SlideShare uma empresa Scribd logo
O ENFERMEIRO QUE QUER SER MÉDICO!
(artigo de opinião)

A profissão de médico granjeou ao longo dos anos uma mística, um poder sedutor e uma posição
social invejáveis. O poder dos médicos atingiu um auge mas esse auge claramente já passou. A
classe médica é atacada directa e indirectamente, diariamente, pelas mais diversas classes
profissionais. E tem vindo a ceder. Cede a uma chantagem emocional em que o médico é levado
a um sentimento de culpa quando tenta liderar os restantes profissionais, sendo apelidado de
arrogante. Cede porque muitos médicos esqueceram a defesa dos interesses da classe e do doente
olhando apenas pelos seus próprios. Cede porque está no epicentro de uma chuva de pressões e
métodos engenhosos para enfraquecer a classe e dos quais não tem capacidade de se defender.

Todos ambicionam retirar desta enorme riqueza que é a profissão médica o quinhão que mais lhes
interessa. Alguns almejam o prestígio, outros o poder, outros ainda o dinheiro. Este texto foca os
enfermeiros em particular, deixando reflexões sobre outras classes para mais tarde.

Os enfermeiros querem ser médicos! Disso já não há dúvida. Poucos dos mais recentes
enfermeiros optariam pela enfermagem se pudessem escolher sem restrições entre serem médicos
e enfermeiros. Muitos deles de facto tentaram e não conseguiram. Estabeleceram então como
cruzada da sua vida profissional e como forma de lidar com a sua frustração, hostilizar a classe
médica e conquistar a medicina. Primeiro fingem uma falsa paz com os médicos na hora de
aprenderem com eles nos respectivos cursos e em posteriores especializações, mestrados e
doutoramentos, depois denigrem sempre que podem a classe médica muitas vezes junto do
próprio doente e por fim, sendo aquilo a que já se começa a assistir, usurpando funções de
diagnóstico e terapêutica aos médicos, apregoando ainda que o fazem melhor, invocando entre
eles uma suposta superioridade (??) intelectual e de qualidades humanas.

Estas são algumas tácticas de “guerrilha” com que todos os médicos, numa ou outra altura, já
tiveram contacto. Mas existem a nível mais formal tentativas de sustentação intelectual e moral
para este sentido de evolução da enfermagem. O primeiro e sobejamente conhecido é o trabalho
de equipa. No sentido de valorizarem a sua participação em todos os actos médicos como
prescrição (administração de medicamentos e execução de protocolos), cirurgias (instrumentação
e apoio à anestesia), meios complementares de diagnóstico (colheita de sangue, etc) e sempre que
haja alguma tentativa de um médico levar a cabo qualquer tarefa de forma integral e isolada,
ainda que seja da sua competência, é utilizado o argumento do trabalho de equipa (ou falta dele).
Se um médico fizer sozinho, ou com o auxílio de outros colegas, aquilo para que tem
competência está a vitimizar o enfermeiro porque o está a excluir dessa tarefa, logo negligencia a
equipa, logo não é um bom “team player”, logo é arrogante e egocêntrico e logo não defende os
melhores interesses do doentes, que, por acaso, também são os enfermeiros quem melhor sabe
quais são. No fim logo, logo, o médico acaba por ceder e incluir o enfermeiro na tarefa, mesmo
que a executasse tão bem ou melhor sem ele. Muitos médicos foram seduzidos por esta
“delegação de funções” e a comodidade que ela trouxe. Na sua falta de humildade, acharam que
os enfermeiros eram todos “desatentos” e que os podiam integrar nas tarefas médicas, através de
procedimentos que achavam desinteressantes e consumidores do seu precioso tempo e que os
enfermeiros iriam agradecer a Deus a migalhas que lhes eram dadas. Acontece que os
enfermeiros podem fechar os olhos a muita coisa mas nunca andam a dormir. Aproveitaram as
oportunidades e consolidaram a suas posições. Pouco depois autoproclamaram-se indispensáveis
nas tarefas que lhes foram dadas e na sua “agenda” futura está a aquisição de novas tarefas agora
de forma não tão insidiosa e peçonhenta mas de forma frontal e confrontante se necessário.

A verdadeira genuinidade do “espírito de equipa” dos enfermeiros deve ser avaliado, não da
forma como o exigem aos médicos mas sim como o levam a cabo junto dos outros profissionais
com quem trabalham (por ex. auxiliares)

Ordem dos Enfermeiros – 2004: “Relativamente às intervenções de enfermagem que se iniciam
na prescrição elaborada por outro técnico da equipa de saúde” (tentativa de depreciação daquele
que é comummente conhecido como médico) “o enfermeiro assume a responsabilidade técnica
pela sua implementação” (tarefa médica - com trabalho de equipa) “Relativamente às
intervenções de enfermagem que se iniciam na prescrição elaborada pelo enfermeiro, o
enfermeiro assume a responsabilidade pela prescrição e pela implementação técnica da
intervenção” (tarefa de enfermagem - sem trabalho de equipa).

Uma outra tentativa de legitimação intelectual do sentido de evolução da enfermagem consiste
em chegar a um consenso entre enfermeiros acerca das suas próprias competências (por ex. “ICN
Framework of Competencies for the Generalist Nurse”), dar-lhe um ar de rigor por exemplo
através de “consenso alcançado com a técnica de Delphi”, e convencer quem manda que, se é um
consenso então tem de ser implementado. Se esta prática está errada? Acho que não. Pelo
contrário, até acho que quando pretendemos ver a nossa profissão evoluir devemos usar
ferramentas para que ela evolua num sentido positivo. O problema, para mim, reside no
conteúdo. Quando aspiramos a definir competências da nossa profissão temos de nos certificar
que essas competências não pertencem já a outra profissão. Os enfermeiros parecem não querer
respeitar essa regra tão elementar. Eles têm de procurar e encontrar as suas competências fora da
esfera médica, senão tudo não passa de um teatro para tornar legitimo aquilo que é usurpação de
funções tal como definido no artigo 358º do Código Penal e punido por lei.

Assim considero que a classe médica tem de reagir!
Os médicos têm de se colocar no seu lugar de liderança da medicina, sem pudores e sem nenhum
tipo de complexo de culpa. Têm que contar com a pressão e a manipulação dos enfermeiros e
outros profissionais e reagir de forma corajosa. Não se podem deixar iludir por falsas amizades
mas apenas trabalhar com profissionalismo sem a ideia de que são necessárias “alianças” ou
“cedências” para poderem exercer a sua profissão livremente. Não podem contribuir para a
formação de profissionais que utilizem essa formação contra a classe. Têm de garantir que actos
médicos sejam feitos apenas por médicos e denunciar quaisquer situações em que isso não se
verifique. Não podem ter medo do confronto aberto com enfermeiros nem que “os enfermeiros
não gostem deles”. Eles usam esse medo a seu favor. Têm de lutar ainda mais veementemente
contra colegas médicos cujas atitudes incorrectas, má prática ou negligência ponham em perigo o
doente e enfraqueçam a força moral bem como o prestígio da classe.
O corporativismo dos enfermeiros é tão ou mais forte do que o dos médicos e está sempre
presente, ainda que muitas vezes tentem passar a ideia que o corporativismo médico é uma
espécie de código de máfia, que só defende a própria classe e do qual todos os restantes
profissionais são vítimas.
Os médicos devem ter orgulho no seu corporativismo e na profissão médica por eles aperfeiçoada
ao longo dos anos. A medicina é uma profissão aberta a todos os que estejam interessados num
percurso idóneo através do ensino nas faculdades de medicina, independentemente de serem já
enfermeiros ou não.

M.P. – Presidente da ANM

Mais conteúdo relacionado

Destaque

Formatos doc
Formatos docFormatos doc
Formatos doc
Iván Padilla
 
El investigador
El investigadorEl investigador
El investigador
MariancaCardona
 
Tutorial elc
Tutorial elcTutorial elc
Tutorial elc
Vanesa Perez
 
Ossobuco 4 - A força que move a sociedade
Ossobuco 4 - A força que move a sociedadeOssobuco 4 - A força que move a sociedade
Ossobuco 4 - A força que move a sociedade
ossobuco
 
Educopedia Criação: Intencionalidade Construída
Educopedia Criação: Intencionalidade ConstruídaEducopedia Criação: Intencionalidade Construída
Educopedia Criação: Intencionalidade Construída
IsabelLimaLima
 
Boletim Especial Chácara das Tâmaras
Boletim Especial Chácara das TâmarasBoletim Especial Chácara das Tâmaras
Boletim Especial Chácara das Tâmaras
Governo Municipal de Itanhaém
 
Força vendas_
 Força vendas_ Força vendas_
Força vendas_
Celso Miori
 
La sociedad de la información
La sociedad de la informaciónLa sociedad de la información
La sociedad de la información
Ary Ramrez H
 
Catecismo do matrimonio
Catecismo do matrimonioCatecismo do matrimonio
Catecismo do matrimonio
Suely SS
 
PEC Luana Dallabrida
PEC Luana DallabridaPEC Luana Dallabrida
PEC Luana Dallabrida
Fran Buzzi
 
Webcast Interativo sobre visao Estrategica e introducao a Gestao por Processos
Webcast Interativo sobre visao Estrategica e introducao a Gestao por Processos Webcast Interativo sobre visao Estrategica e introducao a Gestao por Processos
Webcast Interativo sobre visao Estrategica e introducao a Gestao por Processos
Grupo Treinar
 
Jorge arape..........
Jorge arape..........Jorge arape..........
Jorge arape..........
Jorge Arape
 
Colotli primerperiodo 1
Colotli primerperiodo 1Colotli primerperiodo 1
Colotli primerperiodo 1
KrishnaNavarrete
 
Aulão Redes Sociais - Psicologia de Grupos
Aulão Redes Sociais - Psicologia de GruposAulão Redes Sociais - Psicologia de Grupos
Aulão Redes Sociais - Psicologia de Grupos
Cínthia Demaria
 
Silvia mulero
Silvia muleroSilvia mulero
Silvia mulero
Silvia Mulero Lopez
 
Proyectodeaula 110406122457-phpapp01
Proyectodeaula 110406122457-phpapp01Proyectodeaula 110406122457-phpapp01
Proyectodeaula 110406122457-phpapp01
yoryi2305
 
Geead 21-09-2011: Provas da existência e sobrevivência do espírito
Geead 21-09-2011: Provas da existência e sobrevivência do espíritoGeead 21-09-2011: Provas da existência e sobrevivência do espírito
Geead 21-09-2011: Provas da existência e sobrevivência do espírito
Geead Abu Dhabi
 
El Antisemitismo Actual.- Benjamín De Roncesvalles-
El Antisemitismo Actual.- Benjamín De Roncesvalles-El Antisemitismo Actual.- Benjamín De Roncesvalles-
El Antisemitismo Actual.- Benjamín De Roncesvalles-
Muro del Honor Patriotico
 
Historia
HistoriaHistoria
Historia
Mirelda Olán
 

Destaque (19)

Formatos doc
Formatos docFormatos doc
Formatos doc
 
El investigador
El investigadorEl investigador
El investigador
 
Tutorial elc
Tutorial elcTutorial elc
Tutorial elc
 
Ossobuco 4 - A força que move a sociedade
Ossobuco 4 - A força que move a sociedadeOssobuco 4 - A força que move a sociedade
Ossobuco 4 - A força que move a sociedade
 
Educopedia Criação: Intencionalidade Construída
Educopedia Criação: Intencionalidade ConstruídaEducopedia Criação: Intencionalidade Construída
Educopedia Criação: Intencionalidade Construída
 
Boletim Especial Chácara das Tâmaras
Boletim Especial Chácara das TâmarasBoletim Especial Chácara das Tâmaras
Boletim Especial Chácara das Tâmaras
 
Força vendas_
 Força vendas_ Força vendas_
Força vendas_
 
La sociedad de la información
La sociedad de la informaciónLa sociedad de la información
La sociedad de la información
 
Catecismo do matrimonio
Catecismo do matrimonioCatecismo do matrimonio
Catecismo do matrimonio
 
PEC Luana Dallabrida
PEC Luana DallabridaPEC Luana Dallabrida
PEC Luana Dallabrida
 
Webcast Interativo sobre visao Estrategica e introducao a Gestao por Processos
Webcast Interativo sobre visao Estrategica e introducao a Gestao por Processos Webcast Interativo sobre visao Estrategica e introducao a Gestao por Processos
Webcast Interativo sobre visao Estrategica e introducao a Gestao por Processos
 
Jorge arape..........
Jorge arape..........Jorge arape..........
Jorge arape..........
 
Colotli primerperiodo 1
Colotli primerperiodo 1Colotli primerperiodo 1
Colotli primerperiodo 1
 
Aulão Redes Sociais - Psicologia de Grupos
Aulão Redes Sociais - Psicologia de GruposAulão Redes Sociais - Psicologia de Grupos
Aulão Redes Sociais - Psicologia de Grupos
 
Silvia mulero
Silvia muleroSilvia mulero
Silvia mulero
 
Proyectodeaula 110406122457-phpapp01
Proyectodeaula 110406122457-phpapp01Proyectodeaula 110406122457-phpapp01
Proyectodeaula 110406122457-phpapp01
 
Geead 21-09-2011: Provas da existência e sobrevivência do espírito
Geead 21-09-2011: Provas da existência e sobrevivência do espíritoGeead 21-09-2011: Provas da existência e sobrevivência do espírito
Geead 21-09-2011: Provas da existência e sobrevivência do espírito
 
El Antisemitismo Actual.- Benjamín De Roncesvalles-
El Antisemitismo Actual.- Benjamín De Roncesvalles-El Antisemitismo Actual.- Benjamín De Roncesvalles-
El Antisemitismo Actual.- Benjamín De Roncesvalles-
 
Historia
HistoriaHistoria
Historia
 

Semelhante a O enfermeiro que_quer_ser_médico

SAE
SAE SAE
Farmacêutico para quê
Farmacêutico para quêFarmacêutico para quê
Farmacêutico para quê
Fernanda Sorce Marinho
 
2012 RESIDENTES DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE E HANSENÍASE: DESAFIOS ED...
2012 RESIDENTES DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE E HANSENÍASE: DESAFIOS ED...2012 RESIDENTES DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE E HANSENÍASE: DESAFIOS ED...
2012 RESIDENTES DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE E HANSENÍASE: DESAFIOS ED...
Leonardo Savassi
 
Comunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidado
Comunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidadoComunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidado
Comunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidado
Gabriela Montargil
 
A enfermagem na visão do cliente internado
A enfermagem na visão do cliente internadoA enfermagem na visão do cliente internado
A enfermagem na visão do cliente internado
jcdn10
 
Mitos da Assistência Médica
Mitos da Assistência MédicaMitos da Assistência Médica
Mitos da Assistência Médica
B&R Consultoria Empresarial
 
O médico e a prática da medicina
O médico e a prática da medicinaO médico e a prática da medicina
O médico e a prática da medicina
Helena Brígido
 
Entrevista urologista Miguel Srougi
Entrevista urologista Miguel Srougi Entrevista urologista Miguel Srougi
Entrevista urologista Miguel Srougi
Jeferson Espindola
 
LVV monografia 2004 UFMG TO
LVV monografia 2004 UFMG TOLVV monografia 2004 UFMG TO
LVV monografia 2004 UFMG TO
Leonardo Valesi Valente
 
DOROTHEA E.OREM.pdf
DOROTHEA E.OREM.pdfDOROTHEA E.OREM.pdf
DOROTHEA E.OREM.pdf
UbsJooPerdido
 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM E A INSERÇÃO MASCULINA
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM E A INSERÇÃO MASCULINAEVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM E A INSERÇÃO MASCULINA
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM E A INSERÇÃO MASCULINA
Rodrigo Abreu
 
A relação médico paciente na era da informatização (1)
A relação médico paciente na era da informatização (1)A relação médico paciente na era da informatização (1)
A relação médico paciente na era da informatização (1)
Carlos Frederico Almeida Rodrigues
 
Aula 1 - HISTÓRIA, ÉTICA E LEGISLAÇÃO EM ENFERMAGEM
Aula 1 - HISTÓRIA, ÉTICA E LEGISLAÇÃO EM ENFERMAGEMAula 1 - HISTÓRIA, ÉTICA E LEGISLAÇÃO EM ENFERMAGEM
Aula 1 - HISTÓRIA, ÉTICA E LEGISLAÇÃO EM ENFERMAGEM
Luziane Costa
 
A Importância Da Relação Médico Versao Explicita
A Importância Da Relação Médico Versao ExplicitaA Importância Da Relação Médico Versao Explicita
A Importância Da Relação Médico Versao Explicita
Josiane M F Tonelotto
 
Ensinando a nao fazer nada
Ensinando a nao fazer nadaEnsinando a nao fazer nada
Ensinando a nao fazer nada
Elisa Brietzke
 
Newsletter nº3
Newsletter nº3Newsletter nº3
Newsletter nº3
Pedro Rosa
 
Manual de cuidador adulto final
Manual de cuidador adulto finalManual de cuidador adulto final
Manual de cuidador adulto final
gcmrs
 
O enfermeiro e a responsabilidade de se tornar competente
O enfermeiro e a responsabilidade de se tornar competenteO enfermeiro e a responsabilidade de se tornar competente
O enfermeiro e a responsabilidade de se tornar competente
Zumarra Banje
 
Humanização na assistência de enfermagem
Humanização na assistência de enfermagemHumanização na assistência de enfermagem
Humanização na assistência de enfermagem
Estephane ingrid Souza Pessoa
 
Apostila sae para_e-mail
Apostila sae para_e-mailApostila sae para_e-mail
Apostila sae para_e-mail
Edla Oliv
 

Semelhante a O enfermeiro que_quer_ser_médico (20)

SAE
SAE SAE
SAE
 
Farmacêutico para quê
Farmacêutico para quêFarmacêutico para quê
Farmacêutico para quê
 
2012 RESIDENTES DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE E HANSENÍASE: DESAFIOS ED...
2012 RESIDENTES DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE E HANSENÍASE: DESAFIOS ED...2012 RESIDENTES DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE E HANSENÍASE: DESAFIOS ED...
2012 RESIDENTES DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE E HANSENÍASE: DESAFIOS ED...
 
Comunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidado
Comunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidadoComunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidado
Comunicação terapêutica em enfermagem: instrumento essencial do cuidado
 
A enfermagem na visão do cliente internado
A enfermagem na visão do cliente internadoA enfermagem na visão do cliente internado
A enfermagem na visão do cliente internado
 
Mitos da Assistência Médica
Mitos da Assistência MédicaMitos da Assistência Médica
Mitos da Assistência Médica
 
O médico e a prática da medicina
O médico e a prática da medicinaO médico e a prática da medicina
O médico e a prática da medicina
 
Entrevista urologista Miguel Srougi
Entrevista urologista Miguel Srougi Entrevista urologista Miguel Srougi
Entrevista urologista Miguel Srougi
 
LVV monografia 2004 UFMG TO
LVV monografia 2004 UFMG TOLVV monografia 2004 UFMG TO
LVV monografia 2004 UFMG TO
 
DOROTHEA E.OREM.pdf
DOROTHEA E.OREM.pdfDOROTHEA E.OREM.pdf
DOROTHEA E.OREM.pdf
 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM E A INSERÇÃO MASCULINA
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM E A INSERÇÃO MASCULINAEVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM E A INSERÇÃO MASCULINA
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ENFERMAGEM E A INSERÇÃO MASCULINA
 
A relação médico paciente na era da informatização (1)
A relação médico paciente na era da informatização (1)A relação médico paciente na era da informatização (1)
A relação médico paciente na era da informatização (1)
 
Aula 1 - HISTÓRIA, ÉTICA E LEGISLAÇÃO EM ENFERMAGEM
Aula 1 - HISTÓRIA, ÉTICA E LEGISLAÇÃO EM ENFERMAGEMAula 1 - HISTÓRIA, ÉTICA E LEGISLAÇÃO EM ENFERMAGEM
Aula 1 - HISTÓRIA, ÉTICA E LEGISLAÇÃO EM ENFERMAGEM
 
A Importância Da Relação Médico Versao Explicita
A Importância Da Relação Médico Versao ExplicitaA Importância Da Relação Médico Versao Explicita
A Importância Da Relação Médico Versao Explicita
 
Ensinando a nao fazer nada
Ensinando a nao fazer nadaEnsinando a nao fazer nada
Ensinando a nao fazer nada
 
Newsletter nº3
Newsletter nº3Newsletter nº3
Newsletter nº3
 
Manual de cuidador adulto final
Manual de cuidador adulto finalManual de cuidador adulto final
Manual de cuidador adulto final
 
O enfermeiro e a responsabilidade de se tornar competente
O enfermeiro e a responsabilidade de se tornar competenteO enfermeiro e a responsabilidade de se tornar competente
O enfermeiro e a responsabilidade de se tornar competente
 
Humanização na assistência de enfermagem
Humanização na assistência de enfermagemHumanização na assistência de enfermagem
Humanização na assistência de enfermagem
 
Apostila sae para_e-mail
Apostila sae para_e-mailApostila sae para_e-mail
Apostila sae para_e-mail
 

Último

oficia de construção de recursos para aluno DI.pdf
oficia de construção de recursos para aluno DI.pdfoficia de construção de recursos para aluno DI.pdf
oficia de construção de recursos para aluno DI.pdf
marcos oliveira
 
Caça - palavras e cruzadinha com dígrafos
Caça - palavras  e cruzadinha   com  dígrafosCaça - palavras  e cruzadinha   com  dígrafos
Caça - palavras e cruzadinha com dígrafos
Mary Alvarenga
 
Noite Alva! José Ernesto Ferraresso.ppsx
Noite Alva! José Ernesto Ferraresso.ppsxNoite Alva! José Ernesto Ferraresso.ppsx
Noite Alva! José Ernesto Ferraresso.ppsx
Luzia Gabriele
 
Auxiliar Adolescente 2024 3 trimestre 24
Auxiliar Adolescente 2024 3 trimestre 24Auxiliar Adolescente 2024 3 trimestre 24
Auxiliar Adolescente 2024 3 trimestre 24
DirceuSilva26
 
A perspectiva colaborativa e as novas práticas de inclusão. (1).pptx
A perspectiva colaborativa e as novas práticas de inclusão. (1).pptxA perspectiva colaborativa e as novas práticas de inclusão. (1).pptx
A perspectiva colaborativa e as novas práticas de inclusão. (1).pptx
marcos oliveira
 
Plano Analitico de Psicopedagogia -11 Classe- II Trimestre - 2024_014203.docx
Plano Analitico de Psicopedagogia -11 Classe- II Trimestre - 2024_014203.docxPlano Analitico de Psicopedagogia -11 Classe- II Trimestre - 2024_014203.docx
Plano Analitico de Psicopedagogia -11 Classe- II Trimestre - 2024_014203.docx
IsaiasJohaneSimango
 
Caça-palavras e cruzadinha - Encontros consonantais.
Caça-palavras e cruzadinha -  Encontros consonantais.Caça-palavras e cruzadinha -  Encontros consonantais.
Caça-palavras e cruzadinha - Encontros consonantais.
Mary Alvarenga
 
Relatório de Atividades 2015 CENSIPAM.pdf
Relatório de Atividades 2015 CENSIPAM.pdfRelatório de Atividades 2015 CENSIPAM.pdf
Relatório de Atividades 2015 CENSIPAM.pdf
Falcão Brasil
 
Manejo de plantas daninhas
Manejo de plantas daninhasManejo de plantas daninhas
Manejo de plantas daninhas
Geagra UFG
 
Atividade Dias dos Pais - Meu Pai, Razão da Minha História.
Atividade Dias dos Pais -  Meu Pai, Razão da Minha História.Atividade Dias dos Pais -  Meu Pai, Razão da Minha História.
Atividade Dias dos Pais - Meu Pai, Razão da Minha História.
Mary Alvarenga
 
Resolução do Exame de Biologia UEM - 2008.
Resolução do Exame de Biologia UEM - 2008.Resolução do Exame de Biologia UEM - 2008.
Resolução do Exame de Biologia UEM - 2008.
mozalgebrista
 
Relatório de Atividades 2019 CENSIPAM.pdf
Relatório de Atividades 2019 CENSIPAM.pdfRelatório de Atividades 2019 CENSIPAM.pdf
Relatório de Atividades 2019 CENSIPAM.pdf
Falcão Brasil
 
A EDUCAÇÃO COM A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AS DEFICIÊNCIAS DE SUA APLICAÇÃO N...
A EDUCAÇÃO COM A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AS DEFICIÊNCIAS DE SUA APLICAÇÃO N...A EDUCAÇÃO COM A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AS DEFICIÊNCIAS DE SUA APLICAÇÃO N...
A EDUCAÇÃO COM A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AS DEFICIÊNCIAS DE SUA APLICAÇÃO N...
Faga1939
 
Slides Lição 2, Betel, A Igreja e a relevância, para a adoração verdadeira no...
Slides Lição 2, Betel, A Igreja e a relevância, para a adoração verdadeira no...Slides Lição 2, Betel, A Igreja e a relevância, para a adoração verdadeira no...
Slides Lição 2, Betel, A Igreja e a relevância, para a adoração verdadeira no...
LuizHenriquedeAlmeid6
 
Painel para comemerorar odia dos avós grátis.pdf
Painel  para comemerorar odia dos avós grátis.pdfPainel  para comemerorar odia dos avós grátis.pdf
Painel para comemerorar odia dos avós grátis.pdf
marcos oliveira
 
A experiência do professor. Publicado EM 08.07.2024
A experiência do professor. Publicado EM 08.07.2024A experiência do professor. Publicado EM 08.07.2024
A experiência do professor. Publicado EM 08.07.2024
Espanhol Online
 
Temática – Projeto para Empreendedores Locais
Temática – Projeto para Empreendedores LocaisTemática – Projeto para Empreendedores Locais
Temática – Projeto para Empreendedores Locais
Colaborar Educacional
 
As Ideias Têm Consequências - Richard M. Weaver
As Ideias Têm Consequências - Richard M. WeaverAs Ideias Têm Consequências - Richard M. Weaver
As Ideias Têm Consequências - Richard M. Weaver
C4io99
 
Mini livro sanfona - Minha Escola Tem História.
Mini livro  sanfona - Minha Escola Tem História. Mini livro  sanfona - Minha Escola Tem História.
Mini livro sanfona - Minha Escola Tem História.
Mary Alvarenga
 
escrita criativa utilizada na arteterapia
escrita criativa   utilizada na arteterapiaescrita criativa   utilizada na arteterapia
escrita criativa utilizada na arteterapia
shirleisousa9166
 

Último (20)

oficia de construção de recursos para aluno DI.pdf
oficia de construção de recursos para aluno DI.pdfoficia de construção de recursos para aluno DI.pdf
oficia de construção de recursos para aluno DI.pdf
 
Caça - palavras e cruzadinha com dígrafos
Caça - palavras  e cruzadinha   com  dígrafosCaça - palavras  e cruzadinha   com  dígrafos
Caça - palavras e cruzadinha com dígrafos
 
Noite Alva! José Ernesto Ferraresso.ppsx
Noite Alva! José Ernesto Ferraresso.ppsxNoite Alva! José Ernesto Ferraresso.ppsx
Noite Alva! José Ernesto Ferraresso.ppsx
 
Auxiliar Adolescente 2024 3 trimestre 24
Auxiliar Adolescente 2024 3 trimestre 24Auxiliar Adolescente 2024 3 trimestre 24
Auxiliar Adolescente 2024 3 trimestre 24
 
A perspectiva colaborativa e as novas práticas de inclusão. (1).pptx
A perspectiva colaborativa e as novas práticas de inclusão. (1).pptxA perspectiva colaborativa e as novas práticas de inclusão. (1).pptx
A perspectiva colaborativa e as novas práticas de inclusão. (1).pptx
 
Plano Analitico de Psicopedagogia -11 Classe- II Trimestre - 2024_014203.docx
Plano Analitico de Psicopedagogia -11 Classe- II Trimestre - 2024_014203.docxPlano Analitico de Psicopedagogia -11 Classe- II Trimestre - 2024_014203.docx
Plano Analitico de Psicopedagogia -11 Classe- II Trimestre - 2024_014203.docx
 
Caça-palavras e cruzadinha - Encontros consonantais.
Caça-palavras e cruzadinha -  Encontros consonantais.Caça-palavras e cruzadinha -  Encontros consonantais.
Caça-palavras e cruzadinha - Encontros consonantais.
 
Relatório de Atividades 2015 CENSIPAM.pdf
Relatório de Atividades 2015 CENSIPAM.pdfRelatório de Atividades 2015 CENSIPAM.pdf
Relatório de Atividades 2015 CENSIPAM.pdf
 
Manejo de plantas daninhas
Manejo de plantas daninhasManejo de plantas daninhas
Manejo de plantas daninhas
 
Atividade Dias dos Pais - Meu Pai, Razão da Minha História.
Atividade Dias dos Pais -  Meu Pai, Razão da Minha História.Atividade Dias dos Pais -  Meu Pai, Razão da Minha História.
Atividade Dias dos Pais - Meu Pai, Razão da Minha História.
 
Resolução do Exame de Biologia UEM - 2008.
Resolução do Exame de Biologia UEM - 2008.Resolução do Exame de Biologia UEM - 2008.
Resolução do Exame de Biologia UEM - 2008.
 
Relatório de Atividades 2019 CENSIPAM.pdf
Relatório de Atividades 2019 CENSIPAM.pdfRelatório de Atividades 2019 CENSIPAM.pdf
Relatório de Atividades 2019 CENSIPAM.pdf
 
A EDUCAÇÃO COM A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AS DEFICIÊNCIAS DE SUA APLICAÇÃO N...
A EDUCAÇÃO COM A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AS DEFICIÊNCIAS DE SUA APLICAÇÃO N...A EDUCAÇÃO COM A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AS DEFICIÊNCIAS DE SUA APLICAÇÃO N...
A EDUCAÇÃO COM A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AS DEFICIÊNCIAS DE SUA APLICAÇÃO N...
 
Slides Lição 2, Betel, A Igreja e a relevância, para a adoração verdadeira no...
Slides Lição 2, Betel, A Igreja e a relevância, para a adoração verdadeira no...Slides Lição 2, Betel, A Igreja e a relevância, para a adoração verdadeira no...
Slides Lição 2, Betel, A Igreja e a relevância, para a adoração verdadeira no...
 
Painel para comemerorar odia dos avós grátis.pdf
Painel  para comemerorar odia dos avós grátis.pdfPainel  para comemerorar odia dos avós grátis.pdf
Painel para comemerorar odia dos avós grátis.pdf
 
A experiência do professor. Publicado EM 08.07.2024
A experiência do professor. Publicado EM 08.07.2024A experiência do professor. Publicado EM 08.07.2024
A experiência do professor. Publicado EM 08.07.2024
 
Temática – Projeto para Empreendedores Locais
Temática – Projeto para Empreendedores LocaisTemática – Projeto para Empreendedores Locais
Temática – Projeto para Empreendedores Locais
 
As Ideias Têm Consequências - Richard M. Weaver
As Ideias Têm Consequências - Richard M. WeaverAs Ideias Têm Consequências - Richard M. Weaver
As Ideias Têm Consequências - Richard M. Weaver
 
Mini livro sanfona - Minha Escola Tem História.
Mini livro  sanfona - Minha Escola Tem História. Mini livro  sanfona - Minha Escola Tem História.
Mini livro sanfona - Minha Escola Tem História.
 
escrita criativa utilizada na arteterapia
escrita criativa   utilizada na arteterapiaescrita criativa   utilizada na arteterapia
escrita criativa utilizada na arteterapia
 

O enfermeiro que_quer_ser_médico

  • 1. O ENFERMEIRO QUE QUER SER MÉDICO! (artigo de opinião) A profissão de médico granjeou ao longo dos anos uma mística, um poder sedutor e uma posição social invejáveis. O poder dos médicos atingiu um auge mas esse auge claramente já passou. A classe médica é atacada directa e indirectamente, diariamente, pelas mais diversas classes profissionais. E tem vindo a ceder. Cede a uma chantagem emocional em que o médico é levado a um sentimento de culpa quando tenta liderar os restantes profissionais, sendo apelidado de arrogante. Cede porque muitos médicos esqueceram a defesa dos interesses da classe e do doente olhando apenas pelos seus próprios. Cede porque está no epicentro de uma chuva de pressões e métodos engenhosos para enfraquecer a classe e dos quais não tem capacidade de se defender. Todos ambicionam retirar desta enorme riqueza que é a profissão médica o quinhão que mais lhes interessa. Alguns almejam o prestígio, outros o poder, outros ainda o dinheiro. Este texto foca os enfermeiros em particular, deixando reflexões sobre outras classes para mais tarde. Os enfermeiros querem ser médicos! Disso já não há dúvida. Poucos dos mais recentes enfermeiros optariam pela enfermagem se pudessem escolher sem restrições entre serem médicos e enfermeiros. Muitos deles de facto tentaram e não conseguiram. Estabeleceram então como cruzada da sua vida profissional e como forma de lidar com a sua frustração, hostilizar a classe médica e conquistar a medicina. Primeiro fingem uma falsa paz com os médicos na hora de aprenderem com eles nos respectivos cursos e em posteriores especializações, mestrados e doutoramentos, depois denigrem sempre que podem a classe médica muitas vezes junto do próprio doente e por fim, sendo aquilo a que já se começa a assistir, usurpando funções de diagnóstico e terapêutica aos médicos, apregoando ainda que o fazem melhor, invocando entre eles uma suposta superioridade (??) intelectual e de qualidades humanas. Estas são algumas tácticas de “guerrilha” com que todos os médicos, numa ou outra altura, já tiveram contacto. Mas existem a nível mais formal tentativas de sustentação intelectual e moral para este sentido de evolução da enfermagem. O primeiro e sobejamente conhecido é o trabalho de equipa. No sentido de valorizarem a sua participação em todos os actos médicos como prescrição (administração de medicamentos e execução de protocolos), cirurgias (instrumentação e apoio à anestesia), meios complementares de diagnóstico (colheita de sangue, etc) e sempre que haja alguma tentativa de um médico levar a cabo qualquer tarefa de forma integral e isolada, ainda que seja da sua competência, é utilizado o argumento do trabalho de equipa (ou falta dele). Se um médico fizer sozinho, ou com o auxílio de outros colegas, aquilo para que tem competência está a vitimizar o enfermeiro porque o está a excluir dessa tarefa, logo negligencia a equipa, logo não é um bom “team player”, logo é arrogante e egocêntrico e logo não defende os melhores interesses do doentes, que, por acaso, também são os enfermeiros quem melhor sabe quais são. No fim logo, logo, o médico acaba por ceder e incluir o enfermeiro na tarefa, mesmo que a executasse tão bem ou melhor sem ele. Muitos médicos foram seduzidos por esta “delegação de funções” e a comodidade que ela trouxe. Na sua falta de humildade, acharam que os enfermeiros eram todos “desatentos” e que os podiam integrar nas tarefas médicas, através de procedimentos que achavam desinteressantes e consumidores do seu precioso tempo e que os enfermeiros iriam agradecer a Deus a migalhas que lhes eram dadas. Acontece que os enfermeiros podem fechar os olhos a muita coisa mas nunca andam a dormir. Aproveitaram as oportunidades e consolidaram a suas posições. Pouco depois autoproclamaram-se indispensáveis
  • 2. nas tarefas que lhes foram dadas e na sua “agenda” futura está a aquisição de novas tarefas agora de forma não tão insidiosa e peçonhenta mas de forma frontal e confrontante se necessário. A verdadeira genuinidade do “espírito de equipa” dos enfermeiros deve ser avaliado, não da forma como o exigem aos médicos mas sim como o levam a cabo junto dos outros profissionais com quem trabalham (por ex. auxiliares) Ordem dos Enfermeiros – 2004: “Relativamente às intervenções de enfermagem que se iniciam na prescrição elaborada por outro técnico da equipa de saúde” (tentativa de depreciação daquele que é comummente conhecido como médico) “o enfermeiro assume a responsabilidade técnica pela sua implementação” (tarefa médica - com trabalho de equipa) “Relativamente às intervenções de enfermagem que se iniciam na prescrição elaborada pelo enfermeiro, o enfermeiro assume a responsabilidade pela prescrição e pela implementação técnica da intervenção” (tarefa de enfermagem - sem trabalho de equipa). Uma outra tentativa de legitimação intelectual do sentido de evolução da enfermagem consiste em chegar a um consenso entre enfermeiros acerca das suas próprias competências (por ex. “ICN Framework of Competencies for the Generalist Nurse”), dar-lhe um ar de rigor por exemplo através de “consenso alcançado com a técnica de Delphi”, e convencer quem manda que, se é um consenso então tem de ser implementado. Se esta prática está errada? Acho que não. Pelo contrário, até acho que quando pretendemos ver a nossa profissão evoluir devemos usar ferramentas para que ela evolua num sentido positivo. O problema, para mim, reside no conteúdo. Quando aspiramos a definir competências da nossa profissão temos de nos certificar que essas competências não pertencem já a outra profissão. Os enfermeiros parecem não querer respeitar essa regra tão elementar. Eles têm de procurar e encontrar as suas competências fora da esfera médica, senão tudo não passa de um teatro para tornar legitimo aquilo que é usurpação de funções tal como definido no artigo 358º do Código Penal e punido por lei. Assim considero que a classe médica tem de reagir! Os médicos têm de se colocar no seu lugar de liderança da medicina, sem pudores e sem nenhum tipo de complexo de culpa. Têm que contar com a pressão e a manipulação dos enfermeiros e outros profissionais e reagir de forma corajosa. Não se podem deixar iludir por falsas amizades mas apenas trabalhar com profissionalismo sem a ideia de que são necessárias “alianças” ou “cedências” para poderem exercer a sua profissão livremente. Não podem contribuir para a formação de profissionais que utilizem essa formação contra a classe. Têm de garantir que actos médicos sejam feitos apenas por médicos e denunciar quaisquer situações em que isso não se verifique. Não podem ter medo do confronto aberto com enfermeiros nem que “os enfermeiros não gostem deles”. Eles usam esse medo a seu favor. Têm de lutar ainda mais veementemente contra colegas médicos cujas atitudes incorrectas, má prática ou negligência ponham em perigo o doente e enfraqueçam a força moral bem como o prestígio da classe. O corporativismo dos enfermeiros é tão ou mais forte do que o dos médicos e está sempre presente, ainda que muitas vezes tentem passar a ideia que o corporativismo médico é uma espécie de código de máfia, que só defende a própria classe e do qual todos os restantes profissionais são vítimas.
  • 3. Os médicos devem ter orgulho no seu corporativismo e na profissão médica por eles aperfeiçoada ao longo dos anos. A medicina é uma profissão aberta a todos os que estejam interessados num percurso idóneo através do ensino nas faculdades de medicina, independentemente de serem já enfermeiros ou não. M.P. – Presidente da ANM