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DESTAQUES
Notícias do Plano Nacional de Cinema (PNC)
Ano Letivo 2017-18 ‫׀‬ o u t u b r o
Boogie-Doodle (1948), Curta-metragem, Animação, Norman McLaren.
Neste número de outubro procuramos contribuir para o debate sobre a evolução dos padrões de consumo
cinematográfico nas sociedades atuais, desde a identificação do público com um padrão mais tradicional de
receção do cinema até aos desafios que os avanços tecnológicos têm colocado a esse modelo de receção.
Damos ainda destaque a um conjunto de iniciativas diversas na área do cinema dinamizadas por Cineclubes,
Festivais de Cinema, Instituições Universitárias, Autarquias e Estabelecimentos de Ensino.
2
IDEIAS PARA UM DEBATE: O CINEMA É NO CINEMA?
A ação de promover sessões de cinema prende-se estreitamente com a diretiva da formação de públicos que se
encontra enunciada na Lei do Cinema e do Audiovisual (2012). Já em 1998 João Mário Grilo afirmava que
cuidávamos pessimamente da memória do público e que uma das formas mais aceitáveis para criar público de
cinema era levar os alunos às salas de cinema.1
Formar público para o cinema no contexto do PNC significa dar
progressivamente condições para que os estudantes possam conhecer obras cinematográficas, nomeadamente
as nacionais. Criado no âmbito do PNC, o dispositivo «O Cinema está à tua espera» consta de uma programação
de cinema com sessões criadas exclusivamente para os alunos terem oportunidade de ver cinema português de
forma gratuita, em espaço próprio para o efeito, valorizando o lado singular do cinema enquanto experiência
coletiva.
Sala de Cinema, anos 20.
1
“Carta”. In: ANTÓNIO, Lauro (coord.) – O Ensino, o Cinema e o Audiovisual. Porto: Porto Editora, p. 52.
3
Relativamente ao dispositivo mencionado, em que intervêm diretamente a DGE, o ICA e a Cinemateca
Portuguesa-Museu do Cinema, as exibições de cinema são preferencialmente enquadradas num modelo com
intuitos pedagógicos, que inclui a apresentação inicial do filme e um debate ou conversa final com os alunos,
incentivando-se uma prática que ainda não é muito frequente no meio nacional, e que nos parece indispensável
fixar e aprofundar. Se promovemos estes encontros é porque acreditamos que o diálogo dos criadores com os
alunos aproxima estes últimos do processo criativo dos autores, das suas escolhas éticas e estéticas, e pode
iniciá-los da melhor forma num conjunto de conceitos cinematográficos que devem ser criteriosamente
abordados. O dispositivo tem permitido a realização de inúmeras sessões em que têm estado presentes
realizadores (Luís Filipe Rocha, Pedro Serrazina, Miguel Gomes, João Rosas, Joaquim Sapinho, Emílio Gomes,
Margarida Cardoso, Catarina Mourão, Patrícia Rodrigues, Abi Feijó, Regina Pessoa, Lauro António, Luís Diogo,
Fernando Centeio, entre outros), jornalistas e/ou críticos de cinema (Mário Augusto), estudiosos de
cinema/historiadores/investigadores (Jorge Leitão Ramos, Pedro Alves, Jorge Campos, Paulo Cunha), dirigentes
de cineclubes (Vítor Ribeiro – Cineclube de Joane; Rodrigo Francisco – Cineclube de Viseu; Elsa Cerqueira –
Cineclube de Amarante; José António Cunha – Cineclube do Porto; Vítor Marques – Cineclube 9500 – São Miguel-
Açores).
Fotograma de O Intendente Sansho (1954), de Kenji Mizoguchi
4
O dispositivo foi estruturado a partir de meados de 2015, e vai continuar a ser aprofundado, devendo, desde já,
realçar-se que a presença de personalidades nas sessões de cinema se tem concretizado em regime de total
gratuitidade. Há, forçosamente, uma série de constrangimentos que nem sempre são fáceis de ultrapassar, mas
defendemos que as sessões de cinema não devem deixar de se realizar, mesmo nos casos em que não há
disponibilidade para estar um convidado presente. E, como quase sempre, quando se unem esforços e as pessoas
se comprometem realmente com algo e os movimentos começam a acontecer, a operação «O Cinema está à tua
espera» tem ultrapassado largamente as expectativas iniciais.
De um lado, temos aquilo que podemos chamar de sessões presenciais de cinema, que o PNC promove enquanto
trave mestra do próprio projeto. Trata-se de sessões em que os alunos que vêm o filme do princípio ao fim sem
interrupções, remetendo para o paradigma original de associar o cinema ao conjunto constituído pela sala
escura, a projeção, e a reunião dos espectadores que assistem a um filme do início ao fim. Procuramos
corresponder a uma certa cinefilia mais purista que defende com veemência este modelo, e que tinha justamente
em J. Bénard da Costa um dos seus mais representativos defensores. Ver o filme de uma só vez, e até uma só vez,
pode ser absolutamente determinante na vida de um ser humano, e abundam os relatos de experiências
estéticas marcantes nesse sentido 2
, validando amplamente as práticas de consumo cinematográfico mais
convencionais. A equipa nacional do PNC tem considerado importante resgatar esta vertente sempre
mencionada e valorizada por cinéfilos, mas parece-nos que não pode ser a única aceite.
2
Dizia-nos o crítico de cinema Anthony Lane sobre Mizoguchi: "I have seen Sansho only once, a decade ago, emerging from the cinema a
broken man but calm in my conviction that I had never seen anything better; I have not dared watch it again, reluctant to ruin the spell,
but also because the human heart was not designed to weather such an ordeal." The New Yorker, Anthony Lane, September, 2006,
disponível em: http://www.newyorker.com/magazine/2006/09/11/supermen
5
Do outro lado, temos um avanço surpreendente da
técnica, que tem produzido alterações significativas na
moderna cinefilia, na cultura fílmica e no consumo da arte
e do cinema3
, e consideramos que é igualmente
importante acolher e acautelar novos paradigmas4
nas
práticas implementadas no âmbito do PNC. Há todo um
novo cenário de uma cinefilia que se oferece como
alternativa ao circuito exibidor convencional e aos festivais
de cinema. Na verdade, todos os filmes passaram a estar
disponíveis em todo o mundo, a todo o momento, como
sintetizou Marta Alves.5
A ida ao cinema recapitula uma experiência ainda
reconhecível, mas representa uma visão um tanto
canónica e idealizada da experiência do cinema e que não
se esgota nessa modalidade, uma vez que um grupo
significativo de pessoas já não se identifica com esta
experiência e, por razões que podem ser diversas, não a
procura ou considera preferencial, face ao leque de
alternativas que lhe são apresentadas, conforme
testemunham J. Rosenbaum e Marta Alves, destacando-se
entre muitos outros investigadores que têm refletido
sobre esta matéria.
Os espectadores e/ou consumidores de filmes têm-se
transformado progressivamente em viewers: recorrem a
interfaces que mobilizam para ver o filme, alteram a
velocidade, acrescentam comentários áudio, saltam
capítulos. O cine-amor, de que falava Susan Sontag em «The Decay of Cinema», lembra Luís Mendonça, ganha
hoje novas formas. Uma delas chama-se Internet, uma cultura global de partilha e fervente culto aos filmes, e os
novos cinéfilos escavam nesse território, à procura de relíquias arqueológicas.6
Em cima: fotograma de Bom Dia, Y. Ozu
3
ROSENBAUM, Jonathan (2010) — Goodbye Cinema, Hello Cinephilia: Film Culture in Transition. Chicago: Chicago University Press.
4
ALVES, Pedro (2012) — ‘Por la democratización del cine – una perspectiva histórica sobre el cine digital’. In: Revista Icono 14, ano 10
vol. 1.
5
ALVES, Marta (2014) - Cinema 2.0: modalidades de produção cinematográfica do tempo do digital. 54, Lx, ICS, Tese de Doutoramento
em Sociologia, p. 54.
6
MENDONÇA, Luís - SS ou o Grau Zero da Escrita Fílmica, dezembro 2016, In: À Pala de Walsh, disponível em:
http://www.apaladewalsh.com/2016/12/susan-sontag-ou-o-grau-zero-da-escrita-filmica/
6
Embora notícias como a que foi
publicada no New York Post, em
16 de agosto de 20177
, e
divulgada pelo Grupo público
(Facebook) Filmwissenschaft /
Film Studies8
, tendam a provar
que os jovens pouco vêm
cinema clássico e/ou a preto e
branco, a nossa experiência com
jovens demonstra precisamente
o contrário. Por isso é preciso
acompanhar a evolução técnica,
e estamos convictos de que as
novas plataformas de divulgação
cinematográfica podem
contribuir para fazer a diferença
sobre o consumo de cinema, se
devidamente integradas e enquadradas nas práticas desenvolvidas pelas comunidades educativas. Neste
contexto, julgamos que interessam menos ideias fortemente preconcebidas, e interessa muito mais partilhar
experiências diferenciadas que estejam a ser desenvolvidas no terreno e decorram destas recentes
transformações. Julgamos que o PNC se afirma precisamente como um terreno propício para testemunhar estas
experiências.
7
«Millennials don’t really care about classic movies», In: New York Post, 17 de Agosto de 2017, disponível em:
http://nypost.com/2017/08/16/millennials-dont-really-care-about-classic-movies/
8
Grupo Público na Rede Social Facebook - Filmwissenschaft / Film Studies, disponível em:
https://www.facebook.com/groups/175716329122592/?hc_ref=ARTv_Y4xwTg1gPEMQMCtEyfuY4uiGteVYo2pFdQT2PAkkz0IdZmTyqUUk
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7
40.º ANIVERSÁRIO DO CINE-CLUBE DA ILHA TERCEIRA
Fotograma de A Nave dos Loucos (1965), de Stanley Kramer
Estimulando os seus membros a ver, discutir e refletir sobre o cinema, a função dos cineclubes tem sido basilar
para a afirmação de uma cidadania cultural nas comunidades onde estas instituições se encontram inseridas.
Na verdade, os cineclubes constituem-se como polos de múltiplas vivências democráticas locais, e o Cineclube
da Ilha Terceira insere-se nesta riquíssima tradição. Fundado em 30 de setembro de 1977 e inaugurado em
janeiro de 1978, com uma Sessão Inaugural realizada em Angra do Heroísmo, que contou com a projeção de A
Nave dos Loucos/Ship of Fools (1965), de Stanley Kramer, assumiu-se como a materialização de uma ideia de
amor à arte, ao cinema, ao associativismo, e muito mais. Em 29 e 30 de setembro de 2017 cumprem-se os 40
anos da fundação do Cineclube da Terceira, atualmente presidido por Jorge Bruno. Desse tempo, abundam
testemunhos sobre vivências cinéfilas da Ilha Terceira durante mais de três décadas. O antigo projecionista do
CCIT, José Manuel Medeiros, conta que «aos 14 anos, já levava a máquina de projeção ambulante da Recreio
dos Artistas às freguesias da ilha Terceira», e lembra os protestos do público em exibições com cópias
8
demasiado gastas.9
Volvidos 40 anos, é intenção do CCIT promover um encontro de dois dias destinado a juntar
cineclubistas e outras personalidades relacionadas com o setor do cinema, de modo a proporcionar momentos
de reflexão e partilha a todos os presentes.10
Capa e excerto do Texto de Apresentação da Sessão Inaugural do Cineclube da Ilha Terceira (CCIT),
janeiro de 1978.
PROGRAMA DA COMEMORAÇÃO: 29 SETEMBRO // 20H00 // Exibição do documentário Danças de Carnaval – Teatro
Popular (1979 – 21’13’’ – Realização de Manuel Martins) // 21H00 // Conferências/Debate “Contextos e Paradigmas do
Cineclubismo Português” por António Costa Valente & “O Plano Nacional de Cinema: literacia fílmica e criação de redes
entre instituições culturais e educativas” por Elsa Mendes // 22h30 //Convívio de Aniversário "Os 40 Anos do Cine-Clube"
30 SETEMBRO // 21H00 // Exibição do Filme “Metropolis”.
9
Consultar Jornal Público, 28 /11/2016, em: http://p3.publico.pt/cultura/filmes/22260/sala-de-cinema-com-70-anos-reabre-em-angra-
do-heroismo
10
Fontes consultadas: http://cineclubeilhaterceira.blogspot.pt/p/historial.html
http://www.9idazoresnews.com/2017/09/14/40o-aniversario-do-cine-clube-da-ilha-terceira/
9
Fotograma de Metropolis (1927), de Fritz Lang.
Mais recentemente, não queremos deixar de salientar o desafio que representa a integração no Plano Nacional
de Cinema de uma escola da Praia da Vitória, a EBI 1.2.3 da Praia da Vitória - Francisco Ornelas da Câmara.
Nesta Escola Básica Integrada, o coordenador da equipa PNC, Dr. Carlos Bessa, tem vindo a implementar um
Clube de Cinema a nível de escola, procurando incutir junto das crianças e jovens o gosto pelo cinema. Esta
iniciativa pretende abrir a Escola à Comunidade, através da criação de uma parceria com a autarquia local, de
modo a viabilizar projeções de filmes no Auditório do Ramo Grande, em Praia da Vitória.
10
EVENTOS: DESTAQUE
OBSERVATÓRIO DE CINEMA NA CASA DAS ARTES EM VILA NOVA
DE FAMALICÃO -2º EPISÓDIO - De 14 a 21 de outubro vai
realizar-se o 2º episódio do CLOSE-UP- Observatório de
Cinema na Casa das Artes em Vila Nova de Famalicão.
Programação disponível aqui:
http://www.closeup.pt/
https://www.facebook.com/CasadasArtesVNFamalicao/
Reservas: 252.371297 - Fax: 252.371299
SEIA - CINE’ECO
14 - 21 DE OUTUBRO
Festival Internacional de
Cinema Ambiental da
Serra da Estrela
http://www.cineeco.pt/
20 DE OUTUBRO
21:12h – EB 2|3 Monsenhor Miguel de Oliveira – AEOS
(Agrupamento de Escolas Ovar Sul)
“DIÁLOGOS COM CINEMA II”
Atividades Cinematográficas na Comunidade Escolar
11
PRESENÇA DO PNC EM INICIATIVAS e EVENTOS – MESES de OUTUBRO e NOVEMBRO
4 OUTUBRO – Faro, Algarve
Participação em Ação de curta duração sobre Cinema e Educação. (Organização CLA de Silves -
Universidade Aberta)
18 a 22 de OUTUBRO – Seia
Presença e participação no FESTIVAL de CINEMA AMBIENTAL em SEIA (CineEco Seia)
27-28 OUTUBRO – Lisboa
Participação em Conferência organizada pelo Centro de Estudos das Migrações e das Relações
Interculturais – CEMRI - Universidade Aberta.
2 a 5 NOVEMBRO – Almada
Participação no CICLO DE CINEMA SOBRE DIREITOS DAS CRIANÇAS – Almada
(organização da Câmara Municipal de Almada e CPCJ de Almada)
7 de NOVEMBRO – Montijo
Participação em Sessão Solene – Aniversário AE do Montijo – Projeção de filme e Inauguração de
Exposição.
17 NOVEMBRO – Porto
Participação em Painel sobre Cinema e História no CONGRESSO SOBRE ENSINO DA HISTÓRIA
(organização FACULDADE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO - FLUP)
18 NOVEMBRO – São João da Madeira
Participação no 4.º Simpósio Internacional – Fusões no Cinema ( organização Caminhos Film Festival)
Todas a sessões de cinema do PNC são organizadas pela Direção-Geral da Educação (DGE), pelo Instituto do Cinema e do
Audiovisual (ICA) e pela Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema.
A todas as equipas do PNC a nível de escola, solicitamos que enviem para o endereço pnc@dge.mec.pt imagens e outros
documentos que possam servir para divulgarmos as vossas atividades.
O nosso obrigado a todos!

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Noticias pnc outubro 2017

  • 1. 1 DESTAQUES Notícias do Plano Nacional de Cinema (PNC) Ano Letivo 2017-18 ‫׀‬ o u t u b r o Boogie-Doodle (1948), Curta-metragem, Animação, Norman McLaren. Neste número de outubro procuramos contribuir para o debate sobre a evolução dos padrões de consumo cinematográfico nas sociedades atuais, desde a identificação do público com um padrão mais tradicional de receção do cinema até aos desafios que os avanços tecnológicos têm colocado a esse modelo de receção. Damos ainda destaque a um conjunto de iniciativas diversas na área do cinema dinamizadas por Cineclubes, Festivais de Cinema, Instituições Universitárias, Autarquias e Estabelecimentos de Ensino.
  • 2. 2 IDEIAS PARA UM DEBATE: O CINEMA É NO CINEMA? A ação de promover sessões de cinema prende-se estreitamente com a diretiva da formação de públicos que se encontra enunciada na Lei do Cinema e do Audiovisual (2012). Já em 1998 João Mário Grilo afirmava que cuidávamos pessimamente da memória do público e que uma das formas mais aceitáveis para criar público de cinema era levar os alunos às salas de cinema.1 Formar público para o cinema no contexto do PNC significa dar progressivamente condições para que os estudantes possam conhecer obras cinematográficas, nomeadamente as nacionais. Criado no âmbito do PNC, o dispositivo «O Cinema está à tua espera» consta de uma programação de cinema com sessões criadas exclusivamente para os alunos terem oportunidade de ver cinema português de forma gratuita, em espaço próprio para o efeito, valorizando o lado singular do cinema enquanto experiência coletiva. Sala de Cinema, anos 20. 1 “Carta”. In: ANTÓNIO, Lauro (coord.) – O Ensino, o Cinema e o Audiovisual. Porto: Porto Editora, p. 52.
  • 3. 3 Relativamente ao dispositivo mencionado, em que intervêm diretamente a DGE, o ICA e a Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, as exibições de cinema são preferencialmente enquadradas num modelo com intuitos pedagógicos, que inclui a apresentação inicial do filme e um debate ou conversa final com os alunos, incentivando-se uma prática que ainda não é muito frequente no meio nacional, e que nos parece indispensável fixar e aprofundar. Se promovemos estes encontros é porque acreditamos que o diálogo dos criadores com os alunos aproxima estes últimos do processo criativo dos autores, das suas escolhas éticas e estéticas, e pode iniciá-los da melhor forma num conjunto de conceitos cinematográficos que devem ser criteriosamente abordados. O dispositivo tem permitido a realização de inúmeras sessões em que têm estado presentes realizadores (Luís Filipe Rocha, Pedro Serrazina, Miguel Gomes, João Rosas, Joaquim Sapinho, Emílio Gomes, Margarida Cardoso, Catarina Mourão, Patrícia Rodrigues, Abi Feijó, Regina Pessoa, Lauro António, Luís Diogo, Fernando Centeio, entre outros), jornalistas e/ou críticos de cinema (Mário Augusto), estudiosos de cinema/historiadores/investigadores (Jorge Leitão Ramos, Pedro Alves, Jorge Campos, Paulo Cunha), dirigentes de cineclubes (Vítor Ribeiro – Cineclube de Joane; Rodrigo Francisco – Cineclube de Viseu; Elsa Cerqueira – Cineclube de Amarante; José António Cunha – Cineclube do Porto; Vítor Marques – Cineclube 9500 – São Miguel- Açores). Fotograma de O Intendente Sansho (1954), de Kenji Mizoguchi
  • 4. 4 O dispositivo foi estruturado a partir de meados de 2015, e vai continuar a ser aprofundado, devendo, desde já, realçar-se que a presença de personalidades nas sessões de cinema se tem concretizado em regime de total gratuitidade. Há, forçosamente, uma série de constrangimentos que nem sempre são fáceis de ultrapassar, mas defendemos que as sessões de cinema não devem deixar de se realizar, mesmo nos casos em que não há disponibilidade para estar um convidado presente. E, como quase sempre, quando se unem esforços e as pessoas se comprometem realmente com algo e os movimentos começam a acontecer, a operação «O Cinema está à tua espera» tem ultrapassado largamente as expectativas iniciais. De um lado, temos aquilo que podemos chamar de sessões presenciais de cinema, que o PNC promove enquanto trave mestra do próprio projeto. Trata-se de sessões em que os alunos que vêm o filme do princípio ao fim sem interrupções, remetendo para o paradigma original de associar o cinema ao conjunto constituído pela sala escura, a projeção, e a reunião dos espectadores que assistem a um filme do início ao fim. Procuramos corresponder a uma certa cinefilia mais purista que defende com veemência este modelo, e que tinha justamente em J. Bénard da Costa um dos seus mais representativos defensores. Ver o filme de uma só vez, e até uma só vez, pode ser absolutamente determinante na vida de um ser humano, e abundam os relatos de experiências estéticas marcantes nesse sentido 2 , validando amplamente as práticas de consumo cinematográfico mais convencionais. A equipa nacional do PNC tem considerado importante resgatar esta vertente sempre mencionada e valorizada por cinéfilos, mas parece-nos que não pode ser a única aceite. 2 Dizia-nos o crítico de cinema Anthony Lane sobre Mizoguchi: "I have seen Sansho only once, a decade ago, emerging from the cinema a broken man but calm in my conviction that I had never seen anything better; I have not dared watch it again, reluctant to ruin the spell, but also because the human heart was not designed to weather such an ordeal." The New Yorker, Anthony Lane, September, 2006, disponível em: http://www.newyorker.com/magazine/2006/09/11/supermen
  • 5. 5 Do outro lado, temos um avanço surpreendente da técnica, que tem produzido alterações significativas na moderna cinefilia, na cultura fílmica e no consumo da arte e do cinema3 , e consideramos que é igualmente importante acolher e acautelar novos paradigmas4 nas práticas implementadas no âmbito do PNC. Há todo um novo cenário de uma cinefilia que se oferece como alternativa ao circuito exibidor convencional e aos festivais de cinema. Na verdade, todos os filmes passaram a estar disponíveis em todo o mundo, a todo o momento, como sintetizou Marta Alves.5 A ida ao cinema recapitula uma experiência ainda reconhecível, mas representa uma visão um tanto canónica e idealizada da experiência do cinema e que não se esgota nessa modalidade, uma vez que um grupo significativo de pessoas já não se identifica com esta experiência e, por razões que podem ser diversas, não a procura ou considera preferencial, face ao leque de alternativas que lhe são apresentadas, conforme testemunham J. Rosenbaum e Marta Alves, destacando-se entre muitos outros investigadores que têm refletido sobre esta matéria. Os espectadores e/ou consumidores de filmes têm-se transformado progressivamente em viewers: recorrem a interfaces que mobilizam para ver o filme, alteram a velocidade, acrescentam comentários áudio, saltam capítulos. O cine-amor, de que falava Susan Sontag em «The Decay of Cinema», lembra Luís Mendonça, ganha hoje novas formas. Uma delas chama-se Internet, uma cultura global de partilha e fervente culto aos filmes, e os novos cinéfilos escavam nesse território, à procura de relíquias arqueológicas.6 Em cima: fotograma de Bom Dia, Y. Ozu 3 ROSENBAUM, Jonathan (2010) — Goodbye Cinema, Hello Cinephilia: Film Culture in Transition. Chicago: Chicago University Press. 4 ALVES, Pedro (2012) — ‘Por la democratización del cine – una perspectiva histórica sobre el cine digital’. In: Revista Icono 14, ano 10 vol. 1. 5 ALVES, Marta (2014) - Cinema 2.0: modalidades de produção cinematográfica do tempo do digital. 54, Lx, ICS, Tese de Doutoramento em Sociologia, p. 54. 6 MENDONÇA, Luís - SS ou o Grau Zero da Escrita Fílmica, dezembro 2016, In: À Pala de Walsh, disponível em: http://www.apaladewalsh.com/2016/12/susan-sontag-ou-o-grau-zero-da-escrita-filmica/
  • 6. 6 Embora notícias como a que foi publicada no New York Post, em 16 de agosto de 20177 , e divulgada pelo Grupo público (Facebook) Filmwissenschaft / Film Studies8 , tendam a provar que os jovens pouco vêm cinema clássico e/ou a preto e branco, a nossa experiência com jovens demonstra precisamente o contrário. Por isso é preciso acompanhar a evolução técnica, e estamos convictos de que as novas plataformas de divulgação cinematográfica podem contribuir para fazer a diferença sobre o consumo de cinema, se devidamente integradas e enquadradas nas práticas desenvolvidas pelas comunidades educativas. Neste contexto, julgamos que interessam menos ideias fortemente preconcebidas, e interessa muito mais partilhar experiências diferenciadas que estejam a ser desenvolvidas no terreno e decorram destas recentes transformações. Julgamos que o PNC se afirma precisamente como um terreno propício para testemunhar estas experiências. 7 «Millennials don’t really care about classic movies», In: New York Post, 17 de Agosto de 2017, disponível em: http://nypost.com/2017/08/16/millennials-dont-really-care-about-classic-movies/ 8 Grupo Público na Rede Social Facebook - Filmwissenschaft / Film Studies, disponível em: https://www.facebook.com/groups/175716329122592/?hc_ref=ARTv_Y4xwTg1gPEMQMCtEyfuY4uiGteVYo2pFdQT2PAkkz0IdZmTyqUUk jLbAYRmTp4
  • 7. 7 40.º ANIVERSÁRIO DO CINE-CLUBE DA ILHA TERCEIRA Fotograma de A Nave dos Loucos (1965), de Stanley Kramer Estimulando os seus membros a ver, discutir e refletir sobre o cinema, a função dos cineclubes tem sido basilar para a afirmação de uma cidadania cultural nas comunidades onde estas instituições se encontram inseridas. Na verdade, os cineclubes constituem-se como polos de múltiplas vivências democráticas locais, e o Cineclube da Ilha Terceira insere-se nesta riquíssima tradição. Fundado em 30 de setembro de 1977 e inaugurado em janeiro de 1978, com uma Sessão Inaugural realizada em Angra do Heroísmo, que contou com a projeção de A Nave dos Loucos/Ship of Fools (1965), de Stanley Kramer, assumiu-se como a materialização de uma ideia de amor à arte, ao cinema, ao associativismo, e muito mais. Em 29 e 30 de setembro de 2017 cumprem-se os 40 anos da fundação do Cineclube da Terceira, atualmente presidido por Jorge Bruno. Desse tempo, abundam testemunhos sobre vivências cinéfilas da Ilha Terceira durante mais de três décadas. O antigo projecionista do CCIT, José Manuel Medeiros, conta que «aos 14 anos, já levava a máquina de projeção ambulante da Recreio dos Artistas às freguesias da ilha Terceira», e lembra os protestos do público em exibições com cópias
  • 8. 8 demasiado gastas.9 Volvidos 40 anos, é intenção do CCIT promover um encontro de dois dias destinado a juntar cineclubistas e outras personalidades relacionadas com o setor do cinema, de modo a proporcionar momentos de reflexão e partilha a todos os presentes.10 Capa e excerto do Texto de Apresentação da Sessão Inaugural do Cineclube da Ilha Terceira (CCIT), janeiro de 1978. PROGRAMA DA COMEMORAÇÃO: 29 SETEMBRO // 20H00 // Exibição do documentário Danças de Carnaval – Teatro Popular (1979 – 21’13’’ – Realização de Manuel Martins) // 21H00 // Conferências/Debate “Contextos e Paradigmas do Cineclubismo Português” por António Costa Valente & “O Plano Nacional de Cinema: literacia fílmica e criação de redes entre instituições culturais e educativas” por Elsa Mendes // 22h30 //Convívio de Aniversário "Os 40 Anos do Cine-Clube" 30 SETEMBRO // 21H00 // Exibição do Filme “Metropolis”. 9 Consultar Jornal Público, 28 /11/2016, em: http://p3.publico.pt/cultura/filmes/22260/sala-de-cinema-com-70-anos-reabre-em-angra- do-heroismo 10 Fontes consultadas: http://cineclubeilhaterceira.blogspot.pt/p/historial.html http://www.9idazoresnews.com/2017/09/14/40o-aniversario-do-cine-clube-da-ilha-terceira/
  • 9. 9 Fotograma de Metropolis (1927), de Fritz Lang. Mais recentemente, não queremos deixar de salientar o desafio que representa a integração no Plano Nacional de Cinema de uma escola da Praia da Vitória, a EBI 1.2.3 da Praia da Vitória - Francisco Ornelas da Câmara. Nesta Escola Básica Integrada, o coordenador da equipa PNC, Dr. Carlos Bessa, tem vindo a implementar um Clube de Cinema a nível de escola, procurando incutir junto das crianças e jovens o gosto pelo cinema. Esta iniciativa pretende abrir a Escola à Comunidade, através da criação de uma parceria com a autarquia local, de modo a viabilizar projeções de filmes no Auditório do Ramo Grande, em Praia da Vitória.
  • 10. 10 EVENTOS: DESTAQUE OBSERVATÓRIO DE CINEMA NA CASA DAS ARTES EM VILA NOVA DE FAMALICÃO -2º EPISÓDIO - De 14 a 21 de outubro vai realizar-se o 2º episódio do CLOSE-UP- Observatório de Cinema na Casa das Artes em Vila Nova de Famalicão. Programação disponível aqui: http://www.closeup.pt/ https://www.facebook.com/CasadasArtesVNFamalicao/ Reservas: 252.371297 - Fax: 252.371299 SEIA - CINE’ECO 14 - 21 DE OUTUBRO Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela http://www.cineeco.pt/ 20 DE OUTUBRO 21:12h – EB 2|3 Monsenhor Miguel de Oliveira – AEOS (Agrupamento de Escolas Ovar Sul) “DIÁLOGOS COM CINEMA II” Atividades Cinematográficas na Comunidade Escolar
  • 11. 11 PRESENÇA DO PNC EM INICIATIVAS e EVENTOS – MESES de OUTUBRO e NOVEMBRO 4 OUTUBRO – Faro, Algarve Participação em Ação de curta duração sobre Cinema e Educação. (Organização CLA de Silves - Universidade Aberta) 18 a 22 de OUTUBRO – Seia Presença e participação no FESTIVAL de CINEMA AMBIENTAL em SEIA (CineEco Seia) 27-28 OUTUBRO – Lisboa Participação em Conferência organizada pelo Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – CEMRI - Universidade Aberta. 2 a 5 NOVEMBRO – Almada Participação no CICLO DE CINEMA SOBRE DIREITOS DAS CRIANÇAS – Almada (organização da Câmara Municipal de Almada e CPCJ de Almada) 7 de NOVEMBRO – Montijo Participação em Sessão Solene – Aniversário AE do Montijo – Projeção de filme e Inauguração de Exposição. 17 NOVEMBRO – Porto Participação em Painel sobre Cinema e História no CONGRESSO SOBRE ENSINO DA HISTÓRIA (organização FACULDADE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO - FLUP) 18 NOVEMBRO – São João da Madeira Participação no 4.º Simpósio Internacional – Fusões no Cinema ( organização Caminhos Film Festival) Todas a sessões de cinema do PNC são organizadas pela Direção-Geral da Educação (DGE), pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) e pela Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema. A todas as equipas do PNC a nível de escola, solicitamos que enviem para o endereço pnc@dge.mec.pt imagens e outros documentos que possam servir para divulgarmos as vossas atividades. O nosso obrigado a todos!