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MARIOLOGIA
ORIENTAL
AULA 04
A IMAGEM HISTÓRICO-SALVÍFICA DE MARIA
OBJETIVO
Compreender como a Tradição cristã antiga viu
Maria dentro do plano de salvação de Deus.
PERCURSO
Maria como Virgem-Mãe.
Maria como Nova Eva.
Maria na teologia de São Justino, Mártir.
Maria na teologia de Santo Irineu de Lyon.
A ligação entre Encarnação, fé e salvação.
Maria não será apresentada isoladamente. Ela
aparece sempre em relação a Cristo e à história
da salvação.
O QUE SIGNIFICA IMAGEM
“HISTÓRICO-SALVÍFICA”?
É a compreensão de Maria dentro da história da
salvação.
Maria é vista:
no projeto de Deus;
na Encarnação do Verbo;
no cumprimento das Sagradas Escrituras;
na restauração da humanidade;
em relação a Cristo, o novo Adão.
“Histórico” não significa apenas “fato do
passado”. Significa que Deus age na história.
“Salvífico” significa que essa ação tem como
finalidade salvar o ser humano.
A PRIMEIRA MARIOLOGIA
DA IGREJA
Nos primeiros séculos, Maria é compreendida
principalmente a partir de Cristo.
A pergunta central não é ainda:
“Quem é Maria em si mesma?”
Mas:
“Qual é o lugar de Maria no mistério de Cristo e da
salvação?”
A mariologia nasce da cristologia. A Igreja fala de
Maria porque precisa confessar corretamente quem
é Cristo: verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
DOIS AUTORES FUNDAMENTAIS
Santo Irineu de Lyon (130-202)
São Justino Mártir (100-165)
DOIS AUTORES FUNDAMENTAIS
Ambos apresentam Maria dentro da economia da
salvação.
Em ambos, Maria aparece como:
Virgem-Mãe;
Nova Eva;
participante do cumprimento do plano de Deus.
São Justino e Santo Irineu pertencem ao século II,
muito próximos da era apostólica. Isso mostra que a
reflexão sobre Maria é muito antiga.
Viveu no século II.
Foi filósofo convertido ao cristianismo.
É um dos grandes apologistas cristãos.
Defendeu a fé diante de pagãos, judeus e
filósofos.
Viu em Cristo a plenitude da verdade.
Apologista é alguém que defende racionalmente a fé
cristã.
Justino não abandona a razão ao se tornar cristão; ele
encontra em Cristo a plenitude da razão e da
verdade.
QUEM FOI SÃO JUSTINO?
CRISTO É O LOGOS
Para São Justino, Cristo é:
o Logos subsistente;
a Razão viva;
a Verdade plena;
a Luz que ilumina todo ser humano;
o centro da história.
Toda busca verdadeira pelo bem, pela justiça e pela
verdade encontra sua plenitude em Cristo.
Para São Justino, o cristianismo não é uma filosofia
entre outras. Cristo é a Verdade que as filosofias
buscavam parcialmente.
CRISTO NO ANTIGO TESTAMENTO
Para São Justino, o Antigo Testamento é cheio de:
profecias;
figuras;
sinais;
prefigurações.
Tudo aponta para Cristo.
O Antigo Testamento encontra seu sentido pleno no
Verbo encarnado.
São Justino lê a Sagrada Escritura de modo
cristológico. Para ele, Cristo já estava agindo na
história de Israel antes da Encarnação.
COMO MARIA APARECE
EM SÃO JUSTINO?
Maria aparece como dois pontos principais:
1.Como Virgem-Mãe.
2.Como Nova Eva.
Esses dois aspectos estão ligados ao mistério da
Encarnação.
São Justino não faz uma “biografia de Maria”. Ele fala
de Maria quando fala da Encarnação e da salvação.
São Justino parte do fato, historicamente incontestável,
de que Cristo nasceu de uma Virgem.
Quem lhe dá esta certeza histórica não é somente a fé,
oralmente transmitida pelos Apóstolos e fielmente
custodiada pelas singulares Igrejas como depósito
revelado, mas são também os Evangelhos, que ele
conhece e chama «memórias» dos Apóstolos: eles
constituem argumento histórico e verídico dos fatos.
Consequentemente, ele rejeita e mostra absurdas as
acusações tanto dos pagãos como dos judeus, que
queriam reduzir a uma simples fábula a pura e santa
concepção de Cristo.
MARIA COMO A VIRGEM-MÃE
O que São Justino faz?
Recorre às profecias do Antigo Testamento, que
judeus e cristãos concordemente aceitam.
Com base nessas profecias, o evento de Cristo é
revelado como verdadeiro, pois foi predito e
realizado pelo único e verdadeiro Deus. Tanto o fato
quanto a profecia são verdadeiros, pois ambos
dependem de Deus. Ele preanunciou eventos
extraordinários para torná-los dignos de fé quando
se cumprissem, e os cumpriu exatamente como
predito para demonstrar que foram realizados por
Seu poder soberano.
MARIA COMO A VIRGEM-MÃE
MARIA COMO A VIRGEM-MÃE
Entre todas as profecias tem o primeiro lugar a célebre
profecia de Isaías (7,10-14) várias vezes citada e
comentada por Justino, sobre a Virgem parturiente.
O texto de Isaías assim soa:
“O Senhor tornou a falar a Acaz [rei de Judá]: ‘Pede um
sinal ao Senhor teu Deus; no fundo do abismo ou no alto
do céu’.
Acaz respondeu: ‘Não o peço, não quero tentar o
Senhor’.
Então Deus disse: ‘Escuta, hedeiro de Davi: Não vos
basta cansar os homens, quereis cansar também o meu
Deus? Pois o Senhor, por sua conta, vos dará um sinal:
Vede: a jovem está grávida e dará à luz um filho, e lhe
dará o nome de Emanuel’.”.
MARIA COMO A VIRGEM-MÃE
São Justino enfatiza que a profecia fala de Cristo e não de
Ezequias, filho de Acaz.
Onde diz jovem, em grego está parthenos e não neanis.
parthenos se refere à jovem virgem (palavra usada
também no Evangelho segundo São Mateus em referência
à Maria [Mt 1,23]).
neanis se refere a uma jovem, mas no sentido social , sem
focar necessariamente no estado de virgindade.
MARIA COMO A VIRGEM-MÃE
Deus dá um «sinal», não só a Acaz, mas a toda a
casa de Davi: o «sinal» é algo de excepcional, de
inesperado, de fora do comum desenrolar das
coisas. O sinal que mostra a mão de Deus operante
na história do homem.
Tratando-se no texto de verdadeira geração
humana (segundo a exegese literal, que todos
aceitavam naquele tempo), e de mulher, qual
«sinal divino» pode constituir uma geração
normal?
Vamos ao texto de São Justino, Diálogo com o
Judeu Trifão, 84,1-2:
MARIA COMO A VIRGEM-MÃE
“Se Cristo, de quem Isaías falava, não haveria de nascer de uma
virgem, então por que o Espírito Santo clamava: ‘Eis que o próprio
Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá e dará à
luz um filho’? Se também este teria que nascer de união carnal
como qualquer outro primogênito, então por que Deus falava em
realizar um sinal que não fosse comum a todos os primogênitos?
No entanto, trata-se verdadeiramente de um sinal maravilhoso e
digno de ser crido pelo gênero humano: de um ventre virginal
nasceria como verdadeiro menino, feito carne, aquele que é
primogênito de todas as criaturas. E esse é aquele que
antecipadamente, por meio do Espírito profético, Deus anunciou
de uma e outra forma, como já vos mostrei, para que, quando
acontecesse, reconhecêssemos ter acontecido por poder e
desígnio do Criador de todas as coisas. Do mesmo modo, Eva foi
formada de uma costela de Adão e assim também pela palavra de
Deus, no princípio foram criados todos os seres viventes”.
MARIA COMO A VIRGEM-MÃE
Portanto, segundo São Justino (e segundo todas as Igrejas e os autores
dos primeiros séculos) uma só é “a Virgem” literalmente predita pelo texto
profético: Maria. Um só é o filho da Virgem, chamado «Emanuel»: Cristo
Salvador.
Jesus é o nome pessoal: vem do hebraico Yehoshua / Yeshua e significa
“Deus salva” ou “O Senhor salva”. Destaca a missão salvadora: Ele veio
para salvar o povo dos pecados.
Cristo e Messias são títulos. Cristo vem do grego Christós e Messias vem
do hebraico Mashíah. Ambos significam “Ungido”. Indica que Jesus é o
Ungido por Deus: sacerdote, profeta e rei. Destaca que Ele é o esperado
por Israel.
Emanuel revela o mistério da Encarnação. Mostra que, em Jesus, Deus se
aproxima da humanidade e habita entre nós e significa “Deus Conosco”.
MARIA COMO A VIRGEM-MÃE
MARIA COMO A VIRGEM-MÃE
Em síntese: para São Justino, Cristo nasceu
verdadeiramente de uma Virgem.
Essa certeza vem:
da fé transmitida pelos Apóstolos;
dos Evangelhos;
das profecias do Antigo Testamento;
especialmente de Isaías 7,14: “Eis que a Virgem
conceberá e dará à luz um filho”.
São Justino insiste na realidade histórica da
concepção virginal. Não é mito, nem símbolo vazio.
É um fato salvífico.
MARIA COMO A NOVA EVA
No pensamento de São Justino, a cena da
Anunciação encontra correspondência na cena
da queda, porque há um profundo laço que
corre entre a queda do homem em Adão e a sua
restauração em Cristo.
Um único trilho guia a história, percorrido
inversamente por Deus e pelo homem. O
homem destrói, Deus reedifica. Mas na mesma
linha e com os mesmos meios. O homem peca e
introduz a morte: Deus salva e traz a vida. Mas
por meio de uma mulher. Por meio de Eva o
“homem” cai, ou seja, Adão; por meio de Maria o
“Homem” nasce, o Cristo Primogênito.
Ambos por meio de uma Virgem.
Eva ainda é virgem quando acolhendo a palavra sedutora
da serpente se corrompe e peca, introduzindo no mundo
a morte e arrastando para a mortalidade e para a
corrupção o homem e os seus descendentes.
Maria, a Virgem, irradiada pela presença fecundante da
Palavra de Deus, difunde a Vida, e arrasta consigo toda a
humanidade para a imortalidade e a incorruptibilidade.
Duas mulheres; duas virgens; duas responsáveis pela
história humana: a primeira com Satanás, a outra com
Deus; uma de morte, a outra de vida: mas um só é o
caminho, o que passa por meio da carne humana e
constitui a unidade de história diante de Deus.
MARIA COMO A NOVA EVA
“Jesus nasceu da virgem como homem, a fim de que pelo
mesmo caminho que iniciou a desobediência da serpente,
por esse também ela fosse destruída. De fato, quando
ainda era virgem e incorrupta, Eva, tendo concebido a
palavra que a serpente lhe disse, deu à luz a desobediência
e a morte. A virgem Maria, porém, concebeu fé e alegria,
quando o anjo Gabriel lhe deu a boa notícia de que o
Espírito do Senhor viria sobre ela e a força do Altíssimo a
cobriria com sua sombra, através do que o santo que dela
nasceu seria o Filho de Deus. A isso, ela respondeu: “Faça-
se em mim segundo a palavra”. E da virgem nasceu Jesus,
ao qual demonstramos que tantas Escrituras se referem,
pelo qual Deus destrói a serpente e os anjos e homens que
a ela se assemelham, e livra da morte aqueles que se
arrependem de suas más ações e nele crêem”
(Diálogo com o Judeu Trifão, 100,4-6).
MARIA COMO A NOVA EVA
Em síntese, a comparação não coloca Maria como
salvadora independente. Cristo é o Salvador. Mas Maria
participa livremente do caminho pelo qual o Salvador
vem ao mundo.
A história da salvação passa pela liberdade humana.
Eva diz “não” a Deus.
Maria diz: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
O “sim” de Maria abre caminho para a entrada do
Verbo na história.
Deus salva, mas não destrói a liberdade humana. Maria
responde com fé e obediência.
MARIA COMO A NOVA EVA
QUEM FOI SANTO IRINEU?
Viveu no século II.
Conheceu a tradição apostólica por meio de São
Policarpo.
Combateu as heresias gnósticas.
Escreveu Contra as Heresias.
Desenvolveu uma grande teologia da história da
salvação.
Santo Irineu é fundamental porque une Escritura,
Tradição e fé da Igreja. Ele pensa a salvação como
uma grande história conduzida por Deus.
Contra as Heresis, Livro III, 3,3. Lista dos treze
primeiros papas da Igreja.
Para Santo Irineu, Deus conduz a história para a
salvação.
O centro dessa história é Cristo.
Cristo é:
o Verbo do Pai;
o novo Adão;
o restaurador da humanidade;
aquele que restaura o ser humano.
A palavra-chave de Santo Irineu é “restauração”.
QUEM FOI SANTO IRINEU?
QUEM FOI SANTO IRINEU?
Restaurar significa reunir novamente em Cristo toda
a história humana.
Cristo assume o que é nosso para nos comunicar o
que é dEle.
Ele se faz homem para restaurar o homem.
Em Cristo, a humanidade é refeita, curada e
conduzida ao Pai.
Exemplo: se Adão é o início da humanidade ferida,
Cristo é o novo início da humanidade restaurada.
CRISTO COMO O NOVO ADÃO
Adão representa a humanidade ferida pela
desobediência.
Cristo representa a humanidade restaurada
pela obediência.
Adão introduz o pecado e a morte.
Cristo comunica justiça, vida e salvação.
Santo Irineu parte de São Paulo (Rm 5,6-19),
especialmente da comparação entre Adão e
Cristo. Mas ele amplia essa comparação
incluindo Maria e Eva.
MARIA DENTRO DA
RESTAURAÇÃO
Se Cristo é o novo Adão, Maria é a nova Eva.
Assim como a queda teve a participação de Eva, a
restauração tem a participação de Maria.
Eva participa da desobediência.
Maria participa da obediência.
Eva está ligada à morte.
Maria está ligada à vida.
Santo Irineu não está dizendo que Eva e Maria têm o
mesmo peso que Adão e Cristo. Cristo é o Salvador.
Mas Maria entra como colaboradora livre no plano de
Deus.
MARIA DENTRO DA
RESTAURAÇÃO
Podemos sintetizar em dois pontos o
pensamento de Irineu:
1. “Signum Virginis” - Sinal da Virgem: a Mãe-
Virgem, base histórica da salvação realizada.
2. A nova Eva, causa de salvação para todos.
O SINAL DA VIRGEM
Para Santo Irineu, a maternidade virginal de Maria é o
sinal histórico da salvação.
Maria é Virgem: o nascimento vem de Deus.
Maria é Mãe: Cristo é verdadeiramente homem.
Por isso, em Maria aparece o mistério do Emanuel:
Deus-conosco.
Maria garante, por assim dizer, a verdade da
Encarnação: o Filho de Deus assumiu realmente a
nossa humanidade.
O SINAL DA VIRGEM
Por que Maria é Mãe de verdade?
Maria oferece ao Verbo a nossa natureza humana.
O Filho de Deus não apenas “parece” homem.
Ele recebe de Maria uma carne verdadeira.
Por isso, a salvação alcança verdadeiramente a
humanidade.
Santo Irineu combatia os gnósticos, que muitas vezes
desprezavam a matéria e tinham dificuldade de
aceitar a verdadeira carne de Cristo, porque
desprezavam a matéria.
O SINAL DA VIRGEM
Por que Maria é Virgem?
A virgindade mostra que a Encarnação é obra
de Deus.
A salvação não nasce da força humana.
Nasce da iniciativa divina.
O seio virginal de Maria torna-se o lugar onde
Deus une a si a humanidade.
Para Santo Irineu, a virgindade não diminui a
maternidade. Ao contrário: Maria é Virgem
enquanto Mãe, e Mãe enquanto Virgem. É
exatamente isso que manifesta o sinal de Deus.
O SINAL DA VIRGEM
A virgindade fecunda de Maria é “sinal” de que
finalmente se realizou o dom supremo de Deus,
porque só Deus podia de si fecundar um seio de
mulher; a sua maternidade virginal é “sinal” de que
todo o homem é salvo em Deus. Porque Maria é
Virgem, só Deus nasceu dela; porque é verdadeira
Mãe, Ele é verdadeiro homem.
A profecia salvífica da “Virgem parturiente” de Isaías
encontra no Emanuel a sua mais plena e mais alta
realização.
Vamos ao texto de Santo Irineu:
O SINAL DA VIRGEM
“Por isso o ‘sinal’ de nossa salvação - o Emanuel
nascido da Virgem - o deu o próprio Senhor, porque
era o próprio Senhor que salvava os homens, pois
estes por si só não podiam salvar-se…”
“Por isso, o Senhor em pessoa nos deu um ‘sinal’… no
profundo e lá nas alturas: ‘sinal’ que o homem não
pediu, porque não teria esperado que uma Virgem,
permanecendo virgem, se tornasse mãe e parisse um
filho, e que este Nascido fosse ‘Deus-conosco’ e
descesse às profundezas da terra para buscar a
ovelha perdida - ou seja, a sua própria criatura - e
subisse depois às alturas para oferecer e recomendar
ao Pai esse homem que havia sido reencontrado…”
O SINAL DA VIRGEM
Em síntese, quem nega ou recusa a virginal
maternidade de Maria - necessário pressuposto
para que o Redentor seja Deus-Homem - fecha-
se inevitavelmente o acesso à vida imortal.
A NOVA EVA: CAUSA DE SALVAÇÃO
PARA TODO O GÊNERO HUMANO
Prolongando a intuição de Justino, Irineu apresenta Maria
como nova Eva que - paralelamente a Cristo - restaura a antiga
Eva.
Cristo restaura Adão, anulando com a sua ação benéfica a
maléfica ação dele.
Maria restaura Eva, anulando com a sua obediência a
desobediência dela.
O olhar de Santo Irineu se fixa atentamente na anunciação do
Anjo a Maria, e nela enxerga a valência humana e cósmica.
Nesse sentido ele relê, à luz de Lucas 1,2-38, o relato de
Gênesis 3,1-15.
As duas cenas constitutivas da humanidade - o paraíso
terrestre e a Anunciação - se contrapõem nas pessoas, nas
ações, nos efeitos.
Santo Irineu faz um paralelismo:
A NOVA EVA: CAUSA DE SALVAÇÃO
PARA TODO O GÊNERO HUMANO
A NOVA EVA: CAUSA DE SALVAÇÃO
PARA TODO O GÊNERO HUMANO
As pessoas
Gn 3
(a) Eva
(b) ainda virgem
(c) destinada a um homem
Lc 1
a) Maria
(b) a Virgem
(c) ligada a um homem
O anúncio
Gn 3
(d) de um anjo (mau)
(e) malamente seduzida
(f) a desobedecer a Deus
(g) transgredindo Sua palavra
Lc 1
(d) de um anjo (bom)
(e) bem evangelizada
(f) a trazer Deus
(g) obedecendo à Sua palavra
A NOVA EVA: CAUSA DE SALVAÇÃO
PARA TODO O GÊNERO HUMANO
As ações
Gn 3
(h) acreditou e
(i) desobedeceu (a Deus)
Lc 1
(h) acreditou e
(i) obedeceu, dizendo: “Fiat!…”
Os efeitos
Gn 3
(l) e se tornou causa de morte
(m) para si e para todos
Lc 1
(l) e se tornou causa de salvação
(m) para si e para todos
A NOVA EVA: CAUSA DE SALVAÇÃO
PARA TODO O GÊNERO HUMANO
A restauração
Lc 1
(n) restaurando Eva.
(o) tornando-se a advogada de Eva.
(p) contrabalançando e destruindo a desobediência virginal
com a virginal obediência.
(q) desatando com a sua fé os nós que Eva com a sua
incredulidade havia atado.
Santo Irineu, que mostra o seio de Maria como o espaço e a
fonte da regeneração humana:
“Aqueles que preanunciaram Emanuel nascido da Virgem,
manifestavam a união do Verbo de Deus com a sua criatura:
que o Verbo se tornaria carne e o Filho de Deus filho do
homem - PURO / QUE DE MODO PURO / ABRIRIA / AQUELE
PURO SEIO / QUE REGENERA / OS HOMENS A DEUS; / SEIO
QUE ELE MESMO / FEZ PURO; - e tornando-se o que nós
somos, é Deus forte e tem uma geração inenarrável”.
A NOVA EVA: CAUSA DE SALVAÇÃO
PARA TODO O GÊNERO HUMANO
A NOVA EVA: CAUSA DE SALVAÇÃO
PARA TODO O GÊNERO HUMANO
A intuição que está na base deste esplêndido trecho de
Irineu constitui o ângulo focal da contemplação do mistério
de Maria no Oriente, até hoje:
Porque o mistério do Verbo transcende o momento histórico,
e preenche de sua presença salvadora todos os tempos. A
sua carne humana, sempre e para sempre, comunica
salvação. É o instrumento de sua comunhão conosco e de
nossa comunhão com Ele. Mas a carne é de Maria.
A NOVA EVA: CAUSA DE SALVAÇÃO
PARA TODO O GÊNERO HUMANO
Aquele seio virginal, puro, que gerou a Cabeça, já nEle
restaurou a Deus - e continua a restaurá-los - todos os
membros da humanidade fiel.
A presença de Maria, Virgem-Mãe, se estende, pois, quanto
se estende o mistério operante do Verbo seu Filho. Maria é a
“Virgem-Mãe” do Filho de Deus, do “Deus forte”, do
“Emanuel”, o qual tem uma geração humana inenarrável
precisamente por ser o Salvador de toda a humanidade.
Em síntese, para SAnto Irineu, o seio virginal de Maria é o
lugar onde o Verbo assume a nossa humanidade.
Aquele que nasce de Maria é a Cabeça da humanidade
nova.
Nele, os homens são restaurados para Deus.
Maria gera Cristo, Cabeça da humanidade redimida. Por
isso, a maternidade de Maria tem alcance salvífico, pois
está unida ao mistério do Filho.
A NOVA EVA: CAUSA DE
SALVAÇÃO PARA TODO O
GÊNERO HUMANO
SÍNTESE:
SÃO JUSTINO E SANTO IRINEU
São Justino destaca:
Maria, Virgem-Mãe;
cumprimento de Isaías;
contraste entre Eva e Maria.
Santo Irineu aprofunda:
Cristo como novo Adão;
Maria como nova Eva;
recapitulação da humanidade;
Maria como colaboradora da salvação.
Santo Irineu prolonga e aprofunda a intuição de
São Justino.
A IMPORTÂNCIA DISSO
PARA A FÉ CRISTÃ
A doutrina sobre Maria protege a fé em Cristo.
Crer na Virgem-Mãe significa confessar que:
o Filho de Deus se fez verdadeiramente homem;
a salvação entrou realmente na história;
Deus age por meio da liberdade humana;
a obediência cura a desobediência;
a vida vence a morte.
No Oriente cristão, Maria é contemplada sempre dentro do
mistério do Verbo encarnado.
Ela é:
a Virgem-Mãe;
a Theotokos, Mãe de Deus;
o seio que acolhe o Verbo;
a nova Eva;
presença materna no mistério da salvação.
Embora o título Theotokos seja definido solenemente mais
tarde, em Éfeso (431), sua base já aparece nessa visão
antiga: Maria é Mãe daquele que é Deus-conosco.
MARIA NO ORIENTE CRISTÃO
A imagem mais antiga de Maria é histórico-salvífica.
Maria aparece:
no cumprimento das Sagradas Escrituras;
na Encarnação do Verbo;
na restauração da humanidade;
como nova Eva;
como Virgem-Mãe;
como colaboradora livre do plano de Deus.
Em Maria, a humanidade responde a Deus com fé.
CONCLUSÃO