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ÉTICA Elaborado por Edson A.Ortiz de Camargo.
Afinal o que é ética?
Segundo o filósofo Adolfo Sanches Vasquez em seu livro “Ética”:
O CONCEITO DA ÉTICA A ética não cria a moral. Porque depara-se com uma experiência  histórico-social  no terreno da moral, isto é: com uma serie de práticas morais já em vigor, e partindo delas: procura determinar a essência da moral e sua origem;
as condições objetivas e subjetivas do ato moral, e a função dos juízos morais; os critérios de justificação destes juízos; e o principio que rege as mudanças e a sucessão de diferentes sistemas morais.
Dessa forma a ética é  a teoria ou ciência do comportamento  moral dos homens.
No entanto a ética não se confunde com a moral. Isto porque a  moral  é a regulação dos valores, normas, e atitudes considerados legítimos por uma determinada sociedade, um povo, uma religião, costumes, uma certa tradição cultural.
Há muitas tentativas de justificação dos atos morais. Há entre os criminosos uma regra de comportamento que se diz moral. Isto significa que a moral é um fenômeno social  particular  (Interesses individuais ou de grupos) que não tem necessariamente compromisso com a  coletividade  e com a  universalidade  (exigência de toda teoria ética) isto é:
Com o que é válido e de direito para todos os homens.
Mas qual a saída para fugir do relativismo moral? Mas então, todas e quaisquer normas morais são legitimas? Não deveria existir uma forma de julgamento das normas e validade morais?
EXISTE !!! E essa forma é o que chamamos de... ÉTICA
A ética é uma reflexão crítica sobre a moralidade. Mas ela não é só teoria. A ética é um conjunto de princípios e disposições voltados para a ação. É uma referência para os seres humanos em sociedade, de modo que a sociedade possa se tornar cada vez mais humana.
A ética pode ser incorporada criticamente pelos indivíduos, sob a forma de uma atitude diante da vida, capaz de julgar com critérios o apelo acrítico da moral. Mas a ética, assim como a moral não é um conjunto de verdade fixas e imutáveis.
O objeto da ética Problemas morais e éticos.  Podemos considerar (A partir dos alemães  kantianos) que a moralidade possui duas esferas: A moral, (do latin moralis que significa costumes) se refere aos costumes, valores, regras e normas de conduta de uma sociedade ou cultura.(Dicionário Básico de Filosofia – Japiassú/Marcondes)
A ética (do grego ethike diz respeito a costumes) tem por objetivo elaborar uma reflexão sobra a moralidade: a finalidade da vida humana, os fundamentos da obrigação e do dever, a natureza do bem e do mal, o valor da consciência moral(Dicionário Básico de Filosofia. Japiassu/Marcondes)
Dessa forma, quando o homem enfrenta uma determinada  situação que deverá decidir o que fazer, e quando utiliza uma norma de conduta aceita pela sociedade, estamos na esfera moral ou prática.
Quando o homem reflete sobre seus atos, na tentativa de julgar se procedeu certo ou não, com justiça ou não, estamos na esfera da ética ou da teoria.
Uma pequena reflexão: “Visitando um antigo cemitério, impressionou-me a inscrição, na lápide de uma mulher, de um epitáfio colocado por sua família. Dizia: Ela fez o que pôde. Acho que não existe melhor resumo para uma vida bem vivida, uma vida eticamente vivida. Ela fez o que pôde. Mais não fez, porque mais não podia fazer.Mas, e principalmente isso, não fez menos do que podia fazer”.{...} Moacir Scliar.
Provocações! Quantos de nós receberá essa inscrição em sua lápide? Quem poderá dizer que fez tudo a seu alcance? Ou mesmo quem poderá argumentar que viveu praticando a máxima, no qual se diz que devemos fazer aos outros aquilo que gostaríamos que estes fizessem por nós?
Calma
Para isso existe a ética: para  nos tornar mais humanos.
Mas qual teoria ética devemos considerar? Talvez a resposta mais apropriada à essa pergunta seja: devemos conhecer todas. Mas como isso muitas vezes não é possível: vamos nos referir apenas à algumas:
No campo da reflexão sobre o agir humano, destacam-se ainda hoje três grandes tradições filosóficas.
A primeira teoria ética escolhida, entre tantas, refere-se aos escritos do filósofo Aristóteles (384-322 a.C) que definiu a sua teoria como “ciência das virtudes”.
O que caracteriza esta ética é que ela estuda o agir a partir de uma concepção do homem como  animal político,   que tem linguagem e muitas vezes age logicamente e que precisa desenvolver-se dentro de uma sociedade concreta, num período de tempo, dentro de formas concretas de governo de uma cidade, se quiser ser feliz.
O ideal de Aristóteles  é o do homem virtuoso,  significando a virtude uma força, um vigor, uma excelência relacionada aos valores práticos e intelectuais da existência. O mais virtuoso seria o mais capaz de realizar-se como homem, atingindo assim a felicidade.
UTILITARISMO. A segunda teoria ética da tradição é a corrente anglo-saxão denominada por “Utilitarismo”. Seu  idealizador foi o filósofo Jeremy Bentham (1748-1832).
Bentham, autor do “Princípio da Moral e da Legislação”, formulou a regra que caracteriza a corrente: “ A máxima felicidade possível do maior número possível de pessoas”. Sua ética é baseada no fugir à  dor  e buscar o  prazer:  a felicidade está no prazer (bem a ser buscado), devendo-se evitar a dor (mal). Um certo retorno ás teses epicuristas, principalmente a do hedonismo.(prazer).
Virtude:  renunciar a um prazer imediato, com vistas a um prazer futuro e mais elevado. Esta formulação ética é útil e prática, tem a vantagem de não perder tempo em especulações que acabam atrapalhando o agir humano.
ÉTICA KANTIANA A terceira teoria ética que vamos abordar é a kantiana, centrada na noção de  “dever” . Partindo das idéias da vontade e do dever, reflete sobre a felicidade e sobre a virtude.
Kant formula o  imperativo categórico , nos seguintes termos: “ Age de tal modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre ao mesmo tempo como princípio de uma legislação universal”.  É apenas uma fórmula, porém Kant, que gostava de ciências e não tinha a intenção de criar uma nova moral, estava preocupado em fornecer-nos  uma nova forma segura de agir.
No entanto, com ou sem intenção, Kant com seu  imperativo categórico  nos forneceu um critério para o agir moral. No qual o segredo de sua ética remonta a agir de maneira  universalizável . A universalização de nossas máximas (em si subjetivas) é o critério.
O  dever   obriga, força-nos a fazer o que talvez não quiséssemos ou que pelo menos  não nos agradaria, porque  o homem não é perfeito nem simples,e sim dual. Mas este mesmo dever, quando nos força, obriga a fazer aquilo que favorece a liberdade do homem, porque o homem é um ser  autônomo , isto é, sua liberdade, no sentido positivo, consiste em poder realizar o que ele vê que é melhor, o mais racional.
Pela escolha referida até aqui, podemos resumir as escolas com o seguinte esquema: Aristóteles e a ética como a  “ciência dos valores” . No qual o  homem age por  virtude. Bentham e o utilitarismo, no qual  o homem age pelo  “útil”   cálculo em busca do prazer,  evitando dor.(Hedonismo) Kant e a ética formal, no qual o homem age por  “dever” .
Passamos agora a examinar às escolas éticas ditas aplicadas.
Ética aplicada A expressão “ética aplicada” surge nos EUA nos anos sessenta, para designar os novos rumos de investigação ética na sociedade.
A ética aplicada  reúne  três grandes campos.  1. A bioética. 2. a ética dos negócios. 3. a ética ambiental.
A denominação “ética aplicada” refere-se à análise ética das situações precisas e privilegia a resolução prática. A importância é dada “ao contexto, à análise das conseqüências, à tomada de decisões.
Esse propósito, mais descritivo que reflexivo, exerce-se nos setores sociais e profissionais. Os três campos da ética aplicada têm sua origem nas preocupações principais das sociedades industriais, a saber: os progressos da medicina, as relações socioeconômicas e as expectativas  e ações voltadas para o equilíbrio natural.
A bioética é um novo campo de investigação ética sobre os métodos e as práticas em biomedicina. A bioética interessa-se pelo conjunto dos problemas causados pela biomedicina, tanto no que se refere ao homem, bem como com os animais. A bioética dialoga com a ética e com a medicina, possibilitando a criação de um espaço público aberto e democrático, no qual as instituições envolvidas podem exprimir e discutir o objetivo de suas convicções e de seus valores colocados em discussão pelo progresso médico.
A ética de negócios ou ética profissional, apresenta-se como campo de investigação ética muito abrangente, pois envolve todos os setores profissionais das sociedades industrializadas. A multiplicação e a evolução das práticas profissionais e o fenômeno da burocratização tornam complexas as estruturas sociais.
Dessa forma, é fácil compreender porque as reflexões éticas ligadas às diversas profissões solidificaram-se sob a forma de ética profissional. A ética do meio ambiente abrange a investigação e o questionamento com o propósito de conhecer as relações que o ser humano mantém com o meio ambiente.
A reflexão procura justificar um conjunto de comportamentos, de atitudes e de valores em  relação aos animais, aos seres vivos, às áreas biológicas e à biosfera, dialogando com o desenvolvimento tecnocientífico. A ética aplicada promove um diálogo entre as práticas cientificas, profissionais e ambientais com novos avanços tecnológicos.
A  ética prática de Peter Singer. O filósofo contemporâneo Peter Singer associa-se à Ética aplicada, e por isso, pode tratar de assuntos emergentes em nosso sociedade.
Em seu livro “Ética Prática” Singer apresenta os seguintes temas ligados á ética aplicada. A natureza da ética A noção de igualdade Os direitos dos animais. A eutanásia. O aborto.
A fome no mundo O problema dos refugiados A ética do meio ambiente A desobediência civil A natureza da ação ética O sentido da vida.
O princípio de imparcialidade na ética aplicada de Peter Singer  A teoria ética de Peter Singer parte do utilitarismo de Jeremy Bentham. A diferença é que enquanto  para Bentham o utilitarismo é a máxima felicidade possível para o maior número possível de pessoas,  para Peter Singer trata-se de levar em consideração o interesse de todas as pessoas envolvidas.
Consequencialismo  O utilitarismo de preferência de Peter Singer não leva em consideração nem a noção de virtude, nem a noção de dever tradicionais. Isto porque o utilitarismo é a teoria ética mais conhecida do consequencialismo. No consequencialismo, fazemos um prognóstico das conseqüências e escolhemos a ação que trará as melhores conseqüências para as pessoas atingidas por minha ação.
O consequencialismo procura promover os valores morais, enquanto as teorias “não-consequencialistas” (Deontologicas) procuram honrar os valores, sem no entanto promovê-los. Exemplo: Um certo governo valoriza a tolerância e surge um movimento político com idéias intolerantes que está cada vez mais exercendo grande influência.
Se esse governo estiver interessado verdadeiramente em promover a tolerância, não tolerará esse movimento político, e, em nome da tolerância, tomará medidas duras para lhes por fim.
Com essa atitude, o governo estaria reagindo de uma forma conseqüencialista ao valor da tolerância, pois, segundo esta teoria, todo agente deve promover os valores e não  honrá-los.
A QUESTÃO DA IGUALDADE O principio tradicional de igualdade afirma que todos os homens são iguais.  Peter Singer refuta esse princípio e propõe o  princípio de igual consideração de interesses.
(...)” Vimos que, ao fazer um juízo ético, devo ir além de um ponto de vista pessoal ou grupal, e levar em consideração os interesses de todos os que forem por ele afetados. Isto significa que refletimos sobre os interesses, considerados simplesmente como interesse, e não como meus interesses, ou como interesses dos australianos, ou de pessoas de descendência européia. Isso nos proporciona um princípio básico da igualdade:  o princípio de igual consideração de interesses ” .
A essência do princípio de igual consideração de interesses de Peter Singer, significa que em nossas deliberações morais, atribuamos o mesmo peso aos interesses semelhantes de todos os que são atingidos por nossos atos. Esse princípio é básico porque fundamenta a questão da igualdade e porque  fundamenta o princípio maior da teoria de Peter Singer. O PRINCÍPIO DE IMPARCIALIDADE.
O princípio de imparcialidade. “ Imagine, agora, que começo a pensar eticamente, a ponto de admitir que meus interesses, não podem contar mais  que os interesses alheios pelo simples fato de serem os meus interesses. No lugar deles, agora tenho que levar em conta os interesses de todos os que serão afetados pela minha decisão.”
PROPOSTA Análise do trecho do  filme de Akira Kurosawa: “Depois da chuva” Cap 2.
O princípio de imparcialidade possui uma implicação  universal . Os atos baseados no interesse pessoal devem ser compatíveis, conciliáveis com o ponto de vista universal. O princípio de imparcialidade tem como fundamento o princípio de igual consideração de interesses que apesar de não considerar uma igualdade concreta entre os homens estabelece uma maneira de considerar igualmente os seus interesses
A regra de Ouro da ética Dessa maneira Singer estabelece sua Regra de Ouro que pede para levarmos em consideração não só os nossos interesses, mas os interesses alheios. Se pretendermos levar uma vida ética, então não podemos somente levar em consideração o nosso interesse.
Imparcialidade X parcialidade Dessa forma o princípio de imparcialidade é um argumento forte para tentarmos resolver os problemas éticos da atualidade.  A ética aplicada de Peter Singer tem o mérito de procurar resolver esses questionamentos, não com argumentos parciais que visam a conservação da situação atual, não permitindo um avanço para tornar o mundo mais humano, mais abrindo e colocando as questões em busca das melhores conseqüências.
O caráter universal da teoria ética.  Para Peter Singer podemos viver de acordo com padrões éticos e viver fora dos padrões éticos. Desde que a justificação seja universal. Como em “Depois da chuva”. Para Richard Hare e Peter Singer, quando formulamos um julgamento moral, seu caráter universal exige que lhe atribuamos um valor igual aos interesses de todos.
Hare e Singer propõe o utilitarismo de dois níveis. O nível intuitivo : princípios ao qual podemos recorrer sem muita reflexão no nosso cotidiano. O nível crítico : reflexão filosófica sobre a natureza de nossas intuições morais ao qual podemos nos perguntar se desenvolvemos intuições corretas. Isto não nos afasta das definições de ética e moral referidas no início dessa exposição.
Fim Para terminar gostaria de propor a música do Noel Rosa, nosso filósofo do samba, chamada “Filosofia”.  Interpretada pelo não menos genial Paulinho da viola.  No qual o compositor faz uma reflexão sobre a moralidade de sua época.
Filosofia Filosofia - Noel Rosa O mundo me condena E ninguém tem pena, Falando sempre mal do meu nome. Deixando de saber  Se eu vou morrer de sede  Ou se vou morrer de fome. Mas a filosofia Hoje me auxilia A viver indiferente assim Nesta prontidão sem fim Vou fingindo que sou rico para ninguém zombar de mim Não me incomodo  se você me diga  Que a sociedade é minha inimiga Vou vivendo neste mundo Sendo escravo do meu samba, Muito embora vagabundo. Quanto a você Que á da aristocracia Que tem dinheiro Mas não compra alegria, Há de viver eternamente Sendo escrava dessa gente Que cultiva a hipocrisia.

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Etica cidadania

  • 1. ÉTICA Elaborado por Edson A.Ortiz de Camargo.
  • 2. Afinal o que é ética?
  • 3. Segundo o filósofo Adolfo Sanches Vasquez em seu livro “Ética”:
  • 4. O CONCEITO DA ÉTICA A ética não cria a moral. Porque depara-se com uma experiência histórico-social no terreno da moral, isto é: com uma serie de práticas morais já em vigor, e partindo delas: procura determinar a essência da moral e sua origem;
  • 5. as condições objetivas e subjetivas do ato moral, e a função dos juízos morais; os critérios de justificação destes juízos; e o principio que rege as mudanças e a sucessão de diferentes sistemas morais.
  • 6. Dessa forma a ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens.
  • 7. No entanto a ética não se confunde com a moral. Isto porque a moral é a regulação dos valores, normas, e atitudes considerados legítimos por uma determinada sociedade, um povo, uma religião, costumes, uma certa tradição cultural.
  • 8. Há muitas tentativas de justificação dos atos morais. Há entre os criminosos uma regra de comportamento que se diz moral. Isto significa que a moral é um fenômeno social particular (Interesses individuais ou de grupos) que não tem necessariamente compromisso com a coletividade e com a universalidade (exigência de toda teoria ética) isto é:
  • 9. Com o que é válido e de direito para todos os homens.
  • 10. Mas qual a saída para fugir do relativismo moral? Mas então, todas e quaisquer normas morais são legitimas? Não deveria existir uma forma de julgamento das normas e validade morais?
  • 11. EXISTE !!! E essa forma é o que chamamos de... ÉTICA
  • 12. A ética é uma reflexão crítica sobre a moralidade. Mas ela não é só teoria. A ética é um conjunto de princípios e disposições voltados para a ação. É uma referência para os seres humanos em sociedade, de modo que a sociedade possa se tornar cada vez mais humana.
  • 13. A ética pode ser incorporada criticamente pelos indivíduos, sob a forma de uma atitude diante da vida, capaz de julgar com critérios o apelo acrítico da moral. Mas a ética, assim como a moral não é um conjunto de verdade fixas e imutáveis.
  • 14. O objeto da ética Problemas morais e éticos. Podemos considerar (A partir dos alemães kantianos) que a moralidade possui duas esferas: A moral, (do latin moralis que significa costumes) se refere aos costumes, valores, regras e normas de conduta de uma sociedade ou cultura.(Dicionário Básico de Filosofia – Japiassú/Marcondes)
  • 15. A ética (do grego ethike diz respeito a costumes) tem por objetivo elaborar uma reflexão sobra a moralidade: a finalidade da vida humana, os fundamentos da obrigação e do dever, a natureza do bem e do mal, o valor da consciência moral(Dicionário Básico de Filosofia. Japiassu/Marcondes)
  • 16. Dessa forma, quando o homem enfrenta uma determinada situação que deverá decidir o que fazer, e quando utiliza uma norma de conduta aceita pela sociedade, estamos na esfera moral ou prática.
  • 17. Quando o homem reflete sobre seus atos, na tentativa de julgar se procedeu certo ou não, com justiça ou não, estamos na esfera da ética ou da teoria.
  • 18. Uma pequena reflexão: “Visitando um antigo cemitério, impressionou-me a inscrição, na lápide de uma mulher, de um epitáfio colocado por sua família. Dizia: Ela fez o que pôde. Acho que não existe melhor resumo para uma vida bem vivida, uma vida eticamente vivida. Ela fez o que pôde. Mais não fez, porque mais não podia fazer.Mas, e principalmente isso, não fez menos do que podia fazer”.{...} Moacir Scliar.
  • 19. Provocações! Quantos de nós receberá essa inscrição em sua lápide? Quem poderá dizer que fez tudo a seu alcance? Ou mesmo quem poderá argumentar que viveu praticando a máxima, no qual se diz que devemos fazer aos outros aquilo que gostaríamos que estes fizessem por nós?
  • 20. Calma
  • 21. Para isso existe a ética: para nos tornar mais humanos.
  • 22. Mas qual teoria ética devemos considerar? Talvez a resposta mais apropriada à essa pergunta seja: devemos conhecer todas. Mas como isso muitas vezes não é possível: vamos nos referir apenas à algumas:
  • 23. No campo da reflexão sobre o agir humano, destacam-se ainda hoje três grandes tradições filosóficas.
  • 24. A primeira teoria ética escolhida, entre tantas, refere-se aos escritos do filósofo Aristóteles (384-322 a.C) que definiu a sua teoria como “ciência das virtudes”.
  • 25. O que caracteriza esta ética é que ela estuda o agir a partir de uma concepção do homem como animal político, que tem linguagem e muitas vezes age logicamente e que precisa desenvolver-se dentro de uma sociedade concreta, num período de tempo, dentro de formas concretas de governo de uma cidade, se quiser ser feliz.
  • 26. O ideal de Aristóteles é o do homem virtuoso, significando a virtude uma força, um vigor, uma excelência relacionada aos valores práticos e intelectuais da existência. O mais virtuoso seria o mais capaz de realizar-se como homem, atingindo assim a felicidade.
  • 27. UTILITARISMO. A segunda teoria ética da tradição é a corrente anglo-saxão denominada por “Utilitarismo”. Seu idealizador foi o filósofo Jeremy Bentham (1748-1832).
  • 28. Bentham, autor do “Princípio da Moral e da Legislação”, formulou a regra que caracteriza a corrente: “ A máxima felicidade possível do maior número possível de pessoas”. Sua ética é baseada no fugir à dor e buscar o prazer: a felicidade está no prazer (bem a ser buscado), devendo-se evitar a dor (mal). Um certo retorno ás teses epicuristas, principalmente a do hedonismo.(prazer).
  • 29. Virtude: renunciar a um prazer imediato, com vistas a um prazer futuro e mais elevado. Esta formulação ética é útil e prática, tem a vantagem de não perder tempo em especulações que acabam atrapalhando o agir humano.
  • 30. ÉTICA KANTIANA A terceira teoria ética que vamos abordar é a kantiana, centrada na noção de “dever” . Partindo das idéias da vontade e do dever, reflete sobre a felicidade e sobre a virtude.
  • 31. Kant formula o imperativo categórico , nos seguintes termos: “ Age de tal modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre ao mesmo tempo como princípio de uma legislação universal”. É apenas uma fórmula, porém Kant, que gostava de ciências e não tinha a intenção de criar uma nova moral, estava preocupado em fornecer-nos uma nova forma segura de agir.
  • 32. No entanto, com ou sem intenção, Kant com seu imperativo categórico nos forneceu um critério para o agir moral. No qual o segredo de sua ética remonta a agir de maneira universalizável . A universalização de nossas máximas (em si subjetivas) é o critério.
  • 33. O dever obriga, força-nos a fazer o que talvez não quiséssemos ou que pelo menos não nos agradaria, porque o homem não é perfeito nem simples,e sim dual. Mas este mesmo dever, quando nos força, obriga a fazer aquilo que favorece a liberdade do homem, porque o homem é um ser autônomo , isto é, sua liberdade, no sentido positivo, consiste em poder realizar o que ele vê que é melhor, o mais racional.
  • 34. Pela escolha referida até aqui, podemos resumir as escolas com o seguinte esquema: Aristóteles e a ética como a “ciência dos valores” . No qual o homem age por virtude. Bentham e o utilitarismo, no qual o homem age pelo “útil” cálculo em busca do prazer, evitando dor.(Hedonismo) Kant e a ética formal, no qual o homem age por “dever” .
  • 35. Passamos agora a examinar às escolas éticas ditas aplicadas.
  • 36. Ética aplicada A expressão “ética aplicada” surge nos EUA nos anos sessenta, para designar os novos rumos de investigação ética na sociedade.
  • 37. A ética aplicada reúne três grandes campos. 1. A bioética. 2. a ética dos negócios. 3. a ética ambiental.
  • 38. A denominação “ética aplicada” refere-se à análise ética das situações precisas e privilegia a resolução prática. A importância é dada “ao contexto, à análise das conseqüências, à tomada de decisões.
  • 39. Esse propósito, mais descritivo que reflexivo, exerce-se nos setores sociais e profissionais. Os três campos da ética aplicada têm sua origem nas preocupações principais das sociedades industriais, a saber: os progressos da medicina, as relações socioeconômicas e as expectativas e ações voltadas para o equilíbrio natural.
  • 40. A bioética é um novo campo de investigação ética sobre os métodos e as práticas em biomedicina. A bioética interessa-se pelo conjunto dos problemas causados pela biomedicina, tanto no que se refere ao homem, bem como com os animais. A bioética dialoga com a ética e com a medicina, possibilitando a criação de um espaço público aberto e democrático, no qual as instituições envolvidas podem exprimir e discutir o objetivo de suas convicções e de seus valores colocados em discussão pelo progresso médico.
  • 41. A ética de negócios ou ética profissional, apresenta-se como campo de investigação ética muito abrangente, pois envolve todos os setores profissionais das sociedades industrializadas. A multiplicação e a evolução das práticas profissionais e o fenômeno da burocratização tornam complexas as estruturas sociais.
  • 42. Dessa forma, é fácil compreender porque as reflexões éticas ligadas às diversas profissões solidificaram-se sob a forma de ética profissional. A ética do meio ambiente abrange a investigação e o questionamento com o propósito de conhecer as relações que o ser humano mantém com o meio ambiente.
  • 43. A reflexão procura justificar um conjunto de comportamentos, de atitudes e de valores em relação aos animais, aos seres vivos, às áreas biológicas e à biosfera, dialogando com o desenvolvimento tecnocientífico. A ética aplicada promove um diálogo entre as práticas cientificas, profissionais e ambientais com novos avanços tecnológicos.
  • 44. A ética prática de Peter Singer. O filósofo contemporâneo Peter Singer associa-se à Ética aplicada, e por isso, pode tratar de assuntos emergentes em nosso sociedade.
  • 45. Em seu livro “Ética Prática” Singer apresenta os seguintes temas ligados á ética aplicada. A natureza da ética A noção de igualdade Os direitos dos animais. A eutanásia. O aborto.
  • 46. A fome no mundo O problema dos refugiados A ética do meio ambiente A desobediência civil A natureza da ação ética O sentido da vida.
  • 47. O princípio de imparcialidade na ética aplicada de Peter Singer A teoria ética de Peter Singer parte do utilitarismo de Jeremy Bentham. A diferença é que enquanto para Bentham o utilitarismo é a máxima felicidade possível para o maior número possível de pessoas, para Peter Singer trata-se de levar em consideração o interesse de todas as pessoas envolvidas.
  • 48. Consequencialismo O utilitarismo de preferência de Peter Singer não leva em consideração nem a noção de virtude, nem a noção de dever tradicionais. Isto porque o utilitarismo é a teoria ética mais conhecida do consequencialismo. No consequencialismo, fazemos um prognóstico das conseqüências e escolhemos a ação que trará as melhores conseqüências para as pessoas atingidas por minha ação.
  • 49. O consequencialismo procura promover os valores morais, enquanto as teorias “não-consequencialistas” (Deontologicas) procuram honrar os valores, sem no entanto promovê-los. Exemplo: Um certo governo valoriza a tolerância e surge um movimento político com idéias intolerantes que está cada vez mais exercendo grande influência.
  • 50. Se esse governo estiver interessado verdadeiramente em promover a tolerância, não tolerará esse movimento político, e, em nome da tolerância, tomará medidas duras para lhes por fim.
  • 51. Com essa atitude, o governo estaria reagindo de uma forma conseqüencialista ao valor da tolerância, pois, segundo esta teoria, todo agente deve promover os valores e não honrá-los.
  • 52. A QUESTÃO DA IGUALDADE O principio tradicional de igualdade afirma que todos os homens são iguais. Peter Singer refuta esse princípio e propõe o princípio de igual consideração de interesses.
  • 53. (...)” Vimos que, ao fazer um juízo ético, devo ir além de um ponto de vista pessoal ou grupal, e levar em consideração os interesses de todos os que forem por ele afetados. Isto significa que refletimos sobre os interesses, considerados simplesmente como interesse, e não como meus interesses, ou como interesses dos australianos, ou de pessoas de descendência européia. Isso nos proporciona um princípio básico da igualdade: o princípio de igual consideração de interesses ” .
  • 54. A essência do princípio de igual consideração de interesses de Peter Singer, significa que em nossas deliberações morais, atribuamos o mesmo peso aos interesses semelhantes de todos os que são atingidos por nossos atos. Esse princípio é básico porque fundamenta a questão da igualdade e porque fundamenta o princípio maior da teoria de Peter Singer. O PRINCÍPIO DE IMPARCIALIDADE.
  • 55. O princípio de imparcialidade. “ Imagine, agora, que começo a pensar eticamente, a ponto de admitir que meus interesses, não podem contar mais que os interesses alheios pelo simples fato de serem os meus interesses. No lugar deles, agora tenho que levar em conta os interesses de todos os que serão afetados pela minha decisão.”
  • 56. PROPOSTA Análise do trecho do filme de Akira Kurosawa: “Depois da chuva” Cap 2.
  • 57. O princípio de imparcialidade possui uma implicação universal . Os atos baseados no interesse pessoal devem ser compatíveis, conciliáveis com o ponto de vista universal. O princípio de imparcialidade tem como fundamento o princípio de igual consideração de interesses que apesar de não considerar uma igualdade concreta entre os homens estabelece uma maneira de considerar igualmente os seus interesses
  • 58. A regra de Ouro da ética Dessa maneira Singer estabelece sua Regra de Ouro que pede para levarmos em consideração não só os nossos interesses, mas os interesses alheios. Se pretendermos levar uma vida ética, então não podemos somente levar em consideração o nosso interesse.
  • 59. Imparcialidade X parcialidade Dessa forma o princípio de imparcialidade é um argumento forte para tentarmos resolver os problemas éticos da atualidade. A ética aplicada de Peter Singer tem o mérito de procurar resolver esses questionamentos, não com argumentos parciais que visam a conservação da situação atual, não permitindo um avanço para tornar o mundo mais humano, mais abrindo e colocando as questões em busca das melhores conseqüências.
  • 60. O caráter universal da teoria ética. Para Peter Singer podemos viver de acordo com padrões éticos e viver fora dos padrões éticos. Desde que a justificação seja universal. Como em “Depois da chuva”. Para Richard Hare e Peter Singer, quando formulamos um julgamento moral, seu caráter universal exige que lhe atribuamos um valor igual aos interesses de todos.
  • 61. Hare e Singer propõe o utilitarismo de dois níveis. O nível intuitivo : princípios ao qual podemos recorrer sem muita reflexão no nosso cotidiano. O nível crítico : reflexão filosófica sobre a natureza de nossas intuições morais ao qual podemos nos perguntar se desenvolvemos intuições corretas. Isto não nos afasta das definições de ética e moral referidas no início dessa exposição.
  • 62. Fim Para terminar gostaria de propor a música do Noel Rosa, nosso filósofo do samba, chamada “Filosofia”. Interpretada pelo não menos genial Paulinho da viola. No qual o compositor faz uma reflexão sobre a moralidade de sua época.
  • 63. Filosofia Filosofia - Noel Rosa O mundo me condena E ninguém tem pena, Falando sempre mal do meu nome. Deixando de saber Se eu vou morrer de sede Ou se vou morrer de fome. Mas a filosofia Hoje me auxilia A viver indiferente assim Nesta prontidão sem fim Vou fingindo que sou rico para ninguém zombar de mim Não me incomodo se você me diga Que a sociedade é minha inimiga Vou vivendo neste mundo Sendo escravo do meu samba, Muito embora vagabundo. Quanto a você Que á da aristocracia Que tem dinheiro Mas não compra alegria, Há de viver eternamente Sendo escrava dessa gente Que cultiva a hipocrisia.