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VITÓRIA, ES, DOMINGO, 02 DE FEVEREIRO DE 2014 ATRIBUNA

27

Polícia
JOSÉ LOPES DELEGADO

Polícia Civil igual à de São Paulo
JULIA TERAYAMA - 06/04/2011

José Lopes assumiu a
Divisão de Homicídios
e quer sua equipe
de investigadores
integrada com peritos,
como na polícia paulista
Michelli Possmozer
m dos planos do novo chefe
da Divisão de Homicídios e
Proteção à Pessoa (DHPP)
é colocar a sua equipe nos moldes
da polícia paulista.
Para José Lopes, a polícia que
atende local de crime na Grande
Vitória deve atuar como em São
Paulo, onde a equipe de peritos sai
junto com os investigadores e delegados para o local de homicídio.
Segundo o delegado, hoje a equipe que faz a perícia em local de assassinatos sai do Departamento
Médico Legal (DML) e, em caso de
dois ou mais homicídios ao mesmo
tempo, em locais diferentes, há demora na realização da perícia.
O delegado José Lopes assumiu
a DHPP no último dia 15, dia em
que o delegado Cláudio Vitor deixou a chefia da Divisão para atuar
na Superintendência de Ações Estratégicas e Operacionais (SPO).
A TRIBUNA – O que sentiu ao
ser indicado para o cargo?
JOSÉ LOPES – Não fiquei surpreso. Para mim foi natural porque
eu sempre substituí o delegado
Cláudio Victor nas férias dele.
> Quais são os seus planos?
É trazer a inovação que implantei em Vila Velha e que o município da Serra já aceitou. Cada policial de investigação deve ficar responsável por três inquéritos no
mês. Essa inovação rendeu para
Vila Velha 260 relatórios, uma média de conclusão de 50% dos in-

TRAJETÓRIA

José Lopes
> TRABALHOU

dois anos no
Exército do Rio
de Janeiro
> FOI SOLDADO e
cabo da PM do
RJ durante 13
anos
> ENTROU na
Polícia Civil do
Estado em
1999 como
delegado
> FICOU em Iúna,
no Sul do
Estado, até
2007
> EM 2007
assumiu como
adjunto na
DHPP
> EM 2010
assumiu como
titular na
Delegacia de
Crimes Contra
a Vida (DCCV)
de Vila Velha

U

Existe uma
sensação de
impunidade muito
grande. Hoje, o criminoso
é pego com fuzil, paga
fiança e vai embora

“

PERITOS
recolhem corpo
de vítima de
homicídio em
Vila Garrido.
Proposta do
delegado
José Lopes é
deslocar equipe
de perícia do
Departamento
Médico Legal
(DML) para a
base da DHPP
e, com isso,
agilizar os
trabalhos e o
deslocamento
para locais
de crimes

”

JOSÉ LOPES quer cada investigador responsável por três inquéritos por mês, modelo que ele implantou na DCCV de Vila Velha
quéritos. E agora como chefe vou
implantar nas demais delegacias.
Isso vai melhorar a qualidade dos
inquéritos e a produtividade.
> A média de 50% é boa?
A média nacional não chega a
16%. A nossa média gira em torno
de 50% e 40%. Não é a média ideal,
mas não se resolve um inquérito
de homicídios em 10 dias. Para
prender, é preciso ter provas.
> Sobre os planos, pretende
trazer outras inovações?
Sim. Minha intenção é trazer a
perícia para dentro da DHPP. A
gente não fez isso ainda devido à
falta de efetivo, mas já foi solicitado ao chefe de Polícia, pois quero o
modelo de São Paulo, onde os peritos de homicídio ficam junto com
os policiais de investigação. Fui
com Cláudio Victor em São Paulo,
vi como funciona lá e gostei.
> Por que esse modelo é ideal?
Porque vai haver mais agilidade,
inclusive, na investigação. No caso

É frustrante ver
tantas pessoas
morrendo. É triste
olhar para uma mãe no
momento em que ela vai
liberar o corpo do filho

“

”

de dois assassinatos ao mesmo
tempo, a equipe não vai precisar
esperar a perícia chegar. Hoje, os
policiais e os delegados vão para o
local de homicídio, mas, às vezes,
precisam esperar a equipe de peritos que periciava outro local.
Vamos implantar também o
plantão 24 horas na DHPP, aos
moldes do DPJ. Inclusive, o chefe
de polícia já se mostrou favorável à
central de flagrantes da DHPP, que
vai contar com pelo menos cinco
delegados e cinco escrivães. Já estamos programando para março.
VICTOR MUNIZ - 13/12/2013

> A perícia é bem equipada?
A perícia melhorou muito.
Quando eu trabalhava no interior,
era uma perícia para atender vários municípios e já fiquei até 12
horas esperando uma perícia. Hoje, não ocorre mais esse problema.
A perícia papiloscópica também
ajuda, pois já prendemos muitos
bandidos com o retrato falado.
> A que se deve o aumento de
mortes e tentativas de homicídios em janeiro?
Existe uma sensação de impunidade muito grande em função dessas leis que são feitas pelo legislador penal tupiniquim. Hoje, o criminoso é pego com fuzil, paga
fiança e vai embora.
> Mas a lei já é assim há muitos
anos. E esse último aumento?
São várias pessoas que estão soltas na rua. E quando o criminoso é
solto, ele volta para o lugar de antes.
> A causa do aumento é porque ex-detentos estão soltos?
São várias causas. Em alguns
bairros é o tráfico querendo recuperar o que foi perdido. Muitos
criminosos que a gente investiga
estão marcados para morrer. Não
adianta, vão morrer mais cedo ou
mais tarde porque têm inimigos
mortais. Não é porque a polícia
não trabalha.
O crime de homicídio é sociológico e o passional não tem como
segurar. Mas a nossa maior motivação ainda é o tráfico. Se fizer
uma pesquisa, a maioria que morreu tem passagem pela polícia. É o
tráfico que está matando.
É frustrante depois de tanto trabalho ver tantas pessoas morrendo. É triste olhar para uma mãe no
momento em que ela vai liberar o
corpo do filho. É pesado.
> Quais estratégias vai traçar
para reduzir as mortes?
O que a gente já vem fazendo,

que é intensificar o cumprimento
de mandados de busca e apreensão,
de prisão, porque não adianta pegar o criminoso só no porte ilegal
de arma, tem de haver trabalho de
inteligência. Vários chefes do tráfico só estão presos por causa das
nossas investigações.
Já sugeri ao chefe de Polícia que
converse com o coronel Edmilson
(comandante da Polícia Militar)
para realizarmos operações conjuntas, trabalharmos com inteligência e troca de informações.

Eu sou otimista.
Quando cheguei
a Iúna, eram seis
homicídios por mês
e consegui reduzir
para seis por ano

“

”

> Acredita que deve haver
mais integração entre PM e Polícia Civil?
Integração não é o problema. A
integração já ocorre desde 2007.
> Mas a impressão é que essa
integração não ocorre...
Pelo contrário. Há operações
conjuntas direto. Às vezes, há conflitos internos. E é, por isso, que
existem as reuniões de segundafeira, conduzidas pelo secretário de
Estado da Segurança Pública, André Garcia, com militares e civis.
> Qual vai ser a sua bandeira?
Minha missão é salvar vidas. As
pessoas gostam muito de números,
e se a estatística reduziu em um
por cento, é pouco.
Mas, estamos falando de vidas, e
se um por cento dá sete pessoas,
foram sete vidas salvas da morte. E
eu sou otimista.
Quando cheguei a Iúna, eram
seis homicídios por mês e consegui reduzir para seis por ano.

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No02021427

  • 1. VITÓRIA, ES, DOMINGO, 02 DE FEVEREIRO DE 2014 ATRIBUNA 27 Polícia JOSÉ LOPES DELEGADO Polícia Civil igual à de São Paulo JULIA TERAYAMA - 06/04/2011 José Lopes assumiu a Divisão de Homicídios e quer sua equipe de investigadores integrada com peritos, como na polícia paulista Michelli Possmozer m dos planos do novo chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) é colocar a sua equipe nos moldes da polícia paulista. Para José Lopes, a polícia que atende local de crime na Grande Vitória deve atuar como em São Paulo, onde a equipe de peritos sai junto com os investigadores e delegados para o local de homicídio. Segundo o delegado, hoje a equipe que faz a perícia em local de assassinatos sai do Departamento Médico Legal (DML) e, em caso de dois ou mais homicídios ao mesmo tempo, em locais diferentes, há demora na realização da perícia. O delegado José Lopes assumiu a DHPP no último dia 15, dia em que o delegado Cláudio Vitor deixou a chefia da Divisão para atuar na Superintendência de Ações Estratégicas e Operacionais (SPO). A TRIBUNA – O que sentiu ao ser indicado para o cargo? JOSÉ LOPES – Não fiquei surpreso. Para mim foi natural porque eu sempre substituí o delegado Cláudio Victor nas férias dele. > Quais são os seus planos? É trazer a inovação que implantei em Vila Velha e que o município da Serra já aceitou. Cada policial de investigação deve ficar responsável por três inquéritos no mês. Essa inovação rendeu para Vila Velha 260 relatórios, uma média de conclusão de 50% dos in- TRAJETÓRIA José Lopes > TRABALHOU dois anos no Exército do Rio de Janeiro > FOI SOLDADO e cabo da PM do RJ durante 13 anos > ENTROU na Polícia Civil do Estado em 1999 como delegado > FICOU em Iúna, no Sul do Estado, até 2007 > EM 2007 assumiu como adjunto na DHPP > EM 2010 assumiu como titular na Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de Vila Velha U Existe uma sensação de impunidade muito grande. Hoje, o criminoso é pego com fuzil, paga fiança e vai embora “ PERITOS recolhem corpo de vítima de homicídio em Vila Garrido. Proposta do delegado José Lopes é deslocar equipe de perícia do Departamento Médico Legal (DML) para a base da DHPP e, com isso, agilizar os trabalhos e o deslocamento para locais de crimes ” JOSÉ LOPES quer cada investigador responsável por três inquéritos por mês, modelo que ele implantou na DCCV de Vila Velha quéritos. E agora como chefe vou implantar nas demais delegacias. Isso vai melhorar a qualidade dos inquéritos e a produtividade. > A média de 50% é boa? A média nacional não chega a 16%. A nossa média gira em torno de 50% e 40%. Não é a média ideal, mas não se resolve um inquérito de homicídios em 10 dias. Para prender, é preciso ter provas. > Sobre os planos, pretende trazer outras inovações? Sim. Minha intenção é trazer a perícia para dentro da DHPP. A gente não fez isso ainda devido à falta de efetivo, mas já foi solicitado ao chefe de Polícia, pois quero o modelo de São Paulo, onde os peritos de homicídio ficam junto com os policiais de investigação. Fui com Cláudio Victor em São Paulo, vi como funciona lá e gostei. > Por que esse modelo é ideal? Porque vai haver mais agilidade, inclusive, na investigação. No caso É frustrante ver tantas pessoas morrendo. É triste olhar para uma mãe no momento em que ela vai liberar o corpo do filho “ ” de dois assassinatos ao mesmo tempo, a equipe não vai precisar esperar a perícia chegar. Hoje, os policiais e os delegados vão para o local de homicídio, mas, às vezes, precisam esperar a equipe de peritos que periciava outro local. Vamos implantar também o plantão 24 horas na DHPP, aos moldes do DPJ. Inclusive, o chefe de polícia já se mostrou favorável à central de flagrantes da DHPP, que vai contar com pelo menos cinco delegados e cinco escrivães. Já estamos programando para março. VICTOR MUNIZ - 13/12/2013 > A perícia é bem equipada? A perícia melhorou muito. Quando eu trabalhava no interior, era uma perícia para atender vários municípios e já fiquei até 12 horas esperando uma perícia. Hoje, não ocorre mais esse problema. A perícia papiloscópica também ajuda, pois já prendemos muitos bandidos com o retrato falado. > A que se deve o aumento de mortes e tentativas de homicídios em janeiro? Existe uma sensação de impunidade muito grande em função dessas leis que são feitas pelo legislador penal tupiniquim. Hoje, o criminoso é pego com fuzil, paga fiança e vai embora. > Mas a lei já é assim há muitos anos. E esse último aumento? São várias pessoas que estão soltas na rua. E quando o criminoso é solto, ele volta para o lugar de antes. > A causa do aumento é porque ex-detentos estão soltos? São várias causas. Em alguns bairros é o tráfico querendo recuperar o que foi perdido. Muitos criminosos que a gente investiga estão marcados para morrer. Não adianta, vão morrer mais cedo ou mais tarde porque têm inimigos mortais. Não é porque a polícia não trabalha. O crime de homicídio é sociológico e o passional não tem como segurar. Mas a nossa maior motivação ainda é o tráfico. Se fizer uma pesquisa, a maioria que morreu tem passagem pela polícia. É o tráfico que está matando. É frustrante depois de tanto trabalho ver tantas pessoas morrendo. É triste olhar para uma mãe no momento em que ela vai liberar o corpo do filho. É pesado. > Quais estratégias vai traçar para reduzir as mortes? O que a gente já vem fazendo, que é intensificar o cumprimento de mandados de busca e apreensão, de prisão, porque não adianta pegar o criminoso só no porte ilegal de arma, tem de haver trabalho de inteligência. Vários chefes do tráfico só estão presos por causa das nossas investigações. Já sugeri ao chefe de Polícia que converse com o coronel Edmilson (comandante da Polícia Militar) para realizarmos operações conjuntas, trabalharmos com inteligência e troca de informações. Eu sou otimista. Quando cheguei a Iúna, eram seis homicídios por mês e consegui reduzir para seis por ano “ ” > Acredita que deve haver mais integração entre PM e Polícia Civil? Integração não é o problema. A integração já ocorre desde 2007. > Mas a impressão é que essa integração não ocorre... Pelo contrário. Há operações conjuntas direto. Às vezes, há conflitos internos. E é, por isso, que existem as reuniões de segundafeira, conduzidas pelo secretário de Estado da Segurança Pública, André Garcia, com militares e civis. > Qual vai ser a sua bandeira? Minha missão é salvar vidas. As pessoas gostam muito de números, e se a estatística reduziu em um por cento, é pouco. Mas, estamos falando de vidas, e se um por cento dá sete pessoas, foram sete vidas salvas da morte. E eu sou otimista. Quando cheguei a Iúna, eram seis homicídios por mês e consegui reduzir para seis por ano.