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MANUAL
DE
ALEITAMENTO MATERNO
Ministério da Saúde
Direcção-Geral da Saúde
Comité Português para a UNICEF – Comissão Nacional
Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés
Edição
financiada por
Apoios
P O R T U G A L
1MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
MANUAL DE ALEITAMENTO
MATERNO
Edição
Comité Português para a UNICEF/Comissão Nacional
Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés
Edição Revista de 2008
António Massano
Capa:
Isabel Garcia
Depósito Legal: 176764/02
Impressão: Gráfica Maiadouro
ISBN: 96436
Revisão:
Isabel Loureiro
2 Leonor Levy e Helena Bértolo
Título: Manual de Aleitamento Materno
Editor:
Comité Português para a UNICEF
Av.ª António Augusto de Aguiar, 56 – 3.º Esq.
1069-115 Lisboa
Fax: 213 547 913
E-mail: erodrigues@unicef.pt
Autores:
Leonor Levy
Helena Bértolo
Edição revista (2008)
Revisão Técnica e Científica desta edição:
Luís Magão
Purificação Araújo
Telefone: 213 177 500
3MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
ÍNDICE
Nota Introdutória .................................................... 5
1. Aleitamento Materno em Portugal ..................... 7
2. Vantagens do Aleitamento Materno ................... 8
3. Sucesso do Aleitamento Materno ...................... 9
4. Pontos de Viragem em Aleitamento Materno..... 10
5. Prática do Aleitamento Materno ........................ 16
6. Leite Materno e Ambiente ................................. 17
7. Contra-indicações do Aleitamento Materno ...... 19
8. Como Funciona a Amamentação........................ 20
9. Como Ultrapassar Pequenas Dificuldades ......... 29
Nota Final ............................................................... 41
4 Leonor Levy e Helena Bértolo
5MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
Nota Introdutória
Este Manual de Aleitamento Materno foi feito com a intenção
de a ajudar.
Dar de mamar é uma prioridade da sua vida porque é bom para
As pequenas dificuldades podem ser ultrapassadas com meia
dúzia de estratégias que neste livro lhe são propostas.
Esperamos, sinceramente, que a amamentação por si sonhada
seja um sucesso.
si, para o seu bebé e para a sua família.
Boa sorte e felicidades.
6 Leonor Levy e Helena Bértolo
7MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
1. Aleitamento Materno em Portugal
Em Portugal não existem estatísticas sobre a incidência e a
prevalência do aleitamento materno. Os estudos efectuados no nosso
país sugerem que a evolução do aleitamento materno se processou
de maneira semelhante à de outros países europeus.
A industrialização, a II Grande Guerra Mundial, a massificação
do trabalho feminino, os movimentos feministas, a perda da família
alargada, a indiferença ou ignorância dos profissionais de saúde e a
publicidade agressiva das indústrias produtoras de substitutos do leite
materno tiveram como consequência uma baixa da incidência e da
prevalência do aleitamento materno. Foram as mulheres com mai-
or escolaridade que mais precocemente deixaram de amamentar os seus
filhos, sendo rapidamente imitadas pelas mulheres com menor escola-
ridade.
Este fenómeno alastrou aos países em desenvolvimento, com
consequências gravíssimas em termos de aumento da mortalidade
infantil. A partir dos anos 70, verificou-se um retorno gradual à
prática do aleitamento materno, sobretudo nas mulheres mais in-
formadas.
Alguns estudos portugueses apontam para uma alta incidên-
cia do aleitamento materno, significando que mais de 90% das
mães portuguesas iniciam o aleitamento materno; no entanto,
esses mesmos estudos mostram que quase metade das mães desis-
tem de dar de mamar durante o primeiro mês de vida do bebé, su-
gerindo que a maior parte das mães não conseguem cumprir o seu
8 Leonor Levy e Helena Bértolo
projecto de dar de mamar, desistindo muito precocemente da
amamentação.
Por todas estas razões, é essencial que em Portugal se continuem
a implementar medidas que promovam um maior sucesso do aleita-
mento materno.
2. Vantagens do Aleitamento Materno
O leite materno é um alimento vivo, completo e natural, ade-
quado para quase todos os recém-nascidos, salvo raras excepções.
As vantagens do aleitamento materno são múltiplas e já bas-
tante reconhecidas, quer a curto, quer a longo prazo, existindo um
consenso mundial de que a sua prática exclusiva é a melhor maneira
de alimentar as crianças até aos 6 meses de vida.
O aleitamento materno tem vantagens para a mãe e para o
bebé: o leite materno previne infecções gastrintestinais, respirató-
rias e urinárias; o leite materno tem um efeito protector sobre as aler-
gias, nomeadamente as específicas para as proteínas do leite de vaca;
o leite materno faz com que os bebés tenham uma melhor adapta-
ção a outros alimentos. A longo prazo, podemos referir também a
importância do aleitamento materno na prevenção da diabetes e de
linfomas.
No que diz respeito às vantagens para a mãe, o aleitamento
materno facilita uma involução uterina mais precoce, e associa-se a
uma menor probabilidade de ter cancro da mama entre outros. So-
bretudo, permite à mãe sentir o prazer único de amamentar.
Para além de todas estas vantagens, o leite materno constitui o
método mais barato e seguro de alimentar os bebés e, na maioria das
situações, protege as mães de uma nova gravidez. No entanto, é fun-
9MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
damental que todas as seguintes condições sejam cumpridas: alei-
tamento materno praticado em regime livre, sem intervalos noctur-
nos, sem suplementos de outro leite, nem complementado com qual-
quer outro tipo de comida. Esta protecção pode prolongar-se até
aos 6 meses do bebé e enquanto a menstruação não voltar.
3. Sucesso do Aleitamento Materno
O sucesso do aleitamento materno pode ser definido por uma
amamentação mais prolongada. Existe hoje o consenso entre os pe-
diatras de que a duração ideal do aleitamento materno exclusivo,
ou seja, sem que seja oferecido ao bebé mais nenhum alimento, é de
6 meses.
Isto não basta, no entanto; é ainda preciso que o bebé tenha um
bom estado nutricional, ou seja, aumente de peso de maneira ade-
quada e tenha um bom desenvolvimento psicomotor.
O sucesso do aleitamento materno pode ainda ser definido pela
qualidade da interacção entre mãe e bebé, durante a mamada, pois
este proporciona a oportunidade de contacto físico e visual e a
vivência da cooperação mútua entre a mãe e o bebé. Uma boa
interacção entre a mãe e o bebé durante a mamada pode ser defini-
da como uma valsa na qual cada um dos interlocutores, mãe e bebé,
emite sinais ao outro, sinais esses que são descodificados, dando
origem a comportamentos de resposta contingentes e adequados, con-
duzindo a uma adaptação mútua de mãe e bebé, cada vez mais rica e
complexa. Alguns autores responsabilizam a inexistência de bons pa-
drões interactivos – entre mãe e bebé durante a mamada – pela fa-
lência do crescimento de causa não-orgânica que se verifica em al-
gumas crianças.
10 Leonor Levy e Helena Bértolo
Num aleitamento materno com sucesso, verifica-se habitual-
mente uma boa transferência de leite entre a mãe e o bebé; a trans-
ferência de leite refere-se não só à quantidade de leite que a mãe
produz, como também àquela que o bebé obtém, sendo a actuação
do bebé particularmente importante na regulação da quantidade de
leite que ingere, na duração da mamada e na produção do leite pela
mãe.
Ao falarmos de sucesso, temos também de ter em conta o pro-
jecto materno; sob o ponto de vista da mãe, a prática do aleitamen-
to materno de curta duração pode ser um sucesso desde que
corresponda às suas expectativas.
4. Pontos de Viragem em Aleitamento Materno
A intervenção em pediatria corresponde a actuar nos períodos
críticos ou melhores períodos da vida humana; assim, os “pontos de
viragem” são entendidos como oportunidades preferenciais para a
intervenção em saúde, nomeadamente na promoção da saúde e preven-
ção da doença, através da promoção de práticas saudáveis, e neste con-
texto tem especial relevância a prática do aleitamento materno.
Para que a amamentação tenha sucesso, devem conjugar-se três
factores:
· A decisão de amamentar
· O estabelecimento da lactação
· O suporte da amamentação
11MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
Decisão de amamentar
A decisão de amamentar é uma decisão pessoal, sujeita a mui-
tas influências, resultantes da socialização de cada mulher.
Muitas mulheres nem sabem bem por que decidiram amamen-
tar e, quando lhes é perguntada a razão, dizem que vão amamentar
porque sim; provavelmente estas mulheres cresceram naquilo que al-
guns autores chamam meio aleitante, ou seja, um ambiente em que
o aleitamento materno era praticado de maneira natural, sem ser
posta a questão de como alimentar os bebés; provavelmente estas mu-
lheres tinham sido amamentadas pelas suas mães e viram outras mães
a amamentar os seus filhos, tendo tido, assim, experiências positivas
relacionadas com a amamentação.
Este tipo de experiência é proporcionado pelas famílias alar-
gadas em que várias gerações coabitam, existindo uma transmissão
de saberes e de práticas tradicionais favoráveis ao aleitamento ma-
terno. Uma experiência prévia com sucesso com um ou mais filhos
também se reflecte positivamente na decisão de amamentar o futuro
bebé.
Outras mães decidem amamentar porque valorizam positiva-
mente as consequências do aleitamento materno, quando com-
parado com outro tipo de alimentação, podendo ser ou não in-
fluenciadas pelo seu companheiro, amigas, mãe ou profissionais de
saúde, sendo especialmente importante a percepção do seu próprio
controlo sobre a prática do aleitamento materno, traduzindo-se por
uma maior confiança nas suas capacidades de amamentar o seu
filho.
Não podemos nem devemos culpabilizar uma mãe que não quer
ou não pode amamentar, providenciando nestes casos os conselhos
adequados à prática de uma alimentação com leites artificiais.
12 Leonor Levy e Helena Bértolo
Temos, no entanto, a obrigação de informar e aconselhar todas
as futuras mães quanto à prática do aleitamento materno, nomea-
damente as mães indecisas.
Para além de veicular informações quanto às vantagens do alei-
tamento materno para o bebé, é importante esclarecer as futuras
mães sobre as vantagens do aleitamento materno para a própria mãe,
nomeadamente sobre o prazer que uma mãe esclarecida e apoiada
pode encontrar no aleitamento materno, pondo assim a tónica não
no dever, mas no direito e no prazer de amamentar.
Alguns estudos sugerem que as mães que escolhem amamentar
por razões ligadas às vantagens do aleitamento materno para as mães
amamentam durante mais tempo, com maior prazer e experimentam
menos crises lácteas, ou seja, o sentimento de terem menos leite,
crises estas que podem ser reais ou não.
Uma gestação planeada ou desejada parece ser um pré-requisi-
to importante para o sucesso do aleitamento materno, sugerindo a
importância das consultas de planeamento familiar.
O 3.º trimestre da gestação tem sido apontado como o primei-
ro ponto de viragem em termos de sucesso do aleitamento mater-
no, constituindo uma oportunidade privilegiada para uma primeira
entrevista entre a futura mãe e o pediatra do bebé, a fim de discutir
o regime alimentar do bebé. Neste primeiro contacto devem veicu-
lar-se conhecimentos sobre a prática e a técnica do aleitamento ma-
terno, averiguar-se os conhecimentos e atitudes dos futuros pais face
ao aleitamento materno e a existência, ou não, de mitos relaciona-
dos com a amamentação.
Parece especialmente importante a definição prévia da du-
ração do aleitamento materno, pelo que a futura mãe deverá
ser motivada para um maior compromisso em termos de ama-
mentação.
13MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
Para uma maior motivação materna, a mãe deverá ser elucidada
sobre as vantagens do aleitamento materno para a mãe e para o bebé,
o efeito de “dose-resposta” e o prazer que a amamentação pode
constituir para uma mãe bem preparada para amamentar.
Alguns autores sugerem que a frequência de aulas de prepara-
ção para o parto durante a gestação deverá ainda fazer parte da pre-
paração da futura mãe, no sentido de a familiarizar com os procedi-
mentos do trabalho de parto e do parto, bem como do início da
amamentação.
Estabelecimento da lactação
O estabelecimento da lactação tem sido apontado como o 2.º
ponto de viragem, sendo decisivas as práticas hospitalares ligadas ao
trabalho de parto, parto e pós-parto para um aleitamento materno
com sucesso.
A antropologia, a sociologia e a história têm procurado apreen-
der o significado de acontecimentos tão importantes como o parto,
para diferentes povos de diferentes culturas. Em todos os povos é
possível encontrar crenças e práticas ligadas à procriação, à gesta-
ção e ao parto, constituindo este uma “entrada na vida” ou um ri-
tual de passagem. Vários estudos mostram também que todos os po-
vos se preocupam com os cuidados a fornecer ao recém-nascido,
como sejam o primeiro banho, a amamentação, as aprendizagens, os
berços e as embaladeiras.
Poucas experiências humanas alcançam os níveis de stress,
ansiedade, dor e tumulto emocional ocorridos durante um parto
e no pós-parto imediato. Sendo o parto uma ocasião de especial
sensibilidade ao ambiente, não admira que acontecimentos,
14 Leonor Levy e Helena Bértolo
interacções e intervenções ocorridos durante este período possam
ter consequências duradouras em termos emocionais e compor-
tamentais.
Acontecimentos ligados às práticas hospitalares durante o par-
to, no período do pós-parto imediato e durante a estada da mãe e
do bebé no hospital podem influenciar positiva ou negativamente o
estabelecimento da lactação e a duração do aleitamento materno.
Aqueles factores por si só, ou em interacção uns com os outros,
podem contribuir para o sucesso ou, pelo contrário, pôr em perigo
a amamentação.
Um comunicado conjunto da OMS/UNICEF (Iniciativa
Hospitais Amigos dos Bebés) contempla 10 medidas importantes para
o sucesso do aleitamento materno que deveriam ser implementadas
nos serviços de saúde vocacionados para a assistência a grávidas e
recém-nascidos, definindo objectivos e estratégias que, a serem cum-
pridos, confeririam a esses mesmos serviços de saúde a categoria de
“Hospital Amigo dos Bebés”.
Em Portugal existe, constituída, uma Comissão Nacional Inicia-
tiva Hospitais Amigos dos Bebés com sede na UNICEF.
Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés (OMS/UNICEF)
1. Ter uma política de promoção do aleitamento materno, afi-
xada, a transmitir regularmente a toda a equipa de cuida-
dos de saúde.
2. Dar formação à equipa de cuidados de saúde para que
implemente esta política.
3. Informar todas as grávidas sobre as vantagens e a prática
do aleitamento materno.
15MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
4. Ajudar as mães a iniciarem o aleitamento materno na pri-
meira meia hora após o nascimento.
5. Mostrar às mães como amamentar e manter a lactação, mes-
mo que tenham de ser separadas dos seus filhos temporaria-
mente.
6. Não dar ao recém-nascido nenhum outro alimento ou líqui-
do além do leite materno, a não ser que seja segundo indi-
cação médica.
7. Praticar o alojamento conjunto: permitir que as mães e os
bebés permaneçam juntos 24 horas por dia.
8. Dar de mamar sempre que o bebé queira.
9. Não dar tetinas ou chupetas às crianças amamentadas ao
peito.
10. Encorajar a criação de grupos de apoio ao aleitamento ma-
terno, encaminhando as mães para estes, após a alta do
hospital ou da maternidade.
Na sequência da actividade desenvolvida pela Comissão Na-
cional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés, vários hospitais
e maternidades portugueses têm-se candidatado a “Hospital Amigo
dos Bebés”, estando actualmente em curso a avaliação das candida-
turas.
Manutenção da amamentação
O 3.º ponto de viragem será o suporte da amamentação depois
da alta da maternidade.
Os primeiros quinze dias de vida do bebé, até que a lactação
esteja bem estabelecida, são especialmente importantes. Durante este
16 Leonor Levy e Helena Bértolo
período de tempo, a mãe deverá ser ajudada por alguém que a subs-
titua nas tarefas caseiras, a fim de poder dedicar-se plenamente ao
seu bebé e ter o apoio de profissionais de saúde competentes e dis-
poníveis no centro de saúde, através de consulta telefónica ou mes-
mo visita domiciliária, se necessário.
Um ambiente calmo e caloroso, uma alimentação simples e cui-
dada e algumas regras elementares sobre a prática do aleitamento
materno serão uma ajuda preciosa para o seu sucesso.
5. Prática do Aleitamento Materno
A duração da mamada não é importante, pois a maior parte dos
bebés mamam 90% do que precisam em 4 minutos. Alguns bebés pro-
longam mais as mamadas, por vezes até 30 minutos ou mais; o que in-
teressa é perceber que o bebé está a obter leite da mama da mãe e não
está a fazer da mama da mãe uma chupeta, pois isto pode macerar os
mamilos, criar fissuras e levar a mãe a desistir da amamentação.
Uma mãe pode perceber se o bebé está mesmo a mamar quan-
do constata que a sucção é mais lenta do que com uma chupeta,
quando verifica que o bebé enche as bochechas de leite ou, muitas
vezes, quando ouve o bebé a engolir o leite.
O horário não é o mais importante; o bebé deve ser alimentado
quando tem fome – chama-se a isto o regime livre –, não se devendo
impor ao bebé um regime rígido. Quando um bebé tem fome acorda
para comer, e este alerta é importante para uma melhor ingestão de
leite materno No entanto não se deve deixar o bebé dormir mais de
3 horas durante o primeiro mês de vida.
Quando um bebé começa a mamar na mama da mãe, o primei-
ro leite que obtém é mais rico em água e lactose, que é o açúcar do
17MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
leite; à medida que a mamada prossegue, o leite vai tendo cada vez
mais gordura.
O que é importante é que o bebé esvazie uma mama em cada
mamada; o bebé deve primeiro esvaziar a primeira mama e se depois
disso continuar com fome é que lhe é oferecida a segunda mama; chu-
par e esvaziar a mama é o segredo para uma maior produção de leite.
Não interessa pesar o bebé antes e depois de uma mamada, nem
fazer análises ao leite, pois existe uma grande variabilidade do leite
materno ao longo do dia, quer em qualidade, quer em quantidade. A
pesagem do bebé nas consultas de saúde e uma boa progressão do
seu peso garantem que o bebé está a ser bem alimentado.
Todas as mães se preocupam muito com os alimentos que de-
vem comer. Se na família houver casos de alergia, as mães não de-
verão abusar do leite e dos seus derivados. Caso contrário, as mães
deverão praticar uma dieta saudável e variada, evitando comer gran-
des quantidades de qualquer alimento ou alimentos mais alergizantes
ou que possam excitar o bebé.
Porém, o que é mais importante é a ausência de stress, pois este
é inimigo da lactação, dado que impede a ejecção do leite, que fica
assim retido na mama.
6. Leite Materno e Ambiente
Infelizmente, na actualidade o leite materno também contém
outros componentes, consequência da industrialização. Estes produ-
tos tóxicos, como por exemplo as dioxinas, existem no ar que respi-
ramos e em alguns dos alimentos que ingerimos.
Cerca dos 6 meses de idade, o bebé começa a comer outro tipo
de alimentos para além do leite materno ou de um substituto deste
18 Leonor Levy e Helena Bértolo
leite, até se integrar, por volta do ano de vida, no regime alimentar
da família.
Depois do desmame, os produtos de consumo diário – car-
ne, peixe, leite e queijos gordos e gorduras animais, e ainda a fast-
-food e os alimentos fabricados – são os principais fornecedores de
dioxinas para a população em geral, não esquecendo o papel da po-
luição.
No entanto, os maiores especialistas mundiais nesta matéria
consideram o leite materno como insubstituível, continuando a acon-
selhar o aleitamento materno, não deixando de recomendar, no
entanto, medidas tendentes a reduzir as dioxinas que o aleitamento
materno pode transmitir.
Existem numerosos artigos científicos acerca dos malefícios das
dioxinas em toda a comunidade, nas gestantes e nos fetos.
Os estudos publicados sobre esta matéria não contestam a pre-
sença de dioxinas no leite materno, mas todos sustentam o papel
importante do leite materno nas várias dimensões do desenvolvimento
do bebé.
Interessa difundir conselhos e propostas preventivos, tendentes
à diminuição da transferência materna de dioxinas para a próxima
geração, a qual pode ser evitada ou, pelo menos, diminuída através
de diferentes medidas: a regulamentação para a descarga de dioxinas,
uma redução do consumo de produtos animais e alimentos fabrica-
dos, a substituição de gorduras animais por gorduras vegetais e a
ingestão de leite e queijo magros em vez de gordos, em todas as ida-
des, prática esta também recomendada para a prevenção da obesi-
dade, cada vez mais prevalente na nossa sociedade, nomeadamente
em crianças e adolescentes.
Tais práticas levariam a uma menor acumulação de poluentes nas
adolescentes, futuras mães, com uma menor passagem de dioxinas
19MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
durante e depois da gestação, aconselhando-se ainda que, durante o
período de aleitamento materno, a mãe não tente perder peso.
7. Contra-indicações do Aleitamento Materno
• Contra-indicações temporárias
Existem certas situações em que as mães não devem amamen-
tar os seus bebés, até essas mesmas situações estarem resolvidas; por
exemplo, mães com algumas doenças infecciosas como a varicela,
herpes com lesões mamárias, tuberculose não tratada ou ainda quan-
do tenham de efectuar uma medicação imprescindível. Durante este
período de tempo, os bebés devem ser alimentados com leite artifi-
cial por copo ou colher, e a produção de leite materno deverá ser
estimulada.
• Contra-indicações definitivas
As contra-indicações definitivas do aleitamento materno não
são muito frequentes, mas existem. Trata-se de mães com doenças
graves, crónicas ou debilitantes, mães infectadas pelo vírus da
imunodeficiência humana (VIH), mães que precisem de tomar me-
dicamentos que são nocivos para os bebés e, ainda, bebés com do-
enças metabólicas raras como a fenilcetonúria e a galactosemia.
20 Leonor Levy e Helena Bértolo
8. Como Funciona a Amamentação
Observe o mamilo e a área de pele mais escura que o rodeia e
que se chama aréola mamária. Na aréola encontram-se as pequenas
glândulas chamadas glândulas de Montgomery que segregam um flui-
do oleoso para manter a pele saudável.
Dentro da mama estão os alvéolos que são pequeninos sacos
feitos de células secretoras de leite. Há milhões de alvéolos – a fi-
gura mostra apenas alguns deles.
Uma hormona chamada prolactina faz com que estas células
produzam leite.
Em torno dos alvéolos há células musculares, as células
mioepiteliais, que se contraem e expulsam o leite para fora dos alvé-
olos. Uma hormona chamada ocitocina provoca a contracção dessas
células musculares.
Figura 1 - Anatomia da mama
Pequenos tubos, ou ductos, levam o leite dos alvéolos para o
exterior. Sob a aréola, os ductos tornam-se mais largos permitindo
21MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
mais estreitos à medida que passam através do mamilo.
que ao sugar o bebé recolha o leite. Os ductos tornam-se outra vez
Figura 2 - Prolactina
Adaptado da OMS/UNICEF
Os alvéolos e os ductos estão rodeados por tecido de sustenta-
ção e por gordura.
e fazem a maior parte da diferença entre uma mama grande e uma
pequena. Tanto as mamas grandes como as pequenas contêm a mes-
ma quantidade de tecido glandular e podem produzir uma grande
quantidade de leite.
A gordura e o tecido de sustentação é que dão a forma à mama
Quando um bebé mama, impulsos sensoriais vão do mamilo para
o cérebro. Em resposta, a parte anterior da hipófise na base do cé-
rebro segrega prolactina. A prolactina vai através do sangue para a
mama, fazendo com que as células secretoras produzam leite.
22 Leonor Levy e Helena Bértolo
A maior parte da prolactina está no sangue cerca de 30 minu-
tos após a mamada – o que faz com que a mama produza leite para
a mamada SEGUINTE. Para esta mamada, o bebé toma o leite que
já está na mama.
Ou seja, quanto mais o bebé suga, mais leite é produzido.
• Mais prolactina é produzida à noite; portanto, amamentar
durante a noite é especialmente importante para manter a
produção de leite.
• A prolactina faz com que a mãe se sinta relaxada e algumas
vezes sonolenta; logo, geralmente a mãe descansa bem, mes-
mo amamentando durante a noite.
• A prolactina suprime a ovulação; assim, a amamentação pode
ajudar a adiar uma nova gestação, sobretudo se a amamentação
for praticada também durante a noite.
Figura 3 - Ocitocina
Quando um bebé suga, impulsos sensoriais vão do mamilo para
o cérebro. Em resposta, a parte posterior da hipófise na base do
cérebro segrega uma hormona chamada ocitocina.
Adaptado da OMS/UNICEF
23MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
A ocitocina vai através do sangue para a mama e produz a con-
tracção das células musculares, ou células mioepiteliais, em torno dos
alvéolos. Isto faz com que o leite colectado nos alvéolos flua através
A ocitocina é produzida mais rapidamente que a prolactina. A
ocitocina faz com que o leite que já está na mama flua para ESTA
mamada. A ocitocina pode começar a actuar antes que o bebé su-
gue, quando a mãe está preparada para amamentar.
Se o reflexo da ocitocina não funciona bem, o bebé pode ter
dificuldade em receber leite. Pode ter-se a impressão que as mamas
deixaram de produzir leite.
De facto as mamas continuam a produzir leite, mas este não flui.
A ocitocina provoca a contracção do útero no pós-parto, o que
ajuda a reduzir as perdas de sangue, para além de acelerar a involução
uterina.
Por vezes, nos primeiros dias aparecem dores uterinas, que po-
dem ser bastante fortes, e também pequenas perdas de sangue.
Figura 4 - Ocitocina
Adaptado da OMS/UNICEF
dos ductos até ao mamilo. Chama-se a isto reflexo da ocitocina ou
reflexo de ejecção.
24 Leonor Levy e Helena Bértolo
Como ajudar o reflexo da ocitocina:
Sentimentos agradáveis como sentir-se contente com o seu
bebé, ter prazer com o bebé, tocá-lo, olhar ou mesmo ouvir o
bebé chorar podem ajudar o reflexo da ocitocina. A confiança
na sua capacidade de amamentar e a convicção de que o seu leite
é o melhor para o bebé também são importantes para ajudar o
leite a fluir.
O que pode dificultar ou bloquear o reflexo da ocitocina:
Sentimentos desagradáveis como dor, preocupação, dúvidas se
a mãe tem leite suficiente e, de um modo geral, o stress podem
bloquear o reflexo e parar o fluxo de leite.
Assim:
• A mãe precisa de ter o seu bebé sempre junto a si, para que
possa olhar para ele, tocá-lo e perceber as suas necessidades.
Esta prática ajuda o seu corpo a preparar-se para a amamenta-
ção e ajuda o leite a fluir.
• Se uma mãe está separada do bebé entre as mamadas, o re-
flexo da ocitocina pode não funcionar facilmente.
• É preciso ter empatia para com os sentimentos da mãe que
está a amamentar.
• É importante fazê-la sentir-se bem e aumentar a sua confian-
ça na sua capacidade de amamentar o bebé, ajudando assim o
seu leite a fluir.
25MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
A produção do leite materno é também controlada dentro da
própria mama.
Existe uma substância no leite materno que pode diminuir ou
inibir a produção de leite. Se muito leite é deixado na mama, o fac-
tor inibidor faz com que as células deixem de produzir leite. Isto aju-
da a proteger a mama dos efeitos desagradáveis de uma produção
de leite exagerada. A inibição da produção de leite é, obviamente,
necessária se o bebé morre ou pára de mamar por alguma razão.
Se o leite materno é removido, o factor inibidor também é re-
movido. Então a mama produz mais leite.
Assim:
• Se um bebé pára de mamar numa das mamas, essa mama deixa
de produzir leite.
• Se o bebé mama mais de uma mama, essa mama produz mais
leite e torna-se maior que a outra.
• Para uma mama continuar a produzir leite, o leite deve ser
removido.
Figura 5 - Factor inibidor
Adaptado da OMS/UNICEF
26 Leonor Levy e Helena Bértolo
• Se um bebé não pode mamar de uma ou das duas mamas, o
leite deve ser removido por expressão, manual ou com bom-
ba, para permitir que a produção continue.
Figura 6 - Reflexos do bebé
Existem três principais reflexos do bebé relacionados com a
amamentação: o reflexo de busca e preensão, o de sucção e o de
deglutição.
ele abre a boca e pode virar a cabeça à procura daquilo que lhe to-
cou. O bebé põe a língua para baixo e para fora. Este é o reflexo de
busca e preensão.
Quando alguma coisa toca o palato do bebé, ele começa a sugar e,
tecem automaticamente, sem que o bebé tenha de os aprender.
aprender.
Adaptado da OMS/UNICEF
quando a sua boca se enche de leite, ele deglute. São reflexos que acon-
Existem, porém, algumas coisas que a mãe e o bebé têm de
Quando alguma coisa toca nos lábios ou nas bochechas do bebé,
27MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
Uma mãe tem de aprender como segurar a sua mama e
posicionar o bebé, para que ele pegue bem na mama.
O bebé tem de aprender como pegar na mama para ter uma
sucção eficaz.
Note, no desenho, como o bebé se aproxima da mama. Ele apro-
xima-se da mama por debaixo do mamilo. Isto ajuda a uma boa adap-
tação ou pega entre a sua boca e a mama da mãe porque:
• O mamilo está posicionado para o palato do bebé, podendo
assim estimular o reflexo de sucção.
• O lábio do bebé está posicionado para debaixo do mamilo, de
Figura 7 - Adaptação entre mãe e bebé (pega)
Bebé A
• A boca do bebé apanha a maior parte da aréola e dos tecidos
Adaptado da OMS/UNICEF
modo a colocar a língua por baixo dos canais galactóforos.
que estão sob ela, incluindo os canais galactóforos.
28 Leonor Levy e Helena Bértolo
• O bebé estica o tecido da mama para fora, para formar um
longo bico.
• O mamilo constitui apenas um terço do bico.
• O bebé mama na aréola e não no mamilo.
O bebé A está bem adaptado à mama de mãe (boa pega).
Bebé B
• A boca do bebé não apanha a maior parte da aréola e dos
incluídos nesses tecidos.
• O bebé não consegue esticar o tecido da mama para fora a
fim de formar um longo bico.
• O mamilo constitui a totalidade do bico.
• O bebé mama apenas no mamilo.
O bebé B não está bem adaptado à mama de mãe (má pega).
Figura 8 - Adaptação entre mãe e bebé (pega)
Adaptado da OMS/UNICEF
tecidos que estão sob ela, e os canais galactóforos não estão
29MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
Bebé A:
• O queixo do bebé toca a mama.
• A boca do bebé está bem aberta.
• O seu lábio inferior está virado para fora.
• Pode-se ver mais aréola acima do que abaixo da boca do bebé.
com a sua língua, o que ajuda a expressão do leite.
O bebé A está bem adaptado à mama da mãe (boa pega).
Bebé B:
• O queixo do bebé não toca na mama.
• A boca do bebé não está bem aberta.
• O seu lábio inferior não está virado para fora.
• Pode-se ver a mesma quantidade de aréola acima e abaixo da
boca do bebé.
com a sua língua, o que dificulta a expressão do leite.
O bebé B não está bem adaptado à mama da mãe (má pega).
9. Como Ultrapassar Pequenas Dificuldades
·····Dificuldades precoces
Nas primeiras semanas de amamentação podem surgir algumas
dificuldades, principalmente para as mães que estão a amamentar pela
primeira vez.
• Isto mostra que o bebé está atingindo os canais galactóforos
• Isto mostra que o bebé não está a atingir os canais galactóforos
30 Leonor Levy e Helena Bértolo
Logo após o nascimento do bebé (por vezes ainda durante a fase
final da gravidez), surge o primeiro leite chamado colostro – um
líquido branco transparente ou amarelo, que se mantém durante 2 a
3 dias e que é muito importante para proteger o bebé de infecções e
para o ajudar a evacuar.
❖❖❖❖❖ MAMAS MUITO CHEIAS E DOLOROSAS (INGURGITADAS)
ficar quentes, mais pesadas e duras, devido ao aumento de leite e à
quantidade de sangue e de fluidos nos tecidos da mama. A mãe pode
ter um ligeiro aumento da temperatura corporal que não ultrapassa, em
regra, os 38º C, durante 24 horas. Habitualmente, o leite sai com
facilidade e a mãe continua a dar de mamar sem dificuldade. Pode dar
de mamar com frequência para retirar o leite, ou retirá-lo manualmente
ou com bomba. Depois de alguns dias, sentirá as mamas vazias e
confortáveis.
Algumas vezes, especialmente se o leite não é retirado em
quantidade suficiente, as mamas podem ficar ingurgitadas. Nesta
situação as mamas ficam tensas, brilhantes e dolorosas, e pode ser
difícil retirar o leite. A aréola está tensa e é difícil para o bebé agarrar
uma quantidade suficiente da mama para poder sugar. A mãe pode
amamentar menos porque tem dor. A produção de leite diminui
porque a criança mama durante pouco tempo, de modo não eficaz,
e o leite não é retirado.
A mama pode ficar infectada porque o leite não é drenado e,
especialmente, se a mãe tem fissuras nos mamilos.
Quando o leite “desce”, por volta do 2.º-3.º dias, as mamas podem
31MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
Para prevenir o ingurgitamento
– As mães devem dar de mamar em horário livre (sempre que
o bebé quiser).
– Colocar a criança a mamar em posição correcta e verificar
os sinais de boa pega.
Para tratar o ingurgitamento
– Retirar o leite da mama, colocando o bebé a mamar, se
possível, ou com expressão manual ou bomba (lavar as mãos
cuidadosamente antes de tocar nas mamas).
– Quando conseguir retirar um pouco de leite, a mama fica mais
macia e o bebé poderá sugar mais eficazmente.
– Se o bebé não consegue mamar, a mãe deve retirar o leite
para um copo (manualmente ou com bomba) e dá-lo ao be-
bé.
– Deve continuar a retirar com a frequência necessária para que
as mamas fiquem mais confortáveis e até que o ingurgita-
mento desapareça.
A mãe consegue retirar o leite mais facilmente se estimular o
reflexo de ocitocina (ver Figura 4); este funciona melhor se:
– Estiver descontraída e com o bebé por perto;
– Passar com o chuveiro ou com água quente (parches);
– Beber uma bebida morna (não café, chá preto ou cacau);
– Massajar levemente com a ponta dos dedos ou com a mão
fechada na direcção dos mamilos.
32 Leonor Levy e Helena Bértolo
Se as mamas apresentarem edema (inchaço), pode aplicar água
fria ou gelo, depois de retirar o leite.
Como extrair o leite manualmente:
Lave as mãos antes de iniciar a extracção;
Sente-se confortavelmente, coloque o polegar sobre a parte
superior da aréola e o indicador sob a aréola mamária e
pressione em direcção ao tórax (costelas); não deve deslizar os
dedos para não magoar;
Pressione e solte de seguida, não deve sentir dor; se sentir,
é porque não está a aplicar a técnica correctamente;
O leite deve começar a sair, primeiro em pequena quantidade
e depois em maior quantidade;
Rode os dedos para massajar todos os locais;
Faça a expressão do leite até sentir a mama flácida (mole)
(ver Figura 9).
❖ BLOQUEIO DOS DUCTOS
No mamilo abrem-se cerca de 10 a 20 canais que drenam o lei-
te. Pode acontecer que alguns destes canais fiquem obstruídos, pos-
sivelmente por leite espesso. A mulher que amamenta pode sentir um
nódulo (inchaço) doloroso numa parte da mama, e o local ficar
avermelhado. A mulher não tem febre e sente-se bem.
Esta situação tem como causas prováveis o uso de roupas
apertadas (soutien), uma pancada na mama, ou porque a criança não
suga daquela parte da mama.
33MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
Para tratar o ducto bloqueado
– Para resolver esta situação, a mãe deve amamentar em diferentes
posições de modo a esvaziar todas as partes da mama (por
exemplo, colocando o corpo do bebé debaixo do braço).
– Pode ainda fazer uma leve pressão, com os dedos, no sentido
do mamilo para ajudar a esvaziar aquela parte da mama.
Adaptado da OMS/UNICEF
Figura 9 - Extracção manual
34 Leonor Levy e Helena Bértolo
– A mãe deve usar roupas largas e um soutien que apoie, mas
não comprima.
❖ MASTITE
Se o ducto (canal) bloqueado não drenar o leite, ou no caso de
ingurgitamento mamário grave, o tecido mamário pode infectar. Neste
caso, parte da mama fica avermelhada, quente, com tumefacção
(inchada) e dolorosa. A mulher tem febre, normalmente elevada, e sente
grande mal-estar – estamos em presença de mastite, pelo que deve
consultar o seu médico.
Para tratar a mastite
O médico assistente indicará quais os medicamentos que a mãe
deve tomar.
Entretanto, é fundamental que:
– A mãe repouse;
– Retire o leite manualmente, ou com bomba;
– Possa continuar a amamentar do lado não afectado.
A situação melhora, habitualmente em um ou dois dias.
❖ MAMILOS DOLOROSOS E/OU COM FISSURAS
(GRETADOS)
A causa mais comum de dor nos mamilos é uma má adaptação
do bebé à mama materna (pega incorrecta).
Por vezes a pele do mamilo parece completamente normal, outras
vezes nota-se uma fissura na extremidade ou na base do mamilo.
35MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
A amamentação é dolorosa, podendo levar a mãe a amamentar
durante menos tempo e/ou com menor frequência. A criança que suga
só o mamilo não consegue retirar leite suficiente, ficando frustrada.
O leite não é retirado com eficácia, o que poderá levar a diminuição
da produção de leite.
Para prevenir dor/fissuras nos mamilos
– Coloque a criança numa posição correcta (cabeça em linha
recta com o corpo, face de frente para o mamilo);
– Verifique sinais de boa pega do bebé (ver Figura 8);
– Não deve lavar os mamilos com sabão, devem ser lavados
unicamente uma vez ao dia;
– Não deve interromper a mamada, o bebé deve deixar a mama
espontaneamente;
– Se a mãe tiver de interromper, deve colocar um dedo, sua-
vemente, na boca do bebé de modo a interromper a sucção.
Mamilos com fissuras (gretas)
Muitas vezes, a criança continua a mamar em má posição durante
alguns dias, o que pode causar lesão do mamilo. O mamilo pode ficar
com fissuras, o que pode favorecer a entrada de “micróbios” e causar
infecção – mastite.
Para tratar os mamilos dolorosos e/ou com fissuras
Na maior parte das vezes, a dor desaparece logo que a pega do
bebé é corrigida.
36 Leonor Levy e Helena Bértolo
– Pode iniciar a amamentação pelo mamilo não doloroso;
– Deve aplicar uma gota de leite no mamilo e aréola, após o
banho e após cada mamada – isto facilita a cicatrização;
– A mãe deve expor os mamilos ao ar e ao sol, sempre que
possível, no intervalo das mamadas.
Se a dor é tão intensa que mesmo melhorando a pega do bebé
não desaparece, a mãe pode retirar o leite e dar ao bebé com copo
ou colher, até que o mamilo melhore ou cicatrize.
Mamilos planos e invertidos
Algumas mães pensam que os seus mamilos são muito pequenos
para amamentar, mas o tamanho dos mamilos em “repouso” não é
importante, dado que o mamilo é só 1/3 da porção da mama que o
bebé deve introduzir na boca para sugar plenamente.
O mamilo fica mais saliente nas últimas semanas de gravi-
dez e/ou logo após o parto, pelo que não é necessário fazer qual-
quer manobra ou usar qualquer método durante a gravidez.
Para além deste aspecto, a mãe pode tentar rodar o mamilo entre
os dedos de modo a ficar mais saliente.
A utilização de moldes de mamilos durante a gravidez é
desaconselhada, dado que não é evidente que ajudem a melhorar o
formato do mamilo e podem lesá-lo.
O que é importante é que a mãe coloque o bebé ao peito logo
após o nascimento (durante a primeira hora); evite o uso de tetinas
e de chupetas, para evitar que o bebé tenha maior dificuldade em
pegar.
Pode deixar o bebé pegar do modo que ele quer, ter contacto
pele a pele com o bebé e tentar em várias posições.
37MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
Se a mama está muito cheia, o mamilo fica menos saliente, pelo
que é favorável retirar uma porção de leite antes de colocar o bebé ao
peito.
A mãe pode ainda tentar espremer um pouco de leite para a boca
do bebé; normalmente, após provar o leite, ele fica mais motivado para
mamar.
Pode também tentar que o mamilo fique mais saliente, utilizando
uma bomba ou uma seringa de 20 ml (ver Figura 10), várias vezes
ao dia durante 30-60 segundos, e sempre antes de ir amamentar.
Se a mãe continua com dificuldades, após tentar estas técnicas,
pode pedir ajuda a um profissional de saúde ou a alguém com
experiência em amamentação.
Adaptado da OMS/UNICEF
Figura 10 - Extracção do leite
Corte uma seringa de 10 ou 20 ml
Coloque o êmbolo ao contrário
Puxe suavemente o êmbolo para que o mamilo fique mais
saliente
38 Leonor Levy e Helena Bértolo
····· Dificuldades tardias
❖❖❖❖❖ POUCO LEITE/CHORO DO BEBÉ
Algumas mães pensam que o seu leite é insuficiente porque:
– O bebé chora mais do que o habitual;
– Quer sugar mais frequentemente;
– Demora muito a mamar;
– Adormece a mamar.
Muitas vezes, as mães têm bastante leite, mas falta confiança de
que o seu leite é suficiente. Todas as mulheres possuem um número
semelhante de células produtoras de leite, independentemente do
tamanho das mamas.
Por vezes as mães tentam amamentar a criança em horário bem
determinado (rígido); deixam a criança esperar muito tempo para ma-
mar; trocam de mama, quando o bebé não esvaziou totalmente a pri-
meira (a criança não ingere quantidade suficiente da gordura que está
no final da mamada e fica insatisfeito).
O que fazer?
– A mãe deve amamentar sempre que o bebé tenha fome (em
horário livre);
– O bebé deve esvaziar uma mama até ao fim (até que ele pare
espontaneamente), só depois a mãe deve oferecer a outra; na
mamada seguinte deve alternar;
– Acordar o bebé e não o deixar muito agasalhado, dado que
isso favorece o adormecimento.
39MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
Se quer aumentar a produção de leite:
– A mãe pode amamentar com mais frequência durante alguns
dias;
– Amamentar também de noite (a libertação de prolactina é
superior durante a noite);
– Retirar o leite, sempre que não esteja com o bebé.
Se a criança está a aumentar de peso, está decerto a alimentar-
-se em quantidade suficiente.
❖ VOLTAR AO TRABALHO
Voltar a trabalhar é, na maior parte das vezes, motivo de algu-
ma ansiedade e preocupação. No entanto, a legislação apoia o alei-
tamento materno, mas as situações variam de mãe para mãe:
– O emprego da mãe pode ser próximo do domicílio;
– Talvez seja possível levar a criança para uma ama ou creche
perto ou no local de trabalho;
– Alguém poderá levar a criança para mamar enquanto a mãe
trabalha;
– Se estas hipóteses não forem viáveis, a mãe pode retirar o
leite antes de sair de casa e deixá-lo para ser dado ao bebé;
– No local de trabalho, deve retirar com a frequência com que
o bebé mamaria;
– Amamente sempre que estiver em casa, à noite, logo pela
manhã, e sempre que possível.
40 Leonor Levy e Helena Bértolo
Como deve conservar o leite:
Existem sacos de plástico esterilizados para o efeito.
Pode ainda guardar em biberão esterilizado.
Validade:
– 48 horas no frigorífico.
– No congelador até 3 meses, mas de acordo com as instruções,
por exemplo: nos frigoríficos que têm duas estrelas (**), o
leite materno pode permanecer durante 2 meses.
41MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
Para mais informações, queira contactar:
Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés
Av. Ant. Aug. Aguiar, 56 - 3º Esq.
1069-115 Lisboa
Tel: 213 177 500
Fax: 213 547 913
E-mail: hab@unicef.pt
www.unicef.pt
Outros contactos úteis:
Alto Comissariado da Saúde
amamentar@ensp.unl.pt
www.amamentar.net
Mama Mater – Associação de Aleitamento Materno de Portugal
Tel: 214 532 019
www.mamamater.pt
SOS Amamentação
Tel: 213 880 915
www.sosamamentacao.org
42 Leonor Levy e Helena Bértolo
43MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO
FICHA DE AVALIAÇÃO
Por favor faça uma cruz em cima da resposta que melhor se
adapta ao seu caso e envie a folha do questionário para o Comité
Muito Bastante Médio Pouco Nada
· Achou fácil a linguagem utilizada neste Manual de Aleitamento
Materno?
Muito Bastante Médio Pouco Nada
· Os conselhos deste Manual de Aleitamento Materno correspondem às
suas dificuldades?
Muito Bastante Médio Pouco Nada
· Este Manual de Aleitamento Materno influenciou a sua decisão de
amamentar o seu bebé?
Muito Bastante Médio Pouco Nada
· Este Manual de Aleitamento Materno ajudou-a no estabelecimento da
lactação?
Muito Bastante Médio Pouco Nada
· Este Manual de Aleitamento Materno conseguiu tranquilizá-la sobre
a prática do aleitamento materno?
Muito Bastante Médio Pouco Nada
3.º Esq, 1069-115 Lisboa.
✄
· Este Manual de Aleitamento Materno foi útil?
Português para a UNICEF, Av. António Augusto de Aguiar, n.º 56,
MANUAL
DE
ALEITAMENTO MATERNO
Ministério da Saúde
Direcção-Geral da Saúde
Comité Português para a UNICEF – Comissão Nacional
Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés
Edição
financiada por
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Manual aleitamento

  • 1. MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Ministério da Saúde Direcção-Geral da Saúde Comité Português para a UNICEF – Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés Edição financiada por Apoios P O R T U G A L
  • 2. 1MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Edição Comité Português para a UNICEF/Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés Edição Revista de 2008
  • 3. António Massano Capa: Isabel Garcia Depósito Legal: 176764/02 Impressão: Gráfica Maiadouro ISBN: 96436 Revisão: Isabel Loureiro 2 Leonor Levy e Helena Bértolo Título: Manual de Aleitamento Materno Editor: Comité Português para a UNICEF Av.ª António Augusto de Aguiar, 56 – 3.º Esq. 1069-115 Lisboa Fax: 213 547 913 E-mail: erodrigues@unicef.pt Autores: Leonor Levy Helena Bértolo Edição revista (2008) Revisão Técnica e Científica desta edição: Luís Magão Purificação Araújo Telefone: 213 177 500
  • 4. 3MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO ÍNDICE Nota Introdutória .................................................... 5 1. Aleitamento Materno em Portugal ..................... 7 2. Vantagens do Aleitamento Materno ................... 8 3. Sucesso do Aleitamento Materno ...................... 9 4. Pontos de Viragem em Aleitamento Materno..... 10 5. Prática do Aleitamento Materno ........................ 16 6. Leite Materno e Ambiente ................................. 17 7. Contra-indicações do Aleitamento Materno ...... 19 8. Como Funciona a Amamentação........................ 20 9. Como Ultrapassar Pequenas Dificuldades ......... 29 Nota Final ............................................................... 41
  • 5. 4 Leonor Levy e Helena Bértolo
  • 6. 5MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Nota Introdutória Este Manual de Aleitamento Materno foi feito com a intenção de a ajudar. Dar de mamar é uma prioridade da sua vida porque é bom para As pequenas dificuldades podem ser ultrapassadas com meia dúzia de estratégias que neste livro lhe são propostas. Esperamos, sinceramente, que a amamentação por si sonhada seja um sucesso. si, para o seu bebé e para a sua família. Boa sorte e felicidades.
  • 7. 6 Leonor Levy e Helena Bértolo
  • 8. 7MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO 1. Aleitamento Materno em Portugal Em Portugal não existem estatísticas sobre a incidência e a prevalência do aleitamento materno. Os estudos efectuados no nosso país sugerem que a evolução do aleitamento materno se processou de maneira semelhante à de outros países europeus. A industrialização, a II Grande Guerra Mundial, a massificação do trabalho feminino, os movimentos feministas, a perda da família alargada, a indiferença ou ignorância dos profissionais de saúde e a publicidade agressiva das indústrias produtoras de substitutos do leite materno tiveram como consequência uma baixa da incidência e da prevalência do aleitamento materno. Foram as mulheres com mai- or escolaridade que mais precocemente deixaram de amamentar os seus filhos, sendo rapidamente imitadas pelas mulheres com menor escola- ridade. Este fenómeno alastrou aos países em desenvolvimento, com consequências gravíssimas em termos de aumento da mortalidade infantil. A partir dos anos 70, verificou-se um retorno gradual à prática do aleitamento materno, sobretudo nas mulheres mais in- formadas. Alguns estudos portugueses apontam para uma alta incidên- cia do aleitamento materno, significando que mais de 90% das mães portuguesas iniciam o aleitamento materno; no entanto, esses mesmos estudos mostram que quase metade das mães desis- tem de dar de mamar durante o primeiro mês de vida do bebé, su- gerindo que a maior parte das mães não conseguem cumprir o seu
  • 9. 8 Leonor Levy e Helena Bértolo projecto de dar de mamar, desistindo muito precocemente da amamentação. Por todas estas razões, é essencial que em Portugal se continuem a implementar medidas que promovam um maior sucesso do aleita- mento materno. 2. Vantagens do Aleitamento Materno O leite materno é um alimento vivo, completo e natural, ade- quado para quase todos os recém-nascidos, salvo raras excepções. As vantagens do aleitamento materno são múltiplas e já bas- tante reconhecidas, quer a curto, quer a longo prazo, existindo um consenso mundial de que a sua prática exclusiva é a melhor maneira de alimentar as crianças até aos 6 meses de vida. O aleitamento materno tem vantagens para a mãe e para o bebé: o leite materno previne infecções gastrintestinais, respirató- rias e urinárias; o leite materno tem um efeito protector sobre as aler- gias, nomeadamente as específicas para as proteínas do leite de vaca; o leite materno faz com que os bebés tenham uma melhor adapta- ção a outros alimentos. A longo prazo, podemos referir também a importância do aleitamento materno na prevenção da diabetes e de linfomas. No que diz respeito às vantagens para a mãe, o aleitamento materno facilita uma involução uterina mais precoce, e associa-se a uma menor probabilidade de ter cancro da mama entre outros. So- bretudo, permite à mãe sentir o prazer único de amamentar. Para além de todas estas vantagens, o leite materno constitui o método mais barato e seguro de alimentar os bebés e, na maioria das situações, protege as mães de uma nova gravidez. No entanto, é fun-
  • 10. 9MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO damental que todas as seguintes condições sejam cumpridas: alei- tamento materno praticado em regime livre, sem intervalos noctur- nos, sem suplementos de outro leite, nem complementado com qual- quer outro tipo de comida. Esta protecção pode prolongar-se até aos 6 meses do bebé e enquanto a menstruação não voltar. 3. Sucesso do Aleitamento Materno O sucesso do aleitamento materno pode ser definido por uma amamentação mais prolongada. Existe hoje o consenso entre os pe- diatras de que a duração ideal do aleitamento materno exclusivo, ou seja, sem que seja oferecido ao bebé mais nenhum alimento, é de 6 meses. Isto não basta, no entanto; é ainda preciso que o bebé tenha um bom estado nutricional, ou seja, aumente de peso de maneira ade- quada e tenha um bom desenvolvimento psicomotor. O sucesso do aleitamento materno pode ainda ser definido pela qualidade da interacção entre mãe e bebé, durante a mamada, pois este proporciona a oportunidade de contacto físico e visual e a vivência da cooperação mútua entre a mãe e o bebé. Uma boa interacção entre a mãe e o bebé durante a mamada pode ser defini- da como uma valsa na qual cada um dos interlocutores, mãe e bebé, emite sinais ao outro, sinais esses que são descodificados, dando origem a comportamentos de resposta contingentes e adequados, con- duzindo a uma adaptação mútua de mãe e bebé, cada vez mais rica e complexa. Alguns autores responsabilizam a inexistência de bons pa- drões interactivos – entre mãe e bebé durante a mamada – pela fa- lência do crescimento de causa não-orgânica que se verifica em al- gumas crianças.
  • 11. 10 Leonor Levy e Helena Bértolo Num aleitamento materno com sucesso, verifica-se habitual- mente uma boa transferência de leite entre a mãe e o bebé; a trans- ferência de leite refere-se não só à quantidade de leite que a mãe produz, como também àquela que o bebé obtém, sendo a actuação do bebé particularmente importante na regulação da quantidade de leite que ingere, na duração da mamada e na produção do leite pela mãe. Ao falarmos de sucesso, temos também de ter em conta o pro- jecto materno; sob o ponto de vista da mãe, a prática do aleitamen- to materno de curta duração pode ser um sucesso desde que corresponda às suas expectativas. 4. Pontos de Viragem em Aleitamento Materno A intervenção em pediatria corresponde a actuar nos períodos críticos ou melhores períodos da vida humana; assim, os “pontos de viragem” são entendidos como oportunidades preferenciais para a intervenção em saúde, nomeadamente na promoção da saúde e preven- ção da doença, através da promoção de práticas saudáveis, e neste con- texto tem especial relevância a prática do aleitamento materno. Para que a amamentação tenha sucesso, devem conjugar-se três factores: · A decisão de amamentar · O estabelecimento da lactação · O suporte da amamentação
  • 12. 11MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Decisão de amamentar A decisão de amamentar é uma decisão pessoal, sujeita a mui- tas influências, resultantes da socialização de cada mulher. Muitas mulheres nem sabem bem por que decidiram amamen- tar e, quando lhes é perguntada a razão, dizem que vão amamentar porque sim; provavelmente estas mulheres cresceram naquilo que al- guns autores chamam meio aleitante, ou seja, um ambiente em que o aleitamento materno era praticado de maneira natural, sem ser posta a questão de como alimentar os bebés; provavelmente estas mu- lheres tinham sido amamentadas pelas suas mães e viram outras mães a amamentar os seus filhos, tendo tido, assim, experiências positivas relacionadas com a amamentação. Este tipo de experiência é proporcionado pelas famílias alar- gadas em que várias gerações coabitam, existindo uma transmissão de saberes e de práticas tradicionais favoráveis ao aleitamento ma- terno. Uma experiência prévia com sucesso com um ou mais filhos também se reflecte positivamente na decisão de amamentar o futuro bebé. Outras mães decidem amamentar porque valorizam positiva- mente as consequências do aleitamento materno, quando com- parado com outro tipo de alimentação, podendo ser ou não in- fluenciadas pelo seu companheiro, amigas, mãe ou profissionais de saúde, sendo especialmente importante a percepção do seu próprio controlo sobre a prática do aleitamento materno, traduzindo-se por uma maior confiança nas suas capacidades de amamentar o seu filho. Não podemos nem devemos culpabilizar uma mãe que não quer ou não pode amamentar, providenciando nestes casos os conselhos adequados à prática de uma alimentação com leites artificiais.
  • 13. 12 Leonor Levy e Helena Bértolo Temos, no entanto, a obrigação de informar e aconselhar todas as futuras mães quanto à prática do aleitamento materno, nomea- damente as mães indecisas. Para além de veicular informações quanto às vantagens do alei- tamento materno para o bebé, é importante esclarecer as futuras mães sobre as vantagens do aleitamento materno para a própria mãe, nomeadamente sobre o prazer que uma mãe esclarecida e apoiada pode encontrar no aleitamento materno, pondo assim a tónica não no dever, mas no direito e no prazer de amamentar. Alguns estudos sugerem que as mães que escolhem amamentar por razões ligadas às vantagens do aleitamento materno para as mães amamentam durante mais tempo, com maior prazer e experimentam menos crises lácteas, ou seja, o sentimento de terem menos leite, crises estas que podem ser reais ou não. Uma gestação planeada ou desejada parece ser um pré-requisi- to importante para o sucesso do aleitamento materno, sugerindo a importância das consultas de planeamento familiar. O 3.º trimestre da gestação tem sido apontado como o primei- ro ponto de viragem em termos de sucesso do aleitamento mater- no, constituindo uma oportunidade privilegiada para uma primeira entrevista entre a futura mãe e o pediatra do bebé, a fim de discutir o regime alimentar do bebé. Neste primeiro contacto devem veicu- lar-se conhecimentos sobre a prática e a técnica do aleitamento ma- terno, averiguar-se os conhecimentos e atitudes dos futuros pais face ao aleitamento materno e a existência, ou não, de mitos relaciona- dos com a amamentação. Parece especialmente importante a definição prévia da du- ração do aleitamento materno, pelo que a futura mãe deverá ser motivada para um maior compromisso em termos de ama- mentação.
  • 14. 13MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Para uma maior motivação materna, a mãe deverá ser elucidada sobre as vantagens do aleitamento materno para a mãe e para o bebé, o efeito de “dose-resposta” e o prazer que a amamentação pode constituir para uma mãe bem preparada para amamentar. Alguns autores sugerem que a frequência de aulas de prepara- ção para o parto durante a gestação deverá ainda fazer parte da pre- paração da futura mãe, no sentido de a familiarizar com os procedi- mentos do trabalho de parto e do parto, bem como do início da amamentação. Estabelecimento da lactação O estabelecimento da lactação tem sido apontado como o 2.º ponto de viragem, sendo decisivas as práticas hospitalares ligadas ao trabalho de parto, parto e pós-parto para um aleitamento materno com sucesso. A antropologia, a sociologia e a história têm procurado apreen- der o significado de acontecimentos tão importantes como o parto, para diferentes povos de diferentes culturas. Em todos os povos é possível encontrar crenças e práticas ligadas à procriação, à gesta- ção e ao parto, constituindo este uma “entrada na vida” ou um ri- tual de passagem. Vários estudos mostram também que todos os po- vos se preocupam com os cuidados a fornecer ao recém-nascido, como sejam o primeiro banho, a amamentação, as aprendizagens, os berços e as embaladeiras. Poucas experiências humanas alcançam os níveis de stress, ansiedade, dor e tumulto emocional ocorridos durante um parto e no pós-parto imediato. Sendo o parto uma ocasião de especial sensibilidade ao ambiente, não admira que acontecimentos,
  • 15. 14 Leonor Levy e Helena Bértolo interacções e intervenções ocorridos durante este período possam ter consequências duradouras em termos emocionais e compor- tamentais. Acontecimentos ligados às práticas hospitalares durante o par- to, no período do pós-parto imediato e durante a estada da mãe e do bebé no hospital podem influenciar positiva ou negativamente o estabelecimento da lactação e a duração do aleitamento materno. Aqueles factores por si só, ou em interacção uns com os outros, podem contribuir para o sucesso ou, pelo contrário, pôr em perigo a amamentação. Um comunicado conjunto da OMS/UNICEF (Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés) contempla 10 medidas importantes para o sucesso do aleitamento materno que deveriam ser implementadas nos serviços de saúde vocacionados para a assistência a grávidas e recém-nascidos, definindo objectivos e estratégias que, a serem cum- pridos, confeririam a esses mesmos serviços de saúde a categoria de “Hospital Amigo dos Bebés”. Em Portugal existe, constituída, uma Comissão Nacional Inicia- tiva Hospitais Amigos dos Bebés com sede na UNICEF. Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés (OMS/UNICEF) 1. Ter uma política de promoção do aleitamento materno, afi- xada, a transmitir regularmente a toda a equipa de cuida- dos de saúde. 2. Dar formação à equipa de cuidados de saúde para que implemente esta política. 3. Informar todas as grávidas sobre as vantagens e a prática do aleitamento materno.
  • 16. 15MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO 4. Ajudar as mães a iniciarem o aleitamento materno na pri- meira meia hora após o nascimento. 5. Mostrar às mães como amamentar e manter a lactação, mes- mo que tenham de ser separadas dos seus filhos temporaria- mente. 6. Não dar ao recém-nascido nenhum outro alimento ou líqui- do além do leite materno, a não ser que seja segundo indi- cação médica. 7. Praticar o alojamento conjunto: permitir que as mães e os bebés permaneçam juntos 24 horas por dia. 8. Dar de mamar sempre que o bebé queira. 9. Não dar tetinas ou chupetas às crianças amamentadas ao peito. 10. Encorajar a criação de grupos de apoio ao aleitamento ma- terno, encaminhando as mães para estes, após a alta do hospital ou da maternidade. Na sequência da actividade desenvolvida pela Comissão Na- cional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés, vários hospitais e maternidades portugueses têm-se candidatado a “Hospital Amigo dos Bebés”, estando actualmente em curso a avaliação das candida- turas. Manutenção da amamentação O 3.º ponto de viragem será o suporte da amamentação depois da alta da maternidade. Os primeiros quinze dias de vida do bebé, até que a lactação esteja bem estabelecida, são especialmente importantes. Durante este
  • 17. 16 Leonor Levy e Helena Bértolo período de tempo, a mãe deverá ser ajudada por alguém que a subs- titua nas tarefas caseiras, a fim de poder dedicar-se plenamente ao seu bebé e ter o apoio de profissionais de saúde competentes e dis- poníveis no centro de saúde, através de consulta telefónica ou mes- mo visita domiciliária, se necessário. Um ambiente calmo e caloroso, uma alimentação simples e cui- dada e algumas regras elementares sobre a prática do aleitamento materno serão uma ajuda preciosa para o seu sucesso. 5. Prática do Aleitamento Materno A duração da mamada não é importante, pois a maior parte dos bebés mamam 90% do que precisam em 4 minutos. Alguns bebés pro- longam mais as mamadas, por vezes até 30 minutos ou mais; o que in- teressa é perceber que o bebé está a obter leite da mama da mãe e não está a fazer da mama da mãe uma chupeta, pois isto pode macerar os mamilos, criar fissuras e levar a mãe a desistir da amamentação. Uma mãe pode perceber se o bebé está mesmo a mamar quan- do constata que a sucção é mais lenta do que com uma chupeta, quando verifica que o bebé enche as bochechas de leite ou, muitas vezes, quando ouve o bebé a engolir o leite. O horário não é o mais importante; o bebé deve ser alimentado quando tem fome – chama-se a isto o regime livre –, não se devendo impor ao bebé um regime rígido. Quando um bebé tem fome acorda para comer, e este alerta é importante para uma melhor ingestão de leite materno No entanto não se deve deixar o bebé dormir mais de 3 horas durante o primeiro mês de vida. Quando um bebé começa a mamar na mama da mãe, o primei- ro leite que obtém é mais rico em água e lactose, que é o açúcar do
  • 18. 17MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO leite; à medida que a mamada prossegue, o leite vai tendo cada vez mais gordura. O que é importante é que o bebé esvazie uma mama em cada mamada; o bebé deve primeiro esvaziar a primeira mama e se depois disso continuar com fome é que lhe é oferecida a segunda mama; chu- par e esvaziar a mama é o segredo para uma maior produção de leite. Não interessa pesar o bebé antes e depois de uma mamada, nem fazer análises ao leite, pois existe uma grande variabilidade do leite materno ao longo do dia, quer em qualidade, quer em quantidade. A pesagem do bebé nas consultas de saúde e uma boa progressão do seu peso garantem que o bebé está a ser bem alimentado. Todas as mães se preocupam muito com os alimentos que de- vem comer. Se na família houver casos de alergia, as mães não de- verão abusar do leite e dos seus derivados. Caso contrário, as mães deverão praticar uma dieta saudável e variada, evitando comer gran- des quantidades de qualquer alimento ou alimentos mais alergizantes ou que possam excitar o bebé. Porém, o que é mais importante é a ausência de stress, pois este é inimigo da lactação, dado que impede a ejecção do leite, que fica assim retido na mama. 6. Leite Materno e Ambiente Infelizmente, na actualidade o leite materno também contém outros componentes, consequência da industrialização. Estes produ- tos tóxicos, como por exemplo as dioxinas, existem no ar que respi- ramos e em alguns dos alimentos que ingerimos. Cerca dos 6 meses de idade, o bebé começa a comer outro tipo de alimentos para além do leite materno ou de um substituto deste
  • 19. 18 Leonor Levy e Helena Bértolo leite, até se integrar, por volta do ano de vida, no regime alimentar da família. Depois do desmame, os produtos de consumo diário – car- ne, peixe, leite e queijos gordos e gorduras animais, e ainda a fast- -food e os alimentos fabricados – são os principais fornecedores de dioxinas para a população em geral, não esquecendo o papel da po- luição. No entanto, os maiores especialistas mundiais nesta matéria consideram o leite materno como insubstituível, continuando a acon- selhar o aleitamento materno, não deixando de recomendar, no entanto, medidas tendentes a reduzir as dioxinas que o aleitamento materno pode transmitir. Existem numerosos artigos científicos acerca dos malefícios das dioxinas em toda a comunidade, nas gestantes e nos fetos. Os estudos publicados sobre esta matéria não contestam a pre- sença de dioxinas no leite materno, mas todos sustentam o papel importante do leite materno nas várias dimensões do desenvolvimento do bebé. Interessa difundir conselhos e propostas preventivos, tendentes à diminuição da transferência materna de dioxinas para a próxima geração, a qual pode ser evitada ou, pelo menos, diminuída através de diferentes medidas: a regulamentação para a descarga de dioxinas, uma redução do consumo de produtos animais e alimentos fabrica- dos, a substituição de gorduras animais por gorduras vegetais e a ingestão de leite e queijo magros em vez de gordos, em todas as ida- des, prática esta também recomendada para a prevenção da obesi- dade, cada vez mais prevalente na nossa sociedade, nomeadamente em crianças e adolescentes. Tais práticas levariam a uma menor acumulação de poluentes nas adolescentes, futuras mães, com uma menor passagem de dioxinas
  • 20. 19MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO durante e depois da gestação, aconselhando-se ainda que, durante o período de aleitamento materno, a mãe não tente perder peso. 7. Contra-indicações do Aleitamento Materno • Contra-indicações temporárias Existem certas situações em que as mães não devem amamen- tar os seus bebés, até essas mesmas situações estarem resolvidas; por exemplo, mães com algumas doenças infecciosas como a varicela, herpes com lesões mamárias, tuberculose não tratada ou ainda quan- do tenham de efectuar uma medicação imprescindível. Durante este período de tempo, os bebés devem ser alimentados com leite artifi- cial por copo ou colher, e a produção de leite materno deverá ser estimulada. • Contra-indicações definitivas As contra-indicações definitivas do aleitamento materno não são muito frequentes, mas existem. Trata-se de mães com doenças graves, crónicas ou debilitantes, mães infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH), mães que precisem de tomar me- dicamentos que são nocivos para os bebés e, ainda, bebés com do- enças metabólicas raras como a fenilcetonúria e a galactosemia.
  • 21. 20 Leonor Levy e Helena Bértolo 8. Como Funciona a Amamentação Observe o mamilo e a área de pele mais escura que o rodeia e que se chama aréola mamária. Na aréola encontram-se as pequenas glândulas chamadas glândulas de Montgomery que segregam um flui- do oleoso para manter a pele saudável. Dentro da mama estão os alvéolos que são pequeninos sacos feitos de células secretoras de leite. Há milhões de alvéolos – a fi- gura mostra apenas alguns deles. Uma hormona chamada prolactina faz com que estas células produzam leite. Em torno dos alvéolos há células musculares, as células mioepiteliais, que se contraem e expulsam o leite para fora dos alvé- olos. Uma hormona chamada ocitocina provoca a contracção dessas células musculares. Figura 1 - Anatomia da mama Pequenos tubos, ou ductos, levam o leite dos alvéolos para o exterior. Sob a aréola, os ductos tornam-se mais largos permitindo
  • 22. 21MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO mais estreitos à medida que passam através do mamilo. que ao sugar o bebé recolha o leite. Os ductos tornam-se outra vez Figura 2 - Prolactina Adaptado da OMS/UNICEF Os alvéolos e os ductos estão rodeados por tecido de sustenta- ção e por gordura. e fazem a maior parte da diferença entre uma mama grande e uma pequena. Tanto as mamas grandes como as pequenas contêm a mes- ma quantidade de tecido glandular e podem produzir uma grande quantidade de leite. A gordura e o tecido de sustentação é que dão a forma à mama Quando um bebé mama, impulsos sensoriais vão do mamilo para o cérebro. Em resposta, a parte anterior da hipófise na base do cé- rebro segrega prolactina. A prolactina vai através do sangue para a mama, fazendo com que as células secretoras produzam leite.
  • 23. 22 Leonor Levy e Helena Bértolo A maior parte da prolactina está no sangue cerca de 30 minu- tos após a mamada – o que faz com que a mama produza leite para a mamada SEGUINTE. Para esta mamada, o bebé toma o leite que já está na mama. Ou seja, quanto mais o bebé suga, mais leite é produzido. • Mais prolactina é produzida à noite; portanto, amamentar durante a noite é especialmente importante para manter a produção de leite. • A prolactina faz com que a mãe se sinta relaxada e algumas vezes sonolenta; logo, geralmente a mãe descansa bem, mes- mo amamentando durante a noite. • A prolactina suprime a ovulação; assim, a amamentação pode ajudar a adiar uma nova gestação, sobretudo se a amamentação for praticada também durante a noite. Figura 3 - Ocitocina Quando um bebé suga, impulsos sensoriais vão do mamilo para o cérebro. Em resposta, a parte posterior da hipófise na base do cérebro segrega uma hormona chamada ocitocina. Adaptado da OMS/UNICEF
  • 24. 23MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO A ocitocina vai através do sangue para a mama e produz a con- tracção das células musculares, ou células mioepiteliais, em torno dos alvéolos. Isto faz com que o leite colectado nos alvéolos flua através A ocitocina é produzida mais rapidamente que a prolactina. A ocitocina faz com que o leite que já está na mama flua para ESTA mamada. A ocitocina pode começar a actuar antes que o bebé su- gue, quando a mãe está preparada para amamentar. Se o reflexo da ocitocina não funciona bem, o bebé pode ter dificuldade em receber leite. Pode ter-se a impressão que as mamas deixaram de produzir leite. De facto as mamas continuam a produzir leite, mas este não flui. A ocitocina provoca a contracção do útero no pós-parto, o que ajuda a reduzir as perdas de sangue, para além de acelerar a involução uterina. Por vezes, nos primeiros dias aparecem dores uterinas, que po- dem ser bastante fortes, e também pequenas perdas de sangue. Figura 4 - Ocitocina Adaptado da OMS/UNICEF dos ductos até ao mamilo. Chama-se a isto reflexo da ocitocina ou reflexo de ejecção.
  • 25. 24 Leonor Levy e Helena Bértolo Como ajudar o reflexo da ocitocina: Sentimentos agradáveis como sentir-se contente com o seu bebé, ter prazer com o bebé, tocá-lo, olhar ou mesmo ouvir o bebé chorar podem ajudar o reflexo da ocitocina. A confiança na sua capacidade de amamentar e a convicção de que o seu leite é o melhor para o bebé também são importantes para ajudar o leite a fluir. O que pode dificultar ou bloquear o reflexo da ocitocina: Sentimentos desagradáveis como dor, preocupação, dúvidas se a mãe tem leite suficiente e, de um modo geral, o stress podem bloquear o reflexo e parar o fluxo de leite. Assim: • A mãe precisa de ter o seu bebé sempre junto a si, para que possa olhar para ele, tocá-lo e perceber as suas necessidades. Esta prática ajuda o seu corpo a preparar-se para a amamenta- ção e ajuda o leite a fluir. • Se uma mãe está separada do bebé entre as mamadas, o re- flexo da ocitocina pode não funcionar facilmente. • É preciso ter empatia para com os sentimentos da mãe que está a amamentar. • É importante fazê-la sentir-se bem e aumentar a sua confian- ça na sua capacidade de amamentar o bebé, ajudando assim o seu leite a fluir.
  • 26. 25MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO A produção do leite materno é também controlada dentro da própria mama. Existe uma substância no leite materno que pode diminuir ou inibir a produção de leite. Se muito leite é deixado na mama, o fac- tor inibidor faz com que as células deixem de produzir leite. Isto aju- da a proteger a mama dos efeitos desagradáveis de uma produção de leite exagerada. A inibição da produção de leite é, obviamente, necessária se o bebé morre ou pára de mamar por alguma razão. Se o leite materno é removido, o factor inibidor também é re- movido. Então a mama produz mais leite. Assim: • Se um bebé pára de mamar numa das mamas, essa mama deixa de produzir leite. • Se o bebé mama mais de uma mama, essa mama produz mais leite e torna-se maior que a outra. • Para uma mama continuar a produzir leite, o leite deve ser removido. Figura 5 - Factor inibidor Adaptado da OMS/UNICEF
  • 27. 26 Leonor Levy e Helena Bértolo • Se um bebé não pode mamar de uma ou das duas mamas, o leite deve ser removido por expressão, manual ou com bom- ba, para permitir que a produção continue. Figura 6 - Reflexos do bebé Existem três principais reflexos do bebé relacionados com a amamentação: o reflexo de busca e preensão, o de sucção e o de deglutição. ele abre a boca e pode virar a cabeça à procura daquilo que lhe to- cou. O bebé põe a língua para baixo e para fora. Este é o reflexo de busca e preensão. Quando alguma coisa toca o palato do bebé, ele começa a sugar e, tecem automaticamente, sem que o bebé tenha de os aprender. aprender. Adaptado da OMS/UNICEF quando a sua boca se enche de leite, ele deglute. São reflexos que acon- Existem, porém, algumas coisas que a mãe e o bebé têm de Quando alguma coisa toca nos lábios ou nas bochechas do bebé,
  • 28. 27MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Uma mãe tem de aprender como segurar a sua mama e posicionar o bebé, para que ele pegue bem na mama. O bebé tem de aprender como pegar na mama para ter uma sucção eficaz. Note, no desenho, como o bebé se aproxima da mama. Ele apro- xima-se da mama por debaixo do mamilo. Isto ajuda a uma boa adap- tação ou pega entre a sua boca e a mama da mãe porque: • O mamilo está posicionado para o palato do bebé, podendo assim estimular o reflexo de sucção. • O lábio do bebé está posicionado para debaixo do mamilo, de Figura 7 - Adaptação entre mãe e bebé (pega) Bebé A • A boca do bebé apanha a maior parte da aréola e dos tecidos Adaptado da OMS/UNICEF modo a colocar a língua por baixo dos canais galactóforos. que estão sob ela, incluindo os canais galactóforos.
  • 29. 28 Leonor Levy e Helena Bértolo • O bebé estica o tecido da mama para fora, para formar um longo bico. • O mamilo constitui apenas um terço do bico. • O bebé mama na aréola e não no mamilo. O bebé A está bem adaptado à mama de mãe (boa pega). Bebé B • A boca do bebé não apanha a maior parte da aréola e dos incluídos nesses tecidos. • O bebé não consegue esticar o tecido da mama para fora a fim de formar um longo bico. • O mamilo constitui a totalidade do bico. • O bebé mama apenas no mamilo. O bebé B não está bem adaptado à mama de mãe (má pega). Figura 8 - Adaptação entre mãe e bebé (pega) Adaptado da OMS/UNICEF tecidos que estão sob ela, e os canais galactóforos não estão
  • 30. 29MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Bebé A: • O queixo do bebé toca a mama. • A boca do bebé está bem aberta. • O seu lábio inferior está virado para fora. • Pode-se ver mais aréola acima do que abaixo da boca do bebé. com a sua língua, o que ajuda a expressão do leite. O bebé A está bem adaptado à mama da mãe (boa pega). Bebé B: • O queixo do bebé não toca na mama. • A boca do bebé não está bem aberta. • O seu lábio inferior não está virado para fora. • Pode-se ver a mesma quantidade de aréola acima e abaixo da boca do bebé. com a sua língua, o que dificulta a expressão do leite. O bebé B não está bem adaptado à mama da mãe (má pega). 9. Como Ultrapassar Pequenas Dificuldades ·····Dificuldades precoces Nas primeiras semanas de amamentação podem surgir algumas dificuldades, principalmente para as mães que estão a amamentar pela primeira vez. • Isto mostra que o bebé está atingindo os canais galactóforos • Isto mostra que o bebé não está a atingir os canais galactóforos
  • 31. 30 Leonor Levy e Helena Bértolo Logo após o nascimento do bebé (por vezes ainda durante a fase final da gravidez), surge o primeiro leite chamado colostro – um líquido branco transparente ou amarelo, que se mantém durante 2 a 3 dias e que é muito importante para proteger o bebé de infecções e para o ajudar a evacuar. ❖❖❖❖❖ MAMAS MUITO CHEIAS E DOLOROSAS (INGURGITADAS) ficar quentes, mais pesadas e duras, devido ao aumento de leite e à quantidade de sangue e de fluidos nos tecidos da mama. A mãe pode ter um ligeiro aumento da temperatura corporal que não ultrapassa, em regra, os 38º C, durante 24 horas. Habitualmente, o leite sai com facilidade e a mãe continua a dar de mamar sem dificuldade. Pode dar de mamar com frequência para retirar o leite, ou retirá-lo manualmente ou com bomba. Depois de alguns dias, sentirá as mamas vazias e confortáveis. Algumas vezes, especialmente se o leite não é retirado em quantidade suficiente, as mamas podem ficar ingurgitadas. Nesta situação as mamas ficam tensas, brilhantes e dolorosas, e pode ser difícil retirar o leite. A aréola está tensa e é difícil para o bebé agarrar uma quantidade suficiente da mama para poder sugar. A mãe pode amamentar menos porque tem dor. A produção de leite diminui porque a criança mama durante pouco tempo, de modo não eficaz, e o leite não é retirado. A mama pode ficar infectada porque o leite não é drenado e, especialmente, se a mãe tem fissuras nos mamilos. Quando o leite “desce”, por volta do 2.º-3.º dias, as mamas podem
  • 32. 31MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Para prevenir o ingurgitamento – As mães devem dar de mamar em horário livre (sempre que o bebé quiser). – Colocar a criança a mamar em posição correcta e verificar os sinais de boa pega. Para tratar o ingurgitamento – Retirar o leite da mama, colocando o bebé a mamar, se possível, ou com expressão manual ou bomba (lavar as mãos cuidadosamente antes de tocar nas mamas). – Quando conseguir retirar um pouco de leite, a mama fica mais macia e o bebé poderá sugar mais eficazmente. – Se o bebé não consegue mamar, a mãe deve retirar o leite para um copo (manualmente ou com bomba) e dá-lo ao be- bé. – Deve continuar a retirar com a frequência necessária para que as mamas fiquem mais confortáveis e até que o ingurgita- mento desapareça. A mãe consegue retirar o leite mais facilmente se estimular o reflexo de ocitocina (ver Figura 4); este funciona melhor se: – Estiver descontraída e com o bebé por perto; – Passar com o chuveiro ou com água quente (parches); – Beber uma bebida morna (não café, chá preto ou cacau); – Massajar levemente com a ponta dos dedos ou com a mão fechada na direcção dos mamilos.
  • 33. 32 Leonor Levy e Helena Bértolo Se as mamas apresentarem edema (inchaço), pode aplicar água fria ou gelo, depois de retirar o leite. Como extrair o leite manualmente: Lave as mãos antes de iniciar a extracção; Sente-se confortavelmente, coloque o polegar sobre a parte superior da aréola e o indicador sob a aréola mamária e pressione em direcção ao tórax (costelas); não deve deslizar os dedos para não magoar; Pressione e solte de seguida, não deve sentir dor; se sentir, é porque não está a aplicar a técnica correctamente; O leite deve começar a sair, primeiro em pequena quantidade e depois em maior quantidade; Rode os dedos para massajar todos os locais; Faça a expressão do leite até sentir a mama flácida (mole) (ver Figura 9). ❖ BLOQUEIO DOS DUCTOS No mamilo abrem-se cerca de 10 a 20 canais que drenam o lei- te. Pode acontecer que alguns destes canais fiquem obstruídos, pos- sivelmente por leite espesso. A mulher que amamenta pode sentir um nódulo (inchaço) doloroso numa parte da mama, e o local ficar avermelhado. A mulher não tem febre e sente-se bem. Esta situação tem como causas prováveis o uso de roupas apertadas (soutien), uma pancada na mama, ou porque a criança não suga daquela parte da mama.
  • 34. 33MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Para tratar o ducto bloqueado – Para resolver esta situação, a mãe deve amamentar em diferentes posições de modo a esvaziar todas as partes da mama (por exemplo, colocando o corpo do bebé debaixo do braço). – Pode ainda fazer uma leve pressão, com os dedos, no sentido do mamilo para ajudar a esvaziar aquela parte da mama. Adaptado da OMS/UNICEF Figura 9 - Extracção manual
  • 35. 34 Leonor Levy e Helena Bértolo – A mãe deve usar roupas largas e um soutien que apoie, mas não comprima. ❖ MASTITE Se o ducto (canal) bloqueado não drenar o leite, ou no caso de ingurgitamento mamário grave, o tecido mamário pode infectar. Neste caso, parte da mama fica avermelhada, quente, com tumefacção (inchada) e dolorosa. A mulher tem febre, normalmente elevada, e sente grande mal-estar – estamos em presença de mastite, pelo que deve consultar o seu médico. Para tratar a mastite O médico assistente indicará quais os medicamentos que a mãe deve tomar. Entretanto, é fundamental que: – A mãe repouse; – Retire o leite manualmente, ou com bomba; – Possa continuar a amamentar do lado não afectado. A situação melhora, habitualmente em um ou dois dias. ❖ MAMILOS DOLOROSOS E/OU COM FISSURAS (GRETADOS) A causa mais comum de dor nos mamilos é uma má adaptação do bebé à mama materna (pega incorrecta). Por vezes a pele do mamilo parece completamente normal, outras vezes nota-se uma fissura na extremidade ou na base do mamilo.
  • 36. 35MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO A amamentação é dolorosa, podendo levar a mãe a amamentar durante menos tempo e/ou com menor frequência. A criança que suga só o mamilo não consegue retirar leite suficiente, ficando frustrada. O leite não é retirado com eficácia, o que poderá levar a diminuição da produção de leite. Para prevenir dor/fissuras nos mamilos – Coloque a criança numa posição correcta (cabeça em linha recta com o corpo, face de frente para o mamilo); – Verifique sinais de boa pega do bebé (ver Figura 8); – Não deve lavar os mamilos com sabão, devem ser lavados unicamente uma vez ao dia; – Não deve interromper a mamada, o bebé deve deixar a mama espontaneamente; – Se a mãe tiver de interromper, deve colocar um dedo, sua- vemente, na boca do bebé de modo a interromper a sucção. Mamilos com fissuras (gretas) Muitas vezes, a criança continua a mamar em má posição durante alguns dias, o que pode causar lesão do mamilo. O mamilo pode ficar com fissuras, o que pode favorecer a entrada de “micróbios” e causar infecção – mastite. Para tratar os mamilos dolorosos e/ou com fissuras Na maior parte das vezes, a dor desaparece logo que a pega do bebé é corrigida.
  • 37. 36 Leonor Levy e Helena Bértolo – Pode iniciar a amamentação pelo mamilo não doloroso; – Deve aplicar uma gota de leite no mamilo e aréola, após o banho e após cada mamada – isto facilita a cicatrização; – A mãe deve expor os mamilos ao ar e ao sol, sempre que possível, no intervalo das mamadas. Se a dor é tão intensa que mesmo melhorando a pega do bebé não desaparece, a mãe pode retirar o leite e dar ao bebé com copo ou colher, até que o mamilo melhore ou cicatrize. Mamilos planos e invertidos Algumas mães pensam que os seus mamilos são muito pequenos para amamentar, mas o tamanho dos mamilos em “repouso” não é importante, dado que o mamilo é só 1/3 da porção da mama que o bebé deve introduzir na boca para sugar plenamente. O mamilo fica mais saliente nas últimas semanas de gravi- dez e/ou logo após o parto, pelo que não é necessário fazer qual- quer manobra ou usar qualquer método durante a gravidez. Para além deste aspecto, a mãe pode tentar rodar o mamilo entre os dedos de modo a ficar mais saliente. A utilização de moldes de mamilos durante a gravidez é desaconselhada, dado que não é evidente que ajudem a melhorar o formato do mamilo e podem lesá-lo. O que é importante é que a mãe coloque o bebé ao peito logo após o nascimento (durante a primeira hora); evite o uso de tetinas e de chupetas, para evitar que o bebé tenha maior dificuldade em pegar. Pode deixar o bebé pegar do modo que ele quer, ter contacto pele a pele com o bebé e tentar em várias posições.
  • 38. 37MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Se a mama está muito cheia, o mamilo fica menos saliente, pelo que é favorável retirar uma porção de leite antes de colocar o bebé ao peito. A mãe pode ainda tentar espremer um pouco de leite para a boca do bebé; normalmente, após provar o leite, ele fica mais motivado para mamar. Pode também tentar que o mamilo fique mais saliente, utilizando uma bomba ou uma seringa de 20 ml (ver Figura 10), várias vezes ao dia durante 30-60 segundos, e sempre antes de ir amamentar. Se a mãe continua com dificuldades, após tentar estas técnicas, pode pedir ajuda a um profissional de saúde ou a alguém com experiência em amamentação. Adaptado da OMS/UNICEF Figura 10 - Extracção do leite Corte uma seringa de 10 ou 20 ml Coloque o êmbolo ao contrário Puxe suavemente o êmbolo para que o mamilo fique mais saliente
  • 39. 38 Leonor Levy e Helena Bértolo ····· Dificuldades tardias ❖❖❖❖❖ POUCO LEITE/CHORO DO BEBÉ Algumas mães pensam que o seu leite é insuficiente porque: – O bebé chora mais do que o habitual; – Quer sugar mais frequentemente; – Demora muito a mamar; – Adormece a mamar. Muitas vezes, as mães têm bastante leite, mas falta confiança de que o seu leite é suficiente. Todas as mulheres possuem um número semelhante de células produtoras de leite, independentemente do tamanho das mamas. Por vezes as mães tentam amamentar a criança em horário bem determinado (rígido); deixam a criança esperar muito tempo para ma- mar; trocam de mama, quando o bebé não esvaziou totalmente a pri- meira (a criança não ingere quantidade suficiente da gordura que está no final da mamada e fica insatisfeito). O que fazer? – A mãe deve amamentar sempre que o bebé tenha fome (em horário livre); – O bebé deve esvaziar uma mama até ao fim (até que ele pare espontaneamente), só depois a mãe deve oferecer a outra; na mamada seguinte deve alternar; – Acordar o bebé e não o deixar muito agasalhado, dado que isso favorece o adormecimento.
  • 40. 39MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Se quer aumentar a produção de leite: – A mãe pode amamentar com mais frequência durante alguns dias; – Amamentar também de noite (a libertação de prolactina é superior durante a noite); – Retirar o leite, sempre que não esteja com o bebé. Se a criança está a aumentar de peso, está decerto a alimentar- -se em quantidade suficiente. ❖ VOLTAR AO TRABALHO Voltar a trabalhar é, na maior parte das vezes, motivo de algu- ma ansiedade e preocupação. No entanto, a legislação apoia o alei- tamento materno, mas as situações variam de mãe para mãe: – O emprego da mãe pode ser próximo do domicílio; – Talvez seja possível levar a criança para uma ama ou creche perto ou no local de trabalho; – Alguém poderá levar a criança para mamar enquanto a mãe trabalha; – Se estas hipóteses não forem viáveis, a mãe pode retirar o leite antes de sair de casa e deixá-lo para ser dado ao bebé; – No local de trabalho, deve retirar com a frequência com que o bebé mamaria; – Amamente sempre que estiver em casa, à noite, logo pela manhã, e sempre que possível.
  • 41. 40 Leonor Levy e Helena Bértolo Como deve conservar o leite: Existem sacos de plástico esterilizados para o efeito. Pode ainda guardar em biberão esterilizado. Validade: – 48 horas no frigorífico. – No congelador até 3 meses, mas de acordo com as instruções, por exemplo: nos frigoríficos que têm duas estrelas (**), o leite materno pode permanecer durante 2 meses.
  • 42. 41MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Para mais informações, queira contactar: Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés Av. Ant. Aug. Aguiar, 56 - 3º Esq. 1069-115 Lisboa Tel: 213 177 500 Fax: 213 547 913 E-mail: hab@unicef.pt www.unicef.pt Outros contactos úteis: Alto Comissariado da Saúde amamentar@ensp.unl.pt www.amamentar.net Mama Mater – Associação de Aleitamento Materno de Portugal Tel: 214 532 019 www.mamamater.pt SOS Amamentação Tel: 213 880 915 www.sosamamentacao.org
  • 43. 42 Leonor Levy e Helena Bértolo
  • 44. 43MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO FICHA DE AVALIAÇÃO Por favor faça uma cruz em cima da resposta que melhor se adapta ao seu caso e envie a folha do questionário para o Comité Muito Bastante Médio Pouco Nada · Achou fácil a linguagem utilizada neste Manual de Aleitamento Materno? Muito Bastante Médio Pouco Nada · Os conselhos deste Manual de Aleitamento Materno correspondem às suas dificuldades? Muito Bastante Médio Pouco Nada · Este Manual de Aleitamento Materno influenciou a sua decisão de amamentar o seu bebé? Muito Bastante Médio Pouco Nada · Este Manual de Aleitamento Materno ajudou-a no estabelecimento da lactação? Muito Bastante Médio Pouco Nada · Este Manual de Aleitamento Materno conseguiu tranquilizá-la sobre a prática do aleitamento materno? Muito Bastante Médio Pouco Nada 3.º Esq, 1069-115 Lisboa. ✄ · Este Manual de Aleitamento Materno foi útil? Português para a UNICEF, Av. António Augusto de Aguiar, n.º 56,
  • 45. MANUAL DE ALEITAMENTO MATERNO Ministério da Saúde Direcção-Geral da Saúde Comité Português para a UNICEF – Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés Edição financiada por Apoios P O R T U G A L