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ORIENTAÇÃO DO VOTO DE JOVENS MORADORES DE VILAS E FAVELAS
DA CIDADE DE BELO HORIZONTE
Daniel Martins
Belo Horizonte, fevereiro de 2007.
Comportamento político-eleitoral é um tema já há muito considerado clássico na
ciência política. No Brasil, de forma especial, este tem suscitado muitas investigações
devido à trajetória peculiar da política brasileira desde o fim do Império, no final do
Século XIX: após uma primeira fase marcada por oligarquias estaduais remanescentes
do período imperial, vem ocorrendo uma alternância entre ditaduras e períodos
democráticos. Nas últimas três ou quatro décadas, vem sendo um tema muito estudado
pelos cientistas políticos com o intuito de conhecer as modificações ocorridas no
comportamento político-eleitoral como conseqüência da ditadura militar existente entre
1964-1984.
Muitas destas pesquisas buscam, através do estudo dos motivos que levam à
participação política, compreender melhor a dinâmica deste processo na sociedade
brasileira. E os motivos que levam à participação política são das mais diversas origens:
desde convicções ideológicas a influências familiares, passando por conhecimento das
diferentes plataformas políticas, dentre diversas outras possibilidades. Estas orientações
políticas, segundo alguns autores, variam de acordo com a posição do indivíduo na
estrutura social. Para outros, depende também de aspectos subjetivos que colocam-se
entre a posição social da pessoa e seu comportamento político. Há, ainda, pesquisadores
orientados especialmente pela teoria da escolha racional que admitem como
determinantes principais da orientação do voto e da participação o cálculo racional da
utilização de recursos e da satisfação que possivelmente será obtida, caso o eleitor
escolha ou não participar dos processos políticos. Por fim, podemos citar uma corrente
que se posiciona a favor da influência político-institucional sobre o voto: a forma como
as instituições políticas existem e atuam é fator que serve ou não de estímulo à
participação eleitoral.
Diante deste breve quadro, esta pesquisa pretende verificar quais fatores
influenciam de forma mais decisiva os votos de jovens moradores de vilas e favelas da
cidade de Belo Horizonte. Foram selecionados para a pesquisa o aglomerado do Morro
das Pedras, Pedreira Prado Lopes, Morro do Papagaio, Cabana do Pai Tomás, Alto Vera
1
Cruz e Taquaril. A escolha destes locais como objeto de estudo dá-se por dois motivos
principais: a) a presença de dados sobre os mesmos disponiblizados pelo CRISP (Centro
de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública). Ligado à Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG), o CRISP é composto por pesquisadores dessa Universidade e de
órgãos públicos envolvidos com o combate à criminalidade. b) a falta de pesquisas
tendo como público alvo estes indivíduos.
Muitos estudos sobre comportamento político vêm sendo realizados no Brasil
nas últimas décadas, seguindo diferentes correntes teóricas. Pode-se numerar em quatro,
de acordo com Castro (1997), as principais orientações deste tipo de estudo: 1) estudos
puramente descritivos; 2) estudos sociológicos, que buscam nos fatores estruturais da
sociedade a explicação para o comportamento eleitoral; 3) estudos psicossociológicos,
que pretendem tratar o tema a partir de categorias subjetivas intervenientes entre a
estrutura social o comportamento político; e 4) estudos que consideram fatores político-
institucionais como mais influentes na direção do voto. Camargos (2001) analisa as
avaliações relativas à economia, a identificação partidária do eleitor e a influência
destes juízos sobre o comportamento político. Kinzo (1992) realizou uma pesquisa
sobre fatores que pesavam na escolha do candidato à presidência em 1989 e afirmou que
a falta de nitidez das instituições democráticas no Brasil faz com que estratégias
eleitorais de conteúdo programático-ideológico nem sempre repercutam entre os
eleitores aos quais se dirigem.
Do ponto de vista teórico e mais geral, Downs (1999) afirma que o eleitor age de
forma racional ao definir seu voto: dispondo de informações suficientes para avaliar as
diferentes candidaturas, calcula os recursos utilizados para participar do pleito e analisa
as diferentes propostas, de forma a concluir se deve votar ou não e, caso decida por
votas, entre qual das plataformas políticas optará. A orientação do voto, entretanto, pode
ser ideológica; onde cabe, aliás, considerar as diferentes atribuições que se dá a este
termo. O significado de ideologia pode ser distinto em dois: a) o eleitor pode votar em
plataformas políticas que partilham, ou que ele julga partilhar, da mesma “visão de
mundo” que ele (Sartori apud Castro, 1997); ou b) em partidos e/ou candidatos que
possuem um conjunto idéias que considera coerentes e que servem de guias para a ação
política (Reis apud Castro, 1997). Entretanto, Castro (1992) chega à conclusão de que
mesmo o voto ideológico pode ser um voto racional, caso a ideologia atue como fator
redutor dos custos da escolha entre as possíveis plataformas políticas disponíveis: para
2
evitar o gasto de recursos buscando informações, analisando propostas, calculando a
viabilidade dos projetos políticos apresentados, o eleitor destina seu voto ao candidato.
Isto exposto, elaboramos duas hipóteses para responder a questão: “o que
determina a orientação dos votos dos jovens moradores de vilas e favelas de Belo
Horizonte?”
Hipótese Um: Os jovens moradores de vilas e favelas votam com orientação
ideológica: o mesmo direciona seu voto para partidos/candidatos com os quais se
identifica, em termos de conjunto de idéias que servem como orientação para a ação
política.
Hipótese Dois: Ocorrendo a possibilidade da não-existência de uma plataforma
política com a qual se identifique, direciona seu voto a um partido/candidato que possua
condições de derrotar eleitoralmente o grupo político ao qual ele se opõe.
Diante deste quadro a pesquisa objetivou verificar quais os fatores que
determinam o voto dos jovens moradores de vilas e favelas, observando a composição
do universo dos votos, classificando-os entre diferentes categorias relativas à orientação
dos votos existentes na literatura especializada além de verificar se há voto ideológico e
orientação racional do voto.
Realizou-se uma pesquisa descritiva sobre os fatores que orientam
eleitoralmente o voto dos jovens moradores de vila e favelas de Belo Horizonte.
Pretendeu-se, assim, traçar um quadro com as principais características e determinantes
na orientação do voto da população pesquisada. O conhecimento das motivações
eleitorais desses jovens pode auxiliar no entendimento de suas posições e manifestações
políticas.
Os dados necessários à pesquisa foram colhidos através de entrevista estruturada
com uma amostra destes jovens. Pretendemos trabalhar com uma taxa de confiabilidade
de 95,5% e com um erro de estimação permitido de 5%. Admitindo-se estas taxas de
confiabilidade e de erro de estimação permitido e o tamanho do universo, aplicou-se um
total de 480 questionários, divididos igualmente entre as seis comunidades pesquisadas.
Foram pesquisados apenas jovens que à época do último pleito (eleições realizadas em
2006) já tinham atingido a idade mínima para votar até o limite máximo de 25 anos.
Depois de colhidos, os dados foram analisados e agrupados dentro das categorias
de classificação do determinante de voto e cruzados, de forma a ter-se conhecimento
dos fatores que determinam o voto dos jovens pesquisados, quais os mais importantes e
3
o motivo que os levam a comparecer às eleições. O cruzamento dos dados procurará
apontar o nível de correlação entre as variáveis consideradas.
Em relação à primeira pergunta, referente à participação ou não em partidos
políticos e sua intensidade, obteve-se a seguinte distribuição da resposta:
Partidos políticos: participação e intensidade
Resposta Freqüência Porcentagem
Não 440 91,6
Sim, alta 13 2,7
Sim, média 16 3,3
Sim, baixa 11 2,4
Total 480 100,0
440
13 16 11
0
50
100
150
200
250
300
350
400
450
500
Não Sim, alta Sim, média Sim, baixa
Já no que se refere à participação ou não em movimentos sociais e sua
intensidade, o resultado foi o seguinte:
4
Partidos políticos: participação e intensidade
Resposta Freqüência Porcentagem
Não 365 76,0
Sim, alta 36 7,5
Sim, média 40 8,4
Sim, baixa 39 8,1
Total 480 100,0
265
36 40 39
0
50
100
150
200
250
300
Não Sim, alta Sim, média Sim, baixa
A observação destas tabelas e destes gráficos demonstra que tanto a participação
em partidos políticos como a participação em movimentos sociais mostra-se
consideravelmente baixa. Apenas 8,4% dos entrevistados participam, de alguma forma,
de partidos políticos e 14% participam de movimentos sociais. Os índices são ainda
menores se passamos a considerar os que estão mais engajados (os que responderam
que sua participação é alta no que respeita a intensidade), sendo que 36 entrevistados
(7,5%) consideram que participam ativamente de movimentos sociais e apenas 13
(2,7%) responderam que participam intensamente de partidos políticos.
Em seguida, foi perguntado – com intuito de verificar se há fidelidade partidária
no que se refere ao voto – se é a primeira vez que o indivíduo votará e, se já votou
outras vezes, pretende votar no mesmo partido. As respostas distribuíram-se da seguinte
forma:
5
Vez que vota e fidelidade do voto
Resposta Freqüência Porcentagem
Sim 75 15,6
Não, e pretende votar no mesmo
partido.
244 50,8
Não, e não pretende votar no
mesmo partido.
149 31,2
Não, e não sabe. 12 2,4
Total 480 100,0
75
244
149
12
0
50
100
150
200
250
300
Sim Não, e pretende
votar
Não, e não
pretende votar
Não, e não sabe
6
16%
50%
31%
3%
Sim
Não, e pretende votar
Não, e não pretende votar
Não, e não sabe
A pergunta está direcionada a partidos e não a candidatos (embora seja de
conhecimento que, no Brasil, boa parte dos votos é determinada por características do
candidato – fato que, de certa forma, verificou-se nesta pesquisa, como veremos a
seguir).
Tendo-se esclarecido isto, verifica-se que há um índice considerável de
fidelidade partidária, uma vez que mais da metade dos entrevistados (244, o que
corresponde a 50,8% das respostas) responderam que já votaram e pretendem votar no
mesmo partido. Outro grande percentual de entrevistados (31,2%), entretanto, já
votaram outras vezes, mas não pretendem votar no mesmo partido em que votaram na
última eleição. 15,6% disseram que votarão pelo primeira vez e 2,4% dos entrevistados,
até o momento da pesquisa, não sabiam ainda se votarão no mesmo partido da última
eleição ou não.
Uma pergunta fundamental para os objetivos da pesquisa foi sobre os motivos
que influenciam na definição do voto do entrevistado. Onze respostas diferentes foram
disponibilizadas aos entrevistados: dez estavam colocadas de forma direta, e havia uma
décima primeira opção (“Outros”), que possibilitava ao entrevistado apontar uma outra
razão que porventura pudesse lhe ocorrer. Esta última opção, entretanto, foi apontada
por menos de 5% dos entrevistados e, na maioria das vezes, não foi apontada nenhuma
outra razão, tendo apenas marcado “Outros”. Por esta razão, não apareceu nenhuma
outra razão, além das dez preexistentes no formulário, que tenha ocorrido com
freqüência relevante. Aliás, interessante notar que nenhuma razão das poucas descritas
em “Outros” apareceu mais de uma vez.
7
A distribuição das respostas nesta questão (que admitia múltiplas respostas e,
portanto, o somatório das respostas poderia extrapolar – como de fato ocorreu – o
número de entrevistados) ocorreu conforme a tabela abaixo. Criamos um gráfico em
barras com o resultado para melhor visualizar as diferenças com que cada resposta
ocorreu.
Motivos que influenciam na decisão do voto
Resposta Freqüência
Identificação partidária 280
Programa de governo 342
Aspectos pessoais do candidato 172
Ideologia 222
Tradição familiar 23
Orientação religiosa 4
Informação 257
Regionalismo 9
Chances de vitória 19
Altruísmo / bem comum 103
Outros 24
280
342
172
222
23
4
257
9 19
103
24
0
50
100
150
200
250
300
350
400
Identificação
partidária
Aspectos
pessoaisdo
candidato
Tradição
familiar
Informação
Chancesde
vitória
Outros
8
A pergunta seguinte buscou conhecer as motivações que levam as pessoas a
votarem, a comparecerem às eleições. Essa pergunta, de caráter mais pessoal, foi aberta,
permitindo que o entrevistado expressasse suas motivações como quisesse. Para efeito
de estudo, analisamos as respostas dadas e as reunimos em grupos, de acordo com o teor
das respostas. Ao fim, detectamos seis tipos de resposta que apareceram com freqüência
considerável. As respostas que não se enquadraram em nenhuma destas categorias
(8,4% do total) foram reagrupadas em uma categoria “Outros”. Os entrevistados que
nada responderam (2,7% do total) foram classificados na categoria “Não respondeu”.
As respostas e suas freqüências foram as seguintes:
Motivos que levam à participação nas eleições
Motivo Freqüência Porcentagem
Porque é obrigatório 82 17,1
Para exercer a cidadania / direitos políticos 98 20,4
Para mudar o país / construir um futuro melhor 122 25,5
Para escolher um representante 36 7,5
Para participar da vida política do país 59 12,3
Para contribuir para a consolidação da democracia 29 6,0
Outros 40 8,4
Não respondeu 14 2,7
Total 480 100,0
Após esta descrição prévia dos resultados, passamos agora a um cruzamento de
dados que visa verificar nossas hipóteses: o jovem morador de vila e favela de Belo
Horizonte vota ideologicamente; mas quando torna-lhe claro que sua primeira opção ao
voto não tem chances de se eleger e/ou quando quer evitar a vitória de certo adversário,
vota de forma racional.
9
82
98
122
36
59
29
40
14
0
20
40
60
80
100
120
140
Porqueé
obrigatório
Paramudaro
país/
construirum
futuromelhor
Para
participarda
vidapolítica
dopaís
Outros
Para a verificação do voto ideológico, executamos o cruzamento de três
variáveis: identificação partidária, programa de governo e ideologia. A escolha destas
três variáveis remete à definição de ideologia já citada, onde ideologia é um conjunto
idéias que considera coerentes e que servem de guias para a ação política. Esta escolha é
ainda mais justificada no que concerne às duas primeiras variáveis. A última variável
citada destina-se mais a uma auto-identificação por parte do entrevistado com alguma
ideologia.
As freqüências com que cada variável se apresenta já foram descrita
anteriormente. No quadro que se segue, procuraremos descrever como aparecem nas
respostas obtidas os pares de variáveis: quantas vezes são citados em um mesmo
questionário o par identificação partidária / programa de governo, o par identificação
partidária / ideologia e a combinação programa de governo / ideologia.
10
Citações simultâneas de variáveis relacionadas ao voto ideológico
Variáveis Ident. partidária Prog. governo Ideologia
Ident. partidária 206 149
Prog. governo 206 158
Ideologia 149 158
Citações simultâneas de variáveis relacionadas ao voto ideológico (%)
Variáveis Ident. partidária Prog. governo Ideologia
Ident. partidária 43% 31%
Prog. governo 43% 33%
Ideologia 31% 33%
149
206
158
0
50
100
150
200
250
Ident. part. X Ideologia Ident. part. X Prog.
gov.
Ideologia X Prog. gov.
Verifica-se que todos os três pares de variáveis foram mencionados de forma
considerável, sendo o par identificação partidária / programa de governo 43% das vezes,
o par identificação partidária / ideologia 31% e a combinação programa de governo /
ideologia 33%. Cremos que estas porcentagens revelam uma freqüência relativamente
significante.
11
Cruzamos também as três variáveis de forma a verificar quantas vezes as três
foram citadas por um mesmo entrevistado, e o resultado obtido foi que 110
entrevistados, o equivalente a 23% da amostra consideram estes três motivos ao definir
seu voto.
Posteriormente, cruzamos estas três variáveis com os motivos que levam à
participação nas eleições, e o resultado foi o seguinte, excluindo-se a opção “Não
respondeu”:
Cruzamento entre fatores que influem no voto e motivação à participação nas
eleições
Ident.
partidária
Prog.
governo
Ideologia
Porque é obrigatório 32 48 25
Para exercer a cidadania ... 58 70 51
Para mudar o país ... 81 99 68
Para escolher um represent ... 23 25 10
Para participar da vida polít ... 39 47 28
Para contribuir para a cons ... 22 19 17
Outros 23 23 20
Este cruzamento procura encontrar as relações que mais apareceram aos
relacionarmos os motivos que influem no voto e o que motiva os entrevistados a
participarem das eleições. As cinco relações que mais apareceram foram:
“Programa de governo” e “Para mudar o país / construir um futuro melhor”: 99
“Identificação partidária” e “Para mudar o país / construir um futuro melhor”: 81
“Ideologia” e “Para mudar o país / construir um futuro melhor”: 68
“Programa de governo” e “Para exercer a cidadania / direitos políticos”: 70
“Identificação partidária” e “Para exercer a cidadania / direitos políticos”: 58.
No que diz respeito ao voto racional, procedemos da mesma forma que em relação
ao voto ideológico, apenas modificando o trio de variáveis que influem na decisão do
12
voto, passando a considerar: programa de governo, informação e chances de vitória. A
escolha destas três variáveis está diretamente ligada à definição dada por Anthony
Downs ao que é voto racional.
A freqüência com que cada variável se apresenta já foi descrita anteriormente. No
quadro que se segue, procuraremos descrever como aparecem nas respostas obtidas os
pares de variáveis: quantas vezes são citados em um mesmo questionário o par
informação / programa de governo, o par informação / chances de vitória e a
combinação programa de governo / chance de vitória.
Citações simultâneas de variáveis relacionadas ao voto racional
Variáveis Informação Prog. governo Chances
Informação 192 10
Prog. governo 192 14
Chances 10 14
Citações simultâneas de variáveis relacionadas ao voto racional (%)
Variáveis Informação Prog. governo Chances
Ident. partidária 40% 2%
Prog. governo 40% 3%
Ideologia 2% 3%
Ao contrário do que ocorreu em relação ao voto ideológico, onde todos os pares
de variáveis foram citados de forma relativamente freqüente, sendo que nenhum
apareceu menos de 30% das vezes, no caso do voto ideológico somente o par
informação / programa de governo apareceu de forma significativa, correspondendo a
40% dos questionários.
Verifica-se que as três variáveis não aparecem em nenhum questionário.
13
Cruzamento entre fatores que influem no voto e motivação à participação nas
eleições
Informação
Prog.
governo
Chances
Porque é obrigatório 47 48 6
Para exercer a cidadania ... 51 70 3
Para mudar o país ... 70 99 4
Para escolher um represent ... 13 25 0
Para participar da vida polít ... 38 47 0
Para contribuir para a cons ... 10 19 0
Outros 20 23 0
Este cruzamento procura encontrar as relações que mais apareceram aos
relacionamos os motivos que influem no voto e o que motiva os entrevistados à
participarem das eleições. As cinco relações que mais apareceram foram:
“Programa de governo” e “Para mudar o país / construir um futuro melhor”: 99
“Informação” e “Para mudar o país / construir um futuro melhor”: 70
“Informação” e “Para exercer a cidadania / direitos políticos”: 51
“Programa de governo” e “Para exercer a cidadania / direitos políticos”: 70
“Programa de governo” e “Porque é obrigatório”: 48.
Como conclusão, pudemos verificar que a hipótese 1 se verifica: de acordo com a
definição de ideologia adotada e com a análise dos dados levantados, um grande número
dos jovens pesquisado votam com orientação ideológica. De acordo com o cruzamento
dos dados, mais de 30% dos entrevistados votam com orientação ideológica, em todos
os três cruzamentos de variáveis destinados a verificar esta hipótese. E não só o
cruzamento destas variáveis autoriza tal conclusão, como também a freqüência com que
cada uma destas variáveis apareceu independentemente.
Concluímos que o voto do jovem morador de vilas e favelas de Belo Horizonte
segue de forma relativamente forte a identificação com um conjunto idéias que
considera coerentes e que servem de guias para a ação política. Estes jovens tendem a
14
votar em partidos que apresentam um conjunto de idéias deste tipo com que se
identificam.
Verificamos que outras variáveis e correlações das mesmas não são tão freqüentes a
ponto de descaracterizar o voto do referido jovem como ideológico.
No que diz respeito à hipótese 2, em que o jovem morador de vilas e favelas de Belo
Horizonte vota com certa orientação racional, entretanto, não verificou-se de forma tão
clara. Embora as variáveis “Programa de governo” e “Informação” figurem entre as
mais citadas, a variável “Chances de vitória” teve um percentual baixo de citação, e o
baixo índice desta variável tornou pouquíssimo freqüente combinações desta última
variável com as demais.
Entretanto, não se pode dizer que o voto destes jovens não tenha nenhuma base
racional, uma vez que a combinação das variáveis “Programa de governo” e
“Informação” tenha sido citada em 40% dos questionários, figurando com a segunda
combinação de variáveis mais citadas neste estudo, estando apenas atrás da combinação
“Programa de governo” e “Identificação partidária”, mencionado 43% das vezes.
Embora o desempenho da variável “Chances de vitória” tenha minado a
representatividade do voto racional, este tipo de voto não pode ser descartado, uma vez
que as outras duas variáveis relacionadas com o voto racional foram citadas de forma
freqüente.
Portanto, embora sua correlação seja menor que a do voto ideológico, o voto
racional também ocorre com freqüência entre os jovens pesquisados.
É interessante levantar a freqüência com que as variáveis e correlações ligadas ao
voto ideológico foram citadas, uma vez que verificou-se um baixíssimo nível de
participação política (seja em partidos, seja em movimentos sociais) dos jovens
entrevistados. Tal fato pode, de certa forma, apontar em duas direções: o jovem em
questão, embora não ligado à atividade política, acredita em certas idéias políticas e
acredita que através delas é possível mudar a realidade do país (isto se verifica com a
grande freqüência com que a opção “Para mudar o país / construir um futuro melhor”
foi citada entre as motivações para a participação nas eleições; ou então que o universo
pesquisa não vê necessidade da participação direta na política, considerando que a
escolha de um representante pode ser o suficiente (entretanto, esta possibilidade não se
verifica, uma vez que a opção “Escolher um representante” foi poucas vezes citada entre
as motivações para a participação nas eleições).
15
Pode-se encerrar esta conclusão alegando-se que ambas as hipóteses foram
verificadas, embora com intensidades diferentes. O voto ideológico realmente se
verifica entre os jovens moradores de vilas e favelas de Belo Horizonte de forma mais
ampla (uma vez que o leque de variáveis que confirmam esta hipótese engloba todas as
três variáveis analisadas). Já o voto racional verifica-se também e, curiosamente, de
forma forte, embora uma das três variáveis relacionadas a tal hipótese tenha sido pouco
citada. Esta hipótese pode ser verificada devido ao bom desempenho das outras
variáveis relacionadas a tal tipo de voto.
Referências bibliográficas:
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of opinion formation in a presidential campaign. Chicago: The University of
Chicago Press, 1954.
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diagnóstico e interpretações". Teoria e Sociedade, Belo Horizonte, n.1, p.126-168,
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DAHL, Robert A. Polyarchy: participation and opposition. New Haven: Yale
University Press, 1971.
_____________. Um prefácio à teoria democrática. Rio de Janeiro: Zahar, 1989.
DOWNS, Anthony. Uma teoria econômica da democracia. São Paulo: Edusp, 1999.
HABERMAS, Jürgen. “Participação política”. In: CARDOSO, Fernando Henrique;
MARTINS, Carlos Estevam (orgs.). Política e sociedade. São Paulo: Companhia
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em uma cidade brasileira". Dados, Rio de Janeiro, v.35, n.1, p.49-66, 1992.
LAMOUNIER, Bolívar. “Comportamento eleitoral: uma tipologia”. In: LAMOUNIER,
Bolívar (org.). O voto de desconfiança: eleições e mudança política no Brasil, 1970-
1979. São Paulo: Vozes, 1980. p.31-34.
16
REIS, Fábio Wanderley; CASTRO, Mônica Mata Machado de. "Religiões, classe e
ideologia no processo eleitoral brasileiro". Lua Nova, São Paulo, n.26, p.81-132,
mar.1992.
SCHUMPETER, Joseph. Capitalismo, socialismo e democracia. Rio de Janeiro: Zahar,
1983. p.313-376.
WEBER, Max. “A política como vocação”. In: Ciência e Política: Duas vocações. São
Paulo: Martin Claret, 2001. p.59-124.
17
Anexo: Modelo do Instrumento de Coleta de Dados
1. [ ] Morro das Pedras 4. [ ] Cabana Sexo: 1. [ ] Masc.
2. [ ] P. Prado Lopes 5. [ ] Alto Vera Cruz 2. [ ] Fem.
Local:
3. [ ] Papagaio 6. [ ] Taquaril
Idade: __________ anos
Você participa de algum partido político? Se sim, qual a intensidade?
1. [ ] Não 3. [ ] Sim. Média.
2. [ ] Sim. Alta. 4. [ ] Sim. Baixa.
Você participa de algum movimento social? Se sim, qual a intensidade?
1. [ ] Não 3. [ ] Sim. Média.
2. [ ] Sim. Alta. 4. [ ] Sim. Baixa.
Foi a primeira vez que votou?
1. [ ] Sim
2. [ ] Não
Se não, pretende votar no mesmo partido da última eleição?
1. [ ] Sim
2. [ ] Não
Qual(is) o(s) fator(es) mais lhe influencia(m) a definição do seu voto?
1. [ ] Identificação partidária 7. [ ] Informação
2. [ ] Programa de governo 8. [ ] Regionalismo
3. [ ] Aspectos pessoais do candidato 9. [ ] Chances de vitória
4. [ ] Ideologia 10. [ ] Altruísmo/bem comum
5. [ ] Tradição familiar 77. [ ] Outros
6. [ ] Orientação religiosa ___________________
Por que você vota?
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

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Orientação do voto de jovens moradores de vilas e favelas

  • 1. ORIENTAÇÃO DO VOTO DE JOVENS MORADORES DE VILAS E FAVELAS DA CIDADE DE BELO HORIZONTE Daniel Martins Belo Horizonte, fevereiro de 2007. Comportamento político-eleitoral é um tema já há muito considerado clássico na ciência política. No Brasil, de forma especial, este tem suscitado muitas investigações devido à trajetória peculiar da política brasileira desde o fim do Império, no final do Século XIX: após uma primeira fase marcada por oligarquias estaduais remanescentes do período imperial, vem ocorrendo uma alternância entre ditaduras e períodos democráticos. Nas últimas três ou quatro décadas, vem sendo um tema muito estudado pelos cientistas políticos com o intuito de conhecer as modificações ocorridas no comportamento político-eleitoral como conseqüência da ditadura militar existente entre 1964-1984. Muitas destas pesquisas buscam, através do estudo dos motivos que levam à participação política, compreender melhor a dinâmica deste processo na sociedade brasileira. E os motivos que levam à participação política são das mais diversas origens: desde convicções ideológicas a influências familiares, passando por conhecimento das diferentes plataformas políticas, dentre diversas outras possibilidades. Estas orientações políticas, segundo alguns autores, variam de acordo com a posição do indivíduo na estrutura social. Para outros, depende também de aspectos subjetivos que colocam-se entre a posição social da pessoa e seu comportamento político. Há, ainda, pesquisadores orientados especialmente pela teoria da escolha racional que admitem como determinantes principais da orientação do voto e da participação o cálculo racional da utilização de recursos e da satisfação que possivelmente será obtida, caso o eleitor escolha ou não participar dos processos políticos. Por fim, podemos citar uma corrente que se posiciona a favor da influência político-institucional sobre o voto: a forma como as instituições políticas existem e atuam é fator que serve ou não de estímulo à participação eleitoral. Diante deste breve quadro, esta pesquisa pretende verificar quais fatores influenciam de forma mais decisiva os votos de jovens moradores de vilas e favelas da cidade de Belo Horizonte. Foram selecionados para a pesquisa o aglomerado do Morro das Pedras, Pedreira Prado Lopes, Morro do Papagaio, Cabana do Pai Tomás, Alto Vera
  • 2. 1 Cruz e Taquaril. A escolha destes locais como objeto de estudo dá-se por dois motivos principais: a) a presença de dados sobre os mesmos disponiblizados pelo CRISP (Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública). Ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o CRISP é composto por pesquisadores dessa Universidade e de órgãos públicos envolvidos com o combate à criminalidade. b) a falta de pesquisas tendo como público alvo estes indivíduos. Muitos estudos sobre comportamento político vêm sendo realizados no Brasil nas últimas décadas, seguindo diferentes correntes teóricas. Pode-se numerar em quatro, de acordo com Castro (1997), as principais orientações deste tipo de estudo: 1) estudos puramente descritivos; 2) estudos sociológicos, que buscam nos fatores estruturais da sociedade a explicação para o comportamento eleitoral; 3) estudos psicossociológicos, que pretendem tratar o tema a partir de categorias subjetivas intervenientes entre a estrutura social o comportamento político; e 4) estudos que consideram fatores político- institucionais como mais influentes na direção do voto. Camargos (2001) analisa as avaliações relativas à economia, a identificação partidária do eleitor e a influência destes juízos sobre o comportamento político. Kinzo (1992) realizou uma pesquisa sobre fatores que pesavam na escolha do candidato à presidência em 1989 e afirmou que a falta de nitidez das instituições democráticas no Brasil faz com que estratégias eleitorais de conteúdo programático-ideológico nem sempre repercutam entre os eleitores aos quais se dirigem. Do ponto de vista teórico e mais geral, Downs (1999) afirma que o eleitor age de forma racional ao definir seu voto: dispondo de informações suficientes para avaliar as diferentes candidaturas, calcula os recursos utilizados para participar do pleito e analisa as diferentes propostas, de forma a concluir se deve votar ou não e, caso decida por votas, entre qual das plataformas políticas optará. A orientação do voto, entretanto, pode ser ideológica; onde cabe, aliás, considerar as diferentes atribuições que se dá a este termo. O significado de ideologia pode ser distinto em dois: a) o eleitor pode votar em plataformas políticas que partilham, ou que ele julga partilhar, da mesma “visão de mundo” que ele (Sartori apud Castro, 1997); ou b) em partidos e/ou candidatos que possuem um conjunto idéias que considera coerentes e que servem de guias para a ação política (Reis apud Castro, 1997). Entretanto, Castro (1992) chega à conclusão de que mesmo o voto ideológico pode ser um voto racional, caso a ideologia atue como fator redutor dos custos da escolha entre as possíveis plataformas políticas disponíveis: para
  • 3. 2 evitar o gasto de recursos buscando informações, analisando propostas, calculando a viabilidade dos projetos políticos apresentados, o eleitor destina seu voto ao candidato. Isto exposto, elaboramos duas hipóteses para responder a questão: “o que determina a orientação dos votos dos jovens moradores de vilas e favelas de Belo Horizonte?” Hipótese Um: Os jovens moradores de vilas e favelas votam com orientação ideológica: o mesmo direciona seu voto para partidos/candidatos com os quais se identifica, em termos de conjunto de idéias que servem como orientação para a ação política. Hipótese Dois: Ocorrendo a possibilidade da não-existência de uma plataforma política com a qual se identifique, direciona seu voto a um partido/candidato que possua condições de derrotar eleitoralmente o grupo político ao qual ele se opõe. Diante deste quadro a pesquisa objetivou verificar quais os fatores que determinam o voto dos jovens moradores de vilas e favelas, observando a composição do universo dos votos, classificando-os entre diferentes categorias relativas à orientação dos votos existentes na literatura especializada além de verificar se há voto ideológico e orientação racional do voto. Realizou-se uma pesquisa descritiva sobre os fatores que orientam eleitoralmente o voto dos jovens moradores de vila e favelas de Belo Horizonte. Pretendeu-se, assim, traçar um quadro com as principais características e determinantes na orientação do voto da população pesquisada. O conhecimento das motivações eleitorais desses jovens pode auxiliar no entendimento de suas posições e manifestações políticas. Os dados necessários à pesquisa foram colhidos através de entrevista estruturada com uma amostra destes jovens. Pretendemos trabalhar com uma taxa de confiabilidade de 95,5% e com um erro de estimação permitido de 5%. Admitindo-se estas taxas de confiabilidade e de erro de estimação permitido e o tamanho do universo, aplicou-se um total de 480 questionários, divididos igualmente entre as seis comunidades pesquisadas. Foram pesquisados apenas jovens que à época do último pleito (eleições realizadas em 2006) já tinham atingido a idade mínima para votar até o limite máximo de 25 anos. Depois de colhidos, os dados foram analisados e agrupados dentro das categorias de classificação do determinante de voto e cruzados, de forma a ter-se conhecimento dos fatores que determinam o voto dos jovens pesquisados, quais os mais importantes e
  • 4. 3 o motivo que os levam a comparecer às eleições. O cruzamento dos dados procurará apontar o nível de correlação entre as variáveis consideradas. Em relação à primeira pergunta, referente à participação ou não em partidos políticos e sua intensidade, obteve-se a seguinte distribuição da resposta: Partidos políticos: participação e intensidade Resposta Freqüência Porcentagem Não 440 91,6 Sim, alta 13 2,7 Sim, média 16 3,3 Sim, baixa 11 2,4 Total 480 100,0 440 13 16 11 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 Não Sim, alta Sim, média Sim, baixa Já no que se refere à participação ou não em movimentos sociais e sua intensidade, o resultado foi o seguinte:
  • 5. 4 Partidos políticos: participação e intensidade Resposta Freqüência Porcentagem Não 365 76,0 Sim, alta 36 7,5 Sim, média 40 8,4 Sim, baixa 39 8,1 Total 480 100,0 265 36 40 39 0 50 100 150 200 250 300 Não Sim, alta Sim, média Sim, baixa A observação destas tabelas e destes gráficos demonstra que tanto a participação em partidos políticos como a participação em movimentos sociais mostra-se consideravelmente baixa. Apenas 8,4% dos entrevistados participam, de alguma forma, de partidos políticos e 14% participam de movimentos sociais. Os índices são ainda menores se passamos a considerar os que estão mais engajados (os que responderam que sua participação é alta no que respeita a intensidade), sendo que 36 entrevistados (7,5%) consideram que participam ativamente de movimentos sociais e apenas 13 (2,7%) responderam que participam intensamente de partidos políticos. Em seguida, foi perguntado – com intuito de verificar se há fidelidade partidária no que se refere ao voto – se é a primeira vez que o indivíduo votará e, se já votou outras vezes, pretende votar no mesmo partido. As respostas distribuíram-se da seguinte forma:
  • 6. 5 Vez que vota e fidelidade do voto Resposta Freqüência Porcentagem Sim 75 15,6 Não, e pretende votar no mesmo partido. 244 50,8 Não, e não pretende votar no mesmo partido. 149 31,2 Não, e não sabe. 12 2,4 Total 480 100,0 75 244 149 12 0 50 100 150 200 250 300 Sim Não, e pretende votar Não, e não pretende votar Não, e não sabe
  • 7. 6 16% 50% 31% 3% Sim Não, e pretende votar Não, e não pretende votar Não, e não sabe A pergunta está direcionada a partidos e não a candidatos (embora seja de conhecimento que, no Brasil, boa parte dos votos é determinada por características do candidato – fato que, de certa forma, verificou-se nesta pesquisa, como veremos a seguir). Tendo-se esclarecido isto, verifica-se que há um índice considerável de fidelidade partidária, uma vez que mais da metade dos entrevistados (244, o que corresponde a 50,8% das respostas) responderam que já votaram e pretendem votar no mesmo partido. Outro grande percentual de entrevistados (31,2%), entretanto, já votaram outras vezes, mas não pretendem votar no mesmo partido em que votaram na última eleição. 15,6% disseram que votarão pelo primeira vez e 2,4% dos entrevistados, até o momento da pesquisa, não sabiam ainda se votarão no mesmo partido da última eleição ou não. Uma pergunta fundamental para os objetivos da pesquisa foi sobre os motivos que influenciam na definição do voto do entrevistado. Onze respostas diferentes foram disponibilizadas aos entrevistados: dez estavam colocadas de forma direta, e havia uma décima primeira opção (“Outros”), que possibilitava ao entrevistado apontar uma outra razão que porventura pudesse lhe ocorrer. Esta última opção, entretanto, foi apontada por menos de 5% dos entrevistados e, na maioria das vezes, não foi apontada nenhuma outra razão, tendo apenas marcado “Outros”. Por esta razão, não apareceu nenhuma outra razão, além das dez preexistentes no formulário, que tenha ocorrido com freqüência relevante. Aliás, interessante notar que nenhuma razão das poucas descritas em “Outros” apareceu mais de uma vez.
  • 8. 7 A distribuição das respostas nesta questão (que admitia múltiplas respostas e, portanto, o somatório das respostas poderia extrapolar – como de fato ocorreu – o número de entrevistados) ocorreu conforme a tabela abaixo. Criamos um gráfico em barras com o resultado para melhor visualizar as diferenças com que cada resposta ocorreu. Motivos que influenciam na decisão do voto Resposta Freqüência Identificação partidária 280 Programa de governo 342 Aspectos pessoais do candidato 172 Ideologia 222 Tradição familiar 23 Orientação religiosa 4 Informação 257 Regionalismo 9 Chances de vitória 19 Altruísmo / bem comum 103 Outros 24 280 342 172 222 23 4 257 9 19 103 24 0 50 100 150 200 250 300 350 400 Identificação partidária Aspectos pessoaisdo candidato Tradição familiar Informação Chancesde vitória Outros
  • 9. 8 A pergunta seguinte buscou conhecer as motivações que levam as pessoas a votarem, a comparecerem às eleições. Essa pergunta, de caráter mais pessoal, foi aberta, permitindo que o entrevistado expressasse suas motivações como quisesse. Para efeito de estudo, analisamos as respostas dadas e as reunimos em grupos, de acordo com o teor das respostas. Ao fim, detectamos seis tipos de resposta que apareceram com freqüência considerável. As respostas que não se enquadraram em nenhuma destas categorias (8,4% do total) foram reagrupadas em uma categoria “Outros”. Os entrevistados que nada responderam (2,7% do total) foram classificados na categoria “Não respondeu”. As respostas e suas freqüências foram as seguintes: Motivos que levam à participação nas eleições Motivo Freqüência Porcentagem Porque é obrigatório 82 17,1 Para exercer a cidadania / direitos políticos 98 20,4 Para mudar o país / construir um futuro melhor 122 25,5 Para escolher um representante 36 7,5 Para participar da vida política do país 59 12,3 Para contribuir para a consolidação da democracia 29 6,0 Outros 40 8,4 Não respondeu 14 2,7 Total 480 100,0 Após esta descrição prévia dos resultados, passamos agora a um cruzamento de dados que visa verificar nossas hipóteses: o jovem morador de vila e favela de Belo Horizonte vota ideologicamente; mas quando torna-lhe claro que sua primeira opção ao voto não tem chances de se eleger e/ou quando quer evitar a vitória de certo adversário, vota de forma racional.
  • 10. 9 82 98 122 36 59 29 40 14 0 20 40 60 80 100 120 140 Porqueé obrigatório Paramudaro país/ construirum futuromelhor Para participarda vidapolítica dopaís Outros Para a verificação do voto ideológico, executamos o cruzamento de três variáveis: identificação partidária, programa de governo e ideologia. A escolha destas três variáveis remete à definição de ideologia já citada, onde ideologia é um conjunto idéias que considera coerentes e que servem de guias para a ação política. Esta escolha é ainda mais justificada no que concerne às duas primeiras variáveis. A última variável citada destina-se mais a uma auto-identificação por parte do entrevistado com alguma ideologia. As freqüências com que cada variável se apresenta já foram descrita anteriormente. No quadro que se segue, procuraremos descrever como aparecem nas respostas obtidas os pares de variáveis: quantas vezes são citados em um mesmo questionário o par identificação partidária / programa de governo, o par identificação partidária / ideologia e a combinação programa de governo / ideologia.
  • 11. 10 Citações simultâneas de variáveis relacionadas ao voto ideológico Variáveis Ident. partidária Prog. governo Ideologia Ident. partidária 206 149 Prog. governo 206 158 Ideologia 149 158 Citações simultâneas de variáveis relacionadas ao voto ideológico (%) Variáveis Ident. partidária Prog. governo Ideologia Ident. partidária 43% 31% Prog. governo 43% 33% Ideologia 31% 33% 149 206 158 0 50 100 150 200 250 Ident. part. X Ideologia Ident. part. X Prog. gov. Ideologia X Prog. gov. Verifica-se que todos os três pares de variáveis foram mencionados de forma considerável, sendo o par identificação partidária / programa de governo 43% das vezes, o par identificação partidária / ideologia 31% e a combinação programa de governo / ideologia 33%. Cremos que estas porcentagens revelam uma freqüência relativamente significante.
  • 12. 11 Cruzamos também as três variáveis de forma a verificar quantas vezes as três foram citadas por um mesmo entrevistado, e o resultado obtido foi que 110 entrevistados, o equivalente a 23% da amostra consideram estes três motivos ao definir seu voto. Posteriormente, cruzamos estas três variáveis com os motivos que levam à participação nas eleições, e o resultado foi o seguinte, excluindo-se a opção “Não respondeu”: Cruzamento entre fatores que influem no voto e motivação à participação nas eleições Ident. partidária Prog. governo Ideologia Porque é obrigatório 32 48 25 Para exercer a cidadania ... 58 70 51 Para mudar o país ... 81 99 68 Para escolher um represent ... 23 25 10 Para participar da vida polít ... 39 47 28 Para contribuir para a cons ... 22 19 17 Outros 23 23 20 Este cruzamento procura encontrar as relações que mais apareceram aos relacionarmos os motivos que influem no voto e o que motiva os entrevistados a participarem das eleições. As cinco relações que mais apareceram foram: “Programa de governo” e “Para mudar o país / construir um futuro melhor”: 99 “Identificação partidária” e “Para mudar o país / construir um futuro melhor”: 81 “Ideologia” e “Para mudar o país / construir um futuro melhor”: 68 “Programa de governo” e “Para exercer a cidadania / direitos políticos”: 70 “Identificação partidária” e “Para exercer a cidadania / direitos políticos”: 58. No que diz respeito ao voto racional, procedemos da mesma forma que em relação ao voto ideológico, apenas modificando o trio de variáveis que influem na decisão do
  • 13. 12 voto, passando a considerar: programa de governo, informação e chances de vitória. A escolha destas três variáveis está diretamente ligada à definição dada por Anthony Downs ao que é voto racional. A freqüência com que cada variável se apresenta já foi descrita anteriormente. No quadro que se segue, procuraremos descrever como aparecem nas respostas obtidas os pares de variáveis: quantas vezes são citados em um mesmo questionário o par informação / programa de governo, o par informação / chances de vitória e a combinação programa de governo / chance de vitória. Citações simultâneas de variáveis relacionadas ao voto racional Variáveis Informação Prog. governo Chances Informação 192 10 Prog. governo 192 14 Chances 10 14 Citações simultâneas de variáveis relacionadas ao voto racional (%) Variáveis Informação Prog. governo Chances Ident. partidária 40% 2% Prog. governo 40% 3% Ideologia 2% 3% Ao contrário do que ocorreu em relação ao voto ideológico, onde todos os pares de variáveis foram citados de forma relativamente freqüente, sendo que nenhum apareceu menos de 30% das vezes, no caso do voto ideológico somente o par informação / programa de governo apareceu de forma significativa, correspondendo a 40% dos questionários. Verifica-se que as três variáveis não aparecem em nenhum questionário.
  • 14. 13 Cruzamento entre fatores que influem no voto e motivação à participação nas eleições Informação Prog. governo Chances Porque é obrigatório 47 48 6 Para exercer a cidadania ... 51 70 3 Para mudar o país ... 70 99 4 Para escolher um represent ... 13 25 0 Para participar da vida polít ... 38 47 0 Para contribuir para a cons ... 10 19 0 Outros 20 23 0 Este cruzamento procura encontrar as relações que mais apareceram aos relacionamos os motivos que influem no voto e o que motiva os entrevistados à participarem das eleições. As cinco relações que mais apareceram foram: “Programa de governo” e “Para mudar o país / construir um futuro melhor”: 99 “Informação” e “Para mudar o país / construir um futuro melhor”: 70 “Informação” e “Para exercer a cidadania / direitos políticos”: 51 “Programa de governo” e “Para exercer a cidadania / direitos políticos”: 70 “Programa de governo” e “Porque é obrigatório”: 48. Como conclusão, pudemos verificar que a hipótese 1 se verifica: de acordo com a definição de ideologia adotada e com a análise dos dados levantados, um grande número dos jovens pesquisado votam com orientação ideológica. De acordo com o cruzamento dos dados, mais de 30% dos entrevistados votam com orientação ideológica, em todos os três cruzamentos de variáveis destinados a verificar esta hipótese. E não só o cruzamento destas variáveis autoriza tal conclusão, como também a freqüência com que cada uma destas variáveis apareceu independentemente. Concluímos que o voto do jovem morador de vilas e favelas de Belo Horizonte segue de forma relativamente forte a identificação com um conjunto idéias que considera coerentes e que servem de guias para a ação política. Estes jovens tendem a
  • 15. 14 votar em partidos que apresentam um conjunto de idéias deste tipo com que se identificam. Verificamos que outras variáveis e correlações das mesmas não são tão freqüentes a ponto de descaracterizar o voto do referido jovem como ideológico. No que diz respeito à hipótese 2, em que o jovem morador de vilas e favelas de Belo Horizonte vota com certa orientação racional, entretanto, não verificou-se de forma tão clara. Embora as variáveis “Programa de governo” e “Informação” figurem entre as mais citadas, a variável “Chances de vitória” teve um percentual baixo de citação, e o baixo índice desta variável tornou pouquíssimo freqüente combinações desta última variável com as demais. Entretanto, não se pode dizer que o voto destes jovens não tenha nenhuma base racional, uma vez que a combinação das variáveis “Programa de governo” e “Informação” tenha sido citada em 40% dos questionários, figurando com a segunda combinação de variáveis mais citadas neste estudo, estando apenas atrás da combinação “Programa de governo” e “Identificação partidária”, mencionado 43% das vezes. Embora o desempenho da variável “Chances de vitória” tenha minado a representatividade do voto racional, este tipo de voto não pode ser descartado, uma vez que as outras duas variáveis relacionadas com o voto racional foram citadas de forma freqüente. Portanto, embora sua correlação seja menor que a do voto ideológico, o voto racional também ocorre com freqüência entre os jovens pesquisados. É interessante levantar a freqüência com que as variáveis e correlações ligadas ao voto ideológico foram citadas, uma vez que verificou-se um baixíssimo nível de participação política (seja em partidos, seja em movimentos sociais) dos jovens entrevistados. Tal fato pode, de certa forma, apontar em duas direções: o jovem em questão, embora não ligado à atividade política, acredita em certas idéias políticas e acredita que através delas é possível mudar a realidade do país (isto se verifica com a grande freqüência com que a opção “Para mudar o país / construir um futuro melhor” foi citada entre as motivações para a participação nas eleições; ou então que o universo pesquisa não vê necessidade da participação direta na política, considerando que a escolha de um representante pode ser o suficiente (entretanto, esta possibilidade não se verifica, uma vez que a opção “Escolher um representante” foi poucas vezes citada entre as motivações para a participação nas eleições).
  • 16. 15 Pode-se encerrar esta conclusão alegando-se que ambas as hipóteses foram verificadas, embora com intensidades diferentes. O voto ideológico realmente se verifica entre os jovens moradores de vilas e favelas de Belo Horizonte de forma mais ampla (uma vez que o leque de variáveis que confirmam esta hipótese engloba todas as três variáveis analisadas). Já o voto racional verifica-se também e, curiosamente, de forma forte, embora uma das três variáveis relacionadas a tal hipótese tenha sido pouco citada. Esta hipótese pode ser verificada devido ao bom desempenho das outras variáveis relacionadas a tal tipo de voto. Referências bibliográficas: BERELSON, Bernard; LAZARSFELD, Paul F.; MC PHEE, Willian N. Voting: a study of opinion formation in a presidential campaign. Chicago: The University of Chicago Press, 1954. CAMARGOS, Malco Braga. "Economia e voto: Fernando Henrique Cardoso versus Lula, 1998". Teoria e Sociedade, Belo Horizonte, n.8, p.116-145, dez. 2001. CASTRO, Mônica Mata Machado de. "O comportamento eleitoral no Brasil: diagnóstico e interpretações". Teoria e Sociedade, Belo Horizonte, n.1, p.126-168, 1997. _______________. “Sujeito e estrutura no comportamento eleitoral”. In: Revista Brasileira de Ciências Sociais. São Paulo, n.20, ano 7, p. 7-20, out. 1992. DAHL, Robert A. Polyarchy: participation and opposition. New Haven: Yale University Press, 1971. _____________. Um prefácio à teoria democrática. Rio de Janeiro: Zahar, 1989. DOWNS, Anthony. Uma teoria econômica da democracia. São Paulo: Edusp, 1999. HABERMAS, Jürgen. “Participação política”. In: CARDOSO, Fernando Henrique; MARTINS, Carlos Estevam (orgs.). Política e sociedade. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1979. v.1. p.375-388. KINZO, Maria D'Alva Gil. "A eleição presidencial de 1989: o comportamento eleitoral em uma cidade brasileira". Dados, Rio de Janeiro, v.35, n.1, p.49-66, 1992. LAMOUNIER, Bolívar. “Comportamento eleitoral: uma tipologia”. In: LAMOUNIER, Bolívar (org.). O voto de desconfiança: eleições e mudança política no Brasil, 1970- 1979. São Paulo: Vozes, 1980. p.31-34.
  • 17. 16 REIS, Fábio Wanderley; CASTRO, Mônica Mata Machado de. "Religiões, classe e ideologia no processo eleitoral brasileiro". Lua Nova, São Paulo, n.26, p.81-132, mar.1992. SCHUMPETER, Joseph. Capitalismo, socialismo e democracia. Rio de Janeiro: Zahar, 1983. p.313-376. WEBER, Max. “A política como vocação”. In: Ciência e Política: Duas vocações. São Paulo: Martin Claret, 2001. p.59-124.
  • 18. 17 Anexo: Modelo do Instrumento de Coleta de Dados 1. [ ] Morro das Pedras 4. [ ] Cabana Sexo: 1. [ ] Masc. 2. [ ] P. Prado Lopes 5. [ ] Alto Vera Cruz 2. [ ] Fem. Local: 3. [ ] Papagaio 6. [ ] Taquaril Idade: __________ anos Você participa de algum partido político? Se sim, qual a intensidade? 1. [ ] Não 3. [ ] Sim. Média. 2. [ ] Sim. Alta. 4. [ ] Sim. Baixa. Você participa de algum movimento social? Se sim, qual a intensidade? 1. [ ] Não 3. [ ] Sim. Média. 2. [ ] Sim. Alta. 4. [ ] Sim. Baixa. Foi a primeira vez que votou? 1. [ ] Sim 2. [ ] Não Se não, pretende votar no mesmo partido da última eleição? 1. [ ] Sim 2. [ ] Não Qual(is) o(s) fator(es) mais lhe influencia(m) a definição do seu voto? 1. [ ] Identificação partidária 7. [ ] Informação 2. [ ] Programa de governo 8. [ ] Regionalismo 3. [ ] Aspectos pessoais do candidato 9. [ ] Chances de vitória 4. [ ] Ideologia 10. [ ] Altruísmo/bem comum 5. [ ] Tradição familiar 77. [ ] Outros 6. [ ] Orientação religiosa ___________________ Por que você vota? _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________