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Sebastiana Maria de Oliveira –
                           100 anos

É com muita alegria,
Raro de se ver hoje em dia,
Festejar 100 anos de existência.
Ainda com tanta lucidez e sabedoria.
Venha família Caé participar
Desse momento ímpar,
Uma história de vida,
Dona Sebastiana que o diga
MEMORIAL DE
                                                 SEBASTIANA MARIA DE
                                                        OLIVEIRA1

                                               A senhora Sebastiana Maria
                                               de Oliveira nasceu no dia
                                               onze de setembro de mil
                                               novecentos e onze (11/09/11)
                                               no Sítio Atrás     da Serra,
                                               município de Potiretama/CE,
filha de Francisco Gabriel de Oliveira e Dona Maria Filomena de Oliveira.
Casou-se, com o Mestre Pedro, no religioso no ano de mil novecentos e vinte
e cinco (1925), na igreja matriz de Potiretama, perante o Padre Miguel,
sacerdote na época e no Civil em 1948 diante do juiz Lafaiete Dantas
Diógenes, com o senhor Pedro Gonçalves de Oliveira (Mestre Pedro); Ele
nascido também no Sítio Atrás da Serra no Município de Potiretama no dia
03/02/1898, segundo registros oficiais. Seu Pedro é filho de Inácio Filismino
Gonçalves e Dona Tereza Gonçalves de Oliveira. Foram testemunhas desse
enlace matrimonial os senhores Antonio Rozendo de Carvalho e Pedro Matias
da Silva, ambos residentes no referido município. Após o casamento toda a
família mudou o domicílio para o Sítio Feijão, município de Quixadá. Lá nasce
seu primeiro filho, Francisco Gonçalves de Oliveira no ano de 1927 e na
mesma ocasião toda a família retorna ao Sítio Atrás da Serra onde as terras
eram de Propriedade do senhor Manoel Filomena de Oliveira, avô da Dona
Sebastiana. Em 1929 nasceu Maria Gonçalves de Oliveira (Dona Lilia).
Durante os anos de 1931/1932 e 1933 a família enfrenta dificuldades em
virtude da grande Seca que assolou o nordeste durante três anos seguidos.
Não se sabe ao certo porque o senhor Manoel Filomena perdeu todas as
terras, no entanto é fato que saíram dessa localidade e foram para o Ema,
trabalhar nas frentes de trabalho de construção do açude de mesmo nome da
localidade. Lá moravam em barracas de palha em baixo das oiticicas. Uma
grande epidemia de sarampo ceifou várias vidas nesta localidade, inclusive a
de Dona Maria Filomena de Oliveira, mãe da Dona Sebastiana, o que obrigou
a família a abandonar este lugar. No Ema nasce a senhora Margarida
Gonçalves de Oliveira no ano de 1932. A História da Dona Sebastiana se
confunde com a história da Família Caé, pois toda sua vida foi dedicada a
apoiar a família que constituía e ainda do senhor Gabriel e senhor Romualdo,
ambos viúvos, e este último casado com a Dona Neném, irmã da Dona Maria
Filomena. Quando falo do deslocamento da família de Dona Sebastiana,
entendam que todos migravam juntos: pais, filhos, sobrinhos e etc. Saíram do
Ema e foram para a Fazendinha, onde nasceu a senhora Tereza Gonçalves
de Oliveira (1934), quando moravam em lotes do governo; logo após foram
para o Sítio Passagem, morar nas terras de propriedade do senhor Nabor
Diógenes, terras apelidadas por São Gonçalo. Nesta localidade nasceu
Raimundo Gonçalves de Oliveira, o Nonato, que veio a falecer no mesmo ano.
Depois vão para as terras do Senhor Casusa Tavares, pai da Dona Nazaré,
oportunidade em que aconteceu o casamento desta senhora com o senhor
Francisco Gabriel, pai da Dona Sebastiana. Terminada a Seca, por volta de
1934 toda a família foi para as Cacimbas, nome dado a essa localidade
porque somente lá dava água de cacimba boa para o consumo. Nestas
Terras, de propriedade do Major Gervásio Holanda Guerra, casado com a
Senhora Deltra Holanda (primeira professora de Iracema), toda a família
passou por grandes dificuldades, pois o ambiente era hostil, tinham poucos
moradores e poucos recursos para enfrentar as adversidades naturais. Mas
aqui a Senhora Sebastiana teve a alegria de dar a luz ao Manoel Gonçalves
de Oliveira (1938), chamado por todo de Preto Dalto. Depois todos voltaram
para o Ema, por volta de 1937, onde o seu esposo, Mestre Pedro, que já dava
aulas e lições a domicílio em troca de muito pouco, ganhou o cargo de guarda
do açude Ema. Lá nasceu o senhor Geraldo Gonçalves de Oliveira por volta
de 1941. Em 1942 saíram do Ema e voltaram para o Sítio Passagem e lá
nasceu a senhora Suzete Gonçalves de Oliveira (1944) e em 1945 foram para
o Barrocão. Enquanto o mundo estava em guerra por poder e dominação, a
família lutava pela sobrevivência. O senhor Francisco Gonçalves de Oliveira
(Santinho), filho mais velho, ainda lembra de ver seus pais carregando pouca
coisa nesta lida pela sobrevivência. Perguntado se sabia que o mundo estava
em guerra, ele disse que só sabia que sofriam e lutavam muito. Mas lá no
Barrocão não foi somente sofrimento, pois a Dona Sebastiana e o Mestre
Pedro viviam sua história de companheirismo e tiveram mais dois filhos: Geni
Gonçalves de Oliveira (1947) e Antonio Gonçalves de Oliveira (1950). Em
1950, após o mundo ainda comemorar o fim da guerra mundial, lembrar as
atrocidades cometidas pela Alemanha nazista e seus aliados e o início da
guerra fria, a família Caé, como passaram a ser conhecidos, foram para o
Sítio Coaçu, de propriedade do Senhor Enéas Amador. A vida de Dona
Sebastiana era apenas de renuncia; renunciou sua infância quando casou tão
nova, renunciou sua adolescência quando passou a tomar de conta dos
irmãos mais novos e dos sobrinhos, quando da partida de sua mãe e tia, e
renunciou sempre a vaidade e os projetos de vida, em prol do outro. Nunca
estudou, nunca foi a uma festa e poucos foram os prazeres que experimentou
nessa vida. Nesse lugar ela sofreu muito, pois seu filho mais velho, o seu
Santinho, foi embora para o Estado do Amazonas e deixou todos com grande
apreensão. A família de Dona Sebastiana era retirante em sua própria terra,
mas cheia da vontade de vencer na vida e de vencer a Guerra contra as
adversidades deste lugar tão Seco e pobre. Mas com afirmou Euclides da
Cunha, o Sertanejo é antes de tudo um forte, e a família de Dona Sebastiana,
seguiu vencendo a batalha e forjando em seus filhos qualidades importantes
como respeito, solidariedade e determinação. A família de Dona Sebastiana e
o Mestre Pedro, agora só o casal e sua prole, vão para o Sítio Barreiros por
volta de 1953, onde nasceu José Gonçalves de Oliveira e Francisca
Gonçalves de Oliveira, de lá retornam para o Coaçu, ocasião em que soube
da decisão do seu filho Preto Dalto de ir para o Paraná. Seu Santinho, filho
mais velho da Dona Sebastiana, lembra de ter ouvido seu irmão falar que
nunca mais voltaria a essa terra, promessa que cumpriu até a data de hoje.
Depois foram para o Aimoré e por fim Iracema; porém com a seca de 1941/42
são obrigados a morar no Bom Sucesso. Após a Seca retornam para Iracema
e Dona Sebastiana ganha do prefeito Roque Paz o cargo de zeladora de um
chafariz. Após se aposentar e perder seu emprego é convidada pelo filho José
Gonçalves para ir residir em Mossoró junto com toda a família, ou seja, o
Mestre Pedro seu esposo, sua filha Francisca Gonçalves de Oliveira, netos e
seu filho adotivo Antonio Reginaldo, chamado carinhosamente de Zezinho.
Após sua longa jornada em Iracema, sendo, como foi dito, retirante na sua
própria terra e após a aposentadoria veio a decisão de ir para Mossoró no
Estado do Rio Grande do Norte, onde lá vivenciou grandes dificuldades. Viu
seu filho adotivo, José Reginaldo Gonçalves de Oliveira, o Zezinho (+ 1980),
morrer de uma terrível doença que abalou a todos. Talvez esse fato tenha
levado a família de Dona Sebastiana e do Mestre Pedro a retornar para
Iracema, quando passaram boa parte de suas vidas. Numa história mais
recente decidem apoiar sua filha Fransquinha na sua decisão de residir mais
uma vez em Mossoró, no sentido de buscar oportunidades de trabalho e de
estudo para seus filhos. No Bairro Abolição IV enfrentou muitas dificuldades,
mas tinha boas perspectivas, porque estava perto da maior parte de seus
filhos, sua filha Fransquinha arrumara trabalho no setor de saúde e seus netos
estudavam e se preparavam para um belo futuro. Em Mossoró perde a grande
razão da sua vida, o Mestre Pedro Gonçalves de Oliveira (1992), não
conseguindo resistir a uma cirurgia de fratura do fêmur, causada por um
acidente doméstico, e isso a abalou profundamente. Mas em Mossoró
também recebeu a graça de ver seus filhos vencendo na vida, como diz na
linguagem do sertanejo, e muitos dos seus netos entrando em cursos de
graduação e conseguindo seus espaços com muita força e perseverança. Viu
nascer seus netos, bisnetos e trinetos e recebeu a graça de Deus em
presenciar seus filhos/netos, Airão Gonçalves de Oliveira e José Nazeu
Campelo Filho, graduados em cursos de nível superior e até mesmo um
advogado conseguido formar. Sua luta por mais dignidade para sua família
nesta cidade, nos bairros da abolição II e IV, era exemplo para todos na
família e seu desprendimento pelos bens materiais e orações diárias, rezas,
bênçãos e meditações, dava a Dona Sebastiana ao mesmo tempo um
aspecto de santidade e de elo de ligação entre toda a família, que como
qualquer outra tinha momentos de união e desentendimento. Um câncer de
pele em nossa matriarca trouxe sofrimento para toda a família, porém sua
resignação e submissão as vontades de Deus, vem lhe permitindo viver por
muitos anos com essa grave doença, que só não é maior do que sua fé em
Nosso Senhor. Dentre as grandes provações que enfrentou, como doenças e
perdas de alguns de seus irmãos (Expedito Caé, Mundo e Antonio Caé e a
Dona Santinha) nenhuma se comparou a perda do seu filho querido Geraldo
no ano de 2010. Impossível é narrar uma vida de 100 anos com poucas
frases, pois é impossível traduzir toda a dor, saudade dos entes perdidos,
nem a alegria e o prazer de receber sua grande família na sua humilde
residência, nem tampouco o sentimento do dever cumprido quando sabe que
filhos, netos, bisnetos e trinetos ocupam espaços importantes na sociedade e
dão inicio a várias outras histórias de vida. A senhora Maria Sebastiana de
Oliveira, vive hoje na casa da sua filha Geni Gonçalves de Oliveira neste
município de Iracema, e recebe o carinho e a dedicação de sua família; ela
que teve muitos filhos nessa longa existência e hoje 10 estão vivos, tem
aproximadamente 35 netos, 32 bisnetos e 06 trinetos, certamente viverá ainda
por muitos mais anos. Nossa matriarca vive e viverá para todo sempre em
nossos corações e toda sua luta se eternizará em nossas lembranças e que
temos obrigação de passar para outras gerações. Parabéns Dona Sebastiana,
felicidades e paz para sua família, algo que sempre pede em suas orações.
Que seus filhos nunca se esqueçam dessa bela história de vida, de uma
mulher que sempre pareceu frágil, mas que é na verdade uma fortaleza de
humildade, perseverança e força.




1toda   essa descrição da história da Senhora Sebastiana Maria de Oliveira foi construída a partir de versões orais e pouco foi baseado em
documentos oficiais. Essa versão foi apresentada pelo filho mais velho da centenária. Aqui podem existir equívocos e algumas
incorreções, no entanto buscamos reproduzir com o máximo de precisão as palavras do senhor Francisco Gonçalves de Oliveira (seu
Santinho).
Dona Sebastiana com Fládia Valéria: mais que uma neta, uma filha que sempre amou
muito




Iracema, eu nunca mais te vi. Iracema, meu grande amor foi embora. Chorei, eu chorei de dor porque
Iracema, meu grande amor foi você. Música de Adoniram Barbosa

 A idade está nos livros que leu, nos erros que se
cometeu, nos amores que conheceu, nas
oportunidades que perdeu, em tudo que se viveu...
FAMÍLIA GONÇALVES E OLIVEIRA
PEDRO GONÇALVES DE OLIVEIRA                                      SEBASTIANA MARIA GONÇALVES DE OLIVEIRA

       11 NETOS          (1927) FRANCISCO GONÇALVES DE OLIVEIRA – SANTINHO             11 BISNETOS E 03 TRINETOS

                                               1927
      01 NETO                 (1929) MARIA GONÇALVES DE OLIVEIRA - LILIA                01 BISNETOS E 01 TRINETO


*********************     (1930) RAIMUNDO GONÇALVES DE OLIVEIRA – NONATO              **************************


      02 NETOS                 (1932) MARGARIDA GONÇALVES DE OLIVEIRA                         05 BISNETOS


      04 NETOS             (1934) TEREZA GONÇALVES DE OLIVEIRA – TEREZINHA             08 BISNETOS E 02 TRINETOS


   DESCONHECIDO          (1938) MANOEL GONÇALVES DE OLIVEIRA – PRETO DALTO                  DESCONHECIDO


      02 NETOS                  (1941) GERALDO GONÇALVES DE OLIVEIRA                          01 BISNETOS


      02 NETOS                   (1944) SUZETE GONÇALVES DE OLIVEIRA                          02 BISNETOS


      01 NETO                     (1947) GENI GONÇALVES DE OLIVEIRA              *********************************


      03 NETOS              1951) ANTONIO GONÇALVES DE OLIVEIRA – TOINHO                      02 BISNETOS


      03 NETOS                 (1953) JOSÉ GONÇALVES DE OLIVEIRA – DEDÉ                  *******************


      04 NETOS            (1955) FRANCISCA GONÇALVES DE OLIVEIRA – FRANSQUINHA                03 BISNETOS


*********************   (1960) JOSÉ REGINALDO GONÇALVES DE OLIVEIRA – ZEZINHO           *********************

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Palavra jovem n 14
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Palavra jovem n 13
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Palavra jovem 42
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Relação nominal de alunos que participaram do momento cívico alusivo aos 189 ...
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Memorial sebastiana maria de oliveira

  • 1. Sebastiana Maria de Oliveira – 100 anos É com muita alegria, Raro de se ver hoje em dia, Festejar 100 anos de existência. Ainda com tanta lucidez e sabedoria. Venha família Caé participar Desse momento ímpar, Uma história de vida, Dona Sebastiana que o diga
  • 2. MEMORIAL DE SEBASTIANA MARIA DE OLIVEIRA1 A senhora Sebastiana Maria de Oliveira nasceu no dia onze de setembro de mil novecentos e onze (11/09/11) no Sítio Atrás da Serra, município de Potiretama/CE, filha de Francisco Gabriel de Oliveira e Dona Maria Filomena de Oliveira. Casou-se, com o Mestre Pedro, no religioso no ano de mil novecentos e vinte e cinco (1925), na igreja matriz de Potiretama, perante o Padre Miguel, sacerdote na época e no Civil em 1948 diante do juiz Lafaiete Dantas Diógenes, com o senhor Pedro Gonçalves de Oliveira (Mestre Pedro); Ele nascido também no Sítio Atrás da Serra no Município de Potiretama no dia 03/02/1898, segundo registros oficiais. Seu Pedro é filho de Inácio Filismino Gonçalves e Dona Tereza Gonçalves de Oliveira. Foram testemunhas desse enlace matrimonial os senhores Antonio Rozendo de Carvalho e Pedro Matias da Silva, ambos residentes no referido município. Após o casamento toda a família mudou o domicílio para o Sítio Feijão, município de Quixadá. Lá nasce seu primeiro filho, Francisco Gonçalves de Oliveira no ano de 1927 e na mesma ocasião toda a família retorna ao Sítio Atrás da Serra onde as terras eram de Propriedade do senhor Manoel Filomena de Oliveira, avô da Dona Sebastiana. Em 1929 nasceu Maria Gonçalves de Oliveira (Dona Lilia). Durante os anos de 1931/1932 e 1933 a família enfrenta dificuldades em virtude da grande Seca que assolou o nordeste durante três anos seguidos. Não se sabe ao certo porque o senhor Manoel Filomena perdeu todas as terras, no entanto é fato que saíram dessa localidade e foram para o Ema,
  • 3. trabalhar nas frentes de trabalho de construção do açude de mesmo nome da localidade. Lá moravam em barracas de palha em baixo das oiticicas. Uma grande epidemia de sarampo ceifou várias vidas nesta localidade, inclusive a de Dona Maria Filomena de Oliveira, mãe da Dona Sebastiana, o que obrigou a família a abandonar este lugar. No Ema nasce a senhora Margarida Gonçalves de Oliveira no ano de 1932. A História da Dona Sebastiana se confunde com a história da Família Caé, pois toda sua vida foi dedicada a apoiar a família que constituía e ainda do senhor Gabriel e senhor Romualdo, ambos viúvos, e este último casado com a Dona Neném, irmã da Dona Maria Filomena. Quando falo do deslocamento da família de Dona Sebastiana, entendam que todos migravam juntos: pais, filhos, sobrinhos e etc. Saíram do Ema e foram para a Fazendinha, onde nasceu a senhora Tereza Gonçalves de Oliveira (1934), quando moravam em lotes do governo; logo após foram para o Sítio Passagem, morar nas terras de propriedade do senhor Nabor Diógenes, terras apelidadas por São Gonçalo. Nesta localidade nasceu Raimundo Gonçalves de Oliveira, o Nonato, que veio a falecer no mesmo ano. Depois vão para as terras do Senhor Casusa Tavares, pai da Dona Nazaré, oportunidade em que aconteceu o casamento desta senhora com o senhor Francisco Gabriel, pai da Dona Sebastiana. Terminada a Seca, por volta de 1934 toda a família foi para as Cacimbas, nome dado a essa localidade porque somente lá dava água de cacimba boa para o consumo. Nestas Terras, de propriedade do Major Gervásio Holanda Guerra, casado com a Senhora Deltra Holanda (primeira professora de Iracema), toda a família passou por grandes dificuldades, pois o ambiente era hostil, tinham poucos moradores e poucos recursos para enfrentar as adversidades naturais. Mas aqui a Senhora Sebastiana teve a alegria de dar a luz ao Manoel Gonçalves de Oliveira (1938), chamado por todo de Preto Dalto. Depois todos voltaram para o Ema, por volta de 1937, onde o seu esposo, Mestre Pedro, que já dava
  • 4. aulas e lições a domicílio em troca de muito pouco, ganhou o cargo de guarda do açude Ema. Lá nasceu o senhor Geraldo Gonçalves de Oliveira por volta de 1941. Em 1942 saíram do Ema e voltaram para o Sítio Passagem e lá nasceu a senhora Suzete Gonçalves de Oliveira (1944) e em 1945 foram para o Barrocão. Enquanto o mundo estava em guerra por poder e dominação, a família lutava pela sobrevivência. O senhor Francisco Gonçalves de Oliveira (Santinho), filho mais velho, ainda lembra de ver seus pais carregando pouca coisa nesta lida pela sobrevivência. Perguntado se sabia que o mundo estava em guerra, ele disse que só sabia que sofriam e lutavam muito. Mas lá no Barrocão não foi somente sofrimento, pois a Dona Sebastiana e o Mestre Pedro viviam sua história de companheirismo e tiveram mais dois filhos: Geni Gonçalves de Oliveira (1947) e Antonio Gonçalves de Oliveira (1950). Em 1950, após o mundo ainda comemorar o fim da guerra mundial, lembrar as atrocidades cometidas pela Alemanha nazista e seus aliados e o início da guerra fria, a família Caé, como passaram a ser conhecidos, foram para o Sítio Coaçu, de propriedade do Senhor Enéas Amador. A vida de Dona Sebastiana era apenas de renuncia; renunciou sua infância quando casou tão nova, renunciou sua adolescência quando passou a tomar de conta dos irmãos mais novos e dos sobrinhos, quando da partida de sua mãe e tia, e renunciou sempre a vaidade e os projetos de vida, em prol do outro. Nunca estudou, nunca foi a uma festa e poucos foram os prazeres que experimentou nessa vida. Nesse lugar ela sofreu muito, pois seu filho mais velho, o seu Santinho, foi embora para o Estado do Amazonas e deixou todos com grande apreensão. A família de Dona Sebastiana era retirante em sua própria terra, mas cheia da vontade de vencer na vida e de vencer a Guerra contra as adversidades deste lugar tão Seco e pobre. Mas com afirmou Euclides da Cunha, o Sertanejo é antes de tudo um forte, e a família de Dona Sebastiana, seguiu vencendo a batalha e forjando em seus filhos qualidades importantes
  • 5. como respeito, solidariedade e determinação. A família de Dona Sebastiana e o Mestre Pedro, agora só o casal e sua prole, vão para o Sítio Barreiros por volta de 1953, onde nasceu José Gonçalves de Oliveira e Francisca Gonçalves de Oliveira, de lá retornam para o Coaçu, ocasião em que soube da decisão do seu filho Preto Dalto de ir para o Paraná. Seu Santinho, filho mais velho da Dona Sebastiana, lembra de ter ouvido seu irmão falar que nunca mais voltaria a essa terra, promessa que cumpriu até a data de hoje. Depois foram para o Aimoré e por fim Iracema; porém com a seca de 1941/42 são obrigados a morar no Bom Sucesso. Após a Seca retornam para Iracema e Dona Sebastiana ganha do prefeito Roque Paz o cargo de zeladora de um chafariz. Após se aposentar e perder seu emprego é convidada pelo filho José Gonçalves para ir residir em Mossoró junto com toda a família, ou seja, o Mestre Pedro seu esposo, sua filha Francisca Gonçalves de Oliveira, netos e seu filho adotivo Antonio Reginaldo, chamado carinhosamente de Zezinho. Após sua longa jornada em Iracema, sendo, como foi dito, retirante na sua própria terra e após a aposentadoria veio a decisão de ir para Mossoró no Estado do Rio Grande do Norte, onde lá vivenciou grandes dificuldades. Viu seu filho adotivo, José Reginaldo Gonçalves de Oliveira, o Zezinho (+ 1980), morrer de uma terrível doença que abalou a todos. Talvez esse fato tenha levado a família de Dona Sebastiana e do Mestre Pedro a retornar para Iracema, quando passaram boa parte de suas vidas. Numa história mais recente decidem apoiar sua filha Fransquinha na sua decisão de residir mais uma vez em Mossoró, no sentido de buscar oportunidades de trabalho e de estudo para seus filhos. No Bairro Abolição IV enfrentou muitas dificuldades, mas tinha boas perspectivas, porque estava perto da maior parte de seus filhos, sua filha Fransquinha arrumara trabalho no setor de saúde e seus netos estudavam e se preparavam para um belo futuro. Em Mossoró perde a grande razão da sua vida, o Mestre Pedro Gonçalves de Oliveira (1992), não
  • 6. conseguindo resistir a uma cirurgia de fratura do fêmur, causada por um acidente doméstico, e isso a abalou profundamente. Mas em Mossoró também recebeu a graça de ver seus filhos vencendo na vida, como diz na linguagem do sertanejo, e muitos dos seus netos entrando em cursos de graduação e conseguindo seus espaços com muita força e perseverança. Viu nascer seus netos, bisnetos e trinetos e recebeu a graça de Deus em presenciar seus filhos/netos, Airão Gonçalves de Oliveira e José Nazeu Campelo Filho, graduados em cursos de nível superior e até mesmo um advogado conseguido formar. Sua luta por mais dignidade para sua família nesta cidade, nos bairros da abolição II e IV, era exemplo para todos na família e seu desprendimento pelos bens materiais e orações diárias, rezas, bênçãos e meditações, dava a Dona Sebastiana ao mesmo tempo um aspecto de santidade e de elo de ligação entre toda a família, que como qualquer outra tinha momentos de união e desentendimento. Um câncer de pele em nossa matriarca trouxe sofrimento para toda a família, porém sua resignação e submissão as vontades de Deus, vem lhe permitindo viver por muitos anos com essa grave doença, que só não é maior do que sua fé em Nosso Senhor. Dentre as grandes provações que enfrentou, como doenças e perdas de alguns de seus irmãos (Expedito Caé, Mundo e Antonio Caé e a Dona Santinha) nenhuma se comparou a perda do seu filho querido Geraldo no ano de 2010. Impossível é narrar uma vida de 100 anos com poucas frases, pois é impossível traduzir toda a dor, saudade dos entes perdidos, nem a alegria e o prazer de receber sua grande família na sua humilde residência, nem tampouco o sentimento do dever cumprido quando sabe que filhos, netos, bisnetos e trinetos ocupam espaços importantes na sociedade e dão inicio a várias outras histórias de vida. A senhora Maria Sebastiana de Oliveira, vive hoje na casa da sua filha Geni Gonçalves de Oliveira neste município de Iracema, e recebe o carinho e a dedicação de sua família; ela
  • 7. que teve muitos filhos nessa longa existência e hoje 10 estão vivos, tem aproximadamente 35 netos, 32 bisnetos e 06 trinetos, certamente viverá ainda por muitos mais anos. Nossa matriarca vive e viverá para todo sempre em nossos corações e toda sua luta se eternizará em nossas lembranças e que temos obrigação de passar para outras gerações. Parabéns Dona Sebastiana, felicidades e paz para sua família, algo que sempre pede em suas orações. Que seus filhos nunca se esqueçam dessa bela história de vida, de uma mulher que sempre pareceu frágil, mas que é na verdade uma fortaleza de humildade, perseverança e força. 1toda essa descrição da história da Senhora Sebastiana Maria de Oliveira foi construída a partir de versões orais e pouco foi baseado em documentos oficiais. Essa versão foi apresentada pelo filho mais velho da centenária. Aqui podem existir equívocos e algumas incorreções, no entanto buscamos reproduzir com o máximo de precisão as palavras do senhor Francisco Gonçalves de Oliveira (seu Santinho).
  • 8. Dona Sebastiana com Fládia Valéria: mais que uma neta, uma filha que sempre amou muito Iracema, eu nunca mais te vi. Iracema, meu grande amor foi embora. Chorei, eu chorei de dor porque Iracema, meu grande amor foi você. Música de Adoniram Barbosa A idade está nos livros que leu, nos erros que se cometeu, nos amores que conheceu, nas oportunidades que perdeu, em tudo que se viveu...
  • 9.
  • 10. FAMÍLIA GONÇALVES E OLIVEIRA PEDRO GONÇALVES DE OLIVEIRA SEBASTIANA MARIA GONÇALVES DE OLIVEIRA 11 NETOS (1927) FRANCISCO GONÇALVES DE OLIVEIRA – SANTINHO 11 BISNETOS E 03 TRINETOS 1927 01 NETO (1929) MARIA GONÇALVES DE OLIVEIRA - LILIA 01 BISNETOS E 01 TRINETO ********************* (1930) RAIMUNDO GONÇALVES DE OLIVEIRA – NONATO ************************** 02 NETOS (1932) MARGARIDA GONÇALVES DE OLIVEIRA 05 BISNETOS 04 NETOS (1934) TEREZA GONÇALVES DE OLIVEIRA – TEREZINHA 08 BISNETOS E 02 TRINETOS DESCONHECIDO (1938) MANOEL GONÇALVES DE OLIVEIRA – PRETO DALTO DESCONHECIDO 02 NETOS (1941) GERALDO GONÇALVES DE OLIVEIRA 01 BISNETOS 02 NETOS (1944) SUZETE GONÇALVES DE OLIVEIRA 02 BISNETOS 01 NETO (1947) GENI GONÇALVES DE OLIVEIRA ********************************* 03 NETOS 1951) ANTONIO GONÇALVES DE OLIVEIRA – TOINHO 02 BISNETOS 03 NETOS (1953) JOSÉ GONÇALVES DE OLIVEIRA – DEDÉ ******************* 04 NETOS (1955) FRANCISCA GONÇALVES DE OLIVEIRA – FRANSQUINHA 03 BISNETOS ********************* (1960) JOSÉ REGINALDO GONÇALVES DE OLIVEIRA – ZEZINHO *********************