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ORIGEM DA BIBLIOTECONOMIA:
CONSTITUIÇÃO PRÉ-CIENTÍFICA,
PROTOCIENTÍFICA E CIENTÍFICA
Professora:
Gabrielle Francinne Tanus
grancinne@gmail.com
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Departamento de Ciência da Informação
Curso de Biblioteconomia
BIBLIOTECONOMIA
 Etimologicamente pode ser decomposta em três elementos:
Biblion = cidade de Biblios, onde era produzido o papiro (livro),
Theke = armazém e nomo = administração ou descrição,
resultando assim na concepção de organização e administração
de bibliotecas (biblioteca + economia);
 Bibliotecología, que consiste na união de Biblio = livro, Theke =
armazén e Logos = estudo, sendo, portanto, mais amplo que o
anterior devido ao sufixo logos, que significa ciência, ou seja, a
ciência das bibliotecas.
 BRASIL: BIBLIOTECONOMIA COMO BIBLIOTECOLOGÍA /
México: Bibliotecología y Estudios de Información / França:
Bibliothéconomie et Sciences de Information / EUA: Library and
Information Science / Itália: Biblioteconomia e scienza
dell'informazione...
“CONCEITUAÇÃO TRADICIONAL”
 Compreensão etimológica conduziu a um entendimento
redutor da Biblioteconomia, isto é, da biblioteca (e seus
processos) como objeto de estudo.
 Manuel Carrión Gútiez – organização e funcionamento
das bibliotecas.
 Emili Eroles – arte de conservar, ordenar, administrar
biblioteca.
 Martinez de Souza – conjunto de conhecimentos teóricos
e técnicos relativos a conservação, organização e
administração de biblioteca.
 Marina Moliner Ruiz – ciência da conservação, arranjo e
serviço das bibliotecas.
 Martin Alonso – arte de conservar, ordenar, administrar
uma biblioteca.
 Etimologicamente, portanto, biblioteconomia é o
conjunto de regras de acordo com as quais os livros
são organizados em espaços apropriados: estantes,
salas, edifícios (FONSECA, 2007).
 “Organizar livros implica tanto ordená-los segundo um
sistema lógico de classificação dos conhecimentos
[CDD, CDU, etc.] e conservá-los para que resistam a
condições desfavoráveis de espaço e de tempo, como
torná-los conhecidos – por meio de catálogos,
bibliografias, resumos, notícias, exposições etc. – para
que sejam utilizados pelo maior número possível de
pessoas interessadas nos elementos formativos,
informativos, estéticos ou simplesmente lúdico neles
contidos [...]” (FONSECA, 2007).
Organizar -> acesso! Não organizar por organizar
“erro biblioteconomizante”, organizar como
processo e como atividade meio, e não fim.
 Há no campo da Biblioteconomia um deslocamento
da biblioteca e do livro como objeto de estudo,
chegando contemporaneamente na informação, no
usuário, na mediação como elementos centrais de
sua constituição epistemológica.
Antes de adentrar
epistemologicamente,
vamos compreender a
trajetória histórica da
Biblioteconomia
 Esses momentos são assim divididos em
razão das características do campo,
inicialmente marcada pela prática, um fazer
que antecede a teoria, depois por um saber
que começa a se sistematizar, tornando-se
mais elaborado e técnico, e, posteriormente,
pelos traços científicos, reflexões mais
elaboradas sobre bibliotecas e
Biblioteconomia, refletida em diversas
produções teóricas (TANUS, 2016).
Sobre esses três fases ou três momentos da
Biblioteconomia: pré, proto e científica
BIBLIOTECONOMIA PRÉ-CIENTÍFICA
 Antes da sua constituição como campo científico devemos
falar das práticas, do campo empírico, das ações exercidas
desde a Antiguidade nas bibliotecas.
 Bibliotecas primitivas -> manifestações de organização,
preservação, acesso ao conhecimento -> arcabouço de
técnicas, procedimentos, saberes disciplinares da
Biblioteconomia.
Biblioteca de Ebla, na Síria (15 mil tabuinhas);
Biblioteca de Nínive, Rei Assurbanípal (30 mil tabuinhas);
(blocos de argila cozida e escrita em caracteres cuneiformes;
placas eram classificadas por assuntos e identificadas por marcas que
determinavam sua localização dentro da coleção)
Biblioteca de Alexandria, Egito (700 mil rolos)
(Calímaco Cirene - Pinakes, catálogo em 120 volumes, dividido por assunto
e nota biográfica do autor)
 “Bibliotecários” -> Homens, sábios, eruditos. Atividades:
ordenar e conservar a coleção, efetuar cópias, produzir
catálogo ou lista de obras.
 Idade Média – Bibliotecas mantinha as portas fechadas,
preocupação com a guarda, conservação, organização da
coleção – catálogos – espécie de inventário. Vinculada às
ordens religiosas – bibliotecas dos mosteiros.
 o primeiro registro de um catálogo entre bibliotecas remonta ao medievo,
especificamente a 1250-1296 com a obra Registrum librorum angliae,
que reunia as informações sobre o acervo dos 183 mosteiros
franciscanos ingleses (Alfredo Serrai).
 Durante estes dois momentos, Antiguidade e Idade Média, o
acesso aos registros dos conhecimentos, sejam as
tabuinhas de argila, os papiros ou os pergaminhos, eram
restritos.
 Os fazeres e as práticas eram norteados pelas necessidades
imediatas, e não por um corpo teórico sistematizado.
 Biblioteconomia pré-científica, as produções escritas
ainda em número reduzido, se voltavam ao fazer dentro do
espaço da biblioteca: como selecionar e montar coleções,
como organizar e administrar as bibliotecas e as suas
coleções em barro, papiro ou pergaminho.
 Em síntese, a Biblioteconomia inicia sua trajetória em
decorrência das práticas exercidas nas primeiras bibliotecas,
a quais eram imbuídas do espírito conservacionista, assim
como é vista como uma arte ou ofício pelo menos até o
século XV (PULIDO; MORRILAS, 2006).
 Até à Renascença, as bibliotecas não estão
à disposição dos profanos: são organismos
mais ou menos sagrados, ou, pelo menos,
religiosos, a que têm acesso apenas os que
fazem parte de uma certa ‘ordem’, de um
‘corpo’ igualmente religioso ou sagrado.
Nesse particular, as sandálias macias do
monge medieval repetiam, no eco das
abóbadas, o mesmo som ancestral dos
sacerdotes sumerianos da biblioteca de
Assurbanipal (MARTINS, 1996, p. 71).
Origem da biblioteconomia
BIBLIOTECONOMIA PROTOCIENTÍFICA
 Idade Moderna. Marco: Prensa tipográfica – livros manuscritos
para livros impressos nas oficinas. Rompimento do monopólio
religioso - produção de livros de assuntos diversos e em maiores
quantidades (explosão bibliográfica).
 Demanda reprimida: “o homem adquire, através da imprensa, a
plena consciência da sua força espiritual e se atira ao livro como
sedento se atira à água” (MARTINS, 2002, p. 188).
 A quantidade excessiva de livros conduziu a uma necessidade de
organização desse conhecimento acumulado. Destaque para
classificações, catálogos e bibliografias.
 “Bibliotecas de caráter enciclopédico” – acúmulo de diversos
conhecimentos, bibliotecas cheias de livros, pois a posse
importa.
 Produção de bibliografia universal vincula-se a Konrad Von Gesner, que
publicou, em 1545, o catálogo Bibliotheca Universalis, em quatro volumes
(3 volumes e 1 apêndice). Cada uma das doze mil obras listadas
aparecem indexadas sob o autor ou o assunto, contém ainda índice por
nome, sobrenome e remissiva com variantes do nome.
 1548, Gesner classificou quinze mil livros por assunto, o que resultou em
21 classes, que se subdividem em seções e subseções. Além de conter
um índice alfabético e palavras chaves com 25 mil entradas.
 1584, foi criada a bibliografia nacional da Bibliothèque Françoise de La
Croix du Maine e bibliografias organizadas por assunto no campo de
teologia, direito, medicina e história como a Bibliotheca Historica de
Boldanus (1620)
 Essas obras, surgidas no século XVI, eram uma forma de resposta ao
problema da explosão de livros, uma forma de se obter conhecimento
dos livros produzidos por meio de um livro.
http://gallica.bnf.fr/accueil/?mode=desktop
ordo librorum
“ordem dos livros”
ESSAS BIBLIOGRAFIAS ABREM CAMINHO PARA A CONFIGURAÇÃO
DE UM NOVO CAMPO DO SABER, A BIBLIOGRAFIA .
 Gabriel Naudé, bibliotecário da biblioteca de Mazarino, é
considerado o pai da Biblioteconomia moderna, devido a
suas idéias expressas no manual, nomeado de Advis pour
dresser une bibliothèque (1627).
 Para Naudé a biblioteca deveria estar a serviço de todos e ter
um caráter universal com livros editados em todos os ramos
do saber, nas línguas originais e traduzidos, com obras
literárias antigas e contemporâneas. Além dessa visão
ampliada de um acervo da biblioteca o catálogo deveria
sistematizar tais obras, de forma que esse espaço não
constituísse um amontoado de livros, mas uma coleção
organizada que possibilitaria acesso ao acervo por todos.
 Morales López (2008) acrescenta ainda
que Naudé considerava que o grande
desafio dos bibliotecários era a seleção
dos melhores títulos para as coleções,
focalizando, assim, em seu conteúdo
independente de o bibliotecário estar de
acordo ou não com o assunto, o que
reflete uma mudança substancial no
papel do bibliotecário, de guardião do
saber, imbuindo de um espírito
conservacionista, para uma atividade
racional de seleção dos saberes em prol
do outro, e não mais de uma
manutenção voltada para o acervo, para
a custódia das obras armazenadas nas
bibliotecas.
 biblioteca moderna -> SERVIR, DAR
ACESSO AOS LIVROS E AS
BIBLIOTECAS.
“jamais negá-los ao mais humilde dos
homens que deles vier a precisar”
(NAÚDE)
Acesso: https://archive.org/details/NaudCompleto
 A Biblioteconomia protocientífica -> produção sistemática de
um conhecimento teórico específico. Nesse momento as
preocupações com o acervo e sua organização (catalogação e
classificação) tornam-se cada vez mais complexas.
 Desse modo, a criação de técnicas mais ou menos sofisticadas
diante da necessidade de organizar o resultado de uma
exacerbada produção documental caracteriza a Biblioteconomia
protocientífica (PULIDO; MORRILAS, 2004).
“tradicional, custodial, inventarial e erudita”
 Em síntese, os séculos XVI-XVIII são marcados pela
proliferação de obras, voltadas para regras, normas,
esquemas de classificação e catalogação, ao lado dessas
técnicas encontra-se o bibliotecário, que passa
paulatinamente a ser o responsável por disseminar e dar
acesso à coleção organizada.
 Naquela Europa do século XV, onde muitos países em
franca evolução cultural se contrapunham a outros que,
aparentemente, relutavam em sair da Idade Média, a
impressão tipográfica evoluiu. Evoluiu, particularmente,
pelas mãos do povo judeu, artífice por excelência na arte da
impressão, que se espalhou pela Europa desde Mainz,
viajou Reno abaixo até Colônia e Estrasburgo, cruzou os
Apeninos e alcançou Subiaco e Roma. Pouco tempo
depois, ainda no século XV, já se implantara na Basiléia,
Pilsen, Augsburgo, Veneza, Utrecht, Brugues, Aalsit,
Louvaina, Paris, Lion, Saragosa, Valencia, Bolonha,
Florença, Milão, Nápoles, Budapeste, Cracóvia... Antes do
final do século XV já atingira a Dinamarca, Suécia, Turquia
e Portugal (PINHEIRO, 1990, p.42).
 Por volta do ano de 1500 havia impressoras em mais de
250 centros europeus e elas já haviam produzido cerca de
27 mil edições. Fazendo uma estimativa conservadora de
500 exemplares por edição, haveria então algo em torno de
13 milhões de livros em circulação no ano de 1500 numa
Europa de 100 milhões de habitantes (excluindo-se o
mundo ortodoxo, que escrevia em grego ou russo ou eslavo
eclesiástico). Já para o período entre 1500 e 1750, foram
publicados na Europa tantos volumes cujos totais os
estudiosos da história do livro não conseguem ou não
querem calcular (com base no índice de produção do
século XV o total estaria ao redor de 130 milhões, mas de
fato o índice de produção aumentou dramaticamente).
 A multiplicação dos livros criou imediatamente um
problema para um grupo profissional, o dos bibliotecários,
embora seja óbvio que eles se tornaram ainda mais
indispensáveis (BURKE, 2002).
Origem da biblioteconomia
BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA
 1808 (Alemanha) Martin Schrettinger - nomeou a ciência das bibliotecas
Bibliothekswissenschaft como um conjunto de conhecimentos e
habilidades necessárias à gestão de bibliotecas.
 Defendia a incorporação de metodologias e ferramentas provenientes de outras ciências para
melhorar a aprofundar o estudo dos fenômenos que tinham lugar na biblioteca.
 E a formação do bibliotecário não bastava ser erudita para fazer uma coleção de livros, essa
coleção tem que ser ordenada para seu uso.
 1832 (Itália) Doménico Rossetti, no livro Saggio di bibliotattica [...] a
define como a ciência da organização da coleção de objetos gráficos.
 O termo Biblioteconomia passou a ser adotado somente em 1839 na
obra: "Bibliothéconomie: instructionssurl’arrangement, la conservation e
l’administration des bibliothèques”, publicada pelo livreiro e bibliógrafo
Léopold-Auguste-Constantin Hesse.
 Vários autores realizam discussão conceitual: Friedrich Adolf Ebert;
L.A. Constantin; Zoller; Jean Pie Namur; Jules Richard; Jules Cousin;
Albert Maire; Armim Graesel....
CONTEXTO: XIX – REVOLUÇÃO FRANCESA
 Cultura, e, claro as bibliotecas, como domínio do povo.
Educação direito do povo.
 Bibliotecas privadas (reais, nobres e clero) passa para o
Estado – criação das bibliotecas nacionais.
 o livro passou a ser sentido como uma necessidade social,
a ideia de democracia, implicava justamente o acesso à
informação, educação e cultura. Nesse sentido, já não
somente se concebia o livro como um instrumento de
ornamentação dos ricos ou como ferramenta de trabalho
dos eruditos e sim como elemento fundamental da
transformação de uma sociedade marcada pelo antigo
regime em uma sociedade iluminada pela luz da razão
(MOREIRO GONZÁLEZ, 2005).
 aperfeiçoamento das técnicas bibliotecárias: 91 regras de
Panizzi, de 1841, as regras de Charles Ammi Cutter, de 1846, o
relatório Smithsonian, da Smithsonian Institution dos Estados
Unidos, por Charles C. Jewett, em 1853, contendo 33 regras,
baseadas nas regras de Panizzi, com algumas modificações para
o contexto norte-americano. 1876 Classificação Decimal de
Dewey.
 INSTITUIÇÕES: 1876 – criação da American Library Association
(ALA). 1877, foi criada a Library Association (LA), assim tanto a
ALA como a LA foram decisivas à consolidação da
Biblioteconomia e fortalecimento do ensino e das bibliotecas e de
seus processos mediante as publicações oficiais de tais
instituições. 1909 Special Library (SLA) – Bibliotecários
especializados.
 CURSOS DE FORMAÇÃO: 1821 - École de Chartes: formação
de bibliotecários-arquivistas-paleógrafos; 1887 - Columbia School
of Library Economy – Bibliotecários…
ESCOLA DE CHICAGO
 Estados Unidos, década 1920/30 a “ciência das bibliotecas”
ou “library science” – “mudança de um paradigma
profissional para um paradigma científico”
 Contribuições:
 Formação de bibliotecários. Pesquisa em biblioteconomia.
Preocupação com o desenvolvimento científico,
metodológico e teórico. Criação de um corpo teórico próprio.
Virada na concepção de biblioteca: biblioteca como sistema
de comunicação, centro de comunicação, sistema de
informação. Enlace com a sociedade e com as ciências
sociais.
 Estuda: seleção e aquisição, tratamento da informação,
serviços de informação, normalização, automação, gestão,
planejamento...
 Autores como: Louis Round Wilson, Jesse Shera, Pierce
Butler, Waples, Nitecki...
 Criação da revista (1931) Library Quarterly .
 Só no nível de doutorado, no período 1930-1972, são 472
teses. No que se pode chamar de pesquisa histórica,
temos tópicos como a história do livro e das bibliotecas;
dos processos intelectuais e industriais da produção
editorial; a história de publicações específicas (periódicos
e jornais); biografias de personalidades da profissão; a
história de vários tipos de bibliotecas (públicas,
universitárias, especializadas etc.) e de serviços
(referência, catalogação etc.). Na pesquisa de campo,
excluídas aquelas de natureza mais gerencial, há uma
série de pesquisas de qualidade conceitual e
metodológica sobre temas como as necessidades de
informação; o uso de catálogos; a relação dos
profissionais com os sindicatos; as atitudes dos cidadãos
em relação às bibliotecas; e a satisfação dos
profissionais no emprego (BUSHA; HARTER, p. 79-87
apud DIAS, 2000).
 Ranganathan – indiano – ‘pai da Biblioteconomia
contemporâneo’ - professor de matemática interessado
em bibliotecas e na biblioteconomia. Visitou centenas de
bibliotecas da Europa e Estados Unidos, a partir da
experiência/observação elaborou as 5 leis da
Biblioteconomia.
 “The Five Laws of Library Science" (1931)
1. Os livros são para uso;
2. Todo leitor tem seu livro;
3. Todo livro tem seu leitor;
4. Poupe o tempo do leitor;
5. Uma biblioteca é um organismo em crescimento.
-> Sugestão de leitura: As contribuições de Ranganathan
para a Biblioteconomia: reflexões e desafios
Interpretação das cinco leis por GARFIELD, LANCASTER e NICE FIGUEREDO
1ª lei: Bibliotecas com localização e horário adequados. Bibliotecário como
disseminador, mais que um organizador e protetor. Acesso, mais que posse.
+ Open Acess; bibliotecas abertas; Serviço de referência; Política de seleção de acervos...
2ª lei: Determina que as bibliotecas sirvam a todos os leitores, não importa a classe
social, sexo, idade, ou qualquer outro fato.
+ Responsabilidades do Estado, da biblioteca, do leitor; biblioteca ambiente democrático; foco
nos usuários (estudo de usuários).
3ª lei: Estipula que para cada livro existe um leitor e que os livros devem estar
descritos no catálogo, expostos de maneira a atrair os leitores e prontamente
disponíveis. Esta lei leva a práticas, tais como acesso livre, arranjo coerente na
estante, catálogo adequado e serviço de referência e disseminação seletiva. Quanto
maior a exposição, melhor a atuação da biblioteca.
+ Seleção do acervo; Acessibilidade; Serviço de referência; Serviço de extensão.
4ª lei: Enfatiza serviço eficiente, o que implica rápido sistema de empréstimo e guias
de fácil entendimento nas estantes. Uso de técnicas e tecnologias que permitam ao
bibliotecário atuar de maneira eficiente.
+ Serviço de referência; Organização da informação (processamento técnico); Open Acess.
5ª lei: Reconhece que o crescimento que indubitavelmente ocorrerá deve ser
planejado sistematicamente. Assim, das acomodações físicas às práticas
administrativas, a biblioteca deve ser aberta, sempre pronta a se expandir. Dinâmica.
+ Modernização; tecnologias; comunicação; serviços; organização da informação.
MODERNIZAÇÃO DAS LEIS
 1. a informação é para o uso;
 2. a cada usuário sua informação;
 3. cada informação a seu usuário;
 4. economize o tempo do usuário – e o seu
corolário: economize o tempo dos cientistas da
informação;
 5. um sistema de informação é um organismo
em crescimento.
Rajagopalan e Rajan (1984)
VARIANTES DAS LEIS DE RANGANAHTAN:
 Bibliotecas servem a humanidade.
 Respeite todas as formas pelas quais o
conhecimento é comunicado.
 Use a tecnologia de maneira inteligente para
aprimorar o serviço.
 Proteja o acesso livre ao conhecimento.
 Honre o passado e crie o futuro.
Michael Gorman e Walt Crawford (1995)
AMBIENTE DA WEB
 Recursos da Web são para uso.
 Cada usuário tem seu recurso da web.
 Todo recurso da web tem seu usuário.
 Economize o tempo do usuário.
 A Web é um organismo em crescimento.
Alireza Noruzi (2004)
PRODUÇÃO DA BIBLIOTECONOMIA
https://archive.org/details/Arquivolo
giaBiblioteconomiaMuseologiaECi
nciaDaInformaoODilogoPossvel
+ LIVROS
 Link: http://www.abecin.org.br/e-books/
 + Livros (internacional)
 http://iibi.unam.mx/node/449
HTTPS://WWW.ACBSC.ORG.BR/EBOOKS/
https://www.nyota.com.br/
PRECISAMOS LER E ESCREVER MAIS SOBRE A
BIBLIOTECONOMIA...
Da importância da Epistemologia Social: “[...] os próprios fundamentos do
conhecimento teórico do bibliotecário, sem os quais a biblioteconomia
deixa de ser uma profissão para tornar-se um pouco mais que uma
simples atividade comercial” (SHERA, 1977, p.12).

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Origem da biblioteconomia

  • 1. ORIGEM DA BIBLIOTECONOMIA: CONSTITUIÇÃO PRÉ-CIENTÍFICA, PROTOCIENTÍFICA E CIENTÍFICA Professora: Gabrielle Francinne Tanus grancinne@gmail.com Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Departamento de Ciência da Informação Curso de Biblioteconomia
  • 2. BIBLIOTECONOMIA  Etimologicamente pode ser decomposta em três elementos: Biblion = cidade de Biblios, onde era produzido o papiro (livro), Theke = armazém e nomo = administração ou descrição, resultando assim na concepção de organização e administração de bibliotecas (biblioteca + economia);  Bibliotecología, que consiste na união de Biblio = livro, Theke = armazén e Logos = estudo, sendo, portanto, mais amplo que o anterior devido ao sufixo logos, que significa ciência, ou seja, a ciência das bibliotecas.  BRASIL: BIBLIOTECONOMIA COMO BIBLIOTECOLOGÍA / México: Bibliotecología y Estudios de Información / França: Bibliothéconomie et Sciences de Information / EUA: Library and Information Science / Itália: Biblioteconomia e scienza dell'informazione...
  • 3. “CONCEITUAÇÃO TRADICIONAL”  Compreensão etimológica conduziu a um entendimento redutor da Biblioteconomia, isto é, da biblioteca (e seus processos) como objeto de estudo.  Manuel Carrión Gútiez – organização e funcionamento das bibliotecas.  Emili Eroles – arte de conservar, ordenar, administrar biblioteca.  Martinez de Souza – conjunto de conhecimentos teóricos e técnicos relativos a conservação, organização e administração de biblioteca.  Marina Moliner Ruiz – ciência da conservação, arranjo e serviço das bibliotecas.  Martin Alonso – arte de conservar, ordenar, administrar uma biblioteca.
  • 4.  Etimologicamente, portanto, biblioteconomia é o conjunto de regras de acordo com as quais os livros são organizados em espaços apropriados: estantes, salas, edifícios (FONSECA, 2007).  “Organizar livros implica tanto ordená-los segundo um sistema lógico de classificação dos conhecimentos [CDD, CDU, etc.] e conservá-los para que resistam a condições desfavoráveis de espaço e de tempo, como torná-los conhecidos – por meio de catálogos, bibliografias, resumos, notícias, exposições etc. – para que sejam utilizados pelo maior número possível de pessoas interessadas nos elementos formativos, informativos, estéticos ou simplesmente lúdico neles contidos [...]” (FONSECA, 2007). Organizar -> acesso! Não organizar por organizar “erro biblioteconomizante”, organizar como processo e como atividade meio, e não fim.
  • 5.  Há no campo da Biblioteconomia um deslocamento da biblioteca e do livro como objeto de estudo, chegando contemporaneamente na informação, no usuário, na mediação como elementos centrais de sua constituição epistemológica. Antes de adentrar epistemologicamente, vamos compreender a trajetória histórica da Biblioteconomia
  • 6.  Esses momentos são assim divididos em razão das características do campo, inicialmente marcada pela prática, um fazer que antecede a teoria, depois por um saber que começa a se sistematizar, tornando-se mais elaborado e técnico, e, posteriormente, pelos traços científicos, reflexões mais elaboradas sobre bibliotecas e Biblioteconomia, refletida em diversas produções teóricas (TANUS, 2016). Sobre esses três fases ou três momentos da Biblioteconomia: pré, proto e científica
  • 7. BIBLIOTECONOMIA PRÉ-CIENTÍFICA  Antes da sua constituição como campo científico devemos falar das práticas, do campo empírico, das ações exercidas desde a Antiguidade nas bibliotecas.  Bibliotecas primitivas -> manifestações de organização, preservação, acesso ao conhecimento -> arcabouço de técnicas, procedimentos, saberes disciplinares da Biblioteconomia. Biblioteca de Ebla, na Síria (15 mil tabuinhas); Biblioteca de Nínive, Rei Assurbanípal (30 mil tabuinhas); (blocos de argila cozida e escrita em caracteres cuneiformes; placas eram classificadas por assuntos e identificadas por marcas que determinavam sua localização dentro da coleção) Biblioteca de Alexandria, Egito (700 mil rolos) (Calímaco Cirene - Pinakes, catálogo em 120 volumes, dividido por assunto e nota biográfica do autor)
  • 8.  “Bibliotecários” -> Homens, sábios, eruditos. Atividades: ordenar e conservar a coleção, efetuar cópias, produzir catálogo ou lista de obras.  Idade Média – Bibliotecas mantinha as portas fechadas, preocupação com a guarda, conservação, organização da coleção – catálogos – espécie de inventário. Vinculada às ordens religiosas – bibliotecas dos mosteiros.  o primeiro registro de um catálogo entre bibliotecas remonta ao medievo, especificamente a 1250-1296 com a obra Registrum librorum angliae, que reunia as informações sobre o acervo dos 183 mosteiros franciscanos ingleses (Alfredo Serrai).  Durante estes dois momentos, Antiguidade e Idade Média, o acesso aos registros dos conhecimentos, sejam as tabuinhas de argila, os papiros ou os pergaminhos, eram restritos.
  • 9.  Os fazeres e as práticas eram norteados pelas necessidades imediatas, e não por um corpo teórico sistematizado.  Biblioteconomia pré-científica, as produções escritas ainda em número reduzido, se voltavam ao fazer dentro do espaço da biblioteca: como selecionar e montar coleções, como organizar e administrar as bibliotecas e as suas coleções em barro, papiro ou pergaminho.  Em síntese, a Biblioteconomia inicia sua trajetória em decorrência das práticas exercidas nas primeiras bibliotecas, a quais eram imbuídas do espírito conservacionista, assim como é vista como uma arte ou ofício pelo menos até o século XV (PULIDO; MORRILAS, 2006).
  • 10.  Até à Renascença, as bibliotecas não estão à disposição dos profanos: são organismos mais ou menos sagrados, ou, pelo menos, religiosos, a que têm acesso apenas os que fazem parte de uma certa ‘ordem’, de um ‘corpo’ igualmente religioso ou sagrado. Nesse particular, as sandálias macias do monge medieval repetiam, no eco das abóbadas, o mesmo som ancestral dos sacerdotes sumerianos da biblioteca de Assurbanipal (MARTINS, 1996, p. 71).
  • 12. BIBLIOTECONOMIA PROTOCIENTÍFICA  Idade Moderna. Marco: Prensa tipográfica – livros manuscritos para livros impressos nas oficinas. Rompimento do monopólio religioso - produção de livros de assuntos diversos e em maiores quantidades (explosão bibliográfica).  Demanda reprimida: “o homem adquire, através da imprensa, a plena consciência da sua força espiritual e se atira ao livro como sedento se atira à água” (MARTINS, 2002, p. 188).  A quantidade excessiva de livros conduziu a uma necessidade de organização desse conhecimento acumulado. Destaque para classificações, catálogos e bibliografias.  “Bibliotecas de caráter enciclopédico” – acúmulo de diversos conhecimentos, bibliotecas cheias de livros, pois a posse importa.
  • 13.  Produção de bibliografia universal vincula-se a Konrad Von Gesner, que publicou, em 1545, o catálogo Bibliotheca Universalis, em quatro volumes (3 volumes e 1 apêndice). Cada uma das doze mil obras listadas aparecem indexadas sob o autor ou o assunto, contém ainda índice por nome, sobrenome e remissiva com variantes do nome.  1548, Gesner classificou quinze mil livros por assunto, o que resultou em 21 classes, que se subdividem em seções e subseções. Além de conter um índice alfabético e palavras chaves com 25 mil entradas.  1584, foi criada a bibliografia nacional da Bibliothèque Françoise de La Croix du Maine e bibliografias organizadas por assunto no campo de teologia, direito, medicina e história como a Bibliotheca Historica de Boldanus (1620)  Essas obras, surgidas no século XVI, eram uma forma de resposta ao problema da explosão de livros, uma forma de se obter conhecimento dos livros produzidos por meio de um livro.
  • 15. ESSAS BIBLIOGRAFIAS ABREM CAMINHO PARA A CONFIGURAÇÃO DE UM NOVO CAMPO DO SABER, A BIBLIOGRAFIA .  Gabriel Naudé, bibliotecário da biblioteca de Mazarino, é considerado o pai da Biblioteconomia moderna, devido a suas idéias expressas no manual, nomeado de Advis pour dresser une bibliothèque (1627).  Para Naudé a biblioteca deveria estar a serviço de todos e ter um caráter universal com livros editados em todos os ramos do saber, nas línguas originais e traduzidos, com obras literárias antigas e contemporâneas. Além dessa visão ampliada de um acervo da biblioteca o catálogo deveria sistematizar tais obras, de forma que esse espaço não constituísse um amontoado de livros, mas uma coleção organizada que possibilitaria acesso ao acervo por todos.
  • 16.  Morales López (2008) acrescenta ainda que Naudé considerava que o grande desafio dos bibliotecários era a seleção dos melhores títulos para as coleções, focalizando, assim, em seu conteúdo independente de o bibliotecário estar de acordo ou não com o assunto, o que reflete uma mudança substancial no papel do bibliotecário, de guardião do saber, imbuindo de um espírito conservacionista, para uma atividade racional de seleção dos saberes em prol do outro, e não mais de uma manutenção voltada para o acervo, para a custódia das obras armazenadas nas bibliotecas.  biblioteca moderna -> SERVIR, DAR ACESSO AOS LIVROS E AS BIBLIOTECAS. “jamais negá-los ao mais humilde dos homens que deles vier a precisar” (NAÚDE) Acesso: https://archive.org/details/NaudCompleto
  • 17.  A Biblioteconomia protocientífica -> produção sistemática de um conhecimento teórico específico. Nesse momento as preocupações com o acervo e sua organização (catalogação e classificação) tornam-se cada vez mais complexas.  Desse modo, a criação de técnicas mais ou menos sofisticadas diante da necessidade de organizar o resultado de uma exacerbada produção documental caracteriza a Biblioteconomia protocientífica (PULIDO; MORRILAS, 2004). “tradicional, custodial, inventarial e erudita”  Em síntese, os séculos XVI-XVIII são marcados pela proliferação de obras, voltadas para regras, normas, esquemas de classificação e catalogação, ao lado dessas técnicas encontra-se o bibliotecário, que passa paulatinamente a ser o responsável por disseminar e dar acesso à coleção organizada.
  • 18.  Naquela Europa do século XV, onde muitos países em franca evolução cultural se contrapunham a outros que, aparentemente, relutavam em sair da Idade Média, a impressão tipográfica evoluiu. Evoluiu, particularmente, pelas mãos do povo judeu, artífice por excelência na arte da impressão, que se espalhou pela Europa desde Mainz, viajou Reno abaixo até Colônia e Estrasburgo, cruzou os Apeninos e alcançou Subiaco e Roma. Pouco tempo depois, ainda no século XV, já se implantara na Basiléia, Pilsen, Augsburgo, Veneza, Utrecht, Brugues, Aalsit, Louvaina, Paris, Lion, Saragosa, Valencia, Bolonha, Florença, Milão, Nápoles, Budapeste, Cracóvia... Antes do final do século XV já atingira a Dinamarca, Suécia, Turquia e Portugal (PINHEIRO, 1990, p.42).
  • 19.  Por volta do ano de 1500 havia impressoras em mais de 250 centros europeus e elas já haviam produzido cerca de 27 mil edições. Fazendo uma estimativa conservadora de 500 exemplares por edição, haveria então algo em torno de 13 milhões de livros em circulação no ano de 1500 numa Europa de 100 milhões de habitantes (excluindo-se o mundo ortodoxo, que escrevia em grego ou russo ou eslavo eclesiástico). Já para o período entre 1500 e 1750, foram publicados na Europa tantos volumes cujos totais os estudiosos da história do livro não conseguem ou não querem calcular (com base no índice de produção do século XV o total estaria ao redor de 130 milhões, mas de fato o índice de produção aumentou dramaticamente).  A multiplicação dos livros criou imediatamente um problema para um grupo profissional, o dos bibliotecários, embora seja óbvio que eles se tornaram ainda mais indispensáveis (BURKE, 2002).
  • 21. BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA  1808 (Alemanha) Martin Schrettinger - nomeou a ciência das bibliotecas Bibliothekswissenschaft como um conjunto de conhecimentos e habilidades necessárias à gestão de bibliotecas.  Defendia a incorporação de metodologias e ferramentas provenientes de outras ciências para melhorar a aprofundar o estudo dos fenômenos que tinham lugar na biblioteca.  E a formação do bibliotecário não bastava ser erudita para fazer uma coleção de livros, essa coleção tem que ser ordenada para seu uso.  1832 (Itália) Doménico Rossetti, no livro Saggio di bibliotattica [...] a define como a ciência da organização da coleção de objetos gráficos.  O termo Biblioteconomia passou a ser adotado somente em 1839 na obra: "Bibliothéconomie: instructionssurl’arrangement, la conservation e l’administration des bibliothèques”, publicada pelo livreiro e bibliógrafo Léopold-Auguste-Constantin Hesse.  Vários autores realizam discussão conceitual: Friedrich Adolf Ebert; L.A. Constantin; Zoller; Jean Pie Namur; Jules Richard; Jules Cousin; Albert Maire; Armim Graesel....
  • 22. CONTEXTO: XIX – REVOLUÇÃO FRANCESA  Cultura, e, claro as bibliotecas, como domínio do povo. Educação direito do povo.  Bibliotecas privadas (reais, nobres e clero) passa para o Estado – criação das bibliotecas nacionais.  o livro passou a ser sentido como uma necessidade social, a ideia de democracia, implicava justamente o acesso à informação, educação e cultura. Nesse sentido, já não somente se concebia o livro como um instrumento de ornamentação dos ricos ou como ferramenta de trabalho dos eruditos e sim como elemento fundamental da transformação de uma sociedade marcada pelo antigo regime em uma sociedade iluminada pela luz da razão (MOREIRO GONZÁLEZ, 2005).
  • 23.  aperfeiçoamento das técnicas bibliotecárias: 91 regras de Panizzi, de 1841, as regras de Charles Ammi Cutter, de 1846, o relatório Smithsonian, da Smithsonian Institution dos Estados Unidos, por Charles C. Jewett, em 1853, contendo 33 regras, baseadas nas regras de Panizzi, com algumas modificações para o contexto norte-americano. 1876 Classificação Decimal de Dewey.  INSTITUIÇÕES: 1876 – criação da American Library Association (ALA). 1877, foi criada a Library Association (LA), assim tanto a ALA como a LA foram decisivas à consolidação da Biblioteconomia e fortalecimento do ensino e das bibliotecas e de seus processos mediante as publicações oficiais de tais instituições. 1909 Special Library (SLA) – Bibliotecários especializados.  CURSOS DE FORMAÇÃO: 1821 - École de Chartes: formação de bibliotecários-arquivistas-paleógrafos; 1887 - Columbia School of Library Economy – Bibliotecários…
  • 24. ESCOLA DE CHICAGO  Estados Unidos, década 1920/30 a “ciência das bibliotecas” ou “library science” – “mudança de um paradigma profissional para um paradigma científico”  Contribuições:  Formação de bibliotecários. Pesquisa em biblioteconomia. Preocupação com o desenvolvimento científico, metodológico e teórico. Criação de um corpo teórico próprio. Virada na concepção de biblioteca: biblioteca como sistema de comunicação, centro de comunicação, sistema de informação. Enlace com a sociedade e com as ciências sociais.  Estuda: seleção e aquisição, tratamento da informação, serviços de informação, normalização, automação, gestão, planejamento...  Autores como: Louis Round Wilson, Jesse Shera, Pierce Butler, Waples, Nitecki...  Criação da revista (1931) Library Quarterly .
  • 25.  Só no nível de doutorado, no período 1930-1972, são 472 teses. No que se pode chamar de pesquisa histórica, temos tópicos como a história do livro e das bibliotecas; dos processos intelectuais e industriais da produção editorial; a história de publicações específicas (periódicos e jornais); biografias de personalidades da profissão; a história de vários tipos de bibliotecas (públicas, universitárias, especializadas etc.) e de serviços (referência, catalogação etc.). Na pesquisa de campo, excluídas aquelas de natureza mais gerencial, há uma série de pesquisas de qualidade conceitual e metodológica sobre temas como as necessidades de informação; o uso de catálogos; a relação dos profissionais com os sindicatos; as atitudes dos cidadãos em relação às bibliotecas; e a satisfação dos profissionais no emprego (BUSHA; HARTER, p. 79-87 apud DIAS, 2000).
  • 26.  Ranganathan – indiano – ‘pai da Biblioteconomia contemporâneo’ - professor de matemática interessado em bibliotecas e na biblioteconomia. Visitou centenas de bibliotecas da Europa e Estados Unidos, a partir da experiência/observação elaborou as 5 leis da Biblioteconomia.  “The Five Laws of Library Science" (1931) 1. Os livros são para uso; 2. Todo leitor tem seu livro; 3. Todo livro tem seu leitor; 4. Poupe o tempo do leitor; 5. Uma biblioteca é um organismo em crescimento. -> Sugestão de leitura: As contribuições de Ranganathan para a Biblioteconomia: reflexões e desafios
  • 27. Interpretação das cinco leis por GARFIELD, LANCASTER e NICE FIGUEREDO 1ª lei: Bibliotecas com localização e horário adequados. Bibliotecário como disseminador, mais que um organizador e protetor. Acesso, mais que posse. + Open Acess; bibliotecas abertas; Serviço de referência; Política de seleção de acervos... 2ª lei: Determina que as bibliotecas sirvam a todos os leitores, não importa a classe social, sexo, idade, ou qualquer outro fato. + Responsabilidades do Estado, da biblioteca, do leitor; biblioteca ambiente democrático; foco nos usuários (estudo de usuários). 3ª lei: Estipula que para cada livro existe um leitor e que os livros devem estar descritos no catálogo, expostos de maneira a atrair os leitores e prontamente disponíveis. Esta lei leva a práticas, tais como acesso livre, arranjo coerente na estante, catálogo adequado e serviço de referência e disseminação seletiva. Quanto maior a exposição, melhor a atuação da biblioteca. + Seleção do acervo; Acessibilidade; Serviço de referência; Serviço de extensão. 4ª lei: Enfatiza serviço eficiente, o que implica rápido sistema de empréstimo e guias de fácil entendimento nas estantes. Uso de técnicas e tecnologias que permitam ao bibliotecário atuar de maneira eficiente. + Serviço de referência; Organização da informação (processamento técnico); Open Acess. 5ª lei: Reconhece que o crescimento que indubitavelmente ocorrerá deve ser planejado sistematicamente. Assim, das acomodações físicas às práticas administrativas, a biblioteca deve ser aberta, sempre pronta a se expandir. Dinâmica. + Modernização; tecnologias; comunicação; serviços; organização da informação.
  • 28. MODERNIZAÇÃO DAS LEIS  1. a informação é para o uso;  2. a cada usuário sua informação;  3. cada informação a seu usuário;  4. economize o tempo do usuário – e o seu corolário: economize o tempo dos cientistas da informação;  5. um sistema de informação é um organismo em crescimento. Rajagopalan e Rajan (1984)
  • 29. VARIANTES DAS LEIS DE RANGANAHTAN:  Bibliotecas servem a humanidade.  Respeite todas as formas pelas quais o conhecimento é comunicado.  Use a tecnologia de maneira inteligente para aprimorar o serviço.  Proteja o acesso livre ao conhecimento.  Honre o passado e crie o futuro. Michael Gorman e Walt Crawford (1995)
  • 30. AMBIENTE DA WEB  Recursos da Web são para uso.  Cada usuário tem seu recurso da web.  Todo recurso da web tem seu usuário.  Economize o tempo do usuário.  A Web é um organismo em crescimento. Alireza Noruzi (2004)
  • 33. + LIVROS  Link: http://www.abecin.org.br/e-books/  + Livros (internacional)  http://iibi.unam.mx/node/449
  • 35. PRECISAMOS LER E ESCREVER MAIS SOBRE A BIBLIOTECONOMIA... Da importância da Epistemologia Social: “[...] os próprios fundamentos do conhecimento teórico do bibliotecário, sem os quais a biblioteconomia deixa de ser uma profissão para tornar-se um pouco mais que uma simples atividade comercial” (SHERA, 1977, p.12).