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Metodologia Científica Aplicada




         Estudo de Caso
Planejamento e Métodos
                   Robert K. Yin
              Tradução:   Daniel Grassi



          Sônia Afonso
Professora:
Alunas: Andréia Saugo e Lia Geovana Sala
Autor
        Robert K. Yin
          Robert K. Yin, Ph.D., é Presidente de uma
          Corporação (COSMO), que trabalha com
          pesquisa aplicada em empresas de ciência
          social que estiveram em operação desde
          1980. Durante estes anos, completou
          centenas de projetos prosperamente para
          agências de governo, fundações privadas, e
          outros setores empresariais e de organizações
          conduzindo vários projetos de pesquisa
          ativamente, incluindo métodos de estudo de
          caso. É autor de numerosos livros e artigos,
          principalmente em Pesquisa e Aplicações de
          Pesquisa de estudo de caso e, em 1998
          fundou o " Robert K. Yin Fund " a M.I.T. que
          apóia seminários em ciências do cérebro
          como também outras atividades
          relacionadas ao avanço a estudos no
          Departamento de Cérebro e Ciências
          Cognitivas.
Sumário

    1. Introdução   (definição dos temas ou problemas a serem estudados)

    2. Projetando estudos de caso      (aspectos do controle de qualidade)

    3. Conduzindo estudos de caso: preparação para a coleta de
         dados
    4. Conduzindo estudos de caso: coleta de evidências
    5. Analisando as evidências do estudo de caso
    6. Compondo o “relatório” de um estudo de caso




3 : 38
1         O estudo de caso como
           estratégia de pesquisa
  Os estudos de caso representam a estratégia preferida quando:
   se colocam questões do tipo “como” e “por que”;

   o pesquisador tem pouco controle sobre os eventos; e
   o foco se encontra em fenômenos contemporâneos inseridos
  em algum contexto da vida real.

  A clara necessidade pelos estudos de caso surge do desejo de
  se compreender fenômenos sociais complexos. Ou seja, o
  estudo de caso permite uma investigação para se preservar as
  características holísticas e significativas dos eventos da vida real.




4 : 38
Comparando estudos de caso com outras estratégias
  de pesquisa
  Quando e por que você desejaria realizar estudos de caso sobre
  algum tópico? Deveria pensar em fazer um experimento no
  local? Um levantamento? Uma pesquisa histórica?
  Essas e outras escolhas representam estratégias de pesquisa
  diferentes, cada uma com sua maneira de coletar e analisar
  provas empíricas, seguindo sua própria lógica, com suas
  vantagens e desvantagens.
  Pode-se utilizar cada estratégia por três propósitos: exploratório,
  descritivo ou explanatório.
  Embora cada estratégia tenha suas características distintas, isso
  não implica que os limites entre as estratégias sejam claros e
  bem delimitados, podendo haver sobreposições.



5 : 38
Quando utilizar cada estratégia
   Três condições que consistem:
   No tipo de questão de pesquisa proposto;
   Na extensão de controle que o pesquisador tem sobre
   eventos comportamentais efetivos; e
   No grau de enfoque em acontecimentos históricos em
   oposição a acontecimentos contemporâneos.

                                              Exige controle sobre       Focaliza
                         Forma da questão
          Estratégia                                eventos           acontecimentos
                            de pesquisa
                                              comportamentais?       contemporâneos?
         Experimento       Como, por que              Sim                  Sim
                         Quem, o que, onde,
     Levantamento                                    Não                   Sim
                          quantos, quanto
                         Quem, o que, onde,
   Análise de arquivos                               Não                 Sim/não
                          quantos, quanto
    Pesquisa histórica     Como, por que             Não                  Não

     Estudo de caso        Como, por que             Não                   Sim


6 : 38
A mais importante condição para se diferenciar as várias estratégias de
   pesquisa é identificar nela o tipo de questão que está sendo
   apresentada. Em geral, questões do tipo “o que” podem ser tanto
   exploratórias (em que se poderia utilizar qualquer uma da estratégias)
   ou sobre predominância de algum tipo de dado (em que se valorizaria
   levantamentos ou análises de registros em arquivos). Questões “como”
   e “por que” estimulam o uso de estudos de caso, experimentos ou
   pesquisas históricas.
   Definir as questões da pesquisa é o passo mais importante.

                          Paciência e tempo suficiente

   A chave é compreender que as questões de uma pesquisa possuem
   substância – ex. “sobre o que é o meu estudo?” – e forma – ex. “estou
   fazendo uma pergunta do tipo „quem‟, „o que‟, „por que‟ ou „como‟?”


   Determinar as questões mais significantes para um determinado tópico e obter
   alguma precisão na formulação, exige muita preparação. Uma maneira é
   revisar a literatura já escrita sobre aquele tópico, isto é um meio para se atingir
   uma finalidade e não uma finalidade em si.
7 : 38
Definição do estudo de caso como estratégia de
 pesquisa

 “a essência de um estudo de caso é tentar esclarecer uma decisão ou um
 conjunto de decisões: o motivo pelo qual foram tomadas, como foram
 implementadas e com quais resultados” (Schramm, 1971).

 Uma falha comum: é considerar o estudo de caso como o estágio
 exploratório de algum outro tipo de estratégia de pesquisa, e o estudo
 de caso em si era apenas mencionado em uma ou duas linhas do texto.

 O estudo de caso como estratégia de pesquisa compreende um
 método que abrange tudo – com a lógica de planejamento
 incorporando abordagens específicas à coleta e análise de dados.
 Nesse sentido, o estudo de caso não é nem uma tática para a coleta de
 dados nem meramente uma característica do planejamento em si, mas
 uma estratégia de pesquisa abrangente.




8 : 38
Variações dentro dos estudos de caso como estratégia
 de pesquisa
 A pesquisa de estudo de caso pode incluir tanto estudos de caso único
 quanto de casos múltiplos.
 Pode-se basear os estudos de caso em qualquer mescla de provas
 quantitativas e qualitativas. E também podem incluir, e mesmo ser
 limitados, às evidências quantitativas.


 Como exemplos, alguns experimentos (como estudos de percepções
 psicológicas) e algumas questões feitas em levantamentos (como
 aquelas que buscam respostas numéricas em vez de respostas
 categóricas) tem como base evidências qualitativas, e não quantitativas.
 Da mesma maneira, a pesquisa histórica pode incluir enormes
 quantidades de evidências quantitativas.


 Muito embora se pense que os estudos de caso sejam uma pesquisa “fácil”, a
 pesquisa de estudo de caso é notavelmente complicada. E o paradoxo é que
 quanto “mais fácil” for uma estratégia de pesquisa, mais difícil será para realizá-la.

9 : 38
2         Projetando estudos de caso
   Para projetar um estudo de caso é necessário um plano ou um
   projeto de pesquisa.


   Definição de projetos de pesquisa
   Cada tipo de pesquisa empírica possui um projeto de pesquisa
   implícito, se não explícito. Um projeto de pesquisa é um plano de
   ação para se sair daqui e chegar lá. É como um “esquema” de
   pesquisa, que trata de, quatro problemas principais:

   • quais questões estudar,
   • quais dados são relevantes,
   • quais dados coletar e
   • como analisar os resultados.
10 : 38
Componentes de projetos de pesquisa
 Para estudos de caso, são importantes cinco componentes de um projeto
 de pesquisa:


 1- Questões de estudo
 Sugere-se a forma da questão – em termos de “quem”, “o que”,
 “onde”, “como” e “por que” – para obter uma chave importante
 na escolha da estratégia de pesquisa.
 Para a estratégia de estudo de caso são mais prováveis as
 questões do tipo “como” e “por que”.




11 : 38
2- Proposições de estudo
 Cada proposição destina atenção a alguma coisa.
 Por exemplo, uma pesquisa sobre uma parceria interorganizacional
 começou com a questão: como e por que as organizações colaboram
 umas com as outras para prestar serviços em associação (por exemplo,
 um fabricante e uma loja de varejo decidem trabalhar juntos para vender
 certos produtos)?

 Essas questões “como” e “por que” (essência daquilo que
 realmente se está interessado em responder), levam ao estudo de
 caso como estratégia apropriada em primeiro lugar. Somente se
 for obrigado a estabelecer algumas proposições você irá na
 direção certa. Por exemplo, pode-se pensar que as organizações
 colaboram entre si porque obtêm benefícios mútuos. Essa
 proposição, além de refletir uma importante questão teórica,
 também começa a mostrar onde deve-se procurar referências
 relevantes.
 Ao mesmo tempo, alguns estudos podem ter uma razão absolutamente
 legítima para não possuir nenhuma proposição.
12 : 38
3- Unidade(s) de análise
 Relaciona-se com o problema fundamental de se definir o que é um
 “caso”. Por exemplo, no estudo de caso clássico, um “caso” pode ser um
 indivíduo (ex. estudos de casos de pacientes clínicos), naturalmente também pode
 ser algum evento ou entidade que é menos definido do que um
 indivíduo.

  A orientação da unidade de análise (portanto, do caso) está
  relacionada à maneira como as questões iniciais da pesquisa foram
  definidas.

Suponha, por exemplo, que você queira estudar o papel dos Estados Unidos na
economia mundial. A unidade de análise para o seu estudo de caso pode ser a
economia de um país, uma indústria no mercado global, uma política econômica
ou o comércio ou o fluxo de capital entre dois países. Cada unidade de análise
exigiria um projeto de pesquisa sutilmente diferente e uma estratégia de coleta de
dados. Especificar corretamente as questões primárias da pesquisa traria como
conseqüência a seleção da unidade apropriada de análise. Se as suas questões não
derem preferência a uma unidade em relação a outra, significa que elas estão ou
vagas demais ou em número excessivo.

13 : 38
4- Ligando os dados a proposições
 Uma abordagem promissora para os estudos de caso é a idéia da
 “adequação ao padrão”, por meio da qual várias partes da mesma
 informação do mesmo caso podem ser relacionadas à mesma
 proposição teórica.



 5- Critérios para a interpretação das descobertas
 Normalmente, não há uma maneira precisa de se estabelecer os critérios
 para a interpretação das descobertas. O que se espera é que os
 diferentes padrões estejam contrastando, de forma clara e suficiente, que
 as descobertas podem ser interpretadas em termos de comparação de,
 pelo menos, duas proposições concorrentes.




14 : 38
Critérios para se julgar a qualidade dos projetos de
 pesquisa
 Como se supõe que um projeto de pesquisa represente um conjunto
 lógico de proposições, você também pode julgar a qualidade de
 qualquer projeto dado de acordo com certos testes lógicos. Quatro testes
 são utilizados para se determinar a qualidade de qualquer pesquisa social
 empírica. São eles:
  Validade do constructo: estabelecer medidas operacionais corretas
 para os conceitos que estão sob estudo.
  Validade interna (apenas para estudos explanatórios ou causais):
 estabelecer uma relação causal, por meio da qual são mostradas certas
 condições que levem a outras condições diferenciadas.
  Validade externa: estabelecer o domínio ao qual as descobertas de um
 estudo podem ser generalizadas.
  Confiabilidade: demonstrar que as operações de um estudo – como os
 procedimentos de coleta de dados – podem ser repetidas, apresentando
 os mesmos resultados.



15 : 38
Projetos de estudo de caso
 Para a estratégia de estudo de caso, os quatro tipos de projetos são:
  Projetos de caso único (holísticos ou incorporados)
  Projetos de caso múltiplo (holísticos ou incorporados)

 Uma distinção básica que deve ser feita ao se projetar estudos de caso é
 entre projetos de caso único e de casos múltiplos, escolha que deve ser
 feita antes da coleta de dados, ao se formular as questões da pesquisa.
 Muitas condições que justificam um experimento único também justificam
 um estudo de caso único. Outro fundamento lógico para um caso único
 é aquele em que o caso representa um caso raro ou extremo. E um
 terceiro fundamento é o caso revelador, situação que ocorre quando o
 pesquisador tem a oportunidade de observar e analisar um fenômeno
 previamente inacessível à investigação científica.




16 : 38
Estudos de casos incorporados versus holísticos
 O mesmo estudo de caso pode envolver mais de uma unidade de
 análise. Isso ocorre quando, dentro de um caso único, se dá atenção a
 uma ou várias subunidades.
 Por exemplo, embora um estudo de caso possa tratar de um simples
 programa público, devem constar na análise os resultados dos projetos
 individuais dentro do programa (e possivelmente até mesmo algumas
 análises quantitativas de um número maior de projetos). Em um estudo
 organizacional, as unidades incorporadas também podem ser unidades
 de “processo” – como reuniões, funções ou locais determinados. Em
 todas essas situações, pode-se selecionar as unidades incorporadas
 através de amostragens ou técnicas de grupo. De qualquer maneira que
 as unidades sejam selecionadas, o projeto resultante seria denominado
 projeto de estudo de caso incorporado. Em contraste, se o estudo de
 caso examinasse apenas a natureza global de um programa ou de uma
 organização, um projeto holístico seria a denominação utilizada.




17 : 38
Projetos de caso único versus de casos múltiplos
 O mesmo estudo pode conter mais de um caso único. Quando isso
 ocorrer, o estudo precisa utilizar um projeto de casos múltiplos.
 Projetos de casos múltiplos possuem vantagens e desvantagens distintas
 em comparação aos projetos de caso único. As provas resultantes de
 casos múltiplos são consideradas mais convincentes, e o estudo global é
 visto como sendo mais robusto. Ao mesmo tempo, o fundamento lógico
 para projetos de caso único, não pode ser satisfeito por casos múltiplos. É
 provável que o caso raro ou incomum, o caso crítico e o caso revelador
 impliquem apenas em casos únicos, por definição.
 Qualquer utilização de projetos de casos múltiplos deve seguir uma lógica
 de replicação, e não de amostragem. Os casos devem funcionar de uma
 maneira semelhante aos experimentos múltiplos, com resultados similares
 (replicação literal) ou contraditórios (replicação teórica) previstos
 explicitamente no princípio da investigação.




18 : 38
Conduzindo estudos de caso:
 3 preparação para a coleta de dados
 O pesquisador do estudo de caso: habilidades desejadas
    Uma pessoa capaz de fazer boas perguntas – e interpretar as respostas.
  Deve ser um bom ouvinte e não ser enganado por suas próprias
 ideologias e preconceitos.
   Uma pessoa capaz de ser adaptável e flexível, de forma que as
 situações recentemente encontradas possam ser vistas como
 oportunidades e não ameaças.
 Deve ter uma noção clara das questões que estão sendo estudadas,
 mesmo que seja uma orientação teórica ou política, ou que seja de um
 modo exploratório.
  Deve ser imparcial em relação a noções preconcebidas, incluindo
 aquelas que se originam de uma teoria. Uma pessoa sensível e atenta a
 provas contraditórias.


19 : 38
Treinamento e preparação para um estudo de caso
 específico
 Agendar atividades e obter acesso a fontes relevantes de evidências são
 atos importantes para a administração de um estudo de caso.
 Cada pesquisador precisa saber:
    Por que o estudo está sendo realizado
    Quais provas estão sendo procuradas
  Quais variações podem ser antecipadas (e o que deve ser feito se essas
 variações ocorrerem)
  O que constituiria uma prova contrária ou corroborativa para qualquer
 proposição dada.
 O treinamento pode revelar falhas no projeto do estudo de caso ou
 mesmo na definição inicial do problema do estudo.




20 : 38
O protocolo para o estudo de caso
  O protocolo contém os procedimentos e as regras gerais que deveriam
  ser seguidas ao se utilizar o estudo de caso. O protocolo é desejável
  para o estudo de caso em qualquer circunstância, mas é essencial
  quando se utilizar um projeto de casos múltiplo.
  Deve apresentar as seguintes seções:
     Uma visão geral do projeto do estudo de caso
     Procedimentos de campo
     Questões do estudo de caso
  Guia   para o relatório do estudo de caso
  São um conjunto de questões substantivas que refletem a investigação
  real.
  O protocolo é para a coleta de dados a partir de um caso único e ele
  não tem por objetivo servir ao projeto inteiro.



21 : 38
4        Conduzindo estudos de caso:
          Coleta de evidências

  As evidências podem vir de 6 fontes distintas:
     Documentos;
     Registros em Arquivo;
     Entrevistas;
     Observação Direta;
     Observação Participante;
     Artefatos Físicos;



22 : 38
Documentos:
      Esse tipo de informação pode assumir muitas formas e deve
      ser o objeto de planos explícitos da coleta de dados. Por
      exemplo:
     Catas, memorandos ;
     Agendas, avisos e minutas de reuniões, relatórios em geral;
     Documentos administrativos (propostas, relatórios e
      documentos internos );
     Estudos ou avaliações formais do mesmo local sob estudo;
     Recortes de jornais e ou artigos publicados na mídia;




23 : 38
Registros em Arquivo:
  Para alguns estudos os registros podem ser muito
  importantes que se transformam no objeto de uma ampla
  restauração e análise.


  Registros de serviço (que registram o número dos
  clientes atendidos em determinado período);
  Registros   Organizacionais (tabelas, orçamentos)
  Mapas     e tabelas
  Lista   de nomes e de outros itens importantes
  Dados     oriundos de levantamentos (sobre o local)
  Registros   pessoais (diários, anotações agendas de
  telefone)


  Nenhuma das fontes possui vantagem indiscutível sobre as
  outras, as várias fontes são altamente complementares.
24 : 38
Entrevistas (podem assumir diversas formas):
    Forma espontânea:       permite que você tanto indague
     repondentes-chave sobre fatos de uma maneira quanto
     peça a opinião, interpretação deles sobre determinados
     assuntos ou eventos. E pode utilizar essas proposições como
     base para uma nova pesquisa.
    Entrevista focal (Merton et al., 1990): o respondente é
     entrevistado por um curto período de tempo. Elas continuas
     sendo espontâneas e tem caráter de uma conversa
     informal, porém existe um conjunto de perguntas que é
     seguido.
    Levantamento formal: é uma entrevista mais estruturada e
     pode ser considerada como parte de um estudo de caso ex:
     Um estudo de caso sobre um bairro onde você ira realizar
     um levantamento de como os moradores
     e comerciantes locais percebem o avanço
     ou declínio de sua região.

25 : 38
Observação direta: (visitas de campo)
    As observações podem variar de atividades formais a
     informais de coleta de dados. Pode-se desenvolver
     protocolos de observação(formal).
    Pode-se observar: reuniões, atividades de passeio, trabalho
     de fábrica, salas de aula.
 Observação participante: você pode participar de
     eventos que estão sendo estudados          (podem variar de interações
     sociais informais com os moradores à atividades funcionais específicas
     dentro do bairro)
    Ser morador em um bairro que é objeto de um estudo de
     caso;
    Desempenhar algum outro papel funcional em uma região,
     como trabalhar como assistente de loja;
    Trabalhar como membro de equipe em uma organização;
    Ser uma pessoa que toma as decisões-chave em
     uma organização;
26 : 38
Artefatos físicos: é um aparelho de alta tecnologia,
  uma ferramenta ou instrumento, uma obra de arte ou alguma
  outra evidência física. Pode-se coletar ou observar esses
  artefatos como parte de uma visita de campo e pode-se utilizá-
  los extensivamente na pesquisa antropológica.


           Três princípios para a coleta de dados

  1- utilizar várias fontes de evidência
  2- criar um banco de dados para o estudo de caso
  3- manter o encadeamento de evidências




27 : 38
Analisando as evidências do
 5        estudo de caso
     A análise de dados consiste em examinar, categorizar,
      classificar em tabelas, ou, do contrário, recombinar evidências
      tendo em vista proposições iniciais de um estudo de caso.

     Estratégias Analíticas Gerais
     1- Tornar os dados do estudo de caso propícios à análise
      estatística - atribuindo valores numéricos aos eventos.

     2 – Utilizar várias técnicas analíticas (Miles & Huberman, 1984)
      * dispor as informações em séries diferentes;
      * criar uma matriz de categorias e dispor as evidências dentro
      dessas categorias;
      * criar modos de apresentação dos dados (fluxogramas);
      * classificar em tabelas de freqüência de eventos diferentes;
      * examinar a complexidade dessas classificações e sua relação
      calculando números de 2ª ordem (médias e variâncias);
      * dispor as informações em ordem cronológica ou utilizar
      alguma outra disposição temporal.
28 : 38
Duas estratégias gerais:

     Baseando-se em proposições teóricas: é seguir as
      proposições teóricas que levaram ao estudo de caso. Essas
      proposições refletem o conjunto de questões da pesquisa, as
      revisões feitas na literatura sobre o assunto e as novas
      interpretações que possam surgir.
      As proposições dariam forma ao plano da coleta de dados
      e assim estabeleceriam a prioridade às estratégias analíticas
      relevantes.


     Desenvolvendo uma descrição de caso: é
      desenvolver uma estrutura descritiva a fim de organizar o
      estudo de caso. É preferível utilizar proposições teóricas a
      utilizar essa estratégia.


29 : 38
Métodos principais de análise
   Adequação ao padrão: Essa lógica (Thochim, 1989) compara
    um padrão fundamentalmente empírico com outro de base
    prognóstica (ou com várias outras previsões alternativas). Se os
    padrões coincidirem, os resultados podem ajudar o estudo de
    caso reforçar sua validade interna.
   Construção da explanação: é um tipo especial de adequação
    padrão. O objetivo é analisar os dados do estudo de caso
    construindo uma explanação sobre o caso (Yin, 1982b).
   Análise de séries temporais: é diretamente análoga à análise de
    séries temporais realizada em experimentos e em pesquisas
    quase-experimentais. Ex: curso dos acontecimentos que levaram
    ao uso da maconha (Becker, 1963)
   Modelos lógicos de programa: é uma combinação das técnicas
    de adequação ao padrão e de análise de séries temporais. O
    padrão que está sendo buscado é o padrão-chave de causa-
    efeito entre variáveis independentes e dependentes (Peterson &
    Bickman, 1992; Rog & Huebner, 1992).
30 : 38
Métodos secundários de análise
    Análise de unidades incorporadoras de análise: quando um
     projeto de estudo de caso inclui uma unidade incorporadora de
     análise – ou seja, uma unidade menor do que o caso em si, para o
     qual inúmeros pontos de dados foram coletados. Ex: conjunto de
     respostas dadas por moradores de um bairro sobre a habitação
     como parte do estudo de caso único.


    Observações repetidas: são feitas ao longo do tempo (séries
     temporais) ou então através de cortes transversais, ou seja locais
     repetidos ou para outras unidades incorporadoras de análise dentro
     do mesmo caso.


    Abordagem de levantamento de dados do caso: limita-se
      àquelas situações em que há vários estudos de caso disponíveis
      para análise. Ex: participação do cidadão em serviços urbanos (Yin
      & Yates, 1975) que podem ter como base mais de 200 estudos de
      caso. O levantamento de caso exige o desenvolvimento de um
      instrumento de codificação induzida, que então é aplicada a cada
      estudo de caso.
31 : 38
Compondo o relatório de um
  6       estudo de caso
  A exposição de um estudo de caso pode ser
tanto escrita quanto oral. Independentemente da
forma que assume, porém etapas semelhantes
devem ser obedecidas durante o processo de
composição:
  › O público a que os estudos de caso se destinam;
  › As variedades de composição do estudo de
    caso;
  › As estruturas ilustrativas para as composições do
    estudo de caso;
  › Os procedimentos a serem adotados ao se
    realizar um relatório de estudo de caso;
  › E, como conclusão, as especulações sobre as
    características de um estudo de caso exemplar;
32 : 38
O público para um estudo de caso

  Os estudos de caso possuem uma relação mais diversa de
  possíveis públicos-alvo do que a maioria dos outros tipos de
  pesquisa. Inclui-se nessa relação:


   › Colegas da mesma área;
   › Organizadores políticos, profissionais em geral e também os
     profissionais que não se especializaram na metodologia do
     estudo de caso;
   › Grupos especiais, como a banca de tese ou de dissertação
     de um estudante;
   › A instituição financiadora da pesquisa.




33 : 38
Variedade de estruturas de um estudo de caso:
     Um relatório de estudo de caso não precisa ser apenas
      escrito. As informações obtidas podem ser expostas de
      diversas maneiras como:

          › Exposição oral
          › Conjunto de fotos
          › Gravações de vídeo.



     A maioria dos estudos de caso realmente resultam em
      produtos escritos, mas o pesquisador pode escolher a
      maneira mais eficaz e pertinente de apresentar qualquer
      relatório. Mas o que influenciara na escolha é a tarefa de
      identificar o público alvo para o estudo de caso.



34 : 38
Estruturas ilustrativas para a constituição dos
      estudos de caso;
     Os capítulos, as seções, os subtópicos de um relatório devem
      ser organizados de alguma forma. Essa organização constitui
      a estrutura do relatório.

     Segue abaixo 6 sugestões de estruturas:

          › Estruturas analíticas lineares;
          › Estruturas comparativas;
          › Estruturas cronológicas;
          › Estruturas de construção de teoria;
          › Estruturas de incerteza
          › Estruturas não-seqüenciais.




35 : 38
Procedimentos ao se fazer um relatório de estudo de
 caso
  Toda pessoa deve possuir um conjunto bem-delimitado de
 procedimentos para analisar os dados obtidos nas ciências
 sociais e para elaborar um relatório.
  Quando e como iniciar a elaboração? O primeiro passo é
 começar a redigir o relatório logo no início do processo analítico.
 Ex. depois que a literatura existente já tiver sido revisada e que o
 estudo estiver projetado, é possível fazer um rascunho de 2
 seções do relatório: a bibliografia e metodologia.
  A identidade dos casos: real ou anônima? A melhor opção é
 revelar a identidade tanto do caso quanto dos indivíduos.
 A revisão do estudo de caso: um procedimento de validação.
 Tem haver com a qualidade total do estudo, para isto o relatório
 deve ser revisado não apenas pelos colegas do pesquisador,
 mas também pelos participantes e informantes do caso .


36 : 38
O que torna um estudo de caso exemplar?


     Para ser exemplar um estudo de caso deve:

          › Ser significativo;


          › Ser completo;


          › Considerar perspectivas alternativas;


          › Apresentar evidências suficientes;


          › Ser elaborado de uma maneira atraente.



37 : 38
Referências bibliográficas
   Becker, H. S. (1963). Becoming a marijuana user. In H. S. Becker (Ed.), The outsiders (pp. 41-
    58). New York: Free Press.
   Merton, R. K., Fiske, M., & kendall, P. L. (1990). The focused interview: A manual of problems
    and procedures (2 nd ed.). New York: Free Press.
   Miles, M. B., & Huberman, A. M. (1984). Analyzing qualitative data: A source book for new
    methods. Beverly Hills, CA: Sage.
   Peterson, K. A., & Bickman, L. (1992). Using program theory in quality assessments of
    children’s mental health sevices. In H. T. Chen & P. Rossi (Eds.), Using theory to improve
    program and policy evaluations (pp.165-176). Westport, CT: Greenwood.
   Rog, D. J. & Huebner, R. B. (1992). Using research and theory in developing innovative
    programs for homeless individuals. In H. T. Chen & P. Rossi (Eds.), Using theory to improve
    program and policy evaluations (pp. 129-144). Westport, CT: Greenwood.
   Schramm, W. (1971). Notes on case studies of instructional media projects. Working paper,
    the Academy for Educational Development, Washington, DC.
   Thochim, W. (1989). Outcome pattern matchig and program theory. Evaluation and
    Program Planning, 12, 355-366.
   Yin , R. K., & Yates, D. (1975). Street-level governments: Assessing decentralization and
    urban services. Lexington, MA: Lexington Press.
   Yin, R. K. (1982b). Studying the implementation of public programs. In W. Williams et al.
    (Eds.), Studying implementation: Methodological and administrative issues (pp. 36-72).
    Chatham, NJ: Chatham House.
   _____Imagens     Disponíveis em: < http://www.dreamstime.com/free-photos > Acesso:
    15/11/2008.

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Livro estudo de caso planejamento e metodos

  • 1. Metodologia Científica Aplicada Estudo de Caso Planejamento e Métodos Robert K. Yin Tradução: Daniel Grassi Sônia Afonso Professora: Alunas: Andréia Saugo e Lia Geovana Sala
  • 2. Autor Robert K. Yin Robert K. Yin, Ph.D., é Presidente de uma Corporação (COSMO), que trabalha com pesquisa aplicada em empresas de ciência social que estiveram em operação desde 1980. Durante estes anos, completou centenas de projetos prosperamente para agências de governo, fundações privadas, e outros setores empresariais e de organizações conduzindo vários projetos de pesquisa ativamente, incluindo métodos de estudo de caso. É autor de numerosos livros e artigos, principalmente em Pesquisa e Aplicações de Pesquisa de estudo de caso e, em 1998 fundou o " Robert K. Yin Fund " a M.I.T. que apóia seminários em ciências do cérebro como também outras atividades relacionadas ao avanço a estudos no Departamento de Cérebro e Ciências Cognitivas.
  • 3. Sumário 1. Introdução (definição dos temas ou problemas a serem estudados) 2. Projetando estudos de caso (aspectos do controle de qualidade) 3. Conduzindo estudos de caso: preparação para a coleta de dados 4. Conduzindo estudos de caso: coleta de evidências 5. Analisando as evidências do estudo de caso 6. Compondo o “relatório” de um estudo de caso 3 : 38
  • 4. 1 O estudo de caso como estratégia de pesquisa Os estudos de caso representam a estratégia preferida quando:  se colocam questões do tipo “como” e “por que”;  o pesquisador tem pouco controle sobre os eventos; e  o foco se encontra em fenômenos contemporâneos inseridos em algum contexto da vida real. A clara necessidade pelos estudos de caso surge do desejo de se compreender fenômenos sociais complexos. Ou seja, o estudo de caso permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos eventos da vida real. 4 : 38
  • 5. Comparando estudos de caso com outras estratégias de pesquisa Quando e por que você desejaria realizar estudos de caso sobre algum tópico? Deveria pensar em fazer um experimento no local? Um levantamento? Uma pesquisa histórica? Essas e outras escolhas representam estratégias de pesquisa diferentes, cada uma com sua maneira de coletar e analisar provas empíricas, seguindo sua própria lógica, com suas vantagens e desvantagens. Pode-se utilizar cada estratégia por três propósitos: exploratório, descritivo ou explanatório. Embora cada estratégia tenha suas características distintas, isso não implica que os limites entre as estratégias sejam claros e bem delimitados, podendo haver sobreposições. 5 : 38
  • 6. Quando utilizar cada estratégia Três condições que consistem: No tipo de questão de pesquisa proposto; Na extensão de controle que o pesquisador tem sobre eventos comportamentais efetivos; e No grau de enfoque em acontecimentos históricos em oposição a acontecimentos contemporâneos. Exige controle sobre Focaliza Forma da questão Estratégia eventos acontecimentos de pesquisa comportamentais? contemporâneos? Experimento Como, por que Sim Sim Quem, o que, onde, Levantamento Não Sim quantos, quanto Quem, o que, onde, Análise de arquivos Não Sim/não quantos, quanto Pesquisa histórica Como, por que Não Não Estudo de caso Como, por que Não Sim 6 : 38
  • 7. A mais importante condição para se diferenciar as várias estratégias de pesquisa é identificar nela o tipo de questão que está sendo apresentada. Em geral, questões do tipo “o que” podem ser tanto exploratórias (em que se poderia utilizar qualquer uma da estratégias) ou sobre predominância de algum tipo de dado (em que se valorizaria levantamentos ou análises de registros em arquivos). Questões “como” e “por que” estimulam o uso de estudos de caso, experimentos ou pesquisas históricas. Definir as questões da pesquisa é o passo mais importante. Paciência e tempo suficiente A chave é compreender que as questões de uma pesquisa possuem substância – ex. “sobre o que é o meu estudo?” – e forma – ex. “estou fazendo uma pergunta do tipo „quem‟, „o que‟, „por que‟ ou „como‟?” Determinar as questões mais significantes para um determinado tópico e obter alguma precisão na formulação, exige muita preparação. Uma maneira é revisar a literatura já escrita sobre aquele tópico, isto é um meio para se atingir uma finalidade e não uma finalidade em si. 7 : 38
  • 8. Definição do estudo de caso como estratégia de pesquisa “a essência de um estudo de caso é tentar esclarecer uma decisão ou um conjunto de decisões: o motivo pelo qual foram tomadas, como foram implementadas e com quais resultados” (Schramm, 1971). Uma falha comum: é considerar o estudo de caso como o estágio exploratório de algum outro tipo de estratégia de pesquisa, e o estudo de caso em si era apenas mencionado em uma ou duas linhas do texto. O estudo de caso como estratégia de pesquisa compreende um método que abrange tudo – com a lógica de planejamento incorporando abordagens específicas à coleta e análise de dados. Nesse sentido, o estudo de caso não é nem uma tática para a coleta de dados nem meramente uma característica do planejamento em si, mas uma estratégia de pesquisa abrangente. 8 : 38
  • 9. Variações dentro dos estudos de caso como estratégia de pesquisa A pesquisa de estudo de caso pode incluir tanto estudos de caso único quanto de casos múltiplos. Pode-se basear os estudos de caso em qualquer mescla de provas quantitativas e qualitativas. E também podem incluir, e mesmo ser limitados, às evidências quantitativas. Como exemplos, alguns experimentos (como estudos de percepções psicológicas) e algumas questões feitas em levantamentos (como aquelas que buscam respostas numéricas em vez de respostas categóricas) tem como base evidências qualitativas, e não quantitativas. Da mesma maneira, a pesquisa histórica pode incluir enormes quantidades de evidências quantitativas. Muito embora se pense que os estudos de caso sejam uma pesquisa “fácil”, a pesquisa de estudo de caso é notavelmente complicada. E o paradoxo é que quanto “mais fácil” for uma estratégia de pesquisa, mais difícil será para realizá-la. 9 : 38
  • 10. 2 Projetando estudos de caso Para projetar um estudo de caso é necessário um plano ou um projeto de pesquisa. Definição de projetos de pesquisa Cada tipo de pesquisa empírica possui um projeto de pesquisa implícito, se não explícito. Um projeto de pesquisa é um plano de ação para se sair daqui e chegar lá. É como um “esquema” de pesquisa, que trata de, quatro problemas principais: • quais questões estudar, • quais dados são relevantes, • quais dados coletar e • como analisar os resultados. 10 : 38
  • 11. Componentes de projetos de pesquisa Para estudos de caso, são importantes cinco componentes de um projeto de pesquisa: 1- Questões de estudo Sugere-se a forma da questão – em termos de “quem”, “o que”, “onde”, “como” e “por que” – para obter uma chave importante na escolha da estratégia de pesquisa. Para a estratégia de estudo de caso são mais prováveis as questões do tipo “como” e “por que”. 11 : 38
  • 12. 2- Proposições de estudo Cada proposição destina atenção a alguma coisa. Por exemplo, uma pesquisa sobre uma parceria interorganizacional começou com a questão: como e por que as organizações colaboram umas com as outras para prestar serviços em associação (por exemplo, um fabricante e uma loja de varejo decidem trabalhar juntos para vender certos produtos)? Essas questões “como” e “por que” (essência daquilo que realmente se está interessado em responder), levam ao estudo de caso como estratégia apropriada em primeiro lugar. Somente se for obrigado a estabelecer algumas proposições você irá na direção certa. Por exemplo, pode-se pensar que as organizações colaboram entre si porque obtêm benefícios mútuos. Essa proposição, além de refletir uma importante questão teórica, também começa a mostrar onde deve-se procurar referências relevantes. Ao mesmo tempo, alguns estudos podem ter uma razão absolutamente legítima para não possuir nenhuma proposição. 12 : 38
  • 13. 3- Unidade(s) de análise Relaciona-se com o problema fundamental de se definir o que é um “caso”. Por exemplo, no estudo de caso clássico, um “caso” pode ser um indivíduo (ex. estudos de casos de pacientes clínicos), naturalmente também pode ser algum evento ou entidade que é menos definido do que um indivíduo. A orientação da unidade de análise (portanto, do caso) está relacionada à maneira como as questões iniciais da pesquisa foram definidas. Suponha, por exemplo, que você queira estudar o papel dos Estados Unidos na economia mundial. A unidade de análise para o seu estudo de caso pode ser a economia de um país, uma indústria no mercado global, uma política econômica ou o comércio ou o fluxo de capital entre dois países. Cada unidade de análise exigiria um projeto de pesquisa sutilmente diferente e uma estratégia de coleta de dados. Especificar corretamente as questões primárias da pesquisa traria como conseqüência a seleção da unidade apropriada de análise. Se as suas questões não derem preferência a uma unidade em relação a outra, significa que elas estão ou vagas demais ou em número excessivo. 13 : 38
  • 14. 4- Ligando os dados a proposições Uma abordagem promissora para os estudos de caso é a idéia da “adequação ao padrão”, por meio da qual várias partes da mesma informação do mesmo caso podem ser relacionadas à mesma proposição teórica. 5- Critérios para a interpretação das descobertas Normalmente, não há uma maneira precisa de se estabelecer os critérios para a interpretação das descobertas. O que se espera é que os diferentes padrões estejam contrastando, de forma clara e suficiente, que as descobertas podem ser interpretadas em termos de comparação de, pelo menos, duas proposições concorrentes. 14 : 38
  • 15. Critérios para se julgar a qualidade dos projetos de pesquisa Como se supõe que um projeto de pesquisa represente um conjunto lógico de proposições, você também pode julgar a qualidade de qualquer projeto dado de acordo com certos testes lógicos. Quatro testes são utilizados para se determinar a qualidade de qualquer pesquisa social empírica. São eles:  Validade do constructo: estabelecer medidas operacionais corretas para os conceitos que estão sob estudo.  Validade interna (apenas para estudos explanatórios ou causais): estabelecer uma relação causal, por meio da qual são mostradas certas condições que levem a outras condições diferenciadas.  Validade externa: estabelecer o domínio ao qual as descobertas de um estudo podem ser generalizadas.  Confiabilidade: demonstrar que as operações de um estudo – como os procedimentos de coleta de dados – podem ser repetidas, apresentando os mesmos resultados. 15 : 38
  • 16. Projetos de estudo de caso Para a estratégia de estudo de caso, os quatro tipos de projetos são:  Projetos de caso único (holísticos ou incorporados)  Projetos de caso múltiplo (holísticos ou incorporados) Uma distinção básica que deve ser feita ao se projetar estudos de caso é entre projetos de caso único e de casos múltiplos, escolha que deve ser feita antes da coleta de dados, ao se formular as questões da pesquisa. Muitas condições que justificam um experimento único também justificam um estudo de caso único. Outro fundamento lógico para um caso único é aquele em que o caso representa um caso raro ou extremo. E um terceiro fundamento é o caso revelador, situação que ocorre quando o pesquisador tem a oportunidade de observar e analisar um fenômeno previamente inacessível à investigação científica. 16 : 38
  • 17. Estudos de casos incorporados versus holísticos O mesmo estudo de caso pode envolver mais de uma unidade de análise. Isso ocorre quando, dentro de um caso único, se dá atenção a uma ou várias subunidades. Por exemplo, embora um estudo de caso possa tratar de um simples programa público, devem constar na análise os resultados dos projetos individuais dentro do programa (e possivelmente até mesmo algumas análises quantitativas de um número maior de projetos). Em um estudo organizacional, as unidades incorporadas também podem ser unidades de “processo” – como reuniões, funções ou locais determinados. Em todas essas situações, pode-se selecionar as unidades incorporadas através de amostragens ou técnicas de grupo. De qualquer maneira que as unidades sejam selecionadas, o projeto resultante seria denominado projeto de estudo de caso incorporado. Em contraste, se o estudo de caso examinasse apenas a natureza global de um programa ou de uma organização, um projeto holístico seria a denominação utilizada. 17 : 38
  • 18. Projetos de caso único versus de casos múltiplos O mesmo estudo pode conter mais de um caso único. Quando isso ocorrer, o estudo precisa utilizar um projeto de casos múltiplos. Projetos de casos múltiplos possuem vantagens e desvantagens distintas em comparação aos projetos de caso único. As provas resultantes de casos múltiplos são consideradas mais convincentes, e o estudo global é visto como sendo mais robusto. Ao mesmo tempo, o fundamento lógico para projetos de caso único, não pode ser satisfeito por casos múltiplos. É provável que o caso raro ou incomum, o caso crítico e o caso revelador impliquem apenas em casos únicos, por definição. Qualquer utilização de projetos de casos múltiplos deve seguir uma lógica de replicação, e não de amostragem. Os casos devem funcionar de uma maneira semelhante aos experimentos múltiplos, com resultados similares (replicação literal) ou contraditórios (replicação teórica) previstos explicitamente no princípio da investigação. 18 : 38
  • 19. Conduzindo estudos de caso: 3 preparação para a coleta de dados O pesquisador do estudo de caso: habilidades desejadas  Uma pessoa capaz de fazer boas perguntas – e interpretar as respostas.  Deve ser um bom ouvinte e não ser enganado por suas próprias ideologias e preconceitos.  Uma pessoa capaz de ser adaptável e flexível, de forma que as situações recentemente encontradas possam ser vistas como oportunidades e não ameaças. Deve ter uma noção clara das questões que estão sendo estudadas, mesmo que seja uma orientação teórica ou política, ou que seja de um modo exploratório.  Deve ser imparcial em relação a noções preconcebidas, incluindo aquelas que se originam de uma teoria. Uma pessoa sensível e atenta a provas contraditórias. 19 : 38
  • 20. Treinamento e preparação para um estudo de caso específico Agendar atividades e obter acesso a fontes relevantes de evidências são atos importantes para a administração de um estudo de caso. Cada pesquisador precisa saber:  Por que o estudo está sendo realizado  Quais provas estão sendo procuradas  Quais variações podem ser antecipadas (e o que deve ser feito se essas variações ocorrerem)  O que constituiria uma prova contrária ou corroborativa para qualquer proposição dada. O treinamento pode revelar falhas no projeto do estudo de caso ou mesmo na definição inicial do problema do estudo. 20 : 38
  • 21. O protocolo para o estudo de caso O protocolo contém os procedimentos e as regras gerais que deveriam ser seguidas ao se utilizar o estudo de caso. O protocolo é desejável para o estudo de caso em qualquer circunstância, mas é essencial quando se utilizar um projeto de casos múltiplo. Deve apresentar as seguintes seções:  Uma visão geral do projeto do estudo de caso  Procedimentos de campo  Questões do estudo de caso Guia para o relatório do estudo de caso São um conjunto de questões substantivas que refletem a investigação real. O protocolo é para a coleta de dados a partir de um caso único e ele não tem por objetivo servir ao projeto inteiro. 21 : 38
  • 22. 4 Conduzindo estudos de caso: Coleta de evidências As evidências podem vir de 6 fontes distintas:  Documentos;  Registros em Arquivo;  Entrevistas;  Observação Direta;  Observação Participante;  Artefatos Físicos; 22 : 38
  • 23. Documentos: Esse tipo de informação pode assumir muitas formas e deve ser o objeto de planos explícitos da coleta de dados. Por exemplo:  Catas, memorandos ;  Agendas, avisos e minutas de reuniões, relatórios em geral;  Documentos administrativos (propostas, relatórios e documentos internos );  Estudos ou avaliações formais do mesmo local sob estudo;  Recortes de jornais e ou artigos publicados na mídia; 23 : 38
  • 24. Registros em Arquivo: Para alguns estudos os registros podem ser muito importantes que se transformam no objeto de uma ampla restauração e análise. Registros de serviço (que registram o número dos clientes atendidos em determinado período); Registros Organizacionais (tabelas, orçamentos) Mapas e tabelas Lista de nomes e de outros itens importantes Dados oriundos de levantamentos (sobre o local) Registros pessoais (diários, anotações agendas de telefone) Nenhuma das fontes possui vantagem indiscutível sobre as outras, as várias fontes são altamente complementares. 24 : 38
  • 25. Entrevistas (podem assumir diversas formas):  Forma espontânea: permite que você tanto indague repondentes-chave sobre fatos de uma maneira quanto peça a opinião, interpretação deles sobre determinados assuntos ou eventos. E pode utilizar essas proposições como base para uma nova pesquisa.  Entrevista focal (Merton et al., 1990): o respondente é entrevistado por um curto período de tempo. Elas continuas sendo espontâneas e tem caráter de uma conversa informal, porém existe um conjunto de perguntas que é seguido.  Levantamento formal: é uma entrevista mais estruturada e pode ser considerada como parte de um estudo de caso ex: Um estudo de caso sobre um bairro onde você ira realizar um levantamento de como os moradores e comerciantes locais percebem o avanço ou declínio de sua região. 25 : 38
  • 26. Observação direta: (visitas de campo)  As observações podem variar de atividades formais a informais de coleta de dados. Pode-se desenvolver protocolos de observação(formal).  Pode-se observar: reuniões, atividades de passeio, trabalho de fábrica, salas de aula. Observação participante: você pode participar de eventos que estão sendo estudados (podem variar de interações sociais informais com os moradores à atividades funcionais específicas dentro do bairro)  Ser morador em um bairro que é objeto de um estudo de caso;  Desempenhar algum outro papel funcional em uma região, como trabalhar como assistente de loja;  Trabalhar como membro de equipe em uma organização;  Ser uma pessoa que toma as decisões-chave em uma organização; 26 : 38
  • 27. Artefatos físicos: é um aparelho de alta tecnologia, uma ferramenta ou instrumento, uma obra de arte ou alguma outra evidência física. Pode-se coletar ou observar esses artefatos como parte de uma visita de campo e pode-se utilizá- los extensivamente na pesquisa antropológica. Três princípios para a coleta de dados 1- utilizar várias fontes de evidência 2- criar um banco de dados para o estudo de caso 3- manter o encadeamento de evidências 27 : 38
  • 28. Analisando as evidências do 5 estudo de caso  A análise de dados consiste em examinar, categorizar, classificar em tabelas, ou, do contrário, recombinar evidências tendo em vista proposições iniciais de um estudo de caso.  Estratégias Analíticas Gerais  1- Tornar os dados do estudo de caso propícios à análise estatística - atribuindo valores numéricos aos eventos.  2 – Utilizar várias técnicas analíticas (Miles & Huberman, 1984) * dispor as informações em séries diferentes; * criar uma matriz de categorias e dispor as evidências dentro dessas categorias; * criar modos de apresentação dos dados (fluxogramas); * classificar em tabelas de freqüência de eventos diferentes; * examinar a complexidade dessas classificações e sua relação calculando números de 2ª ordem (médias e variâncias); * dispor as informações em ordem cronológica ou utilizar alguma outra disposição temporal. 28 : 38
  • 29. Duas estratégias gerais:  Baseando-se em proposições teóricas: é seguir as proposições teóricas que levaram ao estudo de caso. Essas proposições refletem o conjunto de questões da pesquisa, as revisões feitas na literatura sobre o assunto e as novas interpretações que possam surgir. As proposições dariam forma ao plano da coleta de dados e assim estabeleceriam a prioridade às estratégias analíticas relevantes.  Desenvolvendo uma descrição de caso: é desenvolver uma estrutura descritiva a fim de organizar o estudo de caso. É preferível utilizar proposições teóricas a utilizar essa estratégia. 29 : 38
  • 30. Métodos principais de análise  Adequação ao padrão: Essa lógica (Thochim, 1989) compara um padrão fundamentalmente empírico com outro de base prognóstica (ou com várias outras previsões alternativas). Se os padrões coincidirem, os resultados podem ajudar o estudo de caso reforçar sua validade interna.  Construção da explanação: é um tipo especial de adequação padrão. O objetivo é analisar os dados do estudo de caso construindo uma explanação sobre o caso (Yin, 1982b).  Análise de séries temporais: é diretamente análoga à análise de séries temporais realizada em experimentos e em pesquisas quase-experimentais. Ex: curso dos acontecimentos que levaram ao uso da maconha (Becker, 1963)  Modelos lógicos de programa: é uma combinação das técnicas de adequação ao padrão e de análise de séries temporais. O padrão que está sendo buscado é o padrão-chave de causa- efeito entre variáveis independentes e dependentes (Peterson & Bickman, 1992; Rog & Huebner, 1992). 30 : 38
  • 31. Métodos secundários de análise  Análise de unidades incorporadoras de análise: quando um projeto de estudo de caso inclui uma unidade incorporadora de análise – ou seja, uma unidade menor do que o caso em si, para o qual inúmeros pontos de dados foram coletados. Ex: conjunto de respostas dadas por moradores de um bairro sobre a habitação como parte do estudo de caso único.  Observações repetidas: são feitas ao longo do tempo (séries temporais) ou então através de cortes transversais, ou seja locais repetidos ou para outras unidades incorporadoras de análise dentro do mesmo caso.  Abordagem de levantamento de dados do caso: limita-se àquelas situações em que há vários estudos de caso disponíveis para análise. Ex: participação do cidadão em serviços urbanos (Yin & Yates, 1975) que podem ter como base mais de 200 estudos de caso. O levantamento de caso exige o desenvolvimento de um instrumento de codificação induzida, que então é aplicada a cada estudo de caso. 31 : 38
  • 32. Compondo o relatório de um 6 estudo de caso  A exposição de um estudo de caso pode ser tanto escrita quanto oral. Independentemente da forma que assume, porém etapas semelhantes devem ser obedecidas durante o processo de composição: › O público a que os estudos de caso se destinam; › As variedades de composição do estudo de caso; › As estruturas ilustrativas para as composições do estudo de caso; › Os procedimentos a serem adotados ao se realizar um relatório de estudo de caso; › E, como conclusão, as especulações sobre as características de um estudo de caso exemplar; 32 : 38
  • 33. O público para um estudo de caso Os estudos de caso possuem uma relação mais diversa de possíveis públicos-alvo do que a maioria dos outros tipos de pesquisa. Inclui-se nessa relação: › Colegas da mesma área; › Organizadores políticos, profissionais em geral e também os profissionais que não se especializaram na metodologia do estudo de caso; › Grupos especiais, como a banca de tese ou de dissertação de um estudante; › A instituição financiadora da pesquisa. 33 : 38
  • 34. Variedade de estruturas de um estudo de caso:  Um relatório de estudo de caso não precisa ser apenas escrito. As informações obtidas podem ser expostas de diversas maneiras como: › Exposição oral › Conjunto de fotos › Gravações de vídeo.  A maioria dos estudos de caso realmente resultam em produtos escritos, mas o pesquisador pode escolher a maneira mais eficaz e pertinente de apresentar qualquer relatório. Mas o que influenciara na escolha é a tarefa de identificar o público alvo para o estudo de caso. 34 : 38
  • 35. Estruturas ilustrativas para a constituição dos estudos de caso;  Os capítulos, as seções, os subtópicos de um relatório devem ser organizados de alguma forma. Essa organização constitui a estrutura do relatório.  Segue abaixo 6 sugestões de estruturas: › Estruturas analíticas lineares; › Estruturas comparativas; › Estruturas cronológicas; › Estruturas de construção de teoria; › Estruturas de incerteza › Estruturas não-seqüenciais. 35 : 38
  • 36. Procedimentos ao se fazer um relatório de estudo de caso  Toda pessoa deve possuir um conjunto bem-delimitado de procedimentos para analisar os dados obtidos nas ciências sociais e para elaborar um relatório.  Quando e como iniciar a elaboração? O primeiro passo é começar a redigir o relatório logo no início do processo analítico. Ex. depois que a literatura existente já tiver sido revisada e que o estudo estiver projetado, é possível fazer um rascunho de 2 seções do relatório: a bibliografia e metodologia.  A identidade dos casos: real ou anônima? A melhor opção é revelar a identidade tanto do caso quanto dos indivíduos. A revisão do estudo de caso: um procedimento de validação. Tem haver com a qualidade total do estudo, para isto o relatório deve ser revisado não apenas pelos colegas do pesquisador, mas também pelos participantes e informantes do caso . 36 : 38
  • 37. O que torna um estudo de caso exemplar?  Para ser exemplar um estudo de caso deve: › Ser significativo; › Ser completo; › Considerar perspectivas alternativas; › Apresentar evidências suficientes; › Ser elaborado de uma maneira atraente. 37 : 38
  • 38. Referências bibliográficas  Becker, H. S. (1963). Becoming a marijuana user. In H. S. Becker (Ed.), The outsiders (pp. 41- 58). New York: Free Press.  Merton, R. K., Fiske, M., & kendall, P. L. (1990). The focused interview: A manual of problems and procedures (2 nd ed.). New York: Free Press.  Miles, M. B., & Huberman, A. M. (1984). Analyzing qualitative data: A source book for new methods. Beverly Hills, CA: Sage.  Peterson, K. A., & Bickman, L. (1992). Using program theory in quality assessments of children’s mental health sevices. In H. T. Chen & P. Rossi (Eds.), Using theory to improve program and policy evaluations (pp.165-176). Westport, CT: Greenwood.  Rog, D. J. & Huebner, R. B. (1992). Using research and theory in developing innovative programs for homeless individuals. In H. T. Chen & P. Rossi (Eds.), Using theory to improve program and policy evaluations (pp. 129-144). Westport, CT: Greenwood.  Schramm, W. (1971). Notes on case studies of instructional media projects. Working paper, the Academy for Educational Development, Washington, DC.  Thochim, W. (1989). Outcome pattern matchig and program theory. Evaluation and Program Planning, 12, 355-366.  Yin , R. K., & Yates, D. (1975). Street-level governments: Assessing decentralization and urban services. Lexington, MA: Lexington Press.  Yin, R. K. (1982b). Studying the implementation of public programs. In W. Williams et al. (Eds.), Studying implementation: Methodological and administrative issues (pp. 36-72). Chatham, NJ: Chatham House.  _____Imagens Disponíveis em: < http://www.dreamstime.com/free-photos > Acesso: 15/11/2008.