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O DESPERTAR DA
CONSCIÊNCIA
NO ALÉM TÚMULO
e Forma de Viver
SUMÁRIO
1. Introdução ..................................................................................................... 1
1.1 O Viver e o Morrer – Perspectiva Espírita..................................................1
1.2 A Terminalidade da Vida – Associação Médico Espírita/Brasil ................6
1.3 O Desencarne x A Morte – Diferenças .......................................................9
1.4 O Que levamos para o Plano Espiritual ....................................................12
2. Temor da Morte – Causas.......................................................................... 17
2.1 O instinto de conservação da vida.............................................................17
2.2 Predominância da Natureza Animal..........................................................17
2.3 Temporário olvido da vida espiritual........................................................17
2.4 Receio de aniquilamento da vida ..............................................................18
2.5 Terrorismo do modo de vida após a morte ...............................................18
2.6 Insuficiência de conhecimento sobre a Vida Futura.................................19
2.7 Marketing negativo da Morte/Velório/Enterro/Cemitério........................20
2.8 Censura às comunicações entre mortos e vivos........................................20
2.9 Apego as Coisas e/ou Pessoas...................................................................21
2.10 Temor de Você / do que Fez e/ou do que Não Fez...................................21
3. A Vida no Mundo Espiritual...................................................................... 23
3.1 Considerações Gerais................................................................................23
3.2 A Concretude do Mundo Espiritual – Cidades/Instituições no Além.......24
3.3 O que encontraremos no Mundo Espiritual ..............................................48
3.4 O que levaremos para o Mundo Espiritual................................................57
4. O Despertar da Consciência no Além Túmulo – Forma de Viver -
Depoimentos.......................................................................................................61
4.1 Um Depressivo..........................................................................................61
4.2 Um Materialista.........................................................................................62
4.3 Um Viciado em Sexo ................................................................................63
4.4 Um Crente Fanático ..................................................................................64
4.5 Um Alcoólatra...........................................................................................65
4.6 Um Juiz Venal...........................................................................................68
4.7 Uma Trabalhadora Espírita – Otília Gonçalves ........................................71
4.8 Uma Feminista Equivocada ......................................................................78
4.9 Um Dirigente Espírita Fracassado ............................................................80
4.10 Um Médico Materialista ...........................................................................82
4.11 Um Advogado sem Ética ..........................................................................84
4.12 Um Escritor Materialista...........................................................................85
4.13 Uma Rainha de França/Oude ....................................................................87
4.14 Um Papa – Pio XI/Leão XIII ....................................................................93
4.15 Um Cardeal – Joaquim Arcoverde..........................................................100
4.16 Um Escritor Renomado – Humberto de Campos....................................101
4.17 Um Lider Espírita – Frederico Figner.....................................................106
4.18 Um Político – Americano do Brasil........................................................107
4.19 Um General Alemão – Ludendorff .........................................................110
4.20 Um Bispo Católico..................................................................................114
4.21 Um Pastor................................................................................................119
4.22 Um Judeu ................................................................................................122
4.23 Um Soldado na Guerra............................................................................126
4.24 Um Narcisista..........................................................................................129
4.25 Um Palestrante Espírita fracassado.........................................................132
5. O Despertar da Consciência no Além Túmulo – Faixas Cronológicas -
Depoimentos.....................................................................................................134
5.1 O Desencarne em Idade Infantil..............................................................134
5.2 O Desencarne em Idade Avançada .........................................................134
6. O Despertar da Consciência no Além Túmulo – Transplantados -
Depoimentos.....................................................................................................136
6.1 O Desencarne e os Transplantes .............................................................136
7. O Despertar da Consciência no Além Túmulo – Drogados -
Depoimentos.....................................................................................................137
7.2 O Desencarne e as Drogas.......................................................................137
8. O Despertar da Consciência no Além Túmulo – Alerta para os que
Ficam ................................................................................................................141
9. Referências.................................................................................................142
1
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
1. Introdução
1.1 O Viver e o Morrer – Perspectiva Espírita
A morte nenhum temor inspira ao justo, porque, com a fé, ele tem a certeza do futuro;
a esperança faz com que aguarde uma vida melhor e a caridade, cuja lei praticou, dá-lhe a
certeza de que, não encontrará no mundo onde vai entrar, nenhum ser cujo olhar deva temer.
Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 941
Qual o sentimento que domina a maioria dos homens no momento da morte: a dúvida,
o terror ou a esperança?
A dúvida nos céticos empedernidos; o temor, nos culpados; a esperança, nos homens
de bem.
Allan Kardec – Livro dos Espíritos – Perg. 961
Prepare-se para a morte.
Desde hoje vença a dúvida, supere o temor, alente a esperança.
Ligado a Jesus-Cristo, o Protótipo da Idéia-Vida, renove-se hoje e sempre, pensando
no bem, a fim de que o Bem Inefável conduza os seus dias na Terra.
Marco Prisco – Legado Kardequiano – Cap. 56 – Idéia
Todos os homens na terra são chamados a esse testemunho, o da temporária
despedida.
Considera, portanto, a imperiosa necessidade de pensar nessa injunção e deixa que a
reflexão sobre a Morte faça parte do teu programa de assuntos mentais, com que te armarás,
desde já para o retorno, ou para enfrentar em paz a partida dos teus amores.
Joanna de Angelis – Sementes de Vida Eterna – Cap. 56 – Não há Morte
Em favor de você mesmo, inclua diariamente entre as suas preocupações a
meditação em torno do fenômeno da desencarnação. O exercício mental sobre esta
ocorrência ser-lhe-á muito benéfico. Dessa forma, revista-se de equilíbrio para o retorno à Vida
Espiritual que pode dar-se inesperadamente.
Marco Prisco – Ementário Espírita – Cap. 60 – No exame da Morte
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Morrer é um processo complexo.
Do ponto de vista físico, até que é relativamente fácil, complicado, porém é desencarnar,
desprender-se a alma dos laços que a retém ao plano material.
Embora obedeça a leis gerais que a tornam automática (1), a desencarnação, para
efetivar-se completamente, envolve lapsos de tempo variáveis, conforme a evolução do
Espírito. (2)
Allan Kardec detalhou o mecanismo de desprendimento da alma, valendo-se dos
ensinos do Espírito da Verdade e das próprias entrevistas que fez com centenas de
desencarnados. Vejamos os tópicos principais listados por ele: (3)
• A extinção da vida orgânica acarreta a separação da alma, em q consequência
do rompimento do laço fluídico que a une ao corpo, mas esse desprendimento nunca é brusco
e só se completa quando não mais reste um átomo do perispírito unido a uma molécula do
corpo.
O número de pontos de contato existentes entre o corpo e o perispírito é responsável
pela maior ou menor dificuldade na separação. Se a união permanecer, a alma poderá sentir a
decomposição do próprio corpo, como frequentemente acontece nos casos dos suicidas. Na
morte natural, resultante da extinção das forças vitais por velhice ou doença, a separação é
gradual: para aquele que se desmaterializou durante a própria existência, completa-se antes da
morte real; para o homem materializado e sensual, cujos laços com a matéria são estreitos, é
difícil, podendo durar “algumas vezes dias, semanas e até meses” (LE 155 nota). Na morte
violenta, o desprendimento só começa depois que ela se efetiva e não se completa rapidamente
(LE 162 nota).
• Na transição da vida corporal para a espiritual, produz-se um fenômeno de
perturbação, considerado como estado natural. Nesse instante a alma experimenta um torpor
que paralisa momentaneamente as suas faculdades, neutralizando, ao menos em parte, as
sensações. É por isso que ela quase nunca testemunha conscientemente o derradeiro suspiro.
Quando sai desse estado, o Espírito pode ter um despertar calmo ou agitado, dependendo do
tipo de sono no qual se envolveu.
• A causa principal da maior ou menor facilidade de desprendimento é o estado
moral da alma.
Influem, pois, no processo de desencarnação: o número de encarnações já vividas, as
conquistas mentais ou o patrimônio no campo da ideação, os valores culturais, o grau de apego
aos bens terrenos, enfim, as qualidades morais e espirituais, que constituem seu patrimônio.
• A preparação para a morte incluiria todo um programa existencial: fé ativa,
aceitação da vontade divina nos impositivos da existência, desprendimento dos bens terrenos,
busca da expansão do amor, na vida diária.
• 1) Obreiros da Vida Eterna – cap. XI, p. 172.
• 2) Ver O Livro dos Espíritos – todo o cap. III.
• 3) O Céu e O Inferno – cap. I da segunda parte.
Marlene Nobre – Nossa Vida no Além – Cap. 2 – Como é Morrer
Todos os dias chegam corações atormentados, além da morte.
E apesar do horizonte aberto, jazem no chão como pássaros mutilados...
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
̶ Loucos, sob a hipnose da ilusão.
̶ Suicidas, descrentes dos próprios méritos.
̶ Criminosos sentenciados no tribunal da consciência.
̶ Malfeitores que furtaram de si mesmos.
̶ Doentes que procuraram a enfermidade.
̶ Infelizes a se imobilizarem nas Trevas.
Ha quem diga que os chamados mortos nada têm a ver com os chamados vivos,
entretanto, como os chamados vivos de hoje, serão os chamados mortos, de amanhã, com
possibilidade de se perturbarem uns aos outros caso perseverem na ignorância —, cultivemos
na Doutrina Espírita o instituto mundial de esclarecimento da alma, a fim de que o pensamento
regenerado consiga redimir as suas próprias criações que substancializam a experiência da
Humanidade nas várias nações da Terra.
André Luiz – Além da Morte – Introito – Uberaba, 13 de Janeiro 1960.
A morte a ninguém propiciará passaporte gratuito para a ventura celeste. Nunca
promoverá compulsoriamente homens a anjos.
Cada criatura transporá essa aduana da eternidade com a exclusiva bagagem do que
houver semeado e aprenderá que a ordem e a hierarquia, a paz do trabalho edificante, são
característicos imutáveis da Lei, em toda parte.
Emmanuel – Obreiros da Vida Eterna – Introdução
Berço – Existência – Desencarnação – Renascimento constituem quatro estágios de
Evolução que cabem nas quatro letras da VIDA.
Emmanuel – Chico Xavier e suas Mensagens no Anuário Espírita – Cap. 78 – Página aos
Espíritas/ Anuário Espírita – 1968
A morte é, simplesmente, um segundo nascimento; deixamos o mundo pela mesma
razão porque nele entramos, segundo a ordem da mesma lei.”
Leon Denis – O Grande Enigma – 3º Parte – Cap. 15 – A Lei circular
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Há, no entanto, que considerar mortos e mortos.
Nem todos, porém, que vivem na carne são vivos e nem os considerados mortos são
mortos.
Alguns vivem, é certo, mas poucos estão vivos para a vida...
Não importa a condição social em que os encontres.
Uns deambulam, ilustres, embora a indumentária carnal, cadaverizados pelo egoísmo.
Outros jornadeiam, bem acondicionados, mumificados pelo orgulho.
Mais outros passam, superficiais e inermes ante a ação corruptora da impudicícia.
Alguns movimentam-se, hipnotizados pelo prazer, a ele entregues.
Diversos aparecem inertes, aprisionados na indignidade.
Outros tantos escorregam, dominados pelo torpor do gozo animalizante.
Vários transitam aligeirados, abraçando a cobiça.
Grande número constitui-se de presunçosos, apodrecendo no ócio a que se entregam.
Mortos, todos eles, embora estejam no corpo físico.
Joanna de Angelis – Dimensões da Verdade – Cap. 21 – Mortos e mortos
Senhor Jesus!...
Enquanto os irmãos da Terra procuram a nós outros – os companheiros desencarnados
– nas fronteiras de cinza, rogando-te amparo em nosso favor, também nós, de coração
reconhecido, suplicamos-te apoio em auxílio de todos eles, principalmente considerando
aqueles que correm o risco de se marginalizarem nas trevas!...
Pelos que perderam a fé, recusando o sentido real da vida, e jazem quase mortos de
desespero;
Pelos que desertaram das responsabilidades próprias, anestesiando transitoriamente
o próprio raciocínio, e surgem quase mortos de inanição espiritual;
Pelos que se entregaram à ambição desmesurada a se rodearem sem qualquer
proveito dos recursos da Terra, e repontam do cotidiano quase mortos de penúria da alma;
Pelos que se hipertrofiaram na supercultura da inteligência, gelando o coração para
os serviços da solidariedade, e aparecem quase mortos ao frio da indiferença;
Pelos que acreditaram na força ilusória da violência, atirando-se ao fogo da revolta,
e se destacam quase mortos de angustia vazia;
Pelos que se perturbaram por ausência de esperança, confiando-se ao desequilíbrio,
e se revelam quase mortos de aflição inútil;
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Pelos que abraçaram o desânimo por norma de ação, parando de trabalhar, e
repousam quase mortos de inércia;
Pelos que se feriram ferindo os outros, encarcerando-se nas cadeias da culpa, e estão
quase mortos de arrependimento tardio!...
Senhor!...
Para os nossos irmãos que atravessam experiência humana quase mortos de
sofrimento e agravos, complicações e problemas criados por eles mesmos, nós te rogamos
auxílio e benção!...
Ajuda-os a se libertaram do visco de sombra em que se enredaram e trazei-os de novo
à luz da verdade e do amor, para que a luz do amor e da verdade lhes revitalize a existência
a fim de que possam encontrar a felicidade real contigo, agora e para sempre.
Emmanuel – Na Era do Espírito – Cap.21 – Oração pelos quase Mortos
A morte de um homem começa no instante em que ele desiste de aprender.
Mariano José Pereira da Fonseca – Falando à Terra – Cap. 32 - Reflexões
“(...) E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma
morte severina: que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes
dos vinte, de fome um pouco por dia.”
João Cabral de Melo – Morte e Vida Severina – Introdução
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
1.2 A Terminalidade da Vida – Associação Médico Espírita/Brasil
Considerando:
a. Que o nosso paradigma é o Personalista Espírita (contempla a dignidade ontológica
do ser humano) ;
b. Que a vida é um bem indispensável, uma doação do Ser supremo;
c. A imortalidade da Alma, evidenciada na literatura mediúnica, nas pesquisas
científicas como as EQMs (Experiências de Quase Morte), nas vivências de terapia
de vidas passadas e nos relatos históricos de casos de reencarnação;
d. O artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal, que elegeu o princípio da dignidade
da pessoa humana como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil;
e. O artigo 61 do Código de Ética Médica “... o médico não pode abandonar o paciente
por este ser portador de moléstia crônica ou incurável, mas deve continuar a assisti-
lo ainda que apenas para mitigar o sofrimento físico ou psíquico” ;
f. A Resolução CFM nº 1.805/2006, que estabelece como terminalidade da vida, no
artigo 1º, “... fase terminal de uma enfermidade grave e incurável...”, o momento
para limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida e, no
artigo 2º, que “... o doente continuará a receber todos os cuidados necessários para
aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, assegurada a assistência integral, o
conforto físico, psíquico, social e espiritual, inclusive assegurando-lhe o direito da
alta hospitalar”;
g. Os avanços científicos e biotecnológicos modernos que possibilitam o
prolongamento obstinado do morrer;
h. A necessidade de humanizar o processo da morte, evitando sofrimentos adicionais
ao doente e aos familiares;
Estabelecemos que:
1. O limite das possibilidades terapêuticas não significa o fim da relação médico-
paciente, devendo o médico assisti-lo com cuidados básicos de manutenção da vida, alívio
físico, psíquico e espiritual. E, salvo por justa causa e comunicado ao paciente ou aos seus
familiares, o abandono do paciente portador de moléstia incurável constitui caso de omissão;
2. Somos CONTRÁRIOS à eutanásia ativa ou passiva e a qualquer meio intencional,
como o suicídio assistido, que antecipe a morte do ser humano;
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
3. Somos CONTRÁRIOS à distanásia, entendendo-a como prolongamento da vida, por
uma obstinação terapêutica ou diagnóstica, através de meios artificiais ou não, de forma
precária e inútil, que não promova benefício imediato ao paciente, levando-o a uma morte
agoniada com sofrimento orgânico, psíquico e espiritual;
4. Somos A FAVOR de uma MORTE NATURAL, ocorrendo no tempo certo, por
evolução natural da doença, assegurando ao paciente o direito aos cuidados paliativos,
necessários ao alívio do sofrimento, e o respeito pela sua dignidade;
5. Somos A FAVOR da criação e ampliação das unidades de cuidados paliativos
(HOSPICES), com abordagem multidisciplinar, com maior atenção ao doente do que à doença;
da adoção de medidas necessárias e indispensáveis à manutenção da vida (cuidados higiênicos,
conforto, alimentação e reposição de líquidos e eletrólitos); e dos procedimentos que ofereçam
uma melhor qualidade de vida ao paciente terminal;
6. Morte digna é a que ocorre sem sofrimento (físico, psíquico, social ou espiritual),
com assistência multidisciplinar de equipe de saúde (médico, enfermeiro, psicólogo,
fisioterapeuta, assistente social) e apoio espiritual; em ambiente adequado (familiar quando
possível); com direito a ser ouvido em seus medos, pensamentos, sentimentos, valores, crenças
e esperanças; receber continuidade de tratamento; não ser abandonado e ter tanto controle
quanto possível no que se refere às decisões a respeito de seus cuidados;
7. A fase terminal do processo de morte deve ser encarada como um período de ricas
experiências para a evolução do Espírito imortal; os cuidadores não têm, pois, o direito de
impedir que o paciente usufrua desses benefícios, antes, devem garantir-lhe esse tempo único
de aprendizado, convencidos de que a vida é um bem indisponível;
8. A linha divisória entre a eutanásia passiva e a distanásia é muito tênue, competindo
ao médico, no limite de suas responsabilidades, ouvir a sua própria consciência e buscar a
inspiração correta que direcione sua conduta ético-profissional;
9. Em substituição ao termo ortotanásia, que é sinônimo de eutanásia passiva no meio
jurídico, preferimos a denominação morte natural, pois esta estabelece com melhor clareza a
evolução natural das enfermidades;
8
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
10. Em relação ao PL 116/2000 do senador Gerson Camata, relatado pelo senador
Augusto Botelho, que propõe:
“Exclusão de ilicitude
§ 6º Não constitui crime deixar de manter a vida de alguém por meio artificial, se
previamente atestada por dois médicos a morte como iminente e inevitável, e desde que haja
consentimento do paciente, ou em sua impossibilidade, de cônjuge, companheiro, ascendente,
descendente ou irmão.
§ 7º A exclusão de ilicitude a que se refere o parágrafo anterior faz referência à
renúncia ao excesso terapêutico, e não se aplica se houver omissão de meios terapêuticos
ordinários ou dos cuidados normais devidos a um doente, com o fim de causar-lhe a morte.”
Contempla o nosso entendimento que previne contra a prática da distanásia (obstinação
terapêutica sem proporcionar benefício) e permite que o paciente em fase terminal tenha
assegurados os cuidados mínimos de assistência humanitária à saúde (respeito pela dignidade
humana) e que a sua morte ocorra não por falta de atendimento e sim pela evolução do curso
natural da doença.
AME–Brasil – Folha Espírita – Janeiro de 2010 Edição número 425 – A Terminalidade da
Vida – http://www.folhaespirita.com.br/v2/?q=node/461
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
1.3 O Desencarne x A Morte – Diferenças
• O Que é Desencarnar/ O Que é Morrer
Desencarnação é libertação da alma, morte é outra coisa. Morte constitui cessação
da vida, apodrecimento, bolor.
Os que desanimam de lutar e trabalhar, renovar e evoluir são os que verdadeiramente
morrem, conquanto vivos, convertendo-se em múmias de negação e preguiça, e, ainda que a
desencarnação passe, transfiguradora, por eles, prosseguem inativos na condição de mortos
voluntários que recusam a viver.
Acompanhemos a marcha do Sol, que diariamente cria, transforma, experimenta,
embeleza.
Renovemo-nos.
André Luiz – Estude e Viva – Cap. 26 – Mortos Voluntários
Muitos nascem e renascem no corpo físico, transitando da infância para a velhice e do
túmulo para o berço, à maneira de almas cadaverizadas no egoísmo e na rebelião, na
ociosidade ou na delinquência, a que irrefletidamente se acolhem.
Absorvem os recursos da Terra sem retribuição, recebem sem dar, exigem concurso
alheio sem qualquer impulso de cooperação em favor dos outros e vampirizam as forças que
encontram, quais sorvedouros que tudo consomem sem qualquer proveito para o mundo que os
agasalha.
Semelhantes companheiros são realmente os mortos dignos de socorro e de
piedade, porquanto, à distância da luz que lhes cabe inflamar em si próprios, preferem o
mergulho na inutilidade, acomodando-se com as trevas.
Lembra-te dos talentos com que Deus te enobrece o sentimento e o raciocínio, o
cérebro e o coração, fazendo verter a glória do bem, através de teu verbo e de tuas mãos,
desperta e vive, para que, das experiências fragmentárias do aprendizado humano, possas, um
dia, alçar vôo firme em direção à Vida Eterna.
Emmanuel – Coragem – Cap. 32 – Vida e Morte
A desencarnação ocorre somente quando o ser, livre das sensações materiais, permite-
se a lucidez e o reencontro consigo mesmo, podendo experimentar as alegrias e as bênçãos da
libertação.
De acordo com as faixas mentais em que cada qual se situa, desperta em campo
vibratório equivalente, ensejando-se a paz anelada ou prolongando as aflições pelos prazeres
que não mais podem ser fruídos.
(...) A morte física é apenas uma etapa inicial da desencarnação real que aí começa,
e se encerra somente quando o espírito se integra na sociedade livre e feliz da Pátria para onde
rumou.
Manoel Philomeno de Miranda – Reencontro com a Vida – 1º Parte – Cap. 12 – Morrer e
Desencarnar
Não há mortes iguais. Tendo-se em conta as conquistas morais de cada pessoa, os
requisitos espirituais que a cada qual tipificam, os apegos ou não à matéria, as fixações e jogos
10
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
de interesse, as dependências físicas e mentais, a desencarnação varia de um a outro homem,
que experimenta perturbação correspondente, em tempo, ao estado íntimo em que se situa.
Morrer nem sempre significa libertar-se. A morte é orgânica, mas a libertação é de
natureza espiritual.
Por isso, essa turbação espiritual pode demorar breves minutos, nos Espíritos nobres,
como decorrência da grande cirurgia e até séculos, nos mais embrutecidos, que se não dão conta
do que lhes sucede...
Nas desencarnações violentas, o período e intensidade de desajuste espiritual
correspondem à responsabilidade que envolveu o processo fatal.
Acidentes de que se não têm uma culpa atual, passado o brusco choque, sempre
tornam de menor duração o período perturbador do que ocorrendo em condições de
intemperança moral, quando o descomedido passa a ser incurso na condição de suicida
indireto.
Para uma reencarnação completar-se, desde o primeiro instante quando da fecundação,
transcorrem anos que se alargam pela primeira infância. É natural que a desencarnação
necessite de tempo suficiente para que o Espírito se desimpregne dos fluidos mais
grosseiros, nos quais esteve mergulhado...
A violência da forma como ocorre mata somente os despojos físicos, nunca significando
libertação do ser espiritual.
O mesmo sucede nos casos de homicídio, em que a culpa ou não de quem tomba
responde pelos efeitos, em aflições, que prossegue experimentando.
Já os suicidas, pela gravidade do gesto de rebeldia contra os Divinos Códigos, carpem,
sofrem por anos a fio a desdita, enfrentando, em estado lastimável e complicado, o problema
de que pretendem fugir, não raro experimentando a perseguição de impiedosos adversários que
reencontram no além-túmulo, que os submetem a processos cruciais de lapidação em dores
morais e físicas, em face da destruição do organismo que fora equipado para mais largo período,
na Terra...
Enfermidades de longo curso, suportadas com resignação, liberam da matéria,
porque o Espírito tem tempo de pensar nas lídimas realidades da vida, desapegar-se das pessoas,
paixões e coisas, pensar com mais propriedade no que o aguarda, depois do corpo,
movimentando o pensamento em círculos superiores de aspirações.
As dores morais bem aceitas facultam aspirações e anseios de paz noutras dimensões,
diluindo as forças constritoras que o atam ao mundo das formas.
Como ninguém que se encontre na investidura carnal passará indene sem despojar-se
dela, muito justo se torna um treinamento correto para enfrentar o instante da morte que
virá.
O Espírito é, no Além, o somatório das suas experiências vividas.
Manoel Philomeno de Miranda – Nas Fronteiras da Loucura – Cap. 11 – Efeito das
Drogas
11
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
O desacelerar da maquinaria orgânica normalmente culminando com a morte
fisiológica, de forma alguma representa a desencarnação propriamente dita.
O processo de liberação dos fluidos que fixam o espírito aos despojos materiais é muito
lento, especialmente quando a existência não transcorreu dentro dos padrões de comportamento
ético, caracterizando-se pelos apegos às paixões e pela vivência dos sentidos sensoriais em
detrimento das emoções transcendentes.
Manoel Philomeno de Miranda – Reencontro com a Vida – 1o
Parte – Cap. 22 – Despertar
da consciência no Além-Túmulo
A leviana indiferença em torno da morte faculta o encharcar-se mais nas paixões
sensoriais, nos impulsos primários, nas lutas pela posse, pela dominação de coisas e pessoas...
Terrível frustração sucede a esses que assim procedem, quando o guante da
desencarnação lhes interrompe o galopar dos desejos e da loucura a que se entregam...
Morrem, sem dar-se conta da ocorrência, continuando na azáfama a que se entregavam...
(...) Todo processo de fixação impõe período idêntico para a sua liberação.
Assim ocorre com os vícios morais, mentais, emocionais e físicos, que permanecem
afligindo o espírito, mesmo quando já os abandonou, desde há algum tempo.
(...) A morte é somente uma experiência de desvestir uma para assumir outra
indumentária, entretanto, prosseguindo na vida.
(...) Ninguém deslustra as Leis universais, sem que seja convocado à reabilitação.
Assim, indispensável se torna a todos os viajantes do carreiro material o dever de pensar na
morte, na maneira como a enfrentará, nos recursos de que dispõe, no desapego aos denominados
bens materiais, preparando-se conscientemente, pois que se desencarna conforme se reencarna
com o patrimônio moral invisível e essencial.
Manoel Philomeno de Miranda – Reencontro com a Vida – 2o
Parte – Cap. 1 – Preparação
para a Morte
12
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
1.4 O Que levamos para o Plano Espiritual
Lembre-se, porém, que na hora da morte – a partida inevitável para todos os seres,
através dos caminhos do tempo:
− Segurança representa tranquilidade. Sem paz interior, não há poder real. Os bens
ficam no mundo.
− Juventude e saúde são épocas rápidas da estação dos anos.
− Só o Bem acompanha o homem além do mundo...
− O poderoso na Terra é apenas mordomo de recursos que desaparecem.
− Todos os valores pertencem, em última instância, ao Senhor de todas as
coisas.
− Patrimônio financeiro é problema para o Espírito. Comodidade física é caminho
para a doença da alma.
Aproveite as possibilidades que o tempo faz passar através de suas mãos, antes que
escorram para a inutilidade, e utilize esse patrimônio para assegurar sua volta ao Reino,
vitoriosamente.
Marco Prisco – Glossário Espírita-Cristão – Cap. 37 – Patrimônio e Posses
E depois de uma pausa, em que parecia surdo a tantos clamores, acentuou:
São contrabandistas na vida eterna.
Como assim? – atalhei, interessado. O interlocutor sorriu e respondeu em voz firme:
Acreditavam que as mercadorias propriamente terrestres teriam o mesmo valor
nos planos do Espírito.
Supunham que o prazer criminoso, o poder do dinheiro, a revolta contra a lei e a
imposição dos caprichos atravessariam as fronteiras do túmulo e vigorariam aqui também,
oferecendo-lhes ensejos a disparates novos.
Foram negociantes imprevidentes.
Esqueceram de cambiar as posses materiais em créditos espirituais. Não aprenderam as
mais simples operações de câmbio no mundo. Quando iam a Londres, trocavam contos de réis
por libras esterlinas; entretanto, nem com a certeza matemática da morte carnal se animaram a
adquirir os valores da espiritualidade.
Agora, que fazer? Temos os milionários das sensações físicas transformados em
mendigos da alma.
André Luiz – Nosso Lar – Cap. 27 – O Trabalho enfim
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Nos mínimos atos, negócios, resoluções ou empreendimentos que você faça, busque
primeiro a substancia “post-mortem” de que se reveste, porquanto, sem ela, seu tentame
será superficial e sem consequências produtivas para o seu espírito.
Hoje, como ontem, a criatura supõe-se em caminho tedioso tão-só quando lhe falta
alimento espiritual aos hábitos.
Alegria que dependa das ocorrências do terra-a-terra não tem duração. Alegria real
dimana da intimidade do ser.
Meditação elevada, culto à prece, leitura superior e conversação edificante constituem
adubo precioso nas raízes da vida.
Ninguém respira sem os recursos da alma.
Constrangidos a encontrar a repercussão de nossas obras, além do plano físico, de que
nos servirá qualquer euforia alicerçada na ilusão?
De que nos vale o compromisso com as exterioridades humanas, quando essas
exterioridades não se fundamentam em nossas obrigações para com o bem dos outros, se a
desencarnação não poupa a ninguém?
Cogitemos de felicidade, paz e vitória, mas escolhamos a estrada que nos conduza a
elas sob a luz das realidades que norteiam a vida do Espírito, de vez que receberemos de
retorno, na aduana da morte, todo material que despachamos com destino aos outros, durante a
jornada terrestre.
Não basta para nenhum de nós o contentamento de apenas hoje. É preciso saber se
estamos pensando, sentindo, falando e agindo para que o nosso regozijo de agora seja também
regozijo depois.
André Luiz – Estude e Viva – Cap. 4 – Consciência e Conveniência
A fé é mais do que um ato de crença, tornando-se poderoso eletroímã de renovação
energética, atraindo ou repelindo valores que seguirão com você além da vida física.
Prepara-te para a morte. Desde hoje vença a dúvida, supere o temor, alente a
esperança.
Ninguém viverá sempre na carne.
Marco Prisco – Legado Kardequiano – Cap. 56 – Ideia
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Retornam alguns irmãos nossos que atravessaram o “portal” do túmulo, a fim de
apresentarem seus depoimentos vivos.
Cada um retrata a experiência feliz ou desditosa de que foi objeto na Esfera Espiritual.
Alguns, que foram colhidos pelas surpresas, narram os sucessos em que se viram
envolvidos, lutando tenazmente por se manterem na anestesia da ignorância e da sombra, não
obstante a aurora convidativa da realidade que os envolvia.
Outros supuseram enganar o próximo e fugir a sanção da Justiça, precipitando-se pelo
país da consciência livre, onde os painéis circunjacentes são elaborados pelos que o povoam.
Diversos vinculavam-se as religiões, afirmavam possuir crença em Deus e na
imortalidade, no entanto, tornaram-se vítimas espontâneas da incredulidade e do pavor ante a
morte...
Uns acalentaram o nada para depois da sepultura e defrontaram a vida estuante.
Outros aguardavam tributos e glórias vãos e se viram de mãos vazias de feitos e corações
enregelados pela indiferença que cultuaram.
Espíritos fieis e devotados, aclimatados as realizações de enobrecimento, emolduraram-
se de paz e dita, retornando a louvar e bendizer a vida.
A morte a ninguém engana.
Ninguém se engana após a morte.
Morrer é desvelar de acontecimentos num cinematógrafo especial, com mecanismos que
atuam automaticamente na consciência de cada criatura.
Pensamos em alertar os invigilantes, recordando fatos já conhecidos e trazendo a lume
outra vez lições que vão sendo esquecidas, utilizando-nos das experiências daqueles que se
enganaram, a fim de recordar aos que crêem na Vida a necessidade de se manterem vigilantes
e atuantes no Bem.
A morte não discrepa, não elege, não exime ninguém. A pouco e pouco traz de volta os
que partiram na direção da Terra em aprendizado e recuperação.
Mensageira fiel recolhe todos e os situa nos seus devidos lugares, mediante as leis de
afinidades e de sintonia que nos ligam uns aos outros e nos reúnem nas múltiplas “moradas” da
“Casa do Pai”.
Joanna de Angelis – Depoimentos Vivos – Introdução (Salvador, 25 de dezembro de 1971)
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
A surpresa assoma em muitas mentes, quando defrontam, no intercâmbio mediúnico
com Entidades, que na Terra estiveram situadas em posição de destaque, desfrutando conceitos
relevantes e retornam do Mundo Espiritual expressando inquietação ou anestesiados no
desequilíbrio, na perturbação.
Acreditam os menos vigilantes que os homens que transitaram em situação de realce,
catalogados na distinção e colocados em pontos especiais, certamente, em se despindo da
indumentária carnal, deveriam retornar aureolados pelas bênçãos e pelas fortunas de um mérito
que, em verdade, não lograram amealhar.
Cada um é o que intimamente pensa, cultiva, elabora e produz.
Por essa razão, ninguém se surpreenda com o desnudar da consciência no além-túmulo,
em que homens e mulheres considerados pelo destaque que tiveram na comunidade retornam
obumbrados e inditosos, agônicos e estremunhados, apresentando-se sequiosos de paz,
necessitados de amor.
A Vida são os atos que amealhamos nos cofres da consciência e os sentimentos que
armazenamos nos depósitos profundos do ser.
A morte é o acordar para as realidades a que nos imantamos durante a jornada material.
Coerência é a palavra; equilíbrio, na aparência e no Ser, para pensar e agir com acerto.
João Cleofas – Intercâmbio Mediúnico – Cap. 7 – Coerência entre Pensamento e Ação
A morte a ninguém propiciará passaporte gratuito para a ventura celeste. Nunca
promoverá compulsoriamente homens a anjos.
Cada criatura transporá essa aduana da eternidade com a exclusiva bagagem do
que houver semeado e aprenderá que a ordem e a hierarquia, a paz do trabalho edificante, são
característicos imutáveis da Lei, em toda parte.
Emmanuel – Obreiros da Vida Eterna – Introdução
Recebemos no Além o que realmente criamos para nós mesmos, em contato com as
criaturas.
Romeu Camargo – Falando à Terra – Cap. 14 – De Retorno
Aviso claro e prudente, o melhor que tenho aqui: Depois da morte é que a gente
conhece o que fez de si.
José Soares de Gouveia – Depois da Vida – Introdução
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
No Mundo espiritual muita gente vai se surpreender... Lá, não seremos identificados
pela importância, ou melhor, pela nossa suposta importância no mundo... Gente há que
desencarna imaginando que as portas do Mundo Espiritual irão se lhes escancarar... Ledo
engano!
Ninguém quer saber o que fomos, o que possuíamos, que cargo ocupávamos no mundo;
o que conta é a luz que cada um já tenha conseguido fazer brilhar em si mesmo... Esse negócio
de ter sido fulano de tal interessa à consciência de quem foi e, na maioria das vezes, se
complicou...
Francisco Cândido Xavier – O Evangelho de Chico Xavier – Cap. 187
A morte a ninguém engana. Ninguém se engana após a morte.
Morrer é desvelar de acontecimentos num cinematógrafo especial, com mecanismos que
atuam automaticamente na consciência de cada criatura.
Joanna de Ângelis – Depoimentos Vivos – Introdução
A Vida são os atos que amealhamos nos cofres da consciência e os sentimentos que
armazenamos nos depósitos profundos do ser.
A morte é o acordar para as realidades a que nos imantamos durante a jornada material.
João Cleófas – Intercâmbio Mediúnico – Cap. 7 – Coerência entre Pensamento e Ação
Vive, portanto, como se estivesses a cada momento preparando-te para renascer além e
após o túmulo.
A vida que se “leva” é a Vida que cada um aqui leva enquanto na indumentária
carnal.
Joanna de Angelis – Estudos Espíritas – Cap. 7 – Morrer
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
2. Temor da Morte – Causas
2.1 O instinto de conservação da vida
O instinto de conservação da vida, que lhe constitui força preventiva contra a
intemperança, a precipitação e o suicídio, não obstante desconsiderados nos momentos de
superlativo desgosto, revolta ou desespero.
Programado o corpo para servir de instrumento para o progresso do Espírito, através de
cujo cometimento desenvolve todas as aptidões e valores que nele jazem latentes, o instinto de
conservação é lhe um elemento de alto valor, para que seja preservada a vida e impulsionada
para a frente até às últimas resistências. Em face dessa condição, o Espírito se imanta ao corpo
e receia perde-lo, em razão do atavismo ancestral que lhe bloqueia o discernimento a respeito
daquilo cujos dados de avaliação não logram impressionar-lhe os sentidos.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da vida e da morte – Cap. 11 – Temor da Morte
2.2 Predominância da Natureza Animal
A predominância da natureza animal, que nos inferiores comanda as suas aspirações,
tendências e necessidades.
O predomínio da natureza animal desenvolve-lhe o egoísmo e exacerba-lhe a paixão
violenta, acentuando a sensualidade que se expande engendrando programas de novos gozos,
que terminam por exaurir-lhe as energias mantenedoras dos equipamentos de sustentação
orgânica. Assim é que um leve aceno de prolongamento da vida moribundo fá-lo sorrir e aspirar
pela sua ocorrência, em injustificáveis apegos aos despojos que lhe não permitem mais largos
logros, embora lhe concedam a permanência física.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da vida e da morte – Cap. 11 – Temor da Morte
2.3 Temporário olvido da vida espiritual
O temporário olvido da vida espiritual donde procede.
A reencarnação promove o transitório esquecimento do passado, que é providencial para
poupar ao Espírito a amargura que os seus erros impõem e os seus delitos o afligem. Esse
esquecimento constitui motivo de receio da morte, em razão da falta de elementos que
estruturem a confiança na sobrevivência, com o retorno ao mundo espiritual. As sensações
sobrepõem-se às emoções, fixando-lhe os interesses na vida física, apesar de saber da sua
efêmera existência.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da vida e da morte – Cap. 11 – Temor da Morte
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
2.4 Receio de aniquilamento da vida
O receio de aniquilamento da vida, por falta de informações corretas a respeito do futuro
da alma e daquilo que lhe está destinado...
o engodo dos sentidos anestesia a razão, levando-a a concluir que a morte deles
representa a destruição da vida, arrolando o cérebro como autor do pensamento e os órgãos na
condição de causa da existência do ser. Assim, a desinformação e as concepções erradas sobre
a vida futura são responsáveis pelo temor da morte, que leva muitos indivíduos a estados
neuróticos lamentáveis, como a comportamentos alucinados, nos quais buscam o esquecimento,
fugindo da sua contingência enganosa.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da vida e da morte – Cap. 11 – Temor da Morte
2.5 Terrorismo do modo de vida após a morte
De um lado, contorções de condenados a expiarem em torturas e chamas eternas os erros
de uma vida efêmera e passageira.
De outro lado, as almas combalidas e aflitas do purgatório aguardam a intercessão dos
vivos que orarão ou farão orar por elas, sem nada fazerem de esforço próprio para progredirem.
Allan Kardec – O Céu e o Inferno – Cap. 2 – item 6 – A Preocupação com a Morte
O conteúdo religioso das doutrinas ortodoxas, que oferece uma visão distorcida quão
prejudicial do que sucede após a ruptura dos laços materiais, elaborando um mundo de
compensações em graça como em castigo, conforme a imaginação dos homens vitimados por
fanatismos e alucinações.
O estabelecimento de prêmios e punições de sabor material, nos quais as religiões do
passado firmaram estrutura da existência espiritual, tornou-a detestável, e se considerando o
medo a uma justiça absurda e impiedosa ou a indiferença por uma felicidade estanque,
monótona e perpétua, que tem lugar num céu onde o amor não dispõe de recursos para socorrer
o caído, nem a piedade vige em relação aos infelizes...
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da vida e da morte – Cap. 11 – Temor da Morte
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
2.6 Insuficiência de conhecimento sobre a Vida Futura
À proporção que o homem compreende melhor a vida futura, o temor da morte diminui.
Allan Kardec – O Céu e o Inferno – Cap. 2 – item 3 – A Preocupação com a Morte
A doutrina espírita muda completamente a maneira de ver-se o futuro. A vida futura não
é mais uma hipótese, mas uma realidade. A situação das almas após a morte não se explica por
meio de um sistema, mas com o resultado da observação.
O véu é levantado. O mundo espiritual nos aparece em toda a sua realidade viva.
Não foram os homens que o descobriram através de uma concepção engenhosa, mas os
próprios habitantes desse mundo que nos vieram descrever a sua situação.
(...) Para os espíritas a alma não é mais uma abstração. Ela possui um corpo etéreo que
a torna um ser definido, que podemos conceber pelo pensamento. Isso é o suficiente para nos
esclarecer quanto à sua individualidade, suas aptidões e suas percepções.
A lembrança daqueles que nos são caros repousa, assim, sobre algo real. Não os
representamos mais como chamas fugitivas que nada dizem ao nosso pensamento, mas como
formas concretas que no-los apresentam melhor como seres vivos.
Allan Kardec – O Céu e o Inferno – Cap. 2 – item 10 – A Preocupação com a Morte
A ideia de que as almas dos mortos se tornam chama s fugitivas penetrou fundamente
na consciência coletiva dos povos.
Vemos a sua sobrevivência até mesmo em pessoas esclarecidas que se tornam espíritas.
Nas atas das sessões que realizava, por ele mesmo redigidas, o escritor Monteiro Lobato
refere -se constantemente aos espíritos como gases, chamas flutuantes, etc., o que levava alguns
dos comunicantes a endossarem a concepção.
Um deles lhe respondeu: Sou agora uma chamazinha errante. Referindo-se à sua própria
morte, Lobato escreveu que iria passar do estado sólido ao gasoso.
O Espiritismo nos mostra que a situação do homem após a morte é muito diferente disso.
Conservando o corpo espiritual (de que tão precisamente trata o apóstolo Paulo em l
Coríntios) o espírito desencarnado conserva até mesmo a forma corporal, as características
físicas que o distinguem na vida terrena, e pode assim identificar-se em suas manifestações pela
vidência, pelos fenômenos de aparição e pelos de materialização. Isso permite, ainda — o que
estranha às pessoas que desconhecem o problema — que o espírito se identifique pela sua
própria voz nos fenômenos de audição mediúnica ou de comunicação por voz direta.
Herculano Pires – O Céu e o Inferno – Cap. 2 – item 10 – A Preocupação com a Morte –
comentário
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
2.7 Marketing negativo da Morte/Velório/Enterro/Cemitério
A morte é rodeada de cerimônias lúgubres, mais próprias a infundirem terror do que a
provocarem a esperança.
Allan Kardec – O Céu e o Inferno – Cap. 2 – item 8 – A Preocupação com a Morte
Essa impressão negativa da morte foi intencional. O objetivo era atemorizar as criaturas
a fim de se portarem bem na vida.
Há uma relação evidente entre essa ameaça da morte e as ameaças de castigos nas
escolas, para garantir o bom comportamento dos alunos. Mas esse recurso, que produziu
resultados entre homens ignorantes e brutais, perderia o seu efeito na proporção em que a
Civilização se desenvolvesse.
Aconteceu com ele o que ensina uma lei da Dialética: o que hoje serve ao progresso,
amanhã se torna obstáculo e deve ser removido.
Mas, por outro lado, essas cerimônias lúgubres e toda essa ameaça passou para o plano
dos costumes, criou raízes populares e se tornou ainda uma das fontes de renda para as
organizações eclesiásticas.
Tudo isso impediu, até mais da metade do século XIX, que as religiões organizadas,
chamadas positivas, fizessem alguma coisa para acompanhar o progresso cultural.
Ainda hoje, apesar das reformas em curso, o problema da morte continua na mesma
situação analisada por Kardec.
Herculano Pires – O Céu e o Inferno – Cap. 2 – item 8 – A Preocupação com a Morte –
comentário
2.8 Censura às comunicações entre mortos e vivos
Demais, a crença vulgar coloca as almas em regiões apenas acessíveis ao pensamento,
onde se tornam de alguma sorte estranhas aos vivos.
Allan Kardec – O Céu e o Inferno – Cap. 2 – item 9 – A Preocupação com a Morte
"Na crença vulgar", diz Kardec, porque a Teologia católica já no seu tempo colocava o
problema em termos de estado de consciência. Não obstante, os clérigos continuavam a pregar
dos púlpitos em termos de crença vulgar.
A comparação que Kardec faz, mais adiante, entre o Inferno pagão e o Inferno cristão,
esclarecerá bem este assunto.
Quanto ao rompimento absoluto de relações entre vivos e mortos, devemos acentuar
que havia e ainda subsiste uma atitude contraditória: a relação pode ser permitida por Deus, em
casos excepcionais, mas somente no seio da Igreja.
Assim, as comunicações espíritas são condenadas como demoníacas, mas as
comunicações católicas, sejam de santos e anjos ou mesmo de almas sofredoras, são
consideradas legítimas e até mesmo divulgadas em livros.
Herculano Pires – O Céu e o Inferno – Cap. 2 – item 09 – A Preocupação com a Morte –
comentário
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
2.9 Apego as Coisas e/ou Pessoas
O apego à sensualidade e aos bens transitórios produz o pavor da morte, redundando em
desarmonias internas que de forma alguma impediriam o processo desencarnatório, às vezes
apressando-o, em face dos elementos destrutivos que a mente elabora e sustenta.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 14 – Morrendo para
Viver
Cavalcante não se preparou, convenientemente, para libertar-se do jugo da carne e
sofre muito pêlos exageros da sensibilidade.
Tem o pensamento afetuoso em excessiva ligação com aqueles que ama. Semelhante
situação dificulta-nos sobremaneira os esforços.
André Luiz – Obreiros da Vida Eterna – Cap. 11 – Amigos Novos
A esposa de Dimas, ao pé dele, não obstante prolongadas vigílias e sacrifícios estafantes,
que a expressão fisionômica denunciava, mantinha-se firme a seu lado, olhos vermelhos de
chorar, emitindo forças de retenção amorosa que prendiam o esposo em vasto emaranhado
de fios cinzentos
André Luiz – Obreiros da Vida Eterna – Cap. 13 – Companheiro Libertado
2.10 Temor de Você / do que Fez e/ou do que Não Fez
Rainha entre os homens, como rainha julguei que penetrasse no reino dos céus! Que
desilusão! Que humilhação, quando, em vez de ser recebida aqui qual soberana, vi acima de
mim, mas muito acima, homens que eu julgava insignificantes e aos quais desprezava, por não
terem sangue nobre! Oh! como então compreendi a esterilidade das honras e grandezas que com
tanta avidez se requestam na Terra!
Para se granjear um lugar neste reino, são necessárias a abnegação, a humildade, a
caridade em toda a sua celeste prática, a benevolência para com todos. Não se vos pergunta o
que fostes, nem que posição ocupastes, mas que bem fizestes, quantas lágrimas enxugastes.
Uma Rainha de França – Evangelho Seg. Espiritismo – Cap. 2– item 8 (Havre 1863)
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Não apenas ignorância da realidade espiritual, mas aflição ante a sua legitimidade.
Conhecer a verdade é penetrá-la, viver a verdade, no entanto, é renovar-se para ela.
Muitos que trazem da Terra o cômputo do conhecimento espírita, não obstante se
identificarem com a vida espiritual se perturbam face ao que deixaram de fazer, o que
planejaram fazer e o que fizeram erradamente.
Ao despertar na Vida Verdadeira, o homem, de um só golpe, olha a retaguarda,
percebendo em clara visão tudo quanto poderia ter realizado e não o fez. Esse conhecimento
dá-lhe sofrimento, perturba-o.
Não é a desencarnação em si que faz sofrer. Antes é a evidência do que não se realizou
que torna o Espírito sofrido. Por isso, o Codificador do Espiritismo com muita lucidez anotou
a resposta dos imortais de que o conhecimento do Espiritismo oferece, naturalmente. recurso
para impedir a perturbação, mas que os atos são os grandes contributos a fim de que o homem,
sabendo da sua realidade íntima e conhecendo o que fez de nobre, tenha o impedimento da
aflição interior.
Desse modo, identificado com o Espírito de amanhã que o Espiritismo nos revela, não
apenas fiquemos na informação, mas nos modifiquemos, para que a nossa consciência não se
nos transforme em algoz, fazendo sofrer, em consideração ao que ficou perdido ou aplicado
errada e audaciosamente contra cada um.
João Cleófas – Intercâmbio Mediúnico – Cap. 58 – Perturbação Espiritual
Aqui, meus filhos, não me perguntaram se eu havia descido gloriosamente as escadas
do Petit Trianon; não fui inquirido a respeito dos meus triunfos literários e não me solicitaram
informes sobre o meu fardão acadêmico. Em compensação, fui argüido acerca das causas
dos humildes e dos infortunados pelas quais me bati.
Não venho exortar a vocês como sacerdote; conheço de sobra às fraquezas humanas.
Vivam, porém a vida do trabalho e da saúde, longe da vaidade corruptora. E, na religião da
consciência retilínea, não se esqueçam de rezar.
Humberto de Campos – Palavras do Infinito – Aos Meus Filhos (Pedro Leopoldo,
9/Abril/1935)
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
3. A Vida no Mundo Espiritual
3.1 Considerações Gerais
Os dois mundos, espiritual e o físico são, de certa forma, independentes, ... não
obstante, a correlação entre ambos é incessante, porque reagem incessante um sobre o outro.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – 2º Parte – Cap. 1 – Item 2 – Perg. 86
A Terra, na sua condição de planeta habitado, qual ocorre em outros astros e sistemas
solares, é uma cópia imperfeita do mundo espiritual, que lhe é causal.
Tudo quanto existe no plano físico é condensação da energia que procede da Causa
Implícita.
Assim, a vida verdadeira, porque permanente, é a espiritual, de onde procedem todos os
seres para a qual retornam após o fenômeno da morte orgânica.
Esse mundo espiritual é vibratório, verdadeiro e não apenas conceptual, imaginativo.
Original, nele plasmam as mentes as suas necessidades, criando regiões pulsantes de
vida, que na Terra se apresentam copiadas, em contínuos processos de aprimoramento.
As sociedades que os habitam diferenciam-se pelos graus de evolução e pelos níveis de
aperfeiçoamento mos quais se encontram. Multiplicam-se, infinitamente, desde as mais
grosseiras, criadas pelas mentes culpadas em fenômenos de depuração, até as sublimes e
plenificadoras, onde vivem os Espíritos felizes.
A energia que constitui o mundo espiritual é facilmente plasmável pelo psiquismo,
conforme o seu teor vibratório, que é conseqüente do seu estado de evolução.
Os mais elevados programam e executam o trabalho de edificação de cidades e
comunidades gigantescas, ordeiras, sem os atropelos que caracterizam o primarismo e a
ignorância dos seres físicos.
Os entes se amam e se respeitam nas regiões nobres, onde predominam o bem, a beleza,
a verdade, trabalhando pelo progresso daqueles que estagiam na retaguarda evolutiva.
Nelas não existe a violência de qualquer espécie, as conquistas são pessoais,
intransferíveis, e dão-se através do estudo incessante, do trabalho e da observância das Leis.
Todos se identificam pelas suas afinidades e conveniências, elegendo a área de
desenvolvimento cultural, científico, tecnológico ou religioso que melhor lhes apraz.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
(...)
Obras de arte, de engenharia, descobrimentos científicos e tecnológicos humanos
vieram dessas comunidades espirituais de onde procedem os seres criadores e inventores que
deram início ao processo de renovação e de desenvolvimento da sociedade.
Academias e universidades, centros de pesquisas, bibliotecas complexas e aparelhadas,
núcleos de fé se multiplicam além da esfera física, nos países espirituais e suas colônias,
promovendo o ser cada vez mais e auxiliando-o na ascensão.
(...)
Quando próximos da Terra os núcleos, beneficiam-se com as dádivas do Sol e da Lua,
vislumbrando o mesmo mapa sideral, porém mais amplo, transparente e belo, do que aquele
que se vê na Terra.
Veículos de condução rápida transitam sem barulho, poluição ou perigo, encurtando
distâncias para quem ainda não conseguiu o controle da mente para o mecanismo da volição.
Vegetais e aves canoras, ricos de beleza e originalidade, habitam e vivem nesses núcleos
intermediários, porque o progresso é incessante.
Construções originais, sem exotismos ou excessos desnecessários em flagrante
desrespeito à estética, à arte elevada, constituem residências e complexos administrativos,
culturais, religiosos, comunitários, onde os relacionamentos se estreitam, as permutas se fazem.
(...)
Há também, como é natural, mundos espirituais inferiores, nas faixas subterrestres, na
superfície do planeta e em sua volta mais próxima.
São os lugares de reeducação moral e espiritual, conhecidos historicamente pelas
religiões como tenebrosos purgatórios, infernos, sendo que são sempre transitórios, já que o
amor de Deus luz em toda parte e não há erro irreparável, nem crime que receba punição eterna.
(...)
Pululam as moradas espirituais em volta do planeta terrestre e nas suas proximidades,
de onde partem os Espíritos para a reencarnação e para onde retornam após concluí-la, a fim de
ascenderem nos rumos da Grande Luz, quando ditosos, ou volverem ao proscênio físico, se
ainda prisioneiro das paixões e das misérias defluentes do estágio primitivo.
O mundo físico é, portanto, uma cópia borrada do espiritual: tudo quanto nele existe de
original se encontra causal, mas nem tudo quanto neste se conhece está plasmado ou existente
no de efeitos efêmeros.
Manoel Philomeno de Miranda – Sob a Proteção de Deus – Cap. 2 – O Mundo Espiritual
3.2 A Concretude do Mundo Espiritual – Cidades/Instituições no Além
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
No mundo espiritual há […] verdadeiras cidades e vilarejos, com estilos variados como
acontece aos burgos terrestres, característicos da metrópole ou do campo, edificando largos
empreendimentos de educação e progresso, em favor de si mesmas e a benefício dos outros.
André Luiz – Evolução em Dois Mundos – 2º Parte – Cap. 7 – Item: Vida social dos
desencarnados
Sentaram-me numa poltrona de pedra, semelhante ao mármore. Tateei com força o
respaldar da curiosa cadeira e, ao verificar a dureza do material sob minhas mãos, comecei a
tranqüilizar-me... Em seguida, olhei para o céu e vi a lua cheia, fulgindo com tanta beleza que
me asserenei de novo.
Um fato, contudo, intrigava os dois: era a existência ali de árvores e de flores. Se
estavam no Mundo Espiritual, como poderia haver em tal lugar matéria e natureza, como as da
Terra?
André Luiz – E a Vida Continua – Cap. 8 – Encontro de Cultura
Chame-se a este mundo em que existimos, neste momento, “outra vida”, “outro Lado”,
“região extrafísica” ou “esfera do Espírito”, estamos num centro de atividade tão material
quanto aquele em que movimentam os homens, nossos irmãos ainda encarnados,
condicionados ao tipo de impressões que ainda lhes governam, quase que de todo, os recursos
sensoriais. O mundo terrestre é aquilo que o pensamento do homem faz dele. Aqui, é a
mesma coisa. A matéria se resume a energia. Cá e lá, o que se vê é a projeção temporária de
nossas criações mentais...
André Luiz – E a Vida Continua – Cap. 9 – Irmão Claudio
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Na vasta bibliografia mediúnica do médium Francisco Cândido Xavier, a cidade
espiritual conhecida como “Nosso Lar” foi a primeira sociedade urbana da Vida Maior retratada
com detalhes.
Foi no livro do mesmo nome, editado pela Federação Espírita Brasileira, que o Espírito
de André Luiz, relatando suas experiências, forneceu descrições pormenorizadas acerca da
organização da sociedade comunitária e das edificações que lhe servem de apoio material.
Conta o abnegado médium que se surpreendeu pelo inusitado das revelações e que
André Luiz, a fim de que ele desse livre curso aos seus relatos, certa noite, levou-o em
desprendimento espiritual, até a cidade “Nosso lar” para que se inteirasse da sua experiência e
conhecesse, pessoalmente, alguns recantos retratados no livro.
Convém esclarecer que Nosso Lar é uma colônia-cidade, habitada por homens e
mulheres, jovens e adultos, que já se desvencilharam do corpo físico.
Outras colônias-cidades espirituais, porém, existem, às centenas, em torno da Terra,
obedecendo às leis que lhe regem os movimentos de rotação e translação.
A cidade “Nosso Lar”, segundo informações veiculadas por André Luiz foi fundada por
portugueses distintos, desencarnados no Brasil, no século XVI, a partir de onde se localiza,
atualmente, a Governadoria.
Tendo em vista que a cidade se divide segundo as necessidades de sua organização
administrativa, permitimo-nos informar, aos que ainda não leram o livro Nosso Lar, que a
Governadoria, órgão central, está assessorada pelo trabalho e organização de seis Ministérios,
a saber: Ministério da Regeneração, do Auxílio, da Comunicação, do Esclarecimento, da
Elevação e da União Divina, que atuam nas áreas que os próprios nomes definem, sendo, cada
Ministério, dirigido por doze Ministros.
Heigorina Cunha – Cidade no Além – Cap. 1 – A Cidade Nosso Lar
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Entramos. Ambiente simples e acolhedor. Móveis quase idênticos aos terrestres; objetos
em geral, demonstrando pequeninas variantes.
Quadros de sublime significação espiritual, um piano de notáveis proporções,
descansando sobre ele grande harpa talhada em linhas nobres e delicadas.
Respirava-se, ali, doce e reconfortante intimidade. Não conseguia disfarçar meu
contentamento e enorme alegria. Aquele primeiro contacto com a organização doméstica na
colônia, enlevava-me.
A hospitalidade, cheia de ternura, arrancava-me ao Espírito notas de profunda emoção.
Em seguida, chamou-me Lísias para ver algumas dependências da casa, demorando-me
na Sala de Banho, cujas instalações interessantes me maravilharam. Tudo simples, mas
confortável.
André Luiz – Nosso Lar – Cap. 17 – Em Casa de Lísias
Anotações em torno de “Nosso Lar”
1 – O irmão Lucius fez quanto pôde, a fim de trazer, aos amigos domiciliados no Plano
Físico, alguns aspectos de Nosso Lar, a colônia de trabalho e reeducação a que nos vinculamos
na Espiritualidade, especialmente o plano piloto que lhe diz respeito.
Para isso, encontrou a dedicação da médium Heigorina Cunha, na cidade de Sacramento,
em Minas Gerais, no Brasil.
2 – Terá conseguido transmitir, minuciosamente, toda a imagem da vasto contexto
residencial a que nos referimos?
Decerto que não, mas estamos à frente de uma realização válida pelas formas e ideias
básicas que o mencionado amigo alinhou, cuidadosamente, através do intercâmbio espiritual.
3 – Justo lembrar aqui os mapas que Cristóvão Colombo desenhou, por influência de
Mentores e Amigos Espirituais, antes de desvelar a figura da América.
Semelhantes esboços não continham a realidade total, no entanto, demonstram, até hoje,
que o valoroso navegador apresentava a configuração do Novo Continente, em linhas
essenciais.
4 – Convém esclarecer que Nosso Lar é uma colônia-cidade, habitada por homens e
mulheres, jovens e adultos, que já se desvencilharam do corpo físico.
Outras colônias-cidades espirituais, porém, existem, às centenas, em torno da Terra,
obedecendo às leis que lhe regem os movimentos de rotação e translação.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
5 – Em toda parte, depois do berço, o homem, no centro da Natureza, é defrontado pelos
princípios de sequência. Depois da morte também.
6 – Atendendo aos ditames da reencarnação e da desencarnação, nascem na experiência
física e liberam-se dela milhares de criaturas humanas, no estado mental em que se comprazem.
7 – Quantos abordam o mundo material, através do renascimento, evidenciam-se na
condição em que se achavam, no Plano Espiritual, e, consequentemente, quantos regressam ao
Plano Espiritual, procedentes do mundo, lá se revelam tal qual se encontram, seja em matéria
de evolução ou seja ante a contabilidade da lei de causa e efeito.
8 – Ninguém é constrangido a pensar dessa ou daquela forma, por força dos princípios
universais que nos governam. Cada consciência, encarnada ou desencarnada, é livre, em
pensamento, para escolher o caminho que lhe aprouver, ainda que esteja, transitoriamente, nos
resultados infelizes de opções que haja feito, no passado, resultados nos quais a criatura pode
amenizar ou agravar a própria situação, na pauta da conduta que adote.
9 – Compreensível que os seres humanos transfiram para a Vida Espiritual, quando lhes
ocorra a desencarnação, os ideais nobilitantes e as paixões deprimentes, os desgostos e as
alegrias, a convicção e a descrença, os valores do entendimento e os desmandos da inteligência,
o conhecimento deficitário e a ânsia de elevação de que se vejam possuídos.
10 – Renascendo na Terra, a personalidade espiritual permanece internada no veículo
físico, cercada de testes que lhe aferem o valor alcançado, com alicerces na assimilação do que
já tenha realizado de melhor, em si mesma; e, desencarnando, essa mesma personalidade
patenteia, claramente, o que é, como está e em que degrau evolutivo se acomoda, irradiando de
si própria o clima espiritual em que se lhe apraz viver e conviver.
11 – No berço terrestre, a pessoa se reassume na família ou no grupo social em que deva
reaprender lições e conclusões do pretérito, com o resgate de débitos que haja contraído, ou em
que possa prosseguir nas tarefas de amor e cooperação às quais livremente se empenha.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
12 – Na desencarnação, essa mesma pessoa retoma a companhia do grupo espiritual
com que se afina, de modo a continuar mentalmente estanque, como deseja, ou de maneira a
colher os resultados felizes no esforço de auto sublimação que haja desenvolvido no Plano
Físico, seja pelo aperfeiçoamento realizado em si mesma ou seja pelas tarefas enobrecedoras
que tenha iniciado, entre os homens, entrando naturalmente no grupo de elevação a que se
promoveu.
13 – Todo Espírito é livre, no pensamento, para melhorar-se, melhorando o campo de
vivência em que esteja, ou para complicar-se, complicando o campo de experiências a que se
vincule.
14 – Nas colônias-cidades ou colônias-parques que gravitam em torno do Plano Físico,
para domicílio transitório das inteligências desencarnadas, é natural que a luta do bem para
extinguir o mal ou o desequilíbrio da mente, continue com as características que lhe
conhecemos na Crosta da Terra.
15 – A morte não opera milagres. O ser humano, além dela, prossegue no trabalho do
auto-burilamento ou estacionário, enquanto não aceite a obrigação de renovar-se e evoluir.
16 – As religiões, a filosofia e a ciência continuam, por necessidade das criaturas
desencarnadas, crendo, estudando e experimentando na sustentação do progresso e do
aprimoramento humano, oferecendo vastos domínios de serviço nobilitando aos seus
intérpretes, cultivadores e expoentes.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
17 – Considerando a densidade das multidões de Espíritos desencarnados, desvalidos
de orientações, vítimas de paixões acalentadas por eles próprios, analfabetos da alma,
desvairados pelos sentimentos possessivos, portadores de enfermidades e conflitos que eles
mesmos atraem e alimentam, Espíritos imaturos e desinformados, de todas as procedências, é
necessário que o lar de afinidades, o templo da fé, a escola e a predicação, a prece e o reconforto,
o diálogo e a instrução, o hospital e a assistência, o socorro e os tratamentos de segregação,
funcionem, nas comunidades do Mais Além, com extremada compreensão de quantos lhes
esposam as tarefas salvadoras.
18 – Para o esclarecimento gradativo dos Espíritos desencarnados, que se revelam
necessitados de apoio e de instrução (e contam-se por milhões), a palavra articulada, falada ou
escrita, irradiada ou televisada, ainda é o processo mais rápido de comunicação, embora a
telepatia e a sublimação contêm, além da morte, com círculos de iniciados, cada vez mais
amplos, em elevados níveis de entendimento.
19 – Justo que a didática, no Mais Além, utilize a lição, o exame, a exposição prática,
os cursos vários de introdução ao conhecimento superior, a disciplina, o apólogo, a fábula, os
exemplos da história e todos os recursos outros, das artes e da literatura, que sirvam de auxílio
aos companheiros necessitados de conhecimento e motivação para o bem deles próprios.
20 – Nos Planos imediatos à experiência física, os felizes estão sempre dispostos ao
trabalho em favor dos infelizes, os mais fortes a benefício dos mais fracos, os bons em socorro
dos desequilibrados e os mais sábios em apoio dos desorientados e ignorantes
21 – Nas comunidades de criaturas desencarnadas, a afinidade é o clima ideal para a
união dos seres, o interesse pela ascensão do espírito aos planos superiores é a marca de todos
aqueles que já despertaram para o respeito a Deus e para o amor ao próximo, o trabalho do bem
é incessante, a religião não tem dogmatismo, a filosofia acata os melhores pensamentos onde
se manifestem, a ciência é humanitária e o esforço pelo próprio aperfeiçoamento íntimo é
impulso infatigável em todas as criaturas de boa vontade.
22 – Além da morte, a vida continua e, com mais clareza, aí se vê a realidade da teologia
simples que rege a evolução, em tudo o que a evolução possua em comum com a Natureza: “A
cada um segundo as suas próprias obras”. (Mt)
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
André Luiz – Cidade no Além – Intróito
Uberaba, 17 de junho de 1983.
(Anotações recebidas pelo médium Francisco Cândido Xavier, em Uberaba, Minas
Gerais).
Na parte final de nossas tarefas da noite de 1º de setembro de 1955, foi nosso benfeitor
André Luiz quem se valeu do horário das instruções para estimular-nos ao estudo com o seu
verbo amigo e sábio.
Com a franqueza e a simplicidade que lhe são peculiares, deixou-nos o precioso
esclarecimento, apresentado linhas abaixo.
Quando alinhamos nossas despretensiosas anotações acerca de “Nosso Lar”,
relacionando a nossa alegria diante da Vida Superior, muitos companheiros inquiriram
espantados:
– “Afinal, o que vem a ser isso? Os desencarnados olvidam assim a paragem de que
procedem?
Se as almas, em se materializando na Terra, chegam do mundo espiritual, por que as
exclamações excessivas de júbilo quando para lá regressam, como se fossem estrangeiros ou
filhos adotivos de nova pátria?”
O assunto, simples embora, exige reflexão.
E é necessário raciocinar dentro dele, não em termos de vida exterior, mas de vida
íntima.
Cada criatura atravessa o portal do túmulo ou transpõe o limiar do berço, levando
consigo a visão conceptual do Universo que lhe é própria.
Almas existem que varam dezenas de reencarnações sem a menor notícia da
Espiritualidade Superior, em cuja claridade permanecem como que hibernadas, na condição
de múmias vivas, já que não dispõem de recursos mentais para o registro de impressões que
não sejam puramente de ordem física.
Assemelham-se, de alguma sorte, aos nossos selvagens, que, trazidos aos grandes
espetáculos da ópera lírica, suspiram contrafeitos pela volta ao batuque.
E muitos de nós, como tantos outros, em seguida a romagens infelizes ou semi-corretas,
tornamos do mundo às esferas espirituais compatíveis com a nossa evolução deficiente, e, além
desses lugares de purgação e reajuste, habitualmente somos conduzidos por nossos Instrutores
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
e Benfeitores para ensaios de sublimação a círculos mais nobres e mais elevados, nos quais nem
sempre nos mantemos com o equilíbrio desejável, já que nós achamos saudosos de contato mais
positivo com as experiências terrestres.
Agimos, então, como alunos inadaptados de Universidade venerável, cuja disciplina nos
desagrada, por guardarmos o pensamento na retaguarda distante, ansiosos de comunhão com o
ambiente doméstico, em razão do espírito gregário que ainda prevalece em nosso modo de ser.
Como é fácil observar, raras Inteligências descem, efetivamente, das esferas divinas
para se reencarnarem na esfera física.
Todos alcançamos as estações do berço e do túmulo, condicionando nossas percepções
do mundo externo aos valores mentais que já estabelecemos para nós mesmos, porque todos
nós ajustamos, bilhões de encarnados e desencarnados, a diferentes faixas vibratórias de
matéria, guardando, embora, o Planeta como nosso centro evolutivo, no trabalho comum.
Desse modo, a mais singela conquista interior corresponde para nossa alma a horizontes
novos, tanto mais amplos e mais belos, quanto mais bela e mais ampla se faça a nossa visão
espiritual.
Construamos, pois, o nosso paraíso por dentro.
Lembremo-nos que os grandes culpados que edificaram o inferno, em que se debatem,
respiram o ambiente da Terra – da Terra que é um santuário do Senhor, evoluindo em pleno
Céu.
Nosso ligeiro apontamento em torno do assunto destina-se, desse modo, igualmente a
reconhecermos, mais uma vez, o acerto e a propriedade da palavra de Nosso Divino Mestre,
quando nos afirmou, convincente: – “O reino de Deus está dentro de nós.”
André Luiz – Vozes do Grande Além – Cap. 12 – Esclarecimento
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Nossa Colônia encontra-se próxima à Terra, sofrendo, conseqüentemente, as mesmas
condições do planeta a que se encontra ligada.
Irmanados ao destino do Brasil, nossos Instrutores trabalham infatigavelmente, há mais
de 250 anos, cooperando com as falanges de Ismael na construção da Pátria do Cruzeiro.
Fundada por abnegado Missionário da Caridade, destinava-se, inicialmente, a socorrer
escravos desencarnados ao peso de provações e expiações amaríssimas. Recolhendo os mais
rebeldes, sedentos de vingança, auxiliava-os com esclarecimentos necessários, reconduzindo-
os ao Orbe para novas e redentoras lutas.
Otília Gonçalves – Além da Morte – Cap. 8 – Hospitalizada
Se o homem soubesse a extensão da vida que o espera além da morte do corpo,
certamente outras normas de conduta escolheria na Terra!
Não me refiro aqui aos materialistas sem fé. Aliás, a maioria dos ateus não passam de
grande assembleia de crianças espirituais, necessitadas de proteção e ensinamento.
Reporto-me, com vigor, aos que adotam uma crença religiosa, usando lábios e paixões,
sem se afeiçoarem, no íntimo, às verdades renovadoras que abraçam.
Nós mesmos, os que nos beneficiamos ao contato dos princípios do Espiritismo Cristão,
principalmente nós que ouvimos a mensagem dos que respiram noutros Planos da vida eterna,
se fôssemos menos palavrosos e mais cumpridores das lições que recebemos e transmitimos,
outras condições nos caracterizariam além do sepulcro, porque a justiça indefectível nos
espreita em toda parte e porque transportamos conosco, para onde formos, as marcas de nossos
defeitos ou virtudes.
Depois da sepultura, sabemos, com exatidão, que o reino do bem ou o domínio do mal
moram dentro de nós mesmos.
(...) Seguíamos sem novidades e, pouco a pouco, adaptava-me a volatear como aluno
que recapitula a prova.
Em torno, a paisagem escurecia sempre, não obstante resplandecerem as estrelas no alto.
Possuía a perfeita noção de viajarmos sobre vasto abismo de trevas. Observava, porém,
admirado que não me sentia em processo de ascensão. A ideia de verticalidade estava longe de
nós, tanto quanto a linha de esfericidade escapa à apreciação do homem que habita o globo da
Terra.
Reparei, receoso, que não distante da estrada que percorríamos, vagarosamente,
apareciam sinais de vida e movimento. Ruídos de vozes desagradáveis alcançavam-nos os
ouvidos, de quando em quando.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Formas monstruosas, de espaço a espaço, surgiam visíveis ao nosso olhar e, pelo que
me era dado perceber, flutuávamos sobre região vulcânica, cujo “solo instável” oferecia
erupções nos mais diversos pontos.
O que me afligia sinceramente era a contemplação de seres de lamentável aspecto, além
das margens.
Não estou autorizado a descrever o que vi nesse particular, mas posso afirmar que as
figuras sinistras da Mitologia ficam a dever à realidade com que eu era surpreendido.
Registrando o temor que se apossara de mim, o Irmão Andrade, em voz baixa, explicou-
me que os Planos habitados pela mente encarnada emitiam, de permeio com as criações dos
Espíritos inferiores desencarnados, formas perturbadas, quando não horripilantes, de vez que a
maioria das criaturas terrestres, na carne ou desenfaixadas do corpo, denunciavam-se, no
íntimo, através de comportamento quase irracional.
Salientou que a Esfera próxima do homem comum, em razão disso, é povoada por
verdadeira aluvião de seres estranhos, caprichosos e muita vez ferozes. Chegou mesmo a
dizer que inúmeros sábios da espiritualidade superior classificam semelhante região de
“império dos dragões do mal”.
Rememorei a leitura de páginas mediúnicas vindas ao meu conhecimento antes da morte
e o companheiro dedicado confirmou-as, declarando que a zona em que viajávamos constituía
realmente o umbral vastíssimo, entre a residência dos irmãos encarnados e os Círculos vizinhos.
Acentuou que o pensamento espalha vibrações em todas as latitudes do Universo e que
as projeções da mente encarnada no planeta terreno não correspondem aos ideais superiores
que inspiram as leis da Humanidade.
Os homens, por fora acrescentou o protetor —, nas experiências da vida social,
aparentam cavalheirismo e nobreza; todavia, por dentro, na expressão real do ser, revelam ainda
qualidades menos dignas, muito próximas da impulsividade dos animais.
Na manifestação livre do espírito prevalece a verdade da alma, não a aparência da forma
passageira, e daí o largo cosmorama de paisagens escuras, torturadas e dolorosas que
rodeia o lar terreno, em cuja substância igualmente sutil operam as entidades perversas, a
modo do lobo que pode beber da mesma fonte em que a ovelha se dessedenta.
Percebi que o benfeitor desejava destacar que, em tais lugares, tanto pode o emissário
do amor exercitar-se na renúncia do bem, como pode o malfeitor das sombras internar-se no
crime e no mal.
Compreendendo, no entanto, que as atenções dele se dividiam entre o carinho para
comigo e a expectativa asfixiante da hora, sofreei o desejo de perguntar.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Irmão Jacob – Frederico Figner – Voltei – Cap. 7 – Incidente em Viagem
Somente de vez em quando sentia que alguém invisível aos seus olhos, o levava para
lugares nunca vistos, onde ele, maravilhado, contemplava novas manifestações de beleza, de
vida, de movimento.
Nunca imaginaria que pudesse haver, no mundo para onde fora jogado após a
morte, algo que não tivesse conhecido na Terra, no meio de todas as conquistas da Ciência, da
civilização.
Paulo compreendera, na erraticidade, que mais se aproximaria daquelas assembleias
siderais, formadas de Espíritos que haviam atingido alto grau de evolução, quanto mais cedo
resgatasse o seu passado criminoso.
E quando, pela mão de seu mentor espiritual, percorria o espaço em todos os sentidos,
admirando a organização desse mundo surpreendente em que fora lançado após a morte do
corpo, mais se lhe avolumava o desejo de, numa existência de privações e sacrifícios, de
renúncia e abnegações, repara todo um passado de erros e descaminhos, por já cansado de sofrer
e delinquir.
Fernando do Ó – Almas que Voltam –– págs. 11 e 16
Ao apreciarmos a matéria, constataremos que só há uma realidade: a energia, que é a
realidade básica de todas as coisas. Quando se condensa, aparece a matéria; quando se dissocia,
volta ao seu estado primitivo.
Há uma explanação científica, apresentada por um físico moderno, que Nos oferece –
aos menos eruditos que reconhecemos ser – uma ideia a esse respeito.
Diz ele: "Consideremos o Universo como se fosse um oceano. De repente, o oceano
levanta uma onda.
A onda é feita pela água do oceano.
O oceano é também a onda, mas essa não é aquele do qual surge, é somente uma
partícula. Em seguida, a onda bate nos penhascos e fragmenta-se em miríades de gotas.
Cada gota, cada bola pequenina é do oceano, mas não é o oceano, embora o oceano seja
constituído de gotas.
Esta gota bate e nela se forma um pequeno orifício; vem o sol e a suga, transformando-
a em vapor d'água.
Esse vapor d'água é do oceano, mas não é o oceano, que se constitui de vapor d'água.
Então, o vapor d'água vai levado pela nuvem e defronta uma frente fria. Ele se condensa. No
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
choque com a atmosfera quente que se ergue da Terra, assume a forma de granizo. Faz-se
milhares de pedras. São do oceano, mas não são o oceano, que tem granizo na sua constituição.
Surge o Sol que derrete o granizo. A pedra volta a ser vapor d'água, gota d'água que o
vento carrega nas suas correntes novamente. Outra frente fria transforma-o em chuva que outra
vez cai no oceano... É do oceano essa água, do oceano é aquela chuva..."
Os seres humanos viemos de um campo de energia pensante, que é Deus.
Esta energia constitui o mundo real, que forma o mundo aparente.
Foi necessário que, a partir de Jesus, passássemos por várias escolas de pensamento,
como a Neoplatônica, de Alexandria; por Newton, Descartes, os pensadores materialistas,
chegando até John Dalton, no século XIX e, conhecendo os grandes pioneiros da libertação
cultural, para que viesse Allan Kardec e colocasse o microscópio da mediunidade sobre a
organização material, a fim de descobrir o Mundo Espiritual, assim como utilizando-nos
do microscópio eletrônico, detectamos os espaços intermoleculares da matéria.
Allan Kardec, na maravilhosa Doutrina Espírita, ressaltou que o mundo Real não é
este, físico e tangível, mas outro, imaterial, energético, do qual este é somente uma projeção,
quase ilusória.
O Budismo, também assevera a mesma coisa há muitos séculos, quando afirma que "este
é o mundo da ilusão, da paixão, do sofrimento", no qual estamos para nos aprimorarmos como
um diamante, que tem de sofrer a lapidação para poder refletir a luz solar. Somos um tipo de
diamante bruto, aguardando ser trabalhado para refletir a Luz Divina, o Mundo Espiritual.
Allan Kardec demonstrou que o Universo é povoado de seres pensantes, inteligentes,
não necessariamente materiais. Mostrou-nos que esse Mundo Espiritual é absolutamente
real, constituído de moléculas, de micropartículas de tal natureza infinitamente pequenas que
se fazem invisíveis, tornando-se um laboratório de ações e reações, do qual nosso plano físico
é uma condensação algo ainda grosseira.
O Mundo Espiritual é, portanto, o mundo causal, de onde viemos, para onde
retornaremos e onde permaneceremos.
Foi através das experiências mediúnicas que Allan Kardec pôde constatar a legitimidade
desse Mundo Espiritual.
Certo dia, perguntei a um Espírito muito querido como poderia explicar Essa
realidade a uma pessoa que tivesse dificuldade em compreender.
Respondeu-me:
– "Fácil, fácil! Leve-a a visitar uma taba de índios. Lá chegando, fale ao indígena sobre
televisão.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Dir-lhe-á que onde você mora existe televisão que, ao ser acionada através de pequeno
botão, apresenta imagens do outro lado da Terra, de diferentes lugares ao mesmo tempo..."
O silvícola irá olhá-la, surpreso, e depois de meditar bastante, respondera:
– "Não consigo entender..." Continuaríamos informando-o:
– "Então, venha cá!"
Cheguemos à margem da lagoa. Façamos movimentos que serão refletidos no espelho
das águas.
– "A televisão é assim!" O autóctone meditará e, após raciocinar, poderá dizer:
– "Agora compreendi!"
Em verdade, a televisão não é assim; mas, para aquele silvícola seria dessa forma.
Ninguém levaria uma lagoa para dentro do quarto para ligar num botão e ver as imagens
imprecisas e repetitivas das águas...
Desse modo, o Mundo Espiritual pode ser definido como nos informam os Espíritos:
"Tudo quanto vocês têm aí, nós temos cá, mas o de que dispomos aqui, vocês não
têm aí".
Na civilização, possuímos tudo o que existe na taba do homem primitivo, mas lá, não se
tem tudo o que existe na civilização. Isto dá uma ideia do Mundo Espiritual, que é o mundo
causal em relação ao Mundo físico.
Divaldo Franco – Biblioteca Virtual Espírita – O Mundo Espiritual
http://bvespirita.com/O%20Mundo%20Espiritual%20(Divaldo%20Pereira%20Franco
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Outra obra espírita que trata com detalhes do assunto (A Vida no Mundo Espiritual) é A
vida além do véu (FEB Editora), transmitida mediunicamente por vários Espíritos ao reverendo
inglês G. Vale Owen, de Oxford.
O livro faz referência à Cidade de Castrel (Castrel é o nome de um Espírito Superior,
dirigente da Colônia), dedicada ao atendimento à infância, encarnada e desencarnada.
Ali, as crianças desencarnadas são orientadas e integradas à nova realidade da vida, até
alcançarem a forma perispiritual adulta, quando então serão encaminhadas a outras localidades
no Plano Espiritual, a fim de prosseguirem nos seus aprendizados.
Uma pálida ideia da Cidade de Castrel, e de outras colônias espirituais semelhantes, é
extraída da obra pelo tradutor Carlos Imbassahy, cuja primeira edição em língua portuguesa
ocorreu em 1920.
A vida não acaba aqui. [...] E lá, mais perto do Criador [...] descansaremos, enfim, de
todos os males por que passamos, de todas as dores que sofremos.
É lá que serão consolados os que choram. Lá os animais não padecem; lá as flores não
murcham; lá os indivíduos não se odeiam. Lá não se injuria, não se humilha, não se maltrata,
não se trai, não se furta. [...] Lá é tudo verdade, tudo sinceridade e tudo amor. Lá é com amor
que amor se paga.
Marta Antunes Moura – Revista Reformador – 2016 – Junho – Para onde vão as crianças
desencarnadas
A vegetação é extremamente interessante e bizarra, em comparação com a da Terra.
Imaginai um craveiro florescendo com suas raízes entrelaçadas na própria atmosfera do
mundo, para fazerdes uma ideia do que estou descrevendo.
Poucas flores são mais ou menos semelhantes às dos vossos jardins e a maioria delas
vos pareceriam extravagantes à primeira contemplação; caracterizam-se, porém, por sua
indescritível e invulgar delicadeza.
Maria João de Deus – Cartas de uma morta Cap. 4 – Na vida da alma livre
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Na moradia de continuidade para a qual se transfere, encontra, pois, o homem as mesmas
leis de gravitação que controlam a Terra, com os dias e as noites marcando a conta do
tempo, embora os rigores das estações estejam suprimidos pelos fatores de ambiente que
asseguram a harmonia da Natureza, estabelecendo clima quase constante e quase uniforme,
como se os equinócios e solstícios entrelaçassem as próprias forças, retificando
automaticamente os excessos de influenciação com que se dividem.
Plantas e animais domesticados pela inteligência humana, durante milênios, podem ser
aí aclimatados e aprimorados, por determinados períodos de existência, ao fim dos quais
regressam aos seus núcleos de origem no solo terrestre, para que avancem na romagem
evolutiva, compensados com valiosas aquisições de acrisolamento, pelas quais auxiliam a flora
e a fauna habituais à Terra, com os benefícios das chamadas mutações espontâneas.
As plantas, pela configuração celular mais simples, atendem, no Plano extrafísico, à
reprodução limitada, aí deixando descendentes que, mais tarde, volvem também à leira do
homem comum, favorecendo, porém, de maneira espontânea, a solução de diferentes problemas
que lhes dizem respeito, sem exigir maior sacrifício dos habitantes em sua conservação.
Ao longo dessas vastíssimas regiões de matéria sutil que circundam o corpo ciclópico
do Planeta, com extensas zonas cavitárias, sob as linhas que lhes demarcam o início de
aproveitamento, qual se observa na crosta da própria Terra, a estender-se da superfície
continental até o leito dos oceanos, começam as povoações felizes e menos felizes, tanto quanto
as aglomerações infernais de criaturas desencarnadas que, por temerem as formações dos
próprios pensamentos, se refugiam nas sombras, receando ou detestando a presença da luz.
André Luiz – Evolução em Dois Mundos – 1ª Parte – Cap. 13 – 13 Alma e fluidos
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
A propósito de casas, paisagens, água, bosques, hospitais, asilos, alimentos, roupas etc.,
existindo no Além talqualmente tudo quanto existe na terra, vejamos como se referem a isso
alguns respeitáveis autores do passado:
• Ernesto Bozzano em A Crise da Morte, 4ª edição:
"P. — A morada de que falas tinha o aspecto de uma casa? R. — Certamente. No mundo
dos Espíritos há a força do pensamento, por meio do qual se podem criar todas as comodidades
desejáveis..." (p. 25).
"... e me achei, não sei como numa espécie de vasta planície... Era indescritível a beleza
da paisagem. Bela também é a paisagem terrena, mas a celeste é muito mais maravilhosa..." (p.
47).
"...os Espíritos que me assistiam me haviam colocado num certo meio, que me parecia
uma sala de hospital, provida de todo o conforto", (p. 64).
"A paisagem era plana e ondulada, muito semelhante, sob certos pontos de vista, às
belezas do meu que rido país natal..." (p. 79).
"Por isso, os Espíritos me conduziram à maravilhosa moradia que eles próprios haviam
criado" (p. 109).
"As habitações são construídas por Espíritos que se especializaram em modelar, pela
força do pensamento, essa matéria espiritual" (p. 133).
• Em Depois da Morte, de Léon Denis, encontramos:
"Há festas espirituais nas moradas etéreas. Radiantes de ofuscadora luz grupam-se em
família os Espíritos puros" (p. 253, 4ª ed.).
• No Limiar do Etéreo, de J. Artur Findlay, 2ª ed. da FEB:
"Crescem árvores e desabrocham flores" (p. 135).
"... disseram-me que comem e bebem exatamente como nós e têm do comer e do beber
as mesmas sensações que nós" (p. 136). "P. — Comeis e saboreais o vosso alimento? R. —
Comemos e bebemos, sim;" (p. 145).
"Temos livros e podemos lê-los."
"Das flores e dos campos aspiramos os aromas, como vós aí." "Tudo é tangível..." (p.
146). "P. — Assemelha-se à nossa a vossa vegetação. R. — De certo modo, mas é muito mais
linda." "Assim também as nossas casas são produtos das nossas mentes.
Pensamos e construímos" (p. 148).
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
• De A Nova Revelação, de Artur Conan Doyle, 2ª ed. da FEB:
"Os seres vivem vestidos, como era de esperar, por quanto nenhuma razão há para que
renunciem à decência sob as novas formas que tomam" (p. 79).
"Vivem em comunidades, como fora de supor, desde que entre os que se assemelham há
atração" (p. 80).
".. .os espíritos, ou dispõem de excelente biblioteca a que se reportam, ou, então,
possuem uma memória que, por assim dizer, os torna oniscientes" (p. 81).
"... que (os Espíritos) usam vestuários e se alimentam" (p. 26).
"Os Espíritos viviam, em famílias e comunidades" (p. 29).
André Luiz nos fala também de cães, gatos, aves, animais em geral, vivendo
normalmente no Além. A informação seria novidade se dela já não tivéssemos tido detalhes
minuciosos, muitos anos antes.
• Do livro No Limiar do Etéreo:
"Os animais, do mesmo modo que os seres humanos, sobrevivem à morte" (p. 137).
"P. — Os cães, gatos e outros animais sobrevivem à morte? R. — Sim, senhor, digo-o
com ênfase: sobrevivem" (pp. 147/148).
• De Rumo às Estrelas: "Existem aqui vários animais." "Gostei de encontrar aqui
cães, e tenho dois gatos que me seguem" (p. 59).
• Em A Reencarnação, Gabriel Delanne narra, nas páginas 107 a 120, diversos
casos de materialização de animais.
Tanto Delanne como Conan Doyle, Richet, Geley, Aksakof, etc., muitos outros autores
nos falam das memoráveis sessões com os médiuns Frank Kluski e Jean Guzik, em Varsóvia,
no correr do ano de 1922, durante as quais se conseguiram materializações duma grande ave de
rapina, dum ser intermediário entre o macaco e o homem, de cães, etc.
Em A Vida Além do Véu, de George Vale Owen, o Espírito comunicante descreve sua
casa como… (…) bem acabada interna e externamente.
Dentro, possui banheiro, um salão de música e aparelhos registradores do nosso
trabalho. É um edifício amplo.
Segundo declarações do Mundo Espiritual, os tamanhos e tipos de imóveis variam de
acordo com a importância do trabalho desempenhado pelos Espíritos que os ocupam e segundo
seus caracteres.
Há, mesmo, verdadeiros palácios com grandes torres, altas abóbadas, grandes cúpulas e
praças públicas ou reservadas.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Os templos destinados às religiões, imitando os gostos terrenos, são, geralmente,
suntuosos, verdadeiras catedrais cujas torres se perdem nas alturas.
Em A Vida nos Mundos Invisíveis, o Espírito Monsenhor Robert Hugh Benson se
dedica a relatar como se processou a sua morte e as subsequentes viagens através de várias
regiões do Mundo Espiritual.
De suas experiências, oferece informações sobre os fascinantes aspectos da vida dos
Espíritos.
Sobre a estrutura das Cidades Espirituais e estruturas das moradias, diz ele:
Ao nos aproximarmos da cidade, foi possível avaliar a sua enorme extensão. Nem
preciso dizer que era totalmente diversa de tudo que jamais víramos. Consistia de grande
número de majestosos edifícios, rodeados de magníficos jardins e árvores, onde brilhavam, aqui
e acolá, espelhos de água, límpida como cristal, refletindo, além das cores já conhecidas na
Terra, outras mil tonalidades jamais vistas.
Comparados com as estruturas terrenas, os edifícios não eram muito altos, mas apenas
extremamente amplos. E impossível descrever de que materiais se compunham, por serem
essencialmente espirituais.
A superfície é lisa como mármore, e tem a delicada consistência e a transparência do
alabastro, ao mesmo tempo que cada prédio emite uma corrente de luz da mesma pálida
tonalidade.
No caso de uma obra complexa e importante como a formação das Colônias Espirituais
Socorristas, informam alguns Espíritos comunicantes que a tarefa é confiada às falanges de
Espíritos que nisso se especializaram.
Luciano dos Anjos – A Vida no Mundo Espiritual
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Portanto a vida nas regiões mais próximas da crosta desenvolve-se de maneira
semelhante em termos de habitação, vestuário, alimentação, sono e repouso, transporte,
linguagem, vida social, animais e plantas.
a. Habitação:
Há semelhança com a que existe na Terra. No plano extra-físico vamos identificar casas,
hospitais, escolas, templos, etc.
Ernesto Bozzano [A Crise da Morte] afirma que a paisagem astral se compõe de duas
séries de objetivações do pensamento. A primeira é permanente e imutável, por ser objetivação
do pensamento e da vontade de entidades espirituais muito elevadas, prepostas os governos das
esferas espirituais.
A outra é, ao contrário, transitória e muito mutável; seria a objetivação do pensamento
de cada entidade desencarnada, criadora do seu próprio meio imediato.
Examinando o pensamento deste autor, podemos aceitar que as construções das colônias
espirituais se enquadram na primeira série, enquanto a paisagem das regiões umbralinas
pertencem a segunda.
b. Vestuário:
A apresentação externa dos Espíritos depende de sua força mental e de seu desejo, pois
eles são capazes de modificarem a sua aparência por um processo denominado ideoplastia.
Nem todos os Espíritos, no entanto, têm condição evolutiva suficiente para plasmarem
suas vestes perispirituais, donde a necessidade de roupas confeccionadas por especialistas na
área. André Luiz [Nosso Lar] mostra departamentos reservados a esta tarefa.
c. Alimentação:
Nem todos os Espíritos são capazes de retirar do Fluido Cósmico Universal a energia
reparadora para as suas células, daí a necessidade dos Espíritos materializados, alimentarem-se
de recursos energéticos mais consistentes. Por esse motivo, observam-se no mundo espiritual
alimentos à base de sucos, sopas e frutas.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
(...)
Eram cerca de dez as entidades então visitadas. Encontravam-se como aprisionadas em
pequeno e miserável compartimento, em promiscuidade chocante.
Haviam sido homens quando encarnados, conservando os seus Espíritos, agora, por isso
mesmo, os característicos masculinos.
Vibratoriamente, encontravam-se muito fracas, como alguém em convalescença de
grave enfermidade, apavoradas, desencorajadas para o recurso da oração, porque ainda ímpios
os seus sentimentos; temerosas de se verem em presença de Deus, porque certas da própria
culpabilidade, atormentadas pelas visões alucinatórias dos crimes praticados.
O solo do compartimento em que se detinham, espécie de quarto ou sala, de mui
pequenas dimensões, com uma janela gradeada à esquerda e urna porta à direita, era tão imundo
quanto eles próprios, igualmente empapado de sangue e humores fétidos, a tal ponto que os
infelizes se horrorizavam de si mesmos, sentindo-se tolhidos, amesquinhados, incapazes de
reagir contra tão miserável estado de coisas.
O terreno acima citado dividia-se em dois por uma cerca, que se nos afigurou construída
em arame farpado.
No trecho à esquerda, para o qual deitava a porta, erguia-se uma cobertura tosca, espécie
de pequeno galpão, muito sólido aos nossos olhos, onde uma mulher de cor negra (Espírito
desencarnado, voluntariamente materializado, em serviços de resgates ou beneficência),
lembrando o tipo das antigas escravas africanas, ao tempo do Império, sorridente e simpática,
deixando entrever certa luminosidade no seu envoltório perispirítico, parecia "cozinhar" para
os "habitantes locais".
Sentimos o aroma apetitoso da comida e espionámos: preparada em grandes tachos
de cobre, como os que se usavam outrora para o fabrico doméstico da goiabada afigurou-se ao
nosso entendimento tratar-se de leguminosas e hortaliças, as quais se nos desenharam à
visão como alfaces, tomates, cenouras, batatas, azeitonas, cebolas, em salada. Esse local
era agradável pela presença da negra, em quem, com efeito, reconhecemos Espírito operante.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Evidente é que, no panorama fluídico dessa cozinha, existia o trabalho mental
realizado pela vontade da entidade espiritual responsável pela vigilância das entidades
sofredoras, a qual teria sido, quando encarnada, alguma escrava ou serviçal encarregada de
cozinhas terrenas.
Pela ação da vontade sobre os fluidos e as matérias essenciais do mundo invisível, ela
teria criado o panorama citado, para a caridosa assistência aos seus pupilos em precário estado
de materialidade, pois é sabido que o Espírito possui liberdade de ação, no Além-Túmulo, para
as tentativas em torno da recuperação dos infelizes desajustados das normas ou leis espirituais.
Bezerra de Meneses – Devassando o Invisível – Cap. 4 – Regiões Inferiores
d. Sono e Repouso:
Quanto mais evoluído o Espírito, menos necessita de repouso, para reparar as suas
energias. Espíritos inferiores dormem à semelhança do homem encarnado.
e. Transporte:
Os Espíritos superiores se locomovem através de um processo denominado volitação,
onde transforma a sua energia latente em energia cinética, deslocando-se no espaço em altas
velocidades. No entanto, Espíritos existem, que ainda não desenvolveram esta faculdade, daí a
necessidade de veículos para transporte nas faixas espirituais mais próximas da Terra.
f. Linguagem:
A linguagem oficial entre os Espíritos é a do pensamento. No entanto, muitas almas
ainda involuídas, não conseguem se comunicar através do pensamento, donde a necessidade de
palavra articulada.
Assim sendo, vamos observar colônias onde se fala o português, o inglês, etc.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
g. Vida Social:
A vida social nas colônias espirituais é intensa e tem como objetivo a preparação dos
Espíritos para o seu retorno a Terra em nova roupagem física. Estudam, trabalham, repousam e
se divertem. Há relatos de casamento, festas e jogos, segundo hábitos e costumes da colônia.
O Maria João de Deus [Cartas de Uma Morta] afirma:
"Os saxões, os latinos, os árabes, os orientais, os africanos, formam aqui grandes
falanges à parte, e em locais diferentes uns dos outros. Nos núcleos de suas atividades
conservam os costumes que os caracterizavam e é profundamente interessante verificar como
essas colônias diferem umas das outras."
Manoel Philomeno de Miranda [Loucura e Obsessão] lembra-nos:
"Católicos, protestantes e outros religiosos após a morte, não se tornam espíritas ou
conhecedores da realidade ultra-tumular; ao revés, dão curso aos seus credos, reunindo-se em
grupos e igrejas afins."
Cabe-nos lembrar que nem todas as cidadelas espirituais têm uma orientação sadia,
voltada para o bem e para o equilíbrio das criaturas. André Luiz [Libertação] diz:
"Incapacitados de prosseguir, além do túmulo, a caminho do Céu que não souberam
conquistar, os filhos do desespero organizam-se em vastas colônias de ódio e miséria moral,
disputando entre si a dominação da Terra."
Mas lembra também o benfeitor que, a Misericórdia Divina não os desampara pois, são
observados e assistidos por entidades luminosas;
h. Animais e Plantas:
o solo do mundo espiritual, à semelhança do solo do planeta é coberto por uma
infinidade de plantas, flores e hortaliças que são cultivadas, com muito esmero, por mãos
bondosas.
Os animais, como regra geral, reencarnam quase imediatamente após a morte, no
entanto, em certas ocasiões, eles podem vir a ser preparados por entidades especializadas para
serem utilizados em tarefas específicas.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Muitas vezes, no entanto, as descrições da paisagem espiritual, quando falam de "formas
animalescas", estão se referindo a Espíritos humanos em processo de deterioração de seus
corpos espirituais (licantropia ou zoantropia), como também de "formas ideoplásticas", fruto
do pensamento e da vontade de entidades viciosas do astral inferior.
Centro Espírita Celeiro de Luz – O Mundo Espiritual
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
3.3 O que encontraremos no Mundo Espiritual
A alma tem consciência de si mesma imediatamente depois de deixar o corpo?
“Imediatamente não é bem o termo. A alma passa algum tempo em estado de
perturbação.”
A perturbação que se segue à separação da alma e do corpo é do mesmo grau e da
mesma duração para todos os Espíritos?
“Não; depende da elevação de cada um. Aquele, que já está purificado, se reconhece
quase imediatamente, pois que se libertou da matéria antes que cessasse a vida do
corpo, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência ainda não está pura, guarda por
muito mais tempo a impressão da matéria.”
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – 2º Parte – Cap. 3 – Item 3 – Perg. 163/164
Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso.
De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento de si mesma.
Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo
sono e procura orientar-se sobre a sua situação.
A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a
influência da matéria que ela acaba de abandonar, e à medida que se dissipa a espécie de névoa
que lhe obscurece os pensamentos.
Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte. Pode ser de
algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos 2º Parte – Cap. 3 – Item 3 – Comentários a
Perg. 165
“Enquanto uns não se podem afastar da esfera onde viveram, outros se elevam e
percorrem o espaço e os mundos; enquanto alguns Espíritos culpados erram nas trevas, os bem-
aventurados gozam de resplendente claridade e do espetáculo sublime do Infinito”.
Allan Kardec – Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. 3 – Item 2 – diferentes
estados da alma na erraticidade
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Na transição da vida corporal para a espiritual, produz-se […] um outro fenômeno de
importância capital — a perturbação.
Nesse instante a alma experimenta um torpor que paralisa momentaneamente as suas
faculdades, neutralizando, ao menos em parte, as sensações.
É como se disséssemos um estado de catalepsia, de modo que a alma quase nunca
testemunha conscientemente o derradeiro suspiro.
Dizemos quase nunca, porque há casos em que a alma pode contemplar conscientemente
o desprendimento
[…]. A perturbação pode, pois, ser considerada o estado normal no instante da morte e
perdurar por tempo indeterminado, variando de algumas horas a alguns anos.
Allan Kardec – O Céu e o Inferno – 2º Parte – Cap. 1 – item 6 – A Transição
Que espera o homem desencarnado, diretamente, nos seus primeiros tempos da vida de
além-túmulo?
— A alma desencarnada procura naturalmente as atividades que lhe eram prediletas nos
círculos da vida material, obedecendo aos laços afins, tal qual se verifica nas sociedades do
vosso mundo.
As vossas cidades não se encontram repletas de associações, de grêmios, de classes
inteiras que se reúnem e se sindicalizam para determinados fins, conjugando idênticos
interesses de vários indivíduos? Aí, não se abraçam os agiotas, os políticos, os comerciantes,
os sacerdotes, objetivando cada grupo a defesa dos seus interesses próprios?
O homem desencarnado procura ansiosamente no Espaço, as aglomerações afins com o
seu pensamento, de modo a continuar o mesmo gênero de vida abandonado na Terra, mas,
tratando-se de criaturas apaixonadas e viciosas, a sua mente reencontrará as obsessões de
materialidade, quais as do dinheiro, do álcool, etc., obsessões que se tornam o seu martírio
moral de cada hora, nas Esferas mais próximas da Terra.
Daí a necessidade de encararmos todas as nossas atividades no mundo como a tarefa de
preparação para a vida espiritual, sendo indispensável à nossa felicidade, além do sepulcro, que
tenhamos um coração sempre puro.
Emmanuel – O Consolador – Perg. 148
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Encontramos, na vida post-mortem, o retrato espiritual de nós mesmos com as
situações que forjamos, a premiar-nos pelo bem que produzam ou a exigir-nos corrigenda pelo
mal que estabeleçam.
E a vida continua, sempre plena de esperança e trabalho, progresso e realização, em
todos os distritos da Vida Cósmica, ajustada às leis de Deus.
Emmanuel – E a Vida Continua – Prefácio
Morrer nem sempre significa libertar-se. A morte é orgânica, mas a libertação é de
natureza espiritual.
Por isso, essa turbação espiritual pode demorar breves minutos, nos Espíritos nobres,
como decorrência da grande cirurgia e até séculos, nos mais embrutecidos, que se não dão conta
do que lhes sucede...
Nas desencarnações violentas, o período e intensidade de desajuste espiritual
correspondem à responsabilidade que envolveu o processo fatal.
Acidentes de que se não têm uma culpa atual, passado o brusco choque, sempre
tornam de menor duração o período perturbador do que ocorrendo em condições de
intemperança moral, quando o descomedido passa a ser incurso na condição de suicida
indireto.
Para uma reencarnação completar-se, desde o primeiro instante quando da fecundação,
transcorrem anos que se alargam pela primeira infância. É natural que a desencarnação
necessite de tempo suficiente para que o Espírito se desimpregne dos fluidos mais
grosseiros, nos quais esteve mergulhado...
A violência da forma como ocorre mata somente os despojos físicos, nunca significando
libertação do ser espiritual.
O mesmo sucede nos casos de homicídio, em que a culpa ou não de quem tomba
responde pelos efeitos, em aflições, que prossegue experimentando.
Já os suicidas, pela gravidade do gesto de rebeldia contra os Divinos Códigos, carpem,
sofrem por anos a fio a desdita, enfrentando, em estado lastimável e complicado, o problema
de que pretendem fugir, não raro experimentando a perseguição de impiedosos adversários que
reencontram no além-túmulo, que os submetem a processos cruciais de lapidação em dores
morais e físicas, em face da destruição do organismo que fora equipado para mais largo período,
na Terra...
Enfermidades de longo curso, suportadas com resignação, liberam da matéria,
porque o Espírito tem tempo de pensar nas lídimas realidades da vida, desapegar-se das pessoas,
51
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
paixões e coisas, pensar com mais propriedade no que o aguarda, depois do corpo,
movimentando o pensamento em círculos superiores de aspirações.
As dores morais bem aceitas facultam aspirações e anseios de paz noutras dimensões,
diluindo as forças constritoras que o atam ao mundo das formas.
Como ninguém que se encontre na investidura carnal passará indene sem despojar-se
dela, muito justo se torna um treinamento correto para enfrentar o instante da morte que
virá.
O Espírito é, no Além, o somatório das suas experiências vividas.
Manoel Philomeno de Miranda – Nas Fronteiras da Loucura – Cap. 10/11 – Morrer e
Libertar-se
Os Espíritos, desatrelados do veículo corpóreo de natureza mais densa, se reúnem, no
Mais Além, atendendo aos princípios de afinidade, em agrupamentos ou coletividades, segundo
as ideias que esposavam na Terra.
Emmanuel – Quando se pretende falar da Vida — Mensagens familiares de Roberto
Muszkat
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Na existência do corpo, começamos ou recomeçamos determinado serviço. Além da
sepultura, continuamos a boa obra encetada ou somos escravos do mal que praticamos na Terra.
Por isto, o estado mental é muito importante nas condições da matéria rarefeita que a criatura
passa a habitar, logo depois de abandonar o carro fisiológico.
Incontáveis pessoas, por deficiência de educação do “eu”, agarram-se aos
remanescentes do corpo, com a obstinação de estulto viajante que, pelo receio do desconhecido
ou pela incapacidade de usar as próprias pernas, pretendesse inutilmente reerguer na estrada a
cavalgadura morta.
Mas o número de almas perturbadas de outro modo é infinitamente maior. Não se
apegam ao cadáver putrefato, mas demoram na paisagem doméstica, onde se desvencilharam
das células enfermas, conservando ilusões ou sofrimentos intraduzíveis.
Muitos que se abandonaram à moléstia, fortalecendo-a e acariciando-a, mais por fugir
aos deveres que a vida lhes reserva do que por devoção e fidelidade aos Desígnios Divinos,
fixam longamente sintomas e defeitos, desequilíbrios ou chagas na matéria sensível e plástica
do organismo espiritual, experimentando sérias dificuldades para extirpá-los.
Almas desse naipe, desalentadas e oprimidas, podem ser enumeradas aos milhares, em
qualquer região dos Círculos sutis que marginam a zona de trabalho, em que se delimita a ação
dos homens encarnados.
Quando possível, são internadas em grandes e complexas organizações hospitalares,
quase que justapostas ao Plano terrestre comum; entretanto, é preciso reconhecer que milhares
delas se mantém dentro de linhas mentais infra-humanas, rebeldes a qualquer processo de
renovação.
Muitas permanecem, em profundo desânimo, nos recintos domésticos em que
transitaram por alguns anos consecutivos, detendo-se nos hábitos arraigados da casa e inalando
substâncias vivas do ambiente que lhes é familiar, sem coragem de ir adiante.
Quando mostrem sinais de transformação benéfica, são, de imediato, aceitas em
instituições educativas nas adjacências da Terra, patenteando melhoria nas manifestações
exteriores, à medida que se renovam por dentro, no que condiga com o sentimento, a atitude e
a boa vontade no apreender os ensinos recebidos, nas tarefas de autoaperfeiçoamento.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Custam a modificar conceitos e opiniões, mantendo-se como que paralíticas do
entendimento, de vez que, estancando as energias da imaginação nos quadros terrenos, dos
quais, entretanto, já se desligaram, são verdadeiros dementes para a vida espiritual, como seriam
loucos para o mundo os homens que reencarnassem com a memória integralmente presa aos
acontecimentos, às pessoas e às coisas do pretérito.
Tais Espíritos perambulam entre as criaturas encarnadas quais se fossem sonâmbulos,
vivendo pesadelos e sonhos como sendo realidades absolutas, porquanto a onda mental que lhes
verte das preocupações se expressa em movimento de recuo, em busca do passado a que se
imantam e no qual focalizam a consciência.
(...)
Volumosa percentagem dos milhares de pessoas que desencarnam, hora a hora, no
Planeta, permanece, por vezes, muitos anos consecutivos, ao lado de parentes na
consanguinidade, porque é na experiência do lar que deixamos maior número de obrigações
não cumpridas.
No microcosmo da família, em muitas ocasiões, temos representantes significativos de
nossos adversários do pretérito. Almas vigorosas na incompreensão, na dureza, na ingratidão e
na hostilidade passiva, aí se encontram ombreando conosco, na lide cotidiana, disfarçados nos
apelidos mais doces, no que concerne ao carinho.
Incontáveis individualidades discordes podem estar sob compromissos conjugais ou
com os títulos de pais e mães, filhos ou irmãos. Ah! se soubéssemos, enquanto na existência
precária de matéria densa, o valor da rendição generosa e edificante com auxílio espontâneo de
nossa parte aos inimigos do passado, certo aproveitaríamos todas as oportunidades para exercer
o entendimento fraterno que o Mestre nos recomendou.
É no seio da organização doméstica que somos tentados à disputa mais longa, ao ciúme
mais entranhado, à rebeldia mais impermeável e às aversões mais fundas.
Fácil será sempre desculpar as ofensas do mundo vasto, esquecer a maledicência dos
que nos não conhecem e perdoar as pedras do torvelinho social. Mas, em casa, na comunhão
com aqueles cuja vida partilhamos na sucessão dos dias numerosos, a ciência do amor espiritual
é muito difícil de aprender.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Em razão disto, depois da morte, percebendo a importância de nossa harmonização em
pensamento com certas criaturas de nosso séquito familiar, voluntariamente nos consagramos
a retificar atitudes errôneas, adotadas no curso de nossas tarefas interrompidas no túmulo,
auxiliando aqueles por quem nutríamos animadversão declarada, para que não arremessem
sobre nós os raios da malquerença destrutiva.
A sementeira de simpatia é impositivo precípuo, a que nossa paz se condiciona. Todos
os deveres cumpridos no seio doméstico significam ingresso no apostolado pela redenção
humana.
Os raros homens e mulheres que se ausentam do mundo, conservando uma consciência
tranquila para com os parentes e afeiçoados, penetram, de imediato, em missões mais amplas
no auxílio à Humanidade.
Abel Gomes – Falando à Terra – Cap. 11 – Notícias
O recém-desencarnado
Está no próprio desejo,
Fitando, por atacado,
O que fazia a varejo.
Leandro Gomes de Barros – Tão fácil - Cap. 16 – Estudos ante a hora da morte
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
A Terra é precioso domicílio da Lei do Senhor onde cada criatura edifica o plano em
que passa a viver.
O usurário sofre na furna da miséria.
O delinquente suporta o desvão do remorso.
O insensato grita no inferno da loucura.
O preguiçoso chora no sótão da necessidade.
O intolerante reside no serpentário da aversão.
O egoísta detém-se no cárcere das trevas.
O rico displicente carrega a cruz da responsabilidade.
O pobre inconformado respira no purgatório da angústia.
O simples de coração cresce no templo da paz.
O semeador do progresso vive ao sol da prosperidade.
O servidor fiel repousa na consciência tranquila.
O amigo do estudo mora no lar do conhecimento.
Repara onde resides.
Cada Espírito respira na faixa de claridade ou sombra, de dor ou alegria a que se acolhe
através da atitude que assume perante a vida.
Não te percas na contemplação prematura das paisagens Celestiais, sem haver pago à
Terra o tributo de serviço que lhe devemos.
Faze de tua existência um campo educado no bem para a colheita do amor e a própria
casa terrestre em que estagias se transformará para os teus pés em sublime degrau de acesso às
moradas abençoadas da Luz.
Emmanuel – Moradias de Luz – Cap. 1 – Repara onde moras – Prefácio
No Além, para que te livres
De qualquer toque das trevas,
Põe teu nome por extenso
Sobre a bagagem que levas.
Cornélio Pires – Degraus da Vida — Cap. 13 – Fórmula da paz
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Muitas vezes perguntas, na Terra, para onde seguirás, quando a morte venha a surgir…
Anseias, decerto, a ilha do repouso ou o lar da união com aqueles que mais amas…
Sonhas o acesso à felicidade, à maneira da criança que suspira pelo colo materno…
Isso, porém, é fácil de conhecer.
(...)
Se desejas saber quem és, observa o que pensas, quando estás sem ninguém; e se queres
conhecer o lugar que te espera, depois da morte, examina o que fazes contigo mesmo nas horas
livres.
Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 34 – Lugar depois da morte
...Cada qual de nós é um mundo por si e, em razão disso, cada individualidade, após
largar o carro físico, encontrará emoções, lugares, pessoas, afinidades e oportunidades,
conforme desempenhou o ofício, ou melhor, os deveres que lhe competiam na existência, na
Terra.
André Luiz – E a Vida Continua – Cap. 8 – Encontro de Cultura
Muitos se transferiram diretamente da vida física para a região nebulosa sob nossa vista,
e outros muitos habitaram, logo após a desencarnação, cidades de recuperação e adestramento,
semelhantes à nossa; entretanto, à medida que se evidenciavam, tais quais ainda são na
realidade, absolutamente sem quaisquer simulacros dos muitos de que se valiam na estância
terrestre para encobrirem o eu verdadeiro, rebelaram-se contra a luz do Mundo Espiritual
que nos expõe à mostra a natureza autêntica, uns diante dos outros, e fugiram de nossas
coletividades, asilando-se no vale de sombras geradas por eles mesmos.
Aí, na penumbra criada pela força mental que lhes é própria, com o objetivo de se
esconderem, dão pasto, em maior ou menor grau, às manifestações de paranóia a que todos se
afeiçoam, entregando-se igualmente, em muitos casos, a lastimáveis paixões que procuram
debalde saciar, até as raias da loucura.
André Luiz – E a Vida Continua – Cap. 13 – Tarefas Novas
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
3.4 O que levaremos para o Mundo Espiritual
O homem não possui de seu senão o que pode levar deste mundo.
O que encontra ao chegar, e o que deixa ao partir, goza durante sua permanência na
Terra; mas, uma vez que é forçado a abandoná-lo, dele não tem senão o gozo e não a posse real.
Que possui ele pois?
Nada daquilo que é para uso do corpo, tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os
conhecimentos, as qualidades morais; eis o que traz e o que leva, o que não está no poder de
ninguém lhe tirar, o que lhe servirá mais ainda no outro mundo do que neste; dele depende ser
mais rico em sua partida do que em sua chegada, porque daquilo que tiver adquirido em bem
depende sua posição futura
Blaise Pascal – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 16 – Item 9 – A
Verdadeira Propriedade
A virtude e o defeito, o impulso animal, o equilíbrio e a desarmonia, o esforço de
elevação e a probabilidade da queda perseveram aqui, após o trânsito do sepulcro, compelindo-
nos à serenidade e à prudência.
Não nos encontramos senão em outro campo de matéria variada, noutros domínios
vibratórios do próprio Planeta em cuja Crosta tivemos experiências quase inumeráveis.
André Luiz – Obreiros da Vida Eterna –– Cap. 1 – Convite ao Bem
Vive, portanto, como se estivesses a cada momento preparando-te para renascer além e
após o túmulo.
A vida que se “leva” é a Vida que cada um aqui leva enquanto na indumentária carnal.
Joanna de Angelis – Estudos Espíritas – Cap. 7 – Morrer
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Todos receberemos, nas Leis da Vida, o que fizermos, pelo que fizermos, quando
fizermos e como fizermos.
De conformidade com os Preceitos Divinos, podemos viver e conviver uns com os
outros, consoante os padrões de escolha e afetividade que elejamos; entretanto, em qualquer
plano de consciência, do mais inferior ao mais sublime, o prejuízo ao próximo, a ofensa aos
outros, a criminalidade e a ingratidão colhem dolorosos e inevitáveis reajustes, na pauta dos
princípios de causa e efeito que impõem amargas penas aos infratores.
André Luiz – E a Vida Continua –– Cap. 13 – Tarefas Novas
Qual ocorreu a nós outros, os que habitamos atualmente o Plano Espiritual desde longas
décadas, trouxestes para cá o que
Efetuastes de vós mesmos...
Aprendestes o que estudastes,
Mostrais o que fizestes,
Entesourais o que distribuístes!...
André Luiz – E a Vida Continua – Cap. 12 – Julgamento e Amor
O que temos nós deixamos.
O que somos nós levamos.
Divaldo Franco
Quando parti para o Além
Explico em poucos instantes
A bagagem do que fiz
Havia chegado antes.
Minha mala foi aberta
Sem fiscal e sem feitor;
Por dentro era a papelada
De trabalho, paz e humor.
Cornélio Pires – Paz e Amor – Cap. 18 – Viagem
A morte é a grande colecionadora que recolherá as folhas esparsas de tua biografia,
gravada por ti mesmo, nas vidas que te rodeiam.
59
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Não desprezes, assim, a companhia da indulgência, através da senda que o Senhor te
deu a trilhar.
Em cada resposta aos outros, em cada gesto para com os semelhantes, em cada gesto
para com os semelhantes, em cada manifestação dos teus pontos de vista e em cada
demonstração de tua alma, grafas com tinta perene, a história de tua passagem
Faze uma área de amor ao redor do próprio coração, porque só o amor é suficientemente
forte e sábio para orientar-te a escritura individual, convertendo em compendio de auxílio e
esperança para quantos te seguem os passos, VIVE, pois com Jesus, na intimidade do coração,
não te afastes d’Ele em tuas ações de cada dia e o livro de tua vida converter-se-á num poema
de felicidade e num tesouro de bênçãos.
Emmanuel – Mãos Unidas – Cap. 1 – Teu Livro
A morte a ninguém propiciará passaporte gratuito para a ventura celeste. Nunca
promoverá compulsoriamente homens a anjos.
Cada criatura transporá essa aduana da eternidade com a exclusiva bagagem do que
houver semeado e aprenderá que a ordem e a hierarquia, a paz do trabalho edificante, são
característicos imutáveis da Lei, em toda parte.
Emmanuel – Obreiros da Vida Eterna – Introdução
A Divina Providência não pergunta o que fostes -- disse o ministro --, porque nos
conhece a cada um em qualquer tempo... Entretanto, é justo investigue sobre o que fizestes dos
tesouros do tempo, concedido a nós todos em parcelas iguais... Não vos iludais!...-- prosseguiu
o orador. -- Qual ocorreu a nós outros, os que habitamos atualmente o Plano Espiritual desde
longas décadas, trouxestes para cá o que efetuastes de vós mesmos... Aprendestes o que
estudastes, mostrais o que fizestes, entesourais o que distribuístes!...
André Luiz – E a Vida Continua – Cap. 12 – Julgamento e Amor
60
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Deus quer que todos os seus filhos tenham a própria individualidade, creiam nele como
possam, conservem as inclinações e gostos mais consentâneos com o seu modo de ser,
trabalhem como e quanto desejem e habitem onde quiserem. Somente exige -- e exige com rigor
-- que a justiça seja cumprida e respeitada, acentuou Cláudio. "A cada um será dado segundo
as suas obras."
Todos receberemos, nas Leis da Vida, o que fizermos, pelo que fizermos, quanto
fizermos e como fizermos.
André Luiz – E a Vida Continua – Cap. 13 – Tarefas Novas
Aceite a realidade, meu amigo. Todas as suas propriedades no campo físico, mediante
a desencarnação, passaram ao domínio de outras vontades e ao controle de outras mãos. A vida
reclama o que nos empresta, dando-nos em troca, seja onde seja, o que fazemos dela, junto
dos outros...
André Luiz – E a Vida Continua – Cap. 22 – Bases de Novo Porvir
Toda construção nobre há que ser dirigida. Primeiro, o projeto; em seguida, a execução...
No plano físico, idealiza-se a continuação da vida, no mundo espiritual... No mundo espiritual,
idealiza-se a correção, o reajuste, a melhoria e o polimento dessa mesma vida, no plano
físico.
Somos viajores do berço para o túmulo e do túmulo para o berço, renascendo na
Terra e na Espiritualidade, tantas vezes quantas se fizerem precisas, aprendendo, renovando,
retificando e progredindo sempre, conforme as Leis do Universo, até alcançarmos a Perfeição,
nosso destino comum...
André Luiz/Ribas – E a Vida Continua – Cap. 26 – E a Vida Continua...
Recebemos no Além o que realmente criamos para nós mesmos, em contato com as
criaturas.
Romeu Camargo – Falando à Terra – Cap. 14 – De Retorno
Aviso claro e prudente, o melhor que tenho aqui: Depois da morte é que a gente
conhece o que fez de si.
José Soares de Gouveia – Depois da Vida – Introdução
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4. O Despertar da Consciência no Além Túmulo – Forma de Viver - Depoimentos
4.1 Um Depressivo
Eu sei que já se rompeu o fio que me sustentava o corpo material. Mas, vitimado
por esta depressão que trago da carne, sou um pária entre as sombras, sem receber a
comiseração de ninguém...
Compreendo e percebo que este sofrimento não se vai acabar nunca, porquanto eu tenho
consciência do que se passa comigo.
Todas as vozes que me alcançam, dizem-me que reaja, e que reaja.
Acusam-me de suicídio indireto, porque eu não lutei para sair deste processo.
Será que não me adveio a morte e eu estou na minha casa, no mesmo lugar de sempre,
com a janela fechada porque a luz me faz um grande mal?
Afirmaram-me que morri e precisava sair desta situação, para poder reencontrar-
me comigo mesmo.
Passaram-se já vários anos, foi o que me afirmaram, entretanto, para mim não se passou
um dia, que é uma noite continua, num esvaecimento que me fez cair sem me chocar com o
fundo do abismo...
Sinto dores, sinto náuseas, a cabeça é-me uma fornalha e eu não tenho mais forças.
Suicida indireto que sou, submeto-me a morrer e nego-me a viver.
Gerson Almeida – Depois da Vida – Cap. 1
62
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.2 Um Materialista
Não sei se sou um morto-vivo ou se me encontro vivo-morto.
Não sei se sonho ou se penso.
Tento erguer o corpo, e são despojos apavorantes, desgastados na cova sombria onde
me aturdo.
Não ouço um ruído. Falo, grito, impreco, e nenhum som rompe o silencio cruel em que
me aflijo. Calo, e o hórrido marasmo silencioso são vozes que me acusam sem palavras,
fazendo-me com palavras reagir, sem espantar os espectros que vejo, que me agridem, mas não
me temem, espectro que pareço ser ou que me tornei.
Na lapide, eu vejo o meu nome, a data do meu nascimento e da minha morte e a torpe
inscrição: “Descansa em Paz!”.
Creio no Nada, porém esse Nada vibra, sem que me aniquile na desintegração das
moléculas que teimam em manter-me a personalidade e a individualidade visíveis...
Tangível, sinto-me, agito-me, e não tenho corpo.
Dilui-se a matéria, não a Vida.
Ajudai-me!
Morto, vivo como senão houvesse morrido...
Vivo, estou pior do que morto, pois ninguém me vê, ninguém me ouve, nem eu a
ninguém...
É noite fora, demorada, todavia, é noite dentro de mim.
J. – Depois da Vida – Parte II - Cap. 2
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.3 Um Viciado em Sexo
Sofro muito. Fui e sou vítima do sexo, apologista do amor livre assim como da
insensatez.
Não há como descrever o que me martiriza, o que me exaure.
Usei até a exaustão a mente e o corpo na concupiscência devastadora. Vivi como servo
de apetites, os mais vis, que me entenebreceram e prosseguem escravizando-me.
Não sei como se deu a minha morte. Acordei, no meio de sombras densas, respirando
com infinita dificuldade, vilipendiado e achincalhado por um auditório da mais baixa categoria.
Dei-me conta que enlouqueceria, e, no entanto, aquilo era apenas o começo da minha nova
jornada.
Homem vaidoso, zeloso da aparência, consciente do magnetismo e da atração que
possuía, senti-me putrefato, com os trajos orgânicos decompostos, cabelos alongados e barba
abundante, sujos, e nauseante, pegajoso, pela decomposição cadavérica, e, sobretudo,
animalizado pela insídia de perseguidores implacáveis, que, só mais tarde vim a saber, se
utilizavam de mim para o ímpio jogo da sensualidade...
Ninguém pode supor o que seja a ardência de uma volúpia devastadora, sem termo e
sem lenimento.
Simultaneamente as indagações das pessoas a quem impedi de ser felizes, as de quem
abusei, as lágrimas que derramavam, pareciam-me gotas de aço derretido que me alcançavam
em forma de remorso incessante, a queimar-me por dentro.
Ando mergulhado num oxigênio denso e desagradável, pestilento e comburente. Ébrio,
depauperado, miserável, acoimado pelo arrependimento, perseguido pelos antigos usurpadores
das minhas forças e atraído pelas viciações que ainda me jugulam ao corpo já desaparecido,
tentei muitas vezes erguer na sepultura a forma cadaverizada e podre, segurando as carnes a se
desfazerem, levantando a ossatura, a fim de evadir-me do cemitério, inutilmente. Busquei
socorro, gritei, chamei por todos, exorei compaixão e a minha voz não ecoava: só o remorso de
tudo que fiz me alucinava sem cessar.
Não posso continuar.
Que Deus se amerceie dos que enlouqueceram e fazem enlouquecer pelo sexo!
Evaristo Nepomuceno – Depoimentos Vivos – Cap. 2
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.4 Um Crente Fanático
Durmo o sono dos justos.
Travou-se a ultima batalha do Armagedon e agora os redimidos ganharão a Terra.
Logo soarão as trombetas chamando à ressureição, e o anjo do Senhor, separando os
bodes das ovelhas, elegera os seus, e aborrecido com os outros os entregara a Satanás.
O sangue do Cordeiro que “lava os pecados do mundo” redimiu-me porque eu cri. Creio
no poder do seu sangue. A sua fé vive em mim, dando-me a certeza de que o reino dos Céus é
meu.
O tempo se alonga, a ansiedade inquieta o meu repouso, mas, aguardo apenas que logo
passem os últimos momentos do Armagedon, e que a trombeta libertadora levante os cadáveres
que dormem para a gloria do reino do Senhor.
Que digo eu? Sonho, eu sonho, e parece que estou desperto. Teria sido para mim a morte
um sonho ou será um sonho a vida?
Este dormir é um sonhar. Este sonhar que é dormir, é o prenuncio da vida eterna.
É grande a hora do Armagedon. Aleluia.
Eu dormirei. Eu aguardarei o Arcanjo do Senhor que me vira buscar. Aleluia!
A Terra vomitara os corpos e eu serei feliz. Aleluia! Os que ficaram no mundo de lodo
e de Adão, nas mãos de Caim, irão para as geenas. Eu não! Dormirei para despertar no Juízo
Final. Aleluia!
C. – Depois da Vida – Cap. 7
65
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.5 Um Alcoólatra
Necessito de um trago! Eu me recuso o nome de alcoólatra. Tomo somente aperitivos
de fim de semana: sábado e domingo e nada mais...
É claro que, durante a semana, eu tomo um pouco de estimulo aqui, uma dose ligeira
ali, um coquetel a tarde, antes do jantar, mas não sou alcoólatra...
Eu não espanco a esposa nem maltrato meus filhos. O que falam a este respeito é
mentira...
Necessito de uma dose urgente, porque estou a ponto de enlouquecer.
Ando também todo quebrado.
Foi o acidente. Eu não vi direito o que ia acontecer. O baque foi surdo. O caminhão
passou por cima de mim, esmigalhando-me os ossos. Depois, foi aquele escuro, e a dor
selvagem.
Após, caí num túnel profundo. Não sei!
É tão sombrio tudo isso; é muito sombrio aqui.
Necessito de acalmar esta sede que me devora, que arde em mim.
Lá vem o caminhão! Salve-me alguém.
La vem o caminhão outra vez. Isto é um delírio, certamente...
L. – Depois da Vida – Cap. 6
Alcoólatra!
Que outra palavra existirá na Terra, encerrando consigo tantas potencialidades para o
crime?
O alcoólatra não é somente o destruidor de si mesmo. É o perigoso instrumento das
trevas, ponte viva para as forças arrasadoras da lama abismal.
(...)
Hoje, farrapo de alma que foi homem, reconheço que, ontem, a minha tragédia começou
assim…
Um aperitivo inocente…
Uma hora de recreio…
(...)
E eu me embriagava, sequioso de olvidar a mim mesmo, até que o delírio agudo me
sitiou num catre de amargura e indigência.
66
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
A febre, a enfermidade e a loucura consumiram-me a carne, mas não percebi a visitação
da morte, porque fui atraído, de roldão, para a turba de delinquentes a que antes me afeiçoara.
Sofri-lhes a pressão, assimilei-lhes os desvarios e, com eles, procurei novamente
embebedar-me.
A taverna era o meu mundo, com a demência irresponsável por meu modo de ser…
Ai de mim, contudo! Chegou o instante em que não mais pude engodar minha sede!…
A insatisfação arrasava-me por dentro, sem que meus lábios conseguissem tocar, de
leve, numa gota do líquido tentador.
Deplorando a inexplicável inibição que me agravava os padecimentos, afastei-me dos
companheiros para ocultar a desdita de que me via objeto.
Caminhei sem destino, angustiado e semilouco, até que me vi prostrado num leito
espinhoso de terra seca…
Sede implacável dominava-me totalmente…
Clamei por socorro em vão, invejando os vermes do subsolo.
Palavra alguma conseguiria relatar a aflição com que implorei do Céu uma gota d’água
que sustasse a alucinação de minhas células gustativas…
Meu suplício ultrapassava toda humana expressão…
Não passava de uma fogueira circunscrita a mim mesmo.
Começaram, então, para mim, as miragens expiatórias.
Via-me em noite fresca e tranquila, procurando o orvalho que caía do céu para
dessedentar-me, enfim, mas, buscando as bagas do celeste elixir, elas não eram, aos meus olhos,
senão lágrimas de minha mãe, cuja voz me atingia, pranteando em desconsolo:
— Não me batas, meu filho! Não me batas, meu filho!…
Devolvido à flagelação, via-me sob a chuva renovadora, mas, tentando sorver-lhe o
jorro, nele reconhecia o pranto de meu pai, cujas palavras derradeiras me impunham desalento
e vergonha:
— Filho meu, por que me arruinaste assim?
Arrojava-me ao chão, mergulhando meu ser na corrente poluída que o temporal
engrossava sempre, na esperança de aliviar a sede terrível, mas, na própria lama do enxurro,
encontrava somente as lágrimas de minha esposa, de mistura com recriminações dolorosas,
fustigando-me a consciência:
— Por que me atiraste ao lodo? e por que me mataste, bandido?
De novo regressava ao deserto que me acolhia, para logo após me entregar à visão de
fontes cristalinas…
67
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Enlouquecido de sede, colava a boca ao manancial, que se convertia em taça de fel
candente, da qual transbordavam as lágrimas de meu filho, a bradar-me, em desespero:
— Meu pai, meu pai, que fizeste de mim?
Em toda parte, não surpreendia senão lágrimas…
Arrastei-me pelos medonhos caminhos de minha peregrinação dolorosa, como um
Espírito amaldiçoado que o vício metamorfoseara em peçonhento réptil…
Suspirava por água que me aliviasse o tormento, mas só encontrava pranto…
Pranto de meu pai, de minha mãe, de minha esposa e de meu filho a perseguir-me,
implacável…
Alma acicatada por remorsos intraduzíveis, amarguei provações espantosas, até que
mãos fraternas me trouxeram à bênção da oração…
Piedosos enfermeiros da Vida Espiritual e mensageiros da Bondade Divina, pelos
talentos da prece, aplacaram-me a sede, ofertando-me água pura…
Atenuou-se-me o estranho martírio, embora a consciência me acuse…
Ainda assim, amparado por aqueles que vos inspiram, ofereço-vos o triste exemplo de
meu caso particular para escarmento daqueles que começam de copinho a copinho, no aperitivo
inocente, na hora de recreio ou na noite festiva, descendo desprevenidos para o desequilíbrio e
para a morte…
E, em vos falando, com o meu sofrimento transformado em palavras, rogo-vos a esmola
dos pensamentos amigos para que eu regresse a mim mesmo, na escabrosa jornada da própria
restauração.
Joaquim Dias – Vozes do Grande Além – Cap. 30 - Alcoólatra
68
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.6 Um Juiz Venal
Na noite de 26 de abril de 1956, foi trazido à comunicação o Espírito Raimundo
Teixeira, que sofreu aflitiva prova na alienação mental.
Os apontamentos do visitante, que foram alinhados sob a legenda “loucura e resgate”,
valem igualmente, a nosso ver, por precioso estudo no tema “reencarnação e justiça”.
Conduzido ao recinto por devotados Instrutores Espirituais, recomendam eles algo vos
diga de minhas provas.
Entretanto, minhas dificuldades são quase insuperáveis para relacionar com a palavra
os tremendos episódios de minha terrível experiência.
Sou uma alma pobre que ainda convalesce de aflitiva loucura no campo físico.
Não creio que o verbo articulado possa exprimir com segurança tudo aquilo que
expresse meus estados emocionais.
Ainda assim, posso garantir-vos que tenho atravessado inimagináveis suplícios.
Por mais de vinte anos, fui vítima de flagelações e tormentos que culminaram em transes
de pavoroso desespero, não pelas dores de origem material que me dilaceravam o corpo, mas
sim porque, na condição de alienado mental, guardava, no fundo de meu ser, a consciência de
todos os meus atos, embora não pudesse governar meus infelizes impulsos.
Perambulei no mundo à maneira de alguém que se visse sob o guante invencível de
Inteligências perversas, como pode acontecer a um homem irremediavelmente prisioneiro de
malfeitores, em sua própria moradia.
Por mais orasse, por mais anelasse o bem e por mais quisesse comandar a própria
existência, os terríveis carcereiros das minhas atividades mentais compeliam-me a atitudes
deploráveis que, de início, me angariaram o desafeto dos familiares mais queridos ao coração.
Era constrangido a práticas ignominiosas, impelido a pronunciar palavras que me
afastavam toda e qualquer simpatia e a perpetrar atos que provocavam, em torno de mim,
repugnância e temor.
E, por essa razão, relegado à atmosfera deprimente dos loucos, nela padeci não apenas
os mais dolorosos processos de tratamento médico, como sejam, a insulinoterapia, a
malarioterapia e o eletrochoque, mas também os bofetões de enfermeiros desapiedados e o poste
de martírio, a camisa de força e a solidão.
Isso tudo sofri com a tácita aprovação de minha consciência, pois no íntimo me
reconhecia culpado.
69
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Colocava-me na situação de quantos me assistiam caridosamente e concluía que, na
posição deles, infligiria a mim mesmo os mais duros castigos, de vez que os ocupantes de meu
campo mental me impeliam à delinqüência e ao desrespeito, ao insulto e à viciação.
Chorei tanto, que acredito haverem as lágrimas aniquilado os meus olhos encadeados a
medonhas alucinações.
Amarguei tanto a vida que o sofrimento por fim me venceu diante das testemunhas
implacáveis de minha dor – testemunhas que me acusavam sem que ninguém as ouvisse, que
me espancavam sem que ninguém lhes presenciasse os assaltos, que me acompanhavam dia e
noite sem que ninguém lhes pressentisse a presença.
E tamanho foi o meu infortúnio que, em me libertando do cárcere da prova, desarvorado
e desiludido, pedi à Providência Divina, através de mil modos, que uma explicação me aliviasse
o torturado raciocínio, porquanto, ainda mesmo fora do corpo carnal, a malta de perseguidores
continuava assacando contra mim gritos soezes, tentando escravizar-me de novo a mente
desditosa...
Foi, então, que, ao socorro de Instrutores Amigos, me vi em surpreendente retorno à
condição em que me achava antes da internação na carne para a terrível provação da loucura...
Identifiquei-me em pleno espaço, desolado e errante, cercado por centenas de verdugos
que me buscavam o Espírito, impondo-me à visão tremendos quadros – quadros esses que,
pouco a pouco, me reconduziram ao posto que eu deixara anteriormente, através da morte...
Sim, eu havia sido um juiz que abusara da dignidade do meu cargo.
Vi-me envergando a toga do magistrado, que me competia preservar impoluta,
desfrutando invejável eminência social na Terra, mas enceguecido pelos interesses do grupo
político a que me filiara, com desvairada paixão.
Torcia o direito para quase todos aqueles que me buscavam, tangidos pelas
circunstâncias, conspurcando o tribunal que me respeitava, transformando-o em ominoso
instrumento de crime e revolta, perversidade e miséria, desânimo e desespero, porque as minhas
sentenças forjavam todos esses males.
Mas não consegui ludibriar a verdadeira justiça.
Deixando o veículo físico, as minhas vítimas se converteram em meus juízes e todas
aquelas que me não podiam perdoar seguiram-me os passos na esfera espiritual, tecendo-me a
cadeia de tormentos inomináveis, a explodirem no pavoroso desequilíbrio com que ressurgi
entre as criaturas humanas, na existência última.
Atravessei uma infância atormentada...
Para os médicos, eu não passava de pobre exemplar da esquizofrenia.
70
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Alcancei a juventude tumultuária e triste dos que não possuem qualquer estabilidade de
raciocínio para a fixação dos bons propósitos, e, tão logo atingi a maioridade, meus implacáveis
acusadores senhorearam-me a estrada, conturbando-me a vida, e, desse modo, como alienado
mental fui submetido ao julgamento de todos eles, experimentando, por mais de quatro lustros,
flagelações e torturas que não posso desejar aos próprios Espíritos satanizados nas trevas.
Sou, assim, um doente desventurado procurando restaurar a si mesmo, depois de terrível
inferno no coração.
Não acredito que a minha palavra possa trazer qualquer apontamento que induza ao
consolo.
Entretanto, o juiz louco que fui, o juiz que impôs a si próprio horrenda enfermidade da
alma, pode oferecer alguma advertência aos que manobram com a autoridade no mundo e a
todos os que ainda podem recuar nas deliberações infelizes!...
Diante de mim vibra o Tempo, o grande julgador...
Possa a Divina Compaixão conceder-me com esse juiz silencioso, cujas palavras para
nós são as horas e os dias do mundo terrestre, a oportunidade de ressarcir minhas faltas, porque,
por enquanto, o juiz que dementou a si mesmo apenas ingressou na fase inicial do reajuste, da
qual se transferirá para o campo expiatório, onde, face a face com as suas antigas vítimas, será
obrigado a solver seus clamorosos débitos, ceitil por ceitil.
Deus seja louvado!...
Raimundo Teixeira – Vozes do Grande Além – Cap. 45
71
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.7 Uma Trabalhadora Espírita – Otília Gonçalves
Quantas aflições e remorsos, receios e ansiedades visitaram minha alma, depois do
túmulo, não sei dizer.
Constatei que a vida prossegue sem grandes modificações, oferecendo a cada alma,
no cadinho evolutivo, as bênçãos ou punições de que se faz credora.
(...)
A princípio, com as carnes sacudidas pelos estertores do coração que não mais podia
cooperar com a vida física, inenarrável sofrimento tomou-me todas as fibras, do peito ao cérebro
e deste aos pés, fazendo-me enlouquecer.
Atormentada entre as idéias da “morte” apavorante que eu temia e a ansiedade da “vida”
que escapava ao peso cruel do sangue que se negava a irrigar as artérias, veias e vasos, senti
que ia tombar.
Não poderei dizer o tempo em que demorei desfalecida. Guardo, ainda hoje, a impressão
de que, em volta, um torvelinho me arrastava, dando-me a sensação de queda, em profundo
abismo sem fim.
Subitamente, como se me chocasse de encontro ao solo, despertei agonizante, tateando
em trevas, aos gritos de lamentável perturbação.
Como a dor não cessasse, simultaneamente impressões diferentes me acudiram ao
cérebro turbilhonado, agigantando meu desespero. Frio glacial apoderou-se lentamente dos
membros inferiores, ameaçando-me imobilizar-me...
Além do frio, dores generalizadas paralisaram-me os movimentos, enquanto o
enregelamento me tornava rígida.
O pavor rondava-me implacável...
Desejei levantar-me, andar, correr, suplicar auxílios; estava paralisada, atada a
cadeias poderosas. A língua já não se articulava.
Não tinha idéia das horas.
Os irmãos de fé espirita, onde se encontravam eles que não me socorriam?
Senti-me sair de dentro do casulo carnal, que então pude ver. Encontrava-me deitada
no esquife mortuário, e de pé, ao seu lado, simultaneamente. Apalpei-me apressada e senti-
me fisicamente...
72
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Não, não era possível, afirmava intimamente, tentando aquietar-me. Tudo aquilo não
passava certamente de um sonho fantástico ou de um desdobramento mediúnico, no Reino da
Morte. Não era crível que eu tivesse morrido. Sentia-me viva, não obstante as dores que me
cruciavam. Encontrava-me lúcida, raciocinava, sofria... Não podia estar morta.
No entanto, a realidade era outra.
Ao abraçar-me ao corpo, senti-lhe a frieza e verifiquei, apesar de deitar-me sobre ele,
que não me conseguia ajustar qual ocorre à mão calçada em luva apropriada. Esforçando-me
“vesti-lo” outra vez, verifiquei, atribulada, que minha vontade não mais o acionava.
Compreendi, embora relutante: estava “morta”.
Ao admitir esta idéia, fui acometida de profundo terror. Voltaram-me à mente as
explanações do nosso Diretor Espiritual, ouvidas em nosso Cenáculo de orações.
Passei, então, a experimentar alívio novo e ouvi, emocionada, o murmúrio de preces
intercessórias. Nossas crianças e companheiros, envolta do caixão funerário, oravam pela
minha alma, que se iniciava na grande viagem.
Embora desejasse acompanhar o desenrolar dos acontecimentos daquele instante
máximo de minha vida, deixei-me arrastar pelo cansaço, experimentando invencível torpor
mental, enquanto recordava que a vida continua....
Não tive noção do tempo em que permanecera em agitado sono, vencida por emoções
violentas e complexas.
Abri os olhos e, em verdadeiro pandemônio emocional, encontrei-me no salão da nossa
Casa de Orações, com o corpo deitado no ataúde, visão essa que aumentava o meu sofrimento.
Ante a evidência da desencarnação, procurava orar, sem o conseguir, atormentada
pela inconformação.
Portadora de alguns conhecimentos da Doutrina dos Espíritos - caminho de luz no
mundo de trevas —, recusava-me, contudo, a aceitar a realidade inelutável.
É certo que eu sabia, através de noções doutrinárias do Espiritismo, que a morte não
representa o fim, mas o princípio de uma vida imperecível, e acreditava-o de coração. No
entanto, meditava, acomodando a Superior Vontade aos meus próprios caprichos: eu não podia
morrer ainda.
Necessitava da generosidade do tempo para desincumbir-me das tarefas a que
ultimamente me entregara, no santificante serviço do amor.
Recordava o passado próximo, as lutas mal sofridas, revia a taça de ilusões onde tantas
vezes me embriagara, e compreendia a inadiável urgência de recuperação, no labor das horas
novas, libertando-me, então, das pesadas algemas.
73
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
De súbito, diante do grande painel, ligado à minha mente, para o qual fui
poderosamente atraída. Pude ver, como numa grande tela cinematográfica, o desenrolar dos
fatos que representavam a minha existência, em miraculoso retrospecto, repetindo-se em
vertiginosa celeridade, sem omissão de qualquer detalhe.
O incrível é que, para cada compromisso com o erro daquele tempo, surgiram-me
agora as soluções que antes não me ocorreram, patenteando a Sabedoria de Nosso Pai ao
alcance de nossas mãos, mas nem sempre utilizada.
Conservava a impressão de que todos os meus atos foram cuidadosamente anotados por
criterioso e vigilante amanuense a quem nada escapara, registrando inclusive as idéias más
que, um dia ou outro, me visitaram a tela mental.
Quanta coisa negativa construíra nos meus dias, sem o perceber. Sabia não ser um anjo
em viagem turística na Terra. Todavia, jamais supusera ter sido tão negligente no
cumprimento do dever.
Aterrada, cheguei à conclusão de que os pensamentos e atos da criatura se fixam no
Além, por processos que me escapavam ao entendimento, permanecendo vivos, mesmo
quando deles nos esquecemos.
Erguiam o caixão que me conduzia o corpo. O pavor do momento foi-me superior à
capacidade de calma e confiança. Procurei, no meu desespero, correr para longe daquela cena
pungente que me feria e amargurava; todavia, cordões espessos e escuros ligavam-me aos
despojos, arrastando-me com eles...
Reconheci as ruas por onde seguia o féretro, embora as notasse escuras e movimentadas,
como se pesada sombra se abatesse sobre as casas, e multidão desvairada tivesse saído às
calçadas.
Chegando ao Cemitério, ouvi gritos e lamentações que me despedaçavam a alma. As
vozes, que mais se assemelhavam a emissões animalescas, compunham musicalidade infernal,
indescritível.
Massa humana, de grotesca forma, cercava-me o ataúde, comentando, zombeteira, a
situação da recém-chegada:
— Será discípula do Cordeiro ou irá engrossar nossas fileiras? — disse alguém com
sarcasmo.
Deve ser alguma “pobre ovelha do Rebanho”! —exclamou mais alguém. E com a
mesma voz:— Olhem as defesas que a envolvem...
Tudo aquilo era um fenômeno novo e horripilante.
74
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Aconcheguei-me ao caixão, desejando arrebata-lo e fugir dali como fardo das minhas
carnes. Força incoercível detinha-me atenta no esquife que era depositado no fundo da
sepultura.
Escutei o som da laje a cobrir-me os despojos e o dos instrumentos que eram usados
para o lacramento da campa. Apavorada, encontrei-me ligada às vísceras mortas, estando
viva. Gritei desesperadamente, em lamentável estado, e caí desmaiada.
Despertei lentamente, conservando a cabeça atordoada, demorando-me a recompor os
pensamentos que pareciam perdidos embrumas espessas.
Vagarosamente rememorei os últimos acontecimentos e, quando ao recordá-los,
cheguei à certeza de que estava na sepultura, fui acometida de convulsivo pranto.
Odores pestilentos e desagradáveis invadiam-me as narinas, causando-me sucessivas
náuseas.
Verifiquei que o meu corpo se tornara volumoso, começando a decompor-se, enquanto
aluvião de asquerosos vermes se locupletavam nas carnes entre as vestes úmidas e imundas.
Ciente da realidade de minha “morte”, cercada de compactas trevas, sabendo-me com o
corpo em decomposição no Cemitério eu experimentava avassaladora angústia.
Apalpava-me e constatava a presença da dor física, embora desligada do corpo.
Sentia-me pesada, raciocinando com dificuldade, esmagada na cova sepulcral, e recordei,
emocionada, a inadiável necessidade de orar. Sim, a prece ser-me-ia a única fórmula
medicamentosa capaz de restituir-me a paz, a serenidade. Recordei-me, então, do Senhor Jesus,
o Amigo dos aniquilados e Companheiro constante dos infelizes.
A sua figura vitoriosa, além da Cruz, retornou à minha mente, trazendo-me revigorante
calma.
Reconheci-me como sou: ingrata e egoísta, pobre e sem valia. Enquanto Ele não
pronunciara uma só queixa à frente dos inenarráveis sofrimentos e humilhações, eu me
entregava à desesperança e à revolta.
Oh! o consolo que deriva da prece murmurada pelo espírito confiante, após a
aflição!
Ainda não havia terminado a rogativa, quando me chegou aos ouvidos, como em
formoso sonho, doce e meiga voz que banhou de harmoniosa musicalidade o estranho recinto.
Era a irmã Liebe, não havia dúvida. Era aquele anjo que tantas vezes, no Culto de nossas
orações no Lar, nos convidara a seguir o Mestre, concitando-nos a amá-lo acima de todas as
coisas terrenas.
75
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Sou a tua irmã Liebe que vem das claridades da “morte” para o teu coração envolto nas
trevas que circundam as cinzas da “vida”. Trago-te o refrigério e a esperança em nome de Quem
é toda a Misericórdia e Consolação.
— Que fazer, irmã querida, em tão trágicas circunstâncias? Como libertar-me
daqui?...
— Tenho estado contigo desde o instante em que começaram as tuas aflições —
respondeu bondosa.—Todavia, prendias-te mais à lamentação improdutiva que à fé,
malbaratando o tesouro precioso da oportunidade de confiar e esperar.
Quando, porém, resolveste buscar a Fonte Viva, pela oração eficiente, rompeste as
algemas que retinham tua mente no oceano físico e emergiste da penosa faixa de vibrações.
Ao orares, não arroles queixas nem lamúrias; não relaciones apontamentos
apressados; não apresentes necessidades... O Senhor, que a todos nos conhece, sabe das
necessidades que nos assinalam a existência e supri-las-á, naturalmente.
Permaneci, olhos fechados, ajoelhada como nos tempos passados, orando
demoradamente, esquecida do cubículo infecto onde me encontrava. Ao descerrar as pálpebras,
deparou-se-me suave claridade a espraiar-se nas paredes e, sorrindo, surgiu o delicado e
compassivo rosto de irmã Liebe, aureolado de fios dourados.
— Não temas. Vem! Saiamos daqui.
Meus ouvidos espirituais escutaram o bater lento das horas: meia-noite! Vento frio
soprava dobrando os ciprestes escuros banhados da claridade lunar.
Os vultos solitários dos anjos de pedra, sobre os jazigos, confundiam-se com as coroas
de metal que tentavam imortalizar as expressões floridas da natureza e tomavam aspectos
variados no claro-escuro do ambiente.
Notei que multidões pervagavam entre os túmulos, formando grupos vários que se
confundiam em confabulações...
Alguns, de ar escarninho, passavam gargalhando e satirizantes, proferindo expressões
vulgares, zombeteiras e coléricas.
Outros conservavam-se ajoelhados, em atitude de oração, consoante suas confissões
religiosas, banhados de pranto, em imprecações desesperadas.
Recordei advertências e ensinamentos, conselhos e roteiros ouvidos, nos quais o
convite ao trabalho e à oração, o apelo à vigilância e ao auxílio eram notas frisantes, e não pude
conter as lágrimas que, sucessivas, me banharam o rosto.
Pela memória, acompanhei o desfilar de tantos Benfeitores Anônimos, generosos e
compassivos, que tantas vezes, enternecidamente, me distinguiram o espírito, com expressões
76
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
de bondade e zelo, verificando, aterrada, quanto fora negligente e descuidada no Campo
do Senhor. O desânimo ia-me assenhoreando, quando a vigilante Benfeitora, interrompendo-
me o curso das reflexões atalhou:
— Otília, minha irmã, recorda que Jesus não deseja a morte do pecador, mas a do
pecado.
Desanimar agora seria o mesmo que retroceder. O discípulo do Evangelho não dispõe
de tempo mental para o receio ou para a dúvida. Não te lamentes! Cristo, em nosso caminho,
é uma permanente oportunidade nova. Se achas que não aproveitaste devidamente o ontem,
lembra-te de que o amanhã pertence à tua alma. Robustece o espírito na fé e reanima-te,
pois que muito terás a fazer. Alegra-te no Senhor, que nunca nos abandona, e, sem perda de
tempo, põe mãos à obra.
Nossos irmãos choram em diversos planos do orbe e suas vizinhanças, aguardando
socorro em nome do Céu. Não dispomos de tempo para a despesa da inutilidade. O passado
pode constituir-se de sombras; todavia, o amanhã é sempre uma luz nova, dissipando todas as
trevas. Ergue-te e não temas!
Otília Gonçalves – Além da Morte – Cap. 1/2/3/4/5/6
(...)
Enquanto não compreendermos a necessidade de valorizar a vida no plano físico,
continuaremos invadidos pelo infortúnio a bater-nos desapiedado, com os chicotes resultantes
das ações impensadas.
A vida na carne é patrimônio que não merecemos. Significa concessão misericordiosa
para renovação, aprendizado e libertação.
Toda a luta deve ser dirigida para a realização dos objetivos essenciais do programa que
nos conduz ao renascimento. “A alma mergulha na carne, cheia de boas intenções e desejosa
da recuperação do tempo. Todavia, a boa intenção e o desejo, apenas, não respondem
positivamente pela felicidade.
77
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
É imprescindível ação realizadora no campo do bem geral. Mas, o que acontece
comumente é que o contato com o corpo, ocasionando a anestesia da memória, faz que o roteiro
traçado com o concurso das lágrimas e do arrependimento fique a margem, voltando a criatura
aos hábitos milenários onde pontificam o prazer, a cobiça e o crime.
A perigosa e atraente rede da ilusão arrasta diariamente multidões descuidadas, que
malogram desastradamente, adiando, por tempo indefinido, a ascensão aos planos mais altos...
Liebe – Além da Morte - Cap. 5
(...)
Fé, minha querida amiga — continuou —, significa conquista espiritual.
Fé espírita, representa conquista da alma nos domínios da evolução.
A fé haurida no Espiritismo impõe a necessidade do conhecimento de si mesmo e
oferece os instrumentos para que o homem realize o autodiscernimento, o autocontrole, o
autoconhecimento, para seguro, avançar resoluto pela senda evolutiva.
Por isso, a fé espírita é consoladora.
Recordemos que o primeiro nome do Espiritismo veio de Jesus Cristo: O Consolador.
E a doutrina de Jesus, em Espírito e Verdade. “Em razão disso mesmo, onde haja um Núcleo
Espírita, haverá o bálsamo, o consolo.
Sendo consolação é tudo: caridade, esclarecimento, força, diretriz, porque o consolo
nasce não somente do pão, mas sobretudo do esclarecimento.
Na multidão dos que sofrem indagando, o espírita é o único felicitado pela serenidade.
Sua indagação é feita sem dor íntima, porque ele já tema felicidade íntima. Indaga com alegria,
porque sabe que ninguém foi criado para a tristeza.
Auta de Souza – Além da Morte - Cap. 6
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.8 Uma Feminista Equivocada
Fui mulher na minha última e dolorosa peregrinação na Terra.
Enverguei as roupas físicas da vaidade e empolguei-me pelas coisas fúteis, tornando-
me vendedora de ilusões...
De cedo, fascinada pelos ouropéis da vacuidade, tornei-me feminista de realce,
empolgando-me com as diretrizes que tinham por objetivo oferecer a mulher igualdade de
direitos em relação ao homem na sociedade em que militei.
Favorecida com um matrimônio nobre, utilizei-me de oportunidade para projetar-me
ainda mais nos favores do relevo social, derrapando, logo depois, através de um desquite
amigável, para as dissipações do adultério, ludibriada em mim mesma pelos sentimentos da
corrupção, então, em voga.
Diversas vezes, antes da separação legal, visitada pela fecundação que me apelava a
responsabilidade matrimonial, não tergiversei, uma ocasião sequer, cometendo nefandos
infanticídios através do aborto delituoso, na vã expectativa de fugir aos deveres superiores da
vida. permanecendo anestesiada pelos vapores abundantes das paixões dissolventes.
Minha mãe, falecida, apareceu-me em sonhos, reiteradas vezes, chamando-me a
realidade de outros deveres.
Experimentava impressões de que vozes e choros infantis me perturbavam o equilíbrio
mental, fazendo-me voltar a realidade dos meus crimes, que cada vez afogava nas libações
alcoólicas ou em dissipações de toda ordem para olvidar ou deles fugir.
passei a experimentar estranhas e agudas dores nas regiões do baixo ventre, vindo a
descobrir, logo depois, que era portadora de terrível carcinoma que me vitimava o útero e que
seria a causa da minha morte prematura, logo depois...
Com apenas 32 anos fui obrigada a abandonar a Terra, expulsa do corpo pelo câncer
vingador, encarregado de cobrar nas minhas carnes os hediondos crimes que perpetrara na
volúpia da loucura.
79
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Com a morte senti-me desvairar em mãos impiedosas, arrancada do cadáver antes que
este fosse inumado na sepultura, sendo conduzida a região dolorosa, onde fui desrespeitada nos
meus sentimentos de mulher, mesmo desequilibrada, conduzida a situações inenarráveis, depois
do que julgada, em arbitrário tribunal no qual os meus crimes foram expostos e eu, desnudada
intimamente, vi-me constrangida a todo tipo de sarcasmo e a uma série de punições que
começavam pelo encarceramento cruel, visitada e guardada por animais semelhantes aos da
Terra, porém que me pareciam criaturas humanas deformadas nos corpos deles que me sitiavam
demoradamente...
Crede que não há palavras capazes de descrever o infortúnio que tenho experimentado.
O tempo se me fez uma eternidade, porque perdi os limites e os contatos dimensionais. É um
grande período sem fim...
Recordo que parti da Terra nos últimos dias do ano de 1947, quando se anunciava o
Natal e não me é possível recordar de mais nada, senão o pavor, a vingança, o choro e a visão
dos corpos estiolados e das mãos pequeninas acusadoras que se transformam repentina e
violentamente em garras que avançam na direção do meu pescoço, tentando estrangular-me até
o meu desfalecimento, para, após, acordada, recomeçarem no mesmo suplício de Tântalo,
indefinidamente, até aqui...
Venho hoje, aqui trazida, fazer um apelo as mulheres da Terra, neste momento em que
o aborto se torna legal em diversos países, em que a mulher aspira a maior liberdade, que, no
entanto, é libertinagem, a fim de que reflexionem, e, se possível, voltem-se para outros deveres
mais elevados e miseravelmente desprezados quais a maternidade, o lar e a família, a
integridade física e moral, o respeito, suplicando uma baga de luz e uma oportunidade redentora
para mim mesma.
Cristina Fagundes Rabelo – Depoimentos Vivos - Cap. 16
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.9 Um Dirigente Espírita Fracassado
Espiritista militante, exerci, na Terra, a relevante tarefa de direção de uma Casa Espírita.
A medida que o tempo acumulava horas, o entusiasmo inicial deixou-me sucumbir sob
a rotina causticante e desagradável, fazendo que a tarefa se tomasse pesada canga, que a custo
conseguia carregar. No entanto, multiplicavam-se as louvaminhas, os exórdios ao personalismo
doentio, as sugestões maléficas em forma de convites vaidosos e laureantes, e, a pouco e pouco,
fui transformando a Casa que deveria permanecer como suave refúgio dos sofredores e humilde
tabernáculo de orações em reduto de ociosidade e parasitismo inúteis.
A presença das pessoas de conduta duvidosa, ignorantes e sofredoras passou a
constituir-me insuportável peso.
Os apelos da miséria, que um dia eu pretendera diminuir, tomaram-se expressões de
disfarce e de cinismo, que não poucas vezes atirava na face dos corações lanhados pela dor e
dos espíritos humilhados pela necessidade.
As exterioridades, todavia, continuavam a ser mantidas em traje a rigor.
Os elogios perniciosos se encarregaram de completar o quadro do meu equívoco infeliz,
e, sem dar-me conta, fui arrebatado pela desencarnação, deixando um rio de lágrimas nas
pessoas gradas, que se compraziam na minha conversação fluente e nas minhas excentricidades,
que passaram a constituir moda, enquanto eu mergulhava na imensa realidade do despertar da
vida no além-túmulo.. .
Várias homenagens foram programadas entre os que permaneceram na carne, em minha
memória. O meu nome foi colocado no frontispício do santuário, que deveria ostentar as
expressões simples e invencíveis da caridade, do amor e da humildade..
Sucederam-se as surpresas para mim. A morte, infelizmente, não me santificou.
Acordei como era, ou melhor, pior do que era, porque despido das exterioridades
mentirosas, dando-me conta de que antigo zelador da Casa a que nem sempre oferecera o
necessário trato, fora o primeiro amigo a receber-me além da aduana que eu acabava de
transpor.
A consciência despertou rigorosa e passei a experimentar o tumulto dos remorsos, dos
arrependimentos tardios e das agonias longas que as palavras, só mui dificilmente, conseguem
descrever.
Concomitantemente, os hinos de exaltação que me chegavam da Terra eram punhais
que me penetravam a alma, que reconhecia não os merecer.
81
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Bati as portas da mediunidade na Casa que me fora berço de luz, com sofreguidão e
confessei-me, numa noite memorável, diante dos companheiros estarrecidos...
Ao terminar o trabalho, esses tiveram expressão de espanto e de censura a médium, que
me filtrara as informações com fidelidade, taxando-a de adversária gratuita do meu êxito, em
consequência, avinagrando-lhe a sensibilidade file.
Redobrei esforços para aclarar a verdade. Mas, quem estava interessado na Verdade, se
fora eu mesmo quem ali instaurara o modismo da bajulação e o intercâmbio da ociosidade! ?
Não transformem Espíritos familiares, amigos e protetores, em guias de ocasião, como
santos da vaidade.
E quando a tentação do êxito, do brilho imediato começar o ofuscar a clareza da
simplicidade das suas vidas, complicando os labores, ou lhes impuser a distância da convivência
com os infelizes, nossos irmãos, infelizes que somos quase todos nós, muito cuidado!
Artur Marcos – Depoimentos Vivos - Cap. 14
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.10 Um Médico Materialista
Transitei pelo corpo, mantendo a ilusão da perpetuidade fisiológica, não obstante fruir
a ventura de haver travado contatos com a Imortalidade, em inesquecíveis tentames, nos quais
a mediunidade comprovou-me a sobrevivência espiritual sobre o decesso celular no túmulo.
Apesar disso, vinculado ao preconceito acadêmico e as vaidades sociais decorrentes do
posto transitório a que estive guindado, na condição de professor universitário, releguei a plano
secundário a revelação da vida estuante para demorar-me embriagado pelo ácido lisérgico do
entusiasmo mentiroso, no palco da fantasia humana, sem ter em conta a conjuntura inamovível
do dia da partida...
Vivi a Medicina como profissional que realiza o mister açulado pela ganância numerária
dos resultados amoedados, que se transformam em pesadelos futuros...
Sacerdote do corpo pelo compromisso acadêmico, deveria ser o apóstolo do espírito
pelo ideal da verdade. Não o fiz, lamentavelmente, para mim.
Nesse ínterim, advertência mais severa chegou-me, invadindo-me as reservas orgânicas
e sugando-me o corpo em depauperamento. Face a presença do carcinoma ultriz dentro de mim
mesmo, virulento, deparei-me, de um instante para outro, vencido pela sua exteriorização
nefanda, e, de repente, vi-me a borda da morte, a meta não planejada, não desejada.
Voltei-me apressadamente, então, para Deus. A distância que nos medeava era muito
grande e não me havia tempo para vencê-la.
Recorri ao Espiritismo como náufrago agarrando qualquer destroço do navio, na ilusão
de alcançar a praia que ficara muito longe ou o porto a que nunca dedicara qualquer
consideração.
Orei, recorri ao auxílio alheio através do passe curador — eu que me negara a arte de
curar — mas o bote da desencarnação arrojou-me no nevoeiro do Mundo Espiritual em que ora
me debato, semelhantemente a alguém que, açoitado pelo vendaval no oceano, fosse encontrar
terra fixa no pântano escorregadio e pestilento.
Doem-me todas as fibras, para usar uma linguagem típica, eu que transito agora num
corpo espiritual.
Sinto a atuação do câncer que me vitimou a forma e a cadaverizou, como da sua
metástase que me venceu todo o organismo fisiológico, qual se ainda estivesse a padecer-lhe a
presença soez, porém, acrescentado a esse sofrimento superlativo que as palavras não podem
traduzir, está a lâmina ferinte do meu remorso pelo tempo perdido.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Bem sei que me faltam as credenciais para aconselhar. Ninguém melhor, no entanto,
para ser mestre diante da inexperiência alheia do que aquele que tombou no precipício da
própria insensatez.
Considerai em profundidade a fé que vos aquece e não vos iludais quanto eu a mim
mesmo me iludi.
José E.G. – Depoimentos Vivos – Cap. 11
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.11 Um Advogado sem Ética
O advogado criminalista é, sobretudo, o interprete da consciência do seu cliente, que
pode aprofundar o exame nas causas despercebidas do crime e defender o delinquente dentro
de uma visão que se coaduna com o interesse dele, nem sempre com o interesse social.
Exerci a advocacia com ardente interesse. Primeiro, ativado pelas concessões que a
fortuna pode dar aos que defendem os criminosos que podem remunerar bem. O lado ético, o
chamado lado da vitima, deixou de me interessar. Segundo, porque considerando o sistema
penitenciário vigente, arbitrário e criminoso, por que feito por uma sociedade corrompida, sem
me eximir à corrupção que contamina a todos, procurei brilhar no Fórum, defendendo as vidas
que me compravam os equipamentos culturais em nome da Lei.
A morte tomou-me o corpo e eu não fugi da realidade.
Aqui, acusam-me de haver defendido o criminoso e perseguem-me porque eu não
permiti que a justiça alcançasse aqueles que se entregaram à sanha dos seus sentimentos mais
vis.
Acusam-me e querem fazer contra mim justiça com as suas mãos, em nome da Justiça
que é cega, deixando oscilar para aquele que lhe ponha mais ouro no prato da balança que
segura. Foi o que eu fiz.
Mas agora dizem que eu sou tão criminoso quanto os criminosos que eu defendi; e por
que? Porque as suas vitimas esperavam pelo menos a justiça e voltam-se contra mim.
Aqui estão comigo, no mesmo pelourinho, os que que se deixaram vencer pela
venalidade: Juízes inescrupulosos, promotores corrompidos, advogados malsinados que, juntos,
desrespeitamos a Lei.
A. – Depois da Vida – Cap. 10
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.12 Um Escritor Materialista
Enveredei pela imprensa marrom.
Denegrir é mais fácil do que corrigir; acusar é mais simples do que ajudar.
Verberei, com a palavra incendiada de revolta, sempre acusando, e participei da
revolução pornográfica que ora assola em toda parte, colaborando para a dissolução dos
costumes que eu execrava, por considera-los ultrapassados.
Torne-me lido e vivi ultrajado em mim mesmo.
Consegui dinheiro e fui odiado. Usei a pena como uma lamina sempre para cortar e
destruir; nunca para retificar.
Disfarcei, nos vícios, os conflitos interiores, e, nas conquistas fáceis, uma virilidade que
não possuía, gastando-me de dentro para fora e aniquilando-me de fora para dentro.
Não é necessário dizer que uma icterícia foi a resposta aos meus desbordamentos nos
alcoólicos e retornei prematuramente para cá.
Ainda não me dera conta da consumpção da matéria e já me encontrava envolvido pelas
companhias que acalentei.
Eu fora um obsidiado. Minha arte de escrever estava profundamente vinculada a outros
escritores infelizes já mortos, cujo calibre moral eu selecionara por eleição pessoal.
Tenho sofrido!
Minudenciar as dores morais que me devoram nestes três últimos lustros, no país de cá,
é tarefa a que não me atrevo.
Juntando-se a essas aflições morais sofro o drama dos fenômenos físicos, para mim
incompreensíveis, porque sem possuir o corpo, porém, como resultado do suicídio indireto a
que voluntariamente entreguei-me.
Cada página minha, que estimula o vicio e que promove o despautério, quando lida,
torna-se uma verdadeira brasa a queimar-me por dentro. As incursões mentais dos que me lêem,
atingem-me como raios fulminantes que me ferem profundamente.
Agora é recomeçar.
Conscientizar-me ao máximo sobre a responsabilidade para refazer o caminho, para
mergulhar na idiotia do esquecimento temporário, no corpo, aprendendo, assim, a valorizar os
dons da inteligência e os instrumentos corporais que a vida concede por empréstimo, para a
evolução, em tratamento que se alongara por algum tempo.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Desejo alertar a quem fala e a quem escreve, a quem transmite impressões de qualquer
natureza, que a ideia que projetamos, podendo influenciar aqueles que a assimilam, é imagem
que voltara multiplicada a fonte geradora.
A mudança de domicilio corporal não impõe transformação real a ninguém.
Egberto Monteiro – Depois da Vida – Cap. 4
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.13 Uma Rainha de França/Oude
Quem poderia, melhor do que eu, compreender a verdade destas palavras de Nosso
Senhor: meu reino não é deste mundo?
O orgulho me perdeu sobre a terra.
Quem, pois, compreenderia o nada dos reinos do mundo, se eu não compreendesse?
O que foi que eu levei comigo, da minha realeza terrena?
Nada, absolutamente nada. E como para tornar a lição mais terrível, ela não me
acompanhou sequer até o túmulo!
Rainha eu fui entre os homens, e rainha pensei chegar no reino dos céus.
Mas que desilusão! E que humilhação, quando em vez de ser ali recebida como
soberana, tive de ver acima de mim, mas muito acima, homens que eu considerava pequeninos
e os desprezava, por não terem nas veias um sangue nobre!
Oh, só então compreendi a fatuidade dos homens e das grandezas que tão avidamente
buscamos sobre a Terra!
Para preparar um lugar nesse reino são necessárias a abnegação, a humildade, a caridade,
a benevolência para com todos. Não se pergunta o que fostes, que posição ocupastes, mas o
bem que fizestes, as lágrimas que enxugastes.
Oh, Jesus! Disseste que teu reino não era deste mundo, porque é necessário sofrer para
chegar ao céu, e os degraus do trono não levam até lá. São os caminhos mais penosos da vida
os que conduzem a ele.
Procurai, pois, o caminho através de espinhos e abrolhos e não por entre as flores!
Os homens correm atrás dos bens terrenos, como se os pudessem guardar para sempre.
Mas aqui não há ilusões, e logo eles se apercebem de que conquistaram apenas sombras,
desprezando os únicos bens sólidos e duráveis, os únicos que lhes aproveitariam na morada
celeste, e que lhes podiam abrir as portas dessa morada.
Tende piedade dos que não ganharam o reino dos céus. Ajudai-os com as vossas preces,
porque a prece aproxima o homem do Altíssimo, é o traço de união entre o céu e a terra. Não o
esqueçais!
Uma Rainha de França – Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 2 – Um Realeza
Terrena
Havré, 1863
88
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
P. Que pensais das honras fúnebres tributadas aos vossos despojos?
R. Não foram grande coisa, pois eu era rainha e NEM TODOS SE CURVARAM
DIANTE DE MIM...
Deixai-me... forçam-me a falar, quando NÃO QUERO QUE SAIBAIS O QUE ORA
SOU... Asseguro-vos, eu era rainha...
P. A vossa hierarquia terrestre concorreu para que tivésseis outra mais elevada nesse
mundo em que ora estais?
R. Continuo a ser rainha... que se enviem escravas para me servirem!...
Mas... não sei... parece-me que pouco se preocupam com a minha pessoa aqui... e
contudo eu... sou sempre a mesma.
Rainha de Oude – O Céu e o Inferno – 2º Parte – Cap. 7 – Espíritos Endurecidos
(1858)
89
O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Há histórias que, por seu conteúdo envolvente e suas lições preciosas, tornam-se
emblemáticas. Uma dessas histórias está no livro O Céu e o Inferno, no capítulo que reúne as
experiências dos Espíritos endurecidos.
Entre aqueles seres obstinados, de coração pétreo, poucos se comparam à Rainha de
Oude. Orgulhosa, enfadada com tudo o que não fosse sua tradição dinástica, dona de um enorme
desprezo pelos valores espirituais, é um personagem que impressiona.
A história desse Espírito, sua glória e tragédia tornam ainda mais enriquecedora a leitura
de seu diálogo com Allan Kardec.
No século XVIII, os países europeus buscavam novos mercados que consumissem os
produtos industrializados e onde obtivessem matérias-primas a baixo custo.
A Índia era um dos focos de atenção. Com a criação da Companhia das Índias Orientais,
a Inglaterra obteve o monopólio do comércio indiano, superou a concorrência franco-
portuguesa e, um século depois, ocupava praticamente todo o País.
Práticas como o confisco de propriedades rurais e a cobrança de impostos extorsivos
inspiravam ânsias de liberdade. Sem uma autoridade central e dividida entre reinos rivais, a
Índia reagiu com a Revolta dos Sipaios (soldados nativos empregados da Companhia das Índias
Orientais).
A Inglaterra esmagou as rebeliões e intensificou a expansão imperialista. Reinos de
marajás e nababos foram tomados. Entre eles o reino de Oude (Awadh ou Oudh), governado
pelo nababo Wajid Ali Sha.
A Rainha-mãe de Oude, Malika Kishwar, era uma legítima purdah nasbeen lady, dama
que vivia de acordo com os mais rígidos costumes muçulmanos.
Em público estava sempre coberta pelo véu tradicional e a ninguém era permitido
contemplar sua figura. Nas audiências que concedia, ficava isolada por pesadas cortinas e uma
secretária transmitia suas respostas ao interlocutor.
Como as outras damas de sua estirpe e religião, recebeu educação esmerada e cresceu
cercada de luxo e riquezas, em completo recolhimento na zenana, uma construção dentro do
palácio a que apenas mulheres tinham acesso.
Homens, somente os parentes diretos: marido, pais e filhos.
Descendente dos imperadores mongóis que ocuparam a Índia, era filha do nababo
Hisam ud-din Khan, de Kalpi. Sua mãe era a Rainha Vilayati, filha do famoso nababo Sa’adat
Ali Khan.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Pelo casamento se tornou Begum (primeira e principal esposa) do Rei Amjad Ali Sha,
de Oude, situado onde hoje é o Estado de Lucknow, ao norte da Índia.
Um dos mais prósperos reinos indianos, Oude foi anexado à Companhia das Índias
Orientais em 1856 e toda a família real, que incluía as 148 esposas e os 40 filhos do Rei, foi
transferida para Calcutá.
O nababo Wajid Ali Sha, entusiasta das artes – principalmente da música, da dança e da
poesia – foi acusado de ser um administrador desatento, sem controle sobre as finanças do reino
e mais interessado em prazeres.
A Rainha-mãe viajou até a Inglaterra para interceder junto à Rainha Victoria em favor
da restituição do reino de seu filho. Desembarcou fazendo jus à fama de extraordinária riqueza
dos reis indianos: com a pompa de joias espetaculares, um cortejo que incluía dois príncipes e
centenas de servos, tecidos preciosos e uma impressionante coleção de títulos: Janab-i-Aliya
Malika-i-Kishwar Khanum, Mukhtar Aliya, Fakhr uz-Zamani Nawab TajAra Begum Sahiba.
Janab-i-Aliya significa algo como Sua Alteza Real. Malika é o termo árabe para Rainha.
Khanum é o feminino de Khan, títu lomongol. Fakhr uz-Zamani significa glória de sua época.
Nawab e Begum, juntos em um mesmo título, correspondem à identificação de uma esposa da
realeza. Taj Ara quer dizer ornamento da coroa.
Foi recebida com grandes honras pela Rainha Victoria, mas a Inglaterra era uma
monarquia constitucional e Victoria não tinha poderes para intervir no caso. Para agravar o
quadro, enquanto a Rainha de Oude estava na Europa, explodiu a grande rebelião de 1857 contra
a presença britânica na Índia. Wajid Ali Sha e suas esposas estavam diretamente envolvidas.
Esse primeiro levante pela independência ensanguentou o País. Mesmo os mais
resistentes, como a lendária Lakshimi, Rani de Jansi, foram dizimados pelos ingleses e sua
derrota reduziu ainda mais as possibilidades de os reinos retomarem sua autonomia.
A Rainha de Oude permaneceu na Inglaterra por um ano. Na viagem de volta, durante
uma escala em Paris, em 23 de janeiro de 1858, ela morreu em decorrência de uma moléstia
súbita. Tinha 58 anos de idade. Há várias versões para a morte. Uns apontam o cólera, outros
depressão. Um mês depois, seu filho, General Mirza Sikandar Hashmat, também morreu e foi
sepultado junto da mãe.
Em um gesto de provocação à Inglaterra, a França concedeu à Rainha de Oude funerais
de Chefe de Estado. O enterro percorreu as ruas de Paris e se tornou um dos acontecimentos
mais comentados e noticiados do País.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Malika Kishwar foi sepultada na área muçulmana do Cemitério do Père-Lachaise, na
85ª divisão, a poucos metros de onde está localizado hoje o túmulo de Allan Kardec.
De sua tumba imponente hoje resta somente a fundação. Um desenho no local mostra a
opulência do monumento original.
Atento aos fatos de seu tempo, Allan Kardec evocou a Rainha na Sociedade Parisiense
de Estudos Espíritas e publicou a conversa na Revue Spirite de março de 1858 e, mais tarde, em
O Céu e o Inferno. Evocou-a em duas outras ocasiões sem notar mudanças significativas.
O diálogo entre a Rainha e o Codificador é revelador.
Ela informa que está perturbada, que tem saudades da vida (Experimento acerba dor,
da qual a vida me libertaria), mas exige ser tratada como Majestade.
Nada parece satisfazê-la em suas aspirações de poder; a morte ainda não a faz refletir
sobre sua atitude perante a vida. É o que se deduz de sua resposta quando Kardec indaga sobre
as honras que lhe foram tributadas por ocasião de seu funeral: Não foram grande coisa, pois eu
era rainha e nem todos se curvaram diante de mim…
O exclusivismo da realeza está bem traduzido nas respostas da Rainha: Meu sangue não
pode misturar-se com o do povo. Seu apego às paixões materiais está explícito no desprezo à
figura de Jesus (O filho do carpinteiro não é digno de ocupar meus pensamentos) e, mesmo
sendo muçulmana e cumpridora dos costumes, não permitiu que a religião sobrepujasse a
posição social (Eu era bastante poderosa para que me ocupasse de Deus).
Sequer o profeta Maomé lhe merece um comentário caloroso (Não é filho de rei).
Pode-se entender seu desprezo até pela liberdade conquistada pelas mulheres do
Ocidente (Que me importam as mulheres! Se me falasses de rainhas…) se considerarmos que
ela era a principal dama da sua corte e seu poder político era tremendo.
Meu sangue reinará, por certo, visto como é digno disso, disse ela a Kardec, mas essa
aspiração jamais se concretizou.
A nora da Rainha, Hazrat Mahal, se tornou um símbolo da resistência ao imperialismo
inglês, mas Wajid Ali Sha e seus filhos morreram no exílio.
Em 1858, o Parlamento britânico transferiu a administração do País para a Coroa e em
1876 o governo inglês, liderado por Benjamin Disraeli, proclamou a Rainha Victoria Imperatriz
da Índia.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
O domínio inglês estendeu-se até 15 de agosto de 1947, quando, não o orgulho e a
guerra, mas a resistência pacífica e a não-violência do Mahatma Gandhi dobraram a resistência
dos britânicos e proclamaram a independência da grande pátria indiana.
Sônia Zaghetto - Revista Reformador - agosto de 2005 - A trajetória da rainha de
Oude
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
4.14 Um Papa – Pio XI/Leão XIII
Cercado de todas as honras pontificais, Pio XI agoniza...
De seus lábios exaustos, nada mais se ouve, além de algumas palavras ininteligíveis.
Seu coração está mergulhado na rede dolorosa das perturbações orgânicas, mas seu
espírito está lúcido, como o de uma sentinela, a quem não se permite dormir.
Alvorece o dia... Preparam-se os sinos de Roma para anunciar as matinas à antiga cidade
dos Césares e o velho pontífice tenta, ainda uma vez, articular uma palavra que expresse a sua
vontade derradeira.
Todavia, não obstante todas as dignidades sacerdotais e apesar de todos os títulos
nobiliárquicos de um soberano terrestre, Sua Santidade se despede da vida material, sob os
mesmos imperativos dos regulamentos humanos da Natureza.
A morte não lhe reconhece a soberania e a asma cardíaca lhe devora as últimas
possibilidades de prosseguir na tarefa terrena, chamando-o a novos testemunhos.
Pio XI desejaria fazer algumas recomendações in extremis, mas sente-se invadido por
uma corrente de frio inexplicável, que lhe paralisa todos os centros de força.
Os religiosos que o assistem compreendem que é chegado o fim de sua resistência e o
Cardeal Lauri aproxima-se do moribundo, ministrando-lhe a extrema-unção, segundo as
tradições e hábitos da igreja.
O papa agonizante experimenta, então, todas as angústias do homem, no instante
derradeiro...
Aos olhos de sua imaginação, desenham-se os quadros nevados e deliciosos da
Lombardia, na sua infância descuidada e risonha, os velhos pais, amorosos e compassivos, o
pároco humilde que o animou para os estudos primeiros e, depois, as proveitosas experiências
nas ondas largas e bravias do oceano do mundo, junto aos esplendores de Milão e de sua catedral
majestosa...
Ele que orara, fervorosamente, tantas vezes, sentia agora uma dificuldade infinita para
elevar o pensamento ao Deus de misericórdia e de sabedoria, que ele supunha no ambiente
faustoso de seus templos frios e suntuosos...
Uma lágrima pesada lhe rolou dos olhos, cansados das penosas preocupações do mundo,
enquanto o raciocínio se lhe perdia em amargas conjeturas.
Não era ele o Vigário Geral do Filho de Deus sobre a Terra?
Sua personalidade não ostentava o título de Príncipe do Clero?
Num derradeiro olhar, fixou, ainda nas próprias mãos, o reluzente anel, chamado do
Pescador...
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Desejou falar, ainda uma vez, aos companheiros, mergulhados em preces fervorosas,
das meditações angustiadas da morte, mas percebeu que as suas cordas vocais estavam hirtas...
Foi quando, então, Pio XI começou a divisar, em derredor do seu leito de agonia, um
compacto exército de sombras.
Algumas lhe sorriam com solicitude, enquanto outras o contemplavam com indefinível
melancolia. Ao seu lado, percebeu duas figuras veneráveis que o auscultavam, como se fossem
médicos desconhecidos, vindos em socorro dos senhores Rochi e Bonanome, seus assistentes
naquele dia.
Esses médicos do Invisível como que o submetiam a uma operação difícil e delicada...
Aos poucos, o velho pontífice romano sentiu que os olhos materiais se lhe apagavam
amortecidos, mas, dentro de sua visão espiritual, continuava a perceber a presença de pessoas
estranhas e que o rodeavam, dentre as quais se destacara um vulto simpático, que lhe estendia
os braços, solícito e compassivo.
Pio XI não teve dificuldades em identificar a figura respeitável que o acolhia com
benevolência e carinho.
Leão XIII!... murmurou ele, no silêncio íntimo de seu coração, recordando os instantes
gloriosos de seu passado eclesiástico.
Mas, a nobre entidade que se aproximava, abraçando-o, exclamou compassivamente:
"Aquiles, cessam agora todos os preconceitos religiosos que formavam a indumentária
precisa ao cumprimento de tua grande missão no seio da igreja!...
Chama-me Joaquim Pecci, porque, como hoje te recordas de Désio e da infância
longínqua, desejoso de recomeçar a vida terrestre, que terminas neste instante, também eu me
lembrei, no momento supremo, de minha risonha meninice em Carpineto, ansioso de regressar
ao passado para encetar uma nova vida, porque a verdade é que todos nós, em assumindo os
sublimes compromissos com a lição do Senhor, prometemos realizar uma tarefa para a qual nos
sentimos frágeis e desalentados, em nossas imperfeições individuais..."
E como Aquiles Rátti revelasse estupefação, diante do fenômeno, continuou a entidade
amiga:
"Levanta-te! Para o bom trabalhador há poucas possibilidades de repouso!..."
Nesse instante, como se fosse tocado por um poder maravilhoso, Pio XI notou que o seu
corpo estava rígido, ao seu lado. Numerosos companheiros se aproximavam comovidos de seus
despojos, inclusive o Cardeal camerlengo, que se tomava de profunda emotividade em frente
da nova tarefa.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Procedia-se aos primeiros rituais, a que se obedece, em tais circunstâncias, no Vaticano,
quando a voz de Leão XIII se fez ouvir de novo:
"Meu irmão”, disse ele, austeramente, todos nós somos obrigados a comparecer ante o
tribunal que nos julga por todos os atos levados a efeito na direção da igreja a que chamamos,
impropriamente, barca de S. Pedro...
Antes, porém, que sejas conduzido, pela legião dos seres espirituais que te esperam, ao
tribunal dessas sentenças supremas, visitemos a nossa Jerusalém de pompa e de pecado, para
nos certificarmos de suas ruínas próximas, ante a vitória do Evangelho redentor!...
Nesse momento, o Cardeal Pacélli retirava do cadáver o anel simbólico, enquanto as
duas entidades, abraçadas uma à outra, se dirigiam à Capela Sistina e daí à famosa basílica de
São Pedro, para as tradicionais e antigas orações.
Penetrando ambos sob as colunas grandiosas que suportam a larga varanda, dizia o autor
da encíclica Rerum Novarum para o seu vacilante companheiro:
"Outrora, neste local, erguiam-se o Templo de Apolo, o Templo da Boa Deusa, o Palácio
de Nero e outras expressões de loucura e de crueldade que condenamos, até hoje, nas doutrinas
do paganismo.
Os tesouros de Constantino e de Helena modificaram a fisionomia do santuário aqui
erguido, quando o sangue e as lágrimas dos mártires semeavam as flores de Jesus-Cristo sobre
a face escura da Terra!...
Em lugar da humildade cristã, levantaram-se no Vaticano as magnificências de ouro e
de pedrarias...
Atravessados os frontispícios suntuosos, as duas entidades ingressaram num ambiente
parecido com os da história das "mil e uma noites", recamado de luxo fulgurante e indescritível.
Por ali, há o sinal dos artistas de todos os séculos. Monumentos da pintura e da escultura
de todos os tempos assombram os forasteiros espirituais que acompanham a cena grandiosa e
melancólica.
As imagens, os altares, as colunatas, os anjos de pedra, os nichos suntuosos se
multiplicam em deslumbramento maravilhoso.
Chegadas ao pé da magnífica estátua de São Pedro, talhada no antigo bronze da imagem
de Júpiter Capitolino, que toda Roma venerava em épocas remotas, estátua essa idealizada sob
as ordens de Leão Magno, quando das vitórias romanas sobre o gênio estratégico e belicoso de
Átila, as duas entidades se detiveram, pensativas.
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Obedecendo aos seus antigos hábitos, Pio XI ajoelhou-se e, ocultando o rosto entre as
mãos, orava fervorosamente, quando uma voz sublimada e profunda lhe atinge em cheio a
consciência, como se proviesse das ilimitadas profundezas do céu, chegando aos seus ouvidos
por processo misterioso:
"Meu filho”, exclamava a voz espiritual, na sua grandeza terrível e melancólica – como
pudeste perseverar no mesmo caminho dos teus orgulhosos antecessores?...
Diante dessa estátua soberba, talhada no bronze de Júpiter Capitolino, toda a igreja
romana supõe homenagear a minha memória, quando nada mais fui que simples pescador,
seduzido pela grandeza celeste das sublimes lições do Senhor, no cenáculo de luz do
Tiberíades!...
Convocado pelo Mestre Divino a edificar a minha fé, em favor do seu grande rebanho
de ovelhas tresmalhadas do aprisco, não tive a força necessária para seguir-lhe o divino
heroísmo, no instante supremo, chegando a negá-lo em minha indigência espiritual!...
Ainda assim, não obstante a minha fraqueza, foi a mim que a igreja escolheu para a
homenagem dessas basílicas luxuosas, que, como esta imagem fulgurante, representam a
continuidade das velhas crenças errôneas do império da impiedade, eliminadas pela suave luz
das verdades consoladoras do Cristianismo!...
Somente agora, verificas a ilusão do teu anel do Pescador e da tua tiara de São Pedro!...
Eu não conheci outras jóias, nem outras riquezas, além daquelas que se constituíam de
minhas mãos calejadas no esforço de cada dia!...
"Filho meu, amargurado está ainda o coração do nosso Salvador, em virtude do caminho
escabroso adotado pela quase generalidade dos sacerdotes nas igrejas degeneradas, que militam
na oficina terrestre!...
Todos os que se sentaram, como tu, nesses tronos de impiedade, prometeram ao céu a
reforma integral dos velhos institutos romanos, em favor da essência do Evangelho, no
pensamento universal; mas, como tu, os teus predecessores esbarraram, igualmente, no rochedo
do orgulho, da vaidade e da impenitência, comprometendo o grande barco da fé em Jesus-
Cristo, entre as marés bravias das iniqüidades humanas!...
Falaste da paz: mas, realizaste pouco, ante o dragão político que te espreitava na sombra,
naufragando nos conceitos novos que vestem as crueldades das guerras de conquista!...
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O Despertar da Consciência no Além Túmulo e a Forma de Viver
Reformaste o Vaticano, estabelecendo alianças políticas ou adotando as facilidades do
progresso científico que enriquece a civilização desesperada do século XX; mas, esqueceste de
levar aos teus míseros tutelados as fórmulas reais da verdade e do bem, da paz e da esperança,
no amor e na humildade, que perfumam os ensinamentos do Redentor!...
Grande sacerdote do mundo pelas tuas qualidades de cultura e pela generosidade de tuas
intenções, serás agora julgado pelo tribunal que aprecia quantos se arvoram, na Terra, em
discípulos do Senhor!...
Do mundo das convenções já recebeste todo o julgamento, com as homenagens políticas
dos povos; agora, entrarás na luz do Reino de Deus, para aprenderes de novo a grande lição dos
"muitos chamados e poucos escolhidos!...
Pio XI sentiu que o seu coração se despedaçava, em soluços atrozes.
Olhou em derredor de si e não lobrigou mais ninguém, a seu lado. Todos os sorrisos
compassivos dos companheiros da morte haviam desaparecido, sob o influxo de uma força
misteriosa.
Quis contemplar a cúpula magnífica de seu templo soberbo, mas sentiu-se cercado de
pesadas sombras, em cujo seio um firo cortante lhe enregelava o coração.
Foi assim que, penetrando a grande noite do túmulo, o grande sacerdote terrestre perdeu
a noção de si mesmo, para despertar, em seguida, em frente ao tribunal da justiça divina, onde
pontificam os mais íntegros de todos os juízes, dentro das leis misericordiosas do amor, da
piedade e da redenção.
Humberto de Campos – Novas Mensagens – Cap. 3 – A Morte de Pio XI (10/Fevereiro
de 1939)
(Recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em 13 de fevereiro de 1939).
Notas:
Os Cristãos aproveitaram muitos dos templos, com as alfaias pagãs, para transformá-los
em igrejas suntuosas.
Constantino foi o César Romano que adotou, oficializando-a a religião cristã.
Sua mãe, Helena, mais tarde canonizada pela Igreja, dispondo de grandes riquezas,
muito ajudou a expansão e progresso do Cristianismo. Visitando Jerusalém (em 325), fez
construir a chamada igreja do Santo Sepulcro. A ela, Helena, se atribui o encontro da verdadeira
cruz na qual foi Jesus crucificado.