SlideShare uma empresa Scribd logo
Epidemiologia<br />Perspectiva histórica<br />Antes de 1918, a gripe em humanos era uma doença bem conhecida, mas nunca tinha sido descrita em porcos. Com a pandemia da Influenza A H1N1 que ocorreu em 1918 e 1919 (mais conhecida como Gripe Espanhola), milhões de pessoas foram afetadas e muitos porcos também passaram a apresentar sintomas respiratórios que se assemelhavam muito à doença nos humanos. Desde 1958, 37 casos da gripe suína em humanos foram documentados. Seis casos resultaram em morte e 44% dos pacientes tinham exposição a porcos. <br />Perfil da doença no mundo<br />Em março e abril de 2009, um surto de doença respiratória foi primeiramente descrito no México, o qual foi relacionado ao vírus Influenza A H1N1.[4] O surto se espalhou rapidamente para Estados Unidos, Canadá e para o resto do mundo graças às viagens aéreas. <br />Segundo a OMS, 207 países e territórios notificaram casos confirmados laboratorialmente de gripe suína, incluindo pelo menos 8.768 óbitos.[11] Como a doença se espalhou amplamente, alguns países pararam de contar casos individuais, principalmente aqueles que apresentam sintomas leves, de modo que a OMS agora só divulga o total de óbitos. <br />Gripe suína zoonótica<br />A gripe suína é endémica em porcos<br />A gripe suína(tambem conhecida como gripe A) é comum em porcos da região centro-oeste dos Estados Unidos da América (e ocasionalmente noutros estados), no México, Canadá, América do Sul, Europa (Incluindo o Reino Unido, Suécia e Itália), Quénia, China continental, Taiwan, Japão e outras partes da Ásia oriental. <br />O vírus da gripe suína causa uma doença respiratória altamente contagiosa entre os suínos, sem provocar contudo grande mortalidade. Habitualmente não afeta humanos; no entanto, existem casos esporádicos de contágio, laboratorialmente confirmados, em determinados grupos de risco. A infecção ocorre em pessoas em contacto directo e constante com estes animais, como agricultores e outros profissionais da área. A transmissão entre pessoas e suínos pode ocorrer de forma directa ou indirecta, através das secreções respiratórias, ao contactar ou inalar partículas infectadas. O quadro clínico da infecção pelo vírus da gripe suína é em geral idêntico ao de uma gripe humana sazonal.<br />Os suínos podem igualmente ser infectados pelo vírus da influenza humana - o que parece ter ocorrido durante a gripe de 1918 e o surto de gripe A (H1N1) de 2009 - assim como pelo vírus da influenza aviário. A transmissão de gripe suína de porcos a humanos não é comum e carne de porco correctamente cozida não coloca risco de infecção. Quando transmitido, o vírus nem sempre causa gripe em humanos, e muitas vezes o único sinal de infecção é a presença de anticorpos no sangue, detectáveis apenas por testes laboratoriais.<br />Quando a transmissão resulta em gripe num ser humano, é designada gripe suína zoonótica. As pessoas que trabalham com porcos, sujeitas a uma exposição intensa, correm o risco de contrair gripe suína. No entanto, apenas 50 transmissões desse género foram registadas desde meados do século XX, quando a identificação de subtipos de gripe se tornou possível. Raramente, estas estirpes de gripe suína podem ser transmitidas entre seres humanos.<br />Influenza A (H1N1)<br />Progressão, sintomas e tratamento<br />Diagrama dos sintomas da gripe A (H1N1) no ser humano.1- Corpo em geral - febre2- Psicológico - letargia, falta de apetite3- Nasofaringe - rinorreia, dor de garganta4- Sistema Respiratório - tosse5- Gástrico - náuseas, vómitos6- Intestino - diarréia. <br />Assim como a gripe humana comum, a influenza A (H1N1) apresenta como sintomas febre repentina, fadiga, dores pelo corpo, tosse, coriza, dores de garganta e dificuldades respiratórias. Esse novo surto, aparentemente, também causa mais diarreia e vômitos que a gripe convencional.<br />De acordo com a OMS, os medicamentos antivirais oseltamivir e zanamivir, em testes iniciais mostraram-se efetivos contra o vírus H1N1. <br />Ter hábitos de higiene regulares, como lavar as mãos, é uma das formas de prevenir a transmissão da doença. Além disto, deve-se evitar o contato das mãos com olhos, nariz e boca depois de tocar em superfícies, usar lenços descartáveis ao tossir ou espirrar, evitar aglomerações e ambientes fechados e ter hábitos saudáveis como hidratação corporal, alimentação equilibrada e atividade física. Caso ocorra a contaminação, o paciente deve evitar sair de casa até cinco dias após o início dos sintomas, pois este é o período de transmissão da gripe A. <br />Algumas organizações religiosas também orientaram aos fiéis evitar abraços, apertos de mãos ou qualquer outro tipo de contato físico para impedir a dispersão do vírus durante os cultos religiosos. <br />Grupos de risco<br />Desde que as mortes em decorrência da gripe suína foram identificadas, alguns grupos de risco foram observados. São eles: <br />Gestantes<br />Idosos (maiores de 65 anos) - neste grupo existe uma situação especial pois os idosos tem sistema imunológico baixo.<br />Crianças (menores de 2 anos)<br />Doentes crônicos<br />Problemas cardiovasculares, exceto hipertensos<br />Asmáticos<br />Portadores de doença obstrutiva crônica<br />Problemas hepáticos e renais<br />Doenças metabólicas<br />Doenças que afetam o sistema imunológico<br />Obesos<br />Formas de contágio<br />Imagem de microscópio eletrónico de uma coloração negativa de um vírus de gripe H1N1 rearranjado.<br />A contaminação se dá da mesma forma que a gripe comum, por via aérea, contato direto com o infectado, ou indireto (através das mãos) com objetos contaminados. Não há contaminação pelo consumo de carne ou produtos suínos. Cozinhar a carne de porco a 70 graus Celsius destrói quaisquer microorganismos patogênicos. Não foram identificados animais (porcos) doentes no local da epidemia (México). Trata-se, possivelmente, de um vírus mutante, com material genético das gripes humana, aviária e <br />Surto de gripe suína de 2009<br />O surto de gripe suína de 2009 em humanos, oficialmente denominado como gripe A (H1N1) ou influenza A (H1N1) e inicialmente conhecido como gripe mexicana, gripe norte-americana, influenza norte-americana ou nova gripe, deveu-se a uma nova estirpe de influenzavirus A subtipo H1N1 que continha genes relacionados de modo muito próximo à gripe suína. A origem desta nova estirpe é desconhecida. No entanto, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) anunciou que esta estirpe não foi isolada em porcos. Esta estirpe transmite-se de humano para humano,e causa os sintomas habituais da gripe.<br />Vacina<br />Existe uma vacina para porcos, mas nenhuma para humanos.  A vacina contra a gripe quot;
convencionalquot;
 oferece pouca ou nenhuma proteção contra o vírus H1N1. O Japão anunciou que pretende desenvolver uma vacina eficaz e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) vem investigando formas de tratamento.O Instituto Butantan, em São Paulo, está colaborando com a Organização Mundial de Saúde em uma pesquisa para elaborar uma vacina contra a gripe suína e prevê finalizar o processo dentro de quatro a seis meses. Todavia, segundo Karl Nicholson, da Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha, se o vírus evoluir para uma pandemia, a primeira onda vai chegar e irá embora antes que uma vacina tenha sido produzida. Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) mapearam as sequências genéticas dos primeiros vírus influenza A (H1N1) a chegarem ao Brasil, que foram, segundo o Ministério da Saúde, coletados de quatro pacientes: dois do Rio de Janeiro, um de Minas Gerais e um de São Paulo. Segundo uma análise preliminar, o vírus encontrado nos casos brasileiros é idêntico ao que circula em outras localidades. Segundo Fernando Motta, pesquisador do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do IOC, o sequenciamento genético é fundamental para acompanhar a evolução do vírus no país e abre a possibilidade para o desenvolvimento de protocolos de diagnóstico. <br />
Epidemiologia
Epidemiologia
Epidemiologia

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

GRIPE SUÍNA TIPO H1 N1 - INFLUENZA
GRIPE SUÍNA TIPO H1 N1 - INFLUENZAGRIPE SUÍNA TIPO H1 N1 - INFLUENZA
GRIPE SUÍNA TIPO H1 N1 - INFLUENZA
Clodomir Araújo
 
Gripe Suina - Elaborado pela Petrobras
Gripe Suina - Elaborado pela PetrobrasGripe Suina - Elaborado pela Petrobras
Gripe Suina - Elaborado pela Petrobras
Padua Carobrez
 
Gripe SuíNa
Gripe SuíNaGripe SuíNa
Gripe SuíNa
EducaRede Brasil
 
Influenza
InfluenzaInfluenza
Influenza
guest265e2b9
 
Gripe comum, suina e aviaria
Gripe comum, suina e aviariaGripe comum, suina e aviaria
Gripe comum, suina e aviaria
Guilherme Gehlen
 
Influenza
InfluenzaInfluenza
Influenza
Ana Lascasas
 
Influenza A
Influenza AInfluenza A
Influenza A
Luciana C Risso
 
Influenza H1N1
Influenza H1N1Influenza H1N1
Influenza H1N1
Ministério da Saúde
 
Dssms Gripe SuíNa
Dssms   Gripe SuíNaDssms   Gripe SuíNa
Dssms Gripe SuíNa
Milene Cristina
 
H1n1 celem
 H1n1  celem H1n1  celem
H1n1 celem
ferreirabio
 
Gripe A (Influenza A)
Gripe A (Influenza A)Gripe A (Influenza A)
Gripe A (Influenza A)
Secretaria de Saúde do DF
 
ApresentaçãO1 Ann
ApresentaçãO1 AnnApresentaçãO1 Ann
ApresentaçãO1 Ann
Anita Rosa
 
Influenza a
Influenza aInfluenza a
Influenza a
carlasilvavellar
 
Influenza h1 n1
Influenza h1 n1Influenza h1 n1
Influenza h1 n1
Rafaela Dantas
 
Influenza A H1 N1 2009
Influenza A H1 N1   2009Influenza A H1 N1   2009
Influenza A H1 N1 2009
liedmesquita
 
Gripe A
Gripe AGripe A
Gripe A
8Aap
 
ApresentaçãO PopulaçãO Sobre Gripe A
ApresentaçãO PopulaçãO Sobre Gripe AApresentaçãO PopulaçãO Sobre Gripe A
ApresentaçãO PopulaçãO Sobre Gripe A
Cristina Vitória
 
H1 n1
H1 n1H1 n1
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
saudebarreiro
 

Mais procurados (19)

GRIPE SUÍNA TIPO H1 N1 - INFLUENZA
GRIPE SUÍNA TIPO H1 N1 - INFLUENZAGRIPE SUÍNA TIPO H1 N1 - INFLUENZA
GRIPE SUÍNA TIPO H1 N1 - INFLUENZA
 
Gripe Suina - Elaborado pela Petrobras
Gripe Suina - Elaborado pela PetrobrasGripe Suina - Elaborado pela Petrobras
Gripe Suina - Elaborado pela Petrobras
 
Gripe SuíNa
Gripe SuíNaGripe SuíNa
Gripe SuíNa
 
Influenza
InfluenzaInfluenza
Influenza
 
Gripe comum, suina e aviaria
Gripe comum, suina e aviariaGripe comum, suina e aviaria
Gripe comum, suina e aviaria
 
Influenza
InfluenzaInfluenza
Influenza
 
Influenza A
Influenza AInfluenza A
Influenza A
 
Influenza H1N1
Influenza H1N1Influenza H1N1
Influenza H1N1
 
Dssms Gripe SuíNa
Dssms   Gripe SuíNaDssms   Gripe SuíNa
Dssms Gripe SuíNa
 
H1n1 celem
 H1n1  celem H1n1  celem
H1n1 celem
 
Gripe A (Influenza A)
Gripe A (Influenza A)Gripe A (Influenza A)
Gripe A (Influenza A)
 
ApresentaçãO1 Ann
ApresentaçãO1 AnnApresentaçãO1 Ann
ApresentaçãO1 Ann
 
Influenza a
Influenza aInfluenza a
Influenza a
 
Influenza h1 n1
Influenza h1 n1Influenza h1 n1
Influenza h1 n1
 
Influenza A H1 N1 2009
Influenza A H1 N1   2009Influenza A H1 N1   2009
Influenza A H1 N1 2009
 
Gripe A
Gripe AGripe A
Gripe A
 
ApresentaçãO PopulaçãO Sobre Gripe A
ApresentaçãO PopulaçãO Sobre Gripe AApresentaçãO PopulaçãO Sobre Gripe A
ApresentaçãO PopulaçãO Sobre Gripe A
 
H1 n1
H1 n1H1 n1
H1 n1
 
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
 

Semelhante a Epidemiologia

Gripe SuíNa
Gripe SuíNaGripe SuíNa
Gripe SuíNa
izabelfonseca
 
Gripe SuíNa
Gripe SuíNaGripe SuíNa
Gripe SuíNa
Augusto Mello
 
O virus influenza h1 n1
O virus influenza h1 n1O virus influenza h1 n1
O virus influenza h1 n1
zetec10
 
H1 n1
H1 n1H1 n1
H1N1
H1N1 H1N1
FlueducaçãO080709 Final Revisado 06 07 2009 Completo
FlueducaçãO080709 Final Revisado 06 07 2009 CompletoFlueducaçãO080709 Final Revisado 06 07 2009 Completo
FlueducaçãO080709 Final Revisado 06 07 2009 Completo
escola
 
Trabalho
TrabalhoTrabalho
Trabalho
guestf07d899
 
X Gripe A Grp9
X Gripe A Grp9X Gripe A Grp9
X Gripe A Grp9
ac8cgrp9
 
Edição 5
Edição 5Edição 5
Edição 5
gimenezeassociados
 
Gripe Virus H5 N1[1]
Gripe Virus H5 N1[1]Gripe Virus H5 N1[1]
Gripe Virus H5 N1[1]
guesta606d9
 
Apresentação gripe influenza h1n1
Apresentação gripe influenza h1n1Apresentação gripe influenza h1n1
Apresentação gripe influenza h1n1
Paulo Santos
 
Microrganismo e doenças emergentes .pptx
Microrganismo e doenças emergentes .pptxMicrorganismo e doenças emergentes .pptx
Microrganismo e doenças emergentes .pptx
RicardoGabriel55
 
Gripe Suína- H1N1. Epidemiologia e outros.
Gripe Suína- H1N1. Epidemiologia e outros.Gripe Suína- H1N1. Epidemiologia e outros.
Gripe Suína- H1N1. Epidemiologia e outros.
FagnaFerreira
 
Doencas emergentes e reemergentes 2008-novo
Doencas emergentes e reemergentes 2008-novoDoencas emergentes e reemergentes 2008-novo
Doencas emergentes e reemergentes 2008-novo
bhbiohorrores
 
Gripe
GripeGripe
Gripe
GripeGripe
X Gripe A Grp11
X Gripe A Grp11X Gripe A Grp11
X Gripe A Grp11
ap8cgrp11
 
Gripe A
Gripe AGripe A
Gripe A
Ana Rita
 
Influenza_2020.ppt
Influenza_2020.pptInfluenza_2020.ppt
Influenza_2020.ppt
Anderson Cezar
 
Gripes e Resfriados
Gripes e ResfriadosGripes e Resfriados
Gripes e Resfriados
João Pedro Sanches
 

Semelhante a Epidemiologia (20)

Gripe SuíNa
Gripe SuíNaGripe SuíNa
Gripe SuíNa
 
Gripe SuíNa
Gripe SuíNaGripe SuíNa
Gripe SuíNa
 
O virus influenza h1 n1
O virus influenza h1 n1O virus influenza h1 n1
O virus influenza h1 n1
 
H1 n1
H1 n1H1 n1
H1 n1
 
H1N1
H1N1 H1N1
H1N1
 
FlueducaçãO080709 Final Revisado 06 07 2009 Completo
FlueducaçãO080709 Final Revisado 06 07 2009 CompletoFlueducaçãO080709 Final Revisado 06 07 2009 Completo
FlueducaçãO080709 Final Revisado 06 07 2009 Completo
 
Trabalho
TrabalhoTrabalho
Trabalho
 
X Gripe A Grp9
X Gripe A Grp9X Gripe A Grp9
X Gripe A Grp9
 
Edição 5
Edição 5Edição 5
Edição 5
 
Gripe Virus H5 N1[1]
Gripe Virus H5 N1[1]Gripe Virus H5 N1[1]
Gripe Virus H5 N1[1]
 
Apresentação gripe influenza h1n1
Apresentação gripe influenza h1n1Apresentação gripe influenza h1n1
Apresentação gripe influenza h1n1
 
Microrganismo e doenças emergentes .pptx
Microrganismo e doenças emergentes .pptxMicrorganismo e doenças emergentes .pptx
Microrganismo e doenças emergentes .pptx
 
Gripe Suína- H1N1. Epidemiologia e outros.
Gripe Suína- H1N1. Epidemiologia e outros.Gripe Suína- H1N1. Epidemiologia e outros.
Gripe Suína- H1N1. Epidemiologia e outros.
 
Doencas emergentes e reemergentes 2008-novo
Doencas emergentes e reemergentes 2008-novoDoencas emergentes e reemergentes 2008-novo
Doencas emergentes e reemergentes 2008-novo
 
Gripe
GripeGripe
Gripe
 
Gripe
GripeGripe
Gripe
 
X Gripe A Grp11
X Gripe A Grp11X Gripe A Grp11
X Gripe A Grp11
 
Gripe A
Gripe AGripe A
Gripe A
 
Influenza_2020.ppt
Influenza_2020.pptInfluenza_2020.ppt
Influenza_2020.ppt
 
Gripes e Resfriados
Gripes e ResfriadosGripes e Resfriados
Gripes e Resfriados
 

Epidemiologia

  • 1. Epidemiologia<br />Perspectiva histórica<br />Antes de 1918, a gripe em humanos era uma doença bem conhecida, mas nunca tinha sido descrita em porcos. Com a pandemia da Influenza A H1N1 que ocorreu em 1918 e 1919 (mais conhecida como Gripe Espanhola), milhões de pessoas foram afetadas e muitos porcos também passaram a apresentar sintomas respiratórios que se assemelhavam muito à doença nos humanos. Desde 1958, 37 casos da gripe suína em humanos foram documentados. Seis casos resultaram em morte e 44% dos pacientes tinham exposição a porcos. <br />Perfil da doença no mundo<br />Em março e abril de 2009, um surto de doença respiratória foi primeiramente descrito no México, o qual foi relacionado ao vírus Influenza A H1N1.[4] O surto se espalhou rapidamente para Estados Unidos, Canadá e para o resto do mundo graças às viagens aéreas. <br />Segundo a OMS, 207 países e territórios notificaram casos confirmados laboratorialmente de gripe suína, incluindo pelo menos 8.768 óbitos.[11] Como a doença se espalhou amplamente, alguns países pararam de contar casos individuais, principalmente aqueles que apresentam sintomas leves, de modo que a OMS agora só divulga o total de óbitos. <br />Gripe suína zoonótica<br />A gripe suína é endémica em porcos<br />A gripe suína(tambem conhecida como gripe A) é comum em porcos da região centro-oeste dos Estados Unidos da América (e ocasionalmente noutros estados), no México, Canadá, América do Sul, Europa (Incluindo o Reino Unido, Suécia e Itália), Quénia, China continental, Taiwan, Japão e outras partes da Ásia oriental. <br />O vírus da gripe suína causa uma doença respiratória altamente contagiosa entre os suínos, sem provocar contudo grande mortalidade. Habitualmente não afeta humanos; no entanto, existem casos esporádicos de contágio, laboratorialmente confirmados, em determinados grupos de risco. A infecção ocorre em pessoas em contacto directo e constante com estes animais, como agricultores e outros profissionais da área. A transmissão entre pessoas e suínos pode ocorrer de forma directa ou indirecta, através das secreções respiratórias, ao contactar ou inalar partículas infectadas. O quadro clínico da infecção pelo vírus da gripe suína é em geral idêntico ao de uma gripe humana sazonal.<br />Os suínos podem igualmente ser infectados pelo vírus da influenza humana - o que parece ter ocorrido durante a gripe de 1918 e o surto de gripe A (H1N1) de 2009 - assim como pelo vírus da influenza aviário. A transmissão de gripe suína de porcos a humanos não é comum e carne de porco correctamente cozida não coloca risco de infecção. Quando transmitido, o vírus nem sempre causa gripe em humanos, e muitas vezes o único sinal de infecção é a presença de anticorpos no sangue, detectáveis apenas por testes laboratoriais.<br />Quando a transmissão resulta em gripe num ser humano, é designada gripe suína zoonótica. As pessoas que trabalham com porcos, sujeitas a uma exposição intensa, correm o risco de contrair gripe suína. No entanto, apenas 50 transmissões desse género foram registadas desde meados do século XX, quando a identificação de subtipos de gripe se tornou possível. Raramente, estas estirpes de gripe suína podem ser transmitidas entre seres humanos.<br />Influenza A (H1N1)<br />Progressão, sintomas e tratamento<br />Diagrama dos sintomas da gripe A (H1N1) no ser humano.1- Corpo em geral - febre2- Psicológico - letargia, falta de apetite3- Nasofaringe - rinorreia, dor de garganta4- Sistema Respiratório - tosse5- Gástrico - náuseas, vómitos6- Intestino - diarréia. <br />Assim como a gripe humana comum, a influenza A (H1N1) apresenta como sintomas febre repentina, fadiga, dores pelo corpo, tosse, coriza, dores de garganta e dificuldades respiratórias. Esse novo surto, aparentemente, também causa mais diarreia e vômitos que a gripe convencional.<br />De acordo com a OMS, os medicamentos antivirais oseltamivir e zanamivir, em testes iniciais mostraram-se efetivos contra o vírus H1N1. <br />Ter hábitos de higiene regulares, como lavar as mãos, é uma das formas de prevenir a transmissão da doença. Além disto, deve-se evitar o contato das mãos com olhos, nariz e boca depois de tocar em superfícies, usar lenços descartáveis ao tossir ou espirrar, evitar aglomerações e ambientes fechados e ter hábitos saudáveis como hidratação corporal, alimentação equilibrada e atividade física. Caso ocorra a contaminação, o paciente deve evitar sair de casa até cinco dias após o início dos sintomas, pois este é o período de transmissão da gripe A. <br />Algumas organizações religiosas também orientaram aos fiéis evitar abraços, apertos de mãos ou qualquer outro tipo de contato físico para impedir a dispersão do vírus durante os cultos religiosos. <br />Grupos de risco<br />Desde que as mortes em decorrência da gripe suína foram identificadas, alguns grupos de risco foram observados. São eles: <br />Gestantes<br />Idosos (maiores de 65 anos) - neste grupo existe uma situação especial pois os idosos tem sistema imunológico baixo.<br />Crianças (menores de 2 anos)<br />Doentes crônicos<br />Problemas cardiovasculares, exceto hipertensos<br />Asmáticos<br />Portadores de doença obstrutiva crônica<br />Problemas hepáticos e renais<br />Doenças metabólicas<br />Doenças que afetam o sistema imunológico<br />Obesos<br />Formas de contágio<br />Imagem de microscópio eletrónico de uma coloração negativa de um vírus de gripe H1N1 rearranjado.<br />A contaminação se dá da mesma forma que a gripe comum, por via aérea, contato direto com o infectado, ou indireto (através das mãos) com objetos contaminados. Não há contaminação pelo consumo de carne ou produtos suínos. Cozinhar a carne de porco a 70 graus Celsius destrói quaisquer microorganismos patogênicos. Não foram identificados animais (porcos) doentes no local da epidemia (México). Trata-se, possivelmente, de um vírus mutante, com material genético das gripes humana, aviária e <br />Surto de gripe suína de 2009<br />O surto de gripe suína de 2009 em humanos, oficialmente denominado como gripe A (H1N1) ou influenza A (H1N1) e inicialmente conhecido como gripe mexicana, gripe norte-americana, influenza norte-americana ou nova gripe, deveu-se a uma nova estirpe de influenzavirus A subtipo H1N1 que continha genes relacionados de modo muito próximo à gripe suína. A origem desta nova estirpe é desconhecida. No entanto, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) anunciou que esta estirpe não foi isolada em porcos. Esta estirpe transmite-se de humano para humano,e causa os sintomas habituais da gripe.<br />Vacina<br />Existe uma vacina para porcos, mas nenhuma para humanos. A vacina contra a gripe quot; convencionalquot; oferece pouca ou nenhuma proteção contra o vírus H1N1. O Japão anunciou que pretende desenvolver uma vacina eficaz e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) vem investigando formas de tratamento.O Instituto Butantan, em São Paulo, está colaborando com a Organização Mundial de Saúde em uma pesquisa para elaborar uma vacina contra a gripe suína e prevê finalizar o processo dentro de quatro a seis meses. Todavia, segundo Karl Nicholson, da Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha, se o vírus evoluir para uma pandemia, a primeira onda vai chegar e irá embora antes que uma vacina tenha sido produzida. Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) mapearam as sequências genéticas dos primeiros vírus influenza A (H1N1) a chegarem ao Brasil, que foram, segundo o Ministério da Saúde, coletados de quatro pacientes: dois do Rio de Janeiro, um de Minas Gerais e um de São Paulo. Segundo uma análise preliminar, o vírus encontrado nos casos brasileiros é idêntico ao que circula em outras localidades. Segundo Fernando Motta, pesquisador do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do IOC, o sequenciamento genético é fundamental para acompanhar a evolução do vírus no país e abre a possibilidade para o desenvolvimento de protocolos de diagnóstico. <br />