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Observatorio de la Economía Latinoamericana
Revista académica de economía
con el Número Internacional Normalizado de
Publicaciones Seriadas ISSN 1696-8352
Economía do Brasil
INSERÇÃO COMPETITIVA DO PEQUENO PRODUTOR DE MEL
NO MERCADO INTERNACIONAL
Paulo Bartz Böhlke
Faculdade Atlântico Sul de Pelotas
Eduardo Mauch Palmeira
Faculdade Atlântico Sul de Pelotas
eduardopalmeira@brturbo.com.br
RESUMO: Segundo dados estatísticos os lideres mundiais de mel são a China, os EUA, a
Argentina e o México, até o ano de 2003, juntos produziram 488.919 toneladas/ano, já o Brasil,
exportou cerca de 80% de sua produção, em 2005. Dentre os maiores consumidores
destacam-se a Republica Centro Africana, a Nova Zelândia e a União Européia. Entre 2004 e
2005, os preços médios do mel caíram de US$ 2,01 para US$ 1,31/Kg. De acordo com esses
dados e as tendências de mercado internacional, se o Brasil avançar na sua tecnologia e
investir no profissionalismo de seus produtores, poderá passar a ser muito competitivo por ter
um produto de excelente qualidade e um grande potencial agrícola. Assim sendo, a apicultura é
hoje uma excelente oportunidade de investimento onde a agricultura familiar proporcionar com
pouco tempo e com poucos cuidados uma grande oportunidade de ganhos através da
potencialidade natural de meio ambiente e de sua capacidade produtiva. Este trabalho destaca
o grande potencial produtivo que o do Brasil possui e ainda não está sendo bem explorado e,
levanta os agravantes de não ser competitivo e a falta de conhecimento e profissionalismo,
onde muitos produtores tem grande carência de informações, deixando de adquirir ganhos
excelentes na produção de mel.
Palavras-chave: Mel, Apicultura, Competitividade, Mercado internacional.
ABSTRACT
According to statistic data, world honey leaders are China, USA, Argentina, and México which
have produced, altogether, 488,919 tons/year until 2003. Brazil has exported around 80% of its
production in 2005. Among the largest consumers we can highlight Central Africa Republic,
New Zealand, and European Union. From 2004 to 2005, the average honey prices felt from
US$ 2.01 to US$ 1.31/kg. According to that data and international market trends, if Brazil
should progress its technology and invest in making their producers professionals, it can
become very competitive since it has a very good quality product and large agricultural
potential. Thus, beekeeping is currently an excellent investment opportunity where familiar
agriculture provides a good opportunity for gains with short time and a little care through the
natural environment production potential Brazil has and that is not well explored, and shows the
aggrieving factors not to be competitive and the lack of knowledge and professional character,
where several producers miss information so being prevented from acquiring excellent gains
with honey production.
Key-words: Honey, Beekeeping, Competitiveness, International market.
Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Böhlke, P.B. y Mauch Palmeira, E.: "Inserção competitiva do pequeno
produtor de mel no mercado internacional" en Observatorio de la
Economía Latinoamericana, Número 71, 2006. Texto completo en
http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/
VER ARTIGO COMPLETO EN PDF
INTRODUÇÃO
As abelhas chegaram ao Brasil em 1956 e desembarcaram no Rio de
Janeiro, mas não ficaram, elas foram levadas para o interior de São Paulo, e é
de lá que fizeram história. As abelhas africanas foram trazidas pelo geneticista
Warwick Estevam Kerr, o maior especialista em genética de abelhas do mundo.
Atualmente, são chamadas de abelhas africanizadas e representam
aproximadamente 90% das abelhas existentes no país. Estas abelhas
africanizadas deram grande contribuição para o avanço da apicultura graças ao
desenvolvimento de técnicas adequadas à criação de abelhas e ao
aproveitamento de seus produtos.
O Brasil possui um clima tropical, com características excepcionais para
a exploração apícola, com ampla, vasta e variada vegetação, sendo
considerado um forte potencial para a produção desses produtos. Atualmente,
o Brasil ocupa a 5ª posição no ranking mundial de exportação de mel e é o 11º
maior produtor mundial.
Segundo levantamentos estatísticos, anualmente o Brasil produz 40 mil
toneladas de mel, 30% desse total são exportados. Em 2005, a exportação de
mel brasileiro atingiu 14,4 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 18,9
milhões para o País. Em torno de 80% das exportações foram para a União
Européia (11,1 mil toneladas e US$ 14,4 milhões), sendo a Alemanha o
principal importador (6,2 mil toneladas e US$ 8,1 milhões). Os principais
estados brasileiros exportadores foram São Paulo (US$ 7,72 milhões), Ceará
(US$ 3,4 milhões), Piauí (US$ 3,05 milhões) e Santa Catarina (US$ 2,93
milhões).
Os números mostram que a apicultura virou um instrumento de inclusão
econômica e alternativa de emprego e renda para pequenos produtores de mel.
Poucos produtores de diferentes regiões do país já adotam a apicultura como
sua principal fonte de renda familiar e decidiram investir cada dia mais nessa
atividade, entretanto, é uma atividade que requer capacitação, gerenciamento
de tecnologia e apoio governamental. Essa capacitação se refere à
profissionalização do pequeno produtor, pois a qualificação e especialização é
fundamental, para que seu produto torne competitivo no mercado nacional e
internacional.
A disputa internacional pelo produto brasileiro elevou seu preço, de US$
1,13/kg em 2001 para US$ 2,36/kg em 2003, re-equilibrando o mercado, em
2004, o preço médio recebido pelos exportadores brasileiros foi reduzido em
14,7% (para US$ 2,02/kg). Como resultado, as exportações totais do mel
brasileiro cresceram 9,1% na quantidade, mas caíram 7,0% no valor, em 2004,
comparado com 2003.
O crescimento de 37% nas exportações de mel deve-se, em grande
medida, ao aumento das vendas brasileiras para os Estados Unidos. De janeiro
a setembro de 2006, os norte-americanos compraram US$ 11,87 milhões,
262,7% a mais que em 2005. E, com base nos dados de setembro de 2006, é
possível identificar tendência ainda de alta nos negócios, já que a exportação
para os Estados Unidos registrou aumento de 380% em relação a setembro de
2005, atingindo US$ 2,88 milhões. A apicultura europeia tem uma estrutura
heterogénea, tanto ao nível da produção como ao nível da comercialização. A
União Europeia produz pouco mel e tem necessidade de importar
habitualmente cerca de metade do mel que consome. Entre 1998 a 1999, os
maiores produtores de mel na União Europeia foram a Espanha, a França e a
Alemanha, com 33.000, 27.000 e 16.000 toneladas de mel, respectivamente.
O mercado do mel caracteriza-se pela presença de dois produtos bem
diferenciados: o mel de mesa consumido em natura e o mel industrial utilizado
para fabricação de biscoitos cosméticos etc.
A cadeia produtiva da apicultura envolve cerca de 350 mil pessoas no
Brasil, sendo a maioria de pequenos produtores e a atividade gera renda e
ocupação, ajudando a fixar o homem no campo. Segundo a Confederação
Brasileira da Apicultura (CBA), a produção nacional é de cerca de 40 mil
toneladas, levando o Brasil ao quinto lugar no ranking de produtores mundiais.
Mas estima-se que essa produção poderia ser de até 200 mil toneladas/ano.
O crescimento da participação brasileira no mercado externo não
acompanha o crescimento proporcional da produção, promovendo uma queda
na disponibilidade interna desse produto. Essa informação aponta para a falta
de planejamento estratégico de longo prazo, primordial para um crescimento
sustentável da participação em mercados. O crescimento no mercado externo,
aparentemente auxiliado por uma política cambial favorável, ocorreu em
detrimento da oferta doméstica, isso pode dificultar o encaminhamento de
relações mais estáveis entre os diversos segmentos da cadeia no mercado
interno
Zndaonati e Silva (2005), destacam que o volume de mel exportado pelo
Brasil, em 2003, foi o maior, colocando o país na condição de quinto maior
exportador, com 4,8% do total exportado mundial, conforme mostra abaixo a
tabela 1.
Tabela 1. Produção, importação e exportação de mel no Brasil, em
toneladas métricas.
Brasil 1996 1999 2000 2001 2002 2003 2004
Produção
Importação
Exportação
18.308
2.420
17
19.751
1.821
19
21.865
287
269
22.220
254
2.489
22.995
50
12.640
24.000
17
19.273
24.500
38
21.028
Fonte: FAO (2005) e MDIC (2005).
Até 2001, a produção destinava-se ao mercado interno e a partir daí o mel
passou a conquistar espaço em mercados internacionais, sendo o consumo de
mel per capita brasileiro é reduzido (300 gramas/ ano/habitante) quando
comparado com países como os Estados Unidos, da Comunidade Européia e
da África, que o consumo pode chegar a 1kg/ano/habitante.
Os números mostram que a apicultura virou um instrumento de inclusão
econômica e alternativa de emprego e renda. Estima-se que 350 mil pessoas
vivam hoje no Brasil com a renda da apicultura, não necessitando de um alto
investimento inicial e tem grandes vantagens naturais, a exemplo da extensa
flora brasileira com inúmeras plantas nectaríferas e poliníferas. Outra
característica que ajuda no crescimento é a condição favorável para a criação
desses insetos encontrada em todas as regiões. Além disso, o apiário não
necessita de cuidados diários, permitindo que os apicultores tenham uma outra
fonte de renda.
Entretanto, a atividade exige profissionalização, há a necessidade de
ampliação do nível de profissionalização, em todas as etapas da cadeia de
produção e de comercialização, inclusive com o enfoque de que a ocupação na
apicultura deve ser exercida como a atividade econômica principal do indivíduo,
pois ainda é vista, por muitos, como uma atividade secundária e paralela às
suas atividades profissionais. Requer profissionalização para render boas
safras.
Por outro lado, há a necessidade de desenvolvimento de uma cultura
associativista/cooperativista entre os apicultores, já que muitos atuam de
maneira isolada e não reconhecem ou simplesmente ignoram os benefícios
oriundos dos esforços serem encaminhados em grupo, gerando uma grande
expectativa em relação ao apoio e à atuação do Governo e outras entidades
para o financiamento e sustentabilidade do setor.
A alta qualidade do mel brasileiro e pela rusticidade das abelhas
africanizadas em relação às abelhas do gênero Apis no mundo inteiro,
reduzindo custos e dispensando uso de drogas veterinárias, e elevado
potencial para produção do mel orgânico, pela disponibilidade de plantas
melíferas e silvestres, isentas de pesticidas e herbicidas, sendo que alem do
mel ainda temos a Cera, Geléia Real, Própolis e a Apitoxina
O potencial de produção no Brasil de derivados de mel com alto valor
agregado, por meio do marketing, do design e da “certificação”. Mas, como
todo bom negócio, para ser sustentável, é fundamental um bom planejamento.
É preciso ter uma visão sistêmica do agronegócio apícola e uma abordagem de
cadeia produtiva, estimulando alianças estratégicas em todos os seus elos.
A competitividade é um indicador de resultado e reflete a adequação do
setor aos padrões de concorrência no mercado em que participa e tem a
vantagem de condensar inúmeros fatores que refletem o desempenho do setor.
Zandonadi e Silva (2005), destacam que, em geral os problemas relativos à
competitividade brasileiro no mercado internacional abrangem a falta de
incentivos por parte do governo, e carga tributaria elevada e exportação
passiva.
O baixo consumo interno do mel no País, no entanto, levou o Brasil a
exportar, em 2004, 65% do que foi produzido. Um dos principais mercados
consumidores do mel brasileiro, a Comunidade Européia, impôs no dia 17 de
março 2006, um embargo ao produto do Brasil, alegando falta de controle e
monitoramento de resíduos e contaminantes. A decisão do bloco econômico,
que até então absorvia de 70% a 80% das exportações brasileiras de mel,
começa a mudar o destino da produção nacional. Apicultores, indústrias e
empresas, que investiram na exportação para os países europeus, estão
tentando buscar mercados alternativos para escoar a produção.
O Setor de produção de mel e derivados ganhou em fevereiro de 2006
um espaço nobre no Ministério da Agricultura para a discussão das políticas
públicas do setor. Foi criada a Câmara Setorial da Apicultura Nacional, um tipo
de instância reservada, pelo governo, para segmentos poderosos como gado
de corte e soja. A câmara de apicultura é um espaço formal para a discussão
das políticas do setor.
Todavia, é necessário formar um perfil de competência para o apicultor,
treiná-lo e orientá-lo continuamente por meio de uma assistência técnica
competente e que seja efetiva na transferência das tecnologias disponíveis
para as abelhas, desta forma, se estará favorecendo a inserção do pequeno
produtor de mel ao mercado nacional e internacional. Também, é ponto
importante na profissionalização do campo o fortalecimento do associativismo e
cooperativismo, uma vez que a base da produção brasileira é o pequeno
produtor, que precisa estar organizado para que se otimize a assistência
técnica e a aplicação dos recursos.
Por ultimo, embora este contexto, venha acontecendo de forma
incipiente, precisa uma boa dose de apoio de toda a sociedade, para que
apicultura brasileira continue crescendo e, só assim, é possível prever um
futuro muito promissor para apicultura brasileira, e quem sabe em breve, o
Brasil, passe a ser um dos mais importantes fornecedores mundiais de
produtos apícolas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
FAO. Faostat Database, 2002. Disponível em: <http://www.fao.org>. Acessado em: out. 2006.
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA E APLICADA – IPEA. Ipeadata. Disponível em:
<http://www.ipadata.gov.br>. Acesso em: out. 2006.
MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC.
Estatísticas de exportação e importação de mel natural. Disponível em:
<http://www.aliceweb.mdic.gov.br>. Acesso em: out. 2006.
Revista SEBRAE Agronegócios n.3, maio de 2006.
SEBRAE. Informações de Mercado sobre Mel e Derivados da Colméia. Sumário Executivo.
Série Mercado, 2006. http://www.apis.sebrae.com.br/
VILHENA, F.; ALMEIDA-MURADIAN, L. B. Análises-físico-químicas de méis de São Paulo.
1999. Disponível em: < http://www.bichoonline.com.br/artigos/apa0005.htm>. Acesso em:
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http://europa.eu.int/eur-lex/lex/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=CELEX:52001DC0070:PT:HTML
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SILVA, Paulo Airton de Macedo e. Qualidadedos Produtos da Abelha. VII Seminário Nordestino
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WHITE, J.W. Physical characteristics of honey.In: CRANE, E. Honey a comprehensive survey.
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WIESE, Helmuth. Apicultura. Brasília: Empresa Brasileira de Assistência Técnica e
ExtensãoRural LIMA, Nelson Mello. Abelhas e mel:criação – extração. São Paulo: Ediouro,
1979.(Embrater), 1982.
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Início > XIII Congresso Metodista de Iniciação e Produção Científica - XII Seminário
de Extensão - VII Seminário PIBIC/UMESP > Administração em Comércio Exterior >
Administração em Comércio Exterior > Rodrigues
Tamanho da fonte:
Exportação de mel – mercado em expansão e oportunidade de negócio
Wellington Amorim Rodrigues, Carlos Henrique da Silva, Diego Alexandre Coppini,
Kaven do Rosário
Última alteração: 19-12-2012
Resumo (Texto máximo de 4.000 caracteres)
Introdução O setor de mel no Brasil era essencialmente voltado para o mercado interno
até a ocorrência de um choque na estrutura do mercado provocado por barreiras à
exportação do mel impostas pelos principais países consumidores aos maiores
exportadores - China e Argentina - entre 2001 e 2004. Nesse período, o incremento de
preços resultante deste evento atraiu novos entrantes, dentre os quais se destacou o
Brasil, que aproveitou novas regiões apícolas no Nordeste para quase duplicar sua
produção e conquistar mercados no exterior. Nestas circunstâncias, foram bem
sucedidos os processadores, cooperativas e associações que tiveram agilidade para
adquirir o mel pelo país e para abrir ou ampliar canais de comercialização no exterior,
enquanto as pequenas produtores, em geral, não se encontravam preparados para
superar o desafio do comércio exterior e não aproveitaram a oportunidade que se
desenhou neste passado recente. Hoje, o país colhe os frutos dessa descoberta. O Brasil
ocupa a quinta posição, no ranking de maior exportador de mel do mundo, com
capacidade produtiva subutilizada, cerca de 17%, podendo incrementar sua produção
em 200 mil toneladas. É neste contexto que está a apicultura brasileira. Com
crescimento da profissionalização do setor, através de incentivos e programas, como o
do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), e com
potencial para elevar sua produção e exportação. Este trabalho propiciará informações
para potenciais exportadores de mel, como o cadastro da empresa, preços praticados,
incentivos, principais importadores e concorrentes, com o objetivo de que estes se
tornem exportadores, com finalidade fomentar e incrementar a atividade exportadora de
mel no Brasil. Metodologia A pesquisa deu-se através de pesquisa bibliográfica e
observação direta intensiva, por meio de uma entrevista. Resultados/Conclusões A
apicultura brasileira forma uma cadeia produtiva composta por mais de 350 mil
apicultores e uma centena de unidades de processamento de mel, que juntos empregam,
temporária ou permanentemente, quase 500 mil pessoas. Em 2009, este setor foi
responsável pela produção de 50 mil toneladas de mel, sendo que 26 mil toneladas
foram exportadas, atraindo divisas de mais de US$ 66 milhões. Como a produção de
mel dos países desenvolvidos não consegue atender à demanda interna, os países
detentores de grandes mercados são os principais importadores: Alemanha e Estados
Unidos respondem por pouco menos que 50% do volume total, seguidos por Japão,
Reino Unido, França, Itália, Espanha e Arábia Saudita. Mais uma vez, deve-se ressaltar
a característica peculiar da Alemanha como importador, pois, mesmo sendo um grande
consumidor e também um produtor tradicional, exerce a função de um entreposto
comercial, fracionando e revendendo para a Europa cerca de 25% do mel adquirido a
granel de outros países. O setor de apicultura brasileiro sofreu um embargo por parte da
União Européia em março de 2006, sob a alegação de que o País não teria equivalência
com o bloco no que se referia às diretivas para controle de resíduos e qualidade do
produto, período em que os Estados Unidos tornou-se o principal importador do mel
brasileiro. O fim do embargo deu-se em março de 2008. Assim, a Alemanha voltou a
ser o principal parceiro comercial do setor na Europa. Hoje, Estados Unidos e
Alemanha são os principais compradores do mel brasileiro. Diante de um mercado
interno relativamente pequeno - se compararmos o consumo de um brasileiro (60g/ano)
ao de um alemão (960g/ano) e um estadunidense (910g/ano) - nos últimos anos os
processadores se voltaram principalmente para o mercado exportador, aproveitando um
período de barreiras comerciais e fitossanitárias impostas à China e à Argentina, e à
sazonalidade na produção de mel nestes países, o que não ocorre no Brasil com a
mesma intensidade. A demanda global por mel é ligeiramente maior nos países
desenvolvidos do que nos países em desenvolvimento, 55% versus 45% do volume
produzido respectivamente. Um dos sérios problemas para o agronegócio brasileiro é a
falta de assistência técnica e extensão rural para os pequenos produtores. Os serviços
existentes, além de não serem acessíveis para os pequenos produtores, também não
oferecem serviços adequados. Sendo assim, o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas) vem de contribuindo para a superação desta deficiência na
oferta de serviços de assistência técnica e extensão rural. Apesar de grande parcela da
produção estar concentrada nos estados do Nordeste e do Sul, a maior parte da
exportação se dá por São Paulo, cujos processadores locais se organizaram rapidamente
para comprar mel de outros estados, principalmente cooperativas e associações e
aproveitar oportunidades no mercado externo. O preço médio de exportação hoje é de
US$2,88/kg, variando por estado e país importador. O Canadá chegou a pagar
US$3,30/kg em julho de 2010. O país produz naturalmente o mel orgânico, ecológico e
a genética da abelha utilizada influi muito nisso. As abelhas brasileiras são rústicas,
africanizadas, dispensam o uso de antibióticos, de acaricidas (pesticidas utilizados no
extermínio de ácaros) e outros contaminantes que afetam a qualidade do mel com a
presença de resíduos. Então, no Brasil não existe esse tipo de prática. O Brasil tem uma
situação única no mundo, que é produzir mel sem o uso de medicamentos, o que
propicia um incremento no preço/kg. Com ações de capacitação, com troca de rainhas,
trocas de ceras, com alimentação nos períodos de escassez, com inclusão de proteínas,
xaropes, teremos inúmeras possibilidades de incrementar essa produção. O Brasil é um
país continental, produz méis de todos os sabores, de todas as cores. Todos os dias do
ano alguém produz mel no Brasil, não há entressafra no país, diferentemente de outros
países como Uruguai e Argentina, onde a produção é sazonal. Atendemos todas as
demandas. O Brasil tem desde o mel branco ao mel escuro. Temos também o mel
âmbar. Uma conjugação de esforços, entre os apicultores, Sebrae, Fundação Banco do
Brasil, Secretarias de Agricultura pode melhorar muito este quadro, pois ainda estamos
muito distantes da nossa capacidade, pois exploramos apenas 17% da nossa
potencialidade em produção de mel. O Brasil, hoje, é o 11º país em produção de mel no
mundo, com 50 mil toneladas/ano. Se usarmos toda a potencialidade poderá haver
incremento de 200 mil toneladas de mel.
Um cadastro no sistema é obrigatório para visualizar os documentos. Clique aqui para
criar um cadastro.
16/07/2013
Entendendo um poco mais sobre exportação de mel
Este artigo já é um pouco antigo mais ainda retrata bem
a exportação brasileira de mel (todos créditos do autor)
Em mercados emergentes é comum que as empresas
levem algum tempo para avaliar corretamente sua força
competitiva vis à vis os concorrentes locais e externos.
No Brasil por exemplo, há quem acredite ser possível
interferir na formação dos preços internacionais do mel
que tem a China e a Argentina como maiores produtores
e exportadores. No entanto, o país está aquém desta
possibilidade haja vista a pequena escala de produção ainda vigente, cerca de 30 mil toneladas, das quais em
2006 apenas 15 mil devem ser exportadas. Devido ao embargo do produto brasileiro na União Européia desde
março de 2006, os EUA vêm sendo o único destino para as exportações de mel brasileiro que representa
menos de 10% da pauta global de importações do produto nesse país. Somente de Janeiro a Outubro de 2006,
os EUA já haviam importado 103 mil toneladas de mel, sendo o Brasil responsável por 8 mil (8%). No mesmo
período, a China exportou 28 mil toneladas (27%) e a Argentina 24 mil toneladas (23%). Mesmo países como
Índia (10 mil toneladas) e Vietnam (12 mil toneladas) têm apresentado desempenhos no mercado norte-
americano melhores do que o do Brasil nos últimos dois anos. Como pensar, nesse contexto, que podemos
agir neste ou naquele sentido em relação aos preços ? Mesmo considerando o mercado europeu (basicamente
Alemanha, Reino Unido e Espanha), a importância relativa do mel brasileiro é pequena, excetuando-se nichos
específicos cujos mercados ainda são incipientes como o segmento de mel orgânico por exemplo.
Na verdade, os preços internacionais do mel são formados pela clássica dinâmica das forças de oferta e
demanda, considerando-se um número pequeno de grandes compradores nos EUA, Alemanha, Reino Unido e
Espanha que estabelecem seus target prices a cada semana ou mês. Não existe, como alguns crêem, uma
conspiração internacional ou qualquer coordenação de ações entre os grandes compradores com o objetivo de
manipular preços. Se fosse assim o mercado operaria num cenário de relativa estabilidade com preços
flutuando em níveis adequados ao apetite dos grandes compradores. Ao contrário, a realidade é que o
mercado internacional de mel é extremamente volátil e suscetível a choques externos geralmente de natureza
regulatória ou física como ocorreu em 2006 : o embargo europeu ao mel brasileiro, a quebra da safra chinesa e
a revisão da política de recolhimento dos impostos anti-dumping nos EUA.
Os grandes compradores sofrem a pressão competitiva em seus respectivos mercados - por exemplo a recente
e anunciada redução de preços de varejo do mel na Alemanha pela rede Audi - e repassam essa pressão para
seus fornecedores em todo o mundo. Esta pressão competitiva pode tanto reduzir os preços como aumentá-los
como ocorreu de forma aguda em 2002 quando o mel chinês foi banido do mercado europeu.
Cada fornecedor, isoladamente, trabalha com uma perspectiva de mercado formada a partir de suas interações
com outros agentes (clientes, fornecedores, brokers, concorrentes, especialistas, etc) e então define sua
conduta e realiza (ou não) contratos para entrega futura aos preços desejados pelos compradores. É óbvio que
em situações atípicas as forças podem se inverter em termos de preferência da decisão : quando o mercado
operou em alta explosiva durante a crise chinesa, eram os vendedores que escolhiam para quem iriam vender
seus méis, mas vale dizer que esta escolha baseava-se muito mais no histórico do relacionamento comercial
com cada comprador do que em um diferencial de preço pois mesmo naquele cenário especulativo os preços
convergiam para um mesmo nível nos EUA e na UE.
Vale notar que há nuances nas negociações que nem sempre são claramente entendidas mas que no fundo
corroboram esta tese. Por exemplo, é sabido que o mercado europeu tem conseguido pagar um prêmio em
relação aos concorrentes norte-americanos devido à persistente valorização do euro frente a dólar nos últimos
anos. Ao mesmo tempo sabe-se que os europeus são muito exigentes em relação ao teor de HMF dos méis e
que nos EUA tal especificação geralmente nem consta dos contratos. O maior risco de ter que aceitar
descontos e multas contratuais devido à discrepância entre o teor de HMF contratado e o efetivamente
recebido pelo comprador europeu, compensa o menor preço em dólar geralmente pago pelos compradores
norte-americanos, fazendo com que o preço técnico do mel convirja para um mesmo nível entre os dois blocos.
Vale lembrar que o teor de HMF é suscetível à temperatura ambiente e que mesmo tendo sido exportado um
produto totalmente dentro das especificações contratuais ele pode subir durante o trânsito até o destino, o que
levou alguns exportadores brasileiros à situação extrema de utilizarem contêineres refrigerados para o
embarque de méis para a Alemanha em 2005 e 2006. Não é o caso do Brasil, mas em países aonde há
presença de resíduos de antibióticos nos méis, prevalece o mesmo raciocínio pois as faixas de tolerância e
abrangência de restrições são muito maiores na U.E do que nos EUA.
O mercado internacional de mel é portanto um sistema cujos participantes têm estratégias não cooperativas e
cujo número de compradores é pequeno e o número de vendedores, grande. Pode-se estimar que apenas 20
empresas sejam responsáveis por quase 80% das compras de mel nos dois principais mercados (EUA e UE).
Por isso podemos dizer que o mercado internacional de mel é na verdade um oligopsônio. A tendência é que,
ao longo do tempo, o número de compradores se reduza através de fusões e incorporações e que o número de
vendedores se amplie devido à profusão da atividade apícola como alternativa de geração de renda sustentável
nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.
Há duas grandes chaves para um melhor entendimento do mecanismo de formação de preços do mel no
mercado internacional : o pequeno número de formadores primários de preços e a defasagem temporal que
existe entre a contratação dos embarques e a efetiva compra, processamento e entrega do produto.
Tanto nos EUA como na Europa a maior parte do mel comercializado a cada ano é direcionada para as
grandes cadeias de supermercado. Como se sabe, em cada país 4 ou 5 grandes grupos de varejo representam
70% ou mais das vendas do mercado. Assim, na verdade tudo começa na mesa de compras de 4 ou 5
empresas que concorrem entre si. Esses poucos grupos varejistas compram dos envasadores (packers). Nos
EUA por exemplo, há apenas cerca de 20 packers importantes que concorrem entre si mas que devem operar
com margens e custos compatíveis com os preços desejados pelas poucas redes de varejo. Esses 20 packers
compram mel dos apicultores e cooperativas americanas e também dos poucos importadores atuantes no
mercado os quais devem operar com margens e custos compatíveis com os preços desejados pelos packers.
Em poucos casos os packers importam diretamente de outros países. Além do varejo há também o mel
consumido pela indústria de alimentos, bebidas, tabaco, cosméticos, fitoterápicos, etc. Mas também nesse
caso o número de empresas com consumo importante de mel é concentrado em poucas megacorporações.
Portanto seja no segmento de varejo seja no industrial o número de formadores primários de preços é pequeno
tanto na Europa como nos EUA. Esses formadores primários de preço estabelecem suas políticas e contratos e
assim o preço do produto é definido ao longo da cadeia. Como sabemos os preços do mel nos supermercados
na Europa e nos EUA é relativamente estável em períodos de até 12 meses. O mesmo ocorre na indústria que
contrata os volumes a serem empregados em seus processos produtivos com antecedência e preços
geralmente pré-fixados por faixas máximas de variação. Portanto, num horizonte de tempo de, digamos, um
ano, o preço do mel do segmento primário (varejo e indústria) é relativamente fixo. Por que então as cotações
internacionais do mel são tão voláteis ao longo de um ano ? É a oferta mundial de mel que regulará o processo
de altas e baixas das cotações. O consumo mundial de mel é pouco elástico ao preço, o que significa dizer que
uma variação no preço do produto não acarreta uma variação proporcional no volume consumido. Por exemplo,
uma família americana não dobrará o consumo de mel em um ano caso o preço caia 50%. Da mesma forma, a
Nestlé ou a Sara Lee não dobrarão o uso de mel por causa da queda de 50% no preço do mel pois suas
fórmulas são constantes para cada linha de produto (que não terão sua procura alterada pela queda do preço
de um de seus ingredientes). Simplificando, os packers sabem a cada ano mais ou menos quanto de mel
precisarão comprar e processar para entregar para a indústria e para o varejo numa determinada faixa de
preços. É para cumprir os contratos com seus clientes que eles (e por conseqüência os importadores) atuarão
no mercado e, conforme a disponibilidade de produto (oferta), os preços subirão ou cairão a cada instante do
tempo. É o pequeno número de formadores primários de preços nos principais países compradores que explica
o porque os preços do mel convergem para o mesmo nível num determinado instante de tempo.
Tanto os packers, como os outros elos da cadeia a partir deles convivem com um grande problema : os méis
contratados no mercado primário muitas vezes ainda nem existe ! Ou seja há uma defasagem de tempo entre a
contratação do mel e sua efetiva disponibilização para venda e entrega. Ora, todos sabemos que as safras de
mel nos vários países produtores dependem de diversos fatores como condições climáticas, pragas e doenças
nas colméias, número de apicultores, tecnologia empregada, etc. A cada ano tais variáveis mudam, bem como
surgem outras até então desconhecidas. Não raro um exportador de mel tem que negociar um contrato para
entrega em 3 ou 4 meses. Como saber se o custo será compatível com o preço de venda já definido ? Como
saber se a taxa de câmbio utilizada para o cálculo do custo em dólar será válida para daqui a 3 ou 4 meses ? É
impossível saber, e é justamente por isso que a atividade de exportação de mel requer uma gestão baseada na
rentabilidade média e não na rentabilidade absoluta. É assim que os packers analisam seus resultados ano a
ano : pela média. É possível que haja períodos em que todas as operações sejam lucrativas tanto para os
packers como para os demais elos da cadeia, mas essa - infelizmente - não é a regra. Às vezes é necessário
entregar uma mercadoria com prejuízo, simplesmente para cumprir um contrato. Esses prejuízos eventuais
devem fazer parte do plano tático de qualquer empresa que faça parte dessa cadeia e advém do fato de não
sabermos o custo em dólar do produto no futuro com antecedência. É por esta razão que a atividade de
exportação de mel é, regra geral, incompatível com uma pequena escala de produção.
O mundo está globalizado e não faz sentido se prever ou estimar preços com base na expectativa de safra de
mel em países isolados. O fato de se estimar uma super safra no Brasil por exemplo não terá impacto nas
cotações se ao mesmo tempo houver uma quebra de safra na Argentina ou no Vietnam. É a oferta global que
conta e é por esta razão que não temos, isoladamente, a capacidade de impactar a curva de preços do mel no
mercado internacional.
***************
Elaborado por John Laurino, john@laurino-lopez.com.br
Dezembro de 2006.

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  • 1. Observatorio de la Economía Latinoamericana Revista académica de economía con el Número Internacional Normalizado de Publicaciones Seriadas ISSN 1696-8352 Economía do Brasil INSERÇÃO COMPETITIVA DO PEQUENO PRODUTOR DE MEL NO MERCADO INTERNACIONAL Paulo Bartz Böhlke Faculdade Atlântico Sul de Pelotas Eduardo Mauch Palmeira Faculdade Atlântico Sul de Pelotas eduardopalmeira@brturbo.com.br RESUMO: Segundo dados estatísticos os lideres mundiais de mel são a China, os EUA, a Argentina e o México, até o ano de 2003, juntos produziram 488.919 toneladas/ano, já o Brasil, exportou cerca de 80% de sua produção, em 2005. Dentre os maiores consumidores destacam-se a Republica Centro Africana, a Nova Zelândia e a União Européia. Entre 2004 e 2005, os preços médios do mel caíram de US$ 2,01 para US$ 1,31/Kg. De acordo com esses dados e as tendências de mercado internacional, se o Brasil avançar na sua tecnologia e investir no profissionalismo de seus produtores, poderá passar a ser muito competitivo por ter um produto de excelente qualidade e um grande potencial agrícola. Assim sendo, a apicultura é hoje uma excelente oportunidade de investimento onde a agricultura familiar proporcionar com pouco tempo e com poucos cuidados uma grande oportunidade de ganhos através da potencialidade natural de meio ambiente e de sua capacidade produtiva. Este trabalho destaca o grande potencial produtivo que o do Brasil possui e ainda não está sendo bem explorado e, levanta os agravantes de não ser competitivo e a falta de conhecimento e profissionalismo, onde muitos produtores tem grande carência de informações, deixando de adquirir ganhos excelentes na produção de mel. Palavras-chave: Mel, Apicultura, Competitividade, Mercado internacional. ABSTRACT According to statistic data, world honey leaders are China, USA, Argentina, and México which have produced, altogether, 488,919 tons/year until 2003. Brazil has exported around 80% of its production in 2005. Among the largest consumers we can highlight Central Africa Republic, New Zealand, and European Union. From 2004 to 2005, the average honey prices felt from US$ 2.01 to US$ 1.31/kg. According to that data and international market trends, if Brazil should progress its technology and invest in making their producers professionals, it can become very competitive since it has a very good quality product and large agricultural potential. Thus, beekeeping is currently an excellent investment opportunity where familiar agriculture provides a good opportunity for gains with short time and a little care through the
  • 2. natural environment production potential Brazil has and that is not well explored, and shows the aggrieving factors not to be competitive and the lack of knowledge and professional character, where several producers miss information so being prevented from acquiring excellent gains with honey production. Key-words: Honey, Beekeeping, Competitiveness, International market. Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato: Böhlke, P.B. y Mauch Palmeira, E.: "Inserção competitiva do pequeno produtor de mel no mercado internacional" en Observatorio de la Economía Latinoamericana, Número 71, 2006. Texto completo en http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/ VER ARTIGO COMPLETO EN PDF INTRODUÇÃO As abelhas chegaram ao Brasil em 1956 e desembarcaram no Rio de Janeiro, mas não ficaram, elas foram levadas para o interior de São Paulo, e é de lá que fizeram história. As abelhas africanas foram trazidas pelo geneticista Warwick Estevam Kerr, o maior especialista em genética de abelhas do mundo. Atualmente, são chamadas de abelhas africanizadas e representam aproximadamente 90% das abelhas existentes no país. Estas abelhas africanizadas deram grande contribuição para o avanço da apicultura graças ao desenvolvimento de técnicas adequadas à criação de abelhas e ao aproveitamento de seus produtos. O Brasil possui um clima tropical, com características excepcionais para a exploração apícola, com ampla, vasta e variada vegetação, sendo considerado um forte potencial para a produção desses produtos. Atualmente, o Brasil ocupa a 5ª posição no ranking mundial de exportação de mel e é o 11º maior produtor mundial. Segundo levantamentos estatísticos, anualmente o Brasil produz 40 mil toneladas de mel, 30% desse total são exportados. Em 2005, a exportação de mel brasileiro atingiu 14,4 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 18,9 milhões para o País. Em torno de 80% das exportações foram para a União Européia (11,1 mil toneladas e US$ 14,4 milhões), sendo a Alemanha o principal importador (6,2 mil toneladas e US$ 8,1 milhões). Os principais estados brasileiros exportadores foram São Paulo (US$ 7,72 milhões), Ceará (US$ 3,4 milhões), Piauí (US$ 3,05 milhões) e Santa Catarina (US$ 2,93 milhões). Os números mostram que a apicultura virou um instrumento de inclusão econômica e alternativa de emprego e renda para pequenos produtores de mel. Poucos produtores de diferentes regiões do país já adotam a apicultura como sua principal fonte de renda familiar e decidiram investir cada dia mais nessa
  • 3. atividade, entretanto, é uma atividade que requer capacitação, gerenciamento de tecnologia e apoio governamental. Essa capacitação se refere à profissionalização do pequeno produtor, pois a qualificação e especialização é fundamental, para que seu produto torne competitivo no mercado nacional e internacional. A disputa internacional pelo produto brasileiro elevou seu preço, de US$ 1,13/kg em 2001 para US$ 2,36/kg em 2003, re-equilibrando o mercado, em 2004, o preço médio recebido pelos exportadores brasileiros foi reduzido em 14,7% (para US$ 2,02/kg). Como resultado, as exportações totais do mel brasileiro cresceram 9,1% na quantidade, mas caíram 7,0% no valor, em 2004, comparado com 2003. O crescimento de 37% nas exportações de mel deve-se, em grande medida, ao aumento das vendas brasileiras para os Estados Unidos. De janeiro a setembro de 2006, os norte-americanos compraram US$ 11,87 milhões, 262,7% a mais que em 2005. E, com base nos dados de setembro de 2006, é possível identificar tendência ainda de alta nos negócios, já que a exportação para os Estados Unidos registrou aumento de 380% em relação a setembro de 2005, atingindo US$ 2,88 milhões. A apicultura europeia tem uma estrutura heterogénea, tanto ao nível da produção como ao nível da comercialização. A União Europeia produz pouco mel e tem necessidade de importar habitualmente cerca de metade do mel que consome. Entre 1998 a 1999, os maiores produtores de mel na União Europeia foram a Espanha, a França e a Alemanha, com 33.000, 27.000 e 16.000 toneladas de mel, respectivamente. O mercado do mel caracteriza-se pela presença de dois produtos bem diferenciados: o mel de mesa consumido em natura e o mel industrial utilizado para fabricação de biscoitos cosméticos etc. A cadeia produtiva da apicultura envolve cerca de 350 mil pessoas no Brasil, sendo a maioria de pequenos produtores e a atividade gera renda e ocupação, ajudando a fixar o homem no campo. Segundo a Confederação Brasileira da Apicultura (CBA), a produção nacional é de cerca de 40 mil toneladas, levando o Brasil ao quinto lugar no ranking de produtores mundiais. Mas estima-se que essa produção poderia ser de até 200 mil toneladas/ano. O crescimento da participação brasileira no mercado externo não acompanha o crescimento proporcional da produção, promovendo uma queda na disponibilidade interna desse produto. Essa informação aponta para a falta de planejamento estratégico de longo prazo, primordial para um crescimento sustentável da participação em mercados. O crescimento no mercado externo, aparentemente auxiliado por uma política cambial favorável, ocorreu em detrimento da oferta doméstica, isso pode dificultar o encaminhamento de relações mais estáveis entre os diversos segmentos da cadeia no mercado interno Zndaonati e Silva (2005), destacam que o volume de mel exportado pelo Brasil, em 2003, foi o maior, colocando o país na condição de quinto maior
  • 4. exportador, com 4,8% do total exportado mundial, conforme mostra abaixo a tabela 1. Tabela 1. Produção, importação e exportação de mel no Brasil, em toneladas métricas. Brasil 1996 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Produção Importação Exportação 18.308 2.420 17 19.751 1.821 19 21.865 287 269 22.220 254 2.489 22.995 50 12.640 24.000 17 19.273 24.500 38 21.028 Fonte: FAO (2005) e MDIC (2005). Até 2001, a produção destinava-se ao mercado interno e a partir daí o mel passou a conquistar espaço em mercados internacionais, sendo o consumo de mel per capita brasileiro é reduzido (300 gramas/ ano/habitante) quando comparado com países como os Estados Unidos, da Comunidade Européia e da África, que o consumo pode chegar a 1kg/ano/habitante. Os números mostram que a apicultura virou um instrumento de inclusão econômica e alternativa de emprego e renda. Estima-se que 350 mil pessoas vivam hoje no Brasil com a renda da apicultura, não necessitando de um alto investimento inicial e tem grandes vantagens naturais, a exemplo da extensa flora brasileira com inúmeras plantas nectaríferas e poliníferas. Outra característica que ajuda no crescimento é a condição favorável para a criação desses insetos encontrada em todas as regiões. Além disso, o apiário não necessita de cuidados diários, permitindo que os apicultores tenham uma outra fonte de renda. Entretanto, a atividade exige profissionalização, há a necessidade de ampliação do nível de profissionalização, em todas as etapas da cadeia de produção e de comercialização, inclusive com o enfoque de que a ocupação na apicultura deve ser exercida como a atividade econômica principal do indivíduo, pois ainda é vista, por muitos, como uma atividade secundária e paralela às suas atividades profissionais. Requer profissionalização para render boas safras. Por outro lado, há a necessidade de desenvolvimento de uma cultura associativista/cooperativista entre os apicultores, já que muitos atuam de maneira isolada e não reconhecem ou simplesmente ignoram os benefícios oriundos dos esforços serem encaminhados em grupo, gerando uma grande expectativa em relação ao apoio e à atuação do Governo e outras entidades para o financiamento e sustentabilidade do setor. A alta qualidade do mel brasileiro e pela rusticidade das abelhas africanizadas em relação às abelhas do gênero Apis no mundo inteiro,
  • 5. reduzindo custos e dispensando uso de drogas veterinárias, e elevado potencial para produção do mel orgânico, pela disponibilidade de plantas melíferas e silvestres, isentas de pesticidas e herbicidas, sendo que alem do mel ainda temos a Cera, Geléia Real, Própolis e a Apitoxina O potencial de produção no Brasil de derivados de mel com alto valor agregado, por meio do marketing, do design e da “certificação”. Mas, como todo bom negócio, para ser sustentável, é fundamental um bom planejamento. É preciso ter uma visão sistêmica do agronegócio apícola e uma abordagem de cadeia produtiva, estimulando alianças estratégicas em todos os seus elos. A competitividade é um indicador de resultado e reflete a adequação do setor aos padrões de concorrência no mercado em que participa e tem a vantagem de condensar inúmeros fatores que refletem o desempenho do setor. Zandonadi e Silva (2005), destacam que, em geral os problemas relativos à competitividade brasileiro no mercado internacional abrangem a falta de incentivos por parte do governo, e carga tributaria elevada e exportação passiva. O baixo consumo interno do mel no País, no entanto, levou o Brasil a exportar, em 2004, 65% do que foi produzido. Um dos principais mercados consumidores do mel brasileiro, a Comunidade Européia, impôs no dia 17 de março 2006, um embargo ao produto do Brasil, alegando falta de controle e monitoramento de resíduos e contaminantes. A decisão do bloco econômico, que até então absorvia de 70% a 80% das exportações brasileiras de mel, começa a mudar o destino da produção nacional. Apicultores, indústrias e empresas, que investiram na exportação para os países europeus, estão tentando buscar mercados alternativos para escoar a produção. O Setor de produção de mel e derivados ganhou em fevereiro de 2006 um espaço nobre no Ministério da Agricultura para a discussão das políticas públicas do setor. Foi criada a Câmara Setorial da Apicultura Nacional, um tipo de instância reservada, pelo governo, para segmentos poderosos como gado de corte e soja. A câmara de apicultura é um espaço formal para a discussão das políticas do setor. Todavia, é necessário formar um perfil de competência para o apicultor, treiná-lo e orientá-lo continuamente por meio de uma assistência técnica competente e que seja efetiva na transferência das tecnologias disponíveis para as abelhas, desta forma, se estará favorecendo a inserção do pequeno produtor de mel ao mercado nacional e internacional. Também, é ponto importante na profissionalização do campo o fortalecimento do associativismo e cooperativismo, uma vez que a base da produção brasileira é o pequeno produtor, que precisa estar organizado para que se otimize a assistência técnica e a aplicação dos recursos. Por ultimo, embora este contexto, venha acontecendo de forma incipiente, precisa uma boa dose de apoio de toda a sociedade, para que apicultura brasileira continue crescendo e, só assim, é possível prever um futuro muito promissor para apicultura brasileira, e quem sabe em breve, o
  • 6. Brasil, passe a ser um dos mais importantes fornecedores mundiais de produtos apícolas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS FAO. Faostat Database, 2002. Disponível em: <http://www.fao.org>. Acessado em: out. 2006. INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA E APLICADA – IPEA. Ipeadata. Disponível em: <http://www.ipadata.gov.br>. Acesso em: out. 2006. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC. Estatísticas de exportação e importação de mel natural. Disponível em: <http://www.aliceweb.mdic.gov.br>. Acesso em: out. 2006. Revista SEBRAE Agronegócios n.3, maio de 2006. SEBRAE. Informações de Mercado sobre Mel e Derivados da Colméia. Sumário Executivo. Série Mercado, 2006. http://www.apis.sebrae.com.br/ VILHENA, F.; ALMEIDA-MURADIAN, L. B. Análises-físico-químicas de méis de São Paulo. 1999. Disponível em: < http://www.bichoonline.com.br/artigos/apa0005.htm>. Acesso em: out.2006. http://europa.eu.int/eur-lex/lex/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=CELEX:52001DC0070:PT:HTML http://www.agenciaminas.mg.gov.br/detalhe http://www.agronline.com.br/agronoticias/noticia http://www.seagri.ba.gov.br/noticias.asp http://www.agronline.com.br/agrociencia/artigo/50>. Acesso em: 13 de dezembro de 2004. SILVA, Paulo Airton de Macedo e. Qualidadedos Produtos da Abelha. VII Seminário Nordestino Pecuário – PEC Nordeste, 2003 WHITE, J.W. Physical characteristics of honey.In: CRANE, E. Honey a comprehensive survey. London: Heinemann, 1975. Cap.6, p.207-39. WIESE, Helmuth. Apicultura. Brasília: Empresa Brasileira de Assistência Técnica e ExtensãoRural LIMA, Nelson Mello. Abelhas e mel:criação – extração. São Paulo: Ediouro, 1979.(Embrater), 1982. Nota Importante a Leer: Los comentarios al artículo son responsabilidad exclusiva del remitente. Si necesita algún tipo de información referente al artículo póngase en contacto con el email suministrado por el autor del artículo al principio del mismo. Un comentario no es más que un simple medio para comunicar su opinión a futuros lectores.
  • 7. El autor del artículo no está obligado a responder o leer comentarios referentes al artículo. Al escribir un comentario, debe tener en cuenta que recibirá notificaciones cada vez que alguien escriba un nuevo comentario en este artículo. Eumed.net se reserva el derecho de eliminar aquellos comentarios que tengan lenguaje inadecuado o agresivo. Si usted considera que algún comentario de esta página es inadecuado o agresivo, por favor, pulse aquí. Comentarios sobre este artículo: No hay ningún comentario para este artículo. Universidade Metodista de São Paulo, Administração em Comércio Exterior • Início • Sobre • Acesso • Cadastro • Pesquisa • Arquivo • Início > XIII Congresso Metodista de Iniciação e Produção Científica - XII Seminário de Extensão - VII Seminário PIBIC/UMESP > Administração em Comércio Exterior > Administração em Comércio Exterior > Rodrigues Tamanho da fonte: Exportação de mel – mercado em expansão e oportunidade de negócio Wellington Amorim Rodrigues, Carlos Henrique da Silva, Diego Alexandre Coppini, Kaven do Rosário Última alteração: 19-12-2012 Resumo (Texto máximo de 4.000 caracteres) Introdução O setor de mel no Brasil era essencialmente voltado para o mercado interno até a ocorrência de um choque na estrutura do mercado provocado por barreiras à exportação do mel impostas pelos principais países consumidores aos maiores exportadores - China e Argentina - entre 2001 e 2004. Nesse período, o incremento de preços resultante deste evento atraiu novos entrantes, dentre os quais se destacou o Brasil, que aproveitou novas regiões apícolas no Nordeste para quase duplicar sua produção e conquistar mercados no exterior. Nestas circunstâncias, foram bem sucedidos os processadores, cooperativas e associações que tiveram agilidade para adquirir o mel pelo país e para abrir ou ampliar canais de comercialização no exterior, enquanto as pequenas produtores, em geral, não se encontravam preparados para superar o desafio do comércio exterior e não aproveitaram a oportunidade que se desenhou neste passado recente. Hoje, o país colhe os frutos dessa descoberta. O Brasil ocupa a quinta posição, no ranking de maior exportador de mel do mundo, com capacidade produtiva subutilizada, cerca de 17%, podendo incrementar sua produção em 200 mil toneladas. É neste contexto que está a apicultura brasileira. Com crescimento da profissionalização do setor, através de incentivos e programas, como o do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), e com potencial para elevar sua produção e exportação. Este trabalho propiciará informações para potenciais exportadores de mel, como o cadastro da empresa, preços praticados,
  • 8. incentivos, principais importadores e concorrentes, com o objetivo de que estes se tornem exportadores, com finalidade fomentar e incrementar a atividade exportadora de mel no Brasil. Metodologia A pesquisa deu-se através de pesquisa bibliográfica e observação direta intensiva, por meio de uma entrevista. Resultados/Conclusões A apicultura brasileira forma uma cadeia produtiva composta por mais de 350 mil apicultores e uma centena de unidades de processamento de mel, que juntos empregam, temporária ou permanentemente, quase 500 mil pessoas. Em 2009, este setor foi responsável pela produção de 50 mil toneladas de mel, sendo que 26 mil toneladas foram exportadas, atraindo divisas de mais de US$ 66 milhões. Como a produção de mel dos países desenvolvidos não consegue atender à demanda interna, os países detentores de grandes mercados são os principais importadores: Alemanha e Estados Unidos respondem por pouco menos que 50% do volume total, seguidos por Japão, Reino Unido, França, Itália, Espanha e Arábia Saudita. Mais uma vez, deve-se ressaltar a característica peculiar da Alemanha como importador, pois, mesmo sendo um grande consumidor e também um produtor tradicional, exerce a função de um entreposto comercial, fracionando e revendendo para a Europa cerca de 25% do mel adquirido a granel de outros países. O setor de apicultura brasileiro sofreu um embargo por parte da União Européia em março de 2006, sob a alegação de que o País não teria equivalência com o bloco no que se referia às diretivas para controle de resíduos e qualidade do produto, período em que os Estados Unidos tornou-se o principal importador do mel brasileiro. O fim do embargo deu-se em março de 2008. Assim, a Alemanha voltou a ser o principal parceiro comercial do setor na Europa. Hoje, Estados Unidos e Alemanha são os principais compradores do mel brasileiro. Diante de um mercado interno relativamente pequeno - se compararmos o consumo de um brasileiro (60g/ano) ao de um alemão (960g/ano) e um estadunidense (910g/ano) - nos últimos anos os processadores se voltaram principalmente para o mercado exportador, aproveitando um período de barreiras comerciais e fitossanitárias impostas à China e à Argentina, e à sazonalidade na produção de mel nestes países, o que não ocorre no Brasil com a mesma intensidade. A demanda global por mel é ligeiramente maior nos países desenvolvidos do que nos países em desenvolvimento, 55% versus 45% do volume produzido respectivamente. Um dos sérios problemas para o agronegócio brasileiro é a falta de assistência técnica e extensão rural para os pequenos produtores. Os serviços existentes, além de não serem acessíveis para os pequenos produtores, também não oferecem serviços adequados. Sendo assim, o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) vem de contribuindo para a superação desta deficiência na oferta de serviços de assistência técnica e extensão rural. Apesar de grande parcela da produção estar concentrada nos estados do Nordeste e do Sul, a maior parte da exportação se dá por São Paulo, cujos processadores locais se organizaram rapidamente para comprar mel de outros estados, principalmente cooperativas e associações e aproveitar oportunidades no mercado externo. O preço médio de exportação hoje é de US$2,88/kg, variando por estado e país importador. O Canadá chegou a pagar US$3,30/kg em julho de 2010. O país produz naturalmente o mel orgânico, ecológico e a genética da abelha utilizada influi muito nisso. As abelhas brasileiras são rústicas, africanizadas, dispensam o uso de antibióticos, de acaricidas (pesticidas utilizados no extermínio de ácaros) e outros contaminantes que afetam a qualidade do mel com a presença de resíduos. Então, no Brasil não existe esse tipo de prática. O Brasil tem uma situação única no mundo, que é produzir mel sem o uso de medicamentos, o que propicia um incremento no preço/kg. Com ações de capacitação, com troca de rainhas, trocas de ceras, com alimentação nos períodos de escassez, com inclusão de proteínas, xaropes, teremos inúmeras possibilidades de incrementar essa produção. O Brasil é um
  • 9. país continental, produz méis de todos os sabores, de todas as cores. Todos os dias do ano alguém produz mel no Brasil, não há entressafra no país, diferentemente de outros países como Uruguai e Argentina, onde a produção é sazonal. Atendemos todas as demandas. O Brasil tem desde o mel branco ao mel escuro. Temos também o mel âmbar. Uma conjugação de esforços, entre os apicultores, Sebrae, Fundação Banco do Brasil, Secretarias de Agricultura pode melhorar muito este quadro, pois ainda estamos muito distantes da nossa capacidade, pois exploramos apenas 17% da nossa potencialidade em produção de mel. O Brasil, hoje, é o 11º país em produção de mel no mundo, com 50 mil toneladas/ano. Se usarmos toda a potencialidade poderá haver incremento de 200 mil toneladas de mel. Um cadastro no sistema é obrigatório para visualizar os documentos. Clique aqui para criar um cadastro. 16/07/2013 Entendendo um poco mais sobre exportação de mel Este artigo já é um pouco antigo mais ainda retrata bem a exportação brasileira de mel (todos créditos do autor) Em mercados emergentes é comum que as empresas levem algum tempo para avaliar corretamente sua força competitiva vis à vis os concorrentes locais e externos. No Brasil por exemplo, há quem acredite ser possível interferir na formação dos preços internacionais do mel que tem a China e a Argentina como maiores produtores e exportadores. No entanto, o país está aquém desta possibilidade haja vista a pequena escala de produção ainda vigente, cerca de 30 mil toneladas, das quais em 2006 apenas 15 mil devem ser exportadas. Devido ao embargo do produto brasileiro na União Européia desde março de 2006, os EUA vêm sendo o único destino para as exportações de mel brasileiro que representa menos de 10% da pauta global de importações do produto nesse país. Somente de Janeiro a Outubro de 2006, os EUA já haviam importado 103 mil toneladas de mel, sendo o Brasil responsável por 8 mil (8%). No mesmo período, a China exportou 28 mil toneladas (27%) e a Argentina 24 mil toneladas (23%). Mesmo países como Índia (10 mil toneladas) e Vietnam (12 mil toneladas) têm apresentado desempenhos no mercado norte- americano melhores do que o do Brasil nos últimos dois anos. Como pensar, nesse contexto, que podemos agir neste ou naquele sentido em relação aos preços ? Mesmo considerando o mercado europeu (basicamente Alemanha, Reino Unido e Espanha), a importância relativa do mel brasileiro é pequena, excetuando-se nichos específicos cujos mercados ainda são incipientes como o segmento de mel orgânico por exemplo. Na verdade, os preços internacionais do mel são formados pela clássica dinâmica das forças de oferta e
  • 10. demanda, considerando-se um número pequeno de grandes compradores nos EUA, Alemanha, Reino Unido e Espanha que estabelecem seus target prices a cada semana ou mês. Não existe, como alguns crêem, uma conspiração internacional ou qualquer coordenação de ações entre os grandes compradores com o objetivo de manipular preços. Se fosse assim o mercado operaria num cenário de relativa estabilidade com preços flutuando em níveis adequados ao apetite dos grandes compradores. Ao contrário, a realidade é que o mercado internacional de mel é extremamente volátil e suscetível a choques externos geralmente de natureza regulatória ou física como ocorreu em 2006 : o embargo europeu ao mel brasileiro, a quebra da safra chinesa e a revisão da política de recolhimento dos impostos anti-dumping nos EUA. Os grandes compradores sofrem a pressão competitiva em seus respectivos mercados - por exemplo a recente e anunciada redução de preços de varejo do mel na Alemanha pela rede Audi - e repassam essa pressão para seus fornecedores em todo o mundo. Esta pressão competitiva pode tanto reduzir os preços como aumentá-los como ocorreu de forma aguda em 2002 quando o mel chinês foi banido do mercado europeu. Cada fornecedor, isoladamente, trabalha com uma perspectiva de mercado formada a partir de suas interações com outros agentes (clientes, fornecedores, brokers, concorrentes, especialistas, etc) e então define sua conduta e realiza (ou não) contratos para entrega futura aos preços desejados pelos compradores. É óbvio que em situações atípicas as forças podem se inverter em termos de preferência da decisão : quando o mercado operou em alta explosiva durante a crise chinesa, eram os vendedores que escolhiam para quem iriam vender seus méis, mas vale dizer que esta escolha baseava-se muito mais no histórico do relacionamento comercial com cada comprador do que em um diferencial de preço pois mesmo naquele cenário especulativo os preços convergiam para um mesmo nível nos EUA e na UE. Vale notar que há nuances nas negociações que nem sempre são claramente entendidas mas que no fundo corroboram esta tese. Por exemplo, é sabido que o mercado europeu tem conseguido pagar um prêmio em relação aos concorrentes norte-americanos devido à persistente valorização do euro frente a dólar nos últimos anos. Ao mesmo tempo sabe-se que os europeus são muito exigentes em relação ao teor de HMF dos méis e que nos EUA tal especificação geralmente nem consta dos contratos. O maior risco de ter que aceitar descontos e multas contratuais devido à discrepância entre o teor de HMF contratado e o efetivamente recebido pelo comprador europeu, compensa o menor preço em dólar geralmente pago pelos compradores norte-americanos, fazendo com que o preço técnico do mel convirja para um mesmo nível entre os dois blocos. Vale lembrar que o teor de HMF é suscetível à temperatura ambiente e que mesmo tendo sido exportado um produto totalmente dentro das especificações contratuais ele pode subir durante o trânsito até o destino, o que levou alguns exportadores brasileiros à situação extrema de utilizarem contêineres refrigerados para o embarque de méis para a Alemanha em 2005 e 2006. Não é o caso do Brasil, mas em países aonde há presença de resíduos de antibióticos nos méis, prevalece o mesmo raciocínio pois as faixas de tolerância e abrangência de restrições são muito maiores na U.E do que nos EUA. O mercado internacional de mel é portanto um sistema cujos participantes têm estratégias não cooperativas e cujo número de compradores é pequeno e o número de vendedores, grande. Pode-se estimar que apenas 20 empresas sejam responsáveis por quase 80% das compras de mel nos dois principais mercados (EUA e UE). Por isso podemos dizer que o mercado internacional de mel é na verdade um oligopsônio. A tendência é que, ao longo do tempo, o número de compradores se reduza através de fusões e incorporações e que o número de
  • 11. vendedores se amplie devido à profusão da atividade apícola como alternativa de geração de renda sustentável nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Há duas grandes chaves para um melhor entendimento do mecanismo de formação de preços do mel no mercado internacional : o pequeno número de formadores primários de preços e a defasagem temporal que existe entre a contratação dos embarques e a efetiva compra, processamento e entrega do produto. Tanto nos EUA como na Europa a maior parte do mel comercializado a cada ano é direcionada para as grandes cadeias de supermercado. Como se sabe, em cada país 4 ou 5 grandes grupos de varejo representam 70% ou mais das vendas do mercado. Assim, na verdade tudo começa na mesa de compras de 4 ou 5 empresas que concorrem entre si. Esses poucos grupos varejistas compram dos envasadores (packers). Nos EUA por exemplo, há apenas cerca de 20 packers importantes que concorrem entre si mas que devem operar com margens e custos compatíveis com os preços desejados pelas poucas redes de varejo. Esses 20 packers compram mel dos apicultores e cooperativas americanas e também dos poucos importadores atuantes no mercado os quais devem operar com margens e custos compatíveis com os preços desejados pelos packers. Em poucos casos os packers importam diretamente de outros países. Além do varejo há também o mel consumido pela indústria de alimentos, bebidas, tabaco, cosméticos, fitoterápicos, etc. Mas também nesse caso o número de empresas com consumo importante de mel é concentrado em poucas megacorporações. Portanto seja no segmento de varejo seja no industrial o número de formadores primários de preços é pequeno tanto na Europa como nos EUA. Esses formadores primários de preço estabelecem suas políticas e contratos e assim o preço do produto é definido ao longo da cadeia. Como sabemos os preços do mel nos supermercados na Europa e nos EUA é relativamente estável em períodos de até 12 meses. O mesmo ocorre na indústria que contrata os volumes a serem empregados em seus processos produtivos com antecedência e preços geralmente pré-fixados por faixas máximas de variação. Portanto, num horizonte de tempo de, digamos, um ano, o preço do mel do segmento primário (varejo e indústria) é relativamente fixo. Por que então as cotações internacionais do mel são tão voláteis ao longo de um ano ? É a oferta mundial de mel que regulará o processo de altas e baixas das cotações. O consumo mundial de mel é pouco elástico ao preço, o que significa dizer que uma variação no preço do produto não acarreta uma variação proporcional no volume consumido. Por exemplo, uma família americana não dobrará o consumo de mel em um ano caso o preço caia 50%. Da mesma forma, a Nestlé ou a Sara Lee não dobrarão o uso de mel por causa da queda de 50% no preço do mel pois suas fórmulas são constantes para cada linha de produto (que não terão sua procura alterada pela queda do preço de um de seus ingredientes). Simplificando, os packers sabem a cada ano mais ou menos quanto de mel precisarão comprar e processar para entregar para a indústria e para o varejo numa determinada faixa de preços. É para cumprir os contratos com seus clientes que eles (e por conseqüência os importadores) atuarão no mercado e, conforme a disponibilidade de produto (oferta), os preços subirão ou cairão a cada instante do tempo. É o pequeno número de formadores primários de preços nos principais países compradores que explica o porque os preços do mel convergem para o mesmo nível num determinado instante de tempo. Tanto os packers, como os outros elos da cadeia a partir deles convivem com um grande problema : os méis contratados no mercado primário muitas vezes ainda nem existe ! Ou seja há uma defasagem de tempo entre a contratação do mel e sua efetiva disponibilização para venda e entrega. Ora, todos sabemos que as safras de mel nos vários países produtores dependem de diversos fatores como condições climáticas, pragas e doenças
  • 12. nas colméias, número de apicultores, tecnologia empregada, etc. A cada ano tais variáveis mudam, bem como surgem outras até então desconhecidas. Não raro um exportador de mel tem que negociar um contrato para entrega em 3 ou 4 meses. Como saber se o custo será compatível com o preço de venda já definido ? Como saber se a taxa de câmbio utilizada para o cálculo do custo em dólar será válida para daqui a 3 ou 4 meses ? É impossível saber, e é justamente por isso que a atividade de exportação de mel requer uma gestão baseada na rentabilidade média e não na rentabilidade absoluta. É assim que os packers analisam seus resultados ano a ano : pela média. É possível que haja períodos em que todas as operações sejam lucrativas tanto para os packers como para os demais elos da cadeia, mas essa - infelizmente - não é a regra. Às vezes é necessário entregar uma mercadoria com prejuízo, simplesmente para cumprir um contrato. Esses prejuízos eventuais devem fazer parte do plano tático de qualquer empresa que faça parte dessa cadeia e advém do fato de não sabermos o custo em dólar do produto no futuro com antecedência. É por esta razão que a atividade de exportação de mel é, regra geral, incompatível com uma pequena escala de produção. O mundo está globalizado e não faz sentido se prever ou estimar preços com base na expectativa de safra de mel em países isolados. O fato de se estimar uma super safra no Brasil por exemplo não terá impacto nas cotações se ao mesmo tempo houver uma quebra de safra na Argentina ou no Vietnam. É a oferta global que conta e é por esta razão que não temos, isoladamente, a capacidade de impactar a curva de preços do mel no mercado internacional. *************** Elaborado por John Laurino, john@laurino-lopez.com.br Dezembro de 2006.