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INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E COMUNICAÇÃO
CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO

O jornalismo cultural no meio digital: a
presença da Revista da Cultura no Youtube

MAIRA REIS RIBEIRO

SÃO PAULO, SP
2013

1
MAIRA REIS RIBEIRO

O Jornalismo Cultural no Meio Digital: a Presença da Revista da
Cultura no Youtube

Monografia para obtenção do título de graduação
em Comunicação

Social, com habilitação

em

Jornalismo, apresentada à Universidade Paulista
(UNIP)

2
DECIDATÓRIA
Dedico este trabalho a Cristina Judar e a Ivan Ferrer Maia, que no dia a dia
me ajudam a olhar para o céu e ver novas estrelas do jornalismo cultural.
A Glaucia Bollella, que sempre me apoiou a caminhar pelos paralelepípedos
de uma cidade do interior de Minas até entrar na Universidade.
A Carmem Vieira Reis, pelo carinho e dedicação nos parcos e bons
momentos em que nos encontramos.
A Moema Reis Ribeiro, que, mesmo longe, sinto que se que orgulha das
escolhas desta sua filha.
Aos professores que, com suas aulas, transmitiram seus conhecimentos, me
motivaram a enfrentar todos os imprevistos da vida para nunca desistir de
estudar. São eles: Tânia Sandroni, Marco Moretti e Fernando Perillo.

3
“A Internet não só está a criar novas formas de
jornalismo, mas também de jornalistas”.
(Carl Stepp)

4
RESUMO
O tema desta pesquisa é trazer discussões acerca do Jornalismo Cultural no
meio digital. Seu objetivo principal é pensar como a publicação Revista da
Cultura, produzida pela Livraria Cultura, utiliza da plataforma do Youtube e
dos recursos audiovisuais para a produção e divulgação de informações
culturais.
Os objetivos específicos deste trabalho são: fazer revisão da literatura
especializada sobre as principais linhas de raciocínio de narrativas do
jornalismo

cultural,

digital

na

Internet

e

audiovisual;

classificar

e

estabelecer comparações entre os tipos de transnarrativas jornalísticas e
audiovisuais adotadas pela Revista da Cultura em sua plataforma no
Youtube.
A metodologia utilizada foi a busca pelo material informativo acima descrito,
impresso e digital. Para isso, foram selecionados e organizados previamente
conhecimentos culturais, tecnológicos, audiovisuais e científicos que já
foram elaborados por outros autores, com o intuito de apontar soluções ao
tema ou ao problema investigado. Além disso, foram usadas pesquisas de
campo (conversas, trocas de e-mails, questionários e/ou entrevistas com
editores, leitores e colaboradores da publicação) que foram registradas em
diários de bordo (anotações em papel tradicional) e em aparelhos digitais
(gravadores, iPad e notebook).

PALAVRAS-CHAVE: JORNALISMO, CULTURA E REDES SOCIAIS.

5
LISTA DE FIGURAS
1. FIGURA 1. CAPA DA REVISTA DA CULTURA MOSTRA A PREOCUPAÇÃO VISUAL DA PUBLICAÇÃO PARA VALORIZAR
A INFORMAÇÃO........................................................................................................................................................... 13

2. FIGURA 2. UMA BUSCA DENTRO DO YOUTUBE ENCONTROU O CANAL DA LIVRARIA CULTURA, ONDE HÁ OS
VÍDEOS PUBLICADOS TAMBÉM PELA REVISTA EM SEGUNDO LUGAR......................................................................... 23

3. FIGURA 3. VÍDEO COM O MAKING OF DA ENTREVISTA COM FAUSE HATEN, POSTADO NO CANAL “LIVRARIA
CULTURA”.

MATÉRIA

COMPLETA

COM

O

ESTILISTA

PUBLICADA

NA

EDIÇÃO

DE

SETEMBRO

DE

2013..............................................................................................................................................................................26

4. FIGURA 4. VÍDEO E TEXTO DA ENTREVISTA REALIZADOS COM FAUSE HATEN PELA REVISTA DA
CULTURA.......................................................................................................................................................................36

5. FIGURA 5. VÍDEO E TEXTO DO LANÇAMENTO DO LIVRO DA MAITÊ PROENÇA REALIZADOS PELA REVISTA DA
CULTURA.......................................................................................................................................................................39

6. FIGURA 6. VINHETA DE ABERTURA COM O NOME “LIVRARIA DA CULTURA” NO VÍDEO “RESIDENTES DE
HILDA"...........................................................................................................................................................................41

7. FIGURA 7. ABERTURA DO VÍDEO DO LANÇAMENTO DO LIVRO DE MAITÊ PROENÇA...............................................42

8. FIGURA 8. O JORNALISTA SERGIO MARTINS FALA SOBRE O LANÇAMENTO DO DISCO “WISE UP GHOST AND OTHER
SONGS”, NO VÍDEO SEMANAL DENOMINADO “VEJA RECOMENDA” E POSTADO NO CANAL DA REVISTA VEJA NO
YOUTUBE.......................................................................................................................................................................44

9. FIGURA 9. O JORNALISTA SERGIO MARTINS ENTREVISTA O CANTOR FILIPE CATTO EM UM VÍDEO MENSAL
DENOMINADO “VEJA MÚSICA” E POSTADO NO CANAL DA REVISTA VEJA NO YOUTUBE............................................45

10. FIGURA 10. DIVULGAÇÃO NO PERFIL DO FACEBOOK DA VEJA DO VÍDEO REALIZADO PELO JORNALISTA SERGIO
MARTINS.......................................................................................................................................................................46

11. FIGURA 11. ABERTURA DO VÍDEO DO ENCONTRO COM LILA AZAM ZANGANEH...................................................50

12. FIGURA 12. ABERTURA DO VÍDEO DO LANÇAMENTO DO LIVRO DO PORTA DOS FUNDOS....................................51

13. FIGURA 13. ABERTURA DO VÍDEO DO VÍDEO DO NOVO CD DO EMICIDA...............................................................52

6
LISTA DE QUADROS
1. QUADRO DO GRUPO 1: VÍDEOS QUE TÊM CONEXÕES COM O IMPRESSO (REVISTA DA CULTURA).........................31

2. QUADRO DO GRUPO 2: VÍDEOS QUE NÃO TÊM CONEXÕES COM O IMPRESSO (REVISTA DA CULTURA)................32

7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................12
CAPÍTULO 1 – A NOTÍCIA CULTURAL NA WEB...........................................................................................................19
1.1 – JORNALISMO, INTERNET E USUÁRIO....................................................................................................20
1.2 – JORLISMO IMPRESSO VERUS WEBJORNALISMO...................................................................................22
1.3 – ANÁLISES DO PAPEIS DA REVISTA DA CULTURA NO YOUTUBE.............................................................27
CAPÍTULO 2 – ANÁLISES AUDIOVISUAIS DOS VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA NO YOUTUBE...................................31
2.1 – VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA EM CONEXÃO COM IMPRESSO (GRUPO 1).....................................33
2.2 – ANÁLISES EM CONJUNTO DOS TRÊS VÍDEOS DO GRUPO 1..................................................................40
2.3 – VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA EM CONEXÃO COM O CONTEÚDO IMPRESSO (GRUPO 2).............47
2.4 – ANÁLISES EM CONJUNTO DOS TRÊS VÍDEOS DO GRUPO 2..................................................................49
2.5 – VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA: ANÁLISES DOS CONTEÚDOS AUDIOVISUAIS DO GRUPO 1 COM O
GRUPO 2........................................................................................................................................................54
CAPÍTULO 3 – NARRATIVAS TRANSMÍDIAS NOS VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA.....................................................55
3.1 – O DOCUMENTÁRIO TRANSMÍDIA.........................................................................................................55
CAPÍTULO 4....................................................................................................................................................................60
CONCLUSÃO..................................................................................................................................................................64
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO.......................................................................................................................................66
ANEXO A – ENTREVISTA COM GUSTAVO RANIERI (EDITOR-CHEFE DA REVISTA DA CULTURA)....................................70
ANEXO B – ENTREVISTA COM LEITORES DA REVISTA DA CULTURA..............................................................................73

8
INTRODUÇÃO
No segundo semestre de 2013, uma das revistas mais conceituadas do
mercado e voltada para a editoria de cultura, a Bravo!, encerrou as suas
atividades. Uma publicação que apresentava concorrência direta à Bravo! é
a Revista da Cultura.
A Revista da Cultura1 foi criada em 2007, por Sergio Hertz, e publicada pela
própria empresa, a Livraria Cultura2. Ela tem uma tiragem mensal de 40 mil
exemplares e distribuição gratuita em todas as lojas da livraria (são 11
estabelecimentos da rede), ou seja, a publicação atinge oito estados
brasileiros. Além disso, a Revista da Cultura também apresenta uma versão
digital gratuita, que pode ser baixada para celulares e tablets. Para isso, o
usuário deve instalar, nos aparelhos eletrônicos, plataformas Androide e
Apple, o aplicativo de acesso aos pdfs do periódico.
A Revista da Cultura tem como histórico publicar reportagens com linha
editorial característica: fotografias impactantes e/ou ilustrações feitas com
ilustrados e/ou cartunistas renomados no mundo artístico para cada
reportagem, matérias fundamentadas em produtos culturais (vendidos ou
não nas lojas da livraria) que foram recentemente lançados no mercado
e/ou alguma espetáculo/show que está acontecendo ao redor do mundo,
diversidade de linguagem – já que apresenta texto erudito e outro com
conteúdo pop na mesma edição. Essas características do periódico incitam
os leitores a consumirem o seu conteúdo e a procurarem as revistas nos
estabelecimentos da Cultura.
A gratuidade da publicação também é um fator que leva a revista a ter
grande consumo, já que as revistas chegam às livrarias em torno do dia 07

1

A Revista da Cultura possui um site que também tem disponível as matérias publicadas no meio
impresso: http://www.revistadacultura.com.br
2
Site da Livraria Cultura: http://www.livrariacultura.com.br

9
de todo mês e antes do dia 25 deste mês já não há revistas disponíveis nos
estabelecimentos para que os leitores possam levar para suas casas.
Em 2012, a Revista da Cultura foi reformulada. Diminui de tamanho e teve
a qualidade do papel e a forma de impressão alteradas. Em paralelo a esse
processo, também houve a repaginada do site da Revista da Cultura. Nele,
os leitores podem ler algumas matérias que estão na publicação de
determinado mês sem ter que ir às lojas pegar a revista e/ou baixar o pdf.
Abaixo há a capa da edição 66, de janeiro de 2013, da Revista da Cultura:

Ilustração com ironia para atrair a atenção do leitor e assim adquirir e/ou pegar a revista
gratuitamente nas Livrarias Culturas.

10
Figura 1. Capa da Revista da Cultura mostra a preocupação visual da
publicação para valorizar a informação.
A edição citada da Revista da Cultura apresenta uma matéria de capa que,
aparentemente, não tem nenhuma conexão com os produtos vendidos pela
livraria. Pode até ter um livro nas lojas da Cultura com enfoque do tema da
publicação, mas o importante não é que a publicação venda o que está nas
estantes das lojas da Cultura e sim fazer uma revista de qualidade para que
atraia a necessidade de outras empresas em comprar anúncios dentro da
revista. Ou seja, a Revista da Cultura é mais um produto e/ou empresa do
grupo Cultura e não um meio de marketing dos produtos culturais que ela
vende.
Sergio Hertz, CEO da Livraria Cultura, em entrevista ao canal do Youtube
“TV Shopping Abrasce”, disse que “as nossas lojas são pontos de
entretenimento. As pessoas vão à livraria para tomar um café, ir a um
teatro

e/ou

show,

encontrar

alguém.

A

compra

do

livro

é

uma

consequência”.
A partir dessa afirmação, pode-se também verificar que a Revista da
Cultura faz parte de um mix de produtos de entretenimento da livraria.
Além de entreter os clientes da empresa, pela leitura de matérias e
entrevistas do periódico, é também uma forma de conectar os clientes ao
mundo cultural. Ou seja, com a publicação da revista, a Cultura faz um
papel de marketing social, ao oferecer um conteúdo de qualidade e
informativo aos seus clientes em sua revista corporativa.
Dessa forma, acompanhar o trabalho e a evolução, do meio impresso para o
arquivo que pode ser baixado, desse periódico fez pensar sobre a
necessidade da Revista da Cultura em trabalhar com diversas narrativas no
meio digital, além da distribuição da informação cultural até chegar ao
leitor, que, nesse meio de comunicação, é também o produtor da notícia.
O meio digital, principalmente, com a popularização da Internet e a difusão
das redes sociais, trouxe uma transformação no fazer jornalístico diário.
11
Hoje, houve também reformulação no modo como o jornalismo de revista é
feito, ao transformar a relação entre a tecnologia, a indústria da
comunicação e o público, ou seja, mudou-se toda a forma como é
consumida a notícia e como acontece o entretenimento (Jenkins, 2009).
Com isso também houve novos tipos de concorrência, que não se limita só
àquela entre empresas jornalísticas.
“Hoje, pode-se dizer que os meios de comunicação social
não competem mais entre si: a Folha de São Paulo não
concorre só com os demais jornais de São Paulo e de
outros lugares, mas também com a sabedoria coletiva e
com a diversidade de informações de todo o mundo online” (Anderson, 2006, p. 186).
Diante disso, este trabalho se propõe a analisar o problema acima no canal
do Youtube da Revista da Cultura, já que existem muitos vídeos postados
pela Livraria Cultura e muitos acessos.
“Fundado por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim,
ex-funcionário do site de comércio on-line Pay Pal, o site
Youtube foi lançado oficialmente sem muito alarde em
junho de 2005”. (Burgess e Green, 2012, p.16)
Hoje, o Youtube é uma empresa de propriedade do Google. Ele utiliza da
cultura participativa, ou seja, permite que qualquer pessoa e/ou empresa
possa produzir, fazer upload3 (não há um número específico de vídeos e
tamanhos que um usuário pode postar dentro do site) e compartilhar com
as demais redes sociais e/ou e-mail determinado conteúdo para que quem
for fazer uma busca dentro do Youtube, seja por usuário, nome do vídeo
e/ou conteúdo, possa assistir.

3

O Youtube permite postar vídeos ou fazer upload sem a necessidade do usuário ter o conhecimento de
sofisticadas técnicas de edição e conhecimentos de informáticas. Caso o usuário não tenha a
possibilidade de editar vídeos em seu computador de envio do arquivo de vídeo, o site da Google
fornece ferramentas online para que possa fazer rápida edição antes de subir o vídeo no Youtube. Há
também a possibilidade das pessoas poderem incorporar um vídeo dentro do seu blog ou site e para
isso elas não precisam ser donas daquele conteúdo postado, basta elas copiarem o código HTMIL que o
Youtube disponibiliza na barra de compartilhamento do vídeo.
A única restrição do Youtube é em relação ao formato do vídeo que deverá ser postado no site. São eles:
.WMV, .AVI, .MOV e .MPG.

12
Em 2008, mesmo ano em que a revista criou a sua conta no Youtube,
também me cadastrei para seguir o seu perfil e receber as notificações das
produções audiovisuais produzidas e postadas pela Revista da Cultura nessa
plataforma.
A

partir

de análises,

de

visualizações e

do

acompanhamento

das

publicações do periódico no Youtube, têm-se alguns questionamentos:
como uma revista tradicional e mensal, feita por um grupo empresarial,
deve trabalhar para que os usuários possam compartilhar e também
contribuir com o conteúdo, sem perder o seu maior diferencial (ser uma
publicação mensal com alto padrão de qualidade)? E mais, como usar o
Youtube, com conteúdos, narrativas e informações, que não seja apenas
uma ferramenta só de marketing social da empresa e de conteúdo do que é
publicado no impresso, mas sim outro braço da revista, que desperte
também a necessidade da Livraria Cultura e da Revista da Cultura mantê-lo
atualizado com reportagens inéditas, uma linguagem audiovisual própria,
além de trazer informações que não podem esperar para serem levadas aos
leitores na edição do mês seguinte? E os mesmos usuários que acessam e
leem a Revista também acessam e/ou assistem aos vídeos no canal dela no
Youtube? Os usuários que têm acessos aos conteúdos postados pela Revista
nessa rede social também contribuem com o canal? Se sim, contribuem
com que frequência, com que tipo de postagem e/ou comentário?
Esse pode ser um dos motivos que levaram a Revista da Cultura a criar e a
manter atualizados diversos outros canais de comunicação e interação com
os seus leitores. Contam perfis no Youtube4, Facebook5, Instagram6,
Twitter7, Google+8 além do site reformulado.
Para responder às questões acima e aos motivos de comunicação da
publicação no meio online, este trabalho baseia-se em quatro pontos. O
4

Endereço da Livraria Cultura (onde há os vídeos da Revista da Cultura) no Youtube:
http://www.youtube.com/LivrariaCulturaSA
5
Endereço da Livraria Cultura no Facebook: http://www.facebook.com/livrariacultura
6
Endereço da Livraria Cultura no Instagram: http://www.instagram.com/livraria_cultura
7
Endereço da Livraria Cultura no Twitter: http://www.twitter.com/livcultura
8
Endereço da Livraria Cultura no Google Plus: https://plus.google.com/u/0/110439555483065568816

13
primeiro, já exposto, é focado no jornalismo cultural e que também
apresenta um das hipóteses dos conteúdos que são publicados em uma
edição da Revista da Cultura.
“Entretenimento versus erudição, nacional versus internacional,
regional versus central, jornalista versus acadêmico,
reportagem versus crítica. Tais dicotomia estão relacionadas
com um velho debate filosófico que opõe o compreender e o
julgar, debate que está na origem do jornalismo em geral, não
apenas do cultural” (Piza, 2011, p.8).
Diante deste argumento, pode-se discutir que o jornalismo cultural também
complementa a formação do leitor, pois usa os símbolos culturais para
informá-lo.
O segundo ponto deste trabalho é o jornalismo online, com ênfase nas
redes sociais (Youtube). Segundo pesquisa publicada, em maio de 2013,
pela Serasa Experian9, o Youtube é a segunda rede social mais utilizada
pelos brasileiros.
No Youtube, ao contrário da mídia impressa, a relevância de uma notícia
não é determinada pelo lugar em que ela é disponibilizada na página, mas
pelo que as pessoas pensam dela (Anderson, 2006). Isso vem ao encontro
do que diz O’Reilly (2005). Para ele, na Web quem decide o que é
importante é a audiência, não os meios de comunicação tradicionais.
O terceiro elemento desta monografia é a produção do conteúdo audiovisual
jornalístico produzido exclusivamente para Internet e tem o seu diferencial
na produção, no formato e na linguagem, além do próprio receptor-produtor
de notícia, como já citado.
O último pilar desse trabalho é o jornalismo empresarial, que tem produzido
publicações customizadas para fortalecer a sua marca e se aproximar do
seu público-alvo. Além de uma forte ferramenta de marketing, no caso da
9

Acesse a pesquisa completa aqui:
http://www.serasaexperian.com.br/release/noticias/2013/noticia_01247.htm

14
Cultura, o seu periódico também forma mais um braço dentro do seu grupo
empresarial, como acima já citado.
Por isso, são estipulados quatro capítulos para esta monografia. O primeiro,
intitulado “A Notícia Cultural na Web”, trata de conceituar o jornalismo
cultural presente na Internet e, principalmente, nas redes sociais ao
descrever suas características por intermédio de cases da Revista da
Cultura. Além disso, apresenta o papel do leitor-produtor, pois, de acordo
com Anderson (2006), “a Internet converteu todos os cidadãos em
distribuidores de conteúdo”. O segundo capítulo, denominado “Os Vídeos da
Revista da Cultura no Youtube”, apresenta um breve histórico do Youtube,
sua importância na cultura contemporânea participativa e as tensões entre
o interesse comercial da Livraria Cultura e a necessidade informacional da
Revista da Cultura na divulgação de vídeos. No terceiro capítulo, “Narrativa
Transmídia nos Vídeos da Revista da Cultura”, serão analisados alguns
vídeos postados pela Revista da Cultura com o intuito de classificar as
narrativas do jornalismo cultural produzido pela Revista da Cultura no
Youtube.
No último e quarto capítulo “O Papel do Leitor na Construção da Narrativa
Transmídia” são apresentados o papel de quem lê a Revista da Cultura e
também acessa

o

canal

da

publicação

no

Youtube.

Há

ainda

as

considerações necessárias resultantes deste trabalho nas últimas páginas
deste trabalho.

15
Capítulo 1
A NOTÍCIA CULTURAL NA WEB
A notícia cultural na Internet é produzida para ser distribuída no
ciberespaço em plataformas da “mídia social”. Para entender como funciona
a “mídia social”, Keen (2012) explica essa expressão de forma simples:
“Estava num lugar chamado mídia social, aquela zona
permanente de autoexposição de nossa nova era digital onde,
por intermédio de meu BlackBerry Bold e os outros mais de 5
bilhões de aparelhos hoje em nossas mãos, publicamos
coletivamente o retrato de grupo em movimento da
humanidade. Esse lugar é construído sobre uma rede de
produtos eletrônicos cada vez mais inteligentes e móveis que
estão ligando todos no planeta por serviços como Facebook,
Twitter, Google+ e Linkedin. Em vez de vida virtual ou de uma
segunda via, a mídia social de fato está se tornando a própria
vida – o palco central e cada vez mais transparente da
existência humana, o que os investidores de risco do Vale do
Silício hoje chamada de ‘internet de pessoas’. Como a versão
ficcionalizada do presidente do Facebook, Sean Parker –
interpretado com grande elegância por Justim Timberlake -,
previu em 2010, no filme A rede social, indicado ao Oscar: ‘Nós
vivemos em aldeias, depois vivemos em cidades, e hoje vamos
viver na internet!’ Portanto, a mídia social é como estar em
casa; é chamado The Daily Dot que é o período local da web”.
A Internet conecta computadores por meio de um browser, local onde se
digita o endereço de determinado sítio/site, e nela também se encontra a
mídia social - o espaço em que há plataformas para que a informação
cultural seja transmitida e, em alguns casos, também produzida com auxílio
do leitor. É em cima da mídia digital que a Revista da Cultura, um meio
impresso, trabalha.
Os subcapítulos a seguir tratam de conceituar as transformações que estão
ocorrendo no jornalismo cultural produzido na mídia digital. Os pontos
tratados são: a convergência de conteúdo, a notícia personalizada e,
principalmente, como o leitor-produtor de notícias ‘ganhou’ uma ferramenta
potencial de auxílio à construção da informação cultural ao comentar quase
16
que instantaneamente as publicações postadas pela Revista da Cultura no
Youtube.

1.1 JORNALISMO, INTERNET E USUÁRIO
Em 1995, no Brasil, foi inaugurado o primeiro jornal com endereço na
Internet, o Jornal do Brasil (JB) Online, que era uma mera transposição do
papel para a web. Segundo Prado (2011), “no princípio, os jornais não
tinham sua versão integral transposta; veiculavam pela internet apenas o
que

consideravam

as

principais

matérias,

e

ainda

não

atualizam

informações ao longo do dia, que é a definição maior do webjornalismo”
(p.31). Desde a primeira inserção de um conteúdo jornalístico no meio
online feito por este jornal até os dias de hoje muita coisa mudou, como,
por exemplo, o conceito de jornalismo, de notícia, as funções do jornalista,
do leitor e a produção da notícia. Uma das maiores transformações
ocorridas durante este período no jornalismo “é a linguagem reformulada da
web que abriu margem para novas práticas narrativas, para novos modos
de leitura e de escrita, para novas realidades internacionais (Pernisa Alves,
2010, p. 11)”. Só que, para reformular a linguagem, deve-se ter uma
medição social na Internet, senão de nada adianta o novo formato da
notícia (Segura, Colin e Alzamora, 2008).
Esta afirmação enfatiza a teoria de Lévy (1999) que diz: “as verdadeiras
relações não são criadas entre ‘a’ tecnologia (que seria da ordem da causa)
e ‘a’ cultura (que sofreria os efeitos), mas sim entre um grande número de
atores humanos que inventam, produzem, utilizam e interpretam de
diferentes formas as técnicas (1999, p.23)”. Com isso, o usuário, que era
um mero consumidor passivo de notícia, hoje é também aquele que ajuda a
produzi-la

e,

consequentemente,

a

pautar

os

grandes

veículos

de

informação. “A fronteira entre produzir e consumir informação está cada
vez mais diluída” (Rodrigues, 2007). Um exemplo desta análise é quando
um usuário do Youtube, sem nenhum conhecimento de comunicação, posta
um clipe recém-lançado de determinado cantor nessa plataforma ao mesmo
17
tempo em que está lendo notícias sobre ele um site ou quando envia fatos
sobre determinado evento para atualizar o canal “Você na G1”, do site G1,
que tem o slogan “Mande sua reportagem para o G1 e seja um jornalista
cidadão”, e está tentando assistir um a telejornal pela televisão. De acordo
com Wolton, “cada um pode agir, sem intermediário, quando quiser, sem
filtro nem hierarquia e, o que é mais importante, em tempo real (1999, p.
77).”
Esse tipo de jornalismo, construído com a ajuda de pessoas que usam as
ferramentas de fotos, textos, áudios e vídeos, é denominado como
jornalismo aberto, jornalismo colaborativo, jornalismo Open Source (Prado,
2011). Diante da existência do jornalismo colaborativo, o usuário também
utiliza da notícia personalizada, ou seja, o envio de notícias, vídeos, fotos e
quaisquer outros tipos de conteúdo a um veículo de comunicação, faz com
que, de certa forma, o usuário esteja selecionando o que deseja que seja
veiculado pelos meios de comunicação. Bruns (2003) reconhece inúmeros
processos que estão nesse tipo de ‘notícia personalizada’ e passa a
denominá-los como ‘gatewatching’. Esse neologismo é criado como oposição
à noção de ‘gatekeeping’, segundo as quais existem “portões” de
informações controladas por jornalistas em redações, responsáveis por
selecionar quais fatos serão publicados, de acordo com critérios de
noticiabilidade. Se o ‘gatekeeping’ faz sentido na análise dos meios de
comunicação de massa, no jornalismo colaborativo, ele tem menor força
explicativa: uma informação nas mãos do usuário final, que navegando pela
web age constantemente como seu próprio gatekeeper — mas não
necessariamente com as organizações midiáticas de notícias (Primo e
Träsel, 2006).
Diante disso, a discussão sobre o jornalismo na internet continuará no
próximo tópico e se estenderá em comparação ao meio impresso – o uso
das duas plataformas pelo mesmo meio de comunicação.

1.2 JORNALISMO IMPRESSO VERSUS WEBJORNALISMO

18
“Evoco as palavras desenho, design e desígnios para iniciar
esta reflexão sobre o universo das revistas, primeiramente por
se tratarem de expressões que se referem a diferentes
atividades que podem abranger tanto os desenhos primitivos
do período paleolítico, quanto aos sentidos que foram sendo
adotados no transcorrer da história, até seus diferentes
significados na contemporaneidade”. (Abreu, 2009, p.3)
Scalzo (2004) ressalta que a principal diferença do jornalismo de revista é a
especificidade, a periodicidade e o formato. De certa forma, esses três
elementos

também

estão

presentes

em

um

canal

do

Youtube.

A

periodicidade de publicar vídeos é necessária para que o usuário retorne
àquele endereço, o formato precisa ser atrativo e com conteúdos
específicos/originais e a especificidade também pode (ou não) ser o foco
para que uma revista mantenha aquela plataforma sempre atualizada. Ao
analisar o canal “Livraria Cultura”, no qual são postados os vídeos com
conexões de conteúdo com a Revista da Cultura, no Youtube, observa-se a
seguinte especificidade: conteúdos culturais (se estes vídeos publicados
pela revista no Youtube têm ou não a ver com o meio impresso produzido
pela mesma publicação será discutido no segundo capítulo deste trabalho).

19
Busca pela palavra “Livraria Cultura” dentro Youtube
e resultados encontrados

Figura 2. Uma busca dentro do Youtube encontrou o Canal da Livraria
Cultura, onde há os vídeos publicados também pela Revista em segundo
lugar.
Quando se faz uma busca por qualquer palavra dentro da plataforma online
de vídeos, como apresenta a figura acima, há uma busca por vídeos e pelo
endereço do endereço dentro do Youtube onde são publicados os vídeos –
denominado como canal de vídeos. Não há um botão onde o usuário possa
especificar para o site que ele deseja procurar só vídeos ou só canais. Por
isso, dependendo do caso, há a necessidade de correr a barra de rolagem
até o final da página para encontrar a informação necessária.
No caso da Livraria Cultura, o seu canal – possui 680 vídeos publicados –
está somente atrás no ranking de buscar do Youtube de um vídeo em que o
CEO da empresa concedeu uma entrevista a outro canal dos vídeos. Com
isso, o usuário não tem dificuldade de encontrar o canal em que são
publicados os vídeos da publicação no Youtube e, também, a partir de um
conhecimento inicial, poderá voltar para aquele endereço conhecido – seja
procurando novamente o canal, determinado vídeo e/ou digitando o
endereço.

20
Mas, voltando ao ponto, segundo Alphen (2009), a Revista da Cultura pode
ser lida por uma média de 3, 5 pessoas em cada edição, ou seja, esses
leitores escolheram pegar e folhear a publicação por algum motivo. Já as
notícias postadas em um canal do Youtube, novamente reiteram a
discussão do subcapítulo acima, são só consumidas diante do acesso a essa
página e não se sabe quantas pessoas estão diante de um computador
assistindo um vídeo.
O grande diferencial que as revistas têm em relação às plataformas digitais:
elas conseguem incitar o leitor a comprá-la diante de chamadas, recursos
gráficos/fotográficos e layouts enquanto no meio online o consumo da
informação depende do acesso do usuário

– questão discutida no

subcapítulo1.1.
Partindo para a discussão da diferenciação entre a produção de notícias nas
redes sociais e em uma revista, inverte-se a análise dos parágrafos acima,
em que há, primeiramente, a exposição da seguinte frase: “incontáveis
sites se dedicam a livros, artes e ideias, formando fóruns e prestando
serviços de uma forma que a imprensa escrita não pode, por falta de
interatividade e espaço” (Piza, 2011, p.31). Além da interatividade e do
espaço, a convergência entre mídias e a hipertextualidade são também
alguns pilares importantes, que modificam como são veiculadas as
informações pela Revista da Cultura nos seus canais de comunicação.
Um exemplo dessa convergência entre mídias é a Folha de São Paulo, que
se uniu à TV Cultura para desenvolver um noticiário e que, posteriormente,
também conta com a possibilidade de ter suas notícias adaptadas para
serem publicadas no meio impresso. Porém, deve-se destacar que os meios
de comunicação tenham que trabalhar para que as informações não sejam
somente transportadas de qualquer outro plataforma de comunicação para
a web, mas sim adaptadas de acordo com a necessidade de edição e de
linguagem características em cada tipo de plataforma existente (Martins,
2013). Esse processo não é estático entre as mídias e é prejudicado pelas

21
inovações tecnológicas que disponibilizam outras possibilidades do fazer
jornalístico constantemente.
“A ação em que se observa a convergência colaborativa
entre instâncias midiáticas, como é o caso de um jornal
impresso que remete ao portal, o leitor pode encontrar
elementos que complementam aquela notícia. Dessa
forma, é disponibilizado ao leitor o fato jornalístico e o
processo de feitura da notícia” (Ferreira e Dalmonte,
2008, p.130).
Jenkins (2006) pensa no termo “cultura da convergência” para argumentar
a ideia de que a convergência deve ser entendida além de um processo
tecnológico que reúne várias funções de mídia dentro dos mesmos
dispositivos. Em vez disso, a convergência representa uma mudança
cultural na qual os usuários ou consumidores não ficam na postura passiva,
mas são protagonistas na busca de novas informações e no estabelecimento
de conexões entre conteúdos midiáticos dispersos (Jenkins, 2006, p.3).
Machado e Palácios (2003) reforçam que outra vantagem da internet é a
indexação e a recuperação de informação, que eles chamam de memória,
característica importante na realização deste estudo por permitir a coleta de
matérias armazenadas no canal do Youtube da Revista da Cultura. Em uma
revista, esta ‘memória’ requer que o leitor guarde os exemplares da Revista
da Cultura, seja no meio impresso e/ou no iPad, e isso ainda depende do
estado de conservação do material.
Por outro lado, enquanto na revista, o acesso ao conteúdo é feito pelo ato
de folhear as páginas, conservadas ou não, em um canal do Youtube tem-se
a interação com diversos textos, imagens, sons e outros vídeos que se
interligam com aquele – seja pelo conteúdo ou sugestão da própria
plataforma. Esse conjunto de informações ligadas a um determinado vídeo
facilita a navegação pela plataforma e o consumo de diferentes informações
e/ou ainda pelo menos conteúdo. De acordo com Nelson (1987), “o
hipertexto, ou a escrita não sequencial como liberdade de movimentação

22
entre os links, é uma ideia simples e óbvia. É apenas a versão eletrônica
das conexões literárias tal como já as conhecemos”.
Visualizador de vídeos do Youtube dentro do canal da Revista da
Cultura.

Figura 3. Vídeo com o Making of da entrevista com Fause Haten, postado no
canal “Livraria Cultura”. Matéria completa com o estilista publicada na
edição de setembro de 2013.
Além do usuário poder rever o conteúdo audiovisual acima, em qualquer
momento e data, ele também pode sugerir o vídeo para o seus amigos em
suas redes sociais e também rever os já publicados, sem a necessidade de
recorrer a outro endereço e site. A facilidade de assistir novamente um
vídeo é mais fácil do que ler o conteúdo em uma revista. Por exemplo,
imagem que um leitor da Revista da Cultura quer reler uma matéria
publicada em junho de 2010. Ela precisa baixar o arquivo da revista
daquele período e/ou pegar uma publicação impressa da publicação. Já no
23
caso do Youtube, se a entrevista estivesse disponível no endereço da
Cultura, o usuário/leitor só deve acessar o canal da Livraria e procurar esse
vídeo. Os vídeos não somem do endereço nessa rede social, só se o
administrar do canal deletá-los.
Ou seja, a partir do conteúdo apresentado neste subcapítulo, conclui-se que
cada meio de comunicação utilizado pela Cultura possui características
próprias de linguagem e de formato das notícias de acordo com o públicoalvo de cada um desses canais – que pode ser o mesmo que lê a revista e
também acessa o Youtube (questões a serem discutidas no capítulo 4). Os
pontos apresentados são importantes para evidenciar e embasar para as
próximas discussões deste trabalho.

1.3 ANÁLISES DO PAPEIS DA REVISTA DA CULTURA NO YOUTUBE
Um dos papéis importantes do Youtube no meio online é que ele ainda não
é uma produtora de conteúdo como o site de arquivos pagos de vídeos
Netflix, mas sim uma plataforma que agrega e reúne conteúdo em um só
endereço. O site da Google tem como serviço a exposição de um canal e
não conteúdo, como a televisão.
“Pela mesma lógica, o YouTube na realidade não está no
negócio de vídeo – seu negócio é, mais precisamente, a
disponibilização de uma plataforma conveniente e funcional
para o compartilhamento de vídeos online: os usuários (alguns
deles parceiros de conteúdo premium) fornecem o conteúdo
que, por sua vez, atrai novos participantes e novas
audiências”. (Burgess e Green, 2009, p.21)
Por isso, os diversos produtores dos conteúdos desses canais do Youtube,
que alimentam o site, podem ser: grandes produtores de mídia e detentores
de direitos autorais como canais de televisão, anunciantes de produtos
(publicidade), pessoas que buscam um método de produção barata de
veiculação de sistema de massas, instituições culturais, artistas, fãs de
mídia, leigos e produtores (profissionais e amadores) de conteúdo. Porém,
24
quando se levanta o perfil das pessoas que postam vídeos no Youtube, têmse alguns questionamentos, como: a questão do direito autoral versus os
interesses comerciais e a ética versus normas sociais de propriedade
privada. Nenhumas dessas questões serão respondidas nesse trabalho, pois
o conteúdo postado no Youtube no canal “Livraria Cultura”, em que há os
vídeos que se referem à Revista da Cultura, é de propriedade autoral da
Livraria Cultura e seguem as normais comerciais e éticas do Youtube,
segundo a política de uso desse serviço. (Burgess e Green, 2012).
Para demonstrar que a plataforma é de qualidade, e assim motivar o seu
uso pelos produtores de conteúdo, o Youtube oferece aos usuários a
postagem

de

arquivos

audiovisuais

na

plataforma

e

também

uma

porcentagem financeira se os donos dos canais autorizarem que o site
coloque propagandas, em diversos locais quando dos vídeos alocados nos
canais. Ou seja, ao acessar o conteúdo audiovisual de determinando canal, o
receptor também assiste a essa propaganda autorizada antes de começar o
vídeo. O problema é que a remuneração da propaganda só é paga
se o espectador do vídeo clicar em cima do link da propaganda que irá
redirecionar

o usuário para

outro

endereço. Este poderá ou

não

estar

conectado com outro vídeo do Youtube. Diante desse fato, pode haver um
problema: um usuário clicar em uma propaganda, ser redirecionado para
fora do site de vídeos e não voltar para começar ou continuar a assistir
determinado conteúdo audiovisual. Por outro lado, o site do Google adota o
seguinte pensamento: quanto mais acessos ao canal, mais clique em
propagandas, mais dinheiro entrará para o dono deste mesmo canal. Por
essa

razão,

muitos

produtores

de

vídeos

também

trabalham

com ferramentas de marketing digital para audiência para o seu canal no
Youtube.
Uma das principais transformações no cenário de marketing
devido à introdução das tecnologias digitais se relaciona à
facilidade de mensuração que o ambiente digital proporciona.
Enquanto nas mídias tradicionais analógicas (rádio, TV, revista,
jornais etc.) são necessários processos externo a elas (como
pesquisa de mercado, códigos promocionais etc.) para rastrear
25
acessos, resultados e comportamentos do usuário, nas mídias
digitais esse comportamento é nativo. (Gabriel, 2010, p.92).
O canal da Revista da Cultura no Youtube, como já explícito, compartilha do
mesmo endereço com outros tipos de conteúdo produzidos pela Livraria. Por
isso, quem assiste aos vídeos postados nesse canal podem serem oriundos
de três maneiras:
1) – Ação de marketing digital feita pela empresa e/ou a divulgação de
determinado vídeo em outras plataformas online nas quais a Livraria
está presente.
2) – O próprio vídeo publicado pela Revista, ou seja, o conteúdo
relevante

para

determinadas

pessoas,

grupos

e

leitores

da

publicação. E também outro vídeo audiovisual feito para o conteúdo
da Revista da Cultura, de edições anteriores, e postado naquele
endereço.
3) – O acesso a outro vídeo, de outro conteúdo que não seja vinculado
com o periódico, mas sim com a empresa Livraria Cultura e esteja
postado neste canal do Youtube.
Diante desta diversidade de usuários que chegam, por formas e meios
diferentes ao canal, para acessar determinado vídeo, há outro tipo de
negócio que a Livraria Cultura pode exercer nessa plataforma: o retorno
financeiro pelo uso da propaganda em seus vídeos. Porém, não é esse tipo
de negócio que a Livraria e a Revista da Cultura desejam para manter um
canal com suas marcas no site de vídeos, mas sim a propaganda e o
fortalecimento da marca no meio online.
O ambiente online e seu marketing digital não consegue por si só fortalecer
um marca. Segundo Gabriel (2010), “é importante ressaltar que o digital
(com suas tecnologias e plataformas) não conserta marketing ruim,
podendo até piorá-lo. O digital potencializa o alcance do marketing, tanto
para o bem quanto para o mal, e acrescenta valor ao marketing bem feito,
26
enriquecendo-o”.

Portanto,

é

necessário

um

trabalho

de marketing

tradicional aliado ao digital para que o fortalecimento da marca “Livraria
Cultura”. Isso é importante porque a empresa, a cada dia que passa,
inaugura lojas fora do eixo Rio de Janeiro – São Paulo. Com isso, em muitos
casos, o primeiro contato de muitos consumidores e até, como disse o CEO
da Revista em entrevista acima citada, terem o desejo de ter experiências
culturais no espaço físico das lojas Cultura.
Por consequência, se pensarmos que o Youtube é também uma extensão da
marca da Livraria em uma rede social, tem-se o tipo de prática conhecida
como Branded Entertainment – estratégia para divulgação e criação de
identidade de marcas por meio de inserção de conteúdo. Há diversos tipos
de conteúdo de entretenimento dessa prática de marketing digital, como,
por exemplo, a criação de vídeos, filmes e shows. No caso da revista, ela se
apropria de uma informação a ser publicada para criar um entretenimento,
como por exemplo, os bastidores de uma entrevista – como apresentada na
figura 3: o making of com o estilista Fause Haten. Com isso, esses vídeos
oferecem também credibilidade para a versão impressa do periódico, assim
como os vídeos ganham renome por fazerem parte de uma publicação que
terá qualidade de informação na edição daquele vídeo postado. (Gabriel,
2010).
Além dessa união para fortalecer a marca “Livraria Cultura”, segundo
Gustavo Ranieri, editor-chefe da Revista da Cultura, afirmou em entrevista
gentilmente cedida para a autora deste trabalho, disse que “dentro do
periódico há anúncios feitos pela Livraria na Revista da Cultura e, por isso,
são propagandas pagas – em que há troca de valores entre conta diferentes
da empresa. Ou seja, o marketing da Livraria da Cultura paga um valor
para o departamento de contato comercial da Revista da Cultura. São
empresas da mesma marca, mas que se tratam como se fossem distintas”.
Com isso, conclui-se que a Livraria da Cultura investe também em um
marketing tradicional e usa as redes sociais como presença da marca no
ambiente online e também como fortalecimento da marca “Livraria Cultura”.
27
Capítulo 2
ANÁLISES AUDIOVISUAIS DOS VÍDEOS DA
REVISTA DA CULTURA NO YOUTUBE
Para realizar as análises dos demais subcapítulos, foram separados e
estudados somente seis vídeos, que estão postados no endereço da Livraria
da Cultura no Youtube. Isto porque os vídeos que são denominados e
produzidos pela Revista da Cultura no site do Google têm objetivos
diferentes. Portanto, foram subdivididos em dois grupos, de acordo com as
suas características. O primeiro compõe-se de três vídeos postados no
Youtube da Livraria, com o nome “Revista da Cultura”, que têm conexões
com os conteúdos publicados no meio impresso. Já o segundo grupo
contém produções audiovisuais que estão somente online, também com o
nome “Revista da Cultura”, mas sem conexões informacionais com o
conteúdo impresso. Diante deste fato, é apresentado o quadro abaixo com
os vídeos subdivididos para as futuras análises deste trabalho:
GRUPO 1: Vídeos que têm conexões com o impresso (Revista da Cultura):

N°

Link

e

Título

(título) Data

publicada na Revista
1.

Nome: O Mundo de FH

da Título do vídeo no Youtube Link do vídeo no Youtube

Publicação

30/08/2013

http://www.revistadacultura.
com.br/entrevistas/conversa/

e data da postagem no site

Livraria Cultura - Revista da http://www.youtube.com/
Cultura - Fause Haten
watch?v=4CkTj97qzNc
Data: 06/09/2013

13-0830/O_mundo_de_FH.aspx

2.

Nome: Os Residentes de Hilda
http://www.revistadacultura.

01/07/2013

Revista da Cultura - Os http://www.youtube.com/
residentes de Hilda

com.br/resultado/13-07-

28

watch?v=BZ6kcVXauJY
01/Os_residentes_de_Hilda.a

Data: 12/07/2013

spx

3.

Nome:

Maitê

Participa

de

Proença 16/08/2013
Noite

de

Autógrafos de seu novo livro,
‘É Duro Ser Cabra na Etiópia’

Revista da Cultura - "É duro
ser cabra na Etiópia" - o
novo livro de Maitê Proença

http://www.youtube.com/
watch?v=qyDS2p9i7sw

Data: 13/08/2013

http://www.revistadacultura.
com.br/resultado/13-0816/Maitê_Proença_participa_
de_noite_de_autógrafos_de_
seu_novo_livro_É_duro_ser_c
abra_na_Etiópia.aspx

GRUPO 2: Vídeos que NÃO têm conexões com o impresso (Revista da
Cultura):

N°

Link

e

Título

(título) Data

publicada na Revista

4.

Sem matéria no impresso

da Título do vídeo no Youtube Link do vídeo no Youtube

Publicação

-

e data da postagem no site

Revista da Cultura - Encontro http://www.youtube.com/
com Lila Azam Zanganeh na watch?v=7StsIlbNE2w
Livraria Cultura
Data:

5.

Sem matéria no impresso

-

Revista
da
Cultura
- http://www.youtube.com/
Lançamento do livro Porta watch?v=uSZ7kXJSDEU
dos Fundos
Data:

6.

Sem matéria no impresso

-

Lançamento do novo CD do http://www.youtube.com/
Emicida
watch?v=-aQKkpejVmw
29
Data:

Para a escolha dos vídeos acima foram pontuadas as seguintes questões:
1) – Matérias de destaque da Revista, sejam elas de capa ou que
ganharam muitas páginas na publicação.
2) – Imagens que apresentam uma estética visual importante na tela de
um computador, celular ou tablet.
3) – Elevado número de acessos, comentários e “curtidas”.

Com a escolha destes vídeos, as análises seguintes focaram em:
- comparações dos vídeos do grupo 1 com o grupo 2.
- apresentação das singularidades e das diferenças entre os conteúdos
audiovisuais do grupo 1.
- apresentação das singularidades e das diferenças entre os vídeos do grupo
2.
É importante ressaltar que este capítulo dedica-se somente a análises dos
vídeos enquanto formato audiovisual, portanto as análises nos subcapítulos
seguintes serão focadas em discutir a sua produção, edição, trilha sonora
(se houver), conteúdo da informação, vinhetas, insert (imagens de
inserção) e postagem no Youtube. Portanto, o impacto das informações
culturais nos espectador-produtor serão no capítulo três.

2.1 VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA EM CONEXÃO COM
IMPRESSO (GRUPO 1)
30
“... porque, de certa forma, editar é o mesmo que cortar
os pedaços ruins; o problema é: o que é um pedaço
ruim? Quando você está obviamente ruim e certamente
você vai cortá-lo fora. O objetivo de um vídeo caseiro em
geral é muito simples: uma gravação de eventos
desordenados em tempo contínuo. O objetivo dos filmes
de narrativas é muito complexos, tanto pela estrutura de
tempo fragmentada como pela necessidade de
reproduzir estados de espíritos, de modo que se torna
proporcionalmente mais complicado identificar o que é
um ‘pedação ruim’. E o que é ruim em um filme pode ser
bom em outro. De fato, uma das maneiras de se encarar
o processo de realização de um filme é pensar como uma
busca para identificar esses pedaços e cortá-los fora,
cuidando para que, ao fazê-lo, não destrua a estrutura
dos ‘pedaços bons’ restantes” (Murch, 2004, p. 22 e 23).
Escolher entre o “pedaço ruim” e o “pedaço bom” é um dos processos mais
importantes da produção de um filme, seja ele para postar no Youtube ou
para ser veiculado na televisão. E isso começa quando se decide entre
escolher determinadas cenas e informações. A edição também leva quem
está assistindo a um determinado filme a continuar (ou não) tendo
interesse por ele.
Além da análise do vídeo em si e sua apresentação no Youtube, é
importante ressaltar que os vídeos do GRUPO 1 são aqueles com conteúdo
transmídias, ou seja, em que o conteúdo foi difundido em diferentes canais
de informação.
De acordo com Briggs e Burke (2006), o conceito de convergência está
referenciado à “integração de texto, números, imagens, sons e diversos
elementos na mídia, que foram examinados em separado nos períodos
anteriores”. Já, segundo Jenkins (2009), a transmídia e sua narrativa são as
mesmas informações, difundidas em diferentes mídias, que contribuem para
uma nova informação. Portanto, convergência e transmídia podem andar de
mãos dadas, porém têm conceitos diferentes.

31
Abaixo, seguem as análises de cada filme do GRUPO 1 (que têm conexão
com o conteúdo publicado no meio impresso da Revista da Cultura):
1) – Título no Youtube: Livraria Cultura - Revista da Cultura - Fause Haten –
o vídeo começa com abertura em fundo branco e o logo da publicação
(Revista da Cultura) em verde claro. O branco vem antes da entrada da
logo e, neste momento, há fade in só na logo. O conteúdo audiovisual não
preenche toda a tela, portanto, ao aumentar a janela de visualização, quem
está assistindo verá sempre uma faixa branca no entorno da imagem que
contém a entrevista. Há música de abertura. Assim que termina a
introdução, entra a fala do entrevistado, porém a sua primeira imagem é
apresentada ao contrário. Ela só volta ao normal, depois de alguns minutos
e, em seguida, é cortada a fala para aparecer o nome do entrevistado em
uma imagem parada e a inserção, pelo gerador de caracteres (GC) do nome
do estilista. Retorna para o Fause falando e, novamente, há o GC com o
nome dele. Todos os momentos em que aparece o estilista dando a
entrevista há um filtro em tons de magenta. Enquanto aparece o
depoimento de Fause, é intercalada uma sessão de fotos e imagens de seus
trabalhos (insert), como, por exemplo, roupas e figurinos. As imagens
interpostas na entrevistas são sempre coloridas ou em branco e preto, sem
a necessidade de um filtro específico para este tipo de inserção de
conteúdo. O vídeo não tem uma narrativa linear dos fatos e da entrevista,
embora

quem

esteja

assistindo

consiga

compreender

a

seguinte

informação: por que o estilista começou a desenvolver esse trabalho. O
vídeo termina com fundo branco, entra o logo verde novamente (só há fade
out na logo, a imagem ainda permanece em branco até o final do vídeo e
não há cortes) com o nome “Revista da Cultura” e música, ao fundo. Não há
inserção de créditos finais. O tempo total deste vídeo é de quatro minutos e
oito segundos.
Após a análise do vídeo em si, destaca-se que a matéria com Fause, que
está impressa na Revista da Cultura edição 74, apresenta, no meio online

32
(clique aqui para lê-la10), entre a entrevista, o link do vídeo com a
entrevista do Youtube. Veja a imagem abaixo:
Entrevista publicada no meio impresso
realizada com o estilista Fause Haten.

Vídeo com making of da entrevista com Fause no
meio da entrevista impressa.
Figura 4. Vídeo e texto da entrevista realizados com Fause Haten pela
Revista da Cultura.

10

Link da matéria com Fause na Revista da Cultura:
http://www.revistadacultura.com.br/entrevistas/conversa/13-08-30/O_mundo_de_FH.aspx

33
Este vídeo e o texto com Fause Haten são os primeiros deste trabalho a
conterem uma narrativa transmídia, ou seja, informações distribuídas em
diferentes canais de informação, que contribuem para oferecer um universo
narrativo

e

informacional

para

o

receptor.

Segundo

Long

(2007),

“transmídia é qualquer coisa que se move de uma mídia para outra. As
histórias sempre se moveram entre a mídia”. Desta forma, existem
diferentes maneiras de se abordar a pauta, seja ela um vídeo no Youtube e
texto.
É importante atentar que o caso acima é o primeiro em que a Revista da
Cultura divulga um vídeo que ela realiza, com narrativa transmídia, em uma
matéria publicada no meio online. Em entrevista para este trabalho,
Gustavo Ranieri, editor-chefe da revista disse:
“Compartilhamos [os vídeos] sempre que achamos que vale
ser destacado. Não poluímos nosso perfil no Facebook com
muitos posts ao longo do dia. Poderíamos publicar todos os
dias mais de 7 posts, devido ao fluxo de conteúdo que temos,
mas notamos que isso incomoda o usuário dessa mídia social e
acaba o afastando. Portanto, publicamos geralmente três posts
por dia e, assim, temos de decidir qual terá mais impacto. Nem
sempre é o vídeo”. (Ranieri, 2013, entrevista completa no
Anexo A).

2) – Título no Youtube: Revista da Cultura - Os residentes de Hilda: neste
vídeo, novamente é apresentada uma narrativa não linear. Como o anterior,
ele começa com um fundo preto e com acordes de violão como trilha
sonora. Então entra, em fade in, o logo da “Livraria da Cultura” em tons de
verde. Em seguida, na tela aparece a imagem de uma estrada. Poucos
segundos depois, há o GC com o nome do local e a data da pauta. Neste
vídeo, a imagem é preenchida totalmente na tela. Este vídeo apresenta
mais emoção do que o da entrevista com o estilista Fause, pois retrata
pessoas que reformaram uma casa em que morava a escritora Hilda Hilst,
em Campinas (SP), com o intuito de ser uma residência artística. Há
intercalação do filtro azul escuro, em imagens do sítio, e imagens coloridas
34
quando entra o primeiro entrevistado. Já o segundo entrevistado aparece
em um fundo escuro, com filtro novamente azulado, diferente do primeiro
que está em um fundo aberto e colorido. No final do vídeo, as pessoas são
filmadas andando, de costas, até que a tela fique esfumaçada (fade out) e
sem a visão nítida dos entrevistados. Não há vinheta final, mas sim um
corte “seco”. Não há também, no vídeo todo, nenhum GC com os nomes
dos entrevistados. O tempo total do vídeo é de dois minutos e doze
segundos.
Este vídeo é diferente do produzido com Fause, porque na matéria
publicada só se apresenta o conteúdo impresso, (casa da poetisa que se
tornou ponto de encontro com artistas de várias gerações), sem a
divulgação de que há um vídeo complementar no Youtube. Ou seja, há dois
conteúdos diferentes (texto e vídeo), mas, para o leitor saber que há o
vídeo ele terá que acompanhar as publicações da revista na plataforma do
Google.
3) – Título no Youtube: Revista da Cultura - É duro ser cabra na Etiópia, o
novo livro de Maitê Proença – o vídeo começa com fundo preto, cor verde,
sem música e aparece a logo “Revista da Cultura” (fade in). Em seguida, há
a imagem de Maitê Proença posando para vários fotógrafos, com uma
música ao fundo. As imagens do evento são alternadas com o relato de
Maitê sobre o processo de produção do livro. O GC com o nome da
entrevistada aparece em quarenta segundos de vídeo. Todo o vídeo
mantém a imagem colorida, sem nenhum filtro que possa alterar a cor da
imagem. A narrativa deste vídeo é mais linear do que os demais, embora
haja também a interpolação de imagens quanto há a entrevista. No final, o
fundo fica preto, a logo “Livraria Cultura”, aparece na parte superior da tela
e desce até o centro e logo o vídeo é finalizado, com corte “seco” e som
interrompido. Este conteúdo audiovisual tem o tempo total de dois minutos
e quatorze segundos.
O vídeo com Maitê Proença teve um pequeno destaque na Revista da
Cultura. Com o texto referente à nota, divulgado no site da revista, há,
embaixo do mesmo, a publicação do vídeo. Vide a imagem abaixo:
35
Texto e com
imagens do
lançamento do livro
da Maitê Proença e
com cobertura da
realizada pela
Revista da Cultura

Vídeo da cobertura do livro da Maitê Proença realizado
pela Revista da Cultura
Figura 5. Vídeo e texto do lançamento do livro da Maitê Proença realizados
pela Revista da Cultura.
Apesar de a matéria sobre o lançamento do livro de Maitê Proença não
render muitas informações, é uma pauta que também atrai o leitor pelo
36
caráter de notícias sobre celebridades. Em número de visualizações no
Youtube, até a entrega deste trabalho, era o vídeo que tinha mais views 11
em comparativo12 com os demais conteúdos audiovisuais do GRUPO 1
produzidos pela publicação. Por isto, pode-se analisar que foi esse um dos
motivos pelos quais o vídeo ganhou destaque no site e no texto sobre o
lançamento do livro.

2.2 ANÁLISES EM CONJUNTO DOS TRÊS VÍDEOS DO GRUPO 1
Diante das análises dos vídeos do GRUPO 1, separadamente, apresentamse

questionamentos

sobre

os

três

vídeos

acima,

que

têm

como

características em comum as suas edições. Todos apresentam insert
(imagens no meio das entrevistas e/ou reportagens), narrativas nãolineares e a presença de som. Exceto no conteúdo com Maitê Proença, os
demais vídeos trabalham com o uso de filtros nas câmeras, o que
demonstra uma preocupação com a qualidade da imagem. Este é um tipo
de padronização e de preocupação com a fotografia da imagem por parte da
Livraria Cultura e/ou Revista da Cultura em relação à produção de conteúdo
audiovisual de qualidade, assim como com a qualidade da informação que
nos vídeos estão contidos.
Por outro lado, os vídeos do GRUPO 1 do canal da Livraria Cultura também
têm um problema na questão das vinhetas dos vídeos. Nem todos os vídeos
que são denominados como da Revista da Cultura contém, especificamente,
em sua abertura, uma vinheta da publicação. Ora aparece, como citado
acima, uma vinheta da Livraria da Cultura, ora aparece, em outro vídeo,
uma vinheta da Revista da Cultura, ou seja, não há uma padronização.

11

Views significa visualizações em inglês.
Número de views do vídeo da Maitê Proença no canal da Livraria Cultura/Revista da Cultura: 314
visualizações. Views do vídeo do Fause: 82 visualizações. Views do vídeo do Residentes de Hilda: 39
views.
12

37
Vinheta de abertura em um vídeo produzido pela Revista da Cultura em que há
imagem de uma estrada e aparece, inicialmente, a logo da “Livraria da Cultura”.

Figura 6. Vinheta de abertura com o nome “Livraria da Cultura” no vídeo
“Residentes de Hilda”13.
A Revista da Cultura é financiada pela Livraria Cultura, portanto, de certa
forma, não haveria problema em ter uma vinheta do seu ‘patrocinador’ logo
no início ou no final do vídeo. Porém, em canais concorrentes que também
são financiados por outras empresas de grande representatividade no
mercado brasileiro da comunicação, há vinhetas padronizadas em seus
vídeos postados no Youtube.

13

Link do vídeo no canal Livraria Cultura, no Youtube, da “Residentes de Hilda”:
http://www.youtube.com/watch?v=BZ6kcVXauJY

38
Vinheta de abertura correta, pois apresenta a logo de quem realmente
produziu o vídeo, a Revista e não a Livraria.

Figura 7. Abertura do vídeo do lançamento do livro de Maitê Proença14.
As duas imagens acima reafirmam que tanto a Revista da Cultura como a
Livraria da Cultura não têm necessidade de padronizar as suas vinhetas,
sejam elas de abertura, de passagem ou até dos créditos finais, que pode
ser além de uma forma de merchandising é uma forma de despertar a
atenção e a emoção de quem está visualizando determinado vídeo. (Abreu,
2011)
“Em uma produção para a televisão, além da função principal
de informar, uma vinheta de abertura esteticamente bem
elaborada torna-se fator de interesse do público telespectador.
Entretanto, os créditos contidos nas vinhetas deixam de ter,
ali, a função estrita de informar e, com o passar do tempo, o
tamanho da fonte utilizada é reduzido e sua composição
informal é aplicada como mais um elemento visual, juntamente
14

Link do vídeo do lançamento do livro da Maitê Proença no canal da Livraria Cultura:
http://www.youtube.com/watch?v=qyDS2p9i7sw

39
com as técnicas de design e edição. Atualmente, uma vinheta
de abertura é considerada a embalagem de um programa de
televisão, e é notória a importância da embalagem para o êxito
do lançamento de um produto no mercado”. (Abreu, 2011, p.
16)
São justamente estes valores que são apresentados na vinheta de Plantão,
da Rede Globo. Quando ela aparece na tela de um aparelho de televisão,
com a música, ao fundo, o espectador sabe que há uma notícia importante
e alarmante, na qual se deve prestar atenção. Diante deste fato, a Livraria
Cultura e a Revista da Cultura perdem a oportunidade de estabelecer este
contato de “importância informacional” e demonstração do poder da marca
ao

não

produzir

uma

padronização

das

vinhetas

das

publicações

audiovisuais da Revista da Cultura.
No Youtube, outro exemplo a ser citado é o da Revista Veja, que produz os
vídeos “Veja Recomenda”, com periodicidade semanal, e “Veja Música”,
postado no Youtube da Revista mensalmente. Ambos os conteúdos são
produzidos pelo jornalista Sergio Martins e pela diretora de conteúdo
audiovisual Raquel Hoshino, com o intuito de trazer um panorama da cena
musical contemporânea.
Em entrevista para este trabalho, Sergio Martins ressalta: “ambos os
programas nasceram de sugestões minhas e da minha equipe. A diferença é
que no ‘Veja Música’, em que os custos são maiores, eu tenho de submeter
a

pauta

aos

responsáveis

pelo

departamento

de

vídeo.

No

‘Veja

Recomenda’, eu ajo com mais liberdade e falo até sobre discos e DVDs que
não foram comentados na edição impressa”.

40
Vinheta dos vídeos “Veja Recomenda” padronizado em cor, logo e marca da
revista, além também da tipografia.

Figura 8. O jornalista Sergio Martins fala sobre o lançamento do disco “Wise
Up Ghost And Other Songs”15, no vídeo semanal denominado “Veja
Recomenda” e postado no canal da Revista Veja no Youtube.
A Veja apresenta também a mesma padronização de vinheta no outro
canal, “Veja Música” também produzida no Youtube. Veja a imagem abaixo:

15

Link deste vídeo da “Veja Recomenda” sobre o álbum do Elvis Castello e The Roots:
http://www.youtube.com/watch?v=BBcQMLFddJs

41
Vinheta dos vídeos “Veja Música” assim como os produtos
audiovisuais do “Veja Recomenda” também há padronização
de cor, logo e marca da revista, além também da tipografia.

Figura 9. O jornalista Sergio Martins entrevista o cantor Filipe Catto16 em
um vídeo mensal denominado “Veja Música” e postado no canal da Revista
Veja no Youtube.

A vinheta dos programas da Veja no meio online são diferentes, pois, claro,
são produzidas para tipos de conteúdo e de público-alvo diferenciados.
Porém, é importante ressaltar que para cada tipo de programa há uma
vinheta específica, que é adotada nos demais vídeos da publicação. Os GCs
são

padronizados

e

aparecem

no

início

dos

vídeos.

Há

também

padronização no título dos vídeos do Youtube para, desta forma, facilitar a
procura do usuário por determinado conteúdo audiovisual na página da Veja
no site do Google.
Desta forma, a publicação da Abril, além de apresentar qualidade de
informação nos vídeos, demonstra a preocupação do veículo em se manter
16

Link deste vídeo da “Veja Música” com Filipe Catto no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=Wjb3sBVJoQ4

42
fiel ao seu público-alvo/leitor com a apresentação de uma vinheta padrão
para os conteúdos audiovisuais, assim como para despertar alguma
identificação

quando

as

músicas

das

vinhetas

começarem

a

ser

reproduzidas.
Outro fato importante é que os vídeos produzidos pela Veja têm a sua
publicação e divulgação nas redes sociais Twitter e Facebook, que detêm o
seu nome. Desta forma, a revista não só demonstra que, além de a Veja
dedicar e disponibilizar uma equipe para produzi-los, há também a
importância de divulgá-los. A imagem abaixo apresenta a divulgação:

Figura 10. Divulgação no perfil do Facebook da Veja17 do vídeo realizado
pelo jornalista Sergio Martins.
A apresentação do vídeo do Youtube para os seguidores da Veja no Twitter
e no Facebook, demonstra a necessidade da Veja em atingir o maior
17

Perfil da Veja no Facebook: https://www.facebook.com/Veja?fref=ts

43
alcance de pessoas para visualizarem o conteúdo no meio online. Já que é
um vídeo produzido exclusivamente para o Youtube, é importante que a
Veja dedique-se a fazer publicidade dele também em suas redes sociais.
A diferença entre os vídeos produzidos e publicados pela Veja e pela Revista
da Cultura têm formatos de transmídias diferentes. Nos produzidos pela
Revista da Cultura que pertencem ao GRUPO 1, há informações que
também estão no meio impresso; já os produzidos pela Veja são exclusivos
para o meio online. Porém, a Revista da Cultura também apresenta vídeos
que são exclusivos para o Youtube (que serão analisados no subcapítulo
2.3).
O capítulo três deste trabalho é dedicado a classificar estes tipos de
transnarrativas: vídeos que são produzidos exclusivamente para o meio
online e conteúdos audiovisuais que são feitos com conexão com o meio
impresso).

2.3 VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA EM CONEXÃO COM O
CONTEÚDO IMPRESSO (GRUPO 2)
Nestas análises são apresentados os três vídeos do GRUPO 2, que não têm
conexão

com

o

conteúdo

impresso.

Eles

são

postados

e

feitos

exclusivamente para o canal do Youtube da Revista da Cultura.
1) - Título no Youtube: Revista da Cultura – Encontro com Lila Azam
Zanganeh na Livraria Cultura – a obra é iniciada (fade in) com uma imagem
do teatro Eva Hertz, é apresentado o público chegando, há música de fundo
e aparece a logo “Revista da Cultura” em verde. A música continua e é
apresentada a imagem da escritora Lila Azam Zanganeh, em preto e
branco. Quando ela começa a falar, a música termina e a imagem fica
colorida. Enquanto a escritora continua falando, aparece uma imagem mais
aberta em que aparece Gustavo Ranieri, editora-chefe da Revista da
Cultura, no palco junto com Lila. Neste momento, a imagem novamente
44
muda para preto e branco. O vídeo do encontro é alternado com imagens
coloridas (com a fala do editor e de Lila), outras em PB, música ao fundo.
Termina com música, imagem de fundo preta e a logo, em branco, “Livraria
Cultura” (fade out). O vídeo tem o tempo total de um minuto e quarenta e
dois segundos.
2) – Título no Youtube: Revista da Cultura – Lançamento do Livro Porta dos
Fundos – o vídeo começa (fade in) com música, imagem em branco e preto
do lançamento do livro e a logo, em verde, “Revista da Cultura”. Em dez
segundos de vídeo, aparece o primeiro GC com o nome do evento. As
imagens em branco e preto e coloridas se alternam, enquanto aparecem os
comediantes para dar o seu depoimento sobre o livro. A qualidade do som
está ‘estourada’, o que provoca, no vídeo, um áudio aparentemente
estridente. Como neste vídeo é entrevistado mais de um humorista, os GCs
com seus nomes aparecem logo que cada um começa a falar. É importante
ressaltar que a música não desaparece totalmente deste conteúdo
audiovisual, ao contrário, enquanto há as falas dos entrevistados, ela está
em BG (áudio em segundo plano). O vídeo é finalizado com o fundo preto,
música e a logo, em branco, “Livraria Cultura” (fade out). Este conteúdo
audiovisual tem o tempo total de um minuto e trinta segundos.
3) – Título no Youtube: Lançamento do novo CD do Emicida – ao contrário
dos demais vídeos deste GRUPO 2, no registro sobre o CD do Emicida há a
logo da publicação, na cor vermelha, na frente de imagens coloridas do
cantor. Também há música, interpretada por Emicida no começo do vídeo.
Ela continua em BG, enquanto o cantor começa a falar. Neste momento, a
imagem muda de cor e aparece uma tonalidade azulada (utiliza-se filtro
azul). Aos trinta e cinco segundo, há GC com o nome de Emicida. A
entrevista é alternada com imagens coloridas, em que o cantor interpreta
as suas canções. Há música de BG em todo o vídeo. Fade out na imagem
colorida, com o artista interpretando uma canção de sua autoria. Em
seguida, aparece, novamente, o fundo preto e a logo, “Livraria Cultura, em
branco. O vídeo é cortado a “seco”. O vídeo tem o tempo total de três
minutos e cinquenta e dois segundos.
45
Vale lembrar que, como estes vídeos não têm conexões com a publicação
impressa, portanto não há questionamentos resultados do conteúdo
audiovisual com o texto.
Por isto, os apontamentos relacionados aos três vídeos serão apresentados
no subcapítulo a seguir.

2.4 ANÁLISES EM CONJUNTO DOS TRÊS VÍDEOS DO GRUPO 2
Em uma análise inicial, pode-se perceber que todos eles têm um ponto em
comum: as pautas que resultaram nos conteúdos audiovisuais referem-se a
eventos que aconteceram na Livraria com pessoas e/ou grupos de destaque
do mundo cultural. Além disso, os vídeos também têm a mesma estrutura
de apresentação: edição, imagens insert, uso de GC e BG, alternância de
cores (branco e preto para coloridas e vice-versa) e até uma padronização
nas vinhetas - começo com a da Revista e no final com a da Livraria.

46
Vinheta
de
abertura
com logo
da Revista
da Cultura
e, ao
fundo,
imagem
do
auditório
da
Livraria.

Figura 11. Abertura do vídeo do encontro com Lila Azam Zanganeh18.
No vídeo do Encontro com Lila Azam, assim como os demais, inicia-se com
uma vinheta que contém a logo da Revista da Cultura, em verde, com
imagens da chegada do público, ao fundo. A edição, novamente, permanece
não-linear e os inserts também são apresentados no meio das entrevistas,
em branco e preto, que acontecem nas cenas apresentados em, nos vídeos,
em cores.
O vídeo da Lila é o único, do GRUPO 2, que tem diferença de duração dos
demais, porém ele não ultrapassa dois minutos.
- Consideração ao vídeo Porta dos Fundos:

18

Link do vídeo do encontro com Lia Azam no canal da Livraria Cultura:
http://www.youtube.com/watch?v=7StsIlbNE2w

47
Vinheta de abertura do vídeo com logo da Revista
da Cultura em imagem do vídeo.

Figura 12. Abertura do vídeo do lançamento do livro do Porta dos Fundos19.
Este vídeo do lançamento do livro do Porta dos Fundos é diferente do da
escritora Lila, porém, com um ponto na edição semelhante ao do Emicida:
há música de BG. Além disso, os GCs com os nomes dos comediantes
entrevistados aparecem no vídeo assim que a imagem deles está na tela,
diferentemente dos outros vídeos do GRUPO 2 e do GRUPO 1.
Há, porém, um pequeno problema no vídeo do Porta dos Fundos: ele está
com menos qualidade sonora e, nem com o BG, ao fundo, conseguiu
resolver a questão da qualidade sonora, que, embora não torne o conteúdo
inaudível, apresenta ruídos extremamente estridente, o que pode levar
muitos usuários a não assisti-lo até o final. Vídeos com imagens ruins
muitas pessoas até podem assistir, mas com áudio terrível é impossível.
(Neto, 2013)
19

Link do vídeo do Porta dos Fundos no canal da Livraria:
http://www.youtube.com/watch?v=uSZ7kXJSDEU

48
Outro detalhe importante é que o vídeo do evento do Porta dos Fundos e da
escritora Lila têm aproximadamente a mesma duração, ou seja, menos de
dois minutos.
- Consideração ao vídeo do Emicida:
Vinheta de abertura com logo da Revista da
Cultura em cor vermelha e imagem do cantor, ao
fundo.

Figura 13. Abertura do vídeo do vídeo do novo CD do Emicida20.
Este vídeo do Emicida é diferente dos demais em dois pontos. O primeiro
diz respeito à logo. A mudança de cor ressalta a não padronização da logo,

20

Link do vídeo do lançamento do CD do Emicida no canal da Livraria Cultura:
http://www.youtube.com/watch?v=-aQKkpejVmw

49
que vinha acontecendo nos demais vídeos. A imagem que está por trás da
logo é colorida, já nos demais vídeos, ela aparece em branco e preto.
O segundo detalhe é que este vídeo utiliza filtro quando o Emicida concede
a entrevista. As imagens aparecem azuladas. Nos demais vídeos, só há a
alteração entre o branco e preto e o colorido. Neste caso, no vídeo do
lançamento do CD, o branco e o preto não é utilizado. Portanto, a Revista
da Cultura, logo a Livraria, se utilizaram só das cores.
Para finalizar a análise deste vídeo, no final dele há o corte seco, que,
novamente, é diferente dos demais. Nos outros dois, foi usado o efeito de
fade out em seus términos.
Diante dos exames realizados nos vídeos do GRUPO 2, nota-se que há um
cuidado especial por parte da Livraria Cultura e também da Revista da
Cultura em produzir estes vídeos. Eles não estão ainda 100% padronizados,
mas as logos de início e de final são iguais e só alternam, em um vídeo, a
cor de início.
Há mais recursos audiovisuais utilizados, com, por exemplo, o BG. As
legendas dos entrevistados aparecem, mesmo que tardiamente, em todos
os vídeos.
Foi diminuído o tempo na maioria dos registros do GRUPO 2, pois agora se
tornaram mais curtos para poderem passar um panorama rápido, sem uma
informação aprofundada, com uma celebridade ‘do momento’ em eventos
realizados na Livraria. Consequentemente, estes produtos audiovisuais
também podem ser compartilhados rapidamente nas demais redes sociais e
podem até se tornar virais e ser uma válvula de escape da mídia tradicional,
com o intuito de atingir a arredia e tão desejada audiência jovem. (Burgess
e Green, 2012).

50
2.5 VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA: ANÁLISES DO CONTEÚDOS
AUDIOVISUAIS DO GRUPO 1 COM O GRUPO 2
Os vídeos do GRUPO 1 por apresentarem, em sua maioria, conexões com o
meio impresso, foram confeccionados com maior cuidado, seja na edição,
no uso de filtros e até no conteúdo apresentado – além disso, a duração é
diferente entre uns e outros devido à necessidade da pauta. Nem todos os
conteúdos audiovisuais foram divulgados e publicados no meio impresso.
As pautas [vídeos do GRUPO 1] não têm uma padronização, mesmo com
cuidado especial pelo revista, em relação ao uso de vinhetas, inserções de
imagens e até o tempo de duração. Contudo, imagens e som estão com boa
qualidade.
Em um comparativo com os dois vídeos que estão na revista, o de Fause e
de Maitê Proença, vê-se uma diferença na própria edição. Na entrevista com
Fause, tem-se o uso de filtros e, até o seu início, com imagens coloridas e
invertidas, o que é diferente do realizado com Maitê Proença, com uma
imagem dela sendo fotografada. Neste último, não há muito uso de
recursos de edição, só o uso de insert e imagens que se alternam entre
coloridas e branco e preto. Mesmo assim, Maitê Proença apresentou mais
acessos, logo audiência, do que Fause Haten no Canal da Cultura.
No vídeos do GRUPO 2, esta padronização é muito presente (as vinhetas de
aberturas são todas praticamente idênticas, exceto no vídeo do Emicida,
que tem a letra da logo da Revista da Cultura em vermelho). Até em sua
duração, não ultrapassam mais de dois minutos.
O GRUPO 1 são conteúdos jornalísticos mais aprofundados, enquanto o
GRUPO 2 são conteúdos para o meio online, com o intuito de se tornarem
virtuais. Isso é observado no número de visualizações entre estas pautas.
No vídeo do Emicida há, até a entrega deste trabalho, 2.619 visitas ao
conteúdo do cantor no site da Livraria. O vídeo com Porta dos Fundos tem
1.005 visualizações e o do encontro com Lila contém 107 visitas. A soma de
51
acessos aos vídeos do GRUPO 2 apresentou uma maior audiência, logo
visualizações, do que os conteúdos audiovisuais do GRUPO 1, por mais que
exista um cuidado em realizá-lo e o vínculo com o impresso.
Esta audiência também pode ser oriunda da busca realizada no Google pelo
evento da Cultura. O fato dos vídeos do GRUPO 2 também terem uma
padronização contribuiu para facilitar a busca no site do Google e,
principalmente, dos usuários dentro do Canal Livraria Cultura. Todos
apresentam em seu título o seguinte padrão: “Revista da Cultura – (nome
do evento)”. Nos vídeos do GRUPO 1 há uma alternância entre os seguintes
títulos: “Livraria da Cultura – Revista da Cultura – (nome do evento)” e
“Revista da Cultura – (nome do evento).
A importância do título “Revista da Cultura – (nome do evento)” é ressaltar
que

é

um

conteúdo

produzido

exclusivamente

pela

publicação,

diferenciando dos outros 680 que estão no canal “Livraria Cultura”. Por isto,
apresenta o papel da publicação dentro do Youtube.
O segundo fator de importância é que quando uma pessoa realiza uma
busca no Google, ela o realiza com mais de uma palavra, ou seja, se quiser
achar um vídeo da Revista da Cultura é comum o usuário escrever na caixa
de busca, por exemplo, “revista da cultura fause”. Após o usuário clicar no
botão ‘buscar’, os robôs do Google (Page Rank21) irão varrer a web para
procurar links de referência com estes sinônimos. Estes mesmo robôs do
Google podem direcionar a busca para os vídeos da Revista da Cultura com
mais facilidade do que os demais que não tem padronização no título de
seus registros.

21

“O Page Rank é uma estrutura de ligação da web, que interpreta um link da página A para a B. A ideia
do Page Rank é apresentá-lo como um surfista da web. O surfista vai de uma página escolhendo
aleatoriamente um link de saída para ir surfando em mais links existentes”.

52
Capítulo 3
NARRATIVAS TRANSMÍDIAS NOS VÍDEOS DA
REVISTA DA CULTURA
Antes de começar as considerações deste capítulo, é necessário fazer uma
diferenciação entre narrativa ‘transmídia’ e ‘cross-media’. Este último é um
termo que, segundo Henry Jenkins (2009), é o que determina o conteúdo
que teve a sua difusão para várias plataformas diferentes, sem nenhuma
alteração. Já a narrativa transmídia, de acordo com Vicente Gosciola
(2012), é uma maneira de contar uma história em que ela é distribuída e
expandida para diversos canais de comunicação, ou seja, a notícia ganha
diversas partes que são complementares.
Neste trabalho só será utilizado o conceito de ‘narrativa transmídia’ nas
próximas análises, ou seja, uma pauta, como, por exemplo, do Fause
Haten, que teve um making of postado na plataforma de vídeos do Youtube
e também uma matéria no meio impresso, além de reproduzida no site da
Revista da Cultura.
É importante ressaltar que os vídeos produzidos pela publicação para o
Youtube também podem ser considerados como conteúdos transmídia,
mesmo que não tenham vinculação com o site e/ou impresso. Para
fundamentar esse conceito, são apresentadas as teorias e discussões no
seguinte subcapítulo.

3.1 O DOCUMENTÁRIO TRANSMÍDIA
“Uma das manifestações interessantes é uma série de
obras produzidas pela National Geographic para sua
página. Com a obra ‘The Greenhouse Effect 2’, ainda que
de maneira limitada, a National Geographic já oferece
53
características da narrativa transmídia, com distribuição
em redes sociais, a possibilidade de navegar por diversos
conteúdos produzidos em plataformas distintas. O
formato adotado pela National Geographic é semelhante
às exposições de expedições de aventura realizadas no
final do século XIX. A diferença é que agora é que
NatGeo adota como espaço de exposição a internet e a
distribuição do conteúdo exposto é construído a partir de
caminhos a serem percorridos de maneira digital,
hipertextual, ainda que ofereça uma construção cognitiva
composta por conteúdos em multiplataforma como a
técnica anterior”. (Renó, 2013, p.17)
Uma experiência audiovisual de narrativa transmídia similar ao exemplo do
vídeo da National Geographic ressaltado acima são os vídeos do GRUPO 1
(com conexão com a revista/site), produzidos pela Revista da Cultura. Já
que são pautas que têm conexões entre si, porque são as mesmas matérias
divididas em diversos canais, o usuário-leitor pode navegar por conteúdos
e plataformas, que têm a marca Revista da Cultura, quando achar
necessário e como desejar. Isso vai ao encontro do que Jenkins (200)
também relatou como convergência de mídia, ou seja, são os conteúdos
que ‘cortejam’ ao consumidor em todas as plataformas comunicacionais.
Vale, novamente, enfatizar, que convergência e transmídia são palavras que
aparentam ter a mesma significação, mas não têm. Como explicado no
subcapítulo 2.1, convergência é a forma de ligar os diversos canais de
comunicação, já transmídia é uma forma de narrativa difundida pelos
mesmos

meios

de

comunicação,

que

também

são

utilizados

pela

convergência.
Voltando às considerações necessárias, o canal da revista no Youtube tem
formatos para atenderem um público-alvo específico. Como exemplo, temse o vídeo do Fause Haten (GRUPO 1), o making of da sessão de fotos, em
formato de vídeo no Youtube, e também a entrevista para o impresso e que
foi reproduzida no site da publicação. Portanto, o canal tem uma audiência
diferente, mas que também pode ser a mesma do impresso. A diferença,
neste caso, são os perfis do público, pois há também pessoas que só leem
54
revistas, outras só acessam o Youtube e ainda leitores e que são também a
‘audiência’ do canal de vídeos do Google, no qual a publicação tem uma
página com vídeos para serem visualizados.
Isso remete a que Renó (2013) observou: “um conteúdo disponibilizado
pelo próprio usuário pelas redes sociais (conteúdos esses sujeitos a
processos de interpretação, retroalimentação e circulação) consolidamos
uma verdadeira participação cidadã nessa narrativa” (Renó, 2013, p.21).
Portanto, além de o usuário poder decidir o que quer navegar e ler/assistir,
pode também distribuir a partir das suas redes sociais – além de comentar
a informação que ele adquiriu pelo conteúdo publicado na Revista da
Cultura.
Essa participação do leitor-usuário na construção da narrativa transmídia é
fundamental para entender os vídeos do GRUPO 2 (sem conexão com o
site/revista) e também os produzidos pela Revista Veja – como explicado no
capítulo anterior. Como retrata Paul Levinson (2012), convivemos com
“novos meios”, nos quais o usuário é um consumidor midiático que produz
conteúdo. Essa é uma particularidade que Renó (2013) define como a “nova
ecologia

dos meios”

em que

a

participação

cidadã

nos processos

comunicacionais passou a ser decisiva para a fundamentação dos novos
conteúdos existentes pela web. Por isso, quando o conteúdo é distribuído no
meio online, para diversas plataformas, é absorvido em um espaço único: o
da Internet. Nesse meio, há a aliança da interatividade e a navegação,
principalmente com ajuda dos dispositivos móveis hoje existentes.
Para ajudar nesse tipo de interatividade e navegação pelos vídeos e
conteúdos da revista, Gustavo Ranieri, editor-chefe da Revista da Cultura,
disse, em entrevista para este trabalho, como é a escolha do conteúdo que
irá ‘se transformar’ em um vídeo:
“A criação dos vídeos é definida a partir da pauta em si. Ou
seja, se a reportagem estimula a produção de um vídeo, seja
como complemento do texto ou até para um desdobramento
do tema, isso é feito. Podemos fazer um vídeo para registrar o
55
making of da entrevista, mas também para exibir um trecho
extra que não entrou na impressa. Também fazemos vídeos
para atender pautas exclusivas para o site da revista, assim
como produzirmos cobertura em vídeo e entrevistas com
artistas renomados que façam algum tipo de lançamento na
Livraria Cultura. Não há obrigação de fazer essa cobertura.
Portanto, a escolha de quais eventos serão acompanhados
dependerá do quanto achamos que o artista em si tem o perfil
do nosso leitor”. (Ranieri, 2013, entrevista completa no Anexo
A)
Diante deste fato, “o documentário transmídia” (sem querer entrar no
mérito da discussão sobre o papel do gênero documentário como contador
de verdade e fatos) tem como base a distribuição do conteúdo pelas redes
sociais, não importando se tem ou não conexão com o meio impresso, mas
simplesmente relatando uma notícia ou fato. Informação esta que é,
inicialmente, produzida por um meio de comunicação e distribuída em canal
do Youtube aos seus seguidores/audiência.
Portanto, neste trabalho, verifica-se que os vídeos produzidos pela Revista
da Cultura assim como os vídeos, sejam do GRUPO 1 ou do GRUPO 2, e da
sua concorrente, a Revista da Veja, enquadram-se na definição de Renó de
“documentário transmídia”. Apesar de terem formatos de edição diferentes,
conteúdos de pautas também distintos, oferecem a possibilidade de o leitor
da Revista participar, via online, da sua difusão, opinião e distribuição da
informação nas suas redes sociais.
Diante desta fato, é importante analisar o papel do leitor, não só como
audiência no canal do Youtube e leitor da Revista da Cultura, mas também
como ponto fundamental e participativo nesta construção e distribuição da
narrativa

transmídia. Por isso, o

observações.

56

próximo

capítulo

apresenta

essas
Capítulo 4
O PAPEL DO LEITOR NA CONSTRUÇÃO DA
NARRATIVA TRANSMÍDIA

Este capítulo é um dos mais importantes deste trabalho. Primeiro porque
todo o trabalho jornalístico depende do receptor da mensagem que é
produzida pelo profissional da comunicação, ou seja, de quem que irá ler,
ouvir ou ver determinada notícia. Outro ponto importante é que toda
narrativa transmídia também depende da interação do usuário-leitor para
que seja realizada como um todo.
Por isto, Piza relatou como o papel do jornalismo cultural está conectado
com leitor:
“O fundamental no jornalismo cultural é que saiba ao
mesmo tempo convidar e provocar o leitor, notando
ainda que essas duas ações não raro se tornam a
mesma: o leitor que se sente provocado por uma opinião
diferente (no conteúdo ou mesmo na formulação) está
também sendo convidado a conhecer um repertório
novo, a ganhar informação e reflexão sobre um assunto
que tendia a encarar de outra forma. [...] ‘Fazer cabeças’
no bom sentido, incitando o leitor a ter opinião e usar
melhor o seu tempo”. (Piza, 2011, p.68)
Em um canal do Youtube, com conteúdo de jornalismo cultural, como o
Revista da Cultura, tem-se também esta incitação, este convite, e
provocação muito bem definida, pois, ao contrário de outros recursos
estéticos e de diagramação que se tem em uma revista, a Revista da
Cultura tem somente uma única chance para captar a atenção de quem
acessa aquele vídeo. Isso é realizado nos cinco primeiros minutos em que o
vídeo está sendo reproduzido na tela do computador, celular ou tablet
57
(Neto, 2013) do usuário-leitor. Como em uma revista, a beleza da
diagramação e seu papel contam como chamariz para cativar o leitor, em
um canal do Youtube, esse ‘feitiço’ é realizado pelas seguintes ferramentas:
qualidade de imagem e de áudio.
Há também, em segundo plano, a marca “Livraria Cultura”, que também
capta a atenção do usuário para assistir a determinado vídeo no site do
Google.
Com o intuito de observar estes dois fatores, este trabalho entrevistou
alguns leitores da Revista da Cultura para saber se eles acompanham o
trabalho da publicação no canal de vídeos. Todos conheceram o periódico
em visitas as diferentes unidades da Livraria da Cultura, que são pontos de
distribuição gratuita da publicação.
Os três leitores entrevistados (entrevistas completas em Anexo

B)

acompanham o trabalho da revista intensamente – dois deles, inclusive,
colecionam a revista. Porém somente um entrevistado acessa o conteúdo
audiovisual, outro descobriu recentemente o canal do Youtube da Revista da
Cultura e mesmo assim não o acompanha e o último disse que tem
restrições em relação ao conteúdo noticioso online (mesmo sendo um
estudante de cinema).
É interessante notar que todos leitores sabem da existência do canal, mas a
maioria não tem o hábito de acessá-lo. Isso vai ao encontro do que foi
discutido no capítulo 2 sobre o Youtube não ser a prioridade de produção de
conteúdo

pela

publicação,

além

da

falta

de

organização

dela

em

desenvolver uma identidade virtual (marca) no canal de vídeos do Google
(também veja os questionamentos referentes à ausência de vinhetas nos
conteúdos audiovisuais disponíveis no canal da Livraria da Cultura e que
foram produzidos pela Revista da Cultura).
Esses leitores têm contato com a marca “Revista da Cultura”, mas, de certa
forma, ela não exerce a sua potencialidade no canal de vídeos do Youtube.
58
Por outro lado, quando foi perguntando para esses leitores o que eles
gostariam de assistir no canal da Revista da Cultura, todos eles, sem
exceção, responderam e sugeriram pautas a serem desenvolvidas pela
publicação. Um deles, inclusive, disse para desenvolver uma seção em que
há participação do leitor e é exclusiva do conteúdo impresso em formato de
vídeo. Portanto, estes leitores, por mais que não tenham o hábito de
acessar tal endereço, mostraram também vontade em acessá-lo caso o
conteúdo publicado venha a despertar seus interesses, ou, ainda a
publicação trabalhe com publicidade como forma de indicação para as
pessoas acessarem e/ou visualizarem. Ou seja, além de haver falta de
planejamento de marketing digital eficaz para que leve o leitor a conhecer a
página da Revista da Cultura no Youtube, há também a ausência de
dedicação do periódico para realizar pautas com mais frequências e que
tenham a sua identidade própria. Portanto, para esses leitores, tais
conteúdos da revista no site de vídeos do Google que não apresentaram o
que o Piza se referiu acima: serem provocadores e convidativos para esses
leitores desejarem estar em constantes conexões com o canal do Youtube
da Revista da Cultura.
É importante atentar para o fato de que hoje esses vídeos do GRUPO 2
(sem conexão com o impressão) não têm a ajuda direta da maioria desses
leitores entrevistados na sua construção transmídia, pois já que não
acessam aos vídeos, produzidos só para o meio online, como saberão de
suas existências?! Portanto, sua participação nessa narrativa transmídia é
indireta, ou seja, só se o vídeo for indicado por determinado conhecido,
chegando até eles por intermédio das redes sociais, ou se tornarem virais
nas plataformas online.
Por outro lado, nos vídeos do GRUPO 1, eles têm uma participação direta e
importante, pois, além de ler a matéria impressa, também reproduzida no
site da Revista da Cultura, podem saber de suas existências nos canais do
Youtube – já que a pauta é dividida em diversos canais informacionais. Esse
tipo de informação, tais leitores conseguirão ao acessar o site da publicação
59
ou ao compartilhar a matéria no meio online e outras pessoas a
comentaram, dentro da página pessoal de cada leitor, até que alguém com
necessidade de saber mais sobre aquela pauta busque, no Google,
informações correlatas sobre a notícia e o Page Rank aponte os vídeos
online no canal da Revista da Cultura. Outra forma também de conseguir
tais informações é ao acessar a publicação via tablet, pois tais vídeos estão
inseridos na revista digital.
A narrativa transmídia realizada também pelo leitor-usuário é mais enfática,
para esses leitores entrevistados da Revista da Cultura, nos vídeos do
GRUPO 1 do que no conteúdo audiovisual do GRUPO 2.
“Há uma mudança significativa no papel do receptor da
mensagem vista na forma clássica da comunicação. Há mais
condições de este receptor tentar entender a informação por
vários ângulos, principalmente com as novas perspectivas de
interatividade. Sem falar na possibilidade de não satisfeito com
o que a matéria oferece, o receptor pode optar por buscar mais
informações em outros websites” (Canan, 2007, p.143).
A Livraria da Cultura e a Revista da Cultura poderiam melhor utilizar o papel
desses receptores e também de seus leitores no meio impresso, que estão
em constante busca de informações de qualidades, com o intuito de
fortalecer a sua marca online, desenvolver uma presença online única para
a Revista da Cultura, com isso melhorariam os acessos e também
aumentariam as visualizações / audiências no seu canal do Youtube e,
consequentemente, cativariam novos leitores para o site e para o conteúdo
impresso.

60
Conclusão
Este trabalho propôs, como objetivo principal, analisar a presença da
“Revista da Cultura” no canal “Livraria Cultura”, no Youtube. É importante
ressaltar que o endereço online possui 680 vídeos produzidos, pela Livraria
e/ou Revista da Cultura.
Chegou-se à conclusão de que tal endereço tem um papel importante
virtual, não só apresentando um conteúdo cultural e números de acessos,
como também efetivando a presença da publicação no meio online. Por isso,
foi constatada uma dificuldade de separação entre o conteúdo que é
exclusivo da Revista e aquele que é dedicado à Livraria. Isso leva a uma
não identificação do usuário-leitor da publicação em visualizar e acessar os
conteúdos ali postados, que resulta no não aumento de audiência e no não
conhecimento do endereço pelos leitores do impresso. Se a publicação já
produz um conteúdo exclusivo para o Youtube, por que não trabalhar para a
sua divulgação?! Segundo Gustavo Ranieri, editor-chefe da Revista da
Cultura, em entrevista para este trabalho, o Youtube não é o meio de
comunicação principal de dedicação do periódico.
Como objetivos específicos, este trabalho propôs, além de fazer a revisão
bibliográfica específica para basear este estudo, classificar os vídeos da
Revista da Cultura em grupos de transmídia. Por isto, apresentou o GRUPO
1, que tem conexão com o impresso, e o GRUPO 2, que são realizados
exclusivamente para o meio online. Apesar de estarem categorizados, foi
apresentado que, no GRUPO 1, não há muita padronização audiovisual entre
os vídeos, como, por exemplo, na apresentação da discussão da ausência
de vinheta. Contudo, tais vídeos ganharam destaque dentro do site e do
impresso.
No GRUPO 2, vídeos que foram produzidos só para o meio online,
observaram-se mais conexões entre eles, seja

pelas suas edições,

padronização de vinhetas e até o tempo de duração. Esses conteúdos
61
audiovisuais apresentam características de vídeos que podem se tornar
virais nas redes sociais, portanto, também se notou que suas audiências /
visualizações são maiores do que o GRUPO 1.
Outro questionamento que foi levantando com este trabalho é o papel do
usuário na construção transmídia. Por isso, é apontado que, apesar da
maioria dos leitores da Revista da Cultura não acessar o canal “Livraria da
Cultura”, apresenta a necessidade de estar em contato com tal plataforma.
Esses leitores, se não for por curiosidade, indicação de amigo e/ou
conhecido ou talvez uma busca pelo Google, podem nunca acessar o
Youtube da Revista da Cultura e nem saberão o trabalho realizado pelo
periódico no site de vídeos. Por isso foi apresentado que o canal do Youtube
tem uma audiência específica, que talvez nem tenha contato com a
publicação impressa.
É importante ressaltar o papel da Revista da Cultura no jornalismo brasileiro
e também da sua mecena, a Livraria Cultura. Porém, com dedicação, tal
publicação poderia ter uma expansão de seus leitores como também uma
forte marca virtual.
Com isso, esta monografia poderá ajudar em pesquisas que se referem ao
papel de uma revista no Youtube, narrativas transmídias no jornalismo
cultural e também o desenvolvimento de marcas de meios de comunicação
tradicional e impresso no meio online.

62
Referências Bibliográficas
ABREU, Bento

Fernandes de (2009). Bravo!: desenho, design

e

desígnios na perspectiva dos estudos da cultura visual. Canos, Ed.
Ulbra.
ABREU, Rogério (2011). Design na TV – Pensando Vinheta. Salto, Ed.
Shoba.
ALPHEN,

Fernando

(2009).

Webvertising.

Disponível

em:

<

http://webinsider.uol.com/2009/07/02/o-no-da-audiencia-na-internet>.
Acessado em: 25 mai. 2013
ANDERSON, Cris (2006). A Cauda Longa: do mercado de massa para o
mercado de nicho. Trad. Afonso Celso da Cunha Serra. Rio de Janeiro,
Elsevier.
AROSO, Inês; CORREIA, Frederico (2007). A Internet e os novos papeis
do

jornalista

e

do

cidadão.

Disponível

em:

<http://www.insite.pro.br/2007/35.pdf> Acessado em: 20 mai. 2013.
BONA, Rafael Jose e SOUZA, Marina Pacheco de (2013). A Narrativa
Transmídia da Era da Convergência: Análise das Transposições
Midiáticas

de

The

Walking

Dead.

Disponível

em:

<

http://www.razonypalabra.org.mx/N/N82/V82/22_BonaSouza_V82.pdf>.
Acessado em: 15 out. 2013.
BRIGGS, Asa; BURKE, Peter (2006). Uma história social da mídia: de
Gutenberg à internet. Rio de Janeiro, Zahar.
BRUNS, Axel (2003). Gatewatching, not gatekeeping: collaborative
online news".

Media International Australia. Disponível

em: <

http://eprints.qut.edu.au/archive/00000189/> Acessado em: 20 mar. 2013.
BURGESS, Jean; GREEN, Joshua (2012). Youtube e a revolução digital.
Trad. Ricardo Giassetti. São Paulo, Aleph.
CANAN, Adriane. A não-linearidade do jornalismo digital. (Org.)
Hipertexto Hipermídia: as novas ferramentas da
digital. São Paulo, Contexto.

63

comunicação
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O jornalismo cultural no meio digital: a presença da Revista da Cultura no Youtube

  • 1. INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E COMUNICAÇÃO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO O jornalismo cultural no meio digital: a presença da Revista da Cultura no Youtube MAIRA REIS RIBEIRO SÃO PAULO, SP 2013 1
  • 2. MAIRA REIS RIBEIRO O Jornalismo Cultural no Meio Digital: a Presença da Revista da Cultura no Youtube Monografia para obtenção do título de graduação em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, apresentada à Universidade Paulista (UNIP) 2
  • 3. DECIDATÓRIA Dedico este trabalho a Cristina Judar e a Ivan Ferrer Maia, que no dia a dia me ajudam a olhar para o céu e ver novas estrelas do jornalismo cultural. A Glaucia Bollella, que sempre me apoiou a caminhar pelos paralelepípedos de uma cidade do interior de Minas até entrar na Universidade. A Carmem Vieira Reis, pelo carinho e dedicação nos parcos e bons momentos em que nos encontramos. A Moema Reis Ribeiro, que, mesmo longe, sinto que se que orgulha das escolhas desta sua filha. Aos professores que, com suas aulas, transmitiram seus conhecimentos, me motivaram a enfrentar todos os imprevistos da vida para nunca desistir de estudar. São eles: Tânia Sandroni, Marco Moretti e Fernando Perillo. 3
  • 4. “A Internet não só está a criar novas formas de jornalismo, mas também de jornalistas”. (Carl Stepp) 4
  • 5. RESUMO O tema desta pesquisa é trazer discussões acerca do Jornalismo Cultural no meio digital. Seu objetivo principal é pensar como a publicação Revista da Cultura, produzida pela Livraria Cultura, utiliza da plataforma do Youtube e dos recursos audiovisuais para a produção e divulgação de informações culturais. Os objetivos específicos deste trabalho são: fazer revisão da literatura especializada sobre as principais linhas de raciocínio de narrativas do jornalismo cultural, digital na Internet e audiovisual; classificar e estabelecer comparações entre os tipos de transnarrativas jornalísticas e audiovisuais adotadas pela Revista da Cultura em sua plataforma no Youtube. A metodologia utilizada foi a busca pelo material informativo acima descrito, impresso e digital. Para isso, foram selecionados e organizados previamente conhecimentos culturais, tecnológicos, audiovisuais e científicos que já foram elaborados por outros autores, com o intuito de apontar soluções ao tema ou ao problema investigado. Além disso, foram usadas pesquisas de campo (conversas, trocas de e-mails, questionários e/ou entrevistas com editores, leitores e colaboradores da publicação) que foram registradas em diários de bordo (anotações em papel tradicional) e em aparelhos digitais (gravadores, iPad e notebook). PALAVRAS-CHAVE: JORNALISMO, CULTURA E REDES SOCIAIS. 5
  • 6. LISTA DE FIGURAS 1. FIGURA 1. CAPA DA REVISTA DA CULTURA MOSTRA A PREOCUPAÇÃO VISUAL DA PUBLICAÇÃO PARA VALORIZAR A INFORMAÇÃO........................................................................................................................................................... 13 2. FIGURA 2. UMA BUSCA DENTRO DO YOUTUBE ENCONTROU O CANAL DA LIVRARIA CULTURA, ONDE HÁ OS VÍDEOS PUBLICADOS TAMBÉM PELA REVISTA EM SEGUNDO LUGAR......................................................................... 23 3. FIGURA 3. VÍDEO COM O MAKING OF DA ENTREVISTA COM FAUSE HATEN, POSTADO NO CANAL “LIVRARIA CULTURA”. MATÉRIA COMPLETA COM O ESTILISTA PUBLICADA NA EDIÇÃO DE SETEMBRO DE 2013..............................................................................................................................................................................26 4. FIGURA 4. VÍDEO E TEXTO DA ENTREVISTA REALIZADOS COM FAUSE HATEN PELA REVISTA DA CULTURA.......................................................................................................................................................................36 5. FIGURA 5. VÍDEO E TEXTO DO LANÇAMENTO DO LIVRO DA MAITÊ PROENÇA REALIZADOS PELA REVISTA DA CULTURA.......................................................................................................................................................................39 6. FIGURA 6. VINHETA DE ABERTURA COM O NOME “LIVRARIA DA CULTURA” NO VÍDEO “RESIDENTES DE HILDA"...........................................................................................................................................................................41 7. FIGURA 7. ABERTURA DO VÍDEO DO LANÇAMENTO DO LIVRO DE MAITÊ PROENÇA...............................................42 8. FIGURA 8. O JORNALISTA SERGIO MARTINS FALA SOBRE O LANÇAMENTO DO DISCO “WISE UP GHOST AND OTHER SONGS”, NO VÍDEO SEMANAL DENOMINADO “VEJA RECOMENDA” E POSTADO NO CANAL DA REVISTA VEJA NO YOUTUBE.......................................................................................................................................................................44 9. FIGURA 9. O JORNALISTA SERGIO MARTINS ENTREVISTA O CANTOR FILIPE CATTO EM UM VÍDEO MENSAL DENOMINADO “VEJA MÚSICA” E POSTADO NO CANAL DA REVISTA VEJA NO YOUTUBE............................................45 10. FIGURA 10. DIVULGAÇÃO NO PERFIL DO FACEBOOK DA VEJA DO VÍDEO REALIZADO PELO JORNALISTA SERGIO MARTINS.......................................................................................................................................................................46 11. FIGURA 11. ABERTURA DO VÍDEO DO ENCONTRO COM LILA AZAM ZANGANEH...................................................50 12. FIGURA 12. ABERTURA DO VÍDEO DO LANÇAMENTO DO LIVRO DO PORTA DOS FUNDOS....................................51 13. FIGURA 13. ABERTURA DO VÍDEO DO VÍDEO DO NOVO CD DO EMICIDA...............................................................52 6
  • 7. LISTA DE QUADROS 1. QUADRO DO GRUPO 1: VÍDEOS QUE TÊM CONEXÕES COM O IMPRESSO (REVISTA DA CULTURA).........................31 2. QUADRO DO GRUPO 2: VÍDEOS QUE NÃO TÊM CONEXÕES COM O IMPRESSO (REVISTA DA CULTURA)................32 7
  • 8. SUMÁRIO INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................12 CAPÍTULO 1 – A NOTÍCIA CULTURAL NA WEB...........................................................................................................19 1.1 – JORNALISMO, INTERNET E USUÁRIO....................................................................................................20 1.2 – JORLISMO IMPRESSO VERUS WEBJORNALISMO...................................................................................22 1.3 – ANÁLISES DO PAPEIS DA REVISTA DA CULTURA NO YOUTUBE.............................................................27 CAPÍTULO 2 – ANÁLISES AUDIOVISUAIS DOS VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA NO YOUTUBE...................................31 2.1 – VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA EM CONEXÃO COM IMPRESSO (GRUPO 1).....................................33 2.2 – ANÁLISES EM CONJUNTO DOS TRÊS VÍDEOS DO GRUPO 1..................................................................40 2.3 – VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA EM CONEXÃO COM O CONTEÚDO IMPRESSO (GRUPO 2).............47 2.4 – ANÁLISES EM CONJUNTO DOS TRÊS VÍDEOS DO GRUPO 2..................................................................49 2.5 – VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA: ANÁLISES DOS CONTEÚDOS AUDIOVISUAIS DO GRUPO 1 COM O GRUPO 2........................................................................................................................................................54 CAPÍTULO 3 – NARRATIVAS TRANSMÍDIAS NOS VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA.....................................................55 3.1 – O DOCUMENTÁRIO TRANSMÍDIA.........................................................................................................55 CAPÍTULO 4....................................................................................................................................................................60 CONCLUSÃO..................................................................................................................................................................64 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO.......................................................................................................................................66 ANEXO A – ENTREVISTA COM GUSTAVO RANIERI (EDITOR-CHEFE DA REVISTA DA CULTURA)....................................70 ANEXO B – ENTREVISTA COM LEITORES DA REVISTA DA CULTURA..............................................................................73 8
  • 9. INTRODUÇÃO No segundo semestre de 2013, uma das revistas mais conceituadas do mercado e voltada para a editoria de cultura, a Bravo!, encerrou as suas atividades. Uma publicação que apresentava concorrência direta à Bravo! é a Revista da Cultura. A Revista da Cultura1 foi criada em 2007, por Sergio Hertz, e publicada pela própria empresa, a Livraria Cultura2. Ela tem uma tiragem mensal de 40 mil exemplares e distribuição gratuita em todas as lojas da livraria (são 11 estabelecimentos da rede), ou seja, a publicação atinge oito estados brasileiros. Além disso, a Revista da Cultura também apresenta uma versão digital gratuita, que pode ser baixada para celulares e tablets. Para isso, o usuário deve instalar, nos aparelhos eletrônicos, plataformas Androide e Apple, o aplicativo de acesso aos pdfs do periódico. A Revista da Cultura tem como histórico publicar reportagens com linha editorial característica: fotografias impactantes e/ou ilustrações feitas com ilustrados e/ou cartunistas renomados no mundo artístico para cada reportagem, matérias fundamentadas em produtos culturais (vendidos ou não nas lojas da livraria) que foram recentemente lançados no mercado e/ou alguma espetáculo/show que está acontecendo ao redor do mundo, diversidade de linguagem – já que apresenta texto erudito e outro com conteúdo pop na mesma edição. Essas características do periódico incitam os leitores a consumirem o seu conteúdo e a procurarem as revistas nos estabelecimentos da Cultura. A gratuidade da publicação também é um fator que leva a revista a ter grande consumo, já que as revistas chegam às livrarias em torno do dia 07 1 A Revista da Cultura possui um site que também tem disponível as matérias publicadas no meio impresso: http://www.revistadacultura.com.br 2 Site da Livraria Cultura: http://www.livrariacultura.com.br 9
  • 10. de todo mês e antes do dia 25 deste mês já não há revistas disponíveis nos estabelecimentos para que os leitores possam levar para suas casas. Em 2012, a Revista da Cultura foi reformulada. Diminui de tamanho e teve a qualidade do papel e a forma de impressão alteradas. Em paralelo a esse processo, também houve a repaginada do site da Revista da Cultura. Nele, os leitores podem ler algumas matérias que estão na publicação de determinado mês sem ter que ir às lojas pegar a revista e/ou baixar o pdf. Abaixo há a capa da edição 66, de janeiro de 2013, da Revista da Cultura: Ilustração com ironia para atrair a atenção do leitor e assim adquirir e/ou pegar a revista gratuitamente nas Livrarias Culturas. 10
  • 11. Figura 1. Capa da Revista da Cultura mostra a preocupação visual da publicação para valorizar a informação. A edição citada da Revista da Cultura apresenta uma matéria de capa que, aparentemente, não tem nenhuma conexão com os produtos vendidos pela livraria. Pode até ter um livro nas lojas da Cultura com enfoque do tema da publicação, mas o importante não é que a publicação venda o que está nas estantes das lojas da Cultura e sim fazer uma revista de qualidade para que atraia a necessidade de outras empresas em comprar anúncios dentro da revista. Ou seja, a Revista da Cultura é mais um produto e/ou empresa do grupo Cultura e não um meio de marketing dos produtos culturais que ela vende. Sergio Hertz, CEO da Livraria Cultura, em entrevista ao canal do Youtube “TV Shopping Abrasce”, disse que “as nossas lojas são pontos de entretenimento. As pessoas vão à livraria para tomar um café, ir a um teatro e/ou show, encontrar alguém. A compra do livro é uma consequência”. A partir dessa afirmação, pode-se também verificar que a Revista da Cultura faz parte de um mix de produtos de entretenimento da livraria. Além de entreter os clientes da empresa, pela leitura de matérias e entrevistas do periódico, é também uma forma de conectar os clientes ao mundo cultural. Ou seja, com a publicação da revista, a Cultura faz um papel de marketing social, ao oferecer um conteúdo de qualidade e informativo aos seus clientes em sua revista corporativa. Dessa forma, acompanhar o trabalho e a evolução, do meio impresso para o arquivo que pode ser baixado, desse periódico fez pensar sobre a necessidade da Revista da Cultura em trabalhar com diversas narrativas no meio digital, além da distribuição da informação cultural até chegar ao leitor, que, nesse meio de comunicação, é também o produtor da notícia. O meio digital, principalmente, com a popularização da Internet e a difusão das redes sociais, trouxe uma transformação no fazer jornalístico diário. 11
  • 12. Hoje, houve também reformulação no modo como o jornalismo de revista é feito, ao transformar a relação entre a tecnologia, a indústria da comunicação e o público, ou seja, mudou-se toda a forma como é consumida a notícia e como acontece o entretenimento (Jenkins, 2009). Com isso também houve novos tipos de concorrência, que não se limita só àquela entre empresas jornalísticas. “Hoje, pode-se dizer que os meios de comunicação social não competem mais entre si: a Folha de São Paulo não concorre só com os demais jornais de São Paulo e de outros lugares, mas também com a sabedoria coletiva e com a diversidade de informações de todo o mundo online” (Anderson, 2006, p. 186). Diante disso, este trabalho se propõe a analisar o problema acima no canal do Youtube da Revista da Cultura, já que existem muitos vídeos postados pela Livraria Cultura e muitos acessos. “Fundado por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, ex-funcionário do site de comércio on-line Pay Pal, o site Youtube foi lançado oficialmente sem muito alarde em junho de 2005”. (Burgess e Green, 2012, p.16) Hoje, o Youtube é uma empresa de propriedade do Google. Ele utiliza da cultura participativa, ou seja, permite que qualquer pessoa e/ou empresa possa produzir, fazer upload3 (não há um número específico de vídeos e tamanhos que um usuário pode postar dentro do site) e compartilhar com as demais redes sociais e/ou e-mail determinado conteúdo para que quem for fazer uma busca dentro do Youtube, seja por usuário, nome do vídeo e/ou conteúdo, possa assistir. 3 O Youtube permite postar vídeos ou fazer upload sem a necessidade do usuário ter o conhecimento de sofisticadas técnicas de edição e conhecimentos de informáticas. Caso o usuário não tenha a possibilidade de editar vídeos em seu computador de envio do arquivo de vídeo, o site da Google fornece ferramentas online para que possa fazer rápida edição antes de subir o vídeo no Youtube. Há também a possibilidade das pessoas poderem incorporar um vídeo dentro do seu blog ou site e para isso elas não precisam ser donas daquele conteúdo postado, basta elas copiarem o código HTMIL que o Youtube disponibiliza na barra de compartilhamento do vídeo. A única restrição do Youtube é em relação ao formato do vídeo que deverá ser postado no site. São eles: .WMV, .AVI, .MOV e .MPG. 12
  • 13. Em 2008, mesmo ano em que a revista criou a sua conta no Youtube, também me cadastrei para seguir o seu perfil e receber as notificações das produções audiovisuais produzidas e postadas pela Revista da Cultura nessa plataforma. A partir de análises, de visualizações e do acompanhamento das publicações do periódico no Youtube, têm-se alguns questionamentos: como uma revista tradicional e mensal, feita por um grupo empresarial, deve trabalhar para que os usuários possam compartilhar e também contribuir com o conteúdo, sem perder o seu maior diferencial (ser uma publicação mensal com alto padrão de qualidade)? E mais, como usar o Youtube, com conteúdos, narrativas e informações, que não seja apenas uma ferramenta só de marketing social da empresa e de conteúdo do que é publicado no impresso, mas sim outro braço da revista, que desperte também a necessidade da Livraria Cultura e da Revista da Cultura mantê-lo atualizado com reportagens inéditas, uma linguagem audiovisual própria, além de trazer informações que não podem esperar para serem levadas aos leitores na edição do mês seguinte? E os mesmos usuários que acessam e leem a Revista também acessam e/ou assistem aos vídeos no canal dela no Youtube? Os usuários que têm acessos aos conteúdos postados pela Revista nessa rede social também contribuem com o canal? Se sim, contribuem com que frequência, com que tipo de postagem e/ou comentário? Esse pode ser um dos motivos que levaram a Revista da Cultura a criar e a manter atualizados diversos outros canais de comunicação e interação com os seus leitores. Contam perfis no Youtube4, Facebook5, Instagram6, Twitter7, Google+8 além do site reformulado. Para responder às questões acima e aos motivos de comunicação da publicação no meio online, este trabalho baseia-se em quatro pontos. O 4 Endereço da Livraria Cultura (onde há os vídeos da Revista da Cultura) no Youtube: http://www.youtube.com/LivrariaCulturaSA 5 Endereço da Livraria Cultura no Facebook: http://www.facebook.com/livrariacultura 6 Endereço da Livraria Cultura no Instagram: http://www.instagram.com/livraria_cultura 7 Endereço da Livraria Cultura no Twitter: http://www.twitter.com/livcultura 8 Endereço da Livraria Cultura no Google Plus: https://plus.google.com/u/0/110439555483065568816 13
  • 14. primeiro, já exposto, é focado no jornalismo cultural e que também apresenta um das hipóteses dos conteúdos que são publicados em uma edição da Revista da Cultura. “Entretenimento versus erudição, nacional versus internacional, regional versus central, jornalista versus acadêmico, reportagem versus crítica. Tais dicotomia estão relacionadas com um velho debate filosófico que opõe o compreender e o julgar, debate que está na origem do jornalismo em geral, não apenas do cultural” (Piza, 2011, p.8). Diante deste argumento, pode-se discutir que o jornalismo cultural também complementa a formação do leitor, pois usa os símbolos culturais para informá-lo. O segundo ponto deste trabalho é o jornalismo online, com ênfase nas redes sociais (Youtube). Segundo pesquisa publicada, em maio de 2013, pela Serasa Experian9, o Youtube é a segunda rede social mais utilizada pelos brasileiros. No Youtube, ao contrário da mídia impressa, a relevância de uma notícia não é determinada pelo lugar em que ela é disponibilizada na página, mas pelo que as pessoas pensam dela (Anderson, 2006). Isso vem ao encontro do que diz O’Reilly (2005). Para ele, na Web quem decide o que é importante é a audiência, não os meios de comunicação tradicionais. O terceiro elemento desta monografia é a produção do conteúdo audiovisual jornalístico produzido exclusivamente para Internet e tem o seu diferencial na produção, no formato e na linguagem, além do próprio receptor-produtor de notícia, como já citado. O último pilar desse trabalho é o jornalismo empresarial, que tem produzido publicações customizadas para fortalecer a sua marca e se aproximar do seu público-alvo. Além de uma forte ferramenta de marketing, no caso da 9 Acesse a pesquisa completa aqui: http://www.serasaexperian.com.br/release/noticias/2013/noticia_01247.htm 14
  • 15. Cultura, o seu periódico também forma mais um braço dentro do seu grupo empresarial, como acima já citado. Por isso, são estipulados quatro capítulos para esta monografia. O primeiro, intitulado “A Notícia Cultural na Web”, trata de conceituar o jornalismo cultural presente na Internet e, principalmente, nas redes sociais ao descrever suas características por intermédio de cases da Revista da Cultura. Além disso, apresenta o papel do leitor-produtor, pois, de acordo com Anderson (2006), “a Internet converteu todos os cidadãos em distribuidores de conteúdo”. O segundo capítulo, denominado “Os Vídeos da Revista da Cultura no Youtube”, apresenta um breve histórico do Youtube, sua importância na cultura contemporânea participativa e as tensões entre o interesse comercial da Livraria Cultura e a necessidade informacional da Revista da Cultura na divulgação de vídeos. No terceiro capítulo, “Narrativa Transmídia nos Vídeos da Revista da Cultura”, serão analisados alguns vídeos postados pela Revista da Cultura com o intuito de classificar as narrativas do jornalismo cultural produzido pela Revista da Cultura no Youtube. No último e quarto capítulo “O Papel do Leitor na Construção da Narrativa Transmídia” são apresentados o papel de quem lê a Revista da Cultura e também acessa o canal da publicação no Youtube. Há ainda as considerações necessárias resultantes deste trabalho nas últimas páginas deste trabalho. 15
  • 16. Capítulo 1 A NOTÍCIA CULTURAL NA WEB A notícia cultural na Internet é produzida para ser distribuída no ciberespaço em plataformas da “mídia social”. Para entender como funciona a “mídia social”, Keen (2012) explica essa expressão de forma simples: “Estava num lugar chamado mídia social, aquela zona permanente de autoexposição de nossa nova era digital onde, por intermédio de meu BlackBerry Bold e os outros mais de 5 bilhões de aparelhos hoje em nossas mãos, publicamos coletivamente o retrato de grupo em movimento da humanidade. Esse lugar é construído sobre uma rede de produtos eletrônicos cada vez mais inteligentes e móveis que estão ligando todos no planeta por serviços como Facebook, Twitter, Google+ e Linkedin. Em vez de vida virtual ou de uma segunda via, a mídia social de fato está se tornando a própria vida – o palco central e cada vez mais transparente da existência humana, o que os investidores de risco do Vale do Silício hoje chamada de ‘internet de pessoas’. Como a versão ficcionalizada do presidente do Facebook, Sean Parker – interpretado com grande elegância por Justim Timberlake -, previu em 2010, no filme A rede social, indicado ao Oscar: ‘Nós vivemos em aldeias, depois vivemos em cidades, e hoje vamos viver na internet!’ Portanto, a mídia social é como estar em casa; é chamado The Daily Dot que é o período local da web”. A Internet conecta computadores por meio de um browser, local onde se digita o endereço de determinado sítio/site, e nela também se encontra a mídia social - o espaço em que há plataformas para que a informação cultural seja transmitida e, em alguns casos, também produzida com auxílio do leitor. É em cima da mídia digital que a Revista da Cultura, um meio impresso, trabalha. Os subcapítulos a seguir tratam de conceituar as transformações que estão ocorrendo no jornalismo cultural produzido na mídia digital. Os pontos tratados são: a convergência de conteúdo, a notícia personalizada e, principalmente, como o leitor-produtor de notícias ‘ganhou’ uma ferramenta potencial de auxílio à construção da informação cultural ao comentar quase 16
  • 17. que instantaneamente as publicações postadas pela Revista da Cultura no Youtube. 1.1 JORNALISMO, INTERNET E USUÁRIO Em 1995, no Brasil, foi inaugurado o primeiro jornal com endereço na Internet, o Jornal do Brasil (JB) Online, que era uma mera transposição do papel para a web. Segundo Prado (2011), “no princípio, os jornais não tinham sua versão integral transposta; veiculavam pela internet apenas o que consideravam as principais matérias, e ainda não atualizam informações ao longo do dia, que é a definição maior do webjornalismo” (p.31). Desde a primeira inserção de um conteúdo jornalístico no meio online feito por este jornal até os dias de hoje muita coisa mudou, como, por exemplo, o conceito de jornalismo, de notícia, as funções do jornalista, do leitor e a produção da notícia. Uma das maiores transformações ocorridas durante este período no jornalismo “é a linguagem reformulada da web que abriu margem para novas práticas narrativas, para novos modos de leitura e de escrita, para novas realidades internacionais (Pernisa Alves, 2010, p. 11)”. Só que, para reformular a linguagem, deve-se ter uma medição social na Internet, senão de nada adianta o novo formato da notícia (Segura, Colin e Alzamora, 2008). Esta afirmação enfatiza a teoria de Lévy (1999) que diz: “as verdadeiras relações não são criadas entre ‘a’ tecnologia (que seria da ordem da causa) e ‘a’ cultura (que sofreria os efeitos), mas sim entre um grande número de atores humanos que inventam, produzem, utilizam e interpretam de diferentes formas as técnicas (1999, p.23)”. Com isso, o usuário, que era um mero consumidor passivo de notícia, hoje é também aquele que ajuda a produzi-la e, consequentemente, a pautar os grandes veículos de informação. “A fronteira entre produzir e consumir informação está cada vez mais diluída” (Rodrigues, 2007). Um exemplo desta análise é quando um usuário do Youtube, sem nenhum conhecimento de comunicação, posta um clipe recém-lançado de determinado cantor nessa plataforma ao mesmo 17
  • 18. tempo em que está lendo notícias sobre ele um site ou quando envia fatos sobre determinado evento para atualizar o canal “Você na G1”, do site G1, que tem o slogan “Mande sua reportagem para o G1 e seja um jornalista cidadão”, e está tentando assistir um a telejornal pela televisão. De acordo com Wolton, “cada um pode agir, sem intermediário, quando quiser, sem filtro nem hierarquia e, o que é mais importante, em tempo real (1999, p. 77).” Esse tipo de jornalismo, construído com a ajuda de pessoas que usam as ferramentas de fotos, textos, áudios e vídeos, é denominado como jornalismo aberto, jornalismo colaborativo, jornalismo Open Source (Prado, 2011). Diante da existência do jornalismo colaborativo, o usuário também utiliza da notícia personalizada, ou seja, o envio de notícias, vídeos, fotos e quaisquer outros tipos de conteúdo a um veículo de comunicação, faz com que, de certa forma, o usuário esteja selecionando o que deseja que seja veiculado pelos meios de comunicação. Bruns (2003) reconhece inúmeros processos que estão nesse tipo de ‘notícia personalizada’ e passa a denominá-los como ‘gatewatching’. Esse neologismo é criado como oposição à noção de ‘gatekeeping’, segundo as quais existem “portões” de informações controladas por jornalistas em redações, responsáveis por selecionar quais fatos serão publicados, de acordo com critérios de noticiabilidade. Se o ‘gatekeeping’ faz sentido na análise dos meios de comunicação de massa, no jornalismo colaborativo, ele tem menor força explicativa: uma informação nas mãos do usuário final, que navegando pela web age constantemente como seu próprio gatekeeper — mas não necessariamente com as organizações midiáticas de notícias (Primo e Träsel, 2006). Diante disso, a discussão sobre o jornalismo na internet continuará no próximo tópico e se estenderá em comparação ao meio impresso – o uso das duas plataformas pelo mesmo meio de comunicação. 1.2 JORNALISMO IMPRESSO VERSUS WEBJORNALISMO 18
  • 19. “Evoco as palavras desenho, design e desígnios para iniciar esta reflexão sobre o universo das revistas, primeiramente por se tratarem de expressões que se referem a diferentes atividades que podem abranger tanto os desenhos primitivos do período paleolítico, quanto aos sentidos que foram sendo adotados no transcorrer da história, até seus diferentes significados na contemporaneidade”. (Abreu, 2009, p.3) Scalzo (2004) ressalta que a principal diferença do jornalismo de revista é a especificidade, a periodicidade e o formato. De certa forma, esses três elementos também estão presentes em um canal do Youtube. A periodicidade de publicar vídeos é necessária para que o usuário retorne àquele endereço, o formato precisa ser atrativo e com conteúdos específicos/originais e a especificidade também pode (ou não) ser o foco para que uma revista mantenha aquela plataforma sempre atualizada. Ao analisar o canal “Livraria Cultura”, no qual são postados os vídeos com conexões de conteúdo com a Revista da Cultura, no Youtube, observa-se a seguinte especificidade: conteúdos culturais (se estes vídeos publicados pela revista no Youtube têm ou não a ver com o meio impresso produzido pela mesma publicação será discutido no segundo capítulo deste trabalho). 19
  • 20. Busca pela palavra “Livraria Cultura” dentro Youtube e resultados encontrados Figura 2. Uma busca dentro do Youtube encontrou o Canal da Livraria Cultura, onde há os vídeos publicados também pela Revista em segundo lugar. Quando se faz uma busca por qualquer palavra dentro da plataforma online de vídeos, como apresenta a figura acima, há uma busca por vídeos e pelo endereço do endereço dentro do Youtube onde são publicados os vídeos – denominado como canal de vídeos. Não há um botão onde o usuário possa especificar para o site que ele deseja procurar só vídeos ou só canais. Por isso, dependendo do caso, há a necessidade de correr a barra de rolagem até o final da página para encontrar a informação necessária. No caso da Livraria Cultura, o seu canal – possui 680 vídeos publicados – está somente atrás no ranking de buscar do Youtube de um vídeo em que o CEO da empresa concedeu uma entrevista a outro canal dos vídeos. Com isso, o usuário não tem dificuldade de encontrar o canal em que são publicados os vídeos da publicação no Youtube e, também, a partir de um conhecimento inicial, poderá voltar para aquele endereço conhecido – seja procurando novamente o canal, determinado vídeo e/ou digitando o endereço. 20
  • 21. Mas, voltando ao ponto, segundo Alphen (2009), a Revista da Cultura pode ser lida por uma média de 3, 5 pessoas em cada edição, ou seja, esses leitores escolheram pegar e folhear a publicação por algum motivo. Já as notícias postadas em um canal do Youtube, novamente reiteram a discussão do subcapítulo acima, são só consumidas diante do acesso a essa página e não se sabe quantas pessoas estão diante de um computador assistindo um vídeo. O grande diferencial que as revistas têm em relação às plataformas digitais: elas conseguem incitar o leitor a comprá-la diante de chamadas, recursos gráficos/fotográficos e layouts enquanto no meio online o consumo da informação depende do acesso do usuário – questão discutida no subcapítulo1.1. Partindo para a discussão da diferenciação entre a produção de notícias nas redes sociais e em uma revista, inverte-se a análise dos parágrafos acima, em que há, primeiramente, a exposição da seguinte frase: “incontáveis sites se dedicam a livros, artes e ideias, formando fóruns e prestando serviços de uma forma que a imprensa escrita não pode, por falta de interatividade e espaço” (Piza, 2011, p.31). Além da interatividade e do espaço, a convergência entre mídias e a hipertextualidade são também alguns pilares importantes, que modificam como são veiculadas as informações pela Revista da Cultura nos seus canais de comunicação. Um exemplo dessa convergência entre mídias é a Folha de São Paulo, que se uniu à TV Cultura para desenvolver um noticiário e que, posteriormente, também conta com a possibilidade de ter suas notícias adaptadas para serem publicadas no meio impresso. Porém, deve-se destacar que os meios de comunicação tenham que trabalhar para que as informações não sejam somente transportadas de qualquer outro plataforma de comunicação para a web, mas sim adaptadas de acordo com a necessidade de edição e de linguagem características em cada tipo de plataforma existente (Martins, 2013). Esse processo não é estático entre as mídias e é prejudicado pelas 21
  • 22. inovações tecnológicas que disponibilizam outras possibilidades do fazer jornalístico constantemente. “A ação em que se observa a convergência colaborativa entre instâncias midiáticas, como é o caso de um jornal impresso que remete ao portal, o leitor pode encontrar elementos que complementam aquela notícia. Dessa forma, é disponibilizado ao leitor o fato jornalístico e o processo de feitura da notícia” (Ferreira e Dalmonte, 2008, p.130). Jenkins (2006) pensa no termo “cultura da convergência” para argumentar a ideia de que a convergência deve ser entendida além de um processo tecnológico que reúne várias funções de mídia dentro dos mesmos dispositivos. Em vez disso, a convergência representa uma mudança cultural na qual os usuários ou consumidores não ficam na postura passiva, mas são protagonistas na busca de novas informações e no estabelecimento de conexões entre conteúdos midiáticos dispersos (Jenkins, 2006, p.3). Machado e Palácios (2003) reforçam que outra vantagem da internet é a indexação e a recuperação de informação, que eles chamam de memória, característica importante na realização deste estudo por permitir a coleta de matérias armazenadas no canal do Youtube da Revista da Cultura. Em uma revista, esta ‘memória’ requer que o leitor guarde os exemplares da Revista da Cultura, seja no meio impresso e/ou no iPad, e isso ainda depende do estado de conservação do material. Por outro lado, enquanto na revista, o acesso ao conteúdo é feito pelo ato de folhear as páginas, conservadas ou não, em um canal do Youtube tem-se a interação com diversos textos, imagens, sons e outros vídeos que se interligam com aquele – seja pelo conteúdo ou sugestão da própria plataforma. Esse conjunto de informações ligadas a um determinado vídeo facilita a navegação pela plataforma e o consumo de diferentes informações e/ou ainda pelo menos conteúdo. De acordo com Nelson (1987), “o hipertexto, ou a escrita não sequencial como liberdade de movimentação 22
  • 23. entre os links, é uma ideia simples e óbvia. É apenas a versão eletrônica das conexões literárias tal como já as conhecemos”. Visualizador de vídeos do Youtube dentro do canal da Revista da Cultura. Figura 3. Vídeo com o Making of da entrevista com Fause Haten, postado no canal “Livraria Cultura”. Matéria completa com o estilista publicada na edição de setembro de 2013. Além do usuário poder rever o conteúdo audiovisual acima, em qualquer momento e data, ele também pode sugerir o vídeo para o seus amigos em suas redes sociais e também rever os já publicados, sem a necessidade de recorrer a outro endereço e site. A facilidade de assistir novamente um vídeo é mais fácil do que ler o conteúdo em uma revista. Por exemplo, imagem que um leitor da Revista da Cultura quer reler uma matéria publicada em junho de 2010. Ela precisa baixar o arquivo da revista daquele período e/ou pegar uma publicação impressa da publicação. Já no 23
  • 24. caso do Youtube, se a entrevista estivesse disponível no endereço da Cultura, o usuário/leitor só deve acessar o canal da Livraria e procurar esse vídeo. Os vídeos não somem do endereço nessa rede social, só se o administrar do canal deletá-los. Ou seja, a partir do conteúdo apresentado neste subcapítulo, conclui-se que cada meio de comunicação utilizado pela Cultura possui características próprias de linguagem e de formato das notícias de acordo com o públicoalvo de cada um desses canais – que pode ser o mesmo que lê a revista e também acessa o Youtube (questões a serem discutidas no capítulo 4). Os pontos apresentados são importantes para evidenciar e embasar para as próximas discussões deste trabalho. 1.3 ANÁLISES DO PAPEIS DA REVISTA DA CULTURA NO YOUTUBE Um dos papéis importantes do Youtube no meio online é que ele ainda não é uma produtora de conteúdo como o site de arquivos pagos de vídeos Netflix, mas sim uma plataforma que agrega e reúne conteúdo em um só endereço. O site da Google tem como serviço a exposição de um canal e não conteúdo, como a televisão. “Pela mesma lógica, o YouTube na realidade não está no negócio de vídeo – seu negócio é, mais precisamente, a disponibilização de uma plataforma conveniente e funcional para o compartilhamento de vídeos online: os usuários (alguns deles parceiros de conteúdo premium) fornecem o conteúdo que, por sua vez, atrai novos participantes e novas audiências”. (Burgess e Green, 2009, p.21) Por isso, os diversos produtores dos conteúdos desses canais do Youtube, que alimentam o site, podem ser: grandes produtores de mídia e detentores de direitos autorais como canais de televisão, anunciantes de produtos (publicidade), pessoas que buscam um método de produção barata de veiculação de sistema de massas, instituições culturais, artistas, fãs de mídia, leigos e produtores (profissionais e amadores) de conteúdo. Porém, 24
  • 25. quando se levanta o perfil das pessoas que postam vídeos no Youtube, têmse alguns questionamentos, como: a questão do direito autoral versus os interesses comerciais e a ética versus normas sociais de propriedade privada. Nenhumas dessas questões serão respondidas nesse trabalho, pois o conteúdo postado no Youtube no canal “Livraria Cultura”, em que há os vídeos que se referem à Revista da Cultura, é de propriedade autoral da Livraria Cultura e seguem as normais comerciais e éticas do Youtube, segundo a política de uso desse serviço. (Burgess e Green, 2012). Para demonstrar que a plataforma é de qualidade, e assim motivar o seu uso pelos produtores de conteúdo, o Youtube oferece aos usuários a postagem de arquivos audiovisuais na plataforma e também uma porcentagem financeira se os donos dos canais autorizarem que o site coloque propagandas, em diversos locais quando dos vídeos alocados nos canais. Ou seja, ao acessar o conteúdo audiovisual de determinando canal, o receptor também assiste a essa propaganda autorizada antes de começar o vídeo. O problema é que a remuneração da propaganda só é paga se o espectador do vídeo clicar em cima do link da propaganda que irá redirecionar o usuário para outro endereço. Este poderá ou não estar conectado com outro vídeo do Youtube. Diante desse fato, pode haver um problema: um usuário clicar em uma propaganda, ser redirecionado para fora do site de vídeos e não voltar para começar ou continuar a assistir determinado conteúdo audiovisual. Por outro lado, o site do Google adota o seguinte pensamento: quanto mais acessos ao canal, mais clique em propagandas, mais dinheiro entrará para o dono deste mesmo canal. Por essa razão, muitos produtores de vídeos também trabalham com ferramentas de marketing digital para audiência para o seu canal no Youtube. Uma das principais transformações no cenário de marketing devido à introdução das tecnologias digitais se relaciona à facilidade de mensuração que o ambiente digital proporciona. Enquanto nas mídias tradicionais analógicas (rádio, TV, revista, jornais etc.) são necessários processos externo a elas (como pesquisa de mercado, códigos promocionais etc.) para rastrear 25
  • 26. acessos, resultados e comportamentos do usuário, nas mídias digitais esse comportamento é nativo. (Gabriel, 2010, p.92). O canal da Revista da Cultura no Youtube, como já explícito, compartilha do mesmo endereço com outros tipos de conteúdo produzidos pela Livraria. Por isso, quem assiste aos vídeos postados nesse canal podem serem oriundos de três maneiras: 1) – Ação de marketing digital feita pela empresa e/ou a divulgação de determinado vídeo em outras plataformas online nas quais a Livraria está presente. 2) – O próprio vídeo publicado pela Revista, ou seja, o conteúdo relevante para determinadas pessoas, grupos e leitores da publicação. E também outro vídeo audiovisual feito para o conteúdo da Revista da Cultura, de edições anteriores, e postado naquele endereço. 3) – O acesso a outro vídeo, de outro conteúdo que não seja vinculado com o periódico, mas sim com a empresa Livraria Cultura e esteja postado neste canal do Youtube. Diante desta diversidade de usuários que chegam, por formas e meios diferentes ao canal, para acessar determinado vídeo, há outro tipo de negócio que a Livraria Cultura pode exercer nessa plataforma: o retorno financeiro pelo uso da propaganda em seus vídeos. Porém, não é esse tipo de negócio que a Livraria e a Revista da Cultura desejam para manter um canal com suas marcas no site de vídeos, mas sim a propaganda e o fortalecimento da marca no meio online. O ambiente online e seu marketing digital não consegue por si só fortalecer um marca. Segundo Gabriel (2010), “é importante ressaltar que o digital (com suas tecnologias e plataformas) não conserta marketing ruim, podendo até piorá-lo. O digital potencializa o alcance do marketing, tanto para o bem quanto para o mal, e acrescenta valor ao marketing bem feito, 26
  • 27. enriquecendo-o”. Portanto, é necessário um trabalho de marketing tradicional aliado ao digital para que o fortalecimento da marca “Livraria Cultura”. Isso é importante porque a empresa, a cada dia que passa, inaugura lojas fora do eixo Rio de Janeiro – São Paulo. Com isso, em muitos casos, o primeiro contato de muitos consumidores e até, como disse o CEO da Revista em entrevista acima citada, terem o desejo de ter experiências culturais no espaço físico das lojas Cultura. Por consequência, se pensarmos que o Youtube é também uma extensão da marca da Livraria em uma rede social, tem-se o tipo de prática conhecida como Branded Entertainment – estratégia para divulgação e criação de identidade de marcas por meio de inserção de conteúdo. Há diversos tipos de conteúdo de entretenimento dessa prática de marketing digital, como, por exemplo, a criação de vídeos, filmes e shows. No caso da revista, ela se apropria de uma informação a ser publicada para criar um entretenimento, como por exemplo, os bastidores de uma entrevista – como apresentada na figura 3: o making of com o estilista Fause Haten. Com isso, esses vídeos oferecem também credibilidade para a versão impressa do periódico, assim como os vídeos ganham renome por fazerem parte de uma publicação que terá qualidade de informação na edição daquele vídeo postado. (Gabriel, 2010). Além dessa união para fortalecer a marca “Livraria Cultura”, segundo Gustavo Ranieri, editor-chefe da Revista da Cultura, afirmou em entrevista gentilmente cedida para a autora deste trabalho, disse que “dentro do periódico há anúncios feitos pela Livraria na Revista da Cultura e, por isso, são propagandas pagas – em que há troca de valores entre conta diferentes da empresa. Ou seja, o marketing da Livraria da Cultura paga um valor para o departamento de contato comercial da Revista da Cultura. São empresas da mesma marca, mas que se tratam como se fossem distintas”. Com isso, conclui-se que a Livraria da Cultura investe também em um marketing tradicional e usa as redes sociais como presença da marca no ambiente online e também como fortalecimento da marca “Livraria Cultura”. 27
  • 28. Capítulo 2 ANÁLISES AUDIOVISUAIS DOS VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA NO YOUTUBE Para realizar as análises dos demais subcapítulos, foram separados e estudados somente seis vídeos, que estão postados no endereço da Livraria da Cultura no Youtube. Isto porque os vídeos que são denominados e produzidos pela Revista da Cultura no site do Google têm objetivos diferentes. Portanto, foram subdivididos em dois grupos, de acordo com as suas características. O primeiro compõe-se de três vídeos postados no Youtube da Livraria, com o nome “Revista da Cultura”, que têm conexões com os conteúdos publicados no meio impresso. Já o segundo grupo contém produções audiovisuais que estão somente online, também com o nome “Revista da Cultura”, mas sem conexões informacionais com o conteúdo impresso. Diante deste fato, é apresentado o quadro abaixo com os vídeos subdivididos para as futuras análises deste trabalho: GRUPO 1: Vídeos que têm conexões com o impresso (Revista da Cultura): N° Link e Título (título) Data publicada na Revista 1. Nome: O Mundo de FH da Título do vídeo no Youtube Link do vídeo no Youtube Publicação 30/08/2013 http://www.revistadacultura. com.br/entrevistas/conversa/ e data da postagem no site Livraria Cultura - Revista da http://www.youtube.com/ Cultura - Fause Haten watch?v=4CkTj97qzNc Data: 06/09/2013 13-0830/O_mundo_de_FH.aspx 2. Nome: Os Residentes de Hilda http://www.revistadacultura. 01/07/2013 Revista da Cultura - Os http://www.youtube.com/ residentes de Hilda com.br/resultado/13-07- 28 watch?v=BZ6kcVXauJY
  • 29. 01/Os_residentes_de_Hilda.a Data: 12/07/2013 spx 3. Nome: Maitê Participa de Proença 16/08/2013 Noite de Autógrafos de seu novo livro, ‘É Duro Ser Cabra na Etiópia’ Revista da Cultura - "É duro ser cabra na Etiópia" - o novo livro de Maitê Proença http://www.youtube.com/ watch?v=qyDS2p9i7sw Data: 13/08/2013 http://www.revistadacultura. com.br/resultado/13-0816/Maitê_Proença_participa_ de_noite_de_autógrafos_de_ seu_novo_livro_É_duro_ser_c abra_na_Etiópia.aspx GRUPO 2: Vídeos que NÃO têm conexões com o impresso (Revista da Cultura): N° Link e Título (título) Data publicada na Revista 4. Sem matéria no impresso da Título do vídeo no Youtube Link do vídeo no Youtube Publicação - e data da postagem no site Revista da Cultura - Encontro http://www.youtube.com/ com Lila Azam Zanganeh na watch?v=7StsIlbNE2w Livraria Cultura Data: 5. Sem matéria no impresso - Revista da Cultura - http://www.youtube.com/ Lançamento do livro Porta watch?v=uSZ7kXJSDEU dos Fundos Data: 6. Sem matéria no impresso - Lançamento do novo CD do http://www.youtube.com/ Emicida watch?v=-aQKkpejVmw 29
  • 30. Data: Para a escolha dos vídeos acima foram pontuadas as seguintes questões: 1) – Matérias de destaque da Revista, sejam elas de capa ou que ganharam muitas páginas na publicação. 2) – Imagens que apresentam uma estética visual importante na tela de um computador, celular ou tablet. 3) – Elevado número de acessos, comentários e “curtidas”. Com a escolha destes vídeos, as análises seguintes focaram em: - comparações dos vídeos do grupo 1 com o grupo 2. - apresentação das singularidades e das diferenças entre os conteúdos audiovisuais do grupo 1. - apresentação das singularidades e das diferenças entre os vídeos do grupo 2. É importante ressaltar que este capítulo dedica-se somente a análises dos vídeos enquanto formato audiovisual, portanto as análises nos subcapítulos seguintes serão focadas em discutir a sua produção, edição, trilha sonora (se houver), conteúdo da informação, vinhetas, insert (imagens de inserção) e postagem no Youtube. Portanto, o impacto das informações culturais nos espectador-produtor serão no capítulo três. 2.1 VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA EM CONEXÃO COM IMPRESSO (GRUPO 1) 30
  • 31. “... porque, de certa forma, editar é o mesmo que cortar os pedaços ruins; o problema é: o que é um pedaço ruim? Quando você está obviamente ruim e certamente você vai cortá-lo fora. O objetivo de um vídeo caseiro em geral é muito simples: uma gravação de eventos desordenados em tempo contínuo. O objetivo dos filmes de narrativas é muito complexos, tanto pela estrutura de tempo fragmentada como pela necessidade de reproduzir estados de espíritos, de modo que se torna proporcionalmente mais complicado identificar o que é um ‘pedação ruim’. E o que é ruim em um filme pode ser bom em outro. De fato, uma das maneiras de se encarar o processo de realização de um filme é pensar como uma busca para identificar esses pedaços e cortá-los fora, cuidando para que, ao fazê-lo, não destrua a estrutura dos ‘pedaços bons’ restantes” (Murch, 2004, p. 22 e 23). Escolher entre o “pedaço ruim” e o “pedaço bom” é um dos processos mais importantes da produção de um filme, seja ele para postar no Youtube ou para ser veiculado na televisão. E isso começa quando se decide entre escolher determinadas cenas e informações. A edição também leva quem está assistindo a um determinado filme a continuar (ou não) tendo interesse por ele. Além da análise do vídeo em si e sua apresentação no Youtube, é importante ressaltar que os vídeos do GRUPO 1 são aqueles com conteúdo transmídias, ou seja, em que o conteúdo foi difundido em diferentes canais de informação. De acordo com Briggs e Burke (2006), o conceito de convergência está referenciado à “integração de texto, números, imagens, sons e diversos elementos na mídia, que foram examinados em separado nos períodos anteriores”. Já, segundo Jenkins (2009), a transmídia e sua narrativa são as mesmas informações, difundidas em diferentes mídias, que contribuem para uma nova informação. Portanto, convergência e transmídia podem andar de mãos dadas, porém têm conceitos diferentes. 31
  • 32. Abaixo, seguem as análises de cada filme do GRUPO 1 (que têm conexão com o conteúdo publicado no meio impresso da Revista da Cultura): 1) – Título no Youtube: Livraria Cultura - Revista da Cultura - Fause Haten – o vídeo começa com abertura em fundo branco e o logo da publicação (Revista da Cultura) em verde claro. O branco vem antes da entrada da logo e, neste momento, há fade in só na logo. O conteúdo audiovisual não preenche toda a tela, portanto, ao aumentar a janela de visualização, quem está assistindo verá sempre uma faixa branca no entorno da imagem que contém a entrevista. Há música de abertura. Assim que termina a introdução, entra a fala do entrevistado, porém a sua primeira imagem é apresentada ao contrário. Ela só volta ao normal, depois de alguns minutos e, em seguida, é cortada a fala para aparecer o nome do entrevistado em uma imagem parada e a inserção, pelo gerador de caracteres (GC) do nome do estilista. Retorna para o Fause falando e, novamente, há o GC com o nome dele. Todos os momentos em que aparece o estilista dando a entrevista há um filtro em tons de magenta. Enquanto aparece o depoimento de Fause, é intercalada uma sessão de fotos e imagens de seus trabalhos (insert), como, por exemplo, roupas e figurinos. As imagens interpostas na entrevistas são sempre coloridas ou em branco e preto, sem a necessidade de um filtro específico para este tipo de inserção de conteúdo. O vídeo não tem uma narrativa linear dos fatos e da entrevista, embora quem esteja assistindo consiga compreender a seguinte informação: por que o estilista começou a desenvolver esse trabalho. O vídeo termina com fundo branco, entra o logo verde novamente (só há fade out na logo, a imagem ainda permanece em branco até o final do vídeo e não há cortes) com o nome “Revista da Cultura” e música, ao fundo. Não há inserção de créditos finais. O tempo total deste vídeo é de quatro minutos e oito segundos. Após a análise do vídeo em si, destaca-se que a matéria com Fause, que está impressa na Revista da Cultura edição 74, apresenta, no meio online 32
  • 33. (clique aqui para lê-la10), entre a entrevista, o link do vídeo com a entrevista do Youtube. Veja a imagem abaixo: Entrevista publicada no meio impresso realizada com o estilista Fause Haten. Vídeo com making of da entrevista com Fause no meio da entrevista impressa. Figura 4. Vídeo e texto da entrevista realizados com Fause Haten pela Revista da Cultura. 10 Link da matéria com Fause na Revista da Cultura: http://www.revistadacultura.com.br/entrevistas/conversa/13-08-30/O_mundo_de_FH.aspx 33
  • 34. Este vídeo e o texto com Fause Haten são os primeiros deste trabalho a conterem uma narrativa transmídia, ou seja, informações distribuídas em diferentes canais de informação, que contribuem para oferecer um universo narrativo e informacional para o receptor. Segundo Long (2007), “transmídia é qualquer coisa que se move de uma mídia para outra. As histórias sempre se moveram entre a mídia”. Desta forma, existem diferentes maneiras de se abordar a pauta, seja ela um vídeo no Youtube e texto. É importante atentar que o caso acima é o primeiro em que a Revista da Cultura divulga um vídeo que ela realiza, com narrativa transmídia, em uma matéria publicada no meio online. Em entrevista para este trabalho, Gustavo Ranieri, editor-chefe da revista disse: “Compartilhamos [os vídeos] sempre que achamos que vale ser destacado. Não poluímos nosso perfil no Facebook com muitos posts ao longo do dia. Poderíamos publicar todos os dias mais de 7 posts, devido ao fluxo de conteúdo que temos, mas notamos que isso incomoda o usuário dessa mídia social e acaba o afastando. Portanto, publicamos geralmente três posts por dia e, assim, temos de decidir qual terá mais impacto. Nem sempre é o vídeo”. (Ranieri, 2013, entrevista completa no Anexo A). 2) – Título no Youtube: Revista da Cultura - Os residentes de Hilda: neste vídeo, novamente é apresentada uma narrativa não linear. Como o anterior, ele começa com um fundo preto e com acordes de violão como trilha sonora. Então entra, em fade in, o logo da “Livraria da Cultura” em tons de verde. Em seguida, na tela aparece a imagem de uma estrada. Poucos segundos depois, há o GC com o nome do local e a data da pauta. Neste vídeo, a imagem é preenchida totalmente na tela. Este vídeo apresenta mais emoção do que o da entrevista com o estilista Fause, pois retrata pessoas que reformaram uma casa em que morava a escritora Hilda Hilst, em Campinas (SP), com o intuito de ser uma residência artística. Há intercalação do filtro azul escuro, em imagens do sítio, e imagens coloridas 34
  • 35. quando entra o primeiro entrevistado. Já o segundo entrevistado aparece em um fundo escuro, com filtro novamente azulado, diferente do primeiro que está em um fundo aberto e colorido. No final do vídeo, as pessoas são filmadas andando, de costas, até que a tela fique esfumaçada (fade out) e sem a visão nítida dos entrevistados. Não há vinheta final, mas sim um corte “seco”. Não há também, no vídeo todo, nenhum GC com os nomes dos entrevistados. O tempo total do vídeo é de dois minutos e doze segundos. Este vídeo é diferente do produzido com Fause, porque na matéria publicada só se apresenta o conteúdo impresso, (casa da poetisa que se tornou ponto de encontro com artistas de várias gerações), sem a divulgação de que há um vídeo complementar no Youtube. Ou seja, há dois conteúdos diferentes (texto e vídeo), mas, para o leitor saber que há o vídeo ele terá que acompanhar as publicações da revista na plataforma do Google. 3) – Título no Youtube: Revista da Cultura - É duro ser cabra na Etiópia, o novo livro de Maitê Proença – o vídeo começa com fundo preto, cor verde, sem música e aparece a logo “Revista da Cultura” (fade in). Em seguida, há a imagem de Maitê Proença posando para vários fotógrafos, com uma música ao fundo. As imagens do evento são alternadas com o relato de Maitê sobre o processo de produção do livro. O GC com o nome da entrevistada aparece em quarenta segundos de vídeo. Todo o vídeo mantém a imagem colorida, sem nenhum filtro que possa alterar a cor da imagem. A narrativa deste vídeo é mais linear do que os demais, embora haja também a interpolação de imagens quanto há a entrevista. No final, o fundo fica preto, a logo “Livraria Cultura”, aparece na parte superior da tela e desce até o centro e logo o vídeo é finalizado, com corte “seco” e som interrompido. Este conteúdo audiovisual tem o tempo total de dois minutos e quatorze segundos. O vídeo com Maitê Proença teve um pequeno destaque na Revista da Cultura. Com o texto referente à nota, divulgado no site da revista, há, embaixo do mesmo, a publicação do vídeo. Vide a imagem abaixo: 35
  • 36. Texto e com imagens do lançamento do livro da Maitê Proença e com cobertura da realizada pela Revista da Cultura Vídeo da cobertura do livro da Maitê Proença realizado pela Revista da Cultura Figura 5. Vídeo e texto do lançamento do livro da Maitê Proença realizados pela Revista da Cultura. Apesar de a matéria sobre o lançamento do livro de Maitê Proença não render muitas informações, é uma pauta que também atrai o leitor pelo 36
  • 37. caráter de notícias sobre celebridades. Em número de visualizações no Youtube, até a entrega deste trabalho, era o vídeo que tinha mais views 11 em comparativo12 com os demais conteúdos audiovisuais do GRUPO 1 produzidos pela publicação. Por isto, pode-se analisar que foi esse um dos motivos pelos quais o vídeo ganhou destaque no site e no texto sobre o lançamento do livro. 2.2 ANÁLISES EM CONJUNTO DOS TRÊS VÍDEOS DO GRUPO 1 Diante das análises dos vídeos do GRUPO 1, separadamente, apresentamse questionamentos sobre os três vídeos acima, que têm como características em comum as suas edições. Todos apresentam insert (imagens no meio das entrevistas e/ou reportagens), narrativas nãolineares e a presença de som. Exceto no conteúdo com Maitê Proença, os demais vídeos trabalham com o uso de filtros nas câmeras, o que demonstra uma preocupação com a qualidade da imagem. Este é um tipo de padronização e de preocupação com a fotografia da imagem por parte da Livraria Cultura e/ou Revista da Cultura em relação à produção de conteúdo audiovisual de qualidade, assim como com a qualidade da informação que nos vídeos estão contidos. Por outro lado, os vídeos do GRUPO 1 do canal da Livraria Cultura também têm um problema na questão das vinhetas dos vídeos. Nem todos os vídeos que são denominados como da Revista da Cultura contém, especificamente, em sua abertura, uma vinheta da publicação. Ora aparece, como citado acima, uma vinheta da Livraria da Cultura, ora aparece, em outro vídeo, uma vinheta da Revista da Cultura, ou seja, não há uma padronização. 11 Views significa visualizações em inglês. Número de views do vídeo da Maitê Proença no canal da Livraria Cultura/Revista da Cultura: 314 visualizações. Views do vídeo do Fause: 82 visualizações. Views do vídeo do Residentes de Hilda: 39 views. 12 37
  • 38. Vinheta de abertura em um vídeo produzido pela Revista da Cultura em que há imagem de uma estrada e aparece, inicialmente, a logo da “Livraria da Cultura”. Figura 6. Vinheta de abertura com o nome “Livraria da Cultura” no vídeo “Residentes de Hilda”13. A Revista da Cultura é financiada pela Livraria Cultura, portanto, de certa forma, não haveria problema em ter uma vinheta do seu ‘patrocinador’ logo no início ou no final do vídeo. Porém, em canais concorrentes que também são financiados por outras empresas de grande representatividade no mercado brasileiro da comunicação, há vinhetas padronizadas em seus vídeos postados no Youtube. 13 Link do vídeo no canal Livraria Cultura, no Youtube, da “Residentes de Hilda”: http://www.youtube.com/watch?v=BZ6kcVXauJY 38
  • 39. Vinheta de abertura correta, pois apresenta a logo de quem realmente produziu o vídeo, a Revista e não a Livraria. Figura 7. Abertura do vídeo do lançamento do livro de Maitê Proença14. As duas imagens acima reafirmam que tanto a Revista da Cultura como a Livraria da Cultura não têm necessidade de padronizar as suas vinhetas, sejam elas de abertura, de passagem ou até dos créditos finais, que pode ser além de uma forma de merchandising é uma forma de despertar a atenção e a emoção de quem está visualizando determinado vídeo. (Abreu, 2011) “Em uma produção para a televisão, além da função principal de informar, uma vinheta de abertura esteticamente bem elaborada torna-se fator de interesse do público telespectador. Entretanto, os créditos contidos nas vinhetas deixam de ter, ali, a função estrita de informar e, com o passar do tempo, o tamanho da fonte utilizada é reduzido e sua composição informal é aplicada como mais um elemento visual, juntamente 14 Link do vídeo do lançamento do livro da Maitê Proença no canal da Livraria Cultura: http://www.youtube.com/watch?v=qyDS2p9i7sw 39
  • 40. com as técnicas de design e edição. Atualmente, uma vinheta de abertura é considerada a embalagem de um programa de televisão, e é notória a importância da embalagem para o êxito do lançamento de um produto no mercado”. (Abreu, 2011, p. 16) São justamente estes valores que são apresentados na vinheta de Plantão, da Rede Globo. Quando ela aparece na tela de um aparelho de televisão, com a música, ao fundo, o espectador sabe que há uma notícia importante e alarmante, na qual se deve prestar atenção. Diante deste fato, a Livraria Cultura e a Revista da Cultura perdem a oportunidade de estabelecer este contato de “importância informacional” e demonstração do poder da marca ao não produzir uma padronização das vinhetas das publicações audiovisuais da Revista da Cultura. No Youtube, outro exemplo a ser citado é o da Revista Veja, que produz os vídeos “Veja Recomenda”, com periodicidade semanal, e “Veja Música”, postado no Youtube da Revista mensalmente. Ambos os conteúdos são produzidos pelo jornalista Sergio Martins e pela diretora de conteúdo audiovisual Raquel Hoshino, com o intuito de trazer um panorama da cena musical contemporânea. Em entrevista para este trabalho, Sergio Martins ressalta: “ambos os programas nasceram de sugestões minhas e da minha equipe. A diferença é que no ‘Veja Música’, em que os custos são maiores, eu tenho de submeter a pauta aos responsáveis pelo departamento de vídeo. No ‘Veja Recomenda’, eu ajo com mais liberdade e falo até sobre discos e DVDs que não foram comentados na edição impressa”. 40
  • 41. Vinheta dos vídeos “Veja Recomenda” padronizado em cor, logo e marca da revista, além também da tipografia. Figura 8. O jornalista Sergio Martins fala sobre o lançamento do disco “Wise Up Ghost And Other Songs”15, no vídeo semanal denominado “Veja Recomenda” e postado no canal da Revista Veja no Youtube. A Veja apresenta também a mesma padronização de vinheta no outro canal, “Veja Música” também produzida no Youtube. Veja a imagem abaixo: 15 Link deste vídeo da “Veja Recomenda” sobre o álbum do Elvis Castello e The Roots: http://www.youtube.com/watch?v=BBcQMLFddJs 41
  • 42. Vinheta dos vídeos “Veja Música” assim como os produtos audiovisuais do “Veja Recomenda” também há padronização de cor, logo e marca da revista, além também da tipografia. Figura 9. O jornalista Sergio Martins entrevista o cantor Filipe Catto16 em um vídeo mensal denominado “Veja Música” e postado no canal da Revista Veja no Youtube. A vinheta dos programas da Veja no meio online são diferentes, pois, claro, são produzidas para tipos de conteúdo e de público-alvo diferenciados. Porém, é importante ressaltar que para cada tipo de programa há uma vinheta específica, que é adotada nos demais vídeos da publicação. Os GCs são padronizados e aparecem no início dos vídeos. Há também padronização no título dos vídeos do Youtube para, desta forma, facilitar a procura do usuário por determinado conteúdo audiovisual na página da Veja no site do Google. Desta forma, a publicação da Abril, além de apresentar qualidade de informação nos vídeos, demonstra a preocupação do veículo em se manter 16 Link deste vídeo da “Veja Música” com Filipe Catto no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=Wjb3sBVJoQ4 42
  • 43. fiel ao seu público-alvo/leitor com a apresentação de uma vinheta padrão para os conteúdos audiovisuais, assim como para despertar alguma identificação quando as músicas das vinhetas começarem a ser reproduzidas. Outro fato importante é que os vídeos produzidos pela Veja têm a sua publicação e divulgação nas redes sociais Twitter e Facebook, que detêm o seu nome. Desta forma, a revista não só demonstra que, além de a Veja dedicar e disponibilizar uma equipe para produzi-los, há também a importância de divulgá-los. A imagem abaixo apresenta a divulgação: Figura 10. Divulgação no perfil do Facebook da Veja17 do vídeo realizado pelo jornalista Sergio Martins. A apresentação do vídeo do Youtube para os seguidores da Veja no Twitter e no Facebook, demonstra a necessidade da Veja em atingir o maior 17 Perfil da Veja no Facebook: https://www.facebook.com/Veja?fref=ts 43
  • 44. alcance de pessoas para visualizarem o conteúdo no meio online. Já que é um vídeo produzido exclusivamente para o Youtube, é importante que a Veja dedique-se a fazer publicidade dele também em suas redes sociais. A diferença entre os vídeos produzidos e publicados pela Veja e pela Revista da Cultura têm formatos de transmídias diferentes. Nos produzidos pela Revista da Cultura que pertencem ao GRUPO 1, há informações que também estão no meio impresso; já os produzidos pela Veja são exclusivos para o meio online. Porém, a Revista da Cultura também apresenta vídeos que são exclusivos para o Youtube (que serão analisados no subcapítulo 2.3). O capítulo três deste trabalho é dedicado a classificar estes tipos de transnarrativas: vídeos que são produzidos exclusivamente para o meio online e conteúdos audiovisuais que são feitos com conexão com o meio impresso). 2.3 VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA EM CONEXÃO COM O CONTEÚDO IMPRESSO (GRUPO 2) Nestas análises são apresentados os três vídeos do GRUPO 2, que não têm conexão com o conteúdo impresso. Eles são postados e feitos exclusivamente para o canal do Youtube da Revista da Cultura. 1) - Título no Youtube: Revista da Cultura – Encontro com Lila Azam Zanganeh na Livraria Cultura – a obra é iniciada (fade in) com uma imagem do teatro Eva Hertz, é apresentado o público chegando, há música de fundo e aparece a logo “Revista da Cultura” em verde. A música continua e é apresentada a imagem da escritora Lila Azam Zanganeh, em preto e branco. Quando ela começa a falar, a música termina e a imagem fica colorida. Enquanto a escritora continua falando, aparece uma imagem mais aberta em que aparece Gustavo Ranieri, editora-chefe da Revista da Cultura, no palco junto com Lila. Neste momento, a imagem novamente 44
  • 45. muda para preto e branco. O vídeo do encontro é alternado com imagens coloridas (com a fala do editor e de Lila), outras em PB, música ao fundo. Termina com música, imagem de fundo preta e a logo, em branco, “Livraria Cultura” (fade out). O vídeo tem o tempo total de um minuto e quarenta e dois segundos. 2) – Título no Youtube: Revista da Cultura – Lançamento do Livro Porta dos Fundos – o vídeo começa (fade in) com música, imagem em branco e preto do lançamento do livro e a logo, em verde, “Revista da Cultura”. Em dez segundos de vídeo, aparece o primeiro GC com o nome do evento. As imagens em branco e preto e coloridas se alternam, enquanto aparecem os comediantes para dar o seu depoimento sobre o livro. A qualidade do som está ‘estourada’, o que provoca, no vídeo, um áudio aparentemente estridente. Como neste vídeo é entrevistado mais de um humorista, os GCs com seus nomes aparecem logo que cada um começa a falar. É importante ressaltar que a música não desaparece totalmente deste conteúdo audiovisual, ao contrário, enquanto há as falas dos entrevistados, ela está em BG (áudio em segundo plano). O vídeo é finalizado com o fundo preto, música e a logo, em branco, “Livraria Cultura” (fade out). Este conteúdo audiovisual tem o tempo total de um minuto e trinta segundos. 3) – Título no Youtube: Lançamento do novo CD do Emicida – ao contrário dos demais vídeos deste GRUPO 2, no registro sobre o CD do Emicida há a logo da publicação, na cor vermelha, na frente de imagens coloridas do cantor. Também há música, interpretada por Emicida no começo do vídeo. Ela continua em BG, enquanto o cantor começa a falar. Neste momento, a imagem muda de cor e aparece uma tonalidade azulada (utiliza-se filtro azul). Aos trinta e cinco segundo, há GC com o nome de Emicida. A entrevista é alternada com imagens coloridas, em que o cantor interpreta as suas canções. Há música de BG em todo o vídeo. Fade out na imagem colorida, com o artista interpretando uma canção de sua autoria. Em seguida, aparece, novamente, o fundo preto e a logo, “Livraria Cultura, em branco. O vídeo é cortado a “seco”. O vídeo tem o tempo total de três minutos e cinquenta e dois segundos. 45
  • 46. Vale lembrar que, como estes vídeos não têm conexões com a publicação impressa, portanto não há questionamentos resultados do conteúdo audiovisual com o texto. Por isto, os apontamentos relacionados aos três vídeos serão apresentados no subcapítulo a seguir. 2.4 ANÁLISES EM CONJUNTO DOS TRÊS VÍDEOS DO GRUPO 2 Em uma análise inicial, pode-se perceber que todos eles têm um ponto em comum: as pautas que resultaram nos conteúdos audiovisuais referem-se a eventos que aconteceram na Livraria com pessoas e/ou grupos de destaque do mundo cultural. Além disso, os vídeos também têm a mesma estrutura de apresentação: edição, imagens insert, uso de GC e BG, alternância de cores (branco e preto para coloridas e vice-versa) e até uma padronização nas vinhetas - começo com a da Revista e no final com a da Livraria. 46
  • 47. Vinheta de abertura com logo da Revista da Cultura e, ao fundo, imagem do auditório da Livraria. Figura 11. Abertura do vídeo do encontro com Lila Azam Zanganeh18. No vídeo do Encontro com Lila Azam, assim como os demais, inicia-se com uma vinheta que contém a logo da Revista da Cultura, em verde, com imagens da chegada do público, ao fundo. A edição, novamente, permanece não-linear e os inserts também são apresentados no meio das entrevistas, em branco e preto, que acontecem nas cenas apresentados em, nos vídeos, em cores. O vídeo da Lila é o único, do GRUPO 2, que tem diferença de duração dos demais, porém ele não ultrapassa dois minutos. - Consideração ao vídeo Porta dos Fundos: 18 Link do vídeo do encontro com Lia Azam no canal da Livraria Cultura: http://www.youtube.com/watch?v=7StsIlbNE2w 47
  • 48. Vinheta de abertura do vídeo com logo da Revista da Cultura em imagem do vídeo. Figura 12. Abertura do vídeo do lançamento do livro do Porta dos Fundos19. Este vídeo do lançamento do livro do Porta dos Fundos é diferente do da escritora Lila, porém, com um ponto na edição semelhante ao do Emicida: há música de BG. Além disso, os GCs com os nomes dos comediantes entrevistados aparecem no vídeo assim que a imagem deles está na tela, diferentemente dos outros vídeos do GRUPO 2 e do GRUPO 1. Há, porém, um pequeno problema no vídeo do Porta dos Fundos: ele está com menos qualidade sonora e, nem com o BG, ao fundo, conseguiu resolver a questão da qualidade sonora, que, embora não torne o conteúdo inaudível, apresenta ruídos extremamente estridente, o que pode levar muitos usuários a não assisti-lo até o final. Vídeos com imagens ruins muitas pessoas até podem assistir, mas com áudio terrível é impossível. (Neto, 2013) 19 Link do vídeo do Porta dos Fundos no canal da Livraria: http://www.youtube.com/watch?v=uSZ7kXJSDEU 48
  • 49. Outro detalhe importante é que o vídeo do evento do Porta dos Fundos e da escritora Lila têm aproximadamente a mesma duração, ou seja, menos de dois minutos. - Consideração ao vídeo do Emicida: Vinheta de abertura com logo da Revista da Cultura em cor vermelha e imagem do cantor, ao fundo. Figura 13. Abertura do vídeo do vídeo do novo CD do Emicida20. Este vídeo do Emicida é diferente dos demais em dois pontos. O primeiro diz respeito à logo. A mudança de cor ressalta a não padronização da logo, 20 Link do vídeo do lançamento do CD do Emicida no canal da Livraria Cultura: http://www.youtube.com/watch?v=-aQKkpejVmw 49
  • 50. que vinha acontecendo nos demais vídeos. A imagem que está por trás da logo é colorida, já nos demais vídeos, ela aparece em branco e preto. O segundo detalhe é que este vídeo utiliza filtro quando o Emicida concede a entrevista. As imagens aparecem azuladas. Nos demais vídeos, só há a alteração entre o branco e preto e o colorido. Neste caso, no vídeo do lançamento do CD, o branco e o preto não é utilizado. Portanto, a Revista da Cultura, logo a Livraria, se utilizaram só das cores. Para finalizar a análise deste vídeo, no final dele há o corte seco, que, novamente, é diferente dos demais. Nos outros dois, foi usado o efeito de fade out em seus términos. Diante dos exames realizados nos vídeos do GRUPO 2, nota-se que há um cuidado especial por parte da Livraria Cultura e também da Revista da Cultura em produzir estes vídeos. Eles não estão ainda 100% padronizados, mas as logos de início e de final são iguais e só alternam, em um vídeo, a cor de início. Há mais recursos audiovisuais utilizados, com, por exemplo, o BG. As legendas dos entrevistados aparecem, mesmo que tardiamente, em todos os vídeos. Foi diminuído o tempo na maioria dos registros do GRUPO 2, pois agora se tornaram mais curtos para poderem passar um panorama rápido, sem uma informação aprofundada, com uma celebridade ‘do momento’ em eventos realizados na Livraria. Consequentemente, estes produtos audiovisuais também podem ser compartilhados rapidamente nas demais redes sociais e podem até se tornar virais e ser uma válvula de escape da mídia tradicional, com o intuito de atingir a arredia e tão desejada audiência jovem. (Burgess e Green, 2012). 50
  • 51. 2.5 VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA: ANÁLISES DO CONTEÚDOS AUDIOVISUAIS DO GRUPO 1 COM O GRUPO 2 Os vídeos do GRUPO 1 por apresentarem, em sua maioria, conexões com o meio impresso, foram confeccionados com maior cuidado, seja na edição, no uso de filtros e até no conteúdo apresentado – além disso, a duração é diferente entre uns e outros devido à necessidade da pauta. Nem todos os conteúdos audiovisuais foram divulgados e publicados no meio impresso. As pautas [vídeos do GRUPO 1] não têm uma padronização, mesmo com cuidado especial pelo revista, em relação ao uso de vinhetas, inserções de imagens e até o tempo de duração. Contudo, imagens e som estão com boa qualidade. Em um comparativo com os dois vídeos que estão na revista, o de Fause e de Maitê Proença, vê-se uma diferença na própria edição. Na entrevista com Fause, tem-se o uso de filtros e, até o seu início, com imagens coloridas e invertidas, o que é diferente do realizado com Maitê Proença, com uma imagem dela sendo fotografada. Neste último, não há muito uso de recursos de edição, só o uso de insert e imagens que se alternam entre coloridas e branco e preto. Mesmo assim, Maitê Proença apresentou mais acessos, logo audiência, do que Fause Haten no Canal da Cultura. No vídeos do GRUPO 2, esta padronização é muito presente (as vinhetas de aberturas são todas praticamente idênticas, exceto no vídeo do Emicida, que tem a letra da logo da Revista da Cultura em vermelho). Até em sua duração, não ultrapassam mais de dois minutos. O GRUPO 1 são conteúdos jornalísticos mais aprofundados, enquanto o GRUPO 2 são conteúdos para o meio online, com o intuito de se tornarem virtuais. Isso é observado no número de visualizações entre estas pautas. No vídeo do Emicida há, até a entrega deste trabalho, 2.619 visitas ao conteúdo do cantor no site da Livraria. O vídeo com Porta dos Fundos tem 1.005 visualizações e o do encontro com Lila contém 107 visitas. A soma de 51
  • 52. acessos aos vídeos do GRUPO 2 apresentou uma maior audiência, logo visualizações, do que os conteúdos audiovisuais do GRUPO 1, por mais que exista um cuidado em realizá-lo e o vínculo com o impresso. Esta audiência também pode ser oriunda da busca realizada no Google pelo evento da Cultura. O fato dos vídeos do GRUPO 2 também terem uma padronização contribuiu para facilitar a busca no site do Google e, principalmente, dos usuários dentro do Canal Livraria Cultura. Todos apresentam em seu título o seguinte padrão: “Revista da Cultura – (nome do evento)”. Nos vídeos do GRUPO 1 há uma alternância entre os seguintes títulos: “Livraria da Cultura – Revista da Cultura – (nome do evento)” e “Revista da Cultura – (nome do evento). A importância do título “Revista da Cultura – (nome do evento)” é ressaltar que é um conteúdo produzido exclusivamente pela publicação, diferenciando dos outros 680 que estão no canal “Livraria Cultura”. Por isto, apresenta o papel da publicação dentro do Youtube. O segundo fator de importância é que quando uma pessoa realiza uma busca no Google, ela o realiza com mais de uma palavra, ou seja, se quiser achar um vídeo da Revista da Cultura é comum o usuário escrever na caixa de busca, por exemplo, “revista da cultura fause”. Após o usuário clicar no botão ‘buscar’, os robôs do Google (Page Rank21) irão varrer a web para procurar links de referência com estes sinônimos. Estes mesmo robôs do Google podem direcionar a busca para os vídeos da Revista da Cultura com mais facilidade do que os demais que não tem padronização no título de seus registros. 21 “O Page Rank é uma estrutura de ligação da web, que interpreta um link da página A para a B. A ideia do Page Rank é apresentá-lo como um surfista da web. O surfista vai de uma página escolhendo aleatoriamente um link de saída para ir surfando em mais links existentes”. 52
  • 53. Capítulo 3 NARRATIVAS TRANSMÍDIAS NOS VÍDEOS DA REVISTA DA CULTURA Antes de começar as considerações deste capítulo, é necessário fazer uma diferenciação entre narrativa ‘transmídia’ e ‘cross-media’. Este último é um termo que, segundo Henry Jenkins (2009), é o que determina o conteúdo que teve a sua difusão para várias plataformas diferentes, sem nenhuma alteração. Já a narrativa transmídia, de acordo com Vicente Gosciola (2012), é uma maneira de contar uma história em que ela é distribuída e expandida para diversos canais de comunicação, ou seja, a notícia ganha diversas partes que são complementares. Neste trabalho só será utilizado o conceito de ‘narrativa transmídia’ nas próximas análises, ou seja, uma pauta, como, por exemplo, do Fause Haten, que teve um making of postado na plataforma de vídeos do Youtube e também uma matéria no meio impresso, além de reproduzida no site da Revista da Cultura. É importante ressaltar que os vídeos produzidos pela publicação para o Youtube também podem ser considerados como conteúdos transmídia, mesmo que não tenham vinculação com o site e/ou impresso. Para fundamentar esse conceito, são apresentadas as teorias e discussões no seguinte subcapítulo. 3.1 O DOCUMENTÁRIO TRANSMÍDIA “Uma das manifestações interessantes é uma série de obras produzidas pela National Geographic para sua página. Com a obra ‘The Greenhouse Effect 2’, ainda que de maneira limitada, a National Geographic já oferece 53
  • 54. características da narrativa transmídia, com distribuição em redes sociais, a possibilidade de navegar por diversos conteúdos produzidos em plataformas distintas. O formato adotado pela National Geographic é semelhante às exposições de expedições de aventura realizadas no final do século XIX. A diferença é que agora é que NatGeo adota como espaço de exposição a internet e a distribuição do conteúdo exposto é construído a partir de caminhos a serem percorridos de maneira digital, hipertextual, ainda que ofereça uma construção cognitiva composta por conteúdos em multiplataforma como a técnica anterior”. (Renó, 2013, p.17) Uma experiência audiovisual de narrativa transmídia similar ao exemplo do vídeo da National Geographic ressaltado acima são os vídeos do GRUPO 1 (com conexão com a revista/site), produzidos pela Revista da Cultura. Já que são pautas que têm conexões entre si, porque são as mesmas matérias divididas em diversos canais, o usuário-leitor pode navegar por conteúdos e plataformas, que têm a marca Revista da Cultura, quando achar necessário e como desejar. Isso vai ao encontro do que Jenkins (200) também relatou como convergência de mídia, ou seja, são os conteúdos que ‘cortejam’ ao consumidor em todas as plataformas comunicacionais. Vale, novamente, enfatizar, que convergência e transmídia são palavras que aparentam ter a mesma significação, mas não têm. Como explicado no subcapítulo 2.1, convergência é a forma de ligar os diversos canais de comunicação, já transmídia é uma forma de narrativa difundida pelos mesmos meios de comunicação, que também são utilizados pela convergência. Voltando às considerações necessárias, o canal da revista no Youtube tem formatos para atenderem um público-alvo específico. Como exemplo, temse o vídeo do Fause Haten (GRUPO 1), o making of da sessão de fotos, em formato de vídeo no Youtube, e também a entrevista para o impresso e que foi reproduzida no site da publicação. Portanto, o canal tem uma audiência diferente, mas que também pode ser a mesma do impresso. A diferença, neste caso, são os perfis do público, pois há também pessoas que só leem 54
  • 55. revistas, outras só acessam o Youtube e ainda leitores e que são também a ‘audiência’ do canal de vídeos do Google, no qual a publicação tem uma página com vídeos para serem visualizados. Isso remete a que Renó (2013) observou: “um conteúdo disponibilizado pelo próprio usuário pelas redes sociais (conteúdos esses sujeitos a processos de interpretação, retroalimentação e circulação) consolidamos uma verdadeira participação cidadã nessa narrativa” (Renó, 2013, p.21). Portanto, além de o usuário poder decidir o que quer navegar e ler/assistir, pode também distribuir a partir das suas redes sociais – além de comentar a informação que ele adquiriu pelo conteúdo publicado na Revista da Cultura. Essa participação do leitor-usuário na construção da narrativa transmídia é fundamental para entender os vídeos do GRUPO 2 (sem conexão com o site/revista) e também os produzidos pela Revista Veja – como explicado no capítulo anterior. Como retrata Paul Levinson (2012), convivemos com “novos meios”, nos quais o usuário é um consumidor midiático que produz conteúdo. Essa é uma particularidade que Renó (2013) define como a “nova ecologia dos meios” em que a participação cidadã nos processos comunicacionais passou a ser decisiva para a fundamentação dos novos conteúdos existentes pela web. Por isso, quando o conteúdo é distribuído no meio online, para diversas plataformas, é absorvido em um espaço único: o da Internet. Nesse meio, há a aliança da interatividade e a navegação, principalmente com ajuda dos dispositivos móveis hoje existentes. Para ajudar nesse tipo de interatividade e navegação pelos vídeos e conteúdos da revista, Gustavo Ranieri, editor-chefe da Revista da Cultura, disse, em entrevista para este trabalho, como é a escolha do conteúdo que irá ‘se transformar’ em um vídeo: “A criação dos vídeos é definida a partir da pauta em si. Ou seja, se a reportagem estimula a produção de um vídeo, seja como complemento do texto ou até para um desdobramento do tema, isso é feito. Podemos fazer um vídeo para registrar o 55
  • 56. making of da entrevista, mas também para exibir um trecho extra que não entrou na impressa. Também fazemos vídeos para atender pautas exclusivas para o site da revista, assim como produzirmos cobertura em vídeo e entrevistas com artistas renomados que façam algum tipo de lançamento na Livraria Cultura. Não há obrigação de fazer essa cobertura. Portanto, a escolha de quais eventos serão acompanhados dependerá do quanto achamos que o artista em si tem o perfil do nosso leitor”. (Ranieri, 2013, entrevista completa no Anexo A) Diante deste fato, “o documentário transmídia” (sem querer entrar no mérito da discussão sobre o papel do gênero documentário como contador de verdade e fatos) tem como base a distribuição do conteúdo pelas redes sociais, não importando se tem ou não conexão com o meio impresso, mas simplesmente relatando uma notícia ou fato. Informação esta que é, inicialmente, produzida por um meio de comunicação e distribuída em canal do Youtube aos seus seguidores/audiência. Portanto, neste trabalho, verifica-se que os vídeos produzidos pela Revista da Cultura assim como os vídeos, sejam do GRUPO 1 ou do GRUPO 2, e da sua concorrente, a Revista da Veja, enquadram-se na definição de Renó de “documentário transmídia”. Apesar de terem formatos de edição diferentes, conteúdos de pautas também distintos, oferecem a possibilidade de o leitor da Revista participar, via online, da sua difusão, opinião e distribuição da informação nas suas redes sociais. Diante desta fato, é importante analisar o papel do leitor, não só como audiência no canal do Youtube e leitor da Revista da Cultura, mas também como ponto fundamental e participativo nesta construção e distribuição da narrativa transmídia. Por isso, o observações. 56 próximo capítulo apresenta essas
  • 57. Capítulo 4 O PAPEL DO LEITOR NA CONSTRUÇÃO DA NARRATIVA TRANSMÍDIA Este capítulo é um dos mais importantes deste trabalho. Primeiro porque todo o trabalho jornalístico depende do receptor da mensagem que é produzida pelo profissional da comunicação, ou seja, de quem que irá ler, ouvir ou ver determinada notícia. Outro ponto importante é que toda narrativa transmídia também depende da interação do usuário-leitor para que seja realizada como um todo. Por isto, Piza relatou como o papel do jornalismo cultural está conectado com leitor: “O fundamental no jornalismo cultural é que saiba ao mesmo tempo convidar e provocar o leitor, notando ainda que essas duas ações não raro se tornam a mesma: o leitor que se sente provocado por uma opinião diferente (no conteúdo ou mesmo na formulação) está também sendo convidado a conhecer um repertório novo, a ganhar informação e reflexão sobre um assunto que tendia a encarar de outra forma. [...] ‘Fazer cabeças’ no bom sentido, incitando o leitor a ter opinião e usar melhor o seu tempo”. (Piza, 2011, p.68) Em um canal do Youtube, com conteúdo de jornalismo cultural, como o Revista da Cultura, tem-se também esta incitação, este convite, e provocação muito bem definida, pois, ao contrário de outros recursos estéticos e de diagramação que se tem em uma revista, a Revista da Cultura tem somente uma única chance para captar a atenção de quem acessa aquele vídeo. Isso é realizado nos cinco primeiros minutos em que o vídeo está sendo reproduzido na tela do computador, celular ou tablet 57
  • 58. (Neto, 2013) do usuário-leitor. Como em uma revista, a beleza da diagramação e seu papel contam como chamariz para cativar o leitor, em um canal do Youtube, esse ‘feitiço’ é realizado pelas seguintes ferramentas: qualidade de imagem e de áudio. Há também, em segundo plano, a marca “Livraria Cultura”, que também capta a atenção do usuário para assistir a determinado vídeo no site do Google. Com o intuito de observar estes dois fatores, este trabalho entrevistou alguns leitores da Revista da Cultura para saber se eles acompanham o trabalho da publicação no canal de vídeos. Todos conheceram o periódico em visitas as diferentes unidades da Livraria da Cultura, que são pontos de distribuição gratuita da publicação. Os três leitores entrevistados (entrevistas completas em Anexo B) acompanham o trabalho da revista intensamente – dois deles, inclusive, colecionam a revista. Porém somente um entrevistado acessa o conteúdo audiovisual, outro descobriu recentemente o canal do Youtube da Revista da Cultura e mesmo assim não o acompanha e o último disse que tem restrições em relação ao conteúdo noticioso online (mesmo sendo um estudante de cinema). É interessante notar que todos leitores sabem da existência do canal, mas a maioria não tem o hábito de acessá-lo. Isso vai ao encontro do que foi discutido no capítulo 2 sobre o Youtube não ser a prioridade de produção de conteúdo pela publicação, além da falta de organização dela em desenvolver uma identidade virtual (marca) no canal de vídeos do Google (também veja os questionamentos referentes à ausência de vinhetas nos conteúdos audiovisuais disponíveis no canal da Livraria da Cultura e que foram produzidos pela Revista da Cultura). Esses leitores têm contato com a marca “Revista da Cultura”, mas, de certa forma, ela não exerce a sua potencialidade no canal de vídeos do Youtube. 58
  • 59. Por outro lado, quando foi perguntando para esses leitores o que eles gostariam de assistir no canal da Revista da Cultura, todos eles, sem exceção, responderam e sugeriram pautas a serem desenvolvidas pela publicação. Um deles, inclusive, disse para desenvolver uma seção em que há participação do leitor e é exclusiva do conteúdo impresso em formato de vídeo. Portanto, estes leitores, por mais que não tenham o hábito de acessar tal endereço, mostraram também vontade em acessá-lo caso o conteúdo publicado venha a despertar seus interesses, ou, ainda a publicação trabalhe com publicidade como forma de indicação para as pessoas acessarem e/ou visualizarem. Ou seja, além de haver falta de planejamento de marketing digital eficaz para que leve o leitor a conhecer a página da Revista da Cultura no Youtube, há também a ausência de dedicação do periódico para realizar pautas com mais frequências e que tenham a sua identidade própria. Portanto, para esses leitores, tais conteúdos da revista no site de vídeos do Google que não apresentaram o que o Piza se referiu acima: serem provocadores e convidativos para esses leitores desejarem estar em constantes conexões com o canal do Youtube da Revista da Cultura. É importante atentar para o fato de que hoje esses vídeos do GRUPO 2 (sem conexão com o impressão) não têm a ajuda direta da maioria desses leitores entrevistados na sua construção transmídia, pois já que não acessam aos vídeos, produzidos só para o meio online, como saberão de suas existências?! Portanto, sua participação nessa narrativa transmídia é indireta, ou seja, só se o vídeo for indicado por determinado conhecido, chegando até eles por intermédio das redes sociais, ou se tornarem virais nas plataformas online. Por outro lado, nos vídeos do GRUPO 1, eles têm uma participação direta e importante, pois, além de ler a matéria impressa, também reproduzida no site da Revista da Cultura, podem saber de suas existências nos canais do Youtube – já que a pauta é dividida em diversos canais informacionais. Esse tipo de informação, tais leitores conseguirão ao acessar o site da publicação 59
  • 60. ou ao compartilhar a matéria no meio online e outras pessoas a comentaram, dentro da página pessoal de cada leitor, até que alguém com necessidade de saber mais sobre aquela pauta busque, no Google, informações correlatas sobre a notícia e o Page Rank aponte os vídeos online no canal da Revista da Cultura. Outra forma também de conseguir tais informações é ao acessar a publicação via tablet, pois tais vídeos estão inseridos na revista digital. A narrativa transmídia realizada também pelo leitor-usuário é mais enfática, para esses leitores entrevistados da Revista da Cultura, nos vídeos do GRUPO 1 do que no conteúdo audiovisual do GRUPO 2. “Há uma mudança significativa no papel do receptor da mensagem vista na forma clássica da comunicação. Há mais condições de este receptor tentar entender a informação por vários ângulos, principalmente com as novas perspectivas de interatividade. Sem falar na possibilidade de não satisfeito com o que a matéria oferece, o receptor pode optar por buscar mais informações em outros websites” (Canan, 2007, p.143). A Livraria da Cultura e a Revista da Cultura poderiam melhor utilizar o papel desses receptores e também de seus leitores no meio impresso, que estão em constante busca de informações de qualidades, com o intuito de fortalecer a sua marca online, desenvolver uma presença online única para a Revista da Cultura, com isso melhorariam os acessos e também aumentariam as visualizações / audiências no seu canal do Youtube e, consequentemente, cativariam novos leitores para o site e para o conteúdo impresso. 60
  • 61. Conclusão Este trabalho propôs, como objetivo principal, analisar a presença da “Revista da Cultura” no canal “Livraria Cultura”, no Youtube. É importante ressaltar que o endereço online possui 680 vídeos produzidos, pela Livraria e/ou Revista da Cultura. Chegou-se à conclusão de que tal endereço tem um papel importante virtual, não só apresentando um conteúdo cultural e números de acessos, como também efetivando a presença da publicação no meio online. Por isso, foi constatada uma dificuldade de separação entre o conteúdo que é exclusivo da Revista e aquele que é dedicado à Livraria. Isso leva a uma não identificação do usuário-leitor da publicação em visualizar e acessar os conteúdos ali postados, que resulta no não aumento de audiência e no não conhecimento do endereço pelos leitores do impresso. Se a publicação já produz um conteúdo exclusivo para o Youtube, por que não trabalhar para a sua divulgação?! Segundo Gustavo Ranieri, editor-chefe da Revista da Cultura, em entrevista para este trabalho, o Youtube não é o meio de comunicação principal de dedicação do periódico. Como objetivos específicos, este trabalho propôs, além de fazer a revisão bibliográfica específica para basear este estudo, classificar os vídeos da Revista da Cultura em grupos de transmídia. Por isto, apresentou o GRUPO 1, que tem conexão com o impresso, e o GRUPO 2, que são realizados exclusivamente para o meio online. Apesar de estarem categorizados, foi apresentado que, no GRUPO 1, não há muita padronização audiovisual entre os vídeos, como, por exemplo, na apresentação da discussão da ausência de vinheta. Contudo, tais vídeos ganharam destaque dentro do site e do impresso. No GRUPO 2, vídeos que foram produzidos só para o meio online, observaram-se mais conexões entre eles, seja pelas suas edições, padronização de vinhetas e até o tempo de duração. Esses conteúdos 61
  • 62. audiovisuais apresentam características de vídeos que podem se tornar virais nas redes sociais, portanto, também se notou que suas audiências / visualizações são maiores do que o GRUPO 1. Outro questionamento que foi levantando com este trabalho é o papel do usuário na construção transmídia. Por isso, é apontado que, apesar da maioria dos leitores da Revista da Cultura não acessar o canal “Livraria da Cultura”, apresenta a necessidade de estar em contato com tal plataforma. Esses leitores, se não for por curiosidade, indicação de amigo e/ou conhecido ou talvez uma busca pelo Google, podem nunca acessar o Youtube da Revista da Cultura e nem saberão o trabalho realizado pelo periódico no site de vídeos. Por isso foi apresentado que o canal do Youtube tem uma audiência específica, que talvez nem tenha contato com a publicação impressa. É importante ressaltar o papel da Revista da Cultura no jornalismo brasileiro e também da sua mecena, a Livraria Cultura. Porém, com dedicação, tal publicação poderia ter uma expansão de seus leitores como também uma forte marca virtual. Com isso, esta monografia poderá ajudar em pesquisas que se referem ao papel de uma revista no Youtube, narrativas transmídias no jornalismo cultural e também o desenvolvimento de marcas de meios de comunicação tradicional e impresso no meio online. 62
  • 63. Referências Bibliográficas ABREU, Bento Fernandes de (2009). Bravo!: desenho, design e desígnios na perspectiva dos estudos da cultura visual. Canos, Ed. Ulbra. ABREU, Rogério (2011). Design na TV – Pensando Vinheta. Salto, Ed. Shoba. ALPHEN, Fernando (2009). Webvertising. Disponível em: < http://webinsider.uol.com/2009/07/02/o-no-da-audiencia-na-internet>. Acessado em: 25 mai. 2013 ANDERSON, Cris (2006). A Cauda Longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Trad. Afonso Celso da Cunha Serra. Rio de Janeiro, Elsevier. AROSO, Inês; CORREIA, Frederico (2007). A Internet e os novos papeis do jornalista e do cidadão. Disponível em: <http://www.insite.pro.br/2007/35.pdf> Acessado em: 20 mai. 2013. BONA, Rafael Jose e SOUZA, Marina Pacheco de (2013). A Narrativa Transmídia da Era da Convergência: Análise das Transposições Midiáticas de The Walking Dead. Disponível em: < http://www.razonypalabra.org.mx/N/N82/V82/22_BonaSouza_V82.pdf>. Acessado em: 15 out. 2013. BRIGGS, Asa; BURKE, Peter (2006). Uma história social da mídia: de Gutenberg à internet. Rio de Janeiro, Zahar. BRUNS, Axel (2003). Gatewatching, not gatekeeping: collaborative online news". Media International Australia. Disponível em: < http://eprints.qut.edu.au/archive/00000189/> Acessado em: 20 mar. 2013. BURGESS, Jean; GREEN, Joshua (2012). Youtube e a revolução digital. Trad. Ricardo Giassetti. São Paulo, Aleph. CANAN, Adriane. A não-linearidade do jornalismo digital. (Org.) Hipertexto Hipermídia: as novas ferramentas da digital. São Paulo, Contexto. 63 comunicação