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Em Nome da Luz ou uma poética do silêncio
Nenhuma palavra é mais obsidiantemente procurada na obra de João Ricardo Lopes
do que aquela que escreve silêncio. Em todos os seus livros, não excluindo os de ficção, ela
(re)ocorre investida do peso, do poder, do prestígio de um vocábulo-fétiche (como o próprio
autor reconhece1
), em torno do qual se estrutura uma poética de recusa, cisão e reconstrução
do mundo, a partir da visão minimalista que a si mesmo e aos outros impõe.
No seu último volume de poemas, Em Nome da Luz (2022), a palavra-conceito
silêncio é convocada em onze das quarenta composições do livro. Significativamente, como
o penitente que pratica um ato de ablução, como o neófito que encontra a sua paz, como o
caminhante que descortina um sentido para a sua existência, como o criador que define uma
fórmula, o poeta anota:
EM LOUVOR DO SILÊNCIO
quando precisas de silêncio,
lavas as mãos muitas vezes,
aqueces sem pressa uma chávena de café,
lês os haicais de Bashô
o silêncio, como os caminhos procurados
entre as cidades, não é absolutamente fiável –
é uma adoração apenas, uma labareda,
onde arde o teu amor
e às vezes, sem querer,
um poema2
Há aqui a verbalização – e recordo apenas o grande mestre Ruy Belo – de um
ensinamento que vem confirmar que “Nenhum grande poeta terá deixado de sentir a sedução
do silêncio”, porquanto “É-se poeta em exercício, não tanto pelo que se diz como pelo que
subtilmente se indica ficar por dizer”3
. Clarifica-se nestes versos, com efeito, não apenas
um intuito purificador, do poeta que deseja desprender-se da sujidade (“lavas as mãos muitas
1
Cf. entrevista de João Ricardo Lopes à revista Novos Livros – “João Ricardo Lopes: “Dormir uma noite inteira e acordar
com vontade de recomeçar a vida”, disponível em linha em https://shorturl.at/beky8 (consultado em 2023-06-03).
2
Em Nome da Luz, Elefante Editores, s.l., 2022, p. 43.
3
Ruy Belo, «Poesia e Crítica de Poesia», Na Senda da Poesia, Assírio & Alvim, Lisboa, 2002, p. 61.
2
vezes”), mas também – consumada a purificação – o desejo de (re)unir-se a rotinas simples
despoletadoras do ato criativo, como sejam o preparar uma chávena de café, o ler os haikus
de Bashô, o nutrir-se do fascínio – leia-se “labareda” – que o contacto com as coisas íntimas
e despidas torna possível.
Esta grande introspeção que o silêncio traduz para João Ricardo Lopes, sinónima de
catarse, de ascese, vem já embrionariamente plasmada em obras anteriores, particularmente
no magnífico Eutrapelia (2021). Nele, no poema “Duomo, Milão”, ecoam com leveza
espantosa os gestos que o peregrino, o asceta, o homo silens escrevem num esforço de
supressão de si mesmos, num empenhamento para o vazio interior e para a busca de
redenção:
DUOMO, MILÃO
as primeiras impressões são a pedra talhada,
a luz periclitante nos vitrais
depois os joelhos tocam a madeira
e as mãos tocam o rosto
a oração segregada devagar
num fio de voz
invade a rocha até ao último dos nossos pecados
o silêncio é total.
através das naves e das colunas, ele atinge
o extremo do templo
e é puro
pertencemos a outra era,
as impressões derradeiras são já distantes,
como alguém chamando de dentro de um sonho
ou chamando de outro mundo4
De que se se pode salvar, ou sobreviver, pela catarse sabemo-lo desde os gregos. A
força dramática das palavras tem, a par da beleza (rudeza) lírica das suas imagens,
constituído uma das conquistas mais sublimes da literatura. No caso particular da poesia de
4
Eutrapelia, Editora Labirinto, Fafe, 2021, p. 14.
3
João Ricardo Lopes, poeta que conheço desde a sua inclusão na terceira e última edição da
antologia Anos 90 e Agora (2005), tende esta catarse a confundir-se com fuga à realidade,
ou antes com uma feroz resistência à realidade, através do alheamento e da busca de solidão,
através da escolha de (dir-se-ia preferência por) pormenores dessa realidade que propendem
em última instância a anulá-la: falo da realidade que o poeta decompõe e recompõe em
elementos simples, insignificâncias, bagatelas, detalhes que apenas o silêncio e a atenção
autorizam a conhecer, aquilo a que Jean-Luc Nancy designa por “misérias literárias”5
e que
conferem à sua escrita um ímpeto (por vezes enumerativo) absolutamente encantador.
ESTA MANHÃ O SILÊNCIO
esta manhã o silêncio subiu pelas paredes e pelas asnas,
trepou as travincas, as teias altas, as cérceas geladas
e atravessou a pedra, o cimento, as fissuras, o próprio ar
sou agora toda a minha vida, o meu destino
e a casa estremeceu
e as palavras – ferro congelado –
doeram nas mãos6
O inusitado fundo imagético que decorre das mãos deste outrora novíssimo leva-me
a recordar o agrado com que, na malograda Bulhosa, acolhi o seu Contra o Esquecimento
das Mãos (2002), quando compelido a estudar a nova geração de poetas, li versos deste jaez:
de refracção em refracção afunda-se
o pensamento nos linhos da casa
é branca a tarde
na alma garimpam-se as impuridades7
5
Jean-Luc Nancy, «Compter avec la poésie», Resistance de la Poésie, William Blake & CO, s.l., 2004, p. 24 : « Si la
poésie insiste et résiste – elle résiste à tout, en quelque sorte, et c’est peut-être aussi pourquoi les poètes font souvent
«figure de peintres du dimanche», comme vous dites avec raison : l’insistance de la poésie va jusq’aux formes les plus
humbles, les plus pauvres, les plus démunies, jusq’à des véritables misères littéraires, jusq’au goût le plus sucré ou le plus
sot pour des bouillies à demi cadencées d’ésotérisme et de sentimentalité (il y là comme une clochardisation), mais elle va
jusque-là, si bas, parce-qu’elle insiste, elle demande quelque chose, et quelque chose que, je le crois vraiment, on ne peut
pas réduire aux retombées petites-bourgeoises du pire romantisme (…) ».
6
Op. Cit. (2022), p. 30.
7
Contra o Esquecimento das Mãos, Editora Labirinto, Fafe, 2002, p. 46.
4
Ou:
durante o intermezzo
cumprimos o possível
das enxúndias, do bodum
dos lodos nos limpámos
até sermos desta transparência de água8
Recordo, a propósito, uma conversa com Jorge Reis-Sá, que deste poeta me propôs
também a leitura do seu primeiro livro, premiado pela Associação de Escritores Portugueses,
em 2001. Nele, um curto poemário intitulado A Pedra Que Chora Como Palavras, surgem
já – em alicerce – as temáticas que o tempo viria a permitir enovelar e desenvolver. Por
exemplo, o apelo (magnetizante) da metapoesia. Por exemplo, o exercício cinematográfico
dos cenários onde se faz retratar (autobiográfica ou fictivamente) a voz que se ergue das /
se esconde nas paredes translúcidas do poema. Por exemplo, a musicalidade e o ritmo
sincopado dos versos, quase sempre curtos e lapidares. Por exemplo, a minudência visual,
o olho veemente que absorve as nuances de um anoitecer. Por exemplo, o apuramento da
metáfora, muitas vezes insólita, acutilante, desarvorada. Por exemplo, em conclusão, o
poder reparador do silêncio – do silêncio de que vimos falando – e que representa bem a
tensão permanente entre equilíbrio e desequilíbrio de que fala Rosa Maria Martelo9
.
no outono, quando se oxidam
as folhas,
parece-se mais nítido e
perturbador o brilho dos poetas
com os cigarros no casaco
e um bilhete de comboio para parte incerta
anotamos brevemente na pele da mão
que um dia, se voltarmos,
será apenas por este pouco silêncio (…)10
8
Ibidem, p. 48.
9
Rosa Maria Martelo, «Poesia e des-equilíbrios», A Forma Informe, Assírio & Alvim, Lisboa, 2010, p. 9: “Se a poesia
pressupõe ou procura o equilíbrio, é porque se joga no limiar de o perder e num permanente confronto com o desequilíbrio.
(…) Faz parte do movimento construtivo da poesia um certo desencontro do poema com ele mesmo, isto é, o desajuste
das suas próprias estruturas e a possibilidade de fazer «oscilar» (o termo é de Luiza Neto Jorge) os pressupostos que lhe
serviram de ponto de partida.”
10
A Pedra Que Chora Como Palavras, Editora Labirinto, Fafe, 2001, p. 35.
5
Estarei, porventura, a desviar-me do ponto nevrálgico em que gostaria de fixar a
atenção. E esse ponto consiste na admissão de que habitam a poesia do autor de Em Nome
da Luz – insuficientemente conhecida, escassamente divulgada – apelos sucessivos a uma
prática diária de limpeza, de decantação, de precisão, de higienização, insinuada mais ou
menos explicitamente em poemas inúmeros onde o eu voluntariamente renuncia aos luxos
literários para se comprazer com a dignidade do mínimo, mínimo esse que, paradoxalmente,
transporta o máximo do ethos poético. Assim o exprime, por exemplo, no belíssimo
penúltimo poema do seu último livro.
HIGIENE DIÁRIA
coisas de que um homem precisa:
dos doze girassóis de van Gogh,
dos quatro Evangelhos,
de sabão rosa11
Sublinho este apontamento. Sublinho-o, visto que me parece notório que a poesia
deste autor tem evoluído no sentido de um pendor sincrético, que confunde
progressivamente mais obra e autor, deixando perceber que a poesia não é para si uma mera
arte de versos (como a metapoesia sugere), mas uma apologia da vida eremita, um manifesto
pessoalíssimo de cosmificação12
, um caminho salvífico do sujeito pelo meio das veredas do
abismo: nada lhe importa tanto como a curta vida do poema, como o poder habitá-lo seja de
que forma for, ainda que possa, como tão bem o escreveu Gastão Cruz, “Tratar-se de um
trabalho destinado ao malogro”13
, ainda que esse pouco possa albergar tudo quanto foi capaz
de aquilatar na vida.
Será, porventura, esse o fito desta poética do silêncio de João Ricardo Lopes:
incumbir ao escrito a missão de se anular a si mesmo, de se nadificar14
no sentido em que
11
Op. Cit. (2022), p. 46.
12
O termo é de Luís Miguel Nava, que o diz assim: “Todo o acto poético é uma cosmificação. Cosmificação que se opera
a partir do caos a que dá lugar a destruição da língua. Não por acaso o acto poético se chama de criação e a etimologia
aproxima a poesia do fazer.” Cf. «Artaud: Tric Trac du Ciel – Uma visão de conjunto», Ensaios Reunidos, Assírio &
Alvim, Lisboa, 2004, p. 40.
13
Gastão Cruz, As Leis do Caos, Assírio & Alvim, Lisboa, 1990, p. 35.
14
No primeiro capítulo de O Ser e o Nada, Sartre anota: “(…) é preciso, primeiramente, reconhecer que não podemos
conceder ao nada a propriedade de «se nadificar». Já que, ainda que o verbo «nadificar» tenha sido concebido para tirar
ao nada até a mínima aparência do ser, é preciso confessar que somente o ser se pode nadificar, já que, seja de que modo
for, para se nadificar é preciso ser. Ora, o nada não é. Se podemos falar dele é porque possui tão somente uma aparência
de ser, um ser emprestado (…). Por outro lado, o ser pelo qual o nada vem ao mundo não pode produzir o nada mantendo-
6
Jean-Paul Sartre o aduz, de criar (num processo antecipado de autoapagamento) o milagre
da vida e, nele, muito em particular, o parto do poema, mais ou menos como quem
efemeramente desenha ou constrói sobre um areal e existe apenas porque existiu. Esse
processo, assumido cada vez mais como única via, abre a porta a toda uma ordem do caos:
o poeta é aquele que descobre por acaso, aquele que desvenda por acidente, aquele que
encontra algo buscando outra coisa.
SERENDIPISMO
pensava em Fernando Pessoa,
em ti,
na quantidade de amor que nos exigem as palavras,
no nevoeiro sobre o Zambeze,
nas trovoadas de maio,
na nervura rigorosa de cada folha
encontra-se a perfeição procurando outra coisa,
o vazio, por exemplo
hoje relembrei os abetos de Cremona.
senti de novo a dureza do frio e o pavor do vento
percutindo na floresta
o vazio é também uma forma de serendipismo:
buscas o poema e achá-lo-ás15
Considero interessantíssimo este poema de Em Nome da Luz, título recebedor há
poucos meses do Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres. Todo o volume pede olhos
avisados. Quem acompanha o percurso poético deste autor saberá reconhecer que ele se vem
impondo um pouco em contramão (ou em contramaré), não apenas pelo destaque que
confere à metáfora16
, nem pelo reaproveitamento lexical de termos já em franco desuso (ou
se indiferente a essa produção, como a causa estoica produzindo o seu efeito sem se alterar. (…)” Cf. «A Origem da
Negação», O Ser e o Nada – Ensaio de Ontologia Fenomenológica, Edições 70, Lisboa, 2021, pp. 77-78.
15
Op. Cit. (2022), p. 17.
16
Bastará levar em linha de conta o que Rosa Maria Martelo assinalou, quando diz que “Creio que uma das consequências
do empobrecimento da condição ontológica da poesia passa pela secundarização do papel da metáfora e pela construção
de um modo de expressão essencialmente alegórico.” Cf. «veladas transparências (o olhar do alegorista), Vidro do Mesmo
Vidro – Tensões e deslocamentos na poesia portuguesa depois de 1961, Campo das Letras, Porto, 2007, pp. 86-87.
7
até mesmo esquecidos), nem pelo quase monacal voto de isolamento a que o escritor se
entregou (razão justificadora por si só do seu quase anonimato), como sobretudo pelo quieto
movimento de compor o nada, de amar o insignificante, de acreditar piamente no inútil de
todo o ruído do mundo.
DA SABEDORIA
alimenta-te da chuva,
de tubérculos ocasionais, da fruta
silvestre,
alimenta-te das paisagens,
do silêncio mais
rigoroso
a poesia, na sua essência,
é eremita.
tudo o mais é excessivo
e inútil.
tudo o mais é vento,
veneno que passa17
Valerá a pena lembrar que tudo o que é “excessivo” e “inútil”, “vento” ou “veneno
que passa” não cabe na poesia (“inutilia truncat” prescreveria Horácio”), tão-pouco na alma
de um homem limpo, profundamente cônscio da exiguidade da vida (não sou eu quem o diz,
mas o Eclesiastes).
Em suma, não existe melhor entendimento do que possa valer um livro, um poema,
um verso, do que o sentimento de retidão nele defendido até ao “silêncio mais rigoroso”.
Signifique esse silêncio – meça-o o leitor – o muito que significar.
Bahia, 08.06.2023 / Paulo José Miranda
17
Op. Cit. (2022), p. 44.

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  • 1. Em Nome da Luz ou uma poética do silêncio Nenhuma palavra é mais obsidiantemente procurada na obra de João Ricardo Lopes do que aquela que escreve silêncio. Em todos os seus livros, não excluindo os de ficção, ela (re)ocorre investida do peso, do poder, do prestígio de um vocábulo-fétiche (como o próprio autor reconhece1 ), em torno do qual se estrutura uma poética de recusa, cisão e reconstrução do mundo, a partir da visão minimalista que a si mesmo e aos outros impõe. No seu último volume de poemas, Em Nome da Luz (2022), a palavra-conceito silêncio é convocada em onze das quarenta composições do livro. Significativamente, como o penitente que pratica um ato de ablução, como o neófito que encontra a sua paz, como o caminhante que descortina um sentido para a sua existência, como o criador que define uma fórmula, o poeta anota: EM LOUVOR DO SILÊNCIO quando precisas de silêncio, lavas as mãos muitas vezes, aqueces sem pressa uma chávena de café, lês os haicais de Bashô o silêncio, como os caminhos procurados entre as cidades, não é absolutamente fiável – é uma adoração apenas, uma labareda, onde arde o teu amor e às vezes, sem querer, um poema2 Há aqui a verbalização – e recordo apenas o grande mestre Ruy Belo – de um ensinamento que vem confirmar que “Nenhum grande poeta terá deixado de sentir a sedução do silêncio”, porquanto “É-se poeta em exercício, não tanto pelo que se diz como pelo que subtilmente se indica ficar por dizer”3 . Clarifica-se nestes versos, com efeito, não apenas um intuito purificador, do poeta que deseja desprender-se da sujidade (“lavas as mãos muitas 1 Cf. entrevista de João Ricardo Lopes à revista Novos Livros – “João Ricardo Lopes: “Dormir uma noite inteira e acordar com vontade de recomeçar a vida”, disponível em linha em https://shorturl.at/beky8 (consultado em 2023-06-03). 2 Em Nome da Luz, Elefante Editores, s.l., 2022, p. 43. 3 Ruy Belo, «Poesia e Crítica de Poesia», Na Senda da Poesia, Assírio & Alvim, Lisboa, 2002, p. 61.
  • 2. 2 vezes”), mas também – consumada a purificação – o desejo de (re)unir-se a rotinas simples despoletadoras do ato criativo, como sejam o preparar uma chávena de café, o ler os haikus de Bashô, o nutrir-se do fascínio – leia-se “labareda” – que o contacto com as coisas íntimas e despidas torna possível. Esta grande introspeção que o silêncio traduz para João Ricardo Lopes, sinónima de catarse, de ascese, vem já embrionariamente plasmada em obras anteriores, particularmente no magnífico Eutrapelia (2021). Nele, no poema “Duomo, Milão”, ecoam com leveza espantosa os gestos que o peregrino, o asceta, o homo silens escrevem num esforço de supressão de si mesmos, num empenhamento para o vazio interior e para a busca de redenção: DUOMO, MILÃO as primeiras impressões são a pedra talhada, a luz periclitante nos vitrais depois os joelhos tocam a madeira e as mãos tocam o rosto a oração segregada devagar num fio de voz invade a rocha até ao último dos nossos pecados o silêncio é total. através das naves e das colunas, ele atinge o extremo do templo e é puro pertencemos a outra era, as impressões derradeiras são já distantes, como alguém chamando de dentro de um sonho ou chamando de outro mundo4 De que se se pode salvar, ou sobreviver, pela catarse sabemo-lo desde os gregos. A força dramática das palavras tem, a par da beleza (rudeza) lírica das suas imagens, constituído uma das conquistas mais sublimes da literatura. No caso particular da poesia de 4 Eutrapelia, Editora Labirinto, Fafe, 2021, p. 14.
  • 3. 3 João Ricardo Lopes, poeta que conheço desde a sua inclusão na terceira e última edição da antologia Anos 90 e Agora (2005), tende esta catarse a confundir-se com fuga à realidade, ou antes com uma feroz resistência à realidade, através do alheamento e da busca de solidão, através da escolha de (dir-se-ia preferência por) pormenores dessa realidade que propendem em última instância a anulá-la: falo da realidade que o poeta decompõe e recompõe em elementos simples, insignificâncias, bagatelas, detalhes que apenas o silêncio e a atenção autorizam a conhecer, aquilo a que Jean-Luc Nancy designa por “misérias literárias”5 e que conferem à sua escrita um ímpeto (por vezes enumerativo) absolutamente encantador. ESTA MANHÃ O SILÊNCIO esta manhã o silêncio subiu pelas paredes e pelas asnas, trepou as travincas, as teias altas, as cérceas geladas e atravessou a pedra, o cimento, as fissuras, o próprio ar sou agora toda a minha vida, o meu destino e a casa estremeceu e as palavras – ferro congelado – doeram nas mãos6 O inusitado fundo imagético que decorre das mãos deste outrora novíssimo leva-me a recordar o agrado com que, na malograda Bulhosa, acolhi o seu Contra o Esquecimento das Mãos (2002), quando compelido a estudar a nova geração de poetas, li versos deste jaez: de refracção em refracção afunda-se o pensamento nos linhos da casa é branca a tarde na alma garimpam-se as impuridades7 5 Jean-Luc Nancy, «Compter avec la poésie», Resistance de la Poésie, William Blake & CO, s.l., 2004, p. 24 : « Si la poésie insiste et résiste – elle résiste à tout, en quelque sorte, et c’est peut-être aussi pourquoi les poètes font souvent «figure de peintres du dimanche», comme vous dites avec raison : l’insistance de la poésie va jusq’aux formes les plus humbles, les plus pauvres, les plus démunies, jusq’à des véritables misères littéraires, jusq’au goût le plus sucré ou le plus sot pour des bouillies à demi cadencées d’ésotérisme et de sentimentalité (il y là comme une clochardisation), mais elle va jusque-là, si bas, parce-qu’elle insiste, elle demande quelque chose, et quelque chose que, je le crois vraiment, on ne peut pas réduire aux retombées petites-bourgeoises du pire romantisme (…) ». 6 Op. Cit. (2022), p. 30. 7 Contra o Esquecimento das Mãos, Editora Labirinto, Fafe, 2002, p. 46.
  • 4. 4 Ou: durante o intermezzo cumprimos o possível das enxúndias, do bodum dos lodos nos limpámos até sermos desta transparência de água8 Recordo, a propósito, uma conversa com Jorge Reis-Sá, que deste poeta me propôs também a leitura do seu primeiro livro, premiado pela Associação de Escritores Portugueses, em 2001. Nele, um curto poemário intitulado A Pedra Que Chora Como Palavras, surgem já – em alicerce – as temáticas que o tempo viria a permitir enovelar e desenvolver. Por exemplo, o apelo (magnetizante) da metapoesia. Por exemplo, o exercício cinematográfico dos cenários onde se faz retratar (autobiográfica ou fictivamente) a voz que se ergue das / se esconde nas paredes translúcidas do poema. Por exemplo, a musicalidade e o ritmo sincopado dos versos, quase sempre curtos e lapidares. Por exemplo, a minudência visual, o olho veemente que absorve as nuances de um anoitecer. Por exemplo, o apuramento da metáfora, muitas vezes insólita, acutilante, desarvorada. Por exemplo, em conclusão, o poder reparador do silêncio – do silêncio de que vimos falando – e que representa bem a tensão permanente entre equilíbrio e desequilíbrio de que fala Rosa Maria Martelo9 . no outono, quando se oxidam as folhas, parece-se mais nítido e perturbador o brilho dos poetas com os cigarros no casaco e um bilhete de comboio para parte incerta anotamos brevemente na pele da mão que um dia, se voltarmos, será apenas por este pouco silêncio (…)10 8 Ibidem, p. 48. 9 Rosa Maria Martelo, «Poesia e des-equilíbrios», A Forma Informe, Assírio & Alvim, Lisboa, 2010, p. 9: “Se a poesia pressupõe ou procura o equilíbrio, é porque se joga no limiar de o perder e num permanente confronto com o desequilíbrio. (…) Faz parte do movimento construtivo da poesia um certo desencontro do poema com ele mesmo, isto é, o desajuste das suas próprias estruturas e a possibilidade de fazer «oscilar» (o termo é de Luiza Neto Jorge) os pressupostos que lhe serviram de ponto de partida.” 10 A Pedra Que Chora Como Palavras, Editora Labirinto, Fafe, 2001, p. 35.
  • 5. 5 Estarei, porventura, a desviar-me do ponto nevrálgico em que gostaria de fixar a atenção. E esse ponto consiste na admissão de que habitam a poesia do autor de Em Nome da Luz – insuficientemente conhecida, escassamente divulgada – apelos sucessivos a uma prática diária de limpeza, de decantação, de precisão, de higienização, insinuada mais ou menos explicitamente em poemas inúmeros onde o eu voluntariamente renuncia aos luxos literários para se comprazer com a dignidade do mínimo, mínimo esse que, paradoxalmente, transporta o máximo do ethos poético. Assim o exprime, por exemplo, no belíssimo penúltimo poema do seu último livro. HIGIENE DIÁRIA coisas de que um homem precisa: dos doze girassóis de van Gogh, dos quatro Evangelhos, de sabão rosa11 Sublinho este apontamento. Sublinho-o, visto que me parece notório que a poesia deste autor tem evoluído no sentido de um pendor sincrético, que confunde progressivamente mais obra e autor, deixando perceber que a poesia não é para si uma mera arte de versos (como a metapoesia sugere), mas uma apologia da vida eremita, um manifesto pessoalíssimo de cosmificação12 , um caminho salvífico do sujeito pelo meio das veredas do abismo: nada lhe importa tanto como a curta vida do poema, como o poder habitá-lo seja de que forma for, ainda que possa, como tão bem o escreveu Gastão Cruz, “Tratar-se de um trabalho destinado ao malogro”13 , ainda que esse pouco possa albergar tudo quanto foi capaz de aquilatar na vida. Será, porventura, esse o fito desta poética do silêncio de João Ricardo Lopes: incumbir ao escrito a missão de se anular a si mesmo, de se nadificar14 no sentido em que 11 Op. Cit. (2022), p. 46. 12 O termo é de Luís Miguel Nava, que o diz assim: “Todo o acto poético é uma cosmificação. Cosmificação que se opera a partir do caos a que dá lugar a destruição da língua. Não por acaso o acto poético se chama de criação e a etimologia aproxima a poesia do fazer.” Cf. «Artaud: Tric Trac du Ciel – Uma visão de conjunto», Ensaios Reunidos, Assírio & Alvim, Lisboa, 2004, p. 40. 13 Gastão Cruz, As Leis do Caos, Assírio & Alvim, Lisboa, 1990, p. 35. 14 No primeiro capítulo de O Ser e o Nada, Sartre anota: “(…) é preciso, primeiramente, reconhecer que não podemos conceder ao nada a propriedade de «se nadificar». Já que, ainda que o verbo «nadificar» tenha sido concebido para tirar ao nada até a mínima aparência do ser, é preciso confessar que somente o ser se pode nadificar, já que, seja de que modo for, para se nadificar é preciso ser. Ora, o nada não é. Se podemos falar dele é porque possui tão somente uma aparência de ser, um ser emprestado (…). Por outro lado, o ser pelo qual o nada vem ao mundo não pode produzir o nada mantendo-
  • 6. 6 Jean-Paul Sartre o aduz, de criar (num processo antecipado de autoapagamento) o milagre da vida e, nele, muito em particular, o parto do poema, mais ou menos como quem efemeramente desenha ou constrói sobre um areal e existe apenas porque existiu. Esse processo, assumido cada vez mais como única via, abre a porta a toda uma ordem do caos: o poeta é aquele que descobre por acaso, aquele que desvenda por acidente, aquele que encontra algo buscando outra coisa. SERENDIPISMO pensava em Fernando Pessoa, em ti, na quantidade de amor que nos exigem as palavras, no nevoeiro sobre o Zambeze, nas trovoadas de maio, na nervura rigorosa de cada folha encontra-se a perfeição procurando outra coisa, o vazio, por exemplo hoje relembrei os abetos de Cremona. senti de novo a dureza do frio e o pavor do vento percutindo na floresta o vazio é também uma forma de serendipismo: buscas o poema e achá-lo-ás15 Considero interessantíssimo este poema de Em Nome da Luz, título recebedor há poucos meses do Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres. Todo o volume pede olhos avisados. Quem acompanha o percurso poético deste autor saberá reconhecer que ele se vem impondo um pouco em contramão (ou em contramaré), não apenas pelo destaque que confere à metáfora16 , nem pelo reaproveitamento lexical de termos já em franco desuso (ou se indiferente a essa produção, como a causa estoica produzindo o seu efeito sem se alterar. (…)” Cf. «A Origem da Negação», O Ser e o Nada – Ensaio de Ontologia Fenomenológica, Edições 70, Lisboa, 2021, pp. 77-78. 15 Op. Cit. (2022), p. 17. 16 Bastará levar em linha de conta o que Rosa Maria Martelo assinalou, quando diz que “Creio que uma das consequências do empobrecimento da condição ontológica da poesia passa pela secundarização do papel da metáfora e pela construção de um modo de expressão essencialmente alegórico.” Cf. «veladas transparências (o olhar do alegorista), Vidro do Mesmo Vidro – Tensões e deslocamentos na poesia portuguesa depois de 1961, Campo das Letras, Porto, 2007, pp. 86-87.
  • 7. 7 até mesmo esquecidos), nem pelo quase monacal voto de isolamento a que o escritor se entregou (razão justificadora por si só do seu quase anonimato), como sobretudo pelo quieto movimento de compor o nada, de amar o insignificante, de acreditar piamente no inútil de todo o ruído do mundo. DA SABEDORIA alimenta-te da chuva, de tubérculos ocasionais, da fruta silvestre, alimenta-te das paisagens, do silêncio mais rigoroso a poesia, na sua essência, é eremita. tudo o mais é excessivo e inútil. tudo o mais é vento, veneno que passa17 Valerá a pena lembrar que tudo o que é “excessivo” e “inútil”, “vento” ou “veneno que passa” não cabe na poesia (“inutilia truncat” prescreveria Horácio”), tão-pouco na alma de um homem limpo, profundamente cônscio da exiguidade da vida (não sou eu quem o diz, mas o Eclesiastes). Em suma, não existe melhor entendimento do que possa valer um livro, um poema, um verso, do que o sentimento de retidão nele defendido até ao “silêncio mais rigoroso”. Signifique esse silêncio – meça-o o leitor – o muito que significar. Bahia, 08.06.2023 / Paulo José Miranda 17 Op. Cit. (2022), p. 44.