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FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ
CAMPUS VITÓRIA
WERLEN CARVALHO DOS SANTOS
OS ELEMENTOS SONOROS E SEUS SIGNIFICADOS NA CONSTRUÇÃO E
TRANSMISSÃO DAS REPORTAGENS RADIOFÔNICAS
VITÓRIA
2015
2
WERLEN CARVALHO DOS SANTOS
OS ELEMENTOS SONOROS E SEUS SIGNIFICADOS NA CONSTRUÇÃO E
TRANSMISSÃO DAS REPORTAGENS RADIOFÔNICAS
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso
de Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo,
da Faculdade Estácio de Vitória, como requisito para
a obtenção do Título de Bacharel em Comunicação.
Orientador: Prof. Roberto Teixeira
VITÓRIA
2015
3
RESUMO
O presente artigo tem como objetivo apontar a importância dos elementos sonoros, as funções
desses elementos e a necessidade do som ambiente na construção e transmissão da notícia.
Como um meio de fácil acesso, o rádio desenvolve uma expressão única, estabelecendo,
primordialmente, um palavreado comum. Mas, diante da evolução tecnológica e das inúmeras
distrações, na maioria visual, as notícias radiofônicas tendem a perder espaço para outras
mídias ou outras atividades. O estudo possui uma dimensão comunicacional, a fim de expor
para estudantes, jornalistas e repórteres de rádio, que o som ambiente também faz parte da
notícia. Para isso, foram analisadas reportagens vencedoras nas últimas edições do Prêmio
Capixaba de Jornalismo e reportagens em diferentes situações veiculadas em emissoras do
Espírito Santo e de outras cidades do país.
Palavras-chave: Radiojornalismo. Sons. Elementos sonoros. Notícia radiofônica.
4
INTRODUÇÃO
A linguagem radiofônica utilizada nas notícias e difundida pelas ondas sonoras, por meio da
adequação dos fatos narrados pelo locutor/repórter, possui uma característica de fácil
compreensão e entendimento. As notícias transmitidas durante a programação da emissora de
rádio, caracterizada como prestação de serviço, utilidade pública, informação e educação, leva
aos ouvintes sintonizados em seu dial, fatos e acontecimentos em momento real -
instantaneamente. A recepção dos acontecimentos fundamenta-se no modo de alcance direto,
atingindo em uma determinada área o seu público alvo.
Durante a apuração e elaboração da notícia radiofônica, o repórter utiliza vários meios para o
desenvolvimento da matéria. A apuração em campo estabelece um contato imediato do
jornalista ao fato, dando maior credibilidade à notícia. A internet, os jornais, a televisão e as
outras mídias servem como fonte de informação. Na reportagem externa, transmitida ao vivo,
o repórter tem o desafio de apresentar o fato com clareza e importância, a fim de atrair a
atenção do ouvinte ao acontecimento.
Para isso, o repórter tem a seu favor os elementos sonoros, utilizados na composição da
notícia. O som, como principal componente, atinge diferentes massas de forma homogênea.
Dessa forma, esse elemento fundamental, auxilia na difusão da informação. Como um meio
de fácil acesso, o rádio desenvolve uma expressão única, estabelecendo, primordialmente, um
palavreado comum, para atingir a compreensão da sociedade de um modo geral.
Além de apresentar facilidade no entendimento, é na audição que o repórter irá conquistar seu
público, haja em vista que a audição é considerada o sentido mais sensível do ser humano e o
mais ligado às vivências afetivas do homem. E não é somente no rádio que o som tem a sua
importância. Na televisão, o áudio compõe todo o enredo dos filmes, das novelas e também
das notícias. No cinema, a edição de som é de suma importância para a linguagem de um
filme, pois é responsável por criar seu cenário auditivo.
Este cenário também está presente na construção da notícia radiofônica. Na apuração do
repórter e na transformação dos fatos são aproveitados os sons, ruídos, barulhos e até o
silêncio, captados pelo aparelho gravador. Os elementos sonoros demonstram seus
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significados diante da elaboração e da edição da matéria, levando o ouvinte ao local do
episódio, criando diversas imagens em sua mente e montando o seu próprio cenário.
Na década de 40, em plena Era Ouro do rádio, já se pensavam na importância dos elementos
sonoros para a composição das histórias. Nessa época, foi criada a primeira radionovela, na
qual os elementos enriqueciam o enredo e davam ritmo ao drama radiofônico.
Com passar dos anos e com a evolução tecnológica e as inúmeras distrações, na maioria
visual, as notícias radiofônicas tendem a perder espaço para outras mídias ou outras atividades.
Além disso, atualmente, é possível perceber nos noticiários, que os elementos sonoros estão
cada vez mais ausentes nas notícias, e há a percepção do aumento da constante produção de
reportagens dentro do estúdio, sem que o repórter saia para rua em busca dos elementos que
fazem parte do fato e do dia a dia dos ouvintes.
Diante do exposto, surge como questão problematizadora: qual o significado dos elementos
sonoros na notícia radiofônica? Essa questão tem o objetivo de apontar a importância dos
elementos sonoros, suas funções e a necessidade para construção e transmissão da notícia,
fixando a atenção e facilitando a compreensão e o entendimento do que está sendo
apresentado.
Para isso, foram analisadas reportagens radiofônicas premiadas nas três últimas edições do
Prêmio Capixaba de Jornalismo e também áudios de outras emissoras brasileiras em
diferentes situações, como, por exemplo, as manifestações de junho de 2013. Nos áudios, é
perceptível a presença dos sons como composição da notícia, enfatizando e creditando o fato
narrado pelo repórter.
O Manual de Radiojornalismo de Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo Lima serviu como
referência bibliográfica para análise do estudo e para contrapor as ideias e conceitos
apresentados neste artigo.
Com esse estudo, a contribuição de entender a mensagem transmitida pelos sons, ruídos,
efeitos, silêncio e o texto é de importância social, mantendo o receptor/ouvinte em tempo real,
completamente informado e atento aos acontecimentos. Além disso, o estudo possui uma
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dimensão comunicacional, a fim de expor para estudantes, jornalistas e repórteres de rádio,
que o som ambiente também faz parte da notícia.
A LINGUAGEM RADIOFÔNICA: A FALA SIMPLES E OBJETIVA
Para Barbeiro e Lima (2003, p. 72), o texto jornalístico segue normas universais. Tanto no
jornal impresso quanto na mídia digital, no rádio e na TV, os jornalistas escrevem o texto com
base nas seis perguntas fundamentais para construção da notícia: Como? Onde? Por quê? O
quê? Quem? Quando? Respondidas as perguntas, o jornalista inicia o texto, oferecendo ao
leitor, as principais informações do fato.
Embora todo texto jornalístico deva primar pela clareza e objetividade, este desafio é
ainda maior no rádio, porque a informação deve ser compreendida de imediato pelo
ouvinte: o que aconteceu/quem fez/quando/onde/como/por quê? (MARIZA, 2011, p.
83).
Em qualquer veículo impresso ou eletrônico, conforme pontua Barbeiro e Lima (2003, p. 72),
o redator deve ser claro, conciso, direto, preciso, simples e objetivo. De acordo com Mariza
(2011, p. 83), não se pode esquecer que o texto do rádio não pode ser consultado novamente,
como acontece com os veículos impressos, pois na mídia sonora, o ouvinte não tem uma
segunda oportunidade para conferir a notícia.
Com objetivo de levar a informação a qualquer canto e em situações diferentes, a notícia
radiofônica agrega um conjunto de expressões que eleva o poder auditivo dos ouvintes,
conforme descrito por Ortriwano (1985, p. 78): o rádio fala e, para receber a mensagem, é
apenas necessário ouvir. Portanto, o rádio leva uma vantagem sobre os veículos impressos,
pois, para receber as informações, não é preciso que o ouvinte seja alfabetizado.
O ouvinte é atraído por informações de seu interesse, pois, o repórter, ao descrever o ocorrido,
conta a história com um linguajar simples, sem muitas palavras complicadas e desnecessárias.
Para Barbeiro e Lima (2003, p. 72), o jornalista precisa ter em mente que está contando uma
história para alguém, mas sem apelos à linguagem vulgar e, acima de tudo, respeitar as regras
do idioma.
7
O texto radiofônico transmitido pelo jornalista é diferente de um texto narrado em um
telejornal. Na televisão, o casamento da imagem é direcionado individualmente. Cada pessoa
sintonizada naquele canal possui diferentes maneiras e formas de agir. Sobre essa
individualidade, Ortriwano (1985) expõe:
[...] as pessoas podem receber suas mensagens sozinhas, em qualquer lugar que
estejam. Essa característica faz com que o emissor possa falar para toda a sua
audiência como se estivesse falando para cada um em particular, dirigindo-se
diretamente àquele ouvinte específico. (p. 81).
Com essas características, a linguagem radiofônica estabelece formas de construção diferentes
de outros meios e o que diferencia o texto do rádio em relação aos veículos de imprensa
escrita, segundo Barbeiro e Lima (2003, p. 72), é a instantaneidade.
Na transmissão e compreensão das notícias, as cenas do acontecimento surgem na imaginação
do ouvinte como um quebra-cabeça de sensações individuais e coletivas. O rádio, segundo
Chantler e Harris (1992, p. 21), é o melhor meio para estimular a imaginação. O ouvinte é
sempre levado a imaginar o que ouve e o que está sendo descrito. Tudo isso a partir do mais
sensível dos sentidos: a audição.
Kaplún (2008) destaca que há vantagens da notícia radiofônica ser consumida pelo sentido
mais importante do ser humano.
Se é certo que o rádio atua sobre um único sentido, a psicologia nos dá um dado
muito relevante: esse sentido auditivo a que chega o rádio é o mais ligado às
vivências afetivas do homem. [...] Os cegos são, em sua maioria, de caráter pacífico
e pacientes e irascíveis. [...] Esta comprovação confirma a vital importância do
ouvido como sentido de comunicação social e emocional. O ouvido é o sentido da
comunicação humana por excelência; e a nível neurofisiológico, o órgão mais
sensível da esfera afetiva do ser humano (KAPLÚN apud MEDISTICH;
ZUCOLOTO, 2008, p. 88).
Para Schafer (1991, p. 67), contrariamente aos outros órgãos dos sentidos, os ouvidos são
expostos e vulneráveis. Os olhos podem ser fechados, se quisermos; os ouvidos não. Estão
sempre abertos. Os olhos podem focalizar e apontar nossa vontade, enquanto os ouvidos
captam todos os sons do horizonte acústico, em todas as direções.
É nessa captação auditiva que o ouvinte tem a possibilidade e facilidade de compreender o
que o repórter quer informar. O ouvinte imagina a cena do acontecimento por meio da
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montagem do texto narrado com os sons ambientes. Desta forma, o cenário do fato é
construído mentalmente. “O rádio, ainda que falado, não é só palavra [...] Ouvimos o galope e
vemos o cavalo, [...] a sirene de um carro dos bombeiros e o crepitar do fogo nos leva a
visualizar o incêndio”. (KAPLÚN, 1978, p. 175).
Na obra de Ferrareto (2001), por exemplo, há uma pequena menção de como deve ser a
linguagem radiofônica.
[...] engloba o uso da voz humana, dos efeitos sonoros e do silêncio, que atuam
isoladamente ou combinados entre si de diversas formas. Cada um destes elementos
contribui, com características próprias, para o todo da mensagem. Os três últimos
trabalham em grande parte com o inconsciente do ouvinte, enquanto o discurso oral
visa o consciente. [...] Neste quadro, o efeito compensa a ausência da imagem,
reproduzindo sons próprios de elementos que servem como pano de fundo [...] (p.
26).
O plano de fundo ao qual o autor se refere, tem a capacidade de ilustrar, mesmo que por meio
do som, a notícia apresentada pelo locutor. O ouvinte identifica e reconhece cada elemento
sonoro composto no segundo plano.
A CAPTAÇÃO E CONSTRUÇÃO DO FATO EM NOTÍCIA
A transmissão do acontecimento pelas ondas do rádio acontece instantaneamente por meio do
link ao vivo ou pelas reportagens que são produzidas pelo repórter. É ele que, seguindo a
pauta elaborada pela produção, vai para rua e apura o fato, entrevista as fontes e enriquece as
informações que serão repassadas para o ouvinte. Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo Lima
(2003, p. 55) no Manual de Radiojornalismo destacam, no capítulo sobre a reportagem, que o
repórter tem de se preparar para construir uma reportagem completa e equilibrada; se esforçar
ao máximo para ouvir todos os envolvidos no episódio, respeitando o direito das pessoas de
terem opiniões divergentes sobre o mesmo assunto.
É na captação da história e na apuração do fato que o repórter vai transmitir uma notícia com
credibilidade para os ouvintes. De acordo com Barbeiro e Lima (2003, p. 55), o repórter capta
a notícia e, com o que viu e a partir de depoimentos de entrevistados, conta para o ouvinte o
episódio, da melhor maneira possível.
9
O material bruto da entrevista, denominado como sonora na língua do jornalismo, tem a
função de ilustrar e enriquecer todo o conteúdo apurado pelo repórter. É na entrevista
concedida por um cidadão comum ou por uma figura pública e representativa na sociedade,
que dará peso em todo trabalho feito pelo jornalista. Para Lopez (2010, p. 75), o contato com
as fontes e com o palco dos acontecimentos facilita, para o jornalista, a detecção dos
interesses do ouvinte e a definição dos valores notícia a serem seguidos por ele.
Como nos outros veículos, a fala do entrevistado é importante para repassar com credibilidade
o que está sendo noticiado. Diferente do jornal impresso e parecido com a TV, nas ondas
sonoras, as entrevistas transmitem ainda mais emoção.
A entrevista em rádio tem o poder de transmitir o que o jornalismo impresso nem
sempre consegue: a emoção. Esta se manifesta tanto no entrevistado como no
entrevistador. Boas entrevistas são as que revelam novos conhecimentos, esclarecem
fatos e marcam opiniões. (BARBEIRO; LIMA, 2003, p. 60).
Com a entrevista dos envolvidos no fato, o cenário do acontecimento na memória e todo o
conteúdo da apuração, o repórter retorna para emissora e inicia o processo de edição. “A
edição é a forma de se construir de maneira mais organizada uma reportagem ou uma
sequência de sonoras capazes de relatar um fato jornalístico. As edições devem ser enxutas,
ricas em conteúdo e didáticas para que o ouvinte saiba do que se está falando”. (BARBEIRO;
LIMA, 2003, p. 78).
Nas edições, o repórter ou editor de áudio precisam utilizar todos os recursos necessários para
informar o ouvinte. A edição, de acordo com Barbeiro e Lima (2003, p. 78), deve sempre
refletir a verdadeira condição dos fatos. É neste processo que o fato vira notícia e os sons
ambientes aproveitados. A música, segundo Barbeiro e Lima (2003, p. 79), também pode
entrar na reportagem, mas precisa ter critério e bom senso, considerando-se sempre o valor
desse tipo de sonora para ilustrar a edição e sua função na história.
OS ELEMENTOS SONOROS E SEUS SIGNOS NO RÁDIO
De acordo com Balsebre (2004), o radioteatro ou radiodrama tem sido o gênero radiofônico
que melhor desenvolveu essa tradução sonora do mundo audiovisual. Mas, ao mesmo tempo,
no rádio encontra-se o meio ideal para expressar o fantástico e imaginário, criando uma nova
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poesia: a poesia do espaço. O rádio, portanto, estabelece duas importantes metas:
reconstituição e recriação do mundo real através de vozes, música e ruídos, e criação de um
mundo imaginário e fantástico. (p. 14).
Baumworcel (2005) complementa a questão afirmando:
O veículo da emoção e da sedução, só vai estimular os sentimentos, causar
envolvimento, atrair e chamar a atenção dos ouvintes para que eles “visualizem”,
imaginem o acontecimento, se trouxer em seu discurso uma harmonia sonora
composta pela plenitude de elementos de sua linguagem. (p. 4).
Assim como os textos, os objetos sonoros, identificados como elementos de cena do momento
do fato, transmitem a notícia em sua singularidade. O receptor absorve a informação e
interpreta o texto do repórter unindo os sons à composição jornalística. Prado (1989) pontua:
Na seleção deve procurar incluir ao máximo o som ambiente, que favorece a
compreensibilidade, provoca a intervenção da imaginação do ouvinte e, sobretudo,
dá credibilidade à informação. Por outro lado, estes elementos dão dinamismo e
ritmo à reportagem. (p. 89).
Qualquer ruído captado pelo microfone do gravador ou pelo aparelho celular durante a
transmissão ao vivo, compõe a estrutura da cena sonora do acontecimento. O barulho do
motor e das buzinas dos carros na movimentada avenida da capital, como fundo do texto, faz
com que o receptor perceba, sonoramente, como está à situação no início da manhã ou no fim
do expediente do trabalho. Cada elemento sonoro possui seu significado dentro da construção
da notícia, e é na memória sonora que o ouvinte irá buscar, separadamente, o sentido de cada
elemento.
Em uma partida de futebol, por exemplo, o grito e o canto em coro do hino pela torcida
organizada, o apitar do juiz no início e durante a partida e até o barulho do impacto do pé do
jogador na bola, transporta o torcedor ouvinte para dentro do estádio. Neste caso, não muito
diferente de um acontecimento transmitido pelo repórter, o narrador precisa ter atenção e
transmitir, além da informação, a emoção da partida. O narrador repassa todos os detalhes em
campo, as dimensões e espaços do gramado, cada chute e drible, contribuindo assim, para a
construção do cenário imaginário do ouvinte.
Estar no campo de futebol exige um exercício cuidadoso de escuta, para que se
perceba que até mesmo ruídos fazem parte da paisagem sonora dos estádios, como
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as buzinas dos carros, os gritos dos cambistas e dos ambulantes, as sirenes das
viaturas de polícia, os batuques das torcidas organizadas que começam nas calçadas
das imediações dos estádios. Esses ruídos são elementos fundamentais na criação do
ambiente de tensão de um jogo. (FERNANDES, 2010, p. 333).
Na notícia transmitida ao vivo ou na entrevista gravada em um parque, o sons de pássaros, de
crianças brincando, do barulho da bola e dos cachorros com seus donos, transmitem um local
tranquilo para se divertir com a família e brincar com o animal de estimação. Esses elementos
sonoros são capazes de revelar os detalhes de um parque, na agitação e descontração de um
domingo de manhã.
A IMPORTÂNCIA DOS SONS DENTRO NOTÍCIA
Nos primórdios do rádio, desde os primeiros experimentos na década de 20 no Rio de Janeiro,
o veículo de comunicação ganhou destaque e atenção dos brasileiros. Segundo Ortriwano
(1985), oficialmente, o rádio é inaugurado no dia 7 de setembro de 1922, como parte das
comemorações do Centenário da Independência, quando, através de 80 receptores
especialmente importados para a ocasião, alguns componentes da sociedade puderam ouvir
em casa o discurso do presidente da República Epitácio Pessoa.
No ano seguinte, exatamente no dia 20 de abril, Roquette Pinto e Henry Morize inauguram a
Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Totalmente de cunho educativo e atingindo apenas a elite,
o rádio ganhou espaço e alcançou outros territórios brasileiros.
Na década de 40, nascia a primeira radionovela, na qual os elementos sonoros davam ritmo e
emoção ao drama radiofônico, já demonstrando a sua importância. Transmitido pela Rádio
Nacional do Rio de Janeiro, Em Busca da Felicidade, continha todos os ingredientes de um
folhetim diário com trilhas e efeitos sonoros. Na mesma década, nascia o radiojornalismo,
como conta Ortriwano:
Em 1942, a Rádio Tupi de São Paulo também começa a sua tradição jornalística,
colocando no ar o “Grande Jornal Falado Tupi”, criado por Coripheu de Azevedo
Marques e Armando Bertoni, com uma hora de duração diária. O “Repórter Esso” e
o “Grande Jornal Falado Tupi” foram marcos importantes para que o
radiojornalismo brasileiro fosse encontrando sua definição, os caminhos de uma
linguagem própria para o meio, deixando de ser apenas a “leitura ao microfone” das
notícias dos jornais impressos. (p. 21).
12
Em uma época com poucos recursos tecnológicos, já se pensavam nos elementos sonoros na
composição da radiodramaturgia e do radiojornalismo. Na “Era de Ouro” do rádio brasileiro,
as emissoras eram divididas em setores e um deles era responsável pelos elementos que iriam
compor as cenas da radionovela, como explica Calabre (2002):
O setor de radioteatro também contava com os profissionais responsáveis pelos
efeitos sonoros – sonoplastia e sonofonia – e pelas trilhas musicais. A sonoplastia é,
ainda hoje, um dos elementos fundamentais em todas as produções dos meios
eletrônicos (rádio, cinema e televisão); no caso do rádio, esses efeitos sonoros
assumem um papel ainda mais importante, na medida em que facilitam a recepção
dos textos. Na ausência total de imagens visuais, os ruídos e o fundo musical
auxiliam na construção do ambiente imaginário. Quanto melhor o efeito sonoro,
maior será o grau de veracidade atingido pela transmissão. (p. 35).
Neste caso, com base no estudo deste artigo, o cenário sonoro deve estar presente na matéria
para que o ouvinte veja a cena e imagine o fato, prendendo sua atenção ao noticiário. Todo o
som ambiente composto por vozes, barulho de carros, sirenes, buzinas, ruídos e até mesmo o
silêncio, faz com que a transmissão, tanto da radionovela quanto da notícia radiofônica, sejam
ricas em detalhes e de informação.
Tavares (2011) pontua a importância dos sons na notícia.
A captação de sons ambientes que ajudem a explicar melhor o contexto da matéria
enriquece a apuração do repórter. Uma reportagem sobre a poluição sonora de uma
cidade será muito mais interessante se, além das entrevistas com autoridades e
especialistas, registrar os pontos mais barulhentos in loco. (p. 80).
Além de levar informação e, também, entretenimento, o rádio tem a função de mexer com a
imaginação do ouvinte e faz com que ele ouça o som ambiente e crie, por meio da memória
sonora, toda a paisagem que rodeia o acontecimento. A construção do fato por meio dos
elementos e trilhas sonoras, Esch e Del Bianco (1998) destacam a função narrativa dos ruídos:
Independente do papel que desempenham, quando associados à palavra fazem surgir
uma imagem do acontecimento real construída na mente através da ilusão que o
rádio produz em nós. Ilusão que se estabelece pelo paradoxo: o rádio materializa
situações reais, referenciadas pelo cotidiano, a partir da imitação e personificação. A
representação do real pelos ruídos e efeitos se faz com tamanha força imaginativa
que materializa uma ação que não se vê, percebida que é somente pelos ouvidos. (p.
73).
13
ESTUDO DE CASO: REPORTAGENS RADIOFÔNICAS
Este estudo fez uma análise dos áudios das reportagens veiculadas nas duas principais
emissoras de rádio do Espírito Santo, que possuem o radiojornalismo como referência. Os
repórteres da Rádio Espírito Santo AM e da Rádio CBN Vitória FM, que é a única emissora
all news do Estado, participaram e conquistaram os melhores lugares na 18ª, 19ª e 20ª edição
do Prêmio Capixaba de Jornalismo. Além das reportagens vencedoras no Prêmio, foram
analisados áudios de reportagens de emissoras de outros estados brasileiros em diferentes
situações.
Agressão à mulher: tem que denunciar - Johnnatan Gomes Sardi
A reportagem que levou o 1º lugar na 18ª edição do Prêmio Capixaba de Jornalismo,
realizado em 2012, contou uma história sobre violência contra as mulheres. Produzido pelo
jornalista da Rádio Espírito Santo, Johnnatan Gomes Sardi, com a locução do jornalista
Arleson Schneider, a reportagem, com duração de seis minutos e 12 segundos (6’12’’), teve
como título “Agressão à mulher: tem que denunciar”.
Nos primeiros segundos da reportagem, a trilha sonora, em tom de suspense, adianta o que
estar por vir. Na primeira fonte, uma jovem de 23 anos relata a violência do marido por causa
de ciúmes. A vítima narra a agressão sofrida na sala de casa, em frente ao próprio filho. Na
entrevista, a ausência de elementos sonoros como plano de fundo é evidente. A captação da
sonora feita por telefone dificulta a percepção do som ambiente do entrevistado.
No decorrer da reportagem, o texto apresenta dados de uma pesquisa, a qual destaca que a
cada hora, mais de 100 mulheres são agredidas verbal ou fisicamente em todo o território
brasileiro. Nas entrevistas da delegada e do psicólogo, nos tempos de 1’46’’ e no 2’25’’ do
áudio, as vozes metalizadas via telefone, transmitem apenas o conhecimento dos profissionais.
Nos 3’43’’ e 5’33’’, com a fala da jovem agredida pelo marido, é possível perceber os ruídos
no entorno da entrevistada, que apresentam um ambiente aberto com sons de tráfego de carros
e de pessoas conversando. A reportagem é encerrada com a assinatura do locutor e com a
música “Maria, Maria” de Milton Nascimento.
14
Na análise deste áudio, há uma maior percepção da ausência do que a presença dos elementos
sonoros nas entrevistas. Com texto rígido e sem dinamismo, a reportagem transmitiu uma
forma tradicional de se fazer radiojornalismo. A entonação da voz do locutor e a forma da
edição seguiram o contexto do assunto, fundamentado em um conteúdo sério e revelador.
A Vida do ajudante de pedreiro que se tornou pianista - Paulo Rogério
Na 19ª edição do Prêmio, em 2013, a reportagem do jornalista da CBN Vitória, Paulo Rogério,
ganhou o 2º lugar. Com o título "A Vida do ajudante de pedreiro que se tornou pianista", a
reportagem, com duração de 7’21’’, começa com a melodia da canção Someone Like You da
cantora britânica Adele e, após os primeiros segundos, o repórter descreve o local de onde as
melodias surgem e pontua os dias e os horários em que elas são tocadas. Nos 52’’ da
reportagem, o ajudante de pedreiro Rony Chagas do Nascimento, de 19 anos, fala sobre seu
gosto pela música e pelo instrumento que fica localizado na casa onde trabalha. Na sonora é
possível perceber os ruídos de fundo do ambiente em obras.
Na segunda sonora, no 1’58’’, na entrevista da proprietária da casa e do piano, o ambiente
sonoro é composto pelo som do piano, que permanece sendo tocado pelo jovem. Há ruídos de
motores de carros e tráfego de veículos que passam na rua. Nos 3’39’’, o companheiro de
trabalho de Rony, descreve sua surpresa ao vê-lo e ao ouvi-lo tocar e, ao fundo, o som do
piano estremece com a melodia de uma música clássica. Nos 4’25’’ do áudio, a entrevistada
conta o prazer em ouvir as canções tocadas pelo ajudante de pedreiro e, como plano de fundo,
vozes conversavam e, no tom de surpresa, leves toques nas teclas do piano. Nos 5’05’’, Rony
conta como aprendeu, sozinho, a tocar o instrumento. No papo de 30’’, o repórter encerra a
conversa convidando o jovem a tocar mais um pouco. Dentre as notas da melodia de Für Elise,
há barulhos de carros que passavam na rua no momento da execução da música. Nos 6’15’’, a
professora de música relata a surpresa em ver e ouvir o rapaz tocar, perfeitamente, o clássico
de Beethoven. A reportagem é finalizada com os créditos para a sonorização e com a
assinatura do jornalista.
Neste áudio é possível perceber a riqueza e a interação do som ambiente com o texto do
repórter. Toda a reportagem segue o ritmo e o embalo do ponto principal do tema: o ajudante
de pedreiro que toca piano. Em todas as entrevistas, o plano de fundo é destacado com as
15
canções tocadas pelo personagem, exceto na sua própria fala, na qual se destacam os ruídos de
carros e do ambiente em obra, oferecendo assim, maior credibilidade.
Crime passional: traição, morte e arrependimento - José Carlos Bacchetti
Em 2014, no 20º Prêmio Capixaba de Jornalismo, a reportagem "Crime passional: traição,
morte e arrependimento", do jornalista José Carlos Bacchetti, ganhou o 1º lugar da categoria
radiojornalismo. Com duração de 20’49’’, a reportagem produzida pelo repórter da Rádio ES,
em parceria com a editora Jaqueline Vitória, começa com gritos de socorro, simulando o
sofrimento das vítimas. O repórter inicia o texto com a descrição e detalhes do crime. A
chegada da polícia, a investigação, o julgamento e prisão do assassino. No tempo de 53’’, para
ilustrar o início da reportagem especial, é inserida uma fala de um dos acusados, que relata o
arrependimento após o crime. O repórter narra o dia do acontecimento com auxílio de uma
música dando emoção e suspense no texto. Na primeira entrevista, no 1’58’’, o acusado, um
policial civil, relata a paixão pela esposa e como a conheceu. Após a fala do assassino,
Bacchetti descreve o momento do flagra da traição da esposa, na entrada de um Motel, e
como o policial tirou a vida do amante e da própria mulher. Nos 3’38’’, o marido, em tom de
tristeza, disse que o fato nunca poderia ter acontecido, mas que não sabe porque cometeu o
crime. O texto do repórter, sempre cheio de detalhes, descreve os momentos do
acontecimento. Nos 5’35’’, a música de fundo muda e começa uma nova história, um outro
crime que chocou a sociedade. Após a descrição do repórter, uma conversa captada pelo
gravador do jornalista, guarda o relato do marido, destacando que, no momento do flagra, não
se vê os envolvidos e sim a cena do fato consumado. Com som ambiente repleto de elementos
sonoros, como latido de cachorro, o assassino descreve o arrependimento e pontua que o
crime não compensou em nada. Sempre em tom de suspense, o repórter descreve dados de
uma pesquisa que revela o Espírito Santo é o Estado em que mais mulheres morrem no país.
Nos 9’01’’ de reportagem, entra a fala de um delegado explicando a crescente violência no
Estado. A trilha sonora, como plano de fundo da fala do entrevistado, deixa ainda mais
emocionante a história e o relato do delegado. Já nos 12’32’’, sob uma nova trilha sonora,
uma psicóloga explica porque se mata tanto no Espírito Santo. Na fala gravada por telefone, a
entrevistada pontua os possíveis motivos dos assassinatos de mulheres no Estado. Nos 14’22’’,
a reportagem vira com uma nova trilha sonora para iniciar uma nova história. O repórter
Bacchetti conta o caso do assassinato da mulher em frente aos filhos. O assassino, um agente
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penitenciário, nunca esqueceu o crime e disse que o arrependimento surgiu minutos depois da
morte da esposa. Nos 15’, o agente descreve como foi o crime, que aconteceu após uma
discussão, em frente às duas filhas. Ele afirma que o crime não era para ter ocorrido. Novos
dados de pesquisa são revelados pelo jornalista e confirmado com a fala de uma socióloga da
UFES. Por telefone, a profissional destaca que é preciso conversar com o agressor a fim de
identificar os motivos pelo crime cometido. A socióloga destaca que o crime passional é
frequente e o índice cresce no Espírito Santo. Nos últimos minutos da reportagem, é inserida
uma enquete feita nas ruas da cidade, na qual os elementos sonoros estão presentes com os
ruídos e barulho de movimento de carros, sob uma trilha sonora dramatica. A reportagem é
encerrada com um texto repleto de detalhes dos personagens, além dos créditos de edição,
produção e da assinatura do repórter.
O áudio destaca as emocionantes histórias dos crimes passionais e conta com auxilio de
músicas com tom de suspense e drama para ilustrar e enriquecer o texto e as entrevistas. É
possível perceber que, em toda a reportagem, as músicas dão ritmo e harmonia à locução do
repórter. Os elementos sonoros são poucos, mas esses são preenchidos com as trilhas e com
os detalhes dos fatos no texto do jornalista. Além dos elementos, as descrições com as
observações do acontecimento ajudam na veracidade e credibilidade da notícia.
Presente na infância de muitos capixabas, Parque Moscoso completa mais um
aniversário - Patrícia Scalzer
Com o título “Presente na infância de muitos capixabas, Parque Moscoso completa mais um
aniversário”, a matéria radiofônica sobre o mais antigo parque da cidade, com 103 anos, feita
pela repórter Patrícia Scalzer da Rádio CBN Vitória, foi ao ar no dia 24 de maio de 2015 e
possui alguns elementos sonoros que remetem ao ambiente festivo. Com duração de dois
minutos e quarenta segundos (2’40’’), o áudio relata o que os capixabas mais gostavam na
época em que o parque era um dos principais da capital. A repórter descreve, em uma
narração de estúdio, o que a primeira fonte da matéria mais gostava quando os pais a levavam
ao parque quando criança. Na sequência, nos 31’’, a primeira sonora é inserida e apresenta
como fundo da fala, alguns ruídos que lembram vozes. Já na segunda sonora, nos 46’’, o som
ambiente já é composto por gritos de crianças e por ruídos. As evidências da festividade e da
alegria do aniversário do parque ficam mais nítidas na terceira e na quarta entrevista. No
17
tempo de 1’03’’ e no 1’34’’ do áudio, são perceptíveis o som ambiente composto por
batuques, músicas, vozes, gritos de crianças e o bater de palma da população, elementos
sonoros presentes em uma festa de aniversário.
Neste áudio, a repórter soube utilizar o gravador a seu favor e captou, além da entrevista, os
elementos sonoros que estavam presentes no momento da festividade. Nas entrevistas, as
músicas, o som das palmas, as vozes das crianças, transmitem um ambiente em comemoração,
creditando a notícia.
Manifestações de junho e a resposta do Poder Público - Geórgia Moraes
Na reportagem especial da série “Manifestações de junho e a resposta do Poder Público”,
sobre as manifestações de 2013, no qual milhares de brasileiros foram às ruas protestar contra
a política do Brasil, a Rádio Câmara - emissora da Câmera dos Deputados em Brasília -
revelou, em quatro blocos, os detalhes do movimento que mexeu com o país. O áudio de
8’05’’, veiculado no dia 8 de junho de 2013, começa com os gritos da multidão. A repórter
Geórgia Moraes, com ajuda do editor Mauro Ceccherini, relata o movimento que tomou conta
do país e que reuniu mais de um milhão de brasileiros em 80 cidades.
Em meio a narração da repórter, o editor inseriu um trecho do som da manifestação, no qual é
perceptível o canto, em coro, do grito de guerra mais famoso no Brasil. Na primeira sonora,
no tempo de 2’39’’, a voz metalizada da fonte revela a entrevista feita por telefone, mas com
alguns ruídos do ambiente do entrevistado. Na segunda entrevista, nos 3’40’’, ao fundo da
voz da entrevistada é nítido o som do ambiente movimentado e com grupos de pessoas
conversando. No decorrer do relato da repórter, o assunto ganhou às ruas e teve início uma
enquete nos 4’37’’. Nas duas entrevistas da enquete, fica evidente a presença dos elementos
sonoros característicos da manifestação, como o som de buzina, gritos de guerra e ruídos de
movimento de veículos. Após os 5’35’’, a reportagem é ilustrada com mais duas entrevistas
para embasar o que foi pontuado na pesquisa e o áudio é finalizado com as mudanças feitas na
Câmara e com a canção de Cazuza: Ideologia.
A reportagem, diferente das demais, contou com o recurso “Sobe Som” adotado durante a
edição do áudio e que poderia ser usado com mais frequência durante as edições da notícia. O
18
recurso enriquece a reportagem passando mais veracidade ao fato. Neste áudio, o sobe som
destacou canções que norteiam o tema e o som ambiente das manifestações, que revela as
vozes e gritos dos manifestantes, além do canto em coro do grito de guerra.
Em todas as reportagens vencedoras nas últimas três edições do Prêmio Capixaba de
Jornalismo, encontramos um texto e uma produção mais rica em detalhes. As construções das
histórias foram feitas com apoio de músicas, trilhas e recursos na edição, nos quais repassam
características e sentimentos de suspense e drama, além de surpresa e alegria. Os elementos
sonoros surgem nas entrevistas com os entrevistados. Alguns ficam em evidência, outros são
disfarçados com as trilhas e efeitos da edição. Mas há pontos a serem destacados nas
reportagens da Rádio ES, que possuem uma forma tradicional de se fazer jornalismo,
destacado por meio dos textos e da narração, dando evidência na história. As reportagens
premiadas em 1º lugar na 18ª e na 20ª edição do prêmio são carregadas de emoção e os textos
mais completos que explicam e detalham os acontecimentos. Na reportagem da CBN Vitória,
2º lugar na 19º edição, possui uma característica semelhante das reportagens da outra
emissora, mas os textos são mais dinâmicos e sem rodeios. Contam a história de uma forma
mais leve, sem perder muito tempo. Na outra reportagem da CBN Vitória, veiculada no dia do
aniversário do Parque Moscoso, é evidente o conteúdo informativo, mas sem complexidade
no assunto. É certo que há diferenças nos formatos e no editorial de cada emissora, na qual
contribui para a personalização e características do jornalismo. Na matéria especial da Rádio
Câmara, há outra linguagem jornalística, que está entrelaçada ao cunho político e revela no
texto o interesse na história. As músicas e recursos também estão em evidência na construção
da reportagem de Geórgia Moraes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O que se pode concluir diante do exposto é que os elementos sonoros possuem um importante
significado no rádio. Nas ondas sonoras, os elementos devem existir para transportar o
ouvinte até o acontecimento e repassar credibilidade e veracidade ao fato. Hoje, com a
constante evolução tecnológica, o rádio passou a ser ainda mais dinâmico e interativo,
perdendo a essência de construir a notícia na imaginação do ouvinte. Nas análises realizadas,
verifica-se que o radiojornalimo nas emissoras AM continua com a essência, mas as
emissoras FM passam por transformações diárias, a fim de assegurar e manter os poucos
19
ouvintes. Essas transformações, a pedido da linha editorial da emissora, começam na apuração
da notícia, passando pela edição e chegam à veiculação. As entrevistas feitas por telefone, o
tempo curto e a velocidade da informação, fizeram com que os elementos sonoros perdessem
o seu valor e passassem a ser identificados como, simplesmente, imperfeições. Mas ainda
existem jornalistas que constroem sua reportagem com base na importância dos elementos
sonoros, sem deixar de lado a apuração e o bom texto. É o caso da reportagem do repórter
José Bacchetti que, por meio de uma conversa informal, revelou detalhes da apuração e de
como entrevistou os personagens. Após a conversa, o conhecido repórter fez a busca pelo
áudio até então desaparecido, encontrando-o dois dias após a conversa descontraída. As
demais reportagens foram encontradas e baixadas para o computador diretamente da internet,
nas páginas das respectivas emissoras. Mas antes, o contato com a empresa responsável pelo
prêmio, no intuito de obter os áudios para análise, resultou em uma busca demorada, tendo
que cortar caminho e obter os áudios com os próprios repórteres. Agora, com o surgimento de
tantos recursos e ferramentas tecnológicas e a queda constante do número de ouvintes, o rádio
e a sua funcionalidade na sociedade podem se perder com o decorrer dos anos. Cabem aos
veículos de comunicação e aos jornalistas se reinventarem para manter o gênero
radiojornalismo presente na vida do cidadão.
REFERÊNCIAS
BALSEBRE, Armand. El lenguaje radiofónico. Madrid: Ediciones Cátedra. 2004.
BARBEIRO, Heródoto; LIMA, Paulo Rodolfo. Manual do Radiojornalismo: produção, ética e
internet. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
BAUMWORCEL, Ana. Armand Balsebre e a teoria expressiva do rádio. In: Congresso Brasileiro
de Ciências da Comunicação, 28, 2005. Rio de Janeiro. Anais. São Paulo: Intercom, 2005. Disponível
em: http://www.portcom.intercom.org.br/pdfs/165217223309357345135320299947141635414.pdf.
Data de acesso: 28 de abril de 2015.
CALABRE, Lia. A era do rádio. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002.
CHANTLER, Paul; HARRIS, sim. Tradução por Laurindo Lalo Leal Filho, Radiojornalismo, 2. Ed.
São Paulo: Summus Editorial, 1992.
DEL BIANCO, Nélia; ESCH, Carlos Eduardo. Quem destrói o mundo é o cenário acústico do rádio.
In: MEDITSCH, Eduardo (org.) Rádio e Pânico, a Guerra dos Mundos, 60 anos depois.
Florianópolis: Insular, 1998.
FERNANDES, Rodrigo Fonseca. Raça, amor e paixão. Os sons dos estádios de futebol como
elementos de vinculação. In: Ferraretto, Luiz Artur; Klöckner, Luciano (Orgs.). E o rádio? Novos
20
horizontes midiáticos. Porto Alegre: Edipucrs, 2010. Disponível em:
http://www.pucrs.br/edipucrs/eoradio.pdf. Data de acesso: 8 de abril de 2015.
FERRARETO, Luiz Arthur. Rádio: o veículo, a história e a técnica. Porto alegre: Sagra Luzzatto,
2001.
KAPLÚN, Mario. Producción de programas de radio: El guión, larealización. Quito: Ciespal, 1978.
LOPEZ, Debora Cristina. Radiojornalismo hipermidiático: tendências e perspectivas do jornalismo
de rádio all news brasileiro em um contexto de convergência tecnológica. Covilhã, UBI, LabCom,
Livros LabCom, 2010. Disponível em: http://www.livroslabcom.ubi.pt/pdfs/20110415-
debora_lopez_radiojornalismo.pdf. Data de acesso: 28 de abril de 2015.
MEDITSCH, Eduardo; ZUCULOTO, Valci (Orgs.). Teorias do Rádio: Textos e Contextos.
Florianópolis: Insular, Vol. II, 2008.
ORTRIWANO, Gisela Swetlana. A Informação no Rádio: Os Grupos de Poder e Determinação dos
Conteúdos. São Paulo: Summus Editorial, 1985.
PORCHAT, Maria Elisa. Manual de Radiojornalismo: Jovem Pan. 3. ed. São Paulo: Ática, 2004.
PRADO, Emílio. Estrutura da Informação Radiofônica. São Paulo: Summus Editorial, 1989.
SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. São Paulo: UNESP, 1991.
TAVARES, Mariza (Org). Manual de Redação CBN. São Paulo: Globo, 2011.
A vida do ajudante de pedreiro que se tornou pianista. Paulo Rogério. CBN Vitória. Disponível em:
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/09/cbn_vitoria/reportagens/1360511-pedreiro-
transforma-hora-do-almoco-em-espetaculo-de-musicas-classicas.html.
Data de acesso: 10 de junho de 2015.
Agressão à mulher: tem que denunciar. Johnnatan Gomes Sardi e Arleson Schneider. Rádio
Espírito Santo. Disponível em: https://soundcloud.com/arlesonsg/06-2012-agress-o-mulher-tem.
Data de acesso: 03 de junho de 2015.
Manifestações de junho e a resposta do Poder Público. Géorgia Moraes. Bloco 01. Rádio Câmara.
Disponível em: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/radio/materias/REPORTAGEM-
ESPECIAL/446979-MANIFESTACOES-DE-JUNHO-E-A-RESPOSTA-DO-PODER-PUBLICO-1-
MILHAO-DE-BRASILEIROS-SURPREENDEM-AS-AUTORIDADES---BLOCO-1.html.
Data de acesso: 12 de maio de 2015.
Presente na infância de muitos capixabas, Parque Moscoso completa mais um aniversário.
Patrícia Scalzer. Rádio CBN Vitória. Disponível em:
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2015/05/cbn_vitoria/reportagens/3897929-presente-na-
infancia-de-muitos-capixabas-parque-moscoso-completa-mais-um-aniversario.html.
Data de acesso: 04 de junho de 2015.
21
Apêndice
Introdução
A linguagem radiofônica utilizada nas notícias e difundida pelas ondas sonoras, por meio da
adequação dos fatos narrados pelo locutor/repórter, possui uma característica de fácil
compreensão e entendimento. As notícias transmitidas durante a programação da emissora de
rádio, caracterizada como prestação de serviço, utilidade pública, informação e educação, leva
aos ouvintes sintonizados em seu dial, fatos e acontecimentos em momento real -
instantaneamente. A recepção dos acontecimentos fundamenta-se no modo de alcance direto,
atingindo em uma determinada área o seu público alvo.
Durante a apuração e elaboração da notícia radiofônica, o repórter utiliza vários meios para o
desenvolvimento da matéria. A apuração em campo estabelece um contato imediato do
jornalista ao fato, dando maior credibilidade à notícia. A internet, os jornais, a televisão e as
outras mídias servem como fonte de informação. Na reportagem externa, transmitida ao vivo,
o repórter tem o desafio de apresentar o fato com clareza e importância, a fim de atrair a
atenção do ouvinte ao acontecimento.
Para isso, o repórter tem a seu favor os elementos sonoros, utilizados na composição da
notícia. O som, como principal componente, atinge diferentes massas de forma homogênea.
Dessa forma, esse elemento fundamental, auxilia na difusão da informação. Como um meio
de fácil acesso, o rádio desenvolve uma expressão única, estabelecendo, primordialmente, um
palavreado comum, para atingir a compreensão da sociedade de um modo geral.
Além de apresentar facilidade no entendimento, é na audição que o repórter irá conquistar seu
público, haja em vista que a audição é considerada o sentido mais sensível do ser humano e o
mais ligado às vivências afetivas do homem. E não é somente no rádio que o som tem a sua
importância. Na televisão, o áudio compõe todo o enredo dos filmes, das novelas e também
das notícias. No cinema, a edição de som é de suma importância para a linguagem de um
filme, pois é responsável por criar seu cenário auditivo.
Este cenário também está presente na construção da notícia radiofônica. Na apuração do
repórter e na transformação dos fatos são aproveitados os sons, ruídos, barulhos e até o
22
silêncio, captados pelo aparelho gravador. Os elementos sonoros demonstram seus
significados diante da elaboração e da edição da matéria, levando o ouvinte ao local do
episódio, criando diversas imagens em sua mente e montando o seu próprio cenário.
Na década de 40, em plena Era Ouro do rádio, já se pensavam na importância dos elementos
sonoros para a composição das histórias. Nessa época, foi criada a primeira radionovela, na
qual os elementos enriqueciam o enredo e davam ritmo ao drama radiofônico.
Problema
Qual o significado dos elementos sonoros na notícia radiofônica?
Objetivo
Contribuir para o entendimento da mensagem transmitida pelos sons, ruídos, efeitos, silêncio
e o texto, mantendo o receptor/ouvinte, em tempo real, completamente informado e atento aos
acontecimentos. Além disso, o estudo expõe para estudantes, jornalistas e repórteres de rádio,
que o som ambiente também faz parte da notícia.
Justificativa
Com passar dos anos e com a evolução tecnológica e as inúmeras distrações, na maioria
visual, as notícias radiofônicas tendem a perder espaço para outras mídias ou outras atividades.
Além disso, atualmente, é possível perceber nos noticiários, que os elementos sonoros estão
cada vez mais ausentes nas notícias, e há a percepção do aumento da constante produção de
reportagens dentro do estúdio, sem que o repórter saia para rua em busca dos elementos que
fazem parte do fato e do dia a dia dos ouvintes.
Metodologia
Foram analisadas reportagens radiofônicas premiadas nas três últimas edições do Prêmio
Capixaba de Jornalismo e também áudios de outras emissoras brasileiras em diferentes
situações.
23
Revisão de literatura
O Manual de Radiojornalismo de Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo Lima serviu como
referência bibliográfica principal para análise do estudo e para contrapor as ideias e conceitos
apresentados neste artigo. Além disso, os livros “A era do rádio” de Lia Calabre, “Rádio: o
veículo, a história e a técnica” de Luiz Arthur Ferrareto, “A Informação no Rádio: Os Grupos
de Poder e Determinação dos Conteúdos” de Gisela Swetlana Ortriwano, “Manual de
Radiojornalismo: Jovem Pan” de Maria Elisa Porchat, “Estrutura da Informação Radiofônica”
de Emílio Prado e o “Manual de Redação CBN” de Mariza Tavares, contribuíram para a
construção da ideia e para o fortalecimento da necessidade e importância da existência dos
elementos sonoros nas notícias radiofônicas.

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OS ELEMENTOS SONOROS E SEUS SIGNIFICADOS NA CONSTRUÇÃO E TRANSMISSÃO DAS REPORTAGENS RADIOFÔNICAS

  • 1. FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ CAMPUS VITÓRIA WERLEN CARVALHO DOS SANTOS OS ELEMENTOS SONOROS E SEUS SIGNIFICADOS NA CONSTRUÇÃO E TRANSMISSÃO DAS REPORTAGENS RADIOFÔNICAS VITÓRIA 2015
  • 2. 2 WERLEN CARVALHO DOS SANTOS OS ELEMENTOS SONOROS E SEUS SIGNIFICADOS NA CONSTRUÇÃO E TRANSMISSÃO DAS REPORTAGENS RADIOFÔNICAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, da Faculdade Estácio de Vitória, como requisito para a obtenção do Título de Bacharel em Comunicação. Orientador: Prof. Roberto Teixeira VITÓRIA 2015
  • 3. 3 RESUMO O presente artigo tem como objetivo apontar a importância dos elementos sonoros, as funções desses elementos e a necessidade do som ambiente na construção e transmissão da notícia. Como um meio de fácil acesso, o rádio desenvolve uma expressão única, estabelecendo, primordialmente, um palavreado comum. Mas, diante da evolução tecnológica e das inúmeras distrações, na maioria visual, as notícias radiofônicas tendem a perder espaço para outras mídias ou outras atividades. O estudo possui uma dimensão comunicacional, a fim de expor para estudantes, jornalistas e repórteres de rádio, que o som ambiente também faz parte da notícia. Para isso, foram analisadas reportagens vencedoras nas últimas edições do Prêmio Capixaba de Jornalismo e reportagens em diferentes situações veiculadas em emissoras do Espírito Santo e de outras cidades do país. Palavras-chave: Radiojornalismo. Sons. Elementos sonoros. Notícia radiofônica.
  • 4. 4 INTRODUÇÃO A linguagem radiofônica utilizada nas notícias e difundida pelas ondas sonoras, por meio da adequação dos fatos narrados pelo locutor/repórter, possui uma característica de fácil compreensão e entendimento. As notícias transmitidas durante a programação da emissora de rádio, caracterizada como prestação de serviço, utilidade pública, informação e educação, leva aos ouvintes sintonizados em seu dial, fatos e acontecimentos em momento real - instantaneamente. A recepção dos acontecimentos fundamenta-se no modo de alcance direto, atingindo em uma determinada área o seu público alvo. Durante a apuração e elaboração da notícia radiofônica, o repórter utiliza vários meios para o desenvolvimento da matéria. A apuração em campo estabelece um contato imediato do jornalista ao fato, dando maior credibilidade à notícia. A internet, os jornais, a televisão e as outras mídias servem como fonte de informação. Na reportagem externa, transmitida ao vivo, o repórter tem o desafio de apresentar o fato com clareza e importância, a fim de atrair a atenção do ouvinte ao acontecimento. Para isso, o repórter tem a seu favor os elementos sonoros, utilizados na composição da notícia. O som, como principal componente, atinge diferentes massas de forma homogênea. Dessa forma, esse elemento fundamental, auxilia na difusão da informação. Como um meio de fácil acesso, o rádio desenvolve uma expressão única, estabelecendo, primordialmente, um palavreado comum, para atingir a compreensão da sociedade de um modo geral. Além de apresentar facilidade no entendimento, é na audição que o repórter irá conquistar seu público, haja em vista que a audição é considerada o sentido mais sensível do ser humano e o mais ligado às vivências afetivas do homem. E não é somente no rádio que o som tem a sua importância. Na televisão, o áudio compõe todo o enredo dos filmes, das novelas e também das notícias. No cinema, a edição de som é de suma importância para a linguagem de um filme, pois é responsável por criar seu cenário auditivo. Este cenário também está presente na construção da notícia radiofônica. Na apuração do repórter e na transformação dos fatos são aproveitados os sons, ruídos, barulhos e até o silêncio, captados pelo aparelho gravador. Os elementos sonoros demonstram seus
  • 5. 5 significados diante da elaboração e da edição da matéria, levando o ouvinte ao local do episódio, criando diversas imagens em sua mente e montando o seu próprio cenário. Na década de 40, em plena Era Ouro do rádio, já se pensavam na importância dos elementos sonoros para a composição das histórias. Nessa época, foi criada a primeira radionovela, na qual os elementos enriqueciam o enredo e davam ritmo ao drama radiofônico. Com passar dos anos e com a evolução tecnológica e as inúmeras distrações, na maioria visual, as notícias radiofônicas tendem a perder espaço para outras mídias ou outras atividades. Além disso, atualmente, é possível perceber nos noticiários, que os elementos sonoros estão cada vez mais ausentes nas notícias, e há a percepção do aumento da constante produção de reportagens dentro do estúdio, sem que o repórter saia para rua em busca dos elementos que fazem parte do fato e do dia a dia dos ouvintes. Diante do exposto, surge como questão problematizadora: qual o significado dos elementos sonoros na notícia radiofônica? Essa questão tem o objetivo de apontar a importância dos elementos sonoros, suas funções e a necessidade para construção e transmissão da notícia, fixando a atenção e facilitando a compreensão e o entendimento do que está sendo apresentado. Para isso, foram analisadas reportagens radiofônicas premiadas nas três últimas edições do Prêmio Capixaba de Jornalismo e também áudios de outras emissoras brasileiras em diferentes situações, como, por exemplo, as manifestações de junho de 2013. Nos áudios, é perceptível a presença dos sons como composição da notícia, enfatizando e creditando o fato narrado pelo repórter. O Manual de Radiojornalismo de Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo Lima serviu como referência bibliográfica para análise do estudo e para contrapor as ideias e conceitos apresentados neste artigo. Com esse estudo, a contribuição de entender a mensagem transmitida pelos sons, ruídos, efeitos, silêncio e o texto é de importância social, mantendo o receptor/ouvinte em tempo real, completamente informado e atento aos acontecimentos. Além disso, o estudo possui uma
  • 6. 6 dimensão comunicacional, a fim de expor para estudantes, jornalistas e repórteres de rádio, que o som ambiente também faz parte da notícia. A LINGUAGEM RADIOFÔNICA: A FALA SIMPLES E OBJETIVA Para Barbeiro e Lima (2003, p. 72), o texto jornalístico segue normas universais. Tanto no jornal impresso quanto na mídia digital, no rádio e na TV, os jornalistas escrevem o texto com base nas seis perguntas fundamentais para construção da notícia: Como? Onde? Por quê? O quê? Quem? Quando? Respondidas as perguntas, o jornalista inicia o texto, oferecendo ao leitor, as principais informações do fato. Embora todo texto jornalístico deva primar pela clareza e objetividade, este desafio é ainda maior no rádio, porque a informação deve ser compreendida de imediato pelo ouvinte: o que aconteceu/quem fez/quando/onde/como/por quê? (MARIZA, 2011, p. 83). Em qualquer veículo impresso ou eletrônico, conforme pontua Barbeiro e Lima (2003, p. 72), o redator deve ser claro, conciso, direto, preciso, simples e objetivo. De acordo com Mariza (2011, p. 83), não se pode esquecer que o texto do rádio não pode ser consultado novamente, como acontece com os veículos impressos, pois na mídia sonora, o ouvinte não tem uma segunda oportunidade para conferir a notícia. Com objetivo de levar a informação a qualquer canto e em situações diferentes, a notícia radiofônica agrega um conjunto de expressões que eleva o poder auditivo dos ouvintes, conforme descrito por Ortriwano (1985, p. 78): o rádio fala e, para receber a mensagem, é apenas necessário ouvir. Portanto, o rádio leva uma vantagem sobre os veículos impressos, pois, para receber as informações, não é preciso que o ouvinte seja alfabetizado. O ouvinte é atraído por informações de seu interesse, pois, o repórter, ao descrever o ocorrido, conta a história com um linguajar simples, sem muitas palavras complicadas e desnecessárias. Para Barbeiro e Lima (2003, p. 72), o jornalista precisa ter em mente que está contando uma história para alguém, mas sem apelos à linguagem vulgar e, acima de tudo, respeitar as regras do idioma.
  • 7. 7 O texto radiofônico transmitido pelo jornalista é diferente de um texto narrado em um telejornal. Na televisão, o casamento da imagem é direcionado individualmente. Cada pessoa sintonizada naquele canal possui diferentes maneiras e formas de agir. Sobre essa individualidade, Ortriwano (1985) expõe: [...] as pessoas podem receber suas mensagens sozinhas, em qualquer lugar que estejam. Essa característica faz com que o emissor possa falar para toda a sua audiência como se estivesse falando para cada um em particular, dirigindo-se diretamente àquele ouvinte específico. (p. 81). Com essas características, a linguagem radiofônica estabelece formas de construção diferentes de outros meios e o que diferencia o texto do rádio em relação aos veículos de imprensa escrita, segundo Barbeiro e Lima (2003, p. 72), é a instantaneidade. Na transmissão e compreensão das notícias, as cenas do acontecimento surgem na imaginação do ouvinte como um quebra-cabeça de sensações individuais e coletivas. O rádio, segundo Chantler e Harris (1992, p. 21), é o melhor meio para estimular a imaginação. O ouvinte é sempre levado a imaginar o que ouve e o que está sendo descrito. Tudo isso a partir do mais sensível dos sentidos: a audição. Kaplún (2008) destaca que há vantagens da notícia radiofônica ser consumida pelo sentido mais importante do ser humano. Se é certo que o rádio atua sobre um único sentido, a psicologia nos dá um dado muito relevante: esse sentido auditivo a que chega o rádio é o mais ligado às vivências afetivas do homem. [...] Os cegos são, em sua maioria, de caráter pacífico e pacientes e irascíveis. [...] Esta comprovação confirma a vital importância do ouvido como sentido de comunicação social e emocional. O ouvido é o sentido da comunicação humana por excelência; e a nível neurofisiológico, o órgão mais sensível da esfera afetiva do ser humano (KAPLÚN apud MEDISTICH; ZUCOLOTO, 2008, p. 88). Para Schafer (1991, p. 67), contrariamente aos outros órgãos dos sentidos, os ouvidos são expostos e vulneráveis. Os olhos podem ser fechados, se quisermos; os ouvidos não. Estão sempre abertos. Os olhos podem focalizar e apontar nossa vontade, enquanto os ouvidos captam todos os sons do horizonte acústico, em todas as direções. É nessa captação auditiva que o ouvinte tem a possibilidade e facilidade de compreender o que o repórter quer informar. O ouvinte imagina a cena do acontecimento por meio da
  • 8. 8 montagem do texto narrado com os sons ambientes. Desta forma, o cenário do fato é construído mentalmente. “O rádio, ainda que falado, não é só palavra [...] Ouvimos o galope e vemos o cavalo, [...] a sirene de um carro dos bombeiros e o crepitar do fogo nos leva a visualizar o incêndio”. (KAPLÚN, 1978, p. 175). Na obra de Ferrareto (2001), por exemplo, há uma pequena menção de como deve ser a linguagem radiofônica. [...] engloba o uso da voz humana, dos efeitos sonoros e do silêncio, que atuam isoladamente ou combinados entre si de diversas formas. Cada um destes elementos contribui, com características próprias, para o todo da mensagem. Os três últimos trabalham em grande parte com o inconsciente do ouvinte, enquanto o discurso oral visa o consciente. [...] Neste quadro, o efeito compensa a ausência da imagem, reproduzindo sons próprios de elementos que servem como pano de fundo [...] (p. 26). O plano de fundo ao qual o autor se refere, tem a capacidade de ilustrar, mesmo que por meio do som, a notícia apresentada pelo locutor. O ouvinte identifica e reconhece cada elemento sonoro composto no segundo plano. A CAPTAÇÃO E CONSTRUÇÃO DO FATO EM NOTÍCIA A transmissão do acontecimento pelas ondas do rádio acontece instantaneamente por meio do link ao vivo ou pelas reportagens que são produzidas pelo repórter. É ele que, seguindo a pauta elaborada pela produção, vai para rua e apura o fato, entrevista as fontes e enriquece as informações que serão repassadas para o ouvinte. Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo Lima (2003, p. 55) no Manual de Radiojornalismo destacam, no capítulo sobre a reportagem, que o repórter tem de se preparar para construir uma reportagem completa e equilibrada; se esforçar ao máximo para ouvir todos os envolvidos no episódio, respeitando o direito das pessoas de terem opiniões divergentes sobre o mesmo assunto. É na captação da história e na apuração do fato que o repórter vai transmitir uma notícia com credibilidade para os ouvintes. De acordo com Barbeiro e Lima (2003, p. 55), o repórter capta a notícia e, com o que viu e a partir de depoimentos de entrevistados, conta para o ouvinte o episódio, da melhor maneira possível.
  • 9. 9 O material bruto da entrevista, denominado como sonora na língua do jornalismo, tem a função de ilustrar e enriquecer todo o conteúdo apurado pelo repórter. É na entrevista concedida por um cidadão comum ou por uma figura pública e representativa na sociedade, que dará peso em todo trabalho feito pelo jornalista. Para Lopez (2010, p. 75), o contato com as fontes e com o palco dos acontecimentos facilita, para o jornalista, a detecção dos interesses do ouvinte e a definição dos valores notícia a serem seguidos por ele. Como nos outros veículos, a fala do entrevistado é importante para repassar com credibilidade o que está sendo noticiado. Diferente do jornal impresso e parecido com a TV, nas ondas sonoras, as entrevistas transmitem ainda mais emoção. A entrevista em rádio tem o poder de transmitir o que o jornalismo impresso nem sempre consegue: a emoção. Esta se manifesta tanto no entrevistado como no entrevistador. Boas entrevistas são as que revelam novos conhecimentos, esclarecem fatos e marcam opiniões. (BARBEIRO; LIMA, 2003, p. 60). Com a entrevista dos envolvidos no fato, o cenário do acontecimento na memória e todo o conteúdo da apuração, o repórter retorna para emissora e inicia o processo de edição. “A edição é a forma de se construir de maneira mais organizada uma reportagem ou uma sequência de sonoras capazes de relatar um fato jornalístico. As edições devem ser enxutas, ricas em conteúdo e didáticas para que o ouvinte saiba do que se está falando”. (BARBEIRO; LIMA, 2003, p. 78). Nas edições, o repórter ou editor de áudio precisam utilizar todos os recursos necessários para informar o ouvinte. A edição, de acordo com Barbeiro e Lima (2003, p. 78), deve sempre refletir a verdadeira condição dos fatos. É neste processo que o fato vira notícia e os sons ambientes aproveitados. A música, segundo Barbeiro e Lima (2003, p. 79), também pode entrar na reportagem, mas precisa ter critério e bom senso, considerando-se sempre o valor desse tipo de sonora para ilustrar a edição e sua função na história. OS ELEMENTOS SONOROS E SEUS SIGNOS NO RÁDIO De acordo com Balsebre (2004), o radioteatro ou radiodrama tem sido o gênero radiofônico que melhor desenvolveu essa tradução sonora do mundo audiovisual. Mas, ao mesmo tempo, no rádio encontra-se o meio ideal para expressar o fantástico e imaginário, criando uma nova
  • 10. 10 poesia: a poesia do espaço. O rádio, portanto, estabelece duas importantes metas: reconstituição e recriação do mundo real através de vozes, música e ruídos, e criação de um mundo imaginário e fantástico. (p. 14). Baumworcel (2005) complementa a questão afirmando: O veículo da emoção e da sedução, só vai estimular os sentimentos, causar envolvimento, atrair e chamar a atenção dos ouvintes para que eles “visualizem”, imaginem o acontecimento, se trouxer em seu discurso uma harmonia sonora composta pela plenitude de elementos de sua linguagem. (p. 4). Assim como os textos, os objetos sonoros, identificados como elementos de cena do momento do fato, transmitem a notícia em sua singularidade. O receptor absorve a informação e interpreta o texto do repórter unindo os sons à composição jornalística. Prado (1989) pontua: Na seleção deve procurar incluir ao máximo o som ambiente, que favorece a compreensibilidade, provoca a intervenção da imaginação do ouvinte e, sobretudo, dá credibilidade à informação. Por outro lado, estes elementos dão dinamismo e ritmo à reportagem. (p. 89). Qualquer ruído captado pelo microfone do gravador ou pelo aparelho celular durante a transmissão ao vivo, compõe a estrutura da cena sonora do acontecimento. O barulho do motor e das buzinas dos carros na movimentada avenida da capital, como fundo do texto, faz com que o receptor perceba, sonoramente, como está à situação no início da manhã ou no fim do expediente do trabalho. Cada elemento sonoro possui seu significado dentro da construção da notícia, e é na memória sonora que o ouvinte irá buscar, separadamente, o sentido de cada elemento. Em uma partida de futebol, por exemplo, o grito e o canto em coro do hino pela torcida organizada, o apitar do juiz no início e durante a partida e até o barulho do impacto do pé do jogador na bola, transporta o torcedor ouvinte para dentro do estádio. Neste caso, não muito diferente de um acontecimento transmitido pelo repórter, o narrador precisa ter atenção e transmitir, além da informação, a emoção da partida. O narrador repassa todos os detalhes em campo, as dimensões e espaços do gramado, cada chute e drible, contribuindo assim, para a construção do cenário imaginário do ouvinte. Estar no campo de futebol exige um exercício cuidadoso de escuta, para que se perceba que até mesmo ruídos fazem parte da paisagem sonora dos estádios, como
  • 11. 11 as buzinas dos carros, os gritos dos cambistas e dos ambulantes, as sirenes das viaturas de polícia, os batuques das torcidas organizadas que começam nas calçadas das imediações dos estádios. Esses ruídos são elementos fundamentais na criação do ambiente de tensão de um jogo. (FERNANDES, 2010, p. 333). Na notícia transmitida ao vivo ou na entrevista gravada em um parque, o sons de pássaros, de crianças brincando, do barulho da bola e dos cachorros com seus donos, transmitem um local tranquilo para se divertir com a família e brincar com o animal de estimação. Esses elementos sonoros são capazes de revelar os detalhes de um parque, na agitação e descontração de um domingo de manhã. A IMPORTÂNCIA DOS SONS DENTRO NOTÍCIA Nos primórdios do rádio, desde os primeiros experimentos na década de 20 no Rio de Janeiro, o veículo de comunicação ganhou destaque e atenção dos brasileiros. Segundo Ortriwano (1985), oficialmente, o rádio é inaugurado no dia 7 de setembro de 1922, como parte das comemorações do Centenário da Independência, quando, através de 80 receptores especialmente importados para a ocasião, alguns componentes da sociedade puderam ouvir em casa o discurso do presidente da República Epitácio Pessoa. No ano seguinte, exatamente no dia 20 de abril, Roquette Pinto e Henry Morize inauguram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Totalmente de cunho educativo e atingindo apenas a elite, o rádio ganhou espaço e alcançou outros territórios brasileiros. Na década de 40, nascia a primeira radionovela, na qual os elementos sonoros davam ritmo e emoção ao drama radiofônico, já demonstrando a sua importância. Transmitido pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Em Busca da Felicidade, continha todos os ingredientes de um folhetim diário com trilhas e efeitos sonoros. Na mesma década, nascia o radiojornalismo, como conta Ortriwano: Em 1942, a Rádio Tupi de São Paulo também começa a sua tradição jornalística, colocando no ar o “Grande Jornal Falado Tupi”, criado por Coripheu de Azevedo Marques e Armando Bertoni, com uma hora de duração diária. O “Repórter Esso” e o “Grande Jornal Falado Tupi” foram marcos importantes para que o radiojornalismo brasileiro fosse encontrando sua definição, os caminhos de uma linguagem própria para o meio, deixando de ser apenas a “leitura ao microfone” das notícias dos jornais impressos. (p. 21).
  • 12. 12 Em uma época com poucos recursos tecnológicos, já se pensavam nos elementos sonoros na composição da radiodramaturgia e do radiojornalismo. Na “Era de Ouro” do rádio brasileiro, as emissoras eram divididas em setores e um deles era responsável pelos elementos que iriam compor as cenas da radionovela, como explica Calabre (2002): O setor de radioteatro também contava com os profissionais responsáveis pelos efeitos sonoros – sonoplastia e sonofonia – e pelas trilhas musicais. A sonoplastia é, ainda hoje, um dos elementos fundamentais em todas as produções dos meios eletrônicos (rádio, cinema e televisão); no caso do rádio, esses efeitos sonoros assumem um papel ainda mais importante, na medida em que facilitam a recepção dos textos. Na ausência total de imagens visuais, os ruídos e o fundo musical auxiliam na construção do ambiente imaginário. Quanto melhor o efeito sonoro, maior será o grau de veracidade atingido pela transmissão. (p. 35). Neste caso, com base no estudo deste artigo, o cenário sonoro deve estar presente na matéria para que o ouvinte veja a cena e imagine o fato, prendendo sua atenção ao noticiário. Todo o som ambiente composto por vozes, barulho de carros, sirenes, buzinas, ruídos e até mesmo o silêncio, faz com que a transmissão, tanto da radionovela quanto da notícia radiofônica, sejam ricas em detalhes e de informação. Tavares (2011) pontua a importância dos sons na notícia. A captação de sons ambientes que ajudem a explicar melhor o contexto da matéria enriquece a apuração do repórter. Uma reportagem sobre a poluição sonora de uma cidade será muito mais interessante se, além das entrevistas com autoridades e especialistas, registrar os pontos mais barulhentos in loco. (p. 80). Além de levar informação e, também, entretenimento, o rádio tem a função de mexer com a imaginação do ouvinte e faz com que ele ouça o som ambiente e crie, por meio da memória sonora, toda a paisagem que rodeia o acontecimento. A construção do fato por meio dos elementos e trilhas sonoras, Esch e Del Bianco (1998) destacam a função narrativa dos ruídos: Independente do papel que desempenham, quando associados à palavra fazem surgir uma imagem do acontecimento real construída na mente através da ilusão que o rádio produz em nós. Ilusão que se estabelece pelo paradoxo: o rádio materializa situações reais, referenciadas pelo cotidiano, a partir da imitação e personificação. A representação do real pelos ruídos e efeitos se faz com tamanha força imaginativa que materializa uma ação que não se vê, percebida que é somente pelos ouvidos. (p. 73).
  • 13. 13 ESTUDO DE CASO: REPORTAGENS RADIOFÔNICAS Este estudo fez uma análise dos áudios das reportagens veiculadas nas duas principais emissoras de rádio do Espírito Santo, que possuem o radiojornalismo como referência. Os repórteres da Rádio Espírito Santo AM e da Rádio CBN Vitória FM, que é a única emissora all news do Estado, participaram e conquistaram os melhores lugares na 18ª, 19ª e 20ª edição do Prêmio Capixaba de Jornalismo. Além das reportagens vencedoras no Prêmio, foram analisados áudios de reportagens de emissoras de outros estados brasileiros em diferentes situações. Agressão à mulher: tem que denunciar - Johnnatan Gomes Sardi A reportagem que levou o 1º lugar na 18ª edição do Prêmio Capixaba de Jornalismo, realizado em 2012, contou uma história sobre violência contra as mulheres. Produzido pelo jornalista da Rádio Espírito Santo, Johnnatan Gomes Sardi, com a locução do jornalista Arleson Schneider, a reportagem, com duração de seis minutos e 12 segundos (6’12’’), teve como título “Agressão à mulher: tem que denunciar”. Nos primeiros segundos da reportagem, a trilha sonora, em tom de suspense, adianta o que estar por vir. Na primeira fonte, uma jovem de 23 anos relata a violência do marido por causa de ciúmes. A vítima narra a agressão sofrida na sala de casa, em frente ao próprio filho. Na entrevista, a ausência de elementos sonoros como plano de fundo é evidente. A captação da sonora feita por telefone dificulta a percepção do som ambiente do entrevistado. No decorrer da reportagem, o texto apresenta dados de uma pesquisa, a qual destaca que a cada hora, mais de 100 mulheres são agredidas verbal ou fisicamente em todo o território brasileiro. Nas entrevistas da delegada e do psicólogo, nos tempos de 1’46’’ e no 2’25’’ do áudio, as vozes metalizadas via telefone, transmitem apenas o conhecimento dos profissionais. Nos 3’43’’ e 5’33’’, com a fala da jovem agredida pelo marido, é possível perceber os ruídos no entorno da entrevistada, que apresentam um ambiente aberto com sons de tráfego de carros e de pessoas conversando. A reportagem é encerrada com a assinatura do locutor e com a música “Maria, Maria” de Milton Nascimento.
  • 14. 14 Na análise deste áudio, há uma maior percepção da ausência do que a presença dos elementos sonoros nas entrevistas. Com texto rígido e sem dinamismo, a reportagem transmitiu uma forma tradicional de se fazer radiojornalismo. A entonação da voz do locutor e a forma da edição seguiram o contexto do assunto, fundamentado em um conteúdo sério e revelador. A Vida do ajudante de pedreiro que se tornou pianista - Paulo Rogério Na 19ª edição do Prêmio, em 2013, a reportagem do jornalista da CBN Vitória, Paulo Rogério, ganhou o 2º lugar. Com o título "A Vida do ajudante de pedreiro que se tornou pianista", a reportagem, com duração de 7’21’’, começa com a melodia da canção Someone Like You da cantora britânica Adele e, após os primeiros segundos, o repórter descreve o local de onde as melodias surgem e pontua os dias e os horários em que elas são tocadas. Nos 52’’ da reportagem, o ajudante de pedreiro Rony Chagas do Nascimento, de 19 anos, fala sobre seu gosto pela música e pelo instrumento que fica localizado na casa onde trabalha. Na sonora é possível perceber os ruídos de fundo do ambiente em obras. Na segunda sonora, no 1’58’’, na entrevista da proprietária da casa e do piano, o ambiente sonoro é composto pelo som do piano, que permanece sendo tocado pelo jovem. Há ruídos de motores de carros e tráfego de veículos que passam na rua. Nos 3’39’’, o companheiro de trabalho de Rony, descreve sua surpresa ao vê-lo e ao ouvi-lo tocar e, ao fundo, o som do piano estremece com a melodia de uma música clássica. Nos 4’25’’ do áudio, a entrevistada conta o prazer em ouvir as canções tocadas pelo ajudante de pedreiro e, como plano de fundo, vozes conversavam e, no tom de surpresa, leves toques nas teclas do piano. Nos 5’05’’, Rony conta como aprendeu, sozinho, a tocar o instrumento. No papo de 30’’, o repórter encerra a conversa convidando o jovem a tocar mais um pouco. Dentre as notas da melodia de Für Elise, há barulhos de carros que passavam na rua no momento da execução da música. Nos 6’15’’, a professora de música relata a surpresa em ver e ouvir o rapaz tocar, perfeitamente, o clássico de Beethoven. A reportagem é finalizada com os créditos para a sonorização e com a assinatura do jornalista. Neste áudio é possível perceber a riqueza e a interação do som ambiente com o texto do repórter. Toda a reportagem segue o ritmo e o embalo do ponto principal do tema: o ajudante de pedreiro que toca piano. Em todas as entrevistas, o plano de fundo é destacado com as
  • 15. 15 canções tocadas pelo personagem, exceto na sua própria fala, na qual se destacam os ruídos de carros e do ambiente em obra, oferecendo assim, maior credibilidade. Crime passional: traição, morte e arrependimento - José Carlos Bacchetti Em 2014, no 20º Prêmio Capixaba de Jornalismo, a reportagem "Crime passional: traição, morte e arrependimento", do jornalista José Carlos Bacchetti, ganhou o 1º lugar da categoria radiojornalismo. Com duração de 20’49’’, a reportagem produzida pelo repórter da Rádio ES, em parceria com a editora Jaqueline Vitória, começa com gritos de socorro, simulando o sofrimento das vítimas. O repórter inicia o texto com a descrição e detalhes do crime. A chegada da polícia, a investigação, o julgamento e prisão do assassino. No tempo de 53’’, para ilustrar o início da reportagem especial, é inserida uma fala de um dos acusados, que relata o arrependimento após o crime. O repórter narra o dia do acontecimento com auxílio de uma música dando emoção e suspense no texto. Na primeira entrevista, no 1’58’’, o acusado, um policial civil, relata a paixão pela esposa e como a conheceu. Após a fala do assassino, Bacchetti descreve o momento do flagra da traição da esposa, na entrada de um Motel, e como o policial tirou a vida do amante e da própria mulher. Nos 3’38’’, o marido, em tom de tristeza, disse que o fato nunca poderia ter acontecido, mas que não sabe porque cometeu o crime. O texto do repórter, sempre cheio de detalhes, descreve os momentos do acontecimento. Nos 5’35’’, a música de fundo muda e começa uma nova história, um outro crime que chocou a sociedade. Após a descrição do repórter, uma conversa captada pelo gravador do jornalista, guarda o relato do marido, destacando que, no momento do flagra, não se vê os envolvidos e sim a cena do fato consumado. Com som ambiente repleto de elementos sonoros, como latido de cachorro, o assassino descreve o arrependimento e pontua que o crime não compensou em nada. Sempre em tom de suspense, o repórter descreve dados de uma pesquisa que revela o Espírito Santo é o Estado em que mais mulheres morrem no país. Nos 9’01’’ de reportagem, entra a fala de um delegado explicando a crescente violência no Estado. A trilha sonora, como plano de fundo da fala do entrevistado, deixa ainda mais emocionante a história e o relato do delegado. Já nos 12’32’’, sob uma nova trilha sonora, uma psicóloga explica porque se mata tanto no Espírito Santo. Na fala gravada por telefone, a entrevistada pontua os possíveis motivos dos assassinatos de mulheres no Estado. Nos 14’22’’, a reportagem vira com uma nova trilha sonora para iniciar uma nova história. O repórter Bacchetti conta o caso do assassinato da mulher em frente aos filhos. O assassino, um agente
  • 16. 16 penitenciário, nunca esqueceu o crime e disse que o arrependimento surgiu minutos depois da morte da esposa. Nos 15’, o agente descreve como foi o crime, que aconteceu após uma discussão, em frente às duas filhas. Ele afirma que o crime não era para ter ocorrido. Novos dados de pesquisa são revelados pelo jornalista e confirmado com a fala de uma socióloga da UFES. Por telefone, a profissional destaca que é preciso conversar com o agressor a fim de identificar os motivos pelo crime cometido. A socióloga destaca que o crime passional é frequente e o índice cresce no Espírito Santo. Nos últimos minutos da reportagem, é inserida uma enquete feita nas ruas da cidade, na qual os elementos sonoros estão presentes com os ruídos e barulho de movimento de carros, sob uma trilha sonora dramatica. A reportagem é encerrada com um texto repleto de detalhes dos personagens, além dos créditos de edição, produção e da assinatura do repórter. O áudio destaca as emocionantes histórias dos crimes passionais e conta com auxilio de músicas com tom de suspense e drama para ilustrar e enriquecer o texto e as entrevistas. É possível perceber que, em toda a reportagem, as músicas dão ritmo e harmonia à locução do repórter. Os elementos sonoros são poucos, mas esses são preenchidos com as trilhas e com os detalhes dos fatos no texto do jornalista. Além dos elementos, as descrições com as observações do acontecimento ajudam na veracidade e credibilidade da notícia. Presente na infância de muitos capixabas, Parque Moscoso completa mais um aniversário - Patrícia Scalzer Com o título “Presente na infância de muitos capixabas, Parque Moscoso completa mais um aniversário”, a matéria radiofônica sobre o mais antigo parque da cidade, com 103 anos, feita pela repórter Patrícia Scalzer da Rádio CBN Vitória, foi ao ar no dia 24 de maio de 2015 e possui alguns elementos sonoros que remetem ao ambiente festivo. Com duração de dois minutos e quarenta segundos (2’40’’), o áudio relata o que os capixabas mais gostavam na época em que o parque era um dos principais da capital. A repórter descreve, em uma narração de estúdio, o que a primeira fonte da matéria mais gostava quando os pais a levavam ao parque quando criança. Na sequência, nos 31’’, a primeira sonora é inserida e apresenta como fundo da fala, alguns ruídos que lembram vozes. Já na segunda sonora, nos 46’’, o som ambiente já é composto por gritos de crianças e por ruídos. As evidências da festividade e da alegria do aniversário do parque ficam mais nítidas na terceira e na quarta entrevista. No
  • 17. 17 tempo de 1’03’’ e no 1’34’’ do áudio, são perceptíveis o som ambiente composto por batuques, músicas, vozes, gritos de crianças e o bater de palma da população, elementos sonoros presentes em uma festa de aniversário. Neste áudio, a repórter soube utilizar o gravador a seu favor e captou, além da entrevista, os elementos sonoros que estavam presentes no momento da festividade. Nas entrevistas, as músicas, o som das palmas, as vozes das crianças, transmitem um ambiente em comemoração, creditando a notícia. Manifestações de junho e a resposta do Poder Público - Geórgia Moraes Na reportagem especial da série “Manifestações de junho e a resposta do Poder Público”, sobre as manifestações de 2013, no qual milhares de brasileiros foram às ruas protestar contra a política do Brasil, a Rádio Câmara - emissora da Câmera dos Deputados em Brasília - revelou, em quatro blocos, os detalhes do movimento que mexeu com o país. O áudio de 8’05’’, veiculado no dia 8 de junho de 2013, começa com os gritos da multidão. A repórter Geórgia Moraes, com ajuda do editor Mauro Ceccherini, relata o movimento que tomou conta do país e que reuniu mais de um milhão de brasileiros em 80 cidades. Em meio a narração da repórter, o editor inseriu um trecho do som da manifestação, no qual é perceptível o canto, em coro, do grito de guerra mais famoso no Brasil. Na primeira sonora, no tempo de 2’39’’, a voz metalizada da fonte revela a entrevista feita por telefone, mas com alguns ruídos do ambiente do entrevistado. Na segunda entrevista, nos 3’40’’, ao fundo da voz da entrevistada é nítido o som do ambiente movimentado e com grupos de pessoas conversando. No decorrer do relato da repórter, o assunto ganhou às ruas e teve início uma enquete nos 4’37’’. Nas duas entrevistas da enquete, fica evidente a presença dos elementos sonoros característicos da manifestação, como o som de buzina, gritos de guerra e ruídos de movimento de veículos. Após os 5’35’’, a reportagem é ilustrada com mais duas entrevistas para embasar o que foi pontuado na pesquisa e o áudio é finalizado com as mudanças feitas na Câmara e com a canção de Cazuza: Ideologia. A reportagem, diferente das demais, contou com o recurso “Sobe Som” adotado durante a edição do áudio e que poderia ser usado com mais frequência durante as edições da notícia. O
  • 18. 18 recurso enriquece a reportagem passando mais veracidade ao fato. Neste áudio, o sobe som destacou canções que norteiam o tema e o som ambiente das manifestações, que revela as vozes e gritos dos manifestantes, além do canto em coro do grito de guerra. Em todas as reportagens vencedoras nas últimas três edições do Prêmio Capixaba de Jornalismo, encontramos um texto e uma produção mais rica em detalhes. As construções das histórias foram feitas com apoio de músicas, trilhas e recursos na edição, nos quais repassam características e sentimentos de suspense e drama, além de surpresa e alegria. Os elementos sonoros surgem nas entrevistas com os entrevistados. Alguns ficam em evidência, outros são disfarçados com as trilhas e efeitos da edição. Mas há pontos a serem destacados nas reportagens da Rádio ES, que possuem uma forma tradicional de se fazer jornalismo, destacado por meio dos textos e da narração, dando evidência na história. As reportagens premiadas em 1º lugar na 18ª e na 20ª edição do prêmio são carregadas de emoção e os textos mais completos que explicam e detalham os acontecimentos. Na reportagem da CBN Vitória, 2º lugar na 19º edição, possui uma característica semelhante das reportagens da outra emissora, mas os textos são mais dinâmicos e sem rodeios. Contam a história de uma forma mais leve, sem perder muito tempo. Na outra reportagem da CBN Vitória, veiculada no dia do aniversário do Parque Moscoso, é evidente o conteúdo informativo, mas sem complexidade no assunto. É certo que há diferenças nos formatos e no editorial de cada emissora, na qual contribui para a personalização e características do jornalismo. Na matéria especial da Rádio Câmara, há outra linguagem jornalística, que está entrelaçada ao cunho político e revela no texto o interesse na história. As músicas e recursos também estão em evidência na construção da reportagem de Geórgia Moraes. CONSIDERAÇÕES FINAIS O que se pode concluir diante do exposto é que os elementos sonoros possuem um importante significado no rádio. Nas ondas sonoras, os elementos devem existir para transportar o ouvinte até o acontecimento e repassar credibilidade e veracidade ao fato. Hoje, com a constante evolução tecnológica, o rádio passou a ser ainda mais dinâmico e interativo, perdendo a essência de construir a notícia na imaginação do ouvinte. Nas análises realizadas, verifica-se que o radiojornalimo nas emissoras AM continua com a essência, mas as emissoras FM passam por transformações diárias, a fim de assegurar e manter os poucos
  • 19. 19 ouvintes. Essas transformações, a pedido da linha editorial da emissora, começam na apuração da notícia, passando pela edição e chegam à veiculação. As entrevistas feitas por telefone, o tempo curto e a velocidade da informação, fizeram com que os elementos sonoros perdessem o seu valor e passassem a ser identificados como, simplesmente, imperfeições. Mas ainda existem jornalistas que constroem sua reportagem com base na importância dos elementos sonoros, sem deixar de lado a apuração e o bom texto. É o caso da reportagem do repórter José Bacchetti que, por meio de uma conversa informal, revelou detalhes da apuração e de como entrevistou os personagens. Após a conversa, o conhecido repórter fez a busca pelo áudio até então desaparecido, encontrando-o dois dias após a conversa descontraída. As demais reportagens foram encontradas e baixadas para o computador diretamente da internet, nas páginas das respectivas emissoras. Mas antes, o contato com a empresa responsável pelo prêmio, no intuito de obter os áudios para análise, resultou em uma busca demorada, tendo que cortar caminho e obter os áudios com os próprios repórteres. Agora, com o surgimento de tantos recursos e ferramentas tecnológicas e a queda constante do número de ouvintes, o rádio e a sua funcionalidade na sociedade podem se perder com o decorrer dos anos. Cabem aos veículos de comunicação e aos jornalistas se reinventarem para manter o gênero radiojornalismo presente na vida do cidadão. REFERÊNCIAS BALSEBRE, Armand. El lenguaje radiofónico. Madrid: Ediciones Cátedra. 2004. BARBEIRO, Heródoto; LIMA, Paulo Rodolfo. Manual do Radiojornalismo: produção, ética e internet. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. BAUMWORCEL, Ana. Armand Balsebre e a teoria expressiva do rádio. In: Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 28, 2005. Rio de Janeiro. Anais. São Paulo: Intercom, 2005. Disponível em: http://www.portcom.intercom.org.br/pdfs/165217223309357345135320299947141635414.pdf. Data de acesso: 28 de abril de 2015. CALABRE, Lia. A era do rádio. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002. CHANTLER, Paul; HARRIS, sim. Tradução por Laurindo Lalo Leal Filho, Radiojornalismo, 2. Ed. São Paulo: Summus Editorial, 1992. DEL BIANCO, Nélia; ESCH, Carlos Eduardo. Quem destrói o mundo é o cenário acústico do rádio. In: MEDITSCH, Eduardo (org.) Rádio e Pânico, a Guerra dos Mundos, 60 anos depois. Florianópolis: Insular, 1998. FERNANDES, Rodrigo Fonseca. Raça, amor e paixão. Os sons dos estádios de futebol como elementos de vinculação. In: Ferraretto, Luiz Artur; Klöckner, Luciano (Orgs.). E o rádio? Novos
  • 20. 20 horizontes midiáticos. Porto Alegre: Edipucrs, 2010. Disponível em: http://www.pucrs.br/edipucrs/eoradio.pdf. Data de acesso: 8 de abril de 2015. FERRARETO, Luiz Arthur. Rádio: o veículo, a história e a técnica. Porto alegre: Sagra Luzzatto, 2001. KAPLÚN, Mario. Producción de programas de radio: El guión, larealización. Quito: Ciespal, 1978. LOPEZ, Debora Cristina. Radiojornalismo hipermidiático: tendências e perspectivas do jornalismo de rádio all news brasileiro em um contexto de convergência tecnológica. Covilhã, UBI, LabCom, Livros LabCom, 2010. Disponível em: http://www.livroslabcom.ubi.pt/pdfs/20110415- debora_lopez_radiojornalismo.pdf. Data de acesso: 28 de abril de 2015. MEDITSCH, Eduardo; ZUCULOTO, Valci (Orgs.). Teorias do Rádio: Textos e Contextos. Florianópolis: Insular, Vol. II, 2008. ORTRIWANO, Gisela Swetlana. A Informação no Rádio: Os Grupos de Poder e Determinação dos Conteúdos. São Paulo: Summus Editorial, 1985. PORCHAT, Maria Elisa. Manual de Radiojornalismo: Jovem Pan. 3. ed. São Paulo: Ática, 2004. PRADO, Emílio. Estrutura da Informação Radiofônica. São Paulo: Summus Editorial, 1989. SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. São Paulo: UNESP, 1991. TAVARES, Mariza (Org). Manual de Redação CBN. São Paulo: Globo, 2011. A vida do ajudante de pedreiro que se tornou pianista. Paulo Rogério. CBN Vitória. Disponível em: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/09/cbn_vitoria/reportagens/1360511-pedreiro- transforma-hora-do-almoco-em-espetaculo-de-musicas-classicas.html. Data de acesso: 10 de junho de 2015. Agressão à mulher: tem que denunciar. Johnnatan Gomes Sardi e Arleson Schneider. Rádio Espírito Santo. Disponível em: https://soundcloud.com/arlesonsg/06-2012-agress-o-mulher-tem. Data de acesso: 03 de junho de 2015. Manifestações de junho e a resposta do Poder Público. Géorgia Moraes. Bloco 01. Rádio Câmara. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/radio/materias/REPORTAGEM- ESPECIAL/446979-MANIFESTACOES-DE-JUNHO-E-A-RESPOSTA-DO-PODER-PUBLICO-1- MILHAO-DE-BRASILEIROS-SURPREENDEM-AS-AUTORIDADES---BLOCO-1.html. Data de acesso: 12 de maio de 2015. Presente na infância de muitos capixabas, Parque Moscoso completa mais um aniversário. Patrícia Scalzer. Rádio CBN Vitória. Disponível em: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2015/05/cbn_vitoria/reportagens/3897929-presente-na- infancia-de-muitos-capixabas-parque-moscoso-completa-mais-um-aniversario.html. Data de acesso: 04 de junho de 2015.
  • 21. 21 Apêndice Introdução A linguagem radiofônica utilizada nas notícias e difundida pelas ondas sonoras, por meio da adequação dos fatos narrados pelo locutor/repórter, possui uma característica de fácil compreensão e entendimento. As notícias transmitidas durante a programação da emissora de rádio, caracterizada como prestação de serviço, utilidade pública, informação e educação, leva aos ouvintes sintonizados em seu dial, fatos e acontecimentos em momento real - instantaneamente. A recepção dos acontecimentos fundamenta-se no modo de alcance direto, atingindo em uma determinada área o seu público alvo. Durante a apuração e elaboração da notícia radiofônica, o repórter utiliza vários meios para o desenvolvimento da matéria. A apuração em campo estabelece um contato imediato do jornalista ao fato, dando maior credibilidade à notícia. A internet, os jornais, a televisão e as outras mídias servem como fonte de informação. Na reportagem externa, transmitida ao vivo, o repórter tem o desafio de apresentar o fato com clareza e importância, a fim de atrair a atenção do ouvinte ao acontecimento. Para isso, o repórter tem a seu favor os elementos sonoros, utilizados na composição da notícia. O som, como principal componente, atinge diferentes massas de forma homogênea. Dessa forma, esse elemento fundamental, auxilia na difusão da informação. Como um meio de fácil acesso, o rádio desenvolve uma expressão única, estabelecendo, primordialmente, um palavreado comum, para atingir a compreensão da sociedade de um modo geral. Além de apresentar facilidade no entendimento, é na audição que o repórter irá conquistar seu público, haja em vista que a audição é considerada o sentido mais sensível do ser humano e o mais ligado às vivências afetivas do homem. E não é somente no rádio que o som tem a sua importância. Na televisão, o áudio compõe todo o enredo dos filmes, das novelas e também das notícias. No cinema, a edição de som é de suma importância para a linguagem de um filme, pois é responsável por criar seu cenário auditivo. Este cenário também está presente na construção da notícia radiofônica. Na apuração do repórter e na transformação dos fatos são aproveitados os sons, ruídos, barulhos e até o
  • 22. 22 silêncio, captados pelo aparelho gravador. Os elementos sonoros demonstram seus significados diante da elaboração e da edição da matéria, levando o ouvinte ao local do episódio, criando diversas imagens em sua mente e montando o seu próprio cenário. Na década de 40, em plena Era Ouro do rádio, já se pensavam na importância dos elementos sonoros para a composição das histórias. Nessa época, foi criada a primeira radionovela, na qual os elementos enriqueciam o enredo e davam ritmo ao drama radiofônico. Problema Qual o significado dos elementos sonoros na notícia radiofônica? Objetivo Contribuir para o entendimento da mensagem transmitida pelos sons, ruídos, efeitos, silêncio e o texto, mantendo o receptor/ouvinte, em tempo real, completamente informado e atento aos acontecimentos. Além disso, o estudo expõe para estudantes, jornalistas e repórteres de rádio, que o som ambiente também faz parte da notícia. Justificativa Com passar dos anos e com a evolução tecnológica e as inúmeras distrações, na maioria visual, as notícias radiofônicas tendem a perder espaço para outras mídias ou outras atividades. Além disso, atualmente, é possível perceber nos noticiários, que os elementos sonoros estão cada vez mais ausentes nas notícias, e há a percepção do aumento da constante produção de reportagens dentro do estúdio, sem que o repórter saia para rua em busca dos elementos que fazem parte do fato e do dia a dia dos ouvintes. Metodologia Foram analisadas reportagens radiofônicas premiadas nas três últimas edições do Prêmio Capixaba de Jornalismo e também áudios de outras emissoras brasileiras em diferentes situações.
  • 23. 23 Revisão de literatura O Manual de Radiojornalismo de Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo Lima serviu como referência bibliográfica principal para análise do estudo e para contrapor as ideias e conceitos apresentados neste artigo. Além disso, os livros “A era do rádio” de Lia Calabre, “Rádio: o veículo, a história e a técnica” de Luiz Arthur Ferrareto, “A Informação no Rádio: Os Grupos de Poder e Determinação dos Conteúdos” de Gisela Swetlana Ortriwano, “Manual de Radiojornalismo: Jovem Pan” de Maria Elisa Porchat, “Estrutura da Informação Radiofônica” de Emílio Prado e o “Manual de Redação CBN” de Mariza Tavares, contribuíram para a construção da ideia e para o fortalecimento da necessidade e importância da existência dos elementos sonoros nas notícias radiofônicas.