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Obsessores são os
melhores professores
morais
Carla Micheline – 22/02/2020
Reencarnação
“O princípio da reencarnação é uma
consequência necessária da lei do progresso.”
Gênese cap. XI
Para que haja progresso, necessitamos da
reencarnação.
Questão 781 do LE:
É permitido ao homem deter a marcha do progresso?
R – Não, mas pode entravá-la algumas vezes.
Questão 785 do LE:
Qual o maior obstáculo ao progresso?
R – Orgulho e egoísmo. (progresso moral)
 Liberdade de pensamentos
 Liberdade de consciência
 Livre arbítrio
Questão 873 LE:
O sentimento de justiça é natural ou
resultado de ideias adquiridas?
R - É tão natural que nos REVOLTAIS ao
pensamento de uma injustiça.
Lei de
liberdade
Lei justiça, amor e
caridade
A justiça consiste no respeito ao direito de
cada um
 Durante o nosso processo evolutivo, por meio das diversas encarnações, vivenciamos
inúmeras experiências, algumas positivas para o nosso progresso e outras onde
infligimos algumas leis morais .
 Fomo vítimas , mas também fomos algozes.
 Possuímos uma história, composta de erros e acertos e ambos são importantes
quando o assunto a aprendizagem.
 Ao longo desta caminhada não estivemos sozinhos,
somos seres sociais, necessitando da vida em
sociedade para que alcancemos nosso progresso.
 Estabelecemos relações com outros espíritos em
desenvolvimento, e nestas relações machucamos e
fomos machucados, sofremos, mas também fizemos
sofrer, julgamos e fomos julgados... Com isso
aprendemos e contribuímos para a aprendizagem
dos nossos semelhantes.
 Destas histórias vividas, surgem espíritos afins e
também nossos desafetos. Estes últimos, se revelam
como espíritos cobradores, por se sentirem
injustiçados por nós, nos quais chamamos de
obsessores.
1. Qual o parâmetro de inferioridade?
2. Onde estamos?
Estamos todos no mesmo
patamar!
Quem são o nossos obsessores?
“Não é um ser estranho a nós. Pelo contrário. É alguém que privou de nossa
convivência, de nossa intimidade, por vezes com estreitos laços afetivos. É alguém,
talvez, a quem amamos outrora. Ou um ser desesperado pelas crueldades que recebeu
de nós, nesse passado obumbroso, que a bênção da reencarnação cobriu com os véus
do esquecimento quase completo, em nosso próprio benefício. O obsessor é o irmão, a
quem os sofrimentos e desenganos desequilibraram, com a nossa participação. “
(Obsessão e desobsessão - Suely Caldas)
Que marcas compões esta história?
Mágoas Vingança
Ódio
Inveja
Crueldade
Fanatismo
Vícios
Questão 785 do LE:
Qual o maior obstáculo ao progresso?
R – Orgulho e egoísmo
Orgulho
Egoísmo
“(...) as Imperfeições morais dão asas à ação dos Espíritos obsessores.”
(O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, item 252.)
Para que haja obsessão precisa haver sintonia
O perseguidor somente encontrará ambiente para obsidiar se o perseguido oferecer
as condições favoráveis, isto, é fornecer-lhe brecha psíquica favorável: irradiação de
mágoa, ciúme, inveja, revide a uma agressão/ofensa, consumo de substâncias
químicas entorpecentes, dentre outros.
Obsessão é escravização temporária do pensamento, imantando credores e
devedores, que inconscientemente ou não se buscam pelas leis cármicas.
Pelo pensamento nós nos libertamos ou nos escravizamos.(...)Que seus
pensamentos são ele mesmo, isto é, expressam sua individualidade, a
essência mesma de que é feito, com todas as peculiaridades que integram a
sua personalidade. Unicamente agora o ser humano se está apercebendo
de que se tem mantido cerceado, por ter viciado o seu pensamento,
acostumando-o a transitar apenas entre as baixas esferas, que vão dos
instintos às paixões que o avassalam. Que se fez escravo destas,
alimentando-se dos vícios e sendo por eles dominado.
(Obsessão e desobsessão - Suely Caldas)
Em pleno século 20, quando o avanço do conhecimento atingiu culminâncias jamais
imaginadas, o homem, ainda assim, torna-se:
Escravo dos vícios.
Escravo do sexo.
Escravo do dinheiro.
Escravo do lazer.
Escravo da máquina.
Escravo de tudo, quando, negando a Deus, se permite a mais abjeta e dolorosa escravidão: o
seu auto-enclausuramento na masmorra sombria do egoísmo avassalante.
(Obsessão e desobsessão - Suely Caldas)
O processo obsessivo pode ser
considerado um meio pelo qual
se aprende e se ensina, a medida
que o obsidiado aprende ele
ensina o obsessor os melhores
caminhos e novas formas de se
encarar as dificuldades, os
sofrimentos , as diferenças, ou
seja , ocorre uma ressignificação
das formas de se enxergar os
fatos e um ao outro.
Os obsessores são nossos melhores
professores?
Sim, por meio deles e das experiências vivenciadas iniciamos nosso processo
de autoreconhecimento de nossas fragilidades, potencialidades, princípios,
coerência entre o que pregamos e o que realmente fazemos, nossos
pensamentos, desejos...
Iniciando a uma tomada de consciência
Questão 621 do LE:
Onde estão escritas as leis de Deus?
R – Na nossa consciência
O nível de consciência de si é de alto significado
no processo de evolução psicológica e moral do
ser humano.
(Encontro com a paz e a saúde – Coleção psicológica de
Joanna de Ângelis/Divaldo Franco)
Obsessor x Professor
O obsessor age como mediador entre o obsediado e os
conhecimentos a serem aprendidos, agindo de forma a influenciar
diretamente no processo de aprendizagem. Mas, como em qualquer
processo de aprendizagem, quem ensina também apende, ambos
desenvolvem juntos habilidades e competências morais que os
impulsionam ao progresso.
Aprender significa mudança de comportamento, mudar atitudes e postura. Eliminar o que
não serve e transformar algumas condutas anteriores que não deram certo, que causaram
sofrimento, em lições positivas, renovar assim os pensamentos e atitudes.
O ser humano é responsável pelo seu sucesso e pelo seu fracasso.
Obsessor x Professor
O obsessor nos auxilia no processo de despertamento de nós mesmos.
Joanna de Ângeles, no livro plenitude da coleção psicológicas esclarece que:
-Despertar retira o véu da ilusão e faculta a percepção da realidade...
- Despertar é um efeito natural do processo evolutivo, essa conquista te
permitirá avaliar fatores como o bem e o mal, o certo e o errado, o dever e
a responsabilidade, o nobre e o vulgar, o lícito e o irregular...
O que aprendemos com nossos obsessores?
Que não somos perfeitos.
Que somos suscetíveis a influências externas, sejam positivas ou negativas.
Que possuímos fragilidades e potencialidades.
Que não somos donos da verdade.
Que não temos conhecimento de tudo.
Que somos seres em processo de evolução.
O poder da prece.
Aprendemos a perdoar e a amar.
Descobrimos que realmente somos.
Os médiuns também aprendem com os obsessores?
Da Obra “VOLTEI“ – Espírito: IRMÃO JACOB
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
ANTE UM ESPÍRITO PERSEGUIDOR
O alcoólatra, cuja situação me levara a diversos serviços de preces e doutrinações nos últimos tempos de
minha experiência no corpo, achava-se num bar suburbano a encharcar-se. Ao lado dele, o temível
perseguidor dava expansão a impulsos menos dignos. Cada copo cheio era nova taça de venenoso fluido
que ele aspirava com estranha volúpia.
Aproximamo-nos sem perda de tempo. (...)
O verdugo fitava um copo vizinho, ao jeito do magnetizador interessado na presa. Voltando-se para nós e
sentindo-nos a observação calma, ao que me pareceu concentrou-se para melhor resistir-nos, sorriu
escarninho e, detendo-se de modo especial sobre mim, gargalhou franco. A princípio, molestei-me.
Experimentei mal-estar intraduzível. O Espírito endurecido a envolver-se em sombria nebulosa arremessava
contra mim forças envolventes e perturbantes.
DIÁLOGO SURPREEDENTE
Diante do temível algoz e sob a sua zona de influência sem o concurso de um médium, qual se verificava nas
doutrinações de outro tempo, tive o impulso de adiar a experiência.
Não seria melhor que eu me fortalecesse mais?
Ornelas, no entanto, com o olhar severo, impediu-me o recuo, e, pousando a destra sobre minha fronte,
aconselhou-me a prosseguir, prometendo inspirar-me nas observações convenientes. Mantive-me seguro e
fixei destemerosamente o obsessor.
Percebendo-me a decisão, o infeliz recolheu os punhos cerrados com que me afrontava; colérico. Entrementes,
a colaboração magnética de Ornelas me alimentava, causando-me grande reconforto.
Foi assim o meu primeiro diálogo, após a morte, com um Espírito desviado do bem:
-Meu irmão
– disse-lhe emocionado
- não se resolve a libertar nosso amigo doente, já de si mesmo tão miserável?
-E você, nem mesmo depois de “morto” desiste de me apoquentar?
– revidou o obsessor, raivoso.
-Sim, não desisto porque quero ser seu amigo e desejo trazer-lhe o espírito para a luz.
-Mas não lhe vejo luz alguma. Como quer você me dar o que não tem?...
DIÁLOGO SURPREEDENTE
A alegação chocou-me e, por pouco, não fugi ao entendimento; contudo, a mão vigorosa de Ornelas me
amparava e respondi:
-Trabalharei sinceramente no bem até que a Vontade do Senhor me ilumine e alma. O perverso interlocutor riu-
se, desrespeitoso, e prosseguiu:
-Por que insiste? Não adiantará nada...
-Fora da caridade não há salvação – retruquei, confiante.
– Não julga ser nosso dever auxiliar o companheiro de mente enfermiça, ainda ligado ao corpo terrestre? Não
lhe conhece a família respeitável e sofredora?
-Ora, Jacob – falou-me, contundente -, você se refere à caridade com tanta segurança...
-Como não?
Que será de nós sem a prática do bem?
-Ao que me consta – exclamou sarcasticamente
-você na Terra dava grande preferência ao dinheiro, estimava profundamente a própria fortuna...
DIÁLOGO SURPREEDENTE
Nas minhas reações de “homem velho” quis dizer-lhe que era mais justo o próprio dinheiro que os bens
alheios; todavia, a expressão fisionômica de Ornelas me susteve a frase de autodefesa e, ao invés de proferi-
la, acentuei com serenidade:
-Recebi as vantagens materiais hauridas no esforço digno, tal como o mordomo que detém consigo,
transitoriamente, as dádivas do Senhor. O que o Todo-Poderoso me confiou já restitui, de consciência feliz,
aos seus sábios desígnios. O verdugo fez um esgar de ódio e voltou a comentar:
-Não lhe reconheço autoridade para conselhos. Você foi sempre um homem áspero, indisciplinado,
voluntarioso. Muita vez, acabava de apontar-nos o bom caminho para seguir estrada contrária. Agora que ser
apóstolo... Marcou um gesto ridículo, a fim de torturar-me e continuou:
-Frequentemente, após deixar os aparelhos mediúnicos através dos quais trocávamos ideias, eu lhe seguia os
passos, discreto, e notava que você não agia de conformidade com os próprios ensinos.
Semelhantes frases, ditas à queima-roupa, desconcertavam-me. Ruborizei-me, envergonhado; todavia,
Ornelas garantiu-me a firmeza de ânimo.
-Sim – concordei
- Reconheço as minhas fraquezas.
- Entretanto, sincero é o meu desejo de renovação e melhoria. (...)
- Finda minha primeira observação pessoal de serviço, o obsessor fitou-me de maneira diferente. Pareceu-
me não tanto agressivo. Revelava-se disposto a me entender a disposição fraterna.
APONTAMENTO SALUTAR
Quando o colega que nos seguia atendeu à tarefa a que se reservara. Ornelas percebeu a tristeza que me
acometera de súbito. Efetivamente, graves reflexões acudiam-me ao pensamento.
Afinal, quem doutrinara no caso? Seria eu o portador de socorro ao Espírito infeliz ou fôra o Espírito sofredor
quem me beneficiara com a verdade? Sombrio véu de preocupações descera sobre mim. Como prosseguir? Não
ignorava que um grupo de cooperadores decidido e fiel me esperava o concurso. O companheiro mais
experiente, compreendendo quanto se passava dentro de mim, aproximou-se enquanto regressávamos ao
domicílio, em plena noite, e falou com cativante inflexão de bondade:
-Jacob; em toda parte seremos defrontados pela própria consciência. Se louvarmos nossos amigos pelo incentivo
e pelo júbilo que nos proporcionam, agradeçamos aos nossos adversários gratuitos a ousadia com que nos
demonstram as nossos necessidades. Os que nos amam destacam-nos as qualidades excelentes do serviço já
feito, na individualidade imperecível, e aqueles que nos desestimam indicam, com franqueza rude, as
imperfeições que ainda conservamos conosco. Os afeiçoados e simpatizantes silenciam a respeito das sombras
que nos rodeiam, mas os contendores e desafetos as desvendam em nosso proveito, quando encontramos
suficiente serenidade para buscar os interesses do Senhor e não os nossos. Na sua capacidade de tolerar as
observações amargas reside a base da própria iluminação. O progresso é obra de esforço mútuo. O irmão
perturbado beneficiou-se extensamente com o seu concurso valioso e, gradativamente, fixará nele mesmo a
esmola recebida. Porém, não é razoável que você venha a perder sua parte. Guarde o ensinamento, medite-o e
conserve-lhe o valor. É provável que você agora se sinta afrontado e ferido; todavia, os dias correrão sobre os dias
e concluirá, mais tarde, que não lhe falo sem razão sólida. O conselho refrigerou-me a alma dilacerada.
Carlos A. Baccelli na obra Falando de mediunidade fala que “ Uma reunião de desobsessão é,
pois, ao mesmo tempo uma reunião de aprendizado espiritual, onde estamos aprendendo a
melhor nos conhecer, entender melhor as nossas reações, sentindo as reações dos espíritos
que de nós se aproxima e encontram oportunidade de darem vazão às suas emoções
através do corpo físico(...)”
(...)Neste momento não estamos cuidado apenas de evangelizar os chamados espíritos
obsessores, mas estamos também evangelizando os nossos pensamentos (...)
O médium aprende e muito com os obsessores
Aprende que não são perfeitos.
Que são suscetíveis a influências externas, sejam positivas ou negativas.
Que possuem virtudes, mas também vícios.
Que não são donos da verdade.
Que não tem conhecimento de tudo.
Que são seres em processo de evolução.
O poder da prece.
Aprendem a perdoar e a amar.
Aprendem a necessidade da reforma íntima...
Referências