Caracterização de 69acessos ou linhagens de Feijão-nhemba (Vigna unguiculata L.)
Direcção Científica e Pedagógica
Faculdade de Ciências Agrárias
Delegação de Nampula
Caracterização de 69 acessos de Feijão nhemba (Vigna unguiculata L.)
Autor:
Lordino Fernando Nicumane
Supervisor:
Engº (MSc) Monteiro Arlindo Impia
Co-supervisor:
Engº (MSc) Henriques V. Colial, Enga
Salva, Engº Diocleciano
Nampula, Março de 2021
CAPITULO I: INTRODUÇÃO
1.1.Generalidade
O feijão-nhemba (Vigna unguiculata L.), é original da região central e oeste da África sendo
uma das leguminosas melhor adaptadas às regiões secas dos trópicos que cobrem parte da
África, Ásia e Américas. É uma planta rústica, de ampla variabilidade genética, com grãos
ricos em proteína, minerais e fibras,constituindo-se em componente alimentar básico em
regiões áridas e semiáridas (Singh et al., 2002).
Ele é uma excelente fonte de proteínas 25% do peso seco em média e apresenta alguns
aminoácidos essenciais como a lisina, carbohidratos (62% em média), vitaminas eminerais,
além de possuir grande quantidade de fibras dietéticas, baixa quantidade de gordura, teor de
óleo de 2%, em média. É uma cultura bastante importante nas regiões tropicais e subtropicais
da África Subsaariana, onde é cultivada para a obtenção de folhas, grão fresco e seco para a
alimentação humana (Ehlers e Hall, 1997).
Em Moçambique, o feijão nhemba é uma cultura bastante importante. É cultivado em todo o
país pelo sector familiar para a obtenção de grão seco, vagem fresca e folhas para a
alimentação humana e venda.
Segundo Heemskerk et al, (1985), o nhemba é uma leguminosa que desempenha um papel
importante na composição da produção agrícola Moçambicana. Constitui alimento básico
para a população, exercendo a função social de suprir as necessidades alimentares das
populações mais carentes. É também uma fonte de rendimento, no meio rural,onde os
camponeses consomem e comercializam as folhas e o grão.
Singh, (1995) apesar de ser uma cultura bastante importante, a produção e produtividade da
cultura são afectados por uma vasta gama de factores que incluem os bióticos e os abióticos.
2
4.
1.1.1 Problematização
O feijãonhemba é cultivado tanto em pequena, assim como em grande escala, para a
obtenção de sementes, vagens e grãos destinadas ao consumo humano (CLUSA, 2005).
Moçambique tem um grande potencial produtivo, porém, a produtividade é baixa. Tal facto
deve se a diversos factores que afectam a produção desta leguminosa dando menção ao fraco
uso de tecnologias adequadas principalmente o uso de variedades melhoradas, sementes de
boa qualidade e uma óptima gestão da cultura por área.
Considerando que em Moçambique a produção de feijão nhemba é feita em condições de
sequeiro e com a consequente variabilidade na precipitação o que afecta na produção,
preocupa os produtores do sector familiar. O baixo rendimento, devido a falta de aplicação
de insumos como fertilizantes e pesticidas, também, faz com que a cultura torne se
susceptível a factores bióticos, como o percevejo, afídios, nematodes de galha e incidência de
doenças como o mosaico dos afídios, podridão do caule e vassoura da bruxa. Desta forma,
surgem portanto a seguinte questão:
Até que ponto os acessos de feijão nhemba poderão contribuir para o aumento da
produtividade e assegurar o sustento das famílias Moçambicana?
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5.
1.1.2. Justificativa
O feijãonhemba constitui a base alimentar de muitas populações rurais moçambicana,
devido ao seu elevado valor nutritivo tendo valor expressivo economicamente na agricultura
deste país e é considerado como uma importante fonte alimentar para regiões tropicais e
subtropicais do mundo. Portanto, o feijão nhemba tem uma grande importância, tanto como
alimento assim como gerador de emprego e rendabilidade. Diante ao aumento populacional e
olhando pela importância do feijão nhemba como fonte de alimentação básica de várias
populações, a introdução de caracterização de 69 acessos poderá contribuir na melhoria e
no aumento da produtividade garantindo assim a disponibilidade de alimentos e assegurar a
dieta das famílias. O presente estudo pretende avaliar os 69 acessos do feijão nhemba que
possam contribuir positivamente no aumento do rendimento da cultura a nível do sector
familiar quanto das instituições praticantes desta leguminosa.
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6.
1.1.3. Objectivos:
1.1.4 Geral:
Avaliar os 69 acessos de feijão nhemba (Vigna unguiculata L.)
1.1.5 Específicos:
Caracterizar as componentes de rendimento (comprimento de vagem, peso de 100
sementes, número de sementes por vagens e peso de vagens 100 grão) de feijão
nhemba.
Determinar as componentes do crescimento (altura de plantas peso da biomassa
fresca e seca).
Descrever os 69 acessos de feijão nhemba
1.1.6 Hipóteses
1.1.6.1.Nula (H0)
Dos 69 acessos de feijão nhemba testadas não mostraram diferenças significativas;
1.1.6.2. Alternativa (H1)
Pelo menos um, dos 69 acessos do feijão nhemba testadas mostraram diferenças
significativas.
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7.
CAPITULO II: REVISÃOBIBLIOGRAFICA
2.1 Cultura de feijão nhemba
Lopes et al., (2001) o feijão nhemba (Vigna unguiculata L.) é uma leguminosa pertencente a
família das fabaceas, rica em proteínas, tolerante a seca e, dada a sua capacidade de fixação
de azoto, pode ser cultivada em solos pobres, melhorando-os. Este, é utilizado na
alimentação humana e animal, e constitui um dos alimentos básicos da alimentação da
população rural e urbana em Moçambique (Fery et al., 2000).
Segundo dados da FAO estima-se que 8 dos 12,5 milhões de hectares no mundo destinados
ao cultivo do feijão nhemba pertençam ao continente africano de modo que esta cultura deve
merecer especial atenção no que concerne ao seu melhoramento em termos agronómicos,
genéticos e de produtividade.
Freire Filho et al., (2005; 2011) o feijão nhemba é uma espécie autógama, herbácea e anual,
considerada rústica e de alto potencial produtivo, características estas que conferem grande
valor à cultura. Suas folhas são trifoliadas com estípulas na base do pecíolo, com os dois
folíolos laterais oblíquos em relação ao central. Suas inflorescências são do tipo racemo
modificado contendo de seis a oito pares de gemas florais que são dispostas alternadamente e
são formadas a partir do eixo centra.
2.2.1. Importância de feijão nhemba
Quin (1997) a cultura de feijão nhemba é de maior importância para a sobrevivência de
milhões de populações pobres, nos países tropicais em via de desenvolvimento,
particularmente na Ásia e África.
Segundo Fatokun et al. (2001), o feijão nemba é uma leguminosa de grande importância
para a alimentação humana e uma componente essencial para sistema de consociação nas
regiões mais secas e áreas marginais dos trópicos e subtópicos, partes que cobrem da Ásia e
Oceânia, o Oriente médio, sul da Europa, África, Sul de EUA, e América do sul. É
importante na África com mais de 9,3 milhões de hectares e 2.9 milhões de toneladas de
produção anual. Possui aproximadamente 25% de proteínas em seus grãos, feijão nhemba é
uma fonte importante de nutrição de qualidade para a população pobre urbana e rural que não
pode dispor carnes e produtos de leite.
O feijão nhemba, é uma das leguminosas mais produzidas no país e no mundo em geral
devido a várias e inúmeras utilizações, como alimento e forragens. É excelente fonte de
proteínas, pois apresenta todos os aminoácidos essenciais, carbohidratos, vitaminas e sais
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8.
minerais, é importantetambém na dieta alimentar e constitui igualmente como fonte de
rendimento para o sector familiar. Este é considerado como a principal fonte de proteínas,
para as populações pobres de muitos países tropicais. Do nhemba aproveita-se as folhas,
vagens verdes e grão seco, usa-se para alimentação do gado, pode igualmente ser usado como
adubo orgânico (Quin, 1997 e Fatokun et al 2001).
2.2.2 Produção e comercialização da cultura de feijão nhemba
Segundo singh et al. (1997) a produção mundial estima-se 12.5 milhões de hectares da
cultivada, com uma produção de 3 milhões de toneladas (ton). As estatísticas exactas ainda
não estão disponíveis, contudo, há tendências de um aumento da área cultivada assim como a
sua produção desde 1997.
O feijão nhemba não é uma das leguminosas de grão quaisquer, mas sim um pequeno feijão
que possui enormes atributos notáveis na nutrição humana, animal e fertilidade do solo.
Apesar de ser um alimento principal de milhões de pessoas, a sua colheita é modesta, e não
tem o perfil global que merece. Hoje o nhemba esta cultivado em mais de 10.1 milhões de ha
a nível do mundo. Africa produz quase 5.2 milhões de toneladas do total global de 5.4
milhões de toneladas desta cultura em grão seco. A Nigéria é o maior produtor mundial,
gerando 58% do rendimento mundial (IITA, 2010).
Embora nativo para a Africa Ocidental, o nhemba tornou-se uma parte da dieta de cerca de
110 milhões de pessoas no sul da Africa, a Asia Oriental e América Latina. (Ogbuinya,
1997). O continente africano é o principal produtor de feijão nhemba que responde por
aproximadamente 87% o total da área semeada e a Nigéria é o maior produtor que responde
por 45% do total, seguido o Brasil com 17% (Gomez, 1999).
De acordo com MINAG (2008), a área total ocupada pelo feijão nhemba em Moçambique é
de cerca de 211,332 hectares com uma produção media de 293 kg/há.
Os rendimentos globais de grão de feijão nhemba nos sistemas tradicionais presentes são
baixos (0-300 kg/ha). (Singh. al,. 1997 e Ajeigbe, et al,. 2008).
O feijão nhemba cresce em solos bem drenados, altamente acido para neutro, mas é menos
adaptado a solos alcalinos. O nhemba não tolera solos alagados ou condições inundadas.
Rendimentos de feijão nhemba continuam baixos devido a pragas, doenças e não
disponibilidade de variedades melhoradas.
7
9.
2.2.3 Classificação botânica
2..2.3.1Classificaçãotaxonómica
Segundo Filho et al (2005), diz que o feijão nhemba pode ser classificado taxonomicamente
da seguinte forma:
Reino: Plantae;
Divisão: Magnoliophyta;
Classe: Magnoliopsida;
Ordem: Fabales;
Família: Fabaceae;
Subfamília: Faboideae;
Tribo: Phaseoleae,
Género:Vigna;
Espécie:Vigna unguiculata (L.) Walp.
2.3.1 Classificação morfológica
De forma geral, o feijão nhemba apresenta as seguintes características:
2.3.2 Raiz
O feijão nhemba é formado por uma raiz principal da qual desenvolvem se, lateralmente,
raízes secundárias, terciárias, entre outras. Concentra-se na base do caule, quase na superfície
do solo e as raízes laterais apresentam nódulos colonizados por bactérias fixadoras de
nitrogênio (Silva, 2011).
2.3.3 Caule
O caule do feijão nhemba é do tipo haste constiituido por eixo principal formado por
sucessivos ramos (nos), varia de acordo com a variedade. A altura de feijão nhemba depende
8
10.
das condições ambientais(precipitação, fotoperiodo, humidade, estrutura do solo e da
variedade) podendo assim variar de 20 a 150 cm de altura (Heemskerk, 1985).
2.3.4 Folhas
Torres & Berru, (2010) as folhas primárias ou embrionárias são unifoliadas e crescem de
formas opostas e as folhas verdadeiras são trifoliadas. A forma dos folhetos pode ser linear,
lanceolada ou oval. A orientação das folhas é plana em variedades cultivadas e erectas em
variedades selvagens. A área foliar aumenta com a idade da planta. O número de folhas
produzidas por cada planta é alto, portanto o feijão nhemba pode ser usado como forragem
ou adubo verde. Na fase de frutificação as folhas caem, este processo é acentuado quando há
um déficit hídrico.
2.3.5 Flores
O primeiro caule floral que se origina na axila, entre as folhas e o caule, desenvolve se na
parte média das plantas; a partir disso, a floração progride para cima e para baixo. As flores
são dadas em pequenos grupos, dependendo da variedade, são: brancas, brancas com
manchas roxas, roxas ou amarelas. Eles têm 5 pétalas que recebem nomes específicos, uma
faixa, duas asas e duas pétalas soldadas que formam a quilha. As flores são hermafroditas e
autógamas. Porém, há 5% de polinização cruzada, principalmente por insetos (Torres
&Berru, 2010).
2.4 Frutos
É uma vagem linear ou dobrada que atinge um tamanho de 10 a 25 cm de comprimento e de
1,5 a 3,2 cm de diâmetro. Contém 6 a 21 grãos por vagem. As vagens podem ser verdes ou
têm manchas e folhetos roxos ou avermelhados. Os folhetos são anexados ao pedúnculo
formando ângulos de 30 a 90º; Eles estão eretos ou pendurados, dependendo do ângulo que
eles formam. Devido à sua forma, as vagens podem ser rectas ou apresentar um certo grau de
curvatura. Geralmente em cada haste floral apenas 2 ou 3 flores se tornam vagens e o tempo
que as sementes se desenvolvem nas vagens é de 20 a 25 dias.
2.4.1Inflorescência
A inflorescência do feijão nhemba é formada a partir de um eixo central, que consiste de um
racimo (o pedicelo da flor se encere em diversos níveis no eixo comum) modificando, com
seis a oito pares de gema florais; pode ser simples, com apenas uma inflorescência, ou
composta, com mais de uma inflorescência (EMBRAPA, 2007).
9
11.
2.4.2 Sementes
Torres &Berru (2010) sua textura é suave, áspera ou rústica). A cobertura ou a casca, os
cotilédones, o embrião e o hilo da semente. Difere quanto a cor podem ser: creme, marrom
avermelhado, preto e em algumas variedades apresentam pequenos pontos de tamanho
diferente; e na forma de aparência redonda, oval e quadrada. O tamanho é determinado pelo
peso de 100 sementes. O hilo é branco cercado por um anel escuro (IIAM, 2004).
2.4.3 Ciclo da cultura
De acordo com Freire Filho et al, 2005, em condições tropicais, as variedades são
consideradas de ciclo superprecoce, quando a maturidade é alcançada até 60 dias após a
semeadura; de ciclo precoce, entre 61 e 70 dias, médio, de 71 a 90 dias; de ciclo médio-
precoce, a maturidade é alcançada entre 71 e 80 dias; ciclo médio-tardio, 81 a 90 dias; e o
ciclo tardio, a maturidade é alcançado a partir de 91 dias após a sementeira
2.4.4 Habito de crescimento
Segundo Freire Filho et al (2005) hábito de crescimento é classificado em: erecto, semi-
recto, semi-prostrado e prostrado, com o número de nós e de ramificações variaveis.
2.5 Exigências agro-climáticas do feijão nhemba
O nhemba é uma cultura menos exigente quanto as caracteristicas agro-climaticas do local
decultivo, por vezes cultivado em solos acidos ou menpos menos fertis, solos pesados muito
fertis pode-se dar um excesso de crescimento vegetativo, sensivel ao alagamento e
salinidade, conduzido ao baixo rendimento do grão. Dentre os elementos climaticos que
afectam o desenvolvimento e produção desta a temperatura e precipitação ganham maior
importancia. As caracteristicas fisico-quimicas do solo tambem influênciam no
desenvolviemento do feijoeiro e dem ser levadas em consideração para o planeamento do
cultivo.
2.5.1 Solo
O feijão nhemba não se desenvolve satisfatoriamente em solos mal drenados, devido à
permanência do excesso de água no solo, que proporciona ambiente anaeróbico. Logo, deve-
se dar preferência a solos de textura franco-arenosa a franco-argilosa, bem drenados e de
fertilidade natural. O solo mais conveniente é o ligeiramente ácido com um pH que pode
variar entre 5,8 e 6, 8 (o pH é uma medida da acidez ou da alcalinidade do solo).
Áreas anteriormente cultivadas com a cultura e que apresentem incidência de doenças
causadas por fungos do solo devem ser evitadas e utilizadas com outra cultura (rotação).
10
12.
Deve-se também darpreferência a terrenos planos ou pouco declivosos, pois o feijão nhemba
como a maioria das culturas anuais, contribui bastante para a erosão do solo. Pode-se
produzir o feijão em solos de baixa fertilidade, com aplicação de insumos como os
fertilizantes químicos ou orgânicos.
2.5.2 Clima
O feijão nhemba é uma cultura que não se desenvolve quando a temperatura média do ar fica
na faixa de 18°C a 34°C. Altas temperaturas inibem o crescimento das plantas do feijão
nhemba, prejudica a polinização, provoca abortamento de flores, vingamento e retenção final
de vagens. Além de contribuir para a ocorrência de doenças.
Pena (2015) em Moçambique, a principal causa da variação da produtividade de grãos do
feijão nhemba em condições de sequeiro esta associada a disponibilidade hídrica no solo,
devido principalmente a ma distribuição das chuvas, que limitam o crescimento e o
desenvolvimento o feijão.
2.5.3 Fotoperíodo
Um dos factores que exerce influência no crescimento e desenvolvimento do feijão nhemba é
o fotoperíodo. Existem cultivares de feijão nhemba sensíveis e outras insensíveis ao
fotoperíodo, cujo crescimento vegetativo, arquitectura da planta e desenvolvimento
reprodutivo são principalmente determinados pela interacção de genótipos com a duração do
dia e temperaturas do ar ( Steele & Mehra 1980).
Na óptica de Craufurd et al (1996b) Quando genótipos ou cultivares são insensíveis ao
fotoperíodo crítico, o crescimento e desenvolvimento da cultura são funções apenas da
temperatura do ar. As variedades de feijão nhemba sensíveis ao fotoperíodo são consideradas
plantas de dias curtos, as quais têm o seu florescimento atrasado quando o fotoperíodo é
maior que o fotoperíodo crítico (Hadley et al., 1983; Craufurd et al., 1996b).
2.5.4 Temperatura
O feijão nhemba cesce melhor durante o verão a temperatura requerida para a semente
germinar acerca de 20ºc e 21 ºc para o crescimento de folhas. A temperatura óptima para o
desenvolvimento é de cerca de 30ºc. As variedaes do feijão nhemba respondem de forma
diferente ao fotoperiodo (comprimento do dia). Algumas variedades são menos ou não
sensiveis, podendo iniciar a floraçao num periodo de 30ºc.
11
13.
Para as variedadessensíveis ao fotoperiodo , o tempo inicio de floração é muito dependente
do tempo e do local de cultivo, pode um pouco mais que 100 dias. Mesmo para as variedades
de floração precoce, o periodo de floração pode ser condicionado por temperatura quente ou
fresco. A região Sul de Africa, com o cultivo no quente assim com fresco em terras marginais
e areas de alta precipitação faz com que tenha um sistema de cultivo satisfatorio, devido a
presença da bacteria especifica para o feijão nhemba.
2.5.5. Precipitação
De acordo com Ellis et al (1994), Francelli e Neto (1997) A cultura do feijão nhemba exige
um mínimo de 300 mm de precipitação para que produza, sem a necessidade de utilização da
prática da irrigação. As regiões cujas cotas pluviométricas oscilem entre 250 e 500 mm
anuais são consideradas aptas a implantação da cultura. Entretanto, a limitação em termos
hídricos encontra-se mais directamente condicionada a distribuição do que a quantidade total
de chuvas ocorridas no período. A ocorrência de ligeiros déficits hídricos no início do
desenvolvimento da cultura pode concorrer para estimular um maior desenvolvimento
radicular das plantas, porém, estresse hídrico próximo e anterior ao florescimento pode
ocasionar severa retração do crescimento vegetativo, limitando a produção.
2.6.1 Sementeira
A sementeira do feijão nhemba pode ocorrer em: areas preparadas convencionalmente, onde
comumente são utilizados arados e grades de diferentes tipos e dimensões, sob cultivo
mínimo (reduzido) pela utilização do arado escarificador.
2.6.2 Época de sementeira
A melhor época de sementeira para as variedades de feijão nhemba de ciclo médio (71 a
90 dias) é a metade do período chuvoso de cada região. Para as variedades de ciclo
superprecoce (55 a 60 dias), o ideal é semear uns dois meses antes de terminar o período
chuvoso. Com isto evita-se que a colheita seja feita em períodos com maior probabilidade de
ocorrência de chuvas.
2.6.3 Densidade de plantas
Uma das causas da baixa produtividade de grãos do feijão nhemba é a escassez ou excesso do
número de plantas por área. A escassez pode ser ocasionada por falhas que ocorrem na linha
de plantio, podendo ser consequência da má regulagem da plantadeira, utilização de sementes
de baixo vigor, danos causados por insetos ou doenças que matam as plantas ou por causa da
12
14.
Sementeira efetuada compouca umidade no solo. A densidade óptima de sementeira é
definida como o número de plantas capaz de explorar, de maneira mais eficiente e completa,
uma determinada área do solo.
2.6.4 Espaçamento entre fileiras
O número de plantas por área é função do espaçamento entre linhas de plantio e densidade
de plantas na linha. O espaçamento de 0,80 a 1,00 m entre linhas em variedades de porte
ramador é bastante utilizado. Para as variedades de porte moita o espaçamento mais indicado
é o de 0,60 m. A densidade de sementes na linha de sementeira é de seis a oito sementes por
metro. Esses espaçamentos podem ser ajustados em função da textura do solo.
2.6.5 Irrigação
A deficiência de água é um dos factores mais limitantes para a obtenção de elevadas
produtividades de grãos de feijão nhemba, sendo que a duração e a época de ocorrência do
déficit hídrico afectam em maior ou menor intensidade o rendimento dessa cultura. Com o
uso da irrigação é possível suprir a quantidade de água para o adequado crescimento e
desenvolvimento do feijão-nhemba. Entretanto, ressalta-se que, para o sucesso técnico e
econômico dessa actividade, é necessário que se identifique: quando, quanto e como irrigar.
O conhecimento, portanto, das fases mais críticas ao estresse hídrico, dos sistemas de
irrigação mais apropriados e dos métodos de manejo de irrigação recomendados, pode
auxiliar o produtor a colher bons frutos em seu cultivo irrigado.
2.7 Vento
A incidência do vento constante durante o cultivo de feijão, pode aumentar a demanda de
água por parte da planta, tornando-a mais susceptível a períodos curtos de estiagem,
afectando o desempenho da cultura, (EMPRAPA, 2002).
2.7.1 Pragas, doenças e infestantes
A cultura do feijão nhemba é afectada por diversos patógenos, como fungos, bactérias, vírus
e nematoides. A acção desses organismos sobre as plantas leva à morte de tecidos, órgãos e
até mesmo da planta inteira, causando perdas económicas consideráveis ao agronegócio do
nhemba, se medidas adequadas de maneio fitossanitário preventivo não forem adoptadas.
13
15.
2.7.2 Pragas
Segundo Dumetet al, (2008) princípais pragas que atacam o feijão nhemba são os trips
(Megalurothrips sjostedti) do botão ou das flores, a lagarta ou broca das vagens (Maruca
vitrata) e uma série de insectos sugadores de vagens.
2.7.3 Doenças
Segeren, Oever & Compton, (1994) citam a vassoura-de-bruxa, Mosaico amarelo,
murchidão, podridão do caule, pústula-bacteriana como as principais doenças que afectam o
funcionamento do feijão nhemba.
2.7.4 Infestantes
O ciclo da cultura do feijão nhemba é completo entre 70 a 120 dias, dependendo da
variedade e das condições climàticas.
A princípal prioridade para o produtor depois da emergencia de qualquer que seja a cultura é
manter o campo livre de infestantes.
As plantulas de feijão nhemba são muito sensiveis a competição com infestantes e pode
reduzir drasticamenteos rendimentos da cultura se nao forem controladas a partir das
primeiras 2 a 3 semanas depois da emergencia.
Segeren, Oever & Compton (, 1994) as infestantes mais importantes em Moçambique na
cultura do feijão nhemba são: tiririca roxa e amarela (Cyperus spp) e (Aletra vogelli), o
controlo de infestantes é essencial durante os primeiros 20 a 40 dias, quando a copa cobre
completamente os solos, 2 a 3 sachas são suficientes, as infestantes podem ser removidas
manualmente ou mecanicamente.
14
16.
CAPITULO III: MATERIAISE MÉTODOS
3.1 Localização da Área Experimental
O experimento será conduzido no campo experimental do Posto Agronómico de Nampula,
Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), localizada a 4Km da cidade de
Nampula. O distrito de Nampula está confinando a norte com os distritos de Mecuburi e
Muecate, a Sul com o distrito de Mogovolas, a este com o distrito de Meconta e a Oeste com
o distrito de Murrupula. Com uma superfície1 de 3.739 km2.
O campo experimental situa-se na cidade de Nampula bairro de Muahivire expansão. Círculo
de Napacala com as coordenadas geográficas do local 15º 09’ 1’’ latitude S 39º 20’E, a cerca
de 432 m, de altitude. O solo local é franco-arenoso, de textura grossa, contendo 23,8% de
argila, 7,6% de silte e 66,6% de areia, de cor vermelha, permeavel e com uma boa drenagem
capaz de sustentar uma cultura agrícola, muito mais quando aplicadas boas práticas de gestão
agrícola. A variação de PH está entre 5,5 6,5, promove a disponibilidade de nutrientes à
˗
planta (MAE, 2014).
3.1.1 Localização geográfica da área do estudo
Fonte: MAE, 2014.
15
17.
3.1.2 Características climáticasda região do estudo
O clima do distrito de Nampula é do tipo tropical húmido com duas estacões: uma chuvosa e
quente que normalmente começam no fim do mês de Novembro e prolongando-se até finais
de Abril e variam entre 600 a 1200 mm por ano. A outra seca e menos quente que se
estende de Maio até Outubro. O valor máximo absoluto de temperaturas do ar, situa-se nos
33.9ºc e o mínimo no 19ºc . Regra geral, as regiões de maior elevação no distrito,
apresentam-se com temperaturas mais suaves em relação as outras zonas. Quanto a
precipitação, a media anual e de 1.045 mm (MAE 2014).
3.1.3 Delineamento Experimental
Para a realização deste ensaio, será usado o Delineamento de Blocos Completamente
Causalizados (DBCC), com 5 repetições e 5 blocos subdivididas em parcelas. A dimensão
de área experimental será de 637,5 m² (127,5 m2
x 5 m2.
).
A distância entre blocos será de 1,5m. Cada parcela terá 2 linha por acesso, cada uma desta
composta por 3 plantas. O compasso será de 75 cm x 20cm, distância entre linhas e plantas
respectivamente.
3.1. 4 Material genético
Será usado materiais genéticos seleccionados ( que não foram melhorados / libertados) de
sementes disponibilizadas pelo IIAM/Centro Zonal Nordeste (Nampula), Malawi, Tanzânia
e variedades melhoradas que servirão como Quião de ensaio, das quais: IT-16, IT97K-1069-
6 , IT-00K-126-3, Guariba.
3.1.5 Amostragem das plantas
O método de amostragem das plantas será aleatório simples, de forma a permitir que todos
os elementos da população de plantas tenham a probabilidade de serem escolhidos, sendo
assim serão avaliadas 5 plantas resultantes de 8.5 % das plantas existentes em cada bloco.
3.1.6 Variaveis em estudo
Será avaliadas as seguintes componentes: comprimento de vagem, peso de 100 sementes,
número de sementes por vagens e peso de vagens 100 grão, crescimento, (altura de plantas
peso da biomassa fresca e seca e rendimento.
16
18.
3.1.7 Variáveis decrescimentos
3.2.1 Início da floração
Número de dias transcorridos da sementeira ao aparecimento das primeiras flores. Que serão
observados visualmente. Vai se considerar a data de floração de blocos que tenham 70% das
suas plantas a florir, de modo que se possa determinar o período de floração de cada
genótipo.
3.2.2 Altura das plantas
A altura das plantas será determinada fazendo-se uso de uma trena métrica com a
leiturasendo realizada da base da planta à última folha totalmente expandida.
3.2.3 Número de folhas
O número de folhas será determinando a partir da contagem de folhas verdes,
definitivas e totalmente expandidas.
3.2.4 Diâmetro do caule
O diâmetro do caule será determinado fazendo-se o uso de um paquímetro com a leitura
sendo realizada a 2 cm acima da superfície do solo, sendo realizada a leitura a partir dos 15
dias após emergência e sendo realizada semanalmente.
3.3 Variáveis de reprodução
3.3.1 Comprimento de vagem
Será obtido pela média do comprimento de vagens, feito com auxílio de uma fita métrica.
3.3.2 Numero de vagens por planta
O número de vagens por planta será determinado contando as vagens das plantas
seleccionadas aleatoriamente em blocos, que posteriormente será obtido a sua média,
obtendo assim o número médio de vagens em uma planta para cada bloco que constituía o
ensaio.
3.3.3 Numero de sementes por vagem
O número de sementes será obtido a partir das plantas selecionadas aleatoriamente, depois
procederá à contagem do número de vagens das mesmas.
3.3.4 Peso de 100 sementes
Será determinado pela pesagem de 100 sementes da área útil de bloco, contadas ao acaso e,
em seguida, pesadas em balança de precisão.
17
19.
3.3.5 Rendimento k/há
Orendimento dos grãos procederá a colheita das vagens no ponto de maturidade fisiológica,
separando-as por blocos e realizar-se a pesagem, posteriormente debulhado, os grãos será
pesado 100 grãos de cada bloco em balança de precisão.
Análise de dados
Os resultados será processado no pacote estatistico sisvar, no programa Microsoft Excel. Sera
usado o modelo estatistico do Delineamento de Blocos Completamente Causalizados
(DBCC) e a análise de variancia ANOVA, teste de Scott Knott para comparação entre as
medias a nivel de 0. 05 de significancia.
3.4.2 Preparação do campo
O preparo inicial do solo será realizado na primeira semana do mês de fevereiro
(22.02.2021), de forma mecanizada, através do uso de uma charrua de disco a uma
profundidade de 15 a 20 cm, de seguida de uma lavoura utilizando-se grade niveladora com
uma aração e uma gradagem 10 dias antes da sementeira. Será utilizada sementes
selecionadas e devidamente tratadas com defensivos recomendados para a cultura. Os tratos
culturais e fitossanitários (adubação, controle de pragas e doenças, e infestantes) serão
realizados conforme recomendações para a cultura de feijão nhemba. A irrigação será
realizada conforme as necessidades da cultura. Será utilizado sistema de irrigação
mecanizada, por cota a cota , intervalo de rega de 2 dias, tendo um período de funcionamento
de 2 a 3 horas do tempo.
3.4.4 Sementeira
A sementeira será realizada na primeira semana de Março (01.03.2021) de forma manual e
cada bloco 17 linhas de 25,5 m (comprimento) x 5 m (larg) cada bloco, com um compasso de
(75cm x 20 cm). Em cada covacho será depositado 5 a 8 sementes. Considerando a humidade
e as características físicas do solo será determinado uma profundidade de 4 a 5 cm.
3.4.5 Emergência
Uma semana depois irá verificar-se a emergência, caso haja falhas nas blocos haverá
necessidade de fazer a retancha.
18
20.
3.4.6 Desbaste
O desbasteserá realizado três (3) semanas depois da emergência, de igual maneira em todos
os blocos, Esta operação será realizada com objectivo de se obter 69 acessos de plantas.
Consistirá na remoção de uma ou duas (1ou 2) plantas por covacho, deixando-se apenas três
(3) plantas, de modo a evitar competição entre elas.
3.4.7 Sachas
Será feita três (3) sachas de forma manual em épocas diferentes, de modo a manter o campo
sempre limpo e impedir a competição entre as culturas e ervas da ninha.
3.4.8 Resultados esperados
No uso dessa avaliação de 69 acessos, espero que haja um bom crescimento, maior
produtividade e bom rendimento.
19
21.
CAPITULO IV: CRONOGRAMADE ACTIVIDADES
4.1 Actividades
Actividades
MESES
Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho
1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4
Preparação do
campo
Demarcação do
campo
Sementeira
Desbaste
Sacha
Acompanhament
o
Controlo
fitossanitário
Levantamento
dos dados
Colheita
Análise de dados
Entrega de
relatório
20
22.
4.1.1 Orçamento
N0
de
Ordem
Materi
ais ⁄Insumos
Preç
o Unit.⁄Mt Quantidades
Cus
to Total ⁄mt
01 Ancinho 200 1 200
02 Enxada 100 1 100
03 Catana 150 1 150
04 Régua 30 1 30
05 Fita métrica 350 50 Metros 350
06 Pulverizador 3.000 1 3.000
07 Sementes 50⁄kg 3 Kg 200
08 Pesticidas (litro) 250 2 500
09 Macacão ⁄uniforme 600 1 400
10 Botas ⁄galochas 250 1 250
11 Luvas 150 2 200
12 Mascaras 350 2 300
13 Transporte 20/dia 180 3600
14 Alimentação 200/Semana 30 Semanas 6000
Sob total 15,280.00MT
Total Global 16,808.00MT
21
23.
4.1.3 Bibliografia
SINGH, B.B.,J.D.; SHARMA, FREIRE FILHO, F.R. Recente progress in cowpea
breeding. In: Fatokun, C.A., Tarawal, S.A., Singh, B.B., J.D.; Kormawa, P.M., Tamo, M
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avanços e desafios. 1ª edição. Teresina- PI. Embrapa Meio-Norte, 2011.
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25.
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characteristics. Department of Applied Genetics. Jonh Innes Centre Norwich.
24
26.
4.1.4 Apêndice 01:Protocolo de ensaio
N/0 Protocolo de ensaio
01 Responsável pelo planeamento do
ensaio:
Lordino Fernando Nicumane
02 Responsável pela condução de ensaio Lordino Fernando Nicumane /
lordinonicumane4@gmail.com
03 Supervisor
Co-Supervisor
Eng.º (MSc) Monteiro Arlindo Impia
Eng.º (MSc) Engº (MSc) Engº Henriques V.
Colial, Enga
Salva, eng Diocleciano.
04 Co-orientador Eng.º (MSc) Engº Henriques V. Colial, Enga
Salva, Engº Diocleciano.
05 Local do ensaio IIAM distrito de Nampula Província de Nampula
06 Campanha Agrária 2020 / 2021
07 Cultura Feijão nhemba (Vigna unguiculata L.)
08 Objectivo de ensaio Avaliar os 69 acessos de Feijão nhemba (Vigna
unguiculata L.)
09 Delineamento Experimental DBCC
10 Tratamentos
11
Esquema do ensaio Mono factorial
Número de blocos 5
Numero de parcelas
Área útil
Área total 637,5 m² (127,5 m2
x 5 m2.
)
Comprimento do bloco 5 m
25
27.
Largura do bloco25,5 m
Distância entre blocos 1.5 m
Distância entre parcelas 75 c m
12 Trabalhos a realizer
Preparação e demarcação do campo: Fevereiro /2021
Sementeira 1a
Semana de Março
Quantidade de sementes 200 g
Compasso 75 x 20cm
N de plantas/ linha
ᴼ 3
Nᴼ total de plantas por parcela
Nᴼ total de plantas no ensaio
Pulverizações 3 a 4 vezes
Colheita 3ª Semana de Junho
Medições e observações Comprimento de vagem,
Peso de 100 sementes,
Número de sementes por vagens,
Peso de vagens 100 grão,
Crescimento ( altura de plantas peso da
biomassa fresca e seca),
Rendimento k/ha .
13 Responsável pela descrição do ensaio: Lordino Fernando Nicumane
14 Responsável pela avaliação do ensaio: UMB – Nampula
15 Responsável pela elaboração do relatório Lordino Fernando Nicumane
4.1.5 Apêndice 02: Esquema do campo experimental
26
28.
B1 B2 B3B4 B5
↓ →--------------------------------------------------- 31 m ------------------------------------------------
25,5 m 5m
1,5m
↔
↕75cm
27