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           Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares


                                        Introdução
Esta reflexão pretende responder à proposta de trabalho para a semana de 01 a 08 de
Novembro denominada como Tarefa 2. Teve como suporte a literatura recomendada no Guia
da Unidade e uma reflexão pessoal sobre os pontos a desenvolver.

A primeira reflexão que me apraz fazer prende-se com o facto de ter iniciado esta formação
em auto-avaliação das Bibliotecas Escolares antes de me ter sido proporcionada a hipótese
de formação, a este nível, ou seja, oficina de formação, nos diferentes domínios da BE a
serem avaliados. Como só este ano assumi as funções de professora bibliotecária não
sei se o meu caso é um caso isolado ou a regra.

A multiplicidade de competências do professor bibliotecário (Texto da sessão, ponto 6),
que ultrapassam em larga medida as atribuídas a qualquer docente, implicam uma
auto-formação exaustiva que lhe permita lançar-se em todos estes arrojados desafios.

De qualquer forma, considero que o Modelo está bem elaborado e parece ser de grande
utilidade enquanto processo pedagógico regulador, que fomenta o reconhecimento do valor e
missão da BE na escola.

O auto-avaliação é um processo que conduz à reflexão e origina mudanças concretas no
caminho a seguir com vista à melhoria, centrada essencialmente no impacto qualitativo da
BE.

Pertinência de um Modelo deAvaliação para as bibliotecas escolares
Ao longo dos anos, a avaliação das bibliotecas tem-se baseado apenas em dados estatísticos,
os quais, na maioria das vezes, identificavam apenas a quantificação do serviço prestado.;
baseava-se nos “inputs” (colecção existente, recursos humanos, verbas utilizadas) e nos
“outputs” ( número de empréstimos, número de utilizadores).

O Modelo de Auto-Avaliação baseia-se na necessidade de medir o impacto qualitativo da BE
nos utilizadores, isto é, a aferição das modificações positivas que a utilização dos recursos,
equipamento e espaço da BE tem nas atitudes, valores e conhecimentos dos utilizadores.

Na minha opinião, é importante que a avaliação seja pautada pelo rigor e objectividade, não
descurando o seu carácter formativo, que permite a identificação de necessidades e pontos
fracos, tendo sempre em vista “a melhoria da melhoria”.

A apresentação de resultados que a aplicação do Modelo de Auto-Avaliação, modelo
regulador, baseado na recolha sistemática de evidências, permite, não só definir estratégias
com vista à melhoria da qualidade dos serviços da BE, ou seja, da sua eficácia, mas também
identificar o sucesso e o impacto dos seus serviços e os “gaps” condicionantes desse
sucesso e ainda prestar contas do impacto dos seus serviços na comunidade educativa.




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           Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares


Omodelo enquanto instrumento pedagógico e de melhoria de melhoria.
Conceitos implicados.
 “Pedagogia que tem a construção do conhecimento e a aprendizagem da
investigação no seu centro, onde através do acesso a múltiplas fontes e formatos de
informação e tecnologia da informação, os alunos adquirem as matrizes intelectuais
para se envolverem com múltiplas perspectivas, fontes e formatos de informação,
para serem capazes de construir o seu próprio entendimento” Todd Ross

O modelo de avaliação permite dotar as bibliotecas escolares de um quadro de referência e
de um instrumento que lhes permite a melhoria contínua da qualidade.

A avaliação é um processo, não constitui um fim: “ A auto- avaliação deve ser encarada como
um processo pedagógico e regulador, inerente à gestão e procura de uma melhoria contínua
da biblioteca escolar”.

O processo passa pela recolha de evidências – identificação de necessidades (pontos fortes e
fracos), áreas de sucesso e as que requerem maior investimento – plano de melhoria –
definição de objectivos e prioridades – que deve facultar informação de qualidade capaz de
apoiar uma tomada de decisão interligada com a avaliação da escola e inflexão de práticas

Conceitos implicados

Na sequência das leituras realizadas, permito-me destacar alguns conceitos:

      A noção de valor: sendo a Biblioteca Escolar uma estrutura capaz de contribuir para
       a concretização dos objectivos do Projecto Educativo da Escola, deve a Escola
       reconhecer o seu impacto na vida escolar dos alunos.

      A Missão e eficácia da Biblioteca Escolar passa pelo impacto da BE na melhoria das
       aprendizagens através dum desenvolvimento curricular adequado que conduza ao
       sucesso educativo dos alunos. O trabalho da e na Biblioteca Escolar permite o
       desenvolvimento de competências e capacidades de pensar, viver e trabalhar.

      Novas estratégias de abordagem à realidade e ao conhecimento - O aluno é o
       construtor do próprio conhecimento.

      Introdução das TIC permite a introdução de novos ambientes de disponibilização da
       informação, de trabalho, de construção do conhecimento, desenvolvimento das
       literacias da informação e aprendizagem contínua ao longoda vida.

      Prática baseada na recolha sistemática de evidências A abordagem holística da
       prática baseada em evidências envolve três dimensões: para a prática, na prática e da
       prática. A quantidade e qualidade de recolha de evidências fornece informações sobre
       determinada situação, encaminhando-a para a melhoria.




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       A prática baseada em evidências coloca ênfase nos resultados da aprendizagem dos
       alunos: indicadores mensuráveis para esses resultados e “feedback” para a
       comunidade educativa da consecução desses indicadores

      Práticas de pesquisa-acção: a avaliação permite validar o que fazemos, como
       fazemos, onde estamos e até onde queremos ir.

      Metodologias de controlo.

A minha curta experiência na área das bibliotecas escolares leva-me a considerar que a
implementação deste modelo não será fácil, visto que, a sua operacionalização não depende
apenas da vontade e do desempenho do professor bibliotecário e da equipa pedagógica da
biblioteca escolar, mas também da colaboração das restantes estruturas pedagógicas e,
fundamentalmente, do envolvimento de toda a comunidade escolar.

Assim, o professor bibliotecário e a restante equipa da BE, deverá envidar todos os esforços
para cativar e motivar os outros docentes e estruturas para um trabalho mais colaborante
com a Biblioteca Escolar.

Como forma de tentar melhorar esta colaboração, foi resolvido que este ano o domínio a
avaliar será o apoio ao desenvolvimento curricular. Assim, neste momento, estão a ser
criados instrumentos e rotinas que permitam a recolha sistemática de evidências neste
domínio. Sinto que estou a iniciar uma caminhada, feita de pequenas vitórias e
constrangimentos que necessitam de tempo e persistência para serem ultrapassados.



Organização estrutural e funcional
O Modelo de Auto-Avaliação pretende avaliar a qualidade e eficácia da BE, no seu
contexto, isto é: “este documento aponta para uma utilização flexível, com adaptação à
realidade de cada escola e de cada BE”Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas
Escolares.

Este pressuposto parece-me correcto, no entanto, o facto do modelo pretender que “
o processo de auto-avaliação mobilize toda a escola, melhorando através da acção
colectiva as possibilidades oferecidas pela BE” parece-me desejável mas de difícil,
senão impossível, concretização. Como envolver e “comprometer” toda a comunidade
educativa?! Espero que a minha experiência como Professora Bibliotecária me traga a
resposta a esta questão!

De momento, parece-me um documento muito complexo e de difícil aplicação, dada a
realidade das escolas em que cada estrutura pedagógica se preocupa essencialmente
com o seu campo de acção. Como mobilizar e responsabilizar todas as estruturas
pedagógicas da escola e todos os agentes de educaçãO? Parece-me um desafio
bastante aliciante mas demasiado arriscado para ser levado a cabo apenas por um
professor bibliotecário e um grupo de alguns professores(cerca de 10% do total dos
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docentes da escola) que, nas suas horas não lectivas (entre 90 e 180 minutos por
semana) se dedicam ao desenvolvimento de actividades/ projectos da/na BE!

Contudo, considero que a aplicação do modelo poderá ser uma oportunidade para a
comunidade educativa reconhecer o contributo da BE no sucesso educativo dos
alunos, enquanto processo de contínua melhoria.

As áreas nucleares em que se deverá processar o trabalho da/com a BE foram
agrupadas, no documento Modelo de Auto-Avaliação em quatro domínios e
respectivos subdomínios., conforme referido na página 3, Modelo de Auto-Avaliação
das Bibliotecas Escolares.

Tenho algumas dificuldades em perceber as razões que levaram à introdução de
determinados factores críticos de sucesso ou acções para a melhoria em determinado
domínio e não noutro, talvés porque entenda que todos os domínios se interligam uns
com os outros.

Consequentemente, também não concordo muito com a metodologia sugerida –
avaliação de um dos domínios por ano lectivo, porque considero pouco “natural”
“isolar” um domínio e trabalhar mais esse domínio quando alguns alunos e
professores poderão estar mais motivados para o desenvolvimento de um outro
domínio diferente do escolhido para esse ano lectivo.

Compreendo, no entanto, as dificulddes acrescidas que traria a avaliação anual dos
quatro domínios!

Integração/Aplicção à realidade                    da   escola/biblioteca         escolar.
Oportunidades e constrangimentos.
A integração da auto-avaliação da BE na escola pressupõe a motivação individual da
equipa da BE, assim como, uma liderança forte do professor bibliotecário,
mobilizando a escola para a necessidade de implementação deste processo.

A motivação e empenho, bem como a formação adequada do professor bibliotecário e
da equipa pedagógica da BE podem traduzir-se em oportunidades e/ou
constrangimentos, dependendo do grau de envolvimento e o nível de formação nos
diferentes domínios da BE e em auto-avaliação.

A implementação do Modelo de Auto-Avaliação implica uma intensa agenda de
trabalho por parte do professor bibliotecário:coordenação do processo através da
realização de reuniões períodicas e sessões (in)formativas com os diversos
intervenientes no processo, incentivando, desta forma, toda a comunidade escolar, ao
reconhecimento do real impacto e valor da BE nas diferentes vertentes, a saber:



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      desenvolvimento de competências de leitura e de um programa de literacia da
       informação (leitura e literacias);

      articulação com departamentos, professores e alunos na planificação e
       desenvolvimento de actividades educativas e de aprendizagem e integração no
       processo de ensino/aprendizagem (apoio ao desenvolvimento curricular);

      acesso e qualidade da colecção (gestão da Biblioteca Escolar);

      apoio a actividades livres e de abertura à comunidade, projectos e parcerias.

A Biblioteca Escolar constitui um contributo essencial para o sucesso educativo, sendo um
recurso fundamental para o desenvolvimento do ensino/aprendizagem. Do meu ponto de
vista, é importante que o Conselho Directivo e as outras estruturas pedagógicas da escola
conheçam a dimensão da aplicação deste modelo.

Visto que a BE é um recurso da escola - espaço formativo e de aprendizagem equipado com
um conjunto significativo de recursos e de equipamentos-, a avaliação deve, por isso, ser
divulgada.e participada.



Gestão das mudanças que a sua aplicação impõe. Níveis de participação
da e na escola.
“...a avaliação não constitui um fim, devendo ser entendida como um processo que deverá
conduzir à reflexão e deverá originar mudanças concretas na prática.” RBE, Modelo de Auto-
Avaliação da Biblioteca Escolar, 2008

A partir da análise e reflexão dos resultados da aplicação do Modelo de Auto-Avaliação é
possível traçar linhas de actuação que conduzam à mudança, com a aplicação de um grau de
objectividade e rigor bastante diferentes dos constantes no tipo de avaliação feita
anteriormente. Essas mudanças reflectem-se na metodologia de trabalho proposta pelo
modelo:

Recolha sistemática de evidências que passa por uma prática corrente de:

      registo do trabalho desenvolvido;

      aplicação de questionários e listas de verificação;

      registos de projectos/actividades;

      registos de reuniões, planos de trabalho e planificações conjuntas;

      documentos de divulgação e marketing;

      registos fotográficos ou video;

      grelhas de registo;
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      cobertura pela imprensa local das actividades desenvolvidas.



Construção do conhecimento pelos próprios alunos através de:

      domínio de um conjunto de competências de manipulação da informação

      competências de literacia da informação;

      interacção efectiva com um mundo de informação rico e complexo;

      desenvolvimento de novas compreensões, percepções e ideias.

   A apropriação destas competências permite-lhes não só uma abordagem construtivista
   do conhecimento como também a aplicação prática dessas “competências” na elaboração
   de jornais escolares, páginas “web”, “blogs”, foruns de leitura e outros.

   Wilson (1996), citado no documento Excerto do texto “Professores Bibliotecários
   Escolares: resultados da aprendizagem e prática baseada em evidências” afirma que a
   aprendizagem que destaca as “ actividades significativas e autênticas que ajudam o aluno
   a construir conhecimentos e a desenvolver competências relevantes para a resolução de
   problemas” é a missão central da escola.

   “ o fortalecimento/capacitação, a conectividade, o envolvimento e a interactividade
   definem as acções e práticas da biblioteca escolar, e o seu resultado é a construção do
   conhecimento: novos significados, novas compreensões, novas perspectivas” Excerto do
   texto “Professores Bibliotecários Escolares: resultados da aprendizagem e prática
   baseada em evidências.

   Não poderia estar mais de acordo com tudo o que acabei de citar, no entanto, num
   sistema educativo em que se continua a preconizar o modelo expositivo como
   metodologia única de ensino aprendizagem, em que os pais e encarregados de educação
   desvalorizam toda e qualquer avaliação que não passe por verificação de repetição dos
   conceitos ministrados pelo professor, em que os alunos têm dificuldade em seguir pelo
   caminho mais trabalhoso, embora mais compensador – pesquisa/acção e optam
   frequentemente, pelo caminho mais fácil e rápido - “copiar/colar”, em que a maioria dos
   docentes se “satisfaz” com esse tipo de trabalho, é difícil fazer a mudança.

   O papel educativo do Professor Bibliotecário é “ um papel de liderança significativo” que
   inclui, entre outras igualmente importantes,uma liderança estratégica - “ visão centrada
   na aprendizagem em acções” ” Excerto do texto “Professores Bibliotecários Escolares:
   resultados da aprendizagem e prática baseada em evidências.

   No entanto, a resistência à mudança é enorme e a ideia contida na afirmação “ This man
   wants to change your job” , Eisenberg e Miller (2002) continua ainda muito presente nas
   nossas escolas.



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 01 de Novembro a 08 de Novembro 2010                                          Nélida Nabais

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  • 1. Forum 2 Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares Introdução Esta reflexão pretende responder à proposta de trabalho para a semana de 01 a 08 de Novembro denominada como Tarefa 2. Teve como suporte a literatura recomendada no Guia da Unidade e uma reflexão pessoal sobre os pontos a desenvolver. A primeira reflexão que me apraz fazer prende-se com o facto de ter iniciado esta formação em auto-avaliação das Bibliotecas Escolares antes de me ter sido proporcionada a hipótese de formação, a este nível, ou seja, oficina de formação, nos diferentes domínios da BE a serem avaliados. Como só este ano assumi as funções de professora bibliotecária não sei se o meu caso é um caso isolado ou a regra. A multiplicidade de competências do professor bibliotecário (Texto da sessão, ponto 6), que ultrapassam em larga medida as atribuídas a qualquer docente, implicam uma auto-formação exaustiva que lhe permita lançar-se em todos estes arrojados desafios. De qualquer forma, considero que o Modelo está bem elaborado e parece ser de grande utilidade enquanto processo pedagógico regulador, que fomenta o reconhecimento do valor e missão da BE na escola. O auto-avaliação é um processo que conduz à reflexão e origina mudanças concretas no caminho a seguir com vista à melhoria, centrada essencialmente no impacto qualitativo da BE. Pertinência de um Modelo deAvaliação para as bibliotecas escolares Ao longo dos anos, a avaliação das bibliotecas tem-se baseado apenas em dados estatísticos, os quais, na maioria das vezes, identificavam apenas a quantificação do serviço prestado.; baseava-se nos “inputs” (colecção existente, recursos humanos, verbas utilizadas) e nos “outputs” ( número de empréstimos, número de utilizadores). O Modelo de Auto-Avaliação baseia-se na necessidade de medir o impacto qualitativo da BE nos utilizadores, isto é, a aferição das modificações positivas que a utilização dos recursos, equipamento e espaço da BE tem nas atitudes, valores e conhecimentos dos utilizadores. Na minha opinião, é importante que a avaliação seja pautada pelo rigor e objectividade, não descurando o seu carácter formativo, que permite a identificação de necessidades e pontos fracos, tendo sempre em vista “a melhoria da melhoria”. A apresentação de resultados que a aplicação do Modelo de Auto-Avaliação, modelo regulador, baseado na recolha sistemática de evidências, permite, não só definir estratégias com vista à melhoria da qualidade dos serviços da BE, ou seja, da sua eficácia, mas também identificar o sucesso e o impacto dos seus serviços e os “gaps” condicionantes desse sucesso e ainda prestar contas do impacto dos seus serviços na comunidade educativa. 1 01 de Novembro a 08 de Novembro 2010 Nélida Nabais
  • 2. Forum 2 Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares Omodelo enquanto instrumento pedagógico e de melhoria de melhoria. Conceitos implicados. “Pedagogia que tem a construção do conhecimento e a aprendizagem da investigação no seu centro, onde através do acesso a múltiplas fontes e formatos de informação e tecnologia da informação, os alunos adquirem as matrizes intelectuais para se envolverem com múltiplas perspectivas, fontes e formatos de informação, para serem capazes de construir o seu próprio entendimento” Todd Ross O modelo de avaliação permite dotar as bibliotecas escolares de um quadro de referência e de um instrumento que lhes permite a melhoria contínua da qualidade. A avaliação é um processo, não constitui um fim: “ A auto- avaliação deve ser encarada como um processo pedagógico e regulador, inerente à gestão e procura de uma melhoria contínua da biblioteca escolar”. O processo passa pela recolha de evidências – identificação de necessidades (pontos fortes e fracos), áreas de sucesso e as que requerem maior investimento – plano de melhoria – definição de objectivos e prioridades – que deve facultar informação de qualidade capaz de apoiar uma tomada de decisão interligada com a avaliação da escola e inflexão de práticas Conceitos implicados Na sequência das leituras realizadas, permito-me destacar alguns conceitos:  A noção de valor: sendo a Biblioteca Escolar uma estrutura capaz de contribuir para a concretização dos objectivos do Projecto Educativo da Escola, deve a Escola reconhecer o seu impacto na vida escolar dos alunos.  A Missão e eficácia da Biblioteca Escolar passa pelo impacto da BE na melhoria das aprendizagens através dum desenvolvimento curricular adequado que conduza ao sucesso educativo dos alunos. O trabalho da e na Biblioteca Escolar permite o desenvolvimento de competências e capacidades de pensar, viver e trabalhar.  Novas estratégias de abordagem à realidade e ao conhecimento - O aluno é o construtor do próprio conhecimento.  Introdução das TIC permite a introdução de novos ambientes de disponibilização da informação, de trabalho, de construção do conhecimento, desenvolvimento das literacias da informação e aprendizagem contínua ao longoda vida.  Prática baseada na recolha sistemática de evidências A abordagem holística da prática baseada em evidências envolve três dimensões: para a prática, na prática e da prática. A quantidade e qualidade de recolha de evidências fornece informações sobre determinada situação, encaminhando-a para a melhoria. 2 01 de Novembro a 08 de Novembro 2010 Nélida Nabais
  • 3. Forum 2 Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares A prática baseada em evidências coloca ênfase nos resultados da aprendizagem dos alunos: indicadores mensuráveis para esses resultados e “feedback” para a comunidade educativa da consecução desses indicadores  Práticas de pesquisa-acção: a avaliação permite validar o que fazemos, como fazemos, onde estamos e até onde queremos ir.  Metodologias de controlo. A minha curta experiência na área das bibliotecas escolares leva-me a considerar que a implementação deste modelo não será fácil, visto que, a sua operacionalização não depende apenas da vontade e do desempenho do professor bibliotecário e da equipa pedagógica da biblioteca escolar, mas também da colaboração das restantes estruturas pedagógicas e, fundamentalmente, do envolvimento de toda a comunidade escolar. Assim, o professor bibliotecário e a restante equipa da BE, deverá envidar todos os esforços para cativar e motivar os outros docentes e estruturas para um trabalho mais colaborante com a Biblioteca Escolar. Como forma de tentar melhorar esta colaboração, foi resolvido que este ano o domínio a avaliar será o apoio ao desenvolvimento curricular. Assim, neste momento, estão a ser criados instrumentos e rotinas que permitam a recolha sistemática de evidências neste domínio. Sinto que estou a iniciar uma caminhada, feita de pequenas vitórias e constrangimentos que necessitam de tempo e persistência para serem ultrapassados. Organização estrutural e funcional O Modelo de Auto-Avaliação pretende avaliar a qualidade e eficácia da BE, no seu contexto, isto é: “este documento aponta para uma utilização flexível, com adaptação à realidade de cada escola e de cada BE”Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares. Este pressuposto parece-me correcto, no entanto, o facto do modelo pretender que “ o processo de auto-avaliação mobilize toda a escola, melhorando através da acção colectiva as possibilidades oferecidas pela BE” parece-me desejável mas de difícil, senão impossível, concretização. Como envolver e “comprometer” toda a comunidade educativa?! Espero que a minha experiência como Professora Bibliotecária me traga a resposta a esta questão! De momento, parece-me um documento muito complexo e de difícil aplicação, dada a realidade das escolas em que cada estrutura pedagógica se preocupa essencialmente com o seu campo de acção. Como mobilizar e responsabilizar todas as estruturas pedagógicas da escola e todos os agentes de educaçãO? Parece-me um desafio bastante aliciante mas demasiado arriscado para ser levado a cabo apenas por um professor bibliotecário e um grupo de alguns professores(cerca de 10% do total dos 3 01 de Novembro a 08 de Novembro 2010 Nélida Nabais
  • 4. Forum 2 Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares docentes da escola) que, nas suas horas não lectivas (entre 90 e 180 minutos por semana) se dedicam ao desenvolvimento de actividades/ projectos da/na BE! Contudo, considero que a aplicação do modelo poderá ser uma oportunidade para a comunidade educativa reconhecer o contributo da BE no sucesso educativo dos alunos, enquanto processo de contínua melhoria. As áreas nucleares em que se deverá processar o trabalho da/com a BE foram agrupadas, no documento Modelo de Auto-Avaliação em quatro domínios e respectivos subdomínios., conforme referido na página 3, Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares. Tenho algumas dificuldades em perceber as razões que levaram à introdução de determinados factores críticos de sucesso ou acções para a melhoria em determinado domínio e não noutro, talvés porque entenda que todos os domínios se interligam uns com os outros. Consequentemente, também não concordo muito com a metodologia sugerida – avaliação de um dos domínios por ano lectivo, porque considero pouco “natural” “isolar” um domínio e trabalhar mais esse domínio quando alguns alunos e professores poderão estar mais motivados para o desenvolvimento de um outro domínio diferente do escolhido para esse ano lectivo. Compreendo, no entanto, as dificulddes acrescidas que traria a avaliação anual dos quatro domínios! Integração/Aplicção à realidade da escola/biblioteca escolar. Oportunidades e constrangimentos. A integração da auto-avaliação da BE na escola pressupõe a motivação individual da equipa da BE, assim como, uma liderança forte do professor bibliotecário, mobilizando a escola para a necessidade de implementação deste processo. A motivação e empenho, bem como a formação adequada do professor bibliotecário e da equipa pedagógica da BE podem traduzir-se em oportunidades e/ou constrangimentos, dependendo do grau de envolvimento e o nível de formação nos diferentes domínios da BE e em auto-avaliação. A implementação do Modelo de Auto-Avaliação implica uma intensa agenda de trabalho por parte do professor bibliotecário:coordenação do processo através da realização de reuniões períodicas e sessões (in)formativas com os diversos intervenientes no processo, incentivando, desta forma, toda a comunidade escolar, ao reconhecimento do real impacto e valor da BE nas diferentes vertentes, a saber: 4 01 de Novembro a 08 de Novembro 2010 Nélida Nabais
  • 5. Forum 2 Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares  desenvolvimento de competências de leitura e de um programa de literacia da informação (leitura e literacias);  articulação com departamentos, professores e alunos na planificação e desenvolvimento de actividades educativas e de aprendizagem e integração no processo de ensino/aprendizagem (apoio ao desenvolvimento curricular);  acesso e qualidade da colecção (gestão da Biblioteca Escolar);  apoio a actividades livres e de abertura à comunidade, projectos e parcerias. A Biblioteca Escolar constitui um contributo essencial para o sucesso educativo, sendo um recurso fundamental para o desenvolvimento do ensino/aprendizagem. Do meu ponto de vista, é importante que o Conselho Directivo e as outras estruturas pedagógicas da escola conheçam a dimensão da aplicação deste modelo. Visto que a BE é um recurso da escola - espaço formativo e de aprendizagem equipado com um conjunto significativo de recursos e de equipamentos-, a avaliação deve, por isso, ser divulgada.e participada. Gestão das mudanças que a sua aplicação impõe. Níveis de participação da e na escola. “...a avaliação não constitui um fim, devendo ser entendida como um processo que deverá conduzir à reflexão e deverá originar mudanças concretas na prática.” RBE, Modelo de Auto- Avaliação da Biblioteca Escolar, 2008 A partir da análise e reflexão dos resultados da aplicação do Modelo de Auto-Avaliação é possível traçar linhas de actuação que conduzam à mudança, com a aplicação de um grau de objectividade e rigor bastante diferentes dos constantes no tipo de avaliação feita anteriormente. Essas mudanças reflectem-se na metodologia de trabalho proposta pelo modelo: Recolha sistemática de evidências que passa por uma prática corrente de:  registo do trabalho desenvolvido;  aplicação de questionários e listas de verificação;  registos de projectos/actividades;  registos de reuniões, planos de trabalho e planificações conjuntas;  documentos de divulgação e marketing;  registos fotográficos ou video;  grelhas de registo; 5 01 de Novembro a 08 de Novembro 2010 Nélida Nabais
  • 6. Forum 2 Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares  cobertura pela imprensa local das actividades desenvolvidas. Construção do conhecimento pelos próprios alunos através de:  domínio de um conjunto de competências de manipulação da informação  competências de literacia da informação;  interacção efectiva com um mundo de informação rico e complexo;  desenvolvimento de novas compreensões, percepções e ideias. A apropriação destas competências permite-lhes não só uma abordagem construtivista do conhecimento como também a aplicação prática dessas “competências” na elaboração de jornais escolares, páginas “web”, “blogs”, foruns de leitura e outros. Wilson (1996), citado no documento Excerto do texto “Professores Bibliotecários Escolares: resultados da aprendizagem e prática baseada em evidências” afirma que a aprendizagem que destaca as “ actividades significativas e autênticas que ajudam o aluno a construir conhecimentos e a desenvolver competências relevantes para a resolução de problemas” é a missão central da escola. “ o fortalecimento/capacitação, a conectividade, o envolvimento e a interactividade definem as acções e práticas da biblioteca escolar, e o seu resultado é a construção do conhecimento: novos significados, novas compreensões, novas perspectivas” Excerto do texto “Professores Bibliotecários Escolares: resultados da aprendizagem e prática baseada em evidências. Não poderia estar mais de acordo com tudo o que acabei de citar, no entanto, num sistema educativo em que se continua a preconizar o modelo expositivo como metodologia única de ensino aprendizagem, em que os pais e encarregados de educação desvalorizam toda e qualquer avaliação que não passe por verificação de repetição dos conceitos ministrados pelo professor, em que os alunos têm dificuldade em seguir pelo caminho mais trabalhoso, embora mais compensador – pesquisa/acção e optam frequentemente, pelo caminho mais fácil e rápido - “copiar/colar”, em que a maioria dos docentes se “satisfaz” com esse tipo de trabalho, é difícil fazer a mudança. O papel educativo do Professor Bibliotecário é “ um papel de liderança significativo” que inclui, entre outras igualmente importantes,uma liderança estratégica - “ visão centrada na aprendizagem em acções” ” Excerto do texto “Professores Bibliotecários Escolares: resultados da aprendizagem e prática baseada em evidências. No entanto, a resistência à mudança é enorme e a ideia contida na afirmação “ This man wants to change your job” , Eisenberg e Miller (2002) continua ainda muito presente nas nossas escolas. 6 01 de Novembro a 08 de Novembro 2010 Nélida Nabais