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XIV Encontro Nacional de Editores Científicos, VIII
Seminário Satélite para Editores Plenos e IV
Encontro Nacional de Bibliotecários
Minicurso
Como fazer revisão sistemática,
integrativa e narrativa
São Paulo, 10 de novembro de 2013
Maria Imaculada Cardoso Sampaio
isampaio@usp.br
1
QUE É REVISÃO DA LITERATURA?
2
O que é revisão da literatura?
É o processo de busca, analise e descrição
de um corpo do conhecimento em busca de
resposta a uma pergunta específica.
'Literatura' cobre todo o material relevante
que é escrito sobre um tema: livros, artigos
de periódicos, artigos de jornais, registros
históricos, relatórios governamentais, teses e
dissertações e outros tipos.
•Sampaio, M. I. C. (2013). Qualidade de artigos incluídos em revisão sistemática: comparação
entre latino-americanos e não latino-americanos. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia,
Universidade de São Paulo, São Paulo.
3
Tipos de revisão da literatura
• Narrativa
• Sistemática
• Integrativa
São definidas de acordo com o método de
elaboração.
4
REVISÃO NARRATIVA
5
• Descreve o histórico, ou o desenvolvimento de um
problema e seu gerenciamento.
• Discute o assunto do ponto de vista teórico ou
contextual e é usada para explorações iniciais de um
problema.
• Estabelece analogias ou integra áreas de pesquisa
independentes com o objetivo de promover um enfoque
multidisciplinar.
Revisão Narrativa
6
• Não utiliza critérios explícitos e sistemáticos para a
busca e análise crítica das evidências.
• A busca pelos estudos não esgota as fontes de
informações.
• Não aplica estratégias de busca sofisticadas e
exaustivas.
• A seleção dos artigos e a interpretação das informações
podem estar sujeitas à subjetividade dos autores.
• É adequada para a fundamentação teórica de artigos,
dissertações, teses, trabalhos de conclusão de cursos.
Revisão Narrativa
7
Revisão Narrativa – como fazer
1. Definir o
problema/objetivo
do estudo
2. Definir as
fontes de
informação
4. Aplicar as
estratégias
4.1
Encontrou
uma revisão?
Sim: voltar
para o 1
4.2 Encontrou
uma revisão?
Não: ir para o 5
5. Selecionar
os estudos a serem
resumidos de
acordo com os critérios
estabelecidos
(período, língua,
relevância) e revisá-los
3. Delinear as
estratégias de
busca
8
Exemplo
Revisão Narrativa
9
REVISÃO SISTEMÁTICA
10
Revisão Sistemática
• É um tipo de investigação científica.
• São consideradas estudos observacionais retrospectivos, ou
estudos experimentais.
• Testam hipóteses.
• Tem como objetivo levantar, reunir, avaliar criticamente a
metodologia da pesquisa e sintetizar os resultados de diversos
estudos primários.
• Busca responder a uma pergunta claramente formulada.
• Utiliza métodos sistemáticos e explícitos para recuperar,
selecionar e avaliar os resultados de estudos relevantes.
• Reúne e sistematiza os dados dos estudos primários (unidades de
análise).
• São consideradas evidências científicas de maior grandeza na
área da medicina.
• São indicadas na tomada de decisão na prática clínica, ou na
gestão pública. 11
Revisão Sistemática
• É um estudo secundário cujo objetivo é reunir estudos
semelhantes, publicados ou não, avaliando-os criticamente em
sua metodologia e reunindo-os numa análise estatística, quando
possível, que é denominada metanálise.
• A metanálise é uma combinação estatística e só é possível
quando a revisão detectar dois, ou mais, estudos que respondam
a mesma pergunta de pesquisa.
• Por sintetizar estudos primários semelhantes e de boa qualidade
é considerada o melhor nível de evidência para tomadas de
decisões em questões sobre terapêutica (Atallah, 1998).
12
Revisão Sistemática
Uma interessante estratégia para organizar os milhares de artigos
em um único estudo.
Quando os resultados de uma RS permitem uma combinação
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A primeira revisão sistemática sobre um cenário clínico foi
publicada no Journal of American Medical Association, em 1955.
O primeiro estudo que utilizou o termo metanálise foi do psicólogo
G. V. Glass, no ano de 1976, em um artigo intitulado “Primary,
Secondary and Meta-Analysis of Research”, publicado na revista
Educational Research, v.5, p. 3 a 8.
Curso de Revisão Sistemática e Metanálise da Universidade Federal de São
Paulo (UNIFESP) - (www.virtual.epm.br/cursos) 13
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Pirâmide das Evidências Científicas. Reproduzida de Psicologia Baseada em Evidências: Provas Científicas da Efetividade da
Psicoterapia, de T. Melnik e A. N. Atallah, 2011 (capa), São Paulo: Santos. Ilustrada por L. C. C. Guzman
14
Evidências para Estudos Epidemiólogicos
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15
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16
-==-=]
Etapa primeira da Revisão Sistemática
Definição da pergunta de pesquisa/ Objetivo do estudo
Estratetégia do PICO
Santos, C. M. A., Pimenta, C. A. M., & Nobre, M. R. (2007). A estratégia PICO para a
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Rigor no Método da RS
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Confronto de
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Fluxograma da Revisão Sistemática sobre Prevalência de
DPP
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Revisão Sistemática: como fazer?
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Revisão Sistemática: como fazer?
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Revisão Sistemática : como fazer?
22
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São estudos nos quais um grupo de interesse, que
faz uso de uma terapia ou exposição, é
acompanhado e comparado com um grupo controle
que não recebeu a terapia ou a exposição.
Diferente dos estudos observacionais
em que o pesquisador não interfere na exposição,
nesse estudo o pesquisador planeja e intervém
ativamente nos fatores que influenciam a amostra.
A alocação dos sujeitos de pesquisa
pode ser de forma aleatorizada, ou não
aleatorizada.
As revisões Cochrane só analisam estudos clínicos
aleatorizados.
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24
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Maria Imaculada Cardoso Sampaio
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sistemáticas em educação, crime e
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A Campbell Collaboration é uma
rede internacional de pesquisa que
produz revisões sistemáticas sobre
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29
REVISÃO INTEGRATIVA
30
Surgiu como alternativa para revisar rigorosamente e
combinar estudos com diversas metodologias, por
exemplo, a pesquisa experimental e não
experimental e integrar os resultados.
Tem o potencial de promover os estudos de revisão
em diversas áreas do conhecimento, mantendo o
rigor metodológico das revisões sistemáticas.
A combinação de pesquisas com diferentes métodos
combinados na revisão integrativa amplia as
possibilidades de análise da literatura.
Revisão Integrativa
31
• O método de revisão integrativa permite a combinação de
dados da literatura empírica e teórica que podem ser
direcionados a definição de conceitos, identificação de
lacunas nas áreas de estudos, revisão de teorias e análise
metodológica dos estudos sobre um determinado tópico.
• A inclusão de estudos com múltiplos desenhos pesquisas
pode complicar a análise e exigir classificações mais
complexas na apresentação dos resultados, mas a riqueza
do processo de amostragem pode contribuir para um
retrato mais compreensivo do tópico de interesse.
Revisão Integrativa
32
Etapas da Revisão Integrativa
33
Revisão Integrativa:
como fazer
Cooper, H. M. (1982). Scientific Guidelines for conducting integrative research
reviews. Review of Educational Research, 52 (2), 291-302.
34
Torraco, R. J. Writing integrative literature reviews: guidelines and examples.
Human Resource Development Review , 4 (3), 356-367.
DOI: 10.1177/1534484305278283
Formas de integrar os dados da revisão integrativa
35
36
37
38
39
1
40
2
41
• As revisões sistemáticas e integrativas vem sendo
recomendadas na tomada de decisão para a prática
clínica, gestão pública e outras tipos de aplicações
na educação, direito, bem estar social.
• Uso de revisões significa ecnomia de tempo e
recursos.
• O Ministério da Saúde vem investindo na geração e
recomendando a aplicação de revisões sistemáticas
no SUS.
Discutindo sobre as evidências
42
Revisões sistemáticas são padrão ouro do conhecimento cientifico?
Após finalizar a revisão sistemática concluímos que:
As prevalências de DPP encontradas nos estudos incluídos variaram
de 0,5% (IC 95% = 0,00% a 1,48%) em Singapura a 62,8% (IC 95% =
60,44% a 65,23%) nos Estados Unidos da América. A prevalência
média dos 337 trabalhos, ponderada pelos tamanhos amostrais, foi
de 16,63% (IC 95% =16,50%-16,76%).
Discutindo sobre as evidências
Silva, G. A. (2013). Prevalência de depressão pós-parto em países desenvolvidos e em
desenvolvimento: contribuições metodológicas de uma metanálise (Tese de Doutorado).
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47132/tde-24052013-143728/pt-br.php 43
Discutindo sobre as Evidências
Artigos latino-americanos e de outra regiões, de acordo com a Escala
de Loney et al. (1998), tiveram qualidade semelhante. Entretanto,
são metodologicamente fracos e seus resultados não podem apoiar a
tomada de decisão em gestão pública.
Ser incluído em uma RS não atribui qualidade metodológica e na
apresentação dos resultados aos artigos.
Se nossos estudos tivessem seguido um protocolo
metodologicamente orientado para a obtenção de resultados mais
consistentes, poderíamos recomendar nossa revisão como apoio na
tomada de decisão do gestor público interessado em desenvolver
políticas públicas de apoio à DPP.
Essas conclusões valem para o nosso estudo específico e nossos
dados não podem ser generalizados para outros temas.
Sampaio, M. I. C. (2013). Qualidade de artigos incluídos em revisão sistemática: comparação
entre latino-americanos e não latino-americanos. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia,
Universidade de São Paulo, São Paulo 44
45
Referências
Alves, P. C., Barbosa, I. C. F. J., Caetano, J. Á., & Fernandes, A. F. C. (2011). Cuidados de
enfermagem no pré-operatório e reabilitação de mastectomia: revisão narrativa da
literatura. Revista Brasileira de Enfermagem, 64 (4), 732-737.
http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672011000400016.
Atallah, A.N., & Castro, A. A. (1998). Revisão Sistemática e Metanálises. In Evidências para
melhores decisões clínicas. São Paulo. Lemos Editorial 1998. Recuperado de
http://www.centrocochranedobrasil.org/artigos/bestevidence.htm
Mickan, S., Tilson, J.K., Atherton, H., Roberts, N. W., & Heneghan C. (2013). Evidence of
effectiveness of health care professionals using handheld computers: A Scoping review of
systematic reviews. Journal of Medical Internet Research, 15 (10).
https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&cad=rja&ved=0
CEAQFjAB&url=http%3A%2F%2Fwww.ncbi.nlm.nih.gov%2Fpubmed%2F24165786&ei=_DN6
Uri_CJPGkQfx44HwCw&usg=AFQjCNF7aJbAbKWyVqy4mQcHhnLb7OnSTA&sig2=Uz7sVktcSjO
PUmxtWNRyBg
Loney, P. L., Chambers, L. W., Bennett, K. J., Roberts, J. G., & Stratford, P. W. (1998). Critical
appraisal of the health research literature: Prevalence or incidence of a health problem.
Chronic Diseases in Canada, 19 (4), 170-176.
46
Referências
Naomi A. Beinart, N. A., Goodchild, C. E., Weinman, J. A., Ayis, S.,& Godfrey, E. L. (2013).
Individual and intervention-related factors associated with adherence to home exercise in
chronic low back pain: a systematic review . The Spine Journal, article in press.
http://dx.doi.org/10.1016/j.spinee.2013.08.027
Mendes, Karina Dal Sasso, Silveira, Renata Cristina de Campos Pereira, & Galvão, Cristina Maria.
(2008). Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde
e na enfermagem. Texto & Contexto - Enfermagem, 17(4), 758-
764. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072008000400018.
47
Discussão
1) Como tornar as revisões padrões ouro
das evidências?
2) Qual é a responsabilidade de autores
nesse processo?
3) Como editores podem colaborar?
48

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  • 1. XIV Encontro Nacional de Editores Científicos, VIII Seminário Satélite para Editores Plenos e IV Encontro Nacional de Bibliotecários Minicurso Como fazer revisão sistemática, integrativa e narrativa São Paulo, 10 de novembro de 2013 Maria Imaculada Cardoso Sampaio isampaio@usp.br 1
  • 2. QUE É REVISÃO DA LITERATURA? 2
  • 3. O que é revisão da literatura? É o processo de busca, analise e descrição de um corpo do conhecimento em busca de resposta a uma pergunta específica. 'Literatura' cobre todo o material relevante que é escrito sobre um tema: livros, artigos de periódicos, artigos de jornais, registros históricos, relatórios governamentais, teses e dissertações e outros tipos. •Sampaio, M. I. C. (2013). Qualidade de artigos incluídos em revisão sistemática: comparação entre latino-americanos e não latino-americanos. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo. 3
  • 4. Tipos de revisão da literatura • Narrativa • Sistemática • Integrativa São definidas de acordo com o método de elaboração. 4
  • 6. • Descreve o histórico, ou o desenvolvimento de um problema e seu gerenciamento. • Discute o assunto do ponto de vista teórico ou contextual e é usada para explorações iniciais de um problema. • Estabelece analogias ou integra áreas de pesquisa independentes com o objetivo de promover um enfoque multidisciplinar. Revisão Narrativa 6
  • 7. • Não utiliza critérios explícitos e sistemáticos para a busca e análise crítica das evidências. • A busca pelos estudos não esgota as fontes de informações. • Não aplica estratégias de busca sofisticadas e exaustivas. • A seleção dos artigos e a interpretação das informações podem estar sujeitas à subjetividade dos autores. • É adequada para a fundamentação teórica de artigos, dissertações, teses, trabalhos de conclusão de cursos. Revisão Narrativa 7
  • 8. Revisão Narrativa – como fazer 1. Definir o problema/objetivo do estudo 2. Definir as fontes de informação 4. Aplicar as estratégias 4.1 Encontrou uma revisão? Sim: voltar para o 1 4.2 Encontrou uma revisão? Não: ir para o 5 5. Selecionar os estudos a serem resumidos de acordo com os critérios estabelecidos (período, língua, relevância) e revisá-los 3. Delinear as estratégias de busca 8
  • 11. Revisão Sistemática • É um tipo de investigação científica. • São consideradas estudos observacionais retrospectivos, ou estudos experimentais. • Testam hipóteses. • Tem como objetivo levantar, reunir, avaliar criticamente a metodologia da pesquisa e sintetizar os resultados de diversos estudos primários. • Busca responder a uma pergunta claramente formulada. • Utiliza métodos sistemáticos e explícitos para recuperar, selecionar e avaliar os resultados de estudos relevantes. • Reúne e sistematiza os dados dos estudos primários (unidades de análise). • São consideradas evidências científicas de maior grandeza na área da medicina. • São indicadas na tomada de decisão na prática clínica, ou na gestão pública. 11
  • 12. Revisão Sistemática • É um estudo secundário cujo objetivo é reunir estudos semelhantes, publicados ou não, avaliando-os criticamente em sua metodologia e reunindo-os numa análise estatística, quando possível, que é denominada metanálise. • A metanálise é uma combinação estatística e só é possível quando a revisão detectar dois, ou mais, estudos que respondam a mesma pergunta de pesquisa. • Por sintetizar estudos primários semelhantes e de boa qualidade é considerada o melhor nível de evidência para tomadas de decisões em questões sobre terapêutica (Atallah, 1998). 12
  • 13. Revisão Sistemática Uma interessante estratégia para organizar os milhares de artigos em um único estudo. Quando os resultados de uma RS permitem uma combinação estatística adequada temos a metanálise . A primeira revisão sistemática sobre um cenário clínico foi publicada no Journal of American Medical Association, em 1955. O primeiro estudo que utilizou o termo metanálise foi do psicólogo G. V. Glass, no ano de 1976, em um artigo intitulado “Primary, Secondary and Meta-Analysis of Research”, publicado na revista Educational Research, v.5, p. 3 a 8. Curso de Revisão Sistemática e Metanálise da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) - (www.virtual.epm.br/cursos) 13
  • 14. Pirâmide das Evidências Pirâmide das Evidências Científicas. Reproduzida de Psicologia Baseada em Evidências: Provas Científicas da Efetividade da Psicoterapia, de T. Melnik e A. N. Atallah, 2011 (capa), São Paulo: Santos. Ilustrada por L. C. C. Guzman 14
  • 15. Evidências para Estudos Epidemiólogicos Níveis de evidência para estudos epidemiológicos: Nível 1: estudos locais e atuais, amostras aleatórias ou censo Nível 2: revisões sistemáticas de levantamentos generalizáveis para contexto local Nível 3: estudos locais com amostras não-aleatórias Nível 4: séries de casos Adaptado de: OCEBM Levels of Evidence Working Group (2011). 15
  • 16. RS são os estudos que alcançam o maior fator de impacto 16
  • 17. -==-=] Etapa primeira da Revisão Sistemática Definição da pergunta de pesquisa/ Objetivo do estudo Estratetégia do PICO Santos, C. M. A., Pimenta, C. A. M., & Nobre, M. R. (2007). A estratégia PICO para a construção da pergunta de pesquisa e busca de evidências. Revista Latino-americanas de Enfermagem, 15 (3), Recuperado de http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=281421874023 17
  • 18. Rigor no Método da RS Critérios de inclusão Seleção de bases de dados Estratégias de busca Confronto de duplicidades Armazenamento dos dados Triagem: título Triagem: resumo Obtenção dos textos completos Avaliação dos textos completos Variáveis para avaliação metodológica Verificação da concordância entre revisores Metánalise 18
  • 19. Fluxograma da Revisão Sistemática sobre Prevalência de DPP 19
  • 22. Revisão Sistemática : como fazer? 22
  • 23. 23
  • 24. São estudos nos quais um grupo de interesse, que faz uso de uma terapia ou exposição, é acompanhado e comparado com um grupo controle que não recebeu a terapia ou a exposição. Diferente dos estudos observacionais em que o pesquisador não interfere na exposição, nesse estudo o pesquisador planeja e intervém ativamente nos fatores que influenciam a amostra. A alocação dos sujeitos de pesquisa pode ser de forma aleatorizada, ou não aleatorizada. As revisões Cochrane só analisam estudos clínicos aleatorizados. Ensaios clínicos aleatorizados (ECR) 24
  • 25. 25
  • 26. 26
  • 27. Maria Imaculada Cardoso Sampaio 1 Exemplo de Overwiew – Revisão de revisões 27
  • 28. 1 Revisões sistemáticas de ensaios clínicos aleatorizados 28
  • 29. Modelo da Cochrane para a preparação, manutenção e disseminação de revisões sistemáticas em educação, crime e justiça, bem-estar social e desenvolvimento internacional. A Campbell Collaboration é uma rede internacional de pesquisa que produz revisões sistemáticas sobre os efeitos das intervenções sociais 29
  • 31. Surgiu como alternativa para revisar rigorosamente e combinar estudos com diversas metodologias, por exemplo, a pesquisa experimental e não experimental e integrar os resultados. Tem o potencial de promover os estudos de revisão em diversas áreas do conhecimento, mantendo o rigor metodológico das revisões sistemáticas. A combinação de pesquisas com diferentes métodos combinados na revisão integrativa amplia as possibilidades de análise da literatura. Revisão Integrativa 31
  • 32. • O método de revisão integrativa permite a combinação de dados da literatura empírica e teórica que podem ser direcionados a definição de conceitos, identificação de lacunas nas áreas de estudos, revisão de teorias e análise metodológica dos estudos sobre um determinado tópico. • A inclusão de estudos com múltiplos desenhos pesquisas pode complicar a análise e exigir classificações mais complexas na apresentação dos resultados, mas a riqueza do processo de amostragem pode contribuir para um retrato mais compreensivo do tópico de interesse. Revisão Integrativa 32
  • 33. Etapas da Revisão Integrativa 33
  • 34. Revisão Integrativa: como fazer Cooper, H. M. (1982). Scientific Guidelines for conducting integrative research reviews. Review of Educational Research, 52 (2), 291-302. 34
  • 35. Torraco, R. J. Writing integrative literature reviews: guidelines and examples. Human Resource Development Review , 4 (3), 356-367. DOI: 10.1177/1534484305278283 Formas de integrar os dados da revisão integrativa 35
  • 36. 36
  • 37. 37
  • 38. 38
  • 39. 39
  • 40. 1 40
  • 41. 2 41
  • 42. • As revisões sistemáticas e integrativas vem sendo recomendadas na tomada de decisão para a prática clínica, gestão pública e outras tipos de aplicações na educação, direito, bem estar social. • Uso de revisões significa ecnomia de tempo e recursos. • O Ministério da Saúde vem investindo na geração e recomendando a aplicação de revisões sistemáticas no SUS. Discutindo sobre as evidências 42
  • 43. Revisões sistemáticas são padrão ouro do conhecimento cientifico? Após finalizar a revisão sistemática concluímos que: As prevalências de DPP encontradas nos estudos incluídos variaram de 0,5% (IC 95% = 0,00% a 1,48%) em Singapura a 62,8% (IC 95% = 60,44% a 65,23%) nos Estados Unidos da América. A prevalência média dos 337 trabalhos, ponderada pelos tamanhos amostrais, foi de 16,63% (IC 95% =16,50%-16,76%). Discutindo sobre as evidências Silva, G. A. (2013). Prevalência de depressão pós-parto em países desenvolvidos e em desenvolvimento: contribuições metodológicas de uma metanálise (Tese de Doutorado). Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47132/tde-24052013-143728/pt-br.php 43
  • 44. Discutindo sobre as Evidências Artigos latino-americanos e de outra regiões, de acordo com a Escala de Loney et al. (1998), tiveram qualidade semelhante. Entretanto, são metodologicamente fracos e seus resultados não podem apoiar a tomada de decisão em gestão pública. Ser incluído em uma RS não atribui qualidade metodológica e na apresentação dos resultados aos artigos. Se nossos estudos tivessem seguido um protocolo metodologicamente orientado para a obtenção de resultados mais consistentes, poderíamos recomendar nossa revisão como apoio na tomada de decisão do gestor público interessado em desenvolver políticas públicas de apoio à DPP. Essas conclusões valem para o nosso estudo específico e nossos dados não podem ser generalizados para outros temas. Sampaio, M. I. C. (2013). Qualidade de artigos incluídos em revisão sistemática: comparação entre latino-americanos e não latino-americanos. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo 44
  • 45. 45
  • 46. Referências Alves, P. C., Barbosa, I. C. F. J., Caetano, J. Á., & Fernandes, A. F. C. (2011). Cuidados de enfermagem no pré-operatório e reabilitação de mastectomia: revisão narrativa da literatura. Revista Brasileira de Enfermagem, 64 (4), 732-737. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672011000400016. Atallah, A.N., & Castro, A. A. (1998). Revisão Sistemática e Metanálises. In Evidências para melhores decisões clínicas. São Paulo. Lemos Editorial 1998. Recuperado de http://www.centrocochranedobrasil.org/artigos/bestevidence.htm Mickan, S., Tilson, J.K., Atherton, H., Roberts, N. W., & Heneghan C. (2013). Evidence of effectiveness of health care professionals using handheld computers: A Scoping review of systematic reviews. Journal of Medical Internet Research, 15 (10). https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&cad=rja&ved=0 CEAQFjAB&url=http%3A%2F%2Fwww.ncbi.nlm.nih.gov%2Fpubmed%2F24165786&ei=_DN6 Uri_CJPGkQfx44HwCw&usg=AFQjCNF7aJbAbKWyVqy4mQcHhnLb7OnSTA&sig2=Uz7sVktcSjO PUmxtWNRyBg Loney, P. L., Chambers, L. W., Bennett, K. J., Roberts, J. G., & Stratford, P. W. (1998). Critical appraisal of the health research literature: Prevalence or incidence of a health problem. Chronic Diseases in Canada, 19 (4), 170-176. 46
  • 47. Referências Naomi A. Beinart, N. A., Goodchild, C. E., Weinman, J. A., Ayis, S.,& Godfrey, E. L. (2013). Individual and intervention-related factors associated with adherence to home exercise in chronic low back pain: a systematic review . The Spine Journal, article in press. http://dx.doi.org/10.1016/j.spinee.2013.08.027 Mendes, Karina Dal Sasso, Silveira, Renata Cristina de Campos Pereira, & Galvão, Cristina Maria. (2008). Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto - Enfermagem, 17(4), 758- 764. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072008000400018. 47
  • 48. Discussão 1) Como tornar as revisões padrões ouro das evidências? 2) Qual é a responsabilidade de autores nesse processo? 3) Como editores podem colaborar? 48