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2 Outubro · 2014
3 
Clivonei Roberto 
clivonei@canaonline.com.br 
Luciana Paiva 
luciana@canaonline.com.br 
CÁ ENTRE NÓS 
Dizem que a principal diferença en-tre 
o proprietário e o empresário, 
é que o proprietário faz o que é 
bom para ele, e o empresário faz o que é 
bom para a empresa. Esse posicionamen-to, 
muitas vezes, é a razão da derrocada 
ou do sucesso. 
Governar um país é o mesmo que 
governar uma grande empresa. Nos dois 
casos, o gestor precisa agir como empre-sário. 
Mas, com raríssimas exceções, não é 
o que acontece, principalmente nas ges-tões 
públicas. Os governantes se posicio-nam 
como proprietários da cidade, esta-do 
ou país. Agem como se tudo e todos 
fossem seus. Impõem sua vontade, sem se 
importarem se é viável e justa. 
Deixam-se levar por antagonismos 
e retaliações contra aqueles que não con-cordam 
com suas decisões. E pelo simples 
fato de não gostarem de alguém, algo 
ou segmento, rompem as regras do jogo, 
mesmo que isso prejudique o país. 
É que o governante proprietário age 
como criança mimada, se sente o dono da 
bola e, se não seguirem suas regras para 
o jogo, toma a bola, coloca-a embaixo do 
braço e anuncia: “não jogo mais.” 
O governante proprietário abala 
mercados, desestimula investidores, tira a 
tranquilidade dos que trabalham e cria um 
clima de tensão. 
É o que a presidente Dilma tem feito 
com o setor sucroenergético. Por não gos-tar 
dos usineiros, deu-lhes cartão verme-lho. 
Durante a campanha presidencial, ao 
ser questionada por Marina Silva e Aécio 
Neves sobre o descaso com o etanol, ficou 
sem argumentos, e mudou de assunto. 
Agora reeleita, torcemos para que 
Dilma se torne uma governante empresá-ria. 
Que reconheça os benefícios da cana, 
recoloque a bola em campo e deixe o jogo 
ser jogado. 
O que é bom para o país 
Presidente Dilma, 
coloque a bola 
no campo!
Capa Deu Dilma! E como fica a cana? ? 
Tendências 
- O funcionamento do 
mercado de soja certificada 
Mecanização 
- Com a ajuda 
das máquinas 
Coluna Datagro 
- Exportações na Tailândia 
continuam em ritmo desacelerado 
e produção da safra 2014/15 
deverá ser menor que 2013/14 
ÍNDICE 
Especial RH 
- Cuidando 
de gente 
Economia 
- Por que deixar a 
mudança para depois??? 
Herbishow 
- Aumentado o ATR e 
diminuindo o florescimento
Editores: 
Luciana Paiva 
luciana@canaonline.com.br 
Clivonei Roberto 
clivonei@canaonline.com.br 
Redação: 
Alexandre Carolo 
Jornalista 
carolo@canaonline.com.br 
Leonardo Ruiz 
Estagiário de jornalismo 
leonardo@canaonline.com.br 
Marketing 
Regina Baldin 
Comercial 
Anderson Siqueira 
comercial@canaonline.com.br 
Editor gráfico 
Thiago Gallo 
Tecnologia Agrícola 
- O Uso de tecnologias 
encurta a distância 
entre o campo 
e o escritório 
Soluções Integradas 
- Novo canavial exige 
novas tecnologias 
Insectshow 
- Enegrecendo o canavial 
Indústria 
- Especialista destaca 
importância do controle 
microbiológico nas usinas 
Tecnologia 
- Gestão de Implantação e 
Engenharia do Proprietário (EP) 
Cana Substantivo 
Feminino 
- Centro Cana IAC 
receberá IV Encontro 
Cana Substantivo 
Feminino 
Caderno Relax 
Fora do Trabalho 
- Paixão pelo trabalho 
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6 Outubro · 2014 
A soja é uma das culturas agríco-las 
brasileiras cuja produção mais 
cresceu nas últimas décadas, em 
torno de 240% nos últimos 20 anos, res-pondendo 
hoje por mais de 50% da área 
plantada com grãos no país, segundo a 
Companhia Nacional de Abastecimento 
(Conab). É também o produto agrícola que 
mais representatividade possui na balança 
comercial. O complexo soja (grão, farelo e 
óleo) é o segundo mais importante item 
na pauta de exportações do Brasil, ficando 
atrás apenas do minério de ferro, de acor-do 
com o Ministério de Desenvolvimento, 
Indústria e Comércio Exterior (Mdic). 
Além do volume de produção, a soja 
Ana Malvestio1 e Lara Moraes2 
O funcionamento 
do mercado de 
soja certificada 
TENDÊNCIAS
7 
brasileira se destaca também pela alta 
qualidade. O grão produzido no Brasil e 
seus subprodutos possuem elevado teor 
de proteína e padrão de qualidade pre-mium, 
o que permite a sua entrada em 
mercados extremamente exigentes, como 
a União Europeia e o Japão. 
Nestes mercados, crescem cada vez 
mais as pressões e exigências para que 
os produtores se adequem aos parâme-tros 
internacionais de sustentabilidade. É 
neste contexto que se insere a certificação 
da cultura da soja, representada, sobretu-do, 
pela RTRS (Round Table on Responsib-le 
Soy), instituição criada na Holanda, em 
2006, para assegurar o cultivo da soja de 
maneira sustentável. 
Para obter o certificado da RTRS é 
preciso obedecer a cinco princípios bá-sicos: 
cumprimento legal e boas práticas 
empresariais, condições de trabalho res-ponsáveis, 
relações comunitárias respon-sáveis, 
responsabilidade ambiental e prá-ticas 
agrícolas adequadas. O pagamento 
que o produtor recebe pela soja certifi-cada 
entra como crédito em uma plata-forma 
de comercialização e fica disponí-vel 
para os produtores de soja o utilizarem 
em negociações com os demais players 
do mercado. 
Segundo representantes da RTRS, o 
Brasil tem grande potencial de adequa-ção 
às normas de sustentabilidade nas fa-zendas 
produtoras de soja, uma vez que 
apenas 2% da produção nacional é certi-ficada. 
O Brasil é o país com maior volu- 
PRODUÇÃO DE SOJA CERTIFICADA (MIL TONELADAS) 
* Até maio de 2014 
Fonte: RTRS (2014). Adaptado por PwC Agribusiness Research and Knowledge Center.
8 Outubro · 2014 
me de soja certificada pela RTRS, cerca de 
1,5 milhão de toneladas, 60% da produ-ção 
mundial, e a previsão é chegar a 2 mi-lhões 
até o fim do ano. No mundo, são 2,5 
milhões de toneladas de soja certificada, o 
que comprova a capacidade do produtor 
brasileiro em se adequar aos critérios de 
certificação. 
Mesmo com a importância do Bra-sil 
neste cenário, existem alguns desafios 
para a adequação às normas de certifica-ção, 
a começar pelos custos para certificar 
uma propriedade rural, que são elevados 
e podem variar de uma propriedade para 
outra. O retorno financeiro para quem ob-tém 
a certificação também não é muito 
maior do que o da soja não certificada. 
A maior parte da soja certificada no 
Brasil é produzida por grandes grupos 
agrícolas. Por atuar ao longo de toda a ca-deia, 
da produção à comercialização, eles 
se beneficiam da possibilidade de sepa-rar 
o grão certificado do não certificado 
no momento da armazenagem e também 
diluir os custos inerentes à obtenção da 
certificação. 
Apesar dos desafios, os benefícios 
da certificação são significativos e não se 
limitam ao valor adicional na comerciali- 
O Brasil é o país com maior volume 
de soja certificada pela RTRS, 
cerca de 1,5 milhão de toneladas, 
60% da produção mundial 
TENDÊNCIAS
9 
zação. Uma propriedade certificada, além 
de garantir mercado premium para o seu 
produto, atinge maior nível de profissio-nalização, 
o que se reverte em eficiência 
operacional e financeira, permitindo uma 
gestão com foco em desempenho e ali-nhando 
práticas de respeito ao meio am-biente 
e às gerações futuras, com melhor 
retorno financeiro. 
2Analista sênior do Centro PwC 
de Inteligência em Agronegócio 
1Sócia da PwC Brasil e líder de 
Agribusiness para o Brasil e Américas
10 Outubro · 2014 
MECANIZAÇÃO
11 
USINA DA MATA INVESTE NA INTEGRAÇÃO DE 
MÁQUINAS, SISTEMATIZAÇÃO DO SOLO E ALTA 
TECNOLOGIA PARA AUMENTAR A EFICIÊNCIA 
Com a ajuda 
das máquinas 
Time de equipamentos para 
sistematização de solo, colheita e 
transporte na Usina Da Mata
12 Outubro · 2014 
MECANIZAÇÃO 
A Usina Da Mata, localizada em Val-paraíso, 
SP, deve fechar a safra 
2014/15 com uma moagem de 
2,4 milhões de toneladas de cana. O volu-me 
será suficiente para produção de 83,2 
milhões de litros de etanol anidro e 37,1 
milhões de litros de hidratado. Com um 
mix de 50% nesta temporada, a produ-ção 
de açúcar VHP deve alcançar 176,5 mil 
toneladas. A energia gerada neste ciclo 
pode chegar a 130,56 MWh. A estimativa 
é do superintendente da unidade, Newton 
Chucri. 
O clima seco na região derrubou a 
estimativa de moagem inicial que era de 
2,75 milhões de toneladas. Mesmo as-sim, 
a usina tem ampliado sua capacida-de 
de produção, ano-a-ano. Na safra pas-sada, 
a indústria processou 2,16 milhões 
de toneladas. Esta escalada de crescimen-to 
começou no ciclo 2011/12, com 1,27 
milhões de toneladas, que aumentou para 
1,61 milhões na temporada seguinte. Com 
um projeto de ampliação em andamen-to, 
a Da Mata estima moer entre 3,1 mi-lhões 
e 3,2 milhões de toneladas na safra 
2015/16, com mix 40% para açúcar e 60% 
para etanol. 
“Nosso plano de ampliação prevê 
uma capacidade total de 4 milhões de to-neladas”, 
afirma Newton. A usina, que re-centemente 
teve aprovada a contratação 
de até R$ 40 milhões para renovação de 
canaviais por meio da linha Pró-Renova, 
Texto e fotos: Alexandre Carolo, de Valparaíso, SP 
Newton Chucri, superintendente da Usina da Mata
13 
do Banco Nacional de Desenvolvimen-to 
Econômico e Social (BNDES), também 
está investindo em moendas, turbogera-dores 
e em uma nova caldeira, fabricada 
pela HPB-SIMISA (250 TVH - 67 kgf/cm²). 
O conjunto de equipamentos vai operar a 
partir da próxima safra. 
A Usina Da Mata, localizada a 565 
quilômetros da capital paulista e a apro-ximadamente 
100 quilômetros da divisa 
com o Mato Grosso do Sul, foi fundada em 
2006, fruto da união entre o Grupo AGP e 
a Brasif. A primeira safra foi em 2007/08. 
Seu parque industrial está inserido em um 
espaço de 920 mil m². A indústria pro-duz 
açúcar, etanol hidratado, etanol ani-dro, 
óleo fúsel, levedura seca e energia 
elétrica. A unidade investiu em uma linha 
de transmissão de 16,5 km que está liga-da 
ao sistema nacional de energia contro-lado 
pelo ONS (Operador Nacional do Sis-tema 
Elétrico). 
100% mecanizada 
A colheita de cana da Da Mata é 
100% mecanizada, de acordo com as dire-trizes 
técnicas do Protocolo Agroambiental 
Paulista. As atividades no campo são mo-nitoradas 
pelo Departamento de Controle 
Agrícola através de softwares e painéis in-dicadores. 
A usina também conta com um 
Controle de Tráfego, responsável por toda 
logística da frota, cuja manutenção é feita 
em uma oficina mecânica própria. 
Máquinas agrícolas, de construção e 
transporte de cargas. Esta composição é a 
aposta da CNH Industrial, que atua no se-tor 
de bens de capital para garantir maior 
sinergia no campo. Especificamente para 
o segmento canavieiro, a companhia tem 
demonstrado que o processo de mecani-zação 
pode ganhar maior eficiência a par-tir 
do uso integrado de equipamentos 
específicos para a atividade, na sistemati-zação 
do solo, na colheita da cana e no 
Usina Da Mata, em Valparaíso, SP, possui 29 mil hectares 
de área agrícola total, sendo 24,3 mil ha plantados
14 Outubro · 2014 
transporte da matéria-prima à indústria. 
A integração das máquinas foi de-monstrada 
na Usina Da Mata, que conta 
com 52 equipamentos da CNH Industrial, 
entre máquinas agrícolas da Case IH, equi-pamentos 
de construção da Case Cons-truction 
e caminhões Iveco. A demons-tração 
começou com a sistematização do 
solo, feita por motoniveladoras, escava-deiras 
hidráulicas e pás-carregadeiras. Os 
três modelos de máquinas trabalham na 
usina no regime de três turnos. 
De acordo com o gerente agrícola da 
usina, José Luiz Vieira, a sistematização do 
solo é uma etapa fundamental na forma-ção 
do canavial, especialmente por conta 
da mecanização. A colheita feita por má- 
Operador do trator que leva os transbordos é orientado a se posicionar 
ao lado do caminhão que vai transportar a cana colhida à usina 
MECANIZAÇÃO
15 
A colheita é 100% 
mecanizada na 
Usina da Mata 
quinas depende de um conjunto de ações 
cuidadosas na sistematização da área de 
plantio, como nivelamento de terreno, de-finição 
do tamanho de talhões, retirada de 
materiais estranhos, planejamento da sul-cação, 
entre outros cuidados. A Usina Da 
Mata atingiu 100% da colheita mecaniza-da 
na safra 2014/15. 
Tecnologia de ponta 
Para a etapa de colheita, a Da Mata 
utiliza máquinas da Case IH, com desta-que 
para o modelo A8800 MultiRow, que 
permite a colheita em vários espaçamen-tos, 
como duas linhas de 1,4m ou de 1,5m, 
por meio de um sistema de divisores de li-nha 
e alimentação. O equipamento con- 
Transbordo carrega o caminhão 
de transporte automaticamente. 
Operação leva alguns segundos
16 Outubro · 2014 
ta com um sistema chamado Smart Cruise, 
que controla automaticamente a rotação 
do motor, gerando, de acordo com a em-presa, 
uma economia de até 25% no con-sumo 
de combustível. 
A colhedora trabalha em conjunto 
com o transbordo puxado por trator. Os 
tratores da Case IH contam com o siste-ma 
APM (Gerenciamento Automático de 
Produtividade), que controla a relação de 
transmissão e a velocidade para cada tipo 
de terreno, o que permite economia de até 
20% de combustível, segundo o fabricante. 
Depois de completo com a cana picada, o 
transbordo transfere a matéria-prima para 
o caminhão da Iveco, modelo Trakker, que 
transporta a cana para alimentar a usina. 
Todo o processo é automatizado. 
A Usina Da Mata conta hoje com 20 
caminhões Iveco, nas versões 
Trakker 6x4 de 440 e 480 ca-valos. 
Os modelos têm trans-missão 
ZF de 16 marchas, ma-nual 
e automática, com motor 
Ecoline FTP Cursor 13 com 
tecnologia SCR, com 17% a 
mais de torque que a versão 
Euro III. Marluz Cariani, res-ponsável 
pelas vendas de of-f- 
road da Iveco no Brasil, des-taca 
a parceria com a Da Mata. 
“São clientes muito técnicos, que enten-dem 
do produto e exigem qualidade. Em 
alguns casos, é preciso fazer modificações 
no veículo para melhorar o desempenho 
em ambientes específicos”, observa. 
MECANIZAÇÃO 
José Luiz Vieira, 
gerente agrícola 
da Usina da Mata 
Após ser completo com cana picada, o 
transbordo é levado pelo trator até o 
caminhão. Todo o processo é automatizado
17
18 Outubro · 2014 
COLUNA DATAGRO 
Exportações na Tailândia continuam em 
ritmo desacelerado e produção da safra 
2014/15 deverá ser menor que 2013/14 
Datagro reduz projeção para a produção de açúcar na Tailândia 
A safra 2013/14 de cana-de-açúcar 
na Tailândia terminou no último 
dia 9 de maio com moagem tota-lizando 
103,67 milhões de toneladas, 3,7% 
a mais que na safra anterior, das quais 
37,92 milhões de toneladas foram colhi-das 
por meio de máquinas. Um incremen-to 
de 10,8% em relação ao ciclo anterior. 
Como resultado também da melhor 
concentração de sacarose na cana, fruto do 
clima mais seco nesta temporada, foram 
produzidas 11,29 milhões de toneladas de 
açúcar, contra 10,03 milhões de toneladas 
na safra passada - aumento de 12,6%.
19 
Apesar do recorde de produção, a 
Tailândia diminuiu os embarques de açú-car 
em reflexo à retração da demanda ex-terna, 
devido à incapacidade do merca-do 
em absorver o produto. Tanto que no 
somatório da safra, de novembro a ju-lho, 
a exportação de açúcar teve queda de 
16,7% e totalizou 4,14 milhões de tonela-das, 
contra 4,83 milhões em igual período 
de 2012/13. 
Já no mês de julho, a exportação de 
açúcar atingiu 571.686 toneladas, 2,4% a 
menos que no mês anterior, porém 12,34% 
acima do volume exportado em julho de 
2013. 
Considerando as exportações acu-muladas 
de janeiro a julho desse ano, a In-donésia 
foi o principal destino do açúcar 
tailandês, recebendo 1,06 milhões de to-neladas 
de açúcar ou 49,5% do total ex-portado 
pela Tailândia no acumulado de 
2014, seguida pelo Japão, com 460.692 
toneladas (21,4%), e Coreia do Sul, com 
233.781 toneladas (10,9%). 
Para dar fôlego às exportações de 
açúcar nos próximos meses, o governo tai-landês 
decidiu reduzir a quota da produ-ção 
destinada ao consumo interno. Com 
a medida, a Tailândia espera exportar 8,8 
milhões em 2014, contra 5,91 milhões de 
toneladas em 2013. Mas a depender do 
atual ritmo dos embarques, há certo ceti-cismo 
quanto a esta possibilidade. 
Datagro reduz projeção 
para o açúcar da Tailândia 
Embora o clima seco tenha benefi-ciado 
a produção de açúcar na safra atu-al, 
a falta de chuvas deverá comprometer 
o próximao ciclo (2014/15) devido ao fra-co 
desenvolvimento dos canaviais colhi-dos 
no período anterior. Desde novem-bro, 
as chuvas diminuíram nas principais 
regiões produtoras de cana-de-açúcar da 
Tailândia. 
Entre janeiro e fevereiro, as chuvas fi-caram 
90% abaixo da normal nas principais 
regiões canavieiras do País, enquanto em 
março a precipitação ficou 33,5% abaixo 
da média histórica. No mês de abril, houve 
uma melhora, com chuvas 41,2% acima do 
esperado, porém em volume ainda insufi-ciente 
para compensar os três meses ante-riores 
de estiagem. Não colaborando com 
o quadro de seca, em maio as chuvas nas 
principais regiões canavieiras da Tailândia 
estiveram 16,5% abaixo do que era espe-rado 
para o mês. 
Diante desse cenário, a Datagro Con-sultoria 
reduziu sua projeção para a produ-ção 
de açúcar na Tailândia na safra 2014/15: 
de 11,29 milhões de toneladas para 10,85 
milhões de toneladas, queda de 3,9% ante 
o observado no ciclo anterior. A projeção 
revisada com recuo deve-se à perspectiva 
de uma menor quantidade de cana para ser 
processada.
20 Outubro · 2014 
Deu Dilma! 
E como fica a cana? 
CAPA 
SETOR VIVE A EXPECTATIVA DE QUE A PRESIDENTE DILMA, EM SEU SEGUNDO 
MANDATO, ADOTE POLÍTICAS PÚBLICAS DE VALORIZAÇÃO DA AGROENERGIA
21 
O setor sucroenergético foi um 
dos segmentos econômicos que 
mais sofreu com o rali dessas 
eleições presidenciais. Sentindo-se aban-donados 
pelo governo Dilma, os empre-sários 
da agroindústria canavieira se ape-garam 
aos candidatos que defendiam as 
energias renováveis e abertos à adoção de 
medidas que tirem o setor desse cenário 
caótico: dívidas, recuperação judicial, fe-chamento 
de unidades e estagnação. 
O pessoal da cana começou timida-mente 
apoiando Aécio Neves (PSDB). Com 
a subida de Marina Silva (PSB), as atenções 
se voltaram para a candidata, mas com a 
ascensão de Aécio e a real possibilidade 
de vitória o setor se animou e muitos de 
seus integrantes e alguns de seus líderes 
ousaram apoiar abertamente o candidato 
tucano. 
O não apoio à candidata Dilma Rou-sseff 
(PT) tinha razões claras, com raízes 
que começaram por volta de 2004: emba-ladas 
pela crescente demanda por etanol 
para atender o mercado interno de car-ros 
flex e motivadas pela campanha do ex 
-presidente Lula de que o etanol da cana 
ia abastecer o mundo, até 2008, as usinas 
Luciana Paiva 
Em seu auge na campanha presidencial, Marina Silva visitou a Fenasucro e cativou o setor
22 Outubro · 2014 
se endividaram com empréstimos para 
expandir a produção e implantar novas 
unidades. 
Mas o mercado externo não se abriu 
e, pior, com o pré-sal, o foco do governo 
federal deixou de ser os combustíveis re-nováveis. 
Assim, o etanol, que em 2010 
chegou a ser o combustível preferido dos 
brasileiros, ultrapassando o consumo de 
gasolina, foi declinando a partir de 2011. 
Sem reajustes de preços da gasolina, o 
etanol perdeu competitividade. Outro fa-tor 
que o enfraqueceu foi o fim da cobran-ça 
da Cide (Contribuição de Intervenção 
no Domínio Econômico) sobre a gasoli-na, 
para impedir o aumento de preço do 
produto. A CIDE foi reduzida gradualmen-te 
de R$0.28/L em maio de 2008 para zero 
em junho de 2012. Segundo levantamento 
do Itaú BBA, essa redução gradual da CIDE 
desde maio de 2008 representa uma per-da 
para o setor de R$ 16 bilhões. 
O quadro, já feio, se agravou com 
a crise financeira internacional em 2008, 
com intempéries climáticas, mecanização 
nos canaviais e gestões equivocadas. Com 
tudo isso, muitas empresas não consegui-ram 
honrar os compromissos, e fecharam 
as portas, mudaram de mãos ou estão em 
recuperação judicial. 
De acordo com a União da Indús-tria 
da Cana-de-Açúcar (Unica), as usinas 
em todo o país devem encerrar a safra 
2014/2015 devendo 110% de seu fatura-mento. 
Apenas nos últimos dois anos, fo-ram 
cortados 60 mil empregos diretos no 
Aécio: o preferido do setor sucroenergético 
CAPA
23
24 Outubro · 2014 
setor produtivo, de acordo com dados da 
entidade. A receita para o ciclo foi estima-da 
em cerca de R$ 70 bilhões, e a dívida é 
de R$ 77 bilhões. De 2008 para cá, 66 usi-nas 
fecharam as portas e 58 estão em re-cuperação 
judicial, segundo a MB&F Agri-business. 
E mais 30 estão prestes a pedir 
recuperação judicial. Juntas, as dívidas so-mam 
R$ 11 bilhões, de acordo com levan-tamento 
da RPA Consultoria. 
Polos canavieiros respondem 
à crise da cana e votam Aécio 
Considerado como responsável di-reto 
pela crise sucroenergética, o governo 
Dilma foi reprovado nos principais muni-cípios 
canavieiros. No estado de São Pau-lo, 
responsável por 60% da produção na-cional 
de cana-de-açúcar, Aécio obteve 
64,31%, contra 35,69% de Dilma, enquan-to 
que em Sertãozinho, maior polo su- 
ESTA FOI A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL MAIS DISPUTADA DA HISTÓRIA 
3 pontos percentuais de diferença 
CAPA
25 
croenergético do mundo, Aécio chegou a 
73,15%. Em Ribeirão Preto, terra do petis-ta 
Palocci, Aécio cravou 69,89%. 
Ainda no estado paulista, em Ca-tanduva, 
Aécio conquistou 76,31%; em 
Araçatuba, 69,05%; São José do Rio Pre-to, 
70,52%; Piracicaba, 76,25%; Capiva-ri 
78,24%; Orlândia, 70,55%; Jaboticabal, 
76,31%, Lençóis Paulista 78,92%; e Maca-tuba, 
73,23%. 
Em Goiás, segundo maior produtor 
de cana, em Rio Verde, Aécio chegou a 
64,90%. Em Mato Grosso do Sul, em Dou-rados, 
Aécio obteve 61,87%. No Paraná, o 
tucano conquistou 65,94% em Maringá, e 
71,18 em Cianorte. 
Em Alagoas, maior produtor de cana 
do Nordeste, Dilma obteve 62,12%, mas 
perdeu em Coruripe, município sede da 
maior unidade sucroenergética do Nor-
26 Outubro · 2014 
te/Nordeste, a Usina Coruripe, onde Aé-cio 
conquistou 54,53%. E em São Miguel 
dos Campos, terra da Caeté e da maior 
unidade de etanol 2G do Hemisfério Sul, a 
Granbio, Aécio obteve 62,59%. 
Mas, realmente, Minas Gerais não 
ajudou. Em Uberaba, no triângulo-minei-ro, 
maior polo canavieiro do estado, Aé-cio 
obteve 42,40%; em João Pinheiro, Dil-ma 
chegou a 63,86%. Em Minas, a exceção 
ficou por conta da pequena Araporã, onde 
fica a usina Alvorada. Lá deu Aécio, com 
51,67%. 
Mas deu Dilma e 
como fica a cana? 
O setor sucroenergético sentiu na 
pele um dos lados negativos da personali-dade 
da presidente Dilma: retaliar seus de-safetos, 
mesmo que isso preju-dique 
o país. 
Deixou claro que 
não gostava de usinei-ros 
e que não confiava neles. Assim, o di-álogo 
entre as partes foi conturbado e a 
tomada de decisão a favor da agroener-gia 
foi pífia. 
Sabe-se que mais usinas fecharão 
caso o governo não altere sua política 
para o setor do etanol. Segundo a Unica, 
ainda não se pode prever quantas plan-tas 
poderão parar em 2015. Mas consul-torias 
apontam que ao menos dez usinas 
deixarão de processar por dificuldades fi-nanceiras 
na próxima safra e que, das 346 
em atividade, 60% correm o risco de fe-char 
as portas ou mudar de dono em dois 
ou três anos. Por isso, a incerteza paira so-bre 
os canaviais e os integrantes do mun-do 
da cana perguntam: 
Dilma aumentará 
a retaliação ao 
setor, após o 
apoio a Aécio? 
OU 
Mudará sua 
conduta em 
relação ao setor 
sucroenergético? 
Elizabeth Farina 
espera que a 
Dilma cumpra 
o que anunciou 
em seu primeiro 
pronunciamento 
após eleita 
CAPA
27 
A opinião da Unica 
Em seu primeiro pronunciamento 
após ser reeleita, Dilma disse que “será a 
Presidente do diálogo, da mudança e que 
apoiará setores produtivos e, em especial, 
a indústria.” Elizabeth Farina, presiden-te- 
executiva da Unica, espera que Dilma 
cumpra o que anunciou. Farina enfatiza 
que o diálogo direto e recorrente é uma 
demanda antiga do setor sucroenergético 
que está pronto para iniciá-lo. “Sempre ti-vemos 
interlocução com diferentes minis-térios, 
mas o que precisamos é olhar para 
frente, manter um diálogo direto com a 
Presidente e saber o que vai mudar em re-lação 
à política energética do governo, em 
particular o etanol e a bioeletricidade.” 
“O governo precisa mudar já” 
Celso Torquato Junqueira Franco, 
presidente da União dos Produtores de 
Bioenergia (Udop) diz que o resultado das 
eleições Presidenciais, dão claros sinais de 
necessidade de correção de rumos pelo 
governo. “O Brasil que produz deixou cla-ro 
o desejo por mudanças”, afirma Franco, 
salientando que espera que Dilma cumpra 
o que se propôs. “As primeiras declarações 
da Presidente indicam abertura para diá-logos, 
mudanças nos Ministérios e efeti-vo 
combate à corrupção”, relembra o Pre-sidente 
da Udop. 
Para ele, é necessário que o gover-no 
recupere imediatamente a credibilida-de, 
nomeando o novo Ministro da Fazen-da, 
com esclarecimento para a sociedade, 
da correção de rumos da política fiscal e 
econômica. E que a mudança aconteça 
não só em relação ao setor sucroenergéti-co. 
“O governo deve pressionar as institui-ções 
para dar celeridade às investigações, 
julgamentos e condenações de todos os 
envolvidos na operação Lava-jato, garan-tindo 
independência e isenção política no 
processo, reduzindo o período de gran-de 
instabilidade política e de credibilida-de 
das instituições e principalmente do 
governo.” 
Franco diz que o segundo manda-to 
já começou dia 27 de outubro, pois a 
sociedade já espera ações imediatas, no 
sentido das mudanças propostas pela Pre-sidente 
e desejadas pela sociedade. “O 
tempo joga contra o Governo, que precisa 
aliviar a pressão, com o devido senso de 
urgência. Caso contrário, poderá perder o 
“O segundo 
mandato já 
começou”, 
diz Celso 
Junqueira 
Franco
28 Outubro · 2014 
controle da situação.” 
Certamente haverá tentativa de apro-ximação 
com lideranças de seguimentos 
importantes da economia brasileira, o que 
pode sempre ser positivo, comenta Fran-co. 
Mas, segundo ele, o êxito vai depen-der 
das pessoas nomeadas para esta inter-locução, 
bem como a estrutura funcional 
dos ministérios, que devem ter autonomia 
e agilidade para tomar atitudes imedia-tas, 
senão rapidamente também cairá no 
descrédito. 
“O governo vai mudar 
seu posicionamento 
em relação ao setor” 
Esta é a opinião de Plínio Nasta-ri, 
presidente da Datagro Consultoria. Se-gundo 
ele, está ficando evidente a gran-de 
contribuição que este setor dá para o 
balanço de pagamentos, no momento em 
que o déficit em conta corrente atinge ní-veis 
preocupantes. “No discurso de vitó-ria, 
a presidente Dilma deixou claro que 
pretende unir o país num projeto único de 
desenvolvimento. O setor da cana é um 
dos maiores vetores de desenvolvimento 
no interior, além de contribuir para o meio 
ambiente e o aumento da renda do setor 
agrícola.” 
“A retaliação já foi, acho 
que agora vem a conciliação” 
Maurílio Biagi Filho, presidente do 
Grupo Maubisa, já integrou o Conselho 
de Desenvolvimento Econômico e Social 
da Presidência da República, criado pelo 
ex-presidente Lula. Maurilio continuou in-tegrando 
o Conselho no governo Dilma, 
mas como ouvir conselhos não é o for-te 
da Presidente, Maurilio não sentiu mais 
utilidade na sua permanência. 
Para ele, a retaliação ao setor já foi. 
“Acho que agora vem a conciliação. A pre-sidente 
reeleita chegou até a usar o se-tor 
em sua propaganda”, comenta. Em sua 
opinião, o setor deve ter pessoas (do se-tor 
ou contratadas) com liderança for-te, 
que tenham bom trânsito e a empatia 
do governo. “E além dos temas tradicio-nais 
pelos quais lutamos, é preciso apre- 
“No discurso de vitória, a presidente Dilma 
deixou claro que pretende unir o país num 
projeto único de desenvolvimento”, diz Nastari 
CAPA
29 
sentar propostas com ideias novas e que 
sejam viáveis ao governo e ao setor priva-do”, 
orienta. 
O empresário salienta que o governo 
só precisa mostrar um gesto de boa von-tade 
para indicar que inicia uma nova fase. 
“O governo tem bala na agulha para mu-dar 
o cenário do setor. Mas se não o fizer 
logo, será um mal sinal.” 
mente dependentes de políticas públicas 
e que têm trazido grandes prejuízos ao se-tor 
sucroenergético, à Petrobras e ao Bra-sil. 
São razões mais que suficientes para 
que o governo mude sua atuação. Rezo 
para que haja bom-senso e as mudanças 
ocorram”, diz Alexandre Figliolino, diretor-comercial 
do Itaú BBA. 
Figliolino salienta que parte dos ele-vados 
gastos com importação de petróleo 
e derivados nos últimos anos poderia ter 
sido evitada se o ambiente para o inves-timento 
no setor sucroenergético tivesse 
sido mais atrativo, o que também teria con-tribuído 
para a criação de empregos e ge-ração 
de renda. De maneira semelhante, se 
mais estímulos tivessem sido direcionados 
à produção de energia a partir de bagaço, 
um número menor de ineficientes termelé-tricas 
estaria atualmente em operação. 
De acordo com o executivo do Itaú 
BBA, investimentos em cogeração pode-rão 
se acelerar se: forem realizados lei-lões 
de energia por região e por fonte, e o 
preço teto aumentar, iniciando em R$200/ 
MWh. O aumento da cogeração também 
contribuiria para a elevação da competiti-vidade 
do etanol dada a sinergia existente 
na produção dos dois produtos. 
Governo de Minas 
será o interlocutor 
com o Governo Federal 
Entre os principais estados cana-vieiros, 
Minas Gerais foi o único que não 
“Rezo para que 
haja mudanças” 
“Vivemos hoje uma situação de enor-me 
‘perde-perde’ no que tange à situa-ção 
energética brasileira, seja na área dos 
combustíveis líquidos, seja no setor elétri-co; 
dois segmentos regulados, extrema- 
“Há muitas razões para que o governo 
mude sua atuação”, salienta Figliolino
30 Outubro · 2014 
deu Aécio. Além disso, o governador elei-to 
por Minas, Fernando Pimentel, é do PT, 
e considerado uma força atuante dentro 
do partido. Fato que, segundo Mário Cam-pos 
Filho, presidente da Associação das 
Indústrias Sucroenergéticas de Minas Ge-rais 
(Siamig), credencia Pimentel como um 
interlocutor do setor junto à presidente 
Dilma. 
Campos conta que o futuro governa-dor 
de Minas é um político técnico, preo-cupado 
com o desenvolvimento regional 
e que vê o etanol com bons olhos. “Além 
dele, Dilma foi muito bem votada no triân-gulo- 
mineiro – principal região canaviei-ra 
do estado. Os prefeitos da região têm 
bom acesso ao governo federal e deve-rão 
somar esforços com Pimentel em prol 
do setor. Renan Filho, eleito governador 
de Alagoas, é outra voz que poderá se le-vantar 
em apoio ao etanol”, complemen-ta 
Campos. 
O presidente da Siamig observa que 
as articulações entre os integrantes do se-tor 
já começaram e Minas atua como um 
bombeiro, apagando os conflitos entre se-tor 
e governo, agravados após o posicio-namento 
a favor de Aécio. Para Campos, 
durante uma eleição, as entidades de clas-se 
devem optar pela neutralidade. Como 
bom mineiro, prega a prudência e que o 
melhor é não se posicionar, para não so-frer 
consequências. 
Primeiro passo: 
a volta da CIDE 
O primeiro sinal que o governo po-derá 
dar em direção à retomada do setor 
é promover o retorno da CIDE. “A valori-zação 
da energia limpa e renovável pode 
ser obtida pela taxação do combustível 
e energia fóssil e poluente. A CIDE sobre 
a gasolina pode assumir esse papel”, diz 
Farina. 
CAPA 
Mário: “Minas atua como bombeiro” 
“Frente Parlamentar se mobiliza para 
a volta da CIDE”, diz Arnaldo Jardim
31 
Para Plínio Nastari, o governo deve 
recuperar o valor da CIDE, e promover um 
reajuste no preço da gasolina para que 
a Petrobras retome sua geração de cai-xa 
a fim de cumprir o seu programa de 
investimentos. 
Mário Campos e Alexandre Figliolino 
também defendem a volta da CIDE como 
um reconhecimento das externalidades 
positivas do etanol. 
O deputado federal Arnaldo Jardim, 
O que é preciso para 
a retomada do setor 
Mas não basta o retorno da CIDE, au-mento 
no peço da gasolina, ou a elevação 
momentânea da mistura de etanol à gaso-lina 
para que voltem os investimentos. Para 
Farina, é preciso que o governo dê clare-za 
para o setor, definindo o papel reserva-do 
ao etanol e à bioeletricidade na matriz 
energética brasileira, de forma a pro-por 
ações consistentes que estimulem os 
investimentos. 
Figliolino 
também salien-ta 
a importân-cia 
da definição 
do papel do 
etanol hidrata-do 
na matriz de 
combustíveis lí-quidos 
no Bra-sil. 
“Regras mais 
previsíveis são 
imprescindíveis 
para o retorno 
do investimento 
ao setor”, diz. Segundo ele, o primeiro mo-vimento 
em relação ao crescimento será de 
pequenas ampliações e otimização nas uni-dades 
já existentes, aliando algum cresci-mento 
horizontal com crescimento vertical, 
tais como cogeração e outros agregadores 
de valor que aumentem a competitivida-de 
das empresas em relação aos produtos 
principais, o açúcar e o etanol. 
O setor preferia Aécio, mas os grandes 
grupos sucroenergéticos também 
doaram para a campanha da Dilma 
líder da Frente Parlamentar pela Valori-zação 
do Setor Sucroenergético, diz que 
a volta da CIDE é o assunto número 1 na 
pauta da Frente e que a articulação por 
parte de seus integrantes é intensa junto 
ao governo para que isso ocorra.
32 Outubro · 2014 
ESPECIAL RH 
Condições 
sanitárias 
dignas aos 
rurícolas 
SAULO HARUO OHARA
33 
O setor sucroenergético nacio-nal 
passou por muitas transfor-mações 
ao longo dos séculos. 
Os engenhos do período colonial deram 
lugar às usinas de açúcar e álcool. Estas, 
por sua vez, se tornaram as atuais indús-trias 
sucroenergéticas. A evolução não se 
deu apenas no ponto tecnológico, mas 
também nas relações de trabalho: come-çou 
com a escravidão e, hoje, o setor figu-ra 
como um dos segmentos econômicos 
mais avançados no quesito de boas práti-cas 
de trabalho. 
Segundo o diretor executivo do Gru-po 
de Estudos em Recursos Humanos na 
Agroindústria (Gerhai), José Darciso Rui, 
durante o período de expansão da cul-tura, 
ocorrido principalmente a partir da 
Leonardo Ruiz 
BOAS PRÁTICAS NO AMBIENTE DE TRABALHO GERAM SATISFAÇÃO DOS 
PROFISSIONAIS, ENGAJAMENTO COM A EMPRESA E MAIOR PRODUTIVIDADE 
Cuidando de gente 
SAULO HARUO OHARA 
O setor sucroenergético passou a ser exemplo de empresa socialmente responsável
34 Outubro · 2014 
década de 1970, quando foi criado Pro-grama 
Nacional do Álcool (Proálcool), a 
maioria das usinas possuía uma gestão fa-miliar 
bastante arcaica. Ele conta que elas 
entendiam que pagar um processo traba-lhista 
era mais barato do que cumprir a lei. 
“Aos poucos, as empresas foram se pro-fissionalizando 
e percebendo que o ideal 
era não ter problema trabalhista, pois esse 
tipo de ação poderia, até mesmo, gerar 
uma eventual paralisação.” Rui afirma que, 
a partir dos anos 90, as empresas passa-ram 
a ter outra visão do mundo trabalhis-ta. 
“Desde então, elas se preocupam em 
ESPECIAL RH 
A Greve dos cortadores de 
cana de Guariba, ocorrida em 
1984 e que exigia melhores 
condições de trabalho, 
entrou para a história e 
estimulou mudanças 
BANCO DE DADOS INTERNET 
Na Usina Santa Isabel, 
monitoramento para o 
uso correto da utilização 
dos equipamentos 
de proteção 
individual (EPIs) 
BANCO DE IMAGENS DO INPEV
35 
cumprir as leis e manter uma boa relação 
de trabalho.” 
A gerente de RH da Usina Santa Isa-bel, 
Márcia Eligia Marques Ferreira, con-ta 
que a situação dos cortadores de cana 
não era modificada, em parte, devido à re-sistência 
dos próprios trabalhadores. Se-gundo 
ela, quando a jornada de trabalho 
começou a ser reduzida, houve diversos 
ras extras de trabalho. Além disso, todas 
as condições de trabalho no canavial são 
monitoradas, como a utilização dos equi-pamentos 
de proteção individual (EPIs) e o 
cumprimento da jornada de trabalho”. 
Um ponto fundamental nessa evo-lução 
é o Compromisso Nacional para 
Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na 
Cana-de-Açúcar, firmado entre o Gover- 
José Darciso Rui: “A partir dos anos 90, as empresas passaram a se 
preocupar em cumprir as leis e manter uma boa relação de trabalho” 
ARQUIVO CANAONLINE 
protestos porque os profissionais queriam 
fazer mais horas extras. 
Segundo Márcia, aos poucos, o Mi-nistério 
do Trabalho e Emprego foi fazen-do 
suas exigências e a empresa, sem ceder 
à pressão dos trabalhadores, se adequou 
à legislação. “Hoje, por exemplo, procu-ramos 
não fazer mais do que duas ho-no 
Federal, entidades de trabalhadores e 
os empresários do setor sucroenergético 
em 25 de junho de 2009. O Compromis-so 
é resultado de uma experiência inédita, 
no Brasil, e construiu um acordo históri-co 
para valorizar e disseminar as melhores 
práticas trabalhistas na lavoura da cana-de- 
açúcar e promover a reinserção ocupa-
36 Outubro · 2014 
cional dos trabalhadores desempregados 
pelo avanço da mecanização da colheita. 
Salário não é tudo 
Independente da criação de Com-promissos 
e do cumprimento de leis, para 
a consultora Beatriz Rossi Resende de Oli-veira 
as empresas entenderam que pro-porcionar 
condições básicas de trabalho 
é essencial para que as pessoas tenham 
boa produtividade e rendimento, e pos-sam 
sentir que estão sendo cuidadas pela 
organização. 
Estão percebendo também que ofe-recer 
um salário atrativo é bom, mas não 
é tudo. É preciso promover políticas de re-conhecimento 
de competências, oportu-nidades 
de desenvolvimento educacional 
e profissional, ambiente de trabalho agra-dável, 
além de benefícios adequados às 
práticas de mercado. Para Beatriz, a alian-ça 
desses fatores irá fazer com que o fun-cionário 
permaneça fiel à empresa que 
trabalha, mesmo diante de ofertas tenta-doras, 
e produza ainda mais. “A equação é 
simples. Se somarmos um profissional ca-pacitado 
e estimulado, com desafios, boas 
condições de trabalho, reconhecimento e 
liderança, o resultado será maior produti-vidade”, 
afirma Beatriz. 
A consultora salienta ainda que se vê 
hoje programas diferenciados para que as 
ESPECIAL RH 
Além de salários atrativos, as empresas devem oferecer atrativos e valorização profissional 
SAULO HARUO OHARA
37
38 Outubro · 2014 
pessoas se sintam capacitadas, entrosadas, 
comprometidas, engajadas e felizes. Diver-sas 
usinas, por exemplo, contam com pro-gramas 
educacionais para os funcionários. 
Outras contam, até mesmo, com corais, gru-pos 
de dança, transmissão de programas 
internos de rádio, além de outros projetos 
específicos. Com relação a outros benefí-cios, 
como assistência médica e odontoló-gica 
e auxílio farmácia, Beatriz afirma que 
estes funcionam como um complemento 
ao salário, agindo, também, como um item 
de retenção. E mostram que o setor sucro-energético 
faz muito mais que atender às 
normas regulamentadoras (NRs). 
Quanto mais valorizado, 
mais o colaborador se engaja 
A Usina Nardini, localizada em Vis-ta 
Alegre do Alto, SP, conta com um gran-de 
leque de benefícios para seus funcio-nários, 
que vão desde previdência privada, 
e assistência médica e odontológica, até 
restaurantes e ticket alimentação. “O que 
vemos é que, quanto mais você valoriza, 
mais o colaborador produz e se engaja 
com o projeto e os objetivos da empresa”, 
conta o gerente de RH da Usina Nardini, 
Gilmar Miranda. 
A Nardini possui, também, diversos 
projetos e programas que visam ajudar, 
ESPECIAL RH 
Gilmar Miranda, da Usina Nardini, conta que a empresa possui um grande leque de benefícios 
DIVULGAÇÃO USINA NARDINI
39 
não só os colaboradores da empresa, mas 
também a comunidade em que está inse-rida. 
Desenvolvimento de lideranças para 
o grupo, programas de saúde ocupacional, 
prevenção a doenças, e eventos relaciona-dos 
à segurança do trabalho e conscien-tização 
do meio ambiente são constantes 
no calendário da companhia. 
Uma das iniciativas que ganhou des-taque 
nos últimos anos e que teve seu 
encerramento em setembro de 2014 foi 
o Projeto de Inclusão, iniciado em 2007. 
O objetivo foi oferecer auxílio para que 
os professores da rede pública de ensino 
possam atuar junto ao público com defici-ência 
nas cidades vizinhas à empresa. Fo-ram 
oferecidas também atividades espe-cíficas 
de qualificação profissional para os 
PcD’s, que incluíam cursos de almoxarife, 
auxiliar de logística e assistente adminis-trativo. 
Ao todo, durante o projeto, foram 
capacitados 300 professores e 150 pesso-as 
com deficiência. Entre eles, colaborado-res 
da Nardini Agroindustrial. 
É fundamental reter talentos 
Para o gerente de RH do Grupo San-ta 
Terezinha, Waldomiro Baddini, o cola-borar, 
estando satisfeito com a empresa 
em que trabalha e tendo uma boa condi-ção 
em seu seio familiar, irá produzir mais. 
“Nos dias de hoje, a retenção é fundamen-tal. 
É nesse momento, portanto, que entra 
a questão dos benefícios ofertados. Eles 
Atualmente, muitas empresas contam com farmácias próprias em suas 
unidades, que disponibilizam medicamentos a custos mais baixos 
DIVULGAÇÃO USINA SANTA TEREZINHA
40 Outubro · 2014 
fazem com que se tenha uma fidelidade 
maior.” 
Preocupação com a saúde de seus 
colaboradores é uma das características 
do grupo Santa Terezinha, que possui oito 
unidades de produção no Estado do Para-ná. 
Além de oferecer planos de saúde de 
ponta a seus funcionários e contar com 
farmácias próprias em todas as unidades, 
que disponibilizam medicamentos a cus-tos 
mais baixos, o Grupo desenvolve pro-gramas 
que visam melhorar a saúde dos 
colaboradores. 
Um deles é o Programa Nacional de 
Tratamento e Controle do Tabagismo – 
Pare de Fumar. Desenvolvido pela Secre-taria 
de Saúde de Rondon, PR, em parce-ria 
com a Usina Santa Terezinha, Unidade 
Rondon, o programa consiste na reali-zação 
de encontros na unidade coman-dados 
por profissionais de enfermagem, 
medicina e odontologia. Para participar, 
o colaborador precisa apenas ter vonta-de 
e disposição para deixar o tabaco. O 
grupo formado em 2014 possui 18 ins-critos, 
sendo que destes, nove já larga-ram 
definitivamente a dependência do 
tabaco. 
O Grupo Santa Terezinha realiza, 
também, campanhas de vacinação con-tra 
gripe. Além de imunizar os colabora-dores 
interessados, chama a atenção so- 
ESPECIAL RH 
Márcia Benassi afirma que ofertar plano de saúde 
ao funcionário acaba por fidelizá-lo na empresa 
ARQUIVO CANAONLINE
41
42 Outubro · 2014 
bre os cuidados com a saúde e prevenção 
de doenças, além de palestras sobre de-pendência 
química. Ainda relacionado ao 
bem-estar de seu pessoal, a empresa ofe-rece, 
em seus refeitórios, uma alimentação 
saudável e realiza campanhas de combate 
à obesidade e outras doenças por meio da 
alimentação. 
Corpo em movimento 
Logo às 7 horas da manhã, 150 cor-tadores 
de cana da Usina Diana, localiza-da 
no município paulista de Avanhanda-va, 
fazem o aquecimento do corpo. Todas 
as manhãs, antes do início da jornada de 
trabalho, estes trabalhadores participam 
de uma sessão de ginástica laboral. Com 
duração de 10 a 20 minutos, o exercí- 
ESPECIAL RH 
Nas unidades do Grupo Santa Terezinha 
existem diversos programas que visam 
melhorar a saúde dos colaboradores 
DIVULGAÇÃO USINA SANTA TEREZINHA 
É importante que as empresas possuam refeitórios em suas unidades, 
disponibilizando alimentação saudável aos colaboradores 
DIVULGAÇÃO AGRO SERRA
43 
cio visa melhorar a qualidade de vida dos 
colaboradores. 
Segundo o coordenador de RH da 
unidade, Wesley Monteiro Martinez, esse 
projeto teve início no final de 2012 e tem 
se mostrado muito eficiente, no sentido de 
preparar os colaboradores para suas tare-fas 
diárias, além de prevenir possíveis le-sões 
causadas pelo processo de trabalho. 
Entre os benefícios alcançados pela 
ginástica laboral, que teve seu início di-fundido 
a partir da Revolução Industrial, 
estão a redução na fadiga muscular, me-lhora 
geral da condição física e da dispo-sição 
do trabalhador, reeducação da pos-tura 
corporal, combate ao sedentarismo 
e redução dos níveis de estresse e tensão 
geral. 
Martinez ressalta que a prática ajuda 
também a tornar o ambiente de trabalho 
mais descontraído, pois os trabalhadores 
interagem uns com os outros. “Isto contri-bui 
para que o dia fique mais harmonio-so.” 
O objetivo agora, segundo o coorde-nador 
de RH, é expandir a atividade para 
outras áreas da usina, como a industrial, 
por exemplo. 
Áreas de vivência 
com excelência 
Por trabalharem muitas vezes em lo-cais 
distantes das unidades industriais, os
44 Outubro · 2014 
trabalhadores do campo, como operado-res 
de tratores e colhedoras, motoristas, 
cortadores e plantadores de cana, acabam 
sem muitas opções de locais para descan-sar, 
comer e realizar higienização adequa-da. 
A saída encontrada por muitas usinas 
é a instalação de tendas ou ônibus adap-tados. 
Mas não na Usinas Itamarati, sedia-da 
no Sudoeste do Mato Grosso, na cida-de 
de Nova Olímpia, a 200 km de Cuiabá. 
A empresa decidiu que era hora de 
garantir mais conforto e bem-estar para 
esses colaboradores. Adaptadas a par-tir 
de reboques, as chamadas “áreas de 
vivência” possuem dois sanitários cada, 
além de bebedouros, duchas, macas de 
ESPECIAL RH
45 
emergência, caixas de primeiros socorros, 
armários para objetos pessoais e espaços 
para guardar os materiais de sinalização 
no campo. E o respeito não é só ao traba-lhador, 
mas também ao meio ambiente, já 
que a energia consumida por elas é prove-niente 
de placas solares. 
Segundo o supervisor de carrega-mento 
e transporte da empresa, Thiago da 
Cunha Lopes, cerca de 700 pessoas circu-lam 
diariamente pelas sete áreas de con-vivência 
em funcionamento. “A Usinas Ita-marati 
realmente se preocupa com o seu 
trabalhador. Além de proporcionar mais 
conforto, essas áreas melhoraram, inclusi-ve, 
a convivência entre os colaboradores, 
DIVULGAÇÃO AGRO SERRA 
Atualmente, a prática da Ginástica 
Laboral é muito utilizada pelas 
unidades sucroenergéticas
46 Outubro · 2014 
ESPECIAL RH 
que passaram a se entrosar melhor, pois 
agora possuem local adequado para isso”, 
afirma Lopes. 
“Condomínio” Agro Serra 
Já pensou morar em um local onde, a 
poucos passos, você pode ter à sua dispo-sição 
salão de cabelereiro, manicure, pedi-cure, 
costureira, central de telefone públi-co 
com cabines individuais climatizadas, 
amplo refeitório supervisionado por nutri-cionistas, 
ambulatório médico totalmen-te 
equipado, além de áreas de lazer com 
mesas de jogos e imensas TVs? Provavel-mente 
sua resposta foi afirmativa, porém, 
se acha que falo de um condomínio resi-dencial 
de luxo ou de uma colônia de fé-rias, 
está enganado. Essas são apenas al-gumas 
das características de uma espécie 
de “vila“ disponibilizada aos funcionários 
Na Usinas Itamarati, as “áreas de vivência” são top 
CARLOS LUGLI
47 
do Complexo Agro Industrial da Agro Ser-ra, 
localizado em São Raimundo das Man-gabeiras, 
MA. 
Os alojamentos são ofertados gra-tuitamente 
aos colaboradores no momen-to 
em que são contratos pela empresa. 
Construída no ano de 1997, esta vila tem 
atualmente mais de 2.500 pessoas residin-do 
durante o período do trabalho. A maio-ria, 
cerca de 98%, é proveniente do Estado 
do Maranhão, vinda de cidades circunvizi-nhas, 
como Fortaleza dos Nogueiras, Nova 
Colinas, Loreto, São Raimundo das Man-gabeiras, 
Sucupira do Norte, Balsas, For-mosa 
da Serra Negra, Colinas e Mirador. 
Os alojamentos são compostos de 
quartos de duas, quatro, seis ou oito be-liches 
cada. Todos contam com colchões, 
ventiladores, armários individuais e tra-vesseiros. 
Bebedouros de água elétricos 
podem ser encontrados nos corredores 
dos alojamentos, disponibilizando água 
de boa qualidade e gelada. O diretor-pre-sidente 
da Agro Serra, Pedro Augusto Ti-cianel, 
ressalta as principais características 
do local. “Os alojamentos ainda possuem 
amplos banheiros com duchas individuais, 
e cabines telefônicas individuais, fechadas 
e totalmente climatizadas para oferecer 
melhor conforto e privacidade aos fun-cionários 
quando estão falando com seus 
familiares.” 
DIVULGAÇÃO ITAMARATI 
Na Itamarati, proteção com a pele do colaborador
48 Outubro · 2014 
Para a lavagem de roupas, a empresa 
oferece amplas lavanderias manuais e in-dustriais 
totalmente sem custo. “Nós pos-suíamos, 
ainda, uma lavanderia especifica 
para lavagem de roupas de aplicadores de 
defensivos totalmente isolada, com pesso-al 
capacitado na operação, evitando, des-ta 
forma, que outros funcionários tenham 
acesso ou contato. Tudo isso é feito pen-sando 
no bem-estar de nossos colabora-dores”, 
conta o diretor. 
O refeitório, segundo ele, possui ca-pacidade 
para fornecer cerca de 1.300 re-feições 
por hora. “Diariamente, são servi-das 
mais de oito mil refeições, sendo todas 
elas preparadas por cozinheiros experien-tes, 
supervisionadas por dois nutricio-nistas. 
Além disso, o refeitório é equipa-do 
com câmaras frias para estocagem de 
alimentos, fábrica de produção de gelo e 
reservatórios de água potável”, afirma Ti-cianel. 
O local possui ainda açougue, além 
de uma ampla panificadora, que produz 
pães, bolos, salgados, doces, tortas, entre 
outros quitutes. 
E não é só isso. Todos os colaborares 
são atendidos, sem custos, por uma exten-sa 
equipe médica, composta por dois mé-dicos 
do trabalho, dois dentistas, um fisio-terapeuta 
do trabalho, quatro enfermeiros 
ESPECIAL RH 
DIVULGAÇÃO AGRO SERRA 
Na Agro Serra, o lazer faz parte do pacote
49 
Os alojamentos da Agro Serra são interligados por 
passarelas para proteger os colaboradores do sol e da chuva 
DIVULGAÇÃO AGRO SERRA
50 Outubro · 2014 
do trabalho e oito técnicos de enferma-gem 
do trabalho, além de duas ambulân-cias 
para atendimentos de emergência. 
Já para as horas de descanso, o des-taque 
fica por conta das áreas de lazer, lo-calizadas 
entre os blocos de alojamentos, 
que contêm mesas de jogos e TVs de 52’. 
Estas, equipadas com uma extensa grade 
de canais à disposição dos colaborado-res. 
“Realizamos, ainda, eventos semanais, 
como festas de datas comemorativas, gin-canas, 
campeonatos, churrascos, banhos 
no Clube de Campo, torneios de futebol, 
shows com bandas regionais, além da tra-dicional 
Festa Junina ‘Arraiá da Agro Ser-ra’”, 
conta o diretor-presidente. 
O local onde se concentram os aloja-mentos 
possui uma estação de tratamento 
de água que faz a captação e tratamento 
desse bem para o consumo humano, além 
de outras aplicações no espaço. 
A Agro Serra também promove, por 
meio de Multiplicadores/Facilitadores, gi-nástica 
laboral para mais de mil trabalha-dores 
rurais que têm como principal ati-vidade 
o corte de cana, além de outros 
1.500 trabalhadores distribuídos nas áreas 
Agrícola, Industrial e Administrativa. 
Plano de saúde: dos 
benefícios que mais agradam 
Um dos benefícios mais importantes 
que uma empresa pode oferecer a seus 
funcionários é o plano de saúde. É que, 
por um valor bem mais em conta, abrange 
não somente o colaborador, mas também 
toda a família. As vantagens desses pla-nos 
empresariais, segundo Márcia Benassi, 
coordenadora comercial de bioenergia da 
São Francisco Saúde, são muitas. “O que 
fazemos é oferecer ao funcionário um pro-duto 
que muito dificilmente ele teria aces-so 
se não tivesse envolvido em um grupo 
empresarial.” 
Para a coordenadora, é importan-te, 
porém, que as empresas se atentem 
à questão da gestão compartilhada en-tre 
a operadora e a empresa, tratando, re-almente, 
da saúde do funcionário. “Sem-pre 
alertamos que não é apenas oferecer 
uma carteirinha de plano de saúde. É ne-cessária, 
também, a realização de progra-mas 
de conscientização a fim de ensinar 
essas pessoas como utilizar corretamente 
essa assistência médica.” 
Segundo Márcia, a empresa deve tra-balhar, 
junto a seu pessoal, a questão da 
prevenção, pois, muitas vezes, a pessoa 
busca assistência médica quando está do-ente, 
quando, na verdade, deveria buscar 
essa assistência para prevenir um possível 
adoecimento. 
A São Francisco Saúde trabalha, atu-almente, 
com 65 unidades sucroenergéti-cas, 
com diversos projetos voltados para 
a promoção da saúde dos colaborado-res. 
“Além de eventos de prevenção, dis-ponibilizamos 
funcionários para ajudar na 
prestação de informações e esclarecimen-to 
de dúvidas”, informa Márcia. 
ESPECIAL RH
51 
AS NORMAS REGULAMENTADORAS NR’S 
Elaboradas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, as Normas Regulamentado-ras, 
conhecidas como NR’s, são de observância obrigatória de toda empresa ou 
instituição que admite empregados regidos pela Consolidação das Leis do Traba-lho 
(CLT). 
Entre as principais NR’s que envolvem ao setor estão: 
NR 5 - Comissão Interna de Prevenção de acidentes (CIPA): estabelece a criação de 
uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes em cada empresa, cujo objetivo 
é a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar 
compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção 
da saúde do trabalhador; 
NR 12 - Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos: o empregador deve 
adotar medidas de proteção para o trabalho em máquinas e equipamentos, capa-zes 
de garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores, como a demarca-ção 
de áreas de circulação, instalação de travas em máquinas móveis e armazena-mento 
correto das ferramentas; 
NR 31 - Segurança e saúde do trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura, explo-ração 
florestal e aquicultura: determina ao empregador garantir adequadas condi-ções 
de trabalho, higiene e conforto; realizar avaliações dos riscos para a segurança 
e saúde dos trabalhadores e, com base nos resultados, adotar medidas de preven-ção 
e proteção; promover melhorias nos ambientes e nas condições de trabalho e 
analisar, com a participação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes no Tra-balho 
Rural (CIPATR), as causas dos acidentes e das doenças decorrentes do traba-lho, 
buscando prevenir e eliminar as possibilidades de novas ocorrências; 
NR 33 - Segurança e saúde do trabalho em espaços confinados: cabe ao empre-gador 
identificar os espaços confinados e seus riscos, garantir a capacitação conti-nuada 
dos trabalhadores sobre os riscos, as medidas de controle, de emergência e 
salvamento nesses espaços, além de garantir que o acesso ao espaço confinado so-mente 
ocorra após a emissão, por escrito, da Permissão de Entrada e Trabalho.
52 Outubro · 2014 
Por que deixar a 
mudança para depois??? 
ECONOMIA
53 
Que em 2015 aconteçam as mudanças que o setor tanto pediu em 2014 
Nos aproximamos do final do ano 
e, sem dúvida, você leitor irá pro-meter 
a si mesmo coisas que de-vem 
mudar para o ano seguinte. Certa-mente 
essa é uma prática que acomete a 
todos durante o período de Festas. Pro-metemos 
ser melhores, fazer coisas dife-rentes, 
mudar a nossa rotina e construir 
uma nova vida, deixando para trás hábi-tos, 
erros, dificuldades e problemas. 
Qualquer semelhança com candida-tos 
em ano de eleição não é mera coinci-dência. 
As promessas de “governo novo”, 
de “governo melhor” e de “mudanças” são 
os principais motes eleitorais de quem 
concorre pelo nosso voto. 
Mas aí me pergunto: “Por que espe-rar 
sempre para o próximo ano o que po-demos 
ou devemos fazer hoje?” Se temos 
algo para fazer, que então seja logo feito 
para que possa, mais cedo, começar a dar 
resultados. 
Pensando sobre o setor sucroener-gético, 
passamos o mandato inteiro da 
presidente Dilma solicitando diversas mu-danças, 
a começar pela criação de uma 
*Marcos Françóia
54 Outubro · 2014 
ECONOMIA 
Ao longo das campanhas, os candi-datos 
sinalizaram positivamente ao setor, 
mostrando que desejam proximidade com 
ele. E tal como no “Ano Novo”, as espe-ranças 
dos canavieiros se renovam com a 
chegada do novo governo. 
Por mais que no curto prazo ainda 
haja dificuldades e sabendo que a situa-ção 
não será fácil para muitas empresas, 
devido ao alto grau de endividamento, 
outras logo estarão colhendo os frutos de 
suas ações e terão a rentabilidade de vol-ta 
mais rapidamente. 
Quem está no setor há tempos e 
quem o conhece de perto sabe de todos 
os problemas históricos já superados e 
continuam acreditando, mesmo após tan-tas 
intempéries, no potencial da cana-de 
-açúcar e do Brasil como produtor e ex-portador 
de açúcar e etanol. E para essas 
pessoas, dessa vez não será diferente. O 
setor irá ressurgir, tal como o sol do pri-meiro 
dia do novo ano. 
*Marcos Françóia, diretor da MBF Agribusiness 
política energética de longo prazo, con-sistente, 
que daria mais segurança aos in-vestidores 
estrangeiros para colocar nova-mente 
seus recursos no setor. Além disso, 
há anos reivindica-se um marco regulató-rio 
para o segmento. 
Fora isso, o setor insiste há bastante 
tempo pela elevação do preço da gasoli-na, 
para que o etanol pudesse voltar a ser 
competitivo. 
Vimos, durante os últimos tempos, 
cidades inteiras, como Sertãozinho (SP), 
sofrendo as consequências da falta de um 
diálogo amplo e de medidas eficazes para 
o setor canavieiro. O desemprego bate 
não somente à porta de quem está inti-mamente 
ligado a este negócio, mas de 
toda população. Sem empregos na indús-tria 
da cana, que sustenta a cidade, as pes-soas 
deixam de comprar e de usufruir de 
serviços, afetando também o número de 
postos nessas áreas. As empresas, sozi-nhas, 
tomaram a iniciativa de se reorga-nizar, 
se reestruturar para poder enfrentar 
toda essa crise. 
Quando este artigo for publicado 
já conheceremos quem será presidente 
do Brasil pelos próximos quatro anos, e é 
preciso que não fiquem somente nas pro-messas. 
É preciso agir rapidamente, reali-zar 
mudanças e criar políticas condizentes 
com a realidade, para que o País não con-tinue 
perdendo, uma vez que a indústria 
canavieira gera parte importante do Pro-duto 
Interno Bruto.
55 
HERBISHOW 
CADA VEZ MAIS UTILIZADOS PELAS USINAS BRASILEIRAS, OS 
MATURADORES SE TORNARAM UMA FERRAMENTA INDISPENSÁVEL 
PARA AUMENTAR O RETORNO FINANCEIRO DA EMPRESA 
Aumentado o 
ATR e diminuindo 
o florescimento 
Os maturadores possibilitam 
precocidade de maturação 
(aumentando, dessa forma, 
os teores de sacarose) e 
redução do florescimento 
TANIO MARCOS
56 Outubro · 2014 
Aumentar o teor de sacarose é um 
objetivo almejado por todas as 
usinas. Sejam elas de onde for. 
Uma das ferramentas que estão à dispo-sição 
dos produtores para que esse sonho 
se torne realidade é o maturador, produto 
cada vez mais presente no cotidiano das 
empresas. Com ele, é possível obter um 
manejo mais adequado da cultura, de ma-neira 
a se conseguir precocidade de matu-ração 
e redução do florescimento. 
Os maturadores são compostos quí-micos 
capazes de modificar a morfologia 
e a fisiologia vegetal, paralisar ou retar-dar 
o desenvolvimento vegetativo, indu-zir 
a translocação e o armazenamento dos 
açúcares, principalmente sacarose, além 
de atuarem sobre as enzimas invertases, 
podendo ocasionar modificações qualita-tivas 
e quantitativas na produção. 
Para o coordenador de marketing 
em cana-de-açúcar da DuPont, Jedir Fio-relli, 
o maturador deve ser usado por di-versos 
motivos, como para explorar o má-ximo 
potencial produtivo do canavial, 
obter excelente retorno financeiro e para 
aumentar o rendimento operacional da fá-brica. 
“Atualmente, cerca de 15% da área 
total de cana-de-açúcar no Brasil recebe 
aplicação de maturadores”. 
VITOR RAMOS 
HERBISHOW 
Leonardo Ruiz 
Os maturadores são, 
majoritariamente, aplicados 
no início de safra, quando o 
nível de ATR é mais baixo
57
58 Outubro · 2014 
Esta aplicação acontece, majorita-riamente, 
no início de safra, de fevereiro 
a maio no Centro-Sul, quando o nível de 
ATR (Açúcar Total Recuperável) é mais bai-xo. 
Nessa hora, o produto provoca uma 
espécie de estresse na cana, fazendo com 
que seja possível colhê-la mais cedo e 
com melhores taxas de ATR por tonelada. 
Já nas aplicações em final de safra, 
o produto age inversamente, ou seja, faz 
com que o nível de açúcar caia mais deva-gar, 
já que nessa época o ATR tende a re-cuar, 
pois a cana vem de um período com 
boas taxas de açúcar para, então, entrar 
em um período chuvoso, que é o de final 
de ano. 
Além dessas, existem também apli-cações 
de meio de safra, que exploram ao 
máximo o potencial de variedades alta-mente 
produtivas em caso de chuvas de 
inverno, que derrubam rapidamente a ma-turação 
do canavial. 
Atualmente, o maior mercado de 
maturadores é o de inicio de safra, che-gando 
a 80% das aplicações do produto. 
Benefícios 
Uma das vantagens decorrentes da 
utilização desse produto é a obtenção de 
uma matéria-prima com maior teor de sa-carose 
entregue nas pontas da safra, o que 
resulta em maior produtividade industrial. 
Além disso, ele possibilita estender a du-ração 
da safra com consequente aumento 
da quantidade de cana moída. 
Segundo o professor titular da Esco- 
ALE CAROLO 
Jedir Fiorelli: “Atualmente, cerca de 15% da área total de 
cana-de-açúcar no Brasil recebe aplicação de maturadores” 
HERBISHOW
59 
la Superior de Agricultura “Luiz de Quei-roz” 
(ESALQ), da Universidade de São Pau-lo 
(USP), Paulo Roberto de Camargo e 
Castro, entre os benefícios decorrentes 
da utilização dos maturadores estão o es-tabelecimento 
de uma estratégia para a 
produção agrícola e para a logística, de 
maneira a maximizar o fornecimento de 
material para a indústria com pontualida-de 
e qualidade adequadas. 
Com relação aos ganhos em logís-tica, 
Fiorelli, da DuPont, conta que se os 
custos forem colocados na ponta do lá-pis, 
é possível constatar que os ganhos fi-nais 
são exponencialmente maiores. “Se 
aumentarmos o ATR, o custo por quilo de 
açúcar transportado é menor, pois trans-portamos 
menos água para a usina”. 
O coordenador de marketing ressal-ta, 
ainda, que o modelo atual de colheita 
acaba por levar mais pontas para a indús-tria, 
fazendo com que o ATR seja pressio-nado 
para baixo. “Existem trabalhos que 
mostram que a concentração do que nos 
interessa está nos colmos e não nas pon-tas. 
É importante que o maturador ajude a 
diminuir este problema, contribuindo para 
o ganho de ATR também no ponteiro.” 
Na Usinas Itamarati, de Nova Olím-pia, 
MT, em 2014 quase 2.500 hectares re-ceberam 
a aplicação de maturador no 
sentido de buscar uma melhora de ATR 
no início da safra. O gerente de desenvol-vimento 
tecnológico da empresa, Rogé-rio 
Pontes Xavier, afirma que, neste caso, 
geralmente a aplicação é realizada com 
o intuito de promover um melhor ge-renciamento 
da colheita, sendo aplicado 
principalmente nas variedades precoces e 
médias. 
Ganhos de ATR durante a safra 
DUPONT
60 Outubro · 2014 
Rogério Pontes Xavier conta que a aplicação dos inibidores de florescimento 
é realizada nas variedades a serem colhidas do meio para o final de safra e 
que apresentam uma forte tendência ao florescimento/isoporização 
DIVULGAÇÃO USINAS ITAMARATI 
Xavier conta que o uso de maturador 
vem sendo utilizado há vários anos na em-presa. 
Porém, a aplicação desta tecnologia 
tem sido intensificada nos últimos anos. 
Variedades 
As perdas ocasionadas pelo manejo 
inadequado de variedades são enormes. 
Desta forma, é importante que o manejo 
com os maturadores esteja atrelado à cur-va 
de maturação das variedades. As canas 
precoces, por exemplo, respondem me-lhor 
à aplicação de maturadores no início 
da safra do que as médias e tardias. 
Segundo o professor da USP, as dife-rentes 
variedades de cana-de-açúcar po-dem 
responder aos agroquímicos de for-ma 
eficiente ou se mostrarem indiferentes 
à aplicação do maturador. “Mas devemos 
considerar que temos, pelo menos, três 
boas opções de fitoquímicos disponíveis 
no mercado com diferentes modos de 
ação e que as variedades respondem dife-rentemente 
em função do clima e do solo 
em que são cultivadas”, afirma Castro. 
Na Usina Jalles Machado, localizada 
no município de Goianésia, na Região do 
Vale do São Patrício, GO, as canas que re- 
HERBISHOW
61
62 Outubro · 2014 
cebem aplicação de maturadores são as 
canas precoces e médias, que serão colhi-das 
até o final de maio, e com idade mé-dia 
de 12 meses acima, e as canas médias, 
que estão em pivôs e que são colhidas de 
junho a agosto. 
A gestora de planejamento, pesquisa 
e desenvolvimento da empresa, Karoline 
Fernandes Rodrigues, conta que a unida-de 
utiliza maturadores desde 2007. “Neste 
ano, 23% da nossa área recebeu a aplica-ção 
do produto.” 
Inibindo o florescimento 
O maturador age, também, como 
um importante aliado das usinas na hora 
de inibir o florescimento da cana, proces-so 
muito comum que implica em diver-sas 
alterações morfofisiológicas na planta, 
gerando impactos desfavoráveis na área 
agrícola e industrial. As perdas provocadas 
pelo florescimento fazem com que todas 
as práticas investidas em tratos culturais, 
equipamentos de ponta e outras tecnolo-gias 
utilizadas no sistema produtivo, se-jam 
perdidas por meio dos baixos rendi-mentos, 
tanto em peso de colmos, quanto 
em eficiência de recuperação industrial. 
Estima-se que, em variedades florífe-ras 
colhidas em meio e final de safra que 
não sejam inibidas, as perdas podem che-gar 
a 30% (tha). Aumento do teor de fi-bra 
e decréscimo da umidade dos colmos 
também são prejuízos decorrentes des-se 
processo. O florescimento causa tam-bém 
a isoporização – ou chochamento –, 
que se caracteriza pelo secamento do in-terior 
do colmo e da perda de peso final, 
por conta da redução do volume de caldo. 
Os inibidores têm como função pau-sar 
o crescimento da planta que, desta for-ma, 
não emitem folhas novas, diminuindo 
o numero de células de cloroplasto e, con-sequentemente, 
de citocromos. Estes, em 
menor número, não são capazes de pro-duzir 
os estímulos necessários para o flo-rescimento, 
mesmo se todos os fatores, 
como clima e temperatura, induzirem a 
isto. 
Somente neste ano, a Usinas Ita-marati 
aplicou o inibidor de florescimen-to 
em 3.000 hectares. Neste caso, a apli-cação 
é realizada nas variedades a serem 
ARQUIVO CANAONLINE 
HERBISHOW
63 
colhidas do meio para o final de safra e 
que apresentam uma forte tendência ao 
florescimento/isoporização. 
Segundo o gerente de desenvolvi-mento 
tecnológico, Rogério Pontes Xa-vier, 
no caso do inibidor de florescimento 
para a região do Mato Grosso, a aplicação 
acompanha o período de indução do flo-rescimento, 
que geralmente acontece no 
período de 5 de fevereiro a 5 de março. 
Cuidados com a aplicação 
Existem certos fatores determinantes 
que influenciam na eficiência do produto. 
Como a aplicação é, normalmente, efetua-da 
através de pulverização aérea, é neces-sário 
que seja conduzida por um piloto ex-periente 
e com o auxílio de um pessoal de 
solo promovendo sinalização correta das 
áreas a serem tratadas. Ter cuidados com 
deriva, efeito de asa ou de cauda da aero-nave 
também são fatores de extrema im-portância 
para o sucesso da operação. 
Paulo Roberto de Camargo e Castro, 
da USP, afirma que a aplicação deve ser re-alizada 
preferencialmente pela manhã, a 
partir do nascer-do-sol, quando as plantas 
se encontram mais túrgidas e aptas a ab-sorver 
o agroquímico de forma mais efi-ciente. 
“Além disso, neste horário, geral-mente 
se tem ausência de ventos e maior 
umidade relativa do ar, fatores também fa-voráveis 
à pulverização”. 
Lembrando que esses fatores devem 
sempre estar dentro das recomendações 
técnicas, como umidade do ar acima de 
55%, temperatura abaixo de 30°C e velo-cidade 
do vento variando de 3 a 15 km/h. 
Ele conta, ainda, que o ideal é que 
haja umidade no solo por ocasião do pro-cesso. 
Porém, em caso de previsão de chu-vas 
ao longo do dia, o produtor deve adiar 
o procedimento, pois forte precipitação 
até seis horas após a pulverização geral-mente 
causa lixiviação do maturador e 
perda da aplicação. 
Estima-se que, em 
variedades floríferas 
colhidas em meio e final 
de safra que não sejam 
inibidas, as perdas podem 
chegar a 30% (t/ha)
64 Outubro · 2014 
Para a gestora de planejamento, pes-quisa 
e desenvolvimento da Jalles Macha-do, 
antes da aplicação, deve ser feito um 
planejamento de todas as áreas que re-ceberão 
o produto, onde serão confec-cionados 
os mapas de aplicação e con-sideradas 
as faixas de distância de APPs 
(Áreas de Preservação Permanente), cida-des 
e culturas vizinhas e tanques de pei-xe. 
“No momento do preparo da calda, 
deve-se utilizar todos os EPIs (Equipamen-tos 
de Proteção Individual), e fazer isola-mento 
da área a ser aplicada, checando se 
não há nenhuma atividade próxima”, rela-ta 
Karoline. 
Ela afirma, ainda, que a usina deve 
possuir pistas de pouso adequadas, se-guras 
e bem distribuídas, além de contar 
com GPS para mapear as áreas aplicadas. 
“Ao final do procedimento, deve ser feita a 
limpeza do tanque e dos bicos de aplica-ção 
e uma conferência das áreas aplicadas 
no escritório, verificando os mapas gera-dos”, 
finaliza. 
Recomenda-se que a aplicação 
de maturadores seja realizada 
preferencialmente pela manhã, a 
partir do nascer-do-sol, quando as 
plantas se encontram mais túrgidas 
e aptas a absorver o agroquímico 
de forma mais eficiente 
VITOR RAMOS 
HERBISHOW
65 
TECNOLOGIA AGRÍCOLA 
O Uso de tecnologias 
encurta a distância entre 
o campo e o escritório 
COM A UTILIZAÇÃO DE SOFTWARES, TOPOGRAFIA E AGRICULTURA 
DE PRECISÃO, É POSSÍVEL REDUZIR CUSTOS, TER UM MAIOR 
CONTROLE DAS OPERAÇÕES, MINIMIZAR FALHAS DE APLICAÇÃO 
E ALCANÇAR MELHORES RESULTADOS NO CANAVIAL 
Centro de Operações da 
Irrigação (COI): acompanha 
em tempo real as atividades 
Daniela Rodrigues – Usina Jalles Machado 
Fotos: Comunicação Jalles Machado 
Para aumentar a produtividade da 
cana, a Unidade Otávio Lage, que 
integra o Grupo Jalles Machado, de 
Goiás, investe em irrigação e fertirrigação 
com o uso das mais modernas tecnologias. 
Além de reduzir custos com mão de obra, 
a empresa consegue ter maior controle das 
operações e alcançar melhores resultados.
66 Outubro · 2014 
“Estamos em uma das regiões mais 
secas do País, por isso, um bom manejo 
de irrigação e investimentos em tecnolo-gia 
são fundamentais para se ter uma boa 
produtividade”, ressalta o gestor de irriga-ção, 
Patrick Francino. 
O uso de tecnologias encurtou a dis-tância 
entre o campo e o escritório. O Cen-tro 
de Operações da Irrigação (COI) é uma 
sala com monitores e computadores onde, 
com a utilização de softwares, é possível 
acompanhar, em tempo real, o andamen-to 
das atividades. 
Um destes sistemas permite rastrear 
os pivôs e, com o auxílio de um segundo 
software, ter total acesso e controle sobre 
os equipamentos. Também foi possível eli-minar 
os acidentes com os pivôs que, ape-sar 
de poucos, geravam custo para a em-presa, 
e reduzir a mão de obra, passando 
de 130 operadores para 77. 
Apontamentos que antes eram feitos 
no campo também passaram a ser realiza-dos 
no COI, via rádio. “Nesta sala, é possí-vel 
fazer toda a gestão do processo e toda 
a informação que precisamos é de lá que 
retiramos. Com isso, ganhamos mais agili-dade 
e temos um maior controle e confia-bilidade 
nos dados”, explica o coordena-dor 
de Irrigação, José Neto. 
No COI, também é feito o monito-ramento 
das atividades de fertirrigação 
com vinhaça. Pelo computador, são feitos 
o acionamento e o controle do nível de 
Com o uso de software, 
foi possível eliminar os 
acidentes com os pivôs 
TECNOLOGIA AGRÍCOLA
67 
cada tanque de vinhaça. 
Mas a tecnologia não está apenas no 
COI. Para garantir uma irrigação eficiente, 
os equipamentos de campo foram auto-matizados. 
Os pivôs rebocáveis possuem 
um sistema propulsor próprio, que se auto 
-reboca, não necessitando de trator, o que 
téis, por exemplo, são esticados de forma 
paralela, por um trator que utiliza dados 
georreferenciados (GPS). 
Treinamento 
A utilização de novas tecnologias 
requer uma mão de obra qualificada. A 
permitiu a retirada de dez tratores mé-dios 
da frota e de 36 operadores de má-quinas 
do processo, gerando uma grande 
economia. 
Topografia e Agricultura de Precisão 
são muito utilizadas para reduzir possíveis 
falhas de aplicação de vinhaça. Os carre-empresa 
criou um departamento para 
promover cursos de capacitação e qualifi-cação 
na área agrícola e, em parceria com 
o SESI, o SENAI e o SENAR, oferece treina-mentos 
para os colaboradores. 
No primeiro semestre deste ano, já 
foram treinados 192 colaboradores do Se- 
O Grupo Jalles Machado 
investe em irrigação e 
fertirrigação com o uso das 
mais modernas tecnologias
68 Outubro · 2014 
TECNOLOGIA AGRÍCOLA 
tor de Irrigação e Fertirrigação da Unidade 
Otávio Lage para operar pivô, motobom-ba, 
trator e GPS Barra de Luz, num total de 
3.712 horas de treinamento. 
O instrutor Bento Paulino explica a 
importância desse trabalho. “Buscamos 
sempre a segurança da aplicação da mão 
de obra no campo com operações bem 
feitas. Os treinamentos também contri-buem 
muito nos resultados finais de cus-tos, 
com maior disponibilidade de traba-lho 
do equipamento em campo e até nas 
medições de consumo de combustível”, 
ressalta. 
Mulheres no campo 
A utilização de todas essas tecnolo-gias 
também favoreceu o trabalho das mu-lheres 
no campo. Hoje, dos 173 colabora-dores 
da irrigação e fertirrigação, 44 são 
mulheres. “Elas estão em todas as funções 
do processo, desde a operação de moto-bombas, 
máquinas agrícolas e até cargos 
de liderança. São muito responsáveis, de-dicadas 
e extremamente cuidadosas com 
os equipamentos”, ressalta o coordena-dor 
de Fertirrigação e Irrigação, João Car-los 
Amorim. 
Jandira Alves de Brito Chaves, 47 
anos, é um exemplo. Ela iniciou na Unida-de 
Otávio Lage em 2010, como operado-ra 
de motobomba. Em 2011, fez o curso de 
operador de máquinas. Em 2013, foi pro-movida 
a líder de frente e hoje tem uma 
equipe de 30 pessoas. 
“Eu era dona de casa e resolvi traba- 
Os carretéis são esticados de forma paralela, por um 
trator que utiliza dados georreferenciados (GPS)
69
70 Outubro · 2014 
lhar na Unidade Otávio Lage. Voltei a es-tudar 
em 2011, fazendo o curso do EJA 
(Educação de Jovens e Adultos), e conclui 
o Ensino Médio em outubro de 2013, ofe-recido 
também pela empresa. E me deram 
oportunidade e eu me dediquei. Não ima-ginava 
que pudesse chegar tão longe a 
essa altura da vida”, ressalta. 
A líder de frente também faz planos 
No primeiro semestre deste 
ano, já foram treinados 192 
colaboradores do Setor de 
Irrigação e Fertirrigação 
da Unidade Otávio Lage 
A ex-dona de casa Jandira 
iniciou como operadora 
de motobomba, fez o 
curso de operador de 
máquinas e hoje lidera 
uma equipe de 30 pessoas 
para o futuro. “Tudo o que eu sei agradeço 
à empresa e não vou parar por aqui. Que-ro 
fazer o curso Técnico em Agricultura”, 
completa. 
TECNOLOGIA AGRÍCOLA
71 
SOLUÇÕES INTEGRADAS 
Novo canavial exige 
novas tecnologias 
O CANAVIAL GANHA HEAT®, NOVO HERBICIDA QUE PROMETE UM GOLPE 
FULMINANTE NAS PLANTAS DANINHAS DE FOLHAS LARGAS DE DIFÍCIL 
CONTROLE, PARA USO EM CANA-PLANTA ATÉ O QUEBRA-LOMBO, ASSOCIADO A 
GRAMINICIDAS. MAIS UM REFORÇO PARA O PACOTE DE SOLUÇÕES INTEGRADAS 
O produtor pode contar 
com novas tecnologias para 
produzir um canavial com alta 
concentração de biomassa
72 Outubro · 2014 
O canavial mudou. Cada vez me-nos 
o fogo faz parte do cená-rio. 
A cana crua ocupa o lugar da 
cana queimada. Na hora do corte, os fa-cões 
foram trocados pelas colhedoras e a 
palhada da cana passou a cobrir o solo. A 
palha trouxe ganhos agronômicos – como 
fornecimento de nutrientes – e ganhos 
econômicos ao servir como matéria-pri-ma 
para a produção de energia e etanol 
celulósico. 
No entanto, segundo Pedro Jacob 
Christoffoleti, pesquisador e professor da 
Esalq/USP (Escola Superior de Agricultu-ra 
Luiz de Queiroz), a extinção do fogo 
e a extensa camada de palha proporcio-nam 
alterações no microclima dos ca-naviais, 
como mudanças na intensidade 
de luz, na temperatura e na umidade do 
solo. Essas características alteraram a flo-ra 
infestante dos canaviais. Nos últimos 
anos, foi notado um aumento bastante 
expressivo de certas espécies de plantas 
daninhas que, até o início dos anos 2000, 
não eram facilmente encontradas, como 
Mamona, Mucuna, Merremias, Melão-de-são- 
caetano e Ipomeias. 
Chamadas de 4MI’s, essas daninhas 
de folhas largas tornaram-se um dos prin-cipais 
problemas desse novo canavial, que 
passou a existir com a mecanização da co-lheita 
de cana crua. Essas plantas, além de 
provocarem competição por água, luz e 
nutrientes, podem acarretar sérios proble-mas 
à colheita mecanizada, já que “embu-cham” 
as máquinas e impedem que a co-lheita 
seja normal. 
Para o consultor Weber Valério, só- 
SOLUÇÕES INTEGRADAS 
Luciana Paiva
73 
cio da Consult Agro e AgroAnalítica, quem 
passa sufoco para controlar gramíne-as 
deve rever seus métodos, pois não fal-tam 
boas opções de controle. Atualmente, 
para o consultor, o problema está em con-ter 
a disseminação das folhas largas. 
Chegou Heat® para o 
controle das folhas largas 
Ao encontro dessa necessidade do 
setor, a BASF lançou, neste mês de outu-bro, 
para a cultura de cana-de-açúcar o 
herbicida Heat®. Carulina Oliveira, geren-te 
de Marketing de Cana, Citros e Amen-doim 
da Unidade de Proteção de Cultivos 
da BASF, explica que o Heat® age de ma-neira 
rápida, tem alta absorção sem dei-xar 
de ser altamente seletivo para cultura. 
É direcionado para controle das principais 
plantas daninhas de difícil controle, para 
uso em cana-planta até o quebra-lombo, 
associado a graminicidas. 
A molécula Saflufenacil é um novo 
herbicida da classe química das pirimidi-nadionas 
(uracila), sendo um potente ini-bidor 
da enzima protoporfirinogene oxi-dase 
(Protox). Este herbicida foi aprovado 
para uso nos Estados Unidos em 2011. 
No Brasil, o Saflufenacil teve seu registro 
aprovado e foi lançado como produto co-mercial 
em 2013 com a marca comercial 
Heat®. O lançamento inicial foi para cere-ais 
e, agora para cana. 
Desde 2006, a BASF realiza estudos 
de uso do Heat® na cultura de cana, foram 
40 áreas testadas com o acompanhamen-to 
e respaldo de profissionais de usinas, 
produtores, pesquisadores e consultores, 
segundo Daniel Medeiros, da área de de-senvolvimento 
de mercado da BASF. 
Entre os que realizam estudos com 
o Heat® está o pesquisador Christoffole-
74 Outubro · 2014 
SOLUÇÕES INTEGRADAS 
ti, que desenvolve o trabalho em parceria 
com a Agrocon Assessoria Agronômica. 
O resultado dos estudos apontou 
que Heat® tem ação pós e pré-emergente; 
a aplicação na cana-planta tem ação resi-dual 
até a operação de quebra-lombo; ex-celente 
custo-benefício, controle eficaz de 
folhas largas, entre 95% a 100%; tem ação 
rápida; seletivo para todas as variedades 
de cana; apresenta a menor pressão de va-por 
do mercado, sem os riscos para cultu-ras 
vizinhas na aplicação aérea e pode ser 
rotacionado com outros ingredientes. 
Marcelo Nicolai, gerente técnico da
75
76 Outubro · 2014 
Agrocon, está muito animado com os resul-tados 
apresentados por Heat®. “Realmente 
é uma molécula nova, não é algo adaptado. 
Ficamos impressionados com a eficácia do 
produto. E se alguém encontrar um produ-to 
mais eficiente que o Heat® para contro-le 
de corda-de-viola, me apresente, porque 
não conheço”, afirma Nicolai. 
Heat® também agradou muito o 
consultor Weber Valério. “Achei essa nova 
molécula excelente. É um produto extre-mamente 
equilibrado, que atende as no-vas 
exigências do setor, além de controlar 
com eficácia as folhas largas, possibili-ta 
a retirada da prática de aplicação cos-tal 
no campo. Vamos continuar estudan-do 
o produto para levantar todo o seu 
potencial. Se essa ferramenta que a BASF 
está trazendo fizer 20% do que propõe, já 
é fantástico, vai ajudar muito.” Weber sa-lienta 
que para resolver os novos desafios 
que nasceram com esse “novo canavial, é 
fundamental que os profissionais e as tec-nologias 
se reinventem. “Não dá mais para 
ficar no ‘bê-a-bá’, é preciso que as práticas 
evoluam e que haja investimento em tec-nologia 
embarcada. E não adianta adqui-rir 
produto mais barato achando que está 
reduzindo custo, o importante é a eficá-cia. 
No caso de controle de daninhas, por 
exemplo, o produto ineficaz não vai con-trolar, 
o que leva à reaplicação, e qual é o 
custo disso?”, pergunta Valério. 
Olhos de águia no canavial 
Além das plantas daninhas, a ausên-cia 
do fogo e a palhada de cana também 
se tornaram ambientes férteis para a dis-seminação 
de pragas e doenças. E a im-plantação 
de canaviais com mudas sem 
sanidade contribui para propagar a in-festação. 
Soma-se a este quadro, o piso- 
SOLUÇÕES INTEGRADAS
77 
teio nas soqueiras e as falhas no plantio. 
Tudo isso, resulta em canavial com baixa 
presença ou sem biomassa, justamente o 
contrário que o setor precisa: reduzir cus-tos 
e aumentar a produtividade. 
Carulina Oliveira salienta que a BASF 
oferece um pacote de soluções integradas 
para o setor sucroenergético aumentar a 
competitividade. Utilizando, inclusive, tec-nologia 
de ponta, como o sistema Harpia 
que com o auxílio de satélites colhe ima-gens 
do canavial, que são convertidas em 
um mapa georreferenciado, que oferece 
informações de toda a área analisada, de 
forma ampla e completa, permitindo um 
monitoramento mais eficiente dos cana-viais. 
O serviço possibilita quantificar as 
áreas com falhas, sem a presença de plan-tas, 
auxiliando nas estratégias para mane-jos 
futuros, na melhoria do gerenciamento 
do uso de fertilizantes, defensivos agríco-las, 
de mão de obra e dos insumos em ge-ral. 
“Harpia integra-se à estratégia da BASF 
de fornecer não só produtos fitossanitá-rios 
eficientes, mas uma gama completa 
de serviços que tenham como objetivo o 
aumento de produtividade, rentabilidade 
e, consequentemente, da sustentabilidade 
das lavouras”, diz Carulina. 
Canaoeste: primeira 
entidade de fornecedores de 
cana a contar com o Harpia 
A tecnologia já está em uso em gran-des 
grupos sucroenergéticos, mas o obje-tivo 
da BASF é disseminar o sistema no se-tor 
como um todo, por isso, em agosto de 
2013, firmou uma parceria com a Asso-
78 Outubro · 2014 
ciação dos Plantadores de Cana do Oes-te 
Paulista (Canaoeste). Gustavo Nogueira, 
gerente técnico da entidade e Alessan-dra 
Durigan, gestora técnica, contam que, 
na época, trabalhavam para montar uma 
equipe de técnicos para o levantamento 
e monitoramento de pragas e a parceria 
com a BASF facilitou a implantação e via-bilizou 
o trabalho da equipe, que foi trei-nada 
pela multinacional. 
O monitoramento iniciou em setem-bro 
de 2013 e terminou em junho de 2014, 
foram mapeados 29 mil hectares, contem-plando 
200 produtores (pequenos, médios 
e grandes) em mais de 50 municípios das 
12 sedes da Canaoeste. Os mapas apre-sentados 
indicavam os pontos de baixa ou 
ausência de biomassa, a equipe, munida 
com GPS, ia até essas áreas (normalmen-te 
acompanhada do produtor), realizava as 
Equipe da Canaoeste vai até ponto indicado pelo Harpia, com presença 
de baixa biomassa, e realiza trincheira para constatação de pragas
79 
Gustavo Nogueira e Alessandra Durigan: muitos satisfeitos com o Harpia 
amostras e depois os produtores recebiam 
o diagnóstico da razão da falta de biomas-sa, 
se fosse praga, havia a identificação e 
a orientação para o controle, pois no caso 
da Canaoeste o objetivo do monitoramen-to 
era controle de pragas. 
Todo o processo é georreferenciado, as informações anotadas e passadas ao 
produtor. A equipe da Canaoeste já treinou inúmeras equipes dos associados
80 Outubro · 2014 
Gustavo salienta que a tecnologia 
oferece ganho de tempo, redução de cus-tos 
e uso racional de insumos, pois identi-fica 
quais as áreas problemas no talhão e, 
com isso, o produtor só aplica defensivo 
no local certo. Alessandra diz que a eco-nomia 
começa na amostragem para iden-tificação 
da praga, e deu como exemplo 
uma área de um produtor com 42 hecta-res, 
mas que o Harpia mostrou que o pro-blema 
estava em 17 hectares. A recomen-dação 
é fazer duas trincheiras por hectare, 
com o Harpia, as trincheiras foram feitas 
apenas nas áreas indicadas. 
“O sistema é muito assertivo. Se indi-ca 
que há baixo índice de biomassa, pode 
ir conferir que realmente há. Uma vez de-tectada 
a área, define-se o problema e a 
solução”, diz Gustavo. Mesmo sem o Har-pia, 
a equipe de monitoramento de pragas 
continua em ação e há planos para a for-mação 
de novas equipes, pois a demanda 
é grande pelo serviço prestado. 
O resultado do emprego da tecnolo-gia 
foi muito bem aceito pelo pessoal da Ca-naoeste. 
Para eles, foi a oportunidade de ofe-recer 
aos associados uma ferramenta muito 
importante e valiosa, focada no aumento de 
produtividade agrícola, redução de custos de 
produção e ambientalmente correta. 
A entidade anseia em renovar a par-ceria 
com a BASF, permitindo a volta do 
Harpia e que, dessa vez, o mapeamen-to 
seja realizado nos 150 mil hectares de 
SOLUÇÕES INTEGRADAS
81 
Os locais 
indicados no 
mapa com as 
cores azuis, 
são os pontos 
georreferenciados 
onde a equipe 
irá focar os 
levantamentos, 
sendo que pelas 
imagens, são 
os locais de 
baixo índice de 
biomassa, que 
podem indicar 
os possíveis 
problemas como, 
por exemplo, 
ataque de pragas 
O controle de 
pragas é focado 
apenas nas áreas 
mais críticas, 
isso facilita na 
possível decisão 
de reforma de 
um talhão ou 
no controle das 
pragas apenas 
onde houver 
necessidade, 
auxiliando o 
planejamento 
e o manejo 
agronômico e 
sustentável das 
propriedades 
abrangência dos associados. 
Eles conheceram os benefícios do 
Harpia, a tecnologia que vê o canavial por 
cima e aponta onde estão as falhas, encur-tando 
caminho para que o setor sucroe-nergético 
volte a ser competitivo.
82 Outubro · 2014 
INSECTSHOW 
O “chicote” é o 
sintoma mais 
característico 
da doença
83 
A região Sudeste do Brasil, princi-palmente 
o Estado de São Paulo, 
vem passando por uma das maio-res 
estiagens de sua história. O último ve-rão, 
normalmente um período caracteriza-do 
por muitas chuvas, chegou e foi embora 
como um dos mais secos e quentes já re-gistrados. 
Essa severa estiagem permane-ceu 
nos meses seguintes, inclusive em se-tembro 
e outubro, quando, praticamente, 
não houve chuva. 
Essa seca interminável é extrema- 
O agente causador do carvão está presente em todas as regiões 
do Brasil, sendo que sua primeira constatação foi em 1946 
Leonardo Ruiz 
PRESENTE EM TODAS AS REGIÕES DO BRASIL, O CARVÃO PODE 
CAUSAR DIVERSOS DANOS À CANA-DE-AÇÚCAR, SENDO QUE AS 
PERDAS PODEM CHEGAR A 100% EM VARIEDADES SUSCETÍVEIS 
Enegrecendo o canavial 
DIVULGAÇÃO
84 Outubro · 2014 
mente prejudicial para a cana-de-açú-car, 
que tem seu desenvolvimento afeta-do. 
Nessa safra, a estiagem deve provocar 
uma quebra de 50 milhões de toneladas. 
Outro fator negativo decorrente de um 
período seco é o aparecimento de pragas 
e doenças, que encontram condições mais 
favoráveis para suas incidências. Uma des-sas 
doenças é o carvão, causada pelo fun-go 
Sporisorium scitamineum, cujo período 
Roberto Chapola: “sob condições de estresse, mesmo variedades 
resistentes ao fungo podem apresentar sintomas da doença” 
DIVULGAÇÃO CTC 
Enrico De Beni Arrigoni: 
“O carvão é uma doença 
sistêmica, ou seja, uma vez 
que a planta é infectada, ele 
estará presente na touceira 
toda, inclusive nos perfilhos” 
INSECTSHOW
85 
seco favorece a disseminação, a penetra-ção 
e a infecção dos esporos pela lavoura. 
Roberto Chapola, pesquisador cien-tífico 
da Ridesa/UfSCar, ressalta que sob 
condições de estresse, mesmo varieda-des 
resistentes ao fungo podem apresen-tar 
sintomas da doença, pois estão menos 
resistentes e não conseguem desenvolver 
todo o seu potencial. As perdas relaciona-das 
ao carvão são mais visíveis sobre as 
soqueiras do que na cana-planta e a ma-nifestação 
é mais pronunciada no perío-do 
do perfilhamento, com picos de carvão 
bem pronunciados. 
Histórico 
O Carvão da cana-de-açúcar tem 
provocado muitos prejuízos ao longo das 
últimas décadas, sendo temido devido aos 
altos níveis de danos. Segundo o pesqui-sador 
do Instituto Agronômico (IAC), de 
Campinas, da Secretaria de Agricultura 
e Abastecimento do Estado de São Pau-lo, 
Pery Figueiredo, essa doença foi cons-tatada 
no Brasil em 1946. Naquela época, 
a prática de controle adotada era radical, 
e consistia na exclusão total da doença. 
“Naquela oportunidade, só era permiti-do 
o plantio de variedades altamente re-sistentes 
(AR). Além disso, a Comissão do 
Carvão da Cana mantinha vigilância cons-tante 
nos canaviais, eliminando qualquer 
foco de carvão que aparecia nas lavouras”. 
Esta ação radical, explica Pery, dei- 
“Em certas regiões do Brasil, o nível de infestação é muito alto, 
favorecido pela disseminação dos esporos pelo vento”, diz Figueiredo
86 Outubro · 2014 
xou o melhoramento genético de cana-de 
-açúcar no Estado de São Paulo em situa-ção 
muito difícil, pois os programas tinham 
de obter variedades com boas caracterís-ticas 
agroindustriais e imunes ao carvão, 
sem esquecer-se da resistência às outras 
doenças importantes da cana-de-açúcar. 
Na década de 1970, um grupo de fi-topatologistas 
estabeleceu uma nova me-todologia 
de controle e conceitos sobre 
resistência ao carvão. “Porém, isso só foi 
possível depois de anos de experimenta-ções 
de campo em quatro estados: São 
Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janei-ro, 
que permitiram a adoção de um gra-diente 
de resistência para agrupar as va-riedades 
cultivadas comerciais em três 
grupos: altamente resistentes (AR), resis-tentes 
(R) e resistentes intermediárias (RI) 
que sempre exigem práticas de manejos 
direcionadas para o controle dessa doen-ça”, 
afirma Figueiredo. 
Antonio Ribeiro: 
“não existe 
variedade imune 
ao carvão” 
Estima-se que, a cada 1% 
de touceiras infectadas, 
há redução de 0,89% na 
produção de cana (TCH) 
INSECTSHOW 
DIVULGAÇÃO CTC
87
88 Outubro · 2014 
Características 
O fungo causador da doença infec-ta 
tecidos não diferenciados, como os me-ristemáticos, 
e a base das escamas das 
gemas, colonizando, desta forma, toda a 
planta. “O carvão é uma doença sistêmi-ca, 
ou seja, uma vez que a planta é infec-tada, 
ele estará presente na touceira toda, 
inclusive nos perfilhos, o que implica di-retamente 
na necessidade de controle da 
doença”, conta o gerente de qualidade e 
fitossanidade do CTC (Centro de Tecnolo-gia 
Canavieira), Enrico De Beni Arrigoni. 
Uma vez infectada, a planta pode 
apresentar um comportamento diferen-ciado, 
como limbo foliar estreito e cur-to, 
colmos mais finos e, ocasionalmente, 
superbrotamento da touceira. Figueire-do, 
do IAC, afirma que o fungo modifica o 
meristema apical da cana, liberando o sin-toma 
mais característico da doença, deno-minado 
“chicote”, de tamanhos diferentes, 
que surge, inicialmente, coberto com uma 
capa prateada e que depois se rompe, li-berando 
estruturas reprodutivas do fungo, 
chamadas de teliósporos, de coloração 
preta e semelhante a um pó fino, lembran-do 
pó de carvão. “Além do meristema api-cal, 
os chicotes podem aparecer nas bro-tações 
laterais, pela planta já infectada, ou 
por teliósporos vindos do ar que realizam 
novas infecções nas gemas do colmo”. 
Segundo ele, em certas regiões do 
Brasil, o nível de infestação é muito alto, 
favorecido pela disseminação dos espo-ros 
pelo vento, principalmente em regi-ões 
de solos arenosos e com baixa re-tenção 
de água, de fraca fertilidade e 
reforçado pelo longo período de seca. 
“Nestas condições, esse patógeno pode 
até quebrar a resistência de muitas varie-dades 
comerciais importantes para o se-tor, 
consideradas, até então, como resis- 
INSECTSHOW 
É importante que as mudas para o plantio 
sejam oriundas de viveiros com alta 
sanidade, em que se pratica o Roguing
89 
tentes”, afirma Figueiredo. 
Com relação aos prejuízos econômi-cos 
causados pela doença, o pesquisador 
do IAC afirma que há casos de perdas ele-vadas 
de até 60% da produção e, em ou-tras 
ocasiões, os danos são bem menores. 
“A manifestação do carvão em uma mes-ma 
variedade difere muito em função da 
qualidade da muda. As originárias de vi-veiros 
com tratamento térmico, rogadas, 
geralmente são isentas da doença quando 
seguido o plantio em solos bem prepara-dos 
e desinfestados de focos da doença”. 
Para Arrigoni, do CTC, em variedades 
suscetíveis podem ocorrer perdas médias 
de 40% na produção agrícola. “Determi-nou- 
se que cada 1% de touceiras infecta-das 
resulta em 0,89% de redução na pro-dução 
de cana (TCH)”. 
Prevenção 
O engenheiro agrônomo e pesqui-sador 
da Ridesa/UFSCar, Antonio Ribeiro 
Fernandes Junior, salienta que não existe 
variedade de cana imune ao carvão. Por 
isso, a indicação é o plantio de variedades
90 Outubro · 2014 
altamente resistentes. Porém, só isso não 
basta, é preciso ter viveiros sadios e mu-das 
de qualidade. 
Chapola complementa salientando 
que é preciso reforçar com aplicação de 
fungicida nas mudas por meio do trata-mento 
térmico. 
Arrigoni reforça os cuidados: por se 
tratar de um fungo com poder de disse-minação 
pelo vento, é importante que se 
elimine fontes de inóculo, ou seja, que se 
substitua variedades suscetíveis que pos-sam 
estar portando o fungo. “O contro-le 
genético com uso de variedades resis-tentes 
e intermediárias ainda é o controle 
menos oneroso. Além disso, é imprescin-dível 
a realização do controle cultural com 
o plantio de mudas oriundas de viveiros 
com alta sanidade, onde se pratica o Ro-guing, 
técnica que elimina plantas indese-jadas 
dos viveiros, como as doentes com 
carvão, pois isto evita o plantio de mate-rial 
já doente em áreas comerciais e a dis-seminação 
de fontes de inóculo”. 
O gerente conta que, atualmente, os 
programas de melhoramento somente li-beram 
variedades resistentes e intermedi-árias 
ao carvão, contribuindo no controle 
e reduzindo a possibilidade de perdas na 
cultura em função desta doença. Entre as 
variedades altamente resistente ao carvão, 
INSECTSHOW 
A forma mais eficiente para 
controlar a doença é através do 
uso de variedades resistentes
91 
estão: IACSP 95-5000, IACSP 95-5094, IA-CSP 
97-4039, CTC 4 e RB 92-579. 
“Todas as variedades RB são alta-mente 
resistentes ao carvão, mas se forem 
cultivadas em ambientes propícios e em 
condições para a disseminação da doen-ça, 
correm o risco de apresentar carvão”, 
diz Antonio Ribeiro. Segundo ele, o apa-recimento 
da doença está acorrendo até 
mesmo com a RB-867515, a mais planta-da 
no Brasil por causa de sua rusticidade. 
Além do uso de variedades resisten-tes, 
ressalta-se a necessidade de um reco-nhecimento 
prévio do ambiente de pro-dução, 
tipo de solo, fertilidade, clima da 
região e se a área em questão foi cultiva-da 
com variedades suscetíveis ao carvão. 
Nessa questão, é recomendável, portanto, 
a rotação de cultura ou deixar o terreno 
em pousio por uns meses antes do plan-tio, 
complementando com a retirada de 
canas remanescentes e de um bom pre-paro 
do solo. É aconselhável, também, o 
tratamento dos toletes com fungicidas, vi-sando 
proteção contra a ação de fungos 
do solo, principalmente em plantios de 
inverno. 
A seca e os incêndios nos canaviais, 
inclusive em áreas de mudas de cana, mar-cam 
um cenário de falta de material ade-quado 
para a renovação dos canaviais. 
Chapola destaca que isso é preocupante, 
pois levará ao plantio de canas comerciais, 
muitas vezes com pragas e doenças, como 
o carvão. Será necessária muita atenção. 
DIVULGAÇÃO CTC
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ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA-AGROTÓXICO.ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA-AGROTÓXICO.
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ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.ANTONIO INACIO FERRAZ-ESTUDANTE DE FARMÁCIA EM CAMPINAS SP.
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Isoporização em cana com marcos landell

  • 1. 1
  • 3. 3 Clivonei Roberto clivonei@canaonline.com.br Luciana Paiva luciana@canaonline.com.br CÁ ENTRE NÓS Dizem que a principal diferença en-tre o proprietário e o empresário, é que o proprietário faz o que é bom para ele, e o empresário faz o que é bom para a empresa. Esse posicionamen-to, muitas vezes, é a razão da derrocada ou do sucesso. Governar um país é o mesmo que governar uma grande empresa. Nos dois casos, o gestor precisa agir como empre-sário. Mas, com raríssimas exceções, não é o que acontece, principalmente nas ges-tões públicas. Os governantes se posicio-nam como proprietários da cidade, esta-do ou país. Agem como se tudo e todos fossem seus. Impõem sua vontade, sem se importarem se é viável e justa. Deixam-se levar por antagonismos e retaliações contra aqueles que não con-cordam com suas decisões. E pelo simples fato de não gostarem de alguém, algo ou segmento, rompem as regras do jogo, mesmo que isso prejudique o país. É que o governante proprietário age como criança mimada, se sente o dono da bola e, se não seguirem suas regras para o jogo, toma a bola, coloca-a embaixo do braço e anuncia: “não jogo mais.” O governante proprietário abala mercados, desestimula investidores, tira a tranquilidade dos que trabalham e cria um clima de tensão. É o que a presidente Dilma tem feito com o setor sucroenergético. Por não gos-tar dos usineiros, deu-lhes cartão verme-lho. Durante a campanha presidencial, ao ser questionada por Marina Silva e Aécio Neves sobre o descaso com o etanol, ficou sem argumentos, e mudou de assunto. Agora reeleita, torcemos para que Dilma se torne uma governante empresá-ria. Que reconheça os benefícios da cana, recoloque a bola em campo e deixe o jogo ser jogado. O que é bom para o país Presidente Dilma, coloque a bola no campo!
  • 4. Capa Deu Dilma! E como fica a cana? ? Tendências - O funcionamento do mercado de soja certificada Mecanização - Com a ajuda das máquinas Coluna Datagro - Exportações na Tailândia continuam em ritmo desacelerado e produção da safra 2014/15 deverá ser menor que 2013/14 ÍNDICE Especial RH - Cuidando de gente Economia - Por que deixar a mudança para depois??? Herbishow - Aumentado o ATR e diminuindo o florescimento
  • 5. Editores: Luciana Paiva luciana@canaonline.com.br Clivonei Roberto clivonei@canaonline.com.br Redação: Alexandre Carolo Jornalista carolo@canaonline.com.br Leonardo Ruiz Estagiário de jornalismo leonardo@canaonline.com.br Marketing Regina Baldin Comercial Anderson Siqueira comercial@canaonline.com.br Editor gráfico Thiago Gallo Tecnologia Agrícola - O Uso de tecnologias encurta a distância entre o campo e o escritório Soluções Integradas - Novo canavial exige novas tecnologias Insectshow - Enegrecendo o canavial Indústria - Especialista destaca importância do controle microbiológico nas usinas Tecnologia - Gestão de Implantação e Engenharia do Proprietário (EP) Cana Substantivo Feminino - Centro Cana IAC receberá IV Encontro Cana Substantivo Feminino Caderno Relax Fora do Trabalho - Paixão pelo trabalho Aproveite melhor sua navegação clicando em: Vídeo Fotos Áudio Link Entre em contato: Opiniões, dúvidas e sugestões sobre a re-vista CanaOnline serão muito bem-vindas: Redação: Rua João Pasqualin, 248, cj 22 Cep 14090-420 – Ribeirão Preto, SP Telefones: (16) 36274502 – 34219074 Email: luciana@canaonline.com.br www.canaonline.com.br CanaOnline é uma publicação digital da Paiva& Baldin Editora
  • 6. 6 Outubro · 2014 A soja é uma das culturas agríco-las brasileiras cuja produção mais cresceu nas últimas décadas, em torno de 240% nos últimos 20 anos, res-pondendo hoje por mais de 50% da área plantada com grãos no país, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). É também o produto agrícola que mais representatividade possui na balança comercial. O complexo soja (grão, farelo e óleo) é o segundo mais importante item na pauta de exportações do Brasil, ficando atrás apenas do minério de ferro, de acor-do com o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Além do volume de produção, a soja Ana Malvestio1 e Lara Moraes2 O funcionamento do mercado de soja certificada TENDÊNCIAS
  • 7. 7 brasileira se destaca também pela alta qualidade. O grão produzido no Brasil e seus subprodutos possuem elevado teor de proteína e padrão de qualidade pre-mium, o que permite a sua entrada em mercados extremamente exigentes, como a União Europeia e o Japão. Nestes mercados, crescem cada vez mais as pressões e exigências para que os produtores se adequem aos parâme-tros internacionais de sustentabilidade. É neste contexto que se insere a certificação da cultura da soja, representada, sobretu-do, pela RTRS (Round Table on Responsib-le Soy), instituição criada na Holanda, em 2006, para assegurar o cultivo da soja de maneira sustentável. Para obter o certificado da RTRS é preciso obedecer a cinco princípios bá-sicos: cumprimento legal e boas práticas empresariais, condições de trabalho res-ponsáveis, relações comunitárias respon-sáveis, responsabilidade ambiental e prá-ticas agrícolas adequadas. O pagamento que o produtor recebe pela soja certifi-cada entra como crédito em uma plata-forma de comercialização e fica disponí-vel para os produtores de soja o utilizarem em negociações com os demais players do mercado. Segundo representantes da RTRS, o Brasil tem grande potencial de adequa-ção às normas de sustentabilidade nas fa-zendas produtoras de soja, uma vez que apenas 2% da produção nacional é certi-ficada. O Brasil é o país com maior volu- PRODUÇÃO DE SOJA CERTIFICADA (MIL TONELADAS) * Até maio de 2014 Fonte: RTRS (2014). Adaptado por PwC Agribusiness Research and Knowledge Center.
  • 8. 8 Outubro · 2014 me de soja certificada pela RTRS, cerca de 1,5 milhão de toneladas, 60% da produ-ção mundial, e a previsão é chegar a 2 mi-lhões até o fim do ano. No mundo, são 2,5 milhões de toneladas de soja certificada, o que comprova a capacidade do produtor brasileiro em se adequar aos critérios de certificação. Mesmo com a importância do Bra-sil neste cenário, existem alguns desafios para a adequação às normas de certifica-ção, a começar pelos custos para certificar uma propriedade rural, que são elevados e podem variar de uma propriedade para outra. O retorno financeiro para quem ob-tém a certificação também não é muito maior do que o da soja não certificada. A maior parte da soja certificada no Brasil é produzida por grandes grupos agrícolas. Por atuar ao longo de toda a ca-deia, da produção à comercialização, eles se beneficiam da possibilidade de sepa-rar o grão certificado do não certificado no momento da armazenagem e também diluir os custos inerentes à obtenção da certificação. Apesar dos desafios, os benefícios da certificação são significativos e não se limitam ao valor adicional na comerciali- O Brasil é o país com maior volume de soja certificada pela RTRS, cerca de 1,5 milhão de toneladas, 60% da produção mundial TENDÊNCIAS
  • 9. 9 zação. Uma propriedade certificada, além de garantir mercado premium para o seu produto, atinge maior nível de profissio-nalização, o que se reverte em eficiência operacional e financeira, permitindo uma gestão com foco em desempenho e ali-nhando práticas de respeito ao meio am-biente e às gerações futuras, com melhor retorno financeiro. 2Analista sênior do Centro PwC de Inteligência em Agronegócio 1Sócia da PwC Brasil e líder de Agribusiness para o Brasil e Américas
  • 10. 10 Outubro · 2014 MECANIZAÇÃO
  • 11. 11 USINA DA MATA INVESTE NA INTEGRAÇÃO DE MÁQUINAS, SISTEMATIZAÇÃO DO SOLO E ALTA TECNOLOGIA PARA AUMENTAR A EFICIÊNCIA Com a ajuda das máquinas Time de equipamentos para sistematização de solo, colheita e transporte na Usina Da Mata
  • 12. 12 Outubro · 2014 MECANIZAÇÃO A Usina Da Mata, localizada em Val-paraíso, SP, deve fechar a safra 2014/15 com uma moagem de 2,4 milhões de toneladas de cana. O volu-me será suficiente para produção de 83,2 milhões de litros de etanol anidro e 37,1 milhões de litros de hidratado. Com um mix de 50% nesta temporada, a produ-ção de açúcar VHP deve alcançar 176,5 mil toneladas. A energia gerada neste ciclo pode chegar a 130,56 MWh. A estimativa é do superintendente da unidade, Newton Chucri. O clima seco na região derrubou a estimativa de moagem inicial que era de 2,75 milhões de toneladas. Mesmo as-sim, a usina tem ampliado sua capacida-de de produção, ano-a-ano. Na safra pas-sada, a indústria processou 2,16 milhões de toneladas. Esta escalada de crescimen-to começou no ciclo 2011/12, com 1,27 milhões de toneladas, que aumentou para 1,61 milhões na temporada seguinte. Com um projeto de ampliação em andamen-to, a Da Mata estima moer entre 3,1 mi-lhões e 3,2 milhões de toneladas na safra 2015/16, com mix 40% para açúcar e 60% para etanol. “Nosso plano de ampliação prevê uma capacidade total de 4 milhões de to-neladas”, afirma Newton. A usina, que re-centemente teve aprovada a contratação de até R$ 40 milhões para renovação de canaviais por meio da linha Pró-Renova, Texto e fotos: Alexandre Carolo, de Valparaíso, SP Newton Chucri, superintendente da Usina da Mata
  • 13. 13 do Banco Nacional de Desenvolvimen-to Econômico e Social (BNDES), também está investindo em moendas, turbogera-dores e em uma nova caldeira, fabricada pela HPB-SIMISA (250 TVH - 67 kgf/cm²). O conjunto de equipamentos vai operar a partir da próxima safra. A Usina Da Mata, localizada a 565 quilômetros da capital paulista e a apro-ximadamente 100 quilômetros da divisa com o Mato Grosso do Sul, foi fundada em 2006, fruto da união entre o Grupo AGP e a Brasif. A primeira safra foi em 2007/08. Seu parque industrial está inserido em um espaço de 920 mil m². A indústria pro-duz açúcar, etanol hidratado, etanol ani-dro, óleo fúsel, levedura seca e energia elétrica. A unidade investiu em uma linha de transmissão de 16,5 km que está liga-da ao sistema nacional de energia contro-lado pelo ONS (Operador Nacional do Sis-tema Elétrico). 100% mecanizada A colheita de cana da Da Mata é 100% mecanizada, de acordo com as dire-trizes técnicas do Protocolo Agroambiental Paulista. As atividades no campo são mo-nitoradas pelo Departamento de Controle Agrícola através de softwares e painéis in-dicadores. A usina também conta com um Controle de Tráfego, responsável por toda logística da frota, cuja manutenção é feita em uma oficina mecânica própria. Máquinas agrícolas, de construção e transporte de cargas. Esta composição é a aposta da CNH Industrial, que atua no se-tor de bens de capital para garantir maior sinergia no campo. Especificamente para o segmento canavieiro, a companhia tem demonstrado que o processo de mecani-zação pode ganhar maior eficiência a par-tir do uso integrado de equipamentos específicos para a atividade, na sistemati-zação do solo, na colheita da cana e no Usina Da Mata, em Valparaíso, SP, possui 29 mil hectares de área agrícola total, sendo 24,3 mil ha plantados
  • 14. 14 Outubro · 2014 transporte da matéria-prima à indústria. A integração das máquinas foi de-monstrada na Usina Da Mata, que conta com 52 equipamentos da CNH Industrial, entre máquinas agrícolas da Case IH, equi-pamentos de construção da Case Cons-truction e caminhões Iveco. A demons-tração começou com a sistematização do solo, feita por motoniveladoras, escava-deiras hidráulicas e pás-carregadeiras. Os três modelos de máquinas trabalham na usina no regime de três turnos. De acordo com o gerente agrícola da usina, José Luiz Vieira, a sistematização do solo é uma etapa fundamental na forma-ção do canavial, especialmente por conta da mecanização. A colheita feita por má- Operador do trator que leva os transbordos é orientado a se posicionar ao lado do caminhão que vai transportar a cana colhida à usina MECANIZAÇÃO
  • 15. 15 A colheita é 100% mecanizada na Usina da Mata quinas depende de um conjunto de ações cuidadosas na sistematização da área de plantio, como nivelamento de terreno, de-finição do tamanho de talhões, retirada de materiais estranhos, planejamento da sul-cação, entre outros cuidados. A Usina Da Mata atingiu 100% da colheita mecaniza-da na safra 2014/15. Tecnologia de ponta Para a etapa de colheita, a Da Mata utiliza máquinas da Case IH, com desta-que para o modelo A8800 MultiRow, que permite a colheita em vários espaçamen-tos, como duas linhas de 1,4m ou de 1,5m, por meio de um sistema de divisores de li-nha e alimentação. O equipamento con- Transbordo carrega o caminhão de transporte automaticamente. Operação leva alguns segundos
  • 16. 16 Outubro · 2014 ta com um sistema chamado Smart Cruise, que controla automaticamente a rotação do motor, gerando, de acordo com a em-presa, uma economia de até 25% no con-sumo de combustível. A colhedora trabalha em conjunto com o transbordo puxado por trator. Os tratores da Case IH contam com o siste-ma APM (Gerenciamento Automático de Produtividade), que controla a relação de transmissão e a velocidade para cada tipo de terreno, o que permite economia de até 20% de combustível, segundo o fabricante. Depois de completo com a cana picada, o transbordo transfere a matéria-prima para o caminhão da Iveco, modelo Trakker, que transporta a cana para alimentar a usina. Todo o processo é automatizado. A Usina Da Mata conta hoje com 20 caminhões Iveco, nas versões Trakker 6x4 de 440 e 480 ca-valos. Os modelos têm trans-missão ZF de 16 marchas, ma-nual e automática, com motor Ecoline FTP Cursor 13 com tecnologia SCR, com 17% a mais de torque que a versão Euro III. Marluz Cariani, res-ponsável pelas vendas de of-f- road da Iveco no Brasil, des-taca a parceria com a Da Mata. “São clientes muito técnicos, que enten-dem do produto e exigem qualidade. Em alguns casos, é preciso fazer modificações no veículo para melhorar o desempenho em ambientes específicos”, observa. MECANIZAÇÃO José Luiz Vieira, gerente agrícola da Usina da Mata Após ser completo com cana picada, o transbordo é levado pelo trator até o caminhão. Todo o processo é automatizado
  • 17. 17
  • 18. 18 Outubro · 2014 COLUNA DATAGRO Exportações na Tailândia continuam em ritmo desacelerado e produção da safra 2014/15 deverá ser menor que 2013/14 Datagro reduz projeção para a produção de açúcar na Tailândia A safra 2013/14 de cana-de-açúcar na Tailândia terminou no último dia 9 de maio com moagem tota-lizando 103,67 milhões de toneladas, 3,7% a mais que na safra anterior, das quais 37,92 milhões de toneladas foram colhi-das por meio de máquinas. Um incremen-to de 10,8% em relação ao ciclo anterior. Como resultado também da melhor concentração de sacarose na cana, fruto do clima mais seco nesta temporada, foram produzidas 11,29 milhões de toneladas de açúcar, contra 10,03 milhões de toneladas na safra passada - aumento de 12,6%.
  • 19. 19 Apesar do recorde de produção, a Tailândia diminuiu os embarques de açú-car em reflexo à retração da demanda ex-terna, devido à incapacidade do merca-do em absorver o produto. Tanto que no somatório da safra, de novembro a ju-lho, a exportação de açúcar teve queda de 16,7% e totalizou 4,14 milhões de tonela-das, contra 4,83 milhões em igual período de 2012/13. Já no mês de julho, a exportação de açúcar atingiu 571.686 toneladas, 2,4% a menos que no mês anterior, porém 12,34% acima do volume exportado em julho de 2013. Considerando as exportações acu-muladas de janeiro a julho desse ano, a In-donésia foi o principal destino do açúcar tailandês, recebendo 1,06 milhões de to-neladas de açúcar ou 49,5% do total ex-portado pela Tailândia no acumulado de 2014, seguida pelo Japão, com 460.692 toneladas (21,4%), e Coreia do Sul, com 233.781 toneladas (10,9%). Para dar fôlego às exportações de açúcar nos próximos meses, o governo tai-landês decidiu reduzir a quota da produ-ção destinada ao consumo interno. Com a medida, a Tailândia espera exportar 8,8 milhões em 2014, contra 5,91 milhões de toneladas em 2013. Mas a depender do atual ritmo dos embarques, há certo ceti-cismo quanto a esta possibilidade. Datagro reduz projeção para o açúcar da Tailândia Embora o clima seco tenha benefi-ciado a produção de açúcar na safra atu-al, a falta de chuvas deverá comprometer o próximao ciclo (2014/15) devido ao fra-co desenvolvimento dos canaviais colhi-dos no período anterior. Desde novem-bro, as chuvas diminuíram nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar da Tailândia. Entre janeiro e fevereiro, as chuvas fi-caram 90% abaixo da normal nas principais regiões canavieiras do País, enquanto em março a precipitação ficou 33,5% abaixo da média histórica. No mês de abril, houve uma melhora, com chuvas 41,2% acima do esperado, porém em volume ainda insufi-ciente para compensar os três meses ante-riores de estiagem. Não colaborando com o quadro de seca, em maio as chuvas nas principais regiões canavieiras da Tailândia estiveram 16,5% abaixo do que era espe-rado para o mês. Diante desse cenário, a Datagro Con-sultoria reduziu sua projeção para a produ-ção de açúcar na Tailândia na safra 2014/15: de 11,29 milhões de toneladas para 10,85 milhões de toneladas, queda de 3,9% ante o observado no ciclo anterior. A projeção revisada com recuo deve-se à perspectiva de uma menor quantidade de cana para ser processada.
  • 20. 20 Outubro · 2014 Deu Dilma! E como fica a cana? CAPA SETOR VIVE A EXPECTATIVA DE QUE A PRESIDENTE DILMA, EM SEU SEGUNDO MANDATO, ADOTE POLÍTICAS PÚBLICAS DE VALORIZAÇÃO DA AGROENERGIA
  • 21. 21 O setor sucroenergético foi um dos segmentos econômicos que mais sofreu com o rali dessas eleições presidenciais. Sentindo-se aban-donados pelo governo Dilma, os empre-sários da agroindústria canavieira se ape-garam aos candidatos que defendiam as energias renováveis e abertos à adoção de medidas que tirem o setor desse cenário caótico: dívidas, recuperação judicial, fe-chamento de unidades e estagnação. O pessoal da cana começou timida-mente apoiando Aécio Neves (PSDB). Com a subida de Marina Silva (PSB), as atenções se voltaram para a candidata, mas com a ascensão de Aécio e a real possibilidade de vitória o setor se animou e muitos de seus integrantes e alguns de seus líderes ousaram apoiar abertamente o candidato tucano. O não apoio à candidata Dilma Rou-sseff (PT) tinha razões claras, com raízes que começaram por volta de 2004: emba-ladas pela crescente demanda por etanol para atender o mercado interno de car-ros flex e motivadas pela campanha do ex -presidente Lula de que o etanol da cana ia abastecer o mundo, até 2008, as usinas Luciana Paiva Em seu auge na campanha presidencial, Marina Silva visitou a Fenasucro e cativou o setor
  • 22. 22 Outubro · 2014 se endividaram com empréstimos para expandir a produção e implantar novas unidades. Mas o mercado externo não se abriu e, pior, com o pré-sal, o foco do governo federal deixou de ser os combustíveis re-nováveis. Assim, o etanol, que em 2010 chegou a ser o combustível preferido dos brasileiros, ultrapassando o consumo de gasolina, foi declinando a partir de 2011. Sem reajustes de preços da gasolina, o etanol perdeu competitividade. Outro fa-tor que o enfraqueceu foi o fim da cobran-ça da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre a gasoli-na, para impedir o aumento de preço do produto. A CIDE foi reduzida gradualmen-te de R$0.28/L em maio de 2008 para zero em junho de 2012. Segundo levantamento do Itaú BBA, essa redução gradual da CIDE desde maio de 2008 representa uma per-da para o setor de R$ 16 bilhões. O quadro, já feio, se agravou com a crise financeira internacional em 2008, com intempéries climáticas, mecanização nos canaviais e gestões equivocadas. Com tudo isso, muitas empresas não consegui-ram honrar os compromissos, e fecharam as portas, mudaram de mãos ou estão em recuperação judicial. De acordo com a União da Indús-tria da Cana-de-Açúcar (Unica), as usinas em todo o país devem encerrar a safra 2014/2015 devendo 110% de seu fatura-mento. Apenas nos últimos dois anos, fo-ram cortados 60 mil empregos diretos no Aécio: o preferido do setor sucroenergético CAPA
  • 23. 23
  • 24. 24 Outubro · 2014 setor produtivo, de acordo com dados da entidade. A receita para o ciclo foi estima-da em cerca de R$ 70 bilhões, e a dívida é de R$ 77 bilhões. De 2008 para cá, 66 usi-nas fecharam as portas e 58 estão em re-cuperação judicial, segundo a MB&F Agri-business. E mais 30 estão prestes a pedir recuperação judicial. Juntas, as dívidas so-mam R$ 11 bilhões, de acordo com levan-tamento da RPA Consultoria. Polos canavieiros respondem à crise da cana e votam Aécio Considerado como responsável di-reto pela crise sucroenergética, o governo Dilma foi reprovado nos principais muni-cípios canavieiros. No estado de São Pau-lo, responsável por 60% da produção na-cional de cana-de-açúcar, Aécio obteve 64,31%, contra 35,69% de Dilma, enquan-to que em Sertãozinho, maior polo su- ESTA FOI A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL MAIS DISPUTADA DA HISTÓRIA 3 pontos percentuais de diferença CAPA
  • 25. 25 croenergético do mundo, Aécio chegou a 73,15%. Em Ribeirão Preto, terra do petis-ta Palocci, Aécio cravou 69,89%. Ainda no estado paulista, em Ca-tanduva, Aécio conquistou 76,31%; em Araçatuba, 69,05%; São José do Rio Pre-to, 70,52%; Piracicaba, 76,25%; Capiva-ri 78,24%; Orlândia, 70,55%; Jaboticabal, 76,31%, Lençóis Paulista 78,92%; e Maca-tuba, 73,23%. Em Goiás, segundo maior produtor de cana, em Rio Verde, Aécio chegou a 64,90%. Em Mato Grosso do Sul, em Dou-rados, Aécio obteve 61,87%. No Paraná, o tucano conquistou 65,94% em Maringá, e 71,18 em Cianorte. Em Alagoas, maior produtor de cana do Nordeste, Dilma obteve 62,12%, mas perdeu em Coruripe, município sede da maior unidade sucroenergética do Nor-
  • 26. 26 Outubro · 2014 te/Nordeste, a Usina Coruripe, onde Aé-cio conquistou 54,53%. E em São Miguel dos Campos, terra da Caeté e da maior unidade de etanol 2G do Hemisfério Sul, a Granbio, Aécio obteve 62,59%. Mas, realmente, Minas Gerais não ajudou. Em Uberaba, no triângulo-minei-ro, maior polo canavieiro do estado, Aé-cio obteve 42,40%; em João Pinheiro, Dil-ma chegou a 63,86%. Em Minas, a exceção ficou por conta da pequena Araporã, onde fica a usina Alvorada. Lá deu Aécio, com 51,67%. Mas deu Dilma e como fica a cana? O setor sucroenergético sentiu na pele um dos lados negativos da personali-dade da presidente Dilma: retaliar seus de-safetos, mesmo que isso preju-dique o país. Deixou claro que não gostava de usinei-ros e que não confiava neles. Assim, o di-álogo entre as partes foi conturbado e a tomada de decisão a favor da agroener-gia foi pífia. Sabe-se que mais usinas fecharão caso o governo não altere sua política para o setor do etanol. Segundo a Unica, ainda não se pode prever quantas plan-tas poderão parar em 2015. Mas consul-torias apontam que ao menos dez usinas deixarão de processar por dificuldades fi-nanceiras na próxima safra e que, das 346 em atividade, 60% correm o risco de fe-char as portas ou mudar de dono em dois ou três anos. Por isso, a incerteza paira so-bre os canaviais e os integrantes do mun-do da cana perguntam: Dilma aumentará a retaliação ao setor, após o apoio a Aécio? OU Mudará sua conduta em relação ao setor sucroenergético? Elizabeth Farina espera que a Dilma cumpra o que anunciou em seu primeiro pronunciamento após eleita CAPA
  • 27. 27 A opinião da Unica Em seu primeiro pronunciamento após ser reeleita, Dilma disse que “será a Presidente do diálogo, da mudança e que apoiará setores produtivos e, em especial, a indústria.” Elizabeth Farina, presiden-te- executiva da Unica, espera que Dilma cumpra o que anunciou. Farina enfatiza que o diálogo direto e recorrente é uma demanda antiga do setor sucroenergético que está pronto para iniciá-lo. “Sempre ti-vemos interlocução com diferentes minis-térios, mas o que precisamos é olhar para frente, manter um diálogo direto com a Presidente e saber o que vai mudar em re-lação à política energética do governo, em particular o etanol e a bioeletricidade.” “O governo precisa mudar já” Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop) diz que o resultado das eleições Presidenciais, dão claros sinais de necessidade de correção de rumos pelo governo. “O Brasil que produz deixou cla-ro o desejo por mudanças”, afirma Franco, salientando que espera que Dilma cumpra o que se propôs. “As primeiras declarações da Presidente indicam abertura para diá-logos, mudanças nos Ministérios e efeti-vo combate à corrupção”, relembra o Pre-sidente da Udop. Para ele, é necessário que o gover-no recupere imediatamente a credibilida-de, nomeando o novo Ministro da Fazen-da, com esclarecimento para a sociedade, da correção de rumos da política fiscal e econômica. E que a mudança aconteça não só em relação ao setor sucroenergéti-co. “O governo deve pressionar as institui-ções para dar celeridade às investigações, julgamentos e condenações de todos os envolvidos na operação Lava-jato, garan-tindo independência e isenção política no processo, reduzindo o período de gran-de instabilidade política e de credibilida-de das instituições e principalmente do governo.” Franco diz que o segundo manda-to já começou dia 27 de outubro, pois a sociedade já espera ações imediatas, no sentido das mudanças propostas pela Pre-sidente e desejadas pela sociedade. “O tempo joga contra o Governo, que precisa aliviar a pressão, com o devido senso de urgência. Caso contrário, poderá perder o “O segundo mandato já começou”, diz Celso Junqueira Franco
  • 28. 28 Outubro · 2014 controle da situação.” Certamente haverá tentativa de apro-ximação com lideranças de seguimentos importantes da economia brasileira, o que pode sempre ser positivo, comenta Fran-co. Mas, segundo ele, o êxito vai depen-der das pessoas nomeadas para esta inter-locução, bem como a estrutura funcional dos ministérios, que devem ter autonomia e agilidade para tomar atitudes imedia-tas, senão rapidamente também cairá no descrédito. “O governo vai mudar seu posicionamento em relação ao setor” Esta é a opinião de Plínio Nasta-ri, presidente da Datagro Consultoria. Se-gundo ele, está ficando evidente a gran-de contribuição que este setor dá para o balanço de pagamentos, no momento em que o déficit em conta corrente atinge ní-veis preocupantes. “No discurso de vitó-ria, a presidente Dilma deixou claro que pretende unir o país num projeto único de desenvolvimento. O setor da cana é um dos maiores vetores de desenvolvimento no interior, além de contribuir para o meio ambiente e o aumento da renda do setor agrícola.” “A retaliação já foi, acho que agora vem a conciliação” Maurílio Biagi Filho, presidente do Grupo Maubisa, já integrou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, criado pelo ex-presidente Lula. Maurilio continuou in-tegrando o Conselho no governo Dilma, mas como ouvir conselhos não é o for-te da Presidente, Maurilio não sentiu mais utilidade na sua permanência. Para ele, a retaliação ao setor já foi. “Acho que agora vem a conciliação. A pre-sidente reeleita chegou até a usar o se-tor em sua propaganda”, comenta. Em sua opinião, o setor deve ter pessoas (do se-tor ou contratadas) com liderança for-te, que tenham bom trânsito e a empatia do governo. “E além dos temas tradicio-nais pelos quais lutamos, é preciso apre- “No discurso de vitória, a presidente Dilma deixou claro que pretende unir o país num projeto único de desenvolvimento”, diz Nastari CAPA
  • 29. 29 sentar propostas com ideias novas e que sejam viáveis ao governo e ao setor priva-do”, orienta. O empresário salienta que o governo só precisa mostrar um gesto de boa von-tade para indicar que inicia uma nova fase. “O governo tem bala na agulha para mu-dar o cenário do setor. Mas se não o fizer logo, será um mal sinal.” mente dependentes de políticas públicas e que têm trazido grandes prejuízos ao se-tor sucroenergético, à Petrobras e ao Bra-sil. São razões mais que suficientes para que o governo mude sua atuação. Rezo para que haja bom-senso e as mudanças ocorram”, diz Alexandre Figliolino, diretor-comercial do Itaú BBA. Figliolino salienta que parte dos ele-vados gastos com importação de petróleo e derivados nos últimos anos poderia ter sido evitada se o ambiente para o inves-timento no setor sucroenergético tivesse sido mais atrativo, o que também teria con-tribuído para a criação de empregos e ge-ração de renda. De maneira semelhante, se mais estímulos tivessem sido direcionados à produção de energia a partir de bagaço, um número menor de ineficientes termelé-tricas estaria atualmente em operação. De acordo com o executivo do Itaú BBA, investimentos em cogeração pode-rão se acelerar se: forem realizados lei-lões de energia por região e por fonte, e o preço teto aumentar, iniciando em R$200/ MWh. O aumento da cogeração também contribuiria para a elevação da competiti-vidade do etanol dada a sinergia existente na produção dos dois produtos. Governo de Minas será o interlocutor com o Governo Federal Entre os principais estados cana-vieiros, Minas Gerais foi o único que não “Rezo para que haja mudanças” “Vivemos hoje uma situação de enor-me ‘perde-perde’ no que tange à situa-ção energética brasileira, seja na área dos combustíveis líquidos, seja no setor elétri-co; dois segmentos regulados, extrema- “Há muitas razões para que o governo mude sua atuação”, salienta Figliolino
  • 30. 30 Outubro · 2014 deu Aécio. Além disso, o governador elei-to por Minas, Fernando Pimentel, é do PT, e considerado uma força atuante dentro do partido. Fato que, segundo Mário Cam-pos Filho, presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Ge-rais (Siamig), credencia Pimentel como um interlocutor do setor junto à presidente Dilma. Campos conta que o futuro governa-dor de Minas é um político técnico, preo-cupado com o desenvolvimento regional e que vê o etanol com bons olhos. “Além dele, Dilma foi muito bem votada no triân-gulo- mineiro – principal região canaviei-ra do estado. Os prefeitos da região têm bom acesso ao governo federal e deve-rão somar esforços com Pimentel em prol do setor. Renan Filho, eleito governador de Alagoas, é outra voz que poderá se le-vantar em apoio ao etanol”, complemen-ta Campos. O presidente da Siamig observa que as articulações entre os integrantes do se-tor já começaram e Minas atua como um bombeiro, apagando os conflitos entre se-tor e governo, agravados após o posicio-namento a favor de Aécio. Para Campos, durante uma eleição, as entidades de clas-se devem optar pela neutralidade. Como bom mineiro, prega a prudência e que o melhor é não se posicionar, para não so-frer consequências. Primeiro passo: a volta da CIDE O primeiro sinal que o governo po-derá dar em direção à retomada do setor é promover o retorno da CIDE. “A valori-zação da energia limpa e renovável pode ser obtida pela taxação do combustível e energia fóssil e poluente. A CIDE sobre a gasolina pode assumir esse papel”, diz Farina. CAPA Mário: “Minas atua como bombeiro” “Frente Parlamentar se mobiliza para a volta da CIDE”, diz Arnaldo Jardim
  • 31. 31 Para Plínio Nastari, o governo deve recuperar o valor da CIDE, e promover um reajuste no preço da gasolina para que a Petrobras retome sua geração de cai-xa a fim de cumprir o seu programa de investimentos. Mário Campos e Alexandre Figliolino também defendem a volta da CIDE como um reconhecimento das externalidades positivas do etanol. O deputado federal Arnaldo Jardim, O que é preciso para a retomada do setor Mas não basta o retorno da CIDE, au-mento no peço da gasolina, ou a elevação momentânea da mistura de etanol à gaso-lina para que voltem os investimentos. Para Farina, é preciso que o governo dê clare-za para o setor, definindo o papel reserva-do ao etanol e à bioeletricidade na matriz energética brasileira, de forma a pro-por ações consistentes que estimulem os investimentos. Figliolino também salien-ta a importân-cia da definição do papel do etanol hidrata-do na matriz de combustíveis lí-quidos no Bra-sil. “Regras mais previsíveis são imprescindíveis para o retorno do investimento ao setor”, diz. Segundo ele, o primeiro mo-vimento em relação ao crescimento será de pequenas ampliações e otimização nas uni-dades já existentes, aliando algum cresci-mento horizontal com crescimento vertical, tais como cogeração e outros agregadores de valor que aumentem a competitivida-de das empresas em relação aos produtos principais, o açúcar e o etanol. O setor preferia Aécio, mas os grandes grupos sucroenergéticos também doaram para a campanha da Dilma líder da Frente Parlamentar pela Valori-zação do Setor Sucroenergético, diz que a volta da CIDE é o assunto número 1 na pauta da Frente e que a articulação por parte de seus integrantes é intensa junto ao governo para que isso ocorra.
  • 32. 32 Outubro · 2014 ESPECIAL RH Condições sanitárias dignas aos rurícolas SAULO HARUO OHARA
  • 33. 33 O setor sucroenergético nacio-nal passou por muitas transfor-mações ao longo dos séculos. Os engenhos do período colonial deram lugar às usinas de açúcar e álcool. Estas, por sua vez, se tornaram as atuais indús-trias sucroenergéticas. A evolução não se deu apenas no ponto tecnológico, mas também nas relações de trabalho: come-çou com a escravidão e, hoje, o setor figu-ra como um dos segmentos econômicos mais avançados no quesito de boas práti-cas de trabalho. Segundo o diretor executivo do Gru-po de Estudos em Recursos Humanos na Agroindústria (Gerhai), José Darciso Rui, durante o período de expansão da cul-tura, ocorrido principalmente a partir da Leonardo Ruiz BOAS PRÁTICAS NO AMBIENTE DE TRABALHO GERAM SATISFAÇÃO DOS PROFISSIONAIS, ENGAJAMENTO COM A EMPRESA E MAIOR PRODUTIVIDADE Cuidando de gente SAULO HARUO OHARA O setor sucroenergético passou a ser exemplo de empresa socialmente responsável
  • 34. 34 Outubro · 2014 década de 1970, quando foi criado Pro-grama Nacional do Álcool (Proálcool), a maioria das usinas possuía uma gestão fa-miliar bastante arcaica. Ele conta que elas entendiam que pagar um processo traba-lhista era mais barato do que cumprir a lei. “Aos poucos, as empresas foram se pro-fissionalizando e percebendo que o ideal era não ter problema trabalhista, pois esse tipo de ação poderia, até mesmo, gerar uma eventual paralisação.” Rui afirma que, a partir dos anos 90, as empresas passa-ram a ter outra visão do mundo trabalhis-ta. “Desde então, elas se preocupam em ESPECIAL RH A Greve dos cortadores de cana de Guariba, ocorrida em 1984 e que exigia melhores condições de trabalho, entrou para a história e estimulou mudanças BANCO DE DADOS INTERNET Na Usina Santa Isabel, monitoramento para o uso correto da utilização dos equipamentos de proteção individual (EPIs) BANCO DE IMAGENS DO INPEV
  • 35. 35 cumprir as leis e manter uma boa relação de trabalho.” A gerente de RH da Usina Santa Isa-bel, Márcia Eligia Marques Ferreira, con-ta que a situação dos cortadores de cana não era modificada, em parte, devido à re-sistência dos próprios trabalhadores. Se-gundo ela, quando a jornada de trabalho começou a ser reduzida, houve diversos ras extras de trabalho. Além disso, todas as condições de trabalho no canavial são monitoradas, como a utilização dos equi-pamentos de proteção individual (EPIs) e o cumprimento da jornada de trabalho”. Um ponto fundamental nessa evo-lução é o Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar, firmado entre o Gover- José Darciso Rui: “A partir dos anos 90, as empresas passaram a se preocupar em cumprir as leis e manter uma boa relação de trabalho” ARQUIVO CANAONLINE protestos porque os profissionais queriam fazer mais horas extras. Segundo Márcia, aos poucos, o Mi-nistério do Trabalho e Emprego foi fazen-do suas exigências e a empresa, sem ceder à pressão dos trabalhadores, se adequou à legislação. “Hoje, por exemplo, procu-ramos não fazer mais do que duas ho-no Federal, entidades de trabalhadores e os empresários do setor sucroenergético em 25 de junho de 2009. O Compromis-so é resultado de uma experiência inédita, no Brasil, e construiu um acordo históri-co para valorizar e disseminar as melhores práticas trabalhistas na lavoura da cana-de- açúcar e promover a reinserção ocupa-
  • 36. 36 Outubro · 2014 cional dos trabalhadores desempregados pelo avanço da mecanização da colheita. Salário não é tudo Independente da criação de Com-promissos e do cumprimento de leis, para a consultora Beatriz Rossi Resende de Oli-veira as empresas entenderam que pro-porcionar condições básicas de trabalho é essencial para que as pessoas tenham boa produtividade e rendimento, e pos-sam sentir que estão sendo cuidadas pela organização. Estão percebendo também que ofe-recer um salário atrativo é bom, mas não é tudo. É preciso promover políticas de re-conhecimento de competências, oportu-nidades de desenvolvimento educacional e profissional, ambiente de trabalho agra-dável, além de benefícios adequados às práticas de mercado. Para Beatriz, a alian-ça desses fatores irá fazer com que o fun-cionário permaneça fiel à empresa que trabalha, mesmo diante de ofertas tenta-doras, e produza ainda mais. “A equação é simples. Se somarmos um profissional ca-pacitado e estimulado, com desafios, boas condições de trabalho, reconhecimento e liderança, o resultado será maior produti-vidade”, afirma Beatriz. A consultora salienta ainda que se vê hoje programas diferenciados para que as ESPECIAL RH Além de salários atrativos, as empresas devem oferecer atrativos e valorização profissional SAULO HARUO OHARA
  • 37. 37
  • 38. 38 Outubro · 2014 pessoas se sintam capacitadas, entrosadas, comprometidas, engajadas e felizes. Diver-sas usinas, por exemplo, contam com pro-gramas educacionais para os funcionários. Outras contam, até mesmo, com corais, gru-pos de dança, transmissão de programas internos de rádio, além de outros projetos específicos. Com relação a outros benefí-cios, como assistência médica e odontoló-gica e auxílio farmácia, Beatriz afirma que estes funcionam como um complemento ao salário, agindo, também, como um item de retenção. E mostram que o setor sucro-energético faz muito mais que atender às normas regulamentadoras (NRs). Quanto mais valorizado, mais o colaborador se engaja A Usina Nardini, localizada em Vis-ta Alegre do Alto, SP, conta com um gran-de leque de benefícios para seus funcio-nários, que vão desde previdência privada, e assistência médica e odontológica, até restaurantes e ticket alimentação. “O que vemos é que, quanto mais você valoriza, mais o colaborador produz e se engaja com o projeto e os objetivos da empresa”, conta o gerente de RH da Usina Nardini, Gilmar Miranda. A Nardini possui, também, diversos projetos e programas que visam ajudar, ESPECIAL RH Gilmar Miranda, da Usina Nardini, conta que a empresa possui um grande leque de benefícios DIVULGAÇÃO USINA NARDINI
  • 39. 39 não só os colaboradores da empresa, mas também a comunidade em que está inse-rida. Desenvolvimento de lideranças para o grupo, programas de saúde ocupacional, prevenção a doenças, e eventos relaciona-dos à segurança do trabalho e conscien-tização do meio ambiente são constantes no calendário da companhia. Uma das iniciativas que ganhou des-taque nos últimos anos e que teve seu encerramento em setembro de 2014 foi o Projeto de Inclusão, iniciado em 2007. O objetivo foi oferecer auxílio para que os professores da rede pública de ensino possam atuar junto ao público com defici-ência nas cidades vizinhas à empresa. Fo-ram oferecidas também atividades espe-cíficas de qualificação profissional para os PcD’s, que incluíam cursos de almoxarife, auxiliar de logística e assistente adminis-trativo. Ao todo, durante o projeto, foram capacitados 300 professores e 150 pesso-as com deficiência. Entre eles, colaborado-res da Nardini Agroindustrial. É fundamental reter talentos Para o gerente de RH do Grupo San-ta Terezinha, Waldomiro Baddini, o cola-borar, estando satisfeito com a empresa em que trabalha e tendo uma boa condi-ção em seu seio familiar, irá produzir mais. “Nos dias de hoje, a retenção é fundamen-tal. É nesse momento, portanto, que entra a questão dos benefícios ofertados. Eles Atualmente, muitas empresas contam com farmácias próprias em suas unidades, que disponibilizam medicamentos a custos mais baixos DIVULGAÇÃO USINA SANTA TEREZINHA
  • 40. 40 Outubro · 2014 fazem com que se tenha uma fidelidade maior.” Preocupação com a saúde de seus colaboradores é uma das características do grupo Santa Terezinha, que possui oito unidades de produção no Estado do Para-ná. Além de oferecer planos de saúde de ponta a seus funcionários e contar com farmácias próprias em todas as unidades, que disponibilizam medicamentos a cus-tos mais baixos, o Grupo desenvolve pro-gramas que visam melhorar a saúde dos colaboradores. Um deles é o Programa Nacional de Tratamento e Controle do Tabagismo – Pare de Fumar. Desenvolvido pela Secre-taria de Saúde de Rondon, PR, em parce-ria com a Usina Santa Terezinha, Unidade Rondon, o programa consiste na reali-zação de encontros na unidade coman-dados por profissionais de enfermagem, medicina e odontologia. Para participar, o colaborador precisa apenas ter vonta-de e disposição para deixar o tabaco. O grupo formado em 2014 possui 18 ins-critos, sendo que destes, nove já larga-ram definitivamente a dependência do tabaco. O Grupo Santa Terezinha realiza, também, campanhas de vacinação con-tra gripe. Além de imunizar os colabora-dores interessados, chama a atenção so- ESPECIAL RH Márcia Benassi afirma que ofertar plano de saúde ao funcionário acaba por fidelizá-lo na empresa ARQUIVO CANAONLINE
  • 41. 41
  • 42. 42 Outubro · 2014 bre os cuidados com a saúde e prevenção de doenças, além de palestras sobre de-pendência química. Ainda relacionado ao bem-estar de seu pessoal, a empresa ofe-rece, em seus refeitórios, uma alimentação saudável e realiza campanhas de combate à obesidade e outras doenças por meio da alimentação. Corpo em movimento Logo às 7 horas da manhã, 150 cor-tadores de cana da Usina Diana, localiza-da no município paulista de Avanhanda-va, fazem o aquecimento do corpo. Todas as manhãs, antes do início da jornada de trabalho, estes trabalhadores participam de uma sessão de ginástica laboral. Com duração de 10 a 20 minutos, o exercí- ESPECIAL RH Nas unidades do Grupo Santa Terezinha existem diversos programas que visam melhorar a saúde dos colaboradores DIVULGAÇÃO USINA SANTA TEREZINHA É importante que as empresas possuam refeitórios em suas unidades, disponibilizando alimentação saudável aos colaboradores DIVULGAÇÃO AGRO SERRA
  • 43. 43 cio visa melhorar a qualidade de vida dos colaboradores. Segundo o coordenador de RH da unidade, Wesley Monteiro Martinez, esse projeto teve início no final de 2012 e tem se mostrado muito eficiente, no sentido de preparar os colaboradores para suas tare-fas diárias, além de prevenir possíveis le-sões causadas pelo processo de trabalho. Entre os benefícios alcançados pela ginástica laboral, que teve seu início di-fundido a partir da Revolução Industrial, estão a redução na fadiga muscular, me-lhora geral da condição física e da dispo-sição do trabalhador, reeducação da pos-tura corporal, combate ao sedentarismo e redução dos níveis de estresse e tensão geral. Martinez ressalta que a prática ajuda também a tornar o ambiente de trabalho mais descontraído, pois os trabalhadores interagem uns com os outros. “Isto contri-bui para que o dia fique mais harmonio-so.” O objetivo agora, segundo o coorde-nador de RH, é expandir a atividade para outras áreas da usina, como a industrial, por exemplo. Áreas de vivência com excelência Por trabalharem muitas vezes em lo-cais distantes das unidades industriais, os
  • 44. 44 Outubro · 2014 trabalhadores do campo, como operado-res de tratores e colhedoras, motoristas, cortadores e plantadores de cana, acabam sem muitas opções de locais para descan-sar, comer e realizar higienização adequa-da. A saída encontrada por muitas usinas é a instalação de tendas ou ônibus adap-tados. Mas não na Usinas Itamarati, sedia-da no Sudoeste do Mato Grosso, na cida-de de Nova Olímpia, a 200 km de Cuiabá. A empresa decidiu que era hora de garantir mais conforto e bem-estar para esses colaboradores. Adaptadas a par-tir de reboques, as chamadas “áreas de vivência” possuem dois sanitários cada, além de bebedouros, duchas, macas de ESPECIAL RH
  • 45. 45 emergência, caixas de primeiros socorros, armários para objetos pessoais e espaços para guardar os materiais de sinalização no campo. E o respeito não é só ao traba-lhador, mas também ao meio ambiente, já que a energia consumida por elas é prove-niente de placas solares. Segundo o supervisor de carrega-mento e transporte da empresa, Thiago da Cunha Lopes, cerca de 700 pessoas circu-lam diariamente pelas sete áreas de con-vivência em funcionamento. “A Usinas Ita-marati realmente se preocupa com o seu trabalhador. Além de proporcionar mais conforto, essas áreas melhoraram, inclusi-ve, a convivência entre os colaboradores, DIVULGAÇÃO AGRO SERRA Atualmente, a prática da Ginástica Laboral é muito utilizada pelas unidades sucroenergéticas
  • 46. 46 Outubro · 2014 ESPECIAL RH que passaram a se entrosar melhor, pois agora possuem local adequado para isso”, afirma Lopes. “Condomínio” Agro Serra Já pensou morar em um local onde, a poucos passos, você pode ter à sua dispo-sição salão de cabelereiro, manicure, pedi-cure, costureira, central de telefone públi-co com cabines individuais climatizadas, amplo refeitório supervisionado por nutri-cionistas, ambulatório médico totalmen-te equipado, além de áreas de lazer com mesas de jogos e imensas TVs? Provavel-mente sua resposta foi afirmativa, porém, se acha que falo de um condomínio resi-dencial de luxo ou de uma colônia de fé-rias, está enganado. Essas são apenas al-gumas das características de uma espécie de “vila“ disponibilizada aos funcionários Na Usinas Itamarati, as “áreas de vivência” são top CARLOS LUGLI
  • 47. 47 do Complexo Agro Industrial da Agro Ser-ra, localizado em São Raimundo das Man-gabeiras, MA. Os alojamentos são ofertados gra-tuitamente aos colaboradores no momen-to em que são contratos pela empresa. Construída no ano de 1997, esta vila tem atualmente mais de 2.500 pessoas residin-do durante o período do trabalho. A maio-ria, cerca de 98%, é proveniente do Estado do Maranhão, vinda de cidades circunvizi-nhas, como Fortaleza dos Nogueiras, Nova Colinas, Loreto, São Raimundo das Man-gabeiras, Sucupira do Norte, Balsas, For-mosa da Serra Negra, Colinas e Mirador. Os alojamentos são compostos de quartos de duas, quatro, seis ou oito be-liches cada. Todos contam com colchões, ventiladores, armários individuais e tra-vesseiros. Bebedouros de água elétricos podem ser encontrados nos corredores dos alojamentos, disponibilizando água de boa qualidade e gelada. O diretor-pre-sidente da Agro Serra, Pedro Augusto Ti-cianel, ressalta as principais características do local. “Os alojamentos ainda possuem amplos banheiros com duchas individuais, e cabines telefônicas individuais, fechadas e totalmente climatizadas para oferecer melhor conforto e privacidade aos fun-cionários quando estão falando com seus familiares.” DIVULGAÇÃO ITAMARATI Na Itamarati, proteção com a pele do colaborador
  • 48. 48 Outubro · 2014 Para a lavagem de roupas, a empresa oferece amplas lavanderias manuais e in-dustriais totalmente sem custo. “Nós pos-suíamos, ainda, uma lavanderia especifica para lavagem de roupas de aplicadores de defensivos totalmente isolada, com pesso-al capacitado na operação, evitando, des-ta forma, que outros funcionários tenham acesso ou contato. Tudo isso é feito pen-sando no bem-estar de nossos colabora-dores”, conta o diretor. O refeitório, segundo ele, possui ca-pacidade para fornecer cerca de 1.300 re-feições por hora. “Diariamente, são servi-das mais de oito mil refeições, sendo todas elas preparadas por cozinheiros experien-tes, supervisionadas por dois nutricio-nistas. Além disso, o refeitório é equipa-do com câmaras frias para estocagem de alimentos, fábrica de produção de gelo e reservatórios de água potável”, afirma Ti-cianel. O local possui ainda açougue, além de uma ampla panificadora, que produz pães, bolos, salgados, doces, tortas, entre outros quitutes. E não é só isso. Todos os colaborares são atendidos, sem custos, por uma exten-sa equipe médica, composta por dois mé-dicos do trabalho, dois dentistas, um fisio-terapeuta do trabalho, quatro enfermeiros ESPECIAL RH DIVULGAÇÃO AGRO SERRA Na Agro Serra, o lazer faz parte do pacote
  • 49. 49 Os alojamentos da Agro Serra são interligados por passarelas para proteger os colaboradores do sol e da chuva DIVULGAÇÃO AGRO SERRA
  • 50. 50 Outubro · 2014 do trabalho e oito técnicos de enferma-gem do trabalho, além de duas ambulân-cias para atendimentos de emergência. Já para as horas de descanso, o des-taque fica por conta das áreas de lazer, lo-calizadas entre os blocos de alojamentos, que contêm mesas de jogos e TVs de 52’. Estas, equipadas com uma extensa grade de canais à disposição dos colaborado-res. “Realizamos, ainda, eventos semanais, como festas de datas comemorativas, gin-canas, campeonatos, churrascos, banhos no Clube de Campo, torneios de futebol, shows com bandas regionais, além da tra-dicional Festa Junina ‘Arraiá da Agro Ser-ra’”, conta o diretor-presidente. O local onde se concentram os aloja-mentos possui uma estação de tratamento de água que faz a captação e tratamento desse bem para o consumo humano, além de outras aplicações no espaço. A Agro Serra também promove, por meio de Multiplicadores/Facilitadores, gi-nástica laboral para mais de mil trabalha-dores rurais que têm como principal ati-vidade o corte de cana, além de outros 1.500 trabalhadores distribuídos nas áreas Agrícola, Industrial e Administrativa. Plano de saúde: dos benefícios que mais agradam Um dos benefícios mais importantes que uma empresa pode oferecer a seus funcionários é o plano de saúde. É que, por um valor bem mais em conta, abrange não somente o colaborador, mas também toda a família. As vantagens desses pla-nos empresariais, segundo Márcia Benassi, coordenadora comercial de bioenergia da São Francisco Saúde, são muitas. “O que fazemos é oferecer ao funcionário um pro-duto que muito dificilmente ele teria aces-so se não tivesse envolvido em um grupo empresarial.” Para a coordenadora, é importan-te, porém, que as empresas se atentem à questão da gestão compartilhada en-tre a operadora e a empresa, tratando, re-almente, da saúde do funcionário. “Sem-pre alertamos que não é apenas oferecer uma carteirinha de plano de saúde. É ne-cessária, também, a realização de progra-mas de conscientização a fim de ensinar essas pessoas como utilizar corretamente essa assistência médica.” Segundo Márcia, a empresa deve tra-balhar, junto a seu pessoal, a questão da prevenção, pois, muitas vezes, a pessoa busca assistência médica quando está do-ente, quando, na verdade, deveria buscar essa assistência para prevenir um possível adoecimento. A São Francisco Saúde trabalha, atu-almente, com 65 unidades sucroenergéti-cas, com diversos projetos voltados para a promoção da saúde dos colaborado-res. “Além de eventos de prevenção, dis-ponibilizamos funcionários para ajudar na prestação de informações e esclarecimen-to de dúvidas”, informa Márcia. ESPECIAL RH
  • 51. 51 AS NORMAS REGULAMENTADORAS NR’S Elaboradas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, as Normas Regulamentado-ras, conhecidas como NR’s, são de observância obrigatória de toda empresa ou instituição que admite empregados regidos pela Consolidação das Leis do Traba-lho (CLT). Entre as principais NR’s que envolvem ao setor estão: NR 5 - Comissão Interna de Prevenção de acidentes (CIPA): estabelece a criação de uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes em cada empresa, cujo objetivo é a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador; NR 12 - Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos: o empregador deve adotar medidas de proteção para o trabalho em máquinas e equipamentos, capa-zes de garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores, como a demarca-ção de áreas de circulação, instalação de travas em máquinas móveis e armazena-mento correto das ferramentas; NR 31 - Segurança e saúde do trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura, explo-ração florestal e aquicultura: determina ao empregador garantir adequadas condi-ções de trabalho, higiene e conforto; realizar avaliações dos riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores e, com base nos resultados, adotar medidas de preven-ção e proteção; promover melhorias nos ambientes e nas condições de trabalho e analisar, com a participação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes no Tra-balho Rural (CIPATR), as causas dos acidentes e das doenças decorrentes do traba-lho, buscando prevenir e eliminar as possibilidades de novas ocorrências; NR 33 - Segurança e saúde do trabalho em espaços confinados: cabe ao empre-gador identificar os espaços confinados e seus riscos, garantir a capacitação conti-nuada dos trabalhadores sobre os riscos, as medidas de controle, de emergência e salvamento nesses espaços, além de garantir que o acesso ao espaço confinado so-mente ocorra após a emissão, por escrito, da Permissão de Entrada e Trabalho.
  • 52. 52 Outubro · 2014 Por que deixar a mudança para depois??? ECONOMIA
  • 53. 53 Que em 2015 aconteçam as mudanças que o setor tanto pediu em 2014 Nos aproximamos do final do ano e, sem dúvida, você leitor irá pro-meter a si mesmo coisas que de-vem mudar para o ano seguinte. Certa-mente essa é uma prática que acomete a todos durante o período de Festas. Pro-metemos ser melhores, fazer coisas dife-rentes, mudar a nossa rotina e construir uma nova vida, deixando para trás hábi-tos, erros, dificuldades e problemas. Qualquer semelhança com candida-tos em ano de eleição não é mera coinci-dência. As promessas de “governo novo”, de “governo melhor” e de “mudanças” são os principais motes eleitorais de quem concorre pelo nosso voto. Mas aí me pergunto: “Por que espe-rar sempre para o próximo ano o que po-demos ou devemos fazer hoje?” Se temos algo para fazer, que então seja logo feito para que possa, mais cedo, começar a dar resultados. Pensando sobre o setor sucroener-gético, passamos o mandato inteiro da presidente Dilma solicitando diversas mu-danças, a começar pela criação de uma *Marcos Françóia
  • 54. 54 Outubro · 2014 ECONOMIA Ao longo das campanhas, os candi-datos sinalizaram positivamente ao setor, mostrando que desejam proximidade com ele. E tal como no “Ano Novo”, as espe-ranças dos canavieiros se renovam com a chegada do novo governo. Por mais que no curto prazo ainda haja dificuldades e sabendo que a situa-ção não será fácil para muitas empresas, devido ao alto grau de endividamento, outras logo estarão colhendo os frutos de suas ações e terão a rentabilidade de vol-ta mais rapidamente. Quem está no setor há tempos e quem o conhece de perto sabe de todos os problemas históricos já superados e continuam acreditando, mesmo após tan-tas intempéries, no potencial da cana-de -açúcar e do Brasil como produtor e ex-portador de açúcar e etanol. E para essas pessoas, dessa vez não será diferente. O setor irá ressurgir, tal como o sol do pri-meiro dia do novo ano. *Marcos Françóia, diretor da MBF Agribusiness política energética de longo prazo, con-sistente, que daria mais segurança aos in-vestidores estrangeiros para colocar nova-mente seus recursos no setor. Além disso, há anos reivindica-se um marco regulató-rio para o segmento. Fora isso, o setor insiste há bastante tempo pela elevação do preço da gasoli-na, para que o etanol pudesse voltar a ser competitivo. Vimos, durante os últimos tempos, cidades inteiras, como Sertãozinho (SP), sofrendo as consequências da falta de um diálogo amplo e de medidas eficazes para o setor canavieiro. O desemprego bate não somente à porta de quem está inti-mamente ligado a este negócio, mas de toda população. Sem empregos na indús-tria da cana, que sustenta a cidade, as pes-soas deixam de comprar e de usufruir de serviços, afetando também o número de postos nessas áreas. As empresas, sozi-nhas, tomaram a iniciativa de se reorga-nizar, se reestruturar para poder enfrentar toda essa crise. Quando este artigo for publicado já conheceremos quem será presidente do Brasil pelos próximos quatro anos, e é preciso que não fiquem somente nas pro-messas. É preciso agir rapidamente, reali-zar mudanças e criar políticas condizentes com a realidade, para que o País não con-tinue perdendo, uma vez que a indústria canavieira gera parte importante do Pro-duto Interno Bruto.
  • 55. 55 HERBISHOW CADA VEZ MAIS UTILIZADOS PELAS USINAS BRASILEIRAS, OS MATURADORES SE TORNARAM UMA FERRAMENTA INDISPENSÁVEL PARA AUMENTAR O RETORNO FINANCEIRO DA EMPRESA Aumentado o ATR e diminuindo o florescimento Os maturadores possibilitam precocidade de maturação (aumentando, dessa forma, os teores de sacarose) e redução do florescimento TANIO MARCOS
  • 56. 56 Outubro · 2014 Aumentar o teor de sacarose é um objetivo almejado por todas as usinas. Sejam elas de onde for. Uma das ferramentas que estão à dispo-sição dos produtores para que esse sonho se torne realidade é o maturador, produto cada vez mais presente no cotidiano das empresas. Com ele, é possível obter um manejo mais adequado da cultura, de ma-neira a se conseguir precocidade de matu-ração e redução do florescimento. Os maturadores são compostos quí-micos capazes de modificar a morfologia e a fisiologia vegetal, paralisar ou retar-dar o desenvolvimento vegetativo, indu-zir a translocação e o armazenamento dos açúcares, principalmente sacarose, além de atuarem sobre as enzimas invertases, podendo ocasionar modificações qualita-tivas e quantitativas na produção. Para o coordenador de marketing em cana-de-açúcar da DuPont, Jedir Fio-relli, o maturador deve ser usado por di-versos motivos, como para explorar o má-ximo potencial produtivo do canavial, obter excelente retorno financeiro e para aumentar o rendimento operacional da fá-brica. “Atualmente, cerca de 15% da área total de cana-de-açúcar no Brasil recebe aplicação de maturadores”. VITOR RAMOS HERBISHOW Leonardo Ruiz Os maturadores são, majoritariamente, aplicados no início de safra, quando o nível de ATR é mais baixo
  • 57. 57
  • 58. 58 Outubro · 2014 Esta aplicação acontece, majorita-riamente, no início de safra, de fevereiro a maio no Centro-Sul, quando o nível de ATR (Açúcar Total Recuperável) é mais bai-xo. Nessa hora, o produto provoca uma espécie de estresse na cana, fazendo com que seja possível colhê-la mais cedo e com melhores taxas de ATR por tonelada. Já nas aplicações em final de safra, o produto age inversamente, ou seja, faz com que o nível de açúcar caia mais deva-gar, já que nessa época o ATR tende a re-cuar, pois a cana vem de um período com boas taxas de açúcar para, então, entrar em um período chuvoso, que é o de final de ano. Além dessas, existem também apli-cações de meio de safra, que exploram ao máximo o potencial de variedades alta-mente produtivas em caso de chuvas de inverno, que derrubam rapidamente a ma-turação do canavial. Atualmente, o maior mercado de maturadores é o de inicio de safra, che-gando a 80% das aplicações do produto. Benefícios Uma das vantagens decorrentes da utilização desse produto é a obtenção de uma matéria-prima com maior teor de sa-carose entregue nas pontas da safra, o que resulta em maior produtividade industrial. Além disso, ele possibilita estender a du-ração da safra com consequente aumento da quantidade de cana moída. Segundo o professor titular da Esco- ALE CAROLO Jedir Fiorelli: “Atualmente, cerca de 15% da área total de cana-de-açúcar no Brasil recebe aplicação de maturadores” HERBISHOW
  • 59. 59 la Superior de Agricultura “Luiz de Quei-roz” (ESALQ), da Universidade de São Pau-lo (USP), Paulo Roberto de Camargo e Castro, entre os benefícios decorrentes da utilização dos maturadores estão o es-tabelecimento de uma estratégia para a produção agrícola e para a logística, de maneira a maximizar o fornecimento de material para a indústria com pontualida-de e qualidade adequadas. Com relação aos ganhos em logís-tica, Fiorelli, da DuPont, conta que se os custos forem colocados na ponta do lá-pis, é possível constatar que os ganhos fi-nais são exponencialmente maiores. “Se aumentarmos o ATR, o custo por quilo de açúcar transportado é menor, pois trans-portamos menos água para a usina”. O coordenador de marketing ressal-ta, ainda, que o modelo atual de colheita acaba por levar mais pontas para a indús-tria, fazendo com que o ATR seja pressio-nado para baixo. “Existem trabalhos que mostram que a concentração do que nos interessa está nos colmos e não nas pon-tas. É importante que o maturador ajude a diminuir este problema, contribuindo para o ganho de ATR também no ponteiro.” Na Usinas Itamarati, de Nova Olím-pia, MT, em 2014 quase 2.500 hectares re-ceberam a aplicação de maturador no sentido de buscar uma melhora de ATR no início da safra. O gerente de desenvol-vimento tecnológico da empresa, Rogé-rio Pontes Xavier, afirma que, neste caso, geralmente a aplicação é realizada com o intuito de promover um melhor ge-renciamento da colheita, sendo aplicado principalmente nas variedades precoces e médias. Ganhos de ATR durante a safra DUPONT
  • 60. 60 Outubro · 2014 Rogério Pontes Xavier conta que a aplicação dos inibidores de florescimento é realizada nas variedades a serem colhidas do meio para o final de safra e que apresentam uma forte tendência ao florescimento/isoporização DIVULGAÇÃO USINAS ITAMARATI Xavier conta que o uso de maturador vem sendo utilizado há vários anos na em-presa. Porém, a aplicação desta tecnologia tem sido intensificada nos últimos anos. Variedades As perdas ocasionadas pelo manejo inadequado de variedades são enormes. Desta forma, é importante que o manejo com os maturadores esteja atrelado à cur-va de maturação das variedades. As canas precoces, por exemplo, respondem me-lhor à aplicação de maturadores no início da safra do que as médias e tardias. Segundo o professor da USP, as dife-rentes variedades de cana-de-açúcar po-dem responder aos agroquímicos de for-ma eficiente ou se mostrarem indiferentes à aplicação do maturador. “Mas devemos considerar que temos, pelo menos, três boas opções de fitoquímicos disponíveis no mercado com diferentes modos de ação e que as variedades respondem dife-rentemente em função do clima e do solo em que são cultivadas”, afirma Castro. Na Usina Jalles Machado, localizada no município de Goianésia, na Região do Vale do São Patrício, GO, as canas que re- HERBISHOW
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  • 62. 62 Outubro · 2014 cebem aplicação de maturadores são as canas precoces e médias, que serão colhi-das até o final de maio, e com idade mé-dia de 12 meses acima, e as canas médias, que estão em pivôs e que são colhidas de junho a agosto. A gestora de planejamento, pesquisa e desenvolvimento da empresa, Karoline Fernandes Rodrigues, conta que a unida-de utiliza maturadores desde 2007. “Neste ano, 23% da nossa área recebeu a aplica-ção do produto.” Inibindo o florescimento O maturador age, também, como um importante aliado das usinas na hora de inibir o florescimento da cana, proces-so muito comum que implica em diver-sas alterações morfofisiológicas na planta, gerando impactos desfavoráveis na área agrícola e industrial. As perdas provocadas pelo florescimento fazem com que todas as práticas investidas em tratos culturais, equipamentos de ponta e outras tecnolo-gias utilizadas no sistema produtivo, se-jam perdidas por meio dos baixos rendi-mentos, tanto em peso de colmos, quanto em eficiência de recuperação industrial. Estima-se que, em variedades florífe-ras colhidas em meio e final de safra que não sejam inibidas, as perdas podem che-gar a 30% (tha). Aumento do teor de fi-bra e decréscimo da umidade dos colmos também são prejuízos decorrentes des-se processo. O florescimento causa tam-bém a isoporização – ou chochamento –, que se caracteriza pelo secamento do in-terior do colmo e da perda de peso final, por conta da redução do volume de caldo. Os inibidores têm como função pau-sar o crescimento da planta que, desta for-ma, não emitem folhas novas, diminuindo o numero de células de cloroplasto e, con-sequentemente, de citocromos. Estes, em menor número, não são capazes de pro-duzir os estímulos necessários para o flo-rescimento, mesmo se todos os fatores, como clima e temperatura, induzirem a isto. Somente neste ano, a Usinas Ita-marati aplicou o inibidor de florescimen-to em 3.000 hectares. Neste caso, a apli-cação é realizada nas variedades a serem ARQUIVO CANAONLINE HERBISHOW
  • 63. 63 colhidas do meio para o final de safra e que apresentam uma forte tendência ao florescimento/isoporização. Segundo o gerente de desenvolvi-mento tecnológico, Rogério Pontes Xa-vier, no caso do inibidor de florescimento para a região do Mato Grosso, a aplicação acompanha o período de indução do flo-rescimento, que geralmente acontece no período de 5 de fevereiro a 5 de março. Cuidados com a aplicação Existem certos fatores determinantes que influenciam na eficiência do produto. Como a aplicação é, normalmente, efetua-da através de pulverização aérea, é neces-sário que seja conduzida por um piloto ex-periente e com o auxílio de um pessoal de solo promovendo sinalização correta das áreas a serem tratadas. Ter cuidados com deriva, efeito de asa ou de cauda da aero-nave também são fatores de extrema im-portância para o sucesso da operação. Paulo Roberto de Camargo e Castro, da USP, afirma que a aplicação deve ser re-alizada preferencialmente pela manhã, a partir do nascer-do-sol, quando as plantas se encontram mais túrgidas e aptas a ab-sorver o agroquímico de forma mais efi-ciente. “Além disso, neste horário, geral-mente se tem ausência de ventos e maior umidade relativa do ar, fatores também fa-voráveis à pulverização”. Lembrando que esses fatores devem sempre estar dentro das recomendações técnicas, como umidade do ar acima de 55%, temperatura abaixo de 30°C e velo-cidade do vento variando de 3 a 15 km/h. Ele conta, ainda, que o ideal é que haja umidade no solo por ocasião do pro-cesso. Porém, em caso de previsão de chu-vas ao longo do dia, o produtor deve adiar o procedimento, pois forte precipitação até seis horas após a pulverização geral-mente causa lixiviação do maturador e perda da aplicação. Estima-se que, em variedades floríferas colhidas em meio e final de safra que não sejam inibidas, as perdas podem chegar a 30% (t/ha)
  • 64. 64 Outubro · 2014 Para a gestora de planejamento, pes-quisa e desenvolvimento da Jalles Macha-do, antes da aplicação, deve ser feito um planejamento de todas as áreas que re-ceberão o produto, onde serão confec-cionados os mapas de aplicação e con-sideradas as faixas de distância de APPs (Áreas de Preservação Permanente), cida-des e culturas vizinhas e tanques de pei-xe. “No momento do preparo da calda, deve-se utilizar todos os EPIs (Equipamen-tos de Proteção Individual), e fazer isola-mento da área a ser aplicada, checando se não há nenhuma atividade próxima”, rela-ta Karoline. Ela afirma, ainda, que a usina deve possuir pistas de pouso adequadas, se-guras e bem distribuídas, além de contar com GPS para mapear as áreas aplicadas. “Ao final do procedimento, deve ser feita a limpeza do tanque e dos bicos de aplica-ção e uma conferência das áreas aplicadas no escritório, verificando os mapas gera-dos”, finaliza. Recomenda-se que a aplicação de maturadores seja realizada preferencialmente pela manhã, a partir do nascer-do-sol, quando as plantas se encontram mais túrgidas e aptas a absorver o agroquímico de forma mais eficiente VITOR RAMOS HERBISHOW
  • 65. 65 TECNOLOGIA AGRÍCOLA O Uso de tecnologias encurta a distância entre o campo e o escritório COM A UTILIZAÇÃO DE SOFTWARES, TOPOGRAFIA E AGRICULTURA DE PRECISÃO, É POSSÍVEL REDUZIR CUSTOS, TER UM MAIOR CONTROLE DAS OPERAÇÕES, MINIMIZAR FALHAS DE APLICAÇÃO E ALCANÇAR MELHORES RESULTADOS NO CANAVIAL Centro de Operações da Irrigação (COI): acompanha em tempo real as atividades Daniela Rodrigues – Usina Jalles Machado Fotos: Comunicação Jalles Machado Para aumentar a produtividade da cana, a Unidade Otávio Lage, que integra o Grupo Jalles Machado, de Goiás, investe em irrigação e fertirrigação com o uso das mais modernas tecnologias. Além de reduzir custos com mão de obra, a empresa consegue ter maior controle das operações e alcançar melhores resultados.
  • 66. 66 Outubro · 2014 “Estamos em uma das regiões mais secas do País, por isso, um bom manejo de irrigação e investimentos em tecnolo-gia são fundamentais para se ter uma boa produtividade”, ressalta o gestor de irriga-ção, Patrick Francino. O uso de tecnologias encurtou a dis-tância entre o campo e o escritório. O Cen-tro de Operações da Irrigação (COI) é uma sala com monitores e computadores onde, com a utilização de softwares, é possível acompanhar, em tempo real, o andamen-to das atividades. Um destes sistemas permite rastrear os pivôs e, com o auxílio de um segundo software, ter total acesso e controle sobre os equipamentos. Também foi possível eli-minar os acidentes com os pivôs que, ape-sar de poucos, geravam custo para a em-presa, e reduzir a mão de obra, passando de 130 operadores para 77. Apontamentos que antes eram feitos no campo também passaram a ser realiza-dos no COI, via rádio. “Nesta sala, é possí-vel fazer toda a gestão do processo e toda a informação que precisamos é de lá que retiramos. Com isso, ganhamos mais agili-dade e temos um maior controle e confia-bilidade nos dados”, explica o coordena-dor de Irrigação, José Neto. No COI, também é feito o monito-ramento das atividades de fertirrigação com vinhaça. Pelo computador, são feitos o acionamento e o controle do nível de Com o uso de software, foi possível eliminar os acidentes com os pivôs TECNOLOGIA AGRÍCOLA
  • 67. 67 cada tanque de vinhaça. Mas a tecnologia não está apenas no COI. Para garantir uma irrigação eficiente, os equipamentos de campo foram auto-matizados. Os pivôs rebocáveis possuem um sistema propulsor próprio, que se auto -reboca, não necessitando de trator, o que téis, por exemplo, são esticados de forma paralela, por um trator que utiliza dados georreferenciados (GPS). Treinamento A utilização de novas tecnologias requer uma mão de obra qualificada. A permitiu a retirada de dez tratores mé-dios da frota e de 36 operadores de má-quinas do processo, gerando uma grande economia. Topografia e Agricultura de Precisão são muito utilizadas para reduzir possíveis falhas de aplicação de vinhaça. Os carre-empresa criou um departamento para promover cursos de capacitação e qualifi-cação na área agrícola e, em parceria com o SESI, o SENAI e o SENAR, oferece treina-mentos para os colaboradores. No primeiro semestre deste ano, já foram treinados 192 colaboradores do Se- O Grupo Jalles Machado investe em irrigação e fertirrigação com o uso das mais modernas tecnologias
  • 68. 68 Outubro · 2014 TECNOLOGIA AGRÍCOLA tor de Irrigação e Fertirrigação da Unidade Otávio Lage para operar pivô, motobom-ba, trator e GPS Barra de Luz, num total de 3.712 horas de treinamento. O instrutor Bento Paulino explica a importância desse trabalho. “Buscamos sempre a segurança da aplicação da mão de obra no campo com operações bem feitas. Os treinamentos também contri-buem muito nos resultados finais de cus-tos, com maior disponibilidade de traba-lho do equipamento em campo e até nas medições de consumo de combustível”, ressalta. Mulheres no campo A utilização de todas essas tecnolo-gias também favoreceu o trabalho das mu-lheres no campo. Hoje, dos 173 colabora-dores da irrigação e fertirrigação, 44 são mulheres. “Elas estão em todas as funções do processo, desde a operação de moto-bombas, máquinas agrícolas e até cargos de liderança. São muito responsáveis, de-dicadas e extremamente cuidadosas com os equipamentos”, ressalta o coordena-dor de Fertirrigação e Irrigação, João Car-los Amorim. Jandira Alves de Brito Chaves, 47 anos, é um exemplo. Ela iniciou na Unida-de Otávio Lage em 2010, como operado-ra de motobomba. Em 2011, fez o curso de operador de máquinas. Em 2013, foi pro-movida a líder de frente e hoje tem uma equipe de 30 pessoas. “Eu era dona de casa e resolvi traba- Os carretéis são esticados de forma paralela, por um trator que utiliza dados georreferenciados (GPS)
  • 69. 69
  • 70. 70 Outubro · 2014 lhar na Unidade Otávio Lage. Voltei a es-tudar em 2011, fazendo o curso do EJA (Educação de Jovens e Adultos), e conclui o Ensino Médio em outubro de 2013, ofe-recido também pela empresa. E me deram oportunidade e eu me dediquei. Não ima-ginava que pudesse chegar tão longe a essa altura da vida”, ressalta. A líder de frente também faz planos No primeiro semestre deste ano, já foram treinados 192 colaboradores do Setor de Irrigação e Fertirrigação da Unidade Otávio Lage A ex-dona de casa Jandira iniciou como operadora de motobomba, fez o curso de operador de máquinas e hoje lidera uma equipe de 30 pessoas para o futuro. “Tudo o que eu sei agradeço à empresa e não vou parar por aqui. Que-ro fazer o curso Técnico em Agricultura”, completa. TECNOLOGIA AGRÍCOLA
  • 71. 71 SOLUÇÕES INTEGRADAS Novo canavial exige novas tecnologias O CANAVIAL GANHA HEAT®, NOVO HERBICIDA QUE PROMETE UM GOLPE FULMINANTE NAS PLANTAS DANINHAS DE FOLHAS LARGAS DE DIFÍCIL CONTROLE, PARA USO EM CANA-PLANTA ATÉ O QUEBRA-LOMBO, ASSOCIADO A GRAMINICIDAS. MAIS UM REFORÇO PARA O PACOTE DE SOLUÇÕES INTEGRADAS O produtor pode contar com novas tecnologias para produzir um canavial com alta concentração de biomassa
  • 72. 72 Outubro · 2014 O canavial mudou. Cada vez me-nos o fogo faz parte do cená-rio. A cana crua ocupa o lugar da cana queimada. Na hora do corte, os fa-cões foram trocados pelas colhedoras e a palhada da cana passou a cobrir o solo. A palha trouxe ganhos agronômicos – como fornecimento de nutrientes – e ganhos econômicos ao servir como matéria-pri-ma para a produção de energia e etanol celulósico. No entanto, segundo Pedro Jacob Christoffoleti, pesquisador e professor da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultu-ra Luiz de Queiroz), a extinção do fogo e a extensa camada de palha proporcio-nam alterações no microclima dos ca-naviais, como mudanças na intensidade de luz, na temperatura e na umidade do solo. Essas características alteraram a flo-ra infestante dos canaviais. Nos últimos anos, foi notado um aumento bastante expressivo de certas espécies de plantas daninhas que, até o início dos anos 2000, não eram facilmente encontradas, como Mamona, Mucuna, Merremias, Melão-de-são- caetano e Ipomeias. Chamadas de 4MI’s, essas daninhas de folhas largas tornaram-se um dos prin-cipais problemas desse novo canavial, que passou a existir com a mecanização da co-lheita de cana crua. Essas plantas, além de provocarem competição por água, luz e nutrientes, podem acarretar sérios proble-mas à colheita mecanizada, já que “embu-cham” as máquinas e impedem que a co-lheita seja normal. Para o consultor Weber Valério, só- SOLUÇÕES INTEGRADAS Luciana Paiva
  • 73. 73 cio da Consult Agro e AgroAnalítica, quem passa sufoco para controlar gramíne-as deve rever seus métodos, pois não fal-tam boas opções de controle. Atualmente, para o consultor, o problema está em con-ter a disseminação das folhas largas. Chegou Heat® para o controle das folhas largas Ao encontro dessa necessidade do setor, a BASF lançou, neste mês de outu-bro, para a cultura de cana-de-açúcar o herbicida Heat®. Carulina Oliveira, geren-te de Marketing de Cana, Citros e Amen-doim da Unidade de Proteção de Cultivos da BASF, explica que o Heat® age de ma-neira rápida, tem alta absorção sem dei-xar de ser altamente seletivo para cultura. É direcionado para controle das principais plantas daninhas de difícil controle, para uso em cana-planta até o quebra-lombo, associado a graminicidas. A molécula Saflufenacil é um novo herbicida da classe química das pirimidi-nadionas (uracila), sendo um potente ini-bidor da enzima protoporfirinogene oxi-dase (Protox). Este herbicida foi aprovado para uso nos Estados Unidos em 2011. No Brasil, o Saflufenacil teve seu registro aprovado e foi lançado como produto co-mercial em 2013 com a marca comercial Heat®. O lançamento inicial foi para cere-ais e, agora para cana. Desde 2006, a BASF realiza estudos de uso do Heat® na cultura de cana, foram 40 áreas testadas com o acompanhamen-to e respaldo de profissionais de usinas, produtores, pesquisadores e consultores, segundo Daniel Medeiros, da área de de-senvolvimento de mercado da BASF. Entre os que realizam estudos com o Heat® está o pesquisador Christoffole-
  • 74. 74 Outubro · 2014 SOLUÇÕES INTEGRADAS ti, que desenvolve o trabalho em parceria com a Agrocon Assessoria Agronômica. O resultado dos estudos apontou que Heat® tem ação pós e pré-emergente; a aplicação na cana-planta tem ação resi-dual até a operação de quebra-lombo; ex-celente custo-benefício, controle eficaz de folhas largas, entre 95% a 100%; tem ação rápida; seletivo para todas as variedades de cana; apresenta a menor pressão de va-por do mercado, sem os riscos para cultu-ras vizinhas na aplicação aérea e pode ser rotacionado com outros ingredientes. Marcelo Nicolai, gerente técnico da
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  • 76. 76 Outubro · 2014 Agrocon, está muito animado com os resul-tados apresentados por Heat®. “Realmente é uma molécula nova, não é algo adaptado. Ficamos impressionados com a eficácia do produto. E se alguém encontrar um produ-to mais eficiente que o Heat® para contro-le de corda-de-viola, me apresente, porque não conheço”, afirma Nicolai. Heat® também agradou muito o consultor Weber Valério. “Achei essa nova molécula excelente. É um produto extre-mamente equilibrado, que atende as no-vas exigências do setor, além de controlar com eficácia as folhas largas, possibili-ta a retirada da prática de aplicação cos-tal no campo. Vamos continuar estudan-do o produto para levantar todo o seu potencial. Se essa ferramenta que a BASF está trazendo fizer 20% do que propõe, já é fantástico, vai ajudar muito.” Weber sa-lienta que para resolver os novos desafios que nasceram com esse “novo canavial, é fundamental que os profissionais e as tec-nologias se reinventem. “Não dá mais para ficar no ‘bê-a-bá’, é preciso que as práticas evoluam e que haja investimento em tec-nologia embarcada. E não adianta adqui-rir produto mais barato achando que está reduzindo custo, o importante é a eficá-cia. No caso de controle de daninhas, por exemplo, o produto ineficaz não vai con-trolar, o que leva à reaplicação, e qual é o custo disso?”, pergunta Valério. Olhos de águia no canavial Além das plantas daninhas, a ausên-cia do fogo e a palhada de cana também se tornaram ambientes férteis para a dis-seminação de pragas e doenças. E a im-plantação de canaviais com mudas sem sanidade contribui para propagar a in-festação. Soma-se a este quadro, o piso- SOLUÇÕES INTEGRADAS
  • 77. 77 teio nas soqueiras e as falhas no plantio. Tudo isso, resulta em canavial com baixa presença ou sem biomassa, justamente o contrário que o setor precisa: reduzir cus-tos e aumentar a produtividade. Carulina Oliveira salienta que a BASF oferece um pacote de soluções integradas para o setor sucroenergético aumentar a competitividade. Utilizando, inclusive, tec-nologia de ponta, como o sistema Harpia que com o auxílio de satélites colhe ima-gens do canavial, que são convertidas em um mapa georreferenciado, que oferece informações de toda a área analisada, de forma ampla e completa, permitindo um monitoramento mais eficiente dos cana-viais. O serviço possibilita quantificar as áreas com falhas, sem a presença de plan-tas, auxiliando nas estratégias para mane-jos futuros, na melhoria do gerenciamento do uso de fertilizantes, defensivos agríco-las, de mão de obra e dos insumos em ge-ral. “Harpia integra-se à estratégia da BASF de fornecer não só produtos fitossanitá-rios eficientes, mas uma gama completa de serviços que tenham como objetivo o aumento de produtividade, rentabilidade e, consequentemente, da sustentabilidade das lavouras”, diz Carulina. Canaoeste: primeira entidade de fornecedores de cana a contar com o Harpia A tecnologia já está em uso em gran-des grupos sucroenergéticos, mas o obje-tivo da BASF é disseminar o sistema no se-tor como um todo, por isso, em agosto de 2013, firmou uma parceria com a Asso-
  • 78. 78 Outubro · 2014 ciação dos Plantadores de Cana do Oes-te Paulista (Canaoeste). Gustavo Nogueira, gerente técnico da entidade e Alessan-dra Durigan, gestora técnica, contam que, na época, trabalhavam para montar uma equipe de técnicos para o levantamento e monitoramento de pragas e a parceria com a BASF facilitou a implantação e via-bilizou o trabalho da equipe, que foi trei-nada pela multinacional. O monitoramento iniciou em setem-bro de 2013 e terminou em junho de 2014, foram mapeados 29 mil hectares, contem-plando 200 produtores (pequenos, médios e grandes) em mais de 50 municípios das 12 sedes da Canaoeste. Os mapas apre-sentados indicavam os pontos de baixa ou ausência de biomassa, a equipe, munida com GPS, ia até essas áreas (normalmen-te acompanhada do produtor), realizava as Equipe da Canaoeste vai até ponto indicado pelo Harpia, com presença de baixa biomassa, e realiza trincheira para constatação de pragas
  • 79. 79 Gustavo Nogueira e Alessandra Durigan: muitos satisfeitos com o Harpia amostras e depois os produtores recebiam o diagnóstico da razão da falta de biomas-sa, se fosse praga, havia a identificação e a orientação para o controle, pois no caso da Canaoeste o objetivo do monitoramen-to era controle de pragas. Todo o processo é georreferenciado, as informações anotadas e passadas ao produtor. A equipe da Canaoeste já treinou inúmeras equipes dos associados
  • 80. 80 Outubro · 2014 Gustavo salienta que a tecnologia oferece ganho de tempo, redução de cus-tos e uso racional de insumos, pois identi-fica quais as áreas problemas no talhão e, com isso, o produtor só aplica defensivo no local certo. Alessandra diz que a eco-nomia começa na amostragem para iden-tificação da praga, e deu como exemplo uma área de um produtor com 42 hecta-res, mas que o Harpia mostrou que o pro-blema estava em 17 hectares. A recomen-dação é fazer duas trincheiras por hectare, com o Harpia, as trincheiras foram feitas apenas nas áreas indicadas. “O sistema é muito assertivo. Se indi-ca que há baixo índice de biomassa, pode ir conferir que realmente há. Uma vez de-tectada a área, define-se o problema e a solução”, diz Gustavo. Mesmo sem o Har-pia, a equipe de monitoramento de pragas continua em ação e há planos para a for-mação de novas equipes, pois a demanda é grande pelo serviço prestado. O resultado do emprego da tecnolo-gia foi muito bem aceito pelo pessoal da Ca-naoeste. Para eles, foi a oportunidade de ofe-recer aos associados uma ferramenta muito importante e valiosa, focada no aumento de produtividade agrícola, redução de custos de produção e ambientalmente correta. A entidade anseia em renovar a par-ceria com a BASF, permitindo a volta do Harpia e que, dessa vez, o mapeamen-to seja realizado nos 150 mil hectares de SOLUÇÕES INTEGRADAS
  • 81. 81 Os locais indicados no mapa com as cores azuis, são os pontos georreferenciados onde a equipe irá focar os levantamentos, sendo que pelas imagens, são os locais de baixo índice de biomassa, que podem indicar os possíveis problemas como, por exemplo, ataque de pragas O controle de pragas é focado apenas nas áreas mais críticas, isso facilita na possível decisão de reforma de um talhão ou no controle das pragas apenas onde houver necessidade, auxiliando o planejamento e o manejo agronômico e sustentável das propriedades abrangência dos associados. Eles conheceram os benefícios do Harpia, a tecnologia que vê o canavial por cima e aponta onde estão as falhas, encur-tando caminho para que o setor sucroe-nergético volte a ser competitivo.
  • 82. 82 Outubro · 2014 INSECTSHOW O “chicote” é o sintoma mais característico da doença
  • 83. 83 A região Sudeste do Brasil, princi-palmente o Estado de São Paulo, vem passando por uma das maio-res estiagens de sua história. O último ve-rão, normalmente um período caracteriza-do por muitas chuvas, chegou e foi embora como um dos mais secos e quentes já re-gistrados. Essa severa estiagem permane-ceu nos meses seguintes, inclusive em se-tembro e outubro, quando, praticamente, não houve chuva. Essa seca interminável é extrema- O agente causador do carvão está presente em todas as regiões do Brasil, sendo que sua primeira constatação foi em 1946 Leonardo Ruiz PRESENTE EM TODAS AS REGIÕES DO BRASIL, O CARVÃO PODE CAUSAR DIVERSOS DANOS À CANA-DE-AÇÚCAR, SENDO QUE AS PERDAS PODEM CHEGAR A 100% EM VARIEDADES SUSCETÍVEIS Enegrecendo o canavial DIVULGAÇÃO
  • 84. 84 Outubro · 2014 mente prejudicial para a cana-de-açú-car, que tem seu desenvolvimento afeta-do. Nessa safra, a estiagem deve provocar uma quebra de 50 milhões de toneladas. Outro fator negativo decorrente de um período seco é o aparecimento de pragas e doenças, que encontram condições mais favoráveis para suas incidências. Uma des-sas doenças é o carvão, causada pelo fun-go Sporisorium scitamineum, cujo período Roberto Chapola: “sob condições de estresse, mesmo variedades resistentes ao fungo podem apresentar sintomas da doença” DIVULGAÇÃO CTC Enrico De Beni Arrigoni: “O carvão é uma doença sistêmica, ou seja, uma vez que a planta é infectada, ele estará presente na touceira toda, inclusive nos perfilhos” INSECTSHOW
  • 85. 85 seco favorece a disseminação, a penetra-ção e a infecção dos esporos pela lavoura. Roberto Chapola, pesquisador cien-tífico da Ridesa/UfSCar, ressalta que sob condições de estresse, mesmo varieda-des resistentes ao fungo podem apresen-tar sintomas da doença, pois estão menos resistentes e não conseguem desenvolver todo o seu potencial. As perdas relaciona-das ao carvão são mais visíveis sobre as soqueiras do que na cana-planta e a ma-nifestação é mais pronunciada no perío-do do perfilhamento, com picos de carvão bem pronunciados. Histórico O Carvão da cana-de-açúcar tem provocado muitos prejuízos ao longo das últimas décadas, sendo temido devido aos altos níveis de danos. Segundo o pesqui-sador do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Pau-lo, Pery Figueiredo, essa doença foi cons-tatada no Brasil em 1946. Naquela época, a prática de controle adotada era radical, e consistia na exclusão total da doença. “Naquela oportunidade, só era permiti-do o plantio de variedades altamente re-sistentes (AR). Além disso, a Comissão do Carvão da Cana mantinha vigilância cons-tante nos canaviais, eliminando qualquer foco de carvão que aparecia nas lavouras”. Esta ação radical, explica Pery, dei- “Em certas regiões do Brasil, o nível de infestação é muito alto, favorecido pela disseminação dos esporos pelo vento”, diz Figueiredo
  • 86. 86 Outubro · 2014 xou o melhoramento genético de cana-de -açúcar no Estado de São Paulo em situa-ção muito difícil, pois os programas tinham de obter variedades com boas caracterís-ticas agroindustriais e imunes ao carvão, sem esquecer-se da resistência às outras doenças importantes da cana-de-açúcar. Na década de 1970, um grupo de fi-topatologistas estabeleceu uma nova me-todologia de controle e conceitos sobre resistência ao carvão. “Porém, isso só foi possível depois de anos de experimenta-ções de campo em quatro estados: São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janei-ro, que permitiram a adoção de um gra-diente de resistência para agrupar as va-riedades cultivadas comerciais em três grupos: altamente resistentes (AR), resis-tentes (R) e resistentes intermediárias (RI) que sempre exigem práticas de manejos direcionadas para o controle dessa doen-ça”, afirma Figueiredo. Antonio Ribeiro: “não existe variedade imune ao carvão” Estima-se que, a cada 1% de touceiras infectadas, há redução de 0,89% na produção de cana (TCH) INSECTSHOW DIVULGAÇÃO CTC
  • 87. 87
  • 88. 88 Outubro · 2014 Características O fungo causador da doença infec-ta tecidos não diferenciados, como os me-ristemáticos, e a base das escamas das gemas, colonizando, desta forma, toda a planta. “O carvão é uma doença sistêmi-ca, ou seja, uma vez que a planta é infec-tada, ele estará presente na touceira toda, inclusive nos perfilhos, o que implica di-retamente na necessidade de controle da doença”, conta o gerente de qualidade e fitossanidade do CTC (Centro de Tecnolo-gia Canavieira), Enrico De Beni Arrigoni. Uma vez infectada, a planta pode apresentar um comportamento diferen-ciado, como limbo foliar estreito e cur-to, colmos mais finos e, ocasionalmente, superbrotamento da touceira. Figueire-do, do IAC, afirma que o fungo modifica o meristema apical da cana, liberando o sin-toma mais característico da doença, deno-minado “chicote”, de tamanhos diferentes, que surge, inicialmente, coberto com uma capa prateada e que depois se rompe, li-berando estruturas reprodutivas do fungo, chamadas de teliósporos, de coloração preta e semelhante a um pó fino, lembran-do pó de carvão. “Além do meristema api-cal, os chicotes podem aparecer nas bro-tações laterais, pela planta já infectada, ou por teliósporos vindos do ar que realizam novas infecções nas gemas do colmo”. Segundo ele, em certas regiões do Brasil, o nível de infestação é muito alto, favorecido pela disseminação dos espo-ros pelo vento, principalmente em regi-ões de solos arenosos e com baixa re-tenção de água, de fraca fertilidade e reforçado pelo longo período de seca. “Nestas condições, esse patógeno pode até quebrar a resistência de muitas varie-dades comerciais importantes para o se-tor, consideradas, até então, como resis- INSECTSHOW É importante que as mudas para o plantio sejam oriundas de viveiros com alta sanidade, em que se pratica o Roguing
  • 89. 89 tentes”, afirma Figueiredo. Com relação aos prejuízos econômi-cos causados pela doença, o pesquisador do IAC afirma que há casos de perdas ele-vadas de até 60% da produção e, em ou-tras ocasiões, os danos são bem menores. “A manifestação do carvão em uma mes-ma variedade difere muito em função da qualidade da muda. As originárias de vi-veiros com tratamento térmico, rogadas, geralmente são isentas da doença quando seguido o plantio em solos bem prepara-dos e desinfestados de focos da doença”. Para Arrigoni, do CTC, em variedades suscetíveis podem ocorrer perdas médias de 40% na produção agrícola. “Determi-nou- se que cada 1% de touceiras infecta-das resulta em 0,89% de redução na pro-dução de cana (TCH)”. Prevenção O engenheiro agrônomo e pesqui-sador da Ridesa/UFSCar, Antonio Ribeiro Fernandes Junior, salienta que não existe variedade de cana imune ao carvão. Por isso, a indicação é o plantio de variedades
  • 90. 90 Outubro · 2014 altamente resistentes. Porém, só isso não basta, é preciso ter viveiros sadios e mu-das de qualidade. Chapola complementa salientando que é preciso reforçar com aplicação de fungicida nas mudas por meio do trata-mento térmico. Arrigoni reforça os cuidados: por se tratar de um fungo com poder de disse-minação pelo vento, é importante que se elimine fontes de inóculo, ou seja, que se substitua variedades suscetíveis que pos-sam estar portando o fungo. “O contro-le genético com uso de variedades resis-tentes e intermediárias ainda é o controle menos oneroso. Além disso, é imprescin-dível a realização do controle cultural com o plantio de mudas oriundas de viveiros com alta sanidade, onde se pratica o Ro-guing, técnica que elimina plantas indese-jadas dos viveiros, como as doentes com carvão, pois isto evita o plantio de mate-rial já doente em áreas comerciais e a dis-seminação de fontes de inóculo”. O gerente conta que, atualmente, os programas de melhoramento somente li-beram variedades resistentes e intermedi-árias ao carvão, contribuindo no controle e reduzindo a possibilidade de perdas na cultura em função desta doença. Entre as variedades altamente resistente ao carvão, INSECTSHOW A forma mais eficiente para controlar a doença é através do uso de variedades resistentes
  • 91. 91 estão: IACSP 95-5000, IACSP 95-5094, IA-CSP 97-4039, CTC 4 e RB 92-579. “Todas as variedades RB são alta-mente resistentes ao carvão, mas se forem cultivadas em ambientes propícios e em condições para a disseminação da doen-ça, correm o risco de apresentar carvão”, diz Antonio Ribeiro. Segundo ele, o apa-recimento da doença está acorrendo até mesmo com a RB-867515, a mais planta-da no Brasil por causa de sua rusticidade. Além do uso de variedades resisten-tes, ressalta-se a necessidade de um reco-nhecimento prévio do ambiente de pro-dução, tipo de solo, fertilidade, clima da região e se a área em questão foi cultiva-da com variedades suscetíveis ao carvão. Nessa questão, é recomendável, portanto, a rotação de cultura ou deixar o terreno em pousio por uns meses antes do plan-tio, complementando com a retirada de canas remanescentes e de um bom pre-paro do solo. É aconselhável, também, o tratamento dos toletes com fungicidas, vi-sando proteção contra a ação de fungos do solo, principalmente em plantios de inverno. A seca e os incêndios nos canaviais, inclusive em áreas de mudas de cana, mar-cam um cenário de falta de material ade-quado para a renovação dos canaviais. Chapola destaca que isso é preocupante, pois levará ao plantio de canas comerciais, muitas vezes com pragas e doenças, como o carvão. Será necessária muita atenção. DIVULGAÇÃO CTC