilo que se teme, pela própria vibração que emite. Assim, também, a esperança do bem eleva o espirito, graças às energias que elabora, facultando intercâmbio superior com a Verdade. Vitor Hugo – Sublime Expiação – 1º Parte – Cap. 1 – A Carta
  • 16. 13 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Luta-se com o medo para evitá-lo, para contorná-lo, para superá-lo, mais do que se pensa conscientemente, gastando-se tempo valioso, que poderia ser aplicado em experiências que seriam exitosas, em forma de realizações não tentadas. Fantasia-se a vida como uma viagem sem incidentes nem acidentes, o que não deixa de ser utópico e irreal. O próprio ato de viver no corpo é firmado em processos desafiadores do organismo. Na execução do programa de cada vida, todos tropeçam, sofrem decepções, insucessos, que são mestres hábeis no ensino dos mais eficientes meios para alcançar-se as metas a que se propõem. Nada é fácil, sempre apresentando-se como recurso de aprendizagem e de evolução. O medo, portanto, oculta-se na fantasia de tudo muito fácil, sem suores nem lágrimas, sem sofrimentos nem lutas, gerando incertezas em torno do ato de existir. Joanna de Angelis - Conflitos Existenciais - Cap. 4 - Medo Realmente, não foi o Pai Excelso quem nos instilou o Espírito do medo. Ao revés disso, conferiu-nos largamente a fortaleza da coragem, o amor e a moderação. (...) É por isso que geramos, em nosso prejuízo, o clima de medo, em que os monstros do egoísmo, da discórdia, do desespero e da crueldade se desenvolvem, tanto quanto a cultura de várias enfermidades prolifera na podridão. Não te percas, desse modo, nas idéias inquietante ou destruidoras do medo, capazes de operar a ruína dos melhores impulsos, porque se utilizas a fortaleza da coragem, do amor e a moderação - talentos de que o Senhor te investiu em favor do próprio aperfeiçoamento - seguirás para diante, na Terra e além da Terra, com a luz do coração e a paz da consciência. Emmanuel – Palavras de Vida Eterna – Cap. 84 – Divinos Dons.
  • 17. 14 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 2.2 Visão Psicológica O medo pode ser definido como um estado psíquico de inquietação constante, agitação ou impaciência diante de um perigo real ou imaginário. O medo racional é saudável e necessário em nossa vida. Ele nos protege de nossa impulsividade e de nossos atos irrefletidos. No entanto, quando o medo é patológico, torna-se destrutivo e tem como resultado a imobilidade de nossas forças mais íntimas. Hammed – As Dores da Alma – Cap. 6 - Medo O medo, em si, não constitui uma patologia e sim, um comportamento de cautela para maior segurança do indivíduo. Ele é racional, perfeitamente controlável, não interfere nas atividades diárias, nem desencadeia sintomas físicos, psicossomáticos. Maria Júlia Peres – Folha Espírita 2003 - Entrevista Viver sob o domínio do medo É acreditar na crueldade e condenação. Não há nada contra você, Apenas sua crença no mal. Não há medo real, Apenas coragem recalcada. Olhar com olhos de boa vontade, É ver com os olhos de Deus... Luiz Antônio Gasparetto – Atitudes – Pag. 28
  • 18. 15 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Os fatores psicossociais, as pressões emocionais influem, igualmente, para tornar o indivíduo amedrontado, especialmente diante da liberação sexual, gerando temores injustificáveis a respeito do desempenho na masculinidade ou na feminilidade, que propiciam conflitos psicológicos de insegurança, a se refletirem na área correspondente, com prejuízos muito sérios. Bem canalizado, o medo se transforma em prudência, em equilíbrio, auxiliando a discernir qual o comportamento ético adequado, até o momento em que o amadurecimento emocional o substitui pela consciência responsável. Joanna de Angelis - Autodescobrimento - Uma Busca Interior - Cap. 9 - Pânico Encontramos no dicionário a seguinte definição para a palavra medo: "Sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário". De forma muito semelhante, a palavra ansiedade é definida como "sensação de receio e de apreensão, sem causa evidente"; sinônimo de ânsia, aflição: "perturbação de espírito causada pela incerteza ou pelo receio". Embora sejam definições técnicas, são importantes para percebermos a impossibilidade de distinção entre as duas palavras. Sendo assim, sempre que o medo está presente, a ansiedade se revela em plenitude, seja em evidentes sinais físicos ou em sintomas psíquicos. O grande problema é quando essa duplinha inseparável (medo-ansiedade) foge de um padrão equilibrado e se torna incontrolável. (...) A reação do medo está no centro de vários transtornos do comportamento (ou mentais), conhecidos como transtornos de ansiedade. As sensações envolvidas na reação do medo normal (como instinto de defesa) ou no ataque de pânico (sensação de medo intenso, súbito e anormal) são exatamente as mesmas: taquicardia, sudorese, aceleração da respiração, tremores, boca seca, formigamentos, calafrios etc. A única diferença - e esta é a grande diferença – é que, nós temos consciência do porquê estamos reagindo daquela maneira (medos das feras). Já no pânico, por exemplo, nós não conseguimos identificar um fator desencadeante ou um estímulo óbvio para causar sentimentos tão fortes. Ana Beatriz Silva - Mentes com Medo: da compreensão à superação – Cap. 1 – Transtornos de Ansiedade - Medo
  • 19. 16 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Para tornarmo-nos heróis teremos que confrontar o “dragão do medo” e esse dragão surge para nós durante toda a jornada, a cada nova fase da vida, a cada necessidade de mudança, a cada novo aprendizado. O dragão ficará ali à espera, sempre ameaçando nos devorar, embotando nossa consciência, inibindo nossa capacidade de agir e devorando nosso sentindo existencial. Mas ele, o medo, só é perigoso porque fugimos dele, ou melhor, pensamos que fugimos. Psicologicamente, a luta do herói com o dragão significa dominar o medo, mas, observe, não é deixar de ter medo, e sim, dominá-lo e integrá-lo. Sempre que nos deparamos com o “novo”, o ego faz uma interpretação de ameaça, caos, desconhecido e estranho, ou seja, é perigoso e devemos evitar. Muitas vezes, esse “novo” representa possibilidades de desenvolvimento, aspectos desconhecidos do nosso Si-mesmo com que ainda não estamos familiarizados e que precisam emergir. A maioria de nós acredita que a melhor forma de lidar com o medo é reprimindo ou deixando de tê-lo; na verdade, aprendemos isso na infância, o que faz com que cresçamos acreditando que medo é para os fracos. O problema é que vamos, com essa atitude, nos tornando duros não só com os outros, mas principalmente conosco. O medo é uma emoção saudável que precisamos para nos manter vivos. Então, não resolve tentar reprimi-lo ou eliminá-lo; o que precisamos fazer é admitir que: “sim, sinto medo”. Ao buscarmos desenvolver o hábito da autopercepção, as reflexões em torno do medo podem ser muito enriquecedoras. Sempre que sentirmos medo, devemos nos perguntar: “Do que realmente tenho medo?” Muito provavelmente perceberemos que o que nos amedronta não está de fato na situação, mas nos nossos complexos que se misturam àquela nova possibilidade. Olhar o medo de forma distanciada emocionalmente pode ajudar bastante; rever a situação como se fôssemos expectadores favorece uma percepção mais ampla e a construção de novos comportamentos que podem ser experimentados para a mesma situação, o que possibilita uma aproximação cada vez maior daquilo que até então era temido. Superar o medo nos leva ao tesouro da consciência mais ampla e a muitas e novas possibilidades de vida. Grupo de Estudos Psicológicos Joanna de Angelis - Espelhos da Alma - Uma Jornada Terapêutica - Cap. 2 – Ouvindo a Voz Interior
  • 20. 17 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 3. Medos – Classificação Geral 3.1 Normais = Medos Conservativos/Instintivos O medo normal está ligado aos instintos primários de sobrevivência, atuando como o principal agente da resposta de fuga ou luta, quando há algum perigo, e está relacionado à prudência para se evitar danos ao corpo físico, que coloquem em risco a vida da pessoa. Uma pessoa equilibrada sente um medo natural do desconhecido, fruto do instinto de autopreservação, mas que é superado com os cuidados e com a prudência com que realiza as suas ações. A pessoa que não sente medo de nada cultua a temeridade, agindo de forma inconsequente e imprudente, colocando em risco a própria vida e, muitas vezes, a dos outros, sem pensar nas consequências dos seus atos para si e para os demais. Observado por um ângulo superficial, parece alguém extremamente autoconfiante e destemido. Na realidade, porém, essa autoconfiança é falsa, pois não há nisso coragem. Pessoas assim sentem, na realidade, um desprezo pela vida, e por isso se tornam temerárias. Federação Espirita do Mato Grosso – Projeto Espiritizar – Cura Espiritual do Medo, das Fobias e do Pânico Medos naturais São aqueles medos com os quais todos nós nascemos... Fogo; Grandes ruídos; Desequilíbrios; Morte e mortos; (do) Desconhecido “Medos amigos” Os chamados “medos amigos” são aqueles ditados pela prudência. Por meio deles, os seres vivos mantêm sua integridade. Por exemplo: o homem: numa escala que vai ao infinito, posto que a inteligência abre um leque de infinitas hastes de opções, sempre evitará a ação de consequências prejudiciais, por exemplo: não ultrapassar na curva, não brincar à beira do precipício, não riscar fósforos próximo a combustíveis etc. Afirmo, enfaticamente, que esses não são medos, são frutos da prudência, ditada pelo abençoado instinto de conservação, engendrado por Deus e que nasce com todas as criaturas. Eurípedes Kuhl - Deus, Espirito e Universo - Cap. 6 - Vencendo nossos medos
  • 21. 18 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 3.2 Reais = Medos Básicos/Usuais Medos básicos Podem-se relacionar seis tipos básicos de medo, que assaltam a criatura humana durante a finitude da sua existência corporal: 1 - O medo da morte, 2 - O medo da velhice, 3 - O medo da doença, 4 - O medo da pobreza, 5 - O medo da crítica e 6 - O medo da perda de um afeto profundo. Todos eles decorrem da insegurança pessoal remanescente dos conflitos originados em comportamentos infelizes que deram lugar a transtornos de significado especial. Não compreendendo a Vida como uma realidade constituída por etapas delineadas com firmeza no corpo somático e fora dele, o indivíduo vê na conjuntura material a única realidade, sem a qual tudo é desconhecido ou impossível de existir. Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 6 – Medo e Autoconfiança A impotência do ser humano diante dos fenômenos da Natureza e a quase indiferença de algumas autoridades do mundo em relação aos seus governados geram medo de cada qual ser a próxima vítima, refugiando-se no silêncio e no temor que assalta ameaçador. Grande parte do noticiário da mídia que se compraz em exaltar o esdrúxulo, o agressivo ao contexto social, o crime, contribui dessa forma para a alucinação de alguns enfermos perversos que se sentem estimulados à prática de arbitrariedades, assim como desenvolve o medo da convivência, do relacionamento com outros indivíduos, sempre vistos como futuros agressores. Esses medos sempre impedem o repouso, desencadeiam mais imaginativos receios, e mesmo quando apoiados em ocorrências reais, aumentam de intensidade, tornando-se quase insuportáveis. Joanna de Angelis - Conflitos Existenciais - Cap. 4 - Medo
  • 22. 19 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Medos reais/usuais Situam-se entre as inquietações resultantes de traumas. Por exemplo: − assalto: alguém é assaltado e passa a ter receio de voltar a ser vítima; como defesa deixa de sair de casa, até quase se enclausurar por completo. O melhor seria continuar saindo normalmente, porém com cuidado redobrado; e se voltasse a ser assaltado, com certeza já teria muito mais equilíbrio para proceder sem correr riscos; − falar em público: alguém diz algo para algumas pessoas e é ridicularizado... a partir desse instante, implanta-se tal medo; se a pessoa treinar, contudo, nem que seja no banheiro, em frente ao espelho, e depois para a família, verá que aos poucos dominará essa técnica, não sendo necessário ser um brilhante orador, mas apenas alguém que fale com clareza; − infecção: é bom sempre lavar as mãos, tal cuidado é excelente; só haverá problema se houver exagero... − viajar de avião: desastres aéreos ocorrem, mas o avião é dezenas ou centenas de vezes mais seguro do que automóveis... Obs.: Geralmente, esses medos se transformam em manias, daí em fobias, depois em neuroses, podendo evoluir para psicoses... Medos imaginários Falsos sentimentos, pois ainda não aconteceram, mas já vivem na mente, como se fossem reais. Considerando que o homem formula pensamentos, cuja fixação os converte em “realidade” mental, surge aqui – apenas entre nós, homens –, o medo imaginário, isto é, temor de algo que ainda não aconteceu. Esse é o mais prejudicial dos medos, pois o medo real, muitas vezes tem raízes no passado, a se expressar no presente. Agora: como ter medo de algo que ainda não aconteceu? Exemplos: − um estudante (ou muito magro, ou de pouca estatura, ou de óculos, ou algo obeso) traz em estado latente o receio de não ser aceito e com isso evita se enturmar; − um jovem que sofre, antecipadamente, a angústia de não arranjar namorada.
  • 23. 20 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Medos “inimigos” São os que causam prejuízos ao ser humano, não por alguma ação, ao contrário, pela inação. Por exemplo: − medo de mudanças: é um arqui-inimigo de toda a humanidade; num ambiente de trabalho ou de reuniões, por exemplo, existe o medo de mudar de lugar pessoas/objetos/móveis... − medo de enfrentar desafios da vida, tais como assumir responsabilidades (sejam familiares, profissionais, sociais). Medos irracionais São aqueles sentimentos que bloqueiam o raciocínio e se edificam sob bases que contrariam o bom senso. Por exemplo: “medo de ir ao dentista” – vejam bem, que o que se diz não é “ter medo de ser submetido a um tratamento odontológico”, e sim, “de ir ao dentista...”. Eurípedes Kuhl - Deus, Espirito e Universo - Cap. 6 - Vencendo nossos medos Quem teme as sombras da noite, Fugindo para não vê-las, Recusa a oportunidade De contemplar as estrelas. Mariana Luz - Trovas do Mais Além - Cap. 21 - Meditações Quem teme cobra e lagarto, Quem passarinhos receia, Perde a vida sem combate, Não prepara, nem semeia. Casimiro Cunha – Gotas de luz - Cap. 13 - Anexins de sempre
  • 24. 21 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 3.3 Neuróticos = Fobias/Manias O medo patológico é aquele no qual o indivíduo se sente incapaz de se conduzir e de se afirmar na vida, com medo de tudo e de todos. Acreditando‐se incapaz, fica acuado diante dos desafios naturais da existência, podendo, em grau extremo, paralisar‐se, por medo de sofrer algum dano. Têm‐se medo de tudo, uma verdadeira polifobia vem tomando conta da Humanidade, pois o ser humano perdeu o endereço de si mesmo. Em virtude disso, cultua‐se cada vez mais o medo de ter medo, as fobias se avolumam e a chamada síndrome do pânico tem se tornado epidêmica em vários países da Terra. Acontece que o medo patológico é uma doença do Espírito e somente será curado com práticas espirituais, com a busca real do sentido da vida. O medo surge quando há falta de autoconfiança, de confiança na Vida e em Deus. Psicologicamente, o medo está ligado à ignorância em relação à vida, que gera insegurança. Contudo, em nível mais profundo, as suas causas remontam a algo muito mais significativo para o Espírito imortal. Federação Espirita do Mato Grosso – Projeto Espiritizar – Cura Espiritual do Medo, das Fobias e A fobia traduz um medo, muitas vezes sem controle, ligado a um objetivo ou mesmo a alguma situação. Este específico mecanismo desencadeia a ansiedade que é o componente característico da fobia. (...) É claro que os graus de fobias são imensos e variáveis com os indivíduos. Chegamos mesmo a dizer que há uma certa entrosagem, sem limites e demarcações, entre fobia e medo. (...) As fobias podem alcançar todas as idades. Na infância são perfeitamente contornadas, face a uma boa orientação e, na sua quase totalidade desaparecem na puberdade. Os reflexos de fobias da infância, na idade adulta, são bastante raros. As fobias dos adultos são mais persistentes e quanto mais idoso o indivíduo, mais a fobia pode fazer parte de sua natureza, caso não tenha trabalhado no sentido de eliminá-la.
  • 25. 22 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual (...) É, preciso se diga que a maioria das pessoas normais apresenta coloridos fóbicos: medo de viagem de avião, de lugares altos, janelas com pouca proteção, do mar, etc. (...) Podemos considerar a fobia como única (simples) ou de caráter múltiplo, quando vários componentes fazem parte da reação. A tonalidade de qualquer reação psíquica que o indivíduo apresenta está a depender de seu arcabouço psicológico - quanto mais estável e harmônico diante da vida, mais facilmente reage às situações; quanto mais instável, desorganizado, imaturo e não cumpridor dos deveres, mais condicionado ao medo, aos fetiches e às fobias. (...) Os portadores de fobias; como outros mecanismos similares, estão, quase sempre relacionados a defeitos psicológicos pregressos, por isso, necessitando de construção positiva nos setores da vida, a fim de neutralizarem essas pequenas ilhotas doentes do mundo psíquico. Portanto, é no desenvolvimento espiritual do psiquismo humano que o ser encontra o caminho de sua libertação. (...) De importância, na profilaxia e tratamento das fobias, são os bons exemplos de conduta de vida com aplicação de justiça e atenção para o semelhante, um lar bem constituído, a fraternidade, o desenvolvimento de virtudes e a sensação de bem estar que o dever cumprido propicia. Jorge Andrea - Dinâmica PSI - Pag. 121 - Fobias
  • 26. 23 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 4. Medos - Causas Fundamentais 4.1 Fixações de existências passadas infelizes = Medo “Cármico” Conflitos herdados da existência passada, quando os atos reprováveis e criminosos desencadearam sentimentos de culpa e arrependimento que não se consubstanciaram em ações reparadoras. Em qualquer dos processos referidos (fixações do passado, obsessão, vivencias atuais problemáticas) o medo é uma reminiscência que toma corpo na mente e assoma, dominador, culminando por prevalecer ante qualquer decisão ou empenho de quem lhe experimenta a injunção. Remanescente da encarnação passada, libera os clichês arquivados no inconsciente profundo, estabelecendo alienações auto-obsessivas, em mecanismo punitivo, de que o ser sente necessidade como forma de minorar os efeitos danosos dos atos irresponsáveis e arbitrários praticados. Não obstante, tal mecanismo de redenção em nada libera o culpado, embora o leve a dores e angústias inomináveis, porque destituído do caráter recuperador dos prejudicados ou de reparação dos delitos perpetrados. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 9 - Medo e Responsabilidade Pode-se afirmar que existem fatores endógenos e exógenos que respondem pela presença do medo. No primeiro caso, os comportamentos infelizes de reencarnações anteriores imprimem-no nos refolhos do períspirito que, por sua vez, instala no inconsciente profundo as matrizes do receio de ser identificado, de ser descoberto como autor dos danos que foram produzidos noutrem e procurou ignorar, mascarando-se de inocente. Nesse sentido, podemos incluir as perturbações de natureza espiritual, em forma de sutis obsessões, consequências daqueles atos inditosos que ficaram sem regularização no passado. Joanna de Angelis - Conflitos Existenciais - Cap. 4 - Medo
  • 27. 24 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual É no Espírito que estão as causas do medo. Embutidos nos fatores sociológicos e econômicos, vamos descobrir os fatores psicológicos oriundos do ser espiritual, pois é no cerne do ser – o Espírito – que se encontram as causas do medo. O medo procede de experiências passadas, de reencarnações malsucedidas ou fracassadas. Assim, o medo pode advir da culpa não liberada, em face de o crime haver permanecido oculto ou não justiçado, mas permanecendo na consciência do ser para posterior reparação. O medo pode ser ainda decorrente de grande impacto negativo no âmago do ser, como planos maquiavélicos, traições infames com disfarçado sorriso, que geram a atual consciência de culpa e os problemas de relacionamento. Rejane de Santa Helena - O Consolador - Ano 1 - N° 7 - 30 de Maio de 2007 - Medo O criminoso inqualificável que mata com requintes de sadismo e o suicida melancólico que investe, cobarde, contra a própria vida, sofrem a psicose do medo. O grupo anarquista que consuma agressões revoltantes em nefastas maquinações da crueldade e o pai de família insensível no lar, ocultam-se nos rebordos do medo, buscando ignorar a enfermidade que os desequilibra. Na quase totalidade dos crimes que explodem, opressivos, encontram-se os rastros do medo sempre presente. Joanna de Angelis - Florações Evangélicas – Cap. 21 – Medo Sabendo que o perispírito guarda indelevelmente as chamadas “matrizes psíquicas” (fatos marcantes de outras existências) não ficará difícil conjeturar que determinados medos, no presente, podem ter se originado em vidas passadas, como por exemplo num suicídio anterior ou por alguém ter sido vítima de um tipo específico morte. Sendo assim: − medo de multidão: será que essa pessoa não foi condenada e quem sabe até apedrejada em público? − medo de altura: não teria se suicidado, atirando-se de um penhasco, ou sido vítima, caindo? − medo de água: não teria se afogado? − medo de lugares fechados: não teria morrido num calabouço? − medo de animais: não teria morrido sob ataque de algum deles? Eurípedes Kuhl - Deus, Espirito e Universo - Cap. 6 - Vencendo nossos medos
  • 28. 25 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Este homem que se diz forte, destemeroso, conquistador e herói, procura continuamente os métodos de defesa para os seus males, porquanto, antes de mais nada, é o homem que tem medo da vida. Inconscientemente ele agride a vida, inconscientemente a vida lhe responde. O medo é o fantasma que o acompanha, porque foi desenvolvido nas profundezas de seu psiquismo pela absorção de vivências negativas. Hoje, sabemos da importância que as energias de profundidade do nosso psiquismo (inconsciente ou zona espiritual) exercem sobre a conduta da vida consciente. Desenvolver iniquidades, concorrer para o desequilíbrio e destruição, ampliar esquemas que provoquem a corrosão da sociedade, dizer-se sagaz e poderoso e propiciar com ações e fatos para a escravidão do irmão menos favorecido, multiplicar a dor pela ânsia de desajustado poder, é criar condições adversas na intimidade do Espírito que, pelas suas irradiações deletérias, destruirão a tela superficial da consciência. O martelar constante na consciência dessas fontes energéticas doentias são causadoras de distúrbios, de variados matizes, onde o medo representaria a capa de envolvimento de todos esses mecanismos. Quais sejam a deficiência, a doença, o distúrbio das emoções e das afetividades, partindo dos fulcros vorticosos do inconsciente ou espírito, todos eles encontram-se revestidos do fantasma do medo. Esse “totem” negativo do espírito - O medo - a matizar e envolver as energias espirituais é válvula contensora e impeditiva de maiores quedas e descalabros psíquicos. É a Lei, com suas oportunas e necessárias algemas, a conter o desequilíbrio do insensato e do antifraterno, mas, que um dia, os acúleos da dor os coloquem no redil dos equilibrados e não mais possam ignorar a Lei do Amor. Jorge Andrea - Dinâmica PSI - Pag. 117 - O Medo, reflexos negativos da alma As emoções reencarnam junto com a pessoa. Na dinâmica emocional, as vidas passadas respondem pelo maior acervo dos desencontros emocionais reeditados na vida atual. Costumamos dizer que o que se apaga das vidas passadas são os fatos, mas não a memória emocional dos fatos. Traumas de vidas anteriores reencarnam junto no nível emocional. Sérgio Luís da Silva Lopes – Revista A Reencarnação – No 425: A Dinâmica Emocional nas Perturbações Obsessivas – 2003 - FERGS
  • 29. 26 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 4.2 Influenciação Espiritual Obsessiva = Medo “Obsessão” Sofrimentos vigorosos que foram vivenciados no além-túmulo, quando as vítimas que ressurgiram da morte açodaram as consciências culpadas, levando-as a martírios inomináveis, ou quando se arrojaram contra quem as infelicitou, em cobranças implacáveis; Se procedente das experiências sofridas fora do corpo, quando na Erraticidade inferior, as recordações pavorosas criam condicionamentos viciosos que atemorizam, fixando-as mais e, ao mesmo tempo, produzindo instabilidade em relação a quaisquer programas de ação, que se apresentam como áreas perigosas, para a mente em desconcerto, impedindo o rompimento da cortina invisível que se lhe faz obstáculo. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 9 - Medo e Responsabilidade As torturas sofridas durante longos períodos, nas regiões Umbralinas, poderiam criar núcleos de pavor no Perispírito que, desaguando no cérebro físico na reencarnação seguinte, facultariam o aparecimento das fobias ou síndrome do pânico. Jaider Rodrigues de Paula - Saúde e Espiritismo - Pag. 385 Síndrome do Pânico na Visão Espírita O medo é verdugo impiedoso dos que lhe caem nas mãos. Produz vibrações especiais que geram sintonia com outras faixas na mesma dimensão de onda, produzindo o intercâmbio infeliz de forças deprimentes, congestionantes. À semelhança do ódio, aniquila os que o cultivam, desorganizando-os de dentro para fora. Alçapão traiçoeiro, abre-se, desvelando o fundo poço do desespero, que retém demoradamente as vítimas que colhe... Vitor Hugo – Párias em Redenção – 1º Parte – Cap. 7 – Obsessão vingadora e pertinaz Nos tormentosos fenômenos de obsessão espiritual, a indução telepática do perseguidor faz que o vitimado se ressinta de tudo quanto à sua volta possa trabalhar pela sua recuperação, pela reconquista da saúde e do equilíbrio. Teleguiado pelo adversário invisível, experimenta o desconforto que se deriva do medo que lhe é infligido, adotando conduta estranha, doentia... Joanna de Angelis - Conflitos Existenciais - Cap. 4 - Medo 2
  • 30. 27 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Há, entretanto, síndromes de distúrbio de pânico que fogem ao esquema convencional. Aquelas que têm um componente paranormal, como decorrência de ações espirituais em processos lamentáveis de obsessão. Agindo psiquicamente sobre a mente da vítima, o ser espiritual estabelece um intercâmbio parasitário, transmitindo-lhe telepaticamente clichês de aterradoras imagens que vão se fixando, até se tornarem cenas vivas, ameaçadoras, encontrando ressonância no inconsciente profundo, onde estão armazenadas as experiências reencarnatórias, que, desencadeadas, emergem, produzindo confusão mental até o momento em que o pânico irrompe incontrolável, generalizado. Dá-se, nesse momento, a incorporação do invasor do domicílio mental, que passa a controlar a conduta da vítima, que se lhe submete à indução cruel. Cresce assustadoramente na sociedade atual essa psicopatologia mediúnica, que está requerendo sérios estudos e cuidadosas pesquisas. Joanna de Angelis - Autodescobrimento - Uma Busca Interior - Cap. 9 - Pânico Surgem, como efeito natural (das obsessões), as síndromas da inquietação: as desconfianças, os estados de insegurança pessoal, as enfermidades de pequena monta, os insucessos em torno do obsidiado que soma as angústias, dando campo a incertezas, a mais ampla perturbação interior. Gera uma psicosfera perniciosa à própria volta pela eliminação dos fluídos deletérios de que é vítima e absorve-a mais condensada, por escusar-se ouvir sadias questões, participar de convívios amenos, ler páginas edificantes, auxiliar o próximo, renovar-se pela oração. Conforme a constituição temperamental que é um fator de relevante importância, faz-se apático, se tende à depressão, adentrando-se pela melancolia, em razão da mensagem telepática deprimente e dos clichês mentais pessimistas que ressumam do arquivo da inconsciência. No sentido oposto, se é dotado de constituição nervosa excitada, torna-se agressivo, violento, em desarmonia de atitudes - explode por nonadas, do que logo se arrepende — expondo a aparelhagem psíquica e os nervos a altas cargas de energias que danificam os sensores e condutores nervosos, com singulares prejuízos para a organização fisiopsíquica. Manoel Philomeno de Miranda – Nas Fronteiras da Loucura – Cap. Análise das Obsessões
  • 31. 28 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Quando se é portador de pensamento compulsivo, a consciência torna-se invadida por representações mentais involuntárias, repetitivas e incontroláveis, variando de paciente para paciente. Trata-se de ideias desagradáveis umas, repugnantes outras, que infelicitam, e o enfermo não dispõe de meios lúcidos para as enfrentar, superando-as. Trata-se de um objetivo defensivo do inconsciente pessoal, impedindo que o doente tome conhecimento da sua realidade interior, dos seus legítimos impulsos e emoções. Fixam-se-lhe pensamentos repetitivos, alguns ridículos, mas dos quais o enfermo não se consegue libertar. Outras vezes, manifestam-se em forma de dúvidas inquietantes, que desequilibram o comportamento. Joanna de Angelis – Aspectos Psiquiátricos e Espirituais nos Transtornos Emocionais – Cap. 8 - Transtorno obsessivo-compulsivo Existe um crescimento no número de portadores do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Como a Doutrina Espírita explica esse transtorno no qual a pessoa comporta-se de maneira estranha, como lavar as mãos compulsivamente ou confirmar se a porta está trancada inúmeras vezes, dentre outros. Isso decorre da existência natural da pessoa ou são reflexos das reencarnações anteriores? Poderemos afirmar que tanto pode resultar de transtornos da afetividade na infância, como a insegurança, fruto de uma mãe castradora ou supermãe, de um pai negligente, que geram no indivíduo aquele tormento da repetição, como pode também ter uma origem anterior, porque todos os nossos padecimentos atuais têm sempre uma causa, que, não sendo desta vida, é de existência anterior. Allan Kardec é muito claro em O Evangelho Segundo o Espiritismo, esclarecendo a questão conforme enunciado. Normalmente, o TOC é um distúrbio muito grave, porque afeta o sistema nervoso central, e a pessoa nessa condição quase psicótica desgasta-se e necessariamente exige cuidadosa terapia especializada. Também recomendo que, ao lado da terapia médica, psiquiátrica, se for o caso, que seja realizada a assistência espiritual, buscando o esforço em favor da auto-iluminação, da meditação, da prece, da construção interior de novos hábitos, para poder libertar-se desse perverso condicionamento repetitivo e perturbador. Divaldo Franco - Divaldo Franco Responde 1 – Páginas 55/56
  • 32. 29 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 4.3 Experiências conscienciais traumáticas desta vida = Medo “Opressor” Desequilíbrio da educação na infância atual, com o desrespeito dos genitores e familiares pela personalidade em formação, criando fantasmas e fomentando o temor, em virtude da indiferença pessoal no trato doméstico ou da agressividade adotada. (...) Nascente na vida atual, em face da família castradora e rude, é ainda o Espírito endividado constrangido a recomeçar a vilegiatura evolutiva, no meio social de que necessita, a fim de desenvolver os valores da submissão, da autodisciplina e da humildade, lamentavelmente transformados em medo. (...) Em qualquer dos processos referidos (fixações do passado, obsessão, vivencias atuais problemáticas) o medo é uma reminiscência que toma corpo na mente e assoma, dominador, culminando por prevalecer ante qualquer decisão ou empenho de quem lhe experimenta a injunção. Remanescente da encarnação passada, libera os clichês arquivados no inconsciente profundo, estabelecendo alienações auto-obsessivas, em mecanismo punitivo, de que o ser sente necessidade como forma de minorar os efeitos danosos dos atos irresponsáveis e arbitrários praticados. Não obstante, tal mecanismo de redenção em nada libera o culpado, embora o leve a dores e angústias inomináveis, porque destituído do caráter recuperador dos prejudicados ou de reparação dos delitos perpetrados. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 9 - Medo e Responsabilidade A infância, especialmente no ser humano, é a mais longa do reino animal, a fim de que sejam formados a personalidade, o conhecimento, a consciência e a individualidade. As marcas psicológicas das ações vivenciadas nesse período imprimem-se de maneira vigorosa nas áreas da emoção, e dão lugar às feridas dilaceradoras que culminam em transtornos vários e angústias inomináveis. Tudo quanto se semeia na infância, desenvolve-se, cresce e liberta ou aprisiona o aprendiz. Conscientizar o jovem a respeito das malévolas influências de que foi objeto, contribui eficazmente para a mudança do comportamento emocional, desde que acompanhada por uma psicoterapia adequada, capaz de proporcionar a libertação de toda a vasa de amargura e desamor, até poder assimilar, pela lógica e pelos fatos, que é amada, que merece ser feliz, que renasceu para conquistar a plenitude sempre ao alcance de quem realmente a deseja. Grupo de Estudos Psicológicos Joanna de Angelis - Espelhos da Alma - Uma Jornada Terapêutica – Cap. Joanna de Angelis Responde - Parte I – Perg. 7
  • 33. 30 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Pode-se afirmar que existem fatores endógenos e exógenos que respondem pela presença do medo. No primeiro caso, os comportamentos infelizes de reencarnações anteriores imprimem-no nos refolhos do períspirito que, por sua vez, instala no inconsciente profundo as matrizes do receio de ser identificado, descoberto como autor dos danos que foram produzidos noutrem e procurou ignorar, mascarando-se de inocente. Nesse sentido, podemos incluir as perturbações de natureza espiritual, em forma de sutis obsessões, consequências daqueles atos inditosos que ficaram sem regularização no passado. No segundo caso, as atitudes educacionais no lar, os relacionamentos familiares agressivos, o desrespeito pela identidade infantil, as narrativas apavorantes nas quais muitos adultos se comprazem, atemorizando crianças; os comportamentos agressivos das pessoas, desenvolvem medos que adquirem volume à medida que o crescimento mental e emocional amplia a capacidade de conduta do educando. Ao mesmo tempo, os apavorantes fenômenos sísmicos que periodicamente varrem o planeta, ceifando vidas, destruindo cidades e ameaçando outras, o virulento terrorismo político internacional, a violência urbana, as injustiças sociais profundas, a competição perversa pela projeção no mundo dos negócios, dos divertimentos, do poder de qualquer natureza, produzem medo naqueles cuja constituição emocional, perturbada desde a infância pelos temores que lhe foram infundidos, desborda-se em pavores inquietantes. Joanna de Angelis - Conflitos Existenciais - Cap. 4 - Medo
  • 34. 31 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual O medo, em si mesmo, não é negativo, assim se mostrando quando, irracionalmente, desequilibra a pessoa. O desconhecido, pelas características de que se reveste, pode desencadear momentos de medo, o que também ocorre em relação ao futuro e sob determinadas circunstâncias, tornando- se, de certo modo, fator de preservação da vida, ampliação do instinto de autodefesa. Mal trabalhado na infância, por educação deficiente, o que poderia tornar-se útil, diminuindo os arroubos excessivos e a precipitação irrefletida, converte-se em perigoso adversário do equilíbrio do educando. São comuns, nesse período, as ameaças e as chantagens afetivas: — Se você não se alimentar, ou não dormir, ou não proceder bem, papai e mamãe não gostarão mais de você..., ou O bicho papão lhe pega, etc. A criança, incapaz de digerir a informação, passa a ter medo de perder o amor, de ser devorada, perturbando a afetividade, que entorpece a naturalidade no seu processo de amadurecimento, tornando o adolescente inseguro e um adulto que não se sente credor de carinho, de respeito, de consideração. A deformação leva-o às barganhas sentimentais - conquistar mediante presentes materiais, bajulação, anulando a sua personalidade, procurando agradar o outro, diminuindo-se e supervalorizando o afeto que anela. A pessoa é, e deve ser amada, assim como é. Naturalmente, todo o seu empenho deve ser direcionado para o crescimento interior, o desenvolvimento dos recursos que dignificam: não invejando quem lhe parece melhor — pois alcançará o mesmo patamar e outros mais elevados, se o desejar - nem se magoando ante a agressividade dos que se encontram em níveis menores. Por outro lado, em face das ameaças, o ser permanece tímido, procurando fazer-se bonzinho, não pela excelência das virtudes, mas por mecanismo de sobrevivência afetiva. O medo, assim considerado, pode assumir estados incontroláveis, causando perturbações graves no comportamento. Joanna de Angelis - Autodescobrimento - Uma Busca Interior - Cap. 9 - Pânico
  • 35. 32 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Experiências traumáticas vivenciadas em algum período da vida, como na infância. Crenças, superstições e informações erradas que foram inculcadas, principalmente na infância, pela família e pela sociedade acabam gerando muitos medos. Experiências subjetivas desde a formação como feto, durante a vida intrauterina, momento em que podem ter sido registradas sensações difusas ligadas a fatos ou eventos acontecidos nessa fase. Ou situações relativas ao nascimento. Falta de autoconfiança, insegurança quanto a talentos e potenciais para enfrentar situações da vida - é a clássica sensação de "eu não vou conseguir fazer isto", sem eventualmente sequer tentar. Há muitas pessoas que sofrem disso, geralmente porque foram superprotegidas em sua educação ou porque foram muito criticadas, muito exigidas por pais autoritários ou austeros. Tais situações com certeza geram pessoas extremamente inseguras, que não decidem ou agem porque temem arriscar-se, por medo de errar e por temor às críticas que acham que receberão. A percepção interna dessas pessoas é de que são "erros ambulantes”, "porcarias" e "realmente inferiores". Pessoas assim precisam treinar auto segurança, que nada mais é do que aprender a "segurar-se" em si mesmas, naquilo que sentem. É um trabalho, mas, com certeza, é perfeitamente possível treinar a confiança em si, confrontando as imposições de uma educação superprotetora ou exigente demais. Diferentemente do que se considera ter autoconfiança, não significa nunca errar, ou sempre saber tudo, ou ainda sempre ter opiniões magníficas sobre o mundo, ou ser sempre bem- sucedido. Não é nada disso, autoconfiança é ter fé em si mesmo, no seu potencial de agir, coerentemente, de acordo com as necessidades e o aqui e agora de cada momento da vida. Lourdes Possatto - Medos, Fobias e Pânico - Cap. Possíveis Causas do Medo
  • 36. 33 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Falamos, desse modo, desse cuidado com os nossos filhos, com as nossas crianças, exatamente pelas condições psicológicas dos nossos pequenos. É importante, porém, que não seja obra dos pais, ou dos adultos colocar medo nas crianças. É muito comum, na tentativa de abolir determinado comportamento da criança, que os pais lhe imponham medos, medos do papão, do bicho papão, para fazê-la dormir. Às vezes, as mães, com intenções as mais variadas, colocam nos seus filhos medos do velho, do guarda, da polícia, medo do preto, medo da mulher, medo completamente irracional. As crianças não têm ainda condições de discernir, elas não conseguem ainda avaliar o que signifique isto que seus pais ou que um adulto lhes esteja dizendo. Ela então se perturba, se amofina, se apoquenta, sem saber como sair dessa situação. Nós criamos, na mente infantil, esses quadros dantescos que, na imaginação criativa da criança, ganham uma forma inusitada, uma extensão inimaginável e uma intensidade brutal. Quantas e quantas vezes problemas sérios, que acompanharão a criatura até a idade adulta nasceram nesses medos na infância. Dessa maneira, vale a pena ter muito cuidado com medos de nossas crianças. Por vezes, elas apresentam medos de determinados bichos, medo de aranha, medo de barata, bichos que aparecem em casa, medo da lagartixa. Tanto quanto seja possível, se seus pais não forem dotados deste mesmo medo, poderão mostrar para as crianças que esses são animais inofensivos. Deverão ensinar a elas a ter cuidados porque pode ser animal que traga algum tipo de enfermidade, pelos lugares por onde passeie. Como nós aprendemos a espantar as moscas porque elas pousam em qualquer lugar, os mosquitos, muitas vezes será necessário ensinar às crianças a respeito da questão higiênica: porque é que não temos determinados tipos de animais na nossa convivência, mas não porque elas devam ter medo, não porque os pequenos devam temer isso, mas o cuidado. Ensinar. Sempre que ensinamos, nós libertamos a criança. Deixamos de ensinar, a criança fica escrava do medo irracional. Quantos adultos inseguros não ficam em casa sozinhos jamais, não saem à rua sozinhos jamais, não viajam jamais a sós... E quando nós vamos buscar as razões disso, as raízes de tudo isso, as raízes se encontram nos medos que lhes foram inculcados na infância. Raul Teixeira - Federação Espírita do Paraná - Transcrição do Programa Vida e Valores – No 97 – Os Medos das nossas Crianças
  • 37. 34 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 5. Medos - Tipos Principais Podem-se relacionar seis tipos básicos de medo, que assaltam a criatura humana durante a finitude da sua existência corporal: 1 - O medo da morte, 2 - O medo da velhice, 3 - O medo da doença, 4 - O medo da pobreza, 5 - O medo da crítica e 6 - O medo da perda de um afeto profundo. Todos eles decorrem da insegurança pessoal remanescente dos conflitos originados em comportamentos infelizes que deram lugar a transtornos de significado especial. Não compreendendo a Vida como uma realidade constituída por etapas delineadas com firmeza no corpo somático e fora dele, o indivíduo vê na conjuntura material a única realidade, sem a qual tudo é desconhecido ou impossível de existir. ... E os medos multiplicam-se, especialmente na atualidade, em razão da insegurança que campeia em todos os setores do comportamento, propiciando o receio de perder-se o emprego, o pavor da agressividade e da violência urbana, a angústia da destruição provocada pelas guerras, pelas calamidades sísmicas, pelos acidentes de vária ordem, a incerteza quanto às amizades reais e incompreensão generalizada mediante essas múltiplas ameaças .... O medo transforma-se em algoz das almas e calamidade social. Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 6 – Medo e Autoconfiança
  • 38. 35 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 5.1 Medos - Considerações Gerais - Medos x Fobias Parâmetro Medo Fobia Intensidade Temor proporcionado e compreensível. Temor desproporcionado e irracional, apenas na aparência. Causa Tem causas muito objetivas quando analisado racionalmente. Por exemplo: medo do futuro devido à instabilidade econômica. As causas quase sempre são transpessoais, isto é, vividas em etapas da vida atual (gestação, primeira infância) ou em existências anteriores. Por exemplo: Fobia de animais, de altura, de lugar fechado, de lugares públicos, social, etc. Ação O indivíduo se defende com ações e argumentos lógicos. A defesa habitual é a fuga, não enfrentar o objeto ou a situação fóbica (mecanismo de prevenção e afastamento). Controle O indivíduo pode controlá-lo de alguma forma. O indivíduo tem dificuldade de controle, podendo ser dominado completamente pelo medo. Superação Pode-se superá-lo com esforços pessoais, presididos pela vontade. Para superá-la é necessário um tratamento psicológico. Avaliação Muitos medos são comuns e frequentes na vida e vão sendo vencidos com o tempo. As fobias são sempre patológicas. Para superá-las é necessária uma terapia bem aplicada, especialmente a psicoterapia transpessoal, onde são removidas as causas passadas geradoras da fobia. Federação Espirita do Mato Grosso – Projeto Espiritizar – Cura Espiritual do Medo, das Fobias e do Pânico
  • 39. 36 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 5.2 Medo da Morte A intercorrência dos medos básicos no indivíduo centraliza-se na incerteza mantida em torno do fenômeno da morte, do que ocorre depois da disjunção molecular, da sobrevivência ou não ... Porque considera que se trata de aniquilamento da consciência e da razão, teme a consumação total que jamais ocorre. A fatalidade do ser é atingir a harmonia completa na imortalidade de que se encontra investido. A crença atávica de que à velhice sucede a morte, o que é incontestável, retira a compreensão lógica de que ela se manifesta em qualquer idade, apresentando-se em todas as faixas etárias, não sendo privilégio apenas da senectude. Todos nascem condenados à morte biológica, da mesma forma como foram estruturados organicamente. Referia-se Marco Túlio Cícero, o filósofo, escritor e orador latino, às vantagens da velhice, que não pode nem deve ser considerada como uma desventura, mas sim como uma bênção, pelo quanto permitiu ao ser superar paixões e conflitos existentes durante o percurso evolutivo. Ao mesmo tempo, ofereceu muitos benefícios que decorrem da experiência dos anos e da conquista da sabedoria. Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 6 – Medo e Autoconfiança A morte nenhum temor inspira ao justo, porque, com a fé, ele tem a certeza do futuro; a esperança faz com que aguarde uma vida melhor e a caridade, cuja lei praticou, dá-lhe a certeza de que, não encontrará no mundo onde vai entrar, nenhum ser cujo olhar deva temer. Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 941 Enfrentar a morte significa enfrentar a questão final do significado da vida. Se realmente queremos viver, devemos ter a coragem de reconhecer que a vida é, em última análise, muito curta, e que tudo o que fazemos conta. Quando chegar a noite da nossa Vida, esperamos ter uma chance de olhar para trás e dizer: É valeu a pena porque eu realmente vivi. Elisabeth Kübler-Ross – Morte: O Estágio final do Crescimento – Pag. 126 Deve-se aprender a viver durante toda a Vida e por, mas que isso espante, a vida toda é um aprender a Morrer. Sêneca (filósofo romano, 01 aC-65 dC) – Sobre a brevidade da Vida – Cap. 7 – Item
  • 40. 37 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Mortes Traumáticas - (Desencarnes difíceis) O corpo físico, por instinto de defesa, tenta reter o Espírito nos momentos finais da desencarnação. O apego à vida material e a seus gozos efêmeros também dificultam o desencarne. O medo da morte pela crença em inferno, demônios (fantasias religiosas), temor ao desconhecido, culpas várias, são outros fortes empecilhos ao desencarne. O contato com os agentes da putrefação da natureza, pelo fenômeno da psicometria, causa grande sofrimento ao desencarnante que fica retido no corpo físico. O caráter, as posturas diante da vida, a falta de religiosidade são fatores determinantes no desprendimento espiritual. As condições acima mencionadas, agravadas com uma ruptura abrupta do cordão fluídico, abastecido de fluido vital, tende a levar o Espírito desencarnante a uma situação de "morto vivo"; preso ao mundo físico pelo corpo em decomposição, adentrando ao Mundo Espiritual sobrecarregado de fluido vital, estranho àquele mundo. Assim, podemos entender que o momento do nascimento e da morte são importantes para o Espírito, como a primeira e últimas impressões. Nas mortes prematuras traumáticas (acidentes - suicídios), um jovem com grande reserva de fluido vital pode levar a fortes impressões vibratórias do duplo etérico para o corpo astral, formando nele um clichê mental vigoroso do momento do desencarne. Na reencarnação seguinte à barreira biológica do corpo físico, não é suficiente, em algumas pessoas (por lei do Carma), deixando passar flashs dos últimos momentos da vida anterior. Essa distonia vibratória tenderia a reaparecer, guardando identidade cronológica entre as reencarnações. Os flashs sensibilizariam os neurônios sensitivos do diencéfalo (psicocinéticos) e estes desencadeariam os sintomas via neurotransmissores. Jaider Rodrigues de Paula - Saúde e Espiritismo - Pag. 385 Síndrome do Pânico na Visão Espírita Lidar com uma morte inesperada altera nossa forma de ver a vida e de vivê-la. A Vida ganha em intensidade e em valor se confrontada com a morte. Pensar na morte é uma das fórmulas eficazes de conferir um salto qualitativo à Vida José Roberto Nalini – Reflexões Jurídico-Filosóficas sobre a Morte – Pronto para Partir? – Introdução
  • 41. 38 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Talvez seja esta a grande contribuição da Morte para nossa Vida: mostrar-nos que devemos viver bem cada instante sem, contudo, apegarmo-nos a ele. Quem vive a vida em plenitude tem a morte como algo natural e, mesmo não a procurando ou desejando, aceita-a com tranquilidade quando chega ou quando se manifesta próxima de si. O Medo da Morte é o medo da Vida não vivida. É o medo dos muitos débitos que temos para com nossa própria vida, e que a morte nos impedirá de saldar. Reafirmamos, então, que quem teme a morte teme a Vida. Em outras palavras; quem não sabe Viver, certamente não saberá morrer. Viver intensamente significa poder olhar para trás e sentir que não estamos sofrendo, hoje, por aquilo que ontem nos deu algum prazer. O que é bom e correto nunca se torna causa de sofrimento e dor. Não sabemos quando virá nossa morte, nem a forma como ela virá. É preferível então que estejamos sempre preparados para ela, aprendendo com isso a viver melhor. Evaldo D`Assumpção – Sobre o Viver e o Morrer – Introdução/Cap. 4/Cap.6 Não ter medo de Viver para não ter medo de morrer. Aquele que cumpriu com os seus deveres e realizações, ao lado de um entendimento espiritual sobre a imortalidade, enfrentará com certa dose de equilíbrio a sua hora. Quem carrega a certeza da Imortalidade e dos periódicos refazimentos pelas reencarnações, saberá situar-se diante das forças da Vida. Jorge Andrea - Psicologia Espirita - Cap. 11 Reações Psicológicas na Desencarnação Nossa natureza sabe e considera um processo normal nascer, sabendo que um dia iremos morrer e que isto faz parte do mecanismo da vida. Porém, o medo neurótico de morrer é aquele que impede o viver de forma saudável e responsável. Na realidade, poderíamos dizer que, quando o medo de morrer é muito intenso, significa que o indivíduo não está vivendo a vida que gostaria, ou não está sendo aquilo que gostaria de ser. Lourdes Possatto - Medos, Fobias e Pânico – Introdução “De repente não mais que de repente fez do amigo próximo o distante, fez da vida uma aventura errante, de repente, não mais que de repente.” Vinicius de Morais – Soneto de Separação (1938)
  • 42. 39 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 5.3 Medo da Velhice “Que os velhos sejam sóbrios, respeitáveis, sensatos, fortes na fé, na caridade e na perseverança”. Paulo de Tarso - Epístola a Tito, 2:2 O medo da velhice é muito cruel, tornando-se um verdadeiro tormento para quantos não consideram a existência física na condição de uma jornada de breve duração, por mais longa se apresente, passando por estágios bem-delineados desde o berço até o túmulo. Ninguém pode reverter o quadro das ocorrências existenciais; no entanto, é perfeitamente normal compreendê-las, adicionando-lhes os agradáveis condimentos do prazer e da alegria de viver. A velhice deve ser considerada inevitável e ditosa pelo que encerra de gratificante, após as lutas cansativas das buscas e das realizações. É o resultado de como cada qual se comportou, de como foi construída pelos pensamentos e atitudes, ou enriquecida de luzes e painéis com recordações ditosas ou infelizes... O conceito materialista de que a morte arrebata a existência, sim, torna-se um suplício para o idoso, como para outra pessoa qualquer, por constituir-se condenação da vida ao aniquilamento. Em contrapartida, a certeza de que a alma, ao desvestir-se da matéria, retorna ao seu estado de Espírito, proporciona emulação para aproveitar-se todos os momentos terrestres, a fim de que o desprendimento se faça suave e profundamente confortador. Temer a velhice constitui um injustificável comportamento, que deve ser superado mediante reflexões em torno do dia a dia, considerando-se que adormecer é uma forma de morrer, que enfermidade não é patrimônio da idade, assim como o deperecimento de forças e a falta de prazeres exaustivos não constituem recursos que interditam apenas os idosos. A vida física tem um significado extraordinário, que é o de enriquecimento interior, preparação para a imortalidade, conquista de patamares mais elevados para o pensamento e para o sentimento no rumo da plenitude. Joanna de Ângelis - O Despertar do Espírito - Cap. 9 – Medo da Velhice
  • 43. 40 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Não dê importância à idade do seu corpo físico: seja sempre jovem e bem disposto espiritualmente. A alma não tem idade. A mente jamais envelhece. Mesmo que o corpo assinale os sintomas da idade física, mantenha-se jovem e bem disposto, porque isso depende da sua mentalização positiva. Faça que a juventude de seu espírito se irradie através de seu corpo, tenha ele a idade que tiver. Carlos Torres Pastorino – Minutos de Sabedoria – Item 58 A questão da idade é mais psicológica do que real. Certamente, do ponto de vista fisiológico, o organismo, à medida que o tempo avança, tende a diminuir a sua flexibilidade, o seu equilíbrio, a harmonia das funções. Entretanto, preservadas suas atividades pelo trabalho e equilíbrio emocional, logra manter-se sem maiores danos. É possível conservar a memória ativa, adquirir novos conhecimentos e realizar abençoadas experiências Divaldo Franco - Laços de Família – Pag. 53 Infância, juventude, madureza e velhice são simples fases da experiência material. A vida é essência divina e a juventude é seiva eterna do espírito imperecível. Mocidade da alma é condição de todas as criaturas que receberam com a existência o aprendizado sublime, em favor da iluminação de si mesmas e que acolheram no trabalho incessante do bem o melhor programa de engrandecimento e ascensão da personalidade. A velhice, pois, como índice de senilidade improdutiva ou enfermiça, constitui, portanto, apenas um estado provisório da mente que desistiu de aprender e de progredir nos quadros de luta redentora e santificante que o mundo nos oferece. Nesse sentido, há jovens no corpo físico que revelam avançadas características de senectude, pela ociosidade e rebeldia a que se confinam, e velhos na indumentária carnal que ressurgem sempre à maneira de moços invulneráveis, clareando as tarefas de todos pelo entusiasmo e bondade, valor e alegria com que sabem fortalecer os semelhantes na jornada para a frente. André Luiz - Correio Fraterno – Pag. 60 – Mocidade e Velhice
  • 44. 41 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual Cada minuto que passa, adiciona consumo à máquina orgânica impondo-te sisudeza, maturidade, consciência responsável. A velhice é quadra abençoada da existência planetária, que nem todos têm oportunidade de alcançar. Repositório de experiências, é campo de sabedoria a serviço da vida. * Respirando e agindo, estás envelhecendo. Pensa nisso. Vive, desse modo, programando a tua terceira idade, jovialmente, a fim de não seres colhido pela amargura e o dissabor, quando as forças se te apresentarem diminuídas, portanto, em decadência. O pior da velhice é a forma refratária com que muitos a consideram, ingratamente. Joanna de Ângelis - Episódios Diários - Cap. 47 - Velhice A vida, na sua expressão terrestre, é como uma árvore grandiosa. A infância é a sua ramagem verdejante. A mocidade se constitui de suas flores perfumadas e formosas. A velhice é o fruto da experiência e da sabedoria. (...) Em face da grandeza espiritual da vida, a existência humana é uma hora de aprendizado, no caminho infinito do Tempo; essa hora minúscula encerra o que existe no todo. É por isso que aí vemos, por vezes, jovens que falam com uma experiência milenária e velhos sem reflexão e sem esperança. Então, Senhor, de qualquer modo, a velhice é a meta do espírito? — perguntou o discípulo, emocionado. — Não a velhice enferma e amargurada que se conhece na Terra, mas a da experiência que edifica o amor e a sabedoria. (...) Um velho sem esperança em Deus é um irmão triste da noite; mas eu venho trazer ao mundo as claridades de um dia perene. (...) Jesus contemplou-o com amor e respondeu: — Em verdade, Simão, ser moço ou velho, no mundo, não interessa!... Antes de tudo, é preciso ser de Deus!... Humberto de Campos – Boa Nova – Cap. 9 – Velhos e Moços “Não deve inspirar medo a pobreza, nem o desterro, nem a prisão, nem a morte. O que deve inspirar medo é o próprio medo”. Epitecto (filósofo grego, 55dc-130dc)
  • 45. 42 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual O envelhecimento orgânico é fenômeno inevitável no transcurso da existência carnal. Ligados à segunda lei da Termodinâmica, a Lei da Entropia, e esta estabelece que a vida para viver consome energia, logo, o desgaste da energia conduz à decadência da forma e à consumpção do organismo. Psicologicamente, porém, pode-se considerar o envelhecimento, não somente como o de caráter físico, mas também o de natureza emocional, o de estabelecimento de metas, o de harmonia no conjunto orgânico entre a psique (que comanda a máquina), o sentimento (que expressa as emoções) e o soma (que constitui os equipamentos em equilíbrio). Somente os Espíritos nobres adquirem o amadurecimento psicológico e orgânico nos períodos primeiros da existência. O envelhecimento, em razão das experiências que se acumulam ao longo dos anos, com o imediato deperecimento das forças e a conquista da sabedoria para o comportamento saudável, constitui momento de superação dos desejos inferiores, das paixões primárias, que são substituídos pela plenitude, que conduz à individuação, que se poderá, por outro lado, alcançar, mediante os esforços pelo aprimoramento moral e autodescobrimento. Durante a experiência orgânica, todo empenho deve ser aplicado para evitar-se ampliar o campo das sensações, ao tempo em que se deve bem conduzir as emoções, fruir os prazeres, mas não se fixar exclusivamente neles, qual ocorre com todo e qualquer culto que se dilui, na matéria, quando se trata de perenidade como acontece com o Self. Grupo de Estudos Psicológicos Joanna de Angelis - Espelhos da Alma - Uma Jornada Terapêutica – Cap. Joanna de Angelis Responde - Parte III – Perg. 29 “Não vejo problema algum com minha idade. Nasci cm 1907; desde cedo dediquei- me a ver a poesia que vibra nas curvas das imagens, e não apenas nas linhas retas e tensas. Prossegui com afinco e dedicação em busca de meu crescimento, e hoje, com mais de 90 anos, posso afirmar que sou uma pessoa feliz. Ajudei as pessoas o quanto pude e aprendi a contemplar a natureza, de modo que todas essas coisas somadas, e muitas outras mais, me traz a convicção da serenidade”. Oscar Niemeyer (1907-2012) Carlos Abranches - Reformador - 1998 – Outubro - As Razões da Velhice
  • 46. 43 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual “Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo a você: Não pense. Nunca diga: Estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo que estou velha e nem que estou ouvindo pouco. É claro que, quando preciso de ajuda, eu digo que preciso. Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos. Isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que se lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também não diga para você mesma que está ficando esquecida porque assim você fica mais. Nunca digo que estou doente, falo sempre: Estou ótima! Não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então, silêncio! Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha que eu sou? Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de Goiás. Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos. Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo. Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar. Porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir”. Cora Coralina (1889/1985)
  • 47. 44 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 5.4 Medo da Doença Por outro lado, o medo das doenças encontra-se também enraizado na mesma reflexão de que elas conduzem à morte, assim produzindo o terrível conflito. O número de jovens saudáveis que morrem a cada momento é muito grande, especialmente nas metrópoles e megalópoles, vitimados pela imprevidência e precipitação, pela imaturidade e desequilíbrio comportamental. As estatísticas demonstram que os homicídios, os suicídios e acidentes fatais somados constituem o mais elevado índice de óbitos no mundo, quase sempre arrebanhando a juventude e a maturidade portadora de saúde. Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 6 – Medo e Autoconfiança Não trates as doenças com pavor e desequilíbrio das emoções. Cada uma tem uma linguagem silenciosa e se faz acompanhar de finalidades especiais. Emmanuel - O Evangelho por Emmanuel — Volume IV – Cap. 31 - Lembrança fraternal aos enfermos Muitas vezes Jesus aplicou a terapia para diminuir as mazelas humanas, contudo, sempre dizendo aos recém curados: “Vai e não voltes a pecar” . . . Isto é, não se comprometa moral e emocionalmente, para que não lhe aconteça algo pior. Só existe doenças porque há doentes. No instante em que se renove interiormente, o indivíduo não terá mais doenças. Libertamo-nos de uma doença, sendo acometidos por outra, em virtude dos fenômenos cármicos, por nossas dívidas. O Espiritismo tem sido mais um consultório para atender corpos do que uma Doutrina de psicoterapia para libertar almas: não que isso seja negativo, mas não é fundamental. O médium curador é um indivíduo que possui uma energia típica podendo trabalhar nas células, fazendo com que a pessoa recupere o equilíbrio momentaneamente perdido. Poderá atuar no campo da degenerescência celular, contribuir na área psicológica, psiquiátrica, tendo como fundamento essencial trabalhar o ser como indivíduo integral, para, em se transformando, não ter necessidade de depurar-se através da dor e, ao contrário de sofrer, amar. As dívidas que tenha, resgatará pelo bem que realize e, não, pelas lágrimas que verta. Divaldo Franco – Doenças e Curas – Grupo de Estudo Allan Kardec - Entrevista
  • 48. 45 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual A verdadeira saúde não se restringe apenas à harmonia e ao funcionamento dos órgãos, possuindo maior extensão, que abrange a serenidade íntima, o equilíbrio emocional e as aspirações estéticas, artísticas, culturais, religiosas. Pode-se estar pleno, embora com alguma dificuldade orgânica – que será reparada do interior (mediante a ação mental bem direcionada) para o exterior (o reequilíbrio, a restauração das células e do órgão afetado) –, como encontrar-se em ordem, porém, sem equilíbrio emocional. Assim, pensar bem e corretamente permanece como primeiro item de um bem estruturado programa de saúde, a fim de que as palavras, na conversação, não corrompam os costumes, ensejando ações estimulantes e edificadoras para o bem geral. Joanna de Angelis - Autodescobrimento – Cap. 6 - Equilíbrio e Saúde Na raiz de todas as enfermidades que sitiam o homem, encontramos, no desequilibro dele próprio, a sua causa preponderante. Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Introdução Toda perturbação mental é ascendente de graves processos patológicos. Afligir a mente é alterar as funções do corpo, pensamentos destruidores segregam matéria venenosa que é imediatamente atraída para o ponto orgânico mais frágil. André Luiz – Missionários da Luz – Cap. 19 - Passes Através do próprio pensamento desgovernado, o homem pode fabricar para si mesmo as mais graves eclosões de alienação mental, como sejam as psicoses de angustia e ódio, vaidade e orgulho, usura e delinquência, desanimo e egocentrismo, impondo ao veículo orgânico processos patogênicos indefiníveis, que lhe favorecem a derrocada ou a morte . Dias da Cruz – Instruções Psicofônicas – Cap. 34 – Parasitose Mental As chagas da alma se manifestam através do envoltório humano. O corpo doente reflete o panorama interior do espírito enfermo. A patogenia é um conjunto de inferioridades do aparelho psíquico. Emmanuel - O Consolador – Perg. 96
  • 49. 46 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual A hipocondria diz respeito a pessoas que vivem com um medo intenso e constante relacionado a ter uma doença. Também conhecida como transtorno de ansiedade de doença (de acordo com o DSM- 5) é um dos motivos de consulta mais frequentes para nós, psicólogos e psicólogas, que realizamos serviços de psicoterapia. As doenças mais temidas pelas pessoas com hipocondria costumam ser aquelas que causam uma deterioração progressiva e ao longo do tempo (por exemplo, câncer, HIV, fibromialgia), apesar de também existirem casos de pessoas que têm medo de ter uma doença cardíaca ou respiratória (que evoluem de forma mais rápida e aguda). Ou seja, enquanto na hipocondria a característica mais marcante é o medo das doenças que deterioram o nosso corpo pouco a pouco, o medo das doenças mais rápidas, como um ataque cardíaco ou um afogamento, é mais característico da síndrome do pânico. Em todo o caso, independentemente do tipo de doença da qual a pessoa com hipocondria tem medo, são as ações que buscam o controle do seu corpo, suas sensações e a maneira de administrar o medo que acabam deixando-as “doentes” (psicologicamente falando). O medo de ficar doente é normal e adaptável; precisamos ter um certo medo de ficar doente para termos comportamentos saudáveis e de proteção. No entanto, procurar informação que aponte que eu não estou doente é uma forma incorreta de administrar esse medo. Em primeiro lugar, deve-se deixar a estratégia de busca pelo controle das sensações físicas e parar de fazer exames médicos para não se colocar mais na posição de doente. Em segundo lugar, é preciso entender que o problema não é o medo em si mesmo, mas a intolerância a esse medo, que aumenta cada vez que fazemos alguma coisa para não senti-lo ou acalmá-lo. É muito importante colocar o foco da atenção no fato de que o problema não é o medo mas, sim, a forma de administrar esse medo, que é o que desenvolve a hipocondria. Considerando tudo isso, uma maneira correta de administrar o medo de ficar doente é trabalhar nele, perguntando por que acontece, o que ganhamos com ele, o que podemos fazer e, sobretudo, aceitá-lo. Você pode trabalhar com um psicólogo para aprender a administrar qualquer um dos seus medos, incluindo o medo de ficar doente. Porque se você não o administra corretamente, o medo da doença física acaba se transformando em uma doença psicológica. A Mente é Maravilhosa - Hipocondria: quando o medo de ficar doente se torna realidade (https://amenteemaravilhosa.com.br/hipocondria/)
  • 50. 47 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual 5.5 Medo da Pobreza Ainda na mesma área de incorreta reflexão, surge o medo da pobreza, respaldando- se no conceito de que o dinheiro compra a saúde e quase confere a imortalidade, pensando- se que a falta de recursos econômicos abrevia a existência física, em razão de não se dispor dos meios hábeis para atender os fenômenos desgastantes e fatais das enfermidades. O número, porém, de pessoas destituídas de dinheiro, que atingem idades provectas, é muito maior do que o daqueles que acumulam fortunas e se estressam pelo armazená-las, se desequilibram pelo administrá-las e desfrutá-las, sucumbindo no fulgor da idade adulta, antes de alcançar a velhice. Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 6 – Medo e Autoconfiança A maior pobreza não reside no cofre vazio e, sim, no coração ainda incapaz de abrir- se à infinita riqueza do bem comum. Mariano José Pereira da Fonseca - Falando à Terra – Cap. 32 - Reflexões MARIANO JOSÉ PEREIRA DA FONSECA, Marques de Maricá (1848) — Nasceu no Rio de Janeiro, tendo ocupado no País cargos políticos dos mais elevados. É autor de “Máximas, Pensamentos e Reflexões”, sua obra capital, que o glorificou como moralista e filósofo eméritos. Aqui jaz o corpo apenas Do Marquês de Maricá: Quem quiser saber-lhe da alma Nos seus livros a achará. Marques de Maricá – Epitáfio A origem desse medo está na desconfiança que temos em relação aos outros, provocada por experiências relacionadas à perda de dinheiro e de propriedades. Isso faz, portanto, com que tenhamos medo de perder tudo, de sermos passados para trás, e nos impulsiona a querer acumular mais bens, despertando sentimentos egoístas e levando pessoas a violarem os direitos dos outros apenas para protegerem suas fortunas. Wilson Cyrillo - Os 6 medos básicos da humanidade - por que eles são tão influentes
  • 51. 48 Os Medos na Vida – uma leitura espiritual A pobreza não é criação do Todo-Misericordioso. Ela existe somente em função da ignorância do homem que, por vezes, se arroja aos precipícios da inconformação ou da ociosidade, gerando o desequilíbrio e a penúria. Emmanuel – Dinheiro – Cap. 13 – Talentos Por sua vez, o apego às posses, sob o disfarce da necessidade de segurança, é dos mais temíveis adversários do indivíduo, porque responde pelo medo da perda, pela sistemática desconfiança em relação aos amigos e conhecidos, por fim pela insatisfação que sempre se instala em quem possui, atormentado pelo desejo infrene de ampliar os recursos. A renúncia impõe-se como medida saudável de equilíbrio, responsável pela preparação do Espirito para o momento da libertação do corpo. De certo modo, o treinamento para a renúncia das posses terrenas predispõe à mudanças de atitude moral entre as pessoas e a vida. Joanna de Angelis - Momentos de Iluminação – Pag. 115 Empobreçamo-nos de vaidade e orgulho, de ambição e egoísmo e, certamente, a verdade nos impelirá aos Planos mais altos da vida. O Senhor, em surgindo na Manjedoura, estava pobre de bens materiais, mas sumamente rico de luz. Mais tarde, no madeiro infamante, encontrava-se pobre de garantias humanas, mas infinitamente rico de vida superior. Empobreçamo-nos de exclusivismo e enriqueçamo-nos de fraternidade! Empobreçamo-nos de repouso indébito e enriqueçamo-nos de serviço edificante! Atendendo a semelhante programa de sintonia com o Alto, atingiremos, em breve tempo, os tesouros da Glória Eterna Emmanuel – Os dois maiores amores – Cap. 31 – Na Luz do Evangelho Aqui, além, acolá, Cada qual no que se entrega, Sempre é rico do que dá, Sempre pobre do que nega. Leôncio Correia - Trovas do Mais Além – Cap. 31 - Trovas-deduções