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Estigmas sociais da cobertura jornalística da Baixada Fluminense
                                           Gláucia ALMEIDA1 Reis
                                     Faculdades Integradas Hélio Alonso



RESUMO

Este artigo pretende fomentar a discussão sobre papel do Jornalismo na construção das
identidades e memórias coletivas, na responsabilidade de publicar ou não publicar algo
levando em conta as conseqüências sociais destas escolhas. Como exemplo histórico desse
panorama, o artigo apresenta a região da Baixada Fluminense, uma região marcada por uma
cobertura jornalística estigmatizada que tem como uma das consequências a baixa estima de
seus moradores.


Palavras-chave: Jornalismo; memória; Baixada Fluminense

    Introdução

            A carência de veículos de comunicação que realmente satisfaçam os interesses
municipais e regionais e que tenham representatividade é evidente no contexto brasileiro.
Insuficientes e, na maioria das vezes, com suas redações reunidas nos grandes centros, os
meios de comunicação no Brasil reduzem sua cobertura do interior à reportagens esporádicas
com abordagens sensacionalistas baseadas em escândalos e fatos isolados.

            Este artigo tem a incumbência de discutir sobre uma região cuja cobertura
jornalística é carregada de preconceitos e estereótipos: a Baixada Fluminense. Composta por
13 municípios e com uma população de quase 4 milhões de habitantes no total (IBGE, 2009),
a Baixada Fluminense compõe o segundo maior colégio eleitoral do estado com mais de 2
milhões de eleitores (IBGE, 2000). Historicamente destituída de atenção do poder público, a
região é um ambiente fértil para a pesquisa em comunicação no que tange à sua história, à sua
identidade e à representação que possui nas conjunturas fluminense e brasileira.

            Como campo para esta análise, a região da Baixada Fluminense tem um grande
potencial, por ser vítima de um jornalismo superficial que não contribui para dar visibilidade
às pautas locais e cria estigmas e rótulos que pouco a pouco tornam-se verdades na memória
coletiva local.

            1 Jornalista, pós graduanda em Gestão Estratégica da Comunicação no IGEC/FACHA.
Ao relacionar produção jornalística e auto estima, este artigo visa analisar algumas
conseqüências sociais que uma cobertura jornalística deficiente pode causar na identidade
coletiva de um povo bem como à sua auto imagem social. A intenção é relacionar a
representação midiática da Baixada – através de notícias postadas por veículos de mídia no
microblog Twitter - com a baixa auto-estima de seus moradores usando como embasamento
algumas declarações de baixadenses no próprio Twitter.



Jornalismo e Baixada Fluminense
              Com o crescimento dos centros urbanos e a rapidez da vida moderna, o jornalismo
adquiriu a função de ser o olhar da sociedade, a janela que resume em forma de notícia o que
acontece à nossa volta. Porém, a atividade jornalística acaba sendo encarada por muitos como
uma apropriação exata do real, devido à falta de políticas educacionais para o consumo
midiático - educomunicação. Não fica totalmente claro para quem consome diariamente estas
informações que as notícias veiculadas são apenas um recorte da realidade, um enlace do real
que não está livre de distorções e manipulações, sejam elas propositais ou não.

              Além dessa faceta equivocada de reprodutores da verdade, os meios de
comunicação passam uma sensação de onipresença. Com a abundância de informações
diárias, a impressão que temos é que qualquer fato de certa importância que aconteça ao redor
do mundo chegará ao nosso conhecimento rapidamente. Porém, essa percepção não se aplica,
visto que uma cobertura jornalística possui inúmeras limitações e sua abrangência ainda é
extremamente restrita.

              Diante dessas limitações, o jornalismo acaba assumindo a função de classificar os
fatos enquanto dignos de serem noticiados ou não, de acordo com interesses editoriais e os
chamados valores notícia. Dessa forma, a atividade jornalística passou a ocupar na sociedade
contemporânea uma função de agendar (agenda-setting), formar e armazenar a memória
social.

              De acordo com Cohen (1963), o conceito de agenda-setting esta ligado à
capacidade que os media tem em estabelecer os temas que devem ser dicutidos pela sociedade
e, dessa forma, influenciarem a agenda pública e a agenda política. De acordo com ele, o bom
desempenho da imprensa não está em definir o que as pessoas devem pensar, mas nos
assuntos que elas devem discutir. No entanto, este fato pode fomentar e mobilizar as esferas
públicas periféricas, a construção se sentido e a formação de pontos de vista.
Como exemplo disso, podemos citar a abordagem da violência na Baixada
Fluminense feita pela mídia. A região tem a violência como marca histórica, desde o início
de sua ocupação e administração, sendo taxada como um local onde atuam grupos de
extermínio e milícias. A violência, advinda inicialmente das disputas pela terra – praticada
por jagunços e capatazes das fazendas –, é até hoje apresentada pelo jornalismo como algo
inerente à região, impossível de ser superado. Isso se comprova pelo fato de que a Baixada
Fluminense, na maioria das vezes, só é registrada pelo jornalismo em matérias que tratam de
assassinatos, roubos e outros tipos de violência. Os textos a seguir servem para embasar essa
hipótese, eles foram retirados do microblog Twitter 2, postados por diferentes veículos de
mídia na Internet e um deles postado pelo ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia, entre o
período de 25 de janeiro de 2011 até 30 de janeiro de 2011.



                rio_newsJan 25, 2:01pm via web:


Polícia estoura gatonet na Baixada Fluminense -http://rionews.ws/index/?p=21084 #Rio



                g1Jan 25, 3:36pm via g1.com.br:


PM prende 5 suspeitos de assaltar policial na Baixada Fluminense http://glo.bo/gBmh2T



                rio_newsJan 26, 6:43am via web:


Homem é morto a tiros na Baixada Fluminense -http://rionews.ws/index/?p=21196 #Rio



                cesarmaiaJan 26, 9:06am via Twitter for BlackBerry®:


Mais UPP no circulo sul-norte-centro do Rio-Capital. A Baixada Fluminense passa a
concentrar os traficantes, o tráfico e a violência.




             2 Os posts foram encontrados através da realização de uma busca com o termo “Baixada
Fluminense” no microblog Twitter. Esse mecanismo dá acesso a tudo que foi postado pelos usuários do Twitter
que continha o termo pesquisado.
rede_globo_rjtvJan 26, 9:48am via dlvr.it:


#RJTV Suspeito é baleado em tentativa de assalto na Baixada Fluminense http://dlvr.it/F6sQ1



              rio_newsJan 26, 4:43pm via web:


Traficantes mortos em Niterói e na Baixada Fluminense -
http://rionews.ws/index/?p=21242 #Rio



              g1Jan 28, 12:55am via g1.com.br:


PM prende suspeito de tentar matar ex-mulher na Baixada Fluminense http://glo.bo/ePx5BE



              bandnewsfmrioJan 29, 1:01pm via web:


Um homem morreu e pelo menos quatro pessoas foram baleadas na Avenida General Mena
Barreto, no Centro de Nilópolis, na Baixada Fluminense.


           Em apenas cinco dias, oito manchetes sobre violência na Baixada Fluminense
foram disparadas nessa rede social, no entanto, na era da Internet 2.0, essas mensagens que
associam violência ao nome Baixada Fluminense foram reproduzidas muito mais do que oito
vezes, sendo citadas e compartilhadas por um número incontável de pessoas, atingindo
milhares de usuários.

           É possível perceber nesses pequenos exemplos a formação discursiva dominante
do jornalismo no que se refere à região. Essas manchetes reúnem palavras que por si só já têm
uma conotação associada à violência, ainda mais quando organizadas e reunidas em pequenas
frases de impacto. São elas: estoura, tiros, assalto, traficantes, tráfico, baleado, mortos. Um
vocabulário familiar aos ouvidos de quem reside na região.

           Além disso, em apenas uma manchete o município onde ocorreu o episódio de
violência foi especificado, o que demonstra que é um exercício jornalístico natural associar os
episódios de violência ao nome Baixada Fluminense, tratando a região como um grande
enlatado de violência, ignorando qualquer peculiaridade e distinção entre seus 13 municípios.

   1. Memória e auto-estima na Baixada Fluminense

           Brasiliense (2008) em sua dissertação de mestrado aborda a construção narrativa
feita pelo jornal O Globo sobre a chacina da Candelária e afirma que ao selecionar uns fatos
em detrimentos de outros e escolher os lugares que estes vão ocupar numa página ou como
serão abordados num telejornal, o jornalismo está selecionando o que será lembrado e o que
será perdido pela memória social, porém, na maioria das vezes, partindo de uma ótica
antidemocrática.

                       A memória é uma instância de mediação essencial e necessária para
                       que se constitua a realidade. O jornalista constrói a memória tanto pela
                       via das lembranças, quanto do esquecimento. Na medida em que a
                       memória vai sendo construída no fluxo dos discursos da imprensa, os
                       tempos se tornam flexíveis, o passado é retomado, o presente é
                       reconfigurado e o futuro planejado (BRASILIENSE, 2008, p. 4).




           Se partirmos da ideia de que a memória é uma dimensão fundamental na
constituição da identidade social e que envolve práticas narrativas e gerenciamento do real
através das práticas discursivas, a mídia é, por definição, lugar central desse processo. É como
aponta Velho: “o projeto e a memória associam-se e articulam-se ao dar significado à vida e
às ações dos indivíduos, em outros termos, à própria identidade” (1994, p.101).
           Canclini (1998) assinala a necessidade de criar mitos e monumentos de
preservação do passado como marcos fundamentais na construção das identidades, incluindo
nesse processo os documentos escritos como estratégias de armazenamento de memória. Da
mesma forma funciona a imprensa, Jornalismo é memória, e na sociedade atual baseada na
efemeridade, um acontecimento que não tem representação na mídia é uma informação que
cai no esquecimento mais facilmente. É o caso dos inúmeros eventos culturais, esportivos e
acontecimentos sociais que ocorrem na Baixada Fluminense que não chegam aos jornais
impressos, rádios ou telejornais do Rio de Janeiro, caindo no esquecimento e sendo
sobrepostos por matérias sobre violência.
Para Stuart Hall (1997), representação é uma prática que permite dar significado ao
mundo e criar uma realidade comum entre as pessoas, por meio de uma relação de
pertencimento a um mesmo mundo social. Ou seja, se uma sociedade é representada de forma
insuficiente ou distorcida, isso irá refletir na imagem ela que terá de si mesma e na identidade
coletiva deste grupo.
       Esta realidade está expressa em todos os sentidos na Baixada Fluminense. Assim
como em muitos outros lugares do Brasil, a Baixada sobrevive há mais de oito décadas -
desde as primeiras vilas em Iguassú Velho - quase sem assistência e atenção do poder público,
somada ao preconceito e desprezo por parte da mídia. Tanto o Estado quanto os meios de
comunicação apenas se fazem presentes esporadicamente, em caso de tragédias,
acontecimentos espetaculares e durante os períodos eleitorais.

       Num mundo abarcado pela mídia por todos os lados a Baixada Fluminense é um
exemplo de uma região historicamente sem voz que por consequência não aprendeu a se fazer
ouvir. Além disso, a cobertura deficiente e estigmatizada praticada pela grande mídia reforça
a baixa auto-estima dessa população e o sentimento de desvalorização do lugar onde vivem,
influindo diretamente na memória deste povo e na sua identidade coletiva.

       Os textos abaixo foram postados por moradores da Baixada e de outras localidades e
demonstram o. Eles foram retirados do microblog Twitter, através de uma busca no mesmo
período de tempo em que foi realizada a busca por notícias – de 25 de janeiro de 2011 até 30
de janeiro de 2011.

      limanke Jan 25, 3:08am via web:

bom se acha o tal por ser filho unico? filho se toca vc mora na baixada fluminense sua
realidade é essa acorde!

      RVBRquerida Jan 26, 9:42am via web:

Adouro quando minha localidade sai no jornal RT @g1 Suspeito é baleado em tentativa de
assalto na Baixada Fluminense http://glo.bo/fyOpwa

      Analizpr Jan 26, 4:06pm via ÜberTwitter:

Um desabafo: Funcionalismo público + baixada fluminense não são uma boa combinação...

      raquelffc Jan 27, 1:25am via Twitter for iPhone:

Pessoas que moram na Baixada Fluminense parecem ser tristes.
   ThiagoPereiraS Jan 28, 1:09am via web :

@rede_globo_rjtv Quem mora na "Baixada Fluminense" detesta esse nome. Especifique o
município.

      thaiseiras Jan 28, 6:46pm via web :

Odeio a Baixada Fluminense, odio eterno

      joyvianna Jan 29, 10:37pm via web:

@Anahi por que voce nao me responde ? so por que eu sou preta e moro na Baixada
Fluminense ?

      CaiioDM Jan 30, 3:31am via web


@naiapenas EU NÃO LIGO , mas sabe como os pobres de Baixada fluminense é NE

       aaaagatha Jan 30, 6:19pm via web


Muito ódio no coração. Educação do Rio de Janeiro ? Baixada Fluminense? Nota 0.

       São nove declarações que resumem um sentimento generalizado de preconceito,
desesperança, baixa auto-estima e inferioridade no que tange ao sentimento de pertença à
Baixada Fluminense. A demonstração do sentimento de ódio em três das oito frases refletem
bem a imagem que a Baixada tem para quem vive ali. Assim como o uso de expressões e
figuras de linguagem que traduzem um sentimento de vergonha de residir no local.
       Clarice Libânio e Ronaldo Silva tratando da auto-estima dos moradores de favelas
entendem que “a auto-estima envolve a percepção que o sujeito tem de si, seus sentimentos
em relação à sua imagem. (..) constrói-se a auto-estima com o gostar de si mesmo, a partir do
reconhecimento do outro”. Um reconhecimento que há décadas é feito às avessas diariamente
pela mídia, favorecendo para criar um conceito de Baixada extremamente violenta e sem
perspectivas e fixar essa imagem negativa na memória social dos seus moradores.


   2. Conclusão

           O jornalismo é uma atividade que por sua essência deveria contribuir para que as
reivindicações populares tenham visibilidade e sejam atendidas pelos poderes constituídos.
Além disso, deveria ser um instrumento que se prestasse, em especial, a pequenas e médias
comunidades na busca pelo engajamento político e pela solução de questões justamente
coletivas.

             No entanto, o quadro atual do jornalismo praticado pela grande mídia é bem
diferente. Em nome da isenção e da objetividade, a imprensa se afasta cada vez mais dos
temas de interesse público, atuando de forma superficial, como um órgão de denúncias em
busca de catástrofes e atentados de violência que nos sensibilizam para assuntos que não
fazem parte do nosso interesse enquanto comunidade.

             Na Baixada Fluminense, não exclusivamente é claro, o jornalismo nunca se
mostrou como uma alternativa na representação de suas demandas. A repetição de produtos
jornalísticos que associam violência e Baixada Fluminense tem contribuído para formar uma
legião de desiludidos, influenciando diretamente na capacidade desses moradores enquanto
atores sociais.

             Além disso, o „denuncismo‟ praticado pelos veículos de mídia não propõem
soluções ou investigam o histórico dos fatos, gerando matérias jornalísticas vazias e
puramente comerciais. Isso contribui para o sentimento de descrédito no poder do Estado
verificado nas declarações postadas no Twitter, criando uma desesperança em seus
moradores, que muitas vezes é confundida com apatia e conformismo políticos.

    3.   Referências

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomáz Tadeu da Silva e
Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP &A. 2003. 7ª ed. ou reimpressão.

CANCLINI, N. Culturas híbridas. São Paulo, Edusp, 1998.
COHEN B. C. The press and foreign policy. Princeton: Princeton University Press, 1963.
RAMOS, Silva e Paiva, Anabela. Mídia e Violência: Tendência na cobertura de
criminalidade e segurança no Brasil. Rio de Janeiro, IUPERJ, 2007.
ENNE, Ana Lúcia Silva. “Lugar, meu amigo, é minha Baixada”: Memória, Representações
Sociais e Identidades. Tese de Doutorado em Antropologia, Rio de Janeiro, UFRJ.2002
ALVES, José Claudio Souza. Baixada Fluminense: a violência na construção do poder.
Tese de doutorado em sociologia, USP/FFLCH, São Paulo, 1998.

ROCHA, Simone Maria. Debate Público e Identidades Coletivas: a representação de
moradores de favela na produção cultural da televisão brasileira. Intexto, Porto Alegre:
UFRGS, v. 1, n. 14, janeiro/junho 2006. Disponível em:
http://seer.ufrgs.br/index.php/intexto/article/viewFile/4249/4433. Acesso em: 10 set. 2010.
ALVES, José Claudio Souza. Dos Barões ao Extermínio: Uma História da violência na
Baixada Fluminense. APPH-CLIO: Duque de Caxias, 2003.

ENNE, Ana Lúcia Silva. Imprensa e Baixada Fluminense: múltiplas representações.
Ciberlegenda (UFF), n.14, 2004. Disponível em:http://www.uff.br/mestcii/enne1.htm

ENNE, Ana Lúcia Silva. Memória, identidade e imprensa numa perspectiva relacional.
Revista Fronteiras – estudos midiáticos, VI(2), julho/dezembro 2004. Disponível em:
http://revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/fronteiras/article/
view/3095/2905

IBGE. Estimativa da população residente em 2009. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/estimativa2009/POP_2009_TCU.pdf


VELHO, Gilberto. Observando o familiar. In: A aventura sociológica: objetividade, paixão,
improviso e método na pesquisa social. Rio de Janeiro: Zahar , 1978.

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Estigmas sociais da cobertura jornalística da baixada fluminense

  • 1. Estigmas sociais da cobertura jornalística da Baixada Fluminense Gláucia ALMEIDA1 Reis Faculdades Integradas Hélio Alonso RESUMO Este artigo pretende fomentar a discussão sobre papel do Jornalismo na construção das identidades e memórias coletivas, na responsabilidade de publicar ou não publicar algo levando em conta as conseqüências sociais destas escolhas. Como exemplo histórico desse panorama, o artigo apresenta a região da Baixada Fluminense, uma região marcada por uma cobertura jornalística estigmatizada que tem como uma das consequências a baixa estima de seus moradores. Palavras-chave: Jornalismo; memória; Baixada Fluminense Introdução A carência de veículos de comunicação que realmente satisfaçam os interesses municipais e regionais e que tenham representatividade é evidente no contexto brasileiro. Insuficientes e, na maioria das vezes, com suas redações reunidas nos grandes centros, os meios de comunicação no Brasil reduzem sua cobertura do interior à reportagens esporádicas com abordagens sensacionalistas baseadas em escândalos e fatos isolados. Este artigo tem a incumbência de discutir sobre uma região cuja cobertura jornalística é carregada de preconceitos e estereótipos: a Baixada Fluminense. Composta por 13 municípios e com uma população de quase 4 milhões de habitantes no total (IBGE, 2009), a Baixada Fluminense compõe o segundo maior colégio eleitoral do estado com mais de 2 milhões de eleitores (IBGE, 2000). Historicamente destituída de atenção do poder público, a região é um ambiente fértil para a pesquisa em comunicação no que tange à sua história, à sua identidade e à representação que possui nas conjunturas fluminense e brasileira. Como campo para esta análise, a região da Baixada Fluminense tem um grande potencial, por ser vítima de um jornalismo superficial que não contribui para dar visibilidade às pautas locais e cria estigmas e rótulos que pouco a pouco tornam-se verdades na memória coletiva local. 1 Jornalista, pós graduanda em Gestão Estratégica da Comunicação no IGEC/FACHA.
  • 2. Ao relacionar produção jornalística e auto estima, este artigo visa analisar algumas conseqüências sociais que uma cobertura jornalística deficiente pode causar na identidade coletiva de um povo bem como à sua auto imagem social. A intenção é relacionar a representação midiática da Baixada – através de notícias postadas por veículos de mídia no microblog Twitter - com a baixa auto-estima de seus moradores usando como embasamento algumas declarações de baixadenses no próprio Twitter. Jornalismo e Baixada Fluminense Com o crescimento dos centros urbanos e a rapidez da vida moderna, o jornalismo adquiriu a função de ser o olhar da sociedade, a janela que resume em forma de notícia o que acontece à nossa volta. Porém, a atividade jornalística acaba sendo encarada por muitos como uma apropriação exata do real, devido à falta de políticas educacionais para o consumo midiático - educomunicação. Não fica totalmente claro para quem consome diariamente estas informações que as notícias veiculadas são apenas um recorte da realidade, um enlace do real que não está livre de distorções e manipulações, sejam elas propositais ou não. Além dessa faceta equivocada de reprodutores da verdade, os meios de comunicação passam uma sensação de onipresença. Com a abundância de informações diárias, a impressão que temos é que qualquer fato de certa importância que aconteça ao redor do mundo chegará ao nosso conhecimento rapidamente. Porém, essa percepção não se aplica, visto que uma cobertura jornalística possui inúmeras limitações e sua abrangência ainda é extremamente restrita. Diante dessas limitações, o jornalismo acaba assumindo a função de classificar os fatos enquanto dignos de serem noticiados ou não, de acordo com interesses editoriais e os chamados valores notícia. Dessa forma, a atividade jornalística passou a ocupar na sociedade contemporânea uma função de agendar (agenda-setting), formar e armazenar a memória social. De acordo com Cohen (1963), o conceito de agenda-setting esta ligado à capacidade que os media tem em estabelecer os temas que devem ser dicutidos pela sociedade e, dessa forma, influenciarem a agenda pública e a agenda política. De acordo com ele, o bom desempenho da imprensa não está em definir o que as pessoas devem pensar, mas nos assuntos que elas devem discutir. No entanto, este fato pode fomentar e mobilizar as esferas públicas periféricas, a construção se sentido e a formação de pontos de vista.
  • 3. Como exemplo disso, podemos citar a abordagem da violência na Baixada Fluminense feita pela mídia. A região tem a violência como marca histórica, desde o início de sua ocupação e administração, sendo taxada como um local onde atuam grupos de extermínio e milícias. A violência, advinda inicialmente das disputas pela terra – praticada por jagunços e capatazes das fazendas –, é até hoje apresentada pelo jornalismo como algo inerente à região, impossível de ser superado. Isso se comprova pelo fato de que a Baixada Fluminense, na maioria das vezes, só é registrada pelo jornalismo em matérias que tratam de assassinatos, roubos e outros tipos de violência. Os textos a seguir servem para embasar essa hipótese, eles foram retirados do microblog Twitter 2, postados por diferentes veículos de mídia na Internet e um deles postado pelo ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia, entre o período de 25 de janeiro de 2011 até 30 de janeiro de 2011.  rio_newsJan 25, 2:01pm via web: Polícia estoura gatonet na Baixada Fluminense -http://rionews.ws/index/?p=21084 #Rio  g1Jan 25, 3:36pm via g1.com.br: PM prende 5 suspeitos de assaltar policial na Baixada Fluminense http://glo.bo/gBmh2T  rio_newsJan 26, 6:43am via web: Homem é morto a tiros na Baixada Fluminense -http://rionews.ws/index/?p=21196 #Rio  cesarmaiaJan 26, 9:06am via Twitter for BlackBerry®: Mais UPP no circulo sul-norte-centro do Rio-Capital. A Baixada Fluminense passa a concentrar os traficantes, o tráfico e a violência. 2 Os posts foram encontrados através da realização de uma busca com o termo “Baixada Fluminense” no microblog Twitter. Esse mecanismo dá acesso a tudo que foi postado pelos usuários do Twitter que continha o termo pesquisado.
  • 4. rede_globo_rjtvJan 26, 9:48am via dlvr.it: #RJTV Suspeito é baleado em tentativa de assalto na Baixada Fluminense http://dlvr.it/F6sQ1  rio_newsJan 26, 4:43pm via web: Traficantes mortos em Niterói e na Baixada Fluminense - http://rionews.ws/index/?p=21242 #Rio  g1Jan 28, 12:55am via g1.com.br: PM prende suspeito de tentar matar ex-mulher na Baixada Fluminense http://glo.bo/ePx5BE  bandnewsfmrioJan 29, 1:01pm via web: Um homem morreu e pelo menos quatro pessoas foram baleadas na Avenida General Mena Barreto, no Centro de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Em apenas cinco dias, oito manchetes sobre violência na Baixada Fluminense foram disparadas nessa rede social, no entanto, na era da Internet 2.0, essas mensagens que associam violência ao nome Baixada Fluminense foram reproduzidas muito mais do que oito vezes, sendo citadas e compartilhadas por um número incontável de pessoas, atingindo milhares de usuários. É possível perceber nesses pequenos exemplos a formação discursiva dominante do jornalismo no que se refere à região. Essas manchetes reúnem palavras que por si só já têm uma conotação associada à violência, ainda mais quando organizadas e reunidas em pequenas frases de impacto. São elas: estoura, tiros, assalto, traficantes, tráfico, baleado, mortos. Um vocabulário familiar aos ouvidos de quem reside na região. Além disso, em apenas uma manchete o município onde ocorreu o episódio de violência foi especificado, o que demonstra que é um exercício jornalístico natural associar os
  • 5. episódios de violência ao nome Baixada Fluminense, tratando a região como um grande enlatado de violência, ignorando qualquer peculiaridade e distinção entre seus 13 municípios. 1. Memória e auto-estima na Baixada Fluminense Brasiliense (2008) em sua dissertação de mestrado aborda a construção narrativa feita pelo jornal O Globo sobre a chacina da Candelária e afirma que ao selecionar uns fatos em detrimentos de outros e escolher os lugares que estes vão ocupar numa página ou como serão abordados num telejornal, o jornalismo está selecionando o que será lembrado e o que será perdido pela memória social, porém, na maioria das vezes, partindo de uma ótica antidemocrática. A memória é uma instância de mediação essencial e necessária para que se constitua a realidade. O jornalista constrói a memória tanto pela via das lembranças, quanto do esquecimento. Na medida em que a memória vai sendo construída no fluxo dos discursos da imprensa, os tempos se tornam flexíveis, o passado é retomado, o presente é reconfigurado e o futuro planejado (BRASILIENSE, 2008, p. 4). Se partirmos da ideia de que a memória é uma dimensão fundamental na constituição da identidade social e que envolve práticas narrativas e gerenciamento do real através das práticas discursivas, a mídia é, por definição, lugar central desse processo. É como aponta Velho: “o projeto e a memória associam-se e articulam-se ao dar significado à vida e às ações dos indivíduos, em outros termos, à própria identidade” (1994, p.101). Canclini (1998) assinala a necessidade de criar mitos e monumentos de preservação do passado como marcos fundamentais na construção das identidades, incluindo nesse processo os documentos escritos como estratégias de armazenamento de memória. Da mesma forma funciona a imprensa, Jornalismo é memória, e na sociedade atual baseada na efemeridade, um acontecimento que não tem representação na mídia é uma informação que cai no esquecimento mais facilmente. É o caso dos inúmeros eventos culturais, esportivos e acontecimentos sociais que ocorrem na Baixada Fluminense que não chegam aos jornais impressos, rádios ou telejornais do Rio de Janeiro, caindo no esquecimento e sendo sobrepostos por matérias sobre violência.
  • 6. Para Stuart Hall (1997), representação é uma prática que permite dar significado ao mundo e criar uma realidade comum entre as pessoas, por meio de uma relação de pertencimento a um mesmo mundo social. Ou seja, se uma sociedade é representada de forma insuficiente ou distorcida, isso irá refletir na imagem ela que terá de si mesma e na identidade coletiva deste grupo. Esta realidade está expressa em todos os sentidos na Baixada Fluminense. Assim como em muitos outros lugares do Brasil, a Baixada sobrevive há mais de oito décadas - desde as primeiras vilas em Iguassú Velho - quase sem assistência e atenção do poder público, somada ao preconceito e desprezo por parte da mídia. Tanto o Estado quanto os meios de comunicação apenas se fazem presentes esporadicamente, em caso de tragédias, acontecimentos espetaculares e durante os períodos eleitorais. Num mundo abarcado pela mídia por todos os lados a Baixada Fluminense é um exemplo de uma região historicamente sem voz que por consequência não aprendeu a se fazer ouvir. Além disso, a cobertura deficiente e estigmatizada praticada pela grande mídia reforça a baixa auto-estima dessa população e o sentimento de desvalorização do lugar onde vivem, influindo diretamente na memória deste povo e na sua identidade coletiva. Os textos abaixo foram postados por moradores da Baixada e de outras localidades e demonstram o. Eles foram retirados do microblog Twitter, através de uma busca no mesmo período de tempo em que foi realizada a busca por notícias – de 25 de janeiro de 2011 até 30 de janeiro de 2011.  limanke Jan 25, 3:08am via web: bom se acha o tal por ser filho unico? filho se toca vc mora na baixada fluminense sua realidade é essa acorde!  RVBRquerida Jan 26, 9:42am via web: Adouro quando minha localidade sai no jornal RT @g1 Suspeito é baleado em tentativa de assalto na Baixada Fluminense http://glo.bo/fyOpwa  Analizpr Jan 26, 4:06pm via ÜberTwitter: Um desabafo: Funcionalismo público + baixada fluminense não são uma boa combinação...  raquelffc Jan 27, 1:25am via Twitter for iPhone: Pessoas que moram na Baixada Fluminense parecem ser tristes.
  • 7. ThiagoPereiraS Jan 28, 1:09am via web : @rede_globo_rjtv Quem mora na "Baixada Fluminense" detesta esse nome. Especifique o município.  thaiseiras Jan 28, 6:46pm via web : Odeio a Baixada Fluminense, odio eterno  joyvianna Jan 29, 10:37pm via web: @Anahi por que voce nao me responde ? so por que eu sou preta e moro na Baixada Fluminense ?  CaiioDM Jan 30, 3:31am via web @naiapenas EU NÃO LIGO , mas sabe como os pobres de Baixada fluminense é NE  aaaagatha Jan 30, 6:19pm via web Muito ódio no coração. Educação do Rio de Janeiro ? Baixada Fluminense? Nota 0. São nove declarações que resumem um sentimento generalizado de preconceito, desesperança, baixa auto-estima e inferioridade no que tange ao sentimento de pertença à Baixada Fluminense. A demonstração do sentimento de ódio em três das oito frases refletem bem a imagem que a Baixada tem para quem vive ali. Assim como o uso de expressões e figuras de linguagem que traduzem um sentimento de vergonha de residir no local. Clarice Libânio e Ronaldo Silva tratando da auto-estima dos moradores de favelas entendem que “a auto-estima envolve a percepção que o sujeito tem de si, seus sentimentos em relação à sua imagem. (..) constrói-se a auto-estima com o gostar de si mesmo, a partir do reconhecimento do outro”. Um reconhecimento que há décadas é feito às avessas diariamente pela mídia, favorecendo para criar um conceito de Baixada extremamente violenta e sem perspectivas e fixar essa imagem negativa na memória social dos seus moradores. 2. Conclusão O jornalismo é uma atividade que por sua essência deveria contribuir para que as reivindicações populares tenham visibilidade e sejam atendidas pelos poderes constituídos. Além disso, deveria ser um instrumento que se prestasse, em especial, a pequenas e médias
  • 8. comunidades na busca pelo engajamento político e pela solução de questões justamente coletivas. No entanto, o quadro atual do jornalismo praticado pela grande mídia é bem diferente. Em nome da isenção e da objetividade, a imprensa se afasta cada vez mais dos temas de interesse público, atuando de forma superficial, como um órgão de denúncias em busca de catástrofes e atentados de violência que nos sensibilizam para assuntos que não fazem parte do nosso interesse enquanto comunidade. Na Baixada Fluminense, não exclusivamente é claro, o jornalismo nunca se mostrou como uma alternativa na representação de suas demandas. A repetição de produtos jornalísticos que associam violência e Baixada Fluminense tem contribuído para formar uma legião de desiludidos, influenciando diretamente na capacidade desses moradores enquanto atores sociais. Além disso, o „denuncismo‟ praticado pelos veículos de mídia não propõem soluções ou investigam o histórico dos fatos, gerando matérias jornalísticas vazias e puramente comerciais. Isso contribui para o sentimento de descrédito no poder do Estado verificado nas declarações postadas no Twitter, criando uma desesperança em seus moradores, que muitas vezes é confundida com apatia e conformismo políticos. 3. Referências HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomáz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP &A. 2003. 7ª ed. ou reimpressão. CANCLINI, N. Culturas híbridas. São Paulo, Edusp, 1998. COHEN B. C. The press and foreign policy. Princeton: Princeton University Press, 1963. RAMOS, Silva e Paiva, Anabela. Mídia e Violência: Tendência na cobertura de criminalidade e segurança no Brasil. Rio de Janeiro, IUPERJ, 2007. ENNE, Ana Lúcia Silva. “Lugar, meu amigo, é minha Baixada”: Memória, Representações Sociais e Identidades. Tese de Doutorado em Antropologia, Rio de Janeiro, UFRJ.2002 ALVES, José Claudio Souza. Baixada Fluminense: a violência na construção do poder. Tese de doutorado em sociologia, USP/FFLCH, São Paulo, 1998. ROCHA, Simone Maria. Debate Público e Identidades Coletivas: a representação de moradores de favela na produção cultural da televisão brasileira. Intexto, Porto Alegre: UFRGS, v. 1, n. 14, janeiro/junho 2006. Disponível em: http://seer.ufrgs.br/index.php/intexto/article/viewFile/4249/4433. Acesso em: 10 set. 2010.
  • 9. ALVES, José Claudio Souza. Dos Barões ao Extermínio: Uma História da violência na Baixada Fluminense. APPH-CLIO: Duque de Caxias, 2003. ENNE, Ana Lúcia Silva. Imprensa e Baixada Fluminense: múltiplas representações. Ciberlegenda (UFF), n.14, 2004. Disponível em:http://www.uff.br/mestcii/enne1.htm ENNE, Ana Lúcia Silva. Memória, identidade e imprensa numa perspectiva relacional. Revista Fronteiras – estudos midiáticos, VI(2), julho/dezembro 2004. Disponível em: http://revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/fronteiras/article/ view/3095/2905 IBGE. Estimativa da população residente em 2009. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/estimativa2009/POP_2009_TCU.pdf VELHO, Gilberto. Observando o familiar. In: A aventura sociológica: objetividade, paixão, improviso e método na pesquisa social. Rio de Janeiro: Zahar , 1978.