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MARIA
A história de uma jovem como
            você.




                               1
MARIA
A história de uma jovem como você, sua fé, seus conflitos,
sua glória.

Índice
Apresentação

Agradecimentos
Notas do Autor

Dedicatória
Prefácio

Maria
Encontrando Maria em Nazaré
Um Anjo chamado Gabriel
Subindo a Montanha
Um Coração Agradecido
Três meses depois...
Uma noite fora do comum
E a vida vai voltando ao normal. Normal?
Reis em minha Sala
Escapando do Pesadelo
Lembranças para guardar
Um Homem, uma Missão.
E a festa continuou
Ser Mãe
Ao Pé da Cruz
Ah! Essas Mulheres...
Jesus, o Salvador e Senhor de Maria.
Passando o bastão




                                                         2
Apresentação

    Acho lindo essa diversidade do corpo de     Cristo! Cada
membro com dons e capacidades diferentes.      Tem sido um
privilégio conviver com o Pr. Francisco. Sua   capacidade de
pesquisador, comunicador e escritor. A forma    simples como
expressa verdades tão profundas.

    Neste livro – Maria, fé, conflitos e glória ele nos
confronta com verdades tão vivas e sutis que é como se
estivéssemos ao lado da mãe do Salvador, vivenciando
experiências tão profundas diante de um Deus tão grande, todo
poderoso, maravilhoso e soberano que “escolhe quem está no
tanque de roupas, na cozinha, atarefado com as coisas do dia-
a-dia, com a mão na massa, para colocar seus propósitos
eternos em movimento”. Portanto, “a gravidez de Maria
representava a gravidez do Cristo, mas também a gravidez de
um mundo novo, de um novo sistema de coisas, onde a mulher
também faria parte de um reino de sacerdotes, sacerdócio
real. E, quando, somos nós os escolhidos, não há outra coisa
a fazer, senão engrandecer ao Senhor por se lembrar de nós,
por mais insignificantes que nos achemos, e nos incluir nos
seus planos mais elevados”. Após a morte de Cristo “Homens
valentes se reúnem a portas trancadas com medo dos judeus.
Mulheres frágeis vão ao sepulcro levando ervas aromáticas
para embalsamá-lo. Mulheres são mais predispostas a riscos do
que os homens. Homens agem pela razão, as mulheres mais pelo
coração. E, por agir com o coração, elas simplesmente se
levantaram cedo e foram ao sepulcro para preparar o corpo. E,
por terem se arriscado, foram as primeiras a saberem da
ressurreição”. Voltando a falar de Maria, ele diz: “Sua
glória consiste não no fato de ter sido a agraciada para ser
a mãe de Cristo, mas por ter sido uma mulher fiel de ponta-a-
ponta. Ela viu o filho nascer, crescer, realizar coisas
fantásticas, milagres sobrenaturais, ser morto numa cruz,
ressuscitado, subir aos céus para reinar”. O grande desafio é
crer, fica evidente o exemplo da fé: “Abraão, o homem rico
riu; Zacarias, sacerdote, o homem preparado duvidou; Maria a
jovem humilde que morava na cidadezinha de Nazaré, creu”.

    Diante de lições tão preciosas aproveite esta bênção,
leia este livro e desfrute de uma leitura simples, agradável
e empolgante que nos confronta com o sofrimento e a fé,
mostrando-nos que a glória espera por aqueles que são fiéis.

   Pr. Cláudio A. Andrade
   Pastor da Igreja Evangélica Batista Água Verde


                                                            3
Presidente da CBP
Presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil –
Secção Paraná
Curitiba, 2002




                                                    4
Agradecimentos

     Tenho sempre muito a agradecer a muitas pessoas, mas
gostaria dessa vez de agradecer em especial a Bia Salerno,
minha esposa e irmã em Cristo, que transcreveu meus
garranchos e os colocou em formato digital; à minha amiga e
irmã em Cristo Regina Fabbri pela leitura e sugestões e
também à minha irmã duas vezes Maria Christina Salerno
Possedente dos Santos pela leitura crítica e sugestões.

    Vocês fazem a diferença!

    Meu muito obrigado.




                                                          5
Notas do Autor

     Todas as passagens bíblicas apresentadas nesse livro
foram extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional,
publicada pela Sociedade Bíblica Internacional, em edição
cujos direitos foram reservados pela Editora Vida, de São
Paulo, Capital.

     As passagens aparecem destacadas em itálico neste
trabalho e a citação é feita em nota de rodapé na página em
que aparecem.

     Ocasionalmente as passagens poderão ainda aparecer em
forma estilizada para que você possa identificar com clareza
qual personagem está falando na passagem.

     Assim este material poderá ser adaptado, eventualmente,
para servir como texto-base para pequenas peças, jograis e
cantatas.



Nota de Direitos Autorais

     Direitos reservados para o autor.

     O conteúdo desse livro poderá ser duplicado em seu todo
ou em partes, desde que citada a fonte, sem prévia
autorização do autor.

     O autor desde já agradece se uma notificação de uso for
enviada para sua caixa postal digital mencionando onde e
quando.

     A Caixa Postal Digital do autor é:

     salerno.neto@gmail.com


                                                            6
Dedicatória



     Lembro aqui de minha mãe e das grandes lutas e desafios
que ela enfrentou.
     Quanto me lembro de tê-la vista quieta, sua Bíblia sobre
o colo, em atitude reverente, meditando, refletindo a vida,
por várias vezes chorando...
     A sós sem ter com quem compartilhar o fardo a não ser
com o Senhor.
     Crescemos eu e meus irmãos com muitas dificuldades, mas
sempre tínhamos uma palavra de apoio e de carinho dela.
     Palavras de repreensão quando necessárias; palavras de
encorajamento a maior parte do tempo.
     Creio que sua motivação maior era o seu Senhor, o
originador de sua fé, a fonte de toda a sua força.
     Para ela e à todas as mulheres que, tidas como frágeis,
têm se levantado e sustentado, em muitas e muitas ocasiões,
a barra de ser tudo para todos, ser a coluna do lar, e fazem
isso em o nome do Senhor, esse livro é carinhosamente
dedicado.




                                                            7
Prefácio


     Passei alguns dos melhores anos de minha infância em um
sítio nos arredores da cidade de São Paulo.
     De minhas lembranças, o findar da tarde, por volta das
18 horas quando minha mãe chamava a mim e as minhas irmãs e
meu irmão mais novo para orarmos, é a predileta.
     Fazíamos isso diariamente.
     Mamãe sempre nos conduziu nas orações e nos cânticos.
     Líamos a Bíblia e cantávamos cânticos de um hinário
Salmos e Hinos enquanto os nossos vizinhos se juntavam em
suas casas para ouvir e rezar a Ave Maria como era de costume
naquela época.
     Os tempos eram muito diferentes dos de hoje.
     Católico era católico e protestante era protestante.
     Protestante era quem lia e carregava uma Bíblia,
católico era quem ia a missa e rezava a Ave Maria.
     Éramos tidos protestantes, filiados à Igreja Cristã
Evangélica que fica no bairro do Jabaquara, embora nunca
tivéssemos protestado contra nada a não ser a favor da vida,
de vivê-la plenamente.
     Alguns tios, por parte de meu pai, frequentavam a mesma
igreja.
     A maior parte da família era católica.
     Lembro-me quando minha tia Maria, polonesa e católica
fervorosa fazia lá suas rezas e orações lá em nosso sítio na
hora de dormir.
     Tenho um certo orgulho de descender de poloneses,
italianos e portugueses, povos que sabidamente veneram a fé
cristã e também de negros africanos sempre ligados ao
transcendental.
     Nós não rezamos a Ave Maria, mas aprendemos a ter um
profundo respeito e admiração por Maria, mãe de Jesus.
     Cresci e a medida em que ia estudando e me envolvendo
socialmente, fui aprendendo um pouco mais sobre essa mulher
especial.
     Despertou-me   a   atenção  o   fato   de   que   grandes
compositores como Bach, Gounod, Verdi, Schubert e outros
terem se dedicado à compor obras que retratam a cena bíblica
do anjo aparecendo para Maria, anunciando sua escolha como a
portadora da semente de Deus para o mundo.
     Quem não se emociona ao ouvir Ave Maria de Schubert ou
mesmo Ave Maria de Bach durante uma cerimônia de casamento?


                                                             8
Algumas pessoas hão de se lembrar ainda da Ave Maria do
Morro do Herivelto Martins cantado por Dalva de Oliveira ou
por Ângela Maria.
     Há uma certa identificação de cada brasileira com essa
Maria.
     Uma jovem de condições humildes, que recebeu uma palavra
de Deus, e a bênção de ser a mãe do Cristo.
     Um dia vi-me na responsabilidade de dirigir algumas
palavras num Dia das Mães na igreja em que frequentava à
época.
     Na tentativa de falar alguma coisa apropriada, eu
procurei durante a semana por temas que tivessem a ver com a
data, e acabei escolhendo falar sobre Maria.
     Um sermão sobre Maria numa igreja evangélica.
     Pode parecer fora de propósito, mas foi o que fiz.
     E todos nós que estivemos ali naquela manhã, pudemos ver
com esse sermão, quanto uma mulher pode ser simples, digna,
quanto pode ser fiel, quanto pode ser forte, instrumental nas
mãos do Senhor do Universo.
     E, principalmente, nos livrarmos de certos estereótipos
históricos bem como rever nossas crenças quanto ao papel da
mulher para nossa época, nosso tempo.
     Por isso escrevo sobre Maria.




                                                            9
MARIA


     Nomes têm o poder de trazer a mente lembranças.
     A gente escolhe os nomes dos filhos da gente pela
imponência e som.
     Tem de ser imponente: Rafael Augusto!
     Tem de cair bem nos ouvidos: Cintia Larissa!
     Ou ambos: Michele Caroline!
     Mas um nome é muito mais.
     Ninguém colocaria o nome Nero ou Hitler num filho. Você
colocaria?
     E, por que não colocaria?
     Por que esses nomes evocam coisas ruins.
     Nomes têm o poder de trazer a mente lembranças positivas
ou negativas relacionadas com pessoas.
     Pessoas recebem o nome de outras pessoas que foram
famosas,     que    realizaram     grandes     feitos,    que
foram importantes, conquistaram nações, etc.
     Quantas pessoas chamadas Alexandre ou César você
conhece?
     Alguma Joana D’arc?
     E pessoas chamadas Maria?
     Provavelmente, você como eu, conhecemos mais Marias que
Alexandres...
     Tive uma tia chamada Maria, tenho uma irmã chamada Maria
Christina, uma prima chamada Maria Lúcia e muitas conhecidas
chamadas Maria.
     Mas nenhuma delas foi nomeada Maria por causa de alguma
rainha, ainda que rainhas tenham recebido esse nome também.
     Gente leva o nome Maria ou José, não porque no passado
houveram grandes conquistadores chamados Marias ou Josés.
     Não.
     Pessoas recebem o nome Maria, o nome José, nomes
simples, porque num dia qualquer há mais de dois mil anos
atrás, Deus escolheu uma mulher chamada Maria para, por meio
dela, introduzir seu filho unigênito no mundo dos humanos...
     Maria é tudo menos um nome imponente.
     Maria é simples, porque é na simplicidade e entre os
simples, os humildes, que Deus faz grandes coisas.




                                                           10
A Fe




       11
Encontrando Maria em Nazaré


     Nazaré um lugar poeirento em algum lugar distante na
região da Galiléia lá na Palestina Antiga, onde talvez hoje
fique a vila de En Nazira.
     Nazaré nunca foi um lugar importante.
     Historiadores da época, como Josefo, não falam dele
embora mencionem a cidade fortificada de Jáfia, sua vizinha.
     Nazaré era considerada tão insignificante que até mesmo
Natanael quando convidado por Felipe para ter um encontro com
Jesus, ao ouvir que Jesus vinha de lá, disse:
     — Nazaré? Pode vir alguma coisa boa de lá? 1
     Muitos de nós ainda temos e nutrimos esse mesmo
sentimento de Natanael.
     Ficamos olhando para os grandes centros e perdemos a
oportunidade de descobrir o maravilhoso mundo novo em
gestação nas periferias, nas pequenas localidades perdidas em
algum ponto distante de nosso país.
     Puro preconceito.
     E, enquanto não nos predispusermos a ir e ver, como
Natanael fez, nosso preconceito continuará sendo tão grande
que poderá toldar a nossa visão e continuaremos perdendo a
oportunidade de ver o novo, o que realmente importa ser
visto: gente.
     Foi num vilarejo esquecido e escrustrado entre colinas
da Galiléia que o anjo Gabriel apareceu a uma jovem chamada
Maria.
     Não foi em Nova Iorque, não foi em São Paulo, não foi em
Tóquio, não foi em Londres, nem em Jerusalém e nem em
qualquer outra grande cidade do mundo antigo.
     Foi em Nazaré.
     Podemos conjecturar uma montanha de coisas sobre isso:
que Maria era uma moça humilde, que se vestia da forma mais
simples possível, e que sua família era pobre, que ela era
uma pessoa não instruída, não saberia ler nem escrever, que
trabalhava duro e por aí vai.
     Podia ter sido tudo isso e menos ainda, diante dos
nossos olhos modernos.
     Mas, é essa Maria que Deus escolhe para ser a mãe do
Cristo.

1
    Evangelho de João 1:46



                                                           12
Deus escolhe mais uma vez o simples para confundir os
sábios, os entendidos.
     Nós não sabemos como foi que José encontrou Maria, se
eles já haviam sido prometidos um ao outro por seus pais, ou
se foi um encontro nas ruas do vilarejo de Nazaré.
     Mas certamente ele, José, se apaixonou por Maria
profundamente.
     José o carpinteiro, de mãos calejadas apaixonou-se pela
jovem Maria.
     O amor foi brotando em seu coração e foi crescendo,
crescendo; eles noivaram e estavam por se casar quando o anjo
apareceu para Maria.




                                                           13
Um Anjo chamado Gabriel


     Anjos são mensageiros.
     Eles trazem mensagens de Deus para os homens, eles são
espíritos ministradores da parte de Deus para aqueles que
Deus ama.
     Naquela época em Jerusalém encontrava-se o Templo.
     O Templo, o lugar central de toda atividade religiosa da
nação israelita.
     Judeus iam e vinham de todas as partes do mundo antigo
para cultuar a Deus em Jerusalém, especialmente por ocasião
da festa da Páscoa.
     Lá,   em  Jerusalém,   havia   os   sacerdotes,   pessoas
escolhidas de entre os descendentes da tribo de Levi, filho
de Arão, para ministrarem ao Senhor no Templo.
     Sacerdotes são pessoas que intercedem a Deus em favor
dos homens e que revelam aos homens a vontade de Deus.
     Entre esses estava Zacarias, que pertencia ao grupo
sacerdotal de Abias.
     Zacarias era casado com Isabel.
     Ambos eram justos aos olhos de Deus, obedecendo de modo
irrepreensível a todos os mandamentos e preceitos do Senhor.2
     Eles já tinham idade avançada e não tinham tido filhos,
porque Isabel era estéril.
     O maior sonho daquela mulher era ter filhos.
     Certa vez, estando de serviço o seu grupo, Zacarias
estava servindo como sacerdote diante de Deus.
     Ele foi escolhido por sorteio, de acordo com o costume
do sacerdócio, para entrar no santuário do Senhor e oferecer
incenso. 3
     Então um anjo do Senhor apareceu a Zacarias, à direita
do altar do incenso.
     Quando Zacarias o viu, perturbou-se e foi dominado pelo
medo.
     Mas o anjo lhe disse:
     — Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida.
Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome
de João.4

2
    Evangelho de Lucas 1:6
3
    Evangelho de Lucas 1:8-9
4
    Evangelho de Lucas 1:11-13



                                                            14
Zacarias perguntou ao anjo:
     — Como posso ter certeza disso? Sou velho, e minha
mulher é de idade avançada.
     O anjo respondeu:
     — Sou Gabriel, o que está sempre na presença de Deus.
Fui enviado para lhe transmitir estas boas novas. Agora você
ficará mudo. Não poderá falar até o dia em que isso
acontecer, porque não acreditou em minhas palavras, que se
cumprirão no tempo oportuno.5
     Zacarias, o sacerdote, orou.
     E Deus lhe enviou o anjo Gabriel para lhe anunciar que
iriam ter um filho.
     Mas, você prestou atenção ao detalhe?
     Zacarias um homem, duvidou.
     Seis meses decorridos desse fato, Gabriel é enviado por
Deus em uma nova missão.
     Dessa vez ele iria até a cidadezinha de Nazaré para
encontrar uma pessoa muito especial.
     Essa pessoa era uma moça chamada Maria.
     Maria, uma virgem prometida em casamento a certo homem
chamado José, descendente de Davi.6
     Gabriel aproxima-se da jovem, e diz:
     — Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!
     Maria ficou perturbada com essas palavras, pensando no
que poderia significar essa saudação.
     Mas o anjo lhe disse:
     — Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus!
Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome
de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo.
O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará
para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino jamais terá fim.
     Perguntou Maria ao anjo:
     — Como acontecerá isso, se sou virgem?
     O anjo respondeu:
     — O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do
Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de
nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, sua
parenta, terá um filho na velhice; aquela que diziam ser
estéril já está em seu sexto mês de gestação. Pois nada é
impossível para Deus.
     Respondeu Maria:
     — Sou serva do Senhor, que aconteça comigo conforme a
tua palavra.7

5
    Evangelho de Lucas 1:18-20
6
    Evangelho de Lucas 1:26



                                                           15
E, Gabriel foi embora.
     Maria não duvidou como Zacarias.
     Maria não riu como Abraão e Sara.
     Maria creu.
     Abraão o homem rico riu; Zacarias, sacerdote, o homem
preparado duvidou; Maria a jovem humilde que morava na
cidadezinha de Nazaré, creu.
     Isso fez toda a diferença na história do caminhar de
Deus com os homens.
     Agora, o Messias prometido viria finalmente a este
mundo, habitar entre os homens.
     O mistério da encarnação.
     E, tudo porque uma jovem creu!




7
    Evangelho de Lucas 1:28-38



                                                        16
Subindo a montanha


     Naqueles dias, Maria preparou-se e foi depressa para uma
cidade na região montanhosa da Judéia, onde entrou na casa de
Zacarias e saudou Isabel.
     Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê agitou-
se em seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
     Em alta voz exclamou:
     — Bendita é você entre as mulheres e bendito o filho que
você dará a luz. Feliz é aquela que creu que se cumprirá
aquilo que o Senhor lhe disse! 8
     Às vezes, temos a sensação de que tudo não passou de
mais um devaneio de alma.
     Sonhamos coisas, visualizamos situações que queremos que
aconteçam e nada.
     Parece que tudo parou.
     Parou porque não enxergamos, não conseguimos ver as
transformações que estão acontecendo.
     A rotina faz isso com a gente.
     É preciso quebrar a rotina para, muitas vezes, sermos
surpreendidos pelas confirmações de Deus.
     Maria quebrou sua rotina e foi para as montanhas até a
casa de sua parenta Isabel, pois soubera que ela estava
grávida.
     Ela foi fazer uma surpresa e acabou sendo surpreendida.
     Isabel já sabia que o seu filho que iria nascer seria o
precursor do Messias.9
     Mas como ela podia estar sabendo que Maria estava
grávida do Cristo?
     Ela não sabia.
     Mas ela ficou cheia do Espírito Santo.
     É bom notar isso.
     Maria ficou grávida porque o Espírito Santo veio sobre
ela.
     Isabel soube da gravidez porque foi cheia do Espírito
Santo.
     Até   então,   costumeiramente,  lemos   nas  Escrituras
Sagradas, o Espírito Santo vindo, se apoderando, enchendo,
vidas de homens.
8
    Evangelho de Lucas 1:39-42,45
9
    Evangelho de Lucas 1:17



                                                           17
Mas a vinda do Cristo mudaria isso.
     O Espírito Santo seria derramado sobre todos: homens e
mulheres, filhos e filhas, servos e servas.
     Mulheres começariam a ter participação maior nas coisas
de Deus.
     As mulheres não podiam fazer parte do sacerdócio no
período vétero-testamentário, por que lhes era restrita a
entrada em certas partes do templo.
     Mas a encarnação do Verbo, a vinda de Deus para morar
entre os homens, mudaria isso, esse sistema de coisas.
     Mulheres receberiam e ficariam cheias do Espírito Santo.
     A gravidez de Maria representava a gravidez do Cristo,
mas também a gravidez de um mundo novo, de um novo sistema de
coisas, onde a mulher também faria parte de um reino de
sacerdotes, do sacerdócio real.




                                                           18
Um Coração Agradecido


     Então Maria disse:
     — Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se
alegra em Deus, meu Salvador, pois atentou para a humildade
da sua serva.
     De agora em diante, todas as jovens me chamarão de bem-
aventurada, pois o Poderoso fez grandes coisas em meu favor;
Santo é o seu Nome.
     A sua misericórdia estende-se aos que o temem, de
geração em geração.
     Ele realizou poderosos feitos com seu braço; dispersou
os que são soberbos no mais íntimo do coração.
     Derrubou governantes de seus tronos, mas exaltou os
humildes. Encheu de coisas boas os famintos, mas despediu de
mãos vazias os ricos. 10
     Surpreendida pela reação de Isabel, mas mais surpresa
ainda, estava por ter sido a escolhida.
     Ela não via nada em si mesma para ter sido a eleita de
Deus.
     Ela olhava para si mesma e via aquela garota simples do
campo, de Nazaré.
     Ela não era rica, nem vinha de uma família nobre, não
morava numa cidade principal, não morava em nenhum palácio.
     Em geral é assim mesmo.
     Deus escolhe quem está no tanque de roupas, na cozinha,
atarefada com as coisas do dia-a-dia, com a mão na massa,
para colocar seus propósitos eternos em movimento.
     E quando, somos nós os escolhidos, não há outra coisa a
fazer, senão engrandecer ao Senhor por se lembrar de nós, por
mais insignificantes que nos achemos, e nos incluir nos seus
planos mais elevados.
     Maria sabia que o Senhor a havia escolhido, a havia
tomado pela mão para engrandecê-la entre todas as mulheres de
todas as gerações por todo o sempre, até a eternidade.
     Há uma canção religiosa que diz o seguinte:

         “ Como agradecer pelo bem que tens feito a mim?
         As vozes de milhões de anjos, não poderiam expressar,
         a gratidão do meu pequeno ser, que só pertence a ti.

10
     Evangelho de Lucas 1:46-53



                                                                 19
A Deus demos Glória,
    A Deus demos Glória,
    A Deus demos glória,
    pelas bênçãos sem fim... ”

     Tem outro jeito?
     Diante de tudo o que o Senhor tem feito, tem outro
jeito?
     Então, vamos dar glória a Deus e prosseguir avante, em
frente.




                                                         20
Os
Conflitos



            21
Três meses depois...


     Um homem e uma mulher comprometidos entre si por meio de
um pacto pré-nupcial.
     Estão noivos, e em breve, vão se casar.
     Ela era virgem, mas de repente... ela aparece grávida!
     Só que não foi nem com o noivo que ela se deitou!
     Como eu ou você, reagiríamos se fosse conosco?
     Naquele tempo a lei era muito, muito severa com mulheres
que não guardassem a sua virgindade.
     Ser parte do povo de Israel não era só bênção não.
     Era viver sob a lei do medo, do olho por olho.
     Se a mulher solteira fosse violentada, o criminoso teria
de assumir tudo, toda a culpa e a responsabilidade por ela e
pela criança.
     Mas se ela estivesse comprometida com alguém para se
casar e viesse a deixar ser possída por outro, era
considerado um crime.
     Crime de prostituição.
     Ela seria considerada culpada e digna de pena de morte
por toda a comunidade.
     Este era o caso de Maria, esta seria a sua sentença.
     Os pensamentos de José se misturavam. Iam e vinham
idéias malucas em sua mente.
     Ele estava a ponto de pirar.
     José era um homem justo, um homem bom.
     Ele não queria expor Maria, a mulher a quem amava apesar
de tudo, á desonra pública. 11
     Porque expô-la seria decretar a sua morte.
     Qual seria a saída de toda essa encrenca?
     Depois de muito raciocinar, José resolve que o melhor
seria tentar anular secretamente o pacto pré-nupcial.
     Ele ficaria livre e Maria também.
     Ela poderia alegar, eventualmente em sua defesa, que
tinha sido atacada no campo por algum homem e que ela teria
gritado por socorro e ninguém a ouvira.
     Ela não seria condenada á morte e nem seria exposta á
desonra pública.
     Uma mentira para esconder a verdade; Mas Deus não age
por meio da mentira.
     Num sonho, um anjo do Senhor, aparece a José e lhe diz:

11
     Evangelho de Mateus 1:19


                                                           22
— José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua
esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo.
Ela dará á luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de
Jesus, por que ele salvará o seu povo dos seus pecados.12
     Eu não sei e nem consigo imaginar como teria sido
exatamente essa aparição do anjo a José, mas de uma coisa
estou certo: ela foi tão clara, tão definida, tão precisa e
impactante, que não restou se quer um pingo de dúvida na
mente de José sobre o que fazer.
     Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha
ordenado e recebeu Maria como sua esposa, mas não teve
relações com ela enquanto ela não deu á luz o filho.
     E José lhe pôs o nome de Jesus.13
     José, o homem que amava Maria, atendeu á ordem de Deus,
ainda que, aquela situação, fosse embaraçosa para ele.
     E por ter obedecido á ordem divina, aquilo que
representaria a morte de sua amada transformou-se numa festa
de casamento e também em uma festa de vida.
     E a vida continuou...




12
     Evangelho de Mateus 1:20-21
13
     Evangelho de Mateus 1:24



                                                           23
Uma Noite Fora do Comum!


     Naqueles   dias  César   Augusto  publicou   um  decreto
ordenando o recenseamento de todo o império romano.
     Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino
era governador da Síria.
     E todos iam para sua cidade natal, a fim de alistar-se.
     Assim José também foi da cidade de Nazaré para Belém,
cidade de Davi, porque pertencia à casa e a linhagem de Davi.
     Enquanto estavam lá, chegou o tempo do bebê nascer, e
Maria deu á luz ao seu primogênito.
     Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, por que
não havia lugar para eles na hospedaria.14
     Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante
a noite tomavam conta dos seus rebanhos.
     E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu-lhes e a
glória do Senhor resplandeceu ao redor deles; ficaram
atemorizados.
     Mas o anjo lhes disse:
     — Não tenham medo.Estou lhes trazendo boas-novas de
grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de
Davi, lhes nasceu o Salvador, que é o Cristo, o Senhor.
Isto lhes servirá de sinal: encontrarão o bebê envolto em
panos e deitado numa manjedoura.
     De repente, uma grande multidão do exército celestial
apareceu com o anjo, louvando a Deus e dizendo:
     — Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens
aos quais Ele concedeu o seu favor.
     Quando os anjos os deixaram e foram para os céus, os
pastores disseram uns aos outros:
     — Vamos a Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o
Senhor nos deu a conhecer.
     Estes correram para lá e encontraram Maria e José, e o
bebê deitado na manjedoura.
     Depois de o verem, contaram a todos o que lhes fora dito
à respeito daquele menino, e todos os que ouviram o que os
pastores diziam ficaram admirados.15
     Seria uma noite como qualquer outra não fosse o
nascimento de Cristo.

14
     Evangelho de Lucas 2: 1-4, 6 e 7.
15
     Evangelho de Lucas 2: 8-18



                                                           24
Pastores sonolentos no campo cuidam de seus rebanhos, e
são despertos por um anjo de Deus, pela tremenda luz da
glória do Senhor.
     E receberam a notícia mais importante de todos os
tempos: O Salvador nasceu!
     Multidão de seres celestiais cantam louvando a Deus.
     Entoam o cântico que só foi ouvido pelos pastores e por
mais ninguém.
     Novamente Deus escolhe os humildes, os desprezados para
compartilhar sua glória.
     Os pastores eram a profissão mais menosprezada daquela
época.
     Gente fedorenta, maltrapilha, suja, tida muitas vezes
como bandos de ladrões.
     Foi para eles que o anjo e o coral celestial de milhares
de seres apareceu.
     Eles ficaram tão excitados com as boas-novas que foram
imediatamente até Belém.
     E lá encontraram o menino na manjedoura.
     Aquele que nasceu de mãe e pai humildes, num lugar
humilde, recebe agora, a visita de gente humilde também.
     É uma lição para nós.
     Quando quisermos ver, ouvir, ou encontrar á Deus, que o
procuremos entre os humildes.
     Deus anda com os humildes porque eles têm de depender
somente Dele para viver.
     Maria, porém, guardava todas essas coisas e sobre elas
refletia em seu coração.16
     Uma surpresa atrás da outra.
     A sua escolha, a recepção de Isabel, a atitude de José,
agora o nascimento num estábulo, a vinda dos pastores...
     Maria guardava tudo isso e refletia em seu coração.
     O que mais poderia acontecer?




16
     Evangelho de Lucas 2:19


                                                           25
E a vida vai voltando ao normal. Normal?


     E o menino, ao oitavo dia, recebeu o nome de Jesus, nome
que lhe tinha sido dado pelo anjo antes de nascer.
     Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo
com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para
apresentá-lo ao Senhor como está escrito na Lei do Senhor:

         “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao
         Senhor”

     e para oferecer um sacrifício, de acordo com o que dizia
a Lei do Senhor:
                                                         17
         “duas rolinhas ou dois pombinhos”.

     As coisas começaram a entrar nos eixos e a vida foi
tomando o seu curso normal.
     O menino foi circuncidado e agora eles subiram até
Jerusalém para consagrá-lo.
     José era um homem justo e Maria uma mulher crente.
     Um casal humilde e piedoso.
     Eles vão á Jerusalém e lá consagram o filho recém-
nascido a Deus.
     Da forma mais simples possível – sem “Pompa e
Circunstância”. 18
     À maneira dos pobres, apenas duas rolinhas ou dois
pombinhos...
     Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão, que era
justo e piedoso, e que esperava a consolação de Israel; e o
Espírito Santo estava sobre ele.
     Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que ele não
morreria antes de ver o Cristo Senhor.
     Movido pelo Espírito Santo, ele foi ao templo.
     Quando os pais trouxeram o menino Jesus para lhe fazerem
o que exigia os costumes da Lei, Simeão o tomou nos braços e
louvou a Deus, dizendo:
     — Ó Soberano, como prometeste, agora podes despedir em
paz o teu servo, pois os olhos já viram a tua salvação, que
17
     Evangelho de Lucas 2:21-24
18
     Composição de Elgar, músico inglês, e que é executada em ocasiões especiais.



                                                                                    26
preparaste à vista de todos os povos: luz para revelação aos
gentios e para a glória de Israel, teu povo.
     O pai e a mãe do menino estavam admirados com o que foi
dito a respeito dele.
     E Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe de Jesus:
     — Este menino está destinado a causar a queda e o
soerguimento de muitos em Israel, e a ser um sinal de
contradição, de modo que o pensamento de muitos corações será
revelado. Quanto a você, uma espada atravessará a sua alma”.
19

     Estava ali a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de
Aser.
     Era muito idosa; tinha vivido com seu marido sete anos
depois de se casar e então permanecera viúva até a idade de
oitenta e quatro anos.
     Nunca deixava o templo; adorava a Deus jejuando e orando
dia e noite.
     Tendo chegado ali naquele exato momento, deu graças a
Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a
redenção de Jerusalém.
     Depois de terem feito tudo o que era exigido segundo a
Lei do Senhor, voltaram para a sua própria cidade, Nazaré, na
Galiléia. 20
     Fazia pouco mais de 10 meses desde que Gabriel anunciara
que ela havia sido escolhida.
     Pouco mais de um mês que ele havia nascido.
     Coisas auspiciosas estavam sendo ditas a respeito do
menino.
     A vida estava voltando ao normal.
     Mas qual seria o significado das palavras de Simeão:“uma
espada atravessará a sua alma”?




19
     Evangelho de Lucas 2:25-35
20
     Evangelho de Lucas 2:36-39



                                                           27
Reis em minha Sala...


         Então Herodes chamou os magos secretamente e
informou-se a respeito do tempo exato em que a estrela tinha
aparecido.
         Enviou-os a Belém e disse:
         — Vão informar-se com exatidão sobre o menino. Logo
que o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo.
         Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu
caminho, e a estrela que tinham visto no oriente foi adiante
deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o
menino. 21
         Jerusalém, palácio do rei Herodes.
         O lugar onde deveria estar o recém nascido rei dos
judeus.
         Foi para lá que se dirigiram os reis magos.
         Qual não foi a surpresa e a decepção de não
encontrarem lá o menino!
         Ninguém da alta sociedade sequer imaginava que o
Cristo, o Salvador do mundo havia nascido.
         Em Jerusalém, apenas algumas pessoas piedosas como
Simeão e Ana, que habitualmente frequentavam o templo viram
Jesus.
         A caravana real chega a Jerusalém, todas as pessoas
vendo e imaginando quem seriam estes que tinham vindo visitar
o rei.
         Imagine o protocolo, todas aquelas coisas que são
feitas quando governantes se encontram.
         Rituais protocolares encerrados, a hora da verdade.
         Eles estavam ali não pelo rei Herodes, mas para ver
aquele que havia nascido.
         Aquele que a estrela no céu indicava estar por ali.
         Só que no palácio não estava o herdeiro do trono de
Davi.
         Perturbado com a notícia de que um rei havia
nascido, Herodes chama os chefes dos sacerdotes e os mestres
da lei e pergunta-lhes onde teria nascido o Cristo.
         E eles responderam:
         — Em Belém da Judéia; pois assim escreveu o profeta:
“Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor


21
     Evangelho de Mateus 2:7-10


                                                           28
entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder
que como pastor, conduzirá Israel, o meu povo”. 22
         Belém uma pequena cidadezinha ao Sul de Jerusalém,
coisa de uns oito quilômetros de lá.
         É. Aquela mesma que costuma aparecer no noticiário
na TV ainda hoje.
         O lugar onde Jacó enterrou sua amada Raquel.
         Uma vez informados os magos, se dirigiram para lá e
com a ajuda da estrela que os estava guiando, encontram o
lugar.
         Na casa humilde, viram o menino com Maria, sua mãe,
e prostrando-se, o adoraram. 23
         Semanas se passaram desde que eles tinham saído de
seus países de origem.
         A jornada havia sido longa, mas agora ali estava,
diante de seus olhos, o rei dos judeus.
         Não o encontraram no palácio, mas numa casa simples
em Belém.
         Numa   casa   onde    o   único   protocolo  era  a
hospitalidade.
         Eles o adoraram.
         Aquele menino era mais que um rei, ele era o Cristo
de Deus.
         Então abriram os      seus tesouros e lhe deram
presentes: ouro, incenso e mirra.24
         Se a comitiva real já havia chamado à atenção na
cidade de Jerusalém, quanto mais em Belém.
         E Maria? Quando é que ela imaginaria uma cena
dessas?
         Reis vindo até sua casa, de tão longe, se prostrar
diante de seu filho?
         É...
         Quando alguém que se predispõe a permitir que Deus
faça a sua vontade, coisas extravagantes, fora do comum,
acontecem...




22
     Evangelho de Mateus 2:3-6
23
     Evangelho de Mateus 2:11a
24
     Evangelho de Mateus 2:11b


                                                          29
Escapando do pesadelo...


     E os magos, tendo sido advertidos em sonho para não
voltarem a Herodes, retornaram a sua terra por outro caminho.
     Depois que partiram, um anjo do Senhor apareceu a José e
lhe disse:
     — Levanta-se, tome o menino e sua mãe, e fuja para o
Egito. Fique lá até que eu lhe diga, pois Herodes vai
procurar o menino para matá-lo.
     Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe durante
a noite, e partiu para o Egito, onde ficou até a morte de
Herodes.25
     A história é conhecida: Herodes manda matar todos as
criancinhas abaixo de dois anos de idade com receio de que o
menino-rei tirasse a sucessão ao trono judeu de sua família.
     Herodes nem judeu era.
     Era um edomita, uma pessoa descendente da família de
Esaú.
     Esaú aquele que vendeu o seu direito de primogênitura,
irmão de Jacó.
     Talvez a história pudesse ter sido diferente, mas foi de
Jacó que nasceu um filho Judá, ancestral de Jesus Cristo,
segundo a carne, isto é, segundo a sua cronologia humana.
     Mas nada acontece sem que Deus saiba, ou que Ele não
tenha previsto.
     A providência divina enviou os magos e estes deram bens
ao menino e agora eles estavam supridos para a longa viagem e
para a estadia no Egito.
     Herodes mandou matar as crianças, mas ele mesmo morre
algum tempo depois comido por bichos.
     Uma noite horrível.
     Deus é assim: protege os seus, tirando-os e livrando-os
do perigo.
     Mas quando, ainda assim, pessoas boas morrem por causa
de outrem, Ele mesmo torna-se o Vingador.
     Maria, agora tinha se transformado numa fugitiva e sua
família também.
     E ficaria sendo assim, até que o toque de Deus matasse
Herodes.



25
     Evangelho de Mateus 2: 12-15a



                                                           30
Agora sim, a família pode retornar para Israel. E foi o
que fizeram.
     E foram morar em Nazaré.




                                                          31
Lembranças para guardar


     O menino crescia e se fortalecia, enchendo-se de
sabedoria, e a graça de Deus estava sobre ele.
     Todos os anos seus pais iam a Jerusalém para a festa da
Páscoa.
     Quando ele completou doze anos de idade, eles subiram á
festa, conforme o costume.
     Terminada a festa, voltando seus pais para casa, o
menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que eles percebessem.
     Pensando que ele estava entre os companheiros de viagem,
caminharam o dia todo.
     Então começaram a procurá-lo entre os seus parentes e
conhecidos. Não o encontrando, voltaram a Jerusalém para
procurá-lo.
     Depois de três dias, o encontraram no templo sentado
entre os mestres, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas.
     Todos os que o ouviam ficavam maravilhados com o seu
entendimento e com as suas respostas.
     Quando seus pais o viram, ficaram perplexos.
     Sua mãe lhe disse:
     — Filho, porque nos fez isto? Seu pai e eu estávamos
aflitos, à sua procura.
     Ele perguntou:
     — Porque vocês estavam me procurando? Não sabiam que eu
devia estar na casa de meu Pai?
     Mas eles não compreenderam o que lhes dizia.
     Então foi com eles para Nazaré, e era-lhes obediente.26
     Crianças crescem depressa.
     Doze anos se passaram.
     Jesus atingiu a idade de ser introduzido á sociedade
judaica (idade do Bar-mitzvah).27
     Agora ele podia ter um pouco mais de liberdade.
     Pronto!
     Cadê Jesus?
     Acharam-no quatro dias depois conversando com os mestres
no templo, na casa de seu Pai.
     Sobre o menino estava a graça de Deus.

26
     Evangelho de Lucas 2:40-51a.
27
  Bar-mitzvah é a cerimônia costumeiramente praticada nas sinagogas hoje em dia
para introduzir os jovens na vida da coletividade.



                                                                            32
A graça de Deus é tudo aquilo que nos capacita para a
vida; a vida ideal planejada por Deus para cada um de nós.
     Sem a graça de Deus, todos somos pecadores, perdidos sem
ter para onde ir.
     A graça é o que nos coloca nos lugares altos de Deus.
     Jesus estava em ascensão.
     Estava começando a ter vida própria, a seguir seu
próprio destino.
     Maria, sua mãe, porém guardava todas essas coisas em seu
coração. 28
     Ela era uma mãe atenta e atenciosa.
     Os anos iriam passar, mas ela teria boas recordações de
cada um destes momentos, porque ela olhava para tudo o que
acontecia como um desdobramento de sua escolha por Deus.
     Tudo era consequência daquela noite quando ela se
encontrou com o anjo Gabriel.
     Seus olhos estavam vendo, suas mãos estavam tocando,
seus braços abraçavam, o filho de Deus.
     E ela nem poderia imaginar o que viria agora...




28
     Evangelho de Lucas 2:51b


                                                           33
Um Homem, uma Missão


     Jesus agora era um homem feito.
     Cerca de trinta anos se passaram desde seu nascimento.
     Ele já havia sido batizado por João Batista, filho de
Isabel e Zacarias, no rio Jordão.
     João Batista, o precursor, o apresentou como – o
Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
     Levado para um lugar ermo, por quarenta dias o diabo o
tentou.
     Sem sucesso.
     Era chegado finalmente o tempo de Jesus cumprir sua
missão, para a qual tinha vindo a este mundo.
     Logo após, Jesus voltou para a Galiléia no poder do
Espírito Santo, e por toda aquela região se espalhou a sua
fama.
     Ensinava nas sinagogas, e todos o elogiavam.
     Ele foi a Nazaré, onde havia sido criado, e no dia de
sábado estava na sinagoga, como era seu costume.
     E levantou-se para ler.
     Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías.
     Abriu-o e encontrou o lugar onde está escrito:

                “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me
                ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me
                enviou para proclamar liberdade aos presos e
                recuperação da vista aos cegos, para libertar os
                oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor”.

     Então, ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente e
assentou-se.
     Na sinagoga todos tinham os olhos fitos nele, e ele
começou a dizer-lhes:
     — Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de
ouvir.
     Todos falavam bem dele, e estavam admirados com as
palavras de graça que saíam dos seus lábios; mas perguntaram:
     — Não é este o filho de José? 29
     Os conhecidos de tantos anos, aqueles com que ele
cresceu, os membros da comunidade de Nazaré reunidos na
sinagoga como de costume.

29
     Evangelho de Lucas 4: 14-22


                                                                 34
A sua fama já tinha chegado até a sua cidade.
     Todos estavam curiosos para vê-lo e naquela manhã
estavam especialmente ansiosos para ouví-lo falar.
     O silêncio na sinagoga era total.
     E ele começa a falar. Porém o preconceito vem à tona
mais uma vez.
     A gente acaba se acostumando com as coisas e acaba
crendo que certas coisas não são possíveis.
     Como poderia alguém que eles conhecem tão bem como
Jesus, o filho de José, o carpinteiro, falar dessa maneira?
     Nós... Nós o conhecemos, conhecemos seu pai, sua
família, sabemos quem são, o que fazem...
     Achamos que eles são gente humilde e sem condições.
     Como é que esse Jesus fala ssim dessa maneira, como
alguém preparado?
     A   familiaridade   muitas    vezes   é   confundida   com
conhecimento.
     Por termos familiaridade com alguém achamos que o
conhecemos.
     Só que familiaridade não é conhecimento.
     Podemos saber nomes de pessoas e lugares, um pouco de
sua história até, mas isso não quer dizer que as conheçamos
de fato.
     É preciso mais do que familiaridade para se conhecer
alguém.
     É preciso andar com a pessoa para conhecê-la.
     E, para conhecer Jesus como Cristo não é diferente.
     Precisamos andar com Ele, nos identificarmos com Ele.
     Eles sabiam quem era Jesus, humanamente falando, como
filho de José, mas por não terem andado com ele não o
conheciam espiritualmente falando, não o conheciam como o
Filho de Deus.
     E era exatamente isto o que Jesus tentava mostrar-lhes,
ao dizer que as Escrituras haviam se cumprido naquele momento
diante, diante de seus olhos.
     O preconceito venceu.
     Jesus era o filho do carpinteiro. Apenas isso na opinião
delas.
     Maria (a mulher que costumava guardar em seu coração,
todas   as   coisas,   para   nelas   refletir   mais   tarde),
provavelmente a tudo assistia.
     Para sua mãe, Jesus era o Filho do Altíssimo, e Maria
sabia que o Espírito do Senhor estava sobre ele e que coisas
fantásticas iriam acontecer.
     A fama de Jesus tinha chegado até Nazaré, mas eles ainda
não viram nada.
     Era apenas o começo.


                                                             35
E a festa continuou.


     ...houve um casamento em Caná da Galiléia.
     A mãe de Jesus estava ali; Jesus e seus díscipulos
também haviam sido convidados para o casamento.
     Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse:
     Eles não têm mais vinho.
     Respondeu-lhe Jesus:
     Que temos nós em comum, mulher? A minha hora ainda não
chegou.
     Sua mãe disse aos serviçais:
     — Façam tudo o que ele lhes mandar.
     Ali perto havia seis potes de pedra, do tipo usado pelos
judeus para as purificações cerimoniais; em cada pote cabiam
entre oitenta e cento e vinte litros.
     Disse Jesus aos serviçais:
     — Encham os potes com água.
     E os encheram até a borda.
     Então lhes disse:
     — Agora, levem um pouco ao encarregado da festa.
     Eles assim fizeram, e o encarregado da festa provou a
água que fora transformada em vinho, sem saber de onde este
viera, embora o soubessem os serviçais que haviam tirado a
água.
     Então chamou o noivo e disse:
     — Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os
convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido;
mas você guardou o melhor até agora.
     Este sinal miraculoso, em Caná da Galiléia, foi o
primeiro que Jesus realizou.30
     Muito já se falou e se escreveu a respeito dessa cena
quando Jesus realiza seu primeiro milagre.
     Milagres são tranformações, intervenções de Deus na
natureza, em favor do homem.
     A natureza foi criada por Deus.
     Ele conhece melhor que ninguém as leis que regem a
natureza, o Universo.
     E ele intervém para mudar o curso da natureza para que o
homem, a humanidade seja realmente feliz.
     Um casamento era uma celebração quase tão importante
quanto às festas nacionais judaicas.

30
     Evangelho de João 2: 1-11a


                                                           36
Em geral, por sete dias, os convidados celebravam e
celebravam para valer.
     O casamento é maior expressão de continuidade da vida.
     Você já reparou que, mesmo em países em guerra onde tudo
falta, pessoas não deixam de se casar?
     O casamento é o segundo maior ato de fé na vida de
qualquer pessoa.
     O primeiro é entregar-se a Deus; o casamento é a entrega
de duas pessoas uma à outra.
     Elas não ficam se perguntando muito se terão ou não
terão recursos para a vida, se conseguirão ou não ser
felizes, serem bem sucedidas, criarem filhos, etc.
     Elas simplismente se casam e pronto.
     E fazem isso diante de todos, para todo mundo ver e
saber.
     E fazem isso porque acreditam no amor...
     Amar é uma festa, mesmo quando pequenos incidentes de
percurso tendem a por tudo a perder.
     A celebração estava em seu curso, os convivas estavam
alegres, tudo ia correndo bem até que se percebeu ter acabado
o vinho.
     O vinho simboliza a alegria na Bíblia.
     No meio da festa, faltou vinho.
     E Maria sabia quem poderia resolver esse assunto.
     E já sabemos qual foi o resultado.
     Jesus transformou a água em vinho e vinho melhor!
     E a festa pôde continuar...




                                                           37
Ser Mãe


     Jesus saiu de Nazaré e foi para a cidade de Cafarnaum.
     E dali começou a ir e vir para outras cidades da região
da Galiléia.
     Em cada lugar por onde passava ele anunciava a chegada
do Reino de Deus, ensinava as pessoas e as curava.
     Paralíticos   andavam,   cegos   viam,   leprosos     eram
restaurados.
     Pessoas de todos os lugares procuravam saber onde ele
iria estar e para lá iam ver esse homem, esse tal de Jesus.
     Jesus não era mais o filho de José, o carpinteiro.
     Para todas essas pessoas que o procuravam, Jesus era a
solução para os seus problemas.
     Fosse uma enfermidade da alma ou do corpo.
     O toque de Jesus representava um novo começo.
     Jesus já tinha escolhido seus discípulos, aqueles que
viriam a ser chamados de apóstolos.
     E com eles ia de um lugar a outro, pregando as boas-
novas, ensinando e curando o povo.
     Numa dessas ocasiões, a mãe e os irmãos foram vê-lo, mas
não conseguiam aproximar-se dele, por causa da multidão.31
     Maria não era como muitas daquelas mulheres que ficam
reclamando o tempo todo que os filhos não aparecem para vê-
las.
     Ela era uma mulher de ação.
     Ela foi ver o filho e ainda levou seus irmãos.
     A multidão era tamanha, que ela não pode chegar até ele.
     Ela pediu a alguém para dizer-lhe:
     — Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-te.32
     E Jesus aproveita para, utilizando-se da notícia da
chegada de sua mãe, e diz aos que o ouviam:
     — Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?
     Então olhou para os que estavam assentados ao redor e
disse:
     — Aqui estão minha mãe e meus irmãos! Quem faz a vontade
de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe.33


31
     Evangelho de Lucas 8:19
32
     Evangelho de Lucas 8:20
33
     Evangelho de Marcos 3:33-35


                                                             38
Já ouvi pregadores referirem-se a esta passagem como se
Jesus tivesse rejeitado á sua mãe e a seus irmãos, como se
ela não estivesse fazendo a vontade de Deus.
     É bem verdade que no evangelho de João, podemos ler que
seus irmãos se escandalizaram, porque não criam nele como o
Cristo.
     Mas e Maria?
     Alguém poderia afirmar que ela não cumpria a vontade de
Deus?
     O que Jesus estava dizendo á multidão era: você pode
fazer parte da minha família se fizer a vontade de Deus, meu
Pai.
     E todos nós sabemos que, Maria, durante todo esse tempo,
estava fazendo a vontade de Deus, porque a vontade de Deus
era que ela tivesse sido a mãe do Cristo.
     Fazer a vontade de Deus nem sempre é estar na sinagoga;
muitos iam a sinagoga e nela estiveram lá em Nazaré, quando
Jesus se apresentou como o enviado de Deus — mas não creram.
     Fazer a vontade de Deus nem sempre é estar assentado aos
pés de Jesus ouvindo suas palavras.
     Fazer a vontade de Deus é crer e dispor-se a permitir
que Deus faça de nós o que Ele quer, quando Ele quiser, como
Ele quiser.
     E Maria tinha crido e dito ao anjo:
     — Sou serva do Senhor, que aconteça comigo conforme a
tua palavra. 34
     E a palavra foi: serás mãe!




34
     Evangelho de Lucas 1:38


                                                           39
Ao Pé da Cruz


     O ministério de Jesus durou aproximadamente três anos e
meio.
     Foram semanas, dias, horas, momentos de graça sobre
graça.
     Pessoas foram libertas, cegos passaram a enxergar e até
mesmo pessoas mortas voltaram à vida.
     As palavras lidas por Jesus do livro do profeta Isaías
naquela manhã na sinagoga em Nazaré tinham se cumprido.
     Todas elas.
     Era véspera da Páscoa.
     Mais uma vez, judeus do mundo todo vieram até Jerusalém
para comemorar a data máxima do calendário religioso de
Israel: a celebração da libertação do cativeiro egípcio.
     Vieram para celebrar juntos aquela noite especial quando
o anjo destruidor passou por sobre as casas cujos umbrais
tinham sangue de cordeiro aspergido.
     Naquela noite histórica, Deus mandou seu anjo matar os
primogênitos do Egito.
     E o código combinado era: sangue!
     Sangue do cordeiro nos umbrais das portas das casas
israelitas!
     A cidade de Jerusalém estava completamente cheia.
     Jesus tinha subido para a festa como era seu costume.
     Ele, todos os anos, ia para Jerusalém nessa época desde
menino, quando acompanhava seus pais.
     Dessa vez seria diferente.
     Ele seria crucificado, ele o Cordeiro de Deus seria
sacrificado.
     Jesus comemora a Páscoa com seus díscipulos, institui a
Ceia e logo depois vai para o Jardim do Getsêmani.
     Lá, Judas o traidor, encontra-se com Cristo e dá-lhe o
beijo da morte.
     Jesus é preso, levado para ser “julgado”.
     O resultado nós já sabemos.
     Agora, lá está ele pendurado num madeiro no Monte
Gólgota, o monte da caveira, mãos e pés cravados, e ao seu
lado dois bandidos.




                                                           40
A seus pés, ao pé da cruz, perto da cruz de Jesus estava
sua mãe, a irmã dela, Maria mulher de Clopas, e Maria
Madalena.35
     Na Galiléia elas tinham seguido e servido a Jesus.
Muitas outras mulheres tinham subido com ele para Jerusalém e
também estavam ali.36
     Com exceção de João, o discípulo amado, nenhum outro
discípulo é mencionado como tendo estado ao pé da cruz.
     Lá estavam as mulheres que o tinham seguido e servido. E
dentre elas, sua mãe, Maria.
     Seria tolice de nossa parte, tentar descrever o que
Maria estava sentindo naquele instante.
     Só ela sabe o que é estar ao pé da cruz do próprio
filho.
     Ela, porém, era alguém que guardava as coisas em seu
coração e, provavelmente, naquele momento, finalmente estava
entendendo o significado das palavras ditas por Simeão,
naquele dia lá no templo, há trinta e três anos atrás: “Uma
espada atravessará a sua alma”.37
     As pessoas que estavam por ali, naquele início de tarde,
olhavam para aquelas cruzes com desdém, meneando suas
cabeças, duvidando que Jesus fosse o Cristo.
     Maria via tudo diferente.
     Ela via seu filho, o filho que ela, e somente ela, sabia
ser o Filho de Deus.
     Até mesmo os discípulos de Cristo só iriam crer nele
após a sua ressurreição.
     A dor de um coração de mãe, o coração crente de uma
serva do Senhor.
     Mesmo com tantas surpresas com as quais ela tinha sido
surpreendida e apesar dos conflitos todos ao longo de todos
aqueles anos, ela nunca imaginou ver o próprio filho naquela
situação.
     Qual a mãe que cria um filho para vê-lo numa situação
como esta?
     Qual mãe jamais sonharia uma cena assim?
     Jesus exposto ao rídiculo público, sendo totalmente
inocente, porém ali, crucificado.
     Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta
voz:



35
     Evangelho de João 19:25
36
     Evangelho de Marcos 15:41
37
     Evangelho de Lucas 2:36



                                                           41
— Eloí, Eloí, lamá sabactâni? ...Meu Deus! Meu Deus!
Porque me abandonaste? 38
     Jesus, então bradou em alta voz:
     — Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.
     E tendo dito isso, expirou.39
     Seria o fim de tudo, da alegria de ter sido a mãe do
Cristo, do Messias?
     A história acabaria assim?
     Ter de se conformar por ter perdido o filho no auge de
sua juventude?




38
     Evangelho de Marcos 15:33
39
     Evangelho de Lucas 23:46



                                                         42
A Gloria




           43
Ah! Essas mulheres...


     As mulheres que haviam acompanhado Jesus desde a
Galiléia, seguiram José, e viram o sepulcro, e como o corpo
de Jesus fora colocado nele.
     Em seguida, foram para casa e prepararam perfumes e
especiarias aromáticas.
     E descansaram no sábado, em obediência ao mandamento.
     No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as
mulheres levaram ao sepulcro as especiarias aromáticas que
haviam preparado.
     Encontraram removida a pedra do sepulcro, mas, quando
entraram, não encontrram o corpo do Senhor Jesus.
     Ficaram perplexas, sem saber o que fazer.
     De repente, dois homens com roupas que brilhavam como a
luz do sol, colocaram-se ao lado delas.
     Amendrontadas, as mulheres baixaram o rosto para o chão,
e os homens lhes disseram:
     — Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele
que vive?
     Ele não está aqui! Ressuscitou!
     Lembrem-se do que ele lhes disse, quando ainda estava
com vocês na Galiléia: ‘É necessário que o Filho do homem
seja entregue nas mãos de homens pecadores, seja crucificado
e ressuscite no terceiro dia”’.
     Então se lembraram das palavras de Jesus.
     Quando voltaram do sepulcro, elas contaram todas estas
coisas aos onze e a todos os outros.
     As que contaram estas coisas aos apóstolos foram Maria
Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as outras que
estavam com elas.
     Mas eles não acreditaram nas mulheres; as palavras delas
lhes parecia loucura. 40
     Homens valentes se reúnem a portas trancadas com medo
dos judeus.
     Mulheres   frágeis,   vão  ao   sepulcro  levando  ervas
aromáticas para embalsamá-lo.
     Mulheres são mais predispostas a riscos do que os
homens.
     Homens agem pela razão, as mulheres mais pelo coração.


40
     Evangelho de Lucas 23:55 – 24:1-11


                                                           44
E por agir com o coração, elas simplesmente se
levantaram cedo e foram ao sepulcro para preparar o corpo.
     E por terem se arriscado, foram as primeiras a saberem
da ressurreição.
     Foram elas que receberam a notícia alvissareira: Ele
está vivo!
     E Maria estava entre elas...




                                                         45
Jesus, o Salvador e Senhor de Maria


     Jesus Cristo estava e está vivo.
     Ele recebeu do Pai, todo poder no céu e na terra.41
     Maria, a serva do Senhor, recobra o filho, mas
compreende agora, por fim, a razão de sua vinda a esse mundo,
tudo o que foi dito a respeito dele durante aqueles anos.
     Cada palavra guardada em seu coração, coisas que muitas
vezes não faziam sentido, naquele instante passaram a fazer.
     Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Salvador do mundo, o
Salvador de todo o que nele crer.
     E ela era alguém que cria.
     Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Senhor dos céus e da
terra.
     Agora ele teria de subir aos céus, onde se assentaria no
lugar de honra ao lado do Pai para governar, e de onde
enviaria o Espírito Santo para aqueles que cressem.
     Ele voltava para o Pai.
     Os discípulos deveriam permanecer em Jerusalém até a
vinda, até o derramamento do Espírito Santo.
     Com a direção e pelo poder do Espírito Santo eles
testemunhariam do Cristo tanto em Jerusalém, como em Judéia e
Samaria e até os confins da Terra.
     E, Jesus despedindo-se deles ascende aos céus entre as
nuvens.
     Eles voltaram para Jerusalém, vindo do Monte chamado das
Oliveiras, que fica perto da cidade, cerca de um quilômetro.
     Quando chegaram, subiram ao aposento onde estavam
hospedados.
     Achavam-se presentes: Pedro, João, Tiago e André;
Felipe, Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu,
Simão, o zelote, e Judas filho de Tiago. Todos eles se
reuniam sempre em oração, com as mulheres, inclusive Maria, a
mãe de Jesus, e com os irmãos dele. 42
     Eles iriam testemunhar a glória de Jesus Cristo, quando
ele se assentasse ao lado do Pai nos céus e enviasse o
Espírito Santo para aqueles que cressem.
     E ela seria uma testemunha disso.
     Maria estava entre eles...

41
     Evangelho de Mateus 28:18
42
     Atos dos Apóstolos 1:12-14



                                                           46
Passando o bastão...


     A vida se apresenta a todos nós de várias maneiras, mas
as Escrituras Sagradas apresentam-na como uma corrida.

               “Corramos com perseverança a corrida que nós é
               proposta”.43

     Maria correu a dela.
     Nós ainda estamos correndo a nossa.
     Ela exerceu sua fé, e Jesus, o Filho de Deus, passou a
fazer parte de sua vida e também da nossa.
     Ela encarou os conflitos da vida com a coragem e a
singeleza decorrentes de sua fé inabalável em Deus.
     As tempestades da vida não foram suficientes para
derrubá-la.
     Sua glória consiste não do fato de ter sido a agraciada
para ser a mãe do Cristo, mas por ter sido uma mulher fiel de
ponta-a-ponta.
     Ela viu o filho nascer, crescer, realizar coisas
fantásticas, milagres sobrenaturais, ser morto numa cruz,
ressuscitado, subir aos céus para reinar.
     Ela correu a corrida.
     Quando ela imaginaria fosse vivenciar tantas e sublimes
emoções?
     Ela apenas se dispôs a correr...
     Ele nem imaginava o percurso.
     Mas ela correu e terminou a corrida.
     E agora é a sua vez de segurar o bastão e correr a sua.
     Fazer a sua parte.
     Faça.




43
     Hebreus 12:1b


                                                                47

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  • 2. MARIA A história de uma jovem como você, sua fé, seus conflitos, sua glória. Índice Apresentação Agradecimentos Notas do Autor Dedicatória Prefácio Maria Encontrando Maria em Nazaré Um Anjo chamado Gabriel Subindo a Montanha Um Coração Agradecido Três meses depois... Uma noite fora do comum E a vida vai voltando ao normal. Normal? Reis em minha Sala Escapando do Pesadelo Lembranças para guardar Um Homem, uma Missão. E a festa continuou Ser Mãe Ao Pé da Cruz Ah! Essas Mulheres... Jesus, o Salvador e Senhor de Maria. Passando o bastão 2
  • 3. Apresentação Acho lindo essa diversidade do corpo de Cristo! Cada membro com dons e capacidades diferentes. Tem sido um privilégio conviver com o Pr. Francisco. Sua capacidade de pesquisador, comunicador e escritor. A forma simples como expressa verdades tão profundas. Neste livro – Maria, fé, conflitos e glória ele nos confronta com verdades tão vivas e sutis que é como se estivéssemos ao lado da mãe do Salvador, vivenciando experiências tão profundas diante de um Deus tão grande, todo poderoso, maravilhoso e soberano que “escolhe quem está no tanque de roupas, na cozinha, atarefado com as coisas do dia- a-dia, com a mão na massa, para colocar seus propósitos eternos em movimento”. Portanto, “a gravidez de Maria representava a gravidez do Cristo, mas também a gravidez de um mundo novo, de um novo sistema de coisas, onde a mulher também faria parte de um reino de sacerdotes, sacerdócio real. E, quando, somos nós os escolhidos, não há outra coisa a fazer, senão engrandecer ao Senhor por se lembrar de nós, por mais insignificantes que nos achemos, e nos incluir nos seus planos mais elevados”. Após a morte de Cristo “Homens valentes se reúnem a portas trancadas com medo dos judeus. Mulheres frágeis vão ao sepulcro levando ervas aromáticas para embalsamá-lo. Mulheres são mais predispostas a riscos do que os homens. Homens agem pela razão, as mulheres mais pelo coração. E, por agir com o coração, elas simplesmente se levantaram cedo e foram ao sepulcro para preparar o corpo. E, por terem se arriscado, foram as primeiras a saberem da ressurreição”. Voltando a falar de Maria, ele diz: “Sua glória consiste não no fato de ter sido a agraciada para ser a mãe de Cristo, mas por ter sido uma mulher fiel de ponta-a- ponta. Ela viu o filho nascer, crescer, realizar coisas fantásticas, milagres sobrenaturais, ser morto numa cruz, ressuscitado, subir aos céus para reinar”. O grande desafio é crer, fica evidente o exemplo da fé: “Abraão, o homem rico riu; Zacarias, sacerdote, o homem preparado duvidou; Maria a jovem humilde que morava na cidadezinha de Nazaré, creu”. Diante de lições tão preciosas aproveite esta bênção, leia este livro e desfrute de uma leitura simples, agradável e empolgante que nos confronta com o sofrimento e a fé, mostrando-nos que a glória espera por aqueles que são fiéis. Pr. Cláudio A. Andrade Pastor da Igreja Evangélica Batista Água Verde 3
  • 4. Presidente da CBP Presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil – Secção Paraná Curitiba, 2002 4
  • 5. Agradecimentos Tenho sempre muito a agradecer a muitas pessoas, mas gostaria dessa vez de agradecer em especial a Bia Salerno, minha esposa e irmã em Cristo, que transcreveu meus garranchos e os colocou em formato digital; à minha amiga e irmã em Cristo Regina Fabbri pela leitura e sugestões e também à minha irmã duas vezes Maria Christina Salerno Possedente dos Santos pela leitura crítica e sugestões. Vocês fazem a diferença! Meu muito obrigado. 5
  • 6. Notas do Autor Todas as passagens bíblicas apresentadas nesse livro foram extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional, publicada pela Sociedade Bíblica Internacional, em edição cujos direitos foram reservados pela Editora Vida, de São Paulo, Capital. As passagens aparecem destacadas em itálico neste trabalho e a citação é feita em nota de rodapé na página em que aparecem. Ocasionalmente as passagens poderão ainda aparecer em forma estilizada para que você possa identificar com clareza qual personagem está falando na passagem. Assim este material poderá ser adaptado, eventualmente, para servir como texto-base para pequenas peças, jograis e cantatas. Nota de Direitos Autorais Direitos reservados para o autor. O conteúdo desse livro poderá ser duplicado em seu todo ou em partes, desde que citada a fonte, sem prévia autorização do autor. O autor desde já agradece se uma notificação de uso for enviada para sua caixa postal digital mencionando onde e quando. A Caixa Postal Digital do autor é: salerno.neto@gmail.com 6
  • 7. Dedicatória Lembro aqui de minha mãe e das grandes lutas e desafios que ela enfrentou. Quanto me lembro de tê-la vista quieta, sua Bíblia sobre o colo, em atitude reverente, meditando, refletindo a vida, por várias vezes chorando... A sós sem ter com quem compartilhar o fardo a não ser com o Senhor. Crescemos eu e meus irmãos com muitas dificuldades, mas sempre tínhamos uma palavra de apoio e de carinho dela. Palavras de repreensão quando necessárias; palavras de encorajamento a maior parte do tempo. Creio que sua motivação maior era o seu Senhor, o originador de sua fé, a fonte de toda a sua força. Para ela e à todas as mulheres que, tidas como frágeis, têm se levantado e sustentado, em muitas e muitas ocasiões, a barra de ser tudo para todos, ser a coluna do lar, e fazem isso em o nome do Senhor, esse livro é carinhosamente dedicado. 7
  • 8. Prefácio Passei alguns dos melhores anos de minha infância em um sítio nos arredores da cidade de São Paulo. De minhas lembranças, o findar da tarde, por volta das 18 horas quando minha mãe chamava a mim e as minhas irmãs e meu irmão mais novo para orarmos, é a predileta. Fazíamos isso diariamente. Mamãe sempre nos conduziu nas orações e nos cânticos. Líamos a Bíblia e cantávamos cânticos de um hinário Salmos e Hinos enquanto os nossos vizinhos se juntavam em suas casas para ouvir e rezar a Ave Maria como era de costume naquela época. Os tempos eram muito diferentes dos de hoje. Católico era católico e protestante era protestante. Protestante era quem lia e carregava uma Bíblia, católico era quem ia a missa e rezava a Ave Maria. Éramos tidos protestantes, filiados à Igreja Cristã Evangélica que fica no bairro do Jabaquara, embora nunca tivéssemos protestado contra nada a não ser a favor da vida, de vivê-la plenamente. Alguns tios, por parte de meu pai, frequentavam a mesma igreja. A maior parte da família era católica. Lembro-me quando minha tia Maria, polonesa e católica fervorosa fazia lá suas rezas e orações lá em nosso sítio na hora de dormir. Tenho um certo orgulho de descender de poloneses, italianos e portugueses, povos que sabidamente veneram a fé cristã e também de negros africanos sempre ligados ao transcendental. Nós não rezamos a Ave Maria, mas aprendemos a ter um profundo respeito e admiração por Maria, mãe de Jesus. Cresci e a medida em que ia estudando e me envolvendo socialmente, fui aprendendo um pouco mais sobre essa mulher especial. Despertou-me a atenção o fato de que grandes compositores como Bach, Gounod, Verdi, Schubert e outros terem se dedicado à compor obras que retratam a cena bíblica do anjo aparecendo para Maria, anunciando sua escolha como a portadora da semente de Deus para o mundo. Quem não se emociona ao ouvir Ave Maria de Schubert ou mesmo Ave Maria de Bach durante uma cerimônia de casamento? 8
  • 9. Algumas pessoas hão de se lembrar ainda da Ave Maria do Morro do Herivelto Martins cantado por Dalva de Oliveira ou por Ângela Maria. Há uma certa identificação de cada brasileira com essa Maria. Uma jovem de condições humildes, que recebeu uma palavra de Deus, e a bênção de ser a mãe do Cristo. Um dia vi-me na responsabilidade de dirigir algumas palavras num Dia das Mães na igreja em que frequentava à época. Na tentativa de falar alguma coisa apropriada, eu procurei durante a semana por temas que tivessem a ver com a data, e acabei escolhendo falar sobre Maria. Um sermão sobre Maria numa igreja evangélica. Pode parecer fora de propósito, mas foi o que fiz. E todos nós que estivemos ali naquela manhã, pudemos ver com esse sermão, quanto uma mulher pode ser simples, digna, quanto pode ser fiel, quanto pode ser forte, instrumental nas mãos do Senhor do Universo. E, principalmente, nos livrarmos de certos estereótipos históricos bem como rever nossas crenças quanto ao papel da mulher para nossa época, nosso tempo. Por isso escrevo sobre Maria. 9
  • 10. MARIA Nomes têm o poder de trazer a mente lembranças. A gente escolhe os nomes dos filhos da gente pela imponência e som. Tem de ser imponente: Rafael Augusto! Tem de cair bem nos ouvidos: Cintia Larissa! Ou ambos: Michele Caroline! Mas um nome é muito mais. Ninguém colocaria o nome Nero ou Hitler num filho. Você colocaria? E, por que não colocaria? Por que esses nomes evocam coisas ruins. Nomes têm o poder de trazer a mente lembranças positivas ou negativas relacionadas com pessoas. Pessoas recebem o nome de outras pessoas que foram famosas, que realizaram grandes feitos, que foram importantes, conquistaram nações, etc. Quantas pessoas chamadas Alexandre ou César você conhece? Alguma Joana D’arc? E pessoas chamadas Maria? Provavelmente, você como eu, conhecemos mais Marias que Alexandres... Tive uma tia chamada Maria, tenho uma irmã chamada Maria Christina, uma prima chamada Maria Lúcia e muitas conhecidas chamadas Maria. Mas nenhuma delas foi nomeada Maria por causa de alguma rainha, ainda que rainhas tenham recebido esse nome também. Gente leva o nome Maria ou José, não porque no passado houveram grandes conquistadores chamados Marias ou Josés. Não. Pessoas recebem o nome Maria, o nome José, nomes simples, porque num dia qualquer há mais de dois mil anos atrás, Deus escolheu uma mulher chamada Maria para, por meio dela, introduzir seu filho unigênito no mundo dos humanos... Maria é tudo menos um nome imponente. Maria é simples, porque é na simplicidade e entre os simples, os humildes, que Deus faz grandes coisas. 10
  • 11. A Fe 11
  • 12. Encontrando Maria em Nazaré Nazaré um lugar poeirento em algum lugar distante na região da Galiléia lá na Palestina Antiga, onde talvez hoje fique a vila de En Nazira. Nazaré nunca foi um lugar importante. Historiadores da época, como Josefo, não falam dele embora mencionem a cidade fortificada de Jáfia, sua vizinha. Nazaré era considerada tão insignificante que até mesmo Natanael quando convidado por Felipe para ter um encontro com Jesus, ao ouvir que Jesus vinha de lá, disse: — Nazaré? Pode vir alguma coisa boa de lá? 1 Muitos de nós ainda temos e nutrimos esse mesmo sentimento de Natanael. Ficamos olhando para os grandes centros e perdemos a oportunidade de descobrir o maravilhoso mundo novo em gestação nas periferias, nas pequenas localidades perdidas em algum ponto distante de nosso país. Puro preconceito. E, enquanto não nos predispusermos a ir e ver, como Natanael fez, nosso preconceito continuará sendo tão grande que poderá toldar a nossa visão e continuaremos perdendo a oportunidade de ver o novo, o que realmente importa ser visto: gente. Foi num vilarejo esquecido e escrustrado entre colinas da Galiléia que o anjo Gabriel apareceu a uma jovem chamada Maria. Não foi em Nova Iorque, não foi em São Paulo, não foi em Tóquio, não foi em Londres, nem em Jerusalém e nem em qualquer outra grande cidade do mundo antigo. Foi em Nazaré. Podemos conjecturar uma montanha de coisas sobre isso: que Maria era uma moça humilde, que se vestia da forma mais simples possível, e que sua família era pobre, que ela era uma pessoa não instruída, não saberia ler nem escrever, que trabalhava duro e por aí vai. Podia ter sido tudo isso e menos ainda, diante dos nossos olhos modernos. Mas, é essa Maria que Deus escolhe para ser a mãe do Cristo. 1 Evangelho de João 1:46 12
  • 13. Deus escolhe mais uma vez o simples para confundir os sábios, os entendidos. Nós não sabemos como foi que José encontrou Maria, se eles já haviam sido prometidos um ao outro por seus pais, ou se foi um encontro nas ruas do vilarejo de Nazaré. Mas certamente ele, José, se apaixonou por Maria profundamente. José o carpinteiro, de mãos calejadas apaixonou-se pela jovem Maria. O amor foi brotando em seu coração e foi crescendo, crescendo; eles noivaram e estavam por se casar quando o anjo apareceu para Maria. 13
  • 14. Um Anjo chamado Gabriel Anjos são mensageiros. Eles trazem mensagens de Deus para os homens, eles são espíritos ministradores da parte de Deus para aqueles que Deus ama. Naquela época em Jerusalém encontrava-se o Templo. O Templo, o lugar central de toda atividade religiosa da nação israelita. Judeus iam e vinham de todas as partes do mundo antigo para cultuar a Deus em Jerusalém, especialmente por ocasião da festa da Páscoa. Lá, em Jerusalém, havia os sacerdotes, pessoas escolhidas de entre os descendentes da tribo de Levi, filho de Arão, para ministrarem ao Senhor no Templo. Sacerdotes são pessoas que intercedem a Deus em favor dos homens e que revelam aos homens a vontade de Deus. Entre esses estava Zacarias, que pertencia ao grupo sacerdotal de Abias. Zacarias era casado com Isabel. Ambos eram justos aos olhos de Deus, obedecendo de modo irrepreensível a todos os mandamentos e preceitos do Senhor.2 Eles já tinham idade avançada e não tinham tido filhos, porque Isabel era estéril. O maior sonho daquela mulher era ter filhos. Certa vez, estando de serviço o seu grupo, Zacarias estava servindo como sacerdote diante de Deus. Ele foi escolhido por sorteio, de acordo com o costume do sacerdócio, para entrar no santuário do Senhor e oferecer incenso. 3 Então um anjo do Senhor apareceu a Zacarias, à direita do altar do incenso. Quando Zacarias o viu, perturbou-se e foi dominado pelo medo. Mas o anjo lhe disse: — Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome de João.4 2 Evangelho de Lucas 1:6 3 Evangelho de Lucas 1:8-9 4 Evangelho de Lucas 1:11-13 14
  • 15. Zacarias perguntou ao anjo: — Como posso ter certeza disso? Sou velho, e minha mulher é de idade avançada. O anjo respondeu: — Sou Gabriel, o que está sempre na presença de Deus. Fui enviado para lhe transmitir estas boas novas. Agora você ficará mudo. Não poderá falar até o dia em que isso acontecer, porque não acreditou em minhas palavras, que se cumprirão no tempo oportuno.5 Zacarias, o sacerdote, orou. E Deus lhe enviou o anjo Gabriel para lhe anunciar que iriam ter um filho. Mas, você prestou atenção ao detalhe? Zacarias um homem, duvidou. Seis meses decorridos desse fato, Gabriel é enviado por Deus em uma nova missão. Dessa vez ele iria até a cidadezinha de Nazaré para encontrar uma pessoa muito especial. Essa pessoa era uma moça chamada Maria. Maria, uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi.6 Gabriel aproxima-se da jovem, e diz: — Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você! Maria ficou perturbada com essas palavras, pensando no que poderia significar essa saudação. Mas o anjo lhe disse: — Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus! Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino jamais terá fim. Perguntou Maria ao anjo: — Como acontecerá isso, se sou virgem? O anjo respondeu: — O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, sua parenta, terá um filho na velhice; aquela que diziam ser estéril já está em seu sexto mês de gestação. Pois nada é impossível para Deus. Respondeu Maria: — Sou serva do Senhor, que aconteça comigo conforme a tua palavra.7 5 Evangelho de Lucas 1:18-20 6 Evangelho de Lucas 1:26 15
  • 16. E, Gabriel foi embora. Maria não duvidou como Zacarias. Maria não riu como Abraão e Sara. Maria creu. Abraão o homem rico riu; Zacarias, sacerdote, o homem preparado duvidou; Maria a jovem humilde que morava na cidadezinha de Nazaré, creu. Isso fez toda a diferença na história do caminhar de Deus com os homens. Agora, o Messias prometido viria finalmente a este mundo, habitar entre os homens. O mistério da encarnação. E, tudo porque uma jovem creu! 7 Evangelho de Lucas 1:28-38 16
  • 17. Subindo a montanha Naqueles dias, Maria preparou-se e foi depressa para uma cidade na região montanhosa da Judéia, onde entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê agitou- se em seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Em alta voz exclamou: — Bendita é você entre as mulheres e bendito o filho que você dará a luz. Feliz é aquela que creu que se cumprirá aquilo que o Senhor lhe disse! 8 Às vezes, temos a sensação de que tudo não passou de mais um devaneio de alma. Sonhamos coisas, visualizamos situações que queremos que aconteçam e nada. Parece que tudo parou. Parou porque não enxergamos, não conseguimos ver as transformações que estão acontecendo. A rotina faz isso com a gente. É preciso quebrar a rotina para, muitas vezes, sermos surpreendidos pelas confirmações de Deus. Maria quebrou sua rotina e foi para as montanhas até a casa de sua parenta Isabel, pois soubera que ela estava grávida. Ela foi fazer uma surpresa e acabou sendo surpreendida. Isabel já sabia que o seu filho que iria nascer seria o precursor do Messias.9 Mas como ela podia estar sabendo que Maria estava grávida do Cristo? Ela não sabia. Mas ela ficou cheia do Espírito Santo. É bom notar isso. Maria ficou grávida porque o Espírito Santo veio sobre ela. Isabel soube da gravidez porque foi cheia do Espírito Santo. Até então, costumeiramente, lemos nas Escrituras Sagradas, o Espírito Santo vindo, se apoderando, enchendo, vidas de homens. 8 Evangelho de Lucas 1:39-42,45 9 Evangelho de Lucas 1:17 17
  • 18. Mas a vinda do Cristo mudaria isso. O Espírito Santo seria derramado sobre todos: homens e mulheres, filhos e filhas, servos e servas. Mulheres começariam a ter participação maior nas coisas de Deus. As mulheres não podiam fazer parte do sacerdócio no período vétero-testamentário, por que lhes era restrita a entrada em certas partes do templo. Mas a encarnação do Verbo, a vinda de Deus para morar entre os homens, mudaria isso, esse sistema de coisas. Mulheres receberiam e ficariam cheias do Espírito Santo. A gravidez de Maria representava a gravidez do Cristo, mas também a gravidez de um mundo novo, de um novo sistema de coisas, onde a mulher também faria parte de um reino de sacerdotes, do sacerdócio real. 18
  • 19. Um Coração Agradecido Então Maria disse: — Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, pois atentou para a humildade da sua serva. De agora em diante, todas as jovens me chamarão de bem- aventurada, pois o Poderoso fez grandes coisas em meu favor; Santo é o seu Nome. A sua misericórdia estende-se aos que o temem, de geração em geração. Ele realizou poderosos feitos com seu braço; dispersou os que são soberbos no mais íntimo do coração. Derrubou governantes de seus tronos, mas exaltou os humildes. Encheu de coisas boas os famintos, mas despediu de mãos vazias os ricos. 10 Surpreendida pela reação de Isabel, mas mais surpresa ainda, estava por ter sido a escolhida. Ela não via nada em si mesma para ter sido a eleita de Deus. Ela olhava para si mesma e via aquela garota simples do campo, de Nazaré. Ela não era rica, nem vinha de uma família nobre, não morava numa cidade principal, não morava em nenhum palácio. Em geral é assim mesmo. Deus escolhe quem está no tanque de roupas, na cozinha, atarefada com as coisas do dia-a-dia, com a mão na massa, para colocar seus propósitos eternos em movimento. E quando, somos nós os escolhidos, não há outra coisa a fazer, senão engrandecer ao Senhor por se lembrar de nós, por mais insignificantes que nos achemos, e nos incluir nos seus planos mais elevados. Maria sabia que o Senhor a havia escolhido, a havia tomado pela mão para engrandecê-la entre todas as mulheres de todas as gerações por todo o sempre, até a eternidade. Há uma canção religiosa que diz o seguinte: “ Como agradecer pelo bem que tens feito a mim? As vozes de milhões de anjos, não poderiam expressar, a gratidão do meu pequeno ser, que só pertence a ti. 10 Evangelho de Lucas 1:46-53 19
  • 20. A Deus demos Glória, A Deus demos Glória, A Deus demos glória, pelas bênçãos sem fim... ” Tem outro jeito? Diante de tudo o que o Senhor tem feito, tem outro jeito? Então, vamos dar glória a Deus e prosseguir avante, em frente. 20
  • 22. Três meses depois... Um homem e uma mulher comprometidos entre si por meio de um pacto pré-nupcial. Estão noivos, e em breve, vão se casar. Ela era virgem, mas de repente... ela aparece grávida! Só que não foi nem com o noivo que ela se deitou! Como eu ou você, reagiríamos se fosse conosco? Naquele tempo a lei era muito, muito severa com mulheres que não guardassem a sua virgindade. Ser parte do povo de Israel não era só bênção não. Era viver sob a lei do medo, do olho por olho. Se a mulher solteira fosse violentada, o criminoso teria de assumir tudo, toda a culpa e a responsabilidade por ela e pela criança. Mas se ela estivesse comprometida com alguém para se casar e viesse a deixar ser possída por outro, era considerado um crime. Crime de prostituição. Ela seria considerada culpada e digna de pena de morte por toda a comunidade. Este era o caso de Maria, esta seria a sua sentença. Os pensamentos de José se misturavam. Iam e vinham idéias malucas em sua mente. Ele estava a ponto de pirar. José era um homem justo, um homem bom. Ele não queria expor Maria, a mulher a quem amava apesar de tudo, á desonra pública. 11 Porque expô-la seria decretar a sua morte. Qual seria a saída de toda essa encrenca? Depois de muito raciocinar, José resolve que o melhor seria tentar anular secretamente o pacto pré-nupcial. Ele ficaria livre e Maria também. Ela poderia alegar, eventualmente em sua defesa, que tinha sido atacada no campo por algum homem e que ela teria gritado por socorro e ninguém a ouvira. Ela não seria condenada á morte e nem seria exposta á desonra pública. Uma mentira para esconder a verdade; Mas Deus não age por meio da mentira. Num sonho, um anjo do Senhor, aparece a José e lhe diz: 11 Evangelho de Mateus 1:19 22
  • 23. — José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará á luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, por que ele salvará o seu povo dos seus pecados.12 Eu não sei e nem consigo imaginar como teria sido exatamente essa aparição do anjo a José, mas de uma coisa estou certo: ela foi tão clara, tão definida, tão precisa e impactante, que não restou se quer um pingo de dúvida na mente de José sobre o que fazer. Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa, mas não teve relações com ela enquanto ela não deu á luz o filho. E José lhe pôs o nome de Jesus.13 José, o homem que amava Maria, atendeu á ordem de Deus, ainda que, aquela situação, fosse embaraçosa para ele. E por ter obedecido á ordem divina, aquilo que representaria a morte de sua amada transformou-se numa festa de casamento e também em uma festa de vida. E a vida continuou... 12 Evangelho de Mateus 1:20-21 13 Evangelho de Mateus 1:24 23
  • 24. Uma Noite Fora do Comum! Naqueles dias César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano. Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino era governador da Síria. E todos iam para sua cidade natal, a fim de alistar-se. Assim José também foi da cidade de Nazaré para Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e a linhagem de Davi. Enquanto estavam lá, chegou o tempo do bebê nascer, e Maria deu á luz ao seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, por que não havia lugar para eles na hospedaria.14 Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos. E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor resplandeceu ao redor deles; ficaram atemorizados. Mas o anjo lhes disse: — Não tenham medo.Estou lhes trazendo boas-novas de grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é o Cristo, o Senhor. Isto lhes servirá de sinal: encontrarão o bebê envolto em panos e deitado numa manjedoura. De repente, uma grande multidão do exército celestial apareceu com o anjo, louvando a Deus e dizendo: — Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais Ele concedeu o seu favor. Quando os anjos os deixaram e foram para os céus, os pastores disseram uns aos outros: — Vamos a Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos deu a conhecer. Estes correram para lá e encontraram Maria e José, e o bebê deitado na manjedoura. Depois de o verem, contaram a todos o que lhes fora dito à respeito daquele menino, e todos os que ouviram o que os pastores diziam ficaram admirados.15 Seria uma noite como qualquer outra não fosse o nascimento de Cristo. 14 Evangelho de Lucas 2: 1-4, 6 e 7. 15 Evangelho de Lucas 2: 8-18 24
  • 25. Pastores sonolentos no campo cuidam de seus rebanhos, e são despertos por um anjo de Deus, pela tremenda luz da glória do Senhor. E receberam a notícia mais importante de todos os tempos: O Salvador nasceu! Multidão de seres celestiais cantam louvando a Deus. Entoam o cântico que só foi ouvido pelos pastores e por mais ninguém. Novamente Deus escolhe os humildes, os desprezados para compartilhar sua glória. Os pastores eram a profissão mais menosprezada daquela época. Gente fedorenta, maltrapilha, suja, tida muitas vezes como bandos de ladrões. Foi para eles que o anjo e o coral celestial de milhares de seres apareceu. Eles ficaram tão excitados com as boas-novas que foram imediatamente até Belém. E lá encontraram o menino na manjedoura. Aquele que nasceu de mãe e pai humildes, num lugar humilde, recebe agora, a visita de gente humilde também. É uma lição para nós. Quando quisermos ver, ouvir, ou encontrar á Deus, que o procuremos entre os humildes. Deus anda com os humildes porque eles têm de depender somente Dele para viver. Maria, porém, guardava todas essas coisas e sobre elas refletia em seu coração.16 Uma surpresa atrás da outra. A sua escolha, a recepção de Isabel, a atitude de José, agora o nascimento num estábulo, a vinda dos pastores... Maria guardava tudo isso e refletia em seu coração. O que mais poderia acontecer? 16 Evangelho de Lucas 2:19 25
  • 26. E a vida vai voltando ao normal. Normal? E o menino, ao oitavo dia, recebeu o nome de Jesus, nome que lhe tinha sido dado pelo anjo antes de nascer. Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor como está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor” e para oferecer um sacrifício, de acordo com o que dizia a Lei do Senhor: 17 “duas rolinhas ou dois pombinhos”. As coisas começaram a entrar nos eixos e a vida foi tomando o seu curso normal. O menino foi circuncidado e agora eles subiram até Jerusalém para consagrá-lo. José era um homem justo e Maria uma mulher crente. Um casal humilde e piedoso. Eles vão á Jerusalém e lá consagram o filho recém- nascido a Deus. Da forma mais simples possível – sem “Pompa e Circunstância”. 18 À maneira dos pobres, apenas duas rolinhas ou dois pombinhos... Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão, que era justo e piedoso, e que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ver o Cristo Senhor. Movido pelo Espírito Santo, ele foi ao templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para lhe fazerem o que exigia os costumes da Lei, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: — Ó Soberano, como prometeste, agora podes despedir em paz o teu servo, pois os olhos já viram a tua salvação, que 17 Evangelho de Lucas 2:21-24 18 Composição de Elgar, músico inglês, e que é executada em ocasiões especiais. 26
  • 27. preparaste à vista de todos os povos: luz para revelação aos gentios e para a glória de Israel, teu povo. O pai e a mãe do menino estavam admirados com o que foi dito a respeito dele. E Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe de Jesus: — Este menino está destinado a causar a queda e o soerguimento de muitos em Israel, e a ser um sinal de contradição, de modo que o pensamento de muitos corações será revelado. Quanto a você, uma espada atravessará a sua alma”. 19 Estava ali a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era muito idosa; tinha vivido com seu marido sete anos depois de se casar e então permanecera viúva até a idade de oitenta e quatro anos. Nunca deixava o templo; adorava a Deus jejuando e orando dia e noite. Tendo chegado ali naquele exato momento, deu graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém. Depois de terem feito tudo o que era exigido segundo a Lei do Senhor, voltaram para a sua própria cidade, Nazaré, na Galiléia. 20 Fazia pouco mais de 10 meses desde que Gabriel anunciara que ela havia sido escolhida. Pouco mais de um mês que ele havia nascido. Coisas auspiciosas estavam sendo ditas a respeito do menino. A vida estava voltando ao normal. Mas qual seria o significado das palavras de Simeão:“uma espada atravessará a sua alma”? 19 Evangelho de Lucas 2:25-35 20 Evangelho de Lucas 2:36-39 27
  • 28. Reis em minha Sala... Então Herodes chamou os magos secretamente e informou-se a respeito do tempo exato em que a estrela tinha aparecido. Enviou-os a Belém e disse: — Vão informar-se com exatidão sobre o menino. Logo que o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo. Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto no oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino. 21 Jerusalém, palácio do rei Herodes. O lugar onde deveria estar o recém nascido rei dos judeus. Foi para lá que se dirigiram os reis magos. Qual não foi a surpresa e a decepção de não encontrarem lá o menino! Ninguém da alta sociedade sequer imaginava que o Cristo, o Salvador do mundo havia nascido. Em Jerusalém, apenas algumas pessoas piedosas como Simeão e Ana, que habitualmente frequentavam o templo viram Jesus. A caravana real chega a Jerusalém, todas as pessoas vendo e imaginando quem seriam estes que tinham vindo visitar o rei. Imagine o protocolo, todas aquelas coisas que são feitas quando governantes se encontram. Rituais protocolares encerrados, a hora da verdade. Eles estavam ali não pelo rei Herodes, mas para ver aquele que havia nascido. Aquele que a estrela no céu indicava estar por ali. Só que no palácio não estava o herdeiro do trono de Davi. Perturbado com a notícia de que um rei havia nascido, Herodes chama os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei e pergunta-lhes onde teria nascido o Cristo. E eles responderam: — Em Belém da Judéia; pois assim escreveu o profeta: “Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor 21 Evangelho de Mateus 2:7-10 28
  • 29. entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder que como pastor, conduzirá Israel, o meu povo”. 22 Belém uma pequena cidadezinha ao Sul de Jerusalém, coisa de uns oito quilômetros de lá. É. Aquela mesma que costuma aparecer no noticiário na TV ainda hoje. O lugar onde Jacó enterrou sua amada Raquel. Uma vez informados os magos, se dirigiram para lá e com a ajuda da estrela que os estava guiando, encontram o lugar. Na casa humilde, viram o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se, o adoraram. 23 Semanas se passaram desde que eles tinham saído de seus países de origem. A jornada havia sido longa, mas agora ali estava, diante de seus olhos, o rei dos judeus. Não o encontraram no palácio, mas numa casa simples em Belém. Numa casa onde o único protocolo era a hospitalidade. Eles o adoraram. Aquele menino era mais que um rei, ele era o Cristo de Deus. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra.24 Se a comitiva real já havia chamado à atenção na cidade de Jerusalém, quanto mais em Belém. E Maria? Quando é que ela imaginaria uma cena dessas? Reis vindo até sua casa, de tão longe, se prostrar diante de seu filho? É... Quando alguém que se predispõe a permitir que Deus faça a sua vontade, coisas extravagantes, fora do comum, acontecem... 22 Evangelho de Mateus 2:3-6 23 Evangelho de Mateus 2:11a 24 Evangelho de Mateus 2:11b 29
  • 30. Escapando do pesadelo... E os magos, tendo sido advertidos em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram a sua terra por outro caminho. Depois que partiram, um anjo do Senhor apareceu a José e lhe disse: — Levanta-se, tome o menino e sua mãe, e fuja para o Egito. Fique lá até que eu lhe diga, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo. Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe durante a noite, e partiu para o Egito, onde ficou até a morte de Herodes.25 A história é conhecida: Herodes manda matar todos as criancinhas abaixo de dois anos de idade com receio de que o menino-rei tirasse a sucessão ao trono judeu de sua família. Herodes nem judeu era. Era um edomita, uma pessoa descendente da família de Esaú. Esaú aquele que vendeu o seu direito de primogênitura, irmão de Jacó. Talvez a história pudesse ter sido diferente, mas foi de Jacó que nasceu um filho Judá, ancestral de Jesus Cristo, segundo a carne, isto é, segundo a sua cronologia humana. Mas nada acontece sem que Deus saiba, ou que Ele não tenha previsto. A providência divina enviou os magos e estes deram bens ao menino e agora eles estavam supridos para a longa viagem e para a estadia no Egito. Herodes mandou matar as crianças, mas ele mesmo morre algum tempo depois comido por bichos. Uma noite horrível. Deus é assim: protege os seus, tirando-os e livrando-os do perigo. Mas quando, ainda assim, pessoas boas morrem por causa de outrem, Ele mesmo torna-se o Vingador. Maria, agora tinha se transformado numa fugitiva e sua família também. E ficaria sendo assim, até que o toque de Deus matasse Herodes. 25 Evangelho de Mateus 2: 12-15a 30
  • 31. Agora sim, a família pode retornar para Israel. E foi o que fizeram. E foram morar em Nazaré. 31
  • 32. Lembranças para guardar O menino crescia e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre ele. Todos os anos seus pais iam a Jerusalém para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos de idade, eles subiram á festa, conforme o costume. Terminada a festa, voltando seus pais para casa, o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que eles percebessem. Pensando que ele estava entre os companheiros de viagem, caminharam o dia todo. Então começaram a procurá-lo entre os seus parentes e conhecidos. Não o encontrando, voltaram a Jerusalém para procurá-lo. Depois de três dias, o encontraram no templo sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas. Todos os que o ouviam ficavam maravilhados com o seu entendimento e com as suas respostas. Quando seus pais o viram, ficaram perplexos. Sua mãe lhe disse: — Filho, porque nos fez isto? Seu pai e eu estávamos aflitos, à sua procura. Ele perguntou: — Porque vocês estavam me procurando? Não sabiam que eu devia estar na casa de meu Pai? Mas eles não compreenderam o que lhes dizia. Então foi com eles para Nazaré, e era-lhes obediente.26 Crianças crescem depressa. Doze anos se passaram. Jesus atingiu a idade de ser introduzido á sociedade judaica (idade do Bar-mitzvah).27 Agora ele podia ter um pouco mais de liberdade. Pronto! Cadê Jesus? Acharam-no quatro dias depois conversando com os mestres no templo, na casa de seu Pai. Sobre o menino estava a graça de Deus. 26 Evangelho de Lucas 2:40-51a. 27 Bar-mitzvah é a cerimônia costumeiramente praticada nas sinagogas hoje em dia para introduzir os jovens na vida da coletividade. 32
  • 33. A graça de Deus é tudo aquilo que nos capacita para a vida; a vida ideal planejada por Deus para cada um de nós. Sem a graça de Deus, todos somos pecadores, perdidos sem ter para onde ir. A graça é o que nos coloca nos lugares altos de Deus. Jesus estava em ascensão. Estava começando a ter vida própria, a seguir seu próprio destino. Maria, sua mãe, porém guardava todas essas coisas em seu coração. 28 Ela era uma mãe atenta e atenciosa. Os anos iriam passar, mas ela teria boas recordações de cada um destes momentos, porque ela olhava para tudo o que acontecia como um desdobramento de sua escolha por Deus. Tudo era consequência daquela noite quando ela se encontrou com o anjo Gabriel. Seus olhos estavam vendo, suas mãos estavam tocando, seus braços abraçavam, o filho de Deus. E ela nem poderia imaginar o que viria agora... 28 Evangelho de Lucas 2:51b 33
  • 34. Um Homem, uma Missão Jesus agora era um homem feito. Cerca de trinta anos se passaram desde seu nascimento. Ele já havia sido batizado por João Batista, filho de Isabel e Zacarias, no rio Jordão. João Batista, o precursor, o apresentou como – o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Levado para um lugar ermo, por quarenta dias o diabo o tentou. Sem sucesso. Era chegado finalmente o tempo de Jesus cumprir sua missão, para a qual tinha vindo a este mundo. Logo após, Jesus voltou para a Galiléia no poder do Espírito Santo, e por toda aquela região se espalhou a sua fama. Ensinava nas sinagogas, e todos o elogiavam. Ele foi a Nazaré, onde havia sido criado, e no dia de sábado estava na sinagoga, como era seu costume. E levantou-se para ler. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abriu-o e encontrou o lugar onde está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor”. Então, ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Na sinagoga todos tinham os olhos fitos nele, e ele começou a dizer-lhes: — Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir. Todos falavam bem dele, e estavam admirados com as palavras de graça que saíam dos seus lábios; mas perguntaram: — Não é este o filho de José? 29 Os conhecidos de tantos anos, aqueles com que ele cresceu, os membros da comunidade de Nazaré reunidos na sinagoga como de costume. 29 Evangelho de Lucas 4: 14-22 34
  • 35. A sua fama já tinha chegado até a sua cidade. Todos estavam curiosos para vê-lo e naquela manhã estavam especialmente ansiosos para ouví-lo falar. O silêncio na sinagoga era total. E ele começa a falar. Porém o preconceito vem à tona mais uma vez. A gente acaba se acostumando com as coisas e acaba crendo que certas coisas não são possíveis. Como poderia alguém que eles conhecem tão bem como Jesus, o filho de José, o carpinteiro, falar dessa maneira? Nós... Nós o conhecemos, conhecemos seu pai, sua família, sabemos quem são, o que fazem... Achamos que eles são gente humilde e sem condições. Como é que esse Jesus fala ssim dessa maneira, como alguém preparado? A familiaridade muitas vezes é confundida com conhecimento. Por termos familiaridade com alguém achamos que o conhecemos. Só que familiaridade não é conhecimento. Podemos saber nomes de pessoas e lugares, um pouco de sua história até, mas isso não quer dizer que as conheçamos de fato. É preciso mais do que familiaridade para se conhecer alguém. É preciso andar com a pessoa para conhecê-la. E, para conhecer Jesus como Cristo não é diferente. Precisamos andar com Ele, nos identificarmos com Ele. Eles sabiam quem era Jesus, humanamente falando, como filho de José, mas por não terem andado com ele não o conheciam espiritualmente falando, não o conheciam como o Filho de Deus. E era exatamente isto o que Jesus tentava mostrar-lhes, ao dizer que as Escrituras haviam se cumprido naquele momento diante, diante de seus olhos. O preconceito venceu. Jesus era o filho do carpinteiro. Apenas isso na opinião delas. Maria (a mulher que costumava guardar em seu coração, todas as coisas, para nelas refletir mais tarde), provavelmente a tudo assistia. Para sua mãe, Jesus era o Filho do Altíssimo, e Maria sabia que o Espírito do Senhor estava sobre ele e que coisas fantásticas iriam acontecer. A fama de Jesus tinha chegado até Nazaré, mas eles ainda não viram nada. Era apenas o começo. 35
  • 36. E a festa continuou. ...houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava ali; Jesus e seus díscipulos também haviam sido convidados para o casamento. Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm mais vinho. Respondeu-lhe Jesus: Que temos nós em comum, mulher? A minha hora ainda não chegou. Sua mãe disse aos serviçais: — Façam tudo o que ele lhes mandar. Ali perto havia seis potes de pedra, do tipo usado pelos judeus para as purificações cerimoniais; em cada pote cabiam entre oitenta e cento e vinte litros. Disse Jesus aos serviçais: — Encham os potes com água. E os encheram até a borda. Então lhes disse: — Agora, levem um pouco ao encarregado da festa. Eles assim fizeram, e o encarregado da festa provou a água que fora transformada em vinho, sem saber de onde este viera, embora o soubessem os serviçais que haviam tirado a água. Então chamou o noivo e disse: — Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora. Este sinal miraculoso, em Caná da Galiléia, foi o primeiro que Jesus realizou.30 Muito já se falou e se escreveu a respeito dessa cena quando Jesus realiza seu primeiro milagre. Milagres são tranformações, intervenções de Deus na natureza, em favor do homem. A natureza foi criada por Deus. Ele conhece melhor que ninguém as leis que regem a natureza, o Universo. E ele intervém para mudar o curso da natureza para que o homem, a humanidade seja realmente feliz. Um casamento era uma celebração quase tão importante quanto às festas nacionais judaicas. 30 Evangelho de João 2: 1-11a 36
  • 37. Em geral, por sete dias, os convidados celebravam e celebravam para valer. O casamento é maior expressão de continuidade da vida. Você já reparou que, mesmo em países em guerra onde tudo falta, pessoas não deixam de se casar? O casamento é o segundo maior ato de fé na vida de qualquer pessoa. O primeiro é entregar-se a Deus; o casamento é a entrega de duas pessoas uma à outra. Elas não ficam se perguntando muito se terão ou não terão recursos para a vida, se conseguirão ou não ser felizes, serem bem sucedidas, criarem filhos, etc. Elas simplismente se casam e pronto. E fazem isso diante de todos, para todo mundo ver e saber. E fazem isso porque acreditam no amor... Amar é uma festa, mesmo quando pequenos incidentes de percurso tendem a por tudo a perder. A celebração estava em seu curso, os convivas estavam alegres, tudo ia correndo bem até que se percebeu ter acabado o vinho. O vinho simboliza a alegria na Bíblia. No meio da festa, faltou vinho. E Maria sabia quem poderia resolver esse assunto. E já sabemos qual foi o resultado. Jesus transformou a água em vinho e vinho melhor! E a festa pôde continuar... 37
  • 38. Ser Mãe Jesus saiu de Nazaré e foi para a cidade de Cafarnaum. E dali começou a ir e vir para outras cidades da região da Galiléia. Em cada lugar por onde passava ele anunciava a chegada do Reino de Deus, ensinava as pessoas e as curava. Paralíticos andavam, cegos viam, leprosos eram restaurados. Pessoas de todos os lugares procuravam saber onde ele iria estar e para lá iam ver esse homem, esse tal de Jesus. Jesus não era mais o filho de José, o carpinteiro. Para todas essas pessoas que o procuravam, Jesus era a solução para os seus problemas. Fosse uma enfermidade da alma ou do corpo. O toque de Jesus representava um novo começo. Jesus já tinha escolhido seus discípulos, aqueles que viriam a ser chamados de apóstolos. E com eles ia de um lugar a outro, pregando as boas- novas, ensinando e curando o povo. Numa dessas ocasiões, a mãe e os irmãos foram vê-lo, mas não conseguiam aproximar-se dele, por causa da multidão.31 Maria não era como muitas daquelas mulheres que ficam reclamando o tempo todo que os filhos não aparecem para vê- las. Ela era uma mulher de ação. Ela foi ver o filho e ainda levou seus irmãos. A multidão era tamanha, que ela não pode chegar até ele. Ela pediu a alguém para dizer-lhe: — Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-te.32 E Jesus aproveita para, utilizando-se da notícia da chegada de sua mãe, e diz aos que o ouviam: — Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? Então olhou para os que estavam assentados ao redor e disse: — Aqui estão minha mãe e meus irmãos! Quem faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe.33 31 Evangelho de Lucas 8:19 32 Evangelho de Lucas 8:20 33 Evangelho de Marcos 3:33-35 38
  • 39. Já ouvi pregadores referirem-se a esta passagem como se Jesus tivesse rejeitado á sua mãe e a seus irmãos, como se ela não estivesse fazendo a vontade de Deus. É bem verdade que no evangelho de João, podemos ler que seus irmãos se escandalizaram, porque não criam nele como o Cristo. Mas e Maria? Alguém poderia afirmar que ela não cumpria a vontade de Deus? O que Jesus estava dizendo á multidão era: você pode fazer parte da minha família se fizer a vontade de Deus, meu Pai. E todos nós sabemos que, Maria, durante todo esse tempo, estava fazendo a vontade de Deus, porque a vontade de Deus era que ela tivesse sido a mãe do Cristo. Fazer a vontade de Deus nem sempre é estar na sinagoga; muitos iam a sinagoga e nela estiveram lá em Nazaré, quando Jesus se apresentou como o enviado de Deus — mas não creram. Fazer a vontade de Deus nem sempre é estar assentado aos pés de Jesus ouvindo suas palavras. Fazer a vontade de Deus é crer e dispor-se a permitir que Deus faça de nós o que Ele quer, quando Ele quiser, como Ele quiser. E Maria tinha crido e dito ao anjo: — Sou serva do Senhor, que aconteça comigo conforme a tua palavra. 34 E a palavra foi: serás mãe! 34 Evangelho de Lucas 1:38 39
  • 40. Ao Pé da Cruz O ministério de Jesus durou aproximadamente três anos e meio. Foram semanas, dias, horas, momentos de graça sobre graça. Pessoas foram libertas, cegos passaram a enxergar e até mesmo pessoas mortas voltaram à vida. As palavras lidas por Jesus do livro do profeta Isaías naquela manhã na sinagoga em Nazaré tinham se cumprido. Todas elas. Era véspera da Páscoa. Mais uma vez, judeus do mundo todo vieram até Jerusalém para comemorar a data máxima do calendário religioso de Israel: a celebração da libertação do cativeiro egípcio. Vieram para celebrar juntos aquela noite especial quando o anjo destruidor passou por sobre as casas cujos umbrais tinham sangue de cordeiro aspergido. Naquela noite histórica, Deus mandou seu anjo matar os primogênitos do Egito. E o código combinado era: sangue! Sangue do cordeiro nos umbrais das portas das casas israelitas! A cidade de Jerusalém estava completamente cheia. Jesus tinha subido para a festa como era seu costume. Ele, todos os anos, ia para Jerusalém nessa época desde menino, quando acompanhava seus pais. Dessa vez seria diferente. Ele seria crucificado, ele o Cordeiro de Deus seria sacrificado. Jesus comemora a Páscoa com seus díscipulos, institui a Ceia e logo depois vai para o Jardim do Getsêmani. Lá, Judas o traidor, encontra-se com Cristo e dá-lhe o beijo da morte. Jesus é preso, levado para ser “julgado”. O resultado nós já sabemos. Agora, lá está ele pendurado num madeiro no Monte Gólgota, o monte da caveira, mãos e pés cravados, e ao seu lado dois bandidos. 40
  • 41. A seus pés, ao pé da cruz, perto da cruz de Jesus estava sua mãe, a irmã dela, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena.35 Na Galiléia elas tinham seguido e servido a Jesus. Muitas outras mulheres tinham subido com ele para Jerusalém e também estavam ali.36 Com exceção de João, o discípulo amado, nenhum outro discípulo é mencionado como tendo estado ao pé da cruz. Lá estavam as mulheres que o tinham seguido e servido. E dentre elas, sua mãe, Maria. Seria tolice de nossa parte, tentar descrever o que Maria estava sentindo naquele instante. Só ela sabe o que é estar ao pé da cruz do próprio filho. Ela, porém, era alguém que guardava as coisas em seu coração e, provavelmente, naquele momento, finalmente estava entendendo o significado das palavras ditas por Simeão, naquele dia lá no templo, há trinta e três anos atrás: “Uma espada atravessará a sua alma”.37 As pessoas que estavam por ali, naquele início de tarde, olhavam para aquelas cruzes com desdém, meneando suas cabeças, duvidando que Jesus fosse o Cristo. Maria via tudo diferente. Ela via seu filho, o filho que ela, e somente ela, sabia ser o Filho de Deus. Até mesmo os discípulos de Cristo só iriam crer nele após a sua ressurreição. A dor de um coração de mãe, o coração crente de uma serva do Senhor. Mesmo com tantas surpresas com as quais ela tinha sido surpreendida e apesar dos conflitos todos ao longo de todos aqueles anos, ela nunca imaginou ver o próprio filho naquela situação. Qual a mãe que cria um filho para vê-lo numa situação como esta? Qual mãe jamais sonharia uma cena assim? Jesus exposto ao rídiculo público, sendo totalmente inocente, porém ali, crucificado. Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: 35 Evangelho de João 19:25 36 Evangelho de Marcos 15:41 37 Evangelho de Lucas 2:36 41
  • 42. — Eloí, Eloí, lamá sabactâni? ...Meu Deus! Meu Deus! Porque me abandonaste? 38 Jesus, então bradou em alta voz: — Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E tendo dito isso, expirou.39 Seria o fim de tudo, da alegria de ter sido a mãe do Cristo, do Messias? A história acabaria assim? Ter de se conformar por ter perdido o filho no auge de sua juventude? 38 Evangelho de Marcos 15:33 39 Evangelho de Lucas 23:46 42
  • 43. A Gloria 43
  • 44. Ah! Essas mulheres... As mulheres que haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia, seguiram José, e viram o sepulcro, e como o corpo de Jesus fora colocado nele. Em seguida, foram para casa e prepararam perfumes e especiarias aromáticas. E descansaram no sábado, em obediência ao mandamento. No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres levaram ao sepulcro as especiarias aromáticas que haviam preparado. Encontraram removida a pedra do sepulcro, mas, quando entraram, não encontrram o corpo do Senhor Jesus. Ficaram perplexas, sem saber o que fazer. De repente, dois homens com roupas que brilhavam como a luz do sol, colocaram-se ao lado delas. Amendrontadas, as mulheres baixaram o rosto para o chão, e os homens lhes disseram: — Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui! Ressuscitou! Lembrem-se do que ele lhes disse, quando ainda estava com vocês na Galiléia: ‘É necessário que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, seja crucificado e ressuscite no terceiro dia”’. Então se lembraram das palavras de Jesus. Quando voltaram do sepulcro, elas contaram todas estas coisas aos onze e a todos os outros. As que contaram estas coisas aos apóstolos foram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as outras que estavam com elas. Mas eles não acreditaram nas mulheres; as palavras delas lhes parecia loucura. 40 Homens valentes se reúnem a portas trancadas com medo dos judeus. Mulheres frágeis, vão ao sepulcro levando ervas aromáticas para embalsamá-lo. Mulheres são mais predispostas a riscos do que os homens. Homens agem pela razão, as mulheres mais pelo coração. 40 Evangelho de Lucas 23:55 – 24:1-11 44
  • 45. E por agir com o coração, elas simplesmente se levantaram cedo e foram ao sepulcro para preparar o corpo. E por terem se arriscado, foram as primeiras a saberem da ressurreição. Foram elas que receberam a notícia alvissareira: Ele está vivo! E Maria estava entre elas... 45
  • 46. Jesus, o Salvador e Senhor de Maria Jesus Cristo estava e está vivo. Ele recebeu do Pai, todo poder no céu e na terra.41 Maria, a serva do Senhor, recobra o filho, mas compreende agora, por fim, a razão de sua vinda a esse mundo, tudo o que foi dito a respeito dele durante aqueles anos. Cada palavra guardada em seu coração, coisas que muitas vezes não faziam sentido, naquele instante passaram a fazer. Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Salvador do mundo, o Salvador de todo o que nele crer. E ela era alguém que cria. Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Senhor dos céus e da terra. Agora ele teria de subir aos céus, onde se assentaria no lugar de honra ao lado do Pai para governar, e de onde enviaria o Espírito Santo para aqueles que cressem. Ele voltava para o Pai. Os discípulos deveriam permanecer em Jerusalém até a vinda, até o derramamento do Espírito Santo. Com a direção e pelo poder do Espírito Santo eles testemunhariam do Cristo tanto em Jerusalém, como em Judéia e Samaria e até os confins da Terra. E, Jesus despedindo-se deles ascende aos céus entre as nuvens. Eles voltaram para Jerusalém, vindo do Monte chamado das Oliveiras, que fica perto da cidade, cerca de um quilômetro. Quando chegaram, subiram ao aposento onde estavam hospedados. Achavam-se presentes: Pedro, João, Tiago e André; Felipe, Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão, o zelote, e Judas filho de Tiago. Todos eles se reuniam sempre em oração, com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele. 42 Eles iriam testemunhar a glória de Jesus Cristo, quando ele se assentasse ao lado do Pai nos céus e enviasse o Espírito Santo para aqueles que cressem. E ela seria uma testemunha disso. Maria estava entre eles... 41 Evangelho de Mateus 28:18 42 Atos dos Apóstolos 1:12-14 46
  • 47. Passando o bastão... A vida se apresenta a todos nós de várias maneiras, mas as Escrituras Sagradas apresentam-na como uma corrida. “Corramos com perseverança a corrida que nós é proposta”.43 Maria correu a dela. Nós ainda estamos correndo a nossa. Ela exerceu sua fé, e Jesus, o Filho de Deus, passou a fazer parte de sua vida e também da nossa. Ela encarou os conflitos da vida com a coragem e a singeleza decorrentes de sua fé inabalável em Deus. As tempestades da vida não foram suficientes para derrubá-la. Sua glória consiste não do fato de ter sido a agraciada para ser a mãe do Cristo, mas por ter sido uma mulher fiel de ponta-a-ponta. Ela viu o filho nascer, crescer, realizar coisas fantásticas, milagres sobrenaturais, ser morto numa cruz, ressuscitado, subir aos céus para reinar. Ela correu a corrida. Quando ela imaginaria fosse vivenciar tantas e sublimes emoções? Ela apenas se dispôs a correr... Ele nem imaginava o percurso. Mas ela correu e terminou a corrida. E agora é a sua vez de segurar o bastão e correr a sua. Fazer a sua parte. Faça. 43 Hebreus 12:1b 47