Ir para o conteúdo principal
Morfologia
Profª Maria Glalcy Fequetia Dalcim
mariaglalcy@gmail.com
maria.dalcim@ifsp.edu.br
https://lingualem.wordpress.com
SANDALO, M.F.S. Morfologia. In: MUSSALIN, F.;
BENTES, A. N. Introdução à linguística: domínios e
fronteiras. São Paulo: Cortez, 2012.
CARVALHO, R. G. As contribuições da linguística
funcionalista no ensino de língua portuguesa. In:
Diversa. Teresina: UFPI. Ano I - nº 2, p. 85-99, jul./dez.
2008
CASTILHO, A. A gramaticalização. In: Revista de
estudos linguísticos e literários. Salvador: UFBA, 25-
64. 1997.
Morfologia
Na linguística, como em qualquer ciência, um dos
problemas básicos é identificar critérios para definirmos as
unidades básicas de estudo. Muitos linguistas preferem
definir palavras usando critérios sintáticos, os quais
parecem funcionar em qualquer língua do mundo. Uma
sequência de sons somente pode ser definida como uma
palavra lexical se (I) puder ser usada como resposta mínima
a uma pergunta e se (II) puder ser usada em várias
posições sintáticas.
Morfologia
Palavra é a unidade mínima que pode ocorrer livremente.
Uma vez assumida essa definição de palavra, podemos
distinguir vários elementos que carregam exatamente o
mesmo significado, mas que não tem o mesmo status
gramatical. Ex. o pronome cíclico “o”, terceira pessoa do
singular masculino (Maria o viu na feira) não pode ocorrer
como resposta a uma pergunta e não pode servir como
sujeito de uma sentença, não sendo portanto, uma palavra.
Morfologia
Morfemas - Um vez definida o que é uma palavra, temos
definida a unidade máxima da Morfologia. As unidades
mínimas da Morfologia são os elementos que compõem
uma palavra – fonemas, traços, etc. A palavra
“nacionalização” significa ato de nacionalizar. Seu
significado é derivado do significado das partes que
compõem esta palavra. Os elementos que carregam
significado dentro de uma palavra são rotulados como
Morfemas e são estes a unidade mínima da Morfologia.
Morfologia
Quadro Estruturalista - para o Estruturalismo, uma das
preocupações da linguística é tentar explicar coo
reconhecemos palavras que nunca ouvimos antes e como
podemos criar palavras que nunca foram proferidas antes –
nosso conhecimento dos morfemas da língua é o que nos
dá esta capacidade – crucial importância da morfologia
para o estruturalismo.
Morfologia
 Quadro Estruturalista - Os seguintes passos são usados para a
documentação dos morfemas de uma dada língua:
 a) identifique formas recorrentes e tente observar qual é o pedaço de
significado recorrente na tradução;
 b) não assuma que morfemas universalmente aparecem na mesma
ordem que os morfemas em português;
 c) não assuma que todos os significados expressos por morfemas
em sua língua nativa serão expressos em outra língua por um
morfema específico;
 d) não assuma que sua língua nativa apresenta todos os contrastes
morfológicos possíveis universalmente.
Morfologia
Teoria Gerativa Padrão – estudo da relação entre Fonologia
e Morfologia, tomando como base os critérios usados nos
primeiros anos do gerativismo (Chomsky e Halle, 1968), a
morfologia sofre um impacto bastante acentuado da
Fonologia – essa pode exercer influência não apenas em
relação ao lugar onde o morfema é inserido mas também
na própria forma fonética dos morfemas. As variantes de
um mesmo morfema são chamadas de alomorfes.
Morfologia
O desenvolvimento da teoria gerativa – a morfologia tem
também sua interface na sintaxe, por esse motivo, a sintaxe
passou a ser o ponto central da Gramática, uma vez que é
na Sintaxe que vemos uma maior similaridade entre as
línguas. Dentro do quadro gerativista das décadas de 1970
e 1980, passou-se a assumir que cada componente da
Gramática deveria corresponder a um módulo
independente governado por seus princípios particulares.
Morfologia
 O desenvolvimento da teoria gerativa – Cada módulo seria
independente do outro – a fonologia passou a ser dividida em duas
partes: a Fonologia Lexical (processada no léxico) e a Fonologia Pós-
Lexical (processada depois da sintaxe). A linguística gerativa passou a
contar com os módulos: léxico, sintaxe, fonologia pós-lexical e
semântica. Segundo essa abordagem, morfemas seriam adicionados
uns aos outros no léxico, regras fonológicas seguiriam aplicadas
depois da adição de cada morfema – o léxico é um local de
armazenamento de irregularidades memorizadas.
Morfologia
Léxico
Sintaxe
Fonologia pós-lexical Semântica
Morfologia
 Chomsky (1970) - a sintaxe deveria ser cega para a morfologia –
Hipótese Lexicalista.
 Anderson (1982) – criticou se a morfologia é realmente irrelevante
para a Sintaxe e se toda Morfologia deve ser processada no léxico.
Segundo o autor, pelo menos uma classe de morfemas, aqueles
conhecidos como morfemas flexionais, são relevantes para a Sintaxe
e não podem ser ignorados pelo componente sintático.
Morfologia
 Destaque para a Morfologia Derivacional e Flexional: a)
Morfologia Derivacional
(i) tem a característica de alterar a categoria gramatical de uma
palavra (ex. nacionalização);
(ii) não é produtiva, isto é, não é qualquer morfema derivacional que
pode ser adicionado a qualquer raiz- morfemas derivacionais tem
muitas restrições de co-ocorrência, assim podemos adicionar o
morfema Iz ao substantivo hospital – hospitalizar, mas não
podemos adiciona-lo ao substantivo clínica – clinizar;
Morfologia
 b) Morfologia Flexional –
(i) não altera categorias mas estabelece ligações entre as palavras (eu
falo – 1ª pessoa);
(ii) é produtiva pois qualquer verbo pode ser marcado por um
morfema indicando terceira pessoa do plural e qualquer artigo
pode ser pluralizado.
 A Morfologia Flexional acena para a Sintaxe, ficando difícil de aceitar
sua não relevância.
 Anderson (1982) convenceu a comunidade linguística de que a
sintaxe não pose ser cega á Morfologia Lexical – a divisão entre a
Morfologia Derivacional como um processo lexical e a Morfologia
Flexional como um processo sintático passou a ser conhecida por
Hipótese Lexicalista Fraca.
Morfologia
 Anderson (1992) – recusa a ideia de que a Morfologia Flexional
(também rotulada como Morfossintaxe) fizesse parte da Sintaxe e
funda um quadro teórico para a análise da Morfologia Flexional.
Uma ideia muito interessante desse quadro é a proposta de que
morfemas não constituem a unidade mínima da morfologia –
morfemas são epifenômeno, como o fonema. Para o autor, a
unidade mínima da Morfologia são propriedades semânticas
mínimas – “ a estrutura da palavra pode ser entendida apenas como
um produto de princípios em interação provenientes de muitas
partes da gramática”. Essa proposta foi adotada pelo Minimalismo
de Chomsky (1993, 1995), pela teoria denominada Morfologia
Distribuída de Halle e Marantz (1993, 1995) que postula que cada
posição de concordância conta com uma posição sintática.
Morfologia
 Outros desenvolvimentos dentro da teoria gerativa atual – os
fenômenos morfológicos nem sempre são concatenativos, isto é,
processados por meio da adição de morfemas – toda língua conta
com um componemte de Morfologia Não Concatenativa:
a) mistura;
b) abreviação;
c) acronímia;
d) retroformação;
Morfologia
 Chamada também de Teoria da Otimalidade (ou Otimidade)
diferencia-se da teroria chomskyana e foi postulada por Prince e
Smolensky (1993) – ela nega a análise gramatical por meio de
módulos – uma gramática particular é o resultado do ordenamento
de um conjunto de princípios universais e pretende ser uma teoria
da linguagem como um todo – no entanto, uma questão ainda a ser
respondida é como pode haver tamanha diversidade e uma
gramática universal ao mesmo tempo.
Morfologia
Gramaticalização é o trajeto empreendido por um item
lexical, ao longo do qual ele muda de categoria sintática
(= recategorização), recebe propriedades funcionais na
sentença, sofre alterações morfológicas, fonológicas e
semânticas, deixa de ser uma forma livre , estágio em que
pode até mesmo desaparecer, como consequência de uma
cristalização extrema (CASTILHO 1997, p. 31).
Morfologia
“(...)o ensino de Gramática Tradicional ainda não possui de
fato a uma prática fundamentada em uma análise linguística
centrada metodologicamente nos componentes textual e
discursivo e voltada para a formação crítica do cidadão
brasileiro, dada a sua função base, a qual não se volta para as
ramificações linguísticas dos últimos 50 anos como: a
Linguística Textual, Linguística da Enunciação, a Pragmática, a
Semiótica ou a Análise do Discurso.” (CARVALHO, 2008, p.
89)