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OUTUBRO’16 Edição da Associação Portuguesa de Educação Musical
02 Editorial
04 Cantar Mais
• Casa da Música
09 Nós por cá
• 3º Concurso de Composição de Canções
Para Crianças sobre Literatura Oral
e Tradicional Portuguesa
• Encontro Nacional da APEM 2016
• O que é essencial que os alunos aprendam?
• CFAPEM
15 De olhos Postos
• Projeto Lira
Henrique Piloto
18 Vozes da APEM
• Afinal para que serve a Educação Musical?
José Galvão
22 Última
outubro’16 - pag02
Este mês trazemos a reportagem do Cantar
Mais na Casa da Música que não podemos
deixar de assinalar e partilhar. Foi de facto uma
apresentação/espetáculo que trouxe ao palco
quase 100 crianças e jovens que cantaram e
dançaram canções. E foi também um momento
em que tivemos oportunidade de explicar o que
já se fez e porquê, e o que ainda pretendemos
fazer.
Os depoimentos do Diretor da Fundação
Calouste Gulbenkian, Dr. Carmelo Rosa e da
Coordenadora do Programa de Educação
Estética e Artística da Direção-Geral de
Educação, Dra. Elisa Marques, enquadraram a
perspetiva dos apoios institucionais ao Cantar
Mais. No primeiro foi destacado a credibilidade e
relevância do trabalho da APEM ao longo de
mais de 40 anos em prol do desenvolvimento
de uma educação musical em Portugal e no
segundo, a importância da plataforma digital
Cantar Mais como um recurso essencial para
mais e melhores práticas artístico-musicais dos
professores.
Este mês, temos também estado centrados a
finalizar a preparação e a organização do nosso
Encontro Nacional 2016 cuja temática
considerámos ser a adequada e pertinente no
quadro das políticas educativas atuais: “Que
futuro para a música na educação?”.
Pensar o futuro da música na educação é uma
ideia ambiciosa que nos convoca para múltiplas
outras questões que se cruzam com o conceito
de futuro e de educação. Se por um lado os
desafios do futuro têm sido caracterizados pelos
seus elevados níveis de incerteza e
complexidade, por outro, o papel da educação
neste quadro requer um profundo debate na
sociedade. Como preparar as crianças e jovens
para lidarem com os muitos e diversos desafios
do século XXI é a questão que se nos coloca. E é
uma questão difícil e aquela com que menos
estamos familiarizados. Como se faz? E que
desígnio pode a música ter nesta abordagem?
Começar por refletir sobre a natureza do
conhecimento musical e o seu significado
enquanto objeto de aprendizagem, decerto
contribuirá para melhor colocar, entender e
defender a música na educação.
EDITORIAL
outubro’16-pag03
Este trabalho tem que ser feito por profissionais
reflexivos, colaborativos e capazes de criar e
construir situações de aprendizagem musical
adequadas aos seus lugares educativos e
comunitários.
Neste contexto, o Encontro Nacional da APEM
2016 tem como objetivos proporcionar um
diálogo sobre as possíveis perspetivas teóricas e
práticas relacionadas com os caminhos que a
música pode assumir na escola no quadro de
uma escolaridade obrigatória de 12 anos e
também sobre novas formas de aprender
música no século XXI, fundamentadas em
experiências práticas e na investigação
produzida recentemente.
EDITORIAL
Manuela Encarnação
CANTAR
MAIS
outubro16-pag04
Foi assim no passado
dia 24 de setembro
na Casa da Música do Porto.
Cantar Mais na Casa da Música foi uma Apresentação/Espetáculo.
Alunos da Escola da Companhia de Dança de Almada
Alunos do Conservatório de Música do Porto
e da Escola da Companhia de Dança de Almada
Carlos Gomes - APEM
Gilberto Costa - APEM
Manuela Encarnação - APEM
Manuel Carmelo Rosa - Diretor da F. C. Gulbenkian
Elisa Marques - DGE - Programa de Educação
CANTAR
MAIS
outubro16-pag05
Estética e Artística
outubro16-pag06
Dança das Canções
CANTAR
MAIS
Cante no Cantar - Paulo Colaço
Veja aqui a reportagem:
https://www.youtube.com/watch?v=9BfvEuQelFY&feature=youtu.be
outubro16-pag07
CANTAR
MAIS
Cantar Mais
na Sic Notícias Edição da Manhã,
13 de outubro.
Veja aqui toda a entrevista:
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/edicaodamanha/2016-10-13-Cantar-Mais-Plataforma-digital-gratuita-contribui-para-inovar-ensino-musical
outubro16-pag08
CANTAR
MAIS
A AGENDA Cantar Mais
está cheia de workshops!
Consulte a nossa programação.
Deixamos aqui alguns momentos
do Workshop Cantar Mais em Penacova.
Próximos workshops Cantar Mais
http://www.cantarmais.pt/pt/agenda/detalhe/ae--aguas-santas
NÓS
PORCÁ
outubro’16-pag09
No cumprimento do disposto no Regulamento do 3º Concurso de Composição
de Canções para Crianças sobre Literatura Oral e Tradicional Portuguesa,
divulgam-se as canções e compositores premiados.
1º Prémio - Canção “Eco” de Rafael Filipe Moreira Araújo
Menção honrosa - Canção “Quem espera” de José Eduardo da Silva Figueiredo
Menção honrosa - Canção “Sarapico” de Rui Miguel Soares Brandão
3º concurso
de composição
de canções para crianças
sobre literatura oral
e tradicional portuguesa
2016
Muitos parabéns!
iniciativa apoio
NÓS
PORCÁ
outubro’16-pag10
QUE
FUTUROS
PARA
A MÚSICA
NA EDUCAÇÃO
ENCONTRONACIONALAPEM2016
26 novembro, 9h –18h Fundação Calouste Gulbenkian
http://www.apem.org.pt/files/encontro-nacional-apem-2016.html
NÓS
PORCÁ
outubro’16-pag11
Worshop 1
Dançar Canções
Carla Albuquerque
Pretende-se incentivar todos os docentes a usar
o movimento como ferramenta de ensino na
sala de aula complementando as aprendizagens
musicais, nomeadamente as propostas no
Cantar Mais. Através de jogos de movimento,
baseados em esquemas livres ou
pré-estabelecidos, de forma individual ou
coletiva, pretende-se promover a aquisição de
conceitos relativos ao espaço e à orientação
(perto/longe, em cima/em baixo, para a
frente/para trás, alto/baixo, curto/longo,
grande/pequeno, esquerda/direita) e conceitos
relativos ao tempo e à estrutura rítmica
(primeiro/depois, ao mesmo
tempo/conjuntamente, lento/rápido).
Convidam-se, assim, todos os participantes a
experimentar um conjunto de ferramentas
coreográficas e sequências de movimento
usando as canções do Cantar Mais, procurando
enriquecer as aprendizagens artísticas e
musicais.
NÓS
PORCÁ
outubro’16-pag12
Worshop 2
PRINCÍPIOS
POLISphónicos
Criação Sonora
Filipe Lopes
Paisagem sonora é o nome que o compositor,
pedagogo e ambientalista Murray Schafer deu à
totalidade dos sons do meio ambiente,
comparando-os a uma composição musical em
permanente performance. Passos no passeio,
pássaros a cantar, uma porta a bater, vento nas
flores, vozes ao longe, uma campainha a soar,
água a correr, sinos… Os sons do quotidiano são
matéria para este workshop que pretende
sensibilizar para o valor musical da paisagem
sonora, propondo um conjunto de princípios
para a criação musical com o ambiente sonoro:
escuta, recolha sonora e composição musical. A
partir da aplicação digital POLISphone, cada
participante constrói um mapa sonoro original e
pessoal, trabalhando-se posteriormente e em
conjunto a composição musical vindoura.
iniciativa apoios
NÓS
PORCÁ
outubro’16-pag13
Workshop 3
Mãos que Cantam
Sérgio Peixoto
O Coro Mãos Que Cantam tem desenvolvido
um trabalho marcante na área da Música com
Surdos, tendo recebido o apoio do Programa
PARTIS da Fundação Calouste Gulbenkian,
assim como do BPI Capacitar.
Neste workshop, a experiência do Coro vai ser
instrumental para perceber como os surdos
pensam e sentem a música. Como tal, é
fundamental perceber o que é a pessoa surda e
a importância da Língua Gestual Portuguesa no
contexto da Música com Surdos.
Os participantes vão ter a oportunidade de
experimentar o processo com os surdos,
coralistas do Mãos Que Cantam.
NÓS
PORCÁ
outubro’16-pag14
O que é essencial que
os alunos aprendam?
Este é o desafio que se coloca a todas os
professores.
Em reunião com as associações profissionais, o
Secretário de Estado da Educação, João Costa,
pediu aos professores que apresentassem o
currículo essencial das suas áreas.
A APEM, presente nesta reunião, está
disponível e participará ativamente nesta
reflexão e na elaboração de um documento
síntese da sua perspetiva curricular para a
música na escolaridade obrigatória.
O debate e a reflexão sobre o que é essencial
aprender em música na escolaridade
obrigatória já se iniciou e a definição das
aprendizagens essenciais em música para cada
ano de escolaridade é o nosso objetivo.
Todas as colaborações e sugestões são
bem-vindas e podem ser enviadas para o
e-mail da APEM.
Centro de Formação
da APEM
Ação de Formação
“Cantar da infância à adolescência
– atualidades científicas e desafios didáticos II”
com Ana Leonor Pereira nos dias 12 e 13
de novembro – uma parceria do CFAPEM
com o Conservatório de Música do Porto.
Destinatários:
Professores:
de Canto - M26;
de Canto Gregoriano - M27;
de Classes de Conjunto -M32;
de Formação Musical - M28;
de Educação Musical - 250;
de Música - 610
Todas as informações e inscrições aqui:
http://www.conservatoriodemusicadoporto.pt/?p=2953
outubro’16-pag15
DEOLHOS
POSTOS
Um continental nos Açores
Projeto Lira 2015 - 2016
Tendo como base a ideia inicial da Orquestra Regional Lira Açoriana, criada em 1998 por iniciativa da
Presidência do Governo dos Açores/ Direcção Regional da Cultura, o Projeto Lira 2015-2016 foi composto
por cerca de setenta jovens músicos entre os 14 e os 24 anos oriundos de dezenas de filarmónicas dos
Açores.
Tudo começou com um convite que a Direção Regional da Cultura me fez para assumir as funções de
Maestro e Diretor Artístico desta Orquestra.
Passados dois meses deste convite aceite, iniciavam-se as audições para a seleção de músicos.
Concorreram jovens de S.Miguel, Terceira, Pico, S.Jorge, Faial, Flores e Graciosa. Conseguimos preencher
todos os naipes, inclusive fagotes e oboés.
A expectativa era imensa!
Henrique Piloto, professor e maestro, conta-nos a sua experiência no Projeto Lira nos Açores,
um projeto de formação que seguimos com atenção.
Neste último concerto foram premiados dois
jovens com a oportunidade de realizarem
masterclasses no país e no estrangeiro. Foi tida
em conta nesta eleição, a qualidade musical, a
evolução ao longo dos estágios, a sua atitude
em ensaios e concertos e o relacionamento com
os seus pares. Um trompetista e uma trompista,
vencedores!
A grande premissa da Direção Regional da
Cultura dos Açores no Projeto Lira é a formação
no centro da atividade, e através dela contribuir
para o aperfeiçoamento das bandas da Região,
assumindo-se como símbolo da unidade
regional. Deste modo, os formadores também
ministraram aulas diárias a elementos das
filarmónicas das ilhas onde se realizaram os
estágios.
Foi constituída uma equipa de formadores e, na
Páscoa de 2015, juntámo-nos pela primeira vez
no auditório do Ramo Grande, na ilha Terceira.
O reportório colocava grandes desafios aos
jovens músicos. Nomes como Mussorgsky ou
Shostakovich eram-lhes tão difíceis de
pronunciar como interpretar a sua música. O
compositor açoreano Antero Ávila, embora
conhecido nos Açores, continente, EUA e
noutros países, foi uma revelação para estes
jovens. A sua música traz algo de muito
inovador, e a cada esquina espera por nós um
acorde como a lava de um vulção ou um vento
forte de um tufão. Mas a serenidade das
paisagens e o encanto das hortênsias também
nos acompanham na sua música. Os miúdos
estavam perplexos!
O primeiro concerto foi um éxito. Quando virá o
próximo? Seguiram-se mais três estágios em
setembro 2015 na ilha das Flores, na Páscoa de
2016 na ilha da Graciosa, culminando num
quarto estágio em Ponta Delgada, no Teatro
Micaelense, em setembro de 2016.
Escolheram-se as peças que ainda mais
motivaram estes jovens, entre elas as de dois
compositores açoreanos – Francisco de Lacerda
e Antero Ávila - e de um compositor do
continente, Duarte Pestana.
outubro’16-pag16
DEOLHOS
POSTOS
Em jeito de conclusão, posso dizer que as
reações do público foram muito positivas, com
grandes elogios ao trabalho realizado e
apresentado. Já as reações dos próprios
elementos do Projecto Lira vão muito mais além!
A felicidade por ser capaz de fazer, de tocar e de
interpretar reportórios tão exigentes, elevou a
autoestima dos jovens e deu-lhes muito mais
segurança. Ficavam a estudar mesmo para além
do horário estabelecido! A maior parte destes só
tinham frequentado as escolas de música da
suas filarmónicas e quiseram aproveitar ao
máximo esta oportunidade. E fizeram bem, sem
dúvida. A sede de saber e o querer aprender
não teve limites.
Fiquei com a sensação de dever cumprido e de
que deixei muitas sementes que podem florir.
Obrigado Açores.
Tomando como ponto de partida o nível musical
dos jovens açorianos, procurei que
descobrissem as inúmeras valências e a riqueza
da música erudita, que alargassem os seus
horizontes musicais em questões relacionadas
com novos conceitos de ritmos e harmonias e
também que conhecessem outros nomes de
compositores e outras obras de referência,
contribuindo assim para o seu desenvolvimento
humano e cultural.
Mas mais do que um grupo de músicos, quero
que a Lira Açoreana seja uma oportunidade de
cada um descobrir-se a si próprio. Quero que
seja através da música que as valências e as
competências musicais sirvam também para
mostrar o que de melhor se faz na região.
Os Açores sempre foram uma zona onde a
música teve grandes valores, tanto ao nível da
música erudita como na música popular.
outubro’16-pag17
DEOLHOS
POSTOS
Henrique Piloto
Afinal para que serve a Educação Musical?
outubro’16-pag18
VOZES
DAAPEM
José Galvão, professor de educação musical e sócio da APEM,
conta-nos uma história e reflete sobre a educação musical.
Dentro de um estabelecimento de comercialização
de instrumentos (e escola de música) tive hoje a
oportunidade de assistir, anónimo, a uma acérrima
discussão relacionada com a importância da
educação musical na formação das crianças.
Num dos lados estavam dois profissionais da
música que procuravam contestar a postura de
desvalorização da disciplina de EM, protagonizada
por um grupo numericamente superior (4 ou 5)
que afirmavam alternada e orgulhosamente, nada
terem a ver, (sob a perspetiva dos próprios) com a
área da música e que esta era mesmo um entrave
existente no currículo dos alunos. Afirmavam
coisas como: “essa disciplina devia ser banida ou
extinta”, não me recordo bem do termo utilizado.
Inicialmente, agradou-me ver, os profissionais da
música, como que habituados a tal postura, a
defenderem a música com fortes e diversos argumentos, um deles dizia: “a música é muito importante! Ela
contribui para o desenvolvimento cerebral dos alunos… contribui para o sucesso nas outras disciplinas;
melhora o comportamento dos estudantes…” entre outros argumentos semelhantes, fundamentando estas
afirmações invocando estudos cientificamente comprovados e até apresentando exemplos de génios
famosos, cuja influência da música terá contribuído para o seu sucesso, nomeadamente Albert Einstein
entre muitos outros.
O colega músico reforçava esta teoria lembrando que um terço da população dos países desenvolvidos
tem uma profissão relacionada com a música! E de seguida enumerava: autores, compositores, intérpretes,
cantores, músicos, técnicos de som, sonoplastas, etc… debitando ininterruptamente um “rol de profissões”
que parecia não ter fim à vista…
Os membros do grupo queixoso iam
interrompendo os argumentos com “flechas”
como: a falta de procura desse tipo de
profissionais (desemprego, como se fosse a
única!); as degradadas condições atribuídas em
Portugal a quem vive das cantigas (como se fosse
a única!); a incapacidade de subsistência financeira
(como se fosse a única!), etc…
Não derrotados, os dois músicos lembravam que a
música é, foi e sempre será, para muitos,
responsável pela criação de enormes fortunas,
rematando que alguns músicos, mesmo depois de
mortos, continuam a gerar receitas astronómicas
durante várias gerações.
Alguns segundos antes de decidir intervir na
discussão, ainda houve tempo para ouvir, por parte
de um queixoso, um minucioso argumento de
acusação que prefiro resumir numa frase: “para
isso é preferível apostar no futebol…”
Num ápice a conversa mudou de tema e eu acabei
por não dizer nada…
Saí da loja a pensar no assunto e surgiu-me a
pergunta: então e a própria música? Não se invoca
o valor da música em si?
Dos leitores deste “testamento”, quantos ainda
não ouviram música hoje? Quantos não escutaram
nem que por breves minutos, música no carro a
caminho da escola ou do trabalho?
Quantos de vós saíram de casa sem ouvir música
na televisão ou no quarto do filho ou filha que já
não pode viver sem os seus auscultadores?
Quantos de vós foram às compras e não ouviram
em cada estabelecimento que entraram, muita
música no ar?
Quantos serão capazes de enunciar um filme que
tenham visto (terror, romance, comédia, qualquer
um) sem a presença de uma banda sonora? Nem
os filmes mudos prescindem da música para o
público!
Quantos leitores conseguem encontrar um
anúncio televisivo ou radiofónico sem música?
Nem o direito de antena…
Quantos de nós conseguem encontrar nos
prazeres da vida um sentimento igual à sensação
única de ouvir (já não quero dizer tocar, ou melhor
ainda, compor!) aquela música que nos faz
arrepiar os cabelos; que nos faz rir ou chorar; que
nos conforta ou nos anima?
Enfim… será que a música precisa de “bengalas
comparativas” para sobreviver?
Para que a disciplina de Educação Musical
sobreviva com dignidade é urgente e necessário
que cada um de nós contribua para a mudança de
mentalidades. A música não é, nem tem de ser,
como a Matemática ou o Português e muito
menos como disciplina de apoio às restantes, ela
vale por si só!
A educação musical (E.M.) no ensino básico e mais
concretamente nas escolas públicas de ensino
genérico, não tem, no meu ponto de vista, um
perfil identitário devidamente identificado. Isto é,
não obstante a defesa da sua importância para
uma formação humanista e criativa, a sua
implementação no currículo tem sido, desde
sempre, uma questão problemática.
outubro’16-pag19
VOZES
DAAPEM
Apesar do que está previsto (em teoria) nas
orientações curriculares relativamente aos
objetivos da disciplina e ao desenvolvimento de
competências musicais, na prática o que ainda se
verifica é uma ideia muito deturpada sobre as
verdadeiras funções formativas da E.M.
Não me refiro às funções da música em si, já várias
vezes identificadas por diversos pedagogos,
nomeadamente Merriam (1964) que identificou e
categorizou dez funções da música, concluindo
que "provavelmente não há nenhuma outra
actividade humana cultural que seja tão influente e
que alcance, modele e frequentemente controle
tanto o comportamento humano"
(Merriam,1964:218).
Nem quero dizer que os professores não podem
ou não devem tirar partido, designadamente das
funções sociais da música: "sob o ponto de vista
dos usos e funções, ela é muito mais do que uma
arte, o que explica a sua importância social".
Contudo, no que diz respeito à música em si,
como uma forma de linguagem, deve ser esta a
essência do seu estudo em Educação Musical.
Se pensarmos, por exemplo, no papel dos
conservatórios e/ou das academias de música,
associamos estas instituições de ensino como
sendo próprias para a formação de músicos, ou no
mínimo como locais onde os alunos podem
aprender a tocar um instrumento. Na escola
pública não, a educação musical é quase sempre
vista como um mero complemento, uma pequena
demonstração muito limitada no espaço e no
tempo, cujo objetivo formativo é… muito dúbio.
A falta de uma conceção e operacionalização do
papel da música e dos músicos na vida dos
estudantes perdura muito indefinida, o que
dificulta a implementação e regulação de políticas
no ensino e concretamente na disciplina de
educação musical.
Apesar da crescente literatura e das múltiplas
investigações na área da música, que muito têm
contribuído para a melhoria das práticas
pedagógicas, há ainda muito a fazer no sentido de
pôr em prática a teoria existente, um bom
exemplo disso seria a aplicação efetiva no terreno
das orientações curriculares para o 3º Ciclo, que
estão pensadas neste sentido da ação ao
“substituírem” a primazia da aquisição de
conteúdos isolados, pelo desenvolvimento de
competências que permitam compreender e
saber como utilizar esses mesmos conteúdos. Este
processo de aquisição e fruição faz-se por via da
experiência prática. Para que isso possa acontecer
há muito a fazer no sentido da consciencialização
e compreensão dos agentes educativos e políticos
relativamente ao verdadeiro objetivo da disciplina.
Além disso, é importante perceber que dinâmicas
(também importantes e necessárias) são ou não
valorizadas pelos próprios estudantes, no sentido
da formação de músicos segundo as suas próprias
perspetivas do que é um músico e segundo os
diferentes contextos em que se encontra.
outubro’16-pag20
VOZES
DAAPEM
Para compreender e defender a razão da
existência da disciplina de Educação Musical é
urgente apostar na investigação que contribua
para reforçar o seu perfil identitário e funcional. A
investigação pode e deve ajudar a esclarecer o
papel da música e dos músicos na vida dos
estudantes e da escola.
É urgente inverter a “ideia” das funções
exclusivamente lúdicas da E.M., ou de mero lazer e
divertimento, em contraste com a “ideia” das
funções úteis das restantes disciplinas do currículo.
Por outro lado, a desejada capacidade de leitura à
1ª vista e da perfeita interpretação de todas as
indicações de uma partitura não pode alhear-se e
muito menos condenar a capacidade de fazer
música graças à (por vezes exclusiva) capacidade
auditiva e à facilidade de compreensão de um
contexto musical sem precisar de aceder a uma
pauta.
Em resumo, o professor de música precisa de
meios para fundamentar inequivocamente as suas
práticas e acima de tudo precisa de orientações
para encontrar o equilíbrio entre a Educação
Musical meramente acessória e a Educação
Musical resumida ao conhecimento empírico da
duração de figuras rítmicas e/ou do nome das
notas musicais sem passar pela experiência de
perceber o que podíamos fazer com elas.
José Galvão
outubro’16-pag21
VOZES
DAAPEM
217 780 629 • 936 756 246 • 917 592 504 • apem.educacaomusical@gmail.com • www.apem.org.pt
Comissão científica e organizadora: Manuela Encarnação, Ana Luísa Veloso, Ana Venade, Carlos Batalha, Nuno Bettencourt Mendes, Carlos Gomes, Gilberto Costa
QUE
FUTUROS
PARA
A MÚSICA
NA EDUCAÇÃO
ENCONTRONACIONALAPEM2016
26 novembro, 9h –18h Fundação Calouste Gulbenkian
BoasvindasGustavoLopes
ConferênciasChrisPhilpott,AnaLuísaVeloso,HeidiWesterlund
MesaRedondaGraçaMota,MariaJoãoMagno,PauloMuiños,ManuelEsperança,JoãoCosta•Moderadora:ManuelaEncarnação
WorkshopsCarlaAlbuquerque,FilipeLopes,SérgioPeixoto
Workshop/ConcertoFrançoisChoiselat
iniciativa apoios
Ficha Técnica
Conceção e edição: Direção da APEM • Coordenação gráfica:
Henrique Nande
Colaboram neste número: Ana Luísa Veloso, Ana Venade,
Carlos Batalha, Carlos Gomes, Gilberto Costa, Manuela
Encarnação, Nuno Bettencourt Mendes, Henrique
Piloto, José Galvão
Associação Portuguesa
de Educação Musical
Praça António Baião n.º5 B – Loja 1500-712 LISBOA
de 2ª a 6ª feira das 10h às 12.30h e das 14h às 17.30h
Tel.: 217 780 629
Tm.: 917 592 504/ 936 756 246
apem.educacaomusical@gmail.com
https://www.facebook.com/apem.edmusical?fref=ts info@cantarmais.pt
https://www.facebook.com/CantarMais/?fref=ts
outubro’16-pag22
PROGRAMA
QUE FUTUROS
PARA A MÚSICA NA EDUCAÇÃO
26novembro,9h–18h
FundaçãoCalousteGulbenkian
ENCONTRONACIONALAPEM2016
8.30 Receção-inscrições
9.15-9.30 Atividade de boas vindas: “P’ra começar bem...” Sala 1
Gustavo Lopes (Conservatório de Música da Metropolitana)
9.35-9.45 Abertura Auditório 3
Conferência 1 Auditório 3
A justificação da música no currículo revisitado
Chris Philpott (Universidade de Greenwich, UK)
Conferência 2 Sala 1
Da docência à investigação: modos de narrar a experiência
Ana Luísa Veloso (CIPEM – Centro de Investigação em Psicologia da Música e Educação Musical)
Mesa Redonda Auditório 3
O lugar da música no currículo da escolaridade obrigatória
Graça Mota, Maria João Magno, Paulo Muiños, Manuel Esperança, João Costa
Moderadora: Manuela Encarnação
Conferência 3 Auditório 3
Renarrar o futuro da educação musical:
de que forma a sociedade desafia a nossa profissão no século XXI
Heidi Westerlund (Academia Sibelius, Finlândia)
9.45-10.45
11h05-11.45
20m
15m
5m
5m
CAFÉ
CAFÉ
PAUSA
90mALMOÇO
11.50-13.15
PAUSA
14.45-15.45
16.00-17.00
17.05-17.45
Workshop 1 Sala 1
Dançar Canções
Carla Albuquerque
Workshop Auditório 3
Concerto Soundpainting
François Choiselat
Workshop 2 Sala 2
Princípios POLISphónicos
Criação sonora
Filipe Lopes
Workshop 3 Auditório 3
Mãos que Cantam
Sérgio Peixoto
Faça já a sua inscrição:
Sócios Não sócios Estudantes
Até 25 outubro
Após 26 de outubro
€20,00 €35,00 €25,00
€25,00 €40,00 €30,00
Desconto de 10% para Grupos (preencher ficha de inscrição própria de grupo)
http://www.apem.org.pt/files/encontro-nacional-apem-2016.html

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Newsletter APEM - José Galvão - Para que serve a Educação Musical

  • 1. OUTUBRO’16 Edição da Associação Portuguesa de Educação Musical 02 Editorial 04 Cantar Mais • Casa da Música 09 Nós por cá • 3º Concurso de Composição de Canções Para Crianças sobre Literatura Oral e Tradicional Portuguesa • Encontro Nacional da APEM 2016 • O que é essencial que os alunos aprendam? • CFAPEM 15 De olhos Postos • Projeto Lira Henrique Piloto 18 Vozes da APEM • Afinal para que serve a Educação Musical? José Galvão 22 Última
  • 2. outubro’16 - pag02 Este mês trazemos a reportagem do Cantar Mais na Casa da Música que não podemos deixar de assinalar e partilhar. Foi de facto uma apresentação/espetáculo que trouxe ao palco quase 100 crianças e jovens que cantaram e dançaram canções. E foi também um momento em que tivemos oportunidade de explicar o que já se fez e porquê, e o que ainda pretendemos fazer. Os depoimentos do Diretor da Fundação Calouste Gulbenkian, Dr. Carmelo Rosa e da Coordenadora do Programa de Educação Estética e Artística da Direção-Geral de Educação, Dra. Elisa Marques, enquadraram a perspetiva dos apoios institucionais ao Cantar Mais. No primeiro foi destacado a credibilidade e relevância do trabalho da APEM ao longo de mais de 40 anos em prol do desenvolvimento de uma educação musical em Portugal e no segundo, a importância da plataforma digital Cantar Mais como um recurso essencial para mais e melhores práticas artístico-musicais dos professores. Este mês, temos também estado centrados a finalizar a preparação e a organização do nosso Encontro Nacional 2016 cuja temática considerámos ser a adequada e pertinente no quadro das políticas educativas atuais: “Que futuro para a música na educação?”. Pensar o futuro da música na educação é uma ideia ambiciosa que nos convoca para múltiplas outras questões que se cruzam com o conceito de futuro e de educação. Se por um lado os desafios do futuro têm sido caracterizados pelos seus elevados níveis de incerteza e complexidade, por outro, o papel da educação neste quadro requer um profundo debate na sociedade. Como preparar as crianças e jovens para lidarem com os muitos e diversos desafios do século XXI é a questão que se nos coloca. E é uma questão difícil e aquela com que menos estamos familiarizados. Como se faz? E que desígnio pode a música ter nesta abordagem? Começar por refletir sobre a natureza do conhecimento musical e o seu significado enquanto objeto de aprendizagem, decerto contribuirá para melhor colocar, entender e defender a música na educação. EDITORIAL
  • 3. outubro’16-pag03 Este trabalho tem que ser feito por profissionais reflexivos, colaborativos e capazes de criar e construir situações de aprendizagem musical adequadas aos seus lugares educativos e comunitários. Neste contexto, o Encontro Nacional da APEM 2016 tem como objetivos proporcionar um diálogo sobre as possíveis perspetivas teóricas e práticas relacionadas com os caminhos que a música pode assumir na escola no quadro de uma escolaridade obrigatória de 12 anos e também sobre novas formas de aprender música no século XXI, fundamentadas em experiências práticas e na investigação produzida recentemente. EDITORIAL Manuela Encarnação
  • 4. CANTAR MAIS outubro16-pag04 Foi assim no passado dia 24 de setembro na Casa da Música do Porto. Cantar Mais na Casa da Música foi uma Apresentação/Espetáculo. Alunos da Escola da Companhia de Dança de Almada Alunos do Conservatório de Música do Porto e da Escola da Companhia de Dança de Almada
  • 5. Carlos Gomes - APEM Gilberto Costa - APEM Manuela Encarnação - APEM Manuel Carmelo Rosa - Diretor da F. C. Gulbenkian Elisa Marques - DGE - Programa de Educação CANTAR MAIS outubro16-pag05 Estética e Artística
  • 6. outubro16-pag06 Dança das Canções CANTAR MAIS Cante no Cantar - Paulo Colaço Veja aqui a reportagem: https://www.youtube.com/watch?v=9BfvEuQelFY&feature=youtu.be
  • 7. outubro16-pag07 CANTAR MAIS Cantar Mais na Sic Notícias Edição da Manhã, 13 de outubro. Veja aqui toda a entrevista: http://sicnoticias.sapo.pt/programas/edicaodamanha/2016-10-13-Cantar-Mais-Plataforma-digital-gratuita-contribui-para-inovar-ensino-musical
  • 8. outubro16-pag08 CANTAR MAIS A AGENDA Cantar Mais está cheia de workshops! Consulte a nossa programação. Deixamos aqui alguns momentos do Workshop Cantar Mais em Penacova. Próximos workshops Cantar Mais http://www.cantarmais.pt/pt/agenda/detalhe/ae--aguas-santas
  • 9. NÓS PORCÁ outubro’16-pag09 No cumprimento do disposto no Regulamento do 3º Concurso de Composição de Canções para Crianças sobre Literatura Oral e Tradicional Portuguesa, divulgam-se as canções e compositores premiados. 1º Prémio - Canção “Eco” de Rafael Filipe Moreira Araújo Menção honrosa - Canção “Quem espera” de José Eduardo da Silva Figueiredo Menção honrosa - Canção “Sarapico” de Rui Miguel Soares Brandão 3º concurso de composição de canções para crianças sobre literatura oral e tradicional portuguesa 2016 Muitos parabéns! iniciativa apoio
  • 10. NÓS PORCÁ outubro’16-pag10 QUE FUTUROS PARA A MÚSICA NA EDUCAÇÃO ENCONTRONACIONALAPEM2016 26 novembro, 9h –18h Fundação Calouste Gulbenkian http://www.apem.org.pt/files/encontro-nacional-apem-2016.html
  • 11. NÓS PORCÁ outubro’16-pag11 Worshop 1 Dançar Canções Carla Albuquerque Pretende-se incentivar todos os docentes a usar o movimento como ferramenta de ensino na sala de aula complementando as aprendizagens musicais, nomeadamente as propostas no Cantar Mais. Através de jogos de movimento, baseados em esquemas livres ou pré-estabelecidos, de forma individual ou coletiva, pretende-se promover a aquisição de conceitos relativos ao espaço e à orientação (perto/longe, em cima/em baixo, para a frente/para trás, alto/baixo, curto/longo, grande/pequeno, esquerda/direita) e conceitos relativos ao tempo e à estrutura rítmica (primeiro/depois, ao mesmo tempo/conjuntamente, lento/rápido). Convidam-se, assim, todos os participantes a experimentar um conjunto de ferramentas coreográficas e sequências de movimento usando as canções do Cantar Mais, procurando enriquecer as aprendizagens artísticas e musicais.
  • 12. NÓS PORCÁ outubro’16-pag12 Worshop 2 PRINCÍPIOS POLISphónicos Criação Sonora Filipe Lopes Paisagem sonora é o nome que o compositor, pedagogo e ambientalista Murray Schafer deu à totalidade dos sons do meio ambiente, comparando-os a uma composição musical em permanente performance. Passos no passeio, pássaros a cantar, uma porta a bater, vento nas flores, vozes ao longe, uma campainha a soar, água a correr, sinos… Os sons do quotidiano são matéria para este workshop que pretende sensibilizar para o valor musical da paisagem sonora, propondo um conjunto de princípios para a criação musical com o ambiente sonoro: escuta, recolha sonora e composição musical. A partir da aplicação digital POLISphone, cada participante constrói um mapa sonoro original e pessoal, trabalhando-se posteriormente e em conjunto a composição musical vindoura.
  • 13. iniciativa apoios NÓS PORCÁ outubro’16-pag13 Workshop 3 Mãos que Cantam Sérgio Peixoto O Coro Mãos Que Cantam tem desenvolvido um trabalho marcante na área da Música com Surdos, tendo recebido o apoio do Programa PARTIS da Fundação Calouste Gulbenkian, assim como do BPI Capacitar. Neste workshop, a experiência do Coro vai ser instrumental para perceber como os surdos pensam e sentem a música. Como tal, é fundamental perceber o que é a pessoa surda e a importância da Língua Gestual Portuguesa no contexto da Música com Surdos. Os participantes vão ter a oportunidade de experimentar o processo com os surdos, coralistas do Mãos Que Cantam.
  • 14. NÓS PORCÁ outubro’16-pag14 O que é essencial que os alunos aprendam? Este é o desafio que se coloca a todas os professores. Em reunião com as associações profissionais, o Secretário de Estado da Educação, João Costa, pediu aos professores que apresentassem o currículo essencial das suas áreas. A APEM, presente nesta reunião, está disponível e participará ativamente nesta reflexão e na elaboração de um documento síntese da sua perspetiva curricular para a música na escolaridade obrigatória. O debate e a reflexão sobre o que é essencial aprender em música na escolaridade obrigatória já se iniciou e a definição das aprendizagens essenciais em música para cada ano de escolaridade é o nosso objetivo. Todas as colaborações e sugestões são bem-vindas e podem ser enviadas para o e-mail da APEM. Centro de Formação da APEM Ação de Formação “Cantar da infância à adolescência – atualidades científicas e desafios didáticos II” com Ana Leonor Pereira nos dias 12 e 13 de novembro – uma parceria do CFAPEM com o Conservatório de Música do Porto. Destinatários: Professores: de Canto - M26; de Canto Gregoriano - M27; de Classes de Conjunto -M32; de Formação Musical - M28; de Educação Musical - 250; de Música - 610 Todas as informações e inscrições aqui: http://www.conservatoriodemusicadoporto.pt/?p=2953
  • 15. outubro’16-pag15 DEOLHOS POSTOS Um continental nos Açores Projeto Lira 2015 - 2016 Tendo como base a ideia inicial da Orquestra Regional Lira Açoriana, criada em 1998 por iniciativa da Presidência do Governo dos Açores/ Direcção Regional da Cultura, o Projeto Lira 2015-2016 foi composto por cerca de setenta jovens músicos entre os 14 e os 24 anos oriundos de dezenas de filarmónicas dos Açores. Tudo começou com um convite que a Direção Regional da Cultura me fez para assumir as funções de Maestro e Diretor Artístico desta Orquestra. Passados dois meses deste convite aceite, iniciavam-se as audições para a seleção de músicos. Concorreram jovens de S.Miguel, Terceira, Pico, S.Jorge, Faial, Flores e Graciosa. Conseguimos preencher todos os naipes, inclusive fagotes e oboés. A expectativa era imensa! Henrique Piloto, professor e maestro, conta-nos a sua experiência no Projeto Lira nos Açores, um projeto de formação que seguimos com atenção.
  • 16. Neste último concerto foram premiados dois jovens com a oportunidade de realizarem masterclasses no país e no estrangeiro. Foi tida em conta nesta eleição, a qualidade musical, a evolução ao longo dos estágios, a sua atitude em ensaios e concertos e o relacionamento com os seus pares. Um trompetista e uma trompista, vencedores! A grande premissa da Direção Regional da Cultura dos Açores no Projeto Lira é a formação no centro da atividade, e através dela contribuir para o aperfeiçoamento das bandas da Região, assumindo-se como símbolo da unidade regional. Deste modo, os formadores também ministraram aulas diárias a elementos das filarmónicas das ilhas onde se realizaram os estágios. Foi constituída uma equipa de formadores e, na Páscoa de 2015, juntámo-nos pela primeira vez no auditório do Ramo Grande, na ilha Terceira. O reportório colocava grandes desafios aos jovens músicos. Nomes como Mussorgsky ou Shostakovich eram-lhes tão difíceis de pronunciar como interpretar a sua música. O compositor açoreano Antero Ávila, embora conhecido nos Açores, continente, EUA e noutros países, foi uma revelação para estes jovens. A sua música traz algo de muito inovador, e a cada esquina espera por nós um acorde como a lava de um vulção ou um vento forte de um tufão. Mas a serenidade das paisagens e o encanto das hortênsias também nos acompanham na sua música. Os miúdos estavam perplexos! O primeiro concerto foi um éxito. Quando virá o próximo? Seguiram-se mais três estágios em setembro 2015 na ilha das Flores, na Páscoa de 2016 na ilha da Graciosa, culminando num quarto estágio em Ponta Delgada, no Teatro Micaelense, em setembro de 2016. Escolheram-se as peças que ainda mais motivaram estes jovens, entre elas as de dois compositores açoreanos – Francisco de Lacerda e Antero Ávila - e de um compositor do continente, Duarte Pestana. outubro’16-pag16 DEOLHOS POSTOS
  • 17. Em jeito de conclusão, posso dizer que as reações do público foram muito positivas, com grandes elogios ao trabalho realizado e apresentado. Já as reações dos próprios elementos do Projecto Lira vão muito mais além! A felicidade por ser capaz de fazer, de tocar e de interpretar reportórios tão exigentes, elevou a autoestima dos jovens e deu-lhes muito mais segurança. Ficavam a estudar mesmo para além do horário estabelecido! A maior parte destes só tinham frequentado as escolas de música da suas filarmónicas e quiseram aproveitar ao máximo esta oportunidade. E fizeram bem, sem dúvida. A sede de saber e o querer aprender não teve limites. Fiquei com a sensação de dever cumprido e de que deixei muitas sementes que podem florir. Obrigado Açores. Tomando como ponto de partida o nível musical dos jovens açorianos, procurei que descobrissem as inúmeras valências e a riqueza da música erudita, que alargassem os seus horizontes musicais em questões relacionadas com novos conceitos de ritmos e harmonias e também que conhecessem outros nomes de compositores e outras obras de referência, contribuindo assim para o seu desenvolvimento humano e cultural. Mas mais do que um grupo de músicos, quero que a Lira Açoreana seja uma oportunidade de cada um descobrir-se a si próprio. Quero que seja através da música que as valências e as competências musicais sirvam também para mostrar o que de melhor se faz na região. Os Açores sempre foram uma zona onde a música teve grandes valores, tanto ao nível da música erudita como na música popular. outubro’16-pag17 DEOLHOS POSTOS Henrique Piloto
  • 18. Afinal para que serve a Educação Musical? outubro’16-pag18 VOZES DAAPEM José Galvão, professor de educação musical e sócio da APEM, conta-nos uma história e reflete sobre a educação musical. Dentro de um estabelecimento de comercialização de instrumentos (e escola de música) tive hoje a oportunidade de assistir, anónimo, a uma acérrima discussão relacionada com a importância da educação musical na formação das crianças. Num dos lados estavam dois profissionais da música que procuravam contestar a postura de desvalorização da disciplina de EM, protagonizada por um grupo numericamente superior (4 ou 5) que afirmavam alternada e orgulhosamente, nada terem a ver, (sob a perspetiva dos próprios) com a área da música e que esta era mesmo um entrave existente no currículo dos alunos. Afirmavam coisas como: “essa disciplina devia ser banida ou extinta”, não me recordo bem do termo utilizado. Inicialmente, agradou-me ver, os profissionais da música, como que habituados a tal postura, a defenderem a música com fortes e diversos argumentos, um deles dizia: “a música é muito importante! Ela contribui para o desenvolvimento cerebral dos alunos… contribui para o sucesso nas outras disciplinas; melhora o comportamento dos estudantes…” entre outros argumentos semelhantes, fundamentando estas afirmações invocando estudos cientificamente comprovados e até apresentando exemplos de génios famosos, cuja influência da música terá contribuído para o seu sucesso, nomeadamente Albert Einstein entre muitos outros. O colega músico reforçava esta teoria lembrando que um terço da população dos países desenvolvidos tem uma profissão relacionada com a música! E de seguida enumerava: autores, compositores, intérpretes, cantores, músicos, técnicos de som, sonoplastas, etc… debitando ininterruptamente um “rol de profissões” que parecia não ter fim à vista…
  • 19. Os membros do grupo queixoso iam interrompendo os argumentos com “flechas” como: a falta de procura desse tipo de profissionais (desemprego, como se fosse a única!); as degradadas condições atribuídas em Portugal a quem vive das cantigas (como se fosse a única!); a incapacidade de subsistência financeira (como se fosse a única!), etc… Não derrotados, os dois músicos lembravam que a música é, foi e sempre será, para muitos, responsável pela criação de enormes fortunas, rematando que alguns músicos, mesmo depois de mortos, continuam a gerar receitas astronómicas durante várias gerações. Alguns segundos antes de decidir intervir na discussão, ainda houve tempo para ouvir, por parte de um queixoso, um minucioso argumento de acusação que prefiro resumir numa frase: “para isso é preferível apostar no futebol…” Num ápice a conversa mudou de tema e eu acabei por não dizer nada… Saí da loja a pensar no assunto e surgiu-me a pergunta: então e a própria música? Não se invoca o valor da música em si? Dos leitores deste “testamento”, quantos ainda não ouviram música hoje? Quantos não escutaram nem que por breves minutos, música no carro a caminho da escola ou do trabalho? Quantos de vós saíram de casa sem ouvir música na televisão ou no quarto do filho ou filha que já não pode viver sem os seus auscultadores? Quantos de vós foram às compras e não ouviram em cada estabelecimento que entraram, muita música no ar? Quantos serão capazes de enunciar um filme que tenham visto (terror, romance, comédia, qualquer um) sem a presença de uma banda sonora? Nem os filmes mudos prescindem da música para o público! Quantos leitores conseguem encontrar um anúncio televisivo ou radiofónico sem música? Nem o direito de antena… Quantos de nós conseguem encontrar nos prazeres da vida um sentimento igual à sensação única de ouvir (já não quero dizer tocar, ou melhor ainda, compor!) aquela música que nos faz arrepiar os cabelos; que nos faz rir ou chorar; que nos conforta ou nos anima? Enfim… será que a música precisa de “bengalas comparativas” para sobreviver? Para que a disciplina de Educação Musical sobreviva com dignidade é urgente e necessário que cada um de nós contribua para a mudança de mentalidades. A música não é, nem tem de ser, como a Matemática ou o Português e muito menos como disciplina de apoio às restantes, ela vale por si só! A educação musical (E.M.) no ensino básico e mais concretamente nas escolas públicas de ensino genérico, não tem, no meu ponto de vista, um perfil identitário devidamente identificado. Isto é, não obstante a defesa da sua importância para uma formação humanista e criativa, a sua implementação no currículo tem sido, desde sempre, uma questão problemática. outubro’16-pag19 VOZES DAAPEM
  • 20. Apesar do que está previsto (em teoria) nas orientações curriculares relativamente aos objetivos da disciplina e ao desenvolvimento de competências musicais, na prática o que ainda se verifica é uma ideia muito deturpada sobre as verdadeiras funções formativas da E.M. Não me refiro às funções da música em si, já várias vezes identificadas por diversos pedagogos, nomeadamente Merriam (1964) que identificou e categorizou dez funções da música, concluindo que "provavelmente não há nenhuma outra actividade humana cultural que seja tão influente e que alcance, modele e frequentemente controle tanto o comportamento humano" (Merriam,1964:218). Nem quero dizer que os professores não podem ou não devem tirar partido, designadamente das funções sociais da música: "sob o ponto de vista dos usos e funções, ela é muito mais do que uma arte, o que explica a sua importância social". Contudo, no que diz respeito à música em si, como uma forma de linguagem, deve ser esta a essência do seu estudo em Educação Musical. Se pensarmos, por exemplo, no papel dos conservatórios e/ou das academias de música, associamos estas instituições de ensino como sendo próprias para a formação de músicos, ou no mínimo como locais onde os alunos podem aprender a tocar um instrumento. Na escola pública não, a educação musical é quase sempre vista como um mero complemento, uma pequena demonstração muito limitada no espaço e no tempo, cujo objetivo formativo é… muito dúbio. A falta de uma conceção e operacionalização do papel da música e dos músicos na vida dos estudantes perdura muito indefinida, o que dificulta a implementação e regulação de políticas no ensino e concretamente na disciplina de educação musical. Apesar da crescente literatura e das múltiplas investigações na área da música, que muito têm contribuído para a melhoria das práticas pedagógicas, há ainda muito a fazer no sentido de pôr em prática a teoria existente, um bom exemplo disso seria a aplicação efetiva no terreno das orientações curriculares para o 3º Ciclo, que estão pensadas neste sentido da ação ao “substituírem” a primazia da aquisição de conteúdos isolados, pelo desenvolvimento de competências que permitam compreender e saber como utilizar esses mesmos conteúdos. Este processo de aquisição e fruição faz-se por via da experiência prática. Para que isso possa acontecer há muito a fazer no sentido da consciencialização e compreensão dos agentes educativos e políticos relativamente ao verdadeiro objetivo da disciplina. Além disso, é importante perceber que dinâmicas (também importantes e necessárias) são ou não valorizadas pelos próprios estudantes, no sentido da formação de músicos segundo as suas próprias perspetivas do que é um músico e segundo os diferentes contextos em que se encontra. outubro’16-pag20 VOZES DAAPEM
  • 21. Para compreender e defender a razão da existência da disciplina de Educação Musical é urgente apostar na investigação que contribua para reforçar o seu perfil identitário e funcional. A investigação pode e deve ajudar a esclarecer o papel da música e dos músicos na vida dos estudantes e da escola. É urgente inverter a “ideia” das funções exclusivamente lúdicas da E.M., ou de mero lazer e divertimento, em contraste com a “ideia” das funções úteis das restantes disciplinas do currículo. Por outro lado, a desejada capacidade de leitura à 1ª vista e da perfeita interpretação de todas as indicações de uma partitura não pode alhear-se e muito menos condenar a capacidade de fazer música graças à (por vezes exclusiva) capacidade auditiva e à facilidade de compreensão de um contexto musical sem precisar de aceder a uma pauta. Em resumo, o professor de música precisa de meios para fundamentar inequivocamente as suas práticas e acima de tudo precisa de orientações para encontrar o equilíbrio entre a Educação Musical meramente acessória e a Educação Musical resumida ao conhecimento empírico da duração de figuras rítmicas e/ou do nome das notas musicais sem passar pela experiência de perceber o que podíamos fazer com elas. José Galvão outubro’16-pag21 VOZES DAAPEM 217 780 629 • 936 756 246 • 917 592 504 • apem.educacaomusical@gmail.com • www.apem.org.pt Comissão científica e organizadora: Manuela Encarnação, Ana Luísa Veloso, Ana Venade, Carlos Batalha, Nuno Bettencourt Mendes, Carlos Gomes, Gilberto Costa QUE FUTUROS PARA A MÚSICA NA EDUCAÇÃO ENCONTRONACIONALAPEM2016 26 novembro, 9h –18h Fundação Calouste Gulbenkian BoasvindasGustavoLopes ConferênciasChrisPhilpott,AnaLuísaVeloso,HeidiWesterlund MesaRedondaGraçaMota,MariaJoãoMagno,PauloMuiños,ManuelEsperança,JoãoCosta•Moderadora:ManuelaEncarnação WorkshopsCarlaAlbuquerque,FilipeLopes,SérgioPeixoto Workshop/ConcertoFrançoisChoiselat iniciativa apoios
  • 22. Ficha Técnica Conceção e edição: Direção da APEM • Coordenação gráfica: Henrique Nande Colaboram neste número: Ana Luísa Veloso, Ana Venade, Carlos Batalha, Carlos Gomes, Gilberto Costa, Manuela Encarnação, Nuno Bettencourt Mendes, Henrique Piloto, José Galvão Associação Portuguesa de Educação Musical Praça António Baião n.º5 B – Loja 1500-712 LISBOA de 2ª a 6ª feira das 10h às 12.30h e das 14h às 17.30h Tel.: 217 780 629 Tm.: 917 592 504/ 936 756 246 apem.educacaomusical@gmail.com https://www.facebook.com/apem.edmusical?fref=ts info@cantarmais.pt https://www.facebook.com/CantarMais/?fref=ts outubro’16-pag22 PROGRAMA QUE FUTUROS PARA A MÚSICA NA EDUCAÇÃO 26novembro,9h–18h FundaçãoCalousteGulbenkian ENCONTRONACIONALAPEM2016 8.30 Receção-inscrições 9.15-9.30 Atividade de boas vindas: “P’ra começar bem...” Sala 1 Gustavo Lopes (Conservatório de Música da Metropolitana) 9.35-9.45 Abertura Auditório 3 Conferência 1 Auditório 3 A justificação da música no currículo revisitado Chris Philpott (Universidade de Greenwich, UK) Conferência 2 Sala 1 Da docência à investigação: modos de narrar a experiência Ana Luísa Veloso (CIPEM – Centro de Investigação em Psicologia da Música e Educação Musical) Mesa Redonda Auditório 3 O lugar da música no currículo da escolaridade obrigatória Graça Mota, Maria João Magno, Paulo Muiños, Manuel Esperança, João Costa Moderadora: Manuela Encarnação Conferência 3 Auditório 3 Renarrar o futuro da educação musical: de que forma a sociedade desafia a nossa profissão no século XXI Heidi Westerlund (Academia Sibelius, Finlândia) 9.45-10.45 11h05-11.45 20m 15m 5m 5m CAFÉ CAFÉ PAUSA 90mALMOÇO 11.50-13.15 PAUSA 14.45-15.45 16.00-17.00 17.05-17.45 Workshop 1 Sala 1 Dançar Canções Carla Albuquerque Workshop Auditório 3 Concerto Soundpainting François Choiselat Workshop 2 Sala 2 Princípios POLISphónicos Criação sonora Filipe Lopes Workshop 3 Auditório 3 Mãos que Cantam Sérgio Peixoto Faça já a sua inscrição: Sócios Não sócios Estudantes Até 25 outubro Após 26 de outubro €20,00 €35,00 €25,00 €25,00 €40,00 €30,00 Desconto de 10% para Grupos (preencher ficha de inscrição própria de grupo) http://www.apem.org.pt/files/encontro-nacional-apem-2016.html