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Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa

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Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa
LIÇÕES BÍBLICAS - 1º Trimestre de 2014 - CPAD - Para jovens e adultos
Tema: Uma Jornada de Fé - A Formação do povo de Israel e sua herança espiritual
Comentário: Pr. Antônio Gilberto
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E
EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
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TEXTO ÁUREO
[...] Porque CRISTO, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Co 5.7b).

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VERDADE PRÁTICA
CRISTO é o nosso Cordeiro Pascal. Por meio do seu sacrifício expiatório fomos libertos da escravidão do
pecado e da ira de DEUS.

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LEITURA DIÁRIA
Segunda - Êx 12.5 Um cordeiro sem mácula deveria ser morto
Terça- Êx 12.7 Sangue foi aspergido nas portas
Quarta- Êx 12.29-33 Morte nas famílias egípcias
Quinta - Jo 1.29 O Cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo
Sexta - 1 Jo 1.7 O sangue purificador do Cordeiro de DEUS
Sábado- Hb 11.28 Pela fé, Moisés celebrou a Páscoa

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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Êxodo 12.1-11
1 - E falou o SENHOR a Moisés e a Ar ao na terra do Egito, dizendo: 2 - Este mesmo mês vos será o princípio
dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano. 3 - Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos
dez deste mês, tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada casa. 4 Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme
o número das almas; conforme o comer de cada um, fareis a conta para o cordeiro. 5 - 0 cordeiro, ou cabrito,
será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras 6 - e o guardareis até ao
décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. 7 - E tomarão
do sangue e pô-lo-ão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem. 8 - E naquela
noite comerão a carne assada no fogo, com pães asmos; com ervas amargosas a comerão. 9 - Não comereis
dele nada cru, nem cozido em água, senão assado ao fogo; a cabeça com os pés e com a fressura. 10 - E nada
dele deixareis até pela manhã; mas o que dele ficar até peia manhã, queimareis no fogo.
11 - Assim, pois, o comereis: os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão;
e o comereis apressadamente; esta é a Páscoa do SENHOR.
INTERAÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos uma das festas mais significativas para Israel e a Igreja — a Páscoa. DEUS
queria que seu povo nunca se esquecesse desta comemoração especial. Por isso, esta data foi santificada. No
decorrer da lição, procure enfatizar que a Páscoa era uma oportunidade para os israelitas descansarem,
festejarem e adorarem a DEUS por tão grande livramento, que foi a sua libertação e saída do Egito. Hoje, o
nosso Cordeiro Pascal é CRISTO. Ele morreu para trazer redenção aos judeus e gentios. CRISTO nos livrou da
escravidão do pecado e sua condenação eterna. Exaltemos ao Senhor diariamente por tão grande salvação.
OBJETIVOS - Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
Analisar o significado da Páscoa para os israelitas, egípcios e para os cristãos.
Saber quais eram os elementos principais da Páscoa.
Conscientizar-se de que CRISTO é a nossa Páscoa.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
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Professor, para iniciar a lição faça a seguinte pergunta: “O que significa a palavra Páscoa?” Ouça os alunos com
atenção e explique que o termo significa “passar por”. Diga que este vocábulo tornou-se o nome de uma das
mais importantes celebrações do povo hebreu. Diga que a festa da Páscoa acontece no mês de abibe
(março/abril).
Utilizando o quadro da página seguinte, explique aos alunos o significado desta celebração para os egípcios,
judeus e cristãos. Conclua, enfatizando que a Páscoa nos fala do sacrifício de CRISTO, o nosso Cordeiro
Pascal.
A PÁSCOA
A PÁSCOA SEU SIGNIFICADO
Para os
egípcios

Significava o juízo divino sobre o Egito.

Para os
israelitas

A saída do Egito, a passagem para a
liberdade.

Para os
cristãos

É a passagem da morte dos nossos pecados
para a vida de santidade em CRISTO.

PALAVRA-CHAVE
Páscoa: Uma das mais importantes festas do povo hebreu em que comemoravam a saída do Egito.

Resumo da Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa
I - A PÁSCOA
1. Para os egípcios.
2. Para Israel.
3. Para nós.
II - OS ELEMENTOS DA PÁSCOA
1. O pão.
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2. As ervas amargas (Êx 12.8).
3. O cordeiro (Êx 12.3-7).
III - CRISTO, NOSSA PÁSCOA
1. JESUS, o Pão da Vida (Jo 6.35,48,51).
2. O sangue de CRISTO (1 Co 5.7; Rm 5.8,9)
3. A Santa Ceia.
SINOPSE DO TÓPICO (1) - Para nós cristãos a Páscoa é a passagem da morte dos nossos pecados para a vida
de santidade em CRISTO.
SINOPSE DO TÓPICO (2) - Os três elementos da Páscoa eram: o pão, as ervas amargas e o cordeiro sem
mácula.
SINOPSE DO TÓPICO (3) - A Ceia do Senhor é um memorial da morte redentora de CRISTO por nós e um alerta
quanto à sua vinda.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
COHEN, Armando Chaves. Êxodo. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo.
1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I - Subsídio Bibliológico
“O propósito de DEUS em instituir a Páscoa era estabelecer o marco inicial para a libertação de Israel do
cativeiro egípcio e proclamar a redenção alcançada pelo sangue do Cordeiro, já revelada no sacrifício de Isaque
(Gn 22.1-19), conforme mais tarde escreveram os apóstolos Paulo e Pedro: ‘e demonstrar a todos qual seja a
dispensação do ministério, que, desde os séculos esteve oculto em DEUS’ (Ef 3.9); [...] o qual, na verdade, em
outro tempo, foi conhecido, antes da fundação do mundo’ (1 Pe 1.20).
CRISTO é a nossa Páscoa (1 Co 5.17). Ele é o Cordeiro de DEUS Co 1.29). O cordeiro deveria ser separado
para o sacrifício até ao décimo quarto dia do primeiro mês do ano (Êx 12.3-6) e tinha de ser sem defeito (Êx
12.5). CRISTO cumpriu essa exigência (1 Pe 1.18,19). Ele entrou em Jerusalém no dia da separação do cordeiro
e morreu no mesmo dia do sacrifício. O cordeiro precisava ser imolado pela congregação, assim como CRISTO
foi sacrificado pelos líderes civis e religiosos de Israel e de Roma e pela vontade do povo. Nenhum osso do
cordeiro poderia ser quebrado (Êx 12.46), também nenhum osso de CRISTO foi partido Jo 19.33-36)” (COHEN,
Armando Chaves. Êxodo. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998, p.42).
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II - Subsídio Bibliológico
“Êxodo 12 não diz respeito somente ao momento da Páscoa, ao porquê da Páscoa e a como ela deve ser
observada, mas também quem deve participar (Êx 1 2.43-49). A Páscoa não era algo indiscriminadamente
aberto para todos. Quem podia participar? A congregação de Israel (v. 47); os escravos (v. 44), quando
circuncidados, por terem os mesmos privilégios dos hebreus; os estrangeiros (v. 48), gentios que tivessem
abraçado a fé em Jeová. Quem não podia participar? O forasteiro (v. 43), pagão e incrédulo; o viajante (v. 45)
que, hóspede ou de passagem, ficava algum tempo no território de Israel; o servo assalariado (v. 45), que
pertencia a uma outra nação mas trabalhava em Israel. Essas distinções eram necessárias por causa da
‘mistura de gente’ (1 2.38) que deixou o Egito. Foi por isso que as instruções acerca da elegibilidade para
participar da Páscoa (1 2.43-49) foram passadas logo após essa ‘mistura de gente’ deixar o Egito (12.37-39)”
(HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco. 2. ed. Rio de Janeiro; CPAD, 2007, pp. 191-92).
COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO
Neste capítulo veremos de que forma os acontecimentos de uma noite mudaram a história dos egípcios e do
povo de Israel. A celebração da Páscoa teve significados distintos para hebreus e egípcios, pois na noite em
que foi instituída, houve lamento no Egito, mas a seguir ocorreu a libertação prometida por DEUS para os seus
filhos.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida.
Editora CPAD. pag. 35.
PÁSCOA 1 Esta palavra aparece várias vezes na Bíblia Sagrada. Porém na versão KJV em inglês ela aparece
apenas uma vez (At 12.4). É usada como tradução do termo grego pascha, que é corretamente traduzido como
"páscoa" nas passagens onde consta no Novo Testamento. A palavra "Páscoa" em inglês ("Easter") é derivada
do nome de uma deusa teutônica da primavera, "Eastre", e foi adaptada pelos cristãos ao uso atual aprox. no
século VIII d.C.
PÁSCOA 2 Festa instituída por DEUS para Israel, na época do Êxodo, para celebrar a noite em que o Senhor
Jeová poupou todos os recém nascidos primogênitos dos israelitas e matou todos os primogênitos dos egípcios
(Êx 12.1-30,43-49). A palavra hebraica pesah (do grego pascha) tem uma origem incerta. G. E. Mendenhall a
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relaciona com a palavra acadiana pashu, que consta na carta Amarna 74.37 para descrever a paz ou a
segurança que resulta do estabelecimento de uma aliança (BASOR, #133 [1954], p. 29). B. Couroyer sugere que
este termo é uma transliteração de duas palavras egípcias p3 sh, 'Te coup" (o golpe, a pancada), e que ele
refere-se ao golpe infligido pelo Senhor à terra do Egito na décima praga. Ele acredita que a expressão egípcia foi
colocada ao lado de uma raiz hebraica composta pelas mesmas consoantes, pasah, que significa saltar ou
passar (por cima) como em 1 Reis 18.26. Devido à sua conexão com a isenção dos primogénitos de Israel,
pesah veio a ter o sentido da misericordiosa intenção de Jeová ao passar por cima das casas que foram
marcadas com sangue ("Uorigine égyptienne du mot 'Pâque'", Revue Biblique, LXII [1955], 481-496). O verbo
pasah ocorre em Êxodo 12.13,23,27, onde obviamente significa que o Senhor pulou ou saltou por cima e, desse
modo, poupou as casas israelitas quando feriu os egípcios (Outro verbo com os mesmos radicais significa
mancar ou ser manco; 2 Samuel 4.4.) A outra única ocorrência, no sentido de poupar ou proteger, está em Isaías
31.5, onde pasah está em um paralelo com outros três verbos que significam "proteger", "libertar" e "salvar". É
possível que em Isaías o significado possa ter sido estabelecido pelo uso em Êxodo 12 e não por refletir o
significado original da raiz. Portanto, não se pode afirmar que o substantivo pesah deriva ou não do verbo pasah,
que originalmente significava passar por cima. Quanto à observação cerimonial da festa da Páscoa no AT, Veja
Festividades; Sacrifícios; Adoração.
No AT, é feita uma referência à celebração da primeira Páscoa por Moisés, com a aspersão de sangue para que
os primogênitos israelitas não fossem tocados (Hb 11.28). Existem muitas outras referências a festas da
Páscoa durante a vida do Senhor JESUS. Ainda criança, todos os anos Ele era levado por seus pais a
Jerusalém para a Festa da Páscoa (Lc 2.41). No quarto evangelho, três Páscoas são definitivamente
mencionadas durante o ministério do Senhor JESUS (Jo 2.13,23; 6.4; 11.55; 12.1; 13;1; 18.28,39; 19.14) e
acredita-se que a festa mencionada em João 5.1 seria a quarta Páscoa. Na época de CRISTO, o cordeiro pascal
(geralmente um cordeiro ou cabrito de um ano, mas veja Êxodo 12.5) era ritualmente sacrificado na área do
Templo. Essa refeição, no entanto, podia ser comida em qualquer casa da cidade. Um grupo comunitário, como
o de JESUS e seus discípulos, podia celebrar a Páscoa em conjunto, com se formasse uma unidade familiar.
Cerca de 120.000 a 180.000 judeus compareciam a Jerusalém para essa e outras festas anuais, sendo que a
grande maioria deles era formada por peregrinos vindos de países da Diáspora (J. Jeremias, Jerusalém in the
Time of JESUS, Filadélfia. Fortress, 1969, pp. 58-84). Depois da destruição do Templo no ano 70 d.C, as
provisões para o sacrifício de um animal, sob a forma de um ritual, cessaram totalmente e a Páscoa dos judeus
passou a ser uma simples cerimônia familiar, uma refeição sem derramamento de sangue. Atualmente, apenas
os samaritanos (q.v.), em sua cerimônia anual da Páscoa no monte Gerizim, sacrificam cordeiros ou cabritos
visando cumprir a ordem de Êxodo 12. Uma última passagem do NT desenvolve claramente o significado
tipológico da Páscoa e da Festa dos Pães Asmos para o cristão. Paulo conclama os coríntios a eliminar o
fermento da malícia e da iniquidade, e observar diariamente a festa "porque CRISTO, nossa páscoa, foi
sacrificado por nós" (1 Co 5.7). Dessa forma, Paulo declara diretamente que CRISTO é o "nosso Cordeiro
pascal", conforme o pronunciamento de João Batista de que JESUS é "o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado
do mundo" (Jo 1.29). Devido a estas passagens, e a ensinos semelhantes, a Igreja primitiva veio a entender que
a Ceia do Senhor (q.v.) substitui completamente a celebração da Páscoa.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1467-1468.
I - A PÁSCOA.
1. Para os egípcios.
Para que possamos entender o significado da Páscoa para os egípcios, é preciso que recordemos o que ocorreu
nos últimos dias antes de ela acontecer.
Moisés já havia falado com Faraó sobre ele libertar Israel, mas o rei não cedeu, mesmo com o envio de pragas
assustadoras que atacaram profundamente a vida dos egípcios. Entretanto, DEUS ainda tinha mais um
julgamento contra o Egito, um julgamento tal que aquela nação entraria em prantos: a morte dos primeiros filhos
de cada família egípcia. A Páscoa foi um duro julgamento de DEUS para com as atrocidades cometidas pelos
egípcios contra os meninos hebreus. Não podemos nos esquecer de que, no início do livro de Êxodo, Faraó
ordenou que as parteiras Sifrá e Puá matassem os meninos recém-nascidos. Como elas não o fizeram, a ordem
foi dada a qualquer egípcio. Isso significa que qualquer egípcio poderia entrar numa casa hebreia, ver se ali havia
algum menino e, caso o encontrasse, poderia pegar o bebê e levá-lo para ser jogado no Rio Nilo, onde se
afogaria ou seria alimento para os crocodilos.
Se nessa época as casas dos hebreus poderiam ser invadidas, na Páscoa as casas dos egípcios não poderiam
proteger os seus primogênitos, pois o anjo da morte entraria em cada residência e executaria o mandado de
DEUS. Sem dúvida essa história poderia terminar de outra forma se Faraó deixasse ir o povo embora. Mas por
causa da dureza de coração do rei, seus súditos pagaram um alto preço. Lembremo-nos de que Moisés tinha
advertido a Faraó antes, deixando claro que o povo sairia com as crianças e o gado (Faraó não queria que isso
acontecesse), e a última resposta do rei para Moisés, antes da Páscoa, foi: “Vai-te de mim e guarda-te que não
mais vejas o meu rosto; porque, no dia em que vires o meu rosto, morrerás” (Êx 10.28). Por essa resposta,
entendemos que Faraó deu por encerrado o diálogo com Moisés e com DEUS, e assinou a ordem divina para a
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morte dos primogênitos. Ele não quis obedecer às ordens de DEUS, e isso lhe custaria a vida do próprio filho.
"DEUS tem dado muitas ordens em sua Palavra que são acompanhadas de promessas que Ele mesmo vai
cumprir. Naquela noite, obedecer a DEUS fez toda a diferença para os israelitas."
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida.
Editora CPAD. pag. 35-36.
Êx 11.4 O Senhor. Yahweh tinha-o informado. Cerca da meia-noite, o anjo da morte, o destruidor (Êxo. 12.23),
iniciaria a sua missão destrutiva. Todas as pragas anteriores seriam como nada em comparação com a décima.
Israel seria poupado (vs. 7); seus primogênitos nada sofreriam.
O Faraó tinha, no Egito, a reputação de ser um deus, uma encarnação de Rá, o deus-sol. A mitologia egípcia
contava a história de como, a cada noite, o deus- sol precisava lutar e vencer os poderes das trevas, sob a
forma do deus-serpente, Apófis. A cada noite era obtida a vitória. Mas naquela noite, à meia-noite, o poder das
trevas, Rá, seria derrotado, e isso do ponto de vista dos egípcios.
Os versículos primeiro a terceiro deste capítulo formam um parêntese. O quarto versículo dá continuação ao
diálogo de Êxodo 10.29. O Faraó tinha sido advertido pela última vez. Moisés disse ao Faraó que os dois nunca
mais se veriam face a face. Antes, o Faraó teria de enfrentar Yahweh, sob a forma de seu anjo vingador. E o
Faraó em breve haveria de querer ver Moisés novamente (Êxo. 12.31).
Êx 11.5 Nenhum filho primogênito, humano ou animal, seria poupado. Agora a ameaça era de uma destruição
deveras devastadora. “A morte dos primogênitos simboliza a derrota imposta por DEUS ao Egito, mediante o
triunfo sobre os seus deuses. De acordo com o pensamento dos hebreus, os primogênitos representavam o
todo. O domínio sobre o Egito, como uma entidade independente, chegara ao fim. Seus deuses estavam mortos”
(J. Edgar Park , in loc).
Os Animais aos quais os Egípcios Adoravam Também Estavam Mortos. Visto que os primogênitos eram do sexo
masculino, as meninas escaparam completa mente. Mas o orgulho e as esperanças de cada família giravam em
torno do amado filho primogênito. Ele representava a continuação da linhagem, o transmissor da herança.
Portanto, nenhuma aflição pior poderia ser imaginada do que a morte em massa dos filhos primogênitos.
Nenhuma família egípcia escaparia à calamidade que atingiria em cheio o deus-sol do Faraó, desde a humilde
criada que, subitamente, perderia seu querido primeiro filho, até o próprio rei, desde o menor até o maior; desde
o mais pobre até o mais rico; desde os culpados até os inocentes.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 346.
A Páscoa e os egípcios (Êx 11:1-10)
O povo do Egito havia sido transtornado pelas seis primeiras pragas; sua terra e seus bens haviam sido
devastados pelas duas pragas seguintes. A nona praga - três dias de escuridão - havia preparado o caminho para
a mais terrível de todas as pragas, quando mensageiros da morte visitariam a terra. "Lançou contra eles o furor
da sua ira: cólera, indignação e calamidade, legião de anjos portadores de males" (SI 78:49).
Moisés ouviu a Palavra de DEUS (vv. 1-3). Esses versículos descrevem o que aconteceu antes de Moisés ser
convocado para ir ao palácio e ouvir a última oferta do Faraó (Êx 10:24-29). O discurso de Moisés (Êx 11:4-8) foi
apresentado entre os versículos 26 e 27 do capítulo 10 e terminou com Moisés deixando a sala do trono ardendo
em ira (Êx 10:29; 11:8).
DEUS disse a Moisés que enviaria mais uma praga ao Egito, uma praga tão terrível que o Faraó não apenas
deixaria como também ordenaria que os israelitas partissem. O Faraó os expulsaria da terra e, assim, cumpriria
a promessa que DEUS havia feito mesmo antes de começarem as pragas (Êx 6:1; ver 12:31, 32, 39).
Moisés disse ao povo que havia chegado a hora de receberem seus pagamentos atrasados por todo o trabalho
que eles e seus ancestrais haviam feito como escravos no Egito. A palavra hebraica para essa coleta é
traduzida pelo verbo "pedir" ("peça"; v. 2). Os hebreus não tinham a intenção de devolver o que os egípcios lhes
dessem, pois aquela riqueza era pagamento por uma dívida pendente do Egito para com Israel.
DEUS havia prometido a Abraão que seus descendentes deixariam o Egito com "grandes riquezas" (Gn 15:14) e
repetiu essa promessa a Moisés (Êx 3:21, 22). DEUS havia tornado seu servo, Moisés, extremamente respeitado
no meio dos egípcios e também faria com que os hebreus alcançassem o favor dos egípcios, de modo que
estes dariam livremente sua riqueza ao povo de Israel (Êx 12:36, 37).
Moisés advertiu o Faraó (w. 4-10). Essa foi a última vez que Moisés dirigiu-se ao Faraó, que rejeitou suas
palavras como havia feito com todas as outras advertências. O Faraó não tinha qualquer temor de DEUS em seu
coração e, portanto, não levou a sério o que Moisés lhe disse. No entanto, ao rejeitar a Palavra de DEUS, o
Faraó causou a morte dos mais excelentes jovens de sua terra e trouxe profunda tristeza sobre si e sobre seu
povo.
Há duas perguntas que devem ser tratadas neste ponto: (1) Por que DEUS matou apenas os primogênitos? (2)
Foi justo DEUS fazer isso, uma vez que o Faraó era o único culpado? Ao responder à primeira pergunta. também
contribuímos para a resposta da segunda.
Na maioria das culturas, os filhos primogênitos eram considerados especiais e, no Egito, eram tidos como
sagrados. Devemos nos lembrar de que DEUS chama Israel de seu filho primogênito (Êx 4:22; Jr 31:9; Os 11:1).
Logo no início do conflito, Moisés advertiu o Faraó de que a maneira como ele tratasse o primogênito de DEUS
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determinaria como DEUS trataria os primogênitos do Egito (Êx 4:22, 23). O Faraó havia tentado matar todos os
bebês hebreus do sexo masculino e seus oficiais haviam maltratado os escravos hebreus com brutalidade, de
modo que, ao matar os primogênitos, o Senhor estava simplesmente pagando ao Faraó com sua própria moeda.
A compensação é uma lei fundamental da vida (Mt 7:1, 2), e DEUS não é injusto quando permite que essa lei
funcione no mundo. O Faraó afogou os bebês hebreus, de modo que DEUS afogou o exército do Faraó (Êx
14:26-31; 15:4, 5). Jacó mentiu para o pai, Isaque (Gn 27:15-17), e, anos depois, os filhos de Jacó mentiram
para ele (Gn 37:31-35). Davi cometeu adultério e mandou matar o marido de Bate-Seba (2 Sm 11); a filha de Davi
foi estuprada e dois de seus filhos morreram assassinados (2 Sm 13; 18). Hamã construiu uma forca para matar
Mordecai, mas o próprio Hamã acabou enforcado nela (Et 7:7-10). "Não vos enganeis, de DEUS não se zomba;
pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6:7).
Quanto à justiça da décima praga, quem pode julgar os atos do Senhor, quando a "justiça e direito são o
fundamento do seu trono" (Sl 89:14)? Por outro lado, por que a resistência de um homem a DEUS deveria levar à
morte de tantos jovens inocentes? No entanto, acontecimentos semelhantes ocorrem em nosso mundo hoje em
dia. Quantos homens e mulheres que morreram como soldados em combate tiveram a oportunidade de votar a
favor ou contra uma declaração de guerra? E quanto à "inocência" desses primogênitos, só DEUS conhece o
coração humano e pode dispensar sua justiça com perfeição. "Não fará justiça o juiz de toda a terra?" (Gn
18:25).
Ao ler o Livro de Gênesis, descobre-se que, com frequência, DEUS rejeitou o primogênito e escolheu o filho
seguinte para dar continuidade à linhagem da família e receber a bênção especial do Senhor. DEUS escolheu
Abel, depois Sete, mas não Caim; escolheu Sem e não Jafé; Isaque e não Ismael; Jacó e não Esaú. Essas
escolhas não apenas exaltam a graça soberana de DEUS, como também servem de símbolo para dizer que
nosso primeiro nascimento não é aceito por DEUS. Devemos passar por um segundo nascimento - o nascimento
espiritual - a fim de que DEUS possa nos aceitar (Jo 1:12, 13; 3:1-18). O filho primogênito representa o que há
de melhor na humanidade, mas não é bom o suficiente para um DEUS santo. Por causa de nosso primeiro
nascimento, herdamos a natureza pecaminosa de Adão e estamos perdidos (Sl 51:5, 6). Contudo, quando
nascemos de novo, por meio da fé em CRISTO, recebemos a natureza divina do Senhor e somos aceitos em
CRISTO (2 Pe 1:1-4; Gl 4:6; Rm 8:9).
O Faraó e o povo egípcio pecaram contra a manifestação clara do Senhor e insultaram a misericórdia de DEUS.
O Senhor havia suportado com longanimidade a rebeldia e arrogância do rei do Egito bem como seu tratamento
cruel para com o povo de Israel.
DEUS havia avisado o Faraó várias vezes, mas ele se recusou a submeter-se. Jeová havia humilhado
publicamente os deuses e deusas e provado ser o único e verdadeiro DEUS vivo, e, ainda assim, a nação não
creu. "Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está
inteiramente disposto a praticar o mal" (Ec 8:11). A misericórdia de DEUS deveria ter conduzido o Faraó à
sujeição; mas, em vez disso, ele endureceu o coração repetidamente. Os oficiais do Faraó humilharam-se diante
de Moisés (Êx 3:8), então por que o Faraó não pôde seguir o exemplo deles? "A soberba precede a ruína, e a
altivez de espírito, a queda" (Pv 16:18).
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 256-257.
2. Para Israel.
Se para os egípcios a noite da Páscoa foi uma noite de desgraça, para os hebreus a noite era de expectativa em
relação ao que DEUS dissera por intermédio de Moisés. Havia uma ordem para que os judeus matassem um
cordeiro, comessem-no com ervas amargas e pão sem fermento, e não se esquecessem de colocar o sangue
daquele animal nas ombreiras e na verga da porta. E essa ordem era seguida de uma promessa: “vendo eu
sangue, passarei por cima de vós” (Êx 12.13). DEUS tem dado muitas ordens em sua Palavra que são
acompanhadas de promessas que Ele mesmo vai cumprir. Naquela noite, obedecer a DEUS fez toda a diferença
para os israelitas. Moisés repassou essa informação ao povo: “Porque o Senhor passará para ferir aos egípcios,
porém, quando vir o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras, o Senhor passará aquela porta e não
deixará ao destruidor entrar em vossas casas para vos ferir” (Êx 12.23).
Para eles, obedecer ao mandamento de DEUS foi um ato de fé. Charles Swindoll comenta acerca das ordens de
DEUS em relação a passar o sangue do cordeiro nos umbrais da porta:
Pare e pense um momento sobre essas instruções. Que razão lógica havia para fazer essas coisas com o
sangue do cordeiro? Você diz: “DEUS mandou fazer isso”. E verdade. Essa é a resposta. Nesse ponto, essa era
a única razão de que precisavam. Não havia poder no sangue seco de um cordeiro morto. Todavia, em sua
sabedoria insondável, DEUS preparou um plano que só exigia uma coisa — obediência.
O que DEUS espera hoje de nós que esperava dos israelitas no Egito? Obediência.
Essa palavra muitas vezes tem colocado nossos pensamentos confrontando nossas atitudes. Não raro,
sabemos como obedecer a DEUS. Sabemos também que DEUS espera que não apenas saibamos como
proceder em nossa vida, mas espera que saibamos obedecer a Ele integralmente.
Se você acha que obedecer a DEUS não faz muita diferença, desejo relembrar-lhe o caso de Saul, o primeiro rei
de Israel. Saul foi escolhido por DEUS para ser o primeiro governante da nação, mas a cada ordem recebida de
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DEUS, resolvia fazer do seu próprio jeito, o que acarretava em desobediência completa ao que DEUS lhe havia
dito.
Em uma dessas ordens dadas a Saul, DEUS lhe disse que se lembrava do que os amalequitas tinham feito
contra os israelitas quando estavam no deserto. Chegara a hora da retribuição divina às atitudes dos
amalequitas, que seriam destruídos por Saul. A ordem foi dada, mas Saul poupou o rei daquela nação e o seu
gado, e ainda acreditou que estava obedecendo ao que DEUS disse acerca dessa situação. Todavia, não foi o
que aconteceu: “Então, veio a palavra do Senhor a Samuel, dizendo: Arrependo-me de haver posto a Saul como
rei; porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras” (1 Sm 15.10, 11). Como DEUS disse que
Saul não executou as ordens dadas? Ele não estava sendo exagerado nesse quesito? Não! Depois de poupar o
rei e o gado, veja o que aconteceu:
Veio, pois, Samuel a Saul; e Saul lhe disse: Bendito sejas tu do Senhor; executei a palavra do Senhor. Então,
disse Samuel: Que balido, pois, de ovelhas é este nos meus ouvidos, e o mugido de vacas que ouço?
E disse Saul: De Amaleque as trouxeram; porque o povo perdoou ao melhor das ovelhas e das vacas, para as
oferecer ao Senhor, teu DEUS; o resto, porém, temos destruído totalmente. (1 Sm 15.13-15)
DEUS havia pedido que Saul trouxesse animais para holocaustos? Não. A ordem dada não fora cumprida
integralmente, e isso para DEUS foi uma desobediência completa. Samuel chamou Saul e lhe perguntou se o
Senhor tinha mais prazer em ofertas do que tinha prazer na obediência de seus servos.
Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a
rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra
do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei. (1 Sm 15.22, 23)
A obediência tem um preço, e a desobediência também. No caso de Saul, seu reino foi rejeitado porque ele não
estava mais seguindo ao Senhor. E Saul aprendeu da pior forma a diferença entre obedecer e desobedecer a
DEUS: se ele fosse obediente, seu reino seria confirmado para sempre. O nome dele entraria para a história
como o grande rei que DEUS escolheu para ser coluna em Israel. Ele seria lembrado como o homem que
obedeceu a DEUS e que jamais teria sua memória apagada de Israel.
Além disso, ninguém disse a Saul que DEUS preferia receber sacrifícios a obediência, pois isso seria ilógico. É
o mesmo que dizer: “Não preciso obedecer a DEUS completamente. Basta oferecer a Ele alguma coisa e sua ira
vai ser deixada de lado”. DEUS não pode ser comprado por objetos ou oferendas. Ele pode receber nossa
obediência por um ato de fé. Para Saul, obedecer parcialmente ao que DEUS mandara lhe custou o reino. Para
os israelitas, obedecer integralmente ao que DEUS mandara preservaria a vida de todos os seus primogênitos.
Obedecer faz a diferença tanto quanto desobedecer.
Obedecer faz diferença. Para os israelitas no Egito, a obediência preservou a vida do filho mais velho de cada
família israelita. Já pensou se sua obediência a DEUS preservasse seu filho, se você é pai ou mãe, e a sua
desobediência lhe custasse seu primogênito?
Charles Swindoll continua seu pensamento:
Ele nunca pediu que refletissem sobre isso. Nunca pediu que conversassem sobre a ordem. Nunca pediu que
considerassem a ideia e decidissem se concordavam com ela. Ele simplesmente lhes disse o que fazer e
quando. A seguir, disse a eles o que aconteceria como resultado de sua estrita obediência às suas ordens.
Que atitudes dos pais israelitas fez com que seus primogênitos fossem salvos? A fé no que DEUS disse e a
obediência ao que Ele disse. Fé e obediência precisam caminhar juntas.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida.
Editora CPAD. pag. 36-39.
A FESTA DA LIBERTAÇÃO. A Páscoa oferece um vasto campo para especulação por causa da grande
variedade de características: mancha de sangue, saltos, “uma noite de vigia”, o cordeiro sacrificial, as primícias
da cevada, a ceia sagrada, etc. Essas características se assemelham a rimais praticados fora de Israel. Não é
de se admirar que os estudiosos a considerem uma festa enigmática. Alguns não consideram Êxodo 1-14 como
um registro dos eventos, mas como uma lenda cúltica que tenta glorificar a saída do Egito (Pederson, Israel: Its
Life and Culture, III-IV, 726ss.). A suposição repousa sobre um equívoco: o verdadeiro propósito da Páscoa era
glorificar o DEUS de Israel. Seria inútil esperar dados históricos fora dos próprios termos do escritor. No centro
de Êxodo 1-14 está o DEUS de Israel, que realiza feitos poderosos em favor do seu povo (cp. G. von Rad, The
Problem of the Hexateuch [1965], 52). A história bíblica é escrita com um propósito, e o propósito é atestar os
atos graciosos de DEUS. Israel compreende sua liberdade como um milagre operado por YHWH que, com
“poderosa mão e com braço estendido” levou seu povo para fora do Egito (Dt 26.8). Para compreender o
significado da Páscoa deve-se procurar a interpretação bíblica; é inútil indagar qual era a festa nos tempos prémosaicos.
É possível que a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos fossem festas agrícolas (cp. Êx 23.15s.).
Alguma evidência da ligação cúltica entre a Páscoa e as primícias está preservada (Js 5.10-12; cp. C. W.
Atk inson, AthR [Jan 1962], 82). Mas a festa passou por uma reinterpretação radical como resultado do grande
evento na história de Israel, conhecido como a libertação do Egito, a casa da escravidão. Os estudiosos não
sabem explicar como um rimai primitivo enraizado na superstição se tomou a festa da libertação. Está de acordo
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com a prática do AT reinterpretar antigas tradições à luz da própria história de Israel. Assim, a lei do Sábado é
associada à história da criação (Gn 2.3) e aparece também (Dt 5.15) como o sinal da libertação de Israel da
escravidão (cp. P. R. Ack royd, The People of the OT[1959], 48). O mesmo deve ter acontecido com a festa da
primavera original: à luz do Êxodo adquiriu uma nova dimensão, isto é, a dimensão da liberdade unida a um
evento histórico.
Ordenanças relacionadas ao Pesa h. O AT refere-se a um conjunto de estatutos (nosn npn) que são obrigatórios
para a observância da festa (Êx 12.43; Nm 9.12,14; 2Cr 35.13). Estes estatutos definem em detalhes a data, o
período, a duração da festa e a forma de se comer o cordeiro pascal, etc.
Os preparativos para a festa deveriam começar no décimo dia do primeiro mês (i.e. Abibe, cp. Dt 16.1; o nome
babilónico foi substituído mais tarde por Nisã, cp. Ne 2.1; Et 3.7). O cordeiro pascal era escolhido de acordo
com o número de pessoas na família. O cordeiro deveria ser sem mancha, de um ano de idade e macho. O
animal deveria ser tratado de maneira especial até o décimo quarto dia do mês quando seria morto “entre as
noites” (Êx 12.6mg.; Lv 23.5mg.). Isto quer dizer “à noite no por do sol” (Dt 16.6). O sangue do animal deveria ser
colocado em ambas as ombreiras e na verga da porta. Posteriormente o sangue passou a ser borrifado sobre o
altar e derramado em suas bases (cp. 2 Cr 35.11; Jub 49.20; Pes 5.6). A carne deveria ser assada no fogo com
a cabeça, pernas e partes internas e nenhum osso deveria ser quebrado (Êx 12.46; Nm 9.12). Não deveria ser
comido cru ou cozido em água (Êx 12.9; Dt 16.7 parecem contradizer essa regra; mas cp. 2 Cr 35.13; o verbo
bissel pode significar “cozer” tanto quanto “ferver”). A came assada deveria ser comida com pão asmo e ervas
amargas, e deveria ser consumida de forma que nada sobrasse para o dia seguinte; qualquer sobra deveria ser
queimada (Êx 12.10; 34.25). A refeição deveria ser comida às pressas, com os lombos cingidos, sapatos
calçados e a vara na mão. A festa da Páscoa era um dia de memorial
e, portanto, para ser comemorada por todas as gerações como uma ordenança eterna (Ex 12.14). A Festa do
Pão Asmo, como distinta do cordeiro pascal, deveria ser observada durante sete dias (Ex 12.15; 13.6; 34.18; Lv
23.6; Nm 28.17; Dt 16.3; a única exceção está em Deuteronômio 16.8, mas a diferença deriva do modo de se
contar os dias, cp. S. B. Hoenig, JQR [Abril 1959], 271 ss.). ’
Os israelitas que eram impedidos de participar da Festa por causa da impureza levítica ou por viagem deveriam
celebrá-la um mês depois (Nm 9.10s.; cp. Pes 9.3).
A responsabilidade de explicar o significado da Páscoa estava sobre o pai da família: “Naquele mesmo dia
contarás a teu filho, dizendo: E isto pelo que o Senhor me fez, quando saí do Egito” (Ex 13.8; cp. 12.26).
Somente os israelitas e aqueles que, através da circuncisão, estavam unidos à comunidade podiam comer o
cordeiro pascal. Estrangeiros e viajantes, i.e., estrangeiros residentes, eram excluídos (Ex 12.45), mas a regra
não era aplicada aos estrangeiros circuncidados e viajantes que demonstrassem um real interesse em se
identificar com Israel. A eles era permitido participar da celebração da Páscoa (Nm 9.14). O cordeiro deveria ser
comido dentro da casa e não deveria ser levado para fora dela.
O tema Êxodo no AT. Com a mudança de circunstâncias, as antigas leis tiveram que ser modificadas. Os cultos
centralizados em Jerusalém dificultaram algumas práticas. A mancha de sangue nos umbrais da porta deveria
ser completada com o borrifar do sangue no altar (cp. 2Cr 30.16; 3 5.11). A regra de comer o cordeiro na casa
foi, de acordo com o Talmude, modificada para as casas em Jerusalém apenas (cp. Pes 9.12; mas cp. Jub
49.20). As características originais agrícolas da festa abriram caminho para aspectos mais cúlticos. Uma
característica peculiar sobrevive até hoje: era e continua sendo um rito público. Os rabinos consideram a regra
de que o cordeiro pascal não pode ser morto para uma única pessoa (apesar do Rabino José permitir; cp. Pes
8.7). Outra característica provinda de tempos antigos era que a morte do cordeiro era feita por israelitas comuns
agindo em favor de seus familiares e não por sacerdotes como no caso dos outros sacrifícios (cp. Pes 6.5).
Tudo o que os sacerdotes tinham que fazer era recolher o sangue e derramá-lo nas bases do altar. A Páscoa era
a única ocasião em que o israelita realizava uma função sacerdotal (a partir de 2 Cr 30 e 35 não está claro se era
o povo ou os sacerdotes que matavam o animal). Outras características permanecem obscuras, por exemplo, a
queima das sobras: Êxodo 12.10 ordena que o que fosse deixado até pela manhã deveria ser queimado, ao
passo que Êxodo 23.18; 34.25 e Deuteronômio 16.4 especificam que deveria ser terminado antes do amanhecer.
Pode não ter havido uma tradição uniforme em alguns assuntos; alguns “comeram a Páscoa, não como está
escrito” (2Cr 30.18). Uma tradição uniforme evoluiu gradualmente, mas os fatos principais relacionados ao Êxodo
nunca variaram.
O AT é repleto de referências ao milagre da redenção do Egito. Os Salmos, em especial, se deleitam em
enfatizar o tema do Êxodo com todos os seus milagres. O Salmo 78 repete a história de Israel tendo o Êxodo
como o tema central. O ato redentor de DEUS consistiu em tirar uma videira do Egito e plantá-la na Terra
Prometida (SI 80.8). Alguns salmos contrastam a fidelidade de DEUS para com seu povo com o comportamento
rebelde de Israel no deserto (cp. SI 95; 106). O propósito principal de recontar a história da redenção era louvara
DEUS por seus atos poderosos (cp. SI 135; 136). Os velhos cantores exultavam no privilégio de Israel ser
chamado povo de DEUS e de ter saído do Egito (SI 114.1).
Os profetas fazem alusões frequentes à história da redenção do Egito e da longa viagem pelo deserto. A aliança
de Israel com o Egito por conveniência política era muito abominável uma vez que parecia contradizer o
propósito original de DEUS (cp. Jr 2.18s.; Os 11.5). Em tempos de perigo, quando a Assíria pressionou
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duramente Israel, o profeta trouxe à memória o que DEUS fez por seu povo no Egito: “não temas a Assíria” (Is
10.24,26s.; cp. 52.4). Jeremias lamenta o fato de Israel falhar ao perguntar: “Onde está o Senhor que nos trouxe
da terra do Egito, que nos guiou no deserto” (2.6ss.). Ele os faz lembrar que desde o dia em que seus pais
saíram da terra do Egito até então, o Senhor persistentemente enviou profetas ao seu povo de dura cerviz
(7.25,26), advertindo- os (11.4), mas eles não quiseram ouvir (vv. 7,8).
Esta referência a YHWH que tirou Israel do Egito é um refrão frequente nos escritos proféticos (cp. Jr 16.14;
23.7; 31.32; 32.21; 34.13; Ez 20.6,9s.,36; Dn 9.15, Os 2.15; 11.1; 12.9,13; Am 2.10; 3.1; 9.7). Para os profetas,
o Êxodo é um fato central na história de Israel. Israel conhece YHWH principalmente como aquele que seu povo
da escravidão do Egito, o guiou pelo deserto e lhe deu estatutos e ordenanças (Ez 20.9-11). Ezequiel parece
associar a instituição do sábado à história da redenção do Egito (20.12), e a “lascívia e... prostituição” de Israel é
uma triste herança trazida da casa da escravidão (23.27).
Os livros históricos estão igualmente cientes do significado do Êxodo para a relação entre Israel e YHWH. DEUS
se fez conhecido a seu povo ao libertá-lo da casa da escravidão e ao estabelecê-lo na terra prometida (I Sm
8.8,2Sm 7.23; l Rs 8.53; etc).
O Êxodo domina num senso real a perspectiva do AT, e a Páscoa é a lembrança do que DEUS fez por seu povo.
A libertação do Egito e o estabelecimento na terra de Israel são considerados como o selo da lealdade de
YHWH para com as promessas da aliança (cp. Mq 6.3s.).
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 764-768.
O PESACH JUDAICO
O relato da instituição desse rito se encontra em Êxodo 12. DEUS ordena a Israel que o observe (w. 1,2). A
observância do rito, além dos atos litúrgicos prescritos no relato, exige à disposição um cordeiro ou um cabrito,
macho de um ano, sem defeito (v. 5); pães ázimos e ervas amargas (v. 8). Estas recomendações dirigem-se ao
círculo familiar (v. 3), podendo estender-se à vizinhança (v. 4).
O cordeiro devia ser assado inteiro, e aquilo que não era comido no banquete devia ser queimado antes do dia
seguinte (v. 10). Os comensais deviam comê-lo em pé e devidamente trajados para uma longa viagem (v. 11).
Nos tempos de JESUS, conforme indica Raphael Martins, a cerimônia pascal havia recebido a influência dos
gregos e dos romanos que celebravam seus ágapes, não como escravos, mas como um povo livre e
independente, ou seja, comiam recostados em divãs providos de almofadas. O Pesach significa na língua
hebraica “passar por cima”, “passar por sobre”. Na língua portuguesa foi traduzida por “Páscoa”.
O Pesach surgiu em face da tradição de que o anjo destruidor, ou anjo da morte, “passou por sobre” as casas
cujo sangue do cordeiro imolado assinalava. “Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra
do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais... O sangue vos será por sinal nas casas em
que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós...” (Ex 12.12,13)
A passagem do anjo da morte constituiu a última praga sobre o Egito, forçando o Faraó a libertar o povo hebreu,
possivelmente entre os anos de 1400-1200 a.C. O Pesach, na descrição de McKenzie, mostra numerosas
variantes que apontam para uma origem e desenvolvimento complexos. O Pesach, segundo a grande maioria dos
estudiosos, era anterior à instituição no capítulo 12 de Êxodo. A festa original era pastoril nos seus primórdios,
onde os pastores celebravam o nascimento de ovelhas na primavera; e esse termo também faz alusão à forma
como as ovelhas costumam “saltar por cima” dos obstáculos. Seja como for, por meio da historização, a Páscoa
se tomou a grande festa nacional de Israel, que celebrava sua constituição como povo de Iahweh, acentua
McKenzie. naquela noite, comerão a carne assada no fogo; com pães asmos e ervas amargas a comerão” (v. 8)
Ázimos, no hebraico maccot, significa “pães sem fermento”. A festa dos “pães sem fermento” está registrada
em Êxodo 23.15, ao lado de outras duas. No momento da instituição do Pesach ela aparece em correlação com
a mesma, como festa histórica que celebra a libertação de Israel da opressão egípcia. O caráter da cerimônia
indica que se tratava de uma festa agrícola de agradecimento pelo início da colheita. No Novo Testamento é
sempre mencionada em conexão com o Pesach (Mt 26.17; Mc 14.12).
Em memória dos sofrimentos dos hebreus no Egito são comidas ervas amargas: chicória, escarola, agrião,
salsa, rabanete, amêndoa, tâmara, figo e passa. Esses ingredientes eram misturados com vinagre, formando
uma espécie de molho, cor de tijolo (haroset, em hebraico), lembrando seu antigo ofício no Egito.
Roberto dos Reis Santos. A Santa Ceia. Editora CPAD. pag. 12-14.
3. Para nós.
A Páscoa do Senhor, como assim é chamada, tem um grande significado para nós. Ela deve nos fazer recordar
de JESUS, nosso Cordeiro Pascal. Ele entregou-se a si mesmo para que eu e você tivéssemos a vida eterna e o
acesso a DEUS. A nossa vida foi preservada porque Ele nos amou até a morte.
É evidente que não temos de celebrar a Páscoa com um cordeiro assado, com pães asmos e ervas amargas.
Para nós, cristãos, esses elementos fazem parte da cultura judaica, e que serviriam por todas as gerações de
israelitas como uma lembrança da libertação do Egito.
Além disso, a Páscoa foi chamada de “páscoa do Senhor” (Ex 12.11), pois ela deveria ser comemorada em
homenagem ao DEUS de Israel. Não é um momento que deveria ser lembrado pelos israelitas posteriormente
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Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa

sem que tivessem em mente que era uma lembrança sobre DEUS e sobre o que Ele havia feito.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida.
Editora CPAD. pag. 39-40.
O TEMA PÁSCOA NO NT E NA IGREJA, A atividade messiânica de JESUS alcança seu clímax nos eventos de
sua Ultima Páscoa. De acordo com João, a crucificação aconteceu no primeiro dia da “Páscoa” (usado aqui
aparentemente como uma designação da Festa dos Pães Asmos). Os sinópticos deixam claro que foi no
primeiro dia da festa. João que parece estar interessado especialmente em dados cronológicos registra duas, ou
até mesmo três Páscoas (João 2.13; 6.4; 12.1; cp. W. F. Howard, The Fourth Gospel, revisado por C. K. Banet
[1955], 122). Contrário a C. H. Dodd (The Interpreter of the Fourth Gospel [1953], 234), há um bom motivo para
se acreditar que João dedicou importância especial ao tema da Páscoa. Seu evangelho, que enfatiza ser o
Messias o verdadeiro pão da vida, se ajusta notavelmente bem ao contexto pascal (cp. Jo 6.3 lss. cp. V. Ruland,
INT [Out., 1964], 451 ss.). A Páscoa é igualmente importante para os evangelhos sinópticos; tanto que se pode
vislumbrar o evangelho de Marcos como uma Haggadah da Páscoa Cristã escrita com o propósito de
reinterpretar o tema pascal em termos messiânicos como o Novo Êxodo (cp. John Bowman, The Gospel of Mark
[ 1965]). Um caso um pouco semelhante é 1 Pedro, que faz tantas alusões à Páscoa que alguns estudiosos se
sentem justificados em considerá-la como uma liturgia pascal. Sugere-se que 1 Pedro é uma liturgia ligada à
vigília pascal em preparação ao batismo pascal, um costume amplamente praticado na igreja primitiva (cp. F. L.
Cross, 1 Peter I [1954]; Roger Le Déaut, La Nuit Pascale [1963], 297; A. R. C. Leaney, NTS, X [1964], 238ss.).
Isto pode provar, de maneira muito restrita, um conceito que tem sido contradito por alguns (C. F. C. Moule; T. C.
G. Thomton), mas não mostra, todavia, quão profundamente o tema da páscoa está embutido no NT. Outros
livros do NT fazem alusões similares à Páscoa em conexão com a mensagem cristã. Paulo claramente associa
o Messias à Páscoa e compara a vida cristã com o símbolo do pão asmo que permanece em sinceridade e
verdade (ICo 5.7 s.).
Uma associação similar entre o Messias e a Páscoa existe no Judaísmo rabínico. O dia 15 de Nisã é declarado
como um tempo de alegria para todos os israelitas, porque DEUS realizou um milagre (sinal) naquela noite, mas
na era que virá (i.e., no tempo do Messias) ele transformará a noite em dia (cp. SBKIV, 55). Na Haggadah
shelpesah, a expectativa messiânica está ligada ao seder tanto pela referência direta ao Messias como pela
parte que Elias representa a tradição pascal. O costume de abrir a porta à meia-noite, na primeira noite da
Páscoa, já era praticada no Templo de Jerusalém (cp. Jos. Ant.. XVIII. ii.2), e tem implicações messiânicas
definidas. Déaut mostrou a íntima associação entre o ritual pascal e as expectativas messiânicas no Judaísmo
rabínico do séc. le. Isto se aplica até mesmo aos samaritanos que esperavam a aparição de seu Taheb
(Messias) no dia de Páscoa (cp. Déaut, op. cit. 281, 283).
O tema pascal do NT, e em especial de João (cp. A. Guilding, The Fourth Gospel and Jewish Worship [1960],
58ss.), foi assumido pela igreja gentílica. A liturgia da vigília pascal e a tradição Quartusdecimus (décimo quarto)
de fazer a Páscoa coincidir com a Páscoa judaica persistiu na igreja por séculos (cp. B. Lohse, Das Passafest
der Quartodecimaner [1953]; Diepassa-Homilie des Bischofs Meliton von Sardes [1958]). A expressão “a Páscoa
da salvação”, entrou no vocabulário da igreja e foi usada abertamente na liturgia (cp. Déaut, 296; apesar de
Lohse ter contradito). A identificação de CRISTO com a Páscoa cristã foi aceita como premissa teológica: “a
festa da Páscoa do Salvador”.
23.1), significa tanto a Última Páscoa que JESUS celebrou, como a Páscoa cristã quando a igreja celebra a
ressurreição de CRISTO. Num jogo de palavras, que somente é possível em grego é interpretado com o
significado de 7iáa%co: “E no dia seguinte nosso Salvador sofreu, aquele que era a Páscoa — sacrificado de
modo propício pelos judeus” (Ante-Nicene Christian Library XXIV, 167). Portanto, a Páscoa judaica e a Páscoa
cristã conservadas juntas de modo que o tema da páscoa do AT perdurasse embora centrada na ressurreição de
JESUS CRISTO.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 786.
PÁSCOA CRISTÃ (EASTER)
Preservamos entre parênteses a palavra inglesa, a fim de melhor destacar o fato de que há uma diferença entre
a páscoa dos hebreus e a páscoa dos cristãos. Ver o artigo geral sobre a Páscoa, onde a versão cristã é
incluída em uma seção separada. Easter é uma palavra usada nos idiomas germânicos para denotar a
festividade do equinócio do inverno, e que, dentro da tradição cristã posterior, passou a ser usada para denotar o
aniversário da ressurreição de CRISTO. Nas línguas latinas, como o português, a palavra para «páscoa» vem do
latim pascha, a qual, por sua vez, alicerça-se sobre o termo hebraico, pesach , que significa «passar por cima».
O termo grego pascha também é derivado do hebraico, pelo que é indeclinável.
A origem da palavra Easter é controvertida. Alguns estudiosos pensam que a mesma está ligada ao nome da
deusa anglo-saxônica que representa a primavera, Eoestre, Nesse caso, teríamos o comum fenômeno de um
nome de um costume pagão receber um significado cristão. Ou então, essa palavra poderia estar relacionada às
vestes brancas usadas durante a celebração da festa cristã relativa à semana da páscoa. Nesse último caso, o
plural da palavra que significa «branco» foi confundido com a palavra que significa «alvorecer», e,
subseqüentemente, foi vinculado ao alvorecer do dia da ressurreição. Seja como for, a celebração da
ressurreição antecede a tudo isso, visto que cada primeiro dia da semana, originalmente, representava isso; e,
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pelos fins do século 11 D.C., a, celebração da ressurreição como uma festa da Igreja cristã, já estava bem
estabelecida. No tocante a detalhes sobre a Páscoa Cristã, ver isso como um subponto do artigo geral sobre a
Páscoa.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 102-103.
II - OS ELEMENTOS DA PÁSCOA
1. O pão.
Na noite em que seria a última dos hebreus no Egito, DEUS os preparou para uma saída repentina, mas não
sem se alimentarem. A ordem divina aos hebreus não foi apenas para que sacrificassem um cordeiro e
colocassem o sangue dele na entrada da casa, mas também para que se alimentassem de pão sem fermento,
ervas amargas e do próprio cordeiro.
Cada um deles tinha uma representação para os hebreus, que deveria ser passada de geração a geração, para
que se lembrassem do quanto DEUS operou grandemente em prol dos filhos de Israel.
De acordo com a descrição bíblica, o pão deveria ser sem fermento. A massa não deveria passar pelo processo
de fermentação, ou seja, seria levada ao fogo tão logo estivesse pronta, sem ter de esperar para crescer. A ideia
era mostrar que os israelitas teriam pouco tempo para preparar sua última refeição como escravos, pois logo
sairiam para uma grande jornada. E evidente que o uso do fermento poderia fazer com que a massa dobrasse
seu tamanho e alimentasse mais pessoas, mas a orientação divina indicava a pressa com que os judeus iriam
comer para saírem logo do Egito.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida.
Editora CPAD. pag. 40.
O Pão e o Vinho na Comunidade Judaica
Nas terras do antigo Oriente o pão e o vinho, assim como determinados produtos, eram as formas mais comuns
de alimentação. O pão, iehem, que aparece cerca de duzentas e oitenta vezes no Antigo Testamento, em
termos gerais significa “alimento”, “sustento”, indicando sua presença indispensável para o sustento do povo
hebreu.
O pão era o principal alimento. A expressão “comer pão”, em hebraico, significava “fazer uma refeição”.1 Noventa
e cinco por cento dos habitantes do mundo antigo tiveram como base alimentar os derivados do trigo, além de
água e vegetais. Escreve I. D. Lucírio: “natural da região do mediterrâneo e oriental médio, o trigo começou a ser
cultivado em 8500 a.C. e se tornou uma das principais fontes de alimento do mundo antigo, que não vivia sem
pão”.2 Sara apressou-se em preparar pão para os viajantes (Gn 18.1-6); os que trabalharam no campo se
alimentaram de pão (Rt 2.14); durante as guerras o pão era usado como alimento básico para os soldados (1 Sm
16.20); no episódio da multiplicação, pães e peixes foram usados por JESUS (Mt 14.13-21; Mc 6.30-44).
O pão devia ser tratado com respeito, sendo proibido jogar fora até as migalhas. Talvez os judeus utilizassem
cães domésticos para esta função — comer “... das migalhas que caem da mesa dos seus donos” (Mt 15.27).
O pão mais comum no mundo antigo era feito de cevada, alimento dos pobres, por ser mais barato. O pão de
trigo era um luxo. O grão era moído por mulheres ou escravos entre duas mós, cuja farinha fina era usada para
cozer bolos e também para fins litúrgicos. Três eram os métodos de cozimento: 1.0 tannur (forno), tubo cônico
onde a massa era cozida sobre pedras quentes; 2. Bandejas redondas de metal colocadas sobre três pedras,
onde era aceso o fogo; 3. A massa, colocada sobre cinzas quentes. Os judeus empregavam o pão para fins
religiosos, sendo o ato uma espécie de gratidão pelos cuidados providenciais de DEUS quando simbolicamente
entregavam, nos atos litúrgicos, parte do que foi provido por Ele.
Além dos animais usados nos sacrifícios veterotestamentários, os elementos do pão apareciam em quase todos
os atos sacrificiais, na classe de “ofertas de cheiro suave”, que não tratavam do peca K Siinlii Ceio do, mas
falavam de gratidão, comunhão e consagração. O pão era usado em ofertas pacíficas (Lv 7.12) e ofertas das
primícias (Nm 15.17-20). Naturalmente, fazia parte das cerimônias da Páscoa, e, posteriormente, na celebração
da Santa Ceia cristã, “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu...” (Lc 22.19) O pão não podia ser
cortado, mas partido. Esse gesto era comum entre as famílias judaicas, onde o pai, ao iniciar uma refeição,
tomava um pão e, após dar graças ao Senhor, partia-o em pedaços e distribuía-os entre os membros de sua
família.
2- O Vinho:
A origem do vinho é antiga. Sua produção no Oriente Médio data da pré-história. O texto sagrado indica que Noé
o utilizou (Gn 9-20ss). Havia no mundo antigo diversos tipos de bebidas, entre elas o suco de romã, de tâmaras,
leite e shechar — uma espécie de cerveja feita de cevada e painço. Entretanto, não se comparavam ao vinho.
O vinho fabricado na Palestina era geralmente tinto, conforme indica a expressão “sangue da uva” (Gn 49.11; Dt
32.14).
O lagar, local onde se fazia o vinho, em geral ficava na própria vinha. As escavações arqueológicas realizadas na
antiga cidade de Gabaon revelam que o lagar, segundo John McKenzie, era composto de dois tanques, talhados
na pedra a diversos níveis, com um pequeno canal que levava do nível superior ao inferior.
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A primeira compressão se fazia espremendo a uva com os pés (Ne 13.15); era um trabalho festivo,
acompanhado de gritos (Jr 25.30; 48.33) e de instrumentos musicais. Em seguida, os cachos eram espremidos
por meio de uma haste com uma pedra pesada, ou por meio de paus que serviam de alavanca para os pesos. O
suco da uva depois era colocado em tinas ou recipientes de couro para a fermentação.
O vinho é um dom e uma bênção do próprio DEUS (Dt 7.13; Pv 3.10; Os 2.10), e evidentemente, à semelhança
do pão, fazia parte nas ações litúrgicas do povo judeu. Em sentido geral, todas as refeições têm para o judeu
sentido sagrado. O alimento e a bebida são dons de DEUS, dádivas que os judeus não esquecem em sua
orações:
Sobre o pão:
“Bendito sejas, ó eterno, nosso DEUS, Rei do universo, que da terra tirais o pão.”
Sobre o vinho:
“Bendito sejas, ó eterno, nosso DEUS, Rei do universo, que criastes o fruto da vinha.”
Sobre o alimento:
“Bendito sejas, ó eterno, nosso DEUS, Rei do universo, que criastes tantas formas de iguarias.”
Sobre as frutas das árvores: “Bendito sejas, ó eterno, nosso DEUS, Rei do universo, que criastes os frutos da
terra.”
Sobre os produtos do solo: “Bendito sejas, ó eterno, nosso DEUS, Rei do universo, que criastes os frutos do
solo.”
Depois das refeições:
“Bendito sejas, ó eterno, nosso DEUS, Rei do universo, que alimentais todas as criaturas.”
Roberto dos Reis Santos. A Santa Ceia. Editora CPAD. pag. 9-11.
Êx 12.11 Comê-lo-eis à pressa. Essa foi a instrução final. Israel estava com pressa para deixar para trás a
servidão. O cordeiro pascal era comido estando as pessoas em pé, de sandálias e as vestes cingidas. Esses
eram sinais externos da pressa que eles sentiam, por ordem de DEUS. Esse foi um dos quatro elementos que
não prosseguiram na observância da páscoa em tempos posteriores. Ver as notas sobre Êxo. 12.6 quanto a
isso. O cajado e as sandálias eram objetos que as pessoas usavam fora da casa. Assim, apesar de estarem
ainda dentro de suas casas, eles estavam preparados para sair delas, prontos para a jornada. Comiam vesti- dos
para viajar. Já tinham estado no Egito por tempo bastante. Um novo lar e um novo destino esperavam por eles.
As sandálias usualmente eram tiradas por ocasião das festividades e dias santos. Ver Gên. 18.4,5; Luc. 7.44;
João 13.5. Na páscoa, porém, essa situação era revertida. O cajado era companhia constante dos viajantes, seu
apoio e ajuda, e, ocasionalmente, sua defesa contra algum animal ou bandido que porventura ata- cassem. Ver
Sal. 23.4.
A páscoa.
A palavra hebraica equivalente deriva-se de um termo que significa “coxear” ou “saltar” (II Sam. 4.4; I Reis
18.21,26). Mas aponta para o fato que o anjo destruidor passou por cima das casas protegidas pelo sangue do
cordeiro, aplicado às ombreiras e verga da porta (Êxo. 12.23).
Temos aqui o primeiro uso da palavra páscoa na Bíblia. Alguns pensam que a palavra é de origem egípcia e
significaria então “abrir as asas para protegei, mas a maioria dos estudiosos prefere o sentido do hebraico. Ver
os vs. 24-27 quanto ao fato de que a páscoa foi fatal para os egípcios, mas serviu de livramento para o povo de
Israel.
Êx 12.34 Provisões Básicas. Os israelitas muniram-se de massa de trigo para a sua primeira refeição no
deserto. E também levaram amassadeiras, ou seja, bacias de madeira, que podiam ser usadas para o fabrico do
pão. Sua partida súbita não lhes permitiu levarem pão normal, ou seja, levedado. Mas a cena também fez parte
da observação da festa dos pães asmos (ver sobre isso no Dicionário, e comentários na introdução a Êxo. 12.1).
Os israelitas partiram quando ainda estava escuro (Deu. 16.1), provavelmente pouco antes do alvorecer. Cf. 0 vs.
39.
Êx 12.35 A Espoliação dos Egípcios. Isso havia sido predito bem antes, como parte necessária do êxodo. Ver
Exo. 3.21,22 e 11.2,3, onde aparecem notas completas sobre a questão, visto que o ponto já tinha sido
mencionado nesses dois trechos, sobretudo no décimo primeiro capítulo do Êxodo. A curiosa tradução, “pediram
em- prestado”, mesmo que seja possível com base no hebraico, seria um pequeno toque de humor do autor
sacro. Alguns eruditos pensam que houve, realmente, um saque, mas que Moisés abrandou na narrativa, para
que parecesse que os egípcios se mostraram generosos. Tinham medo de perder a vida, e, naquele momento,
eram vítimas fáceis diante de qualquer tipo de aproveitamento.
Desde os dias de Abraão, quando foi firmado o Pacto Abraâmico (ver as notas a respeito em Gên. 15.18), o
exílio e a subseqüente libertação tinham sido preditos. Ver Gên. 15.13,14. Este texto conta como essa servidão
chegou ao fim, e como Israel começou a voltar para a sua Terra Prometida. A Abraão foi revela- do que seus
descendentes sairiam do Egito levando “grandes riquezas". Isso incluía tanto o que eles haviam acumulado na
terra de Gósen, como o que agora os egípcios lhes tinham doado. Sem dúvida isso serviu de reparação. Os ex
escravos mereciam tudo quanto tinham adquirido. Ver no Dicionário 0 artigo intitulado Reparação (Restituição).
Êx 12.36 Generosidade e Saque. A combinação desses dois atos permitiu que Israel extraísse grandes riquezas
dos aterrorizados egípcios. Uma pessoa fará quase qualquer coisa para salvar a sua vida. Os egípcios julgaramhttp://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm

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se pouco mais do que pessoas mortas (vs. 33), pois Moisés poderia desfechar uma praga de modo súbito e
generalizado. Assim, os antes escravizados israelitas receberam o seu salário, a paga pelas muitas décadas de
cativeiro e trabalho árduo. “Israel arrancou deles suas riquezas e bens, suas possessões mais valiosas" (John
Gill, in loc.). Artapano (apud Euseb. Praepar. Evan. 1.9 c. 27, par. 436) falou sobre as bacias de madeira, sobre
ricos tesouros e sobre vestes que os israelitas receberam da parte dos egípcios, e a esse testemunho, Ezequiel,
autor de tragédias teatrais, adicionou a sua palavra (apud Euseb., idem, c. 29, par. 443).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 349;
352-353.
3- As ervas amargas (Êx 12.8).
As ervas amargas, conforme se entende, dão a entender que eram uma representação da amargura com que os
israelitas foram tratados no Egito. Não era o tipo de iguaria que provavelmente trazia alegria em uma mesa, mas
sua utilização naquela refeição mostrava aos israelitas o sofrimento pelo qual haviam passado, coisa que, se
dependesse dos planos de DEUS, jamais se repetiria.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida.
Editora CPAD. pag. 40-41.
ERVAS AMARGAS
No hebraico, merorim amargores e palavra usada apenas por três vezes no A. T. (Êxo. 12:8; Núm. 9:11 e Lam.
3:15). O hebraico diz apenas «amargores», uma palavra tio geral que agora não sabemos quais ervas poderiam
estar em foco. Alguns têm pensado em verduras como a chicória, a alface, a acelga, a azeda, etc. Alguns
pensam no agrião. Nos tempos modernos, os judeus empregam a escarola e outras verduras, em um total de
cinco espécies, para conseguirem uma salada amargosa. Alguns intérpretes supõem que, nos livros de Êxodo e
Números, as ervas amargas eram apenas a hortelã.
Uso de Ervas na Páscoa. Nas Escrituras o amargor» simboliza aflição, miséria e servidão (Exo. 1:14; Rute 1:20;
Pro. 5:4), a iniqüidade (Jer. 4:18) e também o luto e a tristeza (Amós 8: 10). Em face desses significados
simbólicos, os israelitas receberam ordens para celebrar a páscoa utilizando-se de ervas amargas para
relembrarem a amarga escravidão que haviam sofrido no Egito (Êxo. 12:8; Núm. 9:11). Os documentos escritos
que chegaram até nós, provenientes do antigo Egito, mostram que eles usavam várias ervas amargosas em
suas saladas, e é bem possível que Israel tivesse empregado algumas delas na celebração da cerimônia da
páscoa (ver o artigo).
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 431-432.
Êx 12.8 A carne assada no fogo. Alguns têm pensado que o rito, antes de fazer parte da páscoa, consistia em
comer carne crua. Mas essa prática teria sido descontinuada por Israel. 0 trecho de Deuteronômio 16.7 parece
sugerir que carne cozida era uma alternativa para a carne assada. A proibição ao consumo de sangue não
permitia que a carne fosse comida ema. A Mishna diz que o cordeiro era assado mediante 0 uso de um espeto
de madeira de romãzeira, que atravessava a carcaça. Não eram permitidos nem metais e nem grelhas. Em suas
condições primitivas, no deserto, 0 povo de Israel podia assar o cordeiro com mais facilidade do que usar
qualquer outra forma de cozimento. Posteriormente, porém, os cordeiros eram cortados em pedaços e cozidos (I
Sam. 2.14,15).
“Originalmente, o matzoth, a festa dos pães asmos, era distinto da páscoa” (J. Coert Rylaarsdam, in loc.).
Porém, havia uma festa preliminar e primitiva dos pães asmos, em conjunção com a páscoa. Todos esses ritos
desenvolveram-se em tempos posteriores, e todos eles, em alguma forma primitiva, provavelmente antecederam
o evento do êxodo e da páscoa.
Ervas amargas. Essas ervas simbolizavam os sofrimentos de Israel antes de sua libertação, e, como tipo,
apontavam para os sofrimentos de CRISTO. A Mishna (Pesahim, 2.6) dá os ingredientes necessários, sobre os
quais comentamos no artigo acima referido.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 349.
Êx 12.8 As ervas amargas (de variedade não especificada e, portanto, provavelmente apenas uma nomenclatura
geral; talvez alface selvagem seja o que se quis dar a entender) eram provavelmente um tempero primitivo,
embora mais tarde os judeus as considerassem um símbolo do amargor da escravidão de Israel. O evangelista
pode ter visto aqui a chave para a “ mirra” amarga que foi misturada com o vinagre oferecido a CRISTO na cruz
(Mc 15:23), especialmente tendo-se em vista que Ele era considerado a vítima pascal (1 Co 5:7).
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 103.
AS ERVAS AMARGAS
Vemos nas "ervas amargosas", que deviam acompanhar os pães asmos, a significação e mesma utilidade
moral. Não podemos desfrutar da participação dos sofrimentos de CRISTO sem recordarmos o que tornou
necessários esses sofrimentos, e esta recordação deve, necessariamente, produzir um espírito de mortificação e
submissão, ilustrado, de um modo apropriado, nas ervas amargosas da festa da páscoa. Se o cordeiro assado
representa CRISTO sofrendo a ira de DEUS em Sua Própria Pessoa na cruz, as ervas amargosas mostram que
o crente reconhece a verdade que Ele sofreu por nós. "O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas
suas pisaduras fomos sarados" (Is 53:5).
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Por causa da leviandade dos nossos corações é bom compreendermos a profunda significação das ervas
amargosas. Quem poderá ler os Salmos 6,22,38,69,88, e 109, sem compreender, em alguma medida, o
significado dos pães asmos com ervas amargosas1?- Uma vida praticamente santa, unida a uma profunda
submissão de alma, deve ser o fruto da comunhão verdadeira com os sofrimentos de CRISTO, porque é de todo
impossível que o mal moral e a leviandade de espírito possam subsistir na presença desses sofrimentos.
Mas, pode perguntar-se não sente a alma um gozo profundo no conhecimento que CRISTO levou os nossos
pecados, e que esgotou, inteiramente, por nós, o cálice da ira justa de DEUS? Por certo que é assim. E este o
fundamento inabalável de todo o nosso gozo. Mas, poderemos nós esquecer que foi" por nossos pecados" que
Ele sofreu Poderemos perder de vista a verdade, poderosa para subjugar a alma, que o bendito Cordeiro de
DEUS inclinou a Sua cabeça sob o peso das nossas transgressões? Certamente que não. Devemos comer o
nosso cordeiro com ervas amargosas; as quais, não se esqueça, não representam as lágrimas de um
sentimentalismo desprezível e superficial, mas sim as experiências profundas e verdadeiras de uma alma que
compreende com inteligência espiritual o significado e efeito prático da cruz.
Contemplando a cruz, descobrimos nela aquilo que elimina a nossa culpa e dá doce paz e gozo. Porém, vemos
que ela põe de lado, inteiramente, também, a natureza humana— representa a crucificação da "carne" e a morte
do "homem velho" (veja-se Romanos, 6:6; Gl. 2- .20; 6:14; Cl. 2:11). Estas verdades, nos seus resultados
práticos, implicam muitas coisas "amargosas" para a nossa natureza: exigem a renúncia própria, a mortificação
dos nossos membros que estão sobre a terra (Cl 3:5), e a consideração do "homem velho" como morto para o
pecado (Rm 6). Todas estas coisas podem parecer terríveis de encarar; porém, uma vez que se há entrado na
casa cujas portas estão manchadas com o sangue veem-se de uma maneira muito diferente. As mesmas ervas
que, para o gosto de um egípcio, eram, sem dúvida, tão amargosas, formavam uma parte integral da festa de
redenção de Israel. Aqueles que são remidos pelo sangue do Cordeiro, e conhecem o gozo da comunhão com
Ele, consideram como uma "festa" tirar o mal e ter a velha natureza no lugar da morte.
C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé.
4- O cordeiro (Êx 12.3-7).
Deveria ser um animal macho, de um ano, sem manchas no corpo e sem defeitos físicos. Esses eram requisitos
para a celebração da Páscoa, mas a colocação do sangue nos umbrais da porta é que foi eficaz para que o anjo
da morte não passasse nas casas dos israelitas: “E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que
estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu
ferir a terra do Egito” (Êx 12.13).
Observe que obedecer à ordem de DEUS integralmente fez a diferença na Páscoa. De nada adiantaria
separarem o cordeiro perfeito, prepararem-no como uma refeição que deveria ser comida nos moldes designados
e simplesmente se esquecerem de que o sangue vertido do cordeiro deveria ser colocado na porta da casa. Essa
ordem era de pouca valia? Pense você mesmo: Se fosse pai ou mãe judeu com vários filhos e, ao se esquecer
desse pequeno detalhe, perdesse seu primeiro filho? Portanto, os israelitas levaram a sério essa ordem divina.
Aprenda que quando DEUS dá detalhes para que sigamos em uma empreitada, esses detalhes devem ser
seguidos com rigor, sob pena de perdermos algo muito custoso para nós mesmos. O sangue do cordeiro deveria
estar na porta das casas. Ele impediria a morte no lar da família que temia ao Senhor.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida.
Editora CPAD. pag. 41.
PÁSCOA, CRISTO COMO A
"...CRISTO, nosso Cordeiro pascal, foi imolado» (I Cor. 5:7). No seu contexto, essa declaração tem um sentido
moral. Deveríamos desvencilhar-nos de todos os elementos estranhos à espiritualidade, visto que CRISTO fez o
seu grande e eterno sacrifício, que é o agente de nossa purificação moral. Cumpre-nos abandonar nossa velha
maneira de viver.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 102.
Êx 12.3 Congregação de Israel. Aos dez deste mês. Dia da instituição e observância da páscoa. A páscoa era
uma observância de cada família, e 0 cordeiro pascal era a figura central. No livro de Deuteronômio o caráter
doméstico é substituído por um feriado religioso nacional. Finalmente, tornou-se um dos sacrifícios efetuados no
templo. Ver Eze. 45.21-25; Lev. 23.5; Esd. 6.19,20; II Crô. 30; 35.1-19; Jubileus 49.
As orientações aqui dadas, a escolha do cordeiro no décimo dia do primeiro mês etc., de acordo com a Mishna
(ver a respeito no Dicionário), aplicavam-se somente ao rito original, o qual sofreu modificações em tempos
posteriores.
Um cordeiro. No hebraico, seh, filhote da ovelha ou da cabra. Ambos os filhotes eram usados durante a páscoa,
mas acabou prevalecendo, por costume, o cordeiro, de acordo com uma antiga tradição. Segundo a casa dos
pais. A nação de Israel estava organizada por famílias, clãs, tribos e príncipes. Essa observância era importante
para as famílias, e, então, para a nação, em todas as suas expressões. Um cordeiro era selecionado para cada
família, a menos que esta fosse muito pequena, quando então duas famílias podiam reunir-se para celebrar
juntas a páscoa. Estavam envolvidas razões econômicas (ver o vs. 4).
Êx 12.4 Compartilhando a Páscoa. Sacrificar um cordeiro era um evento econômico avantajado. Uma família ou
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casa pequena podia compartilhar um cordeiro com outra família. Josefo diz-nos que dez pessoas era 0 número
mínimo de uma casa (Guerras, vi.9.3). Esse número tornou-se 0 padrão para a organização de uma congregação
ou minis sinagoga judaica. Quando duas famílias se uniam para celebrar a festa, elas ficavam separadas no
aposento, de costas uma para a outra, e assim era preservada a unidade doméstica, apesar da cooperação. Um
cordeiro pascal precisava ser consumido inteiro, e uma família dificilmente poderia fazer isso em uma única
refeição. Ver Êxo. 12.10. Nenhuma pessoa podia comer sozinha do cordeiro pascal. A festa não tinha valor no
caso de uma pessoa isolada. Era uma festa doméstica, uma observância comunal. A espiritualidade sempre se
manifesta melhor em um esforço grupal, o que não isenta o indivíduo de outras práticas e observâncias
solitárias, mas o convida a participar do espírito de comunidade.
Por aí calculareis quantos bastem. Em outras palavras, cada cordeiro seria morto para um certo número de
pessoas, as quais, juntas, deveriam observar a páscoa.
Êx 12.5 O cordeiro será sem defeito. Não poderia haver nenhum tipo de defeito físico, deformação, enfermidade
etc. Como é óbvio, isso fala da impecabilidade do Cordeiro de DEUS. Ver I Ped. 1.19 e João 1.29.
Macho de um ano. Ou um animal que já tivesse completado seu primeiro ano de vida, ou que ainda estivesse
dentro de seu primeiro ano de vida, sem ter ainda atingido essa idade. A Septuaginta fala em um ano completo,
o que tem levado a maioria dos estudiosos a pensar em uma idade exata do animal a ser sacrificado. Mas há
quem suponha que a prática original fosse abater um cordeiro ainda bem novo, talvez com apenas algumas
semanas de nascido. Uma vida preciosa era sacrificada com esse propósito religioso. Todas as vidas preciosas
pertencem a DEUS Pai; e é Sua responsabilidade cuidar de todas elas. Oh, Senhor, concede-nos tal graça!
Um cordeiro ou um cabrito. Portanto, originalmente, qualquer desses filhotes podia ser usado, embora depois
fosse tradicional servir um cordeiro. Os Targuns mostram que a preferência era dada ao cordeiro, embora
também se usasse, ocasionalmente, um cabrito.
Êx 12.6 Décimo quarto dia. O animai a ser sacrificado era separado do rebanho no décimo dia do mês, e, então,
guardado para o sacrifício por quatro dias. Os rabinos alistam quatro coisas supostamente derivadas dessa
exigência, a qual acabou não sendo preservada senão no começo da história de Israel, a saber:
1. Originalmente, os cordeiros foram consumidos na terra de Gósen, na residência de cada família israelita.
2. O cordeiro era separado no décimo dia do primeiro mês.
3. O sangue do cordeiro abatido era usado para lambuzar ambas as ombreiras e a verga da porta de entrada de
cada casa.
4. O cordeiro era comido às pressas.
Quando foi descontinuada a exigência acerca do décimo dia, naturalmente também foi eliminada a exigência
referente ao décimo quarto dia. Talvez aquele período intermediário de quatro dias desse ao povo tempo amplo
para que as pessoas se certificassem de que o animal não tinha defeito. Essa questão não podia ser tratada de
modo superficial. Em tipo, de acordo com alguns intérpretes, isso mostra CRISTO preservado em Sua infância,
enquanto estava sendo preparado para Sua missão expiatória.
Todo o ajuntamento da congregação de Israel. No começo, isso indicava que cada família cumpriria o seu dever
religioso. Todas as famílias, em seu conjunto, formavam a congregação de Israel. Posteriormente, passou a
haver um sacrifício comunal, quando a questão se tornou parte da adoração no templo. Os chefes de família
reuniam-se em um s ó lugar para efetuar o sacrifício comunal. Os críticos vêem aqui uma referência a esse
costume posterior, e não à forma primitiva da observância. A Mishna entende que três grupos de famílias
entravam sucessivamente no átrio do templo, para matar os cordeiros escolhidos. Nesse caso, para preservar a
exigência original de que o sangue fosse aspergido, os chefes de família formavam uma espécie de brigada com
baldes, apanhando 0 sangue dos animais sacrificados e, então, aplicando-o às ombreiras e às vergas das portas
de cada casa. Ou, então, o sangue era derramado ao pé do altar, que assim veio a substituir, posteriormente, as
portas de entradas das residências.
No crepúsculo da tarde. Era o horário do sacrifício. Logo, tratava-se de uma festa noturna, celebrada durante o
tempo da lua cheia (vs. 8; ver também Isa. 30.29). De acordo com a ortodoxia judaica, o abate do animal ocorria
ao aproximar-se a noite. A Mishna diz-nos que era apropriada qualquer hora depois do meio-dia para esse abate.
Os samaritanos, os caraítas e os saduceus especificavam o crepúsculo, antes de as trevas absolutas cobrirem
a terra. A prática original por certo era consumir o cordeiro pascal durante a noite. Josefo explanou que, em seus
dias, o sacrifício tinha lugar entre a nona e a décima primeira horas (entre as 15 horas e as 17 horas, Guerras,
1.6, see. 3). JESUS foi crucificado à hora nona (Mat. 26.17).
Tomarão do sangue. Ou seja, aquela porção do sacrifício que, de acordo com a antiga crença, destinava-se ao
poder divino. Ver Lev. 1.5. Originalmente, o sangue foi aplicado às ombreiras e à verga da porta de cada casa,
ou seja, a parte ais santa e dedicada da casa (Lev. 21.6; Deu. 6.9). No dia da matança dos primogênitos no
Egito, isso atuou como uma medida protetora contra o anjo destruidor, que, vendo o sangue aplicado, passaria
por sobre a casa assim protegida. V« os vss. 22 e 23 deste capítulo, como também Êxo. 4.24, e as notas
expositivas 3á existentes.
No Dicionário ver os artigos Sangue e Expiação (quanto a este seus pontos quinto e sexto). Ver também ali os
verbetes Expiação e Expiação pelo Sangue. E na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia ver 0 artigo
Expiação pelo Sangue de CRISTO.
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Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa

Alguns estudiosos supõem que o uso do sangue, conforme aparece na primeira páscoa, realmente antecedeu o
evento, como um rito antigo que apelava aos poderes divinos em busca de proteção contra forças espirituais
malignas, para que fosse preserva a paz na família. A porta, como entrada que dava acesso à casa, seria o lugar
lógico onde era aplicado o sangue protetor.
Vida ou Morte. O mesmo anjo destruidor (o Anjo de Yahweh) que matou os primogênitos do Egito também foi o
anjo protetor de Israel. Assim foi e assim será sempre: escolhemos como o Poder Divino haverá de relacionar-se
conosco. No caso dos israelitas, o cordeiro era morto em lugar dos filhos primogênitos, o que aponta para o
poder vicário do sacrifício de CRISTO.
Talvez o sangue também simbolizasse um laço que congregava a família e a comunidade, tendo-se tornado
assim um sinal do pacto que todos eles compartilhavam com Yahweh.
Expiação. O sangue do cordeiro pascal fazia uma expiação simbólica pelos membros da família que se
protegesse com o sangue aplicado à porta de sua casa. Isso os protegeu da ira divina que estava à solta
naquela noite.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 348349.
Êx 12.3. Toda a congregação de Israel. Es ta é a primeira ocorrência no Pentateuco do que viria a ser um termo
técnico para descrever Israel em sentido religioso {‘êdãh ocorre frequentemente com este sentido; em
Deuteronômio e livros mais recentes a forma preferida é qãhãl) e que subjaz o uso da palavra ek k lêsia (igreja) no
Novo Testamento. A palavra “ congregação” não é um termo abstrato: implica no ajuntamento da nação de
Israel, normalmente com propósito religioso.
Aos dez deste mês. É provável que os israelitas primitivos, tal como os chineses, dividissem o mês em três
partes de dez dias cada, sendo a primeira destas a “ entrada” e a última a “ partida” . Nosso conceito de “
crescente” e “ minguante” é semelhante, embora baseado numa divisão do mês em duas partes. Tal como a
Páscoa, o Dia de Expiação caía no décimo dia de um outro mês (Lv 23:26,27). Esta explicação é preferível à
suposição de que o número dez era tido como sagrado. A noite do décimo quarto dia (quando o cordeiro devia
ser morto, v. 6) seria exatamente a metade do mês, quando presumivelmente haveria lua cheia.
Um cordeiro. O termo hebraico, êeh, é neutro e deveria ser traduzido “ cabeça de gado (miúdo)” , aplicável
igualmente a ovelhas e cabras de qualquer idade. Os israelitas, tal como os chineses, pareciam considerar
qualquer distinção entre ovelhas e cabras uma subdivisão sem importância.
Talvez por causa disso, “ separar os bodes das ovelhas” veio a ser uma expressão proverbial para indicar o
discernimento divino ao tempo do Novo Testamento (Mt 25:32). Quem conhece as ovelhas da Ásia, pequenas,
de cor marrom ou preta e com pelo curto e crespo, sabe bem da dificuldade em distingui-las, exceto pelas
caudas. Além disso, o seh poderia ser de qualquer idade: o versículo 5 diz que deveria ser “ filho de um ano” ,
expressão que pode significar “ do primeiro ano” , ou seja, “ nascido há um ano ou menos” . Era assim, pelo
menos, que entendiam os rabis. As traduções modernas, que contêm a expressão “ macho de um ano” , estão
provavelmente forçando ideias ocidentais de cronologia a um texto asiático. Em qualquer caso, porém, é apenas
esta descrição de sua idade que nos mostra que o sacrifício deveria ser um “cordeiro” e não uma “ ovelha” adulta.
Para cada família. A Páscoa era uma comemoração doméstica e familiar, o que demonstra sua origem antiga.
Aqui não há templo, nem tenda da congregação, nem altar nem sacerdote: a ideia de representação, porém, se
não mesmo substituição, é claramente sugerida.
Êx 12.4. Por aí calculareis. Em dias mais recentes, o número mínimo de pessoas que poderia comer um cordeiro
era dez adultos; este número, porém, foi alcançado através de uma exegese artificial. No principio, parecia ser
questão de apetite, ou do tamanho do cordeiro, ao invés de teologia.
Êx 12. 5. Macho de um ano. O sacrifício deveria ser um macho jovem e sem defeito algum, presumivelmente
representando a perfeição da espécie. Se já tivesse realmente um ano de idade, já estaria plenamente
desenvolvido.
Êx 12.6. No crepúsculo da tarde. Literalmente, “ entre as duas noites” . Estudiosos judeus não chegam a um
acordo quanto ao significado exato da frase. A expressão é usada para descrever a hora do sacrifício vespertino
regular (29:39) e a hora em que as lâmpadas da tenda da congregação eram acesas (30:8). O pietismo ortodoxo
do judaísmo farisaico entendia a frase como uma referência ao período da tarde entre a hora em que o calor do
sol começava a diminuir (digamos 3 ou 4 horas) e o pôr-do-sol. Outros grupos preferiam o período entre o pôr-dosol e a escuridão, ou outras explicações semelhantes.
7. Tomarão do sangue. Dificilmente se poderia classificar a Páscoa como um sacrifício, no sentido mais recente
da palavra. Não era diretamente ligada a pecado, embora fosse “ apotropaica” no sentido de evitar o “ golpe”
divino, havendo portanto um ritual cruento a ela associado.
O fato de haver um ritual cruento não é em si mesmo digno de nota: notável mesmo é o não haver qualquer
associação de sacerdotes com um tipo de rito que mais tarde seria estritamente limitado à sua participação.
É claro, portanto, que esta cerimônia surgiu antes do estabelecimento do sacerdócio “ profissional” em Israel.
Como presumivelmente acontecia no período patriarcal, o chefe da família fazia as vezes de sacerdote.
Todavia, a despeito deste resquício de tradição patriarcal, as ombreiras e vergas sugerem vida sedentária, tal
como Israel vivia em Gósen. Embora, estritamente falando, não haja aqui o conceito de “ expiação” , o princípio
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Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa

básico do sacrifício cruento é o mesmo: representa uma vida que foi sacrificada (Lv 17:11).
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 101-103.
A Instituição da Páscoa. A Festa dos Pães Asmos w. 1-20
Moisés e Arão aqui recebem do Senhor aquilo que deveriam posteriormente transmitir ao povo com relação à
celebração da páscoa, para a qual é pré-fixada uma ordem, um novo estilo a ser observado quanto ao seu
calendário (w. 1,2): Este mesmo mês vos será o princípio dos meses. Até aqui eles haviam começado o seu ano
a partir de meados de Setembro, mas daqui por diante eles deveriam começá-lo a partir de meados de Março, ao
menos em todos os seus cálculos eclesiásticos. Note que é bom começar o dia, e começar o ano, e
especialmente começar a nossa vida, com DEUS. Este novo cálculo iniciava o ano com a primavera, que renova
a face da terra, e era usada como um símbolo da chegada de CRISTO, Cantares 2.11,12. Nós podemos supor
que, enquanto Moisés estava trazendo as dez pragas sobre os egípcios, ele estava orientando os israelitas a se
prepararem para a sua partida que poderia acontecer a qualquer momento. É provável que ele tivesse acabado
com a dispersão deles reunindo-os gradualmente, pois aqui são chamados de ‘A congregação de Israel” (v. 3).
Além disto, aqui as ordens são enviadas a uma congregação. O espanto e a pressa deles, é fácil deduzir, eram
grandes. Ainda mais agora que eles devem se dedicar à observância de um rito sagrado, em honra a DEUS.
Note que não devemos nos esquecer da nossa religião, nem mesmo quando nossas mentes estiverem repletas
de preocupações, e nossas mãos estiverem repletas de trabalho. Também não devemos permitir que haja em
nós qualquer tipo de indisposição para com os atos de devoção.
DEUS determinou que, na noite em que eles sairiam do A Egito, eles deveriam, em cada uma de suas famílias,
matar um cordeiro, ou que duas ou três famílias, se fossem pequenas, comessem juntas um cordeiro. O cordeiro
deveria ser preparado quatro dias antes, e, naquela tarde, eles deveriam matá-lo (v. 6) como um sacrifício. Não
de forma estrita, pois este não era oferecido no altar, mas como uma cerimônia religiosa, reconhecendo a
bondade de DEUS para com eles, não apenas ao protegê-los das pragas infligidas aos egípcios, mas libertandoos através delas. Veja a origem da religião em família, E perceba a conveniência da reunião de pequenas
famílias para a adoração religiosa para que esta possa se tornar mais solene.
no cordeiro morto desse modo, eles deveriam comer assado (nós podemos supor, em seus vários alojamentos),
com pães asmos e ervas amargosas, porque deveriam comê-lo apressadamente (v. 11), não deixando nada para
o dia seguinte. Pois eles dependeriam de DEUS para o pão de cada dia, e não deveriam se inquietar pelo
amanhã. Aquele que os conduzia os alimentaria.
Antes de comerem a carne do cordeiro, eles deveriam borrifar o sangue sobre as ombreiras das portas, v 7.
Através disso, suas casas seriam distinguidas das casas dos egípcios, e assim os seus primogênitos estariam
protegidos da espada do anjo destruidor, vv. 12,13. Uma obra terrível seria realizada nesta noite no Egito. Todos
os primogênitos, tanto dos homens quanto dos animais deveriam ser mortos, e julgamentos seriam executados
contra os deuses do Egito. Moisés não menciona o cumprimento neste capítulo, mesmo assim ele fala sobre
isso em Números 33.4. É muito provável que os ídolos que os egípcios adoravam tenham sido destruídos, os de
metal derreteram, os de madeira foram consumidos, e os de pedra foram feitos em pedaços, de onde Jetro
deduz (cap. 18.11): O Senhor é maior que todos os deuses. O mesmo anjo que exterminou os seus primogênitos
aniquilou os seus ídolos, que não eram menos queridos para eles. Foi-lhes ordenado que aspergissem o sangue
do cordeiro sobre as ombreiras das portas para a proteção de Israel, um gesto que seria aceito como um
exemplo de sua crença nas advertências divinas e de sua obediência aos preceitos divinos. Note que:
1. Se em tempos de calamidade geral, DEUS protege o seu próprio povo e coloca um sinal sobre as pessoas,
elas serão escondidas no céu ou debaixo do céu, e serão protegidas do impacto dos julgamentos ou ao menos
de seus aguilhões.
2. O sangue da aspersão é a segurança do justo em tempos de calamidade geral; é isso que os marca para
DEUS, tranqüiliza consciências, e lhes dá ousadia e acesso ao trono da graça. E assim se torna um muro de
proteção em volta deles e uma parede divisória entre eles e os filhos desse mundo.
Esta ordenança deveria ser observada anualmente em suas futuras gerações como uma festa do Senhor, ao
qual a festa dos pães asmos foi acrescentada, e durante a qual, por sete dias, eles deveriam comer apenas
pães sem fermento, como um memorial por estarem inevitavelmente limitados a esse tipo de pão por muitos dias
após a sua saída do Egito, w. 14-20. Esse compromisso é imposto para sua melhor orientação, e para que eles
não pudessem se enganar com respeito à páscoa. E também para despertar a uma diligente observância deste
ritual aqueles que, no Egito, tinham se tornado tolos e descuidados nos aspectos da religião. Agora, sem dúvida,
havia muito do Evangelho nessa celebração. Ela é frequentemente mencionada no Novo Testamento, e através
dela nos é pregado o Evangelho. Esta pregação também se estendia a eles, que não podiam olhar firmemente
para o fim dessas coisas. Hebreus 4.2; 2 Coríntios 3.13.
1. O cordeiro pascal era uma tipificação do Salvador. CRISTO é a nossa Páscoa, 1 Coríntios 5.7.
(1) Deveria ser um cordeiro. E CRISTO é o Cordeiro de DEUS (Jo 1.29), frequentemente chamado no Apocalipse
de “O Cordeiro”, manso e inocente como um cordeiro, calado ante os tosquiadores, diante dos açougueiros.
(2) Deveria ser um macho de um ano (v. 5), uma primícias; CRISTO se ofereceu no meio de seus dias, não na
infância com os bebês de Belém. Isso denota a força e a suficiência do Senhor JESUS, em quem está o nosso
auxílio.
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Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa

(3) Deveria ser um cordeiro sem mácula (v. 5), simbolizando a pureza do Senhor JESUS, um cordeiro imaculado,
Hebreus 7.26; 1 Pedro 1.19. O juiz que o condenou (como se o seu julgamento fosse feito apenas como a
inspeção que era feita no tocante aos sacrifícios, para verificar se eram sem mácula ou não) o declarou inocente.
(4) Deveria ser separado com quatro dias de antecedência (w. 3,6), indicando a designação do Senhor JESUS
para ser o Salvador, tanto no propósito quanto na promessa. Podemos observar que, como CRISTO foi
crucificado durante a páscoa, Ele entrou solenemente em Jerusalém com quatro dias de antecedência, no
mesmo dia em que o cordeiro pascal era separado.
(5) O cordeiro deveria ser morto, e assado no fogo (w. 6-9), o que simbolizava os sofrimentos intensos do Senhor
JESUS, até a morte, e morte de cruz. A ira de DEUS é como fogo, e CRISTO se fez maldição por nós.
(6) Deveria ser morto por toda a congregação no entardecer, entre os dois dias, isto é, entre três e seis horas da
tarde. CRISTO sofreu no fim do mundo (Hb 9.26) pela mão dos judeus, uma multidão deles (Lc 23.18), e pelo
bem de todo o seu Israel espiritual.
(7) Nenhum osso do cordeiro deve ser quebrado (v. 46), o que é expressamente relatado como uma profecia que
foi cumprida em CRISTO (Jo 19.33,36), simbolizando a força inquebrantável do Senhor JESUS.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag.
260-261.

III - CRISTO, NOSSA PÁSCOA.
1. JESUS, o Pão da Vida (Jo 6.35,48,51).
Um pão pode ter mais de um sabor. Pode ter mais de uma forma. Pode ser feito com diversos ingredientes.
Pode ser barato ou caro. Pode ser mais leve ou mais pesado. Mas sua função mais importante é saciar a fome.
É para isso que eles são feitos. Por que CRISTO é considerado o pão da vida?
Porque Ele mesmo disse isso: “Eu sou o pão da vida; (' aquele que vem a mim não terá fome” (Jo 6.35). Ele
promete saciar a necessidade humana no que concerne às questões da vida e à relação com DEUS, ao perdão
dos pecados e à vida eterna. A fome que temos de DEUS é saciada em CRISTO JESUS.
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida.
Editora CPAD. pag. 41-42.
PÃO DA VIDA, JESUS COMO
«Eu SOU o pão da "'vida...» (João 6:35).
«Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna... » (João 6:54).
«...isto é o meu corpo...isto é o meu sangue... » (Mateus 26:26,28).
«..o que vem a mim, jamais terá fome; e o que crê em mim, jamais terá sede... » (João 6:35).
«Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai; também quem de mim se alimenta, por
mim viverá» (João 6:57).
«Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo" (João
5:26),
« os mortos ouvirão a voz do Filho de DEUS; e os que a ouvirem, viverão" (João 5:25).
Em torno desses versículos gira o ensino de JESUS como o Pão da Vida. Crentes sinceros têm atribuído aos
mesmos grande variedade de interpretações, e muitíssimas disputas se têm originado de tais explicações.
Parece que uma das dificuldades da interpretação deriva-se do fato de que a mensagem central que essas
passagens procuram nos transmitir é muito mal compreendida pela igreja cristã, sendo algumas vezes
totalmente desconhecida e, ocasionalmente, até mesmo combatida. Por causa dessas condições, apesar de
que certas porções da ideia correta do que aqui é ensinado são retidas por uma ou outra denominação, com
algumas variações, contudo, a própria ideia, em sua inteireza e majestade, é percebida apenas em parte,
obscuramente. Essa profunda ideia do cristianismo, que «JESUS, como o Pão da Vida», oferece aos homens,
está contida nas Escrituras de forma dispersa. As alusões a esse conceito aparecem no evangelho de João; em
alguns trechos das epístolas paulinas, sobretudo no oitavo capitulo da epístola aos Romanos e no primeiro
capítulo da epístola aos Efésios; em 11 Coríntios 3:18 e em II Pedro 1:4.
Na tentativa de descobrir e lançar luz sobre o assunto, examinaremos os seguintes particulares:
1. A orientação espiritual de João é mística, e não sacramental.
2. O modo de expressão de João.
3. As interpretações centrais do sexto capítulo do evangelho de João: a interpretação simbólica, a sacramental e
a mística.
4. A Ceia do Senhor, em seu «símbolo» e na «verdade simbolizada».
5. Indicações existentes no sexto capitulo do evangelho de João sobre a veracidade da interpretação «mística».
Passemos, pois, à exposição de cada uma dessas particularidades:
A Orientação Espiritual de João é Mística, e Não Sacramental.
Dentre os quatro evangelhos, o de João é o mais místico e o menos sacramental; assim sendo, apesar do
evangelho de João ser o mais usado, provavelmente é o menos compreendido dos quatro. Notemos que no
trecho de João 1:29-34, o lugar onde poderíamos esperar a história do batismo de JESUS, por João Batista, não
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Lição 4 a celebração da primeira páscoa

  • 1. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa Home Estudos EBD Discipulado Mapas Igreja Ervália Corinhos Figuras1 Figuras2 Vídeos Fotos Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa LIÇÕES BÍBLICAS - 1º Trimestre de 2014 - CPAD - Para jovens e adultos Tema: Uma Jornada de Fé - A Formação do povo de Israel e sua herança espiritual Comentário: Pr. Antônio Gilberto Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva Questionário NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm TEXTO ÁUREO [...] Porque CRISTO, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Co 5.7b). http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 1/39
  • 2. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa VERDADE PRÁTICA CRISTO é o nosso Cordeiro Pascal. Por meio do seu sacrifício expiatório fomos libertos da escravidão do pecado e da ira de DEUS. http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 2/39
  • 3. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa LEITURA DIÁRIA Segunda - Êx 12.5 Um cordeiro sem mácula deveria ser morto Terça- Êx 12.7 Sangue foi aspergido nas portas Quarta- Êx 12.29-33 Morte nas famílias egípcias Quinta - Jo 1.29 O Cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo Sexta - 1 Jo 1.7 O sangue purificador do Cordeiro de DEUS Sábado- Hb 11.28 Pela fé, Moisés celebrou a Páscoa http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 3/39
  • 4. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Êxodo 12.1-11 1 - E falou o SENHOR a Moisés e a Ar ao na terra do Egito, dizendo: 2 - Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano. 3 - Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada casa. 4 Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; conforme o comer de cada um, fareis a conta para o cordeiro. 5 - 0 cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras 6 - e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. 7 - E tomarão do sangue e pô-lo-ão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem. 8 - E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães asmos; com ervas amargosas a comerão. 9 - Não comereis dele nada cru, nem cozido em água, senão assado ao fogo; a cabeça com os pés e com a fressura. 10 - E nada dele deixareis até pela manhã; mas o que dele ficar até peia manhã, queimareis no fogo. 11 - Assim, pois, o comereis: os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a Páscoa do SENHOR. INTERAÇÃO Na lição de hoje, estudaremos uma das festas mais significativas para Israel e a Igreja — a Páscoa. DEUS queria que seu povo nunca se esquecesse desta comemoração especial. Por isso, esta data foi santificada. No decorrer da lição, procure enfatizar que a Páscoa era uma oportunidade para os israelitas descansarem, festejarem e adorarem a DEUS por tão grande livramento, que foi a sua libertação e saída do Egito. Hoje, o nosso Cordeiro Pascal é CRISTO. Ele morreu para trazer redenção aos judeus e gentios. CRISTO nos livrou da escravidão do pecado e sua condenação eterna. Exaltemos ao Senhor diariamente por tão grande salvação. OBJETIVOS - Após a aula, o aluno deverá estar apto a: Analisar o significado da Páscoa para os israelitas, egípcios e para os cristãos. Saber quais eram os elementos principais da Páscoa. Conscientizar-se de que CRISTO é a nossa Páscoa. ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 4/39
  • 5. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa Professor, para iniciar a lição faça a seguinte pergunta: “O que significa a palavra Páscoa?” Ouça os alunos com atenção e explique que o termo significa “passar por”. Diga que este vocábulo tornou-se o nome de uma das mais importantes celebrações do povo hebreu. Diga que a festa da Páscoa acontece no mês de abibe (março/abril). Utilizando o quadro da página seguinte, explique aos alunos o significado desta celebração para os egípcios, judeus e cristãos. Conclua, enfatizando que a Páscoa nos fala do sacrifício de CRISTO, o nosso Cordeiro Pascal. A PÁSCOA A PÁSCOA SEU SIGNIFICADO Para os egípcios Significava o juízo divino sobre o Egito. Para os israelitas A saída do Egito, a passagem para a liberdade. Para os cristãos É a passagem da morte dos nossos pecados para a vida de santidade em CRISTO. PALAVRA-CHAVE Páscoa: Uma das mais importantes festas do povo hebreu em que comemoravam a saída do Egito. Resumo da Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa I - A PÁSCOA 1. Para os egípcios. 2. Para Israel. 3. Para nós. II - OS ELEMENTOS DA PÁSCOA 1. O pão. http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 5/39
  • 6. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa 2. As ervas amargas (Êx 12.8). 3. O cordeiro (Êx 12.3-7). III - CRISTO, NOSSA PÁSCOA 1. JESUS, o Pão da Vida (Jo 6.35,48,51). 2. O sangue de CRISTO (1 Co 5.7; Rm 5.8,9) 3. A Santa Ceia. SINOPSE DO TÓPICO (1) - Para nós cristãos a Páscoa é a passagem da morte dos nossos pecados para a vida de santidade em CRISTO. SINOPSE DO TÓPICO (2) - Os três elementos da Páscoa eram: o pão, as ervas amargas e o cordeiro sem mácula. SINOPSE DO TÓPICO (3) - A Ceia do Senhor é um memorial da morte redentora de CRISTO por nós e um alerta quanto à sua vinda. BIBLIOGRAFIA SUGERIDA COHEN, Armando Chaves. Êxodo. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998. RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I - Subsídio Bibliológico “O propósito de DEUS em instituir a Páscoa era estabelecer o marco inicial para a libertação de Israel do cativeiro egípcio e proclamar a redenção alcançada pelo sangue do Cordeiro, já revelada no sacrifício de Isaque (Gn 22.1-19), conforme mais tarde escreveram os apóstolos Paulo e Pedro: ‘e demonstrar a todos qual seja a dispensação do ministério, que, desde os séculos esteve oculto em DEUS’ (Ef 3.9); [...] o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, antes da fundação do mundo’ (1 Pe 1.20). CRISTO é a nossa Páscoa (1 Co 5.17). Ele é o Cordeiro de DEUS Co 1.29). O cordeiro deveria ser separado para o sacrifício até ao décimo quarto dia do primeiro mês do ano (Êx 12.3-6) e tinha de ser sem defeito (Êx 12.5). CRISTO cumpriu essa exigência (1 Pe 1.18,19). Ele entrou em Jerusalém no dia da separação do cordeiro e morreu no mesmo dia do sacrifício. O cordeiro precisava ser imolado pela congregação, assim como CRISTO foi sacrificado pelos líderes civis e religiosos de Israel e de Roma e pela vontade do povo. Nenhum osso do cordeiro poderia ser quebrado (Êx 12.46), também nenhum osso de CRISTO foi partido Jo 19.33-36)” (COHEN, Armando Chaves. Êxodo. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998, p.42). AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II - Subsídio Bibliológico “Êxodo 12 não diz respeito somente ao momento da Páscoa, ao porquê da Páscoa e a como ela deve ser observada, mas também quem deve participar (Êx 1 2.43-49). A Páscoa não era algo indiscriminadamente aberto para todos. Quem podia participar? A congregação de Israel (v. 47); os escravos (v. 44), quando circuncidados, por terem os mesmos privilégios dos hebreus; os estrangeiros (v. 48), gentios que tivessem abraçado a fé em Jeová. Quem não podia participar? O forasteiro (v. 43), pagão e incrédulo; o viajante (v. 45) que, hóspede ou de passagem, ficava algum tempo no território de Israel; o servo assalariado (v. 45), que pertencia a uma outra nação mas trabalhava em Israel. Essas distinções eram necessárias por causa da ‘mistura de gente’ (1 2.38) que deixou o Egito. Foi por isso que as instruções acerca da elegibilidade para participar da Páscoa (1 2.43-49) foram passadas logo após essa ‘mistura de gente’ deixar o Egito (12.37-39)” (HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco. 2. ed. Rio de Janeiro; CPAD, 2007, pp. 191-92). COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO Neste capítulo veremos de que forma os acontecimentos de uma noite mudaram a história dos egípcios e do povo de Israel. A celebração da Páscoa teve significados distintos para hebreus e egípcios, pois na noite em que foi instituída, houve lamento no Egito, mas a seguir ocorreu a libertação prometida por DEUS para os seus filhos. COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 35. PÁSCOA 1 Esta palavra aparece várias vezes na Bíblia Sagrada. Porém na versão KJV em inglês ela aparece apenas uma vez (At 12.4). É usada como tradução do termo grego pascha, que é corretamente traduzido como "páscoa" nas passagens onde consta no Novo Testamento. A palavra "Páscoa" em inglês ("Easter") é derivada do nome de uma deusa teutônica da primavera, "Eastre", e foi adaptada pelos cristãos ao uso atual aprox. no século VIII d.C. PÁSCOA 2 Festa instituída por DEUS para Israel, na época do Êxodo, para celebrar a noite em que o Senhor Jeová poupou todos os recém nascidos primogênitos dos israelitas e matou todos os primogênitos dos egípcios (Êx 12.1-30,43-49). A palavra hebraica pesah (do grego pascha) tem uma origem incerta. G. E. Mendenhall a http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 6/39
  • 7. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa relaciona com a palavra acadiana pashu, que consta na carta Amarna 74.37 para descrever a paz ou a segurança que resulta do estabelecimento de uma aliança (BASOR, #133 [1954], p. 29). B. Couroyer sugere que este termo é uma transliteração de duas palavras egípcias p3 sh, 'Te coup" (o golpe, a pancada), e que ele refere-se ao golpe infligido pelo Senhor à terra do Egito na décima praga. Ele acredita que a expressão egípcia foi colocada ao lado de uma raiz hebraica composta pelas mesmas consoantes, pasah, que significa saltar ou passar (por cima) como em 1 Reis 18.26. Devido à sua conexão com a isenção dos primogénitos de Israel, pesah veio a ter o sentido da misericordiosa intenção de Jeová ao passar por cima das casas que foram marcadas com sangue ("Uorigine égyptienne du mot 'Pâque'", Revue Biblique, LXII [1955], 481-496). O verbo pasah ocorre em Êxodo 12.13,23,27, onde obviamente significa que o Senhor pulou ou saltou por cima e, desse modo, poupou as casas israelitas quando feriu os egípcios (Outro verbo com os mesmos radicais significa mancar ou ser manco; 2 Samuel 4.4.) A outra única ocorrência, no sentido de poupar ou proteger, está em Isaías 31.5, onde pasah está em um paralelo com outros três verbos que significam "proteger", "libertar" e "salvar". É possível que em Isaías o significado possa ter sido estabelecido pelo uso em Êxodo 12 e não por refletir o significado original da raiz. Portanto, não se pode afirmar que o substantivo pesah deriva ou não do verbo pasah, que originalmente significava passar por cima. Quanto à observação cerimonial da festa da Páscoa no AT, Veja Festividades; Sacrifícios; Adoração. No AT, é feita uma referência à celebração da primeira Páscoa por Moisés, com a aspersão de sangue para que os primogênitos israelitas não fossem tocados (Hb 11.28). Existem muitas outras referências a festas da Páscoa durante a vida do Senhor JESUS. Ainda criança, todos os anos Ele era levado por seus pais a Jerusalém para a Festa da Páscoa (Lc 2.41). No quarto evangelho, três Páscoas são definitivamente mencionadas durante o ministério do Senhor JESUS (Jo 2.13,23; 6.4; 11.55; 12.1; 13;1; 18.28,39; 19.14) e acredita-se que a festa mencionada em João 5.1 seria a quarta Páscoa. Na época de CRISTO, o cordeiro pascal (geralmente um cordeiro ou cabrito de um ano, mas veja Êxodo 12.5) era ritualmente sacrificado na área do Templo. Essa refeição, no entanto, podia ser comida em qualquer casa da cidade. Um grupo comunitário, como o de JESUS e seus discípulos, podia celebrar a Páscoa em conjunto, com se formasse uma unidade familiar. Cerca de 120.000 a 180.000 judeus compareciam a Jerusalém para essa e outras festas anuais, sendo que a grande maioria deles era formada por peregrinos vindos de países da Diáspora (J. Jeremias, Jerusalém in the Time of JESUS, Filadélfia. Fortress, 1969, pp. 58-84). Depois da destruição do Templo no ano 70 d.C, as provisões para o sacrifício de um animal, sob a forma de um ritual, cessaram totalmente e a Páscoa dos judeus passou a ser uma simples cerimônia familiar, uma refeição sem derramamento de sangue. Atualmente, apenas os samaritanos (q.v.), em sua cerimônia anual da Páscoa no monte Gerizim, sacrificam cordeiros ou cabritos visando cumprir a ordem de Êxodo 12. Uma última passagem do NT desenvolve claramente o significado tipológico da Páscoa e da Festa dos Pães Asmos para o cristão. Paulo conclama os coríntios a eliminar o fermento da malícia e da iniquidade, e observar diariamente a festa "porque CRISTO, nossa páscoa, foi sacrificado por nós" (1 Co 5.7). Dessa forma, Paulo declara diretamente que CRISTO é o "nosso Cordeiro pascal", conforme o pronunciamento de João Batista de que JESUS é "o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29). Devido a estas passagens, e a ensinos semelhantes, a Igreja primitiva veio a entender que a Ceia do Senhor (q.v.) substitui completamente a celebração da Páscoa. PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1467-1468. I - A PÁSCOA. 1. Para os egípcios. Para que possamos entender o significado da Páscoa para os egípcios, é preciso que recordemos o que ocorreu nos últimos dias antes de ela acontecer. Moisés já havia falado com Faraó sobre ele libertar Israel, mas o rei não cedeu, mesmo com o envio de pragas assustadoras que atacaram profundamente a vida dos egípcios. Entretanto, DEUS ainda tinha mais um julgamento contra o Egito, um julgamento tal que aquela nação entraria em prantos: a morte dos primeiros filhos de cada família egípcia. A Páscoa foi um duro julgamento de DEUS para com as atrocidades cometidas pelos egípcios contra os meninos hebreus. Não podemos nos esquecer de que, no início do livro de Êxodo, Faraó ordenou que as parteiras Sifrá e Puá matassem os meninos recém-nascidos. Como elas não o fizeram, a ordem foi dada a qualquer egípcio. Isso significa que qualquer egípcio poderia entrar numa casa hebreia, ver se ali havia algum menino e, caso o encontrasse, poderia pegar o bebê e levá-lo para ser jogado no Rio Nilo, onde se afogaria ou seria alimento para os crocodilos. Se nessa época as casas dos hebreus poderiam ser invadidas, na Páscoa as casas dos egípcios não poderiam proteger os seus primogênitos, pois o anjo da morte entraria em cada residência e executaria o mandado de DEUS. Sem dúvida essa história poderia terminar de outra forma se Faraó deixasse ir o povo embora. Mas por causa da dureza de coração do rei, seus súditos pagaram um alto preço. Lembremo-nos de que Moisés tinha advertido a Faraó antes, deixando claro que o povo sairia com as crianças e o gado (Faraó não queria que isso acontecesse), e a última resposta do rei para Moisés, antes da Páscoa, foi: “Vai-te de mim e guarda-te que não mais vejas o meu rosto; porque, no dia em que vires o meu rosto, morrerás” (Êx 10.28). Por essa resposta, entendemos que Faraó deu por encerrado o diálogo com Moisés e com DEUS, e assinou a ordem divina para a http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 7/39
  • 8. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa morte dos primogênitos. Ele não quis obedecer às ordens de DEUS, e isso lhe custaria a vida do próprio filho. "DEUS tem dado muitas ordens em sua Palavra que são acompanhadas de promessas que Ele mesmo vai cumprir. Naquela noite, obedecer a DEUS fez toda a diferença para os israelitas." COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 35-36. Êx 11.4 O Senhor. Yahweh tinha-o informado. Cerca da meia-noite, o anjo da morte, o destruidor (Êxo. 12.23), iniciaria a sua missão destrutiva. Todas as pragas anteriores seriam como nada em comparação com a décima. Israel seria poupado (vs. 7); seus primogênitos nada sofreriam. O Faraó tinha, no Egito, a reputação de ser um deus, uma encarnação de Rá, o deus-sol. A mitologia egípcia contava a história de como, a cada noite, o deus- sol precisava lutar e vencer os poderes das trevas, sob a forma do deus-serpente, Apófis. A cada noite era obtida a vitória. Mas naquela noite, à meia-noite, o poder das trevas, Rá, seria derrotado, e isso do ponto de vista dos egípcios. Os versículos primeiro a terceiro deste capítulo formam um parêntese. O quarto versículo dá continuação ao diálogo de Êxodo 10.29. O Faraó tinha sido advertido pela última vez. Moisés disse ao Faraó que os dois nunca mais se veriam face a face. Antes, o Faraó teria de enfrentar Yahweh, sob a forma de seu anjo vingador. E o Faraó em breve haveria de querer ver Moisés novamente (Êxo. 12.31). Êx 11.5 Nenhum filho primogênito, humano ou animal, seria poupado. Agora a ameaça era de uma destruição deveras devastadora. “A morte dos primogênitos simboliza a derrota imposta por DEUS ao Egito, mediante o triunfo sobre os seus deuses. De acordo com o pensamento dos hebreus, os primogênitos representavam o todo. O domínio sobre o Egito, como uma entidade independente, chegara ao fim. Seus deuses estavam mortos” (J. Edgar Park , in loc). Os Animais aos quais os Egípcios Adoravam Também Estavam Mortos. Visto que os primogênitos eram do sexo masculino, as meninas escaparam completa mente. Mas o orgulho e as esperanças de cada família giravam em torno do amado filho primogênito. Ele representava a continuação da linhagem, o transmissor da herança. Portanto, nenhuma aflição pior poderia ser imaginada do que a morte em massa dos filhos primogênitos. Nenhuma família egípcia escaparia à calamidade que atingiria em cheio o deus-sol do Faraó, desde a humilde criada que, subitamente, perderia seu querido primeiro filho, até o próprio rei, desde o menor até o maior; desde o mais pobre até o mais rico; desde os culpados até os inocentes. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 346. A Páscoa e os egípcios (Êx 11:1-10) O povo do Egito havia sido transtornado pelas seis primeiras pragas; sua terra e seus bens haviam sido devastados pelas duas pragas seguintes. A nona praga - três dias de escuridão - havia preparado o caminho para a mais terrível de todas as pragas, quando mensageiros da morte visitariam a terra. "Lançou contra eles o furor da sua ira: cólera, indignação e calamidade, legião de anjos portadores de males" (SI 78:49). Moisés ouviu a Palavra de DEUS (vv. 1-3). Esses versículos descrevem o que aconteceu antes de Moisés ser convocado para ir ao palácio e ouvir a última oferta do Faraó (Êx 10:24-29). O discurso de Moisés (Êx 11:4-8) foi apresentado entre os versículos 26 e 27 do capítulo 10 e terminou com Moisés deixando a sala do trono ardendo em ira (Êx 10:29; 11:8). DEUS disse a Moisés que enviaria mais uma praga ao Egito, uma praga tão terrível que o Faraó não apenas deixaria como também ordenaria que os israelitas partissem. O Faraó os expulsaria da terra e, assim, cumpriria a promessa que DEUS havia feito mesmo antes de começarem as pragas (Êx 6:1; ver 12:31, 32, 39). Moisés disse ao povo que havia chegado a hora de receberem seus pagamentos atrasados por todo o trabalho que eles e seus ancestrais haviam feito como escravos no Egito. A palavra hebraica para essa coleta é traduzida pelo verbo "pedir" ("peça"; v. 2). Os hebreus não tinham a intenção de devolver o que os egípcios lhes dessem, pois aquela riqueza era pagamento por uma dívida pendente do Egito para com Israel. DEUS havia prometido a Abraão que seus descendentes deixariam o Egito com "grandes riquezas" (Gn 15:14) e repetiu essa promessa a Moisés (Êx 3:21, 22). DEUS havia tornado seu servo, Moisés, extremamente respeitado no meio dos egípcios e também faria com que os hebreus alcançassem o favor dos egípcios, de modo que estes dariam livremente sua riqueza ao povo de Israel (Êx 12:36, 37). Moisés advertiu o Faraó (w. 4-10). Essa foi a última vez que Moisés dirigiu-se ao Faraó, que rejeitou suas palavras como havia feito com todas as outras advertências. O Faraó não tinha qualquer temor de DEUS em seu coração e, portanto, não levou a sério o que Moisés lhe disse. No entanto, ao rejeitar a Palavra de DEUS, o Faraó causou a morte dos mais excelentes jovens de sua terra e trouxe profunda tristeza sobre si e sobre seu povo. Há duas perguntas que devem ser tratadas neste ponto: (1) Por que DEUS matou apenas os primogênitos? (2) Foi justo DEUS fazer isso, uma vez que o Faraó era o único culpado? Ao responder à primeira pergunta. também contribuímos para a resposta da segunda. Na maioria das culturas, os filhos primogênitos eram considerados especiais e, no Egito, eram tidos como sagrados. Devemos nos lembrar de que DEUS chama Israel de seu filho primogênito (Êx 4:22; Jr 31:9; Os 11:1). Logo no início do conflito, Moisés advertiu o Faraó de que a maneira como ele tratasse o primogênito de DEUS http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 8/39
  • 9. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa determinaria como DEUS trataria os primogênitos do Egito (Êx 4:22, 23). O Faraó havia tentado matar todos os bebês hebreus do sexo masculino e seus oficiais haviam maltratado os escravos hebreus com brutalidade, de modo que, ao matar os primogênitos, o Senhor estava simplesmente pagando ao Faraó com sua própria moeda. A compensação é uma lei fundamental da vida (Mt 7:1, 2), e DEUS não é injusto quando permite que essa lei funcione no mundo. O Faraó afogou os bebês hebreus, de modo que DEUS afogou o exército do Faraó (Êx 14:26-31; 15:4, 5). Jacó mentiu para o pai, Isaque (Gn 27:15-17), e, anos depois, os filhos de Jacó mentiram para ele (Gn 37:31-35). Davi cometeu adultério e mandou matar o marido de Bate-Seba (2 Sm 11); a filha de Davi foi estuprada e dois de seus filhos morreram assassinados (2 Sm 13; 18). Hamã construiu uma forca para matar Mordecai, mas o próprio Hamã acabou enforcado nela (Et 7:7-10). "Não vos enganeis, de DEUS não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6:7). Quanto à justiça da décima praga, quem pode julgar os atos do Senhor, quando a "justiça e direito são o fundamento do seu trono" (Sl 89:14)? Por outro lado, por que a resistência de um homem a DEUS deveria levar à morte de tantos jovens inocentes? No entanto, acontecimentos semelhantes ocorrem em nosso mundo hoje em dia. Quantos homens e mulheres que morreram como soldados em combate tiveram a oportunidade de votar a favor ou contra uma declaração de guerra? E quanto à "inocência" desses primogênitos, só DEUS conhece o coração humano e pode dispensar sua justiça com perfeição. "Não fará justiça o juiz de toda a terra?" (Gn 18:25). Ao ler o Livro de Gênesis, descobre-se que, com frequência, DEUS rejeitou o primogênito e escolheu o filho seguinte para dar continuidade à linhagem da família e receber a bênção especial do Senhor. DEUS escolheu Abel, depois Sete, mas não Caim; escolheu Sem e não Jafé; Isaque e não Ismael; Jacó e não Esaú. Essas escolhas não apenas exaltam a graça soberana de DEUS, como também servem de símbolo para dizer que nosso primeiro nascimento não é aceito por DEUS. Devemos passar por um segundo nascimento - o nascimento espiritual - a fim de que DEUS possa nos aceitar (Jo 1:12, 13; 3:1-18). O filho primogênito representa o que há de melhor na humanidade, mas não é bom o suficiente para um DEUS santo. Por causa de nosso primeiro nascimento, herdamos a natureza pecaminosa de Adão e estamos perdidos (Sl 51:5, 6). Contudo, quando nascemos de novo, por meio da fé em CRISTO, recebemos a natureza divina do Senhor e somos aceitos em CRISTO (2 Pe 1:1-4; Gl 4:6; Rm 8:9). O Faraó e o povo egípcio pecaram contra a manifestação clara do Senhor e insultaram a misericórdia de DEUS. O Senhor havia suportado com longanimidade a rebeldia e arrogância do rei do Egito bem como seu tratamento cruel para com o povo de Israel. DEUS havia avisado o Faraó várias vezes, mas ele se recusou a submeter-se. Jeová havia humilhado publicamente os deuses e deusas e provado ser o único e verdadeiro DEUS vivo, e, ainda assim, a nação não creu. "Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal" (Ec 8:11). A misericórdia de DEUS deveria ter conduzido o Faraó à sujeição; mas, em vez disso, ele endureceu o coração repetidamente. Os oficiais do Faraó humilharam-se diante de Moisés (Êx 3:8), então por que o Faraó não pôde seguir o exemplo deles? "A soberba precede a ruína, e a altivez de espírito, a queda" (Pv 16:18). WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 256-257. 2. Para Israel. Se para os egípcios a noite da Páscoa foi uma noite de desgraça, para os hebreus a noite era de expectativa em relação ao que DEUS dissera por intermédio de Moisés. Havia uma ordem para que os judeus matassem um cordeiro, comessem-no com ervas amargas e pão sem fermento, e não se esquecessem de colocar o sangue daquele animal nas ombreiras e na verga da porta. E essa ordem era seguida de uma promessa: “vendo eu sangue, passarei por cima de vós” (Êx 12.13). DEUS tem dado muitas ordens em sua Palavra que são acompanhadas de promessas que Ele mesmo vai cumprir. Naquela noite, obedecer a DEUS fez toda a diferença para os israelitas. Moisés repassou essa informação ao povo: “Porque o Senhor passará para ferir aos egípcios, porém, quando vir o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras, o Senhor passará aquela porta e não deixará ao destruidor entrar em vossas casas para vos ferir” (Êx 12.23). Para eles, obedecer ao mandamento de DEUS foi um ato de fé. Charles Swindoll comenta acerca das ordens de DEUS em relação a passar o sangue do cordeiro nos umbrais da porta: Pare e pense um momento sobre essas instruções. Que razão lógica havia para fazer essas coisas com o sangue do cordeiro? Você diz: “DEUS mandou fazer isso”. E verdade. Essa é a resposta. Nesse ponto, essa era a única razão de que precisavam. Não havia poder no sangue seco de um cordeiro morto. Todavia, em sua sabedoria insondável, DEUS preparou um plano que só exigia uma coisa — obediência. O que DEUS espera hoje de nós que esperava dos israelitas no Egito? Obediência. Essa palavra muitas vezes tem colocado nossos pensamentos confrontando nossas atitudes. Não raro, sabemos como obedecer a DEUS. Sabemos também que DEUS espera que não apenas saibamos como proceder em nossa vida, mas espera que saibamos obedecer a Ele integralmente. Se você acha que obedecer a DEUS não faz muita diferença, desejo relembrar-lhe o caso de Saul, o primeiro rei de Israel. Saul foi escolhido por DEUS para ser o primeiro governante da nação, mas a cada ordem recebida de http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 9/39
  • 10. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa DEUS, resolvia fazer do seu próprio jeito, o que acarretava em desobediência completa ao que DEUS lhe havia dito. Em uma dessas ordens dadas a Saul, DEUS lhe disse que se lembrava do que os amalequitas tinham feito contra os israelitas quando estavam no deserto. Chegara a hora da retribuição divina às atitudes dos amalequitas, que seriam destruídos por Saul. A ordem foi dada, mas Saul poupou o rei daquela nação e o seu gado, e ainda acreditou que estava obedecendo ao que DEUS disse acerca dessa situação. Todavia, não foi o que aconteceu: “Então, veio a palavra do Senhor a Samuel, dizendo: Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras” (1 Sm 15.10, 11). Como DEUS disse que Saul não executou as ordens dadas? Ele não estava sendo exagerado nesse quesito? Não! Depois de poupar o rei e o gado, veja o que aconteceu: Veio, pois, Samuel a Saul; e Saul lhe disse: Bendito sejas tu do Senhor; executei a palavra do Senhor. Então, disse Samuel: Que balido, pois, de ovelhas é este nos meus ouvidos, e o mugido de vacas que ouço? E disse Saul: De Amaleque as trouxeram; porque o povo perdoou ao melhor das ovelhas e das vacas, para as oferecer ao Senhor, teu DEUS; o resto, porém, temos destruído totalmente. (1 Sm 15.13-15) DEUS havia pedido que Saul trouxesse animais para holocaustos? Não. A ordem dada não fora cumprida integralmente, e isso para DEUS foi uma desobediência completa. Samuel chamou Saul e lhe perguntou se o Senhor tinha mais prazer em ofertas do que tinha prazer na obediência de seus servos. Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei. (1 Sm 15.22, 23) A obediência tem um preço, e a desobediência também. No caso de Saul, seu reino foi rejeitado porque ele não estava mais seguindo ao Senhor. E Saul aprendeu da pior forma a diferença entre obedecer e desobedecer a DEUS: se ele fosse obediente, seu reino seria confirmado para sempre. O nome dele entraria para a história como o grande rei que DEUS escolheu para ser coluna em Israel. Ele seria lembrado como o homem que obedeceu a DEUS e que jamais teria sua memória apagada de Israel. Além disso, ninguém disse a Saul que DEUS preferia receber sacrifícios a obediência, pois isso seria ilógico. É o mesmo que dizer: “Não preciso obedecer a DEUS completamente. Basta oferecer a Ele alguma coisa e sua ira vai ser deixada de lado”. DEUS não pode ser comprado por objetos ou oferendas. Ele pode receber nossa obediência por um ato de fé. Para Saul, obedecer parcialmente ao que DEUS mandara lhe custou o reino. Para os israelitas, obedecer integralmente ao que DEUS mandara preservaria a vida de todos os seus primogênitos. Obedecer faz a diferença tanto quanto desobedecer. Obedecer faz diferença. Para os israelitas no Egito, a obediência preservou a vida do filho mais velho de cada família israelita. Já pensou se sua obediência a DEUS preservasse seu filho, se você é pai ou mãe, e a sua desobediência lhe custasse seu primogênito? Charles Swindoll continua seu pensamento: Ele nunca pediu que refletissem sobre isso. Nunca pediu que conversassem sobre a ordem. Nunca pediu que considerassem a ideia e decidissem se concordavam com ela. Ele simplesmente lhes disse o que fazer e quando. A seguir, disse a eles o que aconteceria como resultado de sua estrita obediência às suas ordens. Que atitudes dos pais israelitas fez com que seus primogênitos fossem salvos? A fé no que DEUS disse e a obediência ao que Ele disse. Fé e obediência precisam caminhar juntas. COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 36-39. A FESTA DA LIBERTAÇÃO. A Páscoa oferece um vasto campo para especulação por causa da grande variedade de características: mancha de sangue, saltos, “uma noite de vigia”, o cordeiro sacrificial, as primícias da cevada, a ceia sagrada, etc. Essas características se assemelham a rimais praticados fora de Israel. Não é de se admirar que os estudiosos a considerem uma festa enigmática. Alguns não consideram Êxodo 1-14 como um registro dos eventos, mas como uma lenda cúltica que tenta glorificar a saída do Egito (Pederson, Israel: Its Life and Culture, III-IV, 726ss.). A suposição repousa sobre um equívoco: o verdadeiro propósito da Páscoa era glorificar o DEUS de Israel. Seria inútil esperar dados históricos fora dos próprios termos do escritor. No centro de Êxodo 1-14 está o DEUS de Israel, que realiza feitos poderosos em favor do seu povo (cp. G. von Rad, The Problem of the Hexateuch [1965], 52). A história bíblica é escrita com um propósito, e o propósito é atestar os atos graciosos de DEUS. Israel compreende sua liberdade como um milagre operado por YHWH que, com “poderosa mão e com braço estendido” levou seu povo para fora do Egito (Dt 26.8). Para compreender o significado da Páscoa deve-se procurar a interpretação bíblica; é inútil indagar qual era a festa nos tempos prémosaicos. É possível que a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos fossem festas agrícolas (cp. Êx 23.15s.). Alguma evidência da ligação cúltica entre a Páscoa e as primícias está preservada (Js 5.10-12; cp. C. W. Atk inson, AthR [Jan 1962], 82). Mas a festa passou por uma reinterpretação radical como resultado do grande evento na história de Israel, conhecido como a libertação do Egito, a casa da escravidão. Os estudiosos não sabem explicar como um rimai primitivo enraizado na superstição se tomou a festa da libertação. Está de acordo http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 10/39
  • 11. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa com a prática do AT reinterpretar antigas tradições à luz da própria história de Israel. Assim, a lei do Sábado é associada à história da criação (Gn 2.3) e aparece também (Dt 5.15) como o sinal da libertação de Israel da escravidão (cp. P. R. Ack royd, The People of the OT[1959], 48). O mesmo deve ter acontecido com a festa da primavera original: à luz do Êxodo adquiriu uma nova dimensão, isto é, a dimensão da liberdade unida a um evento histórico. Ordenanças relacionadas ao Pesa h. O AT refere-se a um conjunto de estatutos (nosn npn) que são obrigatórios para a observância da festa (Êx 12.43; Nm 9.12,14; 2Cr 35.13). Estes estatutos definem em detalhes a data, o período, a duração da festa e a forma de se comer o cordeiro pascal, etc. Os preparativos para a festa deveriam começar no décimo dia do primeiro mês (i.e. Abibe, cp. Dt 16.1; o nome babilónico foi substituído mais tarde por Nisã, cp. Ne 2.1; Et 3.7). O cordeiro pascal era escolhido de acordo com o número de pessoas na família. O cordeiro deveria ser sem mancha, de um ano de idade e macho. O animal deveria ser tratado de maneira especial até o décimo quarto dia do mês quando seria morto “entre as noites” (Êx 12.6mg.; Lv 23.5mg.). Isto quer dizer “à noite no por do sol” (Dt 16.6). O sangue do animal deveria ser colocado em ambas as ombreiras e na verga da porta. Posteriormente o sangue passou a ser borrifado sobre o altar e derramado em suas bases (cp. 2 Cr 35.11; Jub 49.20; Pes 5.6). A carne deveria ser assada no fogo com a cabeça, pernas e partes internas e nenhum osso deveria ser quebrado (Êx 12.46; Nm 9.12). Não deveria ser comido cru ou cozido em água (Êx 12.9; Dt 16.7 parecem contradizer essa regra; mas cp. 2 Cr 35.13; o verbo bissel pode significar “cozer” tanto quanto “ferver”). A came assada deveria ser comida com pão asmo e ervas amargas, e deveria ser consumida de forma que nada sobrasse para o dia seguinte; qualquer sobra deveria ser queimada (Êx 12.10; 34.25). A refeição deveria ser comida às pressas, com os lombos cingidos, sapatos calçados e a vara na mão. A festa da Páscoa era um dia de memorial e, portanto, para ser comemorada por todas as gerações como uma ordenança eterna (Ex 12.14). A Festa do Pão Asmo, como distinta do cordeiro pascal, deveria ser observada durante sete dias (Ex 12.15; 13.6; 34.18; Lv 23.6; Nm 28.17; Dt 16.3; a única exceção está em Deuteronômio 16.8, mas a diferença deriva do modo de se contar os dias, cp. S. B. Hoenig, JQR [Abril 1959], 271 ss.). ’ Os israelitas que eram impedidos de participar da Festa por causa da impureza levítica ou por viagem deveriam celebrá-la um mês depois (Nm 9.10s.; cp. Pes 9.3). A responsabilidade de explicar o significado da Páscoa estava sobre o pai da família: “Naquele mesmo dia contarás a teu filho, dizendo: E isto pelo que o Senhor me fez, quando saí do Egito” (Ex 13.8; cp. 12.26). Somente os israelitas e aqueles que, através da circuncisão, estavam unidos à comunidade podiam comer o cordeiro pascal. Estrangeiros e viajantes, i.e., estrangeiros residentes, eram excluídos (Ex 12.45), mas a regra não era aplicada aos estrangeiros circuncidados e viajantes que demonstrassem um real interesse em se identificar com Israel. A eles era permitido participar da celebração da Páscoa (Nm 9.14). O cordeiro deveria ser comido dentro da casa e não deveria ser levado para fora dela. O tema Êxodo no AT. Com a mudança de circunstâncias, as antigas leis tiveram que ser modificadas. Os cultos centralizados em Jerusalém dificultaram algumas práticas. A mancha de sangue nos umbrais da porta deveria ser completada com o borrifar do sangue no altar (cp. 2Cr 30.16; 3 5.11). A regra de comer o cordeiro na casa foi, de acordo com o Talmude, modificada para as casas em Jerusalém apenas (cp. Pes 9.12; mas cp. Jub 49.20). As características originais agrícolas da festa abriram caminho para aspectos mais cúlticos. Uma característica peculiar sobrevive até hoje: era e continua sendo um rito público. Os rabinos consideram a regra de que o cordeiro pascal não pode ser morto para uma única pessoa (apesar do Rabino José permitir; cp. Pes 8.7). Outra característica provinda de tempos antigos era que a morte do cordeiro era feita por israelitas comuns agindo em favor de seus familiares e não por sacerdotes como no caso dos outros sacrifícios (cp. Pes 6.5). Tudo o que os sacerdotes tinham que fazer era recolher o sangue e derramá-lo nas bases do altar. A Páscoa era a única ocasião em que o israelita realizava uma função sacerdotal (a partir de 2 Cr 30 e 35 não está claro se era o povo ou os sacerdotes que matavam o animal). Outras características permanecem obscuras, por exemplo, a queima das sobras: Êxodo 12.10 ordena que o que fosse deixado até pela manhã deveria ser queimado, ao passo que Êxodo 23.18; 34.25 e Deuteronômio 16.4 especificam que deveria ser terminado antes do amanhecer. Pode não ter havido uma tradição uniforme em alguns assuntos; alguns “comeram a Páscoa, não como está escrito” (2Cr 30.18). Uma tradição uniforme evoluiu gradualmente, mas os fatos principais relacionados ao Êxodo nunca variaram. O AT é repleto de referências ao milagre da redenção do Egito. Os Salmos, em especial, se deleitam em enfatizar o tema do Êxodo com todos os seus milagres. O Salmo 78 repete a história de Israel tendo o Êxodo como o tema central. O ato redentor de DEUS consistiu em tirar uma videira do Egito e plantá-la na Terra Prometida (SI 80.8). Alguns salmos contrastam a fidelidade de DEUS para com seu povo com o comportamento rebelde de Israel no deserto (cp. SI 95; 106). O propósito principal de recontar a história da redenção era louvara DEUS por seus atos poderosos (cp. SI 135; 136). Os velhos cantores exultavam no privilégio de Israel ser chamado povo de DEUS e de ter saído do Egito (SI 114.1). Os profetas fazem alusões frequentes à história da redenção do Egito e da longa viagem pelo deserto. A aliança de Israel com o Egito por conveniência política era muito abominável uma vez que parecia contradizer o propósito original de DEUS (cp. Jr 2.18s.; Os 11.5). Em tempos de perigo, quando a Assíria pressionou http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 11/39
  • 12. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa duramente Israel, o profeta trouxe à memória o que DEUS fez por seu povo no Egito: “não temas a Assíria” (Is 10.24,26s.; cp. 52.4). Jeremias lamenta o fato de Israel falhar ao perguntar: “Onde está o Senhor que nos trouxe da terra do Egito, que nos guiou no deserto” (2.6ss.). Ele os faz lembrar que desde o dia em que seus pais saíram da terra do Egito até então, o Senhor persistentemente enviou profetas ao seu povo de dura cerviz (7.25,26), advertindo- os (11.4), mas eles não quiseram ouvir (vv. 7,8). Esta referência a YHWH que tirou Israel do Egito é um refrão frequente nos escritos proféticos (cp. Jr 16.14; 23.7; 31.32; 32.21; 34.13; Ez 20.6,9s.,36; Dn 9.15, Os 2.15; 11.1; 12.9,13; Am 2.10; 3.1; 9.7). Para os profetas, o Êxodo é um fato central na história de Israel. Israel conhece YHWH principalmente como aquele que seu povo da escravidão do Egito, o guiou pelo deserto e lhe deu estatutos e ordenanças (Ez 20.9-11). Ezequiel parece associar a instituição do sábado à história da redenção do Egito (20.12), e a “lascívia e... prostituição” de Israel é uma triste herança trazida da casa da escravidão (23.27). Os livros históricos estão igualmente cientes do significado do Êxodo para a relação entre Israel e YHWH. DEUS se fez conhecido a seu povo ao libertá-lo da casa da escravidão e ao estabelecê-lo na terra prometida (I Sm 8.8,2Sm 7.23; l Rs 8.53; etc). O Êxodo domina num senso real a perspectiva do AT, e a Páscoa é a lembrança do que DEUS fez por seu povo. A libertação do Egito e o estabelecimento na terra de Israel são considerados como o selo da lealdade de YHWH para com as promessas da aliança (cp. Mq 6.3s.). MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 764-768. O PESACH JUDAICO O relato da instituição desse rito se encontra em Êxodo 12. DEUS ordena a Israel que o observe (w. 1,2). A observância do rito, além dos atos litúrgicos prescritos no relato, exige à disposição um cordeiro ou um cabrito, macho de um ano, sem defeito (v. 5); pães ázimos e ervas amargas (v. 8). Estas recomendações dirigem-se ao círculo familiar (v. 3), podendo estender-se à vizinhança (v. 4). O cordeiro devia ser assado inteiro, e aquilo que não era comido no banquete devia ser queimado antes do dia seguinte (v. 10). Os comensais deviam comê-lo em pé e devidamente trajados para uma longa viagem (v. 11). Nos tempos de JESUS, conforme indica Raphael Martins, a cerimônia pascal havia recebido a influência dos gregos e dos romanos que celebravam seus ágapes, não como escravos, mas como um povo livre e independente, ou seja, comiam recostados em divãs providos de almofadas. O Pesach significa na língua hebraica “passar por cima”, “passar por sobre”. Na língua portuguesa foi traduzida por “Páscoa”. O Pesach surgiu em face da tradição de que o anjo destruidor, ou anjo da morte, “passou por sobre” as casas cujo sangue do cordeiro imolado assinalava. “Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais... O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós...” (Ex 12.12,13) A passagem do anjo da morte constituiu a última praga sobre o Egito, forçando o Faraó a libertar o povo hebreu, possivelmente entre os anos de 1400-1200 a.C. O Pesach, na descrição de McKenzie, mostra numerosas variantes que apontam para uma origem e desenvolvimento complexos. O Pesach, segundo a grande maioria dos estudiosos, era anterior à instituição no capítulo 12 de Êxodo. A festa original era pastoril nos seus primórdios, onde os pastores celebravam o nascimento de ovelhas na primavera; e esse termo também faz alusão à forma como as ovelhas costumam “saltar por cima” dos obstáculos. Seja como for, por meio da historização, a Páscoa se tomou a grande festa nacional de Israel, que celebrava sua constituição como povo de Iahweh, acentua McKenzie. naquela noite, comerão a carne assada no fogo; com pães asmos e ervas amargas a comerão” (v. 8) Ázimos, no hebraico maccot, significa “pães sem fermento”. A festa dos “pães sem fermento” está registrada em Êxodo 23.15, ao lado de outras duas. No momento da instituição do Pesach ela aparece em correlação com a mesma, como festa histórica que celebra a libertação de Israel da opressão egípcia. O caráter da cerimônia indica que se tratava de uma festa agrícola de agradecimento pelo início da colheita. No Novo Testamento é sempre mencionada em conexão com o Pesach (Mt 26.17; Mc 14.12). Em memória dos sofrimentos dos hebreus no Egito são comidas ervas amargas: chicória, escarola, agrião, salsa, rabanete, amêndoa, tâmara, figo e passa. Esses ingredientes eram misturados com vinagre, formando uma espécie de molho, cor de tijolo (haroset, em hebraico), lembrando seu antigo ofício no Egito. Roberto dos Reis Santos. A Santa Ceia. Editora CPAD. pag. 12-14. 3. Para nós. A Páscoa do Senhor, como assim é chamada, tem um grande significado para nós. Ela deve nos fazer recordar de JESUS, nosso Cordeiro Pascal. Ele entregou-se a si mesmo para que eu e você tivéssemos a vida eterna e o acesso a DEUS. A nossa vida foi preservada porque Ele nos amou até a morte. É evidente que não temos de celebrar a Páscoa com um cordeiro assado, com pães asmos e ervas amargas. Para nós, cristãos, esses elementos fazem parte da cultura judaica, e que serviriam por todas as gerações de israelitas como uma lembrança da libertação do Egito. Além disso, a Páscoa foi chamada de “páscoa do Senhor” (Ex 12.11), pois ela deveria ser comemorada em homenagem ao DEUS de Israel. Não é um momento que deveria ser lembrado pelos israelitas posteriormente http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 12/39
  • 13. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa sem que tivessem em mente que era uma lembrança sobre DEUS e sobre o que Ele havia feito. COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 39-40. O TEMA PÁSCOA NO NT E NA IGREJA, A atividade messiânica de JESUS alcança seu clímax nos eventos de sua Ultima Páscoa. De acordo com João, a crucificação aconteceu no primeiro dia da “Páscoa” (usado aqui aparentemente como uma designação da Festa dos Pães Asmos). Os sinópticos deixam claro que foi no primeiro dia da festa. João que parece estar interessado especialmente em dados cronológicos registra duas, ou até mesmo três Páscoas (João 2.13; 6.4; 12.1; cp. W. F. Howard, The Fourth Gospel, revisado por C. K. Banet [1955], 122). Contrário a C. H. Dodd (The Interpreter of the Fourth Gospel [1953], 234), há um bom motivo para se acreditar que João dedicou importância especial ao tema da Páscoa. Seu evangelho, que enfatiza ser o Messias o verdadeiro pão da vida, se ajusta notavelmente bem ao contexto pascal (cp. Jo 6.3 lss. cp. V. Ruland, INT [Out., 1964], 451 ss.). A Páscoa é igualmente importante para os evangelhos sinópticos; tanto que se pode vislumbrar o evangelho de Marcos como uma Haggadah da Páscoa Cristã escrita com o propósito de reinterpretar o tema pascal em termos messiânicos como o Novo Êxodo (cp. John Bowman, The Gospel of Mark [ 1965]). Um caso um pouco semelhante é 1 Pedro, que faz tantas alusões à Páscoa que alguns estudiosos se sentem justificados em considerá-la como uma liturgia pascal. Sugere-se que 1 Pedro é uma liturgia ligada à vigília pascal em preparação ao batismo pascal, um costume amplamente praticado na igreja primitiva (cp. F. L. Cross, 1 Peter I [1954]; Roger Le Déaut, La Nuit Pascale [1963], 297; A. R. C. Leaney, NTS, X [1964], 238ss.). Isto pode provar, de maneira muito restrita, um conceito que tem sido contradito por alguns (C. F. C. Moule; T. C. G. Thomton), mas não mostra, todavia, quão profundamente o tema da páscoa está embutido no NT. Outros livros do NT fazem alusões similares à Páscoa em conexão com a mensagem cristã. Paulo claramente associa o Messias à Páscoa e compara a vida cristã com o símbolo do pão asmo que permanece em sinceridade e verdade (ICo 5.7 s.). Uma associação similar entre o Messias e a Páscoa existe no Judaísmo rabínico. O dia 15 de Nisã é declarado como um tempo de alegria para todos os israelitas, porque DEUS realizou um milagre (sinal) naquela noite, mas na era que virá (i.e., no tempo do Messias) ele transformará a noite em dia (cp. SBKIV, 55). Na Haggadah shelpesah, a expectativa messiânica está ligada ao seder tanto pela referência direta ao Messias como pela parte que Elias representa a tradição pascal. O costume de abrir a porta à meia-noite, na primeira noite da Páscoa, já era praticada no Templo de Jerusalém (cp. Jos. Ant.. XVIII. ii.2), e tem implicações messiânicas definidas. Déaut mostrou a íntima associação entre o ritual pascal e as expectativas messiânicas no Judaísmo rabínico do séc. le. Isto se aplica até mesmo aos samaritanos que esperavam a aparição de seu Taheb (Messias) no dia de Páscoa (cp. Déaut, op. cit. 281, 283). O tema pascal do NT, e em especial de João (cp. A. Guilding, The Fourth Gospel and Jewish Worship [1960], 58ss.), foi assumido pela igreja gentílica. A liturgia da vigília pascal e a tradição Quartusdecimus (décimo quarto) de fazer a Páscoa coincidir com a Páscoa judaica persistiu na igreja por séculos (cp. B. Lohse, Das Passafest der Quartodecimaner [1953]; Diepassa-Homilie des Bischofs Meliton von Sardes [1958]). A expressão “a Páscoa da salvação”, entrou no vocabulário da igreja e foi usada abertamente na liturgia (cp. Déaut, 296; apesar de Lohse ter contradito). A identificação de CRISTO com a Páscoa cristã foi aceita como premissa teológica: “a festa da Páscoa do Salvador”. 23.1), significa tanto a Última Páscoa que JESUS celebrou, como a Páscoa cristã quando a igreja celebra a ressurreição de CRISTO. Num jogo de palavras, que somente é possível em grego é interpretado com o significado de 7iáa%co: “E no dia seguinte nosso Salvador sofreu, aquele que era a Páscoa — sacrificado de modo propício pelos judeus” (Ante-Nicene Christian Library XXIV, 167). Portanto, a Páscoa judaica e a Páscoa cristã conservadas juntas de modo que o tema da páscoa do AT perdurasse embora centrada na ressurreição de JESUS CRISTO. MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 786. PÁSCOA CRISTÃ (EASTER) Preservamos entre parênteses a palavra inglesa, a fim de melhor destacar o fato de que há uma diferença entre a páscoa dos hebreus e a páscoa dos cristãos. Ver o artigo geral sobre a Páscoa, onde a versão cristã é incluída em uma seção separada. Easter é uma palavra usada nos idiomas germânicos para denotar a festividade do equinócio do inverno, e que, dentro da tradição cristã posterior, passou a ser usada para denotar o aniversário da ressurreição de CRISTO. Nas línguas latinas, como o português, a palavra para «páscoa» vem do latim pascha, a qual, por sua vez, alicerça-se sobre o termo hebraico, pesach , que significa «passar por cima». O termo grego pascha também é derivado do hebraico, pelo que é indeclinável. A origem da palavra Easter é controvertida. Alguns estudiosos pensam que a mesma está ligada ao nome da deusa anglo-saxônica que representa a primavera, Eoestre, Nesse caso, teríamos o comum fenômeno de um nome de um costume pagão receber um significado cristão. Ou então, essa palavra poderia estar relacionada às vestes brancas usadas durante a celebração da festa cristã relativa à semana da páscoa. Nesse último caso, o plural da palavra que significa «branco» foi confundido com a palavra que significa «alvorecer», e, subseqüentemente, foi vinculado ao alvorecer do dia da ressurreição. Seja como for, a celebração da ressurreição antecede a tudo isso, visto que cada primeiro dia da semana, originalmente, representava isso; e, http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 13/39
  • 14. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa pelos fins do século 11 D.C., a, celebração da ressurreição como uma festa da Igreja cristã, já estava bem estabelecida. No tocante a detalhes sobre a Páscoa Cristã, ver isso como um subponto do artigo geral sobre a Páscoa. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 102-103. II - OS ELEMENTOS DA PÁSCOA 1. O pão. Na noite em que seria a última dos hebreus no Egito, DEUS os preparou para uma saída repentina, mas não sem se alimentarem. A ordem divina aos hebreus não foi apenas para que sacrificassem um cordeiro e colocassem o sangue dele na entrada da casa, mas também para que se alimentassem de pão sem fermento, ervas amargas e do próprio cordeiro. Cada um deles tinha uma representação para os hebreus, que deveria ser passada de geração a geração, para que se lembrassem do quanto DEUS operou grandemente em prol dos filhos de Israel. De acordo com a descrição bíblica, o pão deveria ser sem fermento. A massa não deveria passar pelo processo de fermentação, ou seja, seria levada ao fogo tão logo estivesse pronta, sem ter de esperar para crescer. A ideia era mostrar que os israelitas teriam pouco tempo para preparar sua última refeição como escravos, pois logo sairiam para uma grande jornada. E evidente que o uso do fermento poderia fazer com que a massa dobrasse seu tamanho e alimentasse mais pessoas, mas a orientação divina indicava a pressa com que os judeus iriam comer para saírem logo do Egito. COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 40. O Pão e o Vinho na Comunidade Judaica Nas terras do antigo Oriente o pão e o vinho, assim como determinados produtos, eram as formas mais comuns de alimentação. O pão, iehem, que aparece cerca de duzentas e oitenta vezes no Antigo Testamento, em termos gerais significa “alimento”, “sustento”, indicando sua presença indispensável para o sustento do povo hebreu. O pão era o principal alimento. A expressão “comer pão”, em hebraico, significava “fazer uma refeição”.1 Noventa e cinco por cento dos habitantes do mundo antigo tiveram como base alimentar os derivados do trigo, além de água e vegetais. Escreve I. D. Lucírio: “natural da região do mediterrâneo e oriental médio, o trigo começou a ser cultivado em 8500 a.C. e se tornou uma das principais fontes de alimento do mundo antigo, que não vivia sem pão”.2 Sara apressou-se em preparar pão para os viajantes (Gn 18.1-6); os que trabalharam no campo se alimentaram de pão (Rt 2.14); durante as guerras o pão era usado como alimento básico para os soldados (1 Sm 16.20); no episódio da multiplicação, pães e peixes foram usados por JESUS (Mt 14.13-21; Mc 6.30-44). O pão devia ser tratado com respeito, sendo proibido jogar fora até as migalhas. Talvez os judeus utilizassem cães domésticos para esta função — comer “... das migalhas que caem da mesa dos seus donos” (Mt 15.27). O pão mais comum no mundo antigo era feito de cevada, alimento dos pobres, por ser mais barato. O pão de trigo era um luxo. O grão era moído por mulheres ou escravos entre duas mós, cuja farinha fina era usada para cozer bolos e também para fins litúrgicos. Três eram os métodos de cozimento: 1.0 tannur (forno), tubo cônico onde a massa era cozida sobre pedras quentes; 2. Bandejas redondas de metal colocadas sobre três pedras, onde era aceso o fogo; 3. A massa, colocada sobre cinzas quentes. Os judeus empregavam o pão para fins religiosos, sendo o ato uma espécie de gratidão pelos cuidados providenciais de DEUS quando simbolicamente entregavam, nos atos litúrgicos, parte do que foi provido por Ele. Além dos animais usados nos sacrifícios veterotestamentários, os elementos do pão apareciam em quase todos os atos sacrificiais, na classe de “ofertas de cheiro suave”, que não tratavam do peca K Siinlii Ceio do, mas falavam de gratidão, comunhão e consagração. O pão era usado em ofertas pacíficas (Lv 7.12) e ofertas das primícias (Nm 15.17-20). Naturalmente, fazia parte das cerimônias da Páscoa, e, posteriormente, na celebração da Santa Ceia cristã, “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu...” (Lc 22.19) O pão não podia ser cortado, mas partido. Esse gesto era comum entre as famílias judaicas, onde o pai, ao iniciar uma refeição, tomava um pão e, após dar graças ao Senhor, partia-o em pedaços e distribuía-os entre os membros de sua família. 2- O Vinho: A origem do vinho é antiga. Sua produção no Oriente Médio data da pré-história. O texto sagrado indica que Noé o utilizou (Gn 9-20ss). Havia no mundo antigo diversos tipos de bebidas, entre elas o suco de romã, de tâmaras, leite e shechar — uma espécie de cerveja feita de cevada e painço. Entretanto, não se comparavam ao vinho. O vinho fabricado na Palestina era geralmente tinto, conforme indica a expressão “sangue da uva” (Gn 49.11; Dt 32.14). O lagar, local onde se fazia o vinho, em geral ficava na própria vinha. As escavações arqueológicas realizadas na antiga cidade de Gabaon revelam que o lagar, segundo John McKenzie, era composto de dois tanques, talhados na pedra a diversos níveis, com um pequeno canal que levava do nível superior ao inferior. http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 14/39
  • 15. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa A primeira compressão se fazia espremendo a uva com os pés (Ne 13.15); era um trabalho festivo, acompanhado de gritos (Jr 25.30; 48.33) e de instrumentos musicais. Em seguida, os cachos eram espremidos por meio de uma haste com uma pedra pesada, ou por meio de paus que serviam de alavanca para os pesos. O suco da uva depois era colocado em tinas ou recipientes de couro para a fermentação. O vinho é um dom e uma bênção do próprio DEUS (Dt 7.13; Pv 3.10; Os 2.10), e evidentemente, à semelhança do pão, fazia parte nas ações litúrgicas do povo judeu. Em sentido geral, todas as refeições têm para o judeu sentido sagrado. O alimento e a bebida são dons de DEUS, dádivas que os judeus não esquecem em sua orações: Sobre o pão: “Bendito sejas, ó eterno, nosso DEUS, Rei do universo, que da terra tirais o pão.” Sobre o vinho: “Bendito sejas, ó eterno, nosso DEUS, Rei do universo, que criastes o fruto da vinha.” Sobre o alimento: “Bendito sejas, ó eterno, nosso DEUS, Rei do universo, que criastes tantas formas de iguarias.” Sobre as frutas das árvores: “Bendito sejas, ó eterno, nosso DEUS, Rei do universo, que criastes os frutos da terra.” Sobre os produtos do solo: “Bendito sejas, ó eterno, nosso DEUS, Rei do universo, que criastes os frutos do solo.” Depois das refeições: “Bendito sejas, ó eterno, nosso DEUS, Rei do universo, que alimentais todas as criaturas.” Roberto dos Reis Santos. A Santa Ceia. Editora CPAD. pag. 9-11. Êx 12.11 Comê-lo-eis à pressa. Essa foi a instrução final. Israel estava com pressa para deixar para trás a servidão. O cordeiro pascal era comido estando as pessoas em pé, de sandálias e as vestes cingidas. Esses eram sinais externos da pressa que eles sentiam, por ordem de DEUS. Esse foi um dos quatro elementos que não prosseguiram na observância da páscoa em tempos posteriores. Ver as notas sobre Êxo. 12.6 quanto a isso. O cajado e as sandálias eram objetos que as pessoas usavam fora da casa. Assim, apesar de estarem ainda dentro de suas casas, eles estavam preparados para sair delas, prontos para a jornada. Comiam vesti- dos para viajar. Já tinham estado no Egito por tempo bastante. Um novo lar e um novo destino esperavam por eles. As sandálias usualmente eram tiradas por ocasião das festividades e dias santos. Ver Gên. 18.4,5; Luc. 7.44; João 13.5. Na páscoa, porém, essa situação era revertida. O cajado era companhia constante dos viajantes, seu apoio e ajuda, e, ocasionalmente, sua defesa contra algum animal ou bandido que porventura ata- cassem. Ver Sal. 23.4. A páscoa. A palavra hebraica equivalente deriva-se de um termo que significa “coxear” ou “saltar” (II Sam. 4.4; I Reis 18.21,26). Mas aponta para o fato que o anjo destruidor passou por cima das casas protegidas pelo sangue do cordeiro, aplicado às ombreiras e verga da porta (Êxo. 12.23). Temos aqui o primeiro uso da palavra páscoa na Bíblia. Alguns pensam que a palavra é de origem egípcia e significaria então “abrir as asas para protegei, mas a maioria dos estudiosos prefere o sentido do hebraico. Ver os vs. 24-27 quanto ao fato de que a páscoa foi fatal para os egípcios, mas serviu de livramento para o povo de Israel. Êx 12.34 Provisões Básicas. Os israelitas muniram-se de massa de trigo para a sua primeira refeição no deserto. E também levaram amassadeiras, ou seja, bacias de madeira, que podiam ser usadas para o fabrico do pão. Sua partida súbita não lhes permitiu levarem pão normal, ou seja, levedado. Mas a cena também fez parte da observação da festa dos pães asmos (ver sobre isso no Dicionário, e comentários na introdução a Êxo. 12.1). Os israelitas partiram quando ainda estava escuro (Deu. 16.1), provavelmente pouco antes do alvorecer. Cf. 0 vs. 39. Êx 12.35 A Espoliação dos Egípcios. Isso havia sido predito bem antes, como parte necessária do êxodo. Ver Exo. 3.21,22 e 11.2,3, onde aparecem notas completas sobre a questão, visto que o ponto já tinha sido mencionado nesses dois trechos, sobretudo no décimo primeiro capítulo do Êxodo. A curiosa tradução, “pediram em- prestado”, mesmo que seja possível com base no hebraico, seria um pequeno toque de humor do autor sacro. Alguns eruditos pensam que houve, realmente, um saque, mas que Moisés abrandou na narrativa, para que parecesse que os egípcios se mostraram generosos. Tinham medo de perder a vida, e, naquele momento, eram vítimas fáceis diante de qualquer tipo de aproveitamento. Desde os dias de Abraão, quando foi firmado o Pacto Abraâmico (ver as notas a respeito em Gên. 15.18), o exílio e a subseqüente libertação tinham sido preditos. Ver Gên. 15.13,14. Este texto conta como essa servidão chegou ao fim, e como Israel começou a voltar para a sua Terra Prometida. A Abraão foi revela- do que seus descendentes sairiam do Egito levando “grandes riquezas". Isso incluía tanto o que eles haviam acumulado na terra de Gósen, como o que agora os egípcios lhes tinham doado. Sem dúvida isso serviu de reparação. Os ex escravos mereciam tudo quanto tinham adquirido. Ver no Dicionário 0 artigo intitulado Reparação (Restituição). Êx 12.36 Generosidade e Saque. A combinação desses dois atos permitiu que Israel extraísse grandes riquezas dos aterrorizados egípcios. Uma pessoa fará quase qualquer coisa para salvar a sua vida. Os egípcios julgaramhttp://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 15/39
  • 16. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa se pouco mais do que pessoas mortas (vs. 33), pois Moisés poderia desfechar uma praga de modo súbito e generalizado. Assim, os antes escravizados israelitas receberam o seu salário, a paga pelas muitas décadas de cativeiro e trabalho árduo. “Israel arrancou deles suas riquezas e bens, suas possessões mais valiosas" (John Gill, in loc.). Artapano (apud Euseb. Praepar. Evan. 1.9 c. 27, par. 436) falou sobre as bacias de madeira, sobre ricos tesouros e sobre vestes que os israelitas receberam da parte dos egípcios, e a esse testemunho, Ezequiel, autor de tragédias teatrais, adicionou a sua palavra (apud Euseb., idem, c. 29, par. 443). CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 349; 352-353. 3- As ervas amargas (Êx 12.8). As ervas amargas, conforme se entende, dão a entender que eram uma representação da amargura com que os israelitas foram tratados no Egito. Não era o tipo de iguaria que provavelmente trazia alegria em uma mesa, mas sua utilização naquela refeição mostrava aos israelitas o sofrimento pelo qual haviam passado, coisa que, se dependesse dos planos de DEUS, jamais se repetiria. COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 40-41. ERVAS AMARGAS No hebraico, merorim amargores e palavra usada apenas por três vezes no A. T. (Êxo. 12:8; Núm. 9:11 e Lam. 3:15). O hebraico diz apenas «amargores», uma palavra tio geral que agora não sabemos quais ervas poderiam estar em foco. Alguns têm pensado em verduras como a chicória, a alface, a acelga, a azeda, etc. Alguns pensam no agrião. Nos tempos modernos, os judeus empregam a escarola e outras verduras, em um total de cinco espécies, para conseguirem uma salada amargosa. Alguns intérpretes supõem que, nos livros de Êxodo e Números, as ervas amargas eram apenas a hortelã. Uso de Ervas na Páscoa. Nas Escrituras o amargor» simboliza aflição, miséria e servidão (Exo. 1:14; Rute 1:20; Pro. 5:4), a iniqüidade (Jer. 4:18) e também o luto e a tristeza (Amós 8: 10). Em face desses significados simbólicos, os israelitas receberam ordens para celebrar a páscoa utilizando-se de ervas amargas para relembrarem a amarga escravidão que haviam sofrido no Egito (Êxo. 12:8; Núm. 9:11). Os documentos escritos que chegaram até nós, provenientes do antigo Egito, mostram que eles usavam várias ervas amargosas em suas saladas, e é bem possível que Israel tivesse empregado algumas delas na celebração da cerimônia da páscoa (ver o artigo). CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 431-432. Êx 12.8 A carne assada no fogo. Alguns têm pensado que o rito, antes de fazer parte da páscoa, consistia em comer carne crua. Mas essa prática teria sido descontinuada por Israel. 0 trecho de Deuteronômio 16.7 parece sugerir que carne cozida era uma alternativa para a carne assada. A proibição ao consumo de sangue não permitia que a carne fosse comida ema. A Mishna diz que o cordeiro era assado mediante 0 uso de um espeto de madeira de romãzeira, que atravessava a carcaça. Não eram permitidos nem metais e nem grelhas. Em suas condições primitivas, no deserto, 0 povo de Israel podia assar o cordeiro com mais facilidade do que usar qualquer outra forma de cozimento. Posteriormente, porém, os cordeiros eram cortados em pedaços e cozidos (I Sam. 2.14,15). “Originalmente, o matzoth, a festa dos pães asmos, era distinto da páscoa” (J. Coert Rylaarsdam, in loc.). Porém, havia uma festa preliminar e primitiva dos pães asmos, em conjunção com a páscoa. Todos esses ritos desenvolveram-se em tempos posteriores, e todos eles, em alguma forma primitiva, provavelmente antecederam o evento do êxodo e da páscoa. Ervas amargas. Essas ervas simbolizavam os sofrimentos de Israel antes de sua libertação, e, como tipo, apontavam para os sofrimentos de CRISTO. A Mishna (Pesahim, 2.6) dá os ingredientes necessários, sobre os quais comentamos no artigo acima referido. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 349. Êx 12.8 As ervas amargas (de variedade não especificada e, portanto, provavelmente apenas uma nomenclatura geral; talvez alface selvagem seja o que se quis dar a entender) eram provavelmente um tempero primitivo, embora mais tarde os judeus as considerassem um símbolo do amargor da escravidão de Israel. O evangelista pode ter visto aqui a chave para a “ mirra” amarga que foi misturada com o vinagre oferecido a CRISTO na cruz (Mc 15:23), especialmente tendo-se em vista que Ele era considerado a vítima pascal (1 Co 5:7). R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 103. AS ERVAS AMARGAS Vemos nas "ervas amargosas", que deviam acompanhar os pães asmos, a significação e mesma utilidade moral. Não podemos desfrutar da participação dos sofrimentos de CRISTO sem recordarmos o que tornou necessários esses sofrimentos, e esta recordação deve, necessariamente, produzir um espírito de mortificação e submissão, ilustrado, de um modo apropriado, nas ervas amargosas da festa da páscoa. Se o cordeiro assado representa CRISTO sofrendo a ira de DEUS em Sua Própria Pessoa na cruz, as ervas amargosas mostram que o crente reconhece a verdade que Ele sofreu por nós. "O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" (Is 53:5). http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 16/39
  • 17. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa Por causa da leviandade dos nossos corações é bom compreendermos a profunda significação das ervas amargosas. Quem poderá ler os Salmos 6,22,38,69,88, e 109, sem compreender, em alguma medida, o significado dos pães asmos com ervas amargosas1?- Uma vida praticamente santa, unida a uma profunda submissão de alma, deve ser o fruto da comunhão verdadeira com os sofrimentos de CRISTO, porque é de todo impossível que o mal moral e a leviandade de espírito possam subsistir na presença desses sofrimentos. Mas, pode perguntar-se não sente a alma um gozo profundo no conhecimento que CRISTO levou os nossos pecados, e que esgotou, inteiramente, por nós, o cálice da ira justa de DEUS? Por certo que é assim. E este o fundamento inabalável de todo o nosso gozo. Mas, poderemos nós esquecer que foi" por nossos pecados" que Ele sofreu Poderemos perder de vista a verdade, poderosa para subjugar a alma, que o bendito Cordeiro de DEUS inclinou a Sua cabeça sob o peso das nossas transgressões? Certamente que não. Devemos comer o nosso cordeiro com ervas amargosas; as quais, não se esqueça, não representam as lágrimas de um sentimentalismo desprezível e superficial, mas sim as experiências profundas e verdadeiras de uma alma que compreende com inteligência espiritual o significado e efeito prático da cruz. Contemplando a cruz, descobrimos nela aquilo que elimina a nossa culpa e dá doce paz e gozo. Porém, vemos que ela põe de lado, inteiramente, também, a natureza humana— representa a crucificação da "carne" e a morte do "homem velho" (veja-se Romanos, 6:6; Gl. 2- .20; 6:14; Cl. 2:11). Estas verdades, nos seus resultados práticos, implicam muitas coisas "amargosas" para a nossa natureza: exigem a renúncia própria, a mortificação dos nossos membros que estão sobre a terra (Cl 3:5), e a consideração do "homem velho" como morto para o pecado (Rm 6). Todas estas coisas podem parecer terríveis de encarar; porém, uma vez que se há entrado na casa cujas portas estão manchadas com o sangue veem-se de uma maneira muito diferente. As mesmas ervas que, para o gosto de um egípcio, eram, sem dúvida, tão amargosas, formavam uma parte integral da festa de redenção de Israel. Aqueles que são remidos pelo sangue do Cordeiro, e conhecem o gozo da comunhão com Ele, consideram como uma "festa" tirar o mal e ter a velha natureza no lugar da morte. C. H. MACKINTOSH. Estudos Sobre O Livro De Êxodo. Editora Associação Religiosa Imprensa da Fé. 4- O cordeiro (Êx 12.3-7). Deveria ser um animal macho, de um ano, sem manchas no corpo e sem defeitos físicos. Esses eram requisitos para a celebração da Páscoa, mas a colocação do sangue nos umbrais da porta é que foi eficaz para que o anjo da morte não passasse nas casas dos israelitas: “E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito” (Êx 12.13). Observe que obedecer à ordem de DEUS integralmente fez a diferença na Páscoa. De nada adiantaria separarem o cordeiro perfeito, prepararem-no como uma refeição que deveria ser comida nos moldes designados e simplesmente se esquecerem de que o sangue vertido do cordeiro deveria ser colocado na porta da casa. Essa ordem era de pouca valia? Pense você mesmo: Se fosse pai ou mãe judeu com vários filhos e, ao se esquecer desse pequeno detalhe, perdesse seu primeiro filho? Portanto, os israelitas levaram a sério essa ordem divina. Aprenda que quando DEUS dá detalhes para que sigamos em uma empreitada, esses detalhes devem ser seguidos com rigor, sob pena de perdermos algo muito custoso para nós mesmos. O sangue do cordeiro deveria estar na porta das casas. Ele impediria a morte no lar da família que temia ao Senhor. COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 41. PÁSCOA, CRISTO COMO A "...CRISTO, nosso Cordeiro pascal, foi imolado» (I Cor. 5:7). No seu contexto, essa declaração tem um sentido moral. Deveríamos desvencilhar-nos de todos os elementos estranhos à espiritualidade, visto que CRISTO fez o seu grande e eterno sacrifício, que é o agente de nossa purificação moral. Cumpre-nos abandonar nossa velha maneira de viver. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 102. Êx 12.3 Congregação de Israel. Aos dez deste mês. Dia da instituição e observância da páscoa. A páscoa era uma observância de cada família, e 0 cordeiro pascal era a figura central. No livro de Deuteronômio o caráter doméstico é substituído por um feriado religioso nacional. Finalmente, tornou-se um dos sacrifícios efetuados no templo. Ver Eze. 45.21-25; Lev. 23.5; Esd. 6.19,20; II Crô. 30; 35.1-19; Jubileus 49. As orientações aqui dadas, a escolha do cordeiro no décimo dia do primeiro mês etc., de acordo com a Mishna (ver a respeito no Dicionário), aplicavam-se somente ao rito original, o qual sofreu modificações em tempos posteriores. Um cordeiro. No hebraico, seh, filhote da ovelha ou da cabra. Ambos os filhotes eram usados durante a páscoa, mas acabou prevalecendo, por costume, o cordeiro, de acordo com uma antiga tradição. Segundo a casa dos pais. A nação de Israel estava organizada por famílias, clãs, tribos e príncipes. Essa observância era importante para as famílias, e, então, para a nação, em todas as suas expressões. Um cordeiro era selecionado para cada família, a menos que esta fosse muito pequena, quando então duas famílias podiam reunir-se para celebrar juntas a páscoa. Estavam envolvidas razões econômicas (ver o vs. 4). Êx 12.4 Compartilhando a Páscoa. Sacrificar um cordeiro era um evento econômico avantajado. Uma família ou http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 17/39
  • 18. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa casa pequena podia compartilhar um cordeiro com outra família. Josefo diz-nos que dez pessoas era 0 número mínimo de uma casa (Guerras, vi.9.3). Esse número tornou-se 0 padrão para a organização de uma congregação ou minis sinagoga judaica. Quando duas famílias se uniam para celebrar a festa, elas ficavam separadas no aposento, de costas uma para a outra, e assim era preservada a unidade doméstica, apesar da cooperação. Um cordeiro pascal precisava ser consumido inteiro, e uma família dificilmente poderia fazer isso em uma única refeição. Ver Êxo. 12.10. Nenhuma pessoa podia comer sozinha do cordeiro pascal. A festa não tinha valor no caso de uma pessoa isolada. Era uma festa doméstica, uma observância comunal. A espiritualidade sempre se manifesta melhor em um esforço grupal, o que não isenta o indivíduo de outras práticas e observâncias solitárias, mas o convida a participar do espírito de comunidade. Por aí calculareis quantos bastem. Em outras palavras, cada cordeiro seria morto para um certo número de pessoas, as quais, juntas, deveriam observar a páscoa. Êx 12.5 O cordeiro será sem defeito. Não poderia haver nenhum tipo de defeito físico, deformação, enfermidade etc. Como é óbvio, isso fala da impecabilidade do Cordeiro de DEUS. Ver I Ped. 1.19 e João 1.29. Macho de um ano. Ou um animal que já tivesse completado seu primeiro ano de vida, ou que ainda estivesse dentro de seu primeiro ano de vida, sem ter ainda atingido essa idade. A Septuaginta fala em um ano completo, o que tem levado a maioria dos estudiosos a pensar em uma idade exata do animal a ser sacrificado. Mas há quem suponha que a prática original fosse abater um cordeiro ainda bem novo, talvez com apenas algumas semanas de nascido. Uma vida preciosa era sacrificada com esse propósito religioso. Todas as vidas preciosas pertencem a DEUS Pai; e é Sua responsabilidade cuidar de todas elas. Oh, Senhor, concede-nos tal graça! Um cordeiro ou um cabrito. Portanto, originalmente, qualquer desses filhotes podia ser usado, embora depois fosse tradicional servir um cordeiro. Os Targuns mostram que a preferência era dada ao cordeiro, embora também se usasse, ocasionalmente, um cabrito. Êx 12.6 Décimo quarto dia. O animai a ser sacrificado era separado do rebanho no décimo dia do mês, e, então, guardado para o sacrifício por quatro dias. Os rabinos alistam quatro coisas supostamente derivadas dessa exigência, a qual acabou não sendo preservada senão no começo da história de Israel, a saber: 1. Originalmente, os cordeiros foram consumidos na terra de Gósen, na residência de cada família israelita. 2. O cordeiro era separado no décimo dia do primeiro mês. 3. O sangue do cordeiro abatido era usado para lambuzar ambas as ombreiras e a verga da porta de entrada de cada casa. 4. O cordeiro era comido às pressas. Quando foi descontinuada a exigência acerca do décimo dia, naturalmente também foi eliminada a exigência referente ao décimo quarto dia. Talvez aquele período intermediário de quatro dias desse ao povo tempo amplo para que as pessoas se certificassem de que o animal não tinha defeito. Essa questão não podia ser tratada de modo superficial. Em tipo, de acordo com alguns intérpretes, isso mostra CRISTO preservado em Sua infância, enquanto estava sendo preparado para Sua missão expiatória. Todo o ajuntamento da congregação de Israel. No começo, isso indicava que cada família cumpriria o seu dever religioso. Todas as famílias, em seu conjunto, formavam a congregação de Israel. Posteriormente, passou a haver um sacrifício comunal, quando a questão se tornou parte da adoração no templo. Os chefes de família reuniam-se em um s ó lugar para efetuar o sacrifício comunal. Os críticos vêem aqui uma referência a esse costume posterior, e não à forma primitiva da observância. A Mishna entende que três grupos de famílias entravam sucessivamente no átrio do templo, para matar os cordeiros escolhidos. Nesse caso, para preservar a exigência original de que o sangue fosse aspergido, os chefes de família formavam uma espécie de brigada com baldes, apanhando 0 sangue dos animais sacrificados e, então, aplicando-o às ombreiras e às vergas das portas de cada casa. Ou, então, o sangue era derramado ao pé do altar, que assim veio a substituir, posteriormente, as portas de entradas das residências. No crepúsculo da tarde. Era o horário do sacrifício. Logo, tratava-se de uma festa noturna, celebrada durante o tempo da lua cheia (vs. 8; ver também Isa. 30.29). De acordo com a ortodoxia judaica, o abate do animal ocorria ao aproximar-se a noite. A Mishna diz-nos que era apropriada qualquer hora depois do meio-dia para esse abate. Os samaritanos, os caraítas e os saduceus especificavam o crepúsculo, antes de as trevas absolutas cobrirem a terra. A prática original por certo era consumir o cordeiro pascal durante a noite. Josefo explanou que, em seus dias, o sacrifício tinha lugar entre a nona e a décima primeira horas (entre as 15 horas e as 17 horas, Guerras, 1.6, see. 3). JESUS foi crucificado à hora nona (Mat. 26.17). Tomarão do sangue. Ou seja, aquela porção do sacrifício que, de acordo com a antiga crença, destinava-se ao poder divino. Ver Lev. 1.5. Originalmente, o sangue foi aplicado às ombreiras e à verga da porta de cada casa, ou seja, a parte ais santa e dedicada da casa (Lev. 21.6; Deu. 6.9). No dia da matança dos primogênitos no Egito, isso atuou como uma medida protetora contra o anjo destruidor, que, vendo o sangue aplicado, passaria por sobre a casa assim protegida. V« os vss. 22 e 23 deste capítulo, como também Êxo. 4.24, e as notas expositivas 3á existentes. No Dicionário ver os artigos Sangue e Expiação (quanto a este seus pontos quinto e sexto). Ver também ali os verbetes Expiação e Expiação pelo Sangue. E na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia ver 0 artigo Expiação pelo Sangue de CRISTO. http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 18/39
  • 19. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa Alguns estudiosos supõem que o uso do sangue, conforme aparece na primeira páscoa, realmente antecedeu o evento, como um rito antigo que apelava aos poderes divinos em busca de proteção contra forças espirituais malignas, para que fosse preserva a paz na família. A porta, como entrada que dava acesso à casa, seria o lugar lógico onde era aplicado o sangue protetor. Vida ou Morte. O mesmo anjo destruidor (o Anjo de Yahweh) que matou os primogênitos do Egito também foi o anjo protetor de Israel. Assim foi e assim será sempre: escolhemos como o Poder Divino haverá de relacionar-se conosco. No caso dos israelitas, o cordeiro era morto em lugar dos filhos primogênitos, o que aponta para o poder vicário do sacrifício de CRISTO. Talvez o sangue também simbolizasse um laço que congregava a família e a comunidade, tendo-se tornado assim um sinal do pacto que todos eles compartilhavam com Yahweh. Expiação. O sangue do cordeiro pascal fazia uma expiação simbólica pelos membros da família que se protegesse com o sangue aplicado à porta de sua casa. Isso os protegeu da ira divina que estava à solta naquela noite. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 348349. Êx 12.3. Toda a congregação de Israel. Es ta é a primeira ocorrência no Pentateuco do que viria a ser um termo técnico para descrever Israel em sentido religioso {‘êdãh ocorre frequentemente com este sentido; em Deuteronômio e livros mais recentes a forma preferida é qãhãl) e que subjaz o uso da palavra ek k lêsia (igreja) no Novo Testamento. A palavra “ congregação” não é um termo abstrato: implica no ajuntamento da nação de Israel, normalmente com propósito religioso. Aos dez deste mês. É provável que os israelitas primitivos, tal como os chineses, dividissem o mês em três partes de dez dias cada, sendo a primeira destas a “ entrada” e a última a “ partida” . Nosso conceito de “ crescente” e “ minguante” é semelhante, embora baseado numa divisão do mês em duas partes. Tal como a Páscoa, o Dia de Expiação caía no décimo dia de um outro mês (Lv 23:26,27). Esta explicação é preferível à suposição de que o número dez era tido como sagrado. A noite do décimo quarto dia (quando o cordeiro devia ser morto, v. 6) seria exatamente a metade do mês, quando presumivelmente haveria lua cheia. Um cordeiro. O termo hebraico, êeh, é neutro e deveria ser traduzido “ cabeça de gado (miúdo)” , aplicável igualmente a ovelhas e cabras de qualquer idade. Os israelitas, tal como os chineses, pareciam considerar qualquer distinção entre ovelhas e cabras uma subdivisão sem importância. Talvez por causa disso, “ separar os bodes das ovelhas” veio a ser uma expressão proverbial para indicar o discernimento divino ao tempo do Novo Testamento (Mt 25:32). Quem conhece as ovelhas da Ásia, pequenas, de cor marrom ou preta e com pelo curto e crespo, sabe bem da dificuldade em distingui-las, exceto pelas caudas. Além disso, o seh poderia ser de qualquer idade: o versículo 5 diz que deveria ser “ filho de um ano” , expressão que pode significar “ do primeiro ano” , ou seja, “ nascido há um ano ou menos” . Era assim, pelo menos, que entendiam os rabis. As traduções modernas, que contêm a expressão “ macho de um ano” , estão provavelmente forçando ideias ocidentais de cronologia a um texto asiático. Em qualquer caso, porém, é apenas esta descrição de sua idade que nos mostra que o sacrifício deveria ser um “cordeiro” e não uma “ ovelha” adulta. Para cada família. A Páscoa era uma comemoração doméstica e familiar, o que demonstra sua origem antiga. Aqui não há templo, nem tenda da congregação, nem altar nem sacerdote: a ideia de representação, porém, se não mesmo substituição, é claramente sugerida. Êx 12.4. Por aí calculareis. Em dias mais recentes, o número mínimo de pessoas que poderia comer um cordeiro era dez adultos; este número, porém, foi alcançado através de uma exegese artificial. No principio, parecia ser questão de apetite, ou do tamanho do cordeiro, ao invés de teologia. Êx 12. 5. Macho de um ano. O sacrifício deveria ser um macho jovem e sem defeito algum, presumivelmente representando a perfeição da espécie. Se já tivesse realmente um ano de idade, já estaria plenamente desenvolvido. Êx 12.6. No crepúsculo da tarde. Literalmente, “ entre as duas noites” . Estudiosos judeus não chegam a um acordo quanto ao significado exato da frase. A expressão é usada para descrever a hora do sacrifício vespertino regular (29:39) e a hora em que as lâmpadas da tenda da congregação eram acesas (30:8). O pietismo ortodoxo do judaísmo farisaico entendia a frase como uma referência ao período da tarde entre a hora em que o calor do sol começava a diminuir (digamos 3 ou 4 horas) e o pôr-do-sol. Outros grupos preferiam o período entre o pôr-dosol e a escuridão, ou outras explicações semelhantes. 7. Tomarão do sangue. Dificilmente se poderia classificar a Páscoa como um sacrifício, no sentido mais recente da palavra. Não era diretamente ligada a pecado, embora fosse “ apotropaica” no sentido de evitar o “ golpe” divino, havendo portanto um ritual cruento a ela associado. O fato de haver um ritual cruento não é em si mesmo digno de nota: notável mesmo é o não haver qualquer associação de sacerdotes com um tipo de rito que mais tarde seria estritamente limitado à sua participação. É claro, portanto, que esta cerimônia surgiu antes do estabelecimento do sacerdócio “ profissional” em Israel. Como presumivelmente acontecia no período patriarcal, o chefe da família fazia as vezes de sacerdote. Todavia, a despeito deste resquício de tradição patriarcal, as ombreiras e vergas sugerem vida sedentária, tal como Israel vivia em Gósen. Embora, estritamente falando, não haja aqui o conceito de “ expiação” , o princípio http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 19/39
  • 20. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa básico do sacrifício cruento é o mesmo: representa uma vida que foi sacrificada (Lv 17:11). R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 101-103. A Instituição da Páscoa. A Festa dos Pães Asmos w. 1-20 Moisés e Arão aqui recebem do Senhor aquilo que deveriam posteriormente transmitir ao povo com relação à celebração da páscoa, para a qual é pré-fixada uma ordem, um novo estilo a ser observado quanto ao seu calendário (w. 1,2): Este mesmo mês vos será o princípio dos meses. Até aqui eles haviam começado o seu ano a partir de meados de Setembro, mas daqui por diante eles deveriam começá-lo a partir de meados de Março, ao menos em todos os seus cálculos eclesiásticos. Note que é bom começar o dia, e começar o ano, e especialmente começar a nossa vida, com DEUS. Este novo cálculo iniciava o ano com a primavera, que renova a face da terra, e era usada como um símbolo da chegada de CRISTO, Cantares 2.11,12. Nós podemos supor que, enquanto Moisés estava trazendo as dez pragas sobre os egípcios, ele estava orientando os israelitas a se prepararem para a sua partida que poderia acontecer a qualquer momento. É provável que ele tivesse acabado com a dispersão deles reunindo-os gradualmente, pois aqui são chamados de ‘A congregação de Israel” (v. 3). Além disto, aqui as ordens são enviadas a uma congregação. O espanto e a pressa deles, é fácil deduzir, eram grandes. Ainda mais agora que eles devem se dedicar à observância de um rito sagrado, em honra a DEUS. Note que não devemos nos esquecer da nossa religião, nem mesmo quando nossas mentes estiverem repletas de preocupações, e nossas mãos estiverem repletas de trabalho. Também não devemos permitir que haja em nós qualquer tipo de indisposição para com os atos de devoção. DEUS determinou que, na noite em que eles sairiam do A Egito, eles deveriam, em cada uma de suas famílias, matar um cordeiro, ou que duas ou três famílias, se fossem pequenas, comessem juntas um cordeiro. O cordeiro deveria ser preparado quatro dias antes, e, naquela tarde, eles deveriam matá-lo (v. 6) como um sacrifício. Não de forma estrita, pois este não era oferecido no altar, mas como uma cerimônia religiosa, reconhecendo a bondade de DEUS para com eles, não apenas ao protegê-los das pragas infligidas aos egípcios, mas libertandoos através delas. Veja a origem da religião em família, E perceba a conveniência da reunião de pequenas famílias para a adoração religiosa para que esta possa se tornar mais solene. no cordeiro morto desse modo, eles deveriam comer assado (nós podemos supor, em seus vários alojamentos), com pães asmos e ervas amargosas, porque deveriam comê-lo apressadamente (v. 11), não deixando nada para o dia seguinte. Pois eles dependeriam de DEUS para o pão de cada dia, e não deveriam se inquietar pelo amanhã. Aquele que os conduzia os alimentaria. Antes de comerem a carne do cordeiro, eles deveriam borrifar o sangue sobre as ombreiras das portas, v 7. Através disso, suas casas seriam distinguidas das casas dos egípcios, e assim os seus primogênitos estariam protegidos da espada do anjo destruidor, vv. 12,13. Uma obra terrível seria realizada nesta noite no Egito. Todos os primogênitos, tanto dos homens quanto dos animais deveriam ser mortos, e julgamentos seriam executados contra os deuses do Egito. Moisés não menciona o cumprimento neste capítulo, mesmo assim ele fala sobre isso em Números 33.4. É muito provável que os ídolos que os egípcios adoravam tenham sido destruídos, os de metal derreteram, os de madeira foram consumidos, e os de pedra foram feitos em pedaços, de onde Jetro deduz (cap. 18.11): O Senhor é maior que todos os deuses. O mesmo anjo que exterminou os seus primogênitos aniquilou os seus ídolos, que não eram menos queridos para eles. Foi-lhes ordenado que aspergissem o sangue do cordeiro sobre as ombreiras das portas para a proteção de Israel, um gesto que seria aceito como um exemplo de sua crença nas advertências divinas e de sua obediência aos preceitos divinos. Note que: 1. Se em tempos de calamidade geral, DEUS protege o seu próprio povo e coloca um sinal sobre as pessoas, elas serão escondidas no céu ou debaixo do céu, e serão protegidas do impacto dos julgamentos ou ao menos de seus aguilhões. 2. O sangue da aspersão é a segurança do justo em tempos de calamidade geral; é isso que os marca para DEUS, tranqüiliza consciências, e lhes dá ousadia e acesso ao trono da graça. E assim se torna um muro de proteção em volta deles e uma parede divisória entre eles e os filhos desse mundo. Esta ordenança deveria ser observada anualmente em suas futuras gerações como uma festa do Senhor, ao qual a festa dos pães asmos foi acrescentada, e durante a qual, por sete dias, eles deveriam comer apenas pães sem fermento, como um memorial por estarem inevitavelmente limitados a esse tipo de pão por muitos dias após a sua saída do Egito, w. 14-20. Esse compromisso é imposto para sua melhor orientação, e para que eles não pudessem se enganar com respeito à páscoa. E também para despertar a uma diligente observância deste ritual aqueles que, no Egito, tinham se tornado tolos e descuidados nos aspectos da religião. Agora, sem dúvida, havia muito do Evangelho nessa celebração. Ela é frequentemente mencionada no Novo Testamento, e através dela nos é pregado o Evangelho. Esta pregação também se estendia a eles, que não podiam olhar firmemente para o fim dessas coisas. Hebreus 4.2; 2 Coríntios 3.13. 1. O cordeiro pascal era uma tipificação do Salvador. CRISTO é a nossa Páscoa, 1 Coríntios 5.7. (1) Deveria ser um cordeiro. E CRISTO é o Cordeiro de DEUS (Jo 1.29), frequentemente chamado no Apocalipse de “O Cordeiro”, manso e inocente como um cordeiro, calado ante os tosquiadores, diante dos açougueiros. (2) Deveria ser um macho de um ano (v. 5), uma primícias; CRISTO se ofereceu no meio de seus dias, não na infância com os bebês de Belém. Isso denota a força e a suficiência do Senhor JESUS, em quem está o nosso auxílio. http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 20/39
  • 21. 20/1/2014 Lição 4 - A Celebração da Primeira Páscoa (3) Deveria ser um cordeiro sem mácula (v. 5), simbolizando a pureza do Senhor JESUS, um cordeiro imaculado, Hebreus 7.26; 1 Pedro 1.19. O juiz que o condenou (como se o seu julgamento fosse feito apenas como a inspeção que era feita no tocante aos sacrifícios, para verificar se eram sem mácula ou não) o declarou inocente. (4) Deveria ser separado com quatro dias de antecedência (w. 3,6), indicando a designação do Senhor JESUS para ser o Salvador, tanto no propósito quanto na promessa. Podemos observar que, como CRISTO foi crucificado durante a páscoa, Ele entrou solenemente em Jerusalém com quatro dias de antecedência, no mesmo dia em que o cordeiro pascal era separado. (5) O cordeiro deveria ser morto, e assado no fogo (w. 6-9), o que simbolizava os sofrimentos intensos do Senhor JESUS, até a morte, e morte de cruz. A ira de DEUS é como fogo, e CRISTO se fez maldição por nós. (6) Deveria ser morto por toda a congregação no entardecer, entre os dois dias, isto é, entre três e seis horas da tarde. CRISTO sofreu no fim do mundo (Hb 9.26) pela mão dos judeus, uma multidão deles (Lc 23.18), e pelo bem de todo o seu Israel espiritual. (7) Nenhum osso do cordeiro deve ser quebrado (v. 46), o que é expressamente relatado como uma profecia que foi cumprida em CRISTO (Jo 19.33,36), simbolizando a força inquebrantável do Senhor JESUS. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 260-261. III - CRISTO, NOSSA PÁSCOA. 1. JESUS, o Pão da Vida (Jo 6.35,48,51). Um pão pode ter mais de um sabor. Pode ter mais de uma forma. Pode ser feito com diversos ingredientes. Pode ser barato ou caro. Pode ser mais leve ou mais pesado. Mas sua função mais importante é saciar a fome. É para isso que eles são feitos. Por que CRISTO é considerado o pão da vida? Porque Ele mesmo disse isso: “Eu sou o pão da vida; (' aquele que vem a mim não terá fome” (Jo 6.35). Ele promete saciar a necessidade humana no que concerne às questões da vida e à relação com DEUS, ao perdão dos pecados e à vida eterna. A fome que temos de DEUS é saciada em CRISTO JESUS. COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de Fé. Moisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida. Editora CPAD. pag. 41-42. PÃO DA VIDA, JESUS COMO «Eu SOU o pão da "'vida...» (João 6:35). «Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna... » (João 6:54). «...isto é o meu corpo...isto é o meu sangue... » (Mateus 26:26,28). «..o que vem a mim, jamais terá fome; e o que crê em mim, jamais terá sede... » (João 6:35). «Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai; também quem de mim se alimenta, por mim viverá» (João 6:57). «Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo" (João 5:26), « os mortos ouvirão a voz do Filho de DEUS; e os que a ouvirem, viverão" (João 5:25). Em torno desses versículos gira o ensino de JESUS como o Pão da Vida. Crentes sinceros têm atribuído aos mesmos grande variedade de interpretações, e muitíssimas disputas se têm originado de tais explicações. Parece que uma das dificuldades da interpretação deriva-se do fato de que a mensagem central que essas passagens procuram nos transmitir é muito mal compreendida pela igreja cristã, sendo algumas vezes totalmente desconhecida e, ocasionalmente, até mesmo combatida. Por causa dessas condições, apesar de que certas porções da ideia correta do que aqui é ensinado são retidas por uma ou outra denominação, com algumas variações, contudo, a própria ideia, em sua inteireza e majestade, é percebida apenas em parte, obscuramente. Essa profunda ideia do cristianismo, que «JESUS, como o Pão da Vida», oferece aos homens, está contida nas Escrituras de forma dispersa. As alusões a esse conceito aparecem no evangelho de João; em alguns trechos das epístolas paulinas, sobretudo no oitavo capitulo da epístola aos Romanos e no primeiro capítulo da epístola aos Efésios; em 11 Coríntios 3:18 e em II Pedro 1:4. Na tentativa de descobrir e lançar luz sobre o assunto, examinaremos os seguintes particulares: 1. A orientação espiritual de João é mística, e não sacramental. 2. O modo de expressão de João. 3. As interpretações centrais do sexto capítulo do evangelho de João: a interpretação simbólica, a sacramental e a mística. 4. A Ceia do Senhor, em seu «símbolo» e na «verdade simbolizada». 5. Indicações existentes no sexto capitulo do evangelho de João sobre a veracidade da interpretação «mística». Passemos, pois, à exposição de cada uma dessas particularidades: A Orientação Espiritual de João é Mística, e Não Sacramental. Dentre os quatro evangelhos, o de João é o mais místico e o menos sacramental; assim sendo, apesar do evangelho de João ser o mais usado, provavelmente é o menos compreendido dos quatro. Notemos que no trecho de João 1:29-34, o lugar onde poderíamos esperar a história do batismo de JESUS, por João Batista, não http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao4-ujf-1tr14-acelebracaodaprimeirapascoa.htm 21/39