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OBSCÍDIO –
a Obsessão e o Suicídio
ii
SUMÁRIO
1 A OBSESSÃO – Sob a perspectiva da Doutrina Espírita 1
1.1 A Obsessão na Sociedade – Um Flagelo Social e Espiritual 1
1.2 A Obsessão – O Que É 4
1.2.1 Domínio/Controle 4
1.2.2 Enfermidade Espiritual 6
1.2.3 Resgate/Provação/Expiação 9
1.3 A Obsessão – Causas Preponderantes 10
1.3.1 Débitos Cármicos 10
1.3.2 Indolência Física/Mental 13
1.3.3 Tendências Negativas 15
1.4 A Obsessão – Profilaxia/Tratamento 17
1.4.1 Autoconscientização 17
1.4.2 Reeducação Mental 19
1.4.3 A Prece/a Meditação 20
1.4.4 Ação Enobrecedora 22
2 O SUICÍDIO – Sob a perspectiva da Doutrina Espírita 24
2.1 Suicídio – E as Leis Espirituais 24
2.2 Suicídio – O que É 26
2.3 Suicídio – Causas Morais/Espirituais 32
2.3.1 Orgulho ferido/Perdas 33
2.3.2 Falta de Fé / Materialismo / Visão da Morte 35
2.3.3 Visão distorcida da Morte 39
2.3.4 Tendências Reincidentes 41
2.3.5 A Obsessão 44
2.3.6 Desordens Depressivas 47
2.3.7 Tédio da Vida 50
2.3.8 Conflitos Familiares 52
2.3.9 Isolamento Social/Solidão 54
3 O SUICÍDIO E A OBSESSÃO 56
3.1 O Suicídio por processo Obsessivo 56
3.1.1 Considerações Gerais 56
3.1.2 Profilaxia – Diretrizes Gerais 62
3.2 O Suicídio por processo Obsessivo – Infanto-Juvenil 64
3.2.1 Características Gerais 64
3.2.2 O Processo Obsessivo 67
3.2.3 Sinais de Alerta/Fatores de Risco/Prevenção – Diretrizes 70
3.2.3.1. Sinais de Alerta 70
3.2.3.2. Fatores de Risco 72
3.2.3.3. Prevenção 74
iii
3.3 O Suicídio por processo Obsessivo - Na Terceira Idade 77
3.3.1 Características Gerais 77
3.3.2 O Processo Obsessivo 80
3.3.3 Sinais de Alerta/Fatores de Risco/Prevenção – Diretrizes 93
3.2.3.1. Sinais de Alerta 93
3.2.3.2. Fatores de Risco 94
3.2.3.3. Prevenção 96
3.4 O Suicídio por processo Obsessivo – Especiais 98
3.4.1 Por implantação Perispiritual 98
3.4.2 Por Hipnose profunda 100
3.4.3 Por Envolvimento Sutil 105
3.5 O “Homicídio Espiritual” por processo Obsessivo 111
3.6 O Suicídio por processo Obsessivo – Depoimentos 116
3.6.1 Infanto-juvenil 116
3.6.2 Adulto/Terceira Idade 201
4 REFERÊNCIAS 288
iv
LISTA DE DEPOIMENTOS
Depoimentos de 1 à 22: Jovens
Depoimentos de 23 à 40: Adultos/Terceira Idade
DEPOIMENTO 1 Hilda .................................................................................................................... 118
DEPOIMENTO 2 Fernanda Luiza Batista........................................................................................ 121
DEPOIMENTO 3 H .......................................................................................................................... 124
DEPOIMENTO 4 Antônio Carlos Martins Coutinho ....................................................................... 129
DEPOIMENTO 5 Cláudia Pinheiro Galasse..................................................................................... 131
DEPOIMENTO 6 Francisco Adonias Nogueira Filho...................................................................... 133
DEPOIMENTO 7 José Teodoro Caldeira ......................................................................................... 135
DEPOIMENTO 8 Júlio César C. da Silveira .................................................................................... 138
DEPOIMENTO 9 Lincoln Prata Lóes............................................................................................... 142
DEPOIMENTO 10 Marcos Emanuel Teixeira Santos...................................................................... 144
DEPOIMENTO 11 Milton Higino de Oliveira ................................................................................. 147
DEPOIMENTO 12 Renata Zaccaro de Queiroz................................................................................ 154
DEPOIMENTO 13 Selma Rodrigues Sanches.................................................................................. 157
DEPOIMENTO 14 Lucia Ferreira .................................................................................................... 160
DEPOIMENTO 15 Wladimir Cesar Ranieri..................................................................................... 163
DEPOIMENTO 16 Décio Márcio Carvalho ..................................................................................... 166
DEPOIMENTO 17 Dimas Luiz Zornetta.......................................................................................... 170
DEPOIMENTO 18 João Alves de Sousa .......................................................................................... 173
DEPOIMENTO 19 Pedro Augusto Souza Gonçalves....................................................................... 176
DEPOIMENTO 20 Maximiliano....................................................................................................... 180
DEPOIMENTO 21 Francisco Ângelo de Souza ............................................................................... 184
DEPOIMENTO 22 Marcio Ricardo.................................................................................................. 186
v
DEPOIMENTO 23 Camilo Castelo Branco...................................................................................... 202
DEPOIMENTO 24 Marilyn Monroe................................................................................................. 207
DEPOIMENTO 25 Amílcar Rodrigues Passos................................................................................. 213
DEPOIMENTO 26 Anônima ............................................................................................................ 217
DEPOIMENTO 27 Maria Cândida ................................................................................................... 222
DEPOIMENTO 28 Antero de Quental.............................................................................................. 225
DEPOIMENTO 29 Hermes Fontes................................................................................................... 235
DEPOIMENTO 30 Francisca Júlia da Silva ..................................................................................... 238
DEPOIMENTO 31 Jorge................................................................................................................... 240
DEPOIMENTO 32 Lima................................................................................................................... 248
DEPOIMENTO 33 Luís Alves.......................................................................................................... 252
DEPOIMENTO 34 Entrevista com um Suicida................................................................................ 255
DEPOIMENTO 35 Suicida da Samaritana ....................................................................................... 260
DEPOIMENTO 36 Alfred Leroy ...................................................................................................... 263
DEPOIMENTO 37 Luís Fernando Botelho de Moraes Toledo ........................................................ 268
DEPOIMENTO 38 Raul Martins ...................................................................................................... 271
DEPOIMENTO 39 Joaquim Mousinho d'Albuquerque.................................................................... 273
DEPOIMENTO 40 Roberto Eduardo................................................................................................ 281
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
1
1 A OBSESSÃO – Sob a perspectiva da Doutrina Espírita
1.1 A Obsessão na Sociedade – Um Flagelo Social e Espiritual
A obsessão, mesmo nos dias de hoje, constitui tormentoso flagício social.
Está presente em toda parte, convidando o homem a sérios estudos.
As grandes conquistas contemporâneas não conseguiram ainda erradicá-la.
Ignorada propositadamente pela chamada Ciência Oficial, prossegue
colhendo nas suas malhas, diariamente, verdadeiras legiões de incautos que se
deixam arrastar a resvaladouros sombrios e truanescos, nos quais padecem
irremissivelmente, até à desencarnação lamentável, continuando, não raro,
mesmo após o traspasse...
Isto, porque a morte continua triunfando, ignorada, qual ponto de
interrogação cruel para muitas mentes e incontáveis corações.
As obsessões enxameiam por toda parte e os homens terminam por
conviver, infelizes, com essas psicopatologias para as quais, fugindo à sua
realidade, procuram as causas nos traumas, nos complexos, nos conflitos, nas
pressões sociais, familiares e econômicas, como mecanismo de fuga aos exames de
profundidade da gênese real de tão devastadora enfermidade.
Não negando a preponderância de todos esses fatores que desencadeiam
problemas de comportamento psicológico, afirmamos que eles, antes de
constituírem causa dos distúrbios, são, em si mesmos, efeito de atitudes transatas,
que o Espírito imprime na organização fisiopsíquica ao reencarnar-se,
porquanto é sempre colocado no grupo familiar com o qual se encontra enredado,
por impositivo de ressarcimento de dívidas, para o equilíbrio evolutivo.
Enquanto o homem não for estudado na sua realidade profunda -- ser
espiritual que é, preexistente ao corpo e a ele sobrevivente --, muito difíceis serão
os êxitos da ciência médica, na área da saúde mental.
As doenças psíquicas, entre as quais se destacam, pela alta incidência, as
obsessões, continuarão ainda a perseguir o homem.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 26 –
Fenômenos Obsessivos
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
2
Ainda que no momento estejamos passando por um período de transição
planetária, no qual já se percebe fortes sinais indicativos de mudanças evolutivas
na humanidade terráquea, cujo planeta caminha para o estado de regeneração, a
Terra ainda é categorizada como mundo de expiação e provas, visto que o mal
predomina.
Neste sentido, a obsessão está caracterizada como epidemia antiga,
ocorrendo desde os tempos imemoriais, que alcança milhares e milhares de
pessoas em todas as partes da Terra.
É uma enfermidade que, para ser erradicada, necessita da melhoria humana,
especialmente a de cunho moral.
O ser humano moralizado ou que se empenha em se transformar em pessoa
de bem, neutraliza naturalmente as investidas dos Espíritos maus.
Marta Antunes de Moura – Site FEB – Obsessões Espirituais –
2018/03/08
Epidemia virulenta que grassa ininterruptamente a obsessão prolifera
na atualidade com vigoroso impacto que faz recordar as calamidades pestilenciais
de épocas transatas.
Apresenta-se sob disfarce de variada configuração, concitando psicólogos e
teólogos, filósofos e sociólogos interessados nos magnos assuntos do homem e da
coletividade ao estudo das suas causas, com o objetivo de combatê-la com a
eficiência necessária para estancar, em definitivo, a onda de sofrimentos que
produz, erradicando-a terminantemente ...
A Doutrina que estuda as obsessões, as suas causas preponderantes e
predisponentes – o Espiritismo –, possui os recursos excepcionais capazes de
vencer essa epidemia cruel que, generalizada, invade hoje a Terra em todos os
seus pontos.
Eurípedes Barsanulfo – Sementes de Vida Eterna – Cap. 50 – Tormentos da
Obsessão
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
3
Pululam por toda parte os vinculados gravemente às Entidades
perturbadoras do Mundo Espiritual inferior.
Obsidiados, desse modo, sim, somos quase todos nós, em demorado
trânsito pelas faixas das fixações tormentosas do passado, donde vimos para as
sintonias superiores que buscamos.
Muito maior, portanto, do que se supõe, é o número dos que padecem
de obsessões, na Terra.
Lamentavelmente, esse grande flagelo espiritual que se abate sobre os
homens, e não apenas sobre eles, já que existem problemas obsessivos de várias
expressões, como os de um encarnado sobre outro, de um desencarnado sobre outro,
de um encarnado sobre um desencarnado e, genericamente, deste sobre aquele, não
tem merecido dos cientistas nem dos religiosos o cuidado, o estudo, o tratamento
que exige.
Obsessões e obsidiados são as grandes chagas morais dos tumultuados
dias da atualidade.
Todavia, a Doutrina Espírita, trazendo de volta a mensagem do Senhor, em
espírito e verdade, é o portal de luz por onde todos transitaremos no rumo da
felicidade real que nos aguarda, quando desejemos alcançá-la.
Manoel Philomeno de Miranda – Sementes de Vida Eterna – Cap. 30 –
Considerando a Obsessão
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
4
1.2 A Obsessão – O Que É
1.2.1 Domínio/Controle
A obsessão é a ação persistente que o Espírito “ignorante” exerce sobre
um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência
moral, sem perceptíveis sinais exteriores até a perturbação completa do organismo
e das faculdades mentais”.
Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 28 – item 81 – Pelos
Obsidiados
A obsessão consiste no domínio que os maus Espíritos assumem sobre
certas pessoas, com o objetivo de as escravizar e submeter à vontade deles, pelo
prazer que experimentam em fazer o mal.
Quando um Espírito, bom ou mau, quer atuar sobre um indivíduo, envolve-
o, por assim dizer, no seu perispírito, como se fora um manto. Interpenetrando-se
os fluidos, os pensamentos e as vontades dos dois se confundem e o Espírito, então,
se serve do corpo do indivíduo, como se fosse seu, fazendo-o agir à sua vontade,
falar, escrever, desenhar, quais os médiuns.
Allan Kardec – Obras Póstumas – 1º Parte – Cap. 7 – Item 56 – Da Obsessão e
da Posessão
No número das dificuldades que a prática do Espiritismo apresenta é
necessário colocar a da obsessão em primeira linha.
Trata-se do domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas
pessoas.
São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não
exercem nenhum constrangimento.
Os bons aconselham, combatem a influência dos maus, e se não os escutam
preferem retirar-se.
Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegam
a dominar alguém, identificam-se com o Espírito da vítima e a conduzem: como se
faz com uma criança.
Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – Cap. 23 – Item 237 – A Obsessão
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
5
Obsessão é o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas
pessoas. Nunca é praticada senão pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar.
Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a
Obsessão
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
6
1.2.2 Enfermidade Espiritual
A obsessão, sob qualquer modalidade que se apresente, é enfermidade de
longo curso, exigindo terapia especializada de segura aplicação e de resultados que
não se fazem sentir apressadamente.
Transmissão mental de cérebro a cérebro, a obsessão é síndrome
alarmante que denuncia enfermidade grave de erradicação difícil.
Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a
Obsessão
Os atos infelizes, deliberadamente praticados, em razão da força mental
de que necessitam, destroem os tecidos sutis do perispírito, os quais,
ressentindo-se do desconcerto, deixarão matrizes na futura forma física, em que se
manifestarão as deficiências purificadoras.
A queda do tom vibratório específico permitirá, então, que os envolvidos no
fato, no tempo e no espaço, próximos ou não, se vinculem pelo processo de uma
sintonia automática de que não se furtarão.
Estabelecem-se aí as enfermidades de qualquer porte.
Os fatores imunológicos do organismo, padecendo a disritmia vibratória que
os envolve, são vencidos por bactérias, vírus e toda a sorte de micróbios patogênicos
que logo se desenvolvem, dando gênese às doenças físicas.
O médico informou, ainda, que há casos em que a incidência do
pensamento maléfico, aceito pela mente culpada, destrambelha a intimidade da
célula, interferindo no seu núcleo, acelerando a sua reprodução e dando gênese
a neoplasias e cânceres de variadas expressões.
Por sua vez, na área mental, os conflitos, as mágoas, os ódios acerbos, as
ambições tresvariadas e os tormentosos delitos ocultos, quando da reencarnação,
por estarem ínsitos no Espírito endividado, respondem pelas distonias psíquicas e
alienações mais variadas.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
7
Acrescente-se a isso a presença dos cobradores desencarnados, cuja ação
mental encontra perfeito acoplamento na paisagem psicológica daqueles a quem
perseguem, e teremos instalada a constrição obsessiva.
Eis porque é rara a enfermidade que não conte com a presença de um
componente espiritual, quando não seja diretamente o seu efeito.
Corpo e mente refletem a realidade espiritual de cada criatura.
Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Cap. 1 – Provação
Necessária
Esse distúrbio, o da obsessão, difere bastante daqueles de natureza orgânica,
que produzem a idiotia e a loucura.
Em todos esses casos, porém, encontram-se espíritos enfermos, aqueles que
estão reencarnados, endividados perante as Leis Cósmicas, em processos graves
de provações dolorosas ou expiações reeducativas.
Na obsessão, encontra-se atuante um agente espiritual que se faz
responsável pelo transtorno reversível; no entanto, nos casos em que o ser renasce
sob o estigma da idiotia ou chancelado pelos fatores que propiciam a loucura, os
seus débitos e gravames são de tal natureza grave, que imprimiram no corpo o
látego e o presídio necessários para a sua renovação moral.
Desde o momento da reencarnação, a consciência culpada e os sentimentos
em desordem imprimiram nos equipamentos orgânicos e cerebrais as deficiências
de que o endividado tem necessidade para reparar os males anteriormente
praticados, desde quando, portador de inteligência e mesmo de genialidade, delas
se utilizou para a alucinação no prazer exorbitante em prejuízo de grande número
de pessoas outras que lhe experimentaram a crueldade, a intemperança, a
indiferença...
Malbaratado o patrimônio superior que a vida lhe concedeu para multiplicar
os talentos de que dispunha, volta agora ao orbe terrestre para expiar, passando
pelos sítios tormentosos da falta de lucidez e com limitação mental, encarcerado em
equipamentos que são incapazes de lhe permitir a comunicação com o mundo
exterior.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
8
Sitiado em si mesmo, sofre as consequências da hediondez que se permitiu,
padecendo rudes aflições pela impossibilidade de agir com segurança e
desenvoltura.
O corpo, atingido pelos fatores endógenos — hereditariedade, sequelas de
enfermidades infectocontagiosas — de que se revestiu o espírito por sintonia
vibratória no momento da reencarnação, é resultado da utilização de genes com
características deformadas, não havendo possibilidade então de recomposição, de
restauração da saúde mental, de equilíbrio psíquico.
No entanto, resgatando os males ainda preponderantes na sua economia
moral, adquirirá a harmonia que lhe facultará futuros cometimentos felizes,
mediante os quais contribuirá em favor da ordem e do desenvolvimento intelectual,
moral e espiritual de si mesmo, assim como da sociedade.
(...) Quando as obsessões se fazem prolongadas e o paciente não se dispõe
à recuperação ou não a consegue, a incidência continuada dos fluidos deletérios
sobre os neurônios cerebrais termina por produzir afecções e distúrbios de grave
porte que se tornam irrecuperáveis.
Desse modo, as obsessões podem conduzir à loucura, à idiotia, e essas,
por sua vez, serão ampliadas por influências espirituais perniciosas, que são
realizadas pelos adversários do enfermo, que se utilizam da sua incapacidade de
autodefesa para os desforços infelizes, nos quais se comprometem, por sua vez, com
a própria consciência.
Manoel Philomeno de Miranda – Reencontro com a Vida – 1o
Parte – Cap. 5 –
Obsessão, Idiotia e Loucura
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
9
1.2.3 Resgate/Provação/Expiação
Pululam em torno da Terra os maus Espíritos, em consequência da
inferioridade moral de seus habitantes.
A ação malfazeja desses Espíritos é parte integrante dos flagelos com que a
Humanidade se vê a braços neste mundo.
A obsessão, que é um dos efeitos de semelhante ação, como as
enfermidades e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como
provação ou expiação e aceita com esse caráter.
Allan Kardec – A Gênese – Cap. 14 – Obsessões e Possessões
Em toda obsessão, mesmo nos casos mais simples, o encarnado conduz
em si mesmo os fatores predisponentes e preponderantes – os débitos morais a
resgatar – que facultam a alienação.
Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a
Obsessão
Desse modo, as obsessões, na sua fase inicial, antes da tragédia da
subjugação, de mais difícil reequilíbrio, têm caráter Provacional, enquanto que a
idiotia e a loucura estão incursas nas expiações redentoras, através das quais o
espírito calceta desperta para a compreensão dos valores da vida, enriquecendo-se
de sabedoria para os futuros comportamentos.
Assim mesmo, nos casos dessa ordem, a contribuição psicoterapêutica do
Espiritismo através da bioenergia, da água fluidificada, da doutrinação do paciente
e dos espíritos que, possivelmente, estarão complicando-lhe o processo de
desequilíbrio, a oração fraternal e intercessória são de inequívoco resultado
saudável, proporcionando o bem-estar possível e a diminuição de sofrimento do
paciente, a ambos encaminhando para a paz e a futura plenitude.
Manoel Philomeno de Miranda – Reencontro com a Vida – 1o
Parte – Cap. 5 –
Obsessão, Idiotia e Loucura
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
10
1.3 A Obsessão – Causas Preponderantes
A Doutrina que estuda as obsessões, as suas causas preponderantes e
predisponentes – o Espiritismo –, possui os recursos excepcionais capazes de
vencer essa epidemia cruel que, generalizada, invade hoje a Terra em todos os seus
pontos.
Eurípedes Barsanulfo – Sementes de Vida Eterna – Cap. 50 – Tormentos da
Obsessão
1.3.1 Débitos Cármicos
Com origem nos refolhos do espírito encarnado, obsessões há em escala
infinita e, consequentemente, obsidiados existem em infinita variedade, sendo a
etiopatogenia de tais desequilíbrios, genericamente denominada distúrbios mentais,
mais ampla do que a clássica apresentada, merecendo destaque aquela
denominação causa cármica.
Jornaleiro da Eternidade, o espírito conduz os germens cármicos que
facultam o convívio com os desafetos do pretérito, ensejando a comunhão nefasta.
Inicialmente o hospede espiritual (o obsessor), movido pela morbidez do
ódio ou do amor insano, ou por outros sentimentos, envolve a casa mental do
futuro parceiro (o obsedado) – a quem se encontra vinculado por compromissos
infelizes de outras vidas, o que lhe confere receptividade por parte deste,
mediante a consciência da culpa, o arrependimento desequilibrante, a afinidade nos
gostos e aspirações, por ser endividado – enviando-lhe mensagens persistentes, em
continuas tentativas telepáticas, até que sejam captadas as primeiras induções, que
abrirão o campo a incursões mais ousadas e vigorosas.
Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a
Obsessão
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
11
Neste capítulo, o das culpas, origina-se o fator causal para a injunção
obsessiva; daí porque só existem obsidiados porque há dívidas a resgatar.
A culpa, consciente ou inconscientemente instalada na casa mental, emite
ondas que sintonizam com inteligências doentias, habilitando-se a in-
tercâmbios mórbidos.
A obsessão resulta de um conúbio por afinidade de ambos os parceiros.
O reflexo de uma ação gera reflexo equivalente.
Toda vez que uma atitude agride, recebe uma resposta de violência, tanto
quanto, se o endividado se apresenta forrado de sadias intenções para o
ressarcimento do débito, encontra benevolência e compreensão para recuperar-se.
Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Prefácio
Há muito mais obsessão, grassando na terra, do que se imagina e se crê.
Nos processos obsessivos, não deixemos de repeti-lo, estão incursas na Lei
as pessoas que constituem o grupo familiar e social do paciente, aí situado por
necessidade evolutiva e de resgate para todos.
Não se podem fugir à responsabilidade os que foram cúmplices ou co-
autores dos delitos, quando os infratores mais comprometidos são alcançados pela
justiça.
Reunidos pelo parentesco sanguíneo ou através de conjunturas da
afetividade, da afinidade, formam os grupos onde são alcançados pelos recursos
reeducativos, dentro dos objetivos do progresso.
A cruz da obsessão é peso que tomba sempre sobre os ombros das
consciências comprometidas.
Manoel Philomeno de Miranda – Nas Fronteiras da Loucura – Cap. Análise
das Obsessões
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
12
A consciência culpada é sempre porta aberta à invasão da penalidade
justa ou arbitrária. E o remorso, que lhe constitui dura clave, faculta o surgimento
de idéias-fantasmas apavorantes que ensejam os processos obsessivos de resgate
das dívidas.
Invariavelmente, na obsessão, há sempre o aproveitamento da ideia
traumatizante – a presença do crime praticado –, que é utilizada pela mente que
se fez perseguidora revel, apressando o desdobramento das forças deprimentes em
latência, no devedor, as quais, desgovernadas, gravitam em torno de quem as
elabora, sendo consumido por elas mesmas, paulatinamente.
As idéias plasmadas e aceitas pelo cérebro, durante a jornada física, criam
nos painéis delicados do perispírito as imagens mais vitalizadas, de que se utilizam
os hipnotizadores espirituais para recompor o quadro apavorante, em cujas
malhas o imprevidente se vê colhido, derrapando para o desequilíbrio psíquico total
e deixando-se revestir por formas animalescas grotescas – que já se encontram
no subconsciente da própria vítima – e que estrugem, infelizes, como o látego da
justiça no necessitado de corretivo.
Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Cap. 4 –
Estudando o Hipnotismo
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
13
1.3.2 Indolência Física/Mental
Os indivíduos tornam-se presas fáceis dos seus antigos comparsas,
tombando nos processos variados de alienações obsessivas, porque, além de se
descurarem da observância espiritual da existência, mediante atitudes salutares,
comportamento equilibrado e vida mental enriquecida pela prece, pela reflexão,
não se esforçam por libertar-se dos aborrecimentos e problemas desgastantes
do dia a dia, mediante a aplicação dos recursos físicos e especialmente os
mentais, por acomodação preguiçosa ou por uma dependência emotiva, infantil,
que sempre transfere responsabilidades para os outros e prazeres para si.
A preguiça mental é um polo de captação das induções obsessivas pelo
princípio de aceitação irracional de tudo quanto a atinge.
Cabe ao homem que pensa dar plasticidade ao raciocínio, ampliando o
campo das idéias e renovando-as com o aprimoramento da possibilidade de
absorver os elementos salutares que o enriquecem de sabedoria e de paz íntima.
Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a
Obsessão
Mentes viciadas com mais facilidade aceitam as sugestões morbíficas
que lhes são insufladas dentro do campo em que melhor se expressam:
desconfiança, ciúme, ódio, desvario sexual, dependência alcoólica ou toxicômana,
gula, maledicência...
Temperamentos arredios, suspeitosos, são mais acessíveis em razão de
melhor agasalharem as induções equivalentes, que se lhes associam em forma de
perfeita sintonia.
Caracteres violentos, apaixonados, mais fortemente se fazem maleáveis em
decorrência do espírito rebelde que nesse corpo habita, dissimulando as chispas que
lhes acendem as labaredas do incêndio interior, a exteriorizar-se como fogareis
destruidores...
Personalidades ociosas são mais susceptíveis em razão da mente vazia
sempre acolher o que lhe apraz, deixando-se conduzir pela personalidade dos seus
afins desencarnados.
Joanna de Ângelis – Alerta – Cap. 4 – Obsessão e Jesus
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
14
Mentes em vigorosas emissões conscientes ou não dardejam em todas as
direções.
Inapelavelmente, por um processo de sintonia na mesma faixa de frequência
de interesses, produzem intercâmbio salutar ou danoso, em processo de transmissão
e de recepção.
Se te elevas pelo pensamento, alcanças vibrações nobres; se te perturbas
e vulgarizas, registas as mais grosseiras.
Joanna de Angelis – Rumos Libertadores – Cap. 43 – Médiuns
Conscientes
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
15
1.3.3 Tendências Negativas
Os espíritos perversos e infelizes sempre se utilizam das tendências
negativas daqueles a quem odeiam, para estimulá-las, desse modo levando-os
às situações penosas, perturbadoras. Se o homem se apoia nos recursos de
elevação, difícil se torna para os seus verdugos espirituais encontrar as brechas
pelas quais infiltram os seus pensamentos torpes, na sanha da perseguição em que
se comprazem.
Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Cap. 7 – Sementes da
Insensatez
Na Terra, igualmente, é muito grande o número de encarnados que se
convertem, por irresponsabilidade e invigilância, em obsessores de outros
encarnados, estabelecendo um consórcio de difícil erradicação e prolongada
duração, quase sempre em forma de vampirismo inconsciente e pertinaz.
São criaturas atormentadas, feridas nos seus anseios, invariavelmente
inferiores que, fixando aqueles que elegem gratuitamente como desafetos, os
perseguem em corpo astral, através dos processos de desdobramento
inconsciente, prendendo, muitas vezes, nas malhas bem urdidas da sua rede de
idiossincrasia, esses desassisados morais, que, então, se transformam em vítimas
portadoras de enfermidades complicadas e de origem clínica ignorada...
Outros, ainda, afervorados a esta ou àquela iniquidade, fixam-se,
mentalmente, a desencarnados que efetivamente se identificam e fazem-se
obsessores destes, amargurando-os e retendo-os às lembranças da vida física, em
lamentável comunhão espiritual degradante...
Além dessas formas diversificadas de obsessão, outras há, inconscientes ou
não, entre as quais, aquelas produzidas em nome do amor tiranizante aos que
se demoram nos invólucros carnais, atormentados por aqueles que partiram em
estado doloroso de perturbação e egocentrismo... ou entre encarnados que mantém
conúbio mental infeliz e demorado...
Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a
Obsessão
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
16
Todo desregramento ou abuso de que sejamos dispenseiros se faz utilizado
por mentes vigilantes e perversas do Mundo Espiritual, que açulam falsas
necessidades, estabelecendo comércio lamentável e doloroso, em cujo curso
surgem obsessões de consequências imprevisíveis, que se podem evitar antes, se
refugiados no uso correto das faculdades da existência e na utilização da oração,
forem aplicadas as horas na execução do programa de enobrecimento íntimo para o
qual nascemos e renascemos.
Marco Prisco – Sementeira da Fraternidade – Cap. 28 – Acessos à
Obsessão
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
17
1.4 A Obsessão – Profilaxia/Tratamento
1.4.1 Autoconscientização
Portanto na terapia desobsessiva, o contributo do enfermo, tão logo
raciocine e entenda a assistência que se lhe ministra, é de vital importância,
porquanto, serão os seus pensamentos e atos que responderão pela sua
transformação moral para melhor. A evangelização do espírito desencarnado é de
suma importância, mas, igualmente, a da criatura humana que se emaranhou na
delinquência e ainda não se recuperou do delito praticado.
No campo das obsessões, não são poucos aqueles que, logo se melhoram,
abandonam as disposições de trabalho e progresso, para correrem precipites, de
retorno aos hábitos vulgares em que antes se compraziam...
É comum fazer-se o compromisso íntimo de renovação e trabalho, enquanto
perdura a doença, negociando-se com Deus a saúde que se deseja pelo que se
promete realizar, como se a pratica das virtudes do bem fosse útil ao Pai e não dever
de todos nós, que nos beneficia e felicita.
Em particular àqueles que frequentam as Instituições espíritas, portando
obsessões e não se recuperam, merece que se tenha em mente o fato de que a visão
do medicamento não propícia a saúde, senão a ingestão dele e a posterior dieta
conforme convém. A crença racional e o conhecimento são fatores muito
poderosos, quando o indivíduo que se habilita aos mesmos esta honestamente
resolvido a vivê-los.
Saber, apenas, não representa recurso de imunização, se aquele que
conhece não se resolve por aplicar, na vivência, as informações que possui.
Demais, nem todos os males devem ser solucionados conforme a óptica de
quem os padece, mas de acordo com os superiores programas que estabelecem
o que é melhor para a criatura.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
18
A função do Espiritismo é essencialmente a de iluminação da
consciência com a conseqüente orientação do comportamento, armando o seu
aprendiz com os recursos que o capacitem a vencer-se, superando as paixões
selvagens e sublimando as tendências inferiores mediante cujo procedimento se
eleva.
Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Cap. 24 – Obsessão
Sutil e Perigosa
Em qualquer problema de desobsessão, a parte mais importante e difícil
pertence ao paciente, que afinal de contas é o endividado.
A este compete o difícil recurso da insistência no bem, perseverando no
dever e fugindo a qualquer custo aos velhos cultos do "eu" enfermo, aos hábitos
infelizes, mediante os quais volta a sintonizar com os seus perseguidores que,
embora momentaneamente afastados, não estão convencidos da necessidade de os
libertar.
Oração, portanto, mas vigilância, também, conforme a recomendação
de Jesus. A prece oferece o tônico da resistência, e a vigilância o vigor da
dignidade. Armas para quaisquer situações, são o escudo e a armadura do cristão...
Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Cap. 8 –
Processos Obsessivos
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
19
1.4.2 Reeducação Mental
Como é compreensível, o vício mental decorrente da convivência com o
hospede (o obsessor) gera ideoplastias perniciosas de que se alimenta
psiquicamente o hospedeiro (o obsidiado). Mesmo quando afastado o fator
obsessivo, permanecem, por largo tempo, os hábitos negativos, engendrando
imagens prejudiciais que constituem a psicosfera doentia, na qual se movimenta o
paciente.
Graças a tais fatores, nem sempre a cura da obsessão ocorre quando são
afastados os pobres perseguidores, mas somente quando os seus companheiros
de luta instalam no mundo intimo as bases do legitimo amor e do trabalho fraternal
em favor do próximo, tanto quanto de si mesmos, através do reto cumprimento
dos deveres.
Um dos mais severos esforços que os enfermos psíquicos por obsessão
devem movimentar, é o da reeducação mental, adaptando-se às idéias
otimistas, aos pensamentos sadios, às construções edificantes.
Por isso, a saúde mental que decorre da liberação das alienações obsessivas
se faz difícil, porque ela depende, sobretudo, do enfermo, do seu esforço e não
exclusivamente do afastamento do seu perturbador.
Não basta somente afastar os seus adversários, para que os obsidiados se
recuperem... A transformação intima, que é mais importante, porque procede do
âmago do indivíduo, deve ser trabalhada, insistentemente tentada, a fim de que
se desfaçam os fatores propiciatórios, os motivos que levam às dores, liberando
cada um, a consciência, de modo a não tombar nas auto-obsessões, mais graves e
de curso mais demorado...
Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Cap. 31 – Gravames
na Obsessão
Uma força existe capaz de produzir resultados junto aos perseguidores
encarnados ou desencarnados, conscientes ou inconscientes: a que se deriva da
conduta moral.
Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a
Obsessão
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
20
1.4.3 A Prece/a Meditação
A prece liberta a mente viciada dos seus clichês perniciosos e abre a
mente para a captação das energias inspiradoras, que fomentam o entusiasmo pelo
bem e a conquista da paz através do amor. Entretanto, a fim que se revista de força
desalienante, ela necessita do combustível da fé, sem a qual não passa de palavras
destituídas de compromisso emocional entre aquele que as enuncia e a Quem são
dirigidas.
Por vezes o obsidiado, em desespero, recorda-se da oração e da necessidade
de buscar os amigos, entretanto, nestes instantes muitas vezes a prece flui dos seus
lábios sem a tônica do amor, da fé e portanto, não se irradia, não sintoniza com
os Núcleos de captação de rogativas.
Tudo são vibrações em estados diferentes de energia, desde a pedra até o
pensamento que se exterioriza pela vontade. Captadas pelos Centros de registros
mentais e transmitidas aos sábios prepostos do Senhor, as nossas rogativas levam
cargas psíquicas que facilmente traduzem o significado real das nossas
aspirações, ao mesmo tempo, facultando-lhes ajuizar com presteza a respeito da
conveniência ou não, da justeza e oportunidade do pedido, assim facilitando o seu
deferimento.
A vontade disciplinada e o habito da concentração superior armam o homem
para, e contra mil vicissitudes que defronta na sua escalada evolutiva.
A concentração positiva libera a mente dos clichês viciosos, próprios ou
recebidos de outras mentes, como do meio onde vive, já que somos sensíveis ao
ambiente no qual nos movimentamos.
Por adaptação às ocorrências do dia-a-dia o homem se deixa arrastar meio
dormido pela correnteza dos acontecimentos, sem despertar o pensamento para que
a mente raciocine com objetividade e discernimento, estabelecendo parâmetros
do que deve e não deseja, ao que não deve, mas deseja fazer...
Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Cap. 12 – Providências
Inesperadas
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
21
Aliando o esforço que cada um deve envidar a benefício próprio, a prece é
fonte inexaurível que irriga o ser, renovando-o e aprimorando-o, ensejando
também, logo após depurar-se, a plainar além dos reveses e tropelias, arrastado
pelas sutis modulações das Esferas Superiores da Vida, onde haure vitalidade e
força para superar todos os empeços.
Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Cap. 6 – No
Anfiteatro
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
22
1.4.4 Ação Enobrecedora
Nos processos de obsessão de qualquer natureza, as conquistas morais do
paciente são-lhe o salvo-conduto para o trânsito sem problemas durante a sua
vilegiatura carnal. Isto porque, liberado da constrição afligente, começa-lhe o
período da recuperação dos débitos passados mediante outras provações de
que necessita e de testemunhos que lhe aferirão as novas disposições abrigadas
na alma.
O maior antídoto à obsessão, além da comunhão com Deus, nunca será
demasiado repeti-lo, é a ação enobrecedora. O trabalho edificante constitui força
de manutenção do equilíbrio, porquanto, desenvolvendo as atividades mentais, pela
concentração na responsabilidade e na preocupação para executar os deveres,
desconecta os plugs que se encaixam as matrizes psíquicas receptoras das
induções obsessivas. A oração, portanto, desdobrada na ação superior,
representa a psicoterapia anti-obsessiva mais relevante, que está ao alcance de
toda e qualquer pessoa responsável, de boa vontade.
Apoiem-se na oração e no trabalho. A paisagem mental luarizada pela prece
e o sentimento vinculado ao dever, no serviço, podem ser sitiados pelas forças da
obsessão, mas nunca tombarão nas mãos dos pertinazes perseguidores.
Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Cap. 32 – O Retorno
de Felipe
O conhecimento do Espiritismo realiza a melhor terapêutica para o espírito,
higienizando-lhe a mente, animando-o para o trabalho reto e atitudes corretas e
sobretudo dulcificando-o pelo exercício do amor e da caridade, como medidas
providenciais de reajustamento e equilíbrio. Não há força operante no mal que
consiga penetrar numa mente assepsiada pelas energias vitalizadoras do
otimismo, que se adquire pela irrestrita confiança em Deus e pela prática das ações
da solidariedade e da fraternidade.
Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Cap. 6 – No
Anfiteatro
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
23
Quando se lhe falam (aos homens) do recurso da oração – anestésico
sublime da dor, reage porque lhe desconhece a formula salutar.
Quando convidado à meditação – estimulante de efeito enérgico e
relevante, desconsidera-lhe o conteúdo porque se aclimatou … ociosidade mental
em termos de reflexão e disciplina.
Ao se lhe apresentarem uma leitura substanciosa – verdadeira
psicoterapia otimista, reivindica as páginas chocantes da licenciosidade, por achar
ingênuas aqueloutras, de significação ultrapassada.
Se chamado à beneficência mediante ação pessoal – praxiterapia
liberativa, apresenta escusa, por se acreditar sem condições.
Convidado ao exercício da caridade fraternal em morros e favelas,
palafitas e alagados – ginástica e ioga para o corpo, mente e espírito, prefere as
fugas espetaculares através do desculpismo insensato, taxando de pieguistas essas
realizações e atirando a responsabilidade desse mister a governos e organizações de
serviço social.
No entanto, o amor é melhor para quem ama e a ação dignificante eleva
e pacifica aquele que a executa.
Sem dúvida, a quimioterapia, a farmacopéia em geral dispõem de elevados
contributos para o homem, minimizando-lhe enfermidades, erradicando velhas e
calamitosas epidemias, ampliando as possibilidades da vida na terra.
Sem embargo, a terapia espiritual vazada no Evangelho e nos recursos
do Espiritismo é o maior antídoto ao desgaste, à excitação, ao cansaço, à
violência, à criminalidade e à miséria social dos momentos cruciais que estrugem
na Terra...
Carneiro de Campos – Sementes de Vida Eterna: Cap. 8 – Doença e
Terapêutica
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
24
2 O SUICÍDIO – Sob a perspectiva da Doutrina Espírita
2.1 Suicídio – E as Leis Espirituais
Tem o homem o direito de dispor da sua vida?
Não, só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário transforma‑se
numa transgressão desta lei.
Allan Kardec – Livros dos Espíritos – 4º Parte – Cap. 1 – item 6 – Perg.
944
Para o que não crê na eternidade e julga que com a vida tudo se acaba, se
os infortúnios e as aflições o acabrunham, unicamente na morte vê uma solução
para as suas amarguras. Nada esperando, acha muito natural, muito lógico mesmo,
abreviar pelo suicídio as suas misérias.
A calma e a resignação, adquiridas na forma de considerar a vida terrestre e
na fé no futuro, dão ao espírito uma serenidade que é a melhor defesa contra a
loucura e o suicídio.
Allan Kardec – O Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. 5 – item 14 –
O Suicídio e a Loucura.
O suicídio não é uma lei, não sendo, por isso mesmo imposto a quem quer
que seja pela harmoniosa legislação divina, como o seriam, por exemplo, o resgate
e a reparação da prática de um ato mau ou a morte natural do corpo físico terreno.
Contrariamente, ele é ato reprovável pela mesma legislação, da inteira
responsabilidade de quem o pratica. E crede, meus amigos, conquanto o coeficiente
dos suicídios no vosso planeta se apresente calamitoso, os obreiros do Mundo
Invisível tudo tentam para dele desviarem os homens, fazendo-o com muito
enternecida boa vontade! Cumpre, no entanto, a estes cooperarem com aqueles a
fim de que tão complexo malefício, atestado deplorável da inferioridade humana,
seja definitivamente banido da sociedade terrena.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
25
O suicídio, como ninguém mais ignora, constitui para o Espírito, que a ele
se aventurou em tão adversa hora, um estado complexo de semiloucura, situação
crítica e lamentável de descontrole mental, forçando estudos e exames especiais
dentro da própria Revelação Espírita
Bezerra de Meneses – Dramas da Obsessão – 1º Parte – Cap. 3/6
Os motivos de suicídio são de ordem passageira e humana; as razões de
viver são de ordem eterna e sobre-humana.
A vida, resultado de um passado completo, instrumento de futuro, é, para
cada um de nós, o que deve ser na balança infalível do destino. Aceitemos com
coragem suas vicissitudes, que são outros tantos remédios para as nossas
imperfeições, e saibamos esperar com paciência a hora fixada pela lei equitativa
para termo da nossa permanência na Terra.
Leon Denis – O Problema do Ser, do Destino e da Dor –1º Parte – Cap. 10 – A
Morte
Suicídio, não pense nisso
Tolera com paciência
Nem mesmo por brincadeira...
Qualquer problema ou pesar;
Um ato desses resulta
Não adianta morrer,
Na dor de uma vida inteira
Adianta é se melhorar
Cornélio Pires – Astronautas do Além – Cap. 3 – Suicídio
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
26
2.2 Suicídio – O que É
O suicídio não consiste somente no ato voluntário que produz a morte
instantânea, mas em tudo quanto se faça conscientemente para apressar a
extinção das forças vitais.
Allan Kardec – O Céu e o Inferno – 2º Parte – Cap. 5 – Suicidas
O suicídio é a culminância de um estado de alienação que se instala
sutilmente. O candidato não pensa com equilíbrio, não se dá conta dos males que o
seu gesto produz naqueles que o amam. Como perde a capacidade de discernimento,
apega-se-lhe como única solução, esquecido de que o tempo equaciona sempre
todos os problemas, não raro, melhor do que a precipitação. A pressa nervosa por
fugir, o desespero que se instala no íntimo, empurram o enfermo para a saída sem
retorno...
Manoel Philomeno de Miranda – Loucura e Obsessão – Cap. 24 – O Trágico
Desfecho
É atestado de fraqueza e descrença geral, de desânimo generalizado, de
covardia moral, terrível complexo que enreda a criatura num emaranhado de
situações anormais.
Charles – Recordações da Mediunidade – Cap. 6 – Testemunho
Na verdade, o suicídio é basicamente, uma fuga. O suicida quer fugir de
situações embaraçosas, de desgostos, de pessoas que detesta, de mágoas que não se
sente com forças para suportar, deseja, afinal de contas, fugir de si mesmo. É aí que
está a gênese de seu fatal desengano: não podemos, de maneira alguma, fugir de
nós próprios. Logo, o suicídio é o maior, o mais trágico e lamentável equívoco
que o ser humano pode cometer.
Hermínio de Miranda – Revista Reformador – 1993 – Novembro – Vale a pena
suicidar-se?
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
27
Termo suicídio define um comportamento ou ato que visa a antecipação da
própria morte.
Essencialmente, ele resulta de um processo em que a dor psicológica
intensa, consequência de acontecimentos que tornam a vida dolorosa e/ou
insuportável, em que deixam de existir quaisquer soluções que permitam escapar a
um processo de introspecção, que deixa como única solução a morte do próprio
indivíduo. Este processo desenvolve‑se, regra geral, gradualmente num sentido
negativo provocando um estado dicotômico em que passam a existir apenas duas
soluções possíveis para um problema ou situação: viver ou morrer.
Luís de Lamônica – Revista Espaço Espiritual – Setembro/2001–
https://espacoespiritual.wordpress.com/2011/09/18/o–suicidio-e-o-espiritismo/
É o desejo de morte acolitado por um desejo de vida. É um insistente apelo
mórbido dirigido ao próximo; é, também, um extenso pedido de socorro.
Neste desejo-de-morte há um desejo-de-outra-vida; existe uma busca,
embora doentia e destoante; traduz a condição psicopatológica em que se encontra,
procurando alcançar e ferir o próximo; em irreverente apelo, as emoções
destoantes e desorganizadas estão buscando, com a mais intensa ansiedade, o
socorro que não chegara.
Aqueles que mergulharam nas faixas do suicídio e que forma levados ao
gesto extremo estavam, sem sombras de dúvidas, envolvidos por processo
obsessivo; processo formado às custas de constantes atitudes negativas.
Jorge Andréa – Revista Presença Espírita – No
91 – 1981 – Dezembro –
Suicídio
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
28
Era do nosso hábito, no começo da obra, e particularmente nos anos 60,
passarmos o sábado ou o domingo em uma praia muito deserta, na periferia de
Salvador, que hoje se transformou em um lugar famoso.
Certo dia, um amigo que possuía uma propriedade ampla, onde estavam
plantados dez mil coqueiros, gentilmente, nos emprestou a chave da casa, para
irmos com as crianças e vivermos um pouco em contato com a Natureza.
Dois fatos, entre muitos que aconteceram, foram marcantes, na nossa
mediunidade, naquela época.
De uma feita, nós, que sabíamos o caminho como a palma da mão, erramos
a estrada. Maximiano, meu filho, ia dirigindo a kombi e por mais que tentássemos
encontrar o lugar não acertávamos.
Paramos numa venda, na estrada, e perguntamos onde ficava o local que
procurávamos. O vendedor respondeu que fôssemos em frente até encontrarmos o
rio Jacuípe, aí dobrássemos por outro trecho da estrada e sairíamos lá.
Nós achamos estranho, porque ficava no sentido oposto ao que pensávamos.
Mas fomos.
Chegamos a uma região de beleza invulgar. O rio desaguando no mar.
A paisagem de coqueiros, a areia alva. Éramos nove pessoas, Lygia, Ziza e
outras tias. Quando fizemos a volta, olhei na direção do mar e vi que uma pessoa
adentrava pelas águas, num lugar muito deserto.
Então ouvi uma voz que me disse:
— Salta, porque ela está tentando suicidar-se.
Pedi a Maximiano:
— Meu filho, pare o carro, aquela mulher vai-se matar!
Todos ficaram surpresos e acharam até absurdo. Mas eu saí correndo, mar a
dentro — não sei nadar — e peguei a senhora que estava numa crise de loucura.
Segurei-a, tirando-a da água; então chegaram os outros, Lygia, Ziza, Maria,
Carmem, e nós a arrastamos para a praia.
Ela teve uma crise de desespero muito grande e a custo conseguimos
acalmá-la.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
29
Levamo-la a uma casa que ficava a uns duzentos metros, onde ela residia.
Era uma casa muito modesta. Ali ela teve uma hemoptise muito forte,
sujando-me de sangue.
Quando conseguiu acalmar-se, fui buscar água, limpei a roupa e então
perguntei-lhe:
— Por que a senhora quis matar-se?
Ela contou uma história muito curiosa.
Era mãe de seis filhos e algum tempo atrás contrairá tuberculose pulmonar.
Com a doença, coincidentemente advirá uma nova concepção, que seria o sétimo
filho.
Naquele estado ela foi ao Quarto Centro de Saúde, na Calçada, em Salvador,
e o médico diagnosticou estar ela realmente grávida e tuberculosa.
Ele falou-lhe que naquele estado a gestação era um grande perigo, e o parto
um grande risco de vida, sugerindo-lhe o aborto. Mas o aborto também era um
grande risco de vida, e ela, uma pessoa muito pobre, muito necessitada, não tinha
como solucionar o problema.
Aí no posto, alguém aconselhou que fosse a um Centro Espírita que havia
nesse bairro.
Ela nada conhecia de Espiritismo, mas resolveu ir, naquela mesma noite,
que era uma quinta-feira. Ficou na cidade, pois morava a quarenta quilômetros de
distância.
À noite, foi ao Centro. Lá ouviu um homem moço falar muito sobre os
deveres perante a vida, a misericórdia de Deus, que Deus soluciona sempre todos
os problemas, etc.
Quando ele acabou de falar, ela quis tirar uma consulta e mandaram-na dar
o nome e o endereço na portaria para na terça-feira buscar a resposta. Ela assim o
fez, e viajou.
Mas, no sábado, que era o dia em que os Espíritos iriam atender a consulta,
o marido esteve lá, à tarde, bêbado.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
30
Já a havia abandonado, e deu-lhe uma surra muito grande. Ela ficou
desesperada.
No domingo pela manhã achou que a única solução para a sua vida era o
suicídio.
Naquela hora as crianças ficaram nervosas, começaram a chorar, e ela muito
desesperada saiu correndo para entrar pelo mar e matar-se. Foi no justo momento
em que nós passávamos.
Perguntei-lhe qual era o endereço do Centro e ela disse que era na rua Barão
de Cotegipe. Indaguei:
— Você se lembra do moço que estava falando?
— Não, senhor, porque o salão é muito grande e não o vi bem.
Tirei os óculos escuros e perguntei-lhe:
— Seria eu?
— Meu Deus.' Foi o senhor quem estava falando — disse, surpresa. — Mas,
como é que o senhor veio parar aqui?
Deve ler sido a Providência Divina — respondi-lhe, emocionado. — Você
pediu ajuda e eu vim, trazido pelos Espíritos.
Aplicamos-lhe um passe, fizemos um culto evangélico e tomamo-la sob a
nossa responsabilidade emocional.
— Na terça-feira — recomendei-lhe — você vai à reunião e vamos ver o
que os Espíritos aconselharam. Conversamos muito. Ela ficou mais consolada,
cotizamo-nos, arranjamos algum dinheiro para ela comprar qualquer coisa de
emergência e fomos para a tal praia.
Aí não erramos mais. Fomos direto, passamos o dia.
Mas eu fiquei com uma curiosidade de saber o que é que os Espíritos teriam
colocado na consulta, para nos desviarem da rota no momento próprio.
Quando chegamos a Salvador, eu fui à pasta de orientações espirituais, que
arquivamos em ordem alfabética e lá estava escrito exatamente assim:
"Receberá, no momento próprio, a solução para o magno problema da vida.
A sua vida é muito preciosa para você e a Divindade, e deve ser poupada.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
31
Siga a orientação médica e acrescente os seguintes remédios..."
Então vinham três remédios da Homeopatia, específicos para a tuberculose,
inclusive um chamado Pulmonina, do Laboratório Seabra.
Assim eu notei, uma vez mais, a interferência poderosa dos Espíritos e de
alguma forma o merecimento dessa senhora, porque nós erramos vinte e tantos
quilômetros de estrada num percurso que fazíamos a cada quinze dias.
Na terça-feira, quando ela chegou, mostramos-lhe o resultado da consulta e
conseguimos interná-la no Hospital Santa Terezinha, para tratamento especializado.
Ela ficou boa, recuperou-se completamente.
Nós ficamos com a criança que nasceu por último, pois ela não tinha a menor
condição de mantê-la; a criança era muito frágil.
Hoje está um adulto, já se emancipou.
Desejo anotar a interferência dos Espíritos, a claridade do fenômeno
mediúnico e também a lei do mérito, porquanto, se passássemos alguns segundos
antes ou depois, o suicídio teria sido consumado.
Isto foi em 1964.
Divaldo Franco – O Semeador de Estrelas – Cap. 22 – A Moça da Praia
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
32
2.3 Suicídio – Causas Morais/Espirituais
Diversas podem ser as causas materiais, morais e espirituais do ato de
suicídio, dentre elas destacam-se:
• Desespero, o indivíduo se acha incapaz de arcar com os compromissos da vida.
(Dificuldades financeiras, endividamento, insolvência, desemprego: perda
abrupta ou continuada de recursos de manutenção)
• Visão Materialista da Vida (a busca do nada, da aniquilação - desconhecimento
da imortalidade do espírito).
• Falta de Fé (mesmo tendo uma religião formal).
• Orgulho Ferido (decepções/frustrações, diante de perdas amorosas,
profissionais, familiares).
• Tédio da Vida (solidão/tédio: ausência de objetivos existenciais, viuvez).
• Condições Patológicas (moléstias consideradas incuráveis: busca de “ida” para
um lugar sem dor).
• Desordens depressivas (autopiedade exacerbada do tipo –“todo mundo está
contra mim”).
• Psicoses (suicídio, como vingança, para fazer sofrer alguém “os que ficam”).
• Uso de drogas (vícios, alcoolismo/toxicomania/jogar compulsivamente, com
perdas irreparáveis).
• Influência Espiritual (obsessão/indução de terceiros, encarnados ou
desencarnados).
• Desestruturação familiar (lar desfeito na infância, conflitos familiares).
• Tendências Reincidentes (advindas de suicídios em vidas anteriores).
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
33
2.3.1 Orgulho ferido/Perdas
Quanto mais valorizamos algo, mais forte será o vínculo, e maior
consequentemente será o sofrimento ao perdê-lo.
A vida só nos tira o que não nos pertence e de que não mais precisamos,
ou que ainda necessitamos, mas não valorizamos; e esta última acontece para
assimilarmos a lição da valorização.
Altamir da Cunha – Revista Reformador – 2006 – Dezembro – Perdas,
Depressão e Suicídio
Por trás do desejo de antecipar o fim da vida, estão as perdas. Perda de
saúde, autonomia, produtividade, papéis sociais. Perda de cônjuges, amigos,
cuidadores e de outras pessoas nas quais eles depositam confiança.
A dependência é um dos maiores problemas que atinge a terceira idade. Para
o idoso, a perda da independência, não importa de que tipo seja, financeira, física,
psíquica, etc., significam perda de espaço, de valores, de autodeterminação.
O indivíduo dependente passa a ser invisível para uma sociedade que antes
o valorizava por ser ativo e produtivo. Geralmente, este mesmo indivíduo, é visto
desta mesma forma no seio familiar, que antes o tinha como provedor. Tal
invisibilidade pode tornar o idoso isolado socialmente e causar outro problema de
vital importância, a depressão.
Valdirene Alves de Lima – Suicídio na Terceira idade – Universidade
Católica de Brasília – 2010
Os conteúdos manifestos da fala dos idosos sobre a dimensão e o impacto
das perdas que sofreram no decorrer de sua existência estão muito presentes: a
morte de um ente querido, a inexistência de manifestações afetivas entre os
membros das famílias, a restrição de sua autonomia, o cerceamento paulatino de
sua liberdade e a usurpação financeira.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
34
Os lamentos e a tristeza são profundos em relação às mortes de familiares
significativos e do círculo social. Enquanto as de companheiros de trabalho e da
comunidade são sofridas como uma falta que faz parte da vida, as de um filho ou
uma filha são sentidas profundamente pela prematuridade.
Mas todas produzem uma sensação de acúmulo de perdas referenciais em
que fica comprometido o círculo das relações primárias.
Os processos migratórios também são mencionados como perdas, pois
geralmente, no momento da velhice, quando se reavivam as lembranças do passado,
sente-se mais falta dos que se distanciaram no tempo e da terra natal,
particularmente se, quando a solidão ocorre, é escasso o apoio social
Raimunda Magalhães da Silva – Influências dos problemas e conflitos
familiares nas ideações e tentativas de suicídio de pessoas idosas – Ciência &
Saúde Coletiva, vol. 20, núm. 6, Junho/2015
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
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2.3.2 Falta de Fé / Materialismo / Visão da Morte
A incredulidade, a simples dúvida quanto ao futuro, as idéias materialistas,
em uma palavra, são os maiores incentivadores ao suicídio: elas produzem a
frouxidão moral. Quando vemos, pois, homens de ciência, que se apoiam na
autoridade do seu saber, esforçarem-se para provar aos seus ouvintes ou aos seus
leitores que eles nada têm a esperar depois da morte, não os vemos tentando
convencê-los de que, se são infelizes, o melhor que podem fazer é se matarem?
Que poderiam dizer para afastá-los dessa idéia?
Que compensação poderão oferecer-lhes?
Que esperanças poderão propor-lhes? Nada, além do nada! De onde é
forçoso concluir que, se o nada é o único remédio heróico, a única perspectiva
possível, mais vale atirar-se logo a ele, do que deixar para mais tarde, aumentando
assim o sofrimento.
A propagação das idéias materialistas é, portanto, o veneno que inocula em
muitos a idéia do suicídio, e os que se fazem seus apóstolos assumem uma terrível
responsabilidade.
Com o Espiritismo, a dúvida não sendo mais permitida, modifica-se a visão
da vida. O crente sabe que a vida se prolonga indefinidamente para além do cúmulo,
mas em condições inteiramente novas. Daí, a paciência e a resignação, que muito
naturalmente afastam a idéia do suicídio. Daí, numa palavra, a coragem moral.
Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 5 – Item 14 – O
Suicídio e a Loucura
O materialismo, que infelizmente grassa, sem qualquer disfarce, na
sociedade, coloca suas premissas no comportamento das pessoas e as propele para
a conquista hedonista, para o gozo material exclusivo, empurrando as suas vítimas
para as fugas alucinantes, quando os propósitos anelados não se fazem coroar pelos
resultados esperados.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
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Desfilam os líderes da aberração nos carros do triunfo enganoso, e muitos
deles, não suportando a coroa pesada que os verga, são tragados pela overdose
das drogas do desespero, que os retira do corpo mais dementados e atônitos do
que antes se encontravam.
Noutros casos, esses lideres são consumidos pelas viroses irreversíveis,
especialmente pela Síndrome de imunodeficiência adquirida, que os exaure e
consome a pouco e pouco, tornando-os fantasmas desprezíveis e aparvalhantes
para aqueles mesmos que antes os endeusavam, imitavam e buscavam a sua
convivência a peso de ouro e de mil abjeções.
O adolescente, vivendo nesse clima de lutas acerbas e não havendo
recebido uma base moral de sustentação segura, na vida física vê somente a
superficialidade, o prazer mentiroso, a ilusão que comandam os
comportamentos de todos, em terríveis campeonatos de loucura.
Joanna de Angelis – Adolescência e Vida – Cap. 25 – O adolescente e o
suicídio
O suicídio é tema recorrente na maioria dos 12 volumes da Revista
Espírita, demonstrando que Kardec tinha uma grande preocupação com o
assunto.
Em julho de 1862, escreve um artigo intitulado Estatística dos
Suicídios, fazendo uma análise sobre o aumento dos suicídios na França, e
procurando apontar as causas, lamentando que não existam pesquisas a respeito.
Hoje, há essas pesquisas em todo mundo.
Entre as que Kardec reconhece em seu tempo estavam as doenças
mentais, problemas sociais, e sobretudo, o avanço do materialismo e a falta de
perspectiva existencial.
O artigo continua muito atual e revela bem como Kardec procurava
abordar as questões, abrangendo todos os seus aspectos e procurando soluções
educativas e preventivas.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
37
Para ele, a maior prevenção possível para o suicídio seria o
conhecimento seguro e com contornos mais precisos da vida pós­ morte,
que o Espiritismo nos dá. Demonstrada a imortalidade, de maneira clara e
racional, o suicídio perde sua razão de ser.
(...). Não poderia deixar de mencionar a educação, como a mais eficaz
prevenção em relação ao suicídio. Mas que educação? Não é certamente essa
que é dada nas escolas, que nem a função de instruir faz bem feita.
Mas sim uma educação que procure cercar o indivíduo de fortes e sólidos
afetos, de modo que ele nunca se sinta sozinho.
Uma educação que trabalhe sentido existencial, resiliência diante da
dor, projeto de vida...
E sobretudo, uma educação que cuide desde cedo da espiritualidade e
que abra uma perspectiva de eternidade e transcendência.
Dora Incontri – Suicídio, a visão espírita revisita – 21/Setembro/2015
Acreditamos, firmemente, que a falta de fé responde pela quase
totalidade dos suicídios.
A fé é o alimento espiritual que, fortalecendo a alma, põe-na em condições
de suportar os embates da existência, de modo a superá-los convenientemente.
Analisando as demais causas, observamos que todas elas tiveram por germe,
aqui e alhures, na Terra ou noutros mundos, nesta ou em encarnações pretéritas, a
ausência da fé.
O orgulho ferido é, também, falta de fé, porque a fé conduz à humildade
profunda, e esta é inimiga do orgulho.
É o seu melhor, o seu mais poderoso antídoto.
O orgulho ferido pode levar o homem a sérios desastres que se perpetuarão,
durante séculos, em seu carma.
O esgotamento nervoso, que poderia ser evitado, no seu começo, se
movimentados pudessem ter sido os recursos da “oração”, filha da fé”, pode
conduzir o ser humano, nessa altura já fortemente assediado por forças obsessoras,
ao extremo gesto.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
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A loucura, por sua vez, responde por elevado número de deserções do
mundo. E o chamado “tédio da vida”?
Quantas cartas foram deixadas por suicidas referindo-se ao “cansaço da
vida” e implicações correlatas?
Por quê? Ausência de fé, evidentemente da fé que reside e brota dos
escaninhos mais sagrados e mais profundos da alma eterna.
Sim, há muita fé que existe, apenas, nos lábios.
A fé iluminada pela razão, que é a fé espírita, capaz de encarar o raciocínio
“face a face, em todas as épocas da humanidade”, suporta e vence, resiste e transpõe
os mais sérios obstáculos, inclusive os relacionados com uma existência dolorosa,
sob o aspecto moral ou físico, fértil em aflitivos problemas.
Quem tem fé não deserta da vida, pois sabe que os recursos divinos, de
socorro à humanidade são inesgotáveis.
Não esvaziam os mananciais da misericórdia de Deus!
Ante moléstia considerada incurável, procura o enfermo, algumas vezes, no
suicídio, a solução do seu problema.
Infeliz engano, pois a ninguém é lícito conhecer até onde chegam os
recursos curadores da Espiritualidade Superior, que é a representação da
Magnanimidade Divina.
Quantas vezes amigos de Mais Alto intervêm, prodigiosamente, quando a
Medicina, desalentada, já ensarilha as armas, por esgotamento dos próprios
recursos?!
Há outro tipo de suicídio, aquele que resulta da indução, sutil ou ostensiva,
de terceiros, encarnados ou desencarnados, especial e mais numerosamente dos
desencarnados, não sendo demais afirmar, por efeito de observação, que a quase
totalidade dos autoextermínios foi estimulada por entidades perversas, inimigas
ferrenhas do passado, que, ligando-se ao campo mental de quantos idealizam, em
momento infeliz, o suicídio, corporificam-lhe, na hora adequada, a sinistra ideia.
Julgamos ter analisado, com razoável acervo de exemplos, as causas mais
frequentes do suicídio.
Martins Peralva – O Pensamento de Emmanuel – Cap. 35 – Suicídio
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
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2.3.3 Visão distorcida da Morte
A desinformação a respeito da imortalidade do ser e da reencarnação
responde pela correria alucinada na busca do suicídio.
(...) E essa falta de esclarecimento é maior no período infanto-juvenil, (...)
facultando a fuga hedionda da existência carnal.
Joanna de Angelis – Adolescência e Vida – Cap. 25 – O adolescente e o
suicídio
À hora do problema, não tendo, no lar, com quem falar, ele recorre a um
amigo que tem o mesmo problema. Quase sempre, aquele amigo-problema indu-
lo a uma solução-problema.
Naquele ambiente de jovens problematizados, sem diretrizes, o suicídio se
lhe afigura como uma solução, isto porque o lar, desestruturado cristãmente, não
lhe consolidou na alma juvenil a certeza da sobrevivência.
Divaldo Franco
A morte nenhum temor inspira ao justo, porque, com a fé, ele tem a
certeza do futuro; a esperança faz com que aguarde uma vida melhor e a caridade,
cuja lei praticou, dá-lhe a certeza de que, não encontrará no mundo onde vai entrar,
nenhum ser cujo olhar deva temer.
Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 941
961 – Qual o sentimento que domina a maioria dos homens no momento da
morte: a dúvida, o terror ou a esperança?
A dúvida nos céticos empedernidos; o temor, nos culpados; a esperança,
nos homens de bem.
Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 961
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
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Prepare-se para a morte.
Desde hoje vença a dúvida, supere o temor, alente a esperança.
Ligado a Jesus-Cristo, o Protótipo da Idéia-Vida, renove-se hoje e sempre,
pensando no bem, a fim de que o Bem Inefável conduza os seus dias na Terra.
Marco Prisco – Legado Kardequiano – Cap. 56 – Ideia
Talvez seja esta a grande contribuição da Morte para nossa Vida: mostrar-
nos que devemos viver bem cada instante sem, contudo, apegarmo-nos a ele.
Quem vive a vida em plenitude tem a morte como algo natural e, mesmo
não a procurando ou desejando, aceita-a com tranquilidade quando chega ou
quando se manifesta próxima de si.
O Medo da Morte é o medo da Vida não vivida. É o medo dos muitos
débitos que temos para com nossa própria vida, e que a morte nos impedirá de
saldar.
Reafirmamos, então, que quem teme a morte teme a Vida. Em outras
palavras; quem não sabe Viver, certamente não saberá morrer.
Viver intensamente significa poder olhar para trás e sentir que não estamos
sofrendo, hoje, por aquilo que ontem nos deu algum prazer. O que é bom e correto
nunca se torna causa de sofrimento e dor.
Não sabemos quando virá nossa morte, nem a forma como ela virá. É
preferível então que estejamos sempre preparados para ela, aprendendo com isso
a viver melhor.
Evaldo D`Assumpção – Sobre o Viver e o Morrer – Introdução/Cap. 4/Cap.6
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
41
2.3.4 Tendências Reincidentes
Há adolescentes, contudo, que cometem o suicídio, não por falta de cuidados
dos genitores ou de uma educação familiar desatenta, mas em razão de dificuldades
próprias, evidenciadas no caráter e no comportamento, relacionadas a equívocos
cometidos perante a lei de Deus, em existências passadas.
Tais Espíritos sintonizam com Espíritos transviados, desde os primeiros
momentos da reencarnação, estabelecendo entre eles laços que favorecem acesso
ao sombrio mundo das viciações e de tantas outras perturbações.
Marta Antunes Moura – Revista Reformador – 2007 – Maio – Suicídio na
Adolescência
Grande número delas, suicidas do passado, renascem com as impressões
do gesto anterior, e porque desarmadas, na sua quase totalidade, de equilíbrio,
vendo, ouvindo e participando dos dramas em que se enleiam os adultos que as não
respeitam, antes considerando-as pesados ônus que devem pagar, repetem o ato
infeliz do suicídio, tombando nas refregas de dor, que posteriormente as trarão de
volta em expiações muito laceradoras.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 17 –
Suicídio solução insolvável
Entrevista com Chico Xavier relativa às causas dos Suicídios
– O suicídio é consequência de fatores psicológicos em desagregação ou de
influências espirituais em evolução?
Todos sabemos: cada espírito é senhor do seu próprio mundo individual.
Quando perpetramos a deserção voluntária dos nossos deveres, diante das leis que
nos governam, decerto que imprimimos determinadas deformidades no corpo
espiritual.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
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Essas deformidades resultam das causas cármicas estabelecidas por nós
mesmos, pelas quais sempre recebemos de volta os efeitos das próprias ações.
Cometido o suicídio nessa ou naquela circunstância, geramos lesões e
problemas psicológicos na própria alma, dificuldades essas que seremos chamados
a debelar na próxima existência, ou nas próximas existências, segundo as
possibilidades ao nosso alcance.
Assim, formamos, com um suicídio, muitas tentações a suicídio no futuro,
porque em nos reencarnando, carregamos conosco tendências e inclinações, como
é óbvio, na recapitulação de nossas experiências na Terra.
Quando falamos “tentações” não nos referimos a esse tipo de tentações que
acreditamos provir de entidades positivamente infelizes, cristalizadas na
perseguição às criaturas humanas. Dizemos tentações oriundas de nossa própria
natureza.
Sabemos que a tentação em si, na verdadeira acepção da palavra, nasce
dentro de nós. Por isso mesmo poderíamos ilustrar semelhante argumento
lembrando um prato de milho e um brilhante de alto preço: levado o brilhante de
alto preço à percepção de um cavalo, por exemplo, é certo que o equino não
demonstraria a menor reação; mas em apresentando a ele o prato de milho,
fatalmente que ele reagirá, desejando absorver a merenda que lhe está sendo
apresentada.
Noutro ponto de vista, um homem não se interessaria por um prato de milho,
no entanto, se interessaria compreensivelmente pelo brilhante.
Justo lembrar que a tentação nasce dentro de nós. Quando cometemos
suicídio, plasmamos causas de sofrimento muito difíceis de serem definitivamente
extirpadas. Por isso, muitas vezes, os irmãos suicidas são repetentes na prova da
indução ao suicídio, descendo, desprevenidos, à consideração para consigo
próprios.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
43
Benfeitores da Vida Maior são unânimes em declarar que, em todas as
ocasiões nas quais sejamos impulsionados a desertar das experiências a que Deus
nos destinou na vida terrestre, devemos recorrer à oração, ao trabalho, aos métodos
de autodefesa e a todos os meios possíveis da reta consciência, em auxílio de nossa
fortaleza e tranquilidade, de modo a fugirmos de semelhante poço de angústia.
Francisco Cândido Xavier – A Terra e o Semeador – Perg. 136
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
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2.3.5 A Obsessão
Desde a morte do pobre Leonel, verificada, como sabes, por um suicídio em
tão trágicas condições, a família inteira sente ímpetos para o suicídio.
Não ignoras que sua filha Alcina suicidou-se também, dez meses depois
dele próprio. Agora é seu filho Orlando que deseja morrer, havendo já tentado
algumas vezes o ato terrível.
Trata-se de um caso de obsessão coletiva simples, meu caro irmão...
carente de intervenção imediata de socorro espiritual, a fim de que se evitem outros
suicídios na família....
(...)
O chefe da família, Leonel, pôs termo à existência terrena, desfechando um
tiro de revólver no ouvido direito, e que sua filha primogênita, jovem de vinte
primaveras, lhe imitou o gesto alguns meses depois, servindo-se, porém, de um
tóxico violento... O outro filho seu, de quinze anos de idade, tentou igualmente o
sinistro ato, salvando-se, no entanto, graças à ação prestimosa de amigos
agilíssimos, que evitaram fôsse ele colhido por um trem de ferro.
Vimos ambos os suicidas ainda retidos no próprio teatro dos
acontecimentos: Leonel, vagando, desolado e sofredor, a bradar por socorros
médicos, traindo nas próprias repercussões vibratórias o gênero da morte escolhida
sob pressões invisíveis... e Alcina, a filha, com o perispírito ainda em colapso,
desmaiada sob o choque violento do ato praticado.... Distinguimos também os
obsessores...
Yvonne Pereira – Dramas da Obsessão –1º Parte – Cap. 1 – Leonel e os Judeus
A obsessão na infância muitas vezes é continuidade da ocorrência
procedente da Erraticidade. Sem impedir o processo da reencarnação, essa
influencia perniciosa acompanha o período infantil de desenvolvimento, gerando
graves dificuldades no relacionamento entre filhos e pais, alunos e professores,
vida social saudável entre coleguinhas.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
45
Irritação, agressividade, indiferença emocional, perversidade, obtusão
de raciocínio, enfermidades físicas e distúrbios psicológicos fazem parte das
síndromes perturbadoras da infância, que tem suas nascentes na interferência de
Espíritos perversos uns, traiçoeiros outros, vingativos todos eles...
Manoel Philomeno de Miranda – Sexo e Obsessão – Cap. 4 – O drama
da obsessão na infância
Certa criança de três anos e alguns meses vinha tentando o suicídio das
mais diferentes maneiras, o que lhe resultara, inclusive, ferimentos: um dia, jogou-
se na piscina; em outro, atirou-se do alto do telhado, na varanda de sua casa;
depois quis atirar-se do carro em movimento, o que levou os familiares a vigiá-
la dia e noite.
Seu comportamento, de súbito, tornou-se estranho, maltratando
especialmente a mãe, a quem dirigia palavras de baixo calão que os pais nunca
imaginaram ser do seu conhecimento.
Suely Caldas Schubert – Obsessão e Desobsessão – Cap. 12 – A criança
obsidiada
Obsidiada fui eu, é verdade.
Jovem caprichosa, contrariada em meus impulsos afetivos, acariciei a idéia
da fuga, menoscabando todos os favores que a Providência Divina me concedera à
estrada primaveril.
Acalentei a idéia do suicídio com volúpia e, com isso, através dela,
fortaleci as ligações deploráveis com os desafetos de meu passado, que falava mais
alto no presente.
Esqueci-me dos generosos progenitores, a quem devia ternura; dos
familiares, junto dos quais me empenhara em abençoadas dívidas de serviço;
olvidei meus amigos, cuja simpatia poderia tomar por valioso escudo em minha
justa defesa, e desviei-me do campo de sagradas obrigações, ignorando
deliberadamente que elas representavam os instrumentos de minha restauração
espiritual.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
46
Refletia no suicídio com a expectação de quem se encaminhava para uma
porta libertadora, tentando, inutilmente, fugir de mim mesma.
E, nesse passo desacertado, todas as cadeias do meu pretérito se
reconstituíram, religando-me às trevas interiores, até que numa noite de supremo
infortúnio empunhei a taça fatídica que me liquidaria a existência na carne.
(...). Em verdade, eu era obsidiada ...
Sofria a perseguição de adversários, residentes na sombra, mas perseguição
que eu mesma sustentei com a minha desídia e ociosidade mental.
(...) Agora, que se me refazem as energias, recebi a graça de acordar nos
amigos encarnados a noção de «responsabilidade» e «consciência», no campo
das imagens que nós mesmos criamos e alimentamos, serviço esse a que me
consagrei, até que novo estágio entre os homens me imponha a recapitulação total
da prova em que vim a desfalecer.
Hilda – Vozes do Grande Além – Cap. 40 – Suicídio e Obsessão
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
47
2.3.6 Desordens Depressivas
Esta melancolia sistemática, atormentadora, vem-se aprofundando no teu
comportamento, de tal forma, que enveredas, sem dar-te conta, pelas vias torpes da
depressão de grave trato.
Essa tristeza que agasalhas, prejudicial e renitente, coloca a máscara de
dor na tua face, conduzindo-te, inadvertidamente, a uma neurose de lento curso com
todos os seus efeitos danosos.
Aquela fixação, que te vai dominando as paisagens mentais, substitui, a
pouco e pouco, a polivalência das idéias, alienando-se da sociedade onde te
encontras...
A marca do sofrimento reflete-se no teu rosto, qual se fosse feita por garras
devastadoras, que procedem, no entanto, do teu mundo íntimo, conspirando contra
o teu progresso.
A impressão do desgosto passou a compartir com as tuas alegrais,
diminuindo-as e empurrando-te sempre para os abismos da psicose maníaco-
depressiva.
O cultivo dos pensamentos deprimentes gera, na tua conduta, a destruição
dos ideais superiores, amargurando as horas que poderias fruir como estímulo para
o prosseguimento da tua jornada.
Joanna de Angelis – Revista Reformador – 1988 – Maio – Loucura e Suicídio
Frente a frente com esta realidade, que assusta e fere, vamos encontrar
jovens que procuram abrigo nos falsos refúgios da tristeza e da amargura.
Outros apelam para a rebeldia e para a agressividade. Buscam nesses meios
a forma de neutralizar os açoites psicológicos a que se vêem expostos,
ininterruptamente.
Ativando os mecanismos da defesa psíquica, muitos jovens alheiam-se da
realidade, aprisionando-se, lentamente, nas malhas da depressão.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
48
A depressão faz instalar no recôndito do ser desta jovem criatura uma
amargura profunda, uma dor infinita, uma tristeza sem-fim. O Espírito adoece,
passo a passo, chegando a ponto de ver na morte, no atentado à existência física,
a solução que lhe parece salvadora.
Dias da Cruz – Revista Reformador – 2005 – Agosto – Suicídio na
Adolescência
Induvidosamente, é esta a consequência mais terrível da depressão: o
suicídio.
Quando ele ocorre, deixa marcas profundas, dificilmente superáveis, nos
familiares e amigos. Estes, atravessarão largo período da existência se perguntando:
O aconteceu para que ele/ela fizesse isto? E agora, o que será de nosso ente querido?
Onde e como teremos falhado para com ele/ela?...
O suicídio, consoante magistério da Doutrina Espírita, pode ser
direto/indireto, ou consciente/inconsciente.
Suicídio indireto/inconsciente, como facilmente se compreende, é aquele
em que a morte não é buscada deliberadamente, num gesto precipitado, irreversível.
A pessoa, dominada por uma tristeza longamente agasalhada (para nos
referirmos somente à depressão), pouco e pouco vai se abatendo, entregando-se ao
desalento, consumindo as forças psíquicas e físicas, até que o corpo, perdidas todas
as resistências, não mais permite que a alma nele se mantenha, expulsando-a da
vida.
Nessa morte emocional a pessoa se nega a viver.
A tristeza longamente agasalhada, a mágoa conservada, a rebeldia
sistemática, a irritação constante, o desespero irrefreado, dentre outros estados
emocionais mórbidos, podem ser considerados suicídios indiretos/inconscientes,
cujos efeitos no além-túmulo, serão danosos para o espírito. Este, se não superada
a aflição enquanto no corpo, prosseguirá desditoso além da vida física, podendo
assim permanecer na Erraticidade até reencarnar trazendo, no bojo subconsciencial,
a depressão não superada.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
49
A depressão, portanto, pode ser comparada a um suicídio psicológico,
que se dá pela ausência de valor moral para o enfrentamento das vicissitudes.
O depressivo não faz a opção por si mesmo, optando pela derrocada e vendo
no fracasso algo natural ou inevitável.
Izaias Claro – Depressão Causas, Consequências e Tratamentos – Pag. 104
É possível que os distúrbios serotônicos respondam pelo ato alucinado,
muito embora não deixem de ser o resultado de agentes psicológicos mais sutis
e graves, como a angústia, a insegurança, os conturbadores fenômenos
psicossociais e econômicos, as enfermidades crucificadoras, o sentimento de
desamparo e de perda, todos com sede na alma imatura e ingrata, fraca de recursos
morais para sobrepô-los às contingências transitórias desses propelentes ao ato
extremo.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 17 –
Suicídio – solução insolvável
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
50
2.3.7 Tédio da Vida
Por outro lado, aparecem indivíduos que se aferram aos objetivos que se
lhes representam como vida: amar apaixonadamente alguém, cuidar de outrem,
dedicar-se a um labor, a uma tarefa artística ou não, a um ideal ou à abnegação, e
que, concluída a motivação, negam-se a viver, matando-se emocionalmente e
sucumbindo depois...
Joanna de Angelis – Momentos de Iluminação – Cap. Opção pela Vida
Preencha as horas vazias com trabalho útil.
A ferrugem sempre agride a ferramenta inativa.
(...)
Todos somos chamados à vida para glorifica-la no serviço do bem e no
aperfeiçoamento de nós mesmos.
Entretanto, se teimamos em marcar passo, rendendo culto sistemático ao
tédio, ninguém pode prever quantas vezes recomeçaremos.
André Luiz – Caderno de mensagens – Cap. 66 – Remédio contra o Tédio
Quando o tédio te procure, vai à escola da caridade… Ela te acordará para
as alegrias puras do bem e te fará luz no coração, livrando-te das trevas que
costumam descer sobre as horas vazias.
Emmanuel – Coragem – Cap. 1 – Quando o Tédio apareça
Trabalha constantemente
Se procuras luz e paz.
O tédio é a chaga invisível
Daquele que nada faz.
Casimiro Cunha – Gotas de Luz – Cap. 34 – Apartes
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
51
Quem sofra a prisão do tédio,
Se anseia libertação,
Use sempre este remédio:
— Trabalhar para ser são.
Orlando Candelária – Sorrir e Pensar – Cap. 13 – Temas da Obsessão
Gente que sofre de tédio
E a todo instante se enguiça,
Não se sabe se é doente
Ou se é caso de preguiça.
Cornélio Pires – Degraus da Vida – Cap. 9 – No abuso
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
52
2.3.8 Conflitos Familiares
O espetáculo trágico, todavia, assume gravidade e constrangimento
maiores, quando crianças -- que ainda não dispõem do discernimento -- optam
pela aberrante decisão.
Amadurecidas precipitadamente, em razão dos lares desajustados e das
famílias desorganizadas; atiradas à agressividade e aos jogos fortes com que a atual
sociedade lhes brinda, extirpando-lhes a infância não vivida, sobrecarregam-se de
angústias e frustrações que as desgastam, retirando-lhes da paisagem mental a
esperança e o amor.
Vazias, desprotegidas do afeto que alimenta os centros vitais de energia e
beleza, vêem-se sem rumo, fugindo, desditosas, pela porta mentirosa do suicídio.
Ademais, grande número delas, suicidas do passado, renascem com as
impressões do gesto anterior e, porque desarmadas, na sua quase totalidade, de
equilíbrio, vendo, ouvindo e participando dos dramas em que se enleiam os adultos
que não as respeitam, repetem o ato infeliz, tombando nas refregas da dor que
posteriormente as trarão de volta em expiações muito laceradoras.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 17 –
Suicídio solução insolvável
Uma outra reflexão, mais aprofundada, merece ser considerada por todas as
criaturas devotadas ao bem: trata-se do suicídio na puberdade e adolescência.
Jovens, apenas contando com poucos anos de experiência reencarnatória,
são conduzidos ao suicídio em decorrência de causas diversas, tais como: conflitos
familiares; fragilidade da estrutura moral própria do Espírito; dependência
de substâncias químicas que conduzem ao vício; obsessão.
Os conflitos familiares destacam-se em relação às demais causas.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
53
Os contínuos choques dos embates domésticos, entre cônjuges e filhos,
produzem impactos de monta nas estruturas psíquicas dos envolvidos.
A desunião familiar, associada ao desamor, assemelha-se à ação dos tóxicos
que produzem alucinações na mente da criança e do jovem. A ausência do amor nas
relações familiares, manifestada sob a forma de comportamentos extremados de
abandono ou superproteção, infiltram ilusões perniciosas no psiquismo do
Espírito em processo de recomeço nas experiências do plano físico
Dias da Cruz – Revista Reformador – 2005 – Junho – Suicídio na Adolescência
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
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2.3.9 Isolamento Social/Solidão
A família tem uma responsabilidade enorme nesse processo, afirma Denise
Machado Duran Gutierrez. “O velho não só sofre processo de migração, de
deslocamento”. Mas, também, muitas vezes na própria casa, perde o quarto
principal, vai para um quartinho de fundo.
Os filhos, quando o levam ao médico, falam por ele, o tratam como criança,
desautorizam no médico.
O idoso vai perdendo voz, “espaço”, acusa a especialista. Em uma pesquisa
sobre 51 casos de suicídio cometidos por pessoas com mais de 60 anos, a professora
da Universidade Federal do Amazonas identificou que o fator de maior frequência
por trás do ato foi o isolamento social: ao investigar com familiares das vítimas,
constatou que esse foi o motivo de 32,1% dos homens e 31,7% das mulheres.
Paloma Oliveto – Sem Forças – Correio Braziliense – 17/02/2017
A solidão pode ser considerada como uma das principais causas da
ocorrência do suicídio.
Na fase da velhice que a solidão se apresenta mais desesperadora, com
o passar dos anos, os sentimentos de solidão e vazio existencial tornam-se mais
consistentes e angustiantes.
Na velhice, ocorre um sentimento de abandono e este sentimento se mostra
real à medida que este velho se vê abandonado por uma sociedade que valoriza o
papel social produtivo, pela família que não o tem mais como sustentáculo, e enfim,
por ele mesmo que acaba sendo acometido por uma desesperança angustiante.
Frente a tanto descaso, se isola abraçando a solidão.
O idoso torna-se invisível, transparente, para a sociedade, para a família
e por vezes até para ele mesmo, e esse isolamento é um dos aspectos mais dolorosos
da condição humana.
A sociedade desvaloriza e marginaliza o idoso, fazendo com que este veja
na morte uma saída desesperada.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
55
A ausência de motivação, inapetência, indiferença intelectual, tédio,
sentimento de decadência, insegurança, dependência afetiva, ruptura de
comunicação, etc. são alguns aspectos psicológicos da velhice, que são reforçados
pela hostilidade da sociedade com relação aos velhos, ou pelos próprios velhos,
como defesa contra tal hostilidade.
Valdirene Alves de Lima – Suicídio na Terceira idade – Universidade
Católica de Brasília – 2010
Adicionalmente, existe muita dificuldade na comunicação no cotidiano, seja
porque, algumas vezes os familiares exigem determinado tipo de comportamento
da pessoa idosa, seja porque ela própria, acostumada a mandar, ordenar e ser
obedecida passa a ser comandada por outra família nuclear à qual se agrega.
Frequentemente o idoso não sabe lidar com essas novas situações, sente-se
tolhido em seus desejos e modo de pensar, o que lhe causa uma angústia
indescritível.
A falta de apoio familiar pode ser um fator preditivo para o comportamento
suicida dos idosos.
O empobrecimento das relações primárias se reflete na dinâmica cotidiana,
o que torna o ambiente de convivência insuportável.
O idoso se ressente quando filhos, netos, noras e genros não se entendem,
pois, isso o priva dos encontros com familiares queridos e o isola ainda mais. Por
se sentir sem amparo emocional ou por não ter o suporte adequado das pessoas a
quem ama, a pessoa idosa vai se desprendendo do elo com a vida e passa a deseja
antecipar seu fim.
Outro ponto de tensão é a inexistência de manifestações de afetos entre os
membros das famílias, a sensação de abandono dos familiares e amigos, e a falta de
apoio para lidar com as situações depressivas.
Raimunda Magalhães da Silva – Influências dos problemas e conflitos
familiares nas ideações e tentativas de suicídio de pessoas idosas – Ciência &
Saúde Coletiva, vol. 20, núm. 6, Junho/2015
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
56
3 O SUICÍDIO E A OBSESSÃO
3.1 O Suicídio por processo Obsessivo
3.1.1 Considerações Gerais
O suicídio, como ninguém mais ignora, constitui para o Espírito, que a ele
se aventurou em tão adversa hora, um estado complexo de semiloucura, situação
crítica e lamentável de descontrole mental, forçando estudos e exames especiais
dentro da própria Revelação Espírita.
Entretanto, existem nele certos traços gerais, que convêm examinados ainda
uma vez:
— Os suicídios que tiveram por causa a obsessão de um Espírito perverso,
sobre o encarnado, apresentam certa parcela de atenuantes para a vítima e
agravantes para o algoz.
Existem suicidas que se viram sugestionados a cometerem o ato terrível,
através do sono de cada noite, por uma pressão obsessora do seu desafeto espiritual,
desafeto que poderá ser também um espírito encarnado, e à qual não se puderam
furtar, tal o paciente que, recebendo do seu magnetizador uma ordem durante o
transe sonambúlico, cumpre-a exatamente dentro do prazo determinado por este,
mesmo quando se passaram já muitos meses depois da experiência.
Outros existem que não querem absolutamente morrer, não desejam o
suicídio; que relutam mesmo contra a idéia por que se vêem atormentados e se
horrorizam ao compreender que algo desconhecido os arrasta para o abismo,
abismo esse que temem e ante o qual se apavoram.
Apesar disso, sucumbem, precipitam-se nele, uma vez que, deseducados da
luz das verdades eternas, desconhecedores do verdadeiro móvel da vida humana,
como da natureza espiritual do homem, não lograram forças nem elementos com
que se libertarem do jugo mental terrível e malfazejo, cujo acesso permitiram.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
57
Eles vêem junto a si antes de efetivado o ato, com impressionante segurança,
tais se materializados fossem diante dos seus olhos corporais, os quadros mentais
que o obsessor fornece através da telepatia ou da sugestão: — um receptáculo de
veneno ou substância corrosiva; um revólver engatilhado, que misteriosa mão
sustém, oferecendo-lhe; uma queda de grande altura, onde eles próprios se vêem
despenhando; um veículo em movimento, sob o qual se deverá arrojar, etc.
Sofrem assim, por vezes, durante meses consecutivos, sem ânimo para
confidenciarem com amigos, uma agonia moral extenuante e arrasadora, uma
angústia deprimente e inconsolável, que lhes agravam os males que já os
infelicitavam, angústia que nenhum vocábulo humano será eficiente para bem
traduzir.
Notemos, todavia, que tratamos tão somente da obsessão simples, ou seja,
daquela que é ignorada por todos, até mesmo pelo obsidiado, da que se não revela
ostensivamente, objetivando alteração das faculdades mentais, mas que, sutilmente,
ocultamente, através de sugestões lentas, sistemáticas, solapa as forças morais da
vítima, tornando-a, por assim dizer, incapaz de reações salvadoras.
Pouco a pouco, sob tão doentia pressão magnética, uma tristeza suprema e
avassalador desânimo comprometem as energias do assediado.
Aterrador alarme desorienta-o, todos os fatos da vida, mesmo os mais
vulgares, se lhe apresentam ao raciocínio contaminados pela infiltração obsessora,
dramáticos, maus, irremediáveis!
Esquece-se ele de tudo, até mesmo do seu Criador, ao qual, em verdade,
jamais considerou, mas em cujo amor encontraria proteção e forças para resistir à
tentação.
E somente se preocupa com o meio pelo qual se furtará aos males que o
afligem.
Então sucumbe sem apelação, curva-se à vontade que conseguiu dominar a
sua vontade, servindo-se da sua fraqueza de homem despreocupado das razões da
Vida e ignorante de si mesmo, que da existência só conheceu, muitas vezes, a feição
meramente animal.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
58
Daí se concluirá, então, da necessidade de os homens procurarem conhecer
a si mesmos, isto é, que possuem nos recessos da personalidade um sexto-sentido,
um dom natural capaz de permitir tais desastres, se se conservar ignorado, e se eles
próprios, os seus portadores, preferirem viver alheios às causas sérias e elevadas,
que lhes permitiriam a harmonização com estados psíquicos superiores, que de tudo
isso os eximiriam, uma vez que o obsidiado possuirá, forçosamente, para que se
torne obsidiado, os ditos dons mediúnicos, tal como toda a Humanidade os possui.
Ora, o suicídio, assim efetuado, transformou-se antes num assassínio
gravíssimo, contornado de agravantes, cometido pelo obsessor, que responderá pela
crueldade exercida, perante a justiça do Criador Supremo.
Quanto ao obsidiado, sua responsabilidade certamente foi profunda, em
razão de haver permitido acesso às arremetidas inferiores, por se conservar
igualmente inferior, não desejando o próprio progresso com a renovação dos
próprios valores morais à procura do ser espiritual e divino existente em si, não
tentando reações de ordem moral e mental para dignamente se equilibrar nos
deveres impostos pela existência.
Responderá, portanto, pela fraqueza e a descrença que testemunhou,
enfrentando, após o suicídio, momentos críticos, decepcionantes, da vida do Além,
e retornando à Terra para, em existência nova, terminar a que fora interrompida pela
fragilidade demonstrada ao entregar-se às mãos do algoz, sem tentar defender-se
com as devidas diligências, ou reações.
Bezerra de Meneses – Dramas da Obsessão – Cap. 6
O suicídio alcança, na atualidade, cifras assustadoras, e, nas faixas extremas
da existência humana – juventude e velhice – revelam-se como sendo os níveis
de ocorrência acentuada. Homens e mulheres fogem dos problemas que lhes
martirizam a existência por atentados à própria vida, os quais lhes minam as forças
e lhes produzem sofrimentos maiores.
ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio
59
As taxas de suicídio, aumentadas nas últimas décadas, revelam outro ponto
alarmante: o gênero de suicídio. Neste sentido, é significativo o número de pessoas
que retornam ao plano espiritual trazendo mutilações perispirituais severas em
razão das formas selecionadas para concretizar o atentado contra a vida.
Uma outra reflexão, mais aprofundada, merece ser considerada por todas as
criaturas devotadas ao bem: trata-se do suicídio na puberdade e adolescência.
Jovens, apenas contando com poucos anos de experiência reencarnatória,
são conduzidos ao suicídio em decorrência de causas diversas, tais como: conflitos
familiares; fragilidade da estrutura moral própria do Espírito; dependência
de substâncias químicas que conduzem ao vício; obsessão.
Os jovens que adotam comportamentos agressivos e ofensivos,
caracterizados por um estado de permanente rebeldia, revelam, na verdade, uma
forma de chamar a atenção daqueles que, intimamente, são por eles classificados
de seus prováveis homicidas, em razão da existência infeliz que lhes submetem.
A tragédia do suicídio na adolescência deve ser considerada com ênfase e
relevância nos programas e planejamentos da Casa Espírita, pois uma ação
conjunta, fundamentada no amor legítimo, pode reverter esse quadro doloroso.
Este é o apelo da nossa alma!
Dias da Cruz – Revista Reformador – 2005 – Junho – Suicídio na Adolescência
Em 1945, em Salvador/BA, praticamente um adolescente e recém chegado
de sua terra natal, Feira de Santana/BA, Divaldo conseguiu seu primeiro emprego
numa Seguradora, sendo admitido como datilógrafo.
Ele começou com entusiasmo, vindo do interior, mas após treze dias de
trabalho foi demitido pelas circunstâncias econômicas desfavoráveis do pós 2ª
Guerra Mundial.
Ele ficou muito abatido e parecia que o mundo iria desabar.
Os Espíritos infelizes se aproveitaram da situação para inspirá-lo a suicidar-
se, pois ele sofria muito, e deveria atirar-se do Elevador Lacerda.
ObsCidio - A Obsessão e o Suicídio
ObsCidio - A Obsessão e o Suicídio
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  • 2. ii SUMÁRIO 1 A OBSESSÃO – Sob a perspectiva da Doutrina Espírita 1 1.1 A Obsessão na Sociedade – Um Flagelo Social e Espiritual 1 1.2 A Obsessão – O Que É 4 1.2.1 Domínio/Controle 4 1.2.2 Enfermidade Espiritual 6 1.2.3 Resgate/Provação/Expiação 9 1.3 A Obsessão – Causas Preponderantes 10 1.3.1 Débitos Cármicos 10 1.3.2 Indolência Física/Mental 13 1.3.3 Tendências Negativas 15 1.4 A Obsessão – Profilaxia/Tratamento 17 1.4.1 Autoconscientização 17 1.4.2 Reeducação Mental 19 1.4.3 A Prece/a Meditação 20 1.4.4 Ação Enobrecedora 22 2 O SUICÍDIO – Sob a perspectiva da Doutrina Espírita 24 2.1 Suicídio – E as Leis Espirituais 24 2.2 Suicídio – O que É 26 2.3 Suicídio – Causas Morais/Espirituais 32 2.3.1 Orgulho ferido/Perdas 33 2.3.2 Falta de Fé / Materialismo / Visão da Morte 35 2.3.3 Visão distorcida da Morte 39 2.3.4 Tendências Reincidentes 41 2.3.5 A Obsessão 44 2.3.6 Desordens Depressivas 47 2.3.7 Tédio da Vida 50 2.3.8 Conflitos Familiares 52 2.3.9 Isolamento Social/Solidão 54 3 O SUICÍDIO E A OBSESSÃO 56 3.1 O Suicídio por processo Obsessivo 56 3.1.1 Considerações Gerais 56 3.1.2 Profilaxia – Diretrizes Gerais 62 3.2 O Suicídio por processo Obsessivo – Infanto-Juvenil 64 3.2.1 Características Gerais 64 3.2.2 O Processo Obsessivo 67 3.2.3 Sinais de Alerta/Fatores de Risco/Prevenção – Diretrizes 70 3.2.3.1. Sinais de Alerta 70 3.2.3.2. Fatores de Risco 72 3.2.3.3. Prevenção 74
  • 3. iii 3.3 O Suicídio por processo Obsessivo - Na Terceira Idade 77 3.3.1 Características Gerais 77 3.3.2 O Processo Obsessivo 80 3.3.3 Sinais de Alerta/Fatores de Risco/Prevenção – Diretrizes 93 3.2.3.1. Sinais de Alerta 93 3.2.3.2. Fatores de Risco 94 3.2.3.3. Prevenção 96 3.4 O Suicídio por processo Obsessivo – Especiais 98 3.4.1 Por implantação Perispiritual 98 3.4.2 Por Hipnose profunda 100 3.4.3 Por Envolvimento Sutil 105 3.5 O “Homicídio Espiritual” por processo Obsessivo 111 3.6 O Suicídio por processo Obsessivo – Depoimentos 116 3.6.1 Infanto-juvenil 116 3.6.2 Adulto/Terceira Idade 201 4 REFERÊNCIAS 288
  • 4. iv LISTA DE DEPOIMENTOS Depoimentos de 1 à 22: Jovens Depoimentos de 23 à 40: Adultos/Terceira Idade DEPOIMENTO 1 Hilda .................................................................................................................... 118 DEPOIMENTO 2 Fernanda Luiza Batista........................................................................................ 121 DEPOIMENTO 3 H .......................................................................................................................... 124 DEPOIMENTO 4 Antônio Carlos Martins Coutinho ....................................................................... 129 DEPOIMENTO 5 Cláudia Pinheiro Galasse..................................................................................... 131 DEPOIMENTO 6 Francisco Adonias Nogueira Filho...................................................................... 133 DEPOIMENTO 7 José Teodoro Caldeira ......................................................................................... 135 DEPOIMENTO 8 Júlio César C. da Silveira .................................................................................... 138 DEPOIMENTO 9 Lincoln Prata Lóes............................................................................................... 142 DEPOIMENTO 10 Marcos Emanuel Teixeira Santos...................................................................... 144 DEPOIMENTO 11 Milton Higino de Oliveira ................................................................................. 147 DEPOIMENTO 12 Renata Zaccaro de Queiroz................................................................................ 154 DEPOIMENTO 13 Selma Rodrigues Sanches.................................................................................. 157 DEPOIMENTO 14 Lucia Ferreira .................................................................................................... 160 DEPOIMENTO 15 Wladimir Cesar Ranieri..................................................................................... 163 DEPOIMENTO 16 Décio Márcio Carvalho ..................................................................................... 166 DEPOIMENTO 17 Dimas Luiz Zornetta.......................................................................................... 170 DEPOIMENTO 18 João Alves de Sousa .......................................................................................... 173 DEPOIMENTO 19 Pedro Augusto Souza Gonçalves....................................................................... 176 DEPOIMENTO 20 Maximiliano....................................................................................................... 180 DEPOIMENTO 21 Francisco Ângelo de Souza ............................................................................... 184 DEPOIMENTO 22 Marcio Ricardo.................................................................................................. 186
  • 5. v DEPOIMENTO 23 Camilo Castelo Branco...................................................................................... 202 DEPOIMENTO 24 Marilyn Monroe................................................................................................. 207 DEPOIMENTO 25 Amílcar Rodrigues Passos................................................................................. 213 DEPOIMENTO 26 Anônima ............................................................................................................ 217 DEPOIMENTO 27 Maria Cândida ................................................................................................... 222 DEPOIMENTO 28 Antero de Quental.............................................................................................. 225 DEPOIMENTO 29 Hermes Fontes................................................................................................... 235 DEPOIMENTO 30 Francisca Júlia da Silva ..................................................................................... 238 DEPOIMENTO 31 Jorge................................................................................................................... 240 DEPOIMENTO 32 Lima................................................................................................................... 248 DEPOIMENTO 33 Luís Alves.......................................................................................................... 252 DEPOIMENTO 34 Entrevista com um Suicida................................................................................ 255 DEPOIMENTO 35 Suicida da Samaritana ....................................................................................... 260 DEPOIMENTO 36 Alfred Leroy ...................................................................................................... 263 DEPOIMENTO 37 Luís Fernando Botelho de Moraes Toledo ........................................................ 268 DEPOIMENTO 38 Raul Martins ...................................................................................................... 271 DEPOIMENTO 39 Joaquim Mousinho d'Albuquerque.................................................................... 273 DEPOIMENTO 40 Roberto Eduardo................................................................................................ 281
  • 6. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 1 1 A OBSESSÃO – Sob a perspectiva da Doutrina Espírita 1.1 A Obsessão na Sociedade – Um Flagelo Social e Espiritual A obsessão, mesmo nos dias de hoje, constitui tormentoso flagício social. Está presente em toda parte, convidando o homem a sérios estudos. As grandes conquistas contemporâneas não conseguiram ainda erradicá-la. Ignorada propositadamente pela chamada Ciência Oficial, prossegue colhendo nas suas malhas, diariamente, verdadeiras legiões de incautos que se deixam arrastar a resvaladouros sombrios e truanescos, nos quais padecem irremissivelmente, até à desencarnação lamentável, continuando, não raro, mesmo após o traspasse... Isto, porque a morte continua triunfando, ignorada, qual ponto de interrogação cruel para muitas mentes e incontáveis corações. As obsessões enxameiam por toda parte e os homens terminam por conviver, infelizes, com essas psicopatologias para as quais, fugindo à sua realidade, procuram as causas nos traumas, nos complexos, nos conflitos, nas pressões sociais, familiares e econômicas, como mecanismo de fuga aos exames de profundidade da gênese real de tão devastadora enfermidade. Não negando a preponderância de todos esses fatores que desencadeiam problemas de comportamento psicológico, afirmamos que eles, antes de constituírem causa dos distúrbios, são, em si mesmos, efeito de atitudes transatas, que o Espírito imprime na organização fisiopsíquica ao reencarnar-se, porquanto é sempre colocado no grupo familiar com o qual se encontra enredado, por impositivo de ressarcimento de dívidas, para o equilíbrio evolutivo. Enquanto o homem não for estudado na sua realidade profunda -- ser espiritual que é, preexistente ao corpo e a ele sobrevivente --, muito difíceis serão os êxitos da ciência médica, na área da saúde mental. As doenças psíquicas, entre as quais se destacam, pela alta incidência, as obsessões, continuarão ainda a perseguir o homem. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 26 – Fenômenos Obsessivos
  • 7. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 2 Ainda que no momento estejamos passando por um período de transição planetária, no qual já se percebe fortes sinais indicativos de mudanças evolutivas na humanidade terráquea, cujo planeta caminha para o estado de regeneração, a Terra ainda é categorizada como mundo de expiação e provas, visto que o mal predomina. Neste sentido, a obsessão está caracterizada como epidemia antiga, ocorrendo desde os tempos imemoriais, que alcança milhares e milhares de pessoas em todas as partes da Terra. É uma enfermidade que, para ser erradicada, necessita da melhoria humana, especialmente a de cunho moral. O ser humano moralizado ou que se empenha em se transformar em pessoa de bem, neutraliza naturalmente as investidas dos Espíritos maus. Marta Antunes de Moura – Site FEB – Obsessões Espirituais – 2018/03/08 Epidemia virulenta que grassa ininterruptamente a obsessão prolifera na atualidade com vigoroso impacto que faz recordar as calamidades pestilenciais de épocas transatas. Apresenta-se sob disfarce de variada configuração, concitando psicólogos e teólogos, filósofos e sociólogos interessados nos magnos assuntos do homem e da coletividade ao estudo das suas causas, com o objetivo de combatê-la com a eficiência necessária para estancar, em definitivo, a onda de sofrimentos que produz, erradicando-a terminantemente ... A Doutrina que estuda as obsessões, as suas causas preponderantes e predisponentes – o Espiritismo –, possui os recursos excepcionais capazes de vencer essa epidemia cruel que, generalizada, invade hoje a Terra em todos os seus pontos. Eurípedes Barsanulfo – Sementes de Vida Eterna – Cap. 50 – Tormentos da Obsessão
  • 8. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 3 Pululam por toda parte os vinculados gravemente às Entidades perturbadoras do Mundo Espiritual inferior. Obsidiados, desse modo, sim, somos quase todos nós, em demorado trânsito pelas faixas das fixações tormentosas do passado, donde vimos para as sintonias superiores que buscamos. Muito maior, portanto, do que se supõe, é o número dos que padecem de obsessões, na Terra. Lamentavelmente, esse grande flagelo espiritual que se abate sobre os homens, e não apenas sobre eles, já que existem problemas obsessivos de várias expressões, como os de um encarnado sobre outro, de um desencarnado sobre outro, de um encarnado sobre um desencarnado e, genericamente, deste sobre aquele, não tem merecido dos cientistas nem dos religiosos o cuidado, o estudo, o tratamento que exige. Obsessões e obsidiados são as grandes chagas morais dos tumultuados dias da atualidade. Todavia, a Doutrina Espírita, trazendo de volta a mensagem do Senhor, em espírito e verdade, é o portal de luz por onde todos transitaremos no rumo da felicidade real que nos aguarda, quando desejemos alcançá-la. Manoel Philomeno de Miranda – Sementes de Vida Eterna – Cap. 30 – Considerando a Obsessão
  • 9. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 4 1.2 A Obsessão – O Que É 1.2.1 Domínio/Controle A obsessão é a ação persistente que o Espírito “ignorante” exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais”. Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 28 – item 81 – Pelos Obsidiados A obsessão consiste no domínio que os maus Espíritos assumem sobre certas pessoas, com o objetivo de as escravizar e submeter à vontade deles, pelo prazer que experimentam em fazer o mal. Quando um Espírito, bom ou mau, quer atuar sobre um indivíduo, envolve- o, por assim dizer, no seu perispírito, como se fora um manto. Interpenetrando-se os fluidos, os pensamentos e as vontades dos dois se confundem e o Espírito, então, se serve do corpo do indivíduo, como se fosse seu, fazendo-o agir à sua vontade, falar, escrever, desenhar, quais os médiuns. Allan Kardec – Obras Póstumas – 1º Parte – Cap. 7 – Item 56 – Da Obsessão e da Posessão No número das dificuldades que a prática do Espiritismo apresenta é necessário colocar a da obsessão em primeira linha. Trata-se do domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum constrangimento. Os bons aconselham, combatem a influência dos maus, e se não os escutam preferem retirar-se. Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito da vítima e a conduzem: como se faz com uma criança. Allan Kardec – O Livro dos Médiuns – Cap. 23 – Item 237 – A Obsessão
  • 10. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 5 Obsessão é o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticada senão pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar. Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a Obsessão
  • 11. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 6 1.2.2 Enfermidade Espiritual A obsessão, sob qualquer modalidade que se apresente, é enfermidade de longo curso, exigindo terapia especializada de segura aplicação e de resultados que não se fazem sentir apressadamente. Transmissão mental de cérebro a cérebro, a obsessão é síndrome alarmante que denuncia enfermidade grave de erradicação difícil. Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a Obsessão Os atos infelizes, deliberadamente praticados, em razão da força mental de que necessitam, destroem os tecidos sutis do perispírito, os quais, ressentindo-se do desconcerto, deixarão matrizes na futura forma física, em que se manifestarão as deficiências purificadoras. A queda do tom vibratório específico permitirá, então, que os envolvidos no fato, no tempo e no espaço, próximos ou não, se vinculem pelo processo de uma sintonia automática de que não se furtarão. Estabelecem-se aí as enfermidades de qualquer porte. Os fatores imunológicos do organismo, padecendo a disritmia vibratória que os envolve, são vencidos por bactérias, vírus e toda a sorte de micróbios patogênicos que logo se desenvolvem, dando gênese às doenças físicas. O médico informou, ainda, que há casos em que a incidência do pensamento maléfico, aceito pela mente culpada, destrambelha a intimidade da célula, interferindo no seu núcleo, acelerando a sua reprodução e dando gênese a neoplasias e cânceres de variadas expressões. Por sua vez, na área mental, os conflitos, as mágoas, os ódios acerbos, as ambições tresvariadas e os tormentosos delitos ocultos, quando da reencarnação, por estarem ínsitos no Espírito endividado, respondem pelas distonias psíquicas e alienações mais variadas.
  • 12. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 7 Acrescente-se a isso a presença dos cobradores desencarnados, cuja ação mental encontra perfeito acoplamento na paisagem psicológica daqueles a quem perseguem, e teremos instalada a constrição obsessiva. Eis porque é rara a enfermidade que não conte com a presença de um componente espiritual, quando não seja diretamente o seu efeito. Corpo e mente refletem a realidade espiritual de cada criatura. Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Cap. 1 – Provação Necessária Esse distúrbio, o da obsessão, difere bastante daqueles de natureza orgânica, que produzem a idiotia e a loucura. Em todos esses casos, porém, encontram-se espíritos enfermos, aqueles que estão reencarnados, endividados perante as Leis Cósmicas, em processos graves de provações dolorosas ou expiações reeducativas. Na obsessão, encontra-se atuante um agente espiritual que se faz responsável pelo transtorno reversível; no entanto, nos casos em que o ser renasce sob o estigma da idiotia ou chancelado pelos fatores que propiciam a loucura, os seus débitos e gravames são de tal natureza grave, que imprimiram no corpo o látego e o presídio necessários para a sua renovação moral. Desde o momento da reencarnação, a consciência culpada e os sentimentos em desordem imprimiram nos equipamentos orgânicos e cerebrais as deficiências de que o endividado tem necessidade para reparar os males anteriormente praticados, desde quando, portador de inteligência e mesmo de genialidade, delas se utilizou para a alucinação no prazer exorbitante em prejuízo de grande número de pessoas outras que lhe experimentaram a crueldade, a intemperança, a indiferença... Malbaratado o patrimônio superior que a vida lhe concedeu para multiplicar os talentos de que dispunha, volta agora ao orbe terrestre para expiar, passando pelos sítios tormentosos da falta de lucidez e com limitação mental, encarcerado em equipamentos que são incapazes de lhe permitir a comunicação com o mundo exterior.
  • 13. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 8 Sitiado em si mesmo, sofre as consequências da hediondez que se permitiu, padecendo rudes aflições pela impossibilidade de agir com segurança e desenvoltura. O corpo, atingido pelos fatores endógenos — hereditariedade, sequelas de enfermidades infectocontagiosas — de que se revestiu o espírito por sintonia vibratória no momento da reencarnação, é resultado da utilização de genes com características deformadas, não havendo possibilidade então de recomposição, de restauração da saúde mental, de equilíbrio psíquico. No entanto, resgatando os males ainda preponderantes na sua economia moral, adquirirá a harmonia que lhe facultará futuros cometimentos felizes, mediante os quais contribuirá em favor da ordem e do desenvolvimento intelectual, moral e espiritual de si mesmo, assim como da sociedade. (...) Quando as obsessões se fazem prolongadas e o paciente não se dispõe à recuperação ou não a consegue, a incidência continuada dos fluidos deletérios sobre os neurônios cerebrais termina por produzir afecções e distúrbios de grave porte que se tornam irrecuperáveis. Desse modo, as obsessões podem conduzir à loucura, à idiotia, e essas, por sua vez, serão ampliadas por influências espirituais perniciosas, que são realizadas pelos adversários do enfermo, que se utilizam da sua incapacidade de autodefesa para os desforços infelizes, nos quais se comprometem, por sua vez, com a própria consciência. Manoel Philomeno de Miranda – Reencontro com a Vida – 1o Parte – Cap. 5 – Obsessão, Idiotia e Loucura
  • 14. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 9 1.2.3 Resgate/Provação/Expiação Pululam em torno da Terra os maus Espíritos, em consequência da inferioridade moral de seus habitantes. A ação malfazeja desses Espíritos é parte integrante dos flagelos com que a Humanidade se vê a braços neste mundo. A obsessão, que é um dos efeitos de semelhante ação, como as enfermidades e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como provação ou expiação e aceita com esse caráter. Allan Kardec – A Gênese – Cap. 14 – Obsessões e Possessões Em toda obsessão, mesmo nos casos mais simples, o encarnado conduz em si mesmo os fatores predisponentes e preponderantes – os débitos morais a resgatar – que facultam a alienação. Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a Obsessão Desse modo, as obsessões, na sua fase inicial, antes da tragédia da subjugação, de mais difícil reequilíbrio, têm caráter Provacional, enquanto que a idiotia e a loucura estão incursas nas expiações redentoras, através das quais o espírito calceta desperta para a compreensão dos valores da vida, enriquecendo-se de sabedoria para os futuros comportamentos. Assim mesmo, nos casos dessa ordem, a contribuição psicoterapêutica do Espiritismo através da bioenergia, da água fluidificada, da doutrinação do paciente e dos espíritos que, possivelmente, estarão complicando-lhe o processo de desequilíbrio, a oração fraternal e intercessória são de inequívoco resultado saudável, proporcionando o bem-estar possível e a diminuição de sofrimento do paciente, a ambos encaminhando para a paz e a futura plenitude. Manoel Philomeno de Miranda – Reencontro com a Vida – 1o Parte – Cap. 5 – Obsessão, Idiotia e Loucura
  • 15. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 10 1.3 A Obsessão – Causas Preponderantes A Doutrina que estuda as obsessões, as suas causas preponderantes e predisponentes – o Espiritismo –, possui os recursos excepcionais capazes de vencer essa epidemia cruel que, generalizada, invade hoje a Terra em todos os seus pontos. Eurípedes Barsanulfo – Sementes de Vida Eterna – Cap. 50 – Tormentos da Obsessão 1.3.1 Débitos Cármicos Com origem nos refolhos do espírito encarnado, obsessões há em escala infinita e, consequentemente, obsidiados existem em infinita variedade, sendo a etiopatogenia de tais desequilíbrios, genericamente denominada distúrbios mentais, mais ampla do que a clássica apresentada, merecendo destaque aquela denominação causa cármica. Jornaleiro da Eternidade, o espírito conduz os germens cármicos que facultam o convívio com os desafetos do pretérito, ensejando a comunhão nefasta. Inicialmente o hospede espiritual (o obsessor), movido pela morbidez do ódio ou do amor insano, ou por outros sentimentos, envolve a casa mental do futuro parceiro (o obsedado) – a quem se encontra vinculado por compromissos infelizes de outras vidas, o que lhe confere receptividade por parte deste, mediante a consciência da culpa, o arrependimento desequilibrante, a afinidade nos gostos e aspirações, por ser endividado – enviando-lhe mensagens persistentes, em continuas tentativas telepáticas, até que sejam captadas as primeiras induções, que abrirão o campo a incursões mais ousadas e vigorosas. Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a Obsessão
  • 16. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 11 Neste capítulo, o das culpas, origina-se o fator causal para a injunção obsessiva; daí porque só existem obsidiados porque há dívidas a resgatar. A culpa, consciente ou inconscientemente instalada na casa mental, emite ondas que sintonizam com inteligências doentias, habilitando-se a in- tercâmbios mórbidos. A obsessão resulta de um conúbio por afinidade de ambos os parceiros. O reflexo de uma ação gera reflexo equivalente. Toda vez que uma atitude agride, recebe uma resposta de violência, tanto quanto, se o endividado se apresenta forrado de sadias intenções para o ressarcimento do débito, encontra benevolência e compreensão para recuperar-se. Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Prefácio Há muito mais obsessão, grassando na terra, do que se imagina e se crê. Nos processos obsessivos, não deixemos de repeti-lo, estão incursas na Lei as pessoas que constituem o grupo familiar e social do paciente, aí situado por necessidade evolutiva e de resgate para todos. Não se podem fugir à responsabilidade os que foram cúmplices ou co- autores dos delitos, quando os infratores mais comprometidos são alcançados pela justiça. Reunidos pelo parentesco sanguíneo ou através de conjunturas da afetividade, da afinidade, formam os grupos onde são alcançados pelos recursos reeducativos, dentro dos objetivos do progresso. A cruz da obsessão é peso que tomba sempre sobre os ombros das consciências comprometidas. Manoel Philomeno de Miranda – Nas Fronteiras da Loucura – Cap. Análise das Obsessões
  • 17. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 12 A consciência culpada é sempre porta aberta à invasão da penalidade justa ou arbitrária. E o remorso, que lhe constitui dura clave, faculta o surgimento de idéias-fantasmas apavorantes que ensejam os processos obsessivos de resgate das dívidas. Invariavelmente, na obsessão, há sempre o aproveitamento da ideia traumatizante – a presença do crime praticado –, que é utilizada pela mente que se fez perseguidora revel, apressando o desdobramento das forças deprimentes em latência, no devedor, as quais, desgovernadas, gravitam em torno de quem as elabora, sendo consumido por elas mesmas, paulatinamente. As idéias plasmadas e aceitas pelo cérebro, durante a jornada física, criam nos painéis delicados do perispírito as imagens mais vitalizadas, de que se utilizam os hipnotizadores espirituais para recompor o quadro apavorante, em cujas malhas o imprevidente se vê colhido, derrapando para o desequilíbrio psíquico total e deixando-se revestir por formas animalescas grotescas – que já se encontram no subconsciente da própria vítima – e que estrugem, infelizes, como o látego da justiça no necessitado de corretivo. Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Cap. 4 – Estudando o Hipnotismo
  • 18. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 13 1.3.2 Indolência Física/Mental Os indivíduos tornam-se presas fáceis dos seus antigos comparsas, tombando nos processos variados de alienações obsessivas, porque, além de se descurarem da observância espiritual da existência, mediante atitudes salutares, comportamento equilibrado e vida mental enriquecida pela prece, pela reflexão, não se esforçam por libertar-se dos aborrecimentos e problemas desgastantes do dia a dia, mediante a aplicação dos recursos físicos e especialmente os mentais, por acomodação preguiçosa ou por uma dependência emotiva, infantil, que sempre transfere responsabilidades para os outros e prazeres para si. A preguiça mental é um polo de captação das induções obsessivas pelo princípio de aceitação irracional de tudo quanto a atinge. Cabe ao homem que pensa dar plasticidade ao raciocínio, ampliando o campo das idéias e renovando-as com o aprimoramento da possibilidade de absorver os elementos salutares que o enriquecem de sabedoria e de paz íntima. Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a Obsessão Mentes viciadas com mais facilidade aceitam as sugestões morbíficas que lhes são insufladas dentro do campo em que melhor se expressam: desconfiança, ciúme, ódio, desvario sexual, dependência alcoólica ou toxicômana, gula, maledicência... Temperamentos arredios, suspeitosos, são mais acessíveis em razão de melhor agasalharem as induções equivalentes, que se lhes associam em forma de perfeita sintonia. Caracteres violentos, apaixonados, mais fortemente se fazem maleáveis em decorrência do espírito rebelde que nesse corpo habita, dissimulando as chispas que lhes acendem as labaredas do incêndio interior, a exteriorizar-se como fogareis destruidores... Personalidades ociosas são mais susceptíveis em razão da mente vazia sempre acolher o que lhe apraz, deixando-se conduzir pela personalidade dos seus afins desencarnados. Joanna de Ângelis – Alerta – Cap. 4 – Obsessão e Jesus
  • 19. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 14 Mentes em vigorosas emissões conscientes ou não dardejam em todas as direções. Inapelavelmente, por um processo de sintonia na mesma faixa de frequência de interesses, produzem intercâmbio salutar ou danoso, em processo de transmissão e de recepção. Se te elevas pelo pensamento, alcanças vibrações nobres; se te perturbas e vulgarizas, registas as mais grosseiras. Joanna de Angelis – Rumos Libertadores – Cap. 43 – Médiuns Conscientes
  • 20. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 15 1.3.3 Tendências Negativas Os espíritos perversos e infelizes sempre se utilizam das tendências negativas daqueles a quem odeiam, para estimulá-las, desse modo levando-os às situações penosas, perturbadoras. Se o homem se apoia nos recursos de elevação, difícil se torna para os seus verdugos espirituais encontrar as brechas pelas quais infiltram os seus pensamentos torpes, na sanha da perseguição em que se comprazem. Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Cap. 7 – Sementes da Insensatez Na Terra, igualmente, é muito grande o número de encarnados que se convertem, por irresponsabilidade e invigilância, em obsessores de outros encarnados, estabelecendo um consórcio de difícil erradicação e prolongada duração, quase sempre em forma de vampirismo inconsciente e pertinaz. São criaturas atormentadas, feridas nos seus anseios, invariavelmente inferiores que, fixando aqueles que elegem gratuitamente como desafetos, os perseguem em corpo astral, através dos processos de desdobramento inconsciente, prendendo, muitas vezes, nas malhas bem urdidas da sua rede de idiossincrasia, esses desassisados morais, que, então, se transformam em vítimas portadoras de enfermidades complicadas e de origem clínica ignorada... Outros, ainda, afervorados a esta ou àquela iniquidade, fixam-se, mentalmente, a desencarnados que efetivamente se identificam e fazem-se obsessores destes, amargurando-os e retendo-os às lembranças da vida física, em lamentável comunhão espiritual degradante... Além dessas formas diversificadas de obsessão, outras há, inconscientes ou não, entre as quais, aquelas produzidas em nome do amor tiranizante aos que se demoram nos invólucros carnais, atormentados por aqueles que partiram em estado doloroso de perturbação e egocentrismo... ou entre encarnados que mantém conúbio mental infeliz e demorado... Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a Obsessão
  • 21. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 16 Todo desregramento ou abuso de que sejamos dispenseiros se faz utilizado por mentes vigilantes e perversas do Mundo Espiritual, que açulam falsas necessidades, estabelecendo comércio lamentável e doloroso, em cujo curso surgem obsessões de consequências imprevisíveis, que se podem evitar antes, se refugiados no uso correto das faculdades da existência e na utilização da oração, forem aplicadas as horas na execução do programa de enobrecimento íntimo para o qual nascemos e renascemos. Marco Prisco – Sementeira da Fraternidade – Cap. 28 – Acessos à Obsessão
  • 22. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 17 1.4 A Obsessão – Profilaxia/Tratamento 1.4.1 Autoconscientização Portanto na terapia desobsessiva, o contributo do enfermo, tão logo raciocine e entenda a assistência que se lhe ministra, é de vital importância, porquanto, serão os seus pensamentos e atos que responderão pela sua transformação moral para melhor. A evangelização do espírito desencarnado é de suma importância, mas, igualmente, a da criatura humana que se emaranhou na delinquência e ainda não se recuperou do delito praticado. No campo das obsessões, não são poucos aqueles que, logo se melhoram, abandonam as disposições de trabalho e progresso, para correrem precipites, de retorno aos hábitos vulgares em que antes se compraziam... É comum fazer-se o compromisso íntimo de renovação e trabalho, enquanto perdura a doença, negociando-se com Deus a saúde que se deseja pelo que se promete realizar, como se a pratica das virtudes do bem fosse útil ao Pai e não dever de todos nós, que nos beneficia e felicita. Em particular àqueles que frequentam as Instituições espíritas, portando obsessões e não se recuperam, merece que se tenha em mente o fato de que a visão do medicamento não propícia a saúde, senão a ingestão dele e a posterior dieta conforme convém. A crença racional e o conhecimento são fatores muito poderosos, quando o indivíduo que se habilita aos mesmos esta honestamente resolvido a vivê-los. Saber, apenas, não representa recurso de imunização, se aquele que conhece não se resolve por aplicar, na vivência, as informações que possui. Demais, nem todos os males devem ser solucionados conforme a óptica de quem os padece, mas de acordo com os superiores programas que estabelecem o que é melhor para a criatura.
  • 23. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 18 A função do Espiritismo é essencialmente a de iluminação da consciência com a conseqüente orientação do comportamento, armando o seu aprendiz com os recursos que o capacitem a vencer-se, superando as paixões selvagens e sublimando as tendências inferiores mediante cujo procedimento se eleva. Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Cap. 24 – Obsessão Sutil e Perigosa Em qualquer problema de desobsessão, a parte mais importante e difícil pertence ao paciente, que afinal de contas é o endividado. A este compete o difícil recurso da insistência no bem, perseverando no dever e fugindo a qualquer custo aos velhos cultos do "eu" enfermo, aos hábitos infelizes, mediante os quais volta a sintonizar com os seus perseguidores que, embora momentaneamente afastados, não estão convencidos da necessidade de os libertar. Oração, portanto, mas vigilância, também, conforme a recomendação de Jesus. A prece oferece o tônico da resistência, e a vigilância o vigor da dignidade. Armas para quaisquer situações, são o escudo e a armadura do cristão... Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Cap. 8 – Processos Obsessivos
  • 24. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 19 1.4.2 Reeducação Mental Como é compreensível, o vício mental decorrente da convivência com o hospede (o obsessor) gera ideoplastias perniciosas de que se alimenta psiquicamente o hospedeiro (o obsidiado). Mesmo quando afastado o fator obsessivo, permanecem, por largo tempo, os hábitos negativos, engendrando imagens prejudiciais que constituem a psicosfera doentia, na qual se movimenta o paciente. Graças a tais fatores, nem sempre a cura da obsessão ocorre quando são afastados os pobres perseguidores, mas somente quando os seus companheiros de luta instalam no mundo intimo as bases do legitimo amor e do trabalho fraternal em favor do próximo, tanto quanto de si mesmos, através do reto cumprimento dos deveres. Um dos mais severos esforços que os enfermos psíquicos por obsessão devem movimentar, é o da reeducação mental, adaptando-se às idéias otimistas, aos pensamentos sadios, às construções edificantes. Por isso, a saúde mental que decorre da liberação das alienações obsessivas se faz difícil, porque ela depende, sobretudo, do enfermo, do seu esforço e não exclusivamente do afastamento do seu perturbador. Não basta somente afastar os seus adversários, para que os obsidiados se recuperem... A transformação intima, que é mais importante, porque procede do âmago do indivíduo, deve ser trabalhada, insistentemente tentada, a fim de que se desfaçam os fatores propiciatórios, os motivos que levam às dores, liberando cada um, a consciência, de modo a não tombar nas auto-obsessões, mais graves e de curso mais demorado... Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Cap. 31 – Gravames na Obsessão Uma força existe capaz de produzir resultados junto aos perseguidores encarnados ou desencarnados, conscientes ou inconscientes: a que se deriva da conduta moral. Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Examinando a Obsessão
  • 25. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 20 1.4.3 A Prece/a Meditação A prece liberta a mente viciada dos seus clichês perniciosos e abre a mente para a captação das energias inspiradoras, que fomentam o entusiasmo pelo bem e a conquista da paz através do amor. Entretanto, a fim que se revista de força desalienante, ela necessita do combustível da fé, sem a qual não passa de palavras destituídas de compromisso emocional entre aquele que as enuncia e a Quem são dirigidas. Por vezes o obsidiado, em desespero, recorda-se da oração e da necessidade de buscar os amigos, entretanto, nestes instantes muitas vezes a prece flui dos seus lábios sem a tônica do amor, da fé e portanto, não se irradia, não sintoniza com os Núcleos de captação de rogativas. Tudo são vibrações em estados diferentes de energia, desde a pedra até o pensamento que se exterioriza pela vontade. Captadas pelos Centros de registros mentais e transmitidas aos sábios prepostos do Senhor, as nossas rogativas levam cargas psíquicas que facilmente traduzem o significado real das nossas aspirações, ao mesmo tempo, facultando-lhes ajuizar com presteza a respeito da conveniência ou não, da justeza e oportunidade do pedido, assim facilitando o seu deferimento. A vontade disciplinada e o habito da concentração superior armam o homem para, e contra mil vicissitudes que defronta na sua escalada evolutiva. A concentração positiva libera a mente dos clichês viciosos, próprios ou recebidos de outras mentes, como do meio onde vive, já que somos sensíveis ao ambiente no qual nos movimentamos. Por adaptação às ocorrências do dia-a-dia o homem se deixa arrastar meio dormido pela correnteza dos acontecimentos, sem despertar o pensamento para que a mente raciocine com objetividade e discernimento, estabelecendo parâmetros do que deve e não deseja, ao que não deve, mas deseja fazer... Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Cap. 12 – Providências Inesperadas
  • 26. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 21 Aliando o esforço que cada um deve envidar a benefício próprio, a prece é fonte inexaurível que irriga o ser, renovando-o e aprimorando-o, ensejando também, logo após depurar-se, a plainar além dos reveses e tropelias, arrastado pelas sutis modulações das Esferas Superiores da Vida, onde haure vitalidade e força para superar todos os empeços. Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Cap. 6 – No Anfiteatro
  • 27. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 22 1.4.4 Ação Enobrecedora Nos processos de obsessão de qualquer natureza, as conquistas morais do paciente são-lhe o salvo-conduto para o trânsito sem problemas durante a sua vilegiatura carnal. Isto porque, liberado da constrição afligente, começa-lhe o período da recuperação dos débitos passados mediante outras provações de que necessita e de testemunhos que lhe aferirão as novas disposições abrigadas na alma. O maior antídoto à obsessão, além da comunhão com Deus, nunca será demasiado repeti-lo, é a ação enobrecedora. O trabalho edificante constitui força de manutenção do equilíbrio, porquanto, desenvolvendo as atividades mentais, pela concentração na responsabilidade e na preocupação para executar os deveres, desconecta os plugs que se encaixam as matrizes psíquicas receptoras das induções obsessivas. A oração, portanto, desdobrada na ação superior, representa a psicoterapia anti-obsessiva mais relevante, que está ao alcance de toda e qualquer pessoa responsável, de boa vontade. Apoiem-se na oração e no trabalho. A paisagem mental luarizada pela prece e o sentimento vinculado ao dever, no serviço, podem ser sitiados pelas forças da obsessão, mas nunca tombarão nas mãos dos pertinazes perseguidores. Manoel Philomeno de Miranda – Painéis da Obsessão – Cap. 32 – O Retorno de Felipe O conhecimento do Espiritismo realiza a melhor terapêutica para o espírito, higienizando-lhe a mente, animando-o para o trabalho reto e atitudes corretas e sobretudo dulcificando-o pelo exercício do amor e da caridade, como medidas providenciais de reajustamento e equilíbrio. Não há força operante no mal que consiga penetrar numa mente assepsiada pelas energias vitalizadoras do otimismo, que se adquire pela irrestrita confiança em Deus e pela prática das ações da solidariedade e da fraternidade. Manoel Philomeno de Miranda – Nos Bastidores da Obsessão – Cap. 6 – No Anfiteatro
  • 28. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 23 Quando se lhe falam (aos homens) do recurso da oração – anestésico sublime da dor, reage porque lhe desconhece a formula salutar. Quando convidado à meditação – estimulante de efeito enérgico e relevante, desconsidera-lhe o conteúdo porque se aclimatou … ociosidade mental em termos de reflexão e disciplina. Ao se lhe apresentarem uma leitura substanciosa – verdadeira psicoterapia otimista, reivindica as páginas chocantes da licenciosidade, por achar ingênuas aqueloutras, de significação ultrapassada. Se chamado à beneficência mediante ação pessoal – praxiterapia liberativa, apresenta escusa, por se acreditar sem condições. Convidado ao exercício da caridade fraternal em morros e favelas, palafitas e alagados – ginástica e ioga para o corpo, mente e espírito, prefere as fugas espetaculares através do desculpismo insensato, taxando de pieguistas essas realizações e atirando a responsabilidade desse mister a governos e organizações de serviço social. No entanto, o amor é melhor para quem ama e a ação dignificante eleva e pacifica aquele que a executa. Sem dúvida, a quimioterapia, a farmacopéia em geral dispõem de elevados contributos para o homem, minimizando-lhe enfermidades, erradicando velhas e calamitosas epidemias, ampliando as possibilidades da vida na terra. Sem embargo, a terapia espiritual vazada no Evangelho e nos recursos do Espiritismo é o maior antídoto ao desgaste, à excitação, ao cansaço, à violência, à criminalidade e à miséria social dos momentos cruciais que estrugem na Terra... Carneiro de Campos – Sementes de Vida Eterna: Cap. 8 – Doença e Terapêutica
  • 29. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 24 2 O SUICÍDIO – Sob a perspectiva da Doutrina Espírita 2.1 Suicídio – E as Leis Espirituais Tem o homem o direito de dispor da sua vida? Não, só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário transforma‑se numa transgressão desta lei. Allan Kardec – Livros dos Espíritos – 4º Parte – Cap. 1 – item 6 – Perg. 944 Para o que não crê na eternidade e julga que com a vida tudo se acaba, se os infortúnios e as aflições o acabrunham, unicamente na morte vê uma solução para as suas amarguras. Nada esperando, acha muito natural, muito lógico mesmo, abreviar pelo suicídio as suas misérias. A calma e a resignação, adquiridas na forma de considerar a vida terrestre e na fé no futuro, dão ao espírito uma serenidade que é a melhor defesa contra a loucura e o suicídio. Allan Kardec – O Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. 5 – item 14 – O Suicídio e a Loucura. O suicídio não é uma lei, não sendo, por isso mesmo imposto a quem quer que seja pela harmoniosa legislação divina, como o seriam, por exemplo, o resgate e a reparação da prática de um ato mau ou a morte natural do corpo físico terreno. Contrariamente, ele é ato reprovável pela mesma legislação, da inteira responsabilidade de quem o pratica. E crede, meus amigos, conquanto o coeficiente dos suicídios no vosso planeta se apresente calamitoso, os obreiros do Mundo Invisível tudo tentam para dele desviarem os homens, fazendo-o com muito enternecida boa vontade! Cumpre, no entanto, a estes cooperarem com aqueles a fim de que tão complexo malefício, atestado deplorável da inferioridade humana, seja definitivamente banido da sociedade terrena.
  • 30. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 25 O suicídio, como ninguém mais ignora, constitui para o Espírito, que a ele se aventurou em tão adversa hora, um estado complexo de semiloucura, situação crítica e lamentável de descontrole mental, forçando estudos e exames especiais dentro da própria Revelação Espírita Bezerra de Meneses – Dramas da Obsessão – 1º Parte – Cap. 3/6 Os motivos de suicídio são de ordem passageira e humana; as razões de viver são de ordem eterna e sobre-humana. A vida, resultado de um passado completo, instrumento de futuro, é, para cada um de nós, o que deve ser na balança infalível do destino. Aceitemos com coragem suas vicissitudes, que são outros tantos remédios para as nossas imperfeições, e saibamos esperar com paciência a hora fixada pela lei equitativa para termo da nossa permanência na Terra. Leon Denis – O Problema do Ser, do Destino e da Dor –1º Parte – Cap. 10 – A Morte Suicídio, não pense nisso Tolera com paciência Nem mesmo por brincadeira... Qualquer problema ou pesar; Um ato desses resulta Não adianta morrer, Na dor de uma vida inteira Adianta é se melhorar Cornélio Pires – Astronautas do Além – Cap. 3 – Suicídio
  • 31. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 26 2.2 Suicídio – O que É O suicídio não consiste somente no ato voluntário que produz a morte instantânea, mas em tudo quanto se faça conscientemente para apressar a extinção das forças vitais. Allan Kardec – O Céu e o Inferno – 2º Parte – Cap. 5 – Suicidas O suicídio é a culminância de um estado de alienação que se instala sutilmente. O candidato não pensa com equilíbrio, não se dá conta dos males que o seu gesto produz naqueles que o amam. Como perde a capacidade de discernimento, apega-se-lhe como única solução, esquecido de que o tempo equaciona sempre todos os problemas, não raro, melhor do que a precipitação. A pressa nervosa por fugir, o desespero que se instala no íntimo, empurram o enfermo para a saída sem retorno... Manoel Philomeno de Miranda – Loucura e Obsessão – Cap. 24 – O Trágico Desfecho É atestado de fraqueza e descrença geral, de desânimo generalizado, de covardia moral, terrível complexo que enreda a criatura num emaranhado de situações anormais. Charles – Recordações da Mediunidade – Cap. 6 – Testemunho Na verdade, o suicídio é basicamente, uma fuga. O suicida quer fugir de situações embaraçosas, de desgostos, de pessoas que detesta, de mágoas que não se sente com forças para suportar, deseja, afinal de contas, fugir de si mesmo. É aí que está a gênese de seu fatal desengano: não podemos, de maneira alguma, fugir de nós próprios. Logo, o suicídio é o maior, o mais trágico e lamentável equívoco que o ser humano pode cometer. Hermínio de Miranda – Revista Reformador – 1993 – Novembro – Vale a pena suicidar-se?
  • 32. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 27 Termo suicídio define um comportamento ou ato que visa a antecipação da própria morte. Essencialmente, ele resulta de um processo em que a dor psicológica intensa, consequência de acontecimentos que tornam a vida dolorosa e/ou insuportável, em que deixam de existir quaisquer soluções que permitam escapar a um processo de introspecção, que deixa como única solução a morte do próprio indivíduo. Este processo desenvolve‑se, regra geral, gradualmente num sentido negativo provocando um estado dicotômico em que passam a existir apenas duas soluções possíveis para um problema ou situação: viver ou morrer. Luís de Lamônica – Revista Espaço Espiritual – Setembro/2001– https://espacoespiritual.wordpress.com/2011/09/18/o–suicidio-e-o-espiritismo/ É o desejo de morte acolitado por um desejo de vida. É um insistente apelo mórbido dirigido ao próximo; é, também, um extenso pedido de socorro. Neste desejo-de-morte há um desejo-de-outra-vida; existe uma busca, embora doentia e destoante; traduz a condição psicopatológica em que se encontra, procurando alcançar e ferir o próximo; em irreverente apelo, as emoções destoantes e desorganizadas estão buscando, com a mais intensa ansiedade, o socorro que não chegara. Aqueles que mergulharam nas faixas do suicídio e que forma levados ao gesto extremo estavam, sem sombras de dúvidas, envolvidos por processo obsessivo; processo formado às custas de constantes atitudes negativas. Jorge Andréa – Revista Presença Espírita – No 91 – 1981 – Dezembro – Suicídio
  • 33. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 28 Era do nosso hábito, no começo da obra, e particularmente nos anos 60, passarmos o sábado ou o domingo em uma praia muito deserta, na periferia de Salvador, que hoje se transformou em um lugar famoso. Certo dia, um amigo que possuía uma propriedade ampla, onde estavam plantados dez mil coqueiros, gentilmente, nos emprestou a chave da casa, para irmos com as crianças e vivermos um pouco em contato com a Natureza. Dois fatos, entre muitos que aconteceram, foram marcantes, na nossa mediunidade, naquela época. De uma feita, nós, que sabíamos o caminho como a palma da mão, erramos a estrada. Maximiano, meu filho, ia dirigindo a kombi e por mais que tentássemos encontrar o lugar não acertávamos. Paramos numa venda, na estrada, e perguntamos onde ficava o local que procurávamos. O vendedor respondeu que fôssemos em frente até encontrarmos o rio Jacuípe, aí dobrássemos por outro trecho da estrada e sairíamos lá. Nós achamos estranho, porque ficava no sentido oposto ao que pensávamos. Mas fomos. Chegamos a uma região de beleza invulgar. O rio desaguando no mar. A paisagem de coqueiros, a areia alva. Éramos nove pessoas, Lygia, Ziza e outras tias. Quando fizemos a volta, olhei na direção do mar e vi que uma pessoa adentrava pelas águas, num lugar muito deserto. Então ouvi uma voz que me disse: — Salta, porque ela está tentando suicidar-se. Pedi a Maximiano: — Meu filho, pare o carro, aquela mulher vai-se matar! Todos ficaram surpresos e acharam até absurdo. Mas eu saí correndo, mar a dentro — não sei nadar — e peguei a senhora que estava numa crise de loucura. Segurei-a, tirando-a da água; então chegaram os outros, Lygia, Ziza, Maria, Carmem, e nós a arrastamos para a praia. Ela teve uma crise de desespero muito grande e a custo conseguimos acalmá-la.
  • 34. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 29 Levamo-la a uma casa que ficava a uns duzentos metros, onde ela residia. Era uma casa muito modesta. Ali ela teve uma hemoptise muito forte, sujando-me de sangue. Quando conseguiu acalmar-se, fui buscar água, limpei a roupa e então perguntei-lhe: — Por que a senhora quis matar-se? Ela contou uma história muito curiosa. Era mãe de seis filhos e algum tempo atrás contrairá tuberculose pulmonar. Com a doença, coincidentemente advirá uma nova concepção, que seria o sétimo filho. Naquele estado ela foi ao Quarto Centro de Saúde, na Calçada, em Salvador, e o médico diagnosticou estar ela realmente grávida e tuberculosa. Ele falou-lhe que naquele estado a gestação era um grande perigo, e o parto um grande risco de vida, sugerindo-lhe o aborto. Mas o aborto também era um grande risco de vida, e ela, uma pessoa muito pobre, muito necessitada, não tinha como solucionar o problema. Aí no posto, alguém aconselhou que fosse a um Centro Espírita que havia nesse bairro. Ela nada conhecia de Espiritismo, mas resolveu ir, naquela mesma noite, que era uma quinta-feira. Ficou na cidade, pois morava a quarenta quilômetros de distância. À noite, foi ao Centro. Lá ouviu um homem moço falar muito sobre os deveres perante a vida, a misericórdia de Deus, que Deus soluciona sempre todos os problemas, etc. Quando ele acabou de falar, ela quis tirar uma consulta e mandaram-na dar o nome e o endereço na portaria para na terça-feira buscar a resposta. Ela assim o fez, e viajou. Mas, no sábado, que era o dia em que os Espíritos iriam atender a consulta, o marido esteve lá, à tarde, bêbado.
  • 35. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 30 Já a havia abandonado, e deu-lhe uma surra muito grande. Ela ficou desesperada. No domingo pela manhã achou que a única solução para a sua vida era o suicídio. Naquela hora as crianças ficaram nervosas, começaram a chorar, e ela muito desesperada saiu correndo para entrar pelo mar e matar-se. Foi no justo momento em que nós passávamos. Perguntei-lhe qual era o endereço do Centro e ela disse que era na rua Barão de Cotegipe. Indaguei: — Você se lembra do moço que estava falando? — Não, senhor, porque o salão é muito grande e não o vi bem. Tirei os óculos escuros e perguntei-lhe: — Seria eu? — Meu Deus.' Foi o senhor quem estava falando — disse, surpresa. — Mas, como é que o senhor veio parar aqui? Deve ler sido a Providência Divina — respondi-lhe, emocionado. — Você pediu ajuda e eu vim, trazido pelos Espíritos. Aplicamos-lhe um passe, fizemos um culto evangélico e tomamo-la sob a nossa responsabilidade emocional. — Na terça-feira — recomendei-lhe — você vai à reunião e vamos ver o que os Espíritos aconselharam. Conversamos muito. Ela ficou mais consolada, cotizamo-nos, arranjamos algum dinheiro para ela comprar qualquer coisa de emergência e fomos para a tal praia. Aí não erramos mais. Fomos direto, passamos o dia. Mas eu fiquei com uma curiosidade de saber o que é que os Espíritos teriam colocado na consulta, para nos desviarem da rota no momento próprio. Quando chegamos a Salvador, eu fui à pasta de orientações espirituais, que arquivamos em ordem alfabética e lá estava escrito exatamente assim: "Receberá, no momento próprio, a solução para o magno problema da vida. A sua vida é muito preciosa para você e a Divindade, e deve ser poupada.
  • 36. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 31 Siga a orientação médica e acrescente os seguintes remédios..." Então vinham três remédios da Homeopatia, específicos para a tuberculose, inclusive um chamado Pulmonina, do Laboratório Seabra. Assim eu notei, uma vez mais, a interferência poderosa dos Espíritos e de alguma forma o merecimento dessa senhora, porque nós erramos vinte e tantos quilômetros de estrada num percurso que fazíamos a cada quinze dias. Na terça-feira, quando ela chegou, mostramos-lhe o resultado da consulta e conseguimos interná-la no Hospital Santa Terezinha, para tratamento especializado. Ela ficou boa, recuperou-se completamente. Nós ficamos com a criança que nasceu por último, pois ela não tinha a menor condição de mantê-la; a criança era muito frágil. Hoje está um adulto, já se emancipou. Desejo anotar a interferência dos Espíritos, a claridade do fenômeno mediúnico e também a lei do mérito, porquanto, se passássemos alguns segundos antes ou depois, o suicídio teria sido consumado. Isto foi em 1964. Divaldo Franco – O Semeador de Estrelas – Cap. 22 – A Moça da Praia
  • 37. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 32 2.3 Suicídio – Causas Morais/Espirituais Diversas podem ser as causas materiais, morais e espirituais do ato de suicídio, dentre elas destacam-se: • Desespero, o indivíduo se acha incapaz de arcar com os compromissos da vida. (Dificuldades financeiras, endividamento, insolvência, desemprego: perda abrupta ou continuada de recursos de manutenção) • Visão Materialista da Vida (a busca do nada, da aniquilação - desconhecimento da imortalidade do espírito). • Falta de Fé (mesmo tendo uma religião formal). • Orgulho Ferido (decepções/frustrações, diante de perdas amorosas, profissionais, familiares). • Tédio da Vida (solidão/tédio: ausência de objetivos existenciais, viuvez). • Condições Patológicas (moléstias consideradas incuráveis: busca de “ida” para um lugar sem dor). • Desordens depressivas (autopiedade exacerbada do tipo –“todo mundo está contra mim”). • Psicoses (suicídio, como vingança, para fazer sofrer alguém “os que ficam”). • Uso de drogas (vícios, alcoolismo/toxicomania/jogar compulsivamente, com perdas irreparáveis). • Influência Espiritual (obsessão/indução de terceiros, encarnados ou desencarnados). • Desestruturação familiar (lar desfeito na infância, conflitos familiares). • Tendências Reincidentes (advindas de suicídios em vidas anteriores).
  • 38. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 33 2.3.1 Orgulho ferido/Perdas Quanto mais valorizamos algo, mais forte será o vínculo, e maior consequentemente será o sofrimento ao perdê-lo. A vida só nos tira o que não nos pertence e de que não mais precisamos, ou que ainda necessitamos, mas não valorizamos; e esta última acontece para assimilarmos a lição da valorização. Altamir da Cunha – Revista Reformador – 2006 – Dezembro – Perdas, Depressão e Suicídio Por trás do desejo de antecipar o fim da vida, estão as perdas. Perda de saúde, autonomia, produtividade, papéis sociais. Perda de cônjuges, amigos, cuidadores e de outras pessoas nas quais eles depositam confiança. A dependência é um dos maiores problemas que atinge a terceira idade. Para o idoso, a perda da independência, não importa de que tipo seja, financeira, física, psíquica, etc., significam perda de espaço, de valores, de autodeterminação. O indivíduo dependente passa a ser invisível para uma sociedade que antes o valorizava por ser ativo e produtivo. Geralmente, este mesmo indivíduo, é visto desta mesma forma no seio familiar, que antes o tinha como provedor. Tal invisibilidade pode tornar o idoso isolado socialmente e causar outro problema de vital importância, a depressão. Valdirene Alves de Lima – Suicídio na Terceira idade – Universidade Católica de Brasília – 2010 Os conteúdos manifestos da fala dos idosos sobre a dimensão e o impacto das perdas que sofreram no decorrer de sua existência estão muito presentes: a morte de um ente querido, a inexistência de manifestações afetivas entre os membros das famílias, a restrição de sua autonomia, o cerceamento paulatino de sua liberdade e a usurpação financeira.
  • 39. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 34 Os lamentos e a tristeza são profundos em relação às mortes de familiares significativos e do círculo social. Enquanto as de companheiros de trabalho e da comunidade são sofridas como uma falta que faz parte da vida, as de um filho ou uma filha são sentidas profundamente pela prematuridade. Mas todas produzem uma sensação de acúmulo de perdas referenciais em que fica comprometido o círculo das relações primárias. Os processos migratórios também são mencionados como perdas, pois geralmente, no momento da velhice, quando se reavivam as lembranças do passado, sente-se mais falta dos que se distanciaram no tempo e da terra natal, particularmente se, quando a solidão ocorre, é escasso o apoio social Raimunda Magalhães da Silva – Influências dos problemas e conflitos familiares nas ideações e tentativas de suicídio de pessoas idosas – Ciência & Saúde Coletiva, vol. 20, núm. 6, Junho/2015
  • 40. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 35 2.3.2 Falta de Fé / Materialismo / Visão da Morte A incredulidade, a simples dúvida quanto ao futuro, as idéias materialistas, em uma palavra, são os maiores incentivadores ao suicídio: elas produzem a frouxidão moral. Quando vemos, pois, homens de ciência, que se apoiam na autoridade do seu saber, esforçarem-se para provar aos seus ouvintes ou aos seus leitores que eles nada têm a esperar depois da morte, não os vemos tentando convencê-los de que, se são infelizes, o melhor que podem fazer é se matarem? Que poderiam dizer para afastá-los dessa idéia? Que compensação poderão oferecer-lhes? Que esperanças poderão propor-lhes? Nada, além do nada! De onde é forçoso concluir que, se o nada é o único remédio heróico, a única perspectiva possível, mais vale atirar-se logo a ele, do que deixar para mais tarde, aumentando assim o sofrimento. A propagação das idéias materialistas é, portanto, o veneno que inocula em muitos a idéia do suicídio, e os que se fazem seus apóstolos assumem uma terrível responsabilidade. Com o Espiritismo, a dúvida não sendo mais permitida, modifica-se a visão da vida. O crente sabe que a vida se prolonga indefinidamente para além do cúmulo, mas em condições inteiramente novas. Daí, a paciência e a resignação, que muito naturalmente afastam a idéia do suicídio. Daí, numa palavra, a coragem moral. Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 5 – Item 14 – O Suicídio e a Loucura O materialismo, que infelizmente grassa, sem qualquer disfarce, na sociedade, coloca suas premissas no comportamento das pessoas e as propele para a conquista hedonista, para o gozo material exclusivo, empurrando as suas vítimas para as fugas alucinantes, quando os propósitos anelados não se fazem coroar pelos resultados esperados.
  • 41. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 36 Desfilam os líderes da aberração nos carros do triunfo enganoso, e muitos deles, não suportando a coroa pesada que os verga, são tragados pela overdose das drogas do desespero, que os retira do corpo mais dementados e atônitos do que antes se encontravam. Noutros casos, esses lideres são consumidos pelas viroses irreversíveis, especialmente pela Síndrome de imunodeficiência adquirida, que os exaure e consome a pouco e pouco, tornando-os fantasmas desprezíveis e aparvalhantes para aqueles mesmos que antes os endeusavam, imitavam e buscavam a sua convivência a peso de ouro e de mil abjeções. O adolescente, vivendo nesse clima de lutas acerbas e não havendo recebido uma base moral de sustentação segura, na vida física vê somente a superficialidade, o prazer mentiroso, a ilusão que comandam os comportamentos de todos, em terríveis campeonatos de loucura. Joanna de Angelis – Adolescência e Vida – Cap. 25 – O adolescente e o suicídio O suicídio é tema recorrente na maioria dos 12 volumes da Revista Espírita, demonstrando que Kardec tinha uma grande preocupação com o assunto. Em julho de 1862, escreve um artigo intitulado Estatística dos Suicídios, fazendo uma análise sobre o aumento dos suicídios na França, e procurando apontar as causas, lamentando que não existam pesquisas a respeito. Hoje, há essas pesquisas em todo mundo. Entre as que Kardec reconhece em seu tempo estavam as doenças mentais, problemas sociais, e sobretudo, o avanço do materialismo e a falta de perspectiva existencial. O artigo continua muito atual e revela bem como Kardec procurava abordar as questões, abrangendo todos os seus aspectos e procurando soluções educativas e preventivas.
  • 42. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 37 Para ele, a maior prevenção possível para o suicídio seria o conhecimento seguro e com contornos mais precisos da vida pós­ morte, que o Espiritismo nos dá. Demonstrada a imortalidade, de maneira clara e racional, o suicídio perde sua razão de ser. (...). Não poderia deixar de mencionar a educação, como a mais eficaz prevenção em relação ao suicídio. Mas que educação? Não é certamente essa que é dada nas escolas, que nem a função de instruir faz bem feita. Mas sim uma educação que procure cercar o indivíduo de fortes e sólidos afetos, de modo que ele nunca se sinta sozinho. Uma educação que trabalhe sentido existencial, resiliência diante da dor, projeto de vida... E sobretudo, uma educação que cuide desde cedo da espiritualidade e que abra uma perspectiva de eternidade e transcendência. Dora Incontri – Suicídio, a visão espírita revisita – 21/Setembro/2015 Acreditamos, firmemente, que a falta de fé responde pela quase totalidade dos suicídios. A fé é o alimento espiritual que, fortalecendo a alma, põe-na em condições de suportar os embates da existência, de modo a superá-los convenientemente. Analisando as demais causas, observamos que todas elas tiveram por germe, aqui e alhures, na Terra ou noutros mundos, nesta ou em encarnações pretéritas, a ausência da fé. O orgulho ferido é, também, falta de fé, porque a fé conduz à humildade profunda, e esta é inimiga do orgulho. É o seu melhor, o seu mais poderoso antídoto. O orgulho ferido pode levar o homem a sérios desastres que se perpetuarão, durante séculos, em seu carma. O esgotamento nervoso, que poderia ser evitado, no seu começo, se movimentados pudessem ter sido os recursos da “oração”, filha da fé”, pode conduzir o ser humano, nessa altura já fortemente assediado por forças obsessoras, ao extremo gesto.
  • 43. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 38 A loucura, por sua vez, responde por elevado número de deserções do mundo. E o chamado “tédio da vida”? Quantas cartas foram deixadas por suicidas referindo-se ao “cansaço da vida” e implicações correlatas? Por quê? Ausência de fé, evidentemente da fé que reside e brota dos escaninhos mais sagrados e mais profundos da alma eterna. Sim, há muita fé que existe, apenas, nos lábios. A fé iluminada pela razão, que é a fé espírita, capaz de encarar o raciocínio “face a face, em todas as épocas da humanidade”, suporta e vence, resiste e transpõe os mais sérios obstáculos, inclusive os relacionados com uma existência dolorosa, sob o aspecto moral ou físico, fértil em aflitivos problemas. Quem tem fé não deserta da vida, pois sabe que os recursos divinos, de socorro à humanidade são inesgotáveis. Não esvaziam os mananciais da misericórdia de Deus! Ante moléstia considerada incurável, procura o enfermo, algumas vezes, no suicídio, a solução do seu problema. Infeliz engano, pois a ninguém é lícito conhecer até onde chegam os recursos curadores da Espiritualidade Superior, que é a representação da Magnanimidade Divina. Quantas vezes amigos de Mais Alto intervêm, prodigiosamente, quando a Medicina, desalentada, já ensarilha as armas, por esgotamento dos próprios recursos?! Há outro tipo de suicídio, aquele que resulta da indução, sutil ou ostensiva, de terceiros, encarnados ou desencarnados, especial e mais numerosamente dos desencarnados, não sendo demais afirmar, por efeito de observação, que a quase totalidade dos autoextermínios foi estimulada por entidades perversas, inimigas ferrenhas do passado, que, ligando-se ao campo mental de quantos idealizam, em momento infeliz, o suicídio, corporificam-lhe, na hora adequada, a sinistra ideia. Julgamos ter analisado, com razoável acervo de exemplos, as causas mais frequentes do suicídio. Martins Peralva – O Pensamento de Emmanuel – Cap. 35 – Suicídio
  • 44. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 39 2.3.3 Visão distorcida da Morte A desinformação a respeito da imortalidade do ser e da reencarnação responde pela correria alucinada na busca do suicídio. (...) E essa falta de esclarecimento é maior no período infanto-juvenil, (...) facultando a fuga hedionda da existência carnal. Joanna de Angelis – Adolescência e Vida – Cap. 25 – O adolescente e o suicídio À hora do problema, não tendo, no lar, com quem falar, ele recorre a um amigo que tem o mesmo problema. Quase sempre, aquele amigo-problema indu- lo a uma solução-problema. Naquele ambiente de jovens problematizados, sem diretrizes, o suicídio se lhe afigura como uma solução, isto porque o lar, desestruturado cristãmente, não lhe consolidou na alma juvenil a certeza da sobrevivência. Divaldo Franco A morte nenhum temor inspira ao justo, porque, com a fé, ele tem a certeza do futuro; a esperança faz com que aguarde uma vida melhor e a caridade, cuja lei praticou, dá-lhe a certeza de que, não encontrará no mundo onde vai entrar, nenhum ser cujo olhar deva temer. Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 941 961 – Qual o sentimento que domina a maioria dos homens no momento da morte: a dúvida, o terror ou a esperança? A dúvida nos céticos empedernidos; o temor, nos culpados; a esperança, nos homens de bem. Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 961
  • 45. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 40 Prepare-se para a morte. Desde hoje vença a dúvida, supere o temor, alente a esperança. Ligado a Jesus-Cristo, o Protótipo da Idéia-Vida, renove-se hoje e sempre, pensando no bem, a fim de que o Bem Inefável conduza os seus dias na Terra. Marco Prisco – Legado Kardequiano – Cap. 56 – Ideia Talvez seja esta a grande contribuição da Morte para nossa Vida: mostrar- nos que devemos viver bem cada instante sem, contudo, apegarmo-nos a ele. Quem vive a vida em plenitude tem a morte como algo natural e, mesmo não a procurando ou desejando, aceita-a com tranquilidade quando chega ou quando se manifesta próxima de si. O Medo da Morte é o medo da Vida não vivida. É o medo dos muitos débitos que temos para com nossa própria vida, e que a morte nos impedirá de saldar. Reafirmamos, então, que quem teme a morte teme a Vida. Em outras palavras; quem não sabe Viver, certamente não saberá morrer. Viver intensamente significa poder olhar para trás e sentir que não estamos sofrendo, hoje, por aquilo que ontem nos deu algum prazer. O que é bom e correto nunca se torna causa de sofrimento e dor. Não sabemos quando virá nossa morte, nem a forma como ela virá. É preferível então que estejamos sempre preparados para ela, aprendendo com isso a viver melhor. Evaldo D`Assumpção – Sobre o Viver e o Morrer – Introdução/Cap. 4/Cap.6
  • 46. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 41 2.3.4 Tendências Reincidentes Há adolescentes, contudo, que cometem o suicídio, não por falta de cuidados dos genitores ou de uma educação familiar desatenta, mas em razão de dificuldades próprias, evidenciadas no caráter e no comportamento, relacionadas a equívocos cometidos perante a lei de Deus, em existências passadas. Tais Espíritos sintonizam com Espíritos transviados, desde os primeiros momentos da reencarnação, estabelecendo entre eles laços que favorecem acesso ao sombrio mundo das viciações e de tantas outras perturbações. Marta Antunes Moura – Revista Reformador – 2007 – Maio – Suicídio na Adolescência Grande número delas, suicidas do passado, renascem com as impressões do gesto anterior, e porque desarmadas, na sua quase totalidade, de equilíbrio, vendo, ouvindo e participando dos dramas em que se enleiam os adultos que as não respeitam, antes considerando-as pesados ônus que devem pagar, repetem o ato infeliz do suicídio, tombando nas refregas de dor, que posteriormente as trarão de volta em expiações muito laceradoras. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 17 – Suicídio solução insolvável Entrevista com Chico Xavier relativa às causas dos Suicídios – O suicídio é consequência de fatores psicológicos em desagregação ou de influências espirituais em evolução? Todos sabemos: cada espírito é senhor do seu próprio mundo individual. Quando perpetramos a deserção voluntária dos nossos deveres, diante das leis que nos governam, decerto que imprimimos determinadas deformidades no corpo espiritual.
  • 47. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 42 Essas deformidades resultam das causas cármicas estabelecidas por nós mesmos, pelas quais sempre recebemos de volta os efeitos das próprias ações. Cometido o suicídio nessa ou naquela circunstância, geramos lesões e problemas psicológicos na própria alma, dificuldades essas que seremos chamados a debelar na próxima existência, ou nas próximas existências, segundo as possibilidades ao nosso alcance. Assim, formamos, com um suicídio, muitas tentações a suicídio no futuro, porque em nos reencarnando, carregamos conosco tendências e inclinações, como é óbvio, na recapitulação de nossas experiências na Terra. Quando falamos “tentações” não nos referimos a esse tipo de tentações que acreditamos provir de entidades positivamente infelizes, cristalizadas na perseguição às criaturas humanas. Dizemos tentações oriundas de nossa própria natureza. Sabemos que a tentação em si, na verdadeira acepção da palavra, nasce dentro de nós. Por isso mesmo poderíamos ilustrar semelhante argumento lembrando um prato de milho e um brilhante de alto preço: levado o brilhante de alto preço à percepção de um cavalo, por exemplo, é certo que o equino não demonstraria a menor reação; mas em apresentando a ele o prato de milho, fatalmente que ele reagirá, desejando absorver a merenda que lhe está sendo apresentada. Noutro ponto de vista, um homem não se interessaria por um prato de milho, no entanto, se interessaria compreensivelmente pelo brilhante. Justo lembrar que a tentação nasce dentro de nós. Quando cometemos suicídio, plasmamos causas de sofrimento muito difíceis de serem definitivamente extirpadas. Por isso, muitas vezes, os irmãos suicidas são repetentes na prova da indução ao suicídio, descendo, desprevenidos, à consideração para consigo próprios.
  • 48. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 43 Benfeitores da Vida Maior são unânimes em declarar que, em todas as ocasiões nas quais sejamos impulsionados a desertar das experiências a que Deus nos destinou na vida terrestre, devemos recorrer à oração, ao trabalho, aos métodos de autodefesa e a todos os meios possíveis da reta consciência, em auxílio de nossa fortaleza e tranquilidade, de modo a fugirmos de semelhante poço de angústia. Francisco Cândido Xavier – A Terra e o Semeador – Perg. 136
  • 49. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 44 2.3.5 A Obsessão Desde a morte do pobre Leonel, verificada, como sabes, por um suicídio em tão trágicas condições, a família inteira sente ímpetos para o suicídio. Não ignoras que sua filha Alcina suicidou-se também, dez meses depois dele próprio. Agora é seu filho Orlando que deseja morrer, havendo já tentado algumas vezes o ato terrível. Trata-se de um caso de obsessão coletiva simples, meu caro irmão... carente de intervenção imediata de socorro espiritual, a fim de que se evitem outros suicídios na família.... (...) O chefe da família, Leonel, pôs termo à existência terrena, desfechando um tiro de revólver no ouvido direito, e que sua filha primogênita, jovem de vinte primaveras, lhe imitou o gesto alguns meses depois, servindo-se, porém, de um tóxico violento... O outro filho seu, de quinze anos de idade, tentou igualmente o sinistro ato, salvando-se, no entanto, graças à ação prestimosa de amigos agilíssimos, que evitaram fôsse ele colhido por um trem de ferro. Vimos ambos os suicidas ainda retidos no próprio teatro dos acontecimentos: Leonel, vagando, desolado e sofredor, a bradar por socorros médicos, traindo nas próprias repercussões vibratórias o gênero da morte escolhida sob pressões invisíveis... e Alcina, a filha, com o perispírito ainda em colapso, desmaiada sob o choque violento do ato praticado.... Distinguimos também os obsessores... Yvonne Pereira – Dramas da Obsessão –1º Parte – Cap. 1 – Leonel e os Judeus A obsessão na infância muitas vezes é continuidade da ocorrência procedente da Erraticidade. Sem impedir o processo da reencarnação, essa influencia perniciosa acompanha o período infantil de desenvolvimento, gerando graves dificuldades no relacionamento entre filhos e pais, alunos e professores, vida social saudável entre coleguinhas.
  • 50. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 45 Irritação, agressividade, indiferença emocional, perversidade, obtusão de raciocínio, enfermidades físicas e distúrbios psicológicos fazem parte das síndromes perturbadoras da infância, que tem suas nascentes na interferência de Espíritos perversos uns, traiçoeiros outros, vingativos todos eles... Manoel Philomeno de Miranda – Sexo e Obsessão – Cap. 4 – O drama da obsessão na infância Certa criança de três anos e alguns meses vinha tentando o suicídio das mais diferentes maneiras, o que lhe resultara, inclusive, ferimentos: um dia, jogou- se na piscina; em outro, atirou-se do alto do telhado, na varanda de sua casa; depois quis atirar-se do carro em movimento, o que levou os familiares a vigiá- la dia e noite. Seu comportamento, de súbito, tornou-se estranho, maltratando especialmente a mãe, a quem dirigia palavras de baixo calão que os pais nunca imaginaram ser do seu conhecimento. Suely Caldas Schubert – Obsessão e Desobsessão – Cap. 12 – A criança obsidiada Obsidiada fui eu, é verdade. Jovem caprichosa, contrariada em meus impulsos afetivos, acariciei a idéia da fuga, menoscabando todos os favores que a Providência Divina me concedera à estrada primaveril. Acalentei a idéia do suicídio com volúpia e, com isso, através dela, fortaleci as ligações deploráveis com os desafetos de meu passado, que falava mais alto no presente. Esqueci-me dos generosos progenitores, a quem devia ternura; dos familiares, junto dos quais me empenhara em abençoadas dívidas de serviço; olvidei meus amigos, cuja simpatia poderia tomar por valioso escudo em minha justa defesa, e desviei-me do campo de sagradas obrigações, ignorando deliberadamente que elas representavam os instrumentos de minha restauração espiritual.
  • 51. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 46 Refletia no suicídio com a expectação de quem se encaminhava para uma porta libertadora, tentando, inutilmente, fugir de mim mesma. E, nesse passo desacertado, todas as cadeias do meu pretérito se reconstituíram, religando-me às trevas interiores, até que numa noite de supremo infortúnio empunhei a taça fatídica que me liquidaria a existência na carne. (...). Em verdade, eu era obsidiada ... Sofria a perseguição de adversários, residentes na sombra, mas perseguição que eu mesma sustentei com a minha desídia e ociosidade mental. (...) Agora, que se me refazem as energias, recebi a graça de acordar nos amigos encarnados a noção de «responsabilidade» e «consciência», no campo das imagens que nós mesmos criamos e alimentamos, serviço esse a que me consagrei, até que novo estágio entre os homens me imponha a recapitulação total da prova em que vim a desfalecer. Hilda – Vozes do Grande Além – Cap. 40 – Suicídio e Obsessão
  • 52. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 47 2.3.6 Desordens Depressivas Esta melancolia sistemática, atormentadora, vem-se aprofundando no teu comportamento, de tal forma, que enveredas, sem dar-te conta, pelas vias torpes da depressão de grave trato. Essa tristeza que agasalhas, prejudicial e renitente, coloca a máscara de dor na tua face, conduzindo-te, inadvertidamente, a uma neurose de lento curso com todos os seus efeitos danosos. Aquela fixação, que te vai dominando as paisagens mentais, substitui, a pouco e pouco, a polivalência das idéias, alienando-se da sociedade onde te encontras... A marca do sofrimento reflete-se no teu rosto, qual se fosse feita por garras devastadoras, que procedem, no entanto, do teu mundo íntimo, conspirando contra o teu progresso. A impressão do desgosto passou a compartir com as tuas alegrais, diminuindo-as e empurrando-te sempre para os abismos da psicose maníaco- depressiva. O cultivo dos pensamentos deprimentes gera, na tua conduta, a destruição dos ideais superiores, amargurando as horas que poderias fruir como estímulo para o prosseguimento da tua jornada. Joanna de Angelis – Revista Reformador – 1988 – Maio – Loucura e Suicídio Frente a frente com esta realidade, que assusta e fere, vamos encontrar jovens que procuram abrigo nos falsos refúgios da tristeza e da amargura. Outros apelam para a rebeldia e para a agressividade. Buscam nesses meios a forma de neutralizar os açoites psicológicos a que se vêem expostos, ininterruptamente. Ativando os mecanismos da defesa psíquica, muitos jovens alheiam-se da realidade, aprisionando-se, lentamente, nas malhas da depressão.
  • 53. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 48 A depressão faz instalar no recôndito do ser desta jovem criatura uma amargura profunda, uma dor infinita, uma tristeza sem-fim. O Espírito adoece, passo a passo, chegando a ponto de ver na morte, no atentado à existência física, a solução que lhe parece salvadora. Dias da Cruz – Revista Reformador – 2005 – Agosto – Suicídio na Adolescência Induvidosamente, é esta a consequência mais terrível da depressão: o suicídio. Quando ele ocorre, deixa marcas profundas, dificilmente superáveis, nos familiares e amigos. Estes, atravessarão largo período da existência se perguntando: O aconteceu para que ele/ela fizesse isto? E agora, o que será de nosso ente querido? Onde e como teremos falhado para com ele/ela?... O suicídio, consoante magistério da Doutrina Espírita, pode ser direto/indireto, ou consciente/inconsciente. Suicídio indireto/inconsciente, como facilmente se compreende, é aquele em que a morte não é buscada deliberadamente, num gesto precipitado, irreversível. A pessoa, dominada por uma tristeza longamente agasalhada (para nos referirmos somente à depressão), pouco e pouco vai se abatendo, entregando-se ao desalento, consumindo as forças psíquicas e físicas, até que o corpo, perdidas todas as resistências, não mais permite que a alma nele se mantenha, expulsando-a da vida. Nessa morte emocional a pessoa se nega a viver. A tristeza longamente agasalhada, a mágoa conservada, a rebeldia sistemática, a irritação constante, o desespero irrefreado, dentre outros estados emocionais mórbidos, podem ser considerados suicídios indiretos/inconscientes, cujos efeitos no além-túmulo, serão danosos para o espírito. Este, se não superada a aflição enquanto no corpo, prosseguirá desditoso além da vida física, podendo assim permanecer na Erraticidade até reencarnar trazendo, no bojo subconsciencial, a depressão não superada.
  • 54. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 49 A depressão, portanto, pode ser comparada a um suicídio psicológico, que se dá pela ausência de valor moral para o enfrentamento das vicissitudes. O depressivo não faz a opção por si mesmo, optando pela derrocada e vendo no fracasso algo natural ou inevitável. Izaias Claro – Depressão Causas, Consequências e Tratamentos – Pag. 104 É possível que os distúrbios serotônicos respondam pelo ato alucinado, muito embora não deixem de ser o resultado de agentes psicológicos mais sutis e graves, como a angústia, a insegurança, os conturbadores fenômenos psicossociais e econômicos, as enfermidades crucificadoras, o sentimento de desamparo e de perda, todos com sede na alma imatura e ingrata, fraca de recursos morais para sobrepô-los às contingências transitórias desses propelentes ao ato extremo. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 17 – Suicídio – solução insolvável
  • 55. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 50 2.3.7 Tédio da Vida Por outro lado, aparecem indivíduos que se aferram aos objetivos que se lhes representam como vida: amar apaixonadamente alguém, cuidar de outrem, dedicar-se a um labor, a uma tarefa artística ou não, a um ideal ou à abnegação, e que, concluída a motivação, negam-se a viver, matando-se emocionalmente e sucumbindo depois... Joanna de Angelis – Momentos de Iluminação – Cap. Opção pela Vida Preencha as horas vazias com trabalho útil. A ferrugem sempre agride a ferramenta inativa. (...) Todos somos chamados à vida para glorifica-la no serviço do bem e no aperfeiçoamento de nós mesmos. Entretanto, se teimamos em marcar passo, rendendo culto sistemático ao tédio, ninguém pode prever quantas vezes recomeçaremos. André Luiz – Caderno de mensagens – Cap. 66 – Remédio contra o Tédio Quando o tédio te procure, vai à escola da caridade… Ela te acordará para as alegrias puras do bem e te fará luz no coração, livrando-te das trevas que costumam descer sobre as horas vazias. Emmanuel – Coragem – Cap. 1 – Quando o Tédio apareça Trabalha constantemente Se procuras luz e paz. O tédio é a chaga invisível Daquele que nada faz. Casimiro Cunha – Gotas de Luz – Cap. 34 – Apartes
  • 56. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 51 Quem sofra a prisão do tédio, Se anseia libertação, Use sempre este remédio: — Trabalhar para ser são. Orlando Candelária – Sorrir e Pensar – Cap. 13 – Temas da Obsessão Gente que sofre de tédio E a todo instante se enguiça, Não se sabe se é doente Ou se é caso de preguiça. Cornélio Pires – Degraus da Vida – Cap. 9 – No abuso
  • 57. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 52 2.3.8 Conflitos Familiares O espetáculo trágico, todavia, assume gravidade e constrangimento maiores, quando crianças -- que ainda não dispõem do discernimento -- optam pela aberrante decisão. Amadurecidas precipitadamente, em razão dos lares desajustados e das famílias desorganizadas; atiradas à agressividade e aos jogos fortes com que a atual sociedade lhes brinda, extirpando-lhes a infância não vivida, sobrecarregam-se de angústias e frustrações que as desgastam, retirando-lhes da paisagem mental a esperança e o amor. Vazias, desprotegidas do afeto que alimenta os centros vitais de energia e beleza, vêem-se sem rumo, fugindo, desditosas, pela porta mentirosa do suicídio. Ademais, grande número delas, suicidas do passado, renascem com as impressões do gesto anterior e, porque desarmadas, na sua quase totalidade, de equilíbrio, vendo, ouvindo e participando dos dramas em que se enleiam os adultos que não as respeitam, repetem o ato infeliz, tombando nas refregas da dor que posteriormente as trarão de volta em expiações muito laceradoras. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 17 – Suicídio solução insolvável Uma outra reflexão, mais aprofundada, merece ser considerada por todas as criaturas devotadas ao bem: trata-se do suicídio na puberdade e adolescência. Jovens, apenas contando com poucos anos de experiência reencarnatória, são conduzidos ao suicídio em decorrência de causas diversas, tais como: conflitos familiares; fragilidade da estrutura moral própria do Espírito; dependência de substâncias químicas que conduzem ao vício; obsessão. Os conflitos familiares destacam-se em relação às demais causas.
  • 58. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 53 Os contínuos choques dos embates domésticos, entre cônjuges e filhos, produzem impactos de monta nas estruturas psíquicas dos envolvidos. A desunião familiar, associada ao desamor, assemelha-se à ação dos tóxicos que produzem alucinações na mente da criança e do jovem. A ausência do amor nas relações familiares, manifestada sob a forma de comportamentos extremados de abandono ou superproteção, infiltram ilusões perniciosas no psiquismo do Espírito em processo de recomeço nas experiências do plano físico Dias da Cruz – Revista Reformador – 2005 – Junho – Suicídio na Adolescência
  • 59. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 54 2.3.9 Isolamento Social/Solidão A família tem uma responsabilidade enorme nesse processo, afirma Denise Machado Duran Gutierrez. “O velho não só sofre processo de migração, de deslocamento”. Mas, também, muitas vezes na própria casa, perde o quarto principal, vai para um quartinho de fundo. Os filhos, quando o levam ao médico, falam por ele, o tratam como criança, desautorizam no médico. O idoso vai perdendo voz, “espaço”, acusa a especialista. Em uma pesquisa sobre 51 casos de suicídio cometidos por pessoas com mais de 60 anos, a professora da Universidade Federal do Amazonas identificou que o fator de maior frequência por trás do ato foi o isolamento social: ao investigar com familiares das vítimas, constatou que esse foi o motivo de 32,1% dos homens e 31,7% das mulheres. Paloma Oliveto – Sem Forças – Correio Braziliense – 17/02/2017 A solidão pode ser considerada como uma das principais causas da ocorrência do suicídio. Na fase da velhice que a solidão se apresenta mais desesperadora, com o passar dos anos, os sentimentos de solidão e vazio existencial tornam-se mais consistentes e angustiantes. Na velhice, ocorre um sentimento de abandono e este sentimento se mostra real à medida que este velho se vê abandonado por uma sociedade que valoriza o papel social produtivo, pela família que não o tem mais como sustentáculo, e enfim, por ele mesmo que acaba sendo acometido por uma desesperança angustiante. Frente a tanto descaso, se isola abraçando a solidão. O idoso torna-se invisível, transparente, para a sociedade, para a família e por vezes até para ele mesmo, e esse isolamento é um dos aspectos mais dolorosos da condição humana. A sociedade desvaloriza e marginaliza o idoso, fazendo com que este veja na morte uma saída desesperada.
  • 60. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 55 A ausência de motivação, inapetência, indiferença intelectual, tédio, sentimento de decadência, insegurança, dependência afetiva, ruptura de comunicação, etc. são alguns aspectos psicológicos da velhice, que são reforçados pela hostilidade da sociedade com relação aos velhos, ou pelos próprios velhos, como defesa contra tal hostilidade. Valdirene Alves de Lima – Suicídio na Terceira idade – Universidade Católica de Brasília – 2010 Adicionalmente, existe muita dificuldade na comunicação no cotidiano, seja porque, algumas vezes os familiares exigem determinado tipo de comportamento da pessoa idosa, seja porque ela própria, acostumada a mandar, ordenar e ser obedecida passa a ser comandada por outra família nuclear à qual se agrega. Frequentemente o idoso não sabe lidar com essas novas situações, sente-se tolhido em seus desejos e modo de pensar, o que lhe causa uma angústia indescritível. A falta de apoio familiar pode ser um fator preditivo para o comportamento suicida dos idosos. O empobrecimento das relações primárias se reflete na dinâmica cotidiana, o que torna o ambiente de convivência insuportável. O idoso se ressente quando filhos, netos, noras e genros não se entendem, pois, isso o priva dos encontros com familiares queridos e o isola ainda mais. Por se sentir sem amparo emocional ou por não ter o suporte adequado das pessoas a quem ama, a pessoa idosa vai se desprendendo do elo com a vida e passa a deseja antecipar seu fim. Outro ponto de tensão é a inexistência de manifestações de afetos entre os membros das famílias, a sensação de abandono dos familiares e amigos, e a falta de apoio para lidar com as situações depressivas. Raimunda Magalhães da Silva – Influências dos problemas e conflitos familiares nas ideações e tentativas de suicídio de pessoas idosas – Ciência & Saúde Coletiva, vol. 20, núm. 6, Junho/2015
  • 61. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 56 3 O SUICÍDIO E A OBSESSÃO 3.1 O Suicídio por processo Obsessivo 3.1.1 Considerações Gerais O suicídio, como ninguém mais ignora, constitui para o Espírito, que a ele se aventurou em tão adversa hora, um estado complexo de semiloucura, situação crítica e lamentável de descontrole mental, forçando estudos e exames especiais dentro da própria Revelação Espírita. Entretanto, existem nele certos traços gerais, que convêm examinados ainda uma vez: — Os suicídios que tiveram por causa a obsessão de um Espírito perverso, sobre o encarnado, apresentam certa parcela de atenuantes para a vítima e agravantes para o algoz. Existem suicidas que se viram sugestionados a cometerem o ato terrível, através do sono de cada noite, por uma pressão obsessora do seu desafeto espiritual, desafeto que poderá ser também um espírito encarnado, e à qual não se puderam furtar, tal o paciente que, recebendo do seu magnetizador uma ordem durante o transe sonambúlico, cumpre-a exatamente dentro do prazo determinado por este, mesmo quando se passaram já muitos meses depois da experiência. Outros existem que não querem absolutamente morrer, não desejam o suicídio; que relutam mesmo contra a idéia por que se vêem atormentados e se horrorizam ao compreender que algo desconhecido os arrasta para o abismo, abismo esse que temem e ante o qual se apavoram. Apesar disso, sucumbem, precipitam-se nele, uma vez que, deseducados da luz das verdades eternas, desconhecedores do verdadeiro móvel da vida humana, como da natureza espiritual do homem, não lograram forças nem elementos com que se libertarem do jugo mental terrível e malfazejo, cujo acesso permitiram.
  • 62. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 57 Eles vêem junto a si antes de efetivado o ato, com impressionante segurança, tais se materializados fossem diante dos seus olhos corporais, os quadros mentais que o obsessor fornece através da telepatia ou da sugestão: — um receptáculo de veneno ou substância corrosiva; um revólver engatilhado, que misteriosa mão sustém, oferecendo-lhe; uma queda de grande altura, onde eles próprios se vêem despenhando; um veículo em movimento, sob o qual se deverá arrojar, etc. Sofrem assim, por vezes, durante meses consecutivos, sem ânimo para confidenciarem com amigos, uma agonia moral extenuante e arrasadora, uma angústia deprimente e inconsolável, que lhes agravam os males que já os infelicitavam, angústia que nenhum vocábulo humano será eficiente para bem traduzir. Notemos, todavia, que tratamos tão somente da obsessão simples, ou seja, daquela que é ignorada por todos, até mesmo pelo obsidiado, da que se não revela ostensivamente, objetivando alteração das faculdades mentais, mas que, sutilmente, ocultamente, através de sugestões lentas, sistemáticas, solapa as forças morais da vítima, tornando-a, por assim dizer, incapaz de reações salvadoras. Pouco a pouco, sob tão doentia pressão magnética, uma tristeza suprema e avassalador desânimo comprometem as energias do assediado. Aterrador alarme desorienta-o, todos os fatos da vida, mesmo os mais vulgares, se lhe apresentam ao raciocínio contaminados pela infiltração obsessora, dramáticos, maus, irremediáveis! Esquece-se ele de tudo, até mesmo do seu Criador, ao qual, em verdade, jamais considerou, mas em cujo amor encontraria proteção e forças para resistir à tentação. E somente se preocupa com o meio pelo qual se furtará aos males que o afligem. Então sucumbe sem apelação, curva-se à vontade que conseguiu dominar a sua vontade, servindo-se da sua fraqueza de homem despreocupado das razões da Vida e ignorante de si mesmo, que da existência só conheceu, muitas vezes, a feição meramente animal.
  • 63. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 58 Daí se concluirá, então, da necessidade de os homens procurarem conhecer a si mesmos, isto é, que possuem nos recessos da personalidade um sexto-sentido, um dom natural capaz de permitir tais desastres, se se conservar ignorado, e se eles próprios, os seus portadores, preferirem viver alheios às causas sérias e elevadas, que lhes permitiriam a harmonização com estados psíquicos superiores, que de tudo isso os eximiriam, uma vez que o obsidiado possuirá, forçosamente, para que se torne obsidiado, os ditos dons mediúnicos, tal como toda a Humanidade os possui. Ora, o suicídio, assim efetuado, transformou-se antes num assassínio gravíssimo, contornado de agravantes, cometido pelo obsessor, que responderá pela crueldade exercida, perante a justiça do Criador Supremo. Quanto ao obsidiado, sua responsabilidade certamente foi profunda, em razão de haver permitido acesso às arremetidas inferiores, por se conservar igualmente inferior, não desejando o próprio progresso com a renovação dos próprios valores morais à procura do ser espiritual e divino existente em si, não tentando reações de ordem moral e mental para dignamente se equilibrar nos deveres impostos pela existência. Responderá, portanto, pela fraqueza e a descrença que testemunhou, enfrentando, após o suicídio, momentos críticos, decepcionantes, da vida do Além, e retornando à Terra para, em existência nova, terminar a que fora interrompida pela fragilidade demonstrada ao entregar-se às mãos do algoz, sem tentar defender-se com as devidas diligências, ou reações. Bezerra de Meneses – Dramas da Obsessão – Cap. 6 O suicídio alcança, na atualidade, cifras assustadoras, e, nas faixas extremas da existência humana – juventude e velhice – revelam-se como sendo os níveis de ocorrência acentuada. Homens e mulheres fogem dos problemas que lhes martirizam a existência por atentados à própria vida, os quais lhes minam as forças e lhes produzem sofrimentos maiores.
  • 64. ObsCídio – A Obsessão e o Suicídio 59 As taxas de suicídio, aumentadas nas últimas décadas, revelam outro ponto alarmante: o gênero de suicídio. Neste sentido, é significativo o número de pessoas que retornam ao plano espiritual trazendo mutilações perispirituais severas em razão das formas selecionadas para concretizar o atentado contra a vida. Uma outra reflexão, mais aprofundada, merece ser considerada por todas as criaturas devotadas ao bem: trata-se do suicídio na puberdade e adolescência. Jovens, apenas contando com poucos anos de experiência reencarnatória, são conduzidos ao suicídio em decorrência de causas diversas, tais como: conflitos familiares; fragilidade da estrutura moral própria do Espírito; dependência de substâncias químicas que conduzem ao vício; obsessão. Os jovens que adotam comportamentos agressivos e ofensivos, caracterizados por um estado de permanente rebeldia, revelam, na verdade, uma forma de chamar a atenção daqueles que, intimamente, são por eles classificados de seus prováveis homicidas, em razão da existência infeliz que lhes submetem. A tragédia do suicídio na adolescência deve ser considerada com ênfase e relevância nos programas e planejamentos da Casa Espírita, pois uma ação conjunta, fundamentada no amor legítimo, pode reverter esse quadro doloroso. Este é o apelo da nossa alma! Dias da Cruz – Revista Reformador – 2005 – Junho – Suicídio na Adolescência Em 1945, em Salvador/BA, praticamente um adolescente e recém chegado de sua terra natal, Feira de Santana/BA, Divaldo conseguiu seu primeiro emprego numa Seguradora, sendo admitido como datilógrafo. Ele começou com entusiasmo, vindo do interior, mas após treze dias de trabalho foi demitido pelas circunstâncias econômicas desfavoráveis do pós 2ª Guerra Mundial. Ele ficou muito abatido e parecia que o mundo iria desabar. Os Espíritos infelizes se aproveitaram da situação para inspirá-lo a suicidar- se, pois ele sofria muito, e deveria atirar-se do Elevador Lacerda.